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Módulo 2 - Análise do negócio rural // 43
Agregação de valor nas cadeias produtivas
AgregAção de vAlor nAs cAdeiAs produtivAs 
Conhecer como a agregação de valor acontece dentro das cadeias 
produtivas é de fundamental importância para compreender como os 
ganhos de competitividade ocorrem. Além disso, no processo de agre-
gação de valor, há limites.
Neste módulo, além de reforçar o conceito de valor agregado nos pro-
dutos rurais, você irá entender como as cadeias produtivas devem ser 
adequadas para atingir todos os benefícios da agregação de valor
Módulo 2
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 44
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Fonte: Shutterstock.
Este módulo é composto das aulas:
•	 Aula 1: Coordenação das cadeias produtivas
•	 Aula 2: Agregando valor às commodities agrícolas
•	 Aula 3: Arranjos produtivos locais como forma de agregação de 
valor
Siga em frente e bons estudos!
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 45
Agregação de valor nas cadeias produtivas
AulA 1
coordenAção dAs cAdeiAs produtivAs 
O que são cadeias produtivas? Como a agregação de valor impacta a 
dinâmica destas? O objetivo desta aula é que você desenvolva uma 
visão sistêmica (ou seja, considere o todo) necessária para entender 
o agronegócio e que lhe permita compreender como o valor agregado 
impacta na competitividade das cadeias de produção. 
Ao final desta aula, você será capaz de definir cadeias produtivas e 
avaliar como esta deve evoluir no que diz respeito às tecnologias e 
inovação para alcançar a agregação de valor
Siga em frente e bons estudos!
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 46
Agregação de valor nas cadeias produtivas
A AgregAção de vAlor nAs cAdeiAs produtivAs
Agribusiness, ou agronegócio, pode ser definido como a soma total 
das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas, 
das operações de produção nas unidades agrícolas, do armazena-
mento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens 
produzidos a partir deles.
No caso brasileiro, o agronegócio representou cerca de R$ 1.178 tri-
lhões de reais no ano de 2014. Conforme ilustrado a seguir, a agrope-
cuária e a distribuição representaram os maiores percentuais de con-
tribuição para o produto interno bruto (PIB) do agronegócio em 2014.
Insumos
agropecuários
11,7%
Produção
agropecuária
29,6%
Agroindústria
27,8%
Distribuição
31,1%
Fonte: Cepea-USP/CNA (2014).
A visão sistêmica exigida pelo conceito de 
agronegócio permite a inclusão de outro con-
ceito: o de cadeia produtiva (supply chain). 
Cadeia produtiva é um conjunto de empre-
sas que interagem em um processo produ-
tivo para oferta de produtos ou serviços ao 
mercado consumidor.
É quando se percebe que 
todas as ações tomadas pelos 
agentes devem ser levadas em 
conta para o entendimento do 
mercado. 
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 47
Agregação de valor nas cadeias produtivas
As cadeias produtivas do agronegócio são caracterizadas por possuí-
rem cinco segmentos. A seguir, conheça cada um deles.
 
Fornecedores de insumos
Fornecem sementes, calcário, implementos agrícolas e 
tecnologias etc.
Agricultores
Utilizam os insumos e a terra para a produção de 
commodities.
Processadores
Agroindústrias que pré-beneficiam, beneficiam ou trans-
formam os produtos in natura.
Comerciantes
Abastecem as redes de supermercados (atacadistas) e 
comercializam os produtos junto aos consumidores fi-
nais (varejistas).
Mercado consumidor
É o ponto final da comercialização constituído por gru-
pos de consumidores.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 48
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Observe o esquema a seguir para entender como os seguimentos se 
organizam em grupos.
Consumidor final
Comércio e indústria de processamento
Atacado e varejo
Agricultor
Distribuição, revenda e cooperativas
Indústria de insumos
Pesquisa e desenvolvimento
Especificamente para matérias-primas agroalimentares e derivados, 
a cadeia produtiva pode ser visualizada como a ligação e inter-rela-
ção de vários elementos segundo uma lógica para ofertar ao mercado 
commodities agrícolas in natura ou processadas.
A visualização do agronegócio dentro da perspectiva 
de cadeias produtivas permite que se perceba o todo e 
se notem as potencialidades e os gargalos que podem 
impedir o aumento da competitividade.
