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Módulo 2 - Análise do negócio rural // 43 Agregação de valor nas cadeias produtivas AgregAção de vAlor nAs cAdeiAs produtivAs Conhecer como a agregação de valor acontece dentro das cadeias produtivas é de fundamental importância para compreender como os ganhos de competitividade ocorrem. Além disso, no processo de agre- gação de valor, há limites. Neste módulo, além de reforçar o conceito de valor agregado nos pro- dutos rurais, você irá entender como as cadeias produtivas devem ser adequadas para atingir todos os benefícios da agregação de valor Módulo 2 Módulo 2 - Análise do negócio rural // 44 Agregação de valor nas cadeias produtivas Fonte: Shutterstock. Este módulo é composto das aulas: • Aula 1: Coordenação das cadeias produtivas • Aula 2: Agregando valor às commodities agrícolas • Aula 3: Arranjos produtivos locais como forma de agregação de valor Siga em frente e bons estudos! Módulo 2 - Análise do negócio rural // 45 Agregação de valor nas cadeias produtivas AulA 1 coordenAção dAs cAdeiAs produtivAs O que são cadeias produtivas? Como a agregação de valor impacta a dinâmica destas? O objetivo desta aula é que você desenvolva uma visão sistêmica (ou seja, considere o todo) necessária para entender o agronegócio e que lhe permita compreender como o valor agregado impacta na competitividade das cadeias de produção. Ao final desta aula, você será capaz de definir cadeias produtivas e avaliar como esta deve evoluir no que diz respeito às tecnologias e inovação para alcançar a agregação de valor Siga em frente e bons estudos! Módulo 2 - Análise do negócio rural // 46 Agregação de valor nas cadeias produtivas A AgregAção de vAlor nAs cAdeiAs produtivAs Agribusiness, ou agronegócio, pode ser definido como a soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas, das operações de produção nas unidades agrícolas, do armazena- mento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles. No caso brasileiro, o agronegócio representou cerca de R$ 1.178 tri- lhões de reais no ano de 2014. Conforme ilustrado a seguir, a agrope- cuária e a distribuição representaram os maiores percentuais de con- tribuição para o produto interno bruto (PIB) do agronegócio em 2014. Insumos agropecuários 11,7% Produção agropecuária 29,6% Agroindústria 27,8% Distribuição 31,1% Fonte: Cepea-USP/CNA (2014). A visão sistêmica exigida pelo conceito de agronegócio permite a inclusão de outro con- ceito: o de cadeia produtiva (supply chain). Cadeia produtiva é um conjunto de empre- sas que interagem em um processo produ- tivo para oferta de produtos ou serviços ao mercado consumidor. É quando se percebe que todas as ações tomadas pelos agentes devem ser levadas em conta para o entendimento do mercado. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 47 Agregação de valor nas cadeias produtivas As cadeias produtivas do agronegócio são caracterizadas por possuí- rem cinco segmentos. A seguir, conheça cada um deles. Fornecedores de insumos Fornecem sementes, calcário, implementos agrícolas e tecnologias etc. Agricultores Utilizam os insumos e a terra para a produção de commodities. Processadores Agroindústrias que pré-beneficiam, beneficiam ou trans- formam os produtos in natura. Comerciantes Abastecem as redes de supermercados (atacadistas) e comercializam os produtos junto aos consumidores fi- nais (varejistas). Mercado consumidor É o ponto final da comercialização constituído por gru- pos de consumidores. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 48 Agregação de valor nas cadeias produtivas Observe o esquema a seguir para entender como os seguimentos se organizam em grupos. Consumidor final Comércio e indústria de processamento Atacado e varejo Agricultor Distribuição, revenda e cooperativas Indústria de insumos Pesquisa e desenvolvimento Especificamente para matérias-primas agroalimentares e derivados, a cadeia produtiva pode ser visualizada como a ligação e inter-rela- ção de vários elementos segundo uma lógica para ofertar ao mercado commodities agrícolas in natura ou processadas. A visualização do agronegócio dentro da perspectiva de cadeias produtivas permite que se perceba o todo e se notem as potencialidades e os gargalos que podem impedir o aumento da competitividade. A agregação de valor significa a elevação de preços de um produto em decorrência de alguma alteração em sua forma ou apresentação, Módulo 2 - Análise do negócio rural // 49 Agregação de valor nas cadeias produtivas tanto do produto in natura como industrializado, dentro de cada nível da produção, da agroindustrialização e comercialização. Siga em frente para conhecer a Aula 2: Agregando valor às commo- dities agrícolas! AulA 2 AgregAndo vAlor às commodities AgrícolAs Você já percebeu que quando se tratam de commodities os preços são formados pela interação entre a oferta e a demanda nos mercados. Isso significa dizer que, sozinho, um produtor não consegue alterar o preço de sua mercadoria. Nesse caso, a incerteza, que dá o ritmo à produção agropecuária, se torna o foco de toda a cadeia produtiva. No entanto, a agregação de valor altera essa dinâmica. Há alguma forma de “descomoditizar” a produção? De que forma nossas exporta- ções e importações poderiam ganhar produtividade? Módulo 2 - Análise do negócio rural // 50 Agregação de valor nas cadeias produtivas Fonte: Shutterstock. Nessa aula, trataremos dessas possibilidades que impactam o mercado interno e externo e que podem fazer muito sentido para o empreendedor rural que está envolvido nos mais diversos ramos do agronegócio. Ao final dessa aula você será capaz de: • Identificar o que as Commodities brasileiras ofertam para o mer- cado externo. • Avaliar o cenário de exportação e de importação de matéria-pri- ma e de produtos prontos para o consumo. Siga em frente e bons estudos! Módulo 2 - Análise do negócio rural // 51 Agregação de valor nas cadeias produtivas principAis commodities exportAdAs pelo BrAsil Você sabia que a produção brasileira de grãos atingiu 188,7 milhões de toneladas em 2013? Esse avanço se deu em virtude de ganhos de produtividade, implicando um aumento de produção muito maior que a área plantada (BRASIL, 2014). Apesar das adversidades climáticas que atingiram importantes regiões de produção agrícola, o Brasil colheu cerca de 200 milhões de tonela- das em 2014 (BRASIL, 2014). Esse movimento foi também observado na pecuária. Em vários segmentos, em especial na bovinocultura, na avicultura e na suinocultura, foram incorporados importantes ganhos de produtividade. No que diz respeito às exportações do agronegócio, na última década elas aumentaram aproximadamente quatro vezes, atingindo cerca de US$ 100 bilhões em 2013, e foram lideradas pelo complexo soja (US$ 33,2 bilhões), pelas carnes (US$ 16,0 bilhões) e pelo complexo su- croalcooleiro (US$ 12,8 bilhões). Esses produtos responderam por 62% das exportações do setor, cifra essa que atinge 78,6% se incluídos os produtos florestais e os cereais (BRASIL, 2014). A seguir, confira o ranking mundial da produção e das exportações brasileiras do agronegócio. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 52 Agregação de valor nas cadeias produtivas Produto Produção Exportação Açúcar 1.o 1.o Café 1.o 1.o Suco de laranja 1.o 1.o Soja em grão 2.o 1.o Carne bovina 2.o 1.o Carne de frango 3.o 1.o Óleo de soja 3.o 2.o Farelo de soja 3.o 2.o Milho 3.o 1.o Carne suína 4.o 4.o Fonte: Brasil (2014). Quanto às importações do agronegócio, os principais produtos foram os lácteos (US$ 7,3 bilhões) e os cereais (US$ 4,0 bilhões), e a maior parte entre estes se refere ao trigo (BRASIL, 2014). Há projeções que indicam que os produtos agropecuários brasileiros seguirão a tendência de concentração cada vez maior da produção de commodities, ofertando para o mercado externo matéria-prima,de boa qualidade e em quantidades crescentes, porém, com pouco valor agregado (ZUIN; QUEIROZ, 2006). Módulo 2 - Análise do negócio rural // 53 Agregação de valor nas cadeias produtivas Feedback da reflexão: Usualmente, o fato de o Brasil ser um impor- tante exportador de produtos agropecuários é apresentado como um fato negativo. Esse argumento se sustenta na falta de agregação de valor nas commodities brasileiras. Certamente, agregar valor é algo positivo e deve ser buscado. Se a produção for vendida apenas como produto bruto, seu preço será me- nor. Caso haja algum processamento e trabalho, um preço maior pode ser cobrado. Reflexão Em sua opinião, esses resultados são positivos ou negativos? Por ser trata- rem de commodities, o Brasil deveria trilhar apenas esse caminho? Se preferir, utilize o espaço abaixo para anotar suas reflexões. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 54 Agregação de valor nas cadeias produtivas Importante! As commodities também envolvem algum grau de valor adicionado quando se considera a tecnologia utilizada para que elas sejam produzidas e colocadas à disposição do mercado. Olá! Tudo bem? Essa questão da agregação de valor às commodities é bem interessante, não é mesmo? Exemplo disso é a soja produzida aqui no Centro- Oeste brasileiro. Desde seus primórdios, na década de 1970, a produção de soja aqui na região envolveu inúme- ros investimentos em pesquisa para adequação da produção às características de clima e solo da região. Por isso, é importante que você também reflita so- bre a necessidade de considerar essas iniciativas e tantas outras relacionadas à tecnologia como agregação de valor. Até logo! Luiz. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 55 Agregação de valor nas cadeias produtivas É fato que há novas tendências no mercado internacional. Percebe-se uma intensificação da produção de produtos do tipo bens especiais agroalimentares. Os bens especiais agroalimentares (BEAs) são alimentos certificados, funcionais, enriquecidos, nutracêuticos, que podem ser processados no ambiente da empresa rural. São produtos que possuem um alto valor agregado (ZUIN; QUEIROZ, 2006). Nutracêutica resulta da combinação dos termos “nutrição” e “farmacêutica” e estuda os componentes fitoquímicos pre- sentes nas frutas, nos legumes, nos vegetais e cereais e nas plantas medicinais para descobrir seus benefícios à saúde e possíveis curas de doenças. Como o produtor de soja poderia alterar sua produção para transfor- má-la num BEA? O produtor de soja poderia alterar sua produção para transformá-la em um BEA caso a soja fosse transformada em xampus para pets, lubrificantes, antiferrugem, isolante térmico e velas. Como Brasil poderia se beneficiar com essa tendência? O Brasil po- deria se beneficiar diversificando a produção, atendendo a mercados Os BEAs são aqueles que sofrem algum tipo de processo de transformação (sejam mínima ou totalmente processados) ou que podem receber algum tipo de certificação (orgânicos, de origem controlada, produtos tradicionais, responsabilidade so- cial e ambiental, entre outras) em suas unidades produtoras (ZUIN; QUEIROZ, 2006). Módulo 2 - Análise do negócio rural // 56 Agregação de valor nas cadeias produtivas específicos, processando e/ou certificando suas matérias-primas, ou seja, agregando valor à sua produção. Você estudou nesta aula que a agregação de valor às commodities pode abrir portas para a entrada em nichos de mercado específicos. O produtor rural deve, portanto, estar muito atento às tendências de mer- cado para que, com grandes ou pequenas transformações, atendam às demandas específicas. Siga em frente para conhecer os arranjos produtivos locais como for- ma de agregação de valor! AulA 3 ArrAnjos produtivos locAis como formA de Agre- gAção de vAlor Você sabe o que é um arranjo produtivo local? Para que esse conceito faça parte do seu cotidiano, é necessário que você e os demais envol- vidos (outros produtores agrícolas, empresas beneficiadoras, de pes- quisa e poder público) se unam em prol de um mesmo objetivo, numa posição de cooperação, e não de competição. Será que é possível esse arranjo na sua localidade? Ele já existe? Nos próximos tópicos, serão apresentados alguns conceitos e a pos- sibilidade real da existência de arranjos que favoreçam a cultura e a vocação das regiões. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 57 Agregação de valor nas cadeias produtivas Fonte: Shutterstock. Ao final desta aula, você será capaz de: • Reconhecer a importância dos arranjos produtivos locais (APLs) para o fortalecimento do negócio local. • Discutir como as formas de parcerias com outros produtores podem promover o desenvolvimento. os ArrAnjos produtivos locAis “A união faz a força.” Talvez esse possa ser um bom lema quando se quer entender a lógica dos arranjos produtivos locais (APLs). Os APLs podem ser definidos como um aglomerado significativo de empreendimentos em determinado território e indivíduos que atuam em torno de uma atividade produtiva predominante, que compartilham formas percebidas de cooperação e algum mecanismo de governan- Módulo 2 - Análise do negócio rural // 58 Agregação de valor nas cadeias produtivas ça, e pode incluir pequenas, médias e grandes empresas (Oficina Re- gional de Orientação à Instalação de APLs – GTP APL, MDIC, 2006). Sobre esse conceito de APL, também conhecido como cluster, leia o trecho indicado a seguir. Leitura Complementar [...] Para ser