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3 ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ADM DIRETA E INDIRETA ENTES DE COOPERAÇÃO 64

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3
DIREITO ADMINISTRATIVO
ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
SUMÁRIO
1 FORMAS DE PRESTAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA	3
1.1. Desconcentração x Descentralização	4
2. RELAÇÃO ENTRE O ESTADO E SEUS AGENTES	6
3. ÓRGÃOS PÚBLICOS	7
3.1 Características	7
3.2 Classificação	9
4. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA	10
4.1 Características comuns	10
4.2 Fundações	13
4.3 Autarquias	14
4.3.1. Conselhos de classe	19
4.3.2. OAB	21
4.3.3. Território.	22
4.3.4. Agências reguladoras.	22
4.3.5. Agência executiva.	31
4.4. Empresas estatais	33
4.4.1. Empresa Pública	34
4.4.2. Sociedade de Economia Mista	35
4.4.3. Diferenças	35
4.4.4. Regra da não intervenção	36
4.4.5. Regime jurídico das empresas estatais	37
4.4.6. Alguns exemplos de empresas estatais	41
4.4.7. REGIME CRIADO – REGRAS GERAIS - LEI 13.303/2016 – Estatuto das Estatais	42
5. ENTES DE COOPERAÇÃO	50
5.1. Conceito	50
5.2. Espécies	51
JURISPRUDÊNCIA EM TESES- STJ	60
DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO	63
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA	63
ATUALIZADO EM 14/09/2020[footnoteRef:1] [1: As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de diálogo (setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos, porventura identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do material e o número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas jurídicas acerca do conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos eventos anteriormente citados. ] 
ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
1 - FORMAS DE PRESTAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA
	Inicialmente, destacamos que a Administração Pública pode ser interpretada a partir de dois aspectos:
· Subjetivo: conjunto de órgãos e entidades que integram a estrutura do Estado e tem como função satisfazer o interesse público, a vontade política governamental. Nesse sentido, deve ser grafada com letras maiúsculas, pois refere-se aos sujeitos.
· Objetivo: é o conjunto de atividades que esses órgãos e entidades desempenham. Ex.: fomentar iniciativa privada, prestar serviço público, exercer poder de polícia.
	No âmbito do direito administrativo, a palavra entidade é utilizada como sinônimo de pessoa jurídica. Assim, não se confunde com órgão, sendo este o conjunto de competências administrativas sem personalidade jurídica.
	Já as entidades políticas ou entes federados são as pessoas jurídicas que compõem a federação brasileira, caracterizados por possuírem autonomia política. Esta inclui, por exemplo, a capacidade de auto-organização, o que engloba a possibilidade de legislar. São pessoas jurídicas de direito público interno. No Brasil, são pessoas políticas: a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.
	Por outro lado, as entidades administrativas são as pessoas jurídicas que integram a administração pública formal, não possuindo autonomia política. Dessa forma, irão compor a administração indireta, sendo elas: as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas e as sociedades de economia mista. Vale destacar, no entanto, que essas entidades possuem autonomia administrativa, ou seja, capacidade de autoadministração, podendo editar regimento interno sobre sua organização e funcionamento, gestão de pessoas etc. Além disso, não são hierarquicamente subordinadas à pessoa política instituidora, sendo apenas vinculadas (sem hierarquia), ocasião em que o ente político exerce sobre elas controle administrativo denominado de tutela ou supervisão.
	Conforme veremos, as entidades administrativas são criadas pelas entidades políticas, quando estas entendem ser conveniente que determinada competência, originalmente sua, passe a ser exercida de forma descentralizada.
Assim, o exercício das atividades administrativas pode se dar tanto de forma centralizada quanto de forma descentralizada.
· Centralizada - prestada pela Administração direta, composta pelos entes políticos e seus respectivos órgãos. É o núcleo da Administração. 
· Descentralizada – transfere para uma nova pessoa. Diferente da desconcentração, que significa o deslocamento dentro da mesma pessoa, criando órgãos. 
1.1. Desconcentração x Descentralização
	a) Desconcentração: é a diluição de competência no âmbito de uma mesma pessoa jurídica que decorre da criação de órgãos públicos. Destaca-se que a desconcentração ocorre tanto no exercício de competências pela administração direta quanto pela indireta.
· A desconcentração origina uma espécie de controle, denominado hierárquico;
· O controle hierárquico ou por subordinação ou autotutela, abrange todos os atos praticados pelo órgão subordinado. A autoridade que ocupa o órgão controlador tem legitimidade para controlar sob a ótica da legalidade e do mérito administrativo todos os atos praticados pelo órgão subordinado. Trata-se de um controle permanente, automático e independe de autorização legal específica.
#JACAIUEMPROVA #CESPE# DPDF/2019: A distribuição de competências a órgãos subalternos despersonalizados, como as secretarias-gerais, é modalidade de descentralização de poder.
Justificativa trazida pela banca - ERRADO. A atribuição de competências a órgãos públicos subalternos é fruto de um movimento de desconcentração de poder, e não de descentralização. A descentralização é o processo de distribuir tarefas a entidades diversas dotadas de personalidade jurídica própria.
#UMPOUCODEDOUTRINA: para a doutrina, a desconcentração pode ser classificada segundo critério utilizado pela administração para a sua adoção. Vejamos: em razão da matéria (ex: Ministério da Saúde, Ministério da Educação); em razão da hierarquia (ex: Ministérios, Secretarias, delegacias) e pelo critério territorial (ex: Superintendência Regional da Receita Federal em Minas Gerais).
Concentração administrativa: algumas pessoas definem esse fenômeno como o inverso da desconcentração, ou seja, situação em que determinada pessoa jurídica extingue órgãos integrantes de sua estrutura.
	b) Descentralização: ocorre quando acontece uma transferência de competências a uma pessoa jurídica distinta daquela originalmente competente. Pode ser:
· Política: é aquela que existe numa Federação, onde há uma repartição originária de competências.
· Administrativa ou derivada: se divide em três espécies:
· Territorial: é a transferência de competência a um território (Território federal tem natureza autárquica).
· Por serviços ou outorga (ou funcional ou técnica): ocorre quando o Estado cria uma entidade (pessoa jurídica) e a ela transfere determinado serviço público. A outorga pressupõe obrigatoriamente a edição de uma lei que institua a entidade, ou autorize a sua criação, e normalmente seu prazo é indeterminado. É o que ocorre na criação das entidades da administração indireta: o Estado descentraliza a prestação dos serviços, outorgando-os a outras pessoas jurídicas (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas).
#UMPOUCODEDOUTRINA: Princípio da especialização (ou da especialidade): o ente federado edita uma lei estabelecendo competências específicas que foram originariamente a ele atribuídas, mas que passarão a ser exercidas por uma pessoa jurídica distinta (uma entidade de sua administração indireta), partindo do pressuposto que essa especialização propiciará maior capacitação para o desempenho daquelas competências.
· Por colaboração ou delegação: é a transferência somente da execução de um serviço público a uma outra pessoa que se concretiza por meio de um negócio jurídico (contrato de concessão ou permissão), por ato unilateral (autorização de serviços públicos) ou também por lei. Aqui vale destacar que a delegação por meio de contrato sempre será efetivada por prazo determinado. Já na delegação por ato administrativo não há prazo certo, em regra. Por fim, ressalta-se que a concessão de serviço público só é possível para pessoas jurídicas, ao passo que podehaver permissão e autorização de serviços públicos tanto para pessoas jurídicas quanto para pessoas físicas.
2. RELAÇÃO ENTRE O ESTADO E SEUS AGENTES 
Para justificar essa relação, várias teorias foram idealizadas:
· Teoria do mandato: essa teoria foi desenvolvida a partir de um instituto típico de direito privado. Aqui, a relação entre o Estado e seus agentes públicos teria fundamento no contrato de mandato, cujo instrumento é a procuração. O agente público, pessoa física, seria uma espécie de mandatário da pessoa jurídica de direito público, agindo em seu nome e sob a responsabilidade dela, em razão da outorga específica de poderes. Crítica: impossibilidade lógica de o Estado, que não possui vontade própria, outorgar o mandato. 
· Teoria da representação: para essa teoria, o agente público seria equiparado a um representante das pessoas (incapacidade civil, como das pessoas menores de idade). O agente público seria uma espécie de curador ou tutor do Estado. Crítica: equipara as pessoas jurídicas de direito público aos incapazes. Além disso, admite-se que o “incapaz” possa outorgar a sua própria representação a terceiros.
· Teoria do órgão ou Teoria da imputação (extraída da doutrina de Otto Gierke): presume-se que a pessoa jurídica manifesta sua vontade por meio de seus órgãos, que são partes integrantes da estrutura dela. Assim, quando os agentes encontram-se exercendo a função nesses órgãos, considera-se que está havendo atuação do próprio Estado. Por essa razão, os atos praticados pelo agente público são atos da própria pessoa jurídica (fala-se em imputação e não em representação). É a teoria adotada no Brasil. 
#UMPOUCODEDOUTRINA: Nas lições de Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo[footnoteRef:2]: [2: Direito Administrativo Descomplicado, 25 ed., 2017.] 
Conforme observa a Prof. Maria Sylvia Di Pietro, uma decorrência da teoria do órgão é o reconhecimento da validade dos atos praticados por funcionário de fato, haja vista que se considera que, nessa hipótese, houve atuação do órgão - a qual é imputada à pessoa jurídica cuja estrutura ele integra.