A agregação de valor significa a elevação de preços de um produto 
em decorrência de alguma alteração em sua forma ou apresentação, 
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 49
Agregação de valor nas cadeias produtivas
tanto do produto in natura como industrializado, dentro de cada nível 
da produção, da agroindustrialização e comercialização.
Siga em frente para conhecer a Aula 2: Agregando valor às commo-
dities agrícolas!
AulA 2
AgregAndo vAlor às commodities AgrícolAs
Você já percebeu que quando se tratam de commodities os preços são 
formados pela interação entre a oferta e a demanda nos mercados. 
Isso significa dizer que, sozinho, um produtor não consegue alterar o 
preço de sua mercadoria. Nesse caso, a incerteza, que dá o ritmo à 
produção agropecuária, se torna o foco de toda a cadeia produtiva.
No entanto, a agregação de valor altera essa dinâmica. Há alguma 
forma de “descomoditizar” a produção? De que forma nossas exporta-
ções e importações poderiam ganhar produtividade?
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 50
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Fonte: Shutterstock.
Nessa aula, trataremos dessas possibilidades que impactam o mercado 
interno e externo e que podem fazer muito sentido para o empreendedor 
rural que está envolvido nos mais diversos ramos do agronegócio.
Ao final dessa aula você será capaz de:
•	 Identificar o que as Commodities brasileiras ofertam para o mer-
cado externo.
•	 Avaliar o cenário de exportação e de importação de matéria-pri-
ma e de produtos prontos para o consumo.
Siga em frente e bons estudos!
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 51
Agregação de valor nas cadeias produtivas
principAis commodities exportAdAs pelo BrAsil 
Você sabia que a produção brasileira de grãos atingiu 188,7 milhões 
de toneladas em 2013? Esse avanço se deu em virtude de ganhos de 
produtividade, implicando um aumento de produção muito maior que a 
área plantada (BRASIL, 2014).
Apesar das adversidades climáticas que atingiram importantes regiões 
de produção agrícola, o Brasil colheu cerca de 200 milhões de tonela-
das em 2014 (BRASIL, 2014). Esse movimento foi também observado 
na pecuária.
Em vários segmentos, em especial na bovinocultura, 
na avicultura e na suinocultura, foram incorporados 
importantes ganhos de produtividade.
No que diz respeito às exportações do agronegócio, na última década 
elas aumentaram aproximadamente quatro vezes, atingindo cerca de 
US$ 100 bilhões em 2013, e foram lideradas pelo complexo soja (US$ 
33,2 bilhões), pelas carnes (US$ 16,0 bilhões) e pelo complexo su-
croalcooleiro (US$ 12,8 bilhões).
Esses produtos responderam por 62% das exportações do setor, cifra 
essa que atinge 78,6% se incluídos os produtos florestais e os cereais 
(BRASIL, 2014). A seguir, confira o ranking mundial da produção e das 
exportações brasileiras do agronegócio.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 52
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Produto Produção Exportação
Açúcar 1.o 1.o
Café 1.o 1.o
Suco de laranja 1.o 1.o
Soja em grão 2.o 1.o
Carne bovina 2.o 1.o
Carne de frango 3.o 1.o
Óleo de soja 3.o 2.o
Farelo de soja 3.o 2.o
Milho 3.o 1.o
Carne suína 4.o 4.o
Fonte: Brasil (2014).
Quanto às importações do agronegócio, os principais produtos foram 
os lácteos (US$ 7,3 bilhões) e os cereais (US$ 4,0 bilhões), e a maior 
parte entre estes se refere ao trigo (BRASIL, 2014).
Há projeções que indicam que os produtos agropecuários brasileiros 
seguirão a tendência de concentração cada vez maior da produção 
de commodities, ofertando para o mercado externo matéria-prima,de 
boa qualidade e em quantidades crescentes, porém, com pouco valor 
agregado (ZUIN; QUEIROZ, 2006).
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 53
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Feedback da reflexão: Usualmente, o fato de o Brasil ser um impor-
tante exportador de produtos agropecuários é apresentado como um 
fato negativo. Esse argumento se sustenta na falta de agregação de 
valor nas commodities brasileiras.
Certamente, agregar valor é algo positivo e deve ser buscado. Se a 
produção for vendida apenas como produto bruto, seu preço será me-
nor. Caso haja algum processamento e trabalho, um preço maior pode 
ser cobrado.
Reflexão
Em sua opinião, esses resultados são positivos ou negativos? Por ser trata-
rem de commodities, o Brasil deveria trilhar apenas esse caminho?
