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3
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
DEPARTAMENTO DE BIOFÍSICA E FISIOLOGIA
DISCIPLINA: FISIOLOGIA
 PROFESSOR: Prof. Dr. Acácio Salvador Véras e Silva
	
AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL POR BIOIMPEDÂNCIA ELÉTRICA
 HELLEN SOARES 
TERESINA - PI
OUTUBRO/ 2019
HELLEN SOARES 
AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL POR BIOIMPEDÂNCIA ELÉTRICA
Relatório apresentado à disciplina Fisiologia, no curso de Nutrição, na Universidade Federal do Piauí.
Prof. Dr. Acácio Salvador Véras e Silva
TERESINA – PI
OUTUBRO/ 2019
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO	3
2 MATERIAIS E MÉTODOS	5
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO	5
4 CONCLUSÃO	11
REFERÊNCIAS	12
1 INTRODUÇÃO
O emprego da bioimpedância elétrica (BIA) na avaliação da composição corporal tem se tornado comum em diversas situações clínicas (BRITTO; MESQUITA, 2008). Tal método é não – invasivo, indolor, livre de radiação, rápido, seguro e simples, capaz de estimar clinicamente a composição do organismo. Nesse meandro, deve-se considerar a bioimpedância também como um estudo descritivo, ou seja, onde os compartimentos corporais são estimados por meio de derivação estatística, a partir da comparação com outros métodos considerados padrão-ouro, como o DXA (CÔMODO et al, 2009). 
A análise de impedância bioelétrica corporal (AIBC) serve para a determinação da composição corporal, ou seja, de parâmetros de interesse clínico como massa de gordura corporal (MG), massa livre de gordura (MLG), massa de água intracelular (AIC), massa de água extracelular (AEC) e a massa de água corporal total (ACT). Nesta perspectiva, esses parâmetros são importantes para auxiliar na preparação física e avaliação dos atletas, na avaliação nutricional, no monitoramento de pacientes com doenças crônicas, nos acompanhamentos de sarcopenia, da tendência de obesidade populacional e males associados e, também, no prognóstico de algumas doenças (SILVA et al, 2019).
Ademais, a AIBC pode ser conduzida de diferentes maneiras, podendo ser empregada uma única frequência ou várias (método mono ou multifrequencial); podendo ser feitas medidas de corpo inteiro ou de seus segmentos (pernas, braços e tronco); além de poder ser considerados vários modelos eletrofisiológicos para o corpo humano. Entretanto, cada modalidade de AIBC apresenta vantagens e desvantagens que precisam ser consideradas, pois podem reverter em resultados aceitáveis ou não dependendo dos objetivos da avaliação clínica (SILVA et al, 2019).
Nesse contexto, a avaliação da composição corporal por meio da bioimpedância, baseia-se no fato de que os tecidos com elevados conteúdo de água e de eletrólitos apresentam elevada capacidade de condução elétrica, ao passo de que os tecidos com baixas concentrações de água apresentam alta resistência à passagem de corrente. Com isso, cabe-se mencionar que sua técnica é aplicada por um aparelho o qual quantifica a resistência da corrente de resistividade e do volume do condutor de gordura (MATTIA, 2011).
Mediante esse contexto, objetivou-se durante a atividade prática demonstrar o processo de bioimpedância elétrica, com a finalidade de predizer a composição do corpo humano em quantidade total de água, massa livre de gordura e, consequentemente, massa gorda.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
A atividade prática foi realizada no Departamento de Biofísica e Fisiologia, da Universidade Federal do Piauí, Campus Universitário Ministro Petrônio Portela, na cidade de Teresina, no dia 09 de outubro de 2019.
O procedimento de bioimpedância elétrica foi realizado com dois voluntários, os quais seguiram as seguintes orientações para estarem aptos à realização da prática:
1. Ingerir pelo menos 2 litros de água nas 24 horas que antecedem o exame (TE). 
2. Não tomar bebidas alcoólicas, guaraná, coca-cola, café, chocolate ou achocolatados nas 24 horas que antecedem o exame. 
3. Abster-se de beber ou comer, pelo menos, nas 3h que antecede o exame. 
4. Evitar atividade física moderada ou vigorosa nas 12h que antecedem a avaliação. 
5. Esvaziar completamente a bexiga antes da avaliação. 
6. Não fazer atividades físicas ou sauna nas 08 horas que antecedem o exame. 
7. Verificar se está usando algum medicamento (especialmente diurético). 
Após tal verificação, mediu-se o peso e a estatura do aluno e solicitou-se que repousasse na maca em posição adequada (decúbito dorsal e braços afastados do corpo em um ângulo de ± 30º). Em seguida, limpou-se com álcool as regiões das mãos e pernas onde seriam colocados os eletrodos e, então, realizou-se os registros com o equipamento. Lembrando-se que esse procedimento foi realizado da mesma forma com os dois alunos voluntários.
Além da bioimpedância elétrica, tal método também foi realizado com a balança de bioimpedância, na qual os alunos informavam sua altura, seu peso e sua idade, e ao subir no equipamento era informado a porcentagem real da gordura corporal, o peso real em relação ao percentual de peso de gordura, IMC, taxa metabólica basal, percentual de gordura visceral e idade corporal.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Quando se realiza a bioimpedância, aferem-se os valores de altura, peso e obtêm-se os valores de resistência e condutância (ou reactância) e ângulo de fase. No entanto, é essencial o uso de equações apropriadas de bioimpedância à população de estudo, já que há variações corporais entre os grupos étnicos, sexo e idade (CÔMODO et al, 2009). 