A expressão "funcionário de fato" é usualmente empregada para descrever a situação do agente público cuja investidura no cargo ou função pública foi maculada por alguma irregularidade- por exemplo, nulidade do concurso público, nomeação efetuada por servidor incompetente, descumprimento de requisito essencial para a posse.
(...)
É importante ter presente que a imputação não se aplica a toda e qualquer situação em que um ato venha a ser praticado como se pretensamente se tratasse de uma atuação estatal. Para que ocorra a imputação, é necessário que a atuação tenha, ao menos, aparência de legitimidade jurídica e provenha de uma pessoa que ordinariamente se deva presumir um agente público (teoria da aparência). Fora desses casos, não se considera que houve atuação do Estado.
3. ÓRGÃOS PÚBLICOS
Na definição clássica do Prof. Hely Lopes Meirelles, órgãos públicos são “centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem".
Assim, órgãos públicos são unidades integrantes da estrutura de uma pessoa jurídica, nas quais são agrupadas competências que serão exercidas pelos agentes públicos. Cada órgão representa uma especialidade, a partir da ideia de que a desconcentração de competência está em consonância com o princípio da eficiência. 
3.1 Características:
· Integram a estrutura de uma pessoa política ou de uma pessoa jurídica administrativa. Nos termos do art. 1º, §2º, I, da Lei 9.784/99, considera-se órgão “a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da Administração indireta. ”
· São centros de competência despersonalizados – resultado da desconcentração, ou seja, não possuem personalidade jurídica e não podem ser sujeitos de direito ou de obrigação. Contudo, tem legitimidade para defender em juízo as suas prerrogativas, o que é chamado pela doutrina de personalidade judiciária. Ex.: morte ocorrida dentro de escola pública municipal – responsabilidade do Município. A escola e a prefeitura são órgãos públicos e, portanto, não são sujeitos de obrigação.
· Alguns possuem autonomia gerencial, orçamentária e financeira.
· Podem firmar, por meio de seus administradores, contratos de gestão com outros órgãos ou com pessoas jurídicas, nos termos do art. 37, §8º, da CF - esse artigo é muito criticado pela doutrina que afirma a sua inconstitucionalidade. 
Art. 37, §8º, CF: A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) I - o prazo de duração do contrato; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) III - a remuneração do pessoal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
· Alguns têm capacidade processual para defesa em juízo de suas prerrogativas funcionais (personalidade judiciária). Ex.: Câmara quando não recebe duodécimo.
Nesse ponto, vale mencionar que a capacidade processual de órgãos públicos foi expressamente reconhecida pelo Código de Defesa do Consumidor, ao dispor que, para a defesa em juízo dos interesses e direitos dos consumidores, são legitimados ativos, dentre outros, "as entidades e órgãos da administração pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica", cuja finalidade institucional específica seja a proteção de interesses e direitos (art. 82, III).
· Tem CNPJ – o CNPJ foi criado pela Receita Federal para aprimorar a fiscalização da circulação de valores para fins tributários. Determinou-se a sua aplicação para os órgãos públicos que acompanham uma unidade gestora de orçamento, isto é, que movimentem recursos públicos (Instrução Normativa RFB Nº 1863, de 27 de dezembro de 2018). 
· Não possuem patrimônio próprio.
#SELIGANASÚMULA: Súmula 525-STJ: A Câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais.
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA#PROCURADORIAS: Associação de Municípios e Prefeitos não possui legitimidade ativa para tutelar em juízo direitos e interesses das pessoas jurídicas de direito público. STJ. 1ª Seção. REsp 1.503.007-CE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 14/6/2017 (Info 610).
#DEOLHONAJURIS#STJ: Município tem legitimidade ad causam para ajuizar ação civil pública em defesa de direitos consumeristas questionando a cobrança de tarifas bancárias. Em relação ao Ministério Público e aos entes políticos, que têm como finalidades institucionais a proteção de valores fundamentais, como a defesa coletiva dos consumidores, não se exige pertinência temática e representatividade adequada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.509.586-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 (Info 626). #IMPORTANTE
#SELIGA: Segundo leciona Matheus Carvalho[footnoteRef:3], importante destacar a Teoria da Institucionalização, que afirma que apesar de não terem personalidade jurídica própria, determinados órgãos, em virtude de sua atuação, podem ganhar vida própria, por conta de sua história existencial. O exemplo clássico apontado pela doutrina é o Exército Brasileiro, que exerce função estatal de defesa da soberania nacional e que reconhecidamente é titular de bens e pode atuar na vida jurídica mediante celebração de contratos e prática de atos administrativos. Essa posição doutrinária não depende de lei e se configura uma das manifestações de costume como fonte do direito administrativo. [3: Matheus Carvalho, Manual de Direito Administrativo, 5ª Edição, Juspodivm, 2018, p. 166.]3.2 Classificação
a) Quanto à posição estatal:
· Independentes: são aqueles previstos diretamente no texto constitucional. Por essa razão, não sofrem qualquer relação de subordinação. Sujeitam-se tão somente aos controles constitucionalmente previstos, que uns exercem sobre os outros - tais controles configuram o assim chamado sistema de freios e contrapesos. As atribuições são exercidas por agentes políticos. Ex.: Presidência da República, Governadorias, Prefeituras, Congresso Nacional, Câmaras, todos os Tribunais.
· Autônomos: localizam-se na cúpula da administração pública, num grau hierárquico abaixo dos órgãos independentes - e são subordinados diretamente à chefia destes. Desfrutam de ampla autonomia administrativa, financeira e técnica. Ex.: Secretarias e Ministérios. 
· Superiores: são órgãos que possuem atribuições de direção, controle e decisão, mas que sempre estão sujeitos ao controle hierárquico de uma chefia mais alta. Não têm autonomia administrativa, mas possuem autonomia técnica. Ex.: Gabinetes e procuradorias.
· Subalternos: são meros órgãos de execução, com reduzido poder decisório. Ex.: Zeladoria (cuida dos bens públicos), almoxarifado, sessão de recursos humanos.
b) Quanto à estrutura
· Simples ou unitários: são constituídos por um só centro de competências. Não possuem subdivisões (outros órgãos em seu interior). Ex.: Gabinetes.
· Compostos: reúnem em sua estrutura diversos órgãos. Ex: Ministérios e secretarias estaduais.
c) Quanto à atuação funcional
· Singular ou unipessoal – só há um agente. Ex.: Prefeitura, Presidência da República.
· Colegiado – também são denominados de pluripessoais - vários agentes. A tomada de decisão é feita de forma coletiva. Ex.: Congresso Nacional, STF. 
4. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA 
4.1 Características comuns 
	A partir de agora, mencionaremos as características que se aplicam comumente a todas as pessoas que compõem a Administração Indireta:
· Personalidade jurídica própria – (1) respondem pelos seus atos; (2) têm receita própria (pode vir do orçamento, pois não importa a origem) e patrimônio próprio; (3) possuem autonomia técnica, administrativa e financeira. Não tem capacidade nem autonomia política e não podem legislar. Vale destacar que as agências reguladoras também não legislam, pois apenas definem normas técnicas complementares à lei. 
· Não tem fins lucrativos. O lucro é possível, mas elas não são criadas com esse objetivo. As empresas públicas e as sociedades de economia mista podem prestar serviço público ou explorar atividade econômica. E, ainda nesse último caso, o objetivo não é o lucro, e sim a segurança nacional ou o interesse coletivo. Se houver valores eles serão tidos como superávit e não como lucro. Nesse sentido, dispõe o art. 173 da CF: “Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei”.
· Finalidade específica. Destaca-se que essa finalidade só pode ser modificada também por lei. É o princípio da especialidade. 
· Controle ou tutela administrativa – tendo em conta a inexistência de hierarquia, o exercício do controle finalístico pressupõe expressa previsão legal, que determinará os limites e instrumentos de controle (atos de tutela). A supervisão, ou tutela, visa assegurar que a entidade controlada esteja atuando em conformidade com os fins que a lei instituidora lhe impôs. É um controle que deve se concentrar, essencialmente, na verificação do atingimento de resultados, pertinentes ao objeto da entidade. Ex.: Tribunal de Contas, que é longa manus do Legislativo, controla todas as pessoas jurídicas da Administração Indireta (até 2005 as sociedades de economia mista ficavam de fora), e CPI; supervisão ministerial no poder Executivo, que realiza o controle finalístico (receita, despesas) das pessoas da administração indireta, além de escolher os dirigentes. Controle político (escolha do dirigente); controle institucional (obedecer às finalidades da lei instituidora); controle administrativo (fiscalização dos agentes); controle financeiro.
· Criação e extinção da pessoa jurídica. Vejamos o art. 37, XIX, da CF:
Art. 37, XIX - Somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação. 
Obs.: Lei ordinária específica: cada pessoa jurídica terá a sua própria lei. A lei tem que tratar somente desse assunto. 
· A lei cria autarquia e autoriza a criação de sociedade de economia mista, empresa pública e fundação. Na criação, basta essa lei para a autarquia existir. Na autorização ainda será necessário o registro dos atos constitutivos no órgão competente.
Na esfera federal, a lei que cria autarquia ou a lei específica que autorize a criação de uma empresa pública ou de uma sociedade de economia mista é de iniciativa privativa do Presidente da República, em face do disposto no art. 61, § 1º, II, "e", da Carta da República. Essa regra - reserva de iniciativa para o projeto de lei acerca da criação da entidade vinculada ao Poder Executivo - é aplicável também aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, adequando-se a iniciativa privativa, conforme o caso, ao Governador e ao Prefeito (princípio da simetria).
#JACAIUEMPROVA #DPDF2019 #CESPE: 
Julgue o item a seguir:
É admitida a criação de autarquia por iniciativa de deputado federal, desde que este encaminhe o respectivo projeto de lei à Câmara dos Deputados e que a matéria verse estritamente sobre a criação da entidade.
Justificativa apresentada pela banca: ERRADO. A Constituição Federal de 1988 dispõe que somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação (art. 37, XIX, 1.ª parte). Cabe observar que todas essas leis — seja para criação, seja para autorização — devem partir da iniciativa do chefe do Poder Executivo (presidente da república, governador ou prefeito), por força de expressa disposição constitucional (CF, art. 61, II, ‘e’). Assim, não é cabível que um parlamentar proponha lei para a criação ou autorização de criação dessas entidades ou suas subsidiárias, sob pena de ser considerada inconstitucional, por vício de iniciativa.
· Passa a ter natureza civil no cartório e natureza comercial na junta comercial. 
· Se lei cria, a lei deve extinguir. Se lei autoriza a criação, também autoriza a extinção. Isso é denominado de paralelismo de formas. 
#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: É proibida a extinção, por ato unilateralmente editado pelo chefe do Poder Executivo, de colegiado cuja existência encontre menção em lei em sentido formal, ainda que ausente a expressa referência “sobre a competência ou a composição”. Caso concreto: o Presidente da República editou o Decreto nº 9.759/2019 extinguindo uma série de colegiados existentes na Administração Pública federal. O art. 1º, § 2º deste Decreto previu que ficariam extintos os colegiados que sejam mencionados em lei, mas sem que esta tenha definido a competência ou a composição. O STF, em medida cautelar, declarou a inconstitucionalidade dessa previsão, considerando que a extinção desses colegiados mencionados em lei somente poderia ocorrer também mediante lei (e não por decreto). STF. Plenário. ADI 6121 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12 e 13/6/2019 (Info 944).
· Lei complementar apenas definirá as áreas de atuação da fundação. 
· De que fundação o artigo trata? Pela leitura da observação abaixo, tem-se que o artigo se refere, em consonância com a classificação do STF, à fundação pública de direito privado, pois a de direito público seria subespécie de autarquia. A iniciativa da lei cabe ao Chefe do Executivo. 
· Obs.: criação de subsidiárias – exigência de lei (não precisa ser específica). A própria lei que institui a entidade pode autorizar. Princípioda especialidade – a lei deve ser minuciosa, trazendo todas as áreas de atuação da entidade de forma específica. Já a organização pode ser feita através de ato administrativo. #JÁCAIUEMPROVA[footnoteRef:4] [4: 2018 – AOCP – TRT 1 – Analista Judiciário – Área Judiciária. Assinale a alternativa correta no tocante à organização da Administração Pública: b) É dispensável a autorização legislativa para a criação de empresas subsidiárias, desde que haja previsão para esse fim na própria lei que instituiu a sociedade de economia mista matriz.] 
4.2 Fundações
As fundações são definidas como a personificação de um patrimônio ao qual é atribuída uma finalidade específica não lucrativa, de cunho social.
Se a fundação tem por um instituidor pessoa privada, ela terá natureza privada, e da mesma forma se for o poder público, ela será fundação pública. Destaca-se que a fundação privada não interessa ao direito administrativo, pois se situa no âmbito civil. 
Ocorre que o poder público, ao instituir a fundação pública, pode determinar que ela seja uma fundação pública de direito público ou de direito privado, a depender do regime escolhido pelo poder público instituidor. O que as diferenciaria seria a origem dos recursos e o tipo da atividade realizada, exclusiva ou não. 
Para a maioria da doutrina e para o STF, a fundação pública de direito público nada mais é que uma categoria de autarquia chamada de autarquia fundacional, e dessa maneira terá também que ser criada por lei. Se, no entanto, a fundação pública for de direito privado, também chamada de governamental, terá o mesmo regime das empresas públicas e das sociedades de economia mista, de forma a ser autorizada por lei. Para Hely Lopes e José dos Santos Carvalho Filho, toda fundação, mesmo que instituída pelo poder público, teria personalidade jurídica privada. Isso porque as fundações públicas com personalidade jurídica de direito público nada mais são do que uma espécie de autarquia, a denominada "fundação autárquica" ou "autarquia fundacional”. Seu regime jurídico é o próprio das autarquias.
A diferença entre uma autarquia e uma fundação autárquica é meramente conceitual: aquela é definida como um serviço público personificado, em regra, típico de Estado, enquanto esta é, por definição, um patrimônio personalizado destinado a uma finalidade determinada - de interesse social, teoricamente. O regime jurídico de ambas é, em tudo, idêntico.
#SELIGA: As fundações públicas com personalidade pública e privada têm imunidade tributária. Ambas se sujeitam à lei nº 8.666. Nesses dois casos a lei não faz distinção, restringindo-se a falar em fundações públicas instituídas pelo Poder Público. A responsabilidade de ambas é objetiva e o ente instituidor responde subsidiariamente. Isso porque toda fundação pública, independentemente da sua personalidade jurídica, presta serviço público, em razão da sua finalidade social. São exemplos de fundações públicas: Fundação Nacional do Índio (FUNAl); Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Fundação Nacional da Saúde (FUNASA); Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); Fundação Escola Nacional de
Administração Pública (ENAP).
	Ressalta-se que o patrimônio das fundações públicas que ostentem personalidade jurídica de direito público é integralmente público, uma vez que os bens de propriedade de quaisquer pessoas jurídicas de direito público enquadram-se, por definição legal, como bens públicos (Código Civil, art. 98).
	Por último, importante mencionar que a função de velar pelas fundações, atribuída pelo Código Civil ao Ministério Público, só tem aplicação para as fundações não integrantes da administração pública, instituídas por particulares, mas não alcança as fundações públicas, de nenhuma espécie.
#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF:
A qualificação de uma fundação instituída pelo Estado como sujeita ao regime público ou privado depende: i) do estatuto de sua criação ou autorização e ii) das atividades por ela prestadas. As atividades de conteúdo econômico e as passíveis de delegação, quando definidas como objetos de dada fundação, ainda que essa seja instituída ou mantida pelo poder público, podem se submeter ao regime jurídico de direito privado. STF. Plenário. RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral) (Info 946).
A estabilidade especial do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) não se estende aos empregados das fundações públicas de direito privado, aplicando-se tão somente aos servidores das pessoas jurídicas de direito público. O termo “fundações públicas”, utilizado pelo art. 19 do ADCT, deve ser compreendido como fundações autárquicas, sujeitas ao regime jurídico de direito público. Ex: empregados da Fundação Padre Anchieta não gozam dessa estabilidade do art. 19 do ADCT em razão de se tratar de uma fundação pública de direito privado. STF. Plenário. RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral) (Info 946).
4.3 Autarquias 
 	
São entidades da administração pública indireta, dotadas de personalidade jurídica de direito público, patrimônio próprio e autonomia administrativa, criadas por lei específica para o exercício de competências estatais determinadas. A intenção do legislador foi a de atribuir às autarquias a prestação de serviços públicos em sentido amplo, a realização de atividades de interesse social e o desempenho de atividades que envolvam prerrogativas públicas, a exemplo do exercício do poder de polícia. Por isso, possuem regime muito semelhante aos dos entes da Administração Direta. 
	Como exemplos de autarquia, podemos enumerar: INSS, INCRA, Conselhos de Classe, UF, IBAMA, BANCO CENTRAL, autarquias territoriais, agências reguladoras, associações públicas de regime público (lei 11.107/05).
- São características das autarquias:
· A descentralização; a criação por lei; a especialização dos fins ou atividades; a personalidade jurídica pública; a capacidade de autoadministração.
· As autarquias não são subordinadas ao ente federado que as criou, é dizer, não há hierarquia entre União, Estados, Distrito Federal e municípios e suas respectivas autarquias. A relação entre uma autarquia e a administração direta da pessoa política instituidora é de vinculação administrativa (e não de subordinação).
· Só podem ser criadas por lei. 
· Os atos praticados são atos administrativos. 
· Os contratos são contratos administrativos, de forma que precisam licitar e pode haver cláusulas exorbitantes. 
· Se submetem à Lei de Responsabilidade Fiscal.
· Podem ser criadas para exercerem atividades de ensino, em que se incluem as universidades.
· Estão sujeitas ao duplo grau de jurisdição obrigatório, contra elas somente produzindo efeito eventual sentença condenatória após a confirmação por tribunal.
· É de competência da justiça federal processar e julgar, nos litígios comuns, as causas em que as autarquias federais sejam autoras, rés, assistentes ou opoentes.
· Possuem responsabilidade civil objetiva (art. 37, §6º da CF: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. ”
· São exemplos de prerrogativas estatais estendidas às autarquias a imunidade tributária recíproca e os privilégios processuais da Fazenda Pública (prazos dilatados: com o NCPC, todas as manifestações da Fazenda Pública são em DOBRO (art. 183, NCPC).
· Entre as prerrogativas processuais impostas em favor das autarquias públicas federais está a intimação pessoal de seus procuradores federais de todos os atos do processo.
· Se submetem às regras do reexame necessário – art. 496, NCPC. Houve mudanças em relação aos valores para a dispensa do reexame necessário. Nos termos do Novo CPC, até 1.000 salários (União), 500 salários (Estados/DF e Munícipios de Capital) e 100 (Município quenão seja capital) não vai ter reexame necessário. Obs.: se por lapso do juiz de 1º grau não remeteu os autos para o Tribunal, não haverá o trânsito em julgado, mesmo diante da ausência de recursos. 
· As autarquias territoriais não detêm autonomia políticaParte superior do formulário.
· Hoje, a posição que prevalece em nossos Tribunais Superiores é que o prazo prescricional nas demandas ajuizadas contra a autarquia é aquele previsto no Decreto 20910/32 - 5 anos (quinquenal).
· Obedecem às regras de contabilidade pública (Lei 4320/64).
· Se submetem à Lei de Responsabilidade Fiscal - Tribunal de Contas fiscaliza.
· Regime pessoal – há servidores públicos. Regime jurídico único – ou todos serão celetistas ou estatutários.
- Bens autárquicos:
· Os bens autárquicos são bens públicos. 
· Em regra, inalienáveis de forma relativa ou alienáveis de forma condicionada – preenchidas algumas condições é possível alienar.
· São bens impenhoráveis – não podem ser objeto de arresto (cautelar típica para bens indeterminados), sequestro (cautelar típica para bens determinados) e penhora (garantia judicial que ocorre na execução); Impossibilidade de oneração – direito real de garantia. Não podem ser objeto de penhor (bens móveis), hipoteca (bens imóveis, avião, navio). 
· Imprescritíveis – não pode ser objeto de prescrição aquisitiva - usucapião. 
- Débitos autárquicos:
· Débitos judiciais – via regime de precatório. Cada autarquia terá sua ordem cronológica de precatórios.
#QUESTÃODEPROVA: 
- Compete à justiça federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas.
- As autarquias e as fundações instituídas e mantidas pelo poder público gozam de imunidade tributária em relação aos impostos sobre seu patrimônio.
- Questão prática:
· Motorista da autarquia, dirigindo o carro da autarquia atropela uma pessoa. Quem será o responsável? Se a autarquia não tem dinheiro? A vítima pode cobrar do Estado? Se é serviço público há o dever do Estado. Ele continua responsável. Ele decidiu transferir a titularidade. O dever do Estado, no entanto, é subsidiário quanto ao serviço, e objetivo quanto ao elemento culpa. Como a autarquia goza de personalidade jurídica própria, é sujeito de direito responsável pelos seus atos, ou seja, sujeita-se à regra geral da responsabilidade objetiva do Estado, nos termos da CF, art. 37, §6º. Apenas em caso de exaustão de seus recursos é que será trazida a responsabilidade do Estado. Portanto, as autarquias possuem responsabilidade direta pelo dano causado pelos seus agentes restando ao Estado uma responsabilidade subsidiária.
- Classificação das Autarquias:
· Federais, estaduais, municipais. Obs.: não podem ser interestaduais ou intermunicipais. A vinculação tem que ser unipessoal. 
· Todavia, os consórcios públicos, espécie de pessoa jurídica disciplinada na Lei nº 11.107/2005, podem ser constituídos sob a forma de associações públicas. Nesse caso, o consórcio público será uma autarquia integrante, simultaneamente, da administração indireta de mais de um ente federado, figura que a doutrina tem chamado de autarquia interfederativa ou multifederada (ou, ainda, multifederativa).	
#OUSESABER #PROCURADORIAS #FAZENDAPÚBLICA: Recentemente, o Plenário do STF, por maioria, julgou IMPROCEDENTE pedido formulado na ADI-2418, constante no Informativo 824, ajuizada em face dos artigos 4º e 10 da Medida Provisória 2.102-27/2001. O art. 4º acrescentara os artigos 1º-B e 1º-C à Lei 9.494/1997. O Art. 1º-B refere-se ao prazo do “caput” dos arts. 730 do CPC/73 e 884 da CLT estipulando em trinta dias o prazo para os Embargos à Execução para a Fazenda Pública. A Corte destacou, de início, que não teria havido a perda de objeto da ação, relativamente ao parágrafo único do art. 741 do CPC/1973, revogado pela Lei 13.105/2015, que estatui um novo Código. A matéria disciplinada no referido dispositivo teria recebido tratamento normativo semelhante, embora não igual, nos §§ 5º a 8º do art. 535 e nos §§ 12 a 15 do art. 525 do novo CPC. No mérito, o Plenário afirmou que A AMPLIAÇÃO DE PRAZO PARA A OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DO DEVEDOR PELA FAZENDA PÚBLICA, inserida no art. 1º-B da Lei 9.494/1997, NÃO VIOLARIA OS PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Isso porque o estabelecimento de tratamento processual especial para a Fazenda Pública, inclusive em relação a prazos diferenciados, quando razoáveis, não constituiria propriamente restrição a direito ou prerrogativa da parte adversa, mas buscaria atender ao princípio da supremacia do interesse público. Por outro lado, a fixação do prazo de trinta dias para a Fazenda apresentar embargos à execução não poderia ser tida como irrazoável. Afinal, tratar-se-ia de prazo idêntico ao que tem o particular para apresentar esses mesmos embargos nas execuções fiscais contra ele movidas pela Fazenda Pública, conforme estatuído pelo art. 16 da Lei 6.830/1980. Vide: ADI 2418/DF, rel. Min. Teori Zavascki, 4.5.2016. #IMPORTANTE
#SELIGANASÚMULAS:
Súmula Vinculante 27, STF - Compete à Justiça estadual julgar causas entre consumidor e concessionária de serviço público de telefonia, quando a ANATEL não seja litisconsorte passiva necessária, assistente, nem opoente.
Súmula 97, STJ - Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar reclamação de servidor público relativamente a vantagens trabalhistas anteriores à instituição do regime jurídico único.
Súmula 270, STJ - O protesto pela preferência de crédito, apresentado por ente federal em execução que tramita na Justiça Estadual, não desloca a competência para a Justiça Federal. 
Sumula 340 STF: Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião. (Obs.: em que pese a súmula se referir ao CC anterior, ainda assim permanece válido o seu conteúdo).
#JURISPRUDÊNCIA: AUTARQUIAS. AUTONOMIA.
É inconstitucional lei estadual que preveja que o escritório de prática jurídica da Universidade Estadual deverá manter plantão criminal nos finais de semana e feriados para atender pessoas hipossuficientes que sejam presas em flagrante. Esta lei viola a autonomia administrativa, financeira, didática e científica assegurada às universidades no art. 207 da CF/88 (inconstitucionalidade material). Além disso, contém vício de iniciativa (inconstitucionalidade formal), na medida em que foi usurpada a iniciativa privativa do Governador. STF. Plenário. ADI 3792/RN, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/09/2016 (Info 840)
É inconstitucional lei estadual que preveja que servidor de autarquia (no caso, era Técnico Superior do DETRAN) será responsável por: • representar a entidade “em juízo ou fora dele nas ações em que haja interesse da autarquia”. • praticar “todos os demais atos de natureza judicial ou contenciosa, devendo, para tanto, exercer as suas funções profissionais e de responsabilidade técnica regidas pela Ordem dos Advogados do Brasil OAB”. Tais previsões violam o “princípio da unicidade da representação judicial dos Estados e do Distrito Federal”, insculpido no art. 132 da CF/88. A legislação impugnada, apesar de não ter criado uma procuradoria paralela, atribuiu ao cargo de Técnico Superior do Detran/ES, com formação em Direito, diversas funções privativas de advogado. Ao assim agir, conferiu algumas atribuições de representação jurídica do DETRAN a pessoas estranhas aos quadros da Procuradoria-Geral do Estado, com violação do art. 132, caput, da CF/88. O STF decidiu modular os efeitos da decisão para: • manter os cargos em questão, excluídas as atribuições judiciais inerentes às procuradorias; • declarar a validade dos atos praticados (ex: contestações, recursos etc.) até a data do julgamento, com base na teoria do funcionário de fato. ATENÇÃO. Por outro lado, é válido que esses servidores façam a atuação jurídica no âmbito interno da autarquia, sobretudo em atividades de compliance, tais como conceber e formular medidas e soluções de otimização, fiscalização e auditoria (exs: interpretartextos e instrumentos legais, elaborar pareceres sobre questões jurídicas que envolvam as atividades da entidade, elaborar editais, contratos, convênios etc.). Essas atribuições podem sim ser exercidas pelos Técnicos Superiores do DETRAN, sem que isso ofenda o princípio da unicidade da representação judicial. O STF entendeu que não se pode deslocar qualquer atuação técnico-jurídica da autarquia para a PGE, porque esta não conseguirá fazer frente a essa gama de trabalho, sob pena de ter suas atividades inviabilizadas. STF. Plenário. ADI 5109/ES, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13/12/2018 (Info 927).