Se preferir, utilize o espaço abaixo para anotar suas reflexões.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 54
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Importante! As commodities também envolvem algum grau de valor 
adicionado quando se considera a tecnologia utilizada para que elas 
sejam produzidas e colocadas à disposição do mercado. 
Olá! Tudo bem?
Essa questão da agregação de valor às 
commodities é bem interessante, não é mesmo? 
Exemplo disso é a soja produzida aqui no Centro-
Oeste brasileiro.
Desde seus primórdios, na década de 1970, a 
produção de soja aqui na região envolveu inúme-
ros investimentos em pesquisa para adequação 
da produção às características de clima e solo da 
região.
Por isso, é importante que você também reflita so-
bre a necessidade de considerar essas iniciativas 
e tantas outras relacionadas à tecnologia como 
agregação de valor.
Até logo!
Luiz.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 55
Agregação de valor nas cadeias produtivas
É fato que há novas tendências no mercado internacional. Percebe-se 
uma intensificação da produção de produtos do tipo bens especiais 
agroalimentares. Os bens especiais agroalimentares (BEAs) são 
alimentos certificados, funcionais, enriquecidos, nutracêuticos, que 
podem ser processados no ambiente da empresa rural. São produtos 
que possuem um alto valor agregado (ZUIN; QUEIROZ, 2006).
Nutracêutica resulta da combinação dos termos “nutrição” e 
“farmacêutica” e estuda os componentes fitoquímicos pre-
sentes nas frutas, nos legumes, nos vegetais e cereais e nas 
plantas medicinais para descobrir seus benefícios à saúde e 
possíveis curas de doenças. 
Como o produtor de soja poderia alterar sua produção para transfor-
má-la num BEA? O produtor de soja poderia alterar sua produção para 
transformá-la em um BEA caso a soja fosse transformada em xampus 
para pets, lubrificantes, antiferrugem, isolante térmico e velas.
Como Brasil poderia se beneficiar com essa tendência? O Brasil po-
deria se beneficiar diversificando a produção, atendendo a mercados 
Os BEAs são aqueles que sofrem algum tipo de processo de 
transformação (sejam mínima ou totalmente processados) ou 
que podem receber algum tipo de certificação (orgânicos, de 
origem controlada, produtos tradicionais, responsabilidade so-
cial e ambiental, entre outras) em suas unidades produtoras 
(ZUIN; QUEIROZ, 2006).
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 56
Agregação de valor nas cadeias produtivas
específicos, processando e/ou certificando suas matérias-primas, ou 
seja, agregando valor à sua produção.
Você estudou nesta aula que a agregação de valor às commodities 
pode abrir portas para a entrada em nichos de mercado específicos. O 
produtor rural deve, portanto, estar muito atento às tendências de mer-
cado para que, com grandes ou pequenas transformações, atendam 
às demandas específicas.
Siga em frente para conhecer os arranjos produtivos locais como for-
ma de agregação de valor!
AulA 3
ArrAnjos produtivos locAis como formA de Agre-
gAção de vAlor
Você sabe o que é um arranjo produtivo local? Para que esse conceito 
faça parte do seu cotidiano, é necessário que você e os demais envol-
vidos (outros produtores agrícolas, empresas beneficiadoras, de pes-
quisa e poder público) se unam em prol de um mesmo objetivo, numa 
posição de cooperação, e não de competição.
Será que é possível esse arranjo na sua localidade? 
Ele já existe?
Nos próximos tópicos, serão apresentados alguns conceitos e a pos-
sibilidade real da existência de arranjos que favoreçam a cultura e a 
vocação das regiões.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 57
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Fonte: Shutterstock.
Ao final desta aula, você será capaz de:
•	 Reconhecer a importância dos arranjos produtivos locais (APLs) 
para o fortalecimento do negócio local.
•	 Discutir como as formas de parcerias com outros produtores 
podem promover o desenvolvimento.
os ArrAnjos produtivos locAis
“A união faz a força.” Talvez esse possa ser um bom lema quando se 
quer entender a lógica dos arranjos produtivos locais (APLs).
Os APLs podem ser definidos como um aglomerado significativo de 
empreendimentos em determinado território e indivíduos que atuam 
em torno de uma atividade produtiva predominante, que compartilham 
formas percebidas de cooperação e algum mecanismo de governan-
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 58
Agregação de valor nas cadeias produtivas
ça, e pode incluir pequenas, médias e grandes empresas (Oficina Re-
gional	de	Orientação	à	Instalação	de	APLs	–	GTP	APL,	MDIC,	2006).
