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Capítulo sobre a pré‑história pernambucana: pesquisas arqueológicas e debates sobre cronologias de povoamento; panorama da Chapada do Araripe (Formação Santana, pterossauros, Geopark Araripe e contrabando de fósseis) e vestígios neolíticos no Vale do Catimbau.

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2 
 
HISTÓRIA 
Professor Alcidélio Camelo 
 
A PRÉ-HISTÓRIA PERNAMBUCANA 
 
Apesar do árduo trabalho levado a cabo 
pelos arqueólogos, em especial da UFPE, da UNICAP 
e da UNIVASF em Pernambuco, um abismo de 
incompreensão ainda turva o que se sabe sobre 
período pré-duartino, isto é, anterior à chegada do 
donatário Duarte Coelho para tomar posse de sua 
Capitania, em 1535. 
 A própria origem de nossos mais remotos 
ancestrais ainda não pôde ser satisfatoriamente 
esclarecida, com a tradicional teoria sobre a 
migração glacial via Estreito de Behring, há cerca de 
12 mil anos, caindo por terra ante os novos indícios, 
encontrados pela pesquisadora Niède Guidon na 
Toca do Boqueirão (Serra da Capivara, Piauí), de que 
os paleoíndios possam ter aqui chegado há pelo 
menos 50 mil anos pela via marítima, após cruzarem 
o Pacífico. 
 
 
 
 A datação das cinzas desenterradas em São 
Raimundo Nonato, mediante a inquestionável 
técnica do carbono 14, atribuiu-lhes 48 mil anos de 
idade, mas sobre elas paira a tese de que, ao invés de 
reportarem a fogueiras feitas por caçadores 
primitivos, correspondem a resquícios de queimadas 
naturais. 
 
Tesouros de giz na Chapada do Araripe 
 O palco geológico de maior destaque no 
Estado é a Chapada do Araripe, com 8 mil km² de 
superfície e uma altitude média de 600m na divisa 
com o Ceará, consistindo em um dos principais sítios 
do Período Cretáceo do mundo. 
 A região é especial pelos achados geológicos 
e paleontológicos desde os primeiros anos do Século 
XIX, com registros entre 110 e 70 milhões de anos, 
em excepcional estado de preservação e diversidade. 
No Araripe está mais de um terço de todos os 
registros de pterossauros descritos no mundo, mais 
de 20 ordens diferentes de insetos e a única notação 
da interação inseto-planta. 
 Há similares destas mesmas espécies na 
África, vestígio de quando os continentes foram um 
só, formando a primaz Gondwanna (cerca de 36% do 
território brasileiro é constituído por maciços antigos 
que fizeram parte do supercontinente). 
 Os fósseis da "Formação de Santana", um dos 
setores geológicos da Bacia do Araripe mais ricos em 
vestígios de peixes, evidenciam a época em que o 
Sertão era um imenso mar continental, entre 112 e 
99 milhões de anos atrás. 
 Nos diversos sedimentos da Formação são 
encontrados vestígios de peixes, crustáceos, 
tartarugas, rãs, insetos, sáurios da terra e do ar, 
únicos no mundo inteiro, bem como maravilhosas 
plantas. A conservação de partes moles, como a pele 
de vôo de sáurios e seu conteúdo estomacal, não 
encontra paralelo. Além dos sedimentos do 
Cretáceo, também existem depósitos jurássicos mais 
antigos, como troncos fossilizados de árvores. Há 
ainda sítios arqueológicos que atestam uma 
ocupação humana do período neolítico (utensílios de 
pedra, cerâmica, pinturas rupestres, já com 5 a 7 mil 
anos). 
 A região, Pólo Gesseiro do Estado, 
respondendo por 95% da produção de gipsita no 
país, abriga atualmente o único geopark das 
Américas, o Geopark Araripe, aprovado e oficializado 
pela UNESCO em 2006 e formado por uma rede de 9 
parques de proteção e preservação de registros 
geológicos, paleontológicos e paisagens naturais. Lá 
também está o excelente Museu de Palentologia da 
URCA, em Santana do Cariri (CE). 
 A criação do Geopark e do Museu, bem como 
a atuação preventiva e repressiva da Polícia Federal, 
ajudou a inibir o contrabando internacional de 
fósseis nesta que é a maior reserva brasileira do tipo. 
Os “peixeiros”, como são conhecidos aqueles que 
exploram e comercializam clandestinamente os 
vestígios, a preços entre R$ 40 e 1.000 por peça, 
vendem-nos a atravessadores que os distribuem ao 
Primeiro Mundo, razão pela qual apenas 40% dos 
restos arqueológicos descobertos na Chapada 
permanecem no Brasil. Muitos deles estão em 
 
3 
 
museus europeus e são reivindicados pelo Governo 
Federal. 
 
Pré-história e misticismo no Vale do Catimbau 
 Controvérsias à parte, o certo é que há mais 
ou menos 12 mil anos, durante a transição entre os 
períodos Pleistoceno e Holoceno, boa parte do 
território brasileiro já estava ocupado por grupos de 
caçadores e coletores pré-históricos. 
 Tais grupos são divididos pelos arqueólogos 
em tradições, estabelecidas de acordo com os 
resquícios de sua cultura material. À tradição 
Nordeste pertenciam aqueles que possuíam indústria 
lítica refinada e faziam belas pinturas rupestres. 
 Há mais ou menos 7 mil anos atrás, esse 
grupo foi substituído pelas tribos da tradição Agreste, 
que não dominava as artes, exceto a da guerra. É a 
esse período de transição que remonta a presença 
humana mais antiga de que se tem notícia no Parque 
Nacional do Vale do Catimbau, o 2º maior parque 
arqueológico do Brasil, perdendo apenas para a Serra 
da Capivara, no Piauí. Em 1970 foi descoberto um 
esqueleto datando 6.800 anos em um abrigo 
utilizado como cemitério pré-histórico, atualmente 
em exposição no Museu Municipal de Buíque. 
 
 
 Com uma superfície de 90 mil ha, o Vale do 
Catimbau estende-se entre os Municípios de Buíque, 
Ibimirim, Inajá e Tupanatinga, fazendo fronteira com 
a reserva indígena federal Kapinawá, localizada na 
serra da Mina e onde vivem cerca de 400 índios. 
 Primeiro Parque Nacional terrestre de 
Pernambuco e uma das oito unidades federais de 
conservação que preservam o bioma da Caatinga, é 
cortado por dezenas de trilhas que revelam 
elementos naturais exóticos e surpreendentes, em 
razão dos quais sempre esteve associado ao místico e 
ao sobrenatural. 
 Suas formações geológicas constituem um 
verdadeiro espetáculo visual, com composições 
areníticas oscilando entre 50 colorações, as quais 
datam de mais de 100 milhões de anos, e rochas 
cujos formatos sugerem a silhueta de animais, 
pessoas e construções, como a Pedra do Cachorro, a 
do Elefante (próxima à reserva indígena) e a Serra 
das Torres. Na Vila do Catimbau, a Associação dos 
Guias disponibiliza profissionais aptos a acompanhar 
e orientar os visitantes durante o passeio. 
 Segundo pesquisadores da UFPE, os antigos 
habitantes do lugar eram grupos caçadores-coletores 
do Período Holoceno que não apresentavam domínio 
da cerâmica e moravam em cavernas (tanto é que, 
das cerca de 200 grutas e cavernas existentes no 
Vale, pelo menos 28 guardam vestígios de 
sepultamentos). 
 Dos 23 sítios arqueológicos com grafismos 
rupestres já catalogados pelo IPHAN no Parque, o 
maior e mais importante é o Alcobaça, situado em 
um paredão rochoso com configuração de anfiteatro. 
Lá foram encontradas pinturas rupestres em um 
painel de 60m, ocupando uma área de 50m de 
extensão com largura variando entre 2 e 3m. Já a 
pedra da Concha apresenta um painel de 2,3m por 
1,5m, albergando inscrições com figuras humanas, 
animais e desenhos geométricos em tons ocre. 
 São imagens isoladas que não compõem 
cenas, com predominância da tradição Agreste. 
Acredita-se que foram utilizados nas pinturas 
pigmentos metálicos e não metálicos misturados a 
pigmentos orgânicos, como genipapo e urucum. 
 
Cemitérios arqueológicos na Furna do Estrago 
 Escavada pelos arqueólogos da UNICAP, a 
Furna do Estrago, abrigo sob rocha localizado no 
Município de Brejo da Madre de Deus, é um dos mais 
importantes sítios arqueológicos do Brasil. 
 Formado pelo desabamento de um grande 
bloco de rocha granítica no sopé da Serra da Boa 
Vista durante as glaciações, o abrigo foi preenchido 
por blocos de rocha e sedimentos soltos pelo 
intemperismo físico, transportados em violentas 
precipitações torrenciais. Constituído por um único 
salão de 125m² de área coberta, com abertura 
voltada para nordeste, o abrigo é bastante arejado, 
seco e iluminado, e diante dele se estende um 
patamar delimitado por grandes blocos de rocha 
granítica, alguns contendo arte rupestre. 
 Da sucessiva utilização do sítio como 
habitação por grupos caçadores-coletores numa 
sequência temporal de aproximadamente 10 mil 
anos, resultou uma estratigrafia em que predominam 
 
4 
 
aslentes de fogueiras superpostas, formando 
pacotes de cinzas, e sedimentos finos, soltos, secos, 
de cor parda, contendo restos alimentares e toscos 
artefatos de pedra e osso. 
 Há cerca de 2 mil anos, a Furna passou a ser 
utilizada como cemitério. Os depósitos feitos pelo 
homem desde o início do Holoceno foram 
intensamente perturbados com a abertura de 
dezenas de fossas funerárias. 
 Apenas uma área próxima do fundo do 
abrigo permaneceu intacta e foi tomada para 
estudos. Da ocupação do sítio como cemitério 
resgataram-se 83 esqueletos humanos encontrados 
em bom estado de conservação. As condições 
ambientais favoreceram a rápida desidratação da 
matéria orgânica e a preservação da pele, dos 
cabelos e do cérebro em alguns indivíduos, bem 
como do artesanato em palha utilizado no ritual 
funerário. 
 É de notar a persistência de um padrão de 
sepultamento em que os corpos eram colocados na 
posição fletida (fetal), amarrados com cipós e 
embrulhados em esteiras de folhas de palmeira, 
compondo verdadeiros fardos funerários. Os recém-
nascidos eram depositados em pequenos cestos ou 
em espatas de palmeiras e não levavam adornos, ao 
passo que os adultos estavam acompanhados de 
colares e alguns levavam flautas ósseas e tacapes. 
 Estudos de antropologia biológica realizados 
sobre esses esqueletos revelaram tratar-se de uma 
população homogeneamente braquicéfala, de 
estatura média-baixa, robusta, com estado de 
nutrição satisfatório e boa adaptação às condições 
ambientais. 
 O acentuado desgaste plano dos dentes e a 
ocorrência de poucas cáries nesses indivíduos 
indicam uma alimentação à base de vegetais não 
cozidos, característica observada em grupos 
caçadores coletores. 
 Esse grupo humano pré-histórico era 
portador de patologias como a espinha bífida oculta, 
atribuída ao consumo de batatas tóxicas, variação 
numérica das vértebras (presença de uma vértebra a 
mais no sacro e na região lombar), consequência de 
casamentos consanguíneos, osteofitose e artrose, 
além de fraturas frequentes decorrentes de quedas 
sobre a bacia e os pés. Boa parte do material 
resgatado na Furna, bem como artefatos em 
cerâmica, fragmentos de pinturas rupestres e 
material lítico, encontram-se em exposição nos 
Museus Histórico do Brejo da Madre de Deus e de 
Arqueologia da UNICAP, no Recife. 
 As sociedades indígenas da Pré-história 
Pernambucana 
 Quando, em 1500, o português Pedro Álvares 
Cabral aportou na Bahia, praticamente todo o litoral 
brasileiro estava ocupado por tribos do grupo Tupi-
guarani. Havia meio século, Tupinambás e 
Tupiniquins tinham assegurado a posse da costa, 
expulsando para o interior as tribos por eles 
consideradas "bárbaras", chamadas Tapuias. 
 Entre a foz do Rio Paraíba e a Ilha de 
Itamaracá, compreendendo os atuais Litorais Sul da 
Paraíba e Norte de Pernambuco, viviam os Tabajaras, 
em número de 40 mil, os quais se aliaram aos 
portugueses. Já os Caetés, mais ou menos 75 mil 
indivíduos, povoavam a faixa de terra entre a Ilha de 
Itamaracá e as margens do São Francisco, no Litoral 
Sul pernambucano e em todo o alagoano. 
Deglutidores do Bispo Sardinha, foram considerados 
"inimigos da civilização" e exterminados. 
 
 Apesar do grande genocídio em que se 
traduziu a colonização como um todo, 
aproximadamente 25 mil remanescentes dos 
primitivos habitantes de Paranampuka, que em tupi 
significa "o mar que bate nas pedras", ainda habitam 
o Estado, espalhando-se pelo interior e constituindo 
a 4ª maior população indígena do país, atrás apenas 
das do Amazonas, do Mato Grosso e do Pará. 
 De todos os "costumes bárbaros" que 
possuíam os nativos de Pindorama, nenhum se 
revelou mais espantoso e odioso aos olhares 
europeus que o canibalismo. 
 Na Capitania de Pernambuco, o assunto veio 
à tona de maneira impactante. Em 1556, a caravela 
que transportava para a Metrópole o 1º Bispo do 
Brasil, Dom Pero Fernandes Sardinha, naufragou no 
atual Litoral Sul alagoano, e, após mil peripécias, os 
cerca de 100 sobreviventes - crianças, adultos e 
 
5 
 
idosos - que alcançaram a praia foram mortos e 
devorados pelos Caetés, que os aguardavam 
ansiosos. Apenas 1 português e 2 indígenas que 
compreendiam o idioma dos nativos conseguiram 
escapar. 
 O Bispo foi, por assim dizer, o "prato 
principal" do banquete antropofágico, com sua carne 
trucidada sendo servida como uma especialidade. 
Curiosamente, consta que, desde então, o terreno no 
qual caíra o alto prelado da Igreja tornou-se estéril. A 
carnificina resultou na violenta perseguição aos 
Caetés, tradicionais aliados dos franceses e inimigos 
ferrenhos dos lusitanos, e em sua exterminação no 
intervalo de 5 anos. 
 Até hoje, todavia, não há consenso sobre o 
assunto. Para alguns, a animosidade dos Caetés em 
relação aos portugueses era notória desde a 
destruição de sua aldeia Marim pelo donatário 
Duarte Coelho em 1535, lugar no qual viria a ser 
fundada Olinda. 
 Empurrados para o Cabo de Santo Agostinho 
e, dali, cada vez mais para o sul, envolveram-se em 
inúmeras batalhas com os colonizadores lusos. Há 
quem defenda, porém, que a atribuição da 
carnificina aos Caetés foi uma farsa promovida pelos 
3 sobreviventes de modo a motivar a perseguição à 
tribo, senhora das valiosas terras que posteriormente 
serviriam tão bem à próspera empresa açucareira 
nordestina. 
 Assim, a autoria da tragédia envolvendo o 
Bispo recairia sobre os Tupinambás, tradicionais 
habitantes das terras para além da foz do Velho 
Chico. O fato é que o episódio chamou a atenção do 
Velho Mundo para o fenômeno da antropofagia, que 
tinha a vingança como principal objetivo e era 
praticada por quase todos os Tupi e Tapuia, com 
requintes tétricos que disseminaram espanto e 
horror entre os europeus. 
 A nação Tapuia mais importante do interior 
do Nordeste era a Cariri, que contava com 22 
grandes tribos na região e cerca de 20 mil indivíduos. 
 Suas principais ramificações em Pernambuco 
eram os: 
 Xucurus, na Serra do Ararobá (Pesqueira) 
 os Garanhuns, na Serra homônima 
 os Carnijós ou Fulni-ôs, no vale do Rio 
Ipanema (Águas Belas) 
 os Pankararus, na Serra de Tacaratu. 
 Em volta da capela de Nossa Senhora das 
Montanhas (1669), fundada pelos oratorianos na 
Serra do Ararobá, surgiu a povoação de Monte 
Alegre, futura Vila Real de Cimbres (1762). 
 Cimbres foi um lugar de ensino direcionado 
aos índios durante mais ou menos dois séculos, 
contando, inclusive com o famoso "Colégio dos 
Índios do Ararobá", estabelecimento de ensino 
profissional. 
 Com o decorrer dos anos, todavia, a outrora 
garbosa povoação foi entrando em declínio e viu a 
liderança regional passar à vizinha Pesqueira, 
localizada no sopé da Serra e, portanto, muito mais 
acessível. Em 1813, interrompeu-se a assistência aos 
cerca de 245 xucurus que viviam na Vila, já 
considerada muito pobre para seguir alimentando-
os, e remontam daí os principais conflitos com a 
tribo, ainda hoje motivo de instabilidade na região. 
 Em 1879 foi declarado extinto o aldeamento 
de Cimbres, cessando a tutela governamental sobre 
os índios, e suas terras foram entregues à Câmara 
para redistribuição a título de venda ou cessão a 
terceiros. 
 Em retaliação, os nativos começaram a 
atritar-se com aqueles que promoveram o esbulho 
de seus domínios. Num lugar que se orgulha de haver 
surgido voltando-se à proteção dos silvícolas, 
persiste a vergonhosa situação de a demarcação das 
terras daqueles nunca haver sido efetuada. 
 Tal demarcação vem sendo sistematicamente 
pleiteada desde 1980, bem como violentamente 
repreendida pelos cerca de 280 fazendeiros da 
região, havendo resultado em quase 30 mortes, 
dentre as quais a do famoso Cacique Chicão. 
As tribos indígenas atuais 
Hoje em dia, existem legalmente em Pernambuco 7 
grupos indígenas, apesar de serem 10 as etnias 
remanescentes dos Cariris. As 7 são: 
 os Xucurus (Pesqueira) 
 os Fulni-ôs (Águas Belas) 
 os Kapinawás (Buíque) 
 os Pankararus (Petrolândia e Tacaratu), os Kambiwás (Ibimirim, Inajá e Floresta) 
 os Atikuns (Carnaubeira da Penha) 
 Trukás (Cabrobó). 
As outras 3 são os: 
 
6 
 
 Tuxás (Inajá) 
 os Pankarás (Itacuruba) 
 Pipipãs (Floresta). 
 
 
PERÍODO PRÉ-COLONIAL (1500-1530) 
 
A tomada de posse dos portugueses sob os 
territórios coloniais brasileiros foi marcada por uma 
ocupação lenta e gradual. A urgência em obter lucro 
com a exploração mercantilista deixou o Brasil em 
segundo plano nos projetos econômicos do Estado 
Português, na época, bem mais preocupado em 
consolidar pontos comerciais na África e na Ásia. 
Paralelamente, a ausência de metais preciosos ou 
outros produtos de interesse no mercado europeu 
também inviabilizou a exploração imediata do 
território. 
O alto investimento exigido para o 
desenvolvimento de atividades exploratórias e o 
pequeno contingente populacional fizeram com que 
as expedições portuguesas se limitassem à 
investigação dos territórios, a coleta de recursos 
naturais e o combate aos contrabandistas 
estrangeiros. Em 1501, um grupo liderado por Gaspar 
de Lemos nomeou algumas regiões do Rio de Janeiro 
e Bahia, e confirmou a presença de pau-brasil no 
território. 
Dois anos mais tarde, o explorador Gonçalo 
Coelho criou feitorias no litoral fluminense que seriam 
utilizadas no armazenamento das toras de pau-brasil 
a serem transportadas para Europa. Em cada uma 
dessas feitorias havia a figura de um feitor 
responsável por assegurar os domínios da Coroa. 
Seguindo a lógica de exploração mercantil, Portugal 
tinha monopólio sob a exploração de pau-brasil. 
Somente uma pequena parcela de exploradores, 
como Fernando de Noronha, tinha concessão da 
Coroa para exploração. 
As populações indígenas foram utilizadas 
como mão-de-obra na extração do pau-brasil em 
troca de pequenas armas e mercadorias. Nesse 
primeiro momento, a parceria entre os colonizadores 
e indígenas era marcada por uma relação mais 
próxima e amigável. Contudo, na medida em que os 
colonizadores portugueses adentraram o território, 
encontraram outras populações nativas que lutavam 
contra a invasão promovida pelos europeus. 
Passadas as primeiras três décadas da 
incipiente colonização lusitana, o interesse de 
navegadores de outros países europeus ameaçava os 
domínios de Portugal no Atlântico Sul. Em 1526, o rei 
dom João III ordenou o envio de expedições punitivas 
incumbidas da missão de expulsar as embarcações e 
contrabandistas estrangeiros. A missão comandada 
pelo navegador Cristóvão Jacques afundou uma 
embarcação francesa e perseguiu vários de seus 
tripulantes. 
Nessa mesma época, a crise do comércio com 
os povos do Oriente acabou contribuindo para a 
ocupação efetiva das terras brasileiras. Com isso, em 
uma atitude completamente pioneira, o governo de 
Portugal decidiu destinar recursos, maquinário e mão-
de-obra para o desenvolvimento de atividades que 
gerassem lucro e ocupassem a colônia. Em 1530, 
Martim Afonso de Souza foi enviado com o objetivo 
de iniciar as primeiras atividades de exploração. 
Entre outras tarefas, a expedição de Martim 
Afonso deveria percorrer o litoral e o interior em 
busca de metais preciosos; formar novos núcleos de 
povoamento; realizar a expulsão das expedições 
estrangeiras que aqui estivessem e estabelecer locais 
de exploração próximos às regiões do Rio da Prata. 
Chegando aqui, Martim Afonso formou dois grupos 
destinados para o norte e o sul do território. Em 1532, 
criou a vila de São Vicente, primeiro núcleo que deu 
origem à cidade de São Paulo. 
Com o declínio do comércio oriental, a 
preocupação portuguesa com a vinda dos franceses, a 
ausência de povoados e a ambição por metais 
preciosos tem-se a primeira expedição colonizadora, 
chefiada por Martim Afonso de Sousa, em 1530. Cabe 
a ele a fundação da primeira vila, São Vicente, em 
1532 e o início da distribuição de sesmarias (lotes de 
terras) aos que se dispusessem a cultivá-las. 
 
HISTÓRIA DOS ÍNDIOS DE PERNAMBUCO 
 
A história dos povos indígenas de Pernambuco, 
como a dos demais índios brasileiros, é tarefa ainda a 
ser realizada. Ao pesquisador se oferecem, como 
ponto de partida, as dificuldades provocadas pelo fato 
de que nossos índios não tinham uma linguagem 
escrita, e que na história do Brasil os personagens 
indígenas aparecem como o quase animal a ser 
domado ou exterminado, e não como um semelhante 
que merecesse do europeu conquistador um 
tratamento semelhante ao dispensado pelos 
historiadores e antropólogos modernos. 
Assim, é na história da formação da sociedade 
brasileira que estão escritos, de forma nem sempre 
precisa, os poucos dados existentes da história 
indígena, e do processo que significou a quase 
extinção dos habitantes originais deste país. 
 
7 
 
Se por um lado, a sociedade brasileira assimilou, 
além da contribuição à sua formação étnica, usos e 
costumes indígenas, por outro, não lhe foi ensinado a 
valorizar a participação do elemento indígena na 
alimentação, no português aqui falado, na habitação 
pobre de milhões de brasileiros que vivem em casa de 
taipa, nos utensílios usados, etc. deixou-se de 
aprender que nomes como Gravatá, Caruaru e 
Garanhuns, para citar apenas alguns municípios de 
Pernambuco, assim como até mesmo bairros do 
Recife, como Parnamirim e Capunga, estão associados 
a antigos locais de moradia dos índios. Esta mesma 
contradição é encontrada no estudo da colonização 
portuguesa em terras pernambucanas que encerra 
por um lado aspectos de esforço e tenacidade por 
parte dos portugueses e apresenta ao mesmo tempo 
exemplo lastimável e brutal de extermínio do 
elemento indígena. 
Como em outras regiões do Brasil, a ocupação do 
território pernambucano se iniciou pela costa, nas 
terras apropriadas ao desenvolvimento da 
agroindústria do açúcar, empreendimento em cujo o 
início o indígena servia de braço escravo nos 
engenhos e no trabalho das lavouras principalmente 
nos estabelecimentos que não comportavam o 
dispêndio de capital exigido pelo elemento africano. 
Marcando o fim de um primeiro período de 
povoação caracterizado por aparente tranquilidade, a 
reação dos indígenas a tal regime de trabalho e 
exploração, cedo se fez sentir na forma de 
hostilidades, assaltos, devastações de engenhos e 
propriedades, promovidos principalmente pelos 
Caetés, temíveis ocupantes da costa de Pernambuco, 
e, posteriormente também pelos Potyguaras que 
habitavam no extremo norte de Pernambuco e pelos 
Tabajaras, estes antigos aliados dos portugueses. 
A ação violenta dos portugueses foi redobrada 
quando foi morto o primeiro bispo do Brasil, 
acontecimento que motivou a resolução régia 
estabelecendo escravidão perpétua aos Caetés. na 
prática, tal medida se estendeu a todos os demais 
indígenas do litoral e deu caráter legal ao regime 
primário de esbulho, escravidão e morte instituído 
pelos chamados nobres que aqui se instalaram. 
Desde então, a guerra contra os indígenas tomou 
caráter sistemático, atenuada apenas quando da 
aliança de muitas tribos com os franceses e os 
holandeses que disputavam aos portugueses o 
domínio da terra, exceto nessas ocasiões, restou aos 
índios sobreviventes o recurso de emigrar para mais 
longe da costa. 
A prosperidade do empreendimento colonial, 
entretanto, dependia enormemente do gado que, 
além de produto básico de alimentação servia como 
agente motor e meio de transporte, dando origem à 
primeira fase de expansão da pecuária que se 
transformaria rapidamente na forma mais 
generalizada de ocupação das terras do interior 
nordestino. 
No litoral, a agricultura e a criação de gado 
mostraram-se desde cedo incompatíveis, e, em 
defesa das plantações, promoveu-se a retirada dos 
currais para o interior, distante dos engenhos, dos 
canaviais e dos mandiocais. 
Nos fins do século XVIII, vastas extensões do 
médio São Francisco estavam ocupadas, e o 
estabelecimento de currais se faria também em 
direção ao norte, ao longo do vale do Rio Pajeú, 
atravessando Pernambuco e, em seguida a Paraíba,o 
rio grande do norte, e a oeste, o Piauí. Iniciou-se 
também nas novas áreas ocupadas a distribuição da 
sesmarias para as quais eram atraídas vastas 
populações para fundar os currais. 
As relações entre criadores e indígenas eram bem 
menos hostis que entre estes e os senhores de 
engenho, os grupos mais acessíveis ao convívio com 
os novos donos da terra e ao trabalho mais ameno 
nas fazendas de criação permitiu a aliança entre 
brancos e índios embora isto não impedisse que 
várias guerras fossem necessárias para expulsar ou 
exterminar as muitas tribos que se opuseram 
tenazmente à invasão do seu território, para reforçar 
a ação dos criadores contra as nações rebeldes, 
convocaram-se inclusive os serviços dos paulistas, 
experientes exterminadores de índios, muitos dos 
quais permaneceram como povoadores das terras 
que foram desocupadas. 
A sobrevivência das tribos que não procuravam 
refúgio em locais remotos, era possível apenas 
quando a serviço dos interesses dos criadores contra 
outros proprietários ou mesmo contra outros povos 
indígenas, e não assegurou às tribos aliadas a posse 
de suas terras. 
Nos dois primeiros séculos da colônia, as missões 
religiosas foram à única forma de proteção de que 
dispunham os índios. Após a expulsão dos jesuítas em 
1759, os aldeamentos por eles criados, e de cujo 
início quase nada se sabe, permaneceram sob a 
orientação de outros religiosos e foram 
posteriormente entregues a órgãos especiais. 
Entretanto, o trabalho desempenhado pelas juntas de 
missões e pelos governadores de índios e as atenções 
dispensadas aos primitivos habitantes do nordeste 
durante o império em nada contribuíram para 
impedir as explorações e injustiças de que 
continuaram sendo alvo as tribos que conseguiram 
alcançar o século XIX. 
 
8 
 
Das nações que originalmente povoaram o 
estado, salvo poucos sobreviventes, quase além dos 
nomes daquelas aldeadas por missionários religiosos 
está registrado na história de Pernambuco. 
Embora a atividade missionária se tivesse iniciado 
desde o século XVI, até os fins do século seguinte 
apenas sobre cerca de vinte aldeamentos existem 
referências, destes, os cinco mais ou menos 
localizados são: o de são Miguel ou serigi, fundado em 
1591 em terras do atual município de Paudalho, um 
aldeamento Caeté em Ipojuca, o aldeamento de são 
Miguel de Iguna e dois no Recife, um na estrada do 
Parnamirim e outro na localidade de Salinas, no atual 
bairro de Santo Amaro. 
Nos séculos XVIII e XIV uma quantidade 
indeterminada de índios foi aldeada sem, 
aparentemente, nenhum registro dos seus locais de 
procedência, são os aldeamentos: dos índios 
Garanhuns, próximo à cidade de mesmo nome, dos 
Carapotó ou Carnijó ou Fulni-ô, em Águas Belas, dos 
Xukuru, em Cimbres, na Serra do Ororubá, dos Porcás, 
em Nossa Senhora do Ó, a aldeia dos Paratiós, 
próxima de Cimbres, diversas aldeias dos índios Argus 
que se espalhavam desde a serra do limoeiro na atual 
cidade de mesmo nome, a aldeia de Arataqui na 
Freguesia de Tacoara, a aldeia de Barreiros ou do 
Umã, a aldeia de Escada, o aldeamento terras do rei, 
em Altinho, a aldeia da tribo Arapoá-assu nas ribeiras 
dos rios Jaboatão e Gurjaú, a aldeia do Brejo dos 
Padres, de índios Pankaru ou Pankararu, e finalmente 
aldeamentos em Taquaritinga, Brejo da Madre de 
Deus, Caruaru e Gravatá. 
Ainda no século XIX, duas áreas do estado se 
destacavam pelo grande número de aldeamentos 
encontrados: a região do atual município de Floresta 
e diversas ilhas do rio São Francisco. Estas foram 
exatamente as primeiras áreas interioranas que mais 
sofreram com o processo de despovoamento 
decorrente da expansão pastoril no nordeste, e se 
constituíam o habitat natural das tribos que ali 
permaneceram sob a proteção missionária. 
Na primeira encontram-se os índios Umãs e 
Vouvês no Olho d’água da Gameleira, em Cabrobó, os 
índios Pi-pi-pã e Avis num local indeterminado entre 
os rios Moxotó e Pajeú e a Serra do Periquito, os 
índios Xocó nas cabeceiras dos rios Piancó e Terra 
Nova, o aldeamento da baixa verde composto de 
índios Vouvês, Carateus, Umãs e Pipães e a Serra 
Negra, local que durante muitos anos serviu de 
refúgio a inúmeras tribos não identificadas e 
perseguidas por fazendeiros das vizinhanças. 
No rio São Francisco, as aldeias localizadas são as 
de Nossa Senhora da Conceição, na Ilha do Pambu, de 
São Félix, de índios Tuxá na ilha do Cavalo, a de são 
Francisco, de índios Aracapás, a de santo Antônio, na 
ilha irapuã, a de N.S.ª da piedade, na ilha do 
Inhamum, a de N. Senhora do Pilar, de índios 
Tamaquéus, a de Santa Maria, em três ilhas contíguas 
no município de Boa Vista e a de Assunção, na ilha de 
mesmo nome, no município de Cabrobó. 
O levantamento é incompleto e calcado apenas 
parte de fontes ainda a serem extensivamente 
exploradas, esta informação torna-se particularmente 
significativa ao se considerar que, segundo relatório 
do governo da província de Pernambuco publicado 
em 1873, dos aldeamentos acima citados restavam 
apenas 07 na segunda metade do século passado: o 
de escada, o do riacho do mato, o de barreiros, o de 
cimbres, o de Águas Belas, o do brejo dos padres e o 
da ilha de assunção desaparecimento de tantas tribos 
é explicado pelas diversas formas de alienação de 
terras indígenas postas em prática no nordeste, ou da 
resolução do governo em determinada época de 
extinguir os aldeamentos existentes. destas últimas 7 
aldeias algumas não alcançaram nossos dias; os povos 
que compõem as restantes, os Xucuru, os Fulni-ô, os 
Pankararu e os Truká, foram acrescidos os Atikum, os 
kambiwá e os kapinawá, identificados mais 
recentemente, como grupos indígenas ainda 
existentes em Pernambuco. 
 
 SISTEMA COLONIAL NO BRASIL 
 
 A constituição do Sistema Colonial no Brasil, 
como no restante da América, é um desdobramento 
da implantação de uma ordem capitalista na Europa 
Ocidental. 
 No caso brasileiro, o interesse da metrópole é 
mais intenso pela cana e pelo ouro, devido à 
valorização desses produtos no mercado externo e à 
crescente situação de dificuldades financeiras e 
econômicas de Portugal. 
 Vê-se, aqui, o Colonialismo tradicional, baseado 
no monopólio (Pacto Colonial) e na escravidão negra, 
com uma organização política marcada por um grau 
cada vez mais elevado de centralização, em Lisboa. 
 Destaca-se também a ação dos jesuítas 
católicos no trabalho de catequização (submissão) dos 
nativos e imposição dos padrões culturais europeus à 
terra. 
 Apesar de tudo, a acumulação de capitais em 
Portugal não permite um desenvolvimento estrutural 
da metrópole, o que leva à dependência com a 
Inglaterra. As necessidades portuguesas refletem-se 
no Brasil, onde o fiscalismo e a tributação chegam a 
níveis insuportáveis, sobretudo no século XVIII, época 
da mineração, levando a exploração da Colônia ao 
grau máximo. Essa situação provoca o 
 
9 
 
questionamento da própria existência do sistema 
colonial, por parte da população brasileira. 
 
CAPITANIA DE PERNAMBUCO 
 
 A Capitania de Pernambuco foi uma das 
subdivisões do território brasileiro no período 
colonial. Abrangia os territórios dos atuais estados de 
Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, 
Ceará e a porção ocidental da Bahia (a oeste do Rio 
São Francisco) possuindo, deste modo, fronteira ao 
sul com Minas Gerais. 
À época do Brasil Colônia, as únicas capitanias que 
prosperaram foram esta de Pernambuco e a de 
Capitania de São Vicente, graças ao cultivo de cana-
de-açúcar. 
 
De acordo com a Carta de Doação passada 
por D. João III a 10 de março de 1534, o capitão 
donatário de Pernambuco foi Duarte Coelho Pereira, 
fidalgo que se destacara nas campanhas portuguesas 
na Índia. A capitania se estendia entre o rio São 
Francisco e o rio Igaraçu, compreendendo: 
 
"Sessenta léguas de terra (…) as quais começarão no 
rio São Francisco (…) e acabarão no rio que cerca em 
redondo toda a Ilha de Itamaracá, ao qual ora 
novamenteponho nome rio *de+ Santa Cruz (…) e 
ficará com o dito Duarte Coelho a terra da banda Sul, 
e o dito rio onde Cristóvão Jacques fez a primeira casa 
de minha feitoria e a cinquenta passos da dita casa da 
feitoria pelo rio adentro ao longo da praia se porá um 
padrão de minhas armas, e do dito padrão se lançará 
uma linha ao Oeste pela terra firme adentro e a terra 
da dita linha para o Sul será do dito Duarte Coelho, e 
do dito padrão pelo rio abaixo para a barra e mar, 
ficará assim mesmo com ele Duarte Coelho a metade 
do dito rio de Santa Cruz para a banda do Sul e assim 
entrará na dita terra e demarcação dela todo o dito 
Rio de São Francisco e a metade do Rio de Santa Cruz 
pela demarcação sobredita, pelos quais rios ele dará 
serventia aos vizinhos dele, de uma parte e da outra, 
e havendo na fronteira da dita demarcação algumas 
ilhas, hei por bem que sejam do dito Duarte Coelho, e 
anexar a esta sua capitania sendo as tais ilhas até dez 
léguas ao mar na frontaria da dita demarcação pela 
linha Leste, a qual linha se estenderá do meio da 
barra do dito Rio de Santa Cruz, cortando de largo ao 
longo da costa, e entrarão na mesma largura pelo 
sertão e terra firme adentro, tanto, quanto poderem 
entrar e for de minha conquista. (…)." (Carta de 
Doação) 
 
 
As Primeiras Capitanias Hereditárias 
 
 
 
A metade da barra Sul do canal de Itamaracá, 
que o soberano denominou de "rio" de Santa Cruz, 
até 50 passos além do local onde existira a primitiva 
feitoria de Cristóvão Jacques, demarcava o limite 
Norte; ao Sul, o limite da capitania era o rio São 
Francisco, em toda sua largura e extensão, incluindo 
todas suas ilhas da foz até sua nascente. O território 
da capitania infletia para o Sudoeste, a acompanhar o 
curso do rio, alcançando suas nascentes no atual 
Estado de Minas Gerais. Ao Norte, o soberano 
estabelecia o traçado de uma linha para o Oeste, terra 
adentro, até os limites da conquista, definidos pelo 
Tratado de Tordesilhas ou seja, as terras situadas 
além das 370 léguas ao oeste das ilhas do Cabo 
Verde. As fronteiras da capitania abrangiam todo o 
atual Estado de Alagoas e terminavam ao Sul, no rio 
São Francisco, fazendo fronteira com o atual Estado 
de Minas Gerais. Graças à posse deste importante rio, 
em toda sua extensão e largura, Pernambuco crescia 
na orientação Sudoeste, ultrapassando em largura em 
muito as 60 léguas estabelecidas na carta de doação. 
Na observação de Francisco Adolfo de Varnhagen 
possuía a capitania 12 mil léguas quadradas, 
constituindo-se na maior área territorial entre todas 
que o rei distribuiu. 
Ao receber a doação, Duarte Coelho Pereira 
partiu para o Brasil com a esposa, filhos e muitos 
parentes. Ao chegar ao seu lote, fixou-se numa bela 
colina, construindo uma fortificação (o Castelo de 
Duarte Pereira), uma capela e moradias para si e para 
os colonos: seria o embrião de Olinda, constituída vila 
em 1537. Pioneiros na terra foram o seu próprio 
engenho, o do Salvador, e o do seu cunhado, o de 
Beberibe. 
 
10 
 
Tudo estava por fazer e o donatário organizou 
o tombamento de terras, a distribuição de justiça, o 
registro civil, a defesa contra os índios Caetés e 
Tabajaras. Ao falecer, em Lisboa, em 1554, legou aos 
filhos uma capitania florescente. O seu cunhado, 
Jerônimo de Albuquerque, em correspondência com a 
Coroa, pedia autorização para importar escravos 
africanos. 
Em Olinda, sede administrativa da capitania, 
se instalaram as autoridades civis e eclesiásticas, o 
Colégio dos Jesuítas, os principais conventos e o 
pequeno cais do Varadouro. Em fins do século XVI, 
cerca de 700 famílias ali residiam, sem contar os que 
que viviam nos engenhos, que abrigavam de 20 a 30 
moradores livres. O pequeno porto de Olinda era 
pouco significativo, sem profundidade para receber as 
grandes embarcações que cruzavam o Oceano 
Atlântico. Por sua vez, Recife, povoado chamado pelo 
primeiro donatário de "Arrecife dos navios", segundo 
a Carta de Foral passada a 12 de março de 1537, veio 
a ser o porto principal da capitania. 
 
O ENGENHO, O CANAVIAL E SUA ESTRUTURA 
 
 A casa-grande foi casa de morada, vivenda ou 
residência do senhorio nas propriedades rurais do 
Brasil colônia a partir do século XVI. Tudo no engenho 
girava em torno da casa-grande, sendo ela uma 
espécie de centro de organização social, política e 
econômica local. No Brasil colonial, a casa-grande era 
estrategicamente construída próxima ao engenho 
propriamente dito (fábrica), a senzala, a casa de 
farinha e a capela. 
 
Alguns sociólogos acreditam que a 
distribuição espacial das construções nos engenhos 
possibilitava maior convivência entre as diferentes 
classes sociais, o que teria tornado a experiência da 
colonização brasileira diferente de outras. 
 
 Naquela época, o poder e a riqueza dos donos 
de engenhos eram demonstrados através de luxuosas 
vestimentas e do grande número de escravos que 
possuíam. Havia uma preocupação maior com a 
aparência do que com a moradia ou a alimentação. As 
casas-grandes dos primeiros engenhos eram 
modestamente mobiliadas. Usavam-se redes e 
colchões para dormir, tamboretes e bancos para 
sentar. Na cozinha, os utensílios eram cerâmicas 
indígenas, objetos de estanho, prata e vidro. 
 
 O colonizador português não reproduziu no 
Brasil o estilo das casas portuguesas, preferindo criar 
uma casa que correspondesse ao ambiente físico 
brasileiro e que, ao mesmo tempo, atendesse as 
necessidades de trabalho e pessoais dos residentes. 
As casas-grandes eram erguidas visando à segurança 
e não à estética. Os donos de engenhos, chamados 
posteriormente de senhores de engenhos, sentiam-se 
inseguros com a possibilidade de ataques dos índios e 
dos negros, já que essas casas representavam o 
poderio feudal brasileiro. O senhor de engenho em 
sua propriedade, tinha poder total sobre a vida de 
seus escravos, empregados e moradores. 
 
Por esse motivo, as casas eram construídas 
com alicerces profundos utilizando óleo de baleia e 
grossas paredes de taipa (barro amassado para 
preencher os espaços criados por uma espécie de 
gradeado de paus, varas ou bambus); pedra e cal; teto 
de palha, sapê ou telhas com o máximo de inclinação 
para servir de proteção contra o sol forte e as chuvas 
tropicais; piso de terra batida ou assoalho; poucas 
portas e janelas e alpendres na frente e dos lados. 
Todavia essas quase fortalezas, feitas para durarem 
séculos, não seriam suficientes para impedir que 
ainda “na terceira ou quarta geração”, começassem a 
desmoronar por falta de conservação. 
 
 Estudiosos em arquitetura consideram 
possível que as casas-grandes tenham assimilado 
elementos típicos das habitações indígenas, como os 
grandes espaços sem divisão, semelhante às ocas 
coletivas. A casa-grande, além de fortaleza, serviu de 
escola, enfermaria, harém, hospedaria, e foi também 
banco, pois dentro de suas paredes ou no chão, 
guardavam-se e enterravam-se dinheiro, joias e ouro. 
Até nas capelas deixavam-se joias enfeitando os 
santos (naquela época os ladrões não se atreviam, 
pelo menos não tanto quanto os de hoje, a entrar nas 
capelas para roubar os santos). 
 
Outra particularidade das casas-grandes era o 
costume de enterrarem seus mortos dentro das 
capelas, que a partir do século XVIII, principalmente 
na Bahia e em Pernambuco, passaram a ser 
construídas como uma espécie de anexo da casa. Em 
algumas havia até um acesso privado para os 
familiares do senhor de engenho. Um exemplo desse 
tipo de construção era a casa-grande do engenho 
Poço Comprido, na Mata Norte de Pernambuco. 
 
 Os santos eram considerados parte da família, 
tanto quanto os familiares mortos. Em muitas casas-
grandes conservavam-se os retratos dos familiares 
mortos no santuário, entre as imagens dos santos. É 
interessante observar que algumas igrejas resistiram 
mais a ação do tempo do que algumas das casas-
 
11 
 
grandes, como foi o caso da capelinha de São Mateus 
do Engenho Massangana,onde Joaquim Nabuco viveu 
oito anos da sua infância. 
 
A preocupação dos senhores de engenhos 
com a segurança foi se dissipando ao longo dos 
séculos XVII e XVIII. Com a chegada da corte 
portuguesa para o Brasil, no início do século XIX, 
começaram as mudanças nas condições gerais das 
casas-grandes. Elas se tornaram maiores e mais 
luxuosas, seus donos passaram a gastar mais dinheiro 
em móveis, objetos de arte, decoração e utensílios 
domésticos. 
 
Nesse período, o material de construção 
também ficou mais diversificado. Além do material já 
existente, passou-se a usar também alvenaria de 
pedras e tijolos nas paredes; madeira recoberta com 
telhas cerâmicas nas coberturas; lajotas de barro e/ou 
assoalhos de madeira nos pisos. Usava-se também um 
tipo de tijolo circular que servia para construção de 
colunas para alpendres de capelas, casas-grandes, 
senzalas e, eventualmente, de fábricas. Tudo 
dependia das condições financeiras do senhor de 
engenho e da disponibilidade de material na região. 
 
 O início do uso da máquina a vapor nos 
engenhos, da Bahia e Pernambuco, em 1815 e 1817, 
respectivamente, promoveu grandes mudanças, 
principalmente quanto ao aumento da produção. 
Todavia, por ser um investimento caro, nem todos os 
senhores de engenho tinham disponibilidade 
financeira para instalar as inovações em suas fábricas. 
Em decorrência disso, muitos engenhos acabaram 
sendo incorporados por outros cujos donos tinham 
maior poder aquisitivo. Assim, um único senhor de 
engenho ou uma única família passou a ser 
proprietário de vários engenhos, através da compra, 
herança ou pelo casamento. O fato é que o número 
de senhores de engenho diminuiu, mas os que 
sobreviveram ficaram mais ricos e poderosos. 
 A riqueza mudou a vida dos senhores de 
engenho e de seus familiares, possibilitando a 
construção de novas casas-grandes e a reforma de 
outras. Nesse período surgiram três tipos de casas de 
engenho: o bangalô, o sobrado neoclássico e o chalé. 
 
A sociedade agrária, patriarcal, escravocrata 
do açúcar passou a ocupar a mais alta classe social da 
época. A imagem de riqueza era evidenciada através 
de bonitas e confortáveis casas, devidamente 
equipadas com móveis em madeira de lei, louça de 
porcelana da melhor qualidade, títulos de nobreza, 
brasões gravados sobre os portais e outros objetos. 
As mulheres passaram a frequentar salões de festas, 
teatros e a viajar para capital da Província. Filhos 
eram mandados para estudar na Europa. 
 
A GUERRA DOS BÁRBAROS 
 
 
A resistência dos nativos e a interiorização da 
colonização 
 
Devido ao avanço das frentes pastoris, com o 
objetivo de expandir a pecuária, a ocupação do Sertão 
se intensificou. Entretanto, chegou o momento que a 
presença indígena se tornou um empecilho e essa a 
essa expansão. As autoridades coloniais utilizaram, 
então, a estratégia de desocupação das terras pela 
eliminação dos nativos que resistissem aos interesses 
colonizadores. 
Os portugueses cobiçavam as grandes 
extensões de terras dos silvícolas e tentavam se 
apossar delas através do extermínio dos nativos, que 
se obrigavam a irem cada vez mais para o interior do 
território. Por outro lado, é bem possível que, 
enquanto ainda se arrastavam as negociações com os 
portugueses, os holandeses tivessem animado o povo 
tarairiu a se rebelar no interior da colônia. 
Provavelmente havia um clima de revanchismo, pois 
os nativos teriam defendido os holandeses e 
deveriam se sentir ameaçados com o avanço dos 
portugueses, que sempre foram seus inimigos. 
 
As tribos não possuíam um comando único que 
todos obedecessem; poderiam se aliar ou lutar 
sozinhas, de acordo com as circunstâncias. Na maioria 
das vezes, tratou-se mais de uma reação contra as 
perseguições dos brancos do que uma guerra com 
objetivos próprios. Os colonos provocavam os nativos 
para que atacassem e, assim, justificariam a guerra 
justa, que levaria à escravização dos nativos 
derrotados. 
 
Era uma forma de expansão sem respeito às 
posses ancestrais dos indígenas, que havia saído de 
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=256&Itemid=184
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=373&Itemid=1
 
12 
 
um período de violência, vilipêndio e rapinagem, 
mergulhou em um conflito contra os indígenas, que, 
no espaço de cinquenta anos, exterminou as tribos do 
território. 
 
Esse conflito ficou supostamente conhecido 
como a “Guerra dos Bárbaros” ou “Confederação dos 
Cariris” e envolveu várias etnias indígenas, no interior 
das capitanias do Nordeste. 
 
Os índios avançaram e, para se defenderem, os 
colonos construíram casas fortes e paliçadas. Em face 
dos pedidos de socorro, o governo-geral do Brasil, 
decidiu requisitar bandeirantes de São Paulo e de São 
Vicente. Os indígenas, além das armas europeias, 
adotaram o uso de cavalos e incendiavam fazendas, 
matavam o gado e os vaqueiros. 
 
A resistência desses nativos foi um elemento 
surpresa e a presença dos bandeirantes, que foram 
eficientes no quilombo de Palmares, não conseguiu 
debelar a revolta. Ao contrário, o conflito dilatou-a 
para outras regiões, provocando a adesão das tribos 
dos anacés, jaguaribaras, acriús, canindés, jenipapos, 
tremembés e dos baiacus, que se mostraram muito 
violentos na defesa de seus direitos. Enquanto isso a 
guerra era alimentada pela ambição de uma parte dos 
colonos, que desejavam as terras que pertenciam aos 
nativos. 
 
Quando Antônio de Albuquerque reassumiu o 
comando da guerra, seu objetivo era exterminar os 
guerreiros indígenas e escravizar mulheres e 
crianças. Por outro lado, Bernardo Vieira, governando 
a capitania na época, habilidosamente atraiu os 
nativos para um acordo de paz. Essa pacificação 
terminou servindo muito bem para os colonos, pois o 
genocídio já havia sido iniciado e os colonos poderiam 
tomar posse das terras. 
 
Os grupos nativos que se submeteram a essa 
pacificação tiveram o direito a uma légua quadrada 
de terra, devidamente demarcada para viver. As 
mulheres trabalhariam na agricultura, enquanto as 
crianças seriam educadas nos moldes cristãos e de 
acordo com os interesses dos dominadores. 
 
A guerra ainda não havia terminado, em 1715, 
quando o governador de Pernambuco determinou 
que se extinguissem ou se afugentassem 
completamente os bárbaros que ainda habitavam os 
sertões nordestinos, entregando o uso da terra para 
os sesmeiros. O que se diz é que, depois de 1720, não 
houve mais registro de sublevação. 
 
SOCIEDADE COLONIAL 
 
Pode-se, de forma esquemática, apresentar um 
paralelo entre as principais sociedades da Colônia, a 
açucareira e a mineratória, como se segue: 
 
 
 
 
 
ESCRAVISMO NEGRO 
 
 Os escravos africanos representam a mão-de-
obra mais numerosa da Colônia. A razão fundamental 
está no extraordinário lucro que o tráfico negreiro 
representa para a Metrópole. 
 
 Muitos negros trazidos para o Brasil já haviam 
passado pela experiência da escravidão na África, 
dominados nas lutas inter-tribais. Aprisionados, são 
trocados por tabaco, cachaça, rapadura, armas, etc. e 
chegam em péssimas condições de transporte, nos 
navios negreiros, onde muitos morrem antes do 
desembarque. 
 
NÃO-ESCRAVIZAÇÃO DO NATIVO 
 
 Um conjunto de fatores leva à não-escravização 
do indígena do Brasil, diferentemente do que ocorre 
na América Espanhola. 
 
 Podem ser mencionados: o caráter nômade e 
livre da vida do nativo, o tipo físico mais fragilizado, a 
dificuldade de captura, além de todas as “vantagens” 
apresentadas pelo tráfico do africano. Além disso, 
deve se destacar a “proteção” dada ao índio pelos 
 
13 
 
padres, que não permitiam a sua escravização, o que, 
paradoxalmente, não vale para o negro. 
 
 Deve-se salientar que a não adaptação do índio 
ao trabalho escravo não pode ser considerado, pois 
ninguém se adapta à escravidão, sendo o negro 
obrigadoa ela. 
 
AÇÃO JESUÍTICA 
 
Os jesuítas tinham a incumbência, na Colônia, de: 
- chefiar as missões – aldeamento de índios; 
- converter os nativos à cultura europeia; 
-controlar a educação, o ensino e a cultura dos índios; 
- submeter o índio à dominação branca. 
 