4.3.1. Conselhos de classe
	No que tange aos Conselhos de Classe (chamados de autarquias profissionais), é possível afirmar que eles nasceram como autarquias. A Lei nº 9.649/1998 modificou a natureza jurídica desses Conselhos, considerando-os de natureza privada (art. 58). Contudo, na ADI 1717, o STF afirmou que os Conselhos possuem poder de polícia, motivo pelo qual não podem ter natureza privada, já que comprometeria a segurança jurídica (particular cassando carteira de particular iria acarretar excessos e abusos). Logo, como forma de prevenção, atribuiu-se novamente a natureza pública. 
- Características:
	
· Cobram anuidade (natureza tributária), o que possibilita: (1) execução fiscal; (2) controle pelo Tribunal de Contas, pois há arrecadação de tributo (dinheiro público); (3) contabilidade pública.
· Seus funcionários são obrigados a prestar concurso público.
#SELIGANAJURISPRUDÊNCIA:
*(Atualizado em 06.07.2020): Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/94) prevê que o advogado que deixar de pagar as contribuições devidas à OAB (anuidades) pratica infração disciplinar (art. 34, XXIII, da Lei nº 8.906/94) e pode ser suspenso do exercício, ficando proibido de exercer a advocacia enquanto não pagar integralmente a dívida, com correção monetária (art. 37, § 2º). O STF entendeu que esses dispositivos são inconstitucionais porque representam medida desproporcional que caracteriza sanção política, além de ofender a livre iniciativa e a liberdade profissional. É inconstitucional a suspensão realizada por conselho de fiscalização profissional do exercício laboral de seus inscritos por inadimplência de anuidades, pois a medida consiste em sanção política em matéria tributária. STF. Plenário. RE 647885, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/04/2020 (Repercussão Geral – Tema 732) (Info 978) # ATENÇÃO O caso enfrentado envolvia a OAB, mas a tese foi fixada pelo STF de modo propositalmente amplo, abrangendo todo e qualquer conselho profissional.
A Lei nº 12.514/2011, que trata sobre as contribuições (anuidades) devidas aos Conselhos Profissionais, é constitucional. Sob o ponto de vista formal, esta Lei, apesar de ser fruto de uma MP que originalmente dispunha sobre outro assunto, não pode ser declarada inconstitucional porque foi editada antes de o STF declarar ilegítima a prática do “contrabando legislativo” (ADI 5127/DF). Ainda quanto ao aspecto formal, esta Lei não trata sobre normas gerais de Direito Tributário, motivo pelo qual não precisava ser veiculada por lei complementar. Sob o ponto de vista material, a Lei respeitou os princípios da capacidade contributiva, da vedação ao confisco e da legalidade. STF. Plenário. ADI 4697/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 06/10/2016 (Info 842).
O representante judicial de conselho de fiscalização profissional possui a prerrogativa de ser intimado pessoalmente no âmbito de execução fiscal promovida pela entidade. Incide, nessa hipótese, o disposto no art. 25 da Lei 6.830/1980 (LEF). Deve-se ressaltar, a propósito do tema, que o STF consolidou o entendimento de que os referidos conselhos possuem natureza jurídica autárquica, pois exercem atividade típica de Estado, de modo a abranger, no que concerne à fiscalização de profissões regulamentadas, o poder de polícia, o de tributar e o de punir. Nesse contexto, os créditos dos conselhos de fiscalização profissional devem ser cobrados por execução fiscal, pois a expressão “Fazenda Pública” constante do § 1o do art. 2o da LEF – “Qualquer valor, cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1o, será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. ” –, deve ser interpretada de maneira a abranger as autarquias. Dessa forma, existindo regra específica sobre a intimação pessoal dos representes da Fazenda Pública em execução fiscal (art. 25 da LEF), essa prerrogativa deve ser observada no caso dos representantes dos conselhos de fiscalização profissional. REsp 1.330.473-SP, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 12/6/2013 (Informativo no 0526).
Inscrição de profissionais no Conselho Regional de Educação Física. Não é obrigatória a inscrição, nos Conselhos de Educação Física, dos professores e mestres de dança, ioga e artes marciais (karatê, judô, tae-kwon-do, kickboxing, jiu-jitsu, capoeira e outros) para o exercício de suas atividades profissionais. STJ. 2ª Turma. REsp 1.450.564-SE, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 16/12/2014 (Info 554).
#IMPORTANTE: Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de Fiscalização (exs: CREA, CRM, COREN, CRO) não se submetem ao regime de precatórios. STF. Plenário. RE 938837/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 19/4/2017 (repercussão geral) (Info 861). Apesar de os Conselhos de Fiscalização Profissional serem considerados autarquias especiais, eles não participam do orçamento público, não recebem aporte do Poder Central nem se confundem com a Fazenda Pública. Por essa razão, não se submetem ao regime de precatórios. Os conselhos de fiscalização profissional têm autonomia financeira e orçamentária. Portanto, sua dívida é autônoma em relação ao Poder Público. Desse modo, inserir esse pagamento no sistema de precatório transferiria para a União a condição de devedora do Conselho de Fiscalização. *#LEMBRAR: Quem tem o privilégio de pagar por meio de precatório? A quem se aplica o regime dos precatórios? As Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais. Essa expressão abrange: União, Estados, DF e Municípios (administração direta); autarquias (com exceção dos Conselhos Profissionais); fundações; empresas públicas prestadoras de serviço público (ex: Correios); sociedades de economia mista prestadoras de serviço público de atuação própria do Estado e de natureza não concorrencial.
Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de personalidade jurídica de direito privado com patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam atividade econômica sem monopólio e com finalidade de lucro. STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 7/8/2018 (Info 910).
Não estão sujeitas a registro perante o respectivo Conselho Regional de Medicina Veterinária, nem à contratação de profissionais nele inscritos como responsáveis técnicos, as pessoas jurídicas que explorem as atividades de comercialização de animais vivos e a venda de medicamentos veterinários, pois não são atividades reservadas à atuação privativa do médico veterinário. STJ. 1ª Seção. REsp 1.338.942-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 26/4/2017 (recurso repetitivo) (Info 602).
O exercício da profissão de técnico ou treinador profissional de futebol não se restringe aos profissionais graduados em Educação Física, não havendo obrigatoriedade legal de registro junto ao respectivo Conselho Regional. STJ. 2ª Turma. REsp 1.650.759-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 6/4/2017 (Info 607).
O ato do Conselho de Contabilidade que requisita dos contadores e dos técnicos os livros e fichas contábeis de seus clientes, a fim de promover a fiscalização da atividade contábil dos profissionais nele inscritos, não importa em ofensa aos princípios da privacidade e do sigilo profissional. STJ. 1ª Turma. REsp 1.420.396-PR, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 19/09/2017 (Info 612).
Os conselhos de fiscalização profissional não possuem autorização para registraros veículos de sua propriedade como oficiais. STJ. 1ª Turma. AREsp 1.029.385-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 05/12/2017 (Info 619).
*(Atualizado em 10/08/2020) #DEOLHONAJURIS É dispensável a submissão ao exame de suficiência pelos técnicos em contabilidade formados anteriormente à promulgação da Lei nº 12.249/2010 ou dentro do prazo por ela previsto
4.3.2. OAB
	Para o Supremo Tribunal Federal, a OAB não se enquadra como Conselho de Classe, muito embora parte significativa das funções que ela exerça sejam basicamente as mesmas desempenhadas por essas entidades. Para a aludida Corte, a OAB configura uma entidade ímpar, sui generis, um “serviço público independente", não integrante da administração pública. Nesse ponto, vale transcrever o trecho do acórdão em que esse entendimento foi firmado:
Não procede a alegação de que a OAB se sujeita aos ditames impostos à Administração Pública Direta e Indireta. A OAB não é uma entidade da Administração Indireta da União. A Ordem é um serviço público independente, categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro. A OAB não está incluída na categoria na qual se inserem essas que se tem referido como "autarquias especiais" para pretender-se afirmar equivocada independência das hoje chamadas "agências". Por não consubstanciar uma entidade da Administração Indireta, a OAB não está sujeita a controle da Administração, nem a qualquer das suas partes está vinculada. ( ... ) Não há ordem de relação ou dependência entre a OAB e qualquer órgão público. A Ordem dos Advogados do Brasil, cujas características são autonomia e independência, não pode ser tida como congênere dos demais órgãos de fiscalização profissional. A OAB não está voltada exclusivamente a finalidades corporativas. Possui finalidade institucional. Embora decorra de determinação legal, o regime estatutário imposto aos empregados da OAB não é compatível com a entidade, que é autônoma e independente. (...) Incabível a exigência de concurso público para admissão dos contratados sob o regime trabalhista pela OAB.
	Vale destacar que, embora o STF tenha entendido que a OAB não é uma autarquia, decidiu, com repercussão geral, que as lides judiciais em que esta entidade seja parte são de competência da Justiça Federal, por incidência do inciso I, do art. 109, da CRFB (o termo utilizado foi “autarquia corporativista”).
- Características:
· A anuidade cobrada não é tributo, o que gera as seguintes consequências: não cabe execução fiscal; Tribunal de Contas não controla; estão fora da contabilidade pública. 
· O artigo 79 do Estatuto da OAB diz que o seu quadro era celetista. O PGR ajuizou a ADI3026 no intuito de que a OAB fosse obrigada a realizar a concurso. Conforme visto, o STF decidiu que a OAB não compõe a administração direta, nem indireta, sendo um serviço público independente, razão pela qual não precisa fazer concurso público. 