Sobre esse conceito de APL, também conhecido como cluster, leia o 
trecho indicado a seguir.
Leitura Complementar
[...] Para ser produtiva, a empresa precisa de um cluster. Precisa de fornece-
dores que possam trabalhar com ela todos os dias, precisa de prestadores 
de serviço, de escolas que treinem pessoas para seu negócio. Não dá para 
fazer tudo simplesmente importando os produtos de que necessita. É preciso 
uma massa crítica que forme um cluster.
Há alguns clusters no agronegócio bastante competitivos e produtivos. Mas 
acho razoável dizer que o conceito de cluster, de empresas que veem a si 
próprias como parte de clusters e trabalham de forma proativa para aumen-
tar sua eficiência, é algo que ainda não se firmou no Brasil. E vai ter de se 
firmar, porque sabemos, pelo exemplo das economias realmente avançadas, 
que os clusters são o ponto de onde vêm a inovação e os rápidos níveis de 
aumento da produtividade. [...] 
Fonte: Porter (2004).
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 59
Agregação de valor nas cadeias produtivas
A partir desse trecho, podemos compreender dois cenários. Primeiro, 
a formação de APLs ou de clusters é importante quando se buscam 
ganhos de competitividade para as indústrias. Segundo, os APLs são 
capazes de gerar vantagens competitivas advindas das relações de 
cooperação estabelecidas entre as empresas fabricantes e os seus 
fornecedores.
Para entendermos melhor o funcionamento dos APLs, imagine a se-
guinte situação. Vários atores são responsáveis pela produção de fru-
tas em determinada região, os quais são:
Ator 1
José é produtor rural de pequeno porte. Produz frutas, 
assim como todos os outros 60 produtores da região. Eles 
estão associados.
Ator 2
João é professor de uma universidade e produz pesquisa 
para identificar quais tipos de frutas são mais adequados 
para a região.
Ator 3
Antônio é dono de uma loja que vende sementes e varie-
dades de frutíferas de boa qualidade para toda a região.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 60
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Ator 4
Lúcia é dona de uma grande empresa rural especializadas 
em produção de sucos longa vida.
Ator 5
Daniela é uma consumidora fiel de frutas e de seus deriva-
dos, pois busca uma alimentação mais saudável e acredita 
que esses atributos podem ser encontrados nas frutas.
Ator 6
“Frutativa” é a cooperativa que atua na região e realiza 
assistência técnica agronômica e comercial aos seus coo-
perados.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 61
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Feedback da reflexão:Bom, se entendermos que todos esses atores 
estão fixados numa mesma região, esse já é um excelente argumento 
para a formação de um APL. O espaço geográfico onde se encontra 
a produção, o oferecimento de matérias primas e a pesquisa, onde 
valores regionais, culturais são divididos é definidor da existência dos 
APLS. Fica claro que é mais fácil entender e se fazer entendido quan-
do falamos a mesma língua e temos mesmos problemas.
Reflexão
De que forma esses atores estão conectados no mercado de frutas? Pelo 
conceito que você aprendeu, esses atores são suficientes para a criação do 
APL de frutas na região onde estão instalados? Que tipo de vantagens eles 
poderiam encontrar pela formação da APL?
Se preferir, utilize o espaço abaixo para anotar suas reflexões.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 62
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Fonte: Shutterstock.
Normalmente, o que é definidor para a organização de um APL são as 
dificuldades sentidas pelos atores do mercado. Imagina que, identifi-
cado um mercado promissor, ilustrado pelo comportamento de Daniela 
(ator 5) e certificado pelas pesquisas de João (ator 2), que José (ator 
1) e seus pares e “Frutativa” (ator 6), produtores de frutas, sintam-se 
impelidos a aumentar a produção. Será que se atuarem juntos conse-
guirão, junto a Antônio (ator 3), melhores preços? Será que juntos se 
sentirão mais seguros para propor agregação de valor em suas produ-
ções? Esse seria um ambiente muito propício para a formação de uma 
APL de fruticultura!
É claro que o ambiente institucional é muito importante para que essas 
relações se estabeleçam. Por ambiente institucional entenda a partici-
pação do governo, das associações empresariais, das instituições de 
crédito e do ensino e pesquisa.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 63
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Mas como esse conceito de APL começou a ser uma 
realidade no Brasil?