 Segundo Silva et al (2019), a bioimpedância serve para a determinação da composição corporal, sendo importante para determinar a massa de gordura corporal (MG), a massa livre de gordura (MLG), a massa de água intracelular (AIC), a massa de água extracelular (AEC) e a massa de água corporal total (ACT).
A seguir, na tabela 1 e na tabela 2, tem-se a análise da composição corporal do aluno voluntário 1 e 2, respectivamente, apresentando-se os valores correspondentes a água total do corpo, proteína, minerais e massa de gordura.
Tabela 1 – Análise da composição corporal do voluntário 1
Fonte: Dados de Pesquisa/ Teresina, 2019.
Tabela 2 – Análise da composição corporal do voluntário 2
Fonte: Dados de Pesquisa/ Teresina, 2019.
Com base nas tabelas apresentadas, nota-se que o voluntário 1 apresenta valores acima do padrão de normalidade, com exceção da massa de gordura que se encontra dentro do valor esperado. No entanto, com o aluno 2 verifica-se exatamente o contrário, todas as taxas dentro do padrão de normalidade, menos a massa de gordura que se encontra bem alterada com 8,1 Kg acima do valor de normalidade.
Quanto ao nível de massa gorda, como mencionado anteriormente, o aluno 2 apresenta tal nível em excesso. Devido a essa condição, necessita de avaliação e acompanhamento da composição corporal para ajudar a manter o nível de gordura ideal, com o intuito de desenvolver estratégias mais efetivas de intervenção nutricional e de exercícios físicos para reverter esse quadro (MARTINS et al, 2015).
No quadro 1, observa-se algumas informações da composição corporal de ambos os alunos, permitindo analisá-las e compará-las.
Quadro 1 – Informações da composição corporal de ambos os alunos
	ALUNO
	PESO (Kg)
	MASSA MUSCULAR ESQUELÉTICA (KG)
	MASSA DE GORDURA (Kg)
	IMC
	PGC
	1
	82,0
	37,9
	15,2
	28,4
	18,6
	2
	83,0
	32,6
	24,5
	26,8
	29,6
Fonte: Dados de Pesquisa/ Teresina, 2019.
Tais resultados forma obtidos por meio da bioimpedância elétrica que consiste na consiste na medida da impedância que o corpo humano oferece à passagem de uma corrente alternada. Quando uma corrente elétrica flui pelo corpo, a condução se dá através dos fluidos extracelulares (AEC) e intracelulares (AIC) compostos principalmente de água com eletrólitos (íons de sais, ácidos e bases) que correspondem a aproximadamente 73% da massa livre de gordura (MLG). O restante da MLG (27%) é composta pelas proteínas e componentes viscerais, além dos minerais ósseos. Os tecidos adiposos, ossos eo ar dos pulmões comportam-se como isolantes (SILVA et al, 2019).
Quadro 2 – Classificação de acordo com IMC
Fonte: Dados de Pesquisa/ Teresina, 2019.
Com base nas informações fornecidas pelo quadro 2, nota-se que o aluno 1 encontra-se levemente acima do peso, com IMC entre 25,0 e 29,9, e o aluno 2 também está levemente acima do peso apresentando-se exatamente entre essa faixa. Esta técnica é medida por meio da fórmula: IMC = Peso (Kg)/ (Altura(m))². Neste cálculo leva-se em conta o peso e a altura do indivíduo, dividindo o peso pela altura elevada ao quadrado. Tal método se configura como uma forma simples e de grande importância para detectar se a pessoa apresenta um grau de desnutrição, se está no padrão de normalidade, sobrepeso, obesidade ou obesidade mórbida (ZOLLER, 2017).
A análise de composição corporal também foi realizada através da balança de bioimpedância, a seguir, no quadro 3, observa-se alguns dos resultados coletados durante a prática realizada.
Quadro 3 – Resultados obtidos através da balança de bioimpedância
	Aluno
	Peso (kg)
	IMC
	Gordura (%)
	Músculo (%)
	Metabolismo
(Kcal)
	Idade corporal (anos)
	Gordura visceral
	1
	85,2
	29,5
	27,4
	33,6
	1721
	32
	5
	2
	83,0
	26,8
	27,1
	36,7
	1839
	43
	8
	3
	58,7
	22,4
	34,0
	27,1
	1270
	25
	4
Fonte: Dados de Pesquisa/ Teresina, 2019.
Nesse contexto, cabe-se informar que os alunos 1 e 2 são do sexo masculino e o aluno 3 do sexo feminino. Com base nos dados já informados verifica-se que apenas o aluno 3 encontra-se dentro dos padrões de normalidade quanto ao IMC, no entanto, apresenta um alto índice de gordura que precisa ser revertido. Ao comparar os resultados da bioimpedância elétrica e de balança dos alunos 1 e 2, verificou-se algumas modificações, as quais são normais uma vez que se trata de métodos e procedimentos diferentes (MARTINS et al, 2015).
A determinação dos componentes da composição corporal possui diversas aplicações em programas direcionados à promoção da saúde e treinamento físico-desportivo. Com isso, apontam as seguintes possibilidades: