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HIPERTENSÃO INTRACRANIANA - TUTORIA

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Ádila Cristie Matos Martins 	 UCXXI — Distúrbios sensoriais, motores e da consciência Problema 2, TUTORIA
t
“Pressão de dentro pra fora” - HIPERTENSÃO INTRACRANIANA 
1.DEFINIR E CARACTERIZAR HIC
2.CONHECER A EPIDEMIOLOGIA, ETIOLOGIAS, FISIOPATOLOGIA, MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS, 
DIAGNÓSTICO, DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E TRATAMENTO
- Pressão intracraniana (PIC): pressão exercida pelo conteúdo da caixa craniana 
sobre a dura-máter 
- PIC normal é pulsátil e oscila com os ciclos cardíacos (pico durante sístole e vale 
durante a diástole) e respiratórios, sendo igual à pressão venosa encefálica
PIC = Pencéfalo + Psangue + PLCR 
- Quando um dos componentes se eleva, os demais se reacomodam para manter a 
PIC constante 
- Para crianças < 2 anos de idade, o valor normal PIC (mmHg) é < 7,5. Para crianças, 
< 10. Para adultos, < 15
- Elevações ocasionais e transitórias da PIC, acompanhadas de tosse, espirro ou 
manobras de Valsalva, são normalmente estabilizadas por mecanismos 
hemostáticos
- Fatores que influenciam na PIC: pressão arterial e venosa, pressões intratorácica 
e intra-abdominal, postura (relacionado ao retorno venoso), temperatura e gases 
sanguíneos (CO2)
- HIPERTENSÃO INTRACRANIANA: aumento sustentado (> 20 minutos) da PIC a 
valores maiores que 20mmHg
- O encéfalo do adulto é envolto por uma caixa rígida e inelástica determinada pelos 
ossos do crânio. O interior deste compartimento está preenchido por líquido 
cefalorraquidiano (LCR), sangue localizado nos compartimentos arterial e venoso 
e pelo próprio tecido nervoso 
- A acomodação de tecidos não compressíveis dentro de um compartimento rígido 
gera pressão, neste caso denominada de pressão intracraniana (PIC)
- O aumento da pressão no interior do crânio resulta das várias afecções que podem 
acometer o encéfalo, tais como: traumáticas, tumorais, vasculares, parasitárias, 
inflamatórias e tóxicas, acarretando, frequentemente, consequências irreparáveis 
ou mesmo a morte
- O diagnóstico e o tratamento da HIC devem ser precoces e adequados
EPIDEMIOLOGIA 
- A epidemiologia da HIC em emergências é considerada incerta devido ao grande 
número de distúrbios que podem levar a essa situação clínica. Entretanto, 
sabemos que quando essa situação está presente ocorre um aumento da 
morbimortalidade. Na associação com desordens de origem cerebrovascular no 
início do quadro, a HIC causa um aumento de 35% da mortalidade
ETIOLOGIA 
- LESÕES INTRACRANIANAS: hematomas, hemorragias, abscessos e tumores 
podem aumentar o volume de um hemisfério cerebral. Geralmente o efeito de 
massa da lesão é amplificado pelo edema cerebral em torno da mesma
- AUMENTO DO VOLUME CEBEBRAL (edema citotóxico): infarto cerebral, 
hipoxemia isquêmica global, síndrome de Reye e hiponatremia aguda
- AUMENTO DO VOLUME VASCULAR (edema vasogênico): encefalopatia hepática, 
TCE, meningite, encefalite, encefalopatia hipertensiva, eclâmpsia, HSA, trombose 
venosa cerebral, edema cerebral relacionado à altitude
- AUMENTO DO VOLUME DE LCR: hidrocefalia obstrutiva, hidrocefalia 
comunicante e papiloma de plexo coróide
. . .