HISTÓRIA DOS QUILOMBOS 
No período de escravidão no Brasil (séculos 
XVII e XVIII), os negros que conseguiam fugir se 
refugiavam com outros em igual situação em locais 
bem escondidos e fortificados no meio das matas. 
Estes locais eram conhecidos como quilombos. Nestas 
comunidades, eles viviam de acordo com sua cultura 
africana, plantando e produzindo em comunidade. Na 
época colonial, o Brasil chegou a ter centenas destas 
comunidades espalhadas, principalmente, pelos 
atuais estados da Bahia, Pernambuco, Goiás, Mato 
Grosso, Minas Gerais e Alagoas. 
Na ocasião em que Pernambuco foi invadida 
pelos holandeses (1630), muitos dos senhores de 
engenho acabaram por abandonar suas terras. Este 
fato beneficiou a fuga de um grande número de 
escravos. Estes, após fugirem, buscaram abrigo no 
Quilombo dos Palmares, localizado em Alagoas. 
Esse fato propiciou o crescimento do 
Quilombo dos Palmares. No ano de 1670, este já 
abrigava em torno de 50 mil escravos. Estes, também 
conhecidos como quilombolas, costumavam pegar 
alimentos às escondidas das plantações e dos 
engenhos existentes em regiões próximas; situação 
que incomodava os habitantes. 
Esta situação fez com que os quilombolas 
fossem combatidos tanto pelos holandeses (primeiros 
a combatê-los) quanto pelo governo de Pernambuco, 
sendo que este último contou com os serviços do 
bandeirante Domingos Jorge Velho. 
A luta contra os negros de Palmares durou 
por volta de cinco anos; contudo, apesar de todo o 
empenho e determinação dos negros chefiados por 
Zumbi, eles, por fim, foram derrotados. 
Os quilombos representaram uma das formas 
de resistência e combate à escravidão. Rejeitando a 
cruel forma de vida, os negros buscavam a liberdade e 
uma vida com dignidade, resgatando a cultura e a 
forma de viver que deixaram na África e contribuindo 
para a formação da cultura afro-brasileira. 
Comunidades quilombolas na atualidade 
Muitos quilombos, por estarem em locais 
afastados, permaneceram ativos mesmo após a 
abolição da escravatura em 1888. Eles deram origens 
às atuais comunidades quilombolas (quilombos 
remanescentes). Existem atualmente cerca de 1.500 
comunidades quilombolas certificadas pela Fundação 
Palmares, embora as estimativas apontem para a 
existência de cerca de três mil. Grande parte destas 
comunidades está situada em estados das regiões 
Norte e Nordeste. 
Os integrantes das comunidades quilombolas 
possuem fortes laços culturais, mantendo suas 
tradições, práticas religiosas, relação com o trabalho 
na terra e sistemas de organização social próprio. 
DOMÍNIO HOLANDÊS 
 
A batalha de Guararapes, segundo Vítor Meirelles 
 
Nove anos após a expulsão dos franceses, o 
território colonial brasileiro sofreu uma invasão 
holandesa, em 1624. Os motivos que traziam os 
holandeses ao Brasil eram muito diferentes. 
Para compreendê-los, é necessário fazer 
algumas considerações sobre o período em que 
Portugal (União Ibérica) esteve sob o domínio 
espanhol, bem como sobre as relações internacionais 
da Espanha. 
Após ter emergido como potência europeia, a 
Espanha perseguiu o objetivo de unificar toda a 
península ibérica, incorporando Portugal ao seu 
território. Os portugueses resistiram enquanto 
puderam. Mas, no século 16, alguns acontecimentos 
contribuíram para a Espanha concretizar seus 
objetivos. 
Em 1578, o rei dom Sebastião, último 
monarca da dinastia de Avis, morreu e não deixou 
herdeiros. Então, o cardeal dom Henrique, único 
sobrevivente masculino da linhagem de Avis, assumiu 
a regência. Com sua morte, em 1580, o rei da 
Espanha, Felipe 2º; da mesma linhagem familiar, 
 
14 
 
achou-se no direito de ocupar o trono português e 
invadiu Portugal. O domínio espanhol sobre Portugal 
duraria 60 anos, até 1640. 
 
Espanha e Holanda 
 
Contudo, antes disso, Portugal já havia 
estabelecido relações comerciais com os ricos 
negociantes holandeses, que passaram a financiar a 
produção açucareira no Brasil e a controlar toda a sua 
comercialização no mercado europeu. Por outro lado, 
no mesmo período, a Espanha pretendia dominar 
todo o território dos Países Baixos, na qual a Holanda 
estava situada, pois a circulação de mercadorias 
naquela região contribuía significativamente para 
abastecer os cofres do tesouro espanhol. 
Não obstante, em 1581, sete províncias do 
Norte dos Países Baixos, incluindo a Holanda, criaram 
a República das Províncias Unidas e passaram a lutar 
por sua autonomia em relação aos espanhóis. Ao 
incorporar Portugal, aproveitando-se do seu controle 
sobre o Brasil, a Espanha planejou impedir que os 
holandeses continuassem a comercializar o açúcar 
brasileiro. Era uma tentativa de sufocar 
economicamente a Holanda e impedir sua 
independência. 
 
As invasões holandesas 
 
Os holandeses reagiram rapidamente, 
concentrando seus esforços no controle das fontes 
dos produtos que negociavam. Surgiu assim, em 
1602, a Companhia das Índias Orientais. Essa 
empresa, de porte enorme, se apossou dos domínios 
coloniais portugueses no Oriente. Em decorrência dos 
êxitos desse empreendimento, os holandeses 
criaram, em 1621, a Companhia das Índias Ocidentais. 
Esta ficou encarregada de recuperar o controle do 
açúcar brasileiro e monopolizar o seu comércio nos 
mercados europeus. 
Para controlar a produção e comercialização 
do açúcar era necessário ocupar e se apoderar de 
partes do território colonial brasileiro onde ele era 
produzido. Desse modo, contando com uma frota 
composta de 26 navios e 500 canhões, os holandeses 
iniciaram sua primeira invasão do Brasil em 1624. 
Atacaram a cidade de Salvador, na época o centro 
administrativo da colônia. Mas, um ano após terem 
chegado, foram expulsos, sem grandes dificuldades. 
Uma segunda tentativa de invasão se deu em 1630, 
dessa vez em Pernambuco. Os holandeses 
conseguiram conquistar as vilas de Olinda e Recife. 
Houve combates, mas os invasores holandeses 
resistiram e estabeleceram o controle de uma extensa 
parte do litoral brasileiro que ia do Sergipe ao 
Maranhão. A Companhia das Índias Ocidentais 
nomeou um governador para administrar o domínio 
recém conquistado, que ficou conhecido como o 
Brasil-holandês. 
 
 
Maurício de Nassau 
 
Para o cargo de governador, foi nomeado o 
conde João Maurício de Nassau, que chegou ao Recife 
em janeiro de 1637. No período em que governou o 
Brasil-holandês, entre 1637 a 1644, Nassau procurou 
estabelecer uma administração eficiente e um bom 
relacionamento com os senhores de engenho da 
região. Desse modo, foram colocados a disposição 
dos proprietários de engenho recursos financeiros, 
para serem utilizados na compra de escravos e de 
maquinário para o fabrico do açúcar. 
Nassau também criou as Câmaras dos 
Escabinos, que eram órgãos de representação 
municipal, a fim de estimular a participação política 
da população nas decisões de interesse local. Durante 
o governo de Nassau, as vilas de Recife e Olinda 
passaram por um intenso processo de urbanização e 
melhoramentos que mudaram completamente a 
paisagem local. 
Com o fim do domínio espanhol sob Portugal, 
em 1640; o novo rei português, D. João 4º, decidiu 
recuperar o Nordeste brasileiro retirando-o do 
domínio holandês. Esse período coincidiu com o 
descontentamento dos senhores de engenho do 
Nordeste brasileiro diante dos holandeses. Nassau já 
havia partido e, para explorar ao máximo a produção 
do açúcar brasileiro, a Holanda adotou inúmeras 
medidas impopulares, em especial o aumento dos 
impostos, o que contrariava os interesses dos 
proprietários de engenho. 
 
Batalhas contra os holandeses 
 
A luta contra os holandeses no Nordeste 
brasileiro foi iniciada pelos próprios senhores de 
engenho da região e durou cerca de dez anos. Sob 
iniciativa dos senhores,os colonos da região foram 
mobilizados e travaram várias batalhas contra os 
holandeses. As mais importantes foram a de 
Guararapes e Campina de Taborda. 
Mas a expulsão definitiva dos holandeses teve início 
em junho de 1645, em Pernambuco, através da 
eclosão de uma insurreição popular liderada pelo 
paraibano André Vidal de Negreiros, pelo senhor de 
engenho João Fernandes Vieira, pelo índio Felipe 
Camarão e pelo negro Henrique Dias. A chamada 
 
15 
 
Insurreição Pernambucana, chegou ao fim em 1654, 
tendo libertado o Nordeste brasileiro do domínio 
holandês. 
Porém, a expulsão dos holandeses do território 
brasileiro teria um impacto negativo sobre a 
economia colonial. Durante o período em que 
estiveram no Nordeste, os holandeses tomaram 
conhecimento de todo o ciclo da produção do açúcar 
e conseguiram aprimorar os aspectos técnicos e 
organizacionais do empreendimento. Quando foram 
expulsos do Brasil, dirigiram-se para as Antilhas, ilhas 
localizadas na região da América Central. 
 
 
O fim de um ciclo açucareiro 
 
Lá montaram uma grande produção 
açucareira que, em pouco tempo, passou a concorrer 
com o açúcar do Brasil e logo se impôs no mercado 
europeu. Consequentemente, provocou a queda das 
exportações brasileiras. Já na segunda metade do 
século 17, os engenhos brasileiros estavam em 
decadência. 
Era o fim do chamado ciclo da cana-de-açúcar 
na história econômica do Brasil. Restava a Portugal 
encontrar outros meios para explorar 
economicamente a Colônia. Um novo ciclo de 
exploração colonial teria início com a descoberta de 
riquezas minerais como o ouro, a prata e os 
diamantes, na região que ficaria conhecida como a 
das Minas Gerais. 
 
CRISE DO SISTEMA COLONIAL NO BRASIL 
 
 A exemplo do restante da América, o processo 
de emancipação é conduzido pela elite nativa que, 
detentora do poder econômico almeja o poder 
político, no pós-independência. 
 No caso brasileiro existem algumas 
especificidades se comparada ao processo no 
restante da América Latina, como, por exemplo, a 
transferência da Corte Portuguesa para o Brasil. 
 
 Várias são as razões que levam à decadência do 
colonialismo tradicional, dentre elas: 
- A ideologia liberal imposta pela burguesia, 
contestando o Absolutismo e o Mercantilismo; 
- A expansão do capitalismo após a Revolução 
Industrial; 
- A contestação do escravismo pelo capitalismo 
internacional; 
- A ambição política da burguesia colonial; 
- A insatisfação da população colonial com a excessiva 
exploração metropolitana. 
 
 Esses aspectos, típicos do fim do século XVIII e 
início do século XIX se transformam em movimentos 
armados de contestação à dominação política 
metropolitana nas colônias. No Brasil, tais 
movimentos podem ser Nativistas e Coloniais 
(Emancipacionistas). 
 
MOVIMENTOS BRASILEIROS DE CONTESTAÇÃO 
 
MOVIMENTOS NATIVISTAS 
 
 São movimentos de contestação a aspectos do 
domínio português no Brasil, sem desejo de 
emancipação colonial. Têm também por característica 
o caráter local e a não influência estrangeira. 
 Como exemplo tem-se: Aclamação de Amador 
Bueno (SP - 1641); Revolta de Beckman (MA - 1684); 
Revolta dos Emboabas (MG - 1708-09); Revolta dos 
Mascates (PE - 1710) e Sedição de Vila Rica (MG - 
1720). 
 
GUERRA DOS MASCATES – 1710 
 
 
 
A partir de 1654, a expulsão definitiva dos 
holandeses de Pernambuco provocou uma grande 
mudança no cenário econômico daquela região. Os 
grandes produtores de açúcar que anteriormente 
usufruíram dos investimentos holandeses, agora 
viviam uma crise decorrente da baixa do açúcar no 
mercado internacional e a concorrência do açúcar 
produzido nas Antilhas. Contudo, esses senhores de 
engenho ainda possuíam o controle do cenário 
político local por meio do poder exercido na câmara 
municipal de Olinda. 
 
Em contrapartida, Recife – região vizinha e 
politicamente subordinada à Olinda – era considerado 
o principal polo de desenvolvimento econômico de 
Pernambuco. O comércio da cidade trazia grandes 
lucros aos portugueses, que controlavam a atividade 
comercial da região. Essa posição favorável tinha 
 
16 
 
como motivação as diversas melhorias empreendidas 
na cidade com a colonização holandesa, que havia 
transformado a cidade em seu principal centro 
administrativo. 
 
Com o passar do tempo, a divergência da 
situação política e econômica entre os fazendeiros de 
Olinda e os comerciantes portugueses de Recife criou 
uma tensão local. Inicialmente, os senhores de 
engenho de Olinda, vivendo sérias dificuldades para 
investirem no negócio açucareiro, pediram vários 
empréstimos aos comerciantes portugueses de 
Recife. Contudo, a partir da deflagração da crise 
açucareira, muitos dos senhores de engenho 
acabaram não tendo condições de honrar seus 
compromissos. 
 
Nessa mesma época, a complicada situação 
econômica de Olinda somava-se ao completo 
sucateamento da cidade, que sofreu com as guerras 
que expulsaram os holandeses. Com isso, a câmara de 
Olinda decidiu aumentar os impostos de toda a 
região, incluindo Recife, para que fosse possível 
recuperar o centro administrativo pernambucano. 
Inconformados, os comerciantes portugueses, 
pejorativamente chamados de “mascates”, buscaram 
se livrar da dominação política olindense. 
 
Para tanto, os comerciantes de Recife 
conseguiram elevar o seu povoado à categoria de vila, 
tendo dessa maneira o direito a formar uma câmara 
municipal autônoma. A medida deixou os 
latifundiários de Olinda bastante apreensivos, pois 
temiam que dessa forma os comerciantes 
portugueses tivessem meios para exigir o pagamento 
imediato das dívidas que tinham a receber. Dessa 
forma, a definição das fronteiras dos dois municípios 
serviu como estopim para o conflito. 
 
A guerra teve início em 1710, com a vitória 
dos olindenses que conseguiram invadir e controlar a 
nova cidade pernambucana. Logo em seguida, os 
recifenses conseguiram retomar o controle de sua 
cidade em uma reação militar apoiada por 
autoridades políticas de outras capitanias. O 
prolongamento da guerra só foi interrompido no 
momento em que a Coroa Portuguesa indicou, em 
1711, a nomeação de um novo governante que teria 
como principal missão estabelecer um ponto final ao 
conflito. 
 
O escolhido para essa tarefa foi Félix José de 
Mendonça, que apoiou os mascates portugueses e 
estipulou a prisão de todos os latifundiários 
olindenses envolvidos com a guerra. Além disso, 
visando evitar futuros conflitos, o novo governador de 
Pernambuco decidiu transferir semestralmente a 
administração para cada uma das cidades. Dessa 
maneira, não haveria razões para que uma cidade 
fosse politicamente favorecida por Félix José. 
 
DICAS!!! 
 
ECONOMIA PERNAMBUCANA NO SÉCULO XVIII 
 
 Existem divergências quanto à forma de poder 
exercida na América Portuguesa do Séc. XVIII no que 
se refere às formas de governo - levando em 
consideração inúmeros fatores, como a não 
institucionalização estatal no território colonizado, a 
influência exterior do Estado Absolutista Português, 
além de incursões individuais no que se refere a 
sublevações de poder. 
 A primeira parte do presente texto busca 
apresentar e discutir alguns conceitos referentes a 
arte de governar (levando em consideração os que 
mais se adequam a realidade da Colônia) para o 
desenvolvimento, a posteriori, da mentalidade 
política de Pernambuco no início do Séc. XVIII, que é o 
foco do trabalho. Dito isto, os conceitos aqui tratados 
serão estamento, patrimonialismo e patriarcalismo, 
nas definições weberianas dos termos. Porém, uma 
ressalva aqui será feita: nem mesmo Max Weber 
fechou seus conceitos a ponto de torná-los ortodoxos 
e privados de uma dinâmica analítica; portanto, 
pensar em um estamento único e grupos agindo de 
forma idêntica é uma ideia limitada a ponto de ser 
ingênua. 
 
Assim, o conceito de estamento aqui 
empregado será entendido na questão relacionada ao 
status na hierarquia política daadministração da 
Colônia Lusitana. Já os conceitos de patrimonialismo e 
patriarcalismo serão baseados no argumento de 
Rubens Goyatá Campante (cf. CAMPANTE, 2003: 153 
a 193), procurando focar na mentalidade 
conservadora e tradicional que procura legitimar sua 
supremacia através de tais formas de poder. 
 O cenário de estudo aqui abordado possui 
como referência à região de Pernambuco, com 
recorte histórico feito no início do Século XVIII, e o 
objeto de análise aqui apresentado é a mentalidade 
política do senhor de engenho que viveu no período 
nesta região 
 
Diversas obras, como a de Gilberto Freyre 
(1973), mencionam uma espécie de genealogia dos 
senhores de engenho na época da colônia, 
 
17 
 
salientando a adaptabilidade em meio a inúmeras 
adversidades enfrentadas por estes desbravadores e 
um perfil com traços autoritários marcantes. Nesta 
linha de raciocínio, o senhor de engenho conquista 
uma autonomia que em determinados momentos 
chega a preocupar a Coroa Portuguesa, adquirindo 
uma autoridade legitimada pelo seu prestígio. Porém, 
deve ser salientado que este prestígio não se refere a 
meras atribuições honoríficas, mas a imagem de um 
poder que invadia o imaginário popular e 
regimentava-se como status de “senhor da terra”. O 
modelo estamental que se cria com esse status pode 
ser entendido por meio da premissa de Max Weber 
(1974): o círculo que se forma no estamento gera 
uma endogamia, fechando-se e contrapondo-se ao 
próprio governo - no caso a Coroa portuguesa - onde 
o parâmetro que se deseja alcançar seria o status de 
senhor de engenho. 
 
Por outro lado, devido à crise do açúcar no 
Século XVIII, a capital Olinda entra em declínio por 
causa de fatores como o aumento do preço e levantes 
de escravos. Além disso, a sombra que pairava a 
respeito da expulsão dos holandeses ocorrida em 
1654 que favorecia o clima de insegurança somava-se 
a epidemias e inúmeros outros fatores. 
 
Concomitantemente a isso, os mascates 
(comerciantes portugueses que se instalaram em 
Recife), beneficiados pela estruturação urbana feita 
pelos holandeses, enriqueceram com o comércio e 
empréstimo pecuniário em detrimento à endividada 
nobreza olindense (cf. MELLO, 1995). 
 
O poder local dos senhores de engenho rivalizava 
contra esta suposta burguesia mascate favorecida 
pela Coroa Portuguesa. Tal fato ocasionou 
animosidade entre os senhores de engenho e a Coroa 
Lusitana - aquilo que Edvaldo Cabral Mello chama de 
“poder local contra o Estado” - fazendo com que os 
mascates conseguissem apoio da Corte Portuguesa. 
Estes fatores, aliados a questões de ordem política e 
econômica, ao final de tal disputa geraram a 
conhecida Guerra dos Mascates, com a vitória dos 
comerciantes, apoiados pela Coroa Portuguesa devido 
aos interesses econômicos em comum (cf. MELLO, op. 
cit.). 
 
A análise deste trabalho não irá voltar-se para 
as conclusões acima mencionadas, mas é necessário 
apresentá-las para que se possa compreender o 
contexto e elucidar a perspectiva política da época, 
além das relações sociais que permeavam este 
contexto. 
 
Em um primeiro momento observa se a 
ascensão de uma burguesia mascate que ameaçava a 
ordem estamental dos senhores de engenho ao lado 
da economia agrícola que até então dominara, 
desenvolve-se a mobiliária: o comércio e o crédito. E 
com ela surge uma rica burguesia de negociantes, 
que, por seus haveres rapidamente acumulados, 
começa a pôr em xeque a nobreza dos proprietários 
rurais, até então a única classe abastada e, portanto, 
de prestígio da colônia. É por obra dela que as cidades 
do litoral, onde se fixa, se transformam em centros 
populosos e ricos. Recife, que antes da ocupação 
holandesa não passava de um ajustamento de choças 
habitadas quase exclusivamente por humildes 
pescadores, vai ofuscar a capital de Pernambuco, 
Olinda, a cidade da nobreza. (PRADO JR, 1970: 38 e 
39) 
 
Por outro lado, devido à ameaça de cobrança 
das dívidas que os senhores de engenho contraíram 
com empréstimos feitos aos mascates, havia a 
preocupação destes senhores de terra endividados, 
preocupados em se resguardar junto à Coroa 
Portuguesa que por nenhuma dívida, ainda que seja 
da fazenda real, assim que estão contraídas como das 
que ao diante se contraírem, se façam execuções aos 
senhores de engenho lavradores de cana, ou roça em 
nenhuns bens seus assim móveis como de raiz, outros 
de qualquer qualidade que sejam, mas somente nos 
rendimentos se possam executar, e que os açúcares 
se não rematem, por nenhumas dívidas, e o 
receberão pelo preço que sair, pois Sua Majestade o 
manda dar, e isto será sem limitação de tempo e para 
sempre.(Calamidades de Pernambuco – 
Reivindicações feitas por grandes proprietários de 
terras na Guerra dos Mascates, pela qual se deviam 
processar as execuções e cobranças)". (PRADO JR, op. 
cit.: 41). 
 
A Coroa Portuguesa até então não 
apresentava nenhum tipo de hostilidade para com os 
senhores de engenho, que demonstravam, inclusive, 
subordinação efetiva nas imposições do governo, 
criando uma aliança contrabalançada por interesses 
mútuos: até meados do século XVII, a Coroa não 
temia a autonomia dos colonos, seu ímpeto sertanista 
e seus excessos armados. A organização 
administrativa seria suficiente para conter os ânimos 
mais ardentes ou insubordinados. Preocupava-o, ao 
contrário, o estímulo, nos engenhos e latifúndios, do 
aparelhamento militar, com falcões, berços, 
arcabuzes e espingardas, como se lê no regimento de 
Tomé de Sousa. Os senhores de engenho e os 
 
18 
 
moradores se entrosavam na rede de governo, como 
auxiliares e agentes. (FAORO, 1975: 149). 
 O cenário descrito nas passagens acima ilustra 
uma posição desfavorável aos senhores de engenho, 
favorecendo aos mascates e, até então, 
proporcionando uma posição confortável a Coroa 
Lusitana. Mas, é na política que as divergências se 
tornam acirradas. Os senhores de engenho sentem 
sua honra afrontada e o “sagrado estamento” mostra-
se violado pelo elemento invasor denominado 
mascate. Ampliando o problema, os Mercadores do 
Recife conseguem direito à eleição, o que demonstra 
um grave risco a hierarquia até então arregimentada 
pelos senhores de engenho em 1703 alcançam os 
mercadores de Pernambuco o direito de concorrer às 
eleições da Câmara de Olinda. E finalmente, em 1707, 
obtêm a ereção de Recife, onde dominavam pelo 
número, como vimos, à categoria de vila 
independente da capital. No resto do país foi-se 
dando idêntica infiltração da burguesia mercantil na 
administração municipal. (PRADO JR, op. cit.: 42). 
 
A passagem acima demonstra um marco na 
história do Recife (sua elevação à vila), o que a torna 
uma rival direta de Olinda. Contrastava uma 
burguesia embrionária mascate com um 
conservadorismo dos senhores da terra, isso 
porque, em Pernambuco, principalmente desde a 
época dos holandeses, Olinda havia decaído, à 
medida que levantara o Recife, crescendo muito em 
população. Entretanto, essa colônia, a antiga corte do 
príncipe da casa de Orange, de Nassau-Siegen, a 
cidade Maurícia, a praça de guerra e de comércio 
mais importante do Norte do Brasil, no princípio do 
século passado [XVIII], contando já umas oito mil 
almas, nem sequer era vila; e se aí moravam às vezes 
alguns governadores e outras autoridades era por 
abuso: - a capital da capitania era a Olinda de Duarte 
Coelho, habitada pelas principais e mais antigas 
famílias da terra, quando no Recife os habitantes 
eram pela maior parte comerciantes portugueses, de 
humilde nascimento, vindos ali pobres, e agora donos 
ou caixeiros de armazéns de secos e molhados, casas 
de comissão, etc. – Olinda era a cabeça de todo o 
conselho, e estava desde tempos remotos avezada a 
ver os cargos dele exercidos por indivíduos de 
algumas dessas principais famílias. 
 
Como, porém, a tais cargos correspondiam 
votos para certos impostos municipais, que recaíam 
também nos do Recife, quiseram ter nas eleições; e 
desde que a isso se propuseram,fácil era de prever 
que sairiam vencedores, sendo tão superiores em 
número, apesar de uma provisão anterior, de 8 de 
Maio de 1705, que dispunha que na Câmara da 
mesma vila não poderiam servir mercadores, 
entendendo-se por tais os que assistissem em loja 
aberta, medindo, pesando e vendendo ao povo 
qualquer gênero de mercadoria. Ressentiram-se os de 
Olinda, e se queixaram de que forasteiros vindos de 
‘suas terras a tratar dos seus negócios’, conseguisse 
‘ter na alheia o governo da república, o que em 
nenhuma daquelas em que nasceram se consente. 
 
 Para evitar conflitos, resolveu 
prudentemente a corte, depois de algumas hesitações 
e incoerências, declarar o Recife vila independente, 
devendo o juiz de fora de Olinda fazer as audiências 
alternadas nessa vila e na do Recife, segundo se 
praticava em várias terras do Reino, e sendo cometida 
a erecção do pelourinho e a fixação dos limites das 
duas jurisdições ao governador Sebastião de Castro e 
Caldas, e ao ouvidor da capitania Dr. Luís de 
Velenzuela Ortiz. (VANHAGEM, 1970: 314). 
 
Diante do conflito político, ficam evidentes 
características marcantes dos senhores de engenho, 
pois, observa-se que primeiramente fez-se notório a 
concretização de um estamento em que as relações 
ocorrem de forma vertical, onde a honra do cargo que 
ocupa dentro da esfera política é o fator 
determinante do grau de importância dentro da 
Monarquia Portuguesa (perpassando as relações 
sociais dentro da colônia). 
 
Externa-se uma outra característica patente, a 
saber, a visão dos senhores de engenho de que os 
cargos públicos seriam de sua propriedade - o que nos 
remete ao patrimonialismo -, ficando evidente o 
tamanho da afronta dos mascates que não apenas 
estavam se infiltrando e usurpando o status 
estamental, mas também violando a propriedade 
alheia (na visão dos senhores da terra), ou seja, 
tomando posse do bem público que se tornara 
particular em meio às relações patrimoniais. 
 
Tal afirmação é justificada pela definição de 
patrimonialismo, que é a substantivação de um termo 
de origem adjetiva: patrimonial, que qualifica e define 
um tipo específico de dominação. Sendo a dominação 
um tipo específico de poder, representado por uma 
vontade do dominador que faz com que os 
dominados ajam, em grau socialmente relevante, 
como se eles próprios fossem portadores de tal 
vontade, o que importa, para Weber, mais que a 
obediência real, é o sentido e o grau de sua aceitação 
como norma válida - tanto pelos dominadores, que 
afirmam e acreditam ter autoridade para o mando, 
 
19 
 
quanto pelos dominados, que creem nessa 
autoridade e interiorizam seu dever de obediência. 
(CAMPANTE, op. cit.) 
 
Os senhores de engenho, devido à ameaça 
que se apresentava no cenário, não apenas observam 
a aliança da Coroa Portuguesa com os mascates, 
como também fortalecem seu poder de forma 
autônoma, criando uma autarquia, como forma de 
precaver-se contra esta união política bipolar. Assim, 
o patrimonialismo se faz notório com seu alto grau de 
prestígio, favorecendo um egocentrismo que 
transforma o senhor de engenho em detentor da 
autoridade local, exercendo sua força com mão-de-
ferro, melhor dizendo, “mão-de-terra” (já que lhe 
atribuíram o título de senhor da terra), neste 
momento de declínio da elite olindense. 
 
 
O desprestígio dos senhores de engenho com 
relação à Coroa Portuguesa fica patente, quando o 
senhor de engenho e o fazendeiro não eram mais os 
aliados do soberano, voltado este para o comércio, na 
sua tradicional política. Os mascates levariam a 
melhor parte das atenções públicas, perdidos os 
privilégios antigos, próximos, perigosamente 
próximos, dos usos aristocráticos. O rei queria súditos 
e não senhores, soldados e não caudilhos. (FAORO, 
op. cit.: 164). 
 
Com a separação entre Olinda e Recife 
ocorreu uma bipartição do governo local, fazendo 
com que fosse necessário um fortalecimento 
administrativo de ambos os lados, até mesmo devido 
às disputas políticas, pois, a divisão da cabeça (poder 
central), ao contrário da “Hidra de Lerna”, tornou as 
partes separadas ineficazes, sem possibilidade de 
regeneração. O momento dessa necessidade de um 
governante é apontado por Varnhagen: 
 
A capitania ficou acéfala e toda se deu por 
sublevada. Tratou, pois, de ter um chefe. Foi primeiro 
eleito um juiz do povo; porém, acerca da escolha do 
novo governo variaram muito os pareceres, filhos 
alguns das ambições pessoais; como às vezes sucede 
entre certos políticos, aos quais tanto cega a paixão, 
que julgam bem da pátria o que é apenas satisfação 
dos seus interesses. (VANHAGEM, op. cit.: 316). 
 
Como consequência das disputas de poder 
administrativo aparece um outro fator característico e 
determinante do perfil do senhor de engenho 
pernambucano do início do Século XVIII: o 
patriarcalismo. Percebe-se uma personalidade criada 
de forma fragmentada que surge a partir de uma 
tripartição da mentalidade do senhor de engenho 
onde ocorre harmonia e, ao mesmo tempo, rivalidade 
em meio a três estados distintos que se integram em 
prol de interesses comuns. 
 
Cria-se o perfeito arquétipo de Cérbero, 
formando assim a trilogia: estamento, 
patrimonialismo e patriarcalismo. Sobre o 
patriarcalismo, Rubens Goyatá Campante esclarece: a 
dominação tradicional subdivide-se em patrimonial e 
feudal. 
 
A dominação patrimonial tem sua 
legitimidade baseada em uma autoridade sacralizada 
por existir desde tempos antigos, longínquos. Seu 
arquétipo é a autoridade patriarcal. Por se espelhar 
no poder atávico, e, ao mesmo tempo, arbitrário e 
compassivo do patriarca, manifesta-se de modo 
pessoal e instável, sujeita aos caprichos e à 
subjetividade do dominador. A comunidade política, 
expandindo-se a partir da comunidade doméstica, 
toma desta, por analogia, as formas e, sobretudo, o 
espírito de "piedade" a unir dominantes e dominados. 
(CAMPANTE, op. cit.). 
 
Nesse prisma, pode-se observar o senhor de 
engenho legitimando seu poder sob um 
patrimonialismo que resgata os valores patriarcais das 
antigas famílias dos proprietários de terra de 
Pernambuco, perpetuando a hegemonia do “senhor” 
através das gerações. O legado do senhor de engenho 
é uma herança tradicional de uma ascendência 
patriarcal de natureza orgânica. 
 
Ocorreram diversas insurreições e tanto 
Olinda quanto Recife depauperavam-se em conflitos 
frequentes - o que agravava o quadro político, 
econômico e social. Mas, deve-se ressaltar que pelos 
fatores tradicionalistas que formavam este “Cérbero” 
(senhor de engenho), os mascates não pareciam tão 
homogêneos quanto os senhores da terra e 
necessitavam de medidas que os resguardassem das 
investidas olindenses como, por exemplo, o apoio da 
Coroa Portuguesa. Os mascates também procuraram 
reforçar sua administração e optaram pelo critério de 
confiabilidade, baseado em relações de dependência 
do administrador com a elite recifense, criando um 
comprometimento arbitrário: 
 
Os do Recife obrigaram o bispo a expedir uma 
circular a todos os povos da capitania desculpando a 
insurreição, contando como Bernardo Vieira, causa 
dela, ficava preso, recomendando a paz, prometendo 
 
20 
 
esquecimento do passado, e ordenando que não 
impedissem a vinda de mantimentos para a praça. – 
Essa circular assinou o bispo no dia que se devia 
passar para estes; e assim o efectuou, embarcando-se 
no dia 21, em um escaler, com o ouvidor, e 
reassumindo logo aí as funções de governador. 
Passou a intimar aos do Recife que lhe prestassem 
obediência: resistiram, porém, estes, proclamando 
seu mandante o capitão João da Mota, que se 
preparou para se opor qualquer ataque. (VANHAGEM, 
op. cit.: 318). 
 
MOVIMENTOS EMANCIPACIONISTAS 
 
São movimentos de contestação ao domínio 
no Brasil, com desejo de independência, tendo o 
caráter regional com ideologia de libertação nacional, 
sofrendo influência estrangeira do Liberalismo e suas 
manifestações. 
 
Como exemplo tem-se: 
 
- A Inconfidência Mineira(1789), de caráter elitista e 
de pouca profundidade social (não se preocupa, por 
exemplo, com a questão abolicionista), sofrendo 
influência das ideias liberais da Revolução Americana; 
-A Inconfidência Baiana (1798), de caráter mais 
popular e com maior profundidade social (defende o 
fim da escravidão), sofrendo influência das ideias 
liberais da Revolução Francesa, traduzidas para a 
realidade local. 
 
PERÍODO JOANINO - 1808 A 1821 
 
 A principal etapa do processo de independência 
do Brasil é a transferência da Família Real Portuguesa 
para o Brasil, a partir da desobediência ao Bloqueio 
Continental imposto por Napoleão Bonaparte à 
Inglaterra (1806) e posterior invasão de Portugal pelas 
tropas napoleônicas (1807), uma vez que D. João 
prefere se manter fiel e dependente do comércio 
inglês. Ao período de permanência da Corte no Brasil 
chama-se Período Joanino. 
 
Principais ocorrências do período: 
- 1808 - Abertura dos Portos Brasileiros às nações 
amigas, medida que leva ao fim do Pacto Colonial. 
- 1808 - Revogação do alvará de 1785, liberando a 
atividade industrial na Colônia. 
- 1810 - Tratados com a Inglaterra - Paz e Amizade e 
Comércio e Navegação, determinando que: 
 
• os produtos ingleses vendidos no Brasil sofrem uma 
taxa alfandegária de 15%; 
• os súditos ingleses no Brasil, em caso de processo, 
têm o direito de escolher um juiz inglês para julgá-los - 
direito de “extraterritorialidade”; 
• Portugal se compromete a não mais permitir a 
atuação do Tribunal de Inquisição no Brasil; 
• Portugal se compromete a abolir gradualmente a 
escravidão no Brasil, entretanto, tal medida só é 
tomada a partir de 1850; 
• proibição da retomada do Pacto Colonial. 
 
- 1815 - Elevação do Brasil à categoria de Reino Unido 
a Portugal e Algarves, determinando maior 
autonomia política e aprofundamento da “Inversão 
Brasileira” em relação à metrópole. 
 
As instituições eclesiásticas 
 
O processo de colonização portuguesa no 
continente americano foi acompanhado de perto 
pelas instalações de instituições europeias, como 
forma de repetir na colônia uma administração, 
justiça e religião similares às metropolitanas. A título 
de exemplo, as câmaras eram órgãos emergidos nas 
vilas e cidades coloniais com o intuito de implantar e 
reproduzir os ditames administrativos portugueses na 
colônia, com o funcionamento gerido, sobretudo, pela 
“nobreza colonial”. A primeira instalada em 
Pernambuco foi em Olinda no século XVI e, apenas no 
XVIII, o Recife conseguiu autorização para estabelecer 
sua câmara. 
Os representantes da igreja tridentina também 
se fizeram presentes na conquista portuguesa. A 
própria justificativa da colonização esteve atrelada à 
necessidade de catequizar os homens do Novo 
Mundo, ensinando-lhes o caminho da salvação e 
aumentando a quantidade de fiéis católicos no 
processo de conversão dos indígenas. Os jesuítas 
eram os missionários por excelência, responsáveis 
não apenas pela catequização, mas, também, pelo 
ensino básico. 
 A proliferação de igrejas, capelas e 
irmandades mostra a preocupação em educar a 
população nos moldes eclesiásticos católicos 
portugueses. O ensino tridentino era a chave para 
organização da população nativa aos preceitos e 
valores europeus, incluindo a exploração e trabalho 
forçado. Vale destacar a criação do órgão de 
repressão e coerção máximo aos hereges, em função 
de seus pecados e “crimes de fé”, que era a 
Inquisição, também conhecido como o tribunal do 
Santo Ofício. Ele tinha a função de punir os que 
estivessem envolvidos em casos heréticos, como 
sodomia, bigamia, além dos casos de judaísmo na 
América. As punições eram amplas, desde degredo 
 
21 
 
até a morte do acusado. No Brasil, não existiu 
efetivamente um tribunal da Inquisição, mas sim 
visitações de representantes do Santo Ofício que 
ouviam as confissões e denunciações para o 
julgamento final. Elas ocorreram em períodos 
esporádicos nos séculos de colonização. Neste 
período, a Inquisição prendeu mais de mil pessoas e 
mandou 29 para a fogueira. Seu maior alvo eram os 
cristãos-novos. 
 
REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817 
 
 Para sustentar o luxo da corte portuguesa no 
Rio de Janeiro, o governo aumentava os impostos. Em 
Pernambuco, o sentimento nativista aumentava e, 
com ele, o desejo de que houvesse um governo 
brasileiro para substituir o governo português. Para 
agravar ainda mais a situação, em 1816 ocorreu uma 
grande seca em Pernambuco que afetou a lavoura da 
cana-de-açúcar e do algodão. 
 
A ideologia iluminista também havia se 
espalhado pelo mundo e provocado revoluções como 
a Francesa, a Independência dos Estados Unidos e a 
independência de algumas colônias espanholas na 
América do Sul. Todos esses fatores acabaram por 
influenciar e a provocar a Revolução Pernambucana 
de 1817 que ultrapassou a fase de conjuração e 
chegou a atingir o poder. 
 
Na Revolução Pernambucana houve a 
participação sociedades secretas, intelectuais, padres 
e militares; no entanto os escravos estavam excluídos. 
O objetivo era proclamar uma república brasileira e 
expulsar o governador Caetano Pinto de Miranda 
Montenegro. 
 
 A Revolução eclodiu em março de 1817 e 
obrigou o governador a buscar refúgio no forte do 
Brum que, por não oferecer condições de defesa, 
levou o governador a render-se. 
 
Os revoltosos permitiram que ele partisse 
para o Rio de Janeiro e, em seguida formaram o 
governo provisório que apresentou as seguintes 
propostas: proclamar a República, abolir alguns 
impostos e elaborar uma constituição que permitisse 
liberdade religiosa e a igualdade de todos perante a 
lei. 
 Em relação aos escravos, a Revolução 
Pernambucana estabeleceu que a abolição seria 
“lenta, regular e legal”, para não prejudicar os 
interesses dos senhores de engenho. Essa parte não 
era compatível com as ideias iluministas. 
 
O governo provisório durou 75 dias, isto é, até 
que D. João mandasse suas tropas para cá com 
grande quantidade de armas, munições e navios. Os 
revolucionários renderam-se e seus líderes, como 
Domingos Teotônio Jorge, o padre João Ribeiro 
Pessoa e José Luís de Mendonça, foram condenados à 
morte. 
 
 Portugal mantinha seu poder a qualquer 
custo. Mesmo assim, outras revoluções surgiriam em 
Pernambuco, mais tarde. 
 
A Revolução Pernambucana de 1817 teve 
centros de debates políticos de onde partiram os 
ideais revolucionários. Um deles foi o Areópago de 
Itambé, dirigido pelo padre Arruda Câmara, que 
proibia a presença de estrangeiros nos seus debates 
internos. 
 
 Outro importante foco divulgador das ideias 
emancipacionistas foi o Seminário de Olinda, onde um 
de seus principais membros era o padre Miguel 
Joaquim de Almeida Castro, conhecido como padre 
Miguelinho, que participou da Revolução de 1817, 
sendo fuzilado pelas tropas do rei. 
 
- 1820 - Revolução do Porto, em Portugal, na qual os 
portugueses têm os seguintes objetivos: 
 
• exigir a volta imediata de D. João VI a Lisboa uma 
vez que a Metrópole está livre dos domínios 
napoleônicos desde 1814. 
• Estabelecer para Portugal uma Monarquia 
Constitucional, reduzindo as atribuições políticas de 
D. João, agora subordinado a uma Constituição liberal 
e burguesa. 
• Recolonizar o Brasil, dada a insatisfação com a 
condição de “Reino Unido” bastante “perigosa” aos 
olhos de Lisboa. 
- 1821 - Anexação da província espanhola da 
Cisplatina ao Brasil. 
- 1821- Retorno de D. João VI a Lisboa, deixando em 
seu lugar, no Brasil, seu filho D. Pedro, como Príncipe 
Regente. 
 As etapas do processo de independência, 
descritas a seguir, não vão além de pretextos e causas 
imediatas para formalizar o que já está amadurecido: 
o rompimento definitivo. 
 
A INDEPENDÊNCIA 
 
 A independência é fruto sobretudo da 
conjugação de interesses da Inglaterra, desejosa de 
 
22 
 
ampliar seus poderes econômicos e da burguesia 
nativa (aristocracia rural), desejosa de obter poderes 
políticos. O Príncipe Regente D. Pedro se encaixa no 
processoapenas como instrumento dos verdadeiros 
interessados. 
 
São peças significativas no processo: a 
imprensa, divulgadora das ideias liberais, a 
maçonaria, pois nas suas lojas tramam-se os diversos 
caminhos da independência e o povo, que representa 
a massa de sustentação (ideológica e armada, se 
preciso) do movimento, embora sem idealizá-lo ou 
liderá-lo. 
 
 Com o risco de recolonização e a exigência do 
retorno de D. Pedro para Portugal, os brasileiros, 
sentindo-se ameaçados em sua autonomia, redigem 
um abaixo assinado para que o mesmo permanecesse 
no Brasil. Assim, D. Pedro decide permanecer no país. 
Este acontecimento ficou conhecido como “Dia do 
Fico” (janeiro de 1822). Ficou também estabelecido 
que nenhuma lei portuguesa vigore no Brasil sem o 
consentimento de D. Pedro e, em setembro, após 
decretos vindos de Portugal para recolonizar o país e 
com a atuação de José Bonifácio e Princesa 
Leopoldina, D. Pedro formaliza a independência do 
Brasil. Em dezembro é coroado como 1º Imperador 
do Brasil, fazendo nascer o início de uma nova era 
política: o 1º Império ou 1º Reinado. 
 
 DICAS: 
 
 A burguesia nacional logra a sua vitória: a ruptura 
com Portugal pode dar à classe condições de 
ascensão política até então inatingíveis; há um grande 
interesse no contato comercial com a burguesia 
europeia, especialmente a inglesa – na prática, tal 
medida significa a continuidade da dependência 
econômica em relação à Inglaterra; é preciso, porém, 
não alterar internamente o status socioeconômico 
dessa burguesia: a adoção de uma monarquia como 
forma de Governo e a manutenção da escravidão, são 
exemplos de tal situação. 
 
APROFUNDAMENTO!! 
 
FREI CANECA 
 
Joaquim da Silva Rabelo, depois Frei Joaquim 
do Amor Divino Rabelo, mas popularmente conhecido 
apenas como Frei Caneca (Recife, 20 de agosto de 
1779 — Recife, 13 de janeiro de 1825), foi um 
religioso e político brasileiro. Esteve implicado na 
Revolução Pernambucana (1817) e na Confederação 
do Equador (1824). Como jornalista, esteve à frente 
do Typhis Pernambucano. 
 
A seu respeito, refere Evaldo Cabral de Melo: 
"O homem que, na história do Brasil, encarnará por 
excelência o sentimento nativista era curiosamente 
um lusitano 'jus sanguinis'." “Quem bebe da minha 
"caneca" tem sede de liberdade! ” 
 
Movimento em Pernambuco e prisão na Bahia 
 
Participou ativamente da chamada Revolução 
Pernambucana (1817), que proclamou uma República 
e organizou o primeiro governo independente na 
região. Não há referência a participação sua, diz 
Cabral de Mello, "nos acontecimentos inaugurais da 
sedição de 6 de março, como a formação do governo 
provisório. Assim é que da relação dos eleitores que o 
escolheram, não consta seu nome. Sua presença só se 
detecta nas últimas semanas de existência do regime, 
ao acompanhar o exército republicano que marchava 
para o sul da província a enfrentar as tropas do conde 
dos Arcos, ocasião em que, segundo a acusação, teria 
exercido de capitão de guerrilhas." 
 
Era conselheiro do exército republicano do 
sul, comandado pelo coronel Suassuna. Com a derrota 
do movimento, foi preso e enviado para Salvador, na 
Bahia. Ali passou quatro anos detido, dedicando-se à 
redação de uma gramática da língua portuguesa. 
 
Retorno a Pernambuco 
 
Libertado em 1821, no contexto do 
movimento constitucionalista em Portugal, Frei 
Caneca voltou a Pernambuco e retomou as atividades 
políticas. Durante a sua viagem, chegou a ser detido 
ainda na antiga cadeia de Campina Grande. 
 
Em 1821 esteve implicado no chamado 
movimento de Goiana, uma segunda sedição 
emancipacionista que, com apoio dos principais 
proprietários da mata norte e algodoeira da província, 
proclamou adesão às Cortes de Lisboa. Um exército 
de milícias rurais e da tropa de primeira linha 
marchou contra o Recife, sem ocupar a cidade. 
 
Os goianistas tampouco conseguiram adesão 
substancial na mata sul. A "Convenção do Beberibe" 
consagrou em setembro o "status quo", prevendo que 
as juntas de Recife e de Goiana continuariam a atuar 
nas áreas sob seu controle, à espera de decisão das 
Cortes. Estas determinaram a eleição de uma Junta 
 
23 
 
Provisória e foi instalado o primeiro governo 
autônomo da província em outubro de 1821. 
 
A Junta Governativa de Gervásio 
 
Frei Caneca apoiou a formação da primeira 
Junta Governativa de Pernambuco, presidida por um 
comerciante, Gervásio Pires Ferreira, que o nomeou 
para a cadeira pública de geometria da vila do Recife. 
Foi uma Junta muito recifense, em que o poder veio 
ao clero, às camadas urbanas, ao comércio, às Forças 
Armadas, às profissões liberais - as forças derrotadas 
em 1817. Gervásio foi a figura dominante de um 
governo que atuou para buscar o consenso, líder de 
um setor do comércio português já nacionalizado pela 
residência, pelo nascimento, por laços de família com 
a terra. E tinha pertencido ao governo do movimento 
de 1817, companheiro de Frei Caneca nas prisões da 
Bahia. 
 
Em 1822 Frei Caneca, que apoiou com 
entusiasmo a Junta, redigiu a "Dissertação sobre o 
que se deve entender por pátria do cidadão e deveres 
deste para com a mesma pátria". Queria dar 
formulação teórica a um dos principais objetivos de 
Gervásio, conciliar o comércio português da província 
com a nova ordem de coisas. Sua principal tese é a de 
que os portugueses domiciliados na terra e a ela 
ligados por vínculos de família e dos interesses 
deviam ser considerados tão pernambucanos quanto 
os naturais da terra. 
 
O dilema era, entretanto, grande. Diz Evaldo 
Cabral de Mello, página 25 da obra citada: «As Cortes 
de Lisboa, por um lado, e a regência de d. Pedro, por 
outro, encarnavam, em termos das aspirações de 
1817, opções igualmente legítimas, se bem que 
incompletas e contraditórias. 
 
Por um lado, o Soberano Congresso oferecia 
um regime liberal, sob uma monarquia constitucional, 
muito embora, a partir de fevereiro de1822, ficasse 
claro no Brasil que elas cobrariam o preço da não 
restauração pura e simples do monopólio comercial, 
que era impossível ressuscitar, mas de um sistema 
preferencial para o comércio e a navegação 
portugueses. Por sua vez, a regência do Rio prometia 
a liberdade de comércio e a Independência, mas com 
a fatura previsível da construção de um regime 
autoritário baseado no centro-sul. 
 
O governo de Gervásio tentou ganhar tempo, 
à espera de uma conjuntura que lhe permitisse salvar 
ambas opções, sem descartar inteiramente a 
separação tanto de Lisboa quanto do Rio. (A Junta 
será anatemizada de Varnhagen a José Honório 
Rodrigues, acusada de carecer de sentimento 
nacional; sua defesa será feita por Barbosa Lima 
Sobrinho). 
 
Sob a pressão de um motim castrense, a junta 
de Gervásio Pires Ferreira foi coagida a aderir à causa 
do Rio de Janeiro e terminou deposta por uma 
quartelada, formando-se um governo denominado 
«governo dos matutos», em outubro de 1822. 
 
A Junta dos Matutos 
 
Em 23 de setembro de 1822 foi eleita a 
chamada «Junta dos Matutos», que substituiu a Junta 
gervasiana. Seu governo se estenderia até dezembro 
de 1823. Era dominado por representantes da grande 
propriedade territorial. Membros eleitos da Junta 
foram, como presidente, Afonso de Albuquerque 
Maranhão, como secretário José Mariano de 
Albuquerque, e como membros Francisco Pais 
Barreto, o morgado do Cabo; Francisco de Paula 
Gomes dos Santos, Manuel Inácio Bezerra de Melo, 
Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque e João 
Nepomuceno Carneiro da Cunha. 
 
É ao tempo do governo dos Matutos que 
verdadeiramente frei Caneca ingressou na liça 
ideológica. Datam de então, diz Cabral de Mello, sua 
polêmica com José Fernandes Gama e seu sobrinho, o 
Desembargador Bernardo José da Gama, cabeças da 
conspiração que derrubara Gervásio, e as «Cartas de 
Pítia a Damão. Tendo ficado comprometidos na 
´Pedrosada´, tentativa frustrada de derrubar a Junta 
dos Matutos, os Gamas tentaram recuperar-se na 
corte e delataram o que chamavam facção 
republicanada província, elaborando uma lista de 
pessoas na qual figurava o frade. 
 
Frei Caneca passou à oposição, sem combatê-
la, porém, frontalmente, preferindo empenhar-se 
contra o grupo que, no Rio de Janeiro, pretendia ditar 
a sorte da província. Frei Caneca pronunciou mesmo a 
oração gratulatória por ocasião da cerimônia de ação 
de graças, na igreja do Corpo Santo, pela aclamação 
de Pedro I como imperador. Só a partir da 
constituição do governo de Manuel de Carvalho Pais 
de Andrade que, sete meses depois da posse 
proclamará a Confederação do Equador, há sinais de 
colaboração estreita do frade com o poder, mas ainda 
sob a forma de atividade jornalística e, 
esporadicamente, dando seu parecer sobre algumas 
das grandes decisões que deveria tomar o governo. 
 
24 
 
 
A primeira de suas Cartas saiu a 17 de março 
de 1823, logo após a ´Pedrosada´. Eram publicadas no 
Correio do Rio de Janeiro, periódico de propriedade 
de João Soares Lisboa, que participaria da 
Confederação do Equador, morrendo em 30 de 
setembro de 1824, ferido em combate durante sua 
fuga pelo interior de Pernambuco ao lado de frei 
Caneca e seus demais companheiros. 
 
Este Pedrosa, ou Pedro da Silva Pedroso, era o 
governador das armas da província que refez contra 
Pais Barreto a aliança que derrubara Gervásio, sem 
que se pudesse destitui-lo, pelo apoio recebido dos 
Gama, na corte. 
 
Frei Caneca nunca combateu a Junta dos 
Matutos, composta de representantes da mata norte 
e sul da província, cujos interesses eram divergentes. 
Preferiu centrar fogo contra a facção pernambucana 
da Corte que endossava a política pessoal do 
imperador, seja sob José Bonifácio, seja sob seus 
sucessores. 
 
Quanto à Pedrosada, a devassa instaurada 
pronunciou Pedrosa e Paula Gomes, membro do 
governo, e José Fernandes Gama, mas a proteção 
imperial fez com que nenhum fosse punido. Dividida e 
desmoralizada, a Junta dos Matutos arrastou uma 
triste resistência até dezembro de 1823 quando 
renunciou. Enfrentava de um lado a oposição dos 
antigos gervasistas reunidos ao redor do intendente 
da Marinha Manuel de Carvalho Pais de Andrade e de 
Cipriano Barata, que regressara das Cortes de Lisboa; 
do outro, as pressões do Rio de Janeiro, que exigia de 
Pernambuco as quantias mensais do tempo do rei e 
ainda mais dois milhões, equivalentes às remessas 
feitas para Portugal após a partida do rei. 
 
A INDEPENDÊNCIA 
 
 A independência é fruto sobretudo da 
conjugação de interesses da Inglaterra, desejosa de 
ampliar seus poderes econômicos e da burguesia 
nativa (aristocracia rural), desejosa de obter poderes 
políticos. O Príncipe Regente D. Pedro se encaixa no 
processo apenas como instrumento dos verdadeiros 
interessados. 
 
São peças significativas no processo: a 
imprensa, divulgadora das ideias liberais, a 
maçonaria, pois nas suas lojas tramam-se os diversos 
caminhos da independência e o povo, que representa 
a massa de sustentação (ideológica e armada, se 
preciso) do movimento, embora sem idealizá-lo ou 
liderá-lo. 
 
 Com o risco de recolonização e a exigência do 
retorno de D. Pedro para Portugal, os brasileiros, 
sentindo-se ameaçados em sua autonomia, redigem 
um abaixo assinado para que o mesmo permanecesse 
no Brasil. Assim, D. Pedro decide permanecer no país. 
Este acontecimento ficou conhecido como “Dia do 
Fico” (janeiro de 1822). Ficou também estabelecido 
que nenhuma lei portuguesa vigore no Brasil sem o 
consentimento de D. Pedro e, em setembro, após 
decretos vindos de Portugal para recolonizar o país e 
com a atuação de José Bonifácio e Princesa 
Leopoldina, D. Pedro formaliza a independência do 
Brasil. Em dezembro é coroado como 1º Imperador 
do Brasil, fazendo nascer o início de uma nova era 
política: o 1º Império ou 1º Reinado. 
 
 DICAS: 
 
A burguesia nacional logra a sua vitória: a 
ruptura com Portugal pode dar à classe condições de 
ascensão política até então inatingíveis; há um grande 
interesse no contato comercial com a burguesia 
europeia, especialmente a inglesa – na prática, tal 
medida significa a continuidade da dependência 
econômica em relação à Inglaterra; é preciso, porém, 
não alterar internamente o status socioeconômico 
dessa burguesia: a adoção de uma monarquia como 
forma de Governo e a manutenção da escravidão, são 
exemplos de tal situação. 
 
 
ORDEM IMPERIAL BRASILEIRA 
 
 
 
I - REINADO - 1822 - 1831 
 
Período de Governo de D. Pedro I no Brasil. 
 
 
 
 
25 
 
Principais Ocorrências 
 
1823: D. Pedro I veta o projeto de constituição do 
Deputado Antônio Carlos de Andrada (“Constituição 
da Mandioca”) e fecha a Assembleia demitindo os 
deputados (“Noite da Agonia”). 
 
1824: 1ª Constituição do Brasil - Em vigor durante 
todo o período imperial. 
-Outorgada por D. Pedro I 
-Voto censitário (os eleitores votam apenas mediante 
uma renda mínima anual, o que possibilita a 
participação de apenas 5% da população no processo 
eleitoral). 
-Igreja dependente do Estado, o que se denomina 
regime de Padroado. 
-Surgimento do 4º poder: o Poder Moderador, 
exercido pelo Imperador e símbolo de seu 
autoritarismo. 
- Manutenção do Conselho de Estado, órgão de 
assessoria do rei no exercício do Poder Moderador, 
criado por D. João Vl para ser um órgão consultivo do 
governo. 
 
As ocorrências anteriores demonstram as 
mais importantes características políticas do 1º 
Reinado: 
 
1º) Excessivo autoritarismo do Imperador; 
 
2º) Incompatibilidade entre o rei e a aristocracia 
agrária brasileira, articuladora da independência, 
excluída das decisões políticas e, portanto, do poder; 
 
3º) Nomeação de portugueses (e não brasileiros) para 
os principais cargos políticos nacionais (o próprio 
imperador é um português), o que faz com que o 
processo de independência ainda não seja 
consolidado. 
 
Não só as elites brasileiras, mas também as massas 
populares são excluídas do controle da vida política 
nacional. Sua união no Nordeste leva à rebelião, vista 
a seguir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1824: Confederação do Equador 
 
 
 
A Confederação do Equador contou com a 
participação de diversos segmentos sociais, incluindo 
os proprietários rurais que, em grande parte, haviam 
apoiado o movimento de independência e a ascensão 
de D. Pedro I ao trono, julgando que poderiam obter 
maior poder político com o controle sobre a província 
de Pernambuco. Dessa maneira as elites agrárias da 
região pretendiam preservar as estruturas 
socioeconômicas e ao mesmo tempo chegar ao 
poder, até então manipulado pelos mercadores e 
militares de origem portuguesa, que se concentravam 
em Recife. No entanto esse movimento não foi 
protagonizado apenas pelas elites. A necessidade de 
lutar contra o poder central fez com que a aristocracia 
rural mobilizasse as camadas populares. Se as 
camadas populares não tinham até então sua própria 
organização, isso não significa que não tivesse 
condição para organizar suas reivindicações e 
caminhar com as próprias pernas, questionando não 
apenas o autoritarismo do poder central, mas da 
própria aristocracia da província. 
 
A Manutenção do Clima Revolucionário 
 
A Confederação do Equador pode ser 
considerada como um desdobramento da Revolução 
de 1817, marcada pelo liberalismo radical e que fora 
reprimida por D. João VI. No entanto, apesar da 
violenta repressão, as ideias republicanas e 
autonomistas estavam fortemente arraigadas em 
parcelas significativas da sociedade pernambucana. 
Essas ideias haviam se desenvolvido ao longo do 
século XVIII, devido às influências do iluminismo 
 
26 
 
europeu e principalmente á decadência da lavoura 
canavieira associada à política de opressão fiscal do 
governo do Marquês de Pombal, e se manifestaram 
principalmente na Revolução Pernambucana de 1817 
e no Movimento Constitucionalista de 1821. Em 
outros momentos da história, as ideias liberais 
encontraram terreno para expansão, como durante a 
Revolução do Porto e nos primeiros momentos pós 
independência. 
 
A Independênciade Pernambuco 
 
Em 1821 iniciou-se um novo movimento 
emancipacionista em Pernambuco, quando foi 
organizada a "Junta Constitucionalista", antecipando 
em 1 ano a independência. Nesse ano, era possível 
encontrar na região uma série de elementos ainda 
relacionados com a revolução de 1817; ainda 
subsistiam as condições objetivas da crise e os 
elementos subjetivos, iluministas, expressos na 
Revolução do Porto, em andamento em Portugal, que 
difundia idéias constitucionalistas e liberais, apesar de 
suas contradições. O governo de Pernambuco estava 
nas mãos de Luís do Rego Barreto, responsável pela 
repressão em 17, muitos líderes da Revolução se 
encontravam em liberdade. A "Junta Provisória" foi 
formada em outubro de 1821, na cidade de Goiana, 
organizada principalmente por proprietários rurais - 
organizados na maçonaria- e por parcelas das 
camadas urbanas de Recife. Na prática era um poder 
paralelo, na medida em que, com um discurso liberal, 
condenavam o governo de Luís do Rego e defendiam 
sua deposição. O movimento, de caráter político, 
transformou-se rapidamente em uma luta armada, 
que impôs a Convenção de Beberibe, determinando a 
expulsão do governador para Portugal e a eleição pelo 
povo, de uma nova junta de governo. O novo governo 
foi formado principalmente por ex-combatentes da 
revolução de 1817, predominando, porém, os 
elementos da camada mais rica da sociedade local. 
Uma das medidas mais importantes do novo governo 
foi a expulsão das tropas portuguesas do Recife, que 
na prática representou o rompimento definitivo da 
província de Pernambuco com Portugal. 
 
A Reação Conservadora 
 
O movimento pernambucano representava uma 
ameaça aberta tanto aos interesses portugueses de 
recolonização, expresso nas cortes de Lisboa, como 
principalmente à elite tradicional brasileira e a seu 
projeto moderado de independência política. O 
regionalismo e o sentido de autonomia que se 
manifestava na região nordeste contrariavam as 
intenções da aristocracia rural, organizada 
principalmente no Rio de Janeiro. Para essa elite, a 
independência deveria conservar as estruturas 
socioeconômicas e promover mudanças políticas 
apenas no sentido de romper com Portugal e garantir 
a soberania do Brasil, possibilitando dessa forma, que 
essas elites exercessem com maior liberdade, seus 
interesses econômicos. A manutenção da unidade 
territorial (ao contrário do que ocorria na América 
Espanhola) era a forma de garantir que os interesses 
predominantes no Rio de Janeiro fossem igualmente 
predominantes em todo o Brasil. A repressão ao 
movimento foi articulada por José Bonifácio, 
articulado com alguns fazendeiros de Pernambuco, 
que depôs a Junta em 17 de setembro de 1822. Um 
novo governo formou-se na província, do qual 
participava Francisco Paes Barreto e outros ricos 
proprietários, o que fez com que o governo ficasse 
popularmente conhecido como "Junta dos Matutos". 
Em 8 de dezembro de 1822 D. Pedro I foi reconhecido 
imperador em Recife e a elite pernambucana passou 
a participar da elaboração de uma constituição 
brasileira. A historiografia tradicional encara a 
"Formação do Estado Nacional" de forma elitizada, 
desprezando as guerras de independência que 
ocorreram em várias províncias do país. Enquanto 
movimentos antilusitano se desenvolviam no 
Nordeste, reunia-se no Rio de Janeiro uma 
Assembleia Constituinte, concentrando as atenções 
das elites, incluindo as de Pernambuco. As discussões 
políticas na Assembleia deixavam antever a 
organização das primeiras tendências que se 
desenvolveriam mais tarde no país. No entanto, 
naquele momento, a tendência predominante foi a 
centralizadora, vinculada principalmente aos 
interesses lusitanos e apoiada principalmente pelos 
portugueses residentes no Brasil, em sua maioria 
comerciantes, que pretendiam reverter o processo de 
independência. O fechamento da Constituinte foi o 
primeiro passo concreto para a realização desse 
objetivo, seguido da imposição da Constituição em 
1824, autoritária e centralizadora, fazendo com que 
as elites provinciais vissem ruir qualquer possibilidade 
de autonomia. 
 
A Confederação do Equador 
 
Além dos elementos já analisados, na 
organização do movimento foi de grande importância 
o papel da imprensa, em especial dos jornais "A 
Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco", 
de Cipriano Barata e do "Tífis Pernambucano" de Frei 
Caneca. A eclosão do movimento está diretamente 
associada as demonstrações de autoritarismo do 
 
27 
 
imperador na província de Pernambuco, nomeando 
Francisco Paes Barreto como presidente da província, 
em lugar de Pais de Andrade, apoiado pelo povo. As 
Câmaras Municipais de Recife e Olinda não aceitaram 
a substituição. Em 2 de Junho de 1824 foi proclamada 
a Confederação do Equador. O caráter separatista do 
movimento pretendia negar a centralização e o 
autoritarismo que marcavam a organização política 
do Brasil. A consolidação dessa situação dependia em 
grande parte da adesão das demais províncias do 
nordeste, que viviam situação semelhante tanto do 
ponto de vista político como econômico. Dessa 
maneira, as idéias republicanas e principalmente 
federalistas assimiladas dos EUA serviram como 
elemento de propaganda juntas às elites de cada 
província. O governo da Confederação deslocou 
homens para outras províncias a fim de obter a 
adesão de seus governantes. Foi convocada uma 
Assembléia Legislativa e Constituinte, cuja abertura 
estaria marcada para o dia 7 de agosto de 1824. Do 
ponto de vista político, pais de Andrade elaborou um 
projeto de Constituição, tendo como modelo a 
Constituição Colombiana, vista como a mais liberal na 
América Latina; do ponto de vista social, o projeto 
elaborado por Frei Caneca determinou a extinção do 
tráfico negreiro para o porto do Recife. Essa medida é 
considerada como a primeira e mais importante 
fissura do movimento, uma vez que atingia 
diretamente os interesses dos proprietários rurais. No 
entanto os trabalhos preparatórios da Assembleia 
Constituinte foram suspensos devido a ameaça das 
forças de repressão. O governo provisório 
encabeçado por Pais de Andrade procurou adquirir 
armas nos Estados Unidos, garantir a adesão das 
demais províncias e organizar milícias populares para 
fazer frente as tropas monárquicas de D. Pedro I Os 
presidentes das províncias do Ceará e do Rio Grande 
do Norte aderiram ao movimento e organizaram 
tropas para defende-lo. Na Paraíba, o apoio veio das 
forças contrárias ao presidente Filipe Néri, fiel ao 
imperador, que acabou deposto. 
 
Confronto e Derrota 
 
A organização de tropas para defender o 
Confederação permitiu a grande participação popular. 
Setores da camada popular já estavam organizados 
em "brigadas" desde 1821, compostas por mulatos, 
negros libertos e militares de baixa patente. Em 21, 
quando do movimento Constitucionalista, essas 
brigadas foram organizadas pelos líderes do 
movimento e acionadas em determinados situações, 
porém, sob o controle das elites locais. No entanto, 
em vários momentos na história das brigados houve 
insubordinação e radicalização, expressando não o 
sentimento nativista, mas a radicalização contra 
proprietários ou ainda a população branca. Em 1823 
ocorreram ataques diretos aos portugueses, que 
ficaram conhecidos como "mata-marinheiro" e 
protestos raciais, marcados pelo exemplo haitiano. 
Esse processo de radicalização amedrontava as elites 
e por várias vezes foram responsáveis por seu recuo 
na luta contra o poder central. As divisões internas ao 
movimento, entre as elites haviam tendências 
diferenciadas, assim como o distanciamento destas 
em relação a massa popular contribuiu para a derrota 
do movimento. Por outro lado, havia a presença de 
tropas mercenárias contratadas pelo poder central, 
comandadas por Lord Cochrane que cercavam a 
província. Essa situação foi responsável pela política 
vacilante de Pais de Andrade, que não aceitou os 
termos de rendição propostos pelo mercenário, 
devido principalmente,a forte pressão que sofria das 
camadas baixas da população. Essa situação é 
reforçada quando, depois da tomada de Recife pelas 
tropas mercenárias, Pais de Andrade refugiou-se em 
um navio inglês, enquanto os elementos mais radicais 
resistiam em Olinda, liderados por Frei Caneca. A 
violenta repressão, financiada pelo capital inglês, foi 
responsável por debelar o movimento, prender seus 
principais líderes, que foram executados, dentre eles 
o próprio Frei Caneca. 
 
1824: Os Estados Unidos é o primeiro país a 
reconhecer a independência do Brasil, inspirado na 
Doutrina Monroe (“A América para os americanos”) - 
traços iniciais da influência do país no continente 
latino americano. 
 
1825: Portugal reconhece a nossa independência 
exigindo em troca, dentre outros, o pagamento de 
uma indenização a Lisboa. 
 
1826: D. João Vl morre em Portugal e D. Pedro, seu 
herdeiro, se coloca na curiosa situação de rei de duas 
nações (em Portugal, com o título de D. Pedro IV) - 
situação inaceitável para os brasileiros. Em 1828, D. 
Pedro renuncia ao trono de Lisboa em favor de sua 
filha D. Maria da Glória. 
 
1827: Renovação dos tratados comerciais de 1810 
com a Inglaterra por mais 15 anos (assim os baixos 
preços dos produtos ingleses continuam a prejudicar 
o crescimento da indústria nacional). 
 
1828: Independência da Província da Cisplatina, que 
passa a constituir a República do Uruguai, desligando-
 
28 
 
se do Brasil após conflito armado de 3 anos, com o 
qual o império se endivida ainda mais. 
 
1831: Várias manifestações contra D. Pedro culminam 
na “Noite das Garrafadas”, no Rio de Janeiro. 
 
1831: D. Pedro I demite um ministério liberal em 5 de 
abril, convocando em seu lugar o Ministério dos 
Marqueses, de tendência absolutista. A população 
não aceita e o Imperador abdica do trono, em 7 de 
abril, em favor de D. Pedro II, então com 5 anos de 
idade. 
 
1831: As manifestações contra o 1º Império, que 
culminam com a Abdicação de D. Pedro I, revelam o 
quadro de insatisfação geral da população brasileira. 
Ao lado da já mencionada situação política, na qual as 
elites e massas populares brasileiras estão excluídas 
do poder em detrimento do grupo português, tem-se 
a crise econômica e social, exemplificada a partir do 
que se segue: 
 
• Péssimas condições sociais de vida para a maior 
parte da população. Note-se aqui a manutenção das 
estruturas socioeconômicas tradicionais da Era 
Colonial, como o latifúndio, a monocultura e a 
escravidão. 
• Desinteresse da parte governamental (portugueses) 
e da elite agrária (brasileiros) de possibilitar as 
melhorias para a classe baixa. 
• Ausência de um canal reivindicador de mudanças 
para a classe menos favorecida, pois as rebeliões são 
abafadas às vezes de forma violenta e o voto 
censitário a exclui totalmente do processo político. 
• Declínio das lavouras tradicionais como o algodão 
(devido à concorrência com os Estados Unidos), a 
cana (devido à concorrência com as Antilhas e com o 
açúcar de beterraba da Europa) e o tabaco (devido às 
crescentes pressões contra o tráfico - o produto é, 
muitas vezes, trocado pelos escravos na África). 
• Ausência de capital nacional. 
• Restrito mercado interno. 
• Intensa e progressiva dependência com a Inglaterra, 
presente antes mesmo da independência (Tratados 
de 
1810), mas intensificada logo depois (Renovação dos 
Tratados de 1810 e contração de empréstimos.). 
• Impossibilidade de grande crescimento industrial. 
Por isso, compreende-se a pouca duração do 1º 
Reinado. A abolição de D. Pedro I é fruto de sua 
incapacidade de conduzir as distorções que afloram 
nas crises políticas, econômicas e sociais. 
 
PERÍODO REGÊNCIAL - 1831 - 1840 
 
 Período de Governos Provisórios, enquanto se 
aguarda ser completada a maioridade de D. Pedro II. 
 
A partir de 1831, tem-se pela primeira vez a ascensão 
do grupo brasileiro (aristocracia rural) ao poder 
político. Forma-se o Estado Brasileiro e consolida-se o 
processo de independência, embora as massas 
populares permaneçam à margem do poder. Com a 
exclusão dos portugueses, emerge ao poder a elite 
agrária, finalmente tornando possível o seu ideal de 
controle político da nação, presente desde antes da 
independência. 
 
 Com as Regências, tem-se ainda a escolha dos 
regentes (em alguns casos) pelo voto, o que permite 
ao país, em plena vigência do Império, o contato com 
uma experiência eleitoral republicana – contradição 
da monarquia brasileira. 
 
As regências e suas principais realizações 
 
1831 - Regência Trina Provisória 
• Anistia aos presos políticos do 1º Império; 
• Marcação de eleições para a Regência Permanente. 
 
1831 a 1835 - Regência Trina Permanente 
• Criação da Guarda Nacional - tropas de defesa da 
aristocracia rural para manutenção de seu poder 
político e sua influência econômica, pela via militar. 
• Criação do Código do Processo Criminal, que 
descentraliza o Poder Judiciário e coloca os juízes sob 
a tutela dos fazendeiros de grande poder local (Os 
juízes são eleitos pelo voto manipulador das elites e 
apenas estas controlam a “Justiça” eleitoral). 
• Elaboração do Ato Adicional de 1834 com as 
seguintes determinações: 
-Maior autonomia às províncias (descentralização 
política). 
-Criação do Município Neutro do Rio de Janeiro. 
-Substituição da Regência Trina pela Una nas eleições 
seguintes. 
-Eliminação do Conselho de Estado (que retorna no 2º 
Império), o que demonstra um caráter liberal do 
documento apesar da manutenção do Poder 
Moderador. 
 
 As medidas descentralizadoras expostas não 
conferem à época, entretanto, uma característica 
tipicamente liberal, uma vez que a Guarda Nacional, o 
 
29 
 
Código de Processo Criminal e o Ato Adicional não 
alteram a estrutura elitista do poder e sim a 
fortalecem, pois são documentos ou determinações 
que servem para a manutenção do poder local dos 
aristocratas latifundiários. 
 
1835 a 1837 - Regência Una de Feijó 
• Revoltas, analisadas mais adiante, obrigam o 
regente a renunciar antes do término do seu 
mandato. 
 
1837 a 1840 - Regência Una de Araújo Lima 
• Novas revoltas no país; 
• O ministro Bernardo Pereira de Vasconcelos 
(notável político) nomeia o “Ministério das 
Capacidades” de tendência conservadora; 
• Surgimento, em 1840, da Lei de Interpretação do 
Ato Adicional de 1834, enfraquecendo o poder 
político das províncias (maior centralização de 
governo); 
• Aprovação da Lei da Maioridade em 1840, que 
antecipa no Brasil a maioridade de 18 para 15 anos, 
num golpe dos liberais para pôr fim à Regência 
conservadora de Araújo Lima e colocar no trono, com 
15 anos, o Imperador D. Pedro II. 
 
Principais Revoltas Regenciais 
• cabanada- PE/AL 
• Cabanagem - PA 
• Balaiada - MA 
• Sabinada - BA 
• Farroupilha (Farrapos) - RS 
 
A Guerra dos Cabanos ou Cabanada (1832-1835) 
 
Foi inicialmente um movimento restaurador 
cujo objetivo era restituir ao trono do Brasil, o 
Imperador D. Pedro I, que renunciara ao posto após a 
morte de D. João VI. Entretanto, a revolta 
desenvolveu uma feição popular sob a liderança de 
Vicente Ferreira de Paula, caracterizando-se como 
uma luta anti-escravagista. 
 
Em 1831 o imperador D. Pedro I abdicara da 
coroa do Brasil em nome de seu filho D. Pedro II, e 
viajara para a Europa com o objetivo de manter os 
direitos dinásticos de sua filha, Maria da Glória em 
Portugal. 
 
Para garantir a manutenção do poder real, a 
Constituição definia a nomeação de uma Regência 
Trina. Descontentes com as decisões da corte no Rio 
de Janeiro, os grupos populares aproveitaram o 
momento de instabilidade política do período 
regencial para expor suas inquietações. 
 
Num primeiro momento, a revolta foi 
capitaneada por proprietários de terras como 
Domingos Lourenço Torres Galindo e Manuel Afonso 
de Melo. Alguns participaram do levante de abril do 
mesmo ano em Recife, a “Abrilada”, defendendo a 
restauração de D. Pedro I ao trono do império. Esse 
grupo era vinculado à sociedade lusitana “Coluna do 
Tronodo Altar”. O movimento sob comando de 
Vicente Ferreira de Paula, no entanto, rompeu as 
“alianças” com os senhores-de-engenho e 
transformou-se numa revolta anti-escravagista. 
 
A insurreição ocorreu na região que 
compreende o norte de Alagoas e o sul de 
Pernambuco e iniciou-se entre maio e junho de 1832, 
com os levantes de Antônio Timóteo de Andrade, em 
Panelas de Miranda, no agreste pernambucano, e 
João Batista de Araújo, na praia de Barra Grande, hoje 
povoado do município de Maragogi / AL. 
 
Os rebeldes formados por índios, brancos e 
mestiços lavradores, moradores nas periferias dos 
engenhos, além de negros fugidos passaram a ser 
identificados como “cabanos”, em alusão às pequenas 
cabanas no meio do mato em que viviam. 
Em 1834, D. Pedro I faleceu na Europa, o que acabou 
desanimando os cabanos a enfrentarem o governo. 
 
Os governadores das províncias de 
Pernambuco e Alagoas, Manoel de Carvalho Paes de 
Andrade e Antônio Pinto Chichorro da Gama, 
decidiram cercá-los na mata, com um exército de 
mais de 4.000 homens. 
 
Eles se reuniram no Teatro de Operações, em 
13 maio 1834, e estabeleceram uma área dentro da 
qual os cabanos seriam sitiados. Foi dado um prazo 
para a população evacuar o espaço, o que reduziu o 
número de integrantes dos grupos, limitados, agora, 
aos mais comprometidos com a revolta e os escravos 
negros, por preferirem a luta à escravidão. Outra 
tática utilizada pelos governadores foi a promessa de 
anistiar os dissidentes que se entregassem. Eles 
conseguiram com a armadilha capturar um grande 
número de combatentes. 
 
Em Japaramduba, em 29 maio 1835, se 
renderam os derradeiros cabanos de Alagoas e 
Pernambuco, mas Vicente de Paula foge para o 
sertão. O líder envolveu-se posteriormente na política 
pernambucana e participou da Revolução Praieira em 
http://www.infoescola.com/geografia/agreste/
 
30 
 
1849 em Pernambuco. Capturado em 1850, foi preso 
em Fernando de Noronha, onde permaneceu até 
1861, quando contava 70 anos de idade. 
 
 Em geral, nota-se nas revoltas acima citadas um 
caráter social e popular (as camadas baixas da 
população lutam por melhores condições - empregos, 
habitação, saúde, alimentação, etc.). 
 
 Exceção é feita para a Farroupilha, movimento 
mais longo ocorrido em toda a História do Brasil (10 
anos) de caráter econômico e elitista, no qual 
estancieiros gaúchos reivindicam do governo 
regencial e, posteriormente, imperial, a compra de 
gado nacional e não estrangeiro como vinha 
ocorrendo. A luta se estende também até Santa 
Catarina e as duas províncias do extremo sul se 
desligam do Brasil, vindo a se constituírem nas 
repúblicas independentes de Piratini (ou Rio-
grandense) e Juliana ou (Catarinense). 
 
 Em vários movimentos regenciais, as lutas 
cessam somente graças às intervenções armadas das 
tropas governamentais e poucas foram as concessões 
feitas aos revoltosos 
 
 
(*) Mudança na denominação dos partidos, sem 
alteração de suas tendências básicas. 
 
As disputas partidárias intensas, que 
contribuem para a instabilidade político-social das 
Regências, não colocam o povo na luta pelo poder. 
São, portanto, disputas entre as elites, que alternam 
no poder liberais e conservadores (Maré Liberal e, 
logo após a Maré Conservadora). 
 
 II- REINADO - 1840 - 1889 
 
Período de governo de D. Pedro II no Brasil. 
 
Fases: 
 
 
 
POLÍTICA INTERNA 
 
Revoltas de 1842 - MG e SP 
 
 Minas Gerais e São Paulo não aceitam, em 1842, 
a decisão do Imperador de substituir o gabinete 
liberal, até então no governo, por um conservador. 
Revoltam-se sob a liderança de Teófilo Otoni (MG) e 
Feijó (SP). Em 1844, com a demissão dos 
conservadores e a readmissão do gabinete liberal, a 
revolta chega ao fim. 
 
 Na verdade, a alternância de gabinetes entre 
liberais e conservadores, com predomínio dos 
últimos, é uma característica política marcante do 
governo do 2º Império, numa clara tentativa de D. 
Pedro II em amenizar as disputas políticas entre 
ambos. (Apenas na metade do século XIX forma-se 
um gabinete misto, de curta duração, é o “Ministério 
da Conciliação”.) 
 
REVOLUÇÃO PRAIEIRA 
 
 
Revolução Praieira: o levante que se pôs contra o 
governo de Dom Pedro II. 
No começo do Segundo Reinado, a ascensão 
dos liberais que apoiaram a chegada de Dom Pedro II 
ao poder foi logo interceptada após os escândalos 
políticos da época. As “eleições do cacete” tomaram 
os noticiários da época com a denúncia das fraudes e 
agressões físicas que garantiriam a vitória da ala 
liberal. Em resposta, alguns levantes liberais em 
Minas e São Paulo foram preparados em repúdio às 
ações políticas centralizadoras do imperador. 
 
31 
 
Nesses dois estados os levantes não tiveram 
bastante expressão, sendo logo contidos pelas forças 
militares nacionais. Entretanto, o estado de 
Pernambuco foi palco de uma ação liberal de maior 
impacto que tomou feições de caráter revolucionário. 
Ao longo da década de 1840, setores mais radicais do 
partido liberal recifense manifestaram seus idéias 
através do jornal Diário Novo, localizado na Rua da 
Praia. Em pouco tempo, esses agitadores políticos 
ficaram conhecidos como “praieiros”. 
Entre as principais medidas defendidas por esses 
liberais estavam a liberdade de imprensa, a extinção 
do poder moderador, o fim do monopólio comercial 
dos portugueses, mudanças socioeconômicas e a 
instituição do voto universal. Mesmo não tendo 
caráter essencialmente socialista, esse grupo político 
era claramente influenciado por socialistas utópicos 
do século XIX, como Pierre–Joseph Proudhon, Robert 
Owen e Charles Fourier. 
Em 1847, o movimento passou a ganhar força 
com a nomeação de um presidente de província 
conservador mineiro para conter a ação dos liberais 
pernambucanos. Revoltados com essa ação 
autoritária do poder imperial, os praieiros pegaram 
em armas e tomaram conta da cidade de Olinda. A 
essa altura, um conflito civil contando com o apoio de 
grandes proprietários, profissionais liberais, artesãos 
e populares tomou conta do estado. 
Em fevereiro de 1849, os rebelados tomaram 
a cidade de Recife e entraram em novo confronto 
com as forças imperiais. Nesse período, o insurgente 
Pedro Ivo surgiu como um dos maiores líderes dos 
populares. Entretanto, a falta de apoio de outras 
províncias acabou desarticulando o movimento 
pernambucano. No ano de 1851, o governo imperial 
deu fim aos levantes que contabilizaram cerca de 
oitocentas baixas. 
 
DICAS!! 
 
Os revolucionários liderados por Luis Roma, 
Inácio de Abreu e Lima, Pedro Ivo e outros, 
publicaram um documento chamado Manifesto ao 
Mundo com as seguintes propostas: 
 
1. O voto, para o povo brasileiro, terá de ser livre e 
universal. 
2. O cidadão terá plena liberdade de comunicar seus 
pensamentos por meio da imprensa. 
3. O trabalho deverá ser a garantia de vida para o 
povo brasileiro. 
4. O comercio de retalho será apenas para os 
cidadãos brasileiros. 
5. Os poderes do Estado terão inteira e efetiva 
independência. 
6. O poder moderador será extinto. 
7. A nação deverá conter o elemento federal. 
8. O poder judiciário será reformado de forma a 
assegurar as garantias e direitos individuais do 
cidadão. 
9. A lei do juro será extinta. 
10. Será reformulado o sistema de recrutamento. 
 
Parlamentarismo: 1840 a 1889 
 
O modelo inglês: (vigente desde a Revolução 
Gloriosa do século XVII). 
 
 
 
 Funcionamento: Através do voto, a população 
escolhe seus representantes na Câmara (Parlamento). 
O partido que obtiver a maioria desses votos 
(Majoritário) elege o 1º Ministro, chefe do 
Parlamento, nomeado simbolicamente pelo rei. O 1º 
Ministro constitui o seu Gabinete e o submete à 
aprovação do Parlamento. 
 Nesse modelo, o rei, como Chefe de Estado, é 
figura secundária. 
 As funções legislativas cabem ao Parlamento e 
as executivas ao Gabinete; o 1º Ministro, Chefe de 
Governo é o mandatário, de fato, da nação.O modelo brasileiro: 
 
 
 
 Funcionamento: O Rei, no exercício do Poder 
Moderador e assessorado (se necessário) pelo Senado 
Vitalício e pelo Conselho de Estado (recriado em 
 
32 
 
1840) escolhe o 1º Ministro (Presidente do Conselho 
de Ministros) que nomeia o seu Gabinete (funções 
executivas). Esse Gabinete determina as eleições, 
através do voto censitário, para a escolha dos 
membros do legislativo, que constituirão o 
Parlamento. 
 
 O modelo Parlamentarista brasileiro é criado 
pelo próprio Imperador, mediante o Ato Adicional de 
1847 (não está previsto pela Constituição em vigor, de 
1824) numa tentativa de preservar a sua imagem e 
transferir as atribuições de Chefe de Governo para o 
presidente do Conselho de Ministros. 
 
 Além disso, D. Pedro II alterna liberais e 
conservadores no poder (houve predomínio dos 
últimos) a fim de superar as disputas políticas tão 
típicas do 1º Império e do período Regencial. 
 
 Tais disputas políticas, entretanto, não 
demonstram divergências ideológicas, mas apenas 
choques de interesses pessoais, uma vez que tanto 
liberais quanto conservadores representam somente 
a elite agrária dominante no país e não a população 
em geral. 
 
Diferenças do Modelo Brasileiro em Relação ao 
Modelo Inglês 
 
1ª). No caso inglês, as eleições populares precedem e 
determinam a escolha do Parlamento. É do partido 
Majoritário, escolhido a partir das eleições, que surge 
o 1º Ministro. 
No caso brasileiro, o 1º Ministro é nomeado pelo Rei 
antes das eleições parlamentares. Esse 1º Ministro, 
em combinação com o Rei, marca as eleições para o 
Parlamento. 
 
2ª) O Estado Brasileiro, apesar de parlamentarista, é 
forte e centralizado. D. Pedro II cria o modelo e 
mantém o Poder Moderador para si. Tal situação 
jamais ocorreu na Inglaterra. A afirmativa “O Rei 
reina, mas o parlamento governa”, característica do 
modelo inglês, não pode ser observada no Brasil. 
 
ECONOMIA 
 
CAFÉ 
 
 As Fases do Café no II- Reinado 
 
 
 
Razões da ascensão da lavoura cafeeira: 
 
- Quadro natural favorável; clima satisfatório e 
fertilidade da terra-roxa; 
- Contribuição técnica dos imigrantes (sobretudo 
vindos da Itália). 
- Ausência de países concorrentes no mercado 
internacional. 
- Ausência de produtos concorrentes no mercado 
interno. 
- Proximidades das regiões produtoras com o porto 
exportador de Santos. 
- Ligação das fazendas produtoras do Oeste com o 
porto de Santos do leste através das ferrovias. 
- Lei Eusébio de Queirós, de 1850, proibindo a entrada 
de escravos no Brasil e liberando os capitais 
anteriormente empregados no tráfico negreiro para 
atividades cafeeira e industrial. 
 
INDÚSTRIA 
 
Razões da ascensão: 
 
- Lei Eusébio de Queirós, pelo motivo anteriormente 
explicado. Além disso, com essa lei, os preços dos 
escravos se elevam, estimulando a vinda dos 
imigrantes. 
- Contribuição dos imigrantes (mão-de-obra mais 
qualificada e assalariada, o que amplia o mercado 
consumidor). 
- Não-Renovação, em 1843, dos Tratados de Comércio 
e Navegação de 1810, com os ingleses; assim, os 
preços dos produtos da Inglaterra se elevam, dando 
margem aos produtos nacionais no mercado interno. 
- Elevação das taxas alfandegárias sobre produtos 
estrangeiros no Brasil, a partir de 1844 (Tarifas Alves 
Branco). 
- Expansão da lavoura cafeeira, liberando capitais 
para a atividade industrial, fazendo crescer os centros 
urbanos, multiplicando as ferrovias (progresso nos 
setores siderúrgico e madeireiro), etc. 
- Utilização do capital inglês, sobretudo nos setores 
bancário, de transportes (bondes e ferrovias) e de 
serviços gerais (correio, por exemplo), fornecedores 
 
33 
 
de uma infraestrutura adequada ao crescimento 
inicial da indústria. 
- Atuação de Irineu Evangelista de Souza (Barão de 
Mauá), sobretudo de 1845 a 1863 (Era Mauá). Sua 
capacidade empresarial e visão capitalista são 
responsáveis, dentre outras, pelas seguintes 
realizações: 
 
1ª) Primeira ferrovia do país: Rio-Petrópolis 
2ª) Iluminação pública a gás, no Rio de Janeiro 
3ª) Fundação de Bancos (Casas Bancárias Mauá) 
4ª) Construção de estaleiros 
5ª) Estímulo à navegação no Rio Amazonas 
6ª) Ligação telegráfica Brasil-Europa 
 
 Não se deve, entretanto, supervalorizar a 
indústria nacional. É uma atividade ainda incipiente 
no século XIX. Destacam-se as indústrias de moagem 
e torrefação de café, sacarias (para embalagem do 
café), tecidos, chapéus, farinhas, etc. 
 
Dentre os vários problemas enfrentados pelo 
setor, que justificam essa fragilidade, podem ser 
citados: 
 
- Ausência de capital em larga escala; 
- Ausência de mentalidade empresarial-capitalista 
(explicada, em parte, pela própria posição portuguesa 
no passado colonial, proibindo a instalação de 
indústrias); 
- Deficiente rede de transporte nas várias regiões 
brasileiras; 
- Concorrência, sobretudo com a Inglaterra, no 
mercado internacional; 
- Incipiente mercado consumidor nacional; 
- Falta de mão-de-obra qualificada, pela tradição 
rural-exportadora-escravista, vigente ainda no país. 
 
SOCIEDADE 
 
Questão imigratória 
 
- Fatores que estimulam a imigração, sobretudo na 2ª 
metade do século passado: 
• Expansão da lavoura cafeeira; 
• Início do processo de industrialização do país; 
• Aumento do preço dos escravos, com o combate ao 
tráfico a partir de 1850; 
• Processo externo de unificação da Alemanha e da 
Itália em 1870, através de vários conflitos, que forçam 
a saída de alemães e italianos insatisfeitos com a 
situação em seus países; 
• Esgotamento de terras europeias; 
• Propagandas no exterior procurando atrair os 
imigrantes; 
• Crises econômicas europeias, gerando desempregos 
e subempregos. 
 
 Os imigrantes procuram as fazendas de café de 
São Paulo (em especial os italianos) e as províncias do 
Sul (caso dos alemães, por uma questão de 
semelhança climática com o país de origem). 
 A partir de 1850, o fluxo migratório torna-se 
mais significativo, com a entrada aproximada de 117 
mil imigrantes naquela década e chegando a cerca de 
527 mil na década de 1880. O ponto máximo registra-
se na década de 90, com a entrada de mais de 1.200 
mil estrangeiros. 
 
 Esses estrangeiros, especialmente quando 
trabalham na lavoura, vivem em precária situação 
sócio econômica. O trabalho dos colonos no sistema 
de parceria é um exemplo: cultivam terras das quais 
não são donos, fornecendo parte do cultivo ao 
proprietário e ficando com o restante. Esse sistema 
provoca, em 1857, violenta revolta dos imigrantes 
alemães em São Paulo (Revolta de Ibicaba), levando o 
governo alemão a proibir a vinda de imigrantes para o 
Brasil. 
 
Principais contribuições dos imigrantes: 
 
1º) Mão-de-obra e mercado consumidor para os 
setores agrícola e industrial; 
2º) Fundação de núcleos de povoamento (1ª colônia: 
Nova Friburgo, fundada por suíços); 
3º) Desenvolvimento do trabalho assalariado no país. 
4º) Proprietários de minifúndios (“Desmistificação” do 
latifúndio tradicional). 
 
Questão abolicionista 
 
 As origens do processo abolicionista remontam 
às primeiras décadas do século XIX, quando os 
ingleses iniciam a pressão pelo fim do tráfico de 
escravos da África para o Brasil. O término do tráfico 
é uma primeira etapa para se acabar com a própria 
escravidão posteriormente. 
 Por que o interesse inglês em combater a 
escravidão? - longe dos motivos “sociais” tão 
apregoados na época, a Inglaterra é a primeira nação 
a perceber os entraves representados pelo 
escravismo ao desenvolvimento do capitalismo. O 
escravo, sem renda, não representa mercado 
consumidor; se livre, torna-se um assalariado e um 
consumidor (inclusive, é claro, dos produtos ingleses, 
já em plena Revolução Industrial). 
 
34 
 
 Daí, em 1845, ter surgido na Inglaterra o Bill-
Aberdeen, que dá direito a qualquer navio inglês de 
aprisionar e até naufragar navios negreiros. O 
objetivo é dificultar ao máximo o tráfico África-Brasil.Na prática, porém, o resultado é outro: o risco do 
negócio eleva substancialmente o preço do escravo, 
tornando seu comércio a atividade de maior lucro do 
país, na época. 
 
A entrada de escravos se multiplica: se em 
1845 o número dos que entram no país é de 20 mil 
aproximadamente, no ano seguinte chega a 50 mil, 
indo para 60 mil em 1848. 
 
Clube do Cupim 
 
Na história dos movimentos abolicionistas em 
Pernambuco, o Clube do Cupim tem um lugar de 
destaque, apesar de pouco ter sido escrito sobre ele. 
 
A partir de 1880, multiplicaram-se no Brasil as 
sociedades contra a escravidão, que tinham como 
objetivo básico angariar fundos para comprar cartas 
de alforria de escravos. Em Pernambuco existiram 
mais de trinta dessas sociedades, que foram a gênese 
do Clube do Cupim, pois muitos dos seus sócios 
fundadores já participavam ativamente de algumas 
delas. 
 
Em 24 de março de 1884, o Ceará decretou a 
libertação de todos os escravos daquela Província. 
Intensificou-se a campanha contra a escravidão em 
todo o País. 
 
João Ramos, um maranhense que se mudou 
para o Recife aos 14 anos, idealizador e fundador do 
Clube do Cupim, sonhava em realizar também em 
Pernambuco o mesmo que fizeram os cearenses. 
Passou a proteger escravos recomendados a ele, 
tornou-se conhecido dos negros que o procuravam 
pedindo ajuda para comprar suas cartas de alforria, 
prometendo pagá-las com o seu trabalho. 
 
Em 1883, com o auxílio de amigos, João Ramos 
já havia estabelecido uma rota segura para os 
escravos fugidos, enviando-os para Mossoró, no Rio 
Grande do Norte, de onde eram transferidos para 
Aracati e Fortaleza, no Ceará. 
 
No dia 8 de outubro de 1884, João Ramos 
reuniu-se com mais onze amigos, na casa de um 
deles, o cirurgião dentista Numa Pompílio, na Rua 
Barão da Vitória, 54 (atual Rua Nova) para fundar uma 
sociedade não emancipadora, mas abolicionista e 
secreta denominada Relâmpago, que depois mudou o 
nome para Clube do Cupim. 
 
A sociedade não tinha estatuto e seu único 
lema era a libertação dos escravos por todos os 
meios. Como era uma sociedade secreta, seus sócios 
adotavam um “nome de guerra”, utilizando-se dos 
nomes das províncias brasileiras da época (atuais 
estados). Foram seu fundadores: João Ramos, 
presidente (“Ceará”); Guilherme Ferreira Pinto, 
tesoureiro (“Goiás”); Alfredo Pinto Vieira de Melo, 
secretário (“Minas Gerais”); Fernando de Paes 
Barreto, o orador do Clube (“Maranhão”); Numa 
Pompílio (“Mato Grosso”), João José da Cunha 
Lajes (“Amazonas”); Barros Sobrinho (“São Paulo”), 
Antônio Faria (“Rio Grande do Sul”); Gaspar da Costa 
(“Rio de Janeiro”); Nuno Alves da Fonseca 
(“Alagoas”); Alfredo Ferreira Pinto (“Bahia”); Manoel 
Joaquim Pessoa (“Rio Grande do Norte”) e Luís 
Gonzaga do Amaral e Silva (“Pernambuco”). 
 
O Clube do Cupim passou depois a ter vinte 
sócios efetivos. Cada sócio tinha sob suas ordens um 
capitão, este um sub-capitão que, por sua vez, 
comandava vinte auxiliares. Todos tinham que adotar 
um “nome de guerra” utilizando os nomes de 
localidades brasileiras. Dessa maneira, sempre com 
vinte sócios efetivos, o Clube do Cupim chegou a 
contar com mais de trezentos auxiliares. 
 
Além dos fundadores, o Clube passou a contar 
depois com os seguintes sócios efetivos: Venceslau 
Guimarães (“Paraná”); Salles Barbosa (“Paraíba”); 
José Manoel da Veiga Seixas (“Sergipe”); Mendes 
Guimarães (“Pará”), que por medo de comprometer-
se pediu para sair, sendo substituído por Joaquim de 
Oliveira Borges; Pedro da Costa Rego (“Santa 
Catarina”), que também foi substituído por Antônio 
Ferreira Baltar Sobrinho. Por último, ainda em 1885, 
entraram José Mariano (“Espírito Santo”), o mais 
notável dos seus membros e Argemiro Falcão 
(“Piauí”). 
 
Em junho de 1885, o Recife preparou-se para 
receber Joaquim Nabuco. O Clube do Cupim, apesar 
da sua discrição colocou um anúncio no Jornal do 
Recife (dias 14 e 16): 
 
Clube do Cupim: ‘‘A diretoria deste patriótico 
clube, convida seus numerosos consócios e a todos os 
homens de cor, que quiserem acompanhar ao Dr. 
Joaquim Nabuco no dia de sua chegada, a 
comparecerem no Largo do Arsenal da Marinha, a seis 
e trinta da manhã”. 
http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=307&textCode=852&date=currentDate
http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=307&textCode=887&date=currentDate
 
35 
 
 
Foram realizadas, no total, 21 sessões na sede 
do Clube, até que no dia 1º de novembro de 1885, 
resolveram dissolvê-lo por causa das perseguições. 
Não tinham mais um local fixo para suas reuniões, 
porém os cupins, como eram conhecidos os 
abolicionistas, continuavam a atuar 
clandestinamente. 
 
Evitando ajuntamento, a comissão executiva 
encontrava-se em diversos locais: sob as árvores da 
Rua do Imperador, no meio das pontes, nos fundos de 
armazéns ou vendas, na Praça da República e até 
na Rua da Aurora, em frente à chefatura de polícia. 
Discutia, deliberava, dava as suas ordens aos 
capitães que por ali rondavam e estes iam repassando 
para os companheiros, que as executavam com 
brevidade, fielmente e na íntegra. 
 
Todo o trabalho era facilitado porque possuíam 
adeptos e simpatizantes em todo lugar. Havia uma 
grande quantidade de “panelas”, como eram 
conhecidos os esconderijos dos escravos que a 
sociedade ajudava a libertar. 
 
Suas atividades eram cada vez mais intensas. Os 
escravos fugiam dos engenhos aos bandos, deixando 
alguns quase vazios. 
 
O termo “cupim” passou a ser usado até pelos 
abolicionistas do Rio de Janeiro que pretendiam 
“libertar os centros populosos e fazer roer o cupim no 
interior”. 
 
Aqui no Recife, os carregamentos e envios de 
escravos clandestinos para outros locais, passaram a 
ser mais numerosos e frequentes. Os escravos eram 
enviados também para Camocim, Natal, Macau, 
Macaíba, Belém, Manaus, Rio de Janeiro, Rio Grande 
do Sul e até Montevidéu, no Uruguai. 
 
 A última façanha do Clube do Cupim foi o 
embarque de 119 escravos, realizado no dia 23 de 
abril de 1888. Desceram à noite, do Poço da Panela, 
da casa de José Mariano em uma canoa de capim até 
a Capunga, sendo depois rebocados por dois botes 
que fundearam em frente à casa de banhos, passando 
daí para o barco Flor de Liz e, na manhã seguinte, 
para um rebocador que os levou para a liberdade. No 
dia 13 de maio, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. 
 
 
FONTE: DOWBOR, LADISLAU. A FORMAÇÃO DO 
CAPITALISMO DEPENDENTE NO BRASIL. LISBOA, 
PRELO, 1977. P. 103 
 
Daí as pressões de nossos abolicionistas para 
que o governo brasileiro interceda. Por essa época 
nota-se a composição de dois grupos divergentes no 
Brasil: os Abolicionistas, que não enxergam em D. 
Pedro II alguém capaz de pôr fim à escravidão e 
tornam-se assim republicanos; e os Escravistas, 
grandes proprietários rurais, politicamente 
Monarquistas. O primeiro grupo aos poucos se 
transforma na maioria, englobando até cafeicultores 
do oeste paulista, com uma mentalidade mais 
capitalista e modernizadora, defensora do trabalho 
assalariado. 
 
O segundo grupo, porém, detém o controle 
político da nação. A solução encontrada pelo governo 
imperial é a conciliação de interesses através da 
abolição gradativa da escravidão. (A abolição satisfaz 
aos abolicionistas e a forma gradativa não pune com 
rigor os escravistas). 
 
Assim, compreende-se a sucessão de leis 
abolicionistas: 
 
- 1850: Lei Eusébio de Queirós, proibindo a entrada 
de escravos no Brasil. 
- 1854: Lei Nabuco de Araújo, com as mesmas 
determinações da anterior e punições mais severas 
para os infratores. 
- 1871: Lei Rio-Branco (Ventre-Livre), suprimindo o 
trabalho escravo dos filhos de escravos nascidos a 
partir dessa data. 
- 1885 - Lei Saraiva - Cotegipe (Sexagenário), pondo 
fim ao cativeiro para os escravos com mais de 65 
anos. 
 
Apesar da profundidade aparente das leis 
anteriores,elas têm na prática pouca valia para os 
escravos, e reduzidas são as alforrias provenientes de 
http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=312&textCode=841&date=currentDate
http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=316&textCode=769&date=currentDate
http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=312&textCode=943&date=currentDate
http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=300&textCode=893&date=currentDate
http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=300&textCode=962&date=currentDate
 
36 
 
tais leis. Em 1888, quando D. Pedro II se encontra na 
Europa, as pressões dos abolicionistas-republicanos 
sobre a Princesa Isabel são, então, tamanhas que, se o 
Império Brasileiro não decreta o fim da escravidão, a 
república seria, nesse ano mesmo proclamada. 
 
Assim, diante desse contexto bem mais 
político que social, compreende-se a assinatura da Lei 
Áurea, em 13 de maio de 1888, resguardando-se a 
monarquia por mais um ano e meio. Os escravistas-
monarquistas, ao perderem seus escravos, aderem à 
campanha republicana: são os “Republicanos de 13 
de maio”. Sem o apoio da aristocracia agrária, o 
Império não sobrevive por falta de bases e a 
República é proclamada em 1889 como uma 
decorrência natural da abolição. 
 
4. POLÍTICA EXTERNA 
 
Questão Christie 
 Em 1861, o navio inglês “Prince of Walls” 
naufraga na costa do Rio Grande do Sul e seu 
carregamento levado à praia é saqueado pelos 
gaúchos. O embaixador inglês no Brasil, William 
Christie, exige de Pedro II o pagamento de uma 
indenização, conseguindo seu intento. 
 
Em 1863, alguns oficiais ingleses, à paisana, se 
envolvem em desordens no Rio de Janeiro e são 
levados a uma delegacia local. Uma vez identificados 
são imediatamente soltos, mas apesar disso Christie 
exige do governo imperial a punição dos soldados da 
capital que levaram os oficiais a tamanha 
“humilhação”. Como o Imperador se nega a puni-los, 
a Inglaterra rompe relações com o Brasil até 1865. 
 Deve-se considerar, porém, que tal fato é 
apenas um pretexto para ruptura, pois as relações 
Brasil- Inglaterra há muito não andam bem: desde 
1810 os ingleses pressionam pelo fim do tráfico 
negreiro e em 1845 publicam o Bill Aberdeen já 
explicado nesta unidade. A reação dos brasileiros foi 
violenta, diante da intromissão inglesa. Em 1843, D. 
Pedro II se nega a renovar os tratados de 1810 com a 
Inglaterra. Em 1844, as tarifas alfandegárias Alves 
Branco encarecem os produtos estrangeiros (inclusive 
ingleses) no país. 
 
Por tudo isso, o episódio do roubo da carga 
do navio inglês e da prisão temporária dos oficiais 
britânicos são apenas pretextos para o rompimento 
das relações diplomáticas (as relações econômicas 
prosseguem normalmente, o que demonstra a 
superficialidade do acontecido). 
 
Em 1865, graças à mediação do Rei belga 
Leopoldo II a nosso favor, os ingleses se desculpam 
formalmente e as relações são restabelecidas. 
 
Questões Platinas 
 
Razões das tensões na Região Platina, 
sobretudo na 2ª metade do século XIX: 
 
- Ausência de fronteiras definidas entre as nações 
platinas (Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina). 
- Grande importância econômica da região (solos e 
climas adequados à criação e a lavoura e 
navegabilidade do Rio da Prata). 
- Grande importância estratégico-geográfica da região 
(proximidade de Buenos Aires e Montevidéu). 
- Temor brasileiro pela reconstituição do Vice-Reino 
do Prata envolvendo Argentina, Paraguai e Uruguai. 
- Temor das demais nações platinas e da Inglaterra, 
pela formação do “Paraguai Maior” - o presidente 
paraguaio Solano Lopez ameaça os vizinhos com 
conquistas militares de seus territórios (velho sonho 
de obtenção de uma saída para o mar) e a grandeza 
desse país ameaça os interesses econômicos – 
brasileiros, argentinos e ingleses – na região. 
- Constantes intromissões de brasileiros e argentinos 
na política interna do Uruguai, quando de suas 
eleições presidenciais envolvendo aspectos políticos e 
militares - veja a seguir: 
 
 
 
Guerra do Paraguai (1864 a 1870) 
 
 Essa guerra, mais longo e complexo conflito 
ocorrido na América Latina, é ocasionada pelo 
conjunto de fatores responsáveis pelas tensões na 
Bacia Platina, explicados anteriormente. 
 
 Entretanto, o aprisionamento do navio brasileiro 
Marquês de Olinda pelos paraguaios, na fronteira dos 
países, é o pretexto para o início do conflito, em 1864. 
 
Dada a superioridade inicial do Paraguai - 
mais desenvolvida nação sul-americana de então, 
demonstrada na força e organização do exército do 
presidente Solano Lopez, - o temor pela formação do 
“Paraguai Maior” se alastra até a Argentina e o 
 
37 
 
Uruguai, que entram na guerra em 1865, e 
constituindo, ao lado do Brasil, a Tríplice Aliança, 
também auxiliada pela Inglaterra, interessada na 
destruição do concorrente paraguaio. 
 
 Observa-se gradualmente, a partir daí um recuo 
de tropas paraguaias e a invasão e destruição do seu 
território, após violentas batalhas travadas ao longo 
de todo o conflito (Tuiuti, Itororó, Ivaí, etc.). O próprio 
Solano Lopez morre em combate, em 1870, ano da 
rendição paraguaia. 
 
