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Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia – PUCRS Curso de Medicina Veterinária Cirurgia Veterinária II 15) TENORRAFIA # DEFINIÇÃO: É a reparação cirúrgica, por sutura, de um tendão rompido ou seccionado. # ETIOLOGIA: A ruptura ou a secção de um tendão ocorre normalmente devido a um processo traumático. Os tendões podem sofrer ruptura durante um stress físico incomum. # PRINCÍPIOS DA CIRURGIA DOS TENDÕES: 1. objetivo das técnicas de tenorrafia – consiste em minimizar a formação de aderências (tenodese), e na restauração do máximo possível da função de deslizamento; 2. fisiologia – o tendão é formado por tecido conectivo denso, composto de fibroblastos e fibras colágenas paralelas. O suprimento sanguíneo do tendão é pobre, o seu terço proximal é suprido por vasos extrínsecos da junção teno-muscular e o terço distal pela junção teno-óssea. O terço médio é suprido por vasos extrínsecos que passam longitudinalmente pelo paratendão ou cápsula sinovial; 3. procedimento – o melhor tratamento para a ruptura recente de tendão é o posicionamento acurado de suas pontas, sem tensão, até a cicatrização estar completa (tenorrafia témino-terminal primária). As incisões cutâneas não são praticadas diretamente sobre o tendão, evitando a aderência sobre o local de reparo do tendão; 4. sutura – a técnica de sutura para a tenorrafia deve promover pouca danificação tecidual, usando um mínimo de material de sutura, desde que, seja suficiente para a sustentação dos segmentos, acarretando em um comprometimento mínimo da microcirculação do tendão. O material de sutura deve ser inerte, resistente, de fácil passage m pelos tecidos e não absorvível; 5. manejo – minimizar a formação de fibras colágenas transversais que causam aderências, através de manejo atraumático. Neste caso, evitar o pinçamento do tendão, reparando os segmentos com agulhas retas para manuseio. Aparar com bisturi as extremidades rompidas e irregulares, manter os tecidos úmidos com solução salina e fazer hemostasia cuidadosa prevenindo a formação de hematomas e coágulos. É fundamental prevenir a infecção, se esta estiver presente, deve primeiro ser tratada por meio de debridamento e drenage m cuidadosa dos tecidos; 6. síntese do tendão – a síntese do tendão deve ser feita com fio não absorvível (mononylon, polipropileno) fazendo sutura específica, como do tipo Bünell ou 43 Prof. Danie l Roulim Stainki Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia – PUCRS Curso de Medicina Veterinária Cirurgia Veterinária II Kessler (Fig. 01). O paratendão deve ser suturado com pontos simples isolados. Recomendam-se fios nº 2.0 ou 3.0 para cães e gatos, e fios nº 2 ou 3 para bovinos e eqüinos. O paratendão pode ser suturado com fio nº 3.0 ou 4.0. Os tecidos adjacentes devem ser aproximados adequadamente prevenindo assim a formação de espaço morto anatômico; 7. pós-operatório – o membro deve ser imobilizado por 3 a 4 semanas. Deve-se ter em conta que, durante este período, a sutura não deve sustentar sozinha o peso do animal durante o apoio. A imobilização é fundamental, e a partir da quarta semana, a imobilização é removida iniciando-se movimentos passivos das articulações adjacentes. O exercício ativo só está indicado a partir de 45 dias para cães e gatos, e 120 dias para eqüinos. Fig. 01 – Tenorrafia com Sutura de Kessler no tendão e isolado simples na linha de contato. # COMPLICAÇÕES: • deiscência de sutura; • infecções; • excessiva formação cicatricial, provocando aderências; • atrofia muscular acentuada. # SUGESTÃO DE LEITURA: KERSJES, A.W. , NÉMETH, F. , RUTGERS, L.J.E. Atlas de cirurgia dos grandes animais. São Paulo: Roca, 1985, 341p. 44 Prof. Danie l Roulim Stainki