- IDIOPÁTICA: causa elevação da pressão intracraniana, sem massas ou 
hidrocefalia, provavelmente por obstrução da drenagem venosa; a composição do 
líquor é normal. A causa é desconhecida
FISIOPATOLOGIA 
- O crânio do adulto pode ser considerado como uma esfera oca de paredes rígidas, 
inelásticas, contendo uma cavidade que se comunica com o canal raquiano por 
uma abertura ampla, o buraco occipital ou forame magno
- O interior do crânio é dividido em compartimentos pela foice e tentório ou tenda do 
cerebelo. Nesta última, o forame de Pacchioni (ou fenda tentorial) permite a 
comunicação entre as cavidades ou fossas supra e infratentorial
- A PIC depende diretamente da constância do volume intracraniano, composto pelo 
liquor, sangue, meninges e tecido cerebral, considerados incompressíveis. Dessa 
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maneira, qualquer aumento no volume de cada um dos três componentes deve 
ocorrer às custas de diminuição dos outros, a fim de manter a PIC constante
- O tecido encefálico ocupa em média 87% do volume intracraniano, sendo 9% 
preenchido por LCR das cisternas, dos ventrículos e do espaço subaracnóideo e 
4% por sangue
- O volume médio de LCR em adultos é de aproximadamente 160 mL, sendo 
produzido predominantemente pelo plexo coroide localizado no interior dos 
ventrículos à velocidade aproximada de 1 mL a cada 2 a 3 minutos (20 a 30 mL/
hora). O grande ritmo de produção liquórica exige que o mesmo circule dos 
ventrículos (ventrículo lateral – forame de Monroe – terceiro ventrículo – aqueduto 
cerebral – quarto ventrículo) para o espaço subaracnóideo pelos forames de 
Luschka (lateral) e Magendie (medial), onde é absorvido pelas granulações de 
Pacchioni, localizadas próximas aos seios durais
- Um ↑ da produção, obstrução do fluxo ou déficit de absorção do LCR acarretam 
aumento de volume no espaço intracraniano e consequente aumento da PIC
- O LCR está em contato íntimo com o parênquima nervoso e com a circulação 
sanguínea e obedece às leis de Pascal. Segundo estas, a pressão do LCR deve ser 
a mesma quando medida nas cavidades ventriculares, na cisterna magna ou no 
fundo-de-saco lombar. O aumento da pressão do LCR do espaço subaracnóideo 
espinal, constatado na mudança da posição horizontal para ortostática, é 
explicado pelo fato de o crânio ser um recipiente imperfeitamente fechado, 
permitindo que parte da pressão atmosférica atue no espaço intracraniano através 
dos vasos sanguíneos
- A PIC, em condições normais, varia de 50 a 200 mm de água ou até 15 mm de 
mercúrio, sendo toleráveis até 20 mmHg, e é anormal somente acima desse valor. 
A monitoração da pressão intracraniana demonstra uma linha basal superposta 
por variações rítmicas secundárias às atividades cardíaca e respiratória, 
alterações de amplitude e periodicidade desses componentes podem ser um 
dos sinais precoces de falência do sistema de autorregulação cerebral e de 
início do aumento da PIC. Na ausência de qualquer patologia, a linha de base da 
PIC, assim como seus componentes pulsáteis, permanece inalterada a despeito de 
vários distúrbios transitórios
- Esses mecanismos mantêm constante a PIC uma vez que não ocorre acúmulo de 
LCR ou aumento do volume intracraniano. Entretanto, diversas patologias como 
hematomas, tumores, hidrocefalia, edema ou inchaço cerebral acarretam alteração 
do volume intracraniano e consequente aumento da PIC
CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA ENCEFÁLICA 
- O metabolismo encefálico depende, fundamentalmente, de oxigênio e glicose. 
Utilizando métodos para medir o fluxo sanguíneo encefálico (FSE) nota-se que o 
encéfalo, representando 2% do peso corporal, consome aproximadamente 20 a 
22% do oxigênio do organismo, necessitando um fluxo sanguíneo que corresponda 
a 15% do rendimento cardíaco. Portanto, o encéfalo necessita de fluxo 
sanguíneo elevado e constante
- O FSE é igual à divisão entre a pressão de perfusão encefálica (PPE) e a resistência 
vascular encefálica (RVE)
FSE = PPE / RVC
- A PPE pode ser definida como a diferença entre a pressão arterial (PA) no nível 
das artérias carótidas internas e vertebrais ao atravessarem a dura-máter, e 
a pressão no nível das jugulares. Na prática, para simplificar, considera-se a 
PPE igual à PA sistêmica
- A RVE pode ser considerada como diretamente proporcional à extensão do leito 
vascular e inversamente proporcional à quarta potência do raio dos vasos. Como, 
na prática, a extensão do leito vascular é invariável, as alterações no diâmetro do 
vaso desempenham importante papel na RVE
- Estudos feitos no homem têm mostrado que o FSE se mantém constante, apesar