Consequências do conflito para o Paraguai e o Brasil 
 
•Para o Paraguai: a guerra representa a total 
destruição do país, a ponto de jamais recuperar sua 
condição de grande nação no continente. Perde 
terras, dinheiro, armas, e, sobretudo, vidas. Sua 
população, em relação ao início do conflito se reduz 
para 1/4, numa das mais expressivas perdas humanas 
registradas em toda a história universal. Sua 
reconstrução, nunca concluída, é difícil e ajudada pelo 
próprio Brasil. 
 
• Para o Brasil: dos países vencedores é o que menos 
lucra. Adquire uma pequena porção do território 
paraguaio (no atual estado do Mato Grosso), mas sua 
dívida de guerra é enorme. Arca também com a 
essência da campanha militar e auxilia a reconstrução 
do Paraguai. 
 
Principais alterações históricas para a vida brasileira 
 
1ª) Dadas as dificuldades no desenrolar do conflito, o 
exército nacional recruta centenas de escravos que 
lutam nos campos de batalha. Ao final da guerra, 
como recompensa, o exército pressiona o governo 
imperial para conceder a abolição da escravatura. 
Como D. Pedro II se nega, sofre a oposição dos 
oficiais, que fazem crescer a campanha abolicionista. 
 
2ª) Terminado o conflito, o exército nacional retorna 
ao país convencido pela oficialidade dos países 
vizinhos que está lançada a oportunidade de derrubar 
o Imperador e assumir o controle político da nação. A 
ambição política do exército e sua adesão à 
campanha republicana se explica também por ser o 
Brasil a única monarquia do continente e várias 
repúblicas vizinhas já serem governadas por militares. 
A vitória na guerra do Paraguai é motivo de 
engrandecimento dos militares que julgam ser este o 
momento adequado para o seu golpe republicano. 
 
REPÚBLICA VELHA 1889 – 1930 
 
 Entende-se por República Velha o período da 
História do Brasil que vai da Proclamação da 
República, em 1889, até a Revolução de 1930. 
 Apesar da mudança na forma (República) e no 
sistema de governo (Presidencialista), além da adoção 
de uma nova Constituição (1891), mantém-se a 
tradição agrário-latifundiária-exportadora, com o 
predomínio das oligarquias rurais (coronéis) e as 
acentuadas disparidades sociais – quadro típico do 
Império, cujas origens remontam à Colônia. 
 
 Algumas alterações, porém, se fazem notar 
nessa Primeira República: a maior presença do grande 
capital, a intensificação da industrialização, a entrada 
mais maciça de imigrantes, a marginalização do negro 
e do nascente operariado, o surgimentode novas 
ideologias nascidas principalmente das precárias 
condições de trabalho nas fábricas, além de diversos 
choques, no campo e na cidade, que demonstram o 
questionamento do poder dominante. 
 
 A República Oligárquica é um arranjo de forças 
opostas, novas e tradicionais, em conflito: de um 
lado, sertanejos, operários, ex-escravos, imigrantes 
marginalizados e militares de baixa patente, e de 
outro, as forças dominantes, representadas pela 
aristocracia agrária, militares de alta patente e a 
nascente burguesia urbano-industrial. 
 
 Assim como a Proclamação da República não 
pode ser considerada um marco transformador das 
estruturas do Império, a Revolução de 1930 também 
deve ser entendida bem mais como uma rearticulação 
de novas forças, representadas pela burguesia 
industrial em ascensão, em convívio com as 
oligarquias rurais até então predominantes. 
 
 
A CRISE DA MONARQUIA E AS ORIGENS DA 
REPÚBLICA 
 
 A partir da segunda metade do século XIX, 
aproximadamente, a monarquia brasileira não 
responde satisfatoriamente às necessidades de 
transformação e aos grandes questionamentos 
levantados por uma parcela cada vez mais 
significativa das classes médias e altas. 
 
São questionados, dentro do Império: 
• o unitarismo, que centraliza as decisões na figura do 
imperador; 
• o voto censitário, que exclui a maior parte da 
população dos direitos políticos, 
 
38 
 
• o Senado vitalício, que perpetua em torno do 
monarca elementos da elite agrário-escravista; 
• o regime de Padroado, que submete a Igreja ao 
Estado; 
• o escravismo, que se torna incompatível com as 
condições impostas pelo Capitalismo do século XIX; 
• a Constituição de 1824, que prevê todas as 
características acima. 
 
 Reivindica-se um novo sistema e uma nova forma 
de governo, respectivamente, o Presidencialismo e a 
República, para tornar possível: 
 
O federalismo; o fim do voto censitário; o fim da 
vitaliciedade do Senado; a independência da Igreja ao 
Estado; o estímulo ao trabalho assalariado e ao 
crescimento econômico; uma nova Constituição, 
formalizadora de tudo isso. 
 
 É significativo, ainda, o fato de o Brasil ser, em 
fins do século XIX, a única monarquia das Américas e 
um dos últimos redutos do escravismo no continente. 
 
Todo esse questionamento da estrutura da 
monarquia explica a existência das questões, 
principalmente a partir de 1870, vistas a seguir, que 
conduzem à Proclamação da República. 
 
1 - QUESTÃO MILITAR 
 
 Terminada a Guerra do Paraguai (1864-70), o 
Exército Nacional retorna vitorioso e consciente de 
sua força política. O contato com a oficialidade das 
nações vizinhas, Repúblicas governadas por militares, 
amplia a ambição política e o sonho republicano entre 
as altas patentes. O exército reclama ainda da 
interferência do poder civil em assuntos 
especificamente militares e dos baixos soldos. 
 A insatisfação com a monarquia expressa-se na 
adoção do positivismo, filosofia de origem europeia, 
baseada na defesa “da ordem e do progresso”. Nesse 
contexto, o exército passa a defender o 
desenvolvimento econômico com base na 
industrialização, no estímulo à imigração e no fim da 
escravidão, incompatíveis com os interesses dos 
grupos latifundiários e escravistas dominantes do 
Império. A defesa do abolicionismo prende-se ainda a 
um desejo de recompensar aos escravos pela 
participação dos mesmos na Guerra do Paraguai. 
 
 Por tudo isso, a Questão Militar representa o 
fim do apoio do exército à Monarquia e sua 
consequente adesão à República. 
 
2 - QUESTÃO RELIGIOSA 
 
 O regime do Padroado, que submete a Igreja ao 
Estado, previsto pela Constituição Imperial de 1824, 
causava crescente insatisfação entre os clérigos. 
 
 No início dos anos 70, bispos do Rio de Janeiro, 
Olinda e Belém não aceitam a presença de padres em 
lojas maçônicas e de membros da maçonaria em 
irmandades religiosas. Essas irmandades recorrem ao 
Imperador D. Pedro II, que condena os bispos à 
prisão. Tal fato é o culminar da Questão Religiosa, 
mediante a qual a Igreja retira o apoio à Monarquia. 
O clero defende a República, condicionado à 
separação entre Igreja e Estado no regime posterior. 
 
3 - MANIFESTO REPUBLICANO E PARTIDOS 
REPUBLICANOS 
 
 A publicação do “Manifesto Republicano”, em 
1870, explicita a indesejável condição do país de única 
monarquia das Américas (“Somos da América e 
queremos ser americanos”). Expressa as concepções 
republicanas de liberalismo e federalismo inexistentes 
na Monarquia. Condena o escravismo, o que faz com 
que duas correntes passem a defender os mesmos 
interesses: a abolicionista e a republicana. O desejo 
de maior autonomia às províncias (federalismo) leva a 
adesão de grandes proprietários rurais à causa da 
República. 
 
Muitos desses são responsáveis pela fundação 
de Partidos Republicanos em todo o país, com 
destaque para o Partido Republicano Paulista (PRP), 
surgido na Convenção de Itu (1873) e aglutinando os 
cafeicultores da província, em especial do Oeste, de 
grande poder econômico. 
 
O Manifesto Republicano e os PR’s 
formalizam as bases políticas para o questionamento 
da Monarquia. 
 
4 - QUESTÃO ABOLICIONISTA 
 
 Sem o apoio do Exército, da Igreja, dos 
cafeicultores do oeste paulista, das classes médias e 
de parcela significativa da imprensa, restava ao 
Imperador o apoio de um único reduto: dos 
tradicionais “barões do café”, latifundiários e 
escravistas. 
 
 Entretanto, ao longo da segunda metade do 
século XIX, D. Pedro II vem sendo insistentemente 
pressionado, interna e externamente, para o fim do 
 
39 
 
trabalho escravo, o que contraria os interesses dos 
monarquistas tradicionais. É significativa a 
participação da Inglaterra, em plena Revolução 
Industrial, lutando pelos seus interesses capitalistas 
de ampliação dos mercados consumidores no Brasil, 
incompatíveis com o escravismo. 
 
Acuado diante dos interesses antagonistas 
dos escravistas-monarquistas e dos abolicionistas-
republicanos, o monarca promove a abolição gradual 
da escravidão, com leis de pouco significado prático 
para o escravo. As insuportáveis pressões pelo fim do 
escravismo levam à Lei Áurea de 1888, sem as 
esperadas indenizações aos senhores de terra pela 
perda de seus escravos. É o ápice da Questão 
Abolicionista, que conduz até mesmo tradicionais 
latifundiários à causa da República, numa atitude de 
represália ao Imperador (são chamados de 
“Republicanos do 13 de maio”). 
 
Sem qualquer ponto de sustentação política, 
D. Pedro II deixa o país, possibilitando o golpe de 
implantação da República, em 15 de novembro de 
1889, numa pacífica transição de regimes. 
 
INSTABILIDADE INICIAL DA REPÚBLICA 
 
Com a Proclamação, formalizada pelo 
Marechal Deodoro da Fonseca, é instalado o primeiro 
Governo da República, ainda provisório, chefiado pelo 
mesmo marechal. 
 
No Governo Provisório de Deodoro (1889 a 1891) 
extingue-se a vitaliciedade do Senado e separa-se a 
Igreja do Estado. O Presidente convoca a Assembleia 
Constituinte que promulga, em 1891, a primeira 
Constituição da República, baseada na Carta dos 
Estados Unidos. São destaques da Constituição de 
1891: 
 
• Forma de Governo: República 
• Sistema de Governo: Presidencialismo 
• Federalismo - maior autonomia aos Estados, sem 
extinguir a força da União. 
•Independência dos três poderes: Legislativo, 
Executivo e Judiciário. 
• Voto direto, mas não secreto, masculino, para 
maiores de 21 anos. Estão excluídos: mulheres, 
menores, padres, soldados e analfabetos. 
• Separação Igreja / Estado, oficializando o registro e 
o casamento civil. 
• Riquezas do subsolo pertencem ao dono do solo e 
não à nação. 
 
 A Proclamação da República satisfaz aos 
interesses elitistas de pequena parcela da população. 
Tais interesses estão expressos na Constituição, 
sobretudo, na questão do voto: elimina-seo voto 
censitário, mas proíbe-se o voto do analfabeto, o que 
significa, a exemplo do período imperial, a exclusão 
política da imensa maioria de brasileiros, sem o 
direito da cidadania. A ausência do voto secreto 
também traduz a existência de mecanismos nada 
éticos para perpetuação do domínio político das 
minorias. 
 
 A Constituição de 1891 traduz o próprio 
significado da República: liberal em sua forma, mas 
oligárquica em seu funcionamento, garantindo 
apenas às elites fundiárias, sobretudo cafeicultores, o 
controle político do Brasil, ao longo da República 
Velha. 
 
 Eleito indiretamente pela Assembleia 
Constituinte, o Governo Constitucional de Deodoro 
(1891) é marcado por grande instabilidade, 
exemplificada pela (o): 
 
• oposição dos cafeicultores, sobretudo de São Paulo 
– Deodoro é eleito graças ao apoio do exército; 
• fracasso da política financeira do ministro Rui 
Barbosa – assunto visto adiante; 
• dissolução do Congresso pelo Presidente; 
• primeira Revolta da Armada (RJ), provocando cisões 
dentro das Forças Armadas. 
 
Esse quadro leva à renúncia de Deodoro e à 
ascensão do Governo de Floriano Peixoto (1891 a 
1894), cuja posse é amplamente questionada, uma 
vez que o titular não havia completado a metade de 
seu mandato, o que deveria provocar nova eleição, de 
acordo com a Constituição (Floriano alega que tal 
dispositivo é válido apenas quando o titular se elege 
pelo voto direito). 
 
Apesar da reabertura do Congresso, o 
Presidente enfrenta dois movimentos armados, os 
quais reprime com violência: a nova Revolta da 
Armada (RJ), em 1893 e a Revolta Federalista (RS), de 
1892 a 1895. Essas rebeliões expressam uma cisão 
dentro do exército, um descontentamento de setores 
da marinha (sem grande participação no poder 
político nacional) e as pressões dos setores 
agroexportadores. Tais setores elegem, em 1894, 
Prudente de Morais, iniciando seu controle efetivo 
sobre o país, o que se estende por toda a República 
Velha. É o fim da chamada República da Espada 
(1891-94) e a eleição do primeiro civil à presidência. 
 
40 
 
 
 Principais Governos da República Velha 
 
PRUDENTE DE MORAES (1894/1898) 
 
Prudente de Moraes foi o primeiro Presidente 
civil do Brasil. Com ele, iniciou-se, na República, o 
domínio político dos fazendeiros, isto é, das 
oligarquias agrárias, e terminou o domínio dos 
militares. 
Durante o seu governo estourou a Guerra de 
Canudos, no Sertão da Bahia. 
Durante o governo de Prudente, o Barão de 
Rio Branco resolveu uma questão diplomática com a 
Argentina. Foi à questão do território das Palmas ou 
das Missões, território disputado pelo Brasil e 
Argentina. Serviu como árbitro o Presidente 
Cleveland, dos Estados Unidos, que deu ganho de 
causa ao Brasil. 
 
CAMPOS SALES (1898/1902) 
 
Campos Sales herdou as consequências da 
Crise do Encilhamento e, por isso teve que negociar a 
dívida externa brasileira com banqueiros ingleses e 
pedir novos empréstimos. 
Ao negociar essa dívida com os banqueiros 
ingleses, Campos Sales conseguiu que o Brasil só 
começasse a pagá-la 03 anos depois do acordo. Além 
disso, o Brasil teria 60 anos de prazo para liquidar 
toda a dívida externa. 
A este acordo que Campos Sales fez com os 
credores do Brasil, isto é, a esta negociação da dívida 
externa brasileira chamamos de Funding-Loan. 
 
Para fazer este acordo, os credores exigiram, 
entre outras coisas, que o governo brasileiro iniciasse 
o combate à inflação. 
A agitação dos negócios nos dias do Encilhamento 
 
A política de combate à inflação foi feita pelo 
Ministro da Fazenda Joaquim Murtinho. Campos Sales 
e Joaquim Murtinho conseguiram salvar o Brasil da 
Crise do Encilhamento, combater em grande parte a 
inflação e valorizar a moeda brasileira. 
Desta maneira, Campos Sales deixou para o 
seu sucessor, Rodrigues Alves, um país em melhores 
condições do que quando assumiu o governo, em 
1898. 
A Política do governadores foi criada e 
concretizada no seu governo. 
No Campo da política externa, o Brasil ganhou 
da França a Questão do Amapá. A França reivindicava 
para ela uma grande área Norte do Brasil. Serviu 
como árbitro Walter Hauser, que nos deu ganho de 
causa. 
A decisão de Walter Hauser confirmou o rio 
Oiapoque com a fronteira entre o Brasil e a Guiana 
Francesa. Mais uma vez, o Brasil foi defendido pelo 
Barão do Rio Branco. 
As principais realizações foram: 
 Saneamento e Urbanização do Rio de Janeiro. 
 Combate a febre amarela, peste bubônica e a 
varíola (Osvaldo Cruz). 
 Resolução da questão do Acre (Tratado de 
Petrópolis - 1903) 
 O Convênio de Taubaté (1906) 
 
AFONSO PENA (1906/1909) 
 
Afonso Pena foi o primeiro Presidente 
mineiro. A partir dele, foi mais ou menos comum, até 
1930, o revezamento entre paulistas e mineiros na 
Presidência da República. 
O Presidente Afonso Pena tinha um lema: 
governar é povoar. Por isso ele estimulou a imigração 
e durante o seu governo entraram no Brasil, 
aproximadamente, 1.000.000 de estrangeiros. 
Este Presidente continuou a Política do Café e 
colocou em prática as determinações do Convênio de 
Taubaté. 
Afonso Pena deveria governar até 1910, 
porém morreu durante o mandato, em 1909. Foi 
substituído pelo Vice-Presidente Nilo Peçanha. 
 
NILO PEÇANHA (1909/1910) 
 
Com a morte de Afonso Pena, Nilo Peçanha, 
que era o Vice-Presidente, completou o mandato. 
Quem marcou presença nessa época foi o 
Marechal Rondon. Cândido Mariano da Silva Rondon 
percorreu os sertões do Brasil, demarcou fronteiras, 
ergueu milhares de postes telegráficos, ligando o 
Brasil de norte a sul. Sua obra de pacificação do índio, 
respeitando-lhes os hábitos, é um exemplo até hoje 
para todos nós. Morrer se preciso, matar nunca era o 
lema da missão Rondon, que percorreu todo o sertão 
brasileiro. 
 Criou o Serviço de Proteção do Índio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
 
HERMES DA FONSECA (1910/1914) 
 
 
Além dos soldados do Exército, os camponeses 
rebeldes do Contestado tinham que combater 
também as milícias particulares dos grandes 
fazendeiros da região. Na fase final da luta, essas 
milícias chegaram a reunir mais de mil jagunços bem 
armados. Na foto, grupo de jagunços mobilizados 
pelos coronéis para combater a rebelião exibe suas 
armas. 
 
O Presidente Hermes da Fonseca criou, em 
seu governo, a Política das Salvações, que consistia na 
substituição de velhos governadores nomeados pelo 
Presidente da República. 
Com esta política, o Presidente derrubou do 
poder alguns governadores e nomeou, para governar 
aqueles estados, homens de sua confiança. 
No Rio de Janeiro explodiu a Revolta da 
Chibata, liderada pelo marinheiro negro João 
Cândido. Foi uma revolta ocorrida na Marinha contra 
o uso dos castigos corporais nos marinheiros. 
Outro fato marcante da sua política interna 
foi a Guerra do Contestado. Este movimento de serta-
nejo, ocorridos nas fronteiras do Paraná e Santa 
Catarina, chegou ao final em 1916, com a morte de 
milhares de sertanejos e soldados. 
 
REPÚBLICA EM PERNAMBUCO 
 
No dia 15 de novembro de 1910, quando 
Hermes da Fonseca assumia a Presidência da 
República, os militares apoiaram Dantas Barreto - na 
época, o Ministro da Guerra - para concorrer, 
politicamente, com Rosa e Silva. 
Quando o militar resolveu disputar o Governo 
de Pernambuco, em 1911, surgia um dos períodos 
mais agitados da política estadual, Rosa e Silva era 
apoiado pelas forças políticas e Dantas Barreto pelas 
tropas do Exército - o 49º Batalhão de Caçadores - sob 
o comando do General Carlos Pinto. Este último, era o 
encarregado de enfrentar os combates de ruas, 
travados entre "rosistas" e "dantistas". 
No dia 18 de outubro de 1911, em frente a um 
teatro (o Helvética) existente na rua Imperatriz, 
ocorria um confronto sangrento entre os populares e 
a cavalaria do Exército, vindo a falecer o Capitão José 
de Lemos, comandante da tropa. Esse incidente dava 
margem a que o Chefe de Polícia suspendesse todos 
os comícios e passeatas seguintes.Depois das eleições, o Diário de 
Pernambuco anunciava Rosa e Silva como o vencedor, 
com 21.613 votos, ficando Dantas com 19.585 votos. 
Mas, os partidários do militar não se conformaram 
com o resultado das urnas, e o Recife passava a viver 
uma série de incidentes violentos, que convergiram 
para a paralisação dos bondes, o fechamento de 
cinemas e casas comerciais, e o grande temor da 
população em sair às ruas. 
No dia 12 de novembro de 1911, ocorria um 
tiroteio na rua da Aurora, nas ruas das Flores, Barão 
da Vitória e Imperador e na Praça da Independência. 
Um dos principais alvos desse confronto era, 
precisamente, a redação do Jornal Diário de 
Pernambuco, uma empresa de propriedade de Rosa e 
Silva. 
Posteriormente, houve um incidente ainda mais 
grave: com o apoio das tropas do Exército, os grupos 
populares atacaram os quartéis da Polícia. O Palácio 
do Governo também era atacado e os tiros, partindo 
do Cais do Apolo e do Forte do Brum, quase 
matavam Estácio Coimbra - na época, o Governador 
de Pernambuco e uma pessoa de total confiança de 
Rosa e Silva. Um dos tiros perfurara, inclusive, o 
gabinete de Estácio, indo alojar-se em uma parede a 
um palmo de sua cabeça. O Governador, após o 
incidente, passava a despachar na própria Chefatura 
de Polícia. 
Depois do dia 24 de novembro, a polícia voltava 
a revistar os transeuntes que circulavam pelas ruas; 
os trens da Great Western foram paralisados (com 
pedidos de garantias à Guarnição para as estações do 
Brum, Cinco Pontas e Central); as escolas de Direito e 
de Engenharia suspendiam as provas; ocorria um 
tiroteio contra o Ginásio Pernambucano, enfim, a 
cidade tornava a passar por horas de muita angústia. 
Do Rio de Janeiro, nessa época, José Mariano, já 
doente, enviava o seguinte telegrama que o jornal A 
Província vinha a divulgar: 
Impossibilitado fisicamente de achar-me ao 
lado do povo pernambucano no dia da reconquista de 
sua liberdade, tenho esperança de que êle sacudirá o 
domínio ignominioso da oligarquia que nos avilta e 
me dará a consolação, se estiver terminada minha 
carreira política, de deixar livre a terra que tanto 
tenho amado. O Povo não precisará que eu o 
estimule, porque tem a consciência da 
responsabilidade que lhe cabe no atual momento 
histórico de nossas reivindicações. 
 
42 
 
Os incidentes locais se tornavam notícia 
internacional, ainda, em jornais de Lisboa - como O 
Século e A Ilustração Portuguesa - e de Paris - o Le 
Matin. Somente quando Estácio Coimbra solicitou 
uma intervenção federal para o Recife, é que a 
situação se normalizava, e o Congresso era 
convocado, então, para reconhecer o candidato 
eleito. 
Dessa vez, no entanto, o General Dantas 
Barreto era apontado como o legítimo Governador do 
Estado, tendo vencido Rosa e Silva por uma diferença 
de 1.164 votos. Isto selou o desfecho do predomínio 
do rosismo, uma forte oligarquia que permanecera no 
poder de 1896 a 1911, e que, através das alianças, 
dominara a polícia, o Tesouro, o fisco. Dantas era 
recebido de maneira apoteótica pela população que 
cantava o seguinte coco: 
O pau rolou, caiu. 
Rosa murchou, Dantas subiu. 
 
Como governador de Pernambuco, uma de suas 
inúmeras ações, foi a de decretar a mobilização da 
polícia, a fim de conter os imensos prejuízos causados 
pelos bandoleiros que se engajavam no cangaço. 
Neste sentido, despachava para o interior inúmeras 
forças volantes, com o intuito de combater Antônio 
Silvino e o seu bando. 
Além de uma vertiginosa carreira militar e 
política, Dantas Barreto também redigiu diversas 
obras científicas, estudos militares e romances 
históricos. Ele representou, ainda, o primeiro autor a 
escrever uma obra sobre Canudos, além de ser o que 
mais deixou informações acerca das campanhas 
militares. 
Dentre os seus trabalhos, destacam-se A 
condessa Hermínia (1883), Margarida 
nobre (1886), Última expedição a 
Canudos (1898), Impressões 
militares (1909), Destruição de Canudos (1912) 
e Acidentes da guerra (1914). 
Por conta de sua valiosa produção literária, o 
escritor Dantas Barreto era eleito, em 1911, membro 
da Academia Brasileira de Letras, vindo a ocupar a 
cadeira que pertencera a Joaquim Nabuco. 
O general Emidio Dantas Barreto vem a falecer 
no dia 1º de outubro de 1931. Em sua homenagem, a 
Prefeitura deu o nome do militar e político 
pernambucano a uma das principais avenidas do 
centro do Recife. Essa enorme avenida se estende 
da Praça da República até a Praça Sérgio Loreto (o 
antigo viveiro do Muniz), no bairro de Afogados. 
 
 
 
VENCESLAU BRÁS (1914/1918) 
 
O governo do Presidente Venceslau Brás 
coincidiu com o período da Primeira Guerra Mundial 
(1914/ 1918). 
O Brasil participou da guerra ao lado dos 
Estados Unidos, França e Inglaterra, fornecendo 
alimentos e matérias-primas aos aliados, enviando 
um grupo de médico e aviadores para a Europa e 
colaborando no patrulhamento do oceano Atlântico. 
A guerra provocou a diminuição das 
importações e o crescimento das exportações 
brasileiras. As importações diminuíram porque os 
países de quem comprávamos produtos 
industrializados estavam na guerra. 
Com a redução das importações, ou seja, com 
a diminuição da compra de produtos estrangeiros, 
passamos a produzir mais e com isso cresceu a 
indústria brasileira. 
 
EPITÁCIO PESSOA (1919/1922) 
 
Em 1918 houve eleições para Presidente e 
saiu vitorioso o ex-Presidente Rodrigues Alves. 
Entretanto, Rodrigues Alves morreu antes de tomar 
posse e foi substituído pelo Vice-Presidente Delfim 
Moreira, que convocou novas eleições para 
Presidente em 1919 e delas saiu vitorioso o paraibano 
Epitácio Pessoa. 
Epitácio foi eleito com o apoio de São Paulo e 
Minas Gerais, portanto, dentro do velho esquema 
“café-com-leite”. 
Entretanto, apesar de ser um Presidente 
“café-com-leite”, Epitácio Pessoa foi coerente com 
sua origem nordestina e fez uma política de combate 
às secas do Nordeste, onde construiu açudes e 
estradas. 
Em 1920 foi inaugurada a primeira 
universidade do Brasil, a Universidade do Rio de 
Janeiro, e em 1922 ocorreu, no Teatro Municipal de 
São Paulo, a Semana de Arte moderna. 
Neste mesmo ano de 1922, ocorreu a Revolta 
do Forte de Copacabana, primeiro movimento 
armado tenentista da história do Brasil. 
 
 
Os 18 do Forte de Copacabana marchando pela praia 
para enfrentar as tropas do governo 
 
43 
 
ARTUR BERNARDES (1922/1926) 
 
O governo de Artur Bernardes foi muito 
severo. Os movimentos operários eram controlados 
por um rígido esquema policial e Lei de Imprensa 
censura violentamente os jornais. 
Eleito num momento de profundas agitações 
sociais e políticas, Artur Bernardes governou quase 
totalmente sob o estado de sítio. 
Em seu governo ocorreram várias revoltas 
tenentistas, tais como: a Revolução Paulista de 1924 e 
a Coluna Prestes. 
Estas revoluções justificam, em parte, o quase 
permanente estado de sítio. 
Nestes novos movimentos tenentistas, a 
jovem oficialidades do Exército já pensava em repre-
sentar os interesses nacionais e propunha a criação 
de uma sociedade democrática para o bem da 
coletividade brasileira. 
 
WASHINGTON LUÍS (1926/1930) 
 
Washington Luís é considerado paulista, 
apesar de ter nascido em Macaé, no Estado do Rio de 
Janeiro. É considerado paulista porque a sua carreira 
política foi feita em São Paulo e porque era membro 
do PRP (Partido Republicano Paulista). 
O Presidente Washington Luís afirmava que 
governar é abrir estradas e em seu governo foram 
construídas as rodovias Rio - São Paulo e Rio - 
Petrópolis. 
Washington Luís tentou fazer uma política de 
combate à inflação e de estabilidade do valor da 
moeda brasileira. Porém, a sua tentativa não teve 
êxito devido principalmente à crise mundial de 1929. 
 
A Política dos Governadores 
 
A tentativa de criação do Partido Republicano 
Federal findara em fracasso. E nesse contexto que os 
partidos regionais de tendências oligárquica, passarão 
a exercer o domínio político da nação. Minas Gerais e 
São Paulo,os dois principais Estados, vão ocupar o 
cenário político brasileiro e determinar seus rumos 
até a Revolução de 1930. Esse sistema político 
oligárquico ficou conhecido como “política dos 
governadores” ou política dos Estados”, cujas bases 
foram lançadas pelo Presidente Campos Sales, 
sucessor de Prudente de Morais. Com isso, reforçou-
se o presidencialismo, tendo tal regime sua 
sustentação política nos poderes estaduais. Os 
partidos dominantes nos Estados asseguravam, por 
meio de suas bancadas na Câmara e no Senado, o 
apoio ao Poder Executivo Federal. Este, em troca, 
comprometia-se a reconhecer automaticamente a 
legitimidade das oligarquias estaduais favorecendo o 
atendimento de seus interesses e a consolidação de 
seu poder regional. Em cada Estado, o poder político 
era exercido e mantido, a ferro e fogo se preciso pelos 
“coronéis”, em geral grandes proprietários que 
controlavam a vida dos municípios. Esses donos de 
terras eram donos do poder, controlavam as eleições, 
designavam os candidatos a serem eleitos (chamado 
voto de cabresto), sufocavam oposições e 
dissidências, praticando sem escrúpulos e fraude 
eleitoral. O coronelismo influenciava a política dos 
governadores, e esta determinava os rumos políticos 
do país. Nesse quadro, Minas e São Paulo tiveram um 
só peso determinante. São Paulo era o primeiro 
produtor de café do Brasil, produto base da economia 
nacional. Minas era o segundo produtor de café e o 
primeiro de leite. Com base em seus poderes 
econômicos respectivos, as oligarquias dos dois 
estados aliaram-se para exercer a hegemonia política 
junto ao Poder Executivo Federal, configurando a 
“política do café-com-leite”. 
 
A Coluna Prestes (1925/1927) 
A mais significativa expressão do tenentismo. 
 
Em fins de 1924 a maré tenentista chegava ao 
Rio Grande do Sul. Em pouco tempo guarnições de 
várias regiões do Estado rebelavam-se abertamente. 
A jovem oficialidade novamente se faz ouvir. Entre os 
tenentes destacava-se a figura de Luís Carlos Prestes. 
Em 1925, o rebeldes gaúchos seguiram para o 
norte e juntavam-se às forças de Isidoro Dias. 
Parte-se então para a guerra de movimentos, 
cujo objetivo, era o de minar as bases das oligarquias 
dominantes. É dentro deste contexto que se 
enquadra a famosa Coluna Prestes, liderada por Luís 
Carlos Prestes e Miguel Costa, que percorreu os 
sertões brasileiros, numa jornada de 24.000 
quilômetros. As tropas rebeldes enfrentaram forças 
federais, milícias estaduais e, até mesmo, cangaceiros 
contratados. Entretanto, no dizer de Edgar Carone, 
elas fizeram vibrar as expectativas populares, num 
país amordaçado pelo estado de sítio e pela censura. 
 
A INDÚSTRIA 
 
Apesar da existência da indústria estrangeira 
no país, formada com capital externo, a indústria 
brasileira na República Velha é marcada pela 
subordinação do capital industrial ao capital cafeeiro 
e não ao capital externo. 
 
44 
 
Como também se mencionou, a produção de 
bens de capital é insignificante, produzindo-se quase 
somente bens de consumo não-duráveis. 
 
 Os resultados do censo industrial de 1919 dão-
nos uma ideia da estrutura produtiva da indústria de 
transformação no Brasil: 30,7% do valor bruto da 
produção naquele ano provinham das indústrias 
alimentícias; 29,3% da têxtil e 6,3% das fábricas de 
bebidas e cigarros. Apenas 4,7% tinham sua origem 
na metalurgia e indústrias mecânicas juntas: 2,0% na 
indústria química! Com exceção de certas máquinas 
utilizadas no beneficiamento do café - produzidas no 
Brasil desde o século XIX - e de algumas poucas 
ferramentas e equipamentos, a indústria nacional não 
produzia bens de capital, só bens de consumo. 
 
 Esse fato é grave em suas consequências, pois 
foi tornando a nação cada vez mais dependente do 
exterior em mais esse aspecto - a tecnologia 
industrial. 
BIBLIOGRAFIA: MENDES, JR. ANTÔNIO, E MARANHÃO, 
RICARDO. BRASIL HISTÓRIA. 2. ED. BRASILIENSE, SÃO 
PAULO, 1981. V.3, P.212. 
 
 Tal situação, porém, não impede o surgimento 
da burguesia brasileira, desde o século XIX, 
constituída por imigrantes, banqueiros, comerciantes 
e cafeicultores-industriais. A grande diferença em 
relação à burguesia europeia está no fato de que a 
nossa nasce associada ao capital externo e 
dependente do mesmo. Além disso, o nosso mercado 
já se apresenta como parte integrante de uma divisão 
entre as potências imperialistas, não possuindo, 
portanto, acesso direto ao mercado mundial. 
 
Muitos fatos explicam a retração da grande 
indústria desde fins do século XIX: falta de ação 
protecionista incisiva por parte do Governo; reduzida 
organização do trabalho e concorrência estrangeira. 
 As pequenas siderúrgicas do século passado, por 
essas razões mencionadas, malogram em seu 
crescimento e não se transformam em grande 
indústria. 
Esta, quando chega ao país, em meados do 
século XX, já se encontra pronta, implantada pelo 
capital externo ou capital estatal. O mesmo ocorre 
com outros ramos (química, metalúrgica, mecânica, 
etc.), inclusive com os tradicionais alimentícios, que 
não crescem a partir de uma evolução do que há no 
país. Essa é uma diferença fundamental em relação às 
grandes indústrias do exterior, que evoluem a partir 
do próprio crescimento e, depois disso, se expandem 
até as nações periféricas. 
 
Um exemplo do citado é a implantação da Cia. 
Belgo Mineira, em Sabará (MG), em 1921, com capital 
franco-belgo-luxemburguês, para exploração de 
minério em grande escala. Simultaneamente, diversas 
pequenas siderúrgicas mineiras vão à falência e são 
fechadas. 
 
Uma das grandes consequências do 
crescimento da atividade industrial na República 
Velha é o surgimento do proletariado industrial, bem 
como dos movimentos operários analisados a seguir. 
 
MOVIMENTOS OPERÁRIOS 
 
AS ORIGENS DO PROLETARIADO NO BRASIL 
 
A longa permanência do escravismo no país 
representa um entrave à consolidação da forma 
assalariada de trabalho e ao próprio desenvolvimento 
industrial, uma vez que significa retração à expansão 
consumista, necessária ao capitalismo. 
 
O trabalho assalariado surge aos poucos, 
ainda na Colônia e, sobretudo, no Império, 
estimulado pelos imigrantes. Com esse trabalho, 
aparecem os operários das primeiras fábricas, 
fazendo coexistir no Brasil escravos, imigrantes e 
operários. Estes últimos se originam, principalmente, 
das camadas pobres e urbanas. 
 
O que se observa do movimento operário, 
desde sua origem e ao longo da República, é uma 
evolução não linear, e sim marcada por fluxos e 
refluxos, em razão do caráter ainda embrionário de 
tal movimento, bem como da repressão patronal, 
ligada ao Estado –nesse sentido, menciona-se a Lei 
Adolfo Gordo, expulsando do país os estrangeiros 
envolvidos nas ações operárias. 
 
O ANARQUISMO E O ANARCO-SINDICALISMO NO 
BRASIL 
 
 O Anarquismo, numa definição simples, é a 
ideologia que prega a ausência de autoridade, o que 
valoriza a liberdade individual a ponto de rejeitar 
qualquer forma de organização política. 
 
Uma corrente do Anarquismo, chamada de 
Anarco-Sindicalismo, é a tendência dominante do 
movimento operário brasileiro nas duas primeiras 
décadas deste século e ainda em parte dos anos 20. 
Inspira-se em Bakunin, um dirigente da I internacional 
dos Trabalhadores que defende a greve geral como 
 
45 
 
via de conquistas, valorizando o Sindicato “como 
meio e fim da ação libertária da classe”. 
 Dentre as razões da ascensão do Anarco- 
Sindicalismo no Brasil estão: a presença de imigrantes 
de países onde tal corrente é expressiva, como Itália, 
Portugal, Espanha e França e a existência 
predominante de pequenas unidades produtivas, 
onde a organização operária é mais facilitada. 
 
 Aqui, chama-se a atenção para duas diferenças 
fundamentais em relação aos socialistas e 
comunistas: 
 
A descentralização do movimento operário e a 
valorização da liberdade individual emrelação à 
organização do Estado. (A característica básica do 
movimento comunista é a união das classes operárias, 
sob orientação de um Estado centralizado e 
autoritário). 
 
Os anarquistas apregoam ainda uma ruptura 
com os valores tradicionais da sociedade, atacando o 
clero e a atividade militar (anticlericalismo e 
antimilitarismo). Colocam-se contra o serviço militar 
obrigatório e a 1ª Guerra Mundial, atacando a 
participação do Brasil no conflito. Defendem, porém, 
a ação revolucionária do proletariado russo no 
movimento de 1917, se solidarizando com as classes 
trabalhadoras externas (internacionalismo) 
reprimidas pela ação da burguesia e do Estado. 
 
 A ação dos anarquistas possui dois tipos 
fundamentais de manifestação: as greves e os 
congressos. 
 Indubitavelmente, o apogeu do movimento 
grevista na República Velha se encontra na Greve 
Geral de 1917, que mobiliza cerca de 50 mil ativistas 
em São Paulo, colocando em cheque direto burguesia 
e operários, sobretudo na capital, numa autêntica 
“Revolta 
Popular”. 
 
1917: Exigências dos operários em São Paulo: 
 
 “35% de aumento salarial, proibição para o 
trabalho de menores de 14 anos, abolição do trabalho 
noturno de mulheres e menores de 18 anos, jornada 
de oito horas, congelamento do preço dos alimentos, 
redução de 50% nos aluguéis. ” 
 
FONTE: (1904 A 1929). 100 ANOS DE REPÚBLICA, VOL. 
I, II E III. S. PAULO, NOVA CULTURAL, 1989. 
 
 Dentre as conquistas operárias, destacam-se: a 
garantia de não dispensa dos grevistas, um aumento 
salarial de 20% e a promessa do Estado de ampliar a 
fiscalização das condições de trabalho nas fábricas. 
 
No período de 1917 a 1920 já se percebem os sinais 
de declínio da ideologia. 
 
Explicam a queda do Anarco-Sindicalismo: 
 
- Negativa de constituição de um partido; 
- Superestimação do papel dos sindicatos e da ação 
individual; 
- Ausência de questionamentos importantes como a 
questão agrária e o imperialismo externo. 
 
 Explorando esses pontos frágeis dos 
anarquistas, os comunistas ganham espaços 
importantes no seio do operariado, a ponto de se 
tornar a principal ideologia do movimento, a partir de 
meados dos anos 20, trazendo alternativas às classes 
baixas, até então não oferecidas. 
 
A CONSTITUIÇÃO DO PARTIDO COMUNISTA 
BRASILEIRO 
 
 A influência da Revolução Russa de 1917 é 
inegável na sedimentação da ideologia comunista no 
Brasil. O primeiro Partido Comunista é fundado em 
1919, dissolvendo-se rapidamente. 
 
 A partir de 1920, os comunistas seguem um 
caminho independente dos anarquistas, sob 
influência da separação desses grupos no exterior, 
inclusive na Rússia. A divisão entre as duas tendências 
é fruto também da ausência de conquistas 
significativas do Anarquismo até 1920. 
 
 Os princípios comunistas fundamentais são 
opostos aos defendidos pelos anarquistas. São eles: a 
unidade sindical, o centralismo político, a exaltação 
do partido único para os trabalhadores e a rigidez da 
disciplina. 
 
 Com base nessas ideias é fundado o Partido 
Comunista Brasileiro (PCB), em março de 1922. Com a 
decretação do estado de sítio no Brasil, em julho, o 
partido é colocado na ilegalidade. Somente com o fim 
do estado de sítio, retorna, em janeiro de 1927, com 
o nome de Bloco Operário e Camponês (BOC), para 
concorrer às eleições. 
 
 Não se pode perder de vista, uma vez mais, a 
ação do aparato repressivo oficial. Exemplifica-se com 
 
46 
 
o surgimento da Lei Celerada, de 1927, que justifica a 
repressão a lideranças políticas e sindicais de 
oposição, ligadas aos operários. 
 
 A ação dos comunistas na década de 30 será 
analisada em unidade posterior, assim como suas 
implicações. 
 
 POLÍTICA 
 
OS GRUPOS DOMINANTES 
 
A Constituição de 1891 possui caráter 
federalista – satisfazendo as elites agrárias limitadas 
pelo unitarismo do Império. Além disso, prevê o voto 
direto. Esses aspectos favorecem os estados mais 
fortes economicamente, mais populosos e com mais 
eleitores - como Minas e São Paulo. 
 
Analise-se a seguir, o gráfico ao lado sobre a 
evolução do eleitorado/população no mesmo 
período. A grande discrepância população/ eleitorado 
deve-se, sobretudo, às restrições ao direito de voto a 
determinados segmentos do eleitorado, como 
mulheres e analfabetos. 
 
 
 
 A partir do quarto Presidente da República, 
Campos Sales (1898-1902), organiza-se um acordo 
político entre os estados federados e a União: é a 
Política dos Governadores, mediante a qual o 
presidente apoia a oligarquia dominante em cada 
estado, com favorecimentos “eleitoreiros” às suas 
elites (coronéis), que por sua vez garantem as 
eleições dos candidatos oficiais. 
 
A base de sustentação desse “arranjo” 
político é o Coronelismo, fenômeno político-social 
que expressa o poder dos coronéis e que se faz 
presente através de meios pouco “louváveis”: 
pressões sobre os eleitores, manobras dos cabos 
eleitorais e, sobretudo, fraudes eleitorais, facilitadas 
pela ausência do voto secreto e pelo controle da 
justiça eleitoral exercido apenas pela situação (os 
próprios coronéis) e não pela oposição. Como se 
percebe, são falhas contidas na Constituição em vigor 
e que favorecem as injustiças políticas. 
 
Para o Legislativo, que era controlado pelo 
Governo Federal, só eram “eleitos” os candidatos que 
se enquadrassem no esquema da política estadual 
dominante, para que houvesse o continuísmo da 
política oligárquica. O mecanismo utilizado para 
afastar a oposição foi a “degola”, isto é, mesmo 
eleitos, não eram empossados ou diplomados. Ora, o 
órgão responsável pela contagem dos votos – 
Comissão Verificadora dos Poderes (ou de 
Reconhecimento), cujos membros eram recrutados 
dentro do próprio Congresso, só reconhecia ou 
diplomava os deputados ligados aos interesses da 
elite agrária dominante. Assim, os candidatos da 
oposição eram “degolados”. 
 
A partir das eleições de 1914, outra tendência 
se faz notar na política nacional, decorrente da 
situação anterior: a alternância de mineiros e 
paulistas na presidência. É a Política do Café-com-
leite. 
 Em 1910, o Eixo MG-SP sofreu uma cisão 
provisória, quando MG (e RS) apoiou o candidato 
militar Marechal Hermes da Fonseca e SP (e BA) o 
candidato civil Rui Barbosa. Tal episódio é a Questão 
Civilista e marca a vitória do Mal. Hermes, fato que 
gerou conflitos e dissidências entre a oligarquia 
agrária. 
 
Para reagrupar em torno do poder essa 
oligarquia, Hermes da Fonseca instituiu a “Política das 
Salvações”, que consistia na substituição, nos Estados, 
da oligarquia dissidente pela oligarquia situacionista. 
O pretexto para as intervenções federais nos Estados 
foi o de “salvar a pureza das instituições 
republicanas”. 
 
Mesmo nas primeiras décadas da República, a 
estabilidade das oligarquias dominantes, embora não 
abalada, vem sendo questionada através de episódios 
esporádicos, mas significativos se tomados no 
conjunto. 
(Não se faz referência, aqui, à Questão Civilista, uma 
vez que essa é uma ruptura temporária entre as 
elites.) Tais episódios representam um 
questionamento das estruturas do poder pelas 
camadas populares. 
 
 
 
 
47 
 
 OS MOVIMENTOS DE CONTESTAÇÃO AO PODER 
 
O Cangaço, através de sua luta armada no 
nordeste, canaliza, de forma radical, as submissões 
políticas e a total miséria e abandono das populações 
de baixa renda. Os cangaceiros, cuja ação vem do 
princípio do século até os anos 30, utilizam a chacina, 
a destruição e os saques para expressar sua 
insatisfação, espalhando o terror por onde passam. 
 
Durante muitos anos, somente seus atos 
violentos são divulgados e a análise do Cangaço, feita 
superficialmente apenas, os aponta como criminosos 
comuns. Mas a partir de uma análise mais recente e 
profunda do fenômeno, sob a ótica das populações 
submissas e humildes,percebe-se um forte cunho 
político-social em suas ideias e atitudes. 
 
O bando de Lampião e Maria Bonita (1918 a 
1938) se torna o símbolo do Cangaço, que marca o 
nordeste da República Velha, chegando ainda aos 
primeiros anos da República Nova, época em que é 
destruído. 
 
A Revolta de Canudos, ocorrida no sertão da 
Bahia (1893/97) e a de Contestado, entre Santa 
Catarina e Paraná (1912/1915) são exemplos de lutas 
que, apesar de um fundo religioso (messiânico) têm 
enfoque para o social, voltando-se, por exemplo, para 
a distribuição de terras. 
 
“Canudos foi, sob a capa de misticismo religioso em 
torno de Antônio Conselheiro, fundamentalmente 
uma luta de classes - uma luta aguerrida contra o 
latifúndio, contra a miséria e a exploração terríveis 
que o monopólio da terra engendra e mantém 
secularmente no Brasil. (...) Canudos foi assim um dos 
momentos culminantes da luta de libertação dos 
pobres do campo. Sua resistência indomável mostra o 
formidável potencial revolucionário existente no 
âmago das populações sertanejas e a enorme 
importância do movimento camponês no Brasil, cuja 
população rural constitui, ainda hoje, a principal 
parcela das massas laboriosas do país. A epopeia de 
Canudos ficará em nossa história como um patrimônio 
das massas do campo e uma glória do movimento 
revolucionário pela sua libertação. ” 
FACÓ. RUI. CANGACEIROS E FANÁTICOS. PP. 123 E 
126. 
 O movimento de Canudos, sob a liderança do 
beato Antônio Conselheiro, mostra a insatisfação da 
população do sertão da Bahia diante de uma política 
opressiva, como a cobrança de impostos e exploração 
da mão-de-obra. Mostra também uma elite agrária 
que, diante da perda de mão-de-obra, usa da força 
como forma de coação. Todo o movimento começa a 
ser acompanhado pelas tropas municipais, regionais e 
federais, com o intuito de acabar com a aglomeração 
de aproximadamente 15.000 pessoas (alguns 
defendem que este número chegava entre 25 a 30 mil 
pessoas). Cria-se a ideia de que os conselheiristas 
queriam promover motins e acabar com a recente 
República, desejando o retorno da Monarquia. Ao fim 
de quatro expedições militares, Canudos foi 
completamente destruída e, como lembra Euclides da 
Cunha em “Os Sertões”: 
 
“Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a 
História, resistiu até o esgotamento completo. 
Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do 
termo, caiu no dia 5/10/1897, ao entardecer, quando 
caíram seus últimos defensores, que todos morreram. 
Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e 
uma criança, na frente dos quais rugiam 
raivosamente 5.000 soldados. ” 
 
 Contestado ocorre numa região limítrofe entre 
Paraná e Santa Catarina. A partir de 1911, a empresa 
norte-americana Brazil Rail Way Company expulse 
camponeses de terras valorizadas e os submete a um 
trabalho sub-humano para exploração de madeira, 
com a finalidade de construção de uma ferrovia 
ligando o Rio Grande do Sul a São Paulo. 
 
Sob as lideranças místicas de João Maria e 
José Maria, são organizadas resistências das 
populações locais. A morte de José Maria e a crença 
em sua ressurreição dão ao movimento as dimensões 
de religiosidade características do messianismo. Em 
1915, tropas estaduais e federais liquidam os 
rebeldes. 
 
No início do século, em 1904, deve-se 
mencionar a Revolta da Vacina (ou Revolta contra a 
Vacina Obrigatória) no Rio de Janeiro. O movimento, 
inicialmente um protesto diante da política sanitarista 
de Oswaldo Cruz, a serviço do governo do presidente 
Rodrigues Alves, se transforma numa violenta 
rebelião. 
 
A vacina contra a febre amarela é decretada 
obrigatória, as residências são invadidas para garantia 
do cumprimento da lei. Essa intromissão, bem 
explorada pelas lideranças do movimento, é associada 
às várias manobras políticas abusivas da época e 
considerada mais uma humilhação para as classes 
submissas. 
 
 
48 
 
A revolta, não tanto contra a vacina 
obrigatória, mas, sobretudo, contra o Governo, conta 
ainda com a adesão de militares descontentes, sendo, 
porém, dominada pelas tropas governamentais. 
 Outro movimento a ser mencionado é a Revolta 
da Chibata (ou Revolta contra a Chibata), em 1910, no 
Rio de Janeiro, que expressa o descontentamento de 
marinheiros (classe baixa) diante dos maus tratos a 
que vinham se submetendo, como o castigo de 
chibatadas. 
 
Novamente, sabe-se que as chibatadas 
representam apenas o estopim de um processo de 
descontentamento das classes baixas diante das elites 
e governos repressores. A luta armada conta com a 
liderança do marinheiro João Cândido (“Almirante 
Negro”) e a mobilização dos encouraçados “São 
Paulo” e “Minas Gerais” que ameaçam bombardear a 
capital federal. As promessas do governo aos 
revoltosos os fazem depor as armas, mas não são 
cumpridas na prática. É violenta a repressão aos 
revoltosos, com prisões e mortes. 
 
Mas é a partir da 1ª Guerra, com as 
transformações socioeconômicas no plano interno e a 
crise do sistema capitalista, que a estrutura política 
no Brasil começa a sofrer os maiores abalos. 
 
A oposição sistematizada e crescente à 
situação vigente surge somente nos anos vinte, 
quando nasce o Tenentismo, refletindo a insatisfação 
do Exército e da população urbana ligada à classe 
média, que não são absorvidos pelo contexto político 
nacional. 
 
“.... Com a insatisfação generalizada da jovem 
oficialidade militar em relação ao governo do 
presidente Artur Bernardes, eclodiram (...) vários 
movimentos rebeldes, unidos em torno de um ideal 
comum: basicamente, a necessidade do voto secreto, 
a moralização do regime e a limitação das atribuições 
do poder executivo. É o movimento tenentista...” 
“100 ANOS DE REPÚBLICA”. VOL. III. 1919-1930. SÃO 
PAULO, NOVA CULTURAL. 1989. PP. 33. 
 
 Tal movimento – que traduz a indignação 
diante do predomínio das oligarquias cafeeiras e suas 
manobras político-econômicas – nasce e se 
desenvolve a partir de fatores diversos, tais como: 
a) “Episódio dos 18 do Forte”, em 1922, quando 18 
tenentes se insurgem no Forte de Copacabana, são 
duramente reprimidos, e 16 deles são mortos. É o 
primeiro episódio de protesto radical contra a política 
da República Velha aos anos 20. 
 
b) “Semana da Arte Moderna”, em 1922, na cidade de 
São Paulo. Movimento cultural, artístico e literário, 
cujas obras desenvolvem uma temática nacional 
(libertação dos valores culturais europeizados), 
expondo os problemas e a miséria do sertão 
nordestino e da região amazônica, por exemplo, 
numa denúncia aos governos nacionais (dos coronéis) 
voltados apenas para os principais centros. Ao atacar 
a política nacional, contribui indiretamente para o 
crescimento do Tenentismo. 
c) “Episódio das Cartas Falsas”, atribuídas ao 
presidente Arthur Bernardes (1922 a 1926), onde 
constam ataques a determinados grupos de políticos, 
inclusive a certas alas do Exército, indispondo o 
presidente com tais grupos. 
d) Coluna Prestes (Coluna Fênix), de caráter militar, 
percorre 25 mil quilômetros em todo o país, de 1925 
a 1927, liderada por Luiz Carlos Prestes, denunciando 
os abusos existentes. 
Durante sua longa marcha, por diversas 
ocasiões defronta-se com as tropas dos coronéis (53 
no total), saindo vitoriosa em todas elas – o que 
justifica o apelido de “Coluna Invicta”. 
 
 
 
e) Crise de 1929, causando a ruína do mundo 
capitalista, em especial dos Estados Unidos, e a 
falência da cafeicultura nacional (os prejuízos 
financeiros decorrentes da crise impedem a compra 
do nosso café). O abalo do poder econômico dos 
coronéis do café desestabiliza seu poder político. 
 
 
49 
 
 O movimento tenentista se alastra, sobretudo, 
junto à classe média urbana e recebe em suas fileiras 
civis, militares, sindicalistas, socialistas, estudantes, 
profissionais liberais, etc., compondo um grupo 
heterogêneo, unido no combate às injustiças políticas 
da República Velha, mas sem uma ideologia definida 
de ação.Síntese dos movimentos de contestação à ordem 
vigente: 
 
 
 
 A REVOLUÇÃO DE 1930 – O COLAPSO DA REPÚBLICA 
OLIGÁRQUICA 
 
 O presidente do último quadriênio da República 
Velha, Washington Luís (1926-1930), apoiado por São 
Paulo, indica para sua sucessão o paulista Júlio 
Prestes. 
 
Esse rompimento da Política do Café-com-
leite pelos paulistas desagrada aos mineiros, que 
esperavam o lançamento da candidatura de Antônio 
Carlos de Andrade, então Governador de Minas, na 
chapa da situação, nas eleições de 1930. 
 
Minas Gerais, por isso, passa a apoiar o 
candidato oposicionista Getúlio Vargas, indicado pelo 
Rio Grande do Sul e pela Paraíba (Getúlio Vargas é 
gaúcho e seu vice, João Pessoa, paraibano). Os três 
Estados passam a constituir a Aliança Liberal. 
 
 Apurados os votos, o candidato paulista 
termina vencedor. Como as eleições são cercadas por 
um clima de grande tensão, inclusive com o 
assassinato de João Pessoa, a Aliança Liberal não 
aceita o resultado e se lança na Revolução de 1930, 
visando ao afastamento de Júlio Prestes. 
 
Assim, a Revolução de 30 determinou para o 
contexto histórico da época: 
 
- O impedimento da posse de Júlio Prestes; 
- A ascensão de Getúlio Vargas à Presidência; 
- A cisão definitiva do Eixo MG-SP; 
- A vitória do Tenentismo (pela vitória de seu 
candidato Vargas e pelo fim da Política do Café-com-
Leite 
– um de seus objetivos); 
- O fim da República Oligárquica, com o início da Era 
Vargas. 
 A vitória do Tenentismo não representa o fim 
do Coronelismo. Este vigora até os presentes dias, 
embora numa intensidade menor; e na própria Era 
Vargas, os coronéis – mesmo os de São Paulo – não 
são excluídos do poder político por controlarem o 
café, base da nossa economia. A hegemonia das 
oligarquias tradicionais será substituída pela sua 
convivência com outra facção no poder: a nascente 
burguesia industrial - urbana, com apoio das camadas 
médias e a participação das oligarquias dissidentes 
(de outros centros do país). 
 
REPÚBLICA NOVA - POPULISMO, MILITARISMO E 
DEMOCRACIA - O BRASIL DE 1930 AOS DIAS ATUAIS 
 
 
 A República Nova ou Segunda República 
compreende o Brasil de 1930 aos dias atuais. O 
período comporta uma subdivisão: a Era do 
Populismo, de 1930 a 1964, na qual destaca-se o 
Governo Vargas, de 1930 a 1945; a Era dos Militares, 
de 1964 a 1985 e a Nova República, de 1985 aos dias 
de hoje. 
 
Na República Nova, consolida-se a posição 
brasileira na ordem capitalista internacional, como 
nação em desenvolvimento, embora periférica. Há 
momentos de uma política econômica nacionalista, 
mas prevalece a dependência ao capital externo. 
 
 No plano político, o Estado alterna períodos de 
ditadura e golpismos com ensaios de democracia, 
está só consolidada recentemente ao longo da Nova 
República. 
 
 As desigualdades sociais persistem, 
representando um grave e permanente desafio. Essas 
disparidades são explicadas, em parte, pela excessiva 
concentração da renda e da terra – a questão 
fundiária, aliás, está longe de ser solucionada. 
 
 As manifestações culturais, ricas e diversificadas, 
refletem esse processo, ainda que, por vezes, 
obscurecidas pela censura, presente em vários 
momentos. 
 
 Embora com seus particularismos, a realidade do 
Brasil insere-se no contexto latino-americano, 
 
50 
 
sobretudo sul-americano, também marcado pelo 
domínio das oligarquias, pelo populismo, golpes 
militares e a retomada da democracia. 
 
 A recente abertura política é, sem dúvida, uma 
conquista, embora não acompanhada da democracia 
do capital, do poder e do social. 
 
 
REPÚBLICA POPULISTA–O BRASIL DE 1930 - 1964 
 
 O período do Populismo é tradicionalmente 
considerado como aquele que vai da Revolução de 
1930 ao Golpe de 1964, sendo que de 1930 a 1945 
observa-se o Governo de Vargas, o mais expressivo 
representante populista. 
 
O populismo pode ser entendido como um 
pacto entre segmentos diversos da sociedade, da 
burguesia ao proletariado, rurais e urbanos, rumo a 
um crescimento industrial do tipo nacionalista – 
ressalte-se que nem todos os presidentes do período 
identificam-se por esses traços. Em geral, os governos 
são marcados por figuras carismáticas, capazes de, 
simultaneamente, satisfazer aos anseios das elites 
dominantes e fazer concessões, não raro 
“eleitoreiras”, às camadas menos favorecidas, para 
angariar seu apoio, controlando-as. 
 
ERA VARGAS - 1930 - 1945 
 
Governo Provisório - 1930 a 1934 
 
 A ascensão de Getúlio Vargas à presidência não 
se dá pela via legal (é derrotado nas eleições de 
1930), e sim através da Revolução daquele ano. 
 
 Sua chegada ao poder determina uma fase de 
mudanças profundas em nossa História. Do ponto de 
vista político, assiste-se a uma nova composição de 
poder, conjugando tenentes que apoiam Vargas nas 
eleições e Revolução de 1930 e coronéis, mesmo os 
das tradicionais oligarquias de Minas e São Paulo, 
dominantes na República Velha, pois são estes os 
tradicionais “caciques” da política e os responsáveis 
pelo controle de nossa economia, sobretudo a 
cafeicultora. (Embora seriamente afetada pela Crise 
de 1929, é ainda a atividade dominante no país. Na 
Era Vargas, o Brasil conhece um grande surto 
industrial, mas sem perder a tradição agrário-
exportadora). 
 
 Esses coronéis recebem muito mais concessões 
que privilégios concretos – o que não invalida o 
raciocínio anterior da formação de nova estrutura 
política. Quanto às classes média e operária, seria 
exagero mencionar qualquer forma de poder para as 
mesmas, mas é inegável que concessões também são 
feitas, bem mais que em períodos anteriores. 
 
 Ao conjugar numa só estrutura de poder 
interesses de civis e militares, campo e cidade, café e 
indústria, Vargas demonstra sua notável habilidade e 
crescente poder político. Aliás, a centralização (que 
de 1937 a 1945 assume a declarada forma de 
ditadura) é uma expressiva característica política de 
seu governo. 
 
 
 
Dentre as realizações do Governo Provisório, 
destacam-se: 
 
1º - Nomeação de interventores para os Estados, o 
que fortalece o caráter autoritário e centralizador do 
Governo. 
2º - Reforma Ministerial, com a criação de dois novos 
ministérios: Educação e Saúde Pública e Trabalho, 
Indústria e Comércio. (Note-se a importância do 
Ministério do Trabalho: com ele, o Estado faz crescer 
os seus poderes, colocando-se como intermediário 
nas disputas entre patrões e empregados; além disso, 
os sindicatos são legalizados, mas colocados sob 
controle estatal). 
3º - Reforma Eleitoral, com a criação do voto secreto 
e voto feminino. 
 
 Em 1932, a oligarquia cafeeira de São Paulo 
insurge contra o Governo na Revolução 
Constitucionalista, na qual exige as prometidas 
eleições presidenciais e nova Constituição. A 
população paulista é fortemente reprimida, mas 
Vargas cede às pressões, em 1934, marcando eleições 
das quais sai vitorioso através de votação indireta do 
Congresso, para um novo mandato presidencial. 
 
Governo Constitucional - 1934 - 1937 
 
Medidas adotadas: 
 
• Constituição de 1934: 
- Promulgada. 
- Inspirada na Constituição da República Weimar 
(Alemanha), de tendência liberal. 
- Adoção de medidas trabalhistas de grandes 
simpatias junto à classe trabalhadora: jornada diária 
de trabalho de oito horas; férias anuais obrigatórias e 
 
51 
 
proposição do salário-mínimo, embora esse último só 
vá se efetivar em 1940. 
- Nacionalização das riquezas do solo e subsolo. 
 
• Oficialização de novos partidos: 
 
- Ação Integralista Brasileira (A.l.B.), liderada por 
Plínio Salgado, de tendência fascista e apoio a Vargas 
(o presidente inspira seu governo em Benito 
Mussolini, da Itália). O movimento integralista cresce 
rapidamente no país, sobretudo nos meios urbanos e 
junto à classe média e aos intelectuais e profissionais 
liberais. Apoia-se no nacionalismo, no militarismo, noEstado forte e corporativista, no antiliberalíssimo e no 
anticomunismo. 
 
Essa organização de extrema direita possui 
símbolos e rituais próprios: camisas verdes; saudação 
com o braço estendido e a mão espalmada; uso da 
letra grega sigma maiúscula (Σ) e o grito de saudação 
tupi-guarani “Anauê”. 
 
- Aliança Nacional Libertadora (A.N.L.), liderada por 
Luís Carlos Prestes, de tendência comunista, que, em 
1935, tenta, sem êxito, um golpe contra Vargas - é a 
Intentona Comunista. 
A A.N.L., partido de extrema esquerda, congrega em 
geral comunistas e socialistas, e sua tentativa de 
Golpe ocorre sobretudo em três cidades: Natal, Recife 
e Rio de Janeiro. Após o fracasso da Intentona, seus 
líderes são presos (inclusive Luís Carlos Prestes e sua 
mulher Olga Benário), julgados e quase todos 
condenados sumariamente por Vargas, recebendo 
severas penas. 
 
• Em 1937, Vargas divulga o Plano Cohen – nova 
tentativa comunista de destituí-lo do poder. Sob a 
alegação de preservar a Nação das investidas 
comunistas, cancela as eleições presidenciais de 1938 
e se mantém no poder com um governo 
declaradamente ditatorial. Sabe-se atualmente que, 
se os esquerdistas de fato tentam um golpe em 1935, 
não o fazem em 1937, sendo o Plano Cohen forjado 
por Vargas para justificar um Golpe de Estado, 
prolongar o seu mandato e impor uma ditadura à 
nação. 
 
O Golpe é apoiado por setores conservadores, 
como o Exército, representado pelos Generais Góis 
Monteiro e Eurico Gaspar Dutra, e o Plano Cohen é de 
autoria do Capitão Olímpio Mourão Filho. 
 
Governo Ditatorial (Estado Novo) - 1937 - 1945 
 
 A existência de um estado autoritário e 
corporativista é, segundo Vargas, uma necessidade 
face à presença de grupos dominantes heterogêneos. 
O estado, simultaneamente, chama para si a 
responsabilidade de “amarrar” os interesses 
conflitantes, arbitrando-os e resguardando as 
posições das elites, mediante participação controlada 
das camadas populares. 
 
Ocorrências do período: 
 
• Constituição de 1937: 
- Outorgada pelo presidente, após o fechamento do 
Congresso. 
- Influência da Constituição da Polônia (“Polaca”). 
- Pena-de-morte, instituída pela primeira vez no 
Brasil. 
- Censura (criação do D.I.P. - Departamento de 
Imprensa e Propaganda - órgão de censura 
governamental). 
- Ausência de vice-presidente. 
- Eliminação das bandeiras estaduais. 
- Ausência de partidos, inclusive a A.I.B., o que explica 
a 
Intentona Integralista de 1938 - golpe fracassado 
contra Vargas. A repressão ao movimento é mais 
branda que a praticada aos comunistas, explicada em 
parte pela simpatia de Vargas por alguns dos ideais 
dos “camisas-verdes”. 
 
- Consolidação das Leis do Trabalho (C.L.T.), de grande 
alcance junto à classe trabalhadora. 
• Desenvolvimento industrial devido à: 
- Política pessoal do presidente com a concessão de 
incentivos à atividade industrial. 
- Crise de 1929, que, prejudicando as exportações de 
café do país (o mundo capitalista, sem recursos, não 
mais importa o produto nacional), abre espaço para o 
crescimento da indústria como nova opção 
econômica. 
- 2ª Guerra Mundial (1939 a 1945), pelas razões 
expostas na unidade anterior a respeito da 1ª Guerra 
Mundial – a economia das grandes nações se fecha às 
exportações, dada a necessidade de abastecimento 
interno decorrente do conflito: assim, ocorre no país 
uma “substituição de importações” por produtos 
nacionais. 
 
 O desenvolvimento varguista possui um caráter 
nacionalista, exemplificado no grande número de 
empresas nacionais criadas no seu governo: Cia. 
Siderúrgica Nacional (C.S.N. - Volta Redonda), 
Instituto Brasileiro do Café (I.B.C.), Instituto do Açúcar 
e do Álcool (I.A.A.), Conselho Nacional do Petróleo 
 
52 
 
(base da futura PETROBRÁS, criada pelo presidente, 
em 1953), idealização da ELETROBRÁS (embora a 
mesma só tenha sido criada de fato no Governo João 
Goulart), dentre outras. 
• O Brasil e a participação na 2ª Guerra: 
 
 O Governo Getulista vive uma grande 
contradição quanto à sua participação no 2º Conflito 
Mundial: de um lado a simpatia pessoal do presidente 
pelos países do Eixo e o desenvolvimento de uma 
política de grande identificação com o fascismo, ao 
longo do Estado Novo; de outro lado, os fortes laços 
comerciais com os E.U.A., além da posição do 
continente americano favorável aos aliados 
(incluindo-se aí a opinião pública). 
 
 Assim, num primeiro instante, a posição 
governamental é de “distância e neutralidade”. 
 A partir de 1941, com o ataque japonês a Pearl 
Harbor, a presença dos E.U.A. no conflito é fator 
decisivo para que várias nações latino-americanas 
(Brasil inclusive) rompam relações com o Eixo, o que 
ocorre em janeiro de 1942. 
 
 A proximidade com os EUA fica caracterizada 
quando, em 1941, os EUA financiam para o Brasil 
parte da construção da Cia. Siderúrgica Nacional, em 
Volta Redonda (RJ), diante da possibilidade de os 
alemães assumirem tal financiamento. 
 
 Logo após a posição brasileira ser decretada, 
navios comerciais brasileiros são torpedeados por 
submarinos alemães (num episódio até hoje pouco 
esclarecido), o que leva o Brasil a declarar guerra ao 
Eixo, em agosto de 1942. 
 
 Somente em 1944, os contingentes da F.E.B. 
(Força Expedicionária Brasileira) desembarcam na 
Europa para os confrontos armados em território 
italiano. Até 1945, aproximadamente 25 mil 
brasileiros vão a combate, sob comando dos Generais 
Mascarenhas Morais e Zenóbio da Costa, obtendo um 
saldo de algumas vitórias que auxiliam a expulsão dos 
nazistas da Itália e um total de 454 baixas. 
• Razões da deposição de Vargas: 
 
1º - a política nacionalista do presidente, afetando os 
interesses estrangeiros do país. 
2º - a Segunda Guerra Mundial, que provoca, ao seu 
final, um abalo às ditaduras numa consequência das 
derrotas nazifascistas. Contra a ditadura varguista, 
aliás, é redigido, em 1943, o Manifesto dos Mineiros. 
 
 Diante das pressões internas e externas para sua 
renúncia, Vargas anuncia a redemocratização do país, 
com liberdade partidária (são criados vários novos 
partidos, dentre eles: PTB, PSD e UDN), convocação 
de uma Assembleia Nacional Constituinte, visando à 
substituição da Constituição de 1937 e marcação de 
eleições presidenciais. 
 O presidente se apoia em suas bases populares – 
reflexo de suas realizações trabalhistas – que lutam 
pela sua permanência. Do slogan “Queremos 
Getúlio”, nasce o movimento denominado 
Queremismo. 
 
 A redemocratização não se completa e o 
Queremismo não atinge seus principais objetivos: em 
outubro de 1945, Getúlio Vargas é deposto pelas 
forças armadas, encerrando seu longo período de 15 
anos de presidência. 
 
 O período pós-Vargas (1946 a 1964) que se 
segue em nossa História traz em seu bojo muito do 
‘’Getulismo” – os partidos que ajuda a criar, PTB e 
PSD, coligados, obtêm expressivas vitórias eleitorais e 
o mesmo Vargas retorna à presidência, de 1951 a 
1954. 
 
AGAMENON MAGALHÃES 
 
Agamenon Magalhães foi um dos mais habilidosos 
políticos da História de Pernambuco. Criador de frases 
que viraram clássicos entre os políticos (“ao diabo o 
poder que não pode” ou “em política o feio é 
perder”), ganhou projeção nacional ao lado do 
presidente Getúlio Vargas, de quem foi ministro duas 
vezes (trabalho e justiça). No Ministério do Trabalho, 
foi ele quem criou o salário-mínimo; quem elaborou o 
anteprojeto do decreto criando a Justiça do Trabalho; 
quem consolidou a instalação dos institutos de 
previdência e quem implantou a chamada Lei de 
Nacionalização do trabalho, obrigando que no mínimo 
dois terços dos trabalhadores das empresas fossem 
brasileiros de nascimento. 
 
Quando ocupou o Ministério da Justiça, 
Agamenon também teve uma atuação marcante. Foi 
o autor da Lei Eleitoral (que traria o País novamente 
ao regime democrático após o período de exceção 
instaurado em novembro de 1937) e redigiu a 
primeira LeiAntitrust do Brasil, o Decreto-Lei 7.666, 
sancionado por Getúlio a 22 de junho de 1945. A Lei 
dava poderes ao governo para expropriar 
organizações vinculadas aos trustes e cartéis cujos 
negócios lesassem os interesses nacionais e através 
dela foi criada a ainda hoje existente Comissão 
 
53 
 
Administrativa de Defesa Econômica (CADE). Depois 
que assinou o Decreto, Vargas não permaneceu mais 
cinco meses no poder, seria deposto a 29/10/1945. 
 
De Serra Talhada para o Brasil 
 
Filho do bacharel em Direito Sérgio Nunes de 
Magalhães e de Antônia Godoy Magalhães, 
Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães nasceu a 05 
de novembro de 1894, na cidade de Serra Talhada, 
sertão de Pernambuco, onde frequentou os primeiros 
anos de escola. 
 
De Serra Talhada, Agamenon saiu direto para 
o Seminário de Olinda, mas logo reconheceu não ter 
vocação para o clero e passou a estudar no Colégio 
Arquidiocesano, também em Olinda. 
 
Em 1912, ingressou na Faculdade de Direito 
do Recife, onde concluiu o curso de Ciências Políticas 
e Sociais na turma de 1916 e, em seguida, foi 
nomeado promotor público da comarca de São 
Lourenço da Mata. 
 
Redator do jornal recifense “A Província” e 
deputado estadual em 1922, pelo PSD, Agamenon 
Magalhães foi primeiro secretário da Assembleia 
Legislativa de Pernambuco durante todo o mandato. 
Em 1924, tornou-se professor de geografia da 
Congregação do Ginásio Pernambucano (depois 
Colégio Estadual de Pernambuco). 
 
Representante de Pernambuco na Assembleia 
Nacional Constituinte, eleita em 1932 para a 
elaboração da Constituição que sucederia a de 1891, 
Agamenon deixou o Ginásio Pernambucano e, em 
1934, tornou-se professor de Direito Constitucional 
na Faculdade de Direito do Recife, onde só chegou a 
dar uma aula: convidado por Getúlio Vargas, tornou-
se Ministro do Trabalho. 
 
Em novembro de 1937, Agamenon foi 
nomeado por Getúlio interventor federal em 
Pernambuco, cargo que deixaria em 1945 para tornar-
se Ministro da Justiça de Vargas. Em 1946, Agamenon 
voltou ao Congresso Nacional, como deputado 
constituinte, dali saindo para ser governador de 
Pernambuco, eleito pelo povo. 
 
Na madrugada de 24 de agosto de 1952, em pleno 
exercício do poder, Agamenon morreu, no Recife. 
 
Trabalhadores à sombra da indigência econômica 
 
Os jovens de hoje sabem perfeitamente o que 
significa cartel. Até porque, em várias ocasiões nestes 
últimos anos, a televisão mostrou que os donos de 
postos de gasolina costumam se utilizar dessa prática 
para aumentarem os seus lucros. O que a maioria dos 
nossos jovens talvez não saiba é quem foi o autor da 
primeira lei brasileira de combate aos trustes e 
cartéis. Isto porque, em que pese a importância desse 
político pernambucano para a História do Brasil, não é 
nenhuma novidade que, neste País, nós damos pouca 
importância a nossa memória. 
 
A lei que dava ao governo brasileiro suporte 
legal para impedir os abusos dos poderosos grupos 
econômicos foi criada em junho de 1945 e, na época, 
sofreu violenta pressão do capital estrangeiro, a 
ponto de provocar a queda de Getúlio. Hoje, os 
princípios dessa mesma lei que pretendia defender a 
economia nacional são difundidos através de cadeia 
de televisão, para tentar inibir a formação de cartéis 
que massacram o consumidor. Não seria uma prova 
de que Agamenon estava certo e tinha visão de 
futuro? Veja, abaixo, a exposição de motivos da lei, 
escrita por Agamenon. 
 
“Excelentíssimo senhor doutor Getúlio Dornelles 
Vargas, presidente dos Estados Unidos do Brasil, 
O surto do nosso progresso industrial e a 
situação criada pela guerra na sua faina paradoxal de 
tirar dos que não têm, exigem do governo medidas de 
proteção às atividades econômicas sadias. O acúmulo 
de riquezas, pela especulação e não pelo trabalho, é 
fator de desequilíbrio não só da ordem moral, mas 
também da ordem econômica. Essa riqueza de 
facilidades e aventuras, de supérfluo e luxo, vem 
desvirtuando e desumanizando a ação da máquina, 
cuja intervenção no campo econômico tem 
contribuído, as mais das vezes, para aumentar as 
dificuldades da vida social e piorar a condição das 
classes trabalhadoras. 
A concentração do poder econômico gerou o 
capitalismo financeiro. A paixão pelo lucro substituiu 
o senso da utilidade e do serviço. Os valores, em vez 
de servirem ao homem, passaram a contribuir para o 
seu aniquilamento. Os “trusts”, desorganizando a 
pequena indústria, colocaram as classes médias e as 
classes trabalhadoras à sombra da indigência 
econômica. 
 
Os “trusts” de casa e os de fora, em luta entre 
si, ou reunidos para a destruição dos mais fracos, 
fizeram desaparecer, entre nós, indústrias prósperas, 
como aconteceu, por exemplo, com as indústrias das 
linhas no Nordeste; com a do fósforo e das sedas; 
 
54 
 
com as empresas elétricas. Apareceram laboratórios 
que, para açambarcar mercados, dominaram redes de 
propaganda, não escolhendo processo, não parando 
nem mesmo nas barreiras da calúnia. 
 
Em seu magnífico discurso aos jornalistas, 
vossa excelência teve oportunidade de reafirmar a 
orientação do governo em defesa da economia 
nacional. E da ação sempre inspirada em princípios da 
justiça econômica e da justiça social, constitui salutar 
exemplo à política de proteção à açucaro-canavieira. 
 
Novas medidas se impõem. Lucros 
extraordinários provocados de nossos latifúndios. 
Acelera-se o êxodo dos campos em benefício das 
cidades, onde se levantam faustosos arranha-céus, 
com dinheiro arrancado, muitas vezes, da zona rural 
depauperada. E os latifúndios não vão formar-se nas 
zonas desertas. Não vão beneficiar as regiões áridas. 
Invadem centros mais populosos e prósperos. 
Desmantelam as pequenas propriedades criando para 
os trabalhadores uma situação moral e econômica 
inferior à dos escravos do tempo do império. 
 
Esses fenômenos constituem consequências 
fatais do exercício abusivo do poder econômico 
contra o qual se tem sistematicamente insurgido a 
opinião pública leiga ou técnica, conforme poderá 
verificar nos anais das conferências econômicas, 
ultimamente realizadas, e do pronunciamento 
unânime dos especialistas e estudiosos do assunto. 
 
Vale salientar, a este propósito, as conclusões votadas 
pelo I Congresso Brasileiro de Economia, reunido no 
Rio de Janeiro, em 1943, pela Conferência das 
Comissões de Desenvolvimento Interamericano, 
realizada no mesmo ano, recomendando aos 
governos providenciar no sentido de impedir a 
formação de “trusts” e outras formas de 
agrupamentos prejudiciais ao comércio e à 
população. 
 
Particularmente significativo é o fato de que 
economias bem mais sólidas do que a nossa já se têm 
valido de medidas legislativas de defesa contra os 
efeitos desastrosos do abuso do poder econômico, 
em todas as suas variadas formas. Os Estados Unidos 
vêm se aparelhando, desde 1890, para o combate a 
essas instituições de opressão econômica, através do 
seu Federal Anti-Trust Act (Lei Sherman), cujos 
resultados preceitos têm sido completados com 
diversas leis posteriores, tais como as leis de 1903 
(criação do Bureau of Corporation), 1913 (relativa ao 
Canal do Panamá), 1914 (Lei Clayton e Federal Trade 
Comission Act). 
 
A este respeito, poderiam ser alinhados ainda 
o Combines Investigation Act, de 1923, do Canadá; o 
Industries Preservation Act australiano, de 1910; o 
Board of Trade Act, da Nova Zelândia; a lei 
norueguesa de 12 de março de 1926, que deu ao 
assunto extenso tratamento, criando dois órgãos de 
execução, a saber, o Serviço de Controle e o Conselho 
de Controle; a lei de 1923, da Alemanha republicana e 
anterior ao nazismo, em virtude da qual os trusts e 
cartéis foram sujeitos a um regime de publicidade e 
registro e submetidos ao controle do Ministério da 
Economia e do Tribunal Econômico do Reich; a lei 
sueca de 1925. 
 
Outros países há que, não dispondo de uma 
legislação especial, de natureza econômica, sobre as 
coalizões nocivas ao interesse público, se limitam a 
dar ao assunto tratamento penal.Partindo do fato, unanimemente reconhecido 
de que nem todos os agrupamentos são contrários ao 
interesse público, de vez que os há inofensivos e, até 
mesmo, benéficos à economia nacional, as legislações 
existentes, via de regra, têm procurado caracterizar a 
nocividade das coalizões ou dos agrupamentos, com 
base na natureza ilícita, imoral ou prejudicial dos 
objetivos ou intenções que as uniram. 
Esse critério subjetivista criou as maiores 
dificuldades práticas, no momento da aplicação da lei 
e determinou oscilações e indecisões da 
jurisprudência, altamente perturbadoras dos intuitos 
dos legisladores, conforme o atesta a crítica unânime 
dos estudiosos do assunto. 
 
Ora, parece evidente que, sob o ponto de 
vista econômico, o aspecto lícito ou ilícito da intenção 
animadora dos ajustes ou coalizões é, muitas vezes, 
irrelevante. Neste particular o que importa, 
realmente, é a nocividade do resultado, ainda mesmo 
quando não desejado ou não previsto, no momento 
da celebração do ajuste. 
 
Por isso, o projeto que ora tenho a honra de 
submeter à apreciação de vossa excelência procurou 
afastar-se, no que tange à caracterização da 
nocividade das coalizões, dos critérios seguidos pelas 
leis similares estrangeiras, baseando as suas 
distinções na natureza dos efeitos alcançados por tais 
entendimentos. O projeto distingue os acordos, 
ajustes ou entendimentos lícitos (Art. 11), dos ilícitos 
(Arts. 1 e 5). 
 
55 
 
 
Todavia, como julgamento sobre a natureza 
lícita ou ilícita do ajuste se inclui entre as funções 
privativas do Executivo, porque decorre da política 
econômica por ele seguida, a validade dos 
entendimentos lícitos fica na dependência da 
aprovação do Poder Público. 
 
A distinção das atividades ilícitas, no campo 
econômico, em atos contrários ao interesse da 
economia nacional e atos nocivos ao interesse 
público, corresponde à necessidade de graduar a ação 
repressiva do Governo, a fim de torná-la mais 
enérgica naqueles casos em que o ato possa constituir 
ameaça à segurança das instituições ou à soberania 
do estado. 
 
A complexidade e a natureza altamente 
especializadas de questões relacionadas com a 
constituição e funcionamento desses agrupamentos 
torna imprescindível a criação de um órgão 
particularmente incumbido da fiscalização e controle 
desses agrupamentos. 
 
Daí a criação pelo projeto anexo, de um órgão 
especial, dotado da ampla autonomia de ação que lhe 
é indispensável para o perfeito cumprimento das suas 
atribuições. 
 
A colaboração do projeto que ora tenho a 
honra de submeter à apreciação de vossa excelência 
foi feita sob o estímulo das circunstâncias presentes 
da vida nacional e sob a inspiração das diretrizes 
políticas que têm norteado a ação de vossa 
excelência, no setor econômico e no intuito de pôr 
um enérgico paradeiro aos excessos e desatinos 
derivados do abuso do poder econômico, exercido de 
maneira despótica contra a população obreira do País 
e em detrimento dos mais legítimos interesses 
públicos. 
 
Aproveito a oportunidade para renovar a 
vossa excelência os protestos do meu mais profundo 
respeito. 
 
Agamenon Magalhães. 
 
REPUBLICA LIBERAL (POPULISMO) 1946 - 1964 
 
 Esse período de dezoito anos é considerado 
como o mais liberal e democrático da História do 
Brasil de até então, com a presença de eleições 
diretas, liberdade econômica e partidária, etc., 
embora tal afirmativa não deva ser considerada em 
sua totalidade: na maior parte do período, tem-se 
uma considerável dependência do capital externo, 
proíbe-se a atuação do Partido Comunista a partir de 
fins da década de 40 e ocorre, por vezes, a 
intervenção dos militares em associação com a 
burguesia externa na política vigente. 
 Apresentam-se, a seguir, as principais 
ocorrências de cada um dos governos dessa época. 
 
Eurico Gaspar Dutra 1946 - 1951 
 
- Após um curto período de governo de transição de 
José Linhares, presidente do Supremo Tribunal 
Federal, necessário para o transcurso do processo 
eleitoral, as eleições diretas levam à presidência o 
General Eurico Gaspar Dutra, do PSD. Sua eleição, 
entretanto, se deve ao apoio recebido pelo PTB. Aliás, 
a coligação PTB-PSD domina o cenário político da Era 
do Populismo, constituindo-se a UDN o principal foco 
oposicionista. 
 
 Os três partidos surgem ainda no final do 
governo de Vargas, em 1945. A coligação representa o 
próprio Varguismo, sendo o PSD oriundo de meios 
rurais e da elite governante do Estado Novo e o PTB 
uma aglutinação dos interesses dos trabalhadores, de 
caráter urbano. Já a UDN representa o principal 
partido contrário ao Estado Novo, com um programa 
de apelo ao liberalismo burguês, tradicionalmente 
urbano. 
- Promulgação da Constituição de 1946, que vigorará 
em todo o Período Populista e é considerada como a 
mais liberal de até então. Baseada nos princípios do 
Liberalismo e da Democracia, prevê eleições diretas e 
várias medidas bem diversas da política ditatorial do 
Estado Novo. 
- No campo econômico, observa-se a adoção de um 
Estado Liberal (não-interventor na economia) e a 
abertura ao capital externo (internacionalização da 
economia). Veem-se novamente, aí, dois aspectos 
distintos em relação à Era Vargas. 
- Metas básicas de governo definidas através do Plano 
SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia), 
primeira experiência de planejamento governamental 
realizada no país, embora com fracasso no 
cumprimento de suas diretrizes básicas. 
- A cassação do PCB (Partido Comunista Brasileiro) 
colocado na clandestinidade em 1947, demonstra que 
a democracia política do período possui restrições. Os 
deputados comunistas, a partir de 1948, também têm 
os seus mandatos cassados. 
- Demonstrando a forte dependência política e 
econômica em relação aos Estados Unidos, o Brasil 
rompe relações diplomáticas com a URSS, em 1947. 
 
56 
 
Ainda nesse contexto, em 1948, é criada a Escola 
Superior de Guerra (ESG), destinada a cuidar dos 
problemas da segurança nacional, de inspiração e 
orientação norte-americana. 
 
Getúlio Vargas 1951 - 1954 
 
- O ex-ditador retorna à presidência, desta vez pelo 
voto direto, com a arrasadora marca de 48,7% dos 
votos. 
Apoiado pelo seu partido, o PTB, obteve uma 
coligação com o PSP, do paulista Adhemar de Barros, 
importante para sua vitória. Demonstra, assim, uma 
inquestionável força pessoal, capaz de continuar 
sensibilizando, sobretudo, a classe trabalhadora. 
 
- A exemplo do seu governo anterior, de 1930 a 45, 
devolve ao Brasil o desenvolvimento apoiado no 
capital nacional. Justifica a afirmativa a criação do 
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico 
(BNDE) e da PETROBRÁS. 
- A política nacionalista desenvolvida gera a 
insatisfação da burguesia internacional, canalizada 
aqui pelo partido da UDN, muito apegada à inflação 
que se inicia no país e às lembranças do período da 
ditadura Varguista para fazer crescer a oposição. 
- Em razão da oposição crescente, Vargas se suicida 
(1954), deixando à nação uma carta-testamento, 
onde exalta seus feitos, procurando sensibilizar a 
população, o que de fato ocorre, uma vez que nas 
eleições presidenciais seguintes a coligação partidária 
que o apoia (PTB-PSD) obtém nova vitória, deixando a 
UDN uma vez mais na oposição. 
 
Governos Provisórios 1954 a 1956 
 
Com a morte de Getúlio, assume seu vice Café 
Filho. As novas eleições presidenciais marcam em 
1955 a vitória de Juscelino Kubitschek, apoiado pela 
coligação PTB-PSD, ligada a Vargas e ao seu ideal 
populista. 
 
As oposições, canalizadas sobre a UDN, 
tentam um golpe para impedir a posse de JK, sem 
resultados, pois a ordem legalista e democrática é 
garantida pelos militares nacionalistas, com destaque 
para o Marechal Lott. 
 
 Como Café Filho, vitimado por problemas de 
saúde, deixa o governo, este é ocupado pelo 
presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, 
acusado de participação na tentativa do golpe contra 
o presidente eleito e, por isso, deposto a seguir.Assume, finalmente, a presidência da 
República, encerrando o conturbado período de 
governos provisórios, o presidente do Senado Nereu 
Ramos, que dá posse, a seguir, a Juscelino. 
 
1956 a 1961 - Juscelino Kubitschek de Oliveira 
 
- Eleito pela coligação PTB-PSD. 
- Período de tranquilidade política apesar de dois 
pequenos levantes militares contra seu governo 
(Aragarças e Jacareacanga), logo debelados. 
- Plano de Metas anunciando um crescimento de “50 
anos em 5” e tendo como destaque um conjunto de 
medidas desenvolvimentistas, dentre as quais a 
construção de Brasília. 
- Desenvolvimento apoiado no capital externo, com o 
que já concorda significativa parcela de nossa própria 
burguesia. Cresce sobretudo o setor de bens de 
consumo, principalmente o automobilístico. 
- Significativas obras: hidrelétricas (como Furnas e 
Três Marias), rodovias (Belo Horizonte-Brasília, por 
exemplo), além de Brasília, inaugurada como capital 
em 21.04.1960. 
- O legado da Era JK é, entretanto, penoso: para o 
financiamento de suas obras, recorre ao 
endividamento externo e emissões elevadas, 
provocadores do crescimento inflacionário. Além 
disso, o salário-mínimo no país não acompanha a 
inflação, o que ocorre, aliás, desde o governo Vargas. 
- Rompimento com o Fundo Monetário Internacional 
(FMI), que condiciona novos empréstimos ao Brasil à 
adoção de uma política econômica de austeridade, 
com a contenção de salários de forma mais drástica, 
fim dos subsídios às importações e corte nos gastos 
públicos, com o que não concorda o governo. 
- O desgaste do período, à tona em seu final, 
possibilita à UDN, oposicionista, eleger seu único 
presidente nas eleições seguintes. A ele cabe também 
o duro legado de JK sobretudo na esfera econômica. 
 
Cumpre destacar aqui o papel crescente do 
sindicalismo urbano no país, reflexo da própria 
expansão da atividade industrial, gradativamente 
adquirindo feições próprias, não tão atreladas ao 
aparelho de Estado. Torna-se mais descentralizado, 
atingindo centros diferentes do Rio de Janeiro e São 
Paulo, além de incorporar trabalhadores das 
indústrias mais modernas. Do ponto de vista político, 
tende à unificação, a ponto de fazer surgir uma 
grande central sindical no início dos anos 60 – o 
Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). 
 
Ao mesmo tempo, os anos 50 e 60 são 
marcados pelo aparecimento de organizações 
 
57 
 
sindicais de trabalhadores rurais. As bases de suas 
reivindicações são a extensão da legislação trabalhista 
ao campo e a reforma agrária. Destaca-se o 
surgimento das Ligas Camponesas, em 1955, por 
Francisco Julião, advogado pernambucano. Típicas do 
Nordeste, embora presentes em todo o Brasil, 
congregam pequenos camponeses (fora dos 
sindicatos) e lutam pelo objetivo maior: a reforma 
agrária a partir da expropriação da terra, sem 
indenização. 
 
Jânio Quadros 1961 
 
 Eleito com o apoio da UDN e do PDC e com uma 
grande expressão popular, Jânio Quadros imprimiria 
aos seus sete meses de governo uma concepção 
política totalmente diferente aos quadros nacionais. 
O presidente primaria pela ambiguidade e 
personalismo excêntrico. 
 
Apesar da ambiguidade, durante sua 
presidência, destacaram-se propostas político-
econômicas: 
 
1 - No plano interno, a adoção de uma política de 
austeridade pessoal, simbolizada pela “vassoura”, 
destinada a varrer do país a corrupção e outros 
crimes. Acabou por vitimar renomados vultos da 
política nacional, como o ex-presidente JK e o seu 
vice, João Goulart, sendo este ligado ao PTB. Adotou 
também uma política de austeridade econômica, 
implantando a contenção salarial e o fim dos 
subsídios às importações (Instrução 204), sem 
conseguir, entretanto, deter a espiral inflacionária. 
 
2 - No plano externo, buscou uma política externa 
independente, diminuindo as relações com os EUA e 
procurando uma reaproximação com os países 
socialistas e com o Terceiro Mundo, o que 
desagradou ao governo americano. Uma 
demonstração clara da independência política foi a 
condecoração com a Ordem do Cruzeiro do Sul a 
Ernesto “Che” Guevara, um dos líderes da Revolução 
Cubana e Ministro das Relações Exteriores de Cuba, 
fato que propiciou aos conservadores acusar o 
presidente de “comunista”. 
 
Ao mesmo tempo que adotava uma política 
internacional independente, Jânio Quadros enviava 
ao Congresso um projeto de taxação dos lucros 
nacionais ou estrangeiros, de 30%, sendo que já 
existia uma taxação de 20% sobre as exportações. O 
objetivo era obrigar as empresas a reinvestir no país e 
evitar a concentração de capital e a remessa 
desordenada de lucros pelas multinacionais. 
 
Assim perde o apoio da burguesia nacional e 
internacional, além de diversos segmentos da 
sociedade vítimas do rigor de seu governo. Bastante 
pressionado, Jânio surpreende a nação com uma 
renúncia após sete meses de governo, em razão de 
“forças terríveis que se desencadeiam”. Jânio 
Quadros, na verdade, espera, com a renúncia, uma 
intensa manifestação nacional a favor de sua volta, o 
que não ocorre. A colocação do presidente “acima” 
de partidos e de segmentos sociais o deixa sem bases 
de sustentação e a renúncia não se reverte. 
 
João Goulart (“Jango”) 1961 - 1964 
 
Com a renúncia de Jânio Quadros, o seu vice 
João Goulart, do PTB, que se encontrava na China em 
missão diplomática, deveria ser empossado 
legalmente. 
Mas a ameaça do continuísmo do governo 
anterior leva diversos segmentos da sociedade, 
sobretudo a burguesia nacional e internacional, com o 
apoio das forças armadas, a não aceitarem o seu 
desembarque. A postura desses setores em não 
aceitar e tentar impedir a posse do presidente 
configurou, na realidade, uma tentativa golpista. 
 
Para combater a ameaça golpista e a 
inconstitucionalidade, formou-se a Rede da 
Legalidade constituída pela maioria da população e 
articulada pelo então governador do Rio Grande do 
Sul, Leonel Brizola, para que a Constituição fosse 
cumprida e Jango, como sucessor legal fosse 
empossado. 
 
Entre legalistas e golpistas, cria-se uma 
situação intermediária: o “Estado de Compromisso”, 
como alternativa à crise política. 
 
O “Estado de Compromisso” adotou no Brasil, 
entre 1961 e 1963, o Parlamentarismo, permitindo, 
assim, a posse de João Goulart, mas com poderes 
limitados pelo 1º Ministro (um deles, Tancredo 
Neves). Ficou decidido que, em 1963, através de um 
plebiscito, a população optaria pela continuidade ou 
não desse regime. 
 
O resultado do plebiscito, em 1963, refletiu o 
desejo popular pelo fim do Parlamentarismo (74% dos 
votos). Na verdade, as constantes intromissões de 
Jango nas questões a serem decididas pelo Gabinete 
Parlamentarista demonstravam a fragilidade do 
 
58 
 
sistema e retornou-se, assim, ao Presidencialismo 
(1963 a 1964). 
 
No seu curto tempo de governo, João Goulart 
tentou colocar em prática o Plano Trienal, elaborado 
por Celso Furtado, propondo: 
 
• combate à inflação, com manutenção do 
crescimento econômico; 
• contenção de lucros e salários; 
• continuidade da política externa independente. 
 
 O resultado foi uma violenta onda oposicionista 
desencadeada pelos setores médios urbanos, em 
função da perda do poder aquisitivo (a inflação 
atingia a casa dos 73%); pela burguesia, insatisfeita 
com as reformas de base; pelos militares, desejosos 
de assumirem o controle político da nação e pelos 
EUA, que forneceram apoio político, financeiro e 
militar para uma intervenção armada. No Brasil, a 
trama oposicionista foi articulada por empresários e 
militares do IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos 
Sociais). 
 
 Jango defende a radicalização da situação, via 
reformas de base, num programa nacionalista e 
reformista. Em 13 de março de 1964, Jango comanda 
um gigantesco comício das esquerdas pelas reformas, 
propondo a nacionalização das refinarias e a reforma 
agrária. 
 
 A consequência foi o Golpe Militar de 31 de 
março de 1964,contra o governo Goulart e a suposta 
“ameaça comunista”. 
 
 Apenas os governadores Leonel Brizola (RS) e 
Miguel Arraes (PE) apoiam o Governo Federal. O 
Golpe conta com a participação dos governadores 
Carlos Lacerda (RJ), Magalhães Pinto (MG) e Ademar 
de Barros (SP) e com a liderança militar dos generais 
Amauri Kruel e Olímpio Mourão Filho, comandando 
tropas que partem, respectivamente, de São Paulo e 
Minas Gerais. O presidente sem apoio popular e sem 
base de sustentação, exilou-se no Uruguai. Sua queda 
assinala o fim do populismo e o início da Era dos 
Militares no país. 
 
 
 
REPÚBLICA DOS MILITARES – O BRASIL DE 1964 - 
1985 
 
 Logo após o Golpe de 1964 que depõe o 
Governo João Goulart encerrando o modelo 
populista, inicia-se o regime militar. 
 
 A “República dos Militares” é caracterizada pelo 
trinômio autoritarismo político, miséria social e 
crescimento econômico dependente. Não deve ser 
compreendida de forma homogênea pois: a ditadura 
dos dois primeiros terços do período contrasta com a 
abertura, lenta e gradual a partir do final do Governo 
Geisel; além disso, o desenvolvimento econômico do 
“Milagre” (1968 a 1973), é antecedido e sucedido por 
graves anos de recessão. 
 
 A força do Executivo em todo o período pode 
ser exemplificada pela ausência de civis na 
presidência e uso abusivo do aparato repressor pelos 
governos federais, sempre escolhidos pela via 
indireta. 
 Com o final do Governo Figueiredo, em 1985, 
encerra-se a Era dos Militares, com o retorno dos civis 
à presidência (Tancredo/Sarney), ainda que 
escolhidos, uma vez mais, pelo colégio eleitoral de 
Brasília. 
 
Os presidentes militares são: 
• 1964 a 1967 - Humberto de Alencar Castello Branco 
• 1967 a 1969 - Arthur da Costa e Silva 
• 1969 a 1974 - Emílio Garrastazu Médici 
• 1974 a 1979 - Ernesto Geisel 
• 1979 a 1985 - João Batista de Oliveira Figueiredo 
 
 
Logo após o golpe, os ministros da área econômica 
estabeleceram os cinco primeiros pontos a serem 
atacados: 
 
“1 - Acelerar o ritmo de desenvolvimento do país. A 
economia nacional está parada desde 1962. É urgente 
retomar o desenvolvimento econômico. 
2 - Ainda neste ano de 1964, a inflação deverá ser 
colocada sob controle. 
3 - Os desníveis econômicos setoriais e regionais 
funcionaram como combustível da fogueira 
esquerdista que ardeu no tempo de Jango presidente. 
 
59 
 
Exige-se vultosa inversão de recursos para aplainar 
esses desníveis. 
4 - Estimular o mercado interno de bens de consumo 
duráveis. Como subproduto principal, esse estímulo 
contribuirá para gerar novos empregos. 
5 - Corrigir o descontrole da balança de pagamentos”. 
(100 ANOS DE REPÚBLICA. VOL. VII 1959-1964. SÃO 
PAULO, NOVA CULTURAL, 1989, PÁG. 54.) 
 
 Essa distorção, segundo o poder, “uma 
imprevista necessidade, para o curso dos anos 60 e 
70”, provoca cisões no interior das próprias Forças 
Armadas, além de toda uma decepção de diversos 
segmentos da sociedade que em 64 apoiam (ou não 
se manifestam contra) o Golpe, como a Igreja, as 
classes médias e setores da burguesia (outros setores 
dessa burguesia permanecem ligados aos militares 
mesmo com as distorções mencionadas – e, 
justamente, por causa delas). 
 
 POLÍTICA 
 
 A primeira medida política foi a promulgação do 
Ato Institucional nº 1 (1964), para deter a ação do 
Congresso, que se movimentava e articulava a eleição 
– pelo próprio Congresso – do novo presidente da 
República. Antecipando-se aos civis, os militares se 
auto outorgaram poderes políticos, esvaziando 
política e fisicamente o Congresso, através das 
cassações. Ampliaram o “poder revolucionário” ao 
estender a cassação de direitos a outros setores da 
sociedade, como no caso da extinção da CGT (Central 
Geral dos Trabalhadores), das Ligas Camponesas e da 
UNE (União Nacional dos Estudantes). 
 
 Ao AI nº 1, seguiram-se muitos outros 
documentos de mesma natureza política, como o (a): 
• AI nº 2 - Editado em 1965, permitia ao governo 
federal legislar em forma de Decretos-lei e extinguia 
os partidos políticos, permitindo apenas o 
bipartidarismo, com a ARENA e o MDB, além da 
eleição indireta para a presidência. 
• AI nº 3 - Editado em 1966, determinava eleições 
indiretas para governadores de Estados. 
• AI nº 5 - Editado em 1968, autorizava o recesso 
parlamentar nos planos federal, estadual e municipal; 
o direito a intervenções nos Estados, Municípios e 
Territórios; ampliava o direito às cassações políticas, 
além de suspender mandatos por dez anos; permitia a 
decretação do estado de sítio; o confisco de bens; 
eliminava o direito de habeas-corpus (aguardar 
processo em liberdade) para os acusados de crimes 
políticos. 
• Constituição de 1967, que, em síntese, confirmava 
os decretos-lei, isto é, conferia ao Executivo poderes 
ilimitados, “institucionalizando a ditadura”. 
• Lei da Imprensa e a Lei da Segurança Nacional, 
inspirada no modelo americano. 
• Emenda Constitucional nº 1, de 1969, outorgada 
pelos militares, fortalecia ainda mais o poder 
Executivo, em detrimento do Legislativo e do 
Judiciário. 
Na verdade, as causas do AI-5 são muitas 
 
 “O AI-5, que radicalizou o regime militar até as 
últimas consequências, foi na verdade uma resposta 
ao clima de agitação social que assolou o país em 
1968: a morte do estudante Edson Luís provocara 
uma onda de passeatas no Brasil inteiro; em Minas 
(Contagem) e São Paulo (Osasco), eclodiram duas 
greves operárias; populares atacaram com pedras o 
governador de São Paulo, na festa do 1º de Maio; os 
estudantes realizaram um congresso proibido da UNE 
e, no âmbito parlamentar, a oposição ensaiava uma 
atuação mais intensa, que culminou com o caso 
Moreira Alves. Enquanto isso, a “linha dura” das 
Forças Armadas insistia em que a ordem deveria ser 
estabelecida, pois o combate ao comunismo “em 
todas as suas formas” deveria ter prioridade sobre as 
aspirações democráticas. Entre essas forças 
conflitantes, o presidente Costa e Silva declarava que 
“as Forças Armadas constituem uma de nossas classes 
produtoras. 
Produzem aquilo que mais vale, pois é a base sem a 
qual nada se poderia fazer de útil, ordenado e 
permanente: a segurança nacional”. E foi o que 
prevaleceu: a segurança nacional tutelada pelas 
armas”. 
(100 ANOS DE REPÚBLICA. VOL. III - 1965/1973. S. 
PAULO, NOVA CULTURAL, 1989, PÁG. 29). 
 
Obs.: O caso Márcio Moreira Alves foi um discurso 
que o deputado do MDB (Rio) fez pregando à 
população sua não participação nas comemorações 
do 7 de setembro, em sinal de protesto à ditadura 
militar. O Congresso não concordou com o pedido de 
licença para processar o deputado. Sem respaldo legal 
para puni-lo, o governo federal edita então o AI-5. 
 
Em síntese, os governos militares caracterizavam-se, 
no plano político, por: 
 
• Fortalecimento ilimitado do Executivo; 
• Direito ao Executivo de legislar através dos 
Decretos-lei, em defesa da “segurança nacional”, 
 
60 
 
demonstração feita através dos Atos Institucionais 
(AIs) e Atos Complementares (ACs). 
• Completo esvaziamento do Legislativo, tornando-o, 
com raras exceções, comprometido com o regime, 
pelo terror ou pelos casuísmos; 
• Perda, por parte dos cidadãos, de seus direitos e 
garantias individuais ou coletivas; 
• Institucionalização da ditadura militar, com censura 
à Imprensa, impondo à nação o “silêncio” pela via do 
terror/censura/tortura. 
 
Paralelo entre os dois momentos distintos 
 
 
 
Considera-se 1978 como o início formal da 
abertura política no país porque nele encerra-se o 
período de vigência do Ato Institucional nº 5 (AI-5), 
após 10 anos, por decisão do então presidente 
Ernesto Geisel. 
 
 O processo de abertura, desde o início do 
governo Geisel, é marcado pela forma “lenta, gradual 
e segura”, por iniciativa e controle dos próprios 
militares. 
 
 A distensão do regime apresenta alguns 
retrocessos, o que demonstra o controle do processo 
pelo Executivomilitar. O Pacote de Abril de 1977 cria 
o Senador Biônico, ou seja, de cada três senadores 
por estado, um deles (o “Biônico”) é indicado pelo 
Governo Federal; limita a propaganda eleitoral 
através da Lei Falcão e amplia o mandato presidencial 
para seis anos, a partir do sucessor de Geisel. 
 
 Elementos de direita tentaram, durante a 
presidência Figueiredo, comprometer o processo de 
abertura política, ao incendiar bancas de revistas e ao 
praticar atentados terroristas como os das explosões 
de bombas, uma na OAB e outra na Câmara Municipal 
do RJ. 
 Em 1981, o “Caso Rio-Centro” (RJ) viria, mais 
uma vez, tentar criar animosidades entre a “transição 
democrática” e os militares. Um sargento e um 
capitão (Serviço Secreto do I Exército) estavam, ao 
que se sabe, prontos para explodirem bombas numa 
comemoração oposicionista pelo Dia do Trabalho. 
Entretanto, a bomba explodiu antes do esperado, 
matando o sargento e ferindo o capitão. Aberto o 
inquérito, julgou-se o atentado como sendo da 
esquerda. Posteriormente, a CPI foi arquivada. 
 A própria extinção do bipartidarismo é 
considerada pelas oposições como uma tentativa do 
governo de dividi-las, fragmentando-as em diversos 
partidos, o que, de fato, ocorre. Os situacionistas (ex- 
ARENA) permanecem fiéis ao governo, unidos no PDS. 
 Em 1984, já melhor articulada, a oposição, 
juntamente com o povo, saiu às ruas na “Campanha 
das Diretas-Já”, a favor da Emenda Dante de Oliveira, 
que, dada ainda a existência de mecanismos 
continuístas, frustrou a vontade popular na tentativa 
do voto direto para presidente em 1985. Dos 479 
votos totais, 298 votos foram a favor, 65 contra e 116 
membros do Congresso não compareceram. As 
Diretas-Já não foram aprovadas por uma diferença de 
apenas 22 votos. Restou, porém, a marca histórica de 
ter sido o maior movimento de mobilização popular 
de toda a história do Brasil. 
 