#SELIGANAJURISPRUDÊNCIA. A inscrição como advogado, nos quadros da OAB, de quem apresente diploma ou certidão de graduação em Direito "obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada" (art. 8º, II, do Estatuto da Advocacia) não pode ser impedida pelo fato de o curso de Direito não ter sido reconhecido pelo MEC. STJ. 1ª Turma. REsp 1.288.991-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/6/2016 (Info 586).
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: É possível que o chefe do Poder Executivo estadual convide, em consenso com a OAB, um representante da Ordem para integrar órgão da Administração. Isso é válido. No entanto, a lei não pode impor a presença de representante da OAB (“autarquia federal”) em órgão da Administração Pública local. STF. Plenário. ADI 4579/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13/2/2020 (Info 966).
4.3.3. Território. 
São autarquias territoriais e surgem em decorrência de um desmembramento geográfico. São entes despidos de autonomia que desempenham, por delegação, funções políticas estatais. 
4.3.4. Agências reguladoras[footnoteRef:5]. [5: A respeito dessa temática, a prova do TRF3/2016 considerou as seguintes alternativas corretas: “(i) As agências reguladoras foram criadas no intuito de regular, em sentido amplo, os serviços públicos, havendo previsão na legislação ordinária delegando à agência reguladora competência para a edição de normas e regulamentos no seu âmbito de atuação” e “ (ii) configura conflito de interesses após o exercício de cargo ou emprego no âmbito do Poder Executivo federal, incluindo o de Diretor em agência reguladora, no período de 6 (seis) meses, contado da data da dispensa, exoneração, destituição, demissão ou aposentadoria, salvo quando expressamente autorizado, conforme o caso, pela Comissão de Ética Pública ou pela Controladoria-Geral da União, prestar, direta ou indiretamente, qualquer tipo de serviço a pessoa física ou jurídica com quem tenha estabelecido relacionamento relevante em razão do exercício do cargo ou emprego”] 
São autarquias em regime especial (possuem regime jurídico distinto daquele dispensado às demais autarquias) e que foram criadas para exercer a regulação de atividades econômicas em sentido amplo.
#UMPOUCODEDOUTRINA:[footnoteRef:6] Nas lições de Marcelo Alexandrino e Vicente de Paulo, agências reguladoras são: “entidades administrativas com alto grau de especialização técnica, integrantes da estrutura formal da administração pública, instituídas como autarquias sob regime especial, com a função de regular um setor específico de atividade econômica ou um determinado serviço público, ou de intervir em certas relações jurídicas decorrentes dessas atividades, que devem atuar com a maior autonomia possível relativamente ao Poder Executivo e com imparcialidade perante as partes interessadas (Estado, setores regulados e sociedade).” [6: Marcelo Alexandrino e Vicente de Paulo, Direito Administrativo Descomplicado, 2017.] 
- Características:
 
· A expressão “autarquia de regime especial” surge com as universidades federais;
· Não há obrigatoriedade de adoção do regime especial (embora as diversas leis instituidoras de agências reguladoras, pelo menos na esfera federal, até hoje adotaram, para todas, a forma de autarquia sob regime especial). As agências reguladoras poderiam, simplesmente, ser órgãos (despersonalizados) especializados integrantes da estrutura da própria administração direta.
· No Brasil, as Agências Reguladoras surgem num contexto de transformar o Estado de patrimonialista para gerencial (administração gerencial).
· A função regulatória não surge com as agências reguladoras e nem é exclusiva delas. Vale destacar que, muito antes das agências reguladoras, já existiam entidades integrantes da administração indireta com competências regulatórias específicas como, por exemplo, o Banco do Brasil e o CADE.
· Não se confundem com agências executivas, pois estas são autarquias ou fundações que se qualificam como agência executiva por terem celebrado um contrato de gestão com a Administração e por terem um plano de reestruturação, de acordo com ato discricionário privativo do Presidente da República (art. 51, Lei 9.649/98).
#NÃOCONFUNDA:
	AGÊNCIAS REGULADORAS
	AGÊNCIAS EXECUTIVAS
	Não se trata de uma nova espécie integrante da Administração Pública.
	Não se trata de uma nova espécie integrante da Administração Pública.
	São autarquias sob regime especial.
	Podem ser autarquias ou fundações públicas.
	O grau de autonomia depende dos instrumentos específicos que a respectiva lei instituidora estabeleça.
	Trata-se de qualificação formal, nos termos da lei nº 9.649/98, arts. 51 e 52.
	Não existe a figura da desqualificação da agência reguladora.
	A qualificação se dá por meio de Decreto e pode ocorrer a desqualificação da entidade (também por Decreto). Vale lembrar que essa desqualificação não afeta a natureza da entidade, que continua a ser uma autarquia ou fundação.
	Atuam na área de regulação.
	Não é prevista uma área específica de atuação.
	A lei instituidorapode prever ou não, a celebração do contrato de gestão com o Poder Público.
	A celebração de contrato de gestão com o Poder Público é condição obrigatória para a obtenção da qualificação.
	É possível uma agência reguladora ser qualificada como uma agência executiva, caso preencha os requisitos.
	Uma autarquia qualificada como agência executiva pode ou não ser uma agência reguladora.
· No Brasil, somente dois entes reguladores, a ANATEL (art. 21, XI da CF) e a ANP (art. 177, §2º, III, da CF), possuem previsão constitucional específica. As demais agências reguladoras têm base exclusivamente nas leis que as criam.
 O que define esse regime especial?
a) Função de regulamentação, normatização, fiscalização, controle – essa função é antiga, que o Estado já desenvolvia. A novidade é a criação de uma pessoa jurídica com essa finalidade. O nome agência foi copiado do governo norte-americano para dar mais credibilidade. Tem mais autonomia e liberdade que as demais pessoas jurídicas. Poder normativo técnico – normas técnicas de caráter geral, com fundamento em delegação prevista na própria lei. Deslegalização.
#SELIGA #CUIDADO: Poder regulatório ≠ Poder regulamentar.
O poder regulamentar é um dos poderes administrativos que tem como propósito detalhar previsões legais genéricas. Para a maioria dos autores, o poder regulamentar é de competência privativa do Chefe do Poder Executivo. O fundamento constitucional do poder regulamentar é o art. 84, IV, da CF/88.
O fundamento do poder regulatório não é o art. 84, mas o art. 174 da CRF: 
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.
Há um certo ponto de contato entre poder regulamentar e poder regulatório, pois ambos têm a aptidão de detalhar previsões legais genéricas. Isso porque o poder regulatório abrange a competência de uma Agência Reguladora esmiuçar previsões legais genéricas. Mas, mesmo nesse ponto de contato não há uma identidade absoluta entre os dois poderes, pois o poder regulamentar acarreta um detalhamento de previsões legais genéricas que leva em consideração uma avaliação política (que precisa se ater à lei, mas há certa discricionariedade política), enquanto que o exercício do poder regulatório pressupõe uma discricionariedade técnica.
O poder regulatório não é apenas regular determinada matéria. Compreende também, por exemplo, a função adjudicatória, que é a função de dirimir conflitos entre particulares, o poder de polícia, expedir atos de consentimento, licenças e autorizações, dentre outras situações.
#OLHAOGANCHO: É constitucional o art. 7º, III e XV, da Lei nº 9.782/99, que preveem que compete à ANVISA: III - estabelecer normas, propor, acompanhar e executar as políticas, as diretrizes e as ações de vigilância sanitária; XV - proibir a fabricação, a importação, o armazenamento, a distribuição e a comercialização de produtos e insumos, em caso de violação da legislação pertinente ou de risco iminente à saúde; Entendeu-se que tais normas consagram o poder normativo desta agência reguladora, sendo importante instrumento para a implementação das diretrizes, finalidades, objetivos e princípios expressos na Constituição e na legislação setorial. Além disso, o STF, após empate na votação, manteve a validade da Resolução RDC 14/2012- ANVISA, que proíbe a comercialização no Brasil de cigarros com sabor e aroma. Esta parte do dispositivo não possui eficácia erga omnes e efeito vinculante. Significa dizer que, provavelmente, as empresas continuarão ingressando com ações judiciais, em 1ª instância, alegando que a Resolução é inconstitucional e pedindo a liberação da comercialização dos cigarros com aroma. Os juízes e Tribunais estarão livres para, se assim entenderem, declararem inconstitucional a Resolução e autorizar a venda. Existem, inclusive, algumas decisões nesse sentido e que continuam valendo. STF. Plenário. ADI 4874/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 1º/2/2018 (Info 889). 
#NÃOESQUECER: Vale ressaltar, no entanto, que a função normativa das agências reguladoras, especialmente quando atinge direitos e deveres dos administrados, subordina-se obrigatoriamente à lei. Assim, embora dotadas de considerável autonomia, as agências reguladoras somente podem exercer sua competência normativa segundo os limites impostos pelas leis que as criaram. No caso da ANVISA, a Lei nº 9.782/99. A regulação setorial feita pelas agências reguladoras, apesar de estar subordinada à lei, não significa simplesmente reproduzir mecanicamente a lei ou simplesmente preencher lacunas. A função regulatória das agências reguladoras, como envolve um viés técnico, é qualitativamente diferente da mera edição de uma portaria ou de qualquer outro ato regulamentar tradicional, possuindo um espaço maior para as agências atuarem. Assim, a função regulatória das agências não é inferior ou superior à legislação, mas diferente, pelo seu viés técnico. O poder normativo atribuído às agências reguladoras consiste em instrumento para a implementação das diretrizes, finalidades, objetivos e princípios expresso na Constituição e na legislação setorial.
b) Nomeação ou investidura especial do dirigente da agência. Depende de sabatina do Senado. O Presidente aqui não nomeia e exonera de forma livre. Trata-se de ato complexo (comunhão de vontades em órgãos diferentes).