Bom, desde que se passou a incorporar o olhar globalizado na econo-
mia, as relações integradas passaram a fazer muito sentido. Isso por-
que o processo de globalização tem como objetivo integrar os merca-
dos por meio da evolução dos meios de transporte e da comunicação.
Esse fato levou abaixo as barreiras entre os países e as culturas, antes 
restritas a ambientes regionais, passaram a ser globais. Com isso, o 
poder das grandes empresas multinacionais se ampliou, deixando as 
pequenas e médias empresas com o desafio de sobreviverem nesse 
mercado globalizado.
Fonte: Shutterstock.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 64
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Somado a esse movimento, há outro, que entende que o potencial 
produtivo de determinado local se expande e se transforma quando se 
utiliza o potencial de desenvolvimento existente no território, mediante 
investimentos realizados pelos setores público e privado e gerencia-
dos pela comunidade local.
Em nosso exemplo, um APL de fruticultura poderia ser um municí-
pio ou uma região onde se concentram vários produtores de frutas, 
empresas de beneficiamento, tais como produtores de sucos indus-
trializados, por exemplo, de exportadores, entre outros. Diante dessa 
concentração de elementos comuns, favorecidos pela proximidade re-
gional, esses atores desenvolveriam relações de cooperação, e não 
de competição. 
Atenção
Os APLs têm como foco a cooperação e associação entre as empresas, ten-
do o aspecto de cooperação como grande balizador das decisões. Pretende 
ser um arranjo que provoque a aproximação de concorrentes, que podem 
partilhar conhecimentos e equipamentos, treinar a mão de obra de forma 
conjunta, comprar insumos juntos.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 65
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Observe	a	descrição	de	um	APL	do	leite	em	Uberlândia/Minas	Gerais.
Situação atual Aspectos críticos
C o n c e n t r a ç ã o 
geográfica
Foram detectados todos os 
agentes-chave no cluster 
do agronegócio do leite.
As empresas de equipa-
mentos que abastecem o 
local não têm suas plantas 
na região, os equipamentos 
são feitos fora e, em grande 
parte, importados.
Variedade de 
empresas e 
instituições de 
apoio
Há muitas empresas de 
cada tipo, destacando em 
Uberlândia os produtores 
de sementes e Uberaba os 
de melhoramento genético.
Faltam na região agentes 
para promover e divulgar o 
local, bem como infraestru-
tura logística para escoar o 
produto genético aos prin-
cipais mercados internacio-
nais.
Alta 
especialização
Empresas especializadas 
em genética, pastos, ali-
mentação animal, manejo 
de rebanhos, criadores, 
leilões e universidades com 
cursos nessas áreas.
A especialização recai so-
mente sobre os animais e 
não há integração ou em-
presas especializadas no 
processamento de produtos 
derivados do leite, o que 
acaba por dificultar o alinha-
mento da cadeia a jusante.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 66
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Muitas empresas 
de cada tipo
1.200 produtores, três 
cooperativas, três indústrias 
de laticínios e 291 empre-
sas ligadas ao setor, oito 
instituições de apoio e três 
universidades com cursos 
no setor.
Não há fornecedores de 
equipamentos com a planta 
instalada no local.
Aproveitamento 
de subprodutos, 
reciclagem e 
cooperação
Todo descarte é aproveita-
do por empresas correlatas.
Há centros de exposições 
com intensa atividade diária 
em todas as principais 
atividades, especialmente 
cursos, palestras, visitas 
técnicas de outros países e 
ampla divulgação na área 
de pesquisas genéticas na 
atividade leiteira. O sindica-
to possui núcleos de estu-
dos e negócios.
Não foi detectado aspecto 
crítico nessa característica.
As cooperativas que nego-
ciam o leite sofrem com o 
poder de negociação das 
multinacionais, que pos-
suem o mercado nacional 
nos derivados de leite e 
leite in natura. Não há nú-
cleo de estudo, pesquisa ou 
fomento para o leite e seus 
derivados, ficando o local 
restrito aos animais. 
Intensa 
disputa
A rivalidade está nas com-
petições e nos torneiros 
semanais, promovendo 
uma intensa disputa em 
conseguir os melhores 
exemplares, dos quais 
sentem grande orgulho, 
principalmente nos leilões 
promovidos no local.
No negócio leite, no en-
tanto, foi detectado um 
ambiente predatório pelas 
multinacionais, não haven-
do nenhum indício nessa 
atividade.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 67
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Defasagem tec-
nológica
Uniforme. Todos possuem 
acesso à tecnologia, prin-
cipalmente na coleta de 
leite, no resfriamento e no 
melhoramento genético do 
plantel.