ECONOMIA 
 
Até 1967: “Depressão Econômica” 
 
• Progressiva concentração de renda nacional nas 
mãos de poucos privilegiados (situação está presente 
também ao longo dos anos 70,80 e 90); 
• Fim da substituição de importações, presente nos 
últimos governos populistas, cedendo espaço às 
crescentes importações; 
• Dependência do capital externo; 
• Elevação da dívida externa e da inflação; 
• Diminuição da capacidade de compra da população; 
• Medidas de ajuste econômico com o PAEG (Plano 
de Ação Econômica Governamental), de Castello 
Branco. 
 
1968 a 1973: “Milagre Econômico” 
 
• Substancial crescimento do PIB (Produto Interno 
Bruto), atingindo índices de 10% ao ano; 
• Crescimento, sobretudo, do setor de bens de 
consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos, 
por exemplo), voltados para a classe alta com a 
dependência do capital externo, bem como a remessa 
de lucros para o estrangeiro; 
• Restrição ao crescimento do setor de bens não 
duráveis (têxteis e alimentos), vinculados ao capital 
nacional; 
 
61 
 
• Expansão do setor de base (bens de produção), 
graças ao capital estatal (siderúrgicas, petroquímicas, 
hidroelétricas); 
• Participação da classe média no processo de 
consumo através dos instrumentos de crédito ao 
consumidor; 
• Inflação presente, mas controlada; 
• Queda do salário-mínimo real, mostrando a perda 
do poder aquisitivo dos trabalhadores; 
• Divulgação da imagem de “Brasil Grande”, através 
dos veículos de comunicação, com propagandas 
ufanistas 
(“Brasil: ame-o ou deixe-o”) exibindo as obras do 
período: Transamazônica, Embratel, Itaipu (primeiros 
contatos), Mobral, etc.; 
• Ampliação dos gastos públicos e da dívida externa; 
• Progressiva concentração de renda nas mãos das 
elites. 
 
Não se pode desvincular o crescimento econômico 
nacional realizado de acordo com as determinações 
do governo federal, do “Silêncio” político imposto pelo 
mesmo, sobretudo no período Médici (69 a 74), 
eliminando qualquer possibilidade de crítica à forma 
como se processa tal crescimento. 
 
 A estrutura do modelo político-econômico, 
defendido e aplicado pelos militares, pode ser 
resumida na expressão: 
 
MILITARES + CAPITAL ESTATAL + CAPITAL EXTERNO + 
TECNOCRATAS 
 
Pós-1973: “Novas Crises Econômicas” 
 
• As crises econômicas demonstram o esgotamento 
do “Milagre”; na verdade os gastos em suas obras 
tornam-se elevadíssimos, bem como a dependência 
externa, e questiona-se a concentração excessiva de 
renda e terras em contraste com a miséria social. 
• Crescimento da inflação e da dívida externa; 
• Empréstimos junto ao FMI, com a adoção de 
medidas recessivas impostas pelo mesmo, como o 
corte dos gastos com salários e obras públicas; 
• Crises do Petróleo, com o aumento dos preços do 
produto de forma intensa, em 1973 e 1979, forçando 
o governo a adotar uma nova política energética 
(Itaipu, Angra dos Reis, Proálcool) e, ao mesmo 
tempo, ampliar os gastos com importações. 
 
O fim do Milagre e a incapacidade de viabilizar novo 
crescimento econômico ajudam a colocar em xeque o 
próprio regime político, contribuindo para a já 
referida distensão, lenta e gradual, a partir de Geisel. 
1964 
 
O presidente da República João Goulart, que assumiu 
com a renúncia de Jânio Quadros (em 1961), 
planejava implantar as Reformas de Base. 
13 de março, Jango realiza um grande comício na 
Central do Brasil, no Rio de Janeiro, onde defende as 
Reformas de Base nas estruturas agrícolas, sociais e 
educacionais. 
19 de março - foi realizada a "Marcha da Família com 
Deus da Liberdade", que era composto por opositores 
de Jango que não concordavam com as Reformas de 
Base. 
31 de março, tropas de Minas Gerais e São Paulo 
saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa 
o país e se refugia no Uruguai. 
1º de abril, com a saída de Jango do país, os militares 
tomam o poder. Em Pernambuco, Miguel Arraes é 
preso pelo IV Exército por se negar a renunciar o 
cargo de governador. 
2 de abril - Marechal Castelo Branco é escolhido pela 
junta militar como presidente interino do Brasil. 
9 de abril - é decretado o Ato Institucional Número 1 
(AI-1), que tira a estabilidade dos funcionários 
públicos, cassa os direitos políticos dos opositores por 
dez anos e classifica como clandestinas as "legendas 
subversivas". 
11 de abril - General Marechal Castelo Branco é eleito 
como presidente da República. A votação aconteceu 
no Congresso Nacional com 361 votos à favor e 71 
abstenções. 
15 de abril - Marechal Castelo Branco é empossado 
presidente. O seu governo inicialmente tinha 
pretensões de terminar o mandato de Jango. 
13 de junho - Presidente Castelo Branco cria o 
Sistema Nacional de Informação (SNI), que tem o 
objetivo de investigar qualquer cidadão ou 
movimento que possa conspirar contra o governo 
militar. 
30 de novembro - Castelo Branco institui o "Estatuto 
da Terra" através da Lei Nº 4504. 
1965 
27 de março - Os presidentes Marechal Castelo 
Branco (Brasil) e Alfredo Stroessner (Paraguai) 
inauguram a Ponte da Amizade. 
25 de maio - Após 11 meses de prisão em Fernando 
de Noronha, Miguel Arraes é libertado e exilado na 
Argélia. 
No mês de julho os governadores Magalhães Pinto 
(Minas Gerais) e Carlos Lacerda (Rio de Janeiro) 
rompem com o presidente Castelo Branco. 
3 de outubro - são eleitos 11 governadores através do 
voto direto. Já a eleição para o Congresso é suspensa 
 
62 
 
por um ano pelo presidente Castelo Branco que 
prorroga o tempo do seu governo até 1967. 
27 de outubro - Instaurado o Ato Institucional 
Número Dois (AI-2), que dissolve o Congresso, 
extingue os 13 partidos. Os parlamentares têm que se 
dividir em dois blocos, a Aliança Renovadora Nacional 
(Arena), que representava a situação, e o Movimento 
Democrático Brasileiro (MDB), oposição. Também 
legitima as eleições indiretas, a cassação dos 
mandatos políticos de opositores, a intervenção 
federal no Legislativo e a perda dos direitos dos 
funcionários públicos. 
 
1966 
 
5 de fevereiro - O Ato Institucional Número Três (AI-3) 
é decretado. Oficializa as que eleições degovernadores e vice-governadores passam a ser 
indiretas. O AI-3 também confirma as eleições dos 
prefeitos das capitais e de outras cidades através da 
indicação realizada pelos governadores eleitos. 
5 de junho - O governador Adhermar Barros é 
afastado e cassado pelo presidente Castelo Branco 
com a acusação de corrupção. 
6 de junho - Apesar de exilado na União Soviética, o 
presidente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Luís 
Carlos Prestes, é condenado a 14 anos de prisão pelo 
crime de "subversão". 
22 de julho - Os ministros das Relações Exteriores do 
Brasil (Jurancy Magalhães) e do Paraguai (Sepena 
Pastor) assinam a "Ata Iguaçu", que determina os 
estudos para a construção da Usina Itaipu. 
25 de julho - Acontece no Recife o "Atentado do 
Aeroporto Internacional dos Guararapes". A ação 
tinha como alvo o presidente Marechal Castelo 
Branco. 
13 de setembro - O presidente Castelo Branco 
sanciona a lei que estabelece o Fundo de Garantia por 
Tempo de Serviço (FGTS) 
 
Costa e Silva 
1966 
 
3 de outubro - O Congresso elege com 294 votos o 
Marechal Costa e Silva, que iria substituir Castelo 
Branco no próximo ano. Durante a eleição indireta, o 
MDB não votou em protesto. 
15 de novembro - Ocorre as eleições dos membros do 
Congresso Nacional. Um terço <f><f>das vagas para 
deputado foi ocupada através do voto direto. 
19 de novembro - Carlos Lacerda e Juscelino 
Kubistchek emitem a "Carta de Lisboa", que visava 
criar a "Frente Ampla" contra o Regime Militar. 
7 de dezembro - É decretado o Ato Institucional 
Número Quatro (AI-4), que convocou o Congresso 
Nacional para revogar a Constituição de 1946 e 
garantir a promulgação da nova Constituição que 
seria votada em 1967. 
 
1967 
 
18 de janeiro - O Congresso rejeita a emenda que 
estabelece a eleição direta para presidente e vice-
presidente da República. 
24 de janeiro - É promulgada a Constituição de 1967. 
9 de fevereiro - Decretada a Lei de Imprensa, que 
restringe a liberdade de expressão dos meios de 
comunicação da época. A sua revogação aconteceu 
no dia 30 de abril de 2009 pelo Superior Tribunal 
Federal (STF). 
2 de março - O Conselho Pernambucano de Justiça da 
7ª Região Militar condena o ex-governador de 
Pernambuco Miguel Arraes a 23 anos de prisão pelo 
crime de subversão. 
13 de março - Promulgada a Lei de Segurança 
Nacional pelo presidente Castelo Branco. 
15 de março - Marechal Costa e Silva é empossado 
presidente sucedendo o Marechal Castelo Branco. 
15 de março - Entram em vigor a Lei Nacional de 
Segurança e a nova Constituição Brasileira. 
18 de julho - Morre o ex-presidente militar Marechal 
Castelo Branco em um acidente aéreo em Fortaleza. 
2 de agosto - Dos 133 parlamentares do MDB, 120 
deles se negam a participar da Frente Ampla. O 
principal motivo alegado seria que Lacerda daria um 
golpe para ficar com a Presidência. 
24 de setembro - Lacerda viaja para se encontrar com 
o ex-presidente João Goulart no Uruguai. O encontro 
com Jango irritou "a linha dura" que decidiu ficar 
contra Lacerda. 
Neste mesmo ano começa o período conhecido como 
"Milagre Econômico Brasileiro" que se estende até 
1973. 
 
1968 
 
28 de março - O estudante secundarista Edson Luís é 
morto com um tiro no peito durante a passeata 
relâmpago contra a alta do preço dos alimentos no 
Rio de Janeiro. 
29 de março - 50 mil pessoas protestam nas ruas do 
Rio de Janeiro contra a repressão exercida pela "linha 
dura" do governo militar. 
2 de abril, a UNE e movimentos ativistas organizam 
diversas manifestações em todo o país para relembrar 
a morte do estudante Edson Luís. 
 
63 
 
5 de abril, o movimento político denominado de 
"Frente Ampla" é proibida pelo ministro da Justiça, 
Luís Antônio Gama e Silva. 
6 de abril - Diversos comícios são realizados diante da 
"ilegalidade" da Frente Ampla. 
20 de abril - Atentado a bomba destrói a frente do 
jornal Estado de São Paulo. 
15 de maio - Bomba explode na entrada da Bolsa de 
Valores de São Paulo. 
12 de junho - Acontece o caso "Para-sar". O militar 
Carlos Ribeiro Miranda denuncia o brigadeiro Paulo 
Burnier que pretendia explodir bombas nas vias 
públicas do Rio de Janeiro para culpar os movimentos 
esquerdistas. 
26 de junho - Membros da Vanguarda Popular 
Revolucionária (VPR) lançam um carro-bomba contra 
o quartel-general do II Exército em São Paulo. Um 
sentinela morre e seis militares ficam feridos; 
26 de junho - Ocorre a Passeata dos Cem Mil, no Rio 
de Janeiro. Na ocasião houve confronto com a polícia 
e os estudantes. 
1° de julho - Membros do Comando de Libertação 
Nacional (Colina) assassinam a tiros o major do 
Exército alemão Edward Ernest Tito Maximillian von 
Westerhagen. 
2 de outubro - A Universidade de São Paulo (USP) é 
fechada por militares após o confronto entre 
estudantes de esquerda (da USP) e de direita (da 
Universidade Mackenzie). 
12 de outubro - Membros do Dops e do DOI-CODI 
prendem estudantes que participavam do XXX 
Congresso Nacional da UNE, em Ibiúna, São Paulo. 
21 de novembro - O presidente Costa e Silva emite o 
Decreto Nº 5536/68, conhecido como a "Lei da 
Censura"; 
22 de novembro - É criado o Conselho Superior de 
Censura. 
13 de dezembro - Editado o Ato Inconstitucional 
Número Cinco (AI-5), que se sobrepõe à Constituição 
de 1967, dando poderes extraordinários ao 
presidente da República e suspendendo diversas 
garantias constitucionais. O Congresso Nacional é 
fechado por quase um ano, cassa mandatos de 
políticos e institui a repressão. 
2 de dezembro - O Comando de Caça aos Comunistas 
(CCC) realiza um atentado à bomba no Teatro 
Opinião. Na época o Governo Militar culpou os 
próprios "subversivos" pela autoria do ataque. 
22 de dezembro - Gilberto Gil e Caetano Veloso são 
presos no Rio de Janeiro após protestarem contra a 
Ditadura. Em 1969, Chico Buarque se exilaria na Itália 
para fugir da repressão. 
 
1969 
 
16 de janeiro - Mário Covas e mais 42 deputados são 
presos sobre a alegação de pertencerem a 
movimentos comunistas. 
25 de janeiro - Carlos Lamarca, capitão do Exército, 
foge fortemente armado do Regimento de Infantaria 
do Rio de Janeiro e organiza uma guerrilha armada 
junto com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). 
1º de fevereiro - Editado o Ato Institucional Número 
Seis (AI-6), que tinha a função de reduzir de 16 para 
11, o número de ministros no Superior Tribunal 
Federal (STF). 
26 de fevereiro - Editado o Ato Institucional Número 
Sete (AI-7), que complementa o AI-6 suspendendo 
todas as eleições para novembro de 1970. 
2 de abril - Editado pelo presidente Costa e Silva o Ato 
Institucional Número Oito (AI-8), que tinha como base 
estabelecer reformas administrativas nos estados, o 
Distrito Federal e as cidades com mais de 200 mil 
habitantes. 
25 de abril - Editado o Ato Institucional Número Nove 
(AI-9), que estabelece as regras para a Reforma 
Agrária. 
16 de maio - O Ato Institucional Número Dez (AI-10) 
foi editado determinando a cassação, demissão e 
suspensão dos direitos políticos dos funcionários 
públicos que forem contra os Atos Institucionais. 
26 de maio - O padre Henrique, braço direito de dom 
Helder Câmara, é assassinado no Recife. 
1º de julho - O governador de São Paulo, Abreu Sodré 
cria a Operação Bandeirantes (Oban), que teria como 
objetivo caçar os comunistas no estado. 
18 de julho - Militantes da Vanguarda Armada 
Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) roubam US$ 
2,8 milhões (equivalentes hoje US$ 16,2 milhões) do 
ex-governador de São Paulo, Adhermar Barros. 
14 de agosto - O presidente Costa e Silva edita o Ato 
Institucional Número Onze (AI-11), que impôs um 
novo calendário eleitoral, cujo o pleito aconteceria no 
dia 15 de novembro; 
31 de agosto - Por conta de um derrame, Costa e Silva 
se afasta da Presidência, que substituído por uma 
Junta Militar. 
1º de setembro - Editado o Ato Institucional Número 
Doze (AI-12) que tem como objetivo oficializar o 
afastamento do presidente Costa e Silva e impedir 
que o seu vice, Pedro Aleixo, seja empossado na 
Presidência.4 de setembro - O Movimento Revolucionário 8 de 
Outubro (MR-8) sequestra o embaixador norte-
americano Charles Buck Elbrinck. Os militantes do 
MR-8 pediram a libertação de 15 prisioneiros 
políticos. 
 
64 
 
5 de setembro - O Ato Institucional Número Treze (AI-
13) é editado pela Junta Militar. Nele, os militares 
assumem definitivamente o governo Federal. 
7 de setembro - O governo militar liberta 15 
prisioneiros políticos em troca do embaixador norte-
americano Charles Buck Elbrinck. 
10 de setembro - Decretado o Ato Institucional 
Número Quatorze (AI-14), que estabelece a 
modificação do artigo 150 da Constituição de 1967. 
11 de setembro - Decretado o Ato Institucional 
Número Quinze (AI-15), que impôs as eleições 
municipais sobre intervenção do Estado Militar no dia 
15 de novembro de 1970. 
 
Garrastazu Médici 
1969 
 
7 de outubro - A Junta Militar é desfeita e anuncia o 
general Emílio Garrastazu Médici como candidato do 
regime à Presidência da República. 
8 de outubro - Militantes do Movimento 
Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) sequestram um 
avião da Cruzeiro do Sul que realizava a rota Rio-
Manaus. 43 passageiros e sete tripulantes foram 
levados para Cuba. 
15 de outubro - O Congresso Nacional é reaberto. Dez 
dias depois, são realizadas eleições indiretas e Médici 
é eleito presidente com 293 votos, sendo 75 
abstenções. 
30 de outubro - General Médici assume a Presidência 
da República. 
4 de novembro - Carlos Marighella, um dos 
fundadores da Ação Libertadora Nacional (ALN), é 
morto em uma emboscada. 
17 de dezembro, falece o general Costa e Silva. Ele já 
tinha sofrido um derrame cerebral meses antes e 
tinha sérios problemas de saúde. 
 
1970 
 
11 de março - O cônsul japonês Nobuo Okuchi é 
sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária 
(VPR). 
14 de março - O governo militar solta cinco presos 
políticos em troca da garantia da vida do cônsul 
japonês Nobuo Okuchi. 
15 de março - A Vanguarda Popular Revolucionária 
(VPR) liberta o cônsul japonês Nubuo Okuchi. 
1º de julho - Um avião da Cruzeiro do Sul com 34 
passageiros e sete tripulantes é sequestrado por 
quatro terroristas da Dissidência Estudantil de Niterói. 
11 de julho - O embaixador alemão Ehrenfried von 
Holleben é sequestrado no Rio de Janeiro por 
militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN) e da 
Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Por conta 
da mobilização internacional contra o sequestro, 40 
prisioneiros são liberados e seguem exilados para a 
Argélia. 
31 de julho - O cônsul brasileiro Aloísio Mares Dias 
Gomide é sequestrado por ativistas de esquerdas 
uruguaios. 
7 de setembro - O embaixador suíço Giovanni Bücher 
é sequestrado por membros da Vanguarda Popular 
Revolucionária (VPR). Em troca de sua vida, a VPR 
exige o congelamento dos preços por 90 dias, a 
liberação das roletas das estações de trem do Rio e a 
libertação de 70 presos políticos. 
 
1971 
 
13 de janeiro - Atendendo a pedidos dos militantes da 
Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), o governo 
militar libera 70 presos políticos. Estes foram exilados 
para o Chile. 
16 de janeiro - O embaixador suíço Giovanni Bücher é 
libertado pela manhã nas proximidades da Igreja da 
Penha, no Rio de Janeiro. 
5 de agosto - O governo militar deflagra a Operação 
Mesopotâmia, que aconteceu nos estados do 
Maranhão e Goiás e tinha como objetivo lutar contra 
as "guerrilhas subversivas" que ameaçavam o regime 
ditatorial. 
21 de agosto - 215 homens pertencentes ao DOI-
CODI, Policia Militar da Bahia e ao Exército deflagram 
a Operação Pajussara, que tem como objetivo caçar 
Carlos Lamarca no Sertão baiano. 
17 de setembro - Carlos Lamarca é assassinado pelas 
forças de repressão na cidade de Pintada, no interior 
da Bahia. 
 
1972 
 
12 de abril - A Vanguarda Armada Revolucionária 
Palmares (VAR-Palmares) começa a atacar postos 
militares na região do rio Araguaia. 
21 de abril - Deflagrada a Operação Papagaio, no Rio 
Araguaia, que teve a participação de 1.500 homens 
com o objetivo de acabar com a guerrilha. 
 
1973 
 
23 de abril - O presidente do Brasil (Emílio Médici) e 
do Paraguai (Alfredo Stroesser) assinam o "Tratado de 
Itaipu", que permite a construção da Usina 
Hidrelétrica de Itaipu, localizada no Rio Paraguai. 
7 de outubro - Deflagrada a Operação Marajoara, que 
aconteceu novamente no Araguaia, desta vez com 
400 homens disfarçados e fortemente armados. A 
 
65 
 
ação durou um ano e exterminou todos os militantes 
das guerrilhas. 
Ernesto Geisel 
 
1974 
 
15 de janeiro - Ernesto Geisel (Arena) vence as 
eleições internas disputadas contra o deputado 
Ulisseis Guimarães (MDB). 
15 de março - O general Emílio Geisel assume a 
Presidência do Brasil, com a missão de tentar "abrir" 
politicamente o Brasil. 
27 de maio - O general Sylvio Couto Coelho Frota 
assume o Ministério do Exército. Ele enfraquece a 
"linha dura" do regime com a intenção de conseguir 
se candidatar ao cargo de presidente e sucessor de 
Geisel. 
 
1975 
 
Em janeiro - Militares deflagram a Operação Limpeza, 
que tem como objetivo apagar qualquer registro dos 
rastros da batalha e dos corpos deixados para trás 
durante o confronto entre a guerrilha e os militares. 
24 de outubro - Os jornalistas Vladimir Herzog, 
George Benigno Duque Estrada e Rodolfo Konder são 
presos e torturados pelo DOI-CODI de São Paulo. 
25 de outubro - Herzog foi encontrado morto na cela 
do DOI-CODI. A entidade militar tenta simular uma 
tentativa de suicídio. 
 
1976 
 
19 de janeiro - por conta da repercussão sobre a 
morte do jornalista Vladimir Herzog, o comandante 
do II Exército Ednardo D'Ávila Mello foi exonerado 
pelo próprio presidente Ernesto Geisel. 
24 de junho - O Congresso Nacional aprova a Lei 
Falcão, que regula a propaganda eleitoral no rádio e 
na televisão. 
22 de agosto - O ex-presidente Juscelino Kubitschek 
morre em um acidente automobilístico na Rodovia 
Presidente Dutra, na cidade de Resende, no Rio de 
Janeiro. 
26 de outubro - Militares entram em conflito com 173 
posseiros no Pará. O caso ficou conhecido como "II 
Guerrilha do Araguaia" e durou até 1980. 
15 de novembro- Ocorrem as eleições para 
vereadores municipais. 
16 de novembro - Ocorre a chacina da Lapa, quando 
três dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCB) 
são assassinatos em tiroteio contra policiais políticos 
do DOI-CODI. 
 
1977 
 
1° de abril - O presidente Ernesto Geisel fecha o 
Congresso Nacional. 
13 de abril - O presidente Ernesto Geisel outorga o 
Pacote de Abril, que além de fechar o Congresso 
Nacional, reserva dois terços das vagas do Senado 
para as eleições de 1978. 
14 de abril - O presidente Ernesto Geisel reabre o 
Congresso Nacional. 
12 de outubro - Geisel exonera o general Fernando 
Belfort Bethlem do comando do Exército. O motivo do 
afastamento foi a descoberta de movimentações de 
Sylvio Frota para conseguir derrubar Geisel do poder. 
Movimentos estudantis ampliam manifestações 
pedindo a "Anistia" para todos os exilados políticos do 
Brasil. 
 
1978 
 
4 de agosto - O presidente Ernesto Geisel assina o 
decreto de lei que proíbe a greve nos setores de 
segurança nacional e serviços públicos do país. 
1º de setembro - São eleitos os primeiros senadores 
biônicos. Quase todos eram pertencentes à Aliança 
Renovadora Nacional (Arena). O único senador eleito 
pelo MDB foi Amaral Peixoto, do Rio de Janeiro. 
13 de outubro - O Ato Institucional Número Cinco (AI-
5) é extinto através da promulgação da emenda nº 11 
da Constituição de 1967. 
15 de outubro - São realizadas eleições indiretas para 
presidente do Brasil. 
João Figueiredo 
 
1978 
 
16 de outubro - A Arena elege o seu candidato, o 
general João Figueiredo, com 61% dos votos contra os 
39% do candidato do Movimento Democrático 
Brasileiro (MDB), o general Euler Bentes. 
27 de outubro - A Justiça responsabiliza a União pela 
morte do jornalista Vladimir Herzog, ocorrida nas 
dependências do DOI-CODI de São Paulo. 
 
1979 
 
15 de março - João Figueiredo assume a Presidênciada República como sucessor de Ernesto Geisel. 
Figueiredo segue com o conceito de 
redemocratização e abertura política do Brasil. 
28 de agosto - É promulgada a Lei da Anistia (ampla, 
geral e irrestrita), que concede anistia a todos que 
cometeram crimes políticos e eleitorais entre as datas 
de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979. 
 
66 
 
27 de novembro - O bipartidarismo é extinto. A 
Aliança Renovadora Nacional (Arena) é rebatizada 
com o nome de Partido Democrático Social (PDS). O 
Movimento Democrático Brasileiro (MDB) se 
fragmenta em Partido do Movimento Democrático 
Brasileiro (PMDB) e Partido Trabalhista Brasileiro 
(PTB). Brizola volta do exílio e oficializa a criação do 
Partido Democrático Trabalhista (PDT). 
 
1980 
 
10 de fevereiro - Dirigentes sindicais, esquerdistas e 
católicos ligados à Teologia da Libertação fundam o 
partido dos Trabalhadores (PT) durante seminário no 
Colégio Sion, em São Paulo. O PT fica na ilegalidade 
até 1983. 
27 de agosto - Uma carta-bomba é detonada no Rio 
de Janeiro. Tinha como alvo o vereador Antônio 
Carlos Carvalho que escapou ileso. 
28 de agosto - Carta-bomba explode, desta vez na 
sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O alvo 
do atentado seria o presidente da instituição, 
Eduardo Seabra Fagundes. 
6 de agosto - O general Golbery do Couto e Silva 
pediu demissão do Gabinete Civil da Presidência. Ele 
foi acusado pela imprensa como o principal 
articulador dos atentados. 
13 de novembro - O Congresso Nacional aprova por 
unanimidade a emenda constitucional que 
restabelece as eleições diretas para governadores nos 
estados. 
 
1981 
 
25 de fevereiro - Luís Inácio Lula da Silva e outros 
sindicalistas vinculados ao Partido dos Trabalhadores 
(PT) são condenados a três anos de prisão por 
incitamento à desordem coletiva. 
30 de abril - Ocorre o atentado do Riocentro, quando 
duas bombas explodem dentro de um carro durante a 
Festa do Trabalhador. O governo inicialmente culpa 
movimentos de esquerda pela ação. 
 
1982 
 
11 de fevereiro - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) 
concede registro definitivo ao Partido dos 
Trabalhadores (PT) por unanimidade de votos. 
22 de março - Os candidatos ao governo de São Paulo, 
Franco Montoro (PMDB) e Reinaldo Barros (PDS), 
realizam o primeiro debate em TV após a queda da Lei 
Falcão. 
22 de junho - Os padres franceses Aristides Camio e 
François Gouriou e posseiros de São Geraldo do 
Araguaia são condenados pela Lei de Segurança por 
não saírem das terras que eram utilizadas pelas 
antigas guerrilhas. 
15 de novembro - São realizadas eleições diretas para 
governadores, senadores, prefeitos, deputados 
federais e estaduais. 
13 de dezembro - São presos 91 membros do Partido 
Comunista Brasileiro (PCB) por participarem do 7º 
Congresso da própria legenda, em São Paulo. 
 
1983 
 
2 de março - Recém-empossado, o deputado federal 
Dante de Oliveira apresenta a Proposta Emenda 
Constitucional (PEC) Nº 5 que visa mudar a 
Constituição de 1967 e garantir o voto direto para 
presidente. 
22 de março - Tomam posse os 22 governadores 
eleitos diretamente após o Golpe de 1964. Em 
Pernambuco, Roberto Magalhães (PDS) assume o 
governo do estado junto com o seu vice, Gustavo 
Krause. 
31 de março - Ocorre a primeira manifestação da 
campanha Diretas Já, que pedia votos diretos para 
presidente. Ela foi organizada por membros do PMDB 
no município de Abreu e Lima, em Pernambuco. 
15 de junho - A segunda manifestação pelas Diretas Já 
foi realizada em Goiana. Cinco mil pessoas 
participaram do evento. 
26 de junho - Três mil pessoas se reúnem em 
manifestação de apoio a iniciativa das Diretas Já em 
Teresina, no Piauí. 
12 de agosto - Diversas cidades pernambucanas 
realizam comícios de apoio às Diretas Já pedindo a 
votação direta para presidente. 
26 de novembro - Dez governadores da oposição 
(nove do PMDB e um do PDT) exigem ao governo 
federal que restabeleça as eleições diretas para 
presidente da República. 
Diante das manifestações pelas Direta Já, o 
presidente João Figueiredo anuncia a inflação de 
239% e classifica os militantes do Direta Já como 
subversivos. 
7 de dezembro - Governadores do PMDB e o 
governador Leonel Brizola (PDT) declaram apoio ao 
oposicionista Tancredo Neves (PMDB). 
 
1984 
 
5 de janeiro - Militantes de partidos políticos realizam 
a 7º passeata pedindo voto direto para presidente 
através do movimento Diretas Já. A manifestação 
aconteceu na cidade de Olinda, Pernambuco. 
 
67 
 
20 de janeiro - A Pastoral da Terra, marxistas e 
camponeses realizam em Cascavel (PR), o 1º Encontro 
Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e 
fundam o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem 
Terra (MST). 
25 de janeiro - 300 mil pessoas de diversos segmentos 
da população saem na rua apoiando as Diretas Já. 
Sobre a liderança do governador Tancredo Neves, a 
população sofre pressão por meio da repressão 
política. 
27 de janeiro - 30 mil pessoas saem apoiando o 
movimento das Diretas Já nas ruas de Olinda, 
Pernambuco. 
17 de fevereiro - 17 mil pessoas realizam uma 
passeata na capital pernambucana apoiando a 
iniciativa das Diretas Já. 
24 de fevereiro - 400 mil pessoas participam da 
manifestação pelas Diretas Já em Belo Horizonte 
(MG). 
21 de março - 200 mil pessoas realizam a segunda 
passeata da Candelária à Cinelândia pedindo as 
Diretas Já. 
7 de abril - Em Petrolina, no Sertão pernambucano, 30 
mil pessoas participam de mais um comício pedindo 
eleições diretas. 
10 de abril - Em comício no Rio de Janeiro, a cantora 
Fafá de Belém consegue fazer com que o deputado 
Dante de Oliveira discurse durante o evento pelas 
Diretas Já para 1 milhão de pessoas. 
16 de abril - Acontece o último grande comício das 
Direitas Já no Vale do Anhagabaú, em São Paulo. O 
evento reuniu 1,5 milhão de pessoas que caminharam 
com ponto de partida na Praça da Sé. 
25 de abril - A emenda Dante de Oliveira é rejeitada 
pela Câmara Federal. Para a sua aprovação, seria 
preciso o voto de 320 deputados. Mas na prática, 298 
votaram a favor, 65 contra, 3 abstenções e 116 
ausências no plenário. 
12 de agosto - O PMDB realiza convenção e escolhe o 
governador Tancredo Neves e o senador José Sarney 
(PFL) para concorrer como presidente e vice-
presidente nas eleições indiretas de 1985. 
 
1985 
 
15 de janeiro - Tancredo Neves (PMDB) é eleito como 
o primeiro presidente civil do Brasil. A eleição foi 
indireta com 489 a favor e 180 contras. Tancredo teve 
como concorrente Paulo Maluf (PSD) que tinha o 
apoio de João Figueiredo. 
14 de março - O presidente eleito Tancredo Neves 
(PMDB) é internado no Pronto-Socorro do Hospital de 
Base em Brasília. 
15 de março - O vice-presidente José Sarney (PFL) 
toma posse na Presidência da República. 
21 de abril - Morre o presidente eleito Tancredo 
Neves (PMDB) no Instituto do Coração em São Paulo. 
No laudo oficial, Tancredo foi vítima de uma 
diverticulite. 
8 de maio - O Congresso Nacional aprova a Emenda 
Constitucional que estabelece as eleições diretas para 
presidente da República. 
 
LIGAS CAMPONESAS 
 
As Ligas Camponesas surgiram em 1946 e 
foram importantes defensores da reforma agrária no 
país antes da Ditadura Militar. 
O Partido Comunista do Brasil (PCB) iniciou 
um movimento rural ainda na vigência do regime 
autoritário de Getúlio Vargas, quando, no cenário 
internacional, ocorria a Segunda Guerra Mundial. 
Naquela ocasião o partido ainda existia legalmente e 
possuía articulação suficiente para criar Ligas 
Camponesas unindo trabalhadores rurais em várias 
cidades do Brasil. Assim, o PCB buscava aumentar seu 
número de eleitores e também revelar os interesses 
dessa classe de trabalhadores, podendo organização a 
luta por seus direitos. Mas, apesar da legalidade do 
partido, as ligas já sofriam com a repressão das 
autoridades. 
Com a queda do governo ditatorial de Getúlio Vargas 
e a eleição de Eurico Gaspar Dutra para presidente 
uma nova Constituição foi promulgada em 1946. 
Entre outras coisas, o Brasil alinhava-se com osEstados Unidos no contexto internacional da nascente 
Guerra Fria e se posicionava contra os socialistas da 
União Soviética. A nova postura do Estado colocou o 
PCB na ilegalidade. As Ligas Camponesas foram 
abafadas e só voltaram a agir em 1954 na cidade de 
Vitória de Santo Antão. Desta vez, os objetivos eram 
auxiliar os camponeses com despesas funerárias, 
prestar assistência e formar uma cooperativa de 
crédito. Essa liga em específico foi nomeada como 
Sociedade Agrícola e Pecuária de Plantadores de 
Pernambuco (SAPPP). Tão logo foi acusada de 
objetivos políticos socialistas, foi proibida de agir na 
região e atacada para ser dissolvida à força. Seus 
integrantes resistiram e encontraram apoio jurídico 
para institucionalizar a associação, atuando 
legalmente a partir de 1955. 
A SAPPP foi logo identificada como uma Liga 
Camponesa e, aos poucos, foi se espalhando pelo 
interior do estado de Pernambuco. Aumentava, 
assim, o coro pela reforma agrária. A ação da SAPPP 
conquistou muitos seguidores e militantes por todo o 
nordeste brasileiro, com direito a repercussão 
 
68 
 
nacional e internacional. O movimento foi 
rapidamente associado aos eventos que vinham 
ocorrendo na época em Cuba. 
 
As Ligas Camponesas foram importantes 
representantes dos interesses dos trabalhadores 
rurais, unindo grande parte deles e apresentando 
propostas para o futuro do país. Suas ideias 
reformistas, contudo, eram associadas ao temor 
socialista que os países opositores tinham na época. 
Na década de 1960 as tensões aumentaram no país e 
culminaram com o Golpe Militar de 1964. O novo 
regime promoveu intensa caça aos partidários ou 
simpatizantes dos movimentos identificados como de 
esquerda. Vários membros de Ligas Camponesas 
foram presos ou assassinados, juntamente com 
lideranças do PCB. 
 
1. HERANÇA AFRODESCENDENTE 
 
A forma de colonização do Brasil criou condições 
para um mundo mestiço e plural em suas 
significações. Encontramos uma sociedade marcada 
pela diversidade de expressões culturais, com gestos 
de espontaneidade e próprio da sociedade brasileira. 
Mas isso é o reflexo da formação do nosso país e dos 
caminhos trilhados pelos séculos passados resultantes 
dos intensos contatos, encontros e desencontros 
entre povos. 
Pode-se afirmar que a partir de 1500, o que hoje 
se entende como território brasileiro passou por 
intensas ressignificações, em função das condições 
impostas e das lutas, negociações, acomodações 
geradas no descobrimento do Brasil pelos europeus. 
A aproximação de índios, portugueses e africanos 
estabeleceu recortes que foram muito além da 
necessidade da mão de obra e das relações de 
trabalho (escravidão) ou econômica (comércio) e 
forçaram milhões de pessoas a recomeçarem suas 
respectivas vidas em meio a condições muitas vezes 
adversas ou distantes de suas antigas realidades 
sociais. Foi o caso dos escravos, sujeitos que, muito 
longe de terem sido submissos ou coniventes com sua 
situação, dispuseram-se em inúmeras revoltas que 
colocaram o Estado português em cheque, revelando 
formas de resistências violentas e abruptas. Mas elas 
também se desenvolveram a partir da manutenção de 
valores e símbolos próprios de sua cultura nativa do 
além do mar, ou seja, despejaram na América práticas 
culturais e rituais africanos que, embora 
caracterizassem a necessidade dos cativos em 
preservar certas tradições, na prática esses contatos 
provocaram a mistura com valores indígenas e 
europeus, criando uma sociedade plenamente 
mestiça em sua origem, processo intensificado com o 
aumento na quantidade de europeus e africanos 
deslocados ao Brasil. 
Pernambuco juntamente com a Bahia e o Rio de 
Janeiro foram as principais regiões no tráfico de 
escravo, circuito comercial que permitiu o encontro 
de culturas tão distintas, mas que se reinventaram 
diante de suas situações regionais. Nelas, é possível 
sentir o fervor de africanos em suas diferentes etnias, 
como o nome de ruas e lugares, os formatos de 
construções arquitetônicas, costumes locais através 
de gírias ou práticas medicinais. 
O reflexo desses encontros culturais é percebido 
com atividades que hoje os brasileiros compram para 
si em função de suas características peculiares, como 
o caso do carnaval e seus cortejos alegóricos. As 
irmandades negras, comidas, vestimentas, formas de 
falar, andar, a cor da pele, tudo isso é fruto de valores 
culturalmente construídos e reformados ao longo dos 
anos. O século XIX passou como um período 
problemático ao ambiente criado no Brasil, onde a 
miscigenação era algo negativo, sobretudo o contato 
e reprodução com o negro, denegrindo o ser humano 
a partir de concepções como cor de pele ou origem 
social. Essa forma de situar os seres humanos ainda 
hoje tem seus reflexos negativos, com o índice de 
pobreza concentrado nos negros, além de variadas 
formas de preconceito presentes em nossa sociedade. 
Porém, como já percebia Gilberto Freyre, a 
presença de africanos foi positiva para a originalidade 
do povo brasileiro, com suas formas de viver, 
companheirismo e apreciação da vida. Sem dúvida, a 
herança afrodescendente do Brasil precisa ser mais 
valorizada, não apenas pelos aspectos culturais e 
valores facilmente identificados no nosso cotidiano, 
mas, sobretudo, valorizar as lutas contra a 
discriminação racial e colocar os mestiços e negros na 
posição em que eles nunca deveriam ser retirados: 
formadores do Brasil. 
 
NOVA REPÚBLICA – O BRASIL DE 1985 AOS DIAS 
ATUAIS 
 
 Denomina-se Nova República ao período da 
História do Brasil de 1985 aos dias atuais, 
caracterizado pelo retorno dos civis à presidência da 
República, após 21 anos de governos militares. 
 
 Em 15 de janeiro de 1985, através de eleições 
indiretas, o candidato da Aliança Democrática, 
Tancredo Neves, derrota o candidato do PDS, Paulo 
Maluf. O resultado final no Colégio Eleitoral de 
Brasília, de 480 votos contra 180, expressa a realidade 
brasileira do momento: Tancredo congrega em torno 
 
69 
 
de si grande parte das oposições ao desgastado 
regime militar. 
 
Assim, a Nova República, marcada pela consolidação 
da ordem liberal-democrática nos anos seguintes, não 
se inicia com as eleições diretas, mas com o retorno 
dos civis à presidência. 
 
 Na véspera de sua posse, datada para 15 de 
março, Tancredo Neves adoece, vindo a falecer em 21 
de abril, sem assumir a presidência. O país, 
consternado e em luto, assiste ao vice José Sarney 
tornar-se, subitamente, de mero coadjuvante a 
presidente da República, sem possuir em seu passado 
político o comprometimento com as conquistas 
democráticas exigido para o momento pela maioria 
da sociedade. 
 As principais medidas e ocorrências da Nova 
República são vistas a seguir, divididas de acordo com 
os governos do período. 
 
 
 
 
APROFUNDAMENTO 
 
As pressões da direita militar e o combate à 
esquerda armada levaram à construção de uma 
máquina de repressão política feroz e serviram de 
pretexto para o endurecimento progressivo do regime 
autoritário inaugurado pelos golpistas em 1964 
 
Os militares chegaram ao poder sem saber 
direito o que fazer. Alcançado o objetivo principal, 
que era afastar João Goulart e seus amigos, a 
prioridade dos golpistas passou a ser promover uma 
limpeza nas instituições, para expurgar comunistas e 
outros adversários de quartéis e repartições públicas 
e do Congresso. 
 
Quem começou a dar ordens foi o general 
Arthur da Costa e Silva. Chefe de um departamento 
inexpressivo e sem tropas, ele se autonomeou 
comandante-em-chefe do Exército no dia 1º de abril e 
assumiu a frente do Comando Supremo da Revolução, 
que também incluía um representante da Marinha e 
um da Aeronáutica. A junta baixou um ato 
institucional que deu aos militares poderes 
excepcionais para perseguir seus inimigos e convocou 
o Congresso Nacional a se reunir em dois dias para 
eleger um novo presidente que concluísse o mandato 
de Jango. 
 
PODERES EXCEPCIONAIS 
 
Atos institucionaisderam aos governos 
militares poderes para perseguir opositores AI-1 9 de 
abril de 1964 Convocou o Congresso a se reunir em 
dois dias para escolher o presidente da República, em 
eleição indireta. Deu ao novo presidente, durante 60 
dias, poderes para cassar mandatos legislativos e 
suspender direitos políticos por dez anos. 
Durante seis meses, funcionários públicos e 
militares puderam ser demitidos, aposentados, 
reformados ou transferidos para a reserva por 
decreto, após investigação sumária. Nas duas 
primeiras semanas depois do golpe, a junta liderada 
por Costa e Silva cassou o mandato de 40 membros 
do Congresso Nacional, suspendendo seus direitos 
políticos por dez anos, e transferiu 146 militares para 
a reserva. Outras 87 pessoas tiveram direitos políticos 
suspensos nesses dias, incluindo Jango e o principal 
dirigente do PCB, Luís Carlos Prestes. O velho 
comunista encabeçou a primeira lista de punições, à 
frente do presidente deposto. 
 
O governador de Pernambuco, Miguel Arraes, 
principal aliado de Jango no Nordeste, foi deposto por 
tropas do Exército, que o levaram direto do palácio de 
governo para a prisão. Milhares de pessoas foram 
presas em todo o país, de acordo com as estimativas 
da época. No Recife, um veterano militante 
comunista, Gregório Bezerra, foi amarrado pelo 
pescoço, espancado por um coronel do Exército em 
praça pública e arrastado pelas ruas da cidade até a 
cadeia. 
 
Castello Branco, o oficial moderado que se 
juntara aos conspiradores semanas antes do golpe, 
logo se impôs como favorito para liderar a formação 
de um novo governo. Dono de grande prestígio nas 
Forças Armadas e fora dos quartéis, ele era visto 
como uma opção confiável, que garantiria uma rápida 
devolução do poder aos civis. Políticos que haviam 
incentivado o golpe, como Carlos Lacerda e o 
governador mineiro, Magalhães Pinto, chegaram 
rapidamente à conclusão de que esse era o caminho 
mais prudente a seguir. 
 
Castello foi eleito no Congresso no dia 11 de 
abril, com o apoio das principais lideranças políticas 
que haviam sobrevivido à primeira onda de cassações. 
O ex-presidente Juscelino Kubitschek, senador pelo 
PSD e favorito para as eleições presidenciais de 1965, 
votou a favor de Castello. O general se reunira com 
ele e outros caciques do PSD poucos dias antes, 
quando prometeu manter o calendário eleitoral e 
transmitir o cargo a quem vencesse as eleições. “Se 
 
70 
 
eu tivesse vetado seu nome, Castello não teria sido 
eleito”, afirmou Juscelino dez anos mais tarde, numa 
entrevista ao historiador americano John W. Foster 
Dulles. 
 
Para Castello, a legitimidade do novo regime 
dependia da manutenção de uma fachada 
democrática convincente, em que o Congresso e 
outras instituições continuassem funcionando. Mas 
muita gente continuava inquieta nos quartéis. 
Centenas de inquéritos foram abertos após o golpe, e 
os coronéis encarregados de conduzi-los achavam que 
o governo não se empenhava o suficiente para 
garantir que os inimigos do regime fossem punidos. 
Queriam que Castello fosse mais duro. 
 
O comportamento do presidente era 
ambíguo. Em junho de 1964, Castello cedeu à linha 
dura cassando o mandato de Juscelino, que logo se 
tornou alvo de um dos inquéritos. Em abril de 1965, 
após ficar um ano preso na ilha de Fernando de 
Noronha, o ex-governador Miguel Arraes conseguiu 
um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal para 
ser solto e embarcou para o exílio na Argélia. Os 
coronéis tentaram impedir sua libertação, mas 
Castello interveio para que a decisão fosse cumprida. 
 
PODERES EXCEPCIONAIS 
 
Atos institucionais deram aos governos militares 
poderes para perseguir opositores AI-2 27 de outubro 
de 1965 Instituiu as eleições indiretas para 
presidente, cancelando as eleições diretas previstas 
para 1966 Extinguiu os partidos políticos existentes, 
autorizando a criação de dois novos, Arena (Aliança 
Renovadora Nacional) e MDB (Movimento 
Democrático Brasileiro). Deu ao presidente o poder 
de fechar o Congresso, Assembleias Legislativas e 
Câmaras Municipais Restabeleceu temporariamente 
poderes para o presidente aplicar punições a 
funcionários, cassar mandatos parlamentares e 
suspender direitos políticos 
 
O resultado das eleições estaduais de 1965, 
em que os candidatos do governo foram derrotados 
na Guanabara e em Minas Gerais, aumentou as 
pressões da linha dura e levou Castello a promover 
uma guinada. Com o Ato Institucional nº 2, o general 
extinguiu os 13 partidos políticos existentes, cancelou 
as eleições diretas para presidente e abriu nova 
temporada de perseguições, restabelecendo os 
poderes que o primeiro ato institucional lhe dera em 
caráter temporário. 
 
Castello não só rompeu os compromissos que 
assumira depois do golpe como aproveitou o embalo 
para erguer alguns dos pilares que sustentaram a 
feição mais autoritária do regime nos anos seguintes, 
fazendo o Congresso aprovar em pouco tempo uma 
nova Constituição, a Lei de Imprensa e a Lei de 
Segurança Nacional. 
 
“VIVAMENTE APLAUDIDO” 
 
Veja como a eleição de Costa e Silva foi 
noticiada pelo governo na época 
Fonte: Arquivo Nacional 
 
O cancelamento das eleições presidenciais fez 
aliados de primeira hora se afastarem. Castello ainda 
despachava no Palácio do Planalto quando Lacerda 
começou a articular uma frente de oposição com seus 
dois antigos adversários, Juscelino e Jango. A iniciativa 
deu em nada, mas mostrou o tamanho do 
descontentamento que a guinada autoritária 
provocara. 
 
A linha dura colheu outra vitória logo depois, 
quando chegou a hora de escolher o sucessor de 
Castello e Costa e Silva, que se tornara seu ministro 
da Guerra, conseguiu impor seu nome. Castello 
morreu num acidente aéreo três meses após a posse 
do novo presidente. Muitas pessoas hoje olham com 
simpatia o período em que ele governou, ao compará-
lo com fases mais repressivas do regime militar. Mas 
no fim de seu mandato os resultados de seu governo 
eram considerados decepcionantes. 
 
GOVERNOS DE PERNAMBUCO (2001-2015) 
 
Jarbas de Andrade Vasconcelos, Partido do 
Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) Jarbas 
Vasconcelos 1º de janeiro de 2003 31 de março 
de 2006 Governador reeleito em 2002, 
renunciou para disputar mandato eletivo. 
 
Com Miguel Arraes de novo em evidência, as 
alianças políticas de Jarbas Vasconcelos se voltam 
para seus antigos adversários pefelistas, formando 
uma coligação partidária entre o PMDB e o PFL, 
chamada de "União por Pernambuco". A nova 
coligação o consultar sobre uma possível candidatura 
ao governo do estado em 1994, porém o mesmo 
decide permanecer no cargo de prefeito. Nessa 
eleição a "União por Pernambuco" lança o ex-
governador e deputado federal Gustavo Krause que 
disputou a eleição pelo PFL, que perde a eleição para 
o ex-governador e deputado federal Miguel Arraes. 
 
71 
 
 
Ciente quanto a necessidade de alterar os 
rumos do jogo político apoia a candidatura do 
também pefelista Roberto Magalhães à sua sucessão 
na prefeitura e assim mantém uma aliança com o 
então PFL (hoje DEM) nas eleições para o governo do 
estado tanto em 1998 (impedindo a reeleição de 
Arraes) quanto em 2002 (nesse ano chegou a ser 
cotado como candidato a vice-presidente na chapa de 
José Serra, convite do qual declinou). Disputa a 
reeleição em 2002 vencendo com mais de 60% dos 
votos. Após sete anos no comando do estado 
renunciou ao mandato em 31 de março de 2006 para 
disputar, com sucesso, uma cadeira no Senado 
Federal. 
 
Jarbas Vasconcelos passou o governo para 
Mendonça Filho que perdeu a reeleição para o então 
deputado federal Eduardo Campos no 2 turno. Esse 
fato, bem como a perda da Prefeitura do Recife após 
as eleições do ano 2000 e a reeleição de Luiz Inácio 
Lula da Silva em outubro de 2006, colocou o grupo 
político de Jarbas Vasconcelos na oposição aos 
dirigentes de Recife, do estado de Pernambuco e 
também em relação à Presidência da República. 
 
José Mendonça Bezerra Filho 
 
Democratas (DEM) 
Mendonça Filho31 de março de 2006 1º de janeiro de 2007 
Vice-governador, concluiu o mandato 
 
Entre os projetos criados na gestão Mendonça 
Filho estão o Universidade Democrática, que garantiu 
gratuitamente o acesso de jovens da rede pública 
estadual à Universidade de Pernambuco, o Jovem 
Campeão, com construção de quadras poliesportivas 
nas escolas da rede estadual e o Ação Integrada pela 
Segurança, para promover a juventude, estimular a 
cidadania e aumentar a segurança no Estado com um 
conjunto de ações de prevenção e repressão policial. 
Disputou a reeleição em 2006, vencendo o 1 turno 
com quase 40% dos votos, porém, perde o 2 turno 
com a união dos opositores. 
 
Eduardo Henrique Accioly Campos 
Partido Socialista Brasileiro (PSB) Eduardo Campos 
1º de janeiro de 2007 1º de janeiro de 2011 
Governador eleito 
 
Em 2006, lançou-se candidato ao governo do 
estado de Pernambuco, tendo como coordenadores o 
ex-deputado estadual José Marcos de Lima, também 
ex-prefeito de São José do Egito. Também contou 
com o apoio de importantes lideranças do interior do 
estado, como o deputado federal Inocêncio Oliveira e 
o então prefeito de Petrolina, Fernando Bezerra 
Coelho. 
 
O primeiro turno apresentou um fato curioso: 
o presidente Lula manifestou apoio para dois 
candidatos à sucessão estadual: Eduardo Campos, do 
PSB, e Humberto Costa, do PT. Tal posicionamento foi 
encarado pelos críticos políticos como uma estratégia 
dos partidos de esquerda do estado para quebrar a 
hegemonia do ex-governador Jarbas Vasconcelos 
(PMDB), que apoiava a reeleição de Mendonça Filho 
PFL, governador que assumiu o poder após Jarbas 
renunciar em abril de 2006, para disputar uma vaga 
de senador, visando a levar as eleições estaduais para 
o segundo turno. 
 
Lula e Hugo Chávez visitam o canteiro de 
obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, 
acompanhados do governador Eduardo Campos. 
Eduardo Campos iniciou a campanha eleitoral, de 
acordo com as pesquisas eleitorais, na terceira 
colocação. Mas a coligação que apoiava Mendonça 
Filho utilizou extensivamente denúncias de corrupção 
que pesavam sob o candidato Humberto Costa 
quando ocupou o cargo de Ministro da Saúde, no 
governo Lula. 
 
Os aliados de Mendonça Filho e Jarbas 
Vasconcelos acreditavam que os votos dos potenciais 
eleitores de Humberto poderiam migrar naturalmente 
para Mendonça. Afirmavam que, mesmo as eleições 
sendo levadas para um segundo turno, o candidato 
Eduardo Campos seria um alvo mais fácil para ser 
atacado na campanha por causa do seu envolvimento, 
como secretário da Fazenda, nas operações dos 
precatórios no último governo de Miguel Arraes, 
porém ele e o governo do avô foram inocentados 
sobre o caso na justiça, em última instância. 
 