*(Atualizado em 30/07/2020) #DEOLHONAJURIS: É inconstitucional norma de Constituição Estadual que exija prévia arguição e aprovação da Assembleia Legislativa para que o Governador do Estado nomeie os dirigentes das autarquias e fundações públicas, os presidentes das empresas de economia mista e assemelhados, os interventores de Municípios, bem como os titulares da Defensoria Pública e da Procuradoria-Geral do Estado. STF. Plenário. ADI 2167/RR, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 3/6/2020 (Info 980).
#NOVIDADELEGISLATIVA: Lei nº 13.848, de 25.6.2019 - Dispõe sobre a gestão, a organização, o processo decisório e o controle social das agências reguladoras, altera a Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, a Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997, a Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, a Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, a Lei nº 9.961, de 28 de janeiro de 2000, a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, a Lei nº 9.986, de 18 de julho de 2000, a Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001, a Medida Provisória nº 2.228-1, de 6 de setembro de 2001, a Lei nº 11.182, de 27 de setembro de 2005, e a Lei nº 10.180, de 6 de fevereiro de 2001.
A Lei nº 13.848/2019 entra em vigor no dia 24/09/2019.
Vejamos as principais alterações[footnoteRef:7]: [7: Informações retiradas do site Dizer o Direito. Disponível em: www.dizerodireito.com.br . Acesso em 28.06.2019.] 
c) Mandato (investidura a termo. Não é inteiramente adequado mencionar mandato pois pressupõe processo eletivo) de prazo determinado – o prazo depende de cada lei da agência. Com a lei n. 13.848/2019, o mandato dos Diretores de todas as agências reguladoras federais passou a ser de 5 anos (algumas leis previam mandato de 3 e outras de 4 anos). Além disso, passou a ser proibida a recondução dos diretores ao final dos mandatos. Outra novidade trazida pela aludida lei foi com relação ao período de quarentena, que passa a ser de 6 meses (antes era de 4 meses). Valer destacar que o que a lei veda é que diretor atue na iniciativa privada naquele ramo, pois já tem informações privilegiadas. Pode mudar de ramo ou continuar no ramo na iniciativa pública. Independência administrativa.
A lei também estabelece novos requisitos para o Presidente, Diretor-Presidente ou Diretor-Geral e os demais membros do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada das agências reguladoras:
Art. 5º O Presidente, Diretor-Presidente ou Diretor-Geral (CD I) e os demais membros do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada (CD II) serão brasileiros, indicados pelo Presidenteda República e por ele nomeados, após aprovação pelo Senado Federal, nos termos da alínea “f” do inciso III do art. 52 da Constituição Federal, entre cidadãos de reputação ilibada e de notório conhecimento no campo de sua especialidade, devendo ser atendidos 1 (um) dos requisitos das alíneas “a”, “b” e “c” do inciso I e, cumulativamente, o inciso II:
I - ter experiência profissional de, no mínimo:
a) 10 (dez) anos, no setor público ou privado, no campo de atividade da agência reguladora ou em área a ela conexa, em função de direção superior; ou
b) 4 (quatro) anos ocupando pelo menos um dos seguintes cargos:
1. cargo de direção ou de chefia superior em empresa no campo de atividade da agência reguladora, entendendo-se como cargo de chefia superior aquele situado nos 2 (dois) níveis hierárquicos não estatutários mais altos da empresa;
2. cargo em comissão ou função de confiança equivalente a DAS-4 ou superior, no setor público;
3. cargo de docente ou de pesquisador no campo de atividade da agência reguladora ou em área conexa; ou
c) 10 (dez) anos de experiência como profissional liberal no campo de atividade da agência reguladora ou em área conexa; e
II - ter formação acadêmica compatível com o cargo para o qual foi indicado.
Estabelece, também, vedações para a indicação de pessoas ao Conselho Diretor ou a Diretoria Colegiada:
Art. 8º-A. É vedada a indicação para o Conselho Diretor ou a Diretoria Colegiada:
I - de Ministro de Estado, Secretário de Estado, Secretário Municipal, dirigente estatutário de partido político e titular de mandato no Poder Legislativo de qualquer ente da federação, ainda que licenciados dos cargos;
II - de pessoa que tenha atuado, nos últimos 36 (trinta e seis) meses, como participante de estrutura decisória de partido político ou em trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de campanha eleitoral;
III - de pessoa que exerça cargo em organização sindical;
IV - de pessoa que tenha participação, direta ou indireta, em empresa ou entidade que atue no setor sujeito à regulação exercida pela agência reguladora em que atuaria, ou que tenha matéria ou ato submetido à apreciação dessa agência reguladora;
V - de pessoa que se enquadre nas hipóteses de inelegibilidade previstas no inciso I do caput do art. 1º da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990;
VI - (VETADO);
VII - de membro de conselho ou de diretoria de associação, regional ou nacional, representativa de interesses patronais ou trabalhistas ligados às atividades reguladas pela respectiva agência.
Parágrafo único. A vedação prevista no inciso I do caput estende-se também aos parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau das pessoas nele mencionadas.
Estabelece vedações os membros do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada:
Art. 8º-B. Ao membro do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada é vedado:
I - receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas;
II - exercer qualquer outra atividade profissional, ressalvado o exercício do magistério, havendo compatibilidade de horários;
III - participar de sociedade simples ou empresária ou de empresa de qualquer espécie, na forma de controlador, diretor, administrador, gerente, membro de conselho de administração ou conselho fiscal, preposto ou mandatário;
IV - emitir parecer sobre matéria de sua especialização, ainda que em tese, ou atuar como consultor de qualquer tipo de empresa;
V - exercer atividade sindical;
VI - exercer atividade político-partidária;
VII - estar em situação de conflito de interesse, nos termos da Lei nº 12.813, de 16 de maio de 2013.
Por fim, estabelece uma nova hipótese de perda do mandato para os diretores:
	Lei nº 9.986/2000
	Antes da Lei nº 13.848/2019
	Depois da Lei nº 13.848/2019
	Art. 9º Os Conselheiros e os Diretores somente perderão o mandato em caso de renúncia, de condenação judicial transitada em julgado ou de processo administrativo disciplinar.
	Art. 9º O membro do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada somente perderá o mandato:
I - em caso de renúncia;
II - em caso de condenação judicial transitada em julgado ou de condenação em processo administrativo disciplinar;
III - por infringência de quaisquer das vedações previstas no art. 8º-B desta Lei.
	Parágrafo único. A lei de criação da Agência poderá prever outras condições para a perda do mandato.
	Esse parágrafo único foi revogado.
#OUSESABER: No que consiste a teoria da captura? Segundo a doutrina, a Teoria da Captura trata da hipótese de quebra de independência e autonomia das agências reguladoras, quando estas passam a favorecer os entes regulados, que são economicamente mais fortes. Em outras palavras, os entes regulados capturam as agências reguladoras no intuito de proteger seus interesses. 
José dos Santos Carvalho Filho afirma que a Teoria da Captura tem o objetivo de evitar uma “vinculação promíscua entre a agência, de um lado, e o governo instituidor ou os entes regulados, de outro, com flagrante comprometimento da independência pública” (Manual de direito administrativo. Atlas, 2012, p. 485.) Essa captura pode ocorrer de duas formas: pelo próprio setor público (ativa), quando há influência política de agentes públicos na atividade reguladora, retirando sua independência; ou pelo setor privado (passiva), quando as empresas que prestam os serviços regulados interferem direta ou indiretamente na atividade regulatória.
