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SEMINÁRIO TEOLÓGICO BETEL BRASILEIRO 
CURSO DE GRADUAÇÃO EM TEOLOGIA 
 
 
 
 
 
WILSON GILSON COSTA NETO 
 
 
 
 
HERMENEUTICA - HISTÓRIA DA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA: DA EXEGESE 
JUDAICA ANTIGA ATÉ O PERÍODO PATRÍSTICO. 
PROFESSORA LÍDIA LOPES 
 
 
 
 
 
 
 
 
RIO DE JANEIRO 
2020 
 
JUDEUS PALESTINOS 
Tinham profundo respeito pela Bíblia como a Palavra invalível de Deus. Estimavam 
mais a lei do que os Profetas e os Escritos Sagrados. Dividiam a interpretação em 
peshat (sentido literal) e midrash (exposição exegética). A literatura midrash é dividida 
em duas partes: Halakhah (questões da lei e obrigações num sentido legalista) e 
Haggadah (interpretação edificante e livre). A sua fraquesa de interpretação se dá 
pelo fato de deixar de lado as Lei Escritas e exaltar a Lei Oral. A tradição oral poderia 
ser deduzida a partir dos dados as Lei Escrita com algumas regras. Essas regras 
abreviadamente são: (a) leve e pesado, minore ad majus, e vice-versa; (b) 
“equivalência”; (c) dedução do especial para o geral; (d) inferência a partir de várias 
passagens; (e) inferência do especial para o geral; (f) analogia a partir de outra 
passagem; e (g) inferência a partir do contexto. 
 
JUDEUS ALEXANDRINOS 
Interpretação era determinada pela filosofia de Alexandria. Regido pelo princípio 
fundamental de Platão de que não se devria acreditar em nada que fosse indigno de 
Deus, o que não era de acordo era interpretado como alegoria. O sentido literal era 
um símbolo de coisas mais profundas. Possuiam alguns princípios de interpretação. 
Negativamente, o sentido literal de ve ser excluído quando qualquer coisa for indgna 
de Deus. Positivamente, o texto deve ser alegorizado quando as expressões forem 
dúbias; palavras supérfluas, repetição de fatos, variação de expressão, sinônimos, 
jogo de palavras, anormalidade do verbo ou do número. Essas regras abrem caminho 
para todo tipo de más interpretações. 
 
JUDEUS CARAÍTAS 
Seita que era como “protestantes do judaísmo” fundada por volta de 800 d.C. por 
Anan bem David. Consideravam-se decendesntes espirituais dos saduceus, 
fomamdo um protesto contra o rabinismo que foi influenciado pelo maomatismo. 
Traduzindo para o portugês “Caraítas” significa “Filhos da Leitura”. O princípio 
fundamental era considerar a Escritura cautoridade única em matéria de fé. Sendo 
assim desconsideravam a tradição oral e interpretação rabínica. O texto Massorético 
produzido pelos rabinos foi resultado de conflitos literários a fim de refutá-los. Os 
 
Caraítas possuíam uma exegese muito mais minuciosa do que os judeus palestinos 
ou alexandrinos. 
 
JUDEUS CABALISTAS 
Movimento do século 12 que procediam na suposição de que todo o Massorah, até os 
versos, palavras, vogais, e acentos tinham sido dados por Moisés no Monte Sinai, e 
que os números das letras tinham significado especial e sobrenatural. Tinham uma 
tentativa de desvedar os mistérios divinos com alguns métodos: (a) Gematria, 
substituição de uma palavra por outra que tivesse valor numérico; (b) Notarikon, 
formação de palavras pela combinação das letras iniciais e finais, cada letra de uma 
palavra era considerada inicial de outras palavras; (c) Temoorah, criar novos 
significados pela permuta das letras. 
 
JUDEUS ESPANHÓIS 
Um método mais sadio de interpretação foi desenvolvido do século 12 ao 15 por 
judeus da Espanha. Caracterizava-se por sua reprodução filológica e literal, contudo 
não deixa de cultivar também a exegese filosófica e figurativa. O estudo da filosofia e 
da sua aplicação à religião tornou-se um traço característico da cultura judaica em 
Sefarad. 
 
EXEGESE JUDAICA NOS TEMPOS DE JESUS E SUAS CLASSIFICAÇÕES 
 
MÉTODO LITERAL 
Referido como peshat serve de base para os outros tipos de interpretação. A 
característica desta interpretação consiste na interpretação do texto bíblico ao pé da 
letra. O peshat é o significado simples e evidente que ressalta da primeira leitura do 
versículo, e fornece seu significado objetivo, natural se ocupando com a realidade 
histórica. 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO MIDRÁSHICA 
Incluia uma variedade de dispositivos hermenêuticos. A exegese rabínica acentuava 
a comparações de ideias, palavras, frases e situações particulares. Contudo as 
escrituras eram expostas de forma fantasiosa ao invés de conservadora resultando 
em: (1) significado de textos, frases e palavras sem levar o contexto de aplicação; 
(2) combinação de textos com palavras ou frases semelhantes, não considerando se 
possuíam a mesma ideia; (3) tomava aspectos ocasionais de gramática com 
especulações numéricas. 
 