Humberto Costa, que saiu da campanha do 
primeiro turno na terceira colocação, manifestou de 
imediato apoio a Eduardo Campos. O candidato do 
PSB conseguiu aglutinar em seu palanque quase todas 
as forças sociais e partidos opositores a Mendonça 
Filho e Jarbas Vasconcelos. O governador candidato à 
reeleição, Mendonça Filho, não conseguiu se eleger e 
Eduardo Campos foi eleito com mais de 60% dos 
votos válidos para governador no segundo turno. 
 
Reeleição 
 
 
72 
 
Com o governo bem avaliado e a 
popularidade em alta, Eduardo Campos concorreu à 
reeleição em 2010. Assim como em 2007, contou com 
o apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 
Campos foi reeleito, desta vez como o governador 
mais bem votado do Brasil: mais de 80% dos votos 
válidos no primeiro turno, derrotando o senador 
Jarbas Vasconcelos. 
 
A gestão de Eduardo Campos 
 
Eduardo Campos ocupou o Governo de 
Pernambuco durante sete anos (2007–2014). Na 
primeira gestão, destacam-se projetos e obras 
estruturadoras do governo Federal como a ferrovia 
Transnordestina, a Refinaria de Petróleo Abreu e 
Lima, a fábrica de hemoderivados Hemobrás e a 
recuperação da BR-101. 
 
Eduardo durante o lançamento do Forma SUS. 
 
O socialista colocou as contas públicas na 
internet com o Portal da Transparência do Estado, 
considerado pela ONG Transparência Brasil o segundo 
melhor do país, entre os vinte e seis estados da 
federação e o Distrito Federal. O estado de 
Pernambuco cresceu acima da média nacional (3,5% 
em 2009) e os investimentos foram de mais de R$ 2,4 
bilhões em 2009, contra média histórica de R$ 600 
milhões/ano. A administração foi premiada pelo 
Movimento Brasil Competitivo. 
 
Na segurança pública, houve redução dos 
índices de violência com a implantação do programa 
Pacto pela Vida. O número de homicídios no estado 
sofreu uma queda 39,10% desde o início do 
programa. Além disso, 88 municípios pernambucanos 
chegaram a uma taxa de Crimes Violentos Letais 
Intencionais (CVLI) menor que a média nacional, que 
é de 27,1 por 100 mil habitantes. A redução também 
ocorreu com crimes como roubos e furtos. Entre 2007 
e 2013, houve uma diminuição de 30,3% neste tipo de 
delito no estado. 
 
Esse prêmio é um reconhecimento muito 
especial, porque é o maior prêmio de gestão pública 
do mundo. Vamos recebê-lo com muita alegria em 
nome de tantos, que no anonimato, diariamente nos 
ajudam no Pacto Pela Vida. Estamos no caminho certo 
para transformar Pernambuco no lugar mais seguro 
do País 
—Sobre o prêmio conquistado pelo Pacto pela Vida 
Em 2013, Eduardo anunciou o rompimento com o 
governo Dilma, saindo da base aliada junto com seus 
correligionários, orientando-os a entregarem os 
cargos de confiança nos vários escalões. 
 
Entre os motivos do rompimento, Campos 
apontou a manutenção da aliança do governo Dilma 
com setores políticos tradicionais, entre os quais, com 
o PMDB. Aproximou-se de Marina Silva e a acolheu, 
com seus aliados, no PSB, chamando o novo 
movimento de "Nova Política". Este rompimento 
provocou uma rachadura entre a PSB e os aliados à 
presidente Dilma Rousseff do PSB do Ceará, com seu 
líder Ciro Gomes. 
 
Saúde 
 
Eduardo discursa na inauguração do bloco 
anexo do Hospital do Câncer de Pernambuco. 
Foram construídos três novos hospitais na Região 
Metropolitana do Recife (RMR) e 14 Unidades de 
Pronto Atendimento (UPAs), além da expansão do 
número de leitos de UTI e UCI. Entre 2006 e 2013, 
Pernambuco se firmou como o estado nordestino 
com o maior ganho de anos na expectativa de vida 
(3,72 anos), superando a média da região. Houve 
também redução de 9,6% na taxa de mortalidade por 
causas evitáveis. Em 2011, Pernambuco alcançou a 
média nacional em relação à mortalidade infantil, 
reduzindo em 47,5% o seu coeficiente. 
 
Educação 
 
Entre 2007 e 2011, Pernambuco registrou um 
crescimento de 14,8% no Índice de Desenvolvimento 
da Educação Básica – IDEB. O número é mais de duas 
vezes superior à média nacional de 6,2%. Os alunos 
das escolas técnicas pernambucanas apresentaram 
um desempenho médio 47% superior em relação aos 
estudantes de outras partes do Brasil, como São Paulo 
e Santa Catarina, segundo o Instituto Nacional de 
Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). 
 
Pernambuco tem hoje a maior rede de escolas 
de referência do Brasil, com 260 unidades. De acordo 
com pesquisa do INEP, somente em 2012 mais de 85 
mil alunos foram matriculados – o que corresponde a 
10 vezes mais que a média nacional de 8 509. Em 
2013, foram 163 mil alunos matriculados. A educação 
profissional foi ampliada e atualmente 26 escolas 
técnicas estão em funcionamento no estado. O 
Programa Ganhe o Mundo levou mais de 2 270 alunos 
para intercâmbio em países como Estados Unidos, 
Canadá, Nova Zelândia, Chile, Argentina e Espanha. 
 
Emprego 
 
73 
 
 
Entre 2007 e 2013, foram gerados 560 mil 
empregos formais, sendo 150 mil apenas no interior 
do estado – o que representa uma expansão de 48% 
no mercado formal de Pernambuco. O governo 
também atraiu mais de R$ 78 bilhões de 
investimentos privados. Empresas como Sadia (Vitória 
de Santo Antão), Perdigão (Bom Conselho), Novartis 
(Goiana), Kraft Foods (Vitória de Santo Antão) e Fiat 
Chrysler (Goiana) se instalaram no estado. 
 
Eleiçãopresidencial em 2014 
 
Ver artigo principal: Eleição presidencial no Brasil em 
2014 
 
Campos e Marina Silva, em 2013. 
 
Nota oficial de pêsames da morte de Campos, emitida 
pelo Governo do Piauí. 
Oficialmente confirmada como pré-candidata 
à reeleição, Dilma Rousseff teve inicialmente entre 
seus principais adversários Eduardo Campos e o 
senador do PSDB por Minas Gerais, Aécio Neves. 
 
Aécio Neves depois confirmou a sua 
candidatura pelo PSDB, tendo como vice o senador 
Aloysio Nunes (PSDB-SP). 
 
Em outubro de 2013, o então governador 
Eduardo Campos anunciou a aliança programática 
com a Rede Sustentabilidade, liderada por Marina 
Silva, cujo pedido de registro do novo partido havia 
sido negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A 
aliança foi formalizada em 4 de fevereiro de 2014, no 
evento que lançou as bases para elaboração do 
programa de governo do PSB-Rede. Na mesma data, o 
Partido Popular Socialista (PPS), através do deputado 
federal Roberto Freire, formalizou a entrada do 
partido na aliança. 
 
As diretrizes para elaboração do programa de 
governo foram: 
 
Estado e democracia de alta densidade; 
Economia para o desenvolvimento sustentável; 
Educação, cultura e inovação; 
Políticas sociais e qualidade de vida e 
Novo urbanismo e o pacto pela vida. 
 
Eduardo Campos anunciou, em 14 de abril de 
2014, em um evento realizado em Brasília, a pré-
candidatura à Presidência do Brasil, tendo como vice 
a líder da Rede Sustentabilidade, Marina Silva. Após a 
morte de Eduardo Campos, Marina Silva assumiu a 
candidatura à presidência em seu lugar e Beto 
Albuquerque foi apontado como seu vice. 
 
João Soares Lyra Neto 
Partido Socialista Brasileiro (PSB) 
João Soares Lyra Neto 
3 de abril de 2014 
1º de janeiro de 2015 Vice-governador, concluiu o 
mandato 
 
Sua trajetória política teve início em 1988, 
quando, seguindo os passos do pai, João Lyra Filho, foi 
eleito prefeito de Caruaru, cargo que voltou a assumir 
em 1997, para um segundo mandato. Foi líder do 
governo Miguel Arraes na Assembleia Legislativa 
durante seu mandato de deputado estadual. 
 
Ao lado de Eduardo Campos, foi eleito vice-
governador em 2006. Em 2008, assumiu a Secretaria 
de Saúde. Comandou o processo de mudança de 
gestão da pasta em Pernambuco, cuidando 
particularmente da regionalização da Saúde. João Lyra 
também coordenou duas outras áreas, Segurança e 
Educação. Após a renúncia de Campos, em abril de 
2014 para concorrer a presidência da república, João 
Lyra assumiu o comando do estado. 
 
Paulo Henrique Saraiva Câmara Partido Socialista 
Brasileiro (PSB) 
Paulo Câmara eleição 2014 
1º de janeiro de 2015 em exercício Governador 
eleito 
 
Carreira profissional 
 
Paulo Câmara sempre foi servidor público. 
Aos 20 anos foi escriturário concursado do Banco do 
Brasil, em Ribeirão, na Zona da Mata. Em 1995, foi 
para o Tribunal de Contas do Estado, onde exerceu o 
cargo de auditor das contas públicas também teve a 
oportunidade de passar pelo Tribunal de Justiça de 
Pernambuco (2003), pela Câmara de Vereadores do 
Recife (2005) e, a partir de 2007, fez parte da gestão 
do governador Eduardo Campos. 
 
Governo de Pernambuco 
 
Secretaria de Administração 
 
Em 2007, Paulo Câmara assumiu a Secretaria 
de Administração do Estado (SAD). Em sua gestão à 
frente da SAD, destaque para os benefícios 
direcionados para os Servidores do Governo. Dentre 
 
74 
 
outras ações, Paulo Câmara instituiu o Calendário 
Semestral de Pagamento dos Servidores, a 
recuperação das perdas salariais dos servidores, com 
reajustes expressivos para todas as categorias e com 
ganhos reais acima da inflação e a construção do 
Centro de Formação do Servidor. 
 
Em 2008, a secretaria criou o Curso Superior 
Sequencial de Formação Específica em Administração 
Pública. Trata-se de uma graduação exclusiva para 
servidores estaduais, ministrada pela Faculdade de 
Ciências e Administração da UPE, através da Escola de 
Governo de Pernambuco, com o objetivo de formar 
gestores públicos. 
 
Secretaria de Turismo 
 
Em 2010, Paulo Câmara assumiu a pasta de 
Turismo. Durante a sua gestão, desenvolveu alguns 
projetos focados na especialização dos serviços 
oferecidos aos turistas, entre eles o programa 
"Taxista Amigo do Turista", que promovia qualificação 
em inglês e espanhol para os profissionais. Na sua 
gestão, também foram realizadas obras de 
infraestrutura, como o acesso às praias dos Litorais 
Sul e Norte, e a ampliação do sistema de 
abastecimento de água e tratamento de esgoto 
sanitário da Praia dos Carneiros e da cidade de Rio 
Formoso, no Litoral Sul do Estado. 
 
Secretaria da Fazenda de Pernambuco 
 
Paulo Câmara assumiu a secretaria da 
Fazenda em 2011. Entre as ações desenvolvidas, 
destaque para a criação do Fundo Estadual dos 
Municípios, o FEM, que viabilizou R$ 228 milhões a 
prefeituras de Pernambuco em 2013. 
 
Eleição ao governo de Pernambuco 
 
Ver artigo principal: Eleições estaduais em 
Pernambuco em 2014 
 
Paulo Câmara com Leda Nagle à sua direita e 
a primeira-dama de Pernambuco, juíza Ana Luiza 
Câmara, à sua esquerda, entre outras personalidades 
durante a Fliporto 2014 em Olinda. 
Naquela eleição Paulo Câmara era estreante na 
política, filiado ao PSB desde outubro de 2013. Foi 
indicado para concorrer à sucessão estadual, que 
tinha como integrantes da chapa o deputado federal 
Raul Henry do PMDB como vice e o ex-ministro da 
Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho do PSB 
para concorrer ao Senado. Naquele ano foi o 
candidato a governador mais bem-votado do país, ele 
obteve 68% dos votos em Pernambuco deixando para 
trás o então candidato do PTB Armando Monteiro, 
que ficou com um pouco mais de 31% dos votos 
válidos. 
 
Foi eleito governador de Pernambuco no 
primeiro turno, com mais de 3.000.000 votos. 
Carregava o peso de dar continuidade ao governo de 
seu padrinho político, Eduardo Campos, ex-
governador do estado e candidato a presidência do 
Brasil, que morreu em um acidente aéreo em 13 de 
agosto de 2014 no meio da disputa eleitoral daquele 
ano. 
 
Aliado à comoção que tomou o Estado na 
tragédia que matou Campos, o forte palanque 
composto de 21 partidos resultou na vitória de 
Marina Silva em Pernambuco. Terceira colocada na 
disputa ao Planalto, ela obteve 48% dos votos no 
Estado. Em 8 de outubro de 2014, o PSB anunciou seu 
apoio ao candidato Aécio Neves (PSDB) no segundo 
turno da corrida à Presidência. Contudo o tucano 
obteve uma votação pouco maior que a de José Serra 
nas eleições de 2010; Dilma venceu com 70,20% dos 
votos válidos no estado, contra 29,80% do mineiro - 
uma diferença de quase dois milhões de votos. 
Câmara e seu partido decidiram adotar uma postura 
independente em relação ao governo federal, com 
vetos a qualquer possibilidade de integrantes da 
legenda ocuparem cargos durante o segundo 
mandato da presidente Dilma Rousseff. 
 
Governador de Pernambuco 
 
Paulo Câmara foi empossado no cargo de governador 
em 1º de janeiro de 2015. 
 
Em 2016 enquanto estava a frente do 
executivo estadual entrou em uma polêmica ao 
nomear os filhos do ex-governador Eduardo Campos, 
a cargos na prefeitura e governo do estado. João 
Campos, que tinha então 22 anos foi indicado como 
chefe de Gabinete do governador, a mesma função 
que o pai ocupou no segundo governo de Miguel 
Arraes (1987-1990). A classe artística do estado 
organizou protestos contra a indicação, afirmando 
que Paulo Câmara estava reproduzindo os "padrões 
antigos da política Nordestina". 
 
 
 
 
 
 
75 
 
EXERCITANDO... 
 
1. Quais as características dominantes da economia 
colonial brasileira? 
a) propriedade latifundiária, trabalho indígena e 
produção monocultura; 
b) propriedades diversificadas, exportação de 
matérias-primas e trabalho servil; 
c) monopólio comercial, latifúndio e trabalho escravo 
de índios e negros; 
d) pequenas vilas mercantis, monocultura de 
exportação e trabalho servil; 
e) propriedade minifundiária, colônias agrícolas e 
trabalho escravo. 
 
2. A divisãodo Brasil em capitanias hereditárias não 
seria apenas a primeira tentativa oficial de 
colonização portuguesa na América, mas também a 
primeira vez que europeus transportaram um 
modelo civilizatório para o Novo Mundo. A esse 
respeito é correto afirmar que: 
a) o modelo implantado era totalmente 
desconhecido dos portugueses e cada donataria tinha 
reduzidas dimensões. 
b) representava uma experiência feudal em terras 
americanas, sem nenhum componente econômico 
mercantilista. 
c) atraiu sobretudo a alta nobreza pelas 
possibilidades de lucros rápidos. 
d) a Coroa, com sérias dívidas, transferia para os 
particulares as despesas da colonização, temendo 
perder a colônia para os estrangeiros que ameaçavam 
nosso litoral. 
e) o sistema de capitanias fracassou e não deixou 
como conseqüências a questão fundiária e a estrutura 
social excludente. 
 
3. A respeito da Independência do Brasil, pode-se 
afirmar que: 
a) consubstanciou os ideais propostos na 
Confederação do Equador; 
b) instituiu a Monarquia como forma de governo, a 
partir de amplo apoio popular; 
c) propôs, a partir das idéias liberais das elites 
políticas, a extinção do tráfico de escravos, 
contrariando os interesses da Inglaterra; 
d) provocou, a partir da constituição de 1824, 
profundas transformações nas estruturas econômicas 
e sociais do país; 
e) implicou a adoção da forma monárquica de 
governo e preservou os interesses básicos dos 
proprietários de terras e de escravos. 
 
4. A respeito da independência do Brasil, é valido 
concluir que: 
a) as camadas senhoriais, defensoras do Liberalismo 
Político, pretendiam não apenas a emancipação 
política, mas a alteração das estruturas econômicas. 
b) o liberalismo defendido pela aristocracia rural 
apoiava a emancipação dos escravos. 
c) a independência brasileira se caracterizou por ter 
sido um processo revolucionário com participação 
popular. 
d) a independência brasileira foi um arranjo político 
que preservou a monarquia como forma de gover-no 
e também os privilégios da classe proprietária. 
e) a independência brasileira resultou do receio de D. 
Pedro I de perder o poder, aliado ao seu espírito de 
brasilidade. 
 
A independência do Brasil, cuja data oficial é 7 de 
setembro, constitui tema de profundas controvérsias. 
A hipótese mais expressiva é a de a independência 
estar no futuro, e não no passado. 
(Carlos Guilherme Mota) 
 
5. O ano de 1848 assistiu a várias revoluções na 
Europa como, por exemplo, na França e na Itália. O 
espírito "quarenta e oito", como se chamou este 
período, também atingiu o Brasil e, particularmente, 
Pernambuco. Esta questão diz respeito à Revolução 
Praieira. 
( ) A concentração da propriedade fundiária e o 
monopólio do comércio a retalho pelos portugueses 
foram fatores que provocaram a Revolução Praieira. 
( ) O Partido da Praia, integrado por liberais 
pernambucanos, tinha no jornal o DIÁRIO NOVO um 
instrumento de veiculação de suas idéias políticas. 
( ) Joaquim Nabuco, líder abolicionista, logo se tornou 
um correligionário do jornalista praieiro Borges da 
Fonseca. 
( ) Os revolucionários praieiros pretendiam que o 
Governo interviesse nos fenômenos de produção, 
distribuição e comércio. 
( ) Os revolucionários de Pernambuco lançaram um 
"Manifesto ao Mundo" esclarecendo suas posições no 
que diz respeito ao voto universal do povo brasileiro, 
ao trabalho como garantia de vida para o cidadão 
brasileiro, ao comércio de retalhos, à reforma do 
poder judicial dentre outras. 
 
6. Na manhã de 13 de fevereiro de 1825, na porta 
da Igreja do Pátio do Terço, em Recife, Frei Caneca 
foi despojado de suas ordens e executado. 
Considera(m)-se atividade(s) revolucionária(s) do 
Frei: 
 
76 
 
( ) jornalista, redator de O DIÁRIO NOVO jornal 
praieiro, responsável pela agitação intelectual da 
Revolução de 1848 em Pernambuco; 
( ) Frei Caneca participou da revolução de 1817 cujo 
ideário republicano era semelhante ao da Revolução 
de 1824; 
( ) Frei Caneca dirigiu, durante o Primeiro Reinado, 
um período revolucionário intitulado "Sentinela da 
Liberdade na Guarita de Pernambuco"; 
( ) Frei Caneca insurge-se contra a Constituição 
Outorgada, logo após a dissolução da Constituinte em 
1823; 
( ) Dirigiu e foi redator principal do jornal O TÍFIS 
Pernambucano que combatia o absolutismo do 
Imperador Pedro I e incitava à rebelião. 
7. Após a Revolução Praieira de 1848 em 
Pernambuco, o reinado de D. Pedro II foi marcado 
por uma paz que se prolongou por algumas décadas. 
Todas as alternativas apresentam afirmações 
corretas sobre o segundo Império no Brasil, EXCETO: 
a) A Conciliação, ao amenizar as lutas partidárias, 
funcionou como fator importante na contenção da 
idéia republicana. 
b) D. Pedro II impôs-se como imperador não tanto 
por sua seriedade e moral impecáveis, mas pelo fato 
de a elite latifundiária e escravista considerar a 
Monarquia como poderoso fator de estabilidade. 
c) O Brasil permaneceu isolado do resto da América, 
não só na forma de governo, mas também 
economicamente, ao desprezar os países latino-
americanos e ao permanecer voltado para o Atlântico. 
d) O crescimento da produção cafeeira e a Era Mauá 
dinamizaram a economia nacional, a qual criou bases 
internas sólidas e deixou de depender do mercado 
externo. 
e) O fortalecimento do governo central garantiu a 
repressão às idéias republicanas da esquerda liberal 
no período das Regências. 
 
8. O golpe político-militar de 1964 acarretou 
transformações na economia brasileira originadas 
das mudanças nas relações de trabalho, das novas 
necessidades do desenvolvimento capitalista no país 
e das mudanças na conjuntura internacional. Todas 
as alternativas apresentam indicadores corretos das 
transformações na economia brasileira pós-64, 
EXCETO: 
a) A abertura do país às empresas multinacionais a 
partir da abolição das restrições à remessa de lucros 
para o exterior. 
b) A adoção de uma nova política salarial e a 
implantação do Fundo de Garantia por Tempo de 
Serviço (FGTS) substituindo o sistema de estabilidade 
no emprego. 
c) A consolidação do setor industrial nacional através 
da elevação dos salários urbanos e do aumento da 
oferta e do consumo de bens não duráveis. 
d) A elevação do volume de impostos e a 
conseqüente falência de um grande número de 
pequenas e médias empresas. 
e) A expansão da indústria petroquímica, siderúrgica 
e do alumínio, realizada sob o patrocínio do Estado, 
com a participação de conglomerados nacionais e 
estrangeiros. 
 
9. A reforma partidária, que implantou o 
pluripartidarismo no Brasil, no governo Figueiredo, 
tinha por objetivo 
a) consolidar os resultados das eleições de 1974 que 
deram ampla vitória ao partido do governo, o PDS. 
b) levar os liberais, concentrados no PP, para 
engrossar as fileiras do PRS e fortalecer o apoio ao 
governo. 
c) quebrar o monopólio que o MDB exercia na 
oposição fragmentando-o em inúmeros partidos e 
evitando a sua ascensão ao poder. 
d) revigorar o PDT para que esse pudesse enfrentar o 
PT nas eleições majoritárias. 
e) utilizar os antigos militantes da UDN nos quadros 
da ARENA para que essa, fundindo-se com o PDS, 
vencesse as eleições para governadores. 
 
10. A base da economia brasileira durante a Primeira 
República foi o café e isto se deveu: 
a) À mudança de regime político, à liberdade de ação 
dada aos proprietários pela Constituição e aos 
assalariados italianos; 
b) Ao incentivo dado aos plantadores de café, á 
aceitação do nosso produto pela Inglaterra e à 
libertação dos escravos; 
c) À decadência da industrialização, à Guerra de 
Secessão dos Estados Unidos e à decadência da 
mineração; 
d) À qualidade das terras, ao clima favorável, à 
imigração européia e à aceitação do nosso produto no 
mercado externo. 
e) n.d.a. 
 
11. Sobre a Revolução Pernambucana de 1817, é 
INCORRETO afirmar que 
a) os diversos grupos sociais envolvidos na revolta 
tinham como consenso o objetivo de proclamar a 
república. 
b) o movimento se inspirou na luta pela implantaçãode ideais democráticos no Estado Polonês, a qual se 
solidificou com a carta constitucional polonesa, que 
ficou conhecida como “A Polaca”. 
 
77 
 
c) os rebeldes, que tomaram o poder em 
Pernambuco, construíram um governo provisório, que 
decidiu extinguir alguns impostos e elaborar uma 
constituição, decretando a liberdade religiosa e de 
imprensa e a igualdade para todos, exceto para os 
escravos. 
d) apesar de ter fracassado, a Revolução 
Pernambucana foi o movimento mais importante de 
todos os outros precursores da independência, 
porque ultrapassou a fase de conspiração, e os 
revoltosos chegaram ao poder. 
e) tropas reais, enviadas por mar e terra, ocuparam a 
capital de Pernambuco, desencadeando intensa 
repressão. Os principais líderes foram presos e 
sumariamente executados. 
 
12. Em 1888, o Brasil aboliu a escravidão em todo o 
território nacional. Foi um dos últimos países a 
libertar os escravos. Sobre a libertação dos escravos, 
analise as proposições abaixo. 
I. A abolição de quase 800 mil escravos foi 
fundamental para a modernização da economia 
brasileira, embora a modernização tenha demandado 
algum tempo para começar. 
II. Os escravos tiveram grandes dificuldades para se 
incorporarem ao mercado de trabalho livre. Muitos 
deles continuaram com seus antigos senhores. 
III. Do ponto de vista jurídico, os escravos libertos 
passaram a ser considerados cidadãos com todos os 
direitos concedidos pela constituição. 
IV. A escravidão institucionalizada foi rompida, porém 
muitas das relações da época do escravismo se 
mantiveram. O preconceito contra o trabalho, 
sobretudo o manual, foi um dos vestígios mais 
marcantes do tempo da escravidão. 
 
Está CORRETO o que se afirma em 
a) I, II e III, apenas. 
b) I e IV, apenas. 
c) I, III e IV, apenas. 
d) II, III e IV, apenas. 
e) I, II, III e IV. 
 
13. Sobre a Revolução Pernambucana de 1817, 
considere as afirmativas a seguir. 
I. Tinha como objetivo proclamar uma República e 
abolir, imediatamente, a escravidão no Nordeste. 
II. Foi organizada, conforme os ideais da Igualdade, 
Liberdade e Fraternidade, que inspiravam a 
Revolução Francesa. 
III. Teve como principais causas o aumento dos 
impostos, a grande seca de 1816, que provocou muita 
fome no Nordeste, e a crise da agricultura, afetando a 
produção do açúcar e do algodão. 
IV. Foi a única rebelião anterior à independência 
política do Brasil que ultrapassou a fase da 
conspiração. Os rebeldes tomaram o poder e 
permaneceram no governo por mais de 70 dias. 
 
Assinale a alternativa que contém as afirmativas 
corretas. 
a) Somente I, II e III. 
b) Somente I, II e IV. 
c) Somente I, III e IV. 
d) Somente II, III e IV. 
e) I, II, III e IV. 
 
14. Em 1964, os militares tomaram o poder e 
implantaram uma ditadura no Brasil. Durante os 
governos militares, podemos constatar: 
I. Os golpistas procuraram definir esse assalto à 
democracia como uma revolução; 
II. O golpe militar de 1964 representou a culminância 
do processo de crise do populismo, iniciado com a 
renúncia de Jânio Quadros em 1961; 
III. Uma das características dos governos militares foi 
o autoritarismo, visto que membros do governo não 
se mostravam dispostos a dialogar com os diversos 
setores da sociedade; 
IV. Tortura, prisão e expulsão do país foram 
instrumentos utilizados pelos governos militares 
contra alguns cidadãos, para manterem seu poder 
inabalado. 
 
Os itens corretos são 
a) somente I, III e IV. 
b) somente II, III e IV. 
c) somente I, II e IV. 
d) somente I, II e III. 
e) I, II, III e IV. 
 
 
15. A abolição da escravidão no Brasil foi instituída 
com a Lei Áurea, em 1888. A respeito dos embates 
políticos e sociais das últimas décadas anteriores à 
abolição, pode-se afirmar que 
a) por pressão da Inglaterra a Lei Eusébio de Queirós, 
de 1850, proibiu o tráfico negreiro. 
b) o café e o ouro tornaram-se os principais produtos 
de exportação do Brasil. 
c) a Lei Rio Branco defendia os direitos dos escravos 
incapacitados para o trabalho. 
d) a Lei Saraiva-Cotegipe ao ser implantada ameaçou 
o sistema escravista. 
e) a primeira província a libertar, por conta própria, 
seus escravos foi a Paraíba. 
 
 
78 
 
16. A denominação de “Costa do Pau-Brasil”, dada ao 
trecho do litoral brasileiro compreendido entre o 
Cabo de São Roque e Cabo Frio, demonstra a 
importância que a exploração dessa madeira 
tintorial desempenhou durante o chamado Período 
Pré-Colonizador. Sobre este período são corretas as 
afirmações abaixo, Com exceção de uma: 
A) O estabelecimento do escambo entre nativos e 
portugueses, a utilização do trabalho indígena nas 
tarefas de corte e transporte do pau-brasil. 
B) A ocupação esparsa do litoral brasileiro, restrita à 
construção de feitorias, possibilitando a presença de 
contrabandistas estrangeiros. 
C) A devastação dos recursos naturais e a 
consequente eliminação das populações nativas que 
ocupavam as áreas de ocorrência do pau-brasil. 
D) O papel secundário da nova colônia no conjunto 
do circuito mercantil controlado pelos portugueses. 
E) O estabelecimento de contratos de arrendamento 
da exploração do pau-brasil entre o rei e 
comerciantes portugueses, garantindo-lhes o 
monopólio. 
 
17. Nas primeiras décadas posteriores ao 
descobrimento, até a de 1530, as atividades 
portuguesas no Brasil se caracterizaram 
principalmente por: 
A) estabelecimento de um sistema de produção 
agroexportador. 
B) extração de especiarias. 
C) instalação de um aparelho burocrático destinado a 
organizar a administração da colônia. 
D) realização de expedições para o conhecimento do 
litoral e combate ao contrabando. 
E) entrega da colonização à iniciativa particular, 
através da divisão do território em capitanias. 
 
18. No período colonial, o Foral constituía-se em um 
documento que estabelecia: 
A) o número mínimo de escravos negros necessários 
para a instalação de um engenho de açúcar. 
B) a obrigatoriedade de os bandeirantes oferecerem 
índios cativos para o trabalho de mineração. 
C) os direitos e os deveres dos donatários, os quais 
atuavam como administradores reais. 
D) o compromisso de as ordens religiosas 
defenderem os interesses da Coroa portuguesa. 
E) o princípio do “utipossidetis”, o qual consagrou a 
superfície aproximada do Brasil atual. 
19. A colonização do Brasil se fez sob forte impulso 
da economia europeia, então em ritmo acelerado de 
expansão. Sob esse prisma, a economia açucareira: 
A) permitiu o início da ocupação efetiva do Brasil e 
gerou lucros para a metrópole, que passou a colocar o 
produto brasileiro em larga escala nos mercados 
europeus; 
B) veio retardar o desenvolvimento da economia 
portuguesa interessada exclusivamente no comercio 
proveniente das feitorias asiáticas; 
C) foi um momento inicial da exploração colonial, 
logo abandonado pela mineração aurífera descoberta 
no sertão centro-sul do Brasil; 
D) nunca rendeu a Portugal o que a metrópole 
desejava, por ter sido o litoral brasileiro invadido por 
holandeses durante grande parte do período colonial; 
E) iniciou-se no Sul criando uma sociedade baseada 
em duas classes. 
 
20. O sistema de Capitanias Hereditárias, 
estabelecido no Brasil por D. João III, teve por 
finalidade principal 
A) favorecer a nobreza portuguesa, limitando o 
crescimento da burguesia, uma vez descoberto o 
caminho das Índias. 
B) povoar o litoral em toda a sua extensão, utilizando 
a iniciativa privada, para assegurar a posse do 
território brasileiro contra estrangeiros. 
C) incentivar o desenvolvimento da lavoura 
algodoeira, em virtude dos altos preços do produto 
no mercado europeu. 
D) utilizar a costa brasileira como entreposto e centro 
de abastecimento das expedições que se 
encaminhavam à África em busca de especiarias. 
E) povoar a faixa litorânea e o interior do território, 
podendo assim desenvolver povoados além da linha 
de Tordesilhas. 
 
21. A divisão do Brasil em capitanias hereditárias não 
seria apenas a primeira tentativa oficial de 
colonização portuguesa naAmérica, mas também a 
primeira vez que europeus transportaram um 
modelo civilizatório para o Novo Mundo. A esse 
respeito, é correto afirmar que: 
A) o modelo implantado era totalmente 
desconhecido dos portugueses e cada donataria tinha 
reduzidas dimensões. 
B) representava uma experiência feudal em terras 
americanas, sem nenhum componente econômico 
mercantilista. 
C) atraiu sobretudo a alta nobreza pelas 
possibilidades de lucros rápidos. 
D) a Coroa, com sérias dívidas, transferia para os 
particulares as despesas da colonização, temendo 
perder a colônia para os estrangeiros que ameaçavam 
nosso litoral. 
E) o sistema de capitanias fracassou e não deixou 
como consequências a questão fundiária e a estrutura 
social excludente. 
 
79 
 
 
 
22. A expulsão dos holandeses do Brasil alterou a 
vida econômico-financeira da Metrópole portuguesa 
por que: 
A) Permitiu aos portugueses retomar o controle 
técnico, do progresso de refinação do açúcar, 
dominado pelos holandeses; 
B) Permitiu que Portugal retomasse o total controle 
da produção açucareira brasileira; 
C) Favoreceu o consumo do açúcar, tendo em vista a 
quebra do monopólio de distribuição no mercado 
internacional; 
D) Assegurou ao governo português a ampliação de 
suas rendas, pela estatização dos engenhos 
holandeses em Pernambuco; 
E) Permitiu maiores lucros pela introdução de novas 
técnicas de produção nos engenhos do Nordeste. 
 
23. A crise da lavoura canavieira no Brasil em meados 
do século XVII pode ser explicada: 
A) pela descoberta de metais preciosos no interior; 
B) pelo declínio do consumo de açúcar de cana na 
Europa, graças ao advento do açúcar de beterraba; 
C) pela implantação de uma área concorrente na 
Antilhas, após a expulsão dos holandeses; 
D) pelas dívidas excessivas dos senhores – de – 
engenhos; 
E) pela decadência da Metrópole, inteiramente 
dependente, do capital inglês. 
 
24. A Guerra dos Mascates (Pernambuco, 1710-12) 
exprime: 
A) um movimento coordenado em busca da 
independência. 
B) um sentimento de animosidade contra os 
holandeses invasores. 
C) a insatisfação com a política do marquês de 
Pombal. 
D) o interesse da burguesia agrária em alcançar os 
cargos dos Conselhos Municipais. 
E) o declínio das lavouras canavieiras. 
 
25. A chamada Guerra dos Mascates, ocorrida em 
Pernambuco em 1710, deveu-se: 
a) ao surgimento de um sentimento nativista 
brasileiro, em oposição aos colonizadores 
portugueses. 
b) ao orgulho ferido dos habitantes da vila de Olinda, 
menosprezados pelos portugueses. 
c) ao choque entre comerciantes portugueses do 
Recife e a aristocracia rural de Olinda pelo controle da 
mão-de-obra escrava. 
d) ao choque entre comerciantes portugueses do 
Recife e a aristocracia rural de Olinda, cujas relações 
comerciais eram, respectivamente, de credores e 
devedores. 
e) a uma disputa interna entre grupos de 
comerciantes, que eram chamados 
depreciativamente de mascates. 
 
 
26. A chamada Guerra dos Mascates decorreu, entre 
outros fatores, do fato de: 
a) Recife não possuir prestígio político, apesar de sua 
expressão econômico-financeira. 
b) Pombal promover a derrama, para a cobrança de 
todos os quinhões atrasados. 
c) Olinda não se conformar com o papel que a 
aristocracia rural exercia na capitania. 
d) Portugal intervir na economia das capitanias, 
isentando os portugueses do pagamento de impostos. 
e) Pernambuco não apoiar a política de tributação 
fiscal do governador Félix José Machado de 
Mendonça. 
 
27. A nação independente continuaria subordinada à 
economia colonial, passando do domínio português 
à tutela britânica. A fachada liberal construída pela 
elite europeizada ocultava a miséria e a escravidão 
da maioria dos habitantes do país. 
(Emília V. da Costa) 
 
A interpretação correta do texto anterior sobre a 
independência brasileira seria: 
A) a nossa independência caracterizou-se pelo 
processo revolucionário que rompeu socialmente 
com o passado colonial. 
B) a preservação da ordem estabelecida, isto é, 
escravidão, latifúndios e privilégios políticos da elite, 
seria garantida pelo novo governo republicano. 
C) a rápida transformação da economia foi 
comandada pela elite política e econômica 
interessada na superação da ordem colonial. 
D) o espírito liberal de nossas elites não impediu que 
elas mantivessem as estruturas arcaicas da escravidão 
e do latifúndio, sendo a monarquia a garantia de tais 
privilégios. 
E) o rompimento com a dependência inglesa foi 
inevitável, já que, após a independência, o governo 
passou a incentivar o mercado interno e a 
industrialização. 
 
28. Podemos afirmar que tanto na Revolução 
Pernambucana de 1817, quanto na Confederação do 
Equador de 1824, 
 
80 
 
A) o descontentamento com as barreiras econômicas 
vigentes foi decisivo para a eclosão dos movimentos. 
B) os proprietários rurais e os comerciantes 
monopolistas estavam entre as principais lideranças 
dos movimentos. 
C) a proposta de uma república era acompanhada de 
um forte sentimento antilusitano. 
D) a abolição imediata da escravidão constituía-se 
numa de suas principais bandeiras. 
E) a luta armada ficou restrita ao espaço urbano de 
Recife, não se espalhando pelo interior. 
 
 
29. A Confederação do Equador, movimento que 
eclodiu em Pernambuco em julho de 1824, 
caracterizou-se por: 
A) ser um movimento contrário às medidas da Corte 
Portuguesa, que visava favorecer o monopólio do 
comércio. 
B) uma oposição a medidas centralizadoras e 
absolutistas do Primeiro Reinado, sendo um 
movimento republicano. 
C) garantir a integridade do território brasileiro e a 
centralização administrativa. 
D) ser um movimento contrário à maçonaria, clero e 
demais associações absolutistas. 
E) levar seu principal líder, Frei Joaquim do Amor 
Divino Caneca, à liderança da Constituinte de 1824. 
 
30. Na manhã de 13 de fevereiro de 1825, na porta 
da Igreja do Pátio do Terço, em Recife, Frei Caneca 
foi despojado de suas ordens e executado. 
Considera(m)-se atividade(s) revolucionária(s) do 
Frei: 
 
( ) jornalista, redator de O DIÁRIO NOVO jornal 
praieiro, responsável pela agitação intelectual da 
Revolução de 1848 em Pernambuco; 
( ) Frei Caneca participou da revolução de 1817 cujo 
ideário republicano era semelhante ao da Revolução 
de 1824; 
( ) Frei Caneca dirigiu, durante o Primeiro Reinado, 
um período revolucionário intitulado "Sentinela da 
Liberdade na Guarita de Pernambuco"; 
( ) Frei Caneca insurge-se contra a Constituição 
Outorgada, logo após a dissolução da Constituinte em 
1823; 
( ) Dirigiu e foi redator principal do jornal O TÍFIS 
Pernambucano que combatia o absolutismo do 
Imperador Pedro I e incitava à rebelião. 
 
31. (UFPE) O segundo reinado no Brasil ocorreu sem 
as muitas instabilidades políticas que marcaram os 
primeiros anos da independência. Pernambuco, que 
mantinha uma tradição liberal, decorrente de 
movimentos como a Revolução de 1817 e a 
Confederação do Equador, mostrou seu 
descontentamento com o governo central na 
Revolução Praieira de 1848. Com relação ao 
movimento praieiro, podemos afirmar que: 
A) tinha a liderança das elites políticas liberais e 
expressava também o radicalismo político dos grupos 
socialistas pernambucanos. 
B) foi cenário de confrontos militares, que obrigaram 
o governo a reforçar suas tropas e a julgar os rebeldes 
presos com rigor. 
C) foi um movimento político socialista, que 
expressou ideais de liberdade e de socialização das 
riquezas. 
D) ameaçou o governo central, pois contou com 
o apoio militar de várias províncias do Norte e do 
Nordeste. 
E) não passou de uma rebelião local, sem grandes 
repercussões políticas, restringindo-se a uma disputa 
por cargos administrativos. 
 
32. “E eu piso onde quiser, você está girando melhor, 
garota 
Na areia onde o mar chegou, a ciranda acabou de 
começar, e ela é! 
E é praieira!!! Segura bem forte a mão 
E é praieira !!! Vou lembrando a revolução, vou 
lembrando a Revolução 
Mas há fronteiras nos jardins da razão” 
 
O trecho acimada música Praieira, de Chico Sciense, 
remete brevemente à Revolução Praieira de 1848-
1850, ocorrida em Pernambuco. Essa revolução de 
caráter liberal tinha uma série de reivindicações, 
exceto: 
A) a liberdade de imprensa. 
B) a instituição do voto universal. 
C) o fim do monopólio comercial dos portugueses. 
D) o fim da propriedade privada dos meios de 
produção. 
E) a extinção do poder moderador. 
 
33. Durante os anos finais da década de 1840, 
Pernambuco viveu uma verdadeira guerra civil em 
decorrência da eclosão da Revolução Praieira, que 
tinha dentre seus objetivos colocar fim ao poder 
moderador exercido pelo Imperador e garantir a 
liberdade de imprensa. A Revolução recebeu esse 
nome pelo fato: 
A) de o jornal Diário Novo, órgão de divulgação dos 
revolucionários, localizar-se na Rua da Praia, em 
Recife. 
 
81 
 
B) de as ações dos revolucionários restringirem-se à 
faixa litorânea do estado de Pernambuco. 
C) de o movimento alastrar-se por todo o litoral 
nordestino, criando inúmeras dificuldades para a 
repressão das forças imperiais. 
D) de a sede do novo governo revolucionário 
localizar-se na Rua da Praia, em Recife. 
 
34. “Outros deram à minha política a denominação 
de Política dos Governadores. Teriam talvez 
acertado se dissessem – a Política dos Estados. Essa 
denominação exprimiria melhor o meu 
pensamento.” (Campos Salles) 
 
De acordo com o texto, assinale as opções que 
marcaram o governo de Campos Salles: 
1. A Política dos Governadores constituiu na troca de 
apoio político entre as oligarquias estaduais e o 
governo central; 
2. Campos Salles consolidou a oligarquia cafeeira no 
poder, garantindo pelo apoio nos estados dos 
Governadores; 
3. Campos Salles retirou a autonomia dos estados e 
centralizou o poder afetando a oligarquia cafeeira; 
4. Campos Salles não recebeu apoio dos estados que 
preferiram ligar-se aos cafeicultores; 
5. Os Estados apoiaram o governo central e 
desligaram-se da oligarquia cafeeira. 
 
a) 1 e 3 
b) 1 e 4 
c) 2 e 4 
d) 1 e 2 
e) 4 e 5 
 
35. Durante a República Velha, a estabilidade dos 
governos acabou sendo assegurada pela vigência da 
Política dos Governadores. Na pratica, essa política 
traduzia-se: 
A) na alternância entre paulistas e mineiros do 
governo federal; 
B) nas atribuições econômicas concedidas aos 
governos estaduais pela Constituição de 1891; 
C) na criação das milícias estaduais, base política das 
oligarquias dominantes nos Estados; 
D) no compromisso de apoio mútuo firmado entre o 
governo federal, o estadual e os chefes políticos 
municipais; 
E) na substituição dos Governadores eleitos por 
interventores militares, comprometidos com uma 
política de equilíbrio entre os Estados. 
 
36. São afirmativas verdadeiras sobre o Estado 
Novo, EXCETO: 
A) O Estado Novo foi um período de ditadura 
exercida por Getúlio Vargas, de 1937 a 1945; 
B) Durante o Estado Novo os recursos externos, 
principalmente norte-americanos, se fizeram 
presentes, inclusive por motivos políticos: evitar que 
o Brasil apoiasse o Eixo e se posicionasse ao lado dos 
Aliados, durante a Segunda Guerra Mundial; 
C) A Segunda Guerra Mundial, mostrou a incoerência 
do Governo Brasileiro, que declarou guerra ao Eixo, 
formado por países fascistas, sendo que o fascismo 
era uma das sustentações do Estado Novo; 
D) Quando o Estado Novo anunciou a realização de 
eleições para a Presidência da República, para os 
governos estaduais e para uma Assembleia 
Constituinte, a oposição organizou o Partido 
Trabalhista Brasileiro (PTB); 
E) Em fins de 1943, foi divulgado o Manifesto dos 
Mineiros, exigindo a redemocratização do país. 
 
37. Sobre o Estado Novo, é falso afirmar que: 
A) DIP, DASP e Polícia Secreta constituíram órgãos de 
sustentação do regime; 
B) A centralização política e a indefinição ideológica 
caracterizaram esta fase; 
C) A legislação trabalhista garantia o direito de greve 
e a autonomia sindical, mantendo o Estado afastado 
das relações capital e trabalho; 
D) O crescimento industrial se fez em parte graças a 
concentração de rendas, baixos salários e 
desemprego; 
E) As oligarquias apoiavam o governo já que este 
garantia a grande propriedade e não estendia as leis 
trabalhistas ao campo. 
 
38. Sobre o Estado Novo (1937-1945), período 
ditatorial encabeçado por Getúlio Vargas, é correto 
afirmar que: 
A) Tinha no DIP – Departamento de Imprensa e 
Propaganda – um importante veículo de propaganda 
ideológica que sustentava o regime e censurava 
manifestações contrárias a ele. 
B) Caracterizou-se pela montagem de um projeto de 
Estado liberal e não-intervencionista. 
C) Foi marcado por uma orientação econômica de 
cunho agrarista, não possibilitando o 
desenvolvimento industrial do país. 
D) Teve clara influência dos ideais socialistas, 
alinhando-se politicamente à União Soviética. 
E) Teve uma grande preocupação em integrar os 
trabalhadores rurais, já que estes eram a base de 
sustentação de Vargas. 
 
39. No período de 1964 a 1985, o Brasil foi governado 
por militares. Sobre esse período, considere as 
 
82 
 
proposições a seguir. 
 
I. Os militares tomaram o poder e implantaram um 
regime marcado pela repressão política, tortura e 
morte dos opositores. 
II. A organização política, implantada no Brasil, pelo 
Regime Militar, caracterizou-se pela crescente 
concentração de poderes para o executivo com os 
Atos institucionais, legitimando a manutenção de um 
Estado Forte. 
III. A vitória do golpe militar de 1964 foi fruto da 
decisão dos militares para implementar o programa 
nacionalista e reformista, proposto pelo Governo 
Goulart, desde que o povo não participasse 
ativamente das decisões políticas. 
IV. Para evitar protestos da sociedade, o regime 
militar cassou o direito de voto e calou as oposições 
por meio da censura ou pela violência da repressão 
policial. 
 
Assinale a alternativa que apresenta as proposições 
corretas. 
A) Somente I, II e III. 
B) Somente I, II e IV. 
C) Somente I, III e IV. 
D) Somente II, III e IV. 
E) I, II, III e IV. 
 
40. Analise as afirmativas referentes ao Governo João 
Baptista Figueiredo (1979-1985). 
 
I. Pressionado por grande parte da sociedade 
brasileira, o Presidente Figueiredo assumiu o 
compromisso de realizar a abertura política e 
reinstalar a democracia no Brasil. 
II. A anistia foi concedida, de forma ampla, geral e 
irrestrita, a todos que foram punidos pela ditadura, 
tanto civis como militares. 
III. Promoveu uma reforma partidária que determinou 
o fim do bipartidarismo e possibilitou a pluralidade 
dos partidos. 
IV. "Brasil ame-o ou deixe-o" foi o slogan da 
campanha política do General Figueiredo à 
Presidência da República. 
Assinale a opção que contém as afirmativas corretas. 
a) Somente I e II. 
b) Somente II e III. 
c) Somente II e IV. 
d) Somente I e III. 
e) Somente I e IV. 
 
41. Em 1964, os militares tomaram o poder e 
implantaram uma ditadura no Brasil. Durante os 
governos militares, podemos constatar: 
 
I. Os golpistas procuraram definir esse assalto à 
democracia como uma revolução; 
II. O golpe militar de 1964 representou a culminância 
do processo de crise do populismo, iniciado com a 
renúncia de Jânio Quadros em 1961; 
III. Uma das características dos governos militares foi 
o autoritarismo, visto que membros do governo não 
se mostravam dispostos a dialogar com os diversos 
setores da sociedade; 
IV. Tortura, prisão e expulsão do país foram 
instrumentos utilizados pelos governos militares 
contra alguns cidadãos, para manterem seu poder 
inabalado. 
 
Os itens corretos são 
A) somente I, III e IV. 
B) somente II, III e IV. 
C) somente I, II e IV. 
D) somente I, II e III. 
E) I, lI, III e IV. 
 
PROVA PM-PE 2016 (42 A 52) 
 
42. As primeiras décadas do século XIX foram 
marcadas pelo chamado ciclo das insurreições 
liberais em Pernambuco, com a Insurreição de 1817, 
a Confederação do Equador e a Revolução Praieira. 
Essas insurreições se constituíram em movimentos 
federalistas e, com exceção da InsurreiçãoPernambucana, se contrapunham ao projeto de 
independência implantado em 1822 por José 
Bonifácio e D. Pedro I, a partir do Rio de Janeiro. 
No que concerne especificamente à Confederação do 
Equador, assinale a alternativa CORRETA. 
A) Diferindo da Revolução Praieira, que defendia a 
bandeira da abolição, os principais líderes da 
Confederação do Equador eram antiabolicionistas. 
B) Os líderes da Confederação do Equador, liberais e 
republicanos, contestavam o poder centralizado e 
autoritário de D. Pedro I e propunham a abolição da 
escravidão assim como a República Federalista. 
C) Frei Caneca, um dos intelectuais responsáveis pelas 
ideias basilares da Confederação do Equador, era um 
veterano de outras insurreições liberais, como a 
Praieira. 
D) Apesar da derrota das forças da Confederação do 
Equador para as forças do Império, a Província de 
Pernambuco que, a partir dessa revolta, consolidaria 
uma imagem de província rebelde, conseguiu 
assegurar um novo território, a comarca do São 
Francisco, agregada a partir da Bahia. 
E) A Confederação do Equador foi um movimento 
republicano e federalista, proposto por integrantes da 
 
83 
 
elite pernambucana, entre os quais se destacavam 
intelectuais, militares e políticos liberais, que se 
espalhou pelas províncias da Paraíba, do Rio Grande 
do Norte e Ceará. 
 
43. O “desembarque de Sirinhaém”, em 1855, em 
Pernambuco, teria sido apenas mais um dos vários 
episódios de contrabando de escravos, caso não 
tivesse dado errado. Tudo começou quando o 
comandante do palhabote (espécie de embarcação 
também utilizada para o tráfico atlântico de 
escravos), invés de ancorar no engenho de João 
Manuel de Barros Wanderley, acabou parando nas 
terras do seu vizinho. Este, por sua vez, prontamente 
denunciou o caso às autoridades. A notícia acabou 
ganhando grande destaque na imprensa, por ter sido 
o último negreiro apreendido na costa brasileira com 
cativos africanos a bordo. 
(CARVALHO, M.J.M de. O desembarque nas praias: o 
funcionamento do tráfico de escravos depois de 1831. 
Revista de História, São Paulo, n° 167, 
julho/dezembro 2012. pp. 223-260). 
 
Em relação ao tráfico de escravos em Pernambuco, 
assinale a alternativa CORRETA. 
A) O desembarque de cativos africanos nos portos 
naturais das diversas praias que ficavam na Província 
de Pernambuco, mas distante o suficiente para 
dificultar a vistoria das autoridades imperiais, foi uma 
estratégia desenvolvida pelos atores que 
participavam do contrabando de africanos, para 
continuar fornecendo cativos para a capitania. 
B) Embora conhecida como “Lei para Inglês ver”, a Lei 
de 1831 contribuiu bastante para frear o ímpeto dos 
traficantes. Exemplo disso é que, em finais da década 
de 1830 e durante a década de 1840, o número de 
escravos que ingressaram na Província de 
Pernambuco diminuiu de forma vertiginosa. 
C) Embora a lei antitráfico tenha entrado em vigor 
desde 1831, as autoridades imperiais nada fizeram 
para deter o comércio ilegal nos portos das capitais 
provinciais. Exemplo disso foi o porto do Recife, que 
não teve seu cotidiano alterado, no que tange ao 
comércio atlântico de escravos. 
D) Embora muito alarmado pela imprensa provincial e 
nacional, o “Desembarque de Sirinháem” pode ser 
considerado uma exceção, pois a forte fiscalização da 
coroa impedia que fatos como este fossem 
corriqueiros. 
E) Por ser, à época do “Desembarque de Sirinhaém”, 
uma província com forte tendência abolicionista, 
Pernambuco quase não recebia mais escravos. Além 
disso, os políticos e as elites latifundiárias estavam 
mais interessados em fomentar a vinda de mão de 
obra livre do exterior, principalmente a dos chineses. 
 
 
44. “Pena! Com tudo isso de 1964, matou a nossa 
liderança camponesa toda. O que foi encontrado de 
cadáveres, de corpos na estrada entre Caruaru e 
Campina Grande, inclusive mutilados para ninguém 
conhecer quem era *…+ pouca gente sobrou daquele 
tempo no campo, pouquíssima gente. Sobrou quem a 
gente escondeu, uma parte, uns que resistiram porque 
eram fortes, como Joaquim Camilo, que eu te falei, 
mas Zé Eduardo e Gessino tiveram que se ausentar, 
mas o resto... Manoelzinho sumiu, ninguém sabe 
aonde foi que acabou Manoelzinho. Ele era aqui da 
Mirueira, trabalhava aqui nesse Litoral Norte todo; 
Igarassu, Goiana, Paulista.” 
 