#DEOLHONATERMINOLOGIA: O que se entende por risco de captura?[footnoteRef:8] O Risco de Captura integra as características das Agências Reguladoras, que possuem algumas restrições institucionais, sendo uma delas, a denominada "quarentena" dos ex-dirigentes, previstas nas leis instituidoras das principais agências reguladoras brasileiras, como a ANATEL, ANEEL, ANP e ANS. Os ex-dirigentes dessas agências, assim, ficam impedidos para o exercício de atividades ou de prestar qualquer serviço no setor regulado pela respectiva agência, por um período de seis meses (nova lei das agências reguladoras), contados da exoneração ou término do seu mandato. Desta forma, evita-se que a Agência possa atuar em prol dos interesses das empresas reguladas, sendo que a expressão "risco de captura" pode ser ainda utilizada em sentido mais amplo, abrangendo as principais situações em que se verifica, seja a ineficácia do órgão regulador, seja a contaminação de sua atuação pelos interesses de alguma das partes interessadas nas relações concernentes à atividade regulada (Estado, usuários e consumidores ou as empresas). Nessa acepção ampla, a "captura" descreve a situação em que o ente regulador passa a atuar sem imparcialidade, favorecendo sistematicamente uma das partes envolvidas com a atividade regulada ou passa a ser uma estrutura inoperante, meramente figurativa. Pode significar o risco de concussão (corrupção dos dirigentes), como também, a captura por contaminação de interesses, em que o órgão regulador assume os valores e interesses do regulado, como se fossem interesses da coletividade, a captura por insuficiência de meios, que ocorre quando a atuação do agente regulador é inviabilizada pela ausência ou má qualidade de seus recursos e a captura pelo poder político, situação que ocorre quando não existem os instrumentos legais capazes de assegurar a efetiva autonomia da agência reguladora e ela passa a ser um mero agente dos interesses político-partidários dos governantes.[footnoteRef:9] [8: https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/82953/em-que-consiste-o-risco-de-captura-ariane-fucci-wady, por Ariane Fucci Wady. Consulta em 24/04/17. ] [9: Artigos importantes da Lei nº 9.986: Art. 5º O Presidente ou o Diretor-Geral ou o Diretor-Presidente (CD I) e os demais membros do Conselho Diretor ou da Diretoria (CD II) serão brasileiros, de reputação ilibada, formação universitária e elevado conceito no campo de especialidade dos cargos para os quais serão nomeados, devendo ser escolhidos pelo Presidente da República e por ele nomeados, após aprovação pelo Senado Federal, nos termos da alínea f do inciso III do art.52 da Constituição Federal. Parágrafo único. O Presidente ou o Diretor-Geral ou o Diretor-Presidente será nomeado pelo Presidente da República dentre os integrantes do Conselho Diretor ou da Diretoria, respectivamente, e investido na função pelo prazo fixado no ato de nomeação.
Art. 6º O mandato dos Conselheiros e dos Diretores terá o prazo fixado na lei de criação de cada Agência. Parágrafo único. Em caso de vacância no curso do mandato, este será completado por sucessor investido na forma prevista no art. 5o.
Art. 8º O ex-dirigente fica impedido para o exercício de atividades ou de prestar qualquer serviço no setor regulado pela respectiva agência, por um período de seis meses, contados da exoneração ou do término do seu mandato. § 1o Inclui-se no período a que se refere o caput eventuais períodos de férias não gozadas. §2o Durante o impedimento, o ex-dirigente ficará vinculado à agência, fazendo jus a remuneração compensatória equivalente à do cargo de direção que exerceu e aos benefícios a ele inerentes. § 3o Aplica-se o disposto neste artigo ao ex-dirigente exonerado a pedido, se este já tiver cumprido pelo menos seis meses do seu mandato.§ 4o Incorre na prática de crime de advocacia administrativa, sujeitando-se às penas da lei, o ex-dirigente que violar o impedimento previsto neste artigo, sem prejuízo das demais sanções cabíveis, administrativas e civis§ 5o Na hipótese de o ex-dirigente ser servidor público, poderá ele optar pela aplicação do disposto no § 2o, ou pelo retorno ao desempenho das funções de seu cargo efetivo ou emprego público, desde que não haja conflito de interesse. 
 Art. 9º Os Conselheiros e os Diretores somente perderão o mandato em caso de renúncia, de condenação judicial transitada em julgado ou de processo administrativo disciplinar. Parágrafo único. A lei de criação da Agência poderá prever outras condições para a perda do mandato.
] 
c) Licitação. A lei nº 9.472/97 afirmou que as agências reguladoras não se submeteriam à lei nº 8.666, pois seguiriam procedimento próprio definido pela própria agência, abrangendo as modalidades de pregão e a consulta. A lei foi objeto da ADI 1668 e o STF disse que as agências reguladoras se submetem sim à lei nº 8.666, seguindo o seu procedimento, mas também podem adotar a modalidade pregão e a consulta. A modalidade específica de agência reguladora é a consulta, vez que o pregão tem lei própria (10.520/02) e pode ser adotado por outros órgãos da administração. Ressalta-se, todavia, que ainda não houve regulamentação da modalidade consulta.
d) Regime de pessoal: atualmente, os servidores do quadro efetivo das agências reguladoras são ocupantes de cargos públicos e estão submetidos ao regime estatutário. Contudo, nem sempre foi assim. Antigamente, a Lei nº 9986/00 previa a existência de emprego público (CLT) + cargos em comissão (estatutário). A ADI 2.310-1/DF suspendeu a eficácia de tal dispositivo legal por meio de decisão cautelar, argumentando que as agências reguladoras, por desempenharem função exclusiva de Estado, não poderiam prescindir da ocupação de cargos públicos, com direitos e garantias a eles inerentes. Em razão disso, foi editada a MP 155/2003, que revogou expressamente o dispositivo legal, passando a adotar o regime estatutário, próprio dos cargos públicos. Essa MP foi convertida na Lei 10.871/2004 e, com isso, a ADI 2310 foi extinta.
e) autonomia decisória: “além da questão já abordada quanto aos dirigentes das Agências Reguladoras, há também outra característica destas que lhe dão a denominação de Autarquias em regime especial, como a possibilidade de mediarem conflitos entre os regulados. Explica-se. Fato é que a função de resolver conflitos, em que pese típica, não é exclusiva do Poder Judiciário, sendo tal função exercida atipicamente pelos demais poderes da Federação. As Agências Reguladoras, Autarquias Especiais, também têm como peculiaridade a possibilidade de solver conflitos dos particulares exercentes da atividade regulada, bem como entre estes e o próprio Poder Público. Como Autarquias, as Agências Reguladoras não se subordinam hierarquicamente à Administração Direta, mas, de outra banda, são submetidas ao denominado controle finalístico pela vinculação. Nesse passo, há entendimento de que cabe recurso administrativo impróprio para o Ministério à qual se vincula a Agência, desde que haja previsão legal autorizativa.”[footnoteRef:10] [10: Retirado do site: https://jus.com.br/artigos/46453/o-poder-normativo-das-agencias-reguladoras-no-brasil] 
Nesse ponto, convém destacar outra novidade trazida pela Lei n. 13.848/2019:
As agências reguladoras são autorizadas a celebrar, com força de título executivo extrajudicial, termo de ajustamento de conduta com pessoas físicas ou jurídicas sujeitas a sua competência regulatória, aplicando-se os requisitos do art. 4º-A da Lei nº 9.469/97:
Art. 4º-A. O termo de ajustamento de conduta, para prevenir ou terminar litígios, nas hipóteses que envolvam interesse público da União, suas autarquias e fundações, firmado pela Advocacia-Geral da União, deverá conter:
I - a descrição das obrigações assumidas;
II - o prazo e o modo para o cumprimento das obrigações;
III - a forma de fiscalização da sua observância;
IV - os fundamentos de fato e de direito; e
V - a previsão de multa ou de sanção administrativa, no caso de seu descumprimento.
Parágrafo único. A Advocacia-Geral da União poderá solicitar aos órgãos e entidades públicas federais manifestação sobre a viabilidade técnica, operacional e financeira das obrigações a serem assumidas em termo de ajustamento de conduta, cabendo ao Advogado-Geral da União a decisão final quanto à sua celebração.
Enquanto perdurar a vigência do correspondente termo de ajustamento de conduta, ficará suspensa, em relação aos fatos que deram causa a sua celebração, a aplicação de sanções administrativas de competência da agência reguladora à pessoa física ou jurídica que o houver firmado.
Se for celebrado um TAC entre um dos legitimados para a ACP e uma empresa que atua no serviço regulado, a agência deverá ser comunicada.
A agência reguladora deverá ser comunicada quando da celebração do termo de ajustamento de conduta a que se refere o § 6º do art. 5º da Lei nº 7.347/85 (Lei da ACP), caso o termo tenha por objeto matéria de natureza regulatória de sua competência. 
Ex: a ANATEL deverá ser comunicada caso seja celebrado um TAC entre o MP e uma empresa de telefonia celular.
f) autonomia econômico financeira: "o modelo de agências reguladoras comporta a atribuição de autonomia financeira, por meio de garantia de receitas vinculadas. Isso significaria a possibilidade de manutenção de sua estrutura e de seu funcionamento sem dependência de disputas políticas sobre a distribuição de verbas orçamentárias.”[footnoteRef:11] [11: JUSTEN FILHO, Marçal- Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Editora Fórum, 14ª ed.2009] 
4.3.5. Agência executiva. 
Agência executiva é uma autarquia ou fundação que recebeu esta qualificação por ter celebrado um contrato de gestão com a Administração Pública e por possuir um plano de reestruturação (art. 51 da Lei nº 9.649/98). São exemplos de agências executivas: INMETRO e SUDENE. As suas características são elencadas abaixo:
a) Podem ter natureza de autarquia ou de fundação pública;
b) Foram criadas pela Lei 9.649/98;
c) É uma autarquia ou fundação que temporariamente será agência executiva, enquanto durar o contrato de gestão. É apenas um status temporário. Não se pode falar em conversão, mas mera qualificação (José dos Santos).
d) Criação. Requisitos: 
· Plano estratégico de reestruturação;
· Celebra com a Administração Direta – Ministério – um contrato de gestão. Surgiu para definir aqueles contratos entre dois entes da Administração. A partir de 1998 a EC 19/98 alterou o art. 37, §8º da CF, trazendo outras hipóteses do contrato de gestão. A doutrina critica muito. A conotação foi alterada. Fala da hipótese de contrato entre administradores e órgãos. A crítica não é para a possibilidade de realização do