INTERPRETAÇÃO PESHER 
Existia na comunidade de Qumran, e tomou emprestado as práticas midráshicas, 
mas com o enfoque escatológico. A comunidade acreditava que tudo que os 
profetas escreveram possuía significado profético e que deveria ser cumprido por 
intermédio da própria comunidade. Acreditavam que Deus tinha revelado os 
significados das professias. 
 
EXEGESE ALEGÓRICA 
Tem por base que o verdadeiro sentido já se encontra sob o significado literal da 
escritura. Foi desenvolvido pelos gregos para minimizar conflitos com a sua tradição 
de mitos religiosos e filosofia. Devia fazer uso da interpretação alegórica nos casos: 
(1) significado indigno de Deus; (2) declaração contraditória a outra declaração; (3) 
se o registro trata-se se uma alegoria; (4) expressões em duplicidade ou palavras 
supérfluas; (5) repetição de algo já conhecido; (6) expressão variada; (7) emprego 
de sinônimo; (8) jogo de palavras; (9) algo anormal em número ou tempo verbal, (10) 
presença de símbolos. 
 
O PERÍODO PATRÍSTICO 
Foi desensolvido neste período princípios hermenêuticos associados a três 
diferentes centros da vida da igreja. 
 
 
A ESCOLA DE ALEXANDRIA 
Século 3 d.C. influenciada pela escola catequética de Alexandria. Esta cidade foi 
importante local de aprendizado, onde religião judaica e folosofia grega se 
encontraram e exerciam influencia uma sobre as outros. Com a filosofia popular nas 
formas do Neoplatonismo e do Gnosticismo a escola catequética se encantou com a 
interpretação alegórica, harmonizando religião e filosofia, tendo em vista: (1) 
Filósofos pagãos estóicos, interpretação de Homero; (2) Filo, natural de Alexandria, 
emprestou sua autoridade para sistematizar as narrativas.Principais representantes 
Clemente de Alexandrina e seu discípulo Oriógines, ambos criam que a 
interpretação bíblica deveria te regras especiais. 
 Clemente de Alexandrina – O primeiro a aplicar o método alegórico à 
interpretação do antigo e novo testamento. Em sua concepção toda escritura dever 
ser alegorizada e a literalidade só poderia gerar uma fé elementar. 
 Oriógines – Superou em influência e conhecimento, se tornando o maior 
teólogo da sua época. Considerava a bíblia como meio de salvação, e que o 
homeme possuía corpo, alma e espírito. Desconsiderava o sentido literal da 
escritura, ramanete referia ao sentido moral, e sempre alegorizava a interpretação 
pois produzia conhecimento real. 
 
ESCOLA DE ANTIOQUIA 
Fundada por Doroteu e Lúcio no fim do século 3°. Os discípulos Teodoro de 
Mopsuéstia e João Crisótomo do Bispo Tarso em 378 na Antioquia obtiveram 
avanços com o último tratado de interpretação do Bispo. Mantinham uma concpeção 
liberal a respeito da bíblia. Juntos chegaram a desenvolver uma exegese 
verdadeiramente científica reconhecendo a necessidade de descobrir o sentido real 
das passagens, rejeitando o método alegórico. Defendiam a interpretação histórico-
gramatical. 
 
 
 
 
O TIPO DE EXEGESE OCIDENTAL 
Considerado um método intermediário, abriga alguns elementos da escola alegórica 
de Alexandria e alguns elementos da escola Siríaca. Promoveu outro elemento de 
interpretação a autoridade da tradição e da igreja, tal exesege foi representado por 
Hilário, Ambrósio, Jerônimo e Agostinho. A fama de Jerônimo se dava pelas notas 
linguísticas,históricas e arqueológicas. Agostinho se diferenciava pelo conhecimento 
das línguas originais e também pelo fato de sistematizar as verdades da bíblia. Outra 
característica de Agostinho era da exegese considerar a filológica, crítica-historica. 
Também adotava quatro sentidos da escritura: Histórico, etiolpogico, analógico e 
alegórico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
Berkof, Louis 1932 - Princípios da de interpretação bíblica; [tradução Denise Meister] 
- 2 ed. Revisada - São Paulo: Cultura Cristã, 2004 
 
Virkler, Henry 1987 - Hermenêutica Avançada: Princípios e Processos de 
Interpretação Bíblica; [tradução Luiz Aparecido Caruso] - 8 imp. - São Paulo: Editora 
Vida

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