Não foram detectadas 
tecnologias que possam 
influenciar negativamente 
no local.
Cultura 
adaptada
A região é formada por agri-
cultores e pecuaristas que 
vivenciam o setor e atuam 
diariamente na vida coleti-
va. Expressam seu orgulho 
nas fachadas da cidade 
com pinturas e cartazes de 
bois e vacas, desfiles de 
fuscas pintados com vacas 
holandesas, torneios, expo-
sição de exemplares, fes-
tas e premiações, como a 
melhor vaca leiteira, e local, 
como o museu do zebu. O 
lugar é visitado pelos princi-
pais países criadores, que 
são atraídos pelas técnicas 
sofisticadas no desenvol-
vimento de animais mais 
produtivos e adaptados ao 
clima tropical.
Não foram detectadas 
tecnologias que possam 
influenciar negativamente 
no local.
Fonte:	Guerra	(2005).
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 68
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Pelas características descritas no quadro, na região de Uberlândia ob-
servou-se que todos os agentes-chave relacionados à produção de bo-
vinos de leite, à tecnologia em genética, à alimentação animal, ao mane-
jo de rebanhos e às universidades com cursos nas áreas relacionadas 
e da agroindustrialização do leite estavam presentes na região. Esses 
fatores foram mais importantes na formação do APLdo agronegócio do 
leite que a inexistência de empresas de equipamentos na região.
É importante notar que a cultura da região em torno da pecuária lei-
teira enfatiza a vocação da região e, sem dúvida, transforma-se num 
elemento positivo para o alcance do sucesso do APL do agronegócio 
do leite.
Siga em frente para conhecer as formas de parceria.
FormAs de pArceriAs
No tópico anterior mencionamos que as vantagens competitivas po-
dem ser alavancadas quando a produção se organiza na forma de 
APL. O que é vantagem competitiva e como ela surge?
A vantagem competitiva de um setor pode ser avaliada 
a partir da consideração de quatro grupos de determi-
nantes: fatores de produção; condições de demanda; 
desempenho setorial; estratégia, estrutura e rivalidade 
das empresas.
Observe a imagem a seguir para conhecer esses grupos determinan-
tes da vantagem competitiva setorial.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 69
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Na tabela seguinte, confira o conceito de cada um dos grupos.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 70
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Estratégia, 
estrutura e 
rivalidade das 
empresas
Condições determinantes do grau de concorrência e da 
maneira pelas quais as empresas são criadas, organiza-
das e dirigidas (cultura organizacional).
Condições de 
demanda
Exprimem o grau de sofisticação e exigência dos consumi-
dores finais e intermediários em relação aos produtos ou 
serviços do setor, sustentando mecanismos que estimulam 
a inovação, o aperfeiçoamento e o avanço competitivo das 
empresas e instituições setoriais.
Desempenho 
setorial
Influenciado pelo nível de competitividade dos fornecedo-
res (de matéria-prima, equipamentos e insumos) e do grau 
de efetividade das instituições públicas ou privadas dedica-
das à pesquisa e extensão de tecnologias úteis ao setor.
Fatores de 
produção
Definidos a partir da avaliação da posição relativa do setor 
em referência à disponibilidade e qualidade dos recursos hu-
manos, dos recursos naturais, do capital e da infraestrutura.
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 71
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Para Porter (1999), a concorrência das empresas está vinculada à pro-
dutividade e à forma como concorrem. Isso quer dizer que, mesmo sem 
utilizar tecnologias avançadas na produção e sem produtos sofisticados, 
empresas podem ser altamente produtivas. Para que isso ocorra, as 
condições do ambiente empresarial local devem ser propícias.
Portanto, os APLs podem gerar aumento de competitividade por três vias:
Módulo 2 - Análise do negócio rural // 72
Agregação de valor nas cadeias produtivas
Toda agregação de valor visualizada como oportunidade dentro dos 
APLs tem forte possibilidade de se transformar em realidade. Isso por-
que, quando bem coordenados, os APLs possibilitam um olhar mais 
claro sobre as oportunidades e as barreiras são menores, já que, jun-
tos, tornam-se mais eficientes.
No próximo módulo você aprenderá como os negócios familiares po-
dem ser transformados com a agregação de valor.
Siga em frente e bons estudos!

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