O personagem que relata a história acima era 
médico, membro do Partido Comunista e das Ligas 
Camponesas e concedeu entrevista no ano de 2011 à 
equipe de Pesquisadores da Universidade Federal de 
Pernambuco, integrantes do Projeto Marcas da 
Memória. Em relação aos movimentos sociais e à 
repressão durante a Ditadura Civil-Militar em 
Pernambuco, assinale a alternativa CORRETA. 
A) Além dos camponeses, que estavam integrados em 
algumas associações classistas, trabalhadores 
urbanos, profissionais liberais e até membros da 
igreja católica também participaram da resistência 
contra as tropas governamentais. 
B) Por mais que haja depoimentos versando sobre a 
violência empregada pelo governo, quase nada foi 
provado contra os militares. A falta de um número 
maior de provas acaba ratificando a versão de que, 
em Pernambuco, o regime civil-militar foi moderado. 
C) A resistência ao golpe e à ditadura civil-militar ficou 
restrita ao meio rural, não sendo possível se 
verificarem focos de resistência nas zonas urbanas. 
Dentre as suas principais causas, destaca-se a pouca 
influência que o Partido Comunista possuía no Recife 
e em sua região metropolitana bem como a falta de 
organização da sociedade para ações de resistência, 
fossem elas individuais ou coletivas. 
D) Ao contrário do que aconteceu no restante do país, 
em Pernambuco, não houve qualquer ingerência do 
regime civil-militar no sistema educacional recém-
modificado pelo então governador Miguel Arraes. 
Pelo contrário, percebendo a importância das 
transformações realizadas por Arraes e Paulo Freire, 
os militares deram continuidade ao trabalho, 
percebendo as estratégias do Movimento de Cultura 
Popular como benéficas para o senso crítico dos 
cidadãos. 
E) Um dos personagens mais destacados das Ligas 
 
84 
 
Camponesas foi Francisco Julião, personagem fulcral 
para a repressão dos militares contra os camponeses, 
uma vez que ele acabou traindo seus companheiros 
em troca da sua liberdade e permanência no Brasil, 
após 1964. 
 
 
46. “...não se pode ignorar o NE na hora de se discutir 
a antiguidade do homem na América e as vias de 
dispersão por ele percorridas, não importando se foi 
há 20, 30 ou 40 mil anos... É conhecida de todos a 
longa sequência estratigráfica lograda no Sítio do 
Boqueirão da Pedra Furada, que pode significar a 
permanência do homem pré-histórico nesse sítio, a 
partir de 48 mil anos. Mas a Pedra furada não é um 
caso único.” 
(MARTIM, G. Pré-História do Nordeste: pesquisas e 
pesquisadores. Clio Arqueológica, Recife: UFPE, n° 12, 
p. 7-15. ano 1997. p.11. Adaptado. 
 
Em Pernambuco, por exemplo, localizado no 
município de Buíque, o sítio de “Alcobaça” possui 
um dos maiores e mais representativos painéis de 
figura rupestre do estado, que, por seu tamanho e 
complexidade, é de grande relevância para o 
entendimento da pré-história local e nacional. Em 
relação ao estudo do período pré-colonial sobre o 
atual estado de Pernambuco, assinale a alternativa 
INCORRETA. 
A) O sítio “Furna do Estrago”, localizado no município 
do Brejo da Madre de Deus, é de grande importância 
para o entendimento dos grupos que habitaram o 
atual agreste nordestino, uma vez que permite se 
entender um pouco mais sobre os rituais funerários 
da época. 
B) O material arqueológico, encontrado nos sítios que 
remontam ao período pré-colonial do estado, é 
fundamental para se entender o povoamento da 
região, bem como parte das características 
socioculturais daqueles que os utilizaram. 
C) As figuras rupestres, encontradas em vários sítios 
de Pernambuco, são de grande relevância para a 
compreensão das populações que habitaram as terras 
pertencenteshoje a esse estado. 
D) Embora a região da Zona da Mata também possua 
vestígios da presença dos Homo Sapiens Sapiens, o 
Agreste e o Sertão pernambucano, durante o longo 
período pré-colonial, são os locais onde pode ser 
encontrado o maior número de sítios arqueológicos 
do Estado. 
E) Embora “Alcobaça” possua grande 
representatividade entre os arqueólogos, o estado de 
Pernambuco, como um todo, tem pouca importância 
para o entendimento do período pré-colonial. Isso se 
deve, dentre outras coisas, ao pequeno número de 
sítios encontrados em seu território. 
 
47. Leia os textos a seguir: 
 
Texto I 
 
“A cultura Afrodescendente tem sido muitas vezes 
reificada, apresentada como um repertório inerte de 
tradições, como se não estivesse enraizada em 
processos culturais dinâmicos e em ambientes sociais 
desiguais...”. 
 
LIMA, I. M. de F.; GUILLEN, I. C. M. Cultura afro-
descendente no Recife: maracatus, valentes e 
catimbós. Recife: Bagaço, 2007. p. 39. 
 
Texto II 
 
“A cultura e o folclore são meus / Mas os livros foi 
você quem escreveu... / Perseguidos sem direito nem 
escolas / Como podiam registrar as suas glórias / 
Nossa memória foi contada por vocês / E é julgada 
verdadeira como a própria lei / Por isso, temos 
registrado em toda a história / Uma mísera parte de 
nossas vitórias / Por isso, não temos sopa na colher / 
E sim, anjinhos para dizer que o lado mau é o 
Candomblé...”. 
 
Texto III 
 
“O preconceito racial a que são submetidos não só os 
maracatuzeiros e maracatuzeiras mas toda a 
população negra desta cidade está oculto nas falas, 
nos procedimentos, nos gestos...”. 
LIMA, I. M. de F.; GUILLEN, I. C. M. Cultura 
afrodescendente no Recife: maracatus, valentes e 
catimbós. Recife: Bagaço, 2007. p. 11. 
 
Com base nos textos, analise aspectos das 
manifestações culturais Afro-Brasileiras em 
Pernambuco e assinale a alternativa CORRETA. 
A) O livre exercício dos cultos religiosos bem como a 
proteção dos locais onde são realizados, garantidos 
pela Constituição de 1988, foram decisivos para que 
não houvesse, nos últimos anos, casos de intolerância 
religiosa em Pernambuco. 
B) A permanência da cultura Afro-brasileira em 
Pernambuco demonstra que os afrodescendentes, 
após a abolição da escravatura, tiveram suas 
condições sociais alteradas, sendo reconhecidos e 
respeitados pelo Estado brasileiro bem como por sua 
sociedade. 
C) Embora muito praticada em Pernambuco nos 
 
85 
 
tempos de hoje, a capoeira só chegou a esse Estado 
graças ao desenvolvimento da capoeira regional e 
capoeira de angola na Bahia. 
D) A permanência da herança cultural 
afrodescendente no estado de Pernambuco só foi 
possível devido às táticas estabelecidas pelos sujeitos 
históricos, que partilhavam e partilham esses códigos 
culturais, constituindo-se em uma atitude de 
resistência em defesa da identidade e do respeito à 
diversidade cultural. 
E) A herança cultural afrodescendente em 
Pernambuco, como o maracatu, são verdadeiras 
reproduções dos costumes africanos. No caso, o 
maracatu era a antiga coroação dos reis e rainhas do 
congo. 
 
48. Durante os três séculos, nos quais vigorou a 
escravidão no Brasil, a resistência de escravos tanto 
de origem africana quanto de origem indígena foi 
constante e tomou as mais diversas formas. No 
século XIX, quando a escravidão brasileira viveu seu 
apogeu com o maior afluxo de escravos africanos, o 
crescimento das cidades fez multiplicar nelas não 
apenas o número de escravos mas também as 
formas de resistência, que se diversificavam cada vez 
mais. E, se as fugas sempre foram as mais famosas e 
emblemáticas dessas formas de resistência, nunca 
foram as únicas. Sobre elas, diz o historiador Marcus 
Carvalho: 
 
“Nunca faltaram fugas de escravos no Recife. Alguns 
se aproveitavam dos cortes que o Capibaribe fazia 
entre os bairros para se evadirem dentro da própria 
cidade em busca de dias melhores. Existem ainda 
casos mostrando o outro lado da história: fugas do 
Recife para o interior, ou até para fora da Província, 
buscando a distância do senhor ou a proximidade de 
parentes, amores, amigos e pessoas da mesma etnia 
ou nação.” 
(CARVALHO, M. J. M. Liberdade: Rotinas e Rupturas 
do Escravismo no Recife, 1822-1850. Recife: Ed. 
Universitária da UFPE, 2010. P. 176) 
 
Tendo em vista esse cenário, assinale a alternativa 
INCORRETA. 
) O quilombo do Catucá, situado nas margens do 
Recife, na primeira metade do século XIX, 
caracterizou-se por ser um espaço de resistência 
contra a escravidão, que cresceu beneficiando-se dos 
muitos conflitos internos das próprias elites 
escravistas, principalmente nas chamadas 
insurreições liberais. 
B) O quilombo do Catucá, situado nas margens do 
Recife, na primeira metade do século XIX, cresceu 
associado a esse centro urbano, beneficiado das fugas 
de escravos do Recife e canaviais da região, chegando 
também a se expandir sobre toda a região antes 
dominada por seu predecessor, o quilombo de 
Palmares. 
C) Com o crescimento da escravidão urbana no Recife 
do século XIX, começaram a se desenvolver novas 
formas de fugas, como as chamadas „fugas de portas 
a dentro‟, quando um escravo urbano fugia de seu 
dono, mas permanecia na mesma cidade, agora 
servindo a um novo senhor com o qual havia 
estabelecido um processo de negociação. 
D) Construções culturais, como a capoeira, o 
maracatu, e mesmo o culto a determinados santos 
católicos, como São Benedito e Nossa Senhora do 
Rosário, foram importantes formas de resistência 
cotidiana, elaboradas por escravos e ex-escravos nas 
margens da sociedade escravista e mesmo em suas 
instituições mais importantes, como a Igreja Católica 
E) O trabalho escravo nos canaviais também gerava 
resistência, fosse na forma de revoltas e assassinatos 
de feitores, fosse na forma de sabotagens da 
produção. 
 
 
49. Segundo a historiadora Graça Ataíde, no seu livro 
A construção da Verdade Autoritária, a “...vigilância 
e o controle sobre a imprensa em Pernambuco 
garantiam ao Estado a propaganda e o 
doutrinamento político... utilizando-se da persuasão e 
do doutrinamento diário, a Folha da Manhã, 
veiculava, por meio de suas mensagens, valores que 
compunham a ideologia estadonovista”. 
(ALMEIDA, M. das G. A. A., A construção da Verdade 
Autoritária. São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 2001. 
p. 181.) 
 
Em relação aos valores e à ideologia defendidos pelo 
Estado Novo, do qual Agamenon Magalhães, em 
nível estadual, era um de seus maiores 
representantes, assinale a alternativa CORRETA. 
A) Igualdade, Liberdade Política, Xenofobismo, 
Anticomunismo. 
B) Liberdade Política, Igualdade, Estado Mínimo, 
Descentralização Política. 
C) Anticomunismo, Educação Libertária, Xenofilismo, 
Nacionalismo. 
D) Estado Mínimo, Educação Libertária, Xenofilismo, 
Antissemitismo. 
E) Nacionalismo, Xenofobismo, Anticomunismo, 
Antissemitismo. 
 
50. Com relação ao tipo de organização social 
predominante entre os grupos indígenas que 
 
86 
 
habitavam o litoral do atual estado de Pernambuco 
no momento dos primeiros contatos com os 
europeus, assinale a alternativa CORRETA. 
A) As tribos tupi do litoral de Pernambuco pré-
colonial possuíam uma população de algumas 
centenas de indivíduos, divididos em pequenas 
aldeias espalhadas pelos quilômetros da costa entre o 
Rio São Francisco e o Canal de Santa Cruz. 
B) A maioria dos grupos indígenas que habitava a 
atual costa de Pernambuco no período da conquista 
era de língua Tupi, organizava-se em aldeias de 
milhares de indivíduos, cujos laços sociais principais 
eram firmados em linhagens e parentescos, e onde a 
divisão de trabalho baseava-se, principalmente, em 
quesitos de gênero e idade. 
C) Os grupos tupi que ocupavam o território do atual 
estado de Pernambuco no momento da conquista se 
organizavam em tribos de caçadores nômades que 
cultuavam divindades representando espíritos da 
natureza, como Tupã. 
D) Todos os grupos indígenas que ocupavam o atual 
estado do Pernambuco no momento da conquista 
praticavamrituais antropofágicos, associados com o 
culto às divindades bélicas. 
E) Os grupos indígenas tapuia que ocupavam todo o 
litoral do atual estado de Pernambuco durante o 
processo de conquista tinham suas estruturas sociais 
baseadas em linhagens e parentescos, divisão de 
trabalho por gênero e idade, praticavam a agricultura 
sazonal e possuíam uma cultura na qual os principais 
valores sociais giravam em torno da guerra. 
 
 
51. A chamada Guerra dos Mascates, episódio 
ocorrido em Pernambuco, entre 1710 e 1711, foi um 
conflito entre diferentes elites político-econômicas, 
localizadas em Olinda e Recife, resultando na 
ascensão da elite mercantil de Recife. Sobre isso, 
assinale a alternativa CORRETA. 
A) Em 1711, as autoridades coloniais puseram fim ao 
conflito, reafirmando o status de Recife enquanto vila, 
o que conferiu à elite dessa povoação os meios para 
consolidar seu poder político na capitania, mediante 
cargos na câmara municipal da nova vila. 
B) Os mercadores do Recife foram politicamente 
apoiados, em sua revolta contra o poderio dos 
senhores olindenses, por diversos grupos sociais livres 
de Recife e Olinda assim como por um pequeno 
número de escravos. 
C) A Guerra dos Mascates foi um conflito político 
entre senhores de engenho e mercadores de grande 
porte em Pernambuco do início do século XVIII que se 
estendeu por outras províncias do atual Nordeste, 
como o Ceará e o Rio Grande do Norte. 
D) Os mercadores do Recife, em sua ânsia por 
liberdade, proclamaram a República em 1711, 
proclamação, entretanto, revogada pelas autoridades 
coloniais. 
E) Em 1711, as autoridades coloniais puseram fim ao 
conflito, elevando o Recife à categoria de vila, mas 
dando à elite olindense a primazia sobre os cargos da 
nova câmara municipal do Recife. 
 
52. Segundo o historiador Pedro Puntoni, no livro „A 
Guerra dos Bárbaros’, “Sem dúvida alguma, a 
compreensão dos povos ditos tapuias como uma 
unidade histórica e cultural, em oposição não só ao 
mundo cristão europeu mas aos povos tupis, 
habitantes do litoral, foi um dos elementos mais 
importantes na caracterização coeva da unicidade dos 
conflitos ocorridos no Nordeste, ao longo das décadas 
finais dos Seiscentos e início dos Setecentos, no 
contexto específico do processo de expansão da 
pecuária e, portanto, da fronteira. De fato, a extensa 
documentação colonial refere-se ao conjunto de 
confrontos e sublevações dos grupos tapuias do 
sertão nordestino como uma „Guerra dos Bárbaros‟, 
unificando, dessa maneira, situações e contextos 
peculiares. Por isso, tal como no episódio da chamada 
Confederação dos Tamoios, inventada pela intuição 
de Gonçalves de Magalhães, a Guerra dos Bárbaros 
foi igualmente tomada pela historiografia como uma 
confederação das tribos hostis ao império português, 
um genuíno movimento organizado de resistência ao 
colonizador. (...) Câmara Cascudo, que conhecia bem 
a documentação colonial do Rio Grande, criticou em 
sua História aqueles que, „lembrando a dos tamoios‟, 
chamavam a Guerra dos Bárbaros, 
„romanticamente‟, de confederação dos cariris „Não 
houve plano comum nem unidade de chefia.” 
(PUNTONI, Pedro. A Guerra dos Bárbaros - Povos 
Indígenas e a Colonização do Sertão Nordeste do 
Brasil, 1650-1720. São Paulo, Hucitec, 2002, p. 77;79). 
 
 
A partir do texto acima, assinale a alternativa 
CORRETA. 
A) O autor defende que a existência de uma 
confederação dos cariris, ou mesmo, de uma Guerra 
dos Bárbaros generalizada são criações dos 
historiadores que mal interpretaram a documentação 
colonial. 
B) O autor associa a Guerra dos Bárbaros à 
Confederação dos Tamoios, defendendo que ambas 
foram movimentos sociais indígenas contra a 
colonização. 
C) O autor defende a existência de um confronto 
entre as forças da colonização e as populações 
 
87 
 
indígenas sertanejas, organizadas em uma frente 
comum. 
D) O texto defende que nunca existiu um levante 
indígena sertanejo contra a colonização, tendo sido a 
Guerra dos Bárbaros apenas uma invenção da 
historiografia. 
E) Segundo o autor, por não haver unidade na 
resistência indígena contra a colonização, essa 
resistência não teria existido. 
 
53. Sobre a Restauração Pernambucana e o fim do 
domínio holandês podemos afirmar que: 
 
I. A substituição de Nassau na administração da Nova 
Holanda, em 1644, pelo Supremo Conselho, acirrou 
conflitos entre devedores (luso-brasileiro) e credores 
(holandeses). 
II. André Vidal de Nogueira e João Fernandes Vieira, 
senhores de engenho e aliados dos holandeses, 
apoiaram a nova política financeira do Supremo 
Conselho. 
III. Vários combates foram travados pelas tropas luso-
brasileira e holandesas. Os mais importantes foram: o 
do Monte das Tabocas, o da convenção de Beberibe e 
o do Monte Guararapes. 
IV. A partir de 1651, a guerra naval entre Inglaterra e 
Holanda possibilitou a diminuição do auxílio dos 
Estados Gerais aos holandeses em Pernambuco. 
V. Os ingleses que haviam excluído a Holanda do seu 
comércio, auxiliaram os luso-brasileiros na 
restauração. 
 
Estão corretas 
a) I, IV e V 
b) apenas I 
c) I, II e IV 
d) I, III e V 
e) apenas IV 
 
54. Sobre a Guerra dos Bárbaros, marque a opção 
correta: 
a) Caracterizou-se por conflitos entre escravos 
africanos e índios pela posse de terras. 
b) Ocorreu apenas na Capitania de Pernambuco e 
questionou a autoridade portuguesa. 
c) Agregou um conjunto de batalhas envolvendo de 
um lado os índios e, de outro, os colonos pela 
conquista de terras no interior. 
d) Movimento de escravos contra seus senhores. 
e) Teve seu período áureo no século XVIII, no 
governo do Marquês de Pombal. 
 
55. A Guerra dos Bárbaros representou a tentativa 
dos nativos em impedir o avanço dos colonos por 
regiões ainda não exploradas. Sobre esse contexto, 
responda a alternativa correta. 
A) O conflito destacou-se pela luta armada 
encabeçada por escravos. 
B) A guerra arrastou-se por décadas, tendo os índios 
como um dos principais protagonistas envolvidos na 
defesa de seus territórios. 
C) As tropas oficiais do governo foram suficientes para 
vencer o bloqueio criado pelos nativos. 
D) O que impulsionou os colonos a adentrarem o 
interior foi a busca por pau-brasil. 
E) As únicas regiões atingidas pela guerra foram as 
capitanias da Bahia e Pernambuco. 
 
 
“A fé deveria ser sempre invencível como o raio de 
luz, ao passo que o amor, como o calor, deveria 
expandir-se e cobrir as necessidades dos nossos 
irmãos. ” 
 
(Martinho Lutero) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
88 
 
DIREITO CONSTITCIONAL 
Professora Cristiana Costa 
 
1. DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS E 
COLETIVOS 
 
 Direitos e garantias fundamentais – a CF agrupa os 
direitos fundamentais em: 
 
- direitos individuais e coletivos (capítulo I); 
 
- direitos sociais (capítulo II); 
 
- direitos de nacionalidade (capítulo III); 
 
- direitos políticos (capítulo IV); 
 
- direitos relacionados à participação em partidos 
políticos e sua existência e organização (capítulo 
V); 
 
 Distinção entre direitos e garantias fundamentais 
 
 Direitos fundamentais – são os bens em si 
mesmo considerados, declarados como tais no texto 
constitucional (ex.: direito à vida); 
 
 Garantias fundamentais – são estabelecidas 
pelo texto constitucional como instrumentos de 
proteção dos direitos fundamentais. As garantias 
possibilitam que os indivíduos façam valer, frente ao 
Estado, os seus direitos fundamentais (ex.: habeas 
corpus); 
 
 Características dos direitos fundamentais 
(sintetização feita por Alexandre de Moraes): 
 
 imprescritibilidade – os direitos fundamentais 
não desaparecem com o decurso de tempo; 
 
 inalienabilidade – não há possibilidade de 
transferência dos direitos fundamentais a outrem; 
 
 irrenunciabilidade – em regra, os direitos 
fundamentais não podem ser objeto de renúncia; 
 
 inviolabilidade – impossibilidade de sua não 
observância por disposições infraconstitucionais 
ou por atos das autoridades públicas; 
 
 universalidade – devem abrangertodos os 
indivíduos, independentemente de sua 
nacionalidade, sexo, raça, credo ou convicção 
político-filosófica; 
 
 efetividade – a atuação do Poder Público deve 
ter por escopo garantir a efetivação dos direitos 
fundamentais; 
 
 interdependência – as várias previsões 
constitucionais, apesar de autônomas, possuem 
diversas intersecções para atingirem suas 
finalidades. Assim, a liberdade de locomoção está 
intimamente ligada à garantia de habeas corpus; 
 
 complementaridade – os direitos fundamentais 
não devem ser interpretados isoladamente, mas 
sim de forma conjunta com a finalidade de 
alcançar os objetivos previstos pelo legislador 
constituinte. 
 
 Natureza relativa dos direitos fundamentais – os 
direitos fundamentais dispõem de um caráter relativo 
(não absoluto), visto que encontram limites nos 
demais direitos igualmente consagrados pelo texto 
constitucional. 
 
 Conflito ou colisão entre direitos fundamentais – 
ocorre conflito ou colisão entre direitos fundamentais 
quando, em um caso concreto, uma das partes invoca 
um direito fundamental em sua proteção, enquanto a 
outra se vê amparada por outro direito fundamental. 
 
 Inexistência de hierarquia entre direitos 
fundamentais – não existe hierarquia entre direitos 
fundamentais, o que o impossibilita cogita-se de 
invariável aplicação integral de um deles, resultando 
na aniquilação total de outro. 
 
 Princípio da harmonização, ou da relativização, ou 
da concordância prática – havendo conflito entre 
direitos fundamentais, o intérprete deverá realizar 
um juízo de ponderação, consideradas as 
características do caso concreto. Conforme as 
peculiaridades da situação concreta com que se 
depara o aplicador do direitos, um ou outro direito 
fundamental deverá prevalecer. Haverá assim a 
redução proporcional do âmbito de alcance de cada 
qual, sempre em busca do verdadeiro significado da 
norma e da harmonia do texto constitucional com 
suas finalidades precípuas. 
 
 DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS E COLETIVOS 
 
89 
 
 
Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção 
de qualquer natureza, garantindo–se aos brasileiros 
e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à 
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos 
seguintes: 
 
 Princípio da igualdade ou isonomia - A principal 
disposição do caput deste art. 5º é o Princípio 
Igualdade, segundo o qual “todos são iguais perante a 
lei”. Não significa que todas as pessoas terão 
tratamento igual pelas leis brasileiras, mas que terão 
tratamento diferenciado na medida das suas 
diferenças. O que a Constituição exige é que as 
diferenças impostas sejam justificáveis pelos objetivos 
que se pretende atingir pela lei. Assim, por exemplo, 
diferençar homem e mulher num concurso público 
será, em geral, inconstitucional. Mas, por exemplo, é 
possível tratar homens e mulheres de forma 
diferenciada em concurso público no teste físico 
posto que homens e mulheres fisicamente estão em 
situação de desigualdade. 
 
Igualdade formal – todos são iguais perante a lei, sem 
distinção de qualquer natureza; 
Igualdade material – deve-se tratar de forma igual, os 
iguais e de forma desigual, os desiguais. 
 
 Direito à vida - o direito individual fundamental é 
vida possui duplo aspecto: um biológico, que diz 
respeito à integridade física e psíquica 
(desdobramento do direito à saúde, à vedação à pena 
de morte, à proibição do aborto etc.); um outro 
prisma é o sentido mais amplo, que significa 
condições materiais e espirituais mínimas necessárias 
a uma existência condigna à natureza humana (direito 
a uma vida digna). 
 
I - homens e mulheres são iguais em direitos e 
obrigações, nos termos desta Constituição; 
Neste inciso trata-se do princípio da isonomia 
ou da igualdade também, porém voltado 
especificamente para homens e mulheres. Este inciso 
impõe uma igualdade entre homens e mulheres, mas 
é uma igualdade relativa, não absoluta, posto que 
homens e mulheres serão tratados de forma desigual 
quando estiverem em situação de desigualdade. 
A Lei nº 9.029/95, proíbe a exigência de 
atestados de gravidez e esterilização, e outras 
práticas discriminatórias, para efeitos admissionais ou 
de permanência de relação jurídica de trabalho. 
 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer 
alguma coisa senão em virtude da lei; 
Tal princípio visa combater o poder arbitrário 
do Estado. Só por meio das espécies normativas 
devidamente elaboradas conforme regras de 
processo legislativo constitucional podem-se criar 
obrigações para o indivíduo. 
Este é o chamado princípio da legalidade. 
 
 Diferença entre o princípio da legalidade do art. 5º 
(aplicável ao particular) e o do art. 37, caput 
(aplicável à Administração Pública): 
 
 princípio da legalidade do art. 5º - somente a 
lei pode criar obrigações e, por outro lado, a 
inexistência de lei proibitiva de determinada 
conduta implica ser ela permitida. 
 
 princípio da legalidade da Administração 
Pública (art. 37, caput) – pelo princípio da 
legalidade aplicável à Administração Pública, 
tem-se que o Estado está sujeito às leis. Assim, 
tem-se que o Estado não pode atuar, nem de 
forma contrária à lei, nem na ausência de lei. 
Assim, sendo a lei omissa o Estado não poderá 
atuar. 
 
III - ninguém será submetido a tortura nem a 
tratamento desumano ou degradante; 
Esse inciso visa, dentre outras coisas, proteger 
a dignidade da pessoa humana contra atos que 
poderiam atentar contra ela. Tratamento desumano é 
aquele que sem tem por contrário à condição de 
pessoa humana. Tratamento degradante é aquele 
que, aplicado, diminui a condição de pessoa humana 
e sua dignidade. Tortura é sofrimento psíquico ou 
físico imposto a uma pessoa, por qualquer meio. A Lei 
n.º 9.455/97, veio definir, finalmente, os crimes de 
tortura, até então não existentes no Direito brasileiro. 
Com essa lei de 1997 passou a ter definição legal, qual 
seja o constrangimento a alguém, mediante o 
emprego de violência ou grave ameaça, física ou 
psíquica, causando-lhe sofrimento físico ou mental. A 
palavra “ninguém” abrange qualquer pessoa, 
brasileiro ou estrangeiro. 
 
IV - É livre a manifestação do pensamento, sendo 
vedado o anonimato; 
A liberdade de manifestação do pensamento 
é o direito que a pessoa tem de exprimir, por forma e 
meio, o que pensa a respeito de qualquer coisa. A 
única exigência da Constituição é de que a pessoa que 
exerce esse direito se identifique, para impedir que 
ele seja fonte de leviandade ou que seja usado de 
 
90 
 
maneira irresponsável. Sabendo quem é o autor do 
pensamento manifestado, o eventual prejudicado 
poderá usar o próximo inciso, o V, para defender-se. 
Os abusos porventura ocorridos no exercício 
indevido da manifestação do pensamento são 
passíveis de exame e apreciação pelo Poder Judiciário 
com a consequente responsabilidade civil e penal de 
seus autores. 
O direito à manifestação do pensamento não 
autoriza toda e qualquer manifestação, como, por 
exemplo, a apologia de fatos criminosos ou a 
propaganda do nazismo. 
 
 Vedação ao anonimato – essa vedação abrange 
todos os meios de comunicação e tem o intuito de 
possibilitar a responsabilização de quem cause danos 
a terceiros em decorrência da expressão de juízos ou 
opiniões ofensivos, levianos, caluniosos etc. 
 
 Denúncias anônimas – a vedação ao anonimato 
impede o acolhimento de denúncias anônimas. 
Entretanto, de acordo com o posicionamento do STF, 
“nada impede que o Poder Público, provocado por 
delação anônima (‘disque-denúncia’, p. ex.), adote 
medidas informais destinadas a apurar, previamente, 
em averiguação sumária, ‘com prudência e discrição’, 
a possível ocorrência de eventual situação de ilicitude 
penal, desde que o faça com o objetivo de conferir 
verossimilhança dos fatos nela enunciados, em ordem 
de promover, então, em caso positivo, a forma 
instauração da ‘pesecutio criminis’, mantendo-se 
assim completa desvinculaçãodesse procedimento 
estatal em relação às peças apócrifas”; (Inquérito 
1.957/PR) 
 
V - é assegurado o direito de resposta, 
proporcional ao agravo, além da indenização por 
dano material, moral ou à imagem; 
O direito de resposta impõe um limite à 
liberdade de expressão, procurando evitar que o uso 
abusivo e leviano da mesma possa redundar em 
agressões à honra de terceiros (pessoas físicas ou 
jurídicas). É uma garantia de eficácia do direito à 
privacidade. 
A norma pretende a reparação da ordem 
jurídica lesada, seja por meio de ressarcimento 
econômico, seja por outros meios, por exemplo, do 
direito de resposta. 
A consagração constitucional do direito de 
resposta proporcional ao agravo é instrumento 
democrático moderno previsto em vários 
ordenamentos jurídico-constitucionais, e visa 
proteger a pessoa de imputações ofensivas e 
prejudiciais a sua dignidade humana e sua honra. 
O desagravo deverá ter o mesmo destaque, a 
mesma duração (no caso de rádio e televisão), o 
mesmo tamanho (no caso de imprensa escrita) que a 
notícia que gerou a relação conflituosa. 
 
VI - é inviolável a liberdade de consciência de 
crença, sendo assegurado o livre exercício de cultos 
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção 
aos locais de culto e as suas liturgias; 
A abrangência do preceito constitucional é 
ampla, pois sendo a religião o complexo de princípios 
que dirigem os pensamentos, ações e adoração do 
homem para com Deus, acaba por compreender a 
crença, o dogma, a moral, a liturgia e o culto. O 
constrangimento à pessoa humana de forma a 
renunciar sua fé representa o desrespeito à 
diversidade democrática de ideias, filosofias e a 
própria diversidade espiritual. 
A liberdade religiosa abrange inclusive o 
direito de não acreditar ou professar nenhuma fé, 
devendo o Estado respeito ao ateísmo. 
É assegurado o livre exercício do culto 
religioso, enquanto não for contrário à ordem, 
tranquilidade e sossego públicos, bem como 
compatível com os bons costumes. 
A liberdade religiosa não atinge grau 
absoluto, não sendo, pois, permitidos a qualquer 
religião ou culto atos atentatórios à lei, sob pena de 
responsabilização civil e criminal. 
 
Obs.: Estado laico - a Constituição Federal de 1824 
consagrava a religião Católica Apostólica Romana 
como a religião oficial do país. Atualmente, a 
Constituição Federal de 1988 consagra o Estado como 
sendo laico, ou seja, sem religião oficial, consagrando, 
ainda, a liberdade religiosa. 
 
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de 
assistência religiosa nas entidades civis e militares de 
internação coletiva; 
Encerra um direito subjetivo daquele que se 
encontra internado em estabelecimento coletivo. 
Trata-se de norma assecuratória que garante 
o livre exercício da liberdade de crença ao detento, 
paciente, servidor, hóspede, interno, a fim de que 
possa exercer, ou ser assistido por sua crença, 
independentemente da eventual orientação religiosa 
do estabelecimento de internação coletiva em que se 
encontre. 
Assim, ao Estado, cabe, nos termos da Lei, a 
materialização das condições para prestação dessa 
assistência religiosa, que deverá ser de tantos credos 
quanto aqueles solicitados pelos internos. 
 
91 
 
Não se poderá obrigar nenhuma pessoa que 
se encontrar nessa situação, seja em entidades civis, 
militares, a utilizar-se da referida assistência religiosa, 
em face da total liberdade religiosa vigente no Brasil. 
 
VIII - Ninguém será privado dos direitos por 
motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica 
ou política, salvo se as invocar para eximir-se de 
obrigação legal a todos imposta e recusar-se a 
cumprir prestação alternativa, fixada em lei; 
O texto atual criou a possibilidade da 
prestação alternativa, fixada em lei, para aquele que 
se eximir da obrigação primária a todos imposta. Essa 
alternatividade não é fruto da discricionariedade da 
autoridade pública, pois deve estar previamente 
estabelecida em lei. A recusa injustificada de cumprir 
obrigação legal ou prestação alternativa implicará 
perda ou suspensão dos direitos políticos positivos. 
Alguns autores defendem ser o caso de perda dos 
direitos políticos, seguindo a doutrina clássica de 
Alexandre de Morais. Outros entendem ser o caso de 
suspensão de direitos políticos. 
O direito à escusa de consciência não está 
adstrito simplesmente ao serviço militar obrigatório, 
mas pode abranger quaisquer obrigações coletivas 
que conflitem com as crenças religiosas, convicções 
políticas ou filosóficas, como, por exemplo, o dever de 
alistamento eleitoral aos maiores de 18 anos e o 
dever de voto aos maiores de 18 anos e menores de 
70 anos (CF, art. 14, § 1o, I e II), cujas prestações 
alternativas vêm previstas nos arts. 7o e 8o do Código 
Eleitoral (justificação ou pagamento de multa 
pecuniária). 
A prestação alternativa, porém, terá que ser 
compatível com as crenças ou convicções do 
indivíduo. Se o sujeito cumprir a prestação 
alternativa, não poderá ele ser privado de seus 
direitos. 
 
Serviço militar obrigatório - O art. 143 da 
Constituição Federal prevê que o serviço militar é 
obrigatório nos termos da lei (Lei n° 4.375/64, 
regulamentada pelo Decreto n° 57.654/66), 
competindo às Forças Armadas, na forma da lei, 
atribuir serviços alternativos aos que, em tempo de 
paz, após alistados, alegarem imperativo de 
consciência, entendendo-se como tal o decorrente de 
crença religiosa e de convicção filosófica ou política, 
para eximirem-se de atividade de caráter 
essencialmente militar. 
Entende-se por serviço militar alternativo o 
exercício de atividades de caráter administrativo, 
assistencial filantrópico ou mesmo produtivo, em 
substituição às atividades de caráter essencialmente 
militar. 
 
IX - É livre a expressão da atividade intelectual, 
artística, científica e de comunicação, 
independentemente de censura ou licença; 
A liberdade de expressão e de manifestação 
do pensamento não pode sofrer nenhum tipo de 
limitação prévia, no tocante a censura de natureza 
política, filosófica, ideológica e artística. 
 
 Caráter relativo – este princípio não tem caráter 
absoluto, visto que encontra limites em outros 
valores protegidos constitucionalmente, sobretudo, 
na inviolabilidade da privacidade e da intimidade do 
indivíduo e na vedação do racismo. Caso esta 
manifestação ato ilícito, será a pessoa que a 
manifestou responsabilizada civil e penalmente pelo 
ato praticado, sendo resguardado o direito à 
indenização por danos morais e materiais. 
 
O texto constitucional repele frontalmente a 
possibilidade de censura prévia. Essa previsão, 
porém, não significa que a liberdade de imprensa é 
absoluta, não encontrando restrições nos demais 
direitos fundamentais, pois a responsabilização do 
autor e/ou responsável pelas notícias injuriosas, 
difamantes, mentirosas sempre será cabível, em 
relação a eventuais danos materiais e morais. 
 
X - São invioláveis a intimidade, a vida privada, 
a honra e a imagem das pessoas, assegurado o 
direito a indenização pelo dano material ou moral 
decorrente de sua violação; 
Os direitos à intimidade e à própria imagem 
formam a proteção constitucional à vida privada, 
salvaguardando um espaço íntimo intransponível por 
intromissões ilícitas externas. 
A proteção constitucional refere-se tanto a 
pessoas físicas quanto a pessoas jurídicas, 
abrangendo, inclusive, à necessária proteção à 
própria imagem frente aos meios de comunicação em 
massa (televisão, rádio, jornais, revistas, etc.). 
A intimidade relaciona-se às relações subjetivas e de 
trato íntimo da pessoa, suas relações familiares e de 
amizade, enquanto a vida privada envolve todos os 
demais relacionamentos humanos, inclusive os 
objetivos, tais como relações comerciais, de trabalho, 
de estudo, etc. 
 
A proteção constitucional em relação àqueles 
que exercem atividade política ou ainda em relação 
aos artistas em geral deve ser interpretada de uma 
 
92 
 
forma mais restrita, havendo necessidadede uma 
maior tolerância ao se interpretar o ferimento das 
inviolabilidades à honra, à intimidade, à vida privada e 
à imagem, posto que devido ao próprio exercício de 
suas atividades profissionais se exige maior e 
constante exposição à mídia. Esta necessidade de 
interpretação mais restrita, porém, não afasta a 
proteção constitucional contra ofensas 
desarrazoadas, desproporcionais, e principalmente, 
sem qualquer nexo causal com a atividade 
profissional realizada. 
 Pessoas jurídicas – as pessoas jurídicas também têm 
direito à indenização por danos morais, em razão de 
fato ofensivo à sua honra e à imagem. Porém, não 
podem ser sujeitos passivo de crime de calúnia ou 
injúria. 
 
XI - A casa é asilo inviolável do indivíduo 
ninguém nela podendo penetrar sem 
consentimento do morador, salvo em caso de 
flagrante delito ou desastre, ou para prestar 
socorro, ou, durante o dia, por determinação 
judicial; 
Violação de domicílio legal, sem consentimento 
do morador, é permitida, porém, somente nas 
hipóteses constitucionais: 
 
 Dia: flagrante delito ou desastre ou para prestar 
socorro, ou, ainda, por determinação judicial. 
Somente durante o dia, a proteção constitucional 
deixará de existir por determinação judicial 
(cláusula de reserva jurisdicional). 
 Noite: flagrante delito ou desastre ou para 
prestar socorro. 
 
OBS.: Apesar de a Constituição se utilizar da palavra 
“casa” deve-se entender a mesma no sentido de 
“domicílio” o que engloba tanto a residência e a 
habitação com intenção definitiva ou temporária de 
estabelecimento, como também o local onde se 
exerce a profissão ou atividade, desde de que 
constitua um ambiente fechado ou de acesso 
restrito ao público, como é o caso típico dos 
escritórios profissionais e consultórios. 
 
 Horários da violação – para cumprir ordem judicial, 
só durante o dia; para prestar socorro, diante de 
desastre ou flagrante delito, pode-se adentrar a 
qualquer hora do dia ou da noite. 
 
Obs.: parte da doutrina entende que dia é de 06:00 
as 18:00. Já o STF se filia a corrente que entende que 
dia é da aurora ao crepúsculo (dos primeiros aos 
últimos raios de sol do dia). 
 
 Cláusula de reserva jurisdicional – consistente na 
expressa previsão constitucional de competência 
exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário, com total 
exclusão de qualquer outro órgão estatal, para a 
prática de determinados atos. Assim, nem a Polícia 
Judiciária, nem o Ministério Público, nem a 
Administração Tributária, nem a Comissão 
Parlamentar de Inquérito ou seus representantes, 
agindo por autoria própria, podem invadir domicílio 
alheio com o objetivo de apreender, durante o 
período diurno, e sem ordem judicial, quaisquer 
objetos que possam interessar ao Poder Público. 
 
 
 
Obs.: o STF admite, excepcionalmente, a violação de 
domicílio profissional durante a noite por ordem 
judicial para fins de instalação de escuta ambiental. 
 
 
XII - É inviolável o sigilo da correspondência e 
das comunicações telegráficas, de dados e das 
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, 
por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a 
lei estabelecer para fins de investigação criminal 
ou instrução processual penal; 
 
 Posicionamento jurisprudencial – embora a 
Constituição Federal não tenha previsto a 
possibilidade de quebra de sigilo de correspondência, 
das comunicações telegráficas e de dados, a 
jurisprudência do STF é assente no sentido de ser 
possível a quebra desses sigilos sempre que tais 
liberdades públicas estiverem sendo utilizadas como 
instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas. 
 
 Quebra de sigilo de correspondência – de acordo 
com o STF o sigilo de correspondência pode ser 
quebrado por ordem judicial e da administração 
penitenciária. 
 
 Agentes que estão autorizados a quebrar o sigilo 
bancário – a garantia da inviolabilidade do sigilo 
bancário pode ser afastada: 
 
 por determinação judicial; 
 
 por determinação das Comissões 
Parlamentares de Inquérito (CPIs). 
 
 por determinação da autoridade fiscal – o STF, 
em 24/02/2016, julgando as ADIs 2.390, 2.386, 
 
93 
 
2.397 e 2.859, bem como o RE 601.314, 
determinou constitucional a LC 105/2001 que 
permite às autoridades tributárias e agentes 
fiscais da União, dos Estados, do DF e dos 
Municípios, a examinar documentos, livros e 
registros de entidades financeiras, inclusive 
referentes a contas de depósitos e aplicações 
financeiras, quando houver procedimento 
administrativo instaurado ou procedimento 
fiscal em curso e tais exames sejam 
considerados indispensáveis pela autoridade 
administrativa competente, devendo tais 
informações ser mantidas em sigilo, observada 
a legislação tributária. No entendimento do STF 
não se trata propriamente de uma quebra de 
sigilo de dados bancários, mas de uma 
transferência desse sigilo da órbita bancária 
para a órbita fiscal. 
 
 Quebra de sigilo fiscal – entende o STF julgou 
constitucional a LC 104/2001 que dispõe ser possível 
a transferência de sigilo fiscal, mediante solicitação da 
autoridade administrativa no interesse da 
Administração Pública, desde que seja comprovada a 
instauração regular de processo administrativo, no 
órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de 
investigar sujeito passivo a que se refere a 
informação, por prática de infração administrativa. 
 
 Requisitos para a interceptação telefônica – a 
Constituição Federal permitiu a interceptação 
telefônica, desde que obedecidos alguns requisitos: 
 
 deve haver uma lei que preveja as hipóteses e a 
forma em que pode ocorrer a interceptação 
telefônica, obrigatoriamente no âmbito da 
investigação criminal ou instrução processual 
penal; 
 
 tem que haver uma efetiva investigação 
criminal ou instrução processual penal; 
 
 tem que haver ordem judicial específica no caso 
concreto (trata-se da denominada “reserva 
jurisdicional”; nem mesmo a CPI pode 
determinar quebra de sigilo telefônico. 
 
Sendo deferida a interceptação telefônica, a 
prova colhida por meio desta permanecerá em 
segredo de justiça. 
 
Escuta telefônica (ou interceptação parcial) é 
a captação realizada por um terceiro de uma 
comunicação telefônica alheia, mas com o 
conhecimento de um dos comunicadores. 
 
 
 
XIII - É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício 
ou profissão, atendidas as qualificações 
profissionais que a lei estabelecer; 
A regra é simples. Se não houver lei dispondo 
sobre determinada profissão, trabalho ou ofício, 
qualquer pessoa, a qualquer tempo, e de qualquer 
forma, pode exercê-la (por exemplo, artesão, 
marceneiro, carnavalesco, detetive particular, ator de 
teatro). Ao contrário, se houver lei estabelecendo uma 
qualificação profissional necessária, somente aquele 
que atender ao que exige a lei pode exercer esse 
trabalho, ofício ou profissão (casos do advogado, do 
médico, do engenheiro, do piloto de avião). 
 
XIV - É assegurado a todos o acesso à 
informação e resguardado o sigilo da fonte, 
quando necessário ao exercício profissional; 
Defende abertamente o acesso à informação 
de forma ampla e autoaplicável. Traz, em si, 
liberdade de informação jornalística como expressão 
mais sensível de sua concretização. O resguardo do 
sigilo da fonte tem por escopo garantir uma espécie 
de segredo profissional, necessário em alguns casos 
para proteger o informante. Note-se que não se 
confunde com o anonimato, pois o jornalista ou a 
autoridade policial serão direta e legalmente 
responsáveis pelas notícias e/ou diligências que 
protagonizarem. 
 
XV - É livre a locomoção no território nacional em 
tempo de paz, podendo qualquer pessoa nos 
termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele 
sair com seus bens; 
Consagrado aqui um dos direitos mais 
imediatos e inalienáveis do ser humano: o direito de 
ir, vir, permanecer, ficar ou sair; direito à livre 
locomoção. 
Qualquer cerceamento da liberdade de 
locomoção com ilegalidade ou abuso de poder será 
coibido pela impetração do habeas corpus. 
A partefinal diz que qualquer pessoa 
(inclusive estrangeiro) poderá entrar, ficar ou sair do 
Brasil, nos termos da lei, lei está que pode dispor 
sobre passaporte, registro, tributos e coisas do 
 
94 
 
gênero. Qualquer bem móvel está compreendido na 
proteção do dispositivo. 
 
XVI - Todos podem reunir-se pacificamente, sem 
armas, em locais abertos ao público, independente 
de autorização, desde que não frustrem outra 
reunião anteriormente convocada para o mesmo 
local, sendo apenas exigido prévio aviso à 
autoridade competente; 
 Conceito de reunião – o direito de reunião é meio 
de manifestação coletiva da liberdade de expressão, 
em que pessoas se associam temporariamente tendo 
por objeto um interesse comum. 
 
 Requisitos – são requisitos do direito de reunião: 
 
 finalidade pacífica – não há direito à 
realização de reuniões que tenham por fim 
praticar quaisquer espécies de atos de violência. 
 
 ausência de armas – os participantes da 
reunião não podem usar armas. Entretanto, se 
algum participante estiver portando arma, o fato 
não autoriza a dissolução da reunião. Nesse 
caso, a autoridade policial competente deverá 
desarmá-lo ou desarmar o indivíduo infrator, 
permitindo que a reunião tenha andamento; 
 
 é realizada locais abertos ao público – deve 
ser realizada em locais abertos ao público, ainda 
que de percurso móvel, evitando com isso a 
perturbação da ordem pública, ou mesmo a lesão 
de eventual direito de propriedade; 
 
 não pode frustrar outra reunião 
anteriormente convocada para o mesmo local 
– uma reunião não pode atrapalhar outra 
anteriormente convocada para o mesmo local. Irá 
prevalecer sempre aquela que primeiro 
comunicou à autoridade competente. 
 
 independe de autorização – as autoridades 
públicas não dispõem de competência para e 
discricionariedade para decidirem pela 
conveniência, ou não, da realização da reunião, 
tampouco para interferirem indevidamente nas 
reuniões lícitas e pacíficas, em que não haja 
lesão ou perturbação da ordem pública. 
 
 necessidade de prévio aviso à autoridade 
competente – o prévio aviso tem por finalidade 
dar conhecimento à autoridade competente sobre 
a realização da reunião, para que esta adote as 
providências que se fizerem necessárias, tais 
como a regularização do trânsito, a garantia da 
segurança e da ordem públicas, o impedimento 
de realização de outra reunião no mesmo local. 
 
XVII - É plena a liberdade de associação para fins 
lícitos, vedada a de caráter paramilitar; 
É plena a liberdade de associação, de tal 
forma que ninguém poderá ser compelido a associar-
se ou mesmo permanecer associado, desde que para 
fins lícitos, vedada a de caráter militar. A associação 
de caráter paramilitar ou facção é uma sociedade 
armada, dotada de hierarquia, disciplina e com 
ideologia própria que, ao contrário do partido político, 
objetiva atingir o poder e desestabilizá-lo, através de 
quaisquer meios, inclusive pela força. 
 
XVIII - A criação de associações e, na forma da lei, 
a de cooperativas independem de autorização, 
sendo vedada a interferência estatal em seu 
funcionamento; 
Se é plena a liberdade de associação, nada 
mais lógico do que o direito de criá-las ser 
independente de autorização de quem quer que seja. 
Quem determina como vai ser a associação são os 
seus membros, e o Estado não pode interferir, por 
nenhum de seus órgãos no funcionamento da 
entidade. Quanto a cooperativas a disciplina é um 
pouco diferente. A sua criação também não depende 
de autorização de ninguém, e nenhum órgão estatal 
poderá interferir na sua gestão. No entanto, a 
Constituição determina que se obedeça a uma lei que 
vai dispor sobre a criação dessas entidades especiais. 
 
XIX - As associações só poderão ser 
compulsoriamente dissolvidas ou ter suas 
atividades suspensas por decisões judiciais, 
exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em 
julgado; 
A dissolução voluntária de associação 
depende do que os associados decidirem a respeito, 
ou da disciplina do assunto dado pelo regimento 
interno, se houver um. O que a Constituição trata é 
como se fará a dissolução compulsória de associação, 
isto é, quando ela tiver que ser dissolvida contra a 
vontade dos sócios. Tanto para a suspensão das 
atividades quanto para dissolução compulsória, exige 
a Constituição uma decisão judicial, o que importa 
dizer que ordens administrativas ou policiais sobre o 
assunto são inconstitucionais. Entretanto, a 
suspensão das atividades da associação não 
depende do trânsito em julgado da decisão, já a sua 
dissolução compulsória depende. 
 
 
XX - Ninguém poderá ser compelido a associar-se 
ou a permanecer-se associado; 
Ninguém será privado de exercício de um 
direito por não pertencer a qualquer espécie de 
associação. 
O direito individual de associar-se é 
exatamente isso: um direito. Ninguém pode ser 
obrigado à associação, nem a permanecer em uma. 
 
 
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XXI - As entidades associativas, quando 
expressamente autorizadas, têm legitimidade para 
representar seus filiados judicial ou 
extrajudicialmente; 
Uma das funções das associações é 
representar seus associados em ações judiciais ou 
administrativamente. Porém, para tanto as mesmas 
necessitam de uma autorização expressa. 
 
 Representação processual x substituição 
processual – vejamos a diferença entre 
representação processual (art. 5º, XXI) ou substituição 
processual (art. 8º, III): 
 
 Representação processual (art. 5º, XXI) – 
usualmente, aquele que pode ajuizar uma ação, 
isto é, aquele que tem legitimidade ativa, é o 
próprio titular do direito. O titular do direito pode, 
ele próprio, buscar a tutela do direito ou pode 
conferir a alguém a atribuição de representá-lo. 
Se o titular do direito for representado, o 
representante, ao ajuizar a ação, estará atuando 
em nome do representado, e na defesa de 
alegado direito do representado (portanto, em 
nome alheio e na defesa de direito alheio). Nesse 
caso, é necessário que o representado 
expressamente autorize o representante a 
ajuizar a ação. 
 
 substituição processual (art. 8º, III) – em 
alguns casos, o ordenamento jurídico prevê a 
possibilidade da denominada legitimidade ativa 
extraordinária também chamada de substituição 
processual. Nessas situações, o substituto ajuíza 
a ação em seu nome próprio, mas na defesa de 
alegado direito alheio (direito do substituído). 
Quando isso ocorre, não é necessário que o 
substituído autorize expressamente o 
substituto a ajuizar a ação. 
 
 Dualidade de tratamento em relação à 
legitimidade das associações (RMS 23.566-DF, Rel. 
Min. Moreira Alves) – o STF firmou o entendimento 
de que as associações, em algumas situações, atuam 
na qualidade de representante e em outras na 
qualidade de substituto processual: 
 
 Representação processual (art. 5º, XXI) – na 
hipótese genérica do inciso XXI do art. 5º, temos 
o caso de representação processual, sendo, 
portanto, indispensável a autorização expressa e 
específica para a atuação da associação (a 
autorização pode ser firmada individualmente ou 
em assembléia); 
 
 substituição processual (art. 8º, III) – na 
hipótese específica do inciso LXX do art. 5º 
(mandado de segurança coletivo) temos o caso 
de substituição processual, em que a 
associação defende em nome próprio interesse 
alheio, não se exigindo, portanto, autorização 
expressa e específica dos associados para a 
impetração da ação coletiva, bastando para tal a 
autorização genérica constantes dos atos 
constitutivos das associações. 
 
XXII - é garantido o direito de propriedade; 
Este dispositivo assegura as mais variadas 
espécies de propriedade, desde a imobiliária ou 
mobiliária até a intelectual e de marcas. É um 
dispositivo pelo qual se reconhece à pessoa, no 
Brasil, o direito de ser proprietário de algo, em 
contraponto com exclusividade da propriedade estatal 
de outros regimes. A CF, portanto, acaba 
indiretamente dispondo que o Brasil é um país 
capitalista. 
 
XXIII - A propriedade atenderá a sua

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