produtiva, a empresa precisa de um cluster. Precisa de fornece- dores que possam trabalhar com ela todos os dias, precisa de prestadores de serviço, de escolas que treinem pessoas para seu negócio. Não dá para fazer tudo simplesmente importando os produtos de que necessita. É preciso uma massa crítica que forme um cluster. Há alguns clusters no agronegócio bastante competitivos e produtivos. Mas acho razoável dizer que o conceito de cluster, de empresas que veem a si próprias como parte de clusters e trabalham de forma proativa para aumen- tar sua eficiência, é algo que ainda não se firmou no Brasil. E vai ter de se firmar, porque sabemos, pelo exemplo das economias realmente avançadas, que os clusters são o ponto de onde vêm a inovação e os rápidos níveis de aumento da produtividade. [...] Fonte: Porter (2004). Módulo 2 - Análise do negócio rural // 59 Agregação de valor nas cadeias produtivas A partir desse trecho, podemos compreender dois cenários. Primeiro, a formação de APLs ou de clusters é importante quando se buscam ganhos de competitividade para as indústrias. Segundo, os APLs são capazes de gerar vantagens competitivas advindas das relações de cooperação estabelecidas entre as empresas fabricantes e os seus fornecedores. Para entendermos melhor o funcionamento dos APLs, imagine a se- guinte situação. Vários atores são responsáveis pela produção de fru- tas em determinada região, os quais são: Ator 1 José é produtor rural de pequeno porte. Produz frutas, assim como todos os outros 60 produtores da região. Eles estão associados. Ator 2 João é professor de uma universidade e produz pesquisa para identificar quais tipos de frutas são mais adequados para a região. Ator 3 Antônio é dono de uma loja que vende sementes e varie- dades de frutíferas de boa qualidade para toda a região. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 60 Agregação de valor nas cadeias produtivas Ator 4 Lúcia é dona de uma grande empresa rural especializadas em produção de sucos longa vida. Ator 5 Daniela é uma consumidora fiel de frutas e de seus deriva- dos, pois busca uma alimentação mais saudável e acredita que esses atributos podem ser encontrados nas frutas. Ator 6 “Frutativa” é a cooperativa que atua na região e realiza assistência técnica agronômica e comercial aos seus coo- perados. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 61 Agregação de valor nas cadeias produtivas Feedback da reflexão:Bom, se entendermos que todos esses atores estão fixados numa mesma região, esse já é um excelente argumento para a formação de um APL. O espaço geográfico onde se encontra a produção, o oferecimento de matérias primas e a pesquisa, onde valores regionais, culturais são divididos é definidor da existência dos APLS. Fica claro que é mais fácil entender e se fazer entendido quan- do falamos a mesma língua e temos mesmos problemas. Reflexão De que forma esses atores estão conectados no mercado de frutas? Pelo conceito que você aprendeu, esses atores são suficientes para a criação do APL de frutas na região onde estão instalados? Que tipo de vantagens eles poderiam encontrar pela formação da APL? Se preferir, utilize o espaço abaixo para anotar suas reflexões. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 62 Agregação de valor nas cadeias produtivas Fonte: Shutterstock. Normalmente, o que é definidor para a organização de um APL são as dificuldades sentidas pelos atores do mercado. Imagina que, identifi- cado um mercado promissor, ilustrado pelo comportamento de Daniela (ator 5) e certificado pelas pesquisas de João (ator 2), que José (ator 1) e seus pares e “Frutativa” (ator 6), produtores de frutas, sintam-se impelidos a aumentar a produção. Será que se atuarem juntos conse- guirão, junto a Antônio (ator 3), melhores preços? Será que juntos se sentirão mais seguros para propor agregação de valor em suas produ- ções? Esse seria um ambiente muito propício para a formação de uma APL de fruticultura! É claro que o ambiente institucional é muito importante para que essas relações se estabeleçam. Por ambiente institucional entenda a partici- pação do governo, das associações empresariais, das instituições de crédito e do ensino e pesquisa. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 63 Agregação de valor nas cadeias produtivas Mas como esse conceito de APL começou a ser uma realidade no Brasil? Bom, desde que se passou a incorporar o olhar globalizado na econo- mia, as relações integradas passaram a fazer muito sentido. Isso por- que o processo de globalização tem como objetivo integrar os merca- dos por meio da evolução dos meios de transporte e da comunicação. Esse fato levou abaixo as barreiras entre os países e as culturas, antes restritas a ambientes regionais, passaram a ser globais. Com isso, o poder das grandes empresas multinacionais se ampliou, deixando as pequenas e médias empresas com o desafio de sobreviverem nesse mercado globalizado. Fonte: Shutterstock. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 64 Agregação de valor nas cadeias produtivas Somado a esse movimento, há outro, que entende que o potencial produtivo de determinado local se expande e se transforma quando se utiliza o potencial de desenvolvimento existente no território, mediante investimentos realizados pelos setores público e privado e gerencia- dos pela comunidade local. Em nosso exemplo, um APL de fruticultura poderia ser um municí- pio ou uma região onde se concentram vários produtores de frutas, empresas de beneficiamento, tais como produtores de sucos indus- trializados, por exemplo, de exportadores, entre outros. Diante dessa concentração de elementos comuns, favorecidos pela proximidade re- gional, esses atores desenvolveriam relações de cooperação, e não de competição. Atenção Os APLs têm como foco a cooperação e associação entre as empresas, ten- do o aspecto de cooperação como grande balizador das decisões. Pretende ser um arranjo que provoque a aproximação de concorrentes, que podem partilhar conhecimentos e equipamentos, treinar a mão de obra de forma conjunta, comprar insumos juntos. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 65 Agregação de valor nas cadeias produtivas Observe a descrição de um APL do leite em Uberlândia/Minas Gerais. Situação atual Aspectos críticos C o n c e n t r a ç ã o geográfica Foram detectados todos os agentes-chave no cluster do agronegócio do leite. As empresas de equipa- mentos que abastecem o local não têm suas plantas na região, os equipamentos são feitos fora e, em grande parte, importados. Variedade de empresas e instituições de apoio Há muitas empresas de cada tipo, destacando em Uberlândia os produtores de sementes e Uberaba os de melhoramento genético. Faltam na região agentes para promover e divulgar o local, bem como infraestru- tura logística para escoar o produto genético aos prin- cipais mercados internacio- nais. Alta especialização Empresas especializadas em genética, pastos, ali- mentação animal, manejo de rebanhos, criadores, leilões e universidades com cursos nessas áreas. A especialização recai so- mente sobre os animais e não há integração ou em- presas especializadas no processamento de produtos derivados do leite, o que acaba por dificultar o alinha- mento da cadeia a jusante. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 66 Agregação de valor nas cadeias produtivas Muitas empresas de cada tipo 1.200 produtores, três cooperativas, três indústrias de laticínios e 291 empre- sas ligadas ao setor, oito instituições de apoio e três universidades com cursos no setor. Não há fornecedores de equipamentos com a planta instalada no local. Aproveitamento de subprodutos, reciclagem e cooperação Todo descarte é aproveita- do por empresas correlatas. Há centros de exposições com intensa atividade diária em todas as principais atividades, especialmente cursos, palestras, visitas técnicas de outros países e ampla divulgação na área de pesquisas genéticas na atividade leiteira. O sindica- to possui núcleos de estu- dos e negócios. Não foi detectado aspecto crítico nessa característica. As cooperativas que nego- ciam o leite sofrem com o poder de negociação das multinacionais, que pos- suem o mercado nacional nos derivados de leite e leite in natura. Não há nú- cleo de estudo, pesquisa ou fomento para o leite e seus derivados, ficando o local restrito aos animais. Intensa disputa A rivalidade está nas com- petições e nos torneiros semanais, promovendo uma intensa disputa em conseguir os melhores exemplares, dos quais sentem grande orgulho, principalmente nos leilões promovidos no local. No negócio leite, no en- tanto, foi detectado um ambiente predatório pelas multinacionais, não haven- do nenhum indício nessa atividade. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 67 Agregação de valor nas cadeias produtivas Defasagem tec- nológica Uniforme. Todos possuem acesso à tecnologia, prin- cipalmente na coleta de leite, no resfriamento e no melhoramento genético do plantel. Não foram detectadas tecnologias que possam influenciar negativamente no local. Cultura adaptada A região é formada por agri- cultores e pecuaristas que vivenciam o setor e atuam diariamente na vida coleti- va. Expressam seu orgulho nas fachadas da cidade com pinturas e cartazes de bois e vacas, desfiles de fuscas pintados com vacas holandesas, torneios, expo- sição de exemplares, fes- tas e premiações, como a melhor vaca leiteira, e local, como o museu do zebu. O lugar é visitado pelos princi- pais países criadores, que são atraídos pelas técnicas sofisticadas no desenvol- vimento de animais mais produtivos e adaptados ao clima tropical. Não foram detectadas tecnologias que possam influenciar negativamente no local. Fonte: Guerra (2005). Módulo 2 - Análise do negócio rural // 68 Agregação de valor nas cadeias produtivas Pelas características descritas no quadro, na região de Uberlândia ob- servou-se que todos os agentes-chave relacionados à produção de bo- vinos de leite, à tecnologia em genética, à alimentação animal, ao mane- jo de rebanhos e às universidades com cursos nas áreas relacionadas e da agroindustrialização do leite estavam presentes na região. Esses fatores foram mais importantes na formação do APLdo agronegócio do leite que a inexistência de empresas de equipamentos na região. É importante notar que a cultura da região em torno da pecuária lei- teira enfatiza a vocação da região e, sem dúvida, transforma-se num elemento positivo para o alcance do sucesso do APL do agronegócio do leite. Siga em frente para conhecer as formas de parceria. FormAs de pArceriAs No tópico anterior mencionamos que as vantagens competitivas po- dem ser alavancadas quando a produção se organiza na forma de APL. O que é vantagem competitiva e como ela surge? A vantagem competitiva de um setor pode ser avaliada a partir da consideração de quatro grupos de determi- nantes: fatores de produção; condições de demanda; desempenho setorial; estratégia, estrutura e rivalidade das empresas. Observe a imagem a seguir para conhecer esses grupos determinan- tes da vantagem competitiva setorial. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 69 Agregação de valor nas cadeias produtivas Na tabela seguinte, confira o conceito de cada um dos grupos. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 70 Agregação de valor nas cadeias produtivas Estratégia, estrutura e rivalidade das empresas Condições determinantes do grau de concorrência e da maneira pelas quais as empresas são criadas, organiza- das e dirigidas (cultura organizacional). Condições de demanda Exprimem o grau de sofisticação e exigência dos consumi- dores finais e intermediários em relação aos produtos ou serviços do setor, sustentando mecanismos que estimulam a inovação, o aperfeiçoamento e o avanço competitivo das empresas e instituições setoriais. Desempenho setorial Influenciado pelo nível de competitividade dos fornecedo- res (de matéria-prima, equipamentos e insumos) e do grau de efetividade das instituições públicas ou privadas dedica- das à pesquisa e extensão de tecnologias úteis ao setor. Fatores de produção Definidos a partir da avaliação da posição relativa do setor em referência à disponibilidade e qualidade dos recursos hu- manos, dos recursos naturais, do capital e da infraestrutura. Módulo 2 - Análise do negócio rural // 71 Agregação de valor nas cadeias produtivas Para Porter (1999), a concorrência das empresas está vinculada à pro- dutividade e à forma como concorrem. Isso quer dizer que, mesmo sem utilizar tecnologias avançadas na produção e sem produtos sofisticados, empresas podem ser altamente produtivas. Para que isso ocorra, as condições do ambiente empresarial local devem ser propícias. Portanto, os APLs podem gerar aumento de competitividade por três vias: Módulo 2 - Análise do negócio rural // 72 Agregação de valor nas cadeias produtivas Toda agregação de valor visualizada como oportunidade dentro dos APLs tem forte possibilidade de se transformar em realidade. Isso por- que, quando bem coordenados, os APLs possibilitam um olhar mais claro sobre as oportunidades e as barreiras são menores, já que, jun- tos, tornam-se mais eficientes. No próximo módulo você aprenderá como os negócios familiares po- dem ser transformados com a agregação de valor. Siga em frente e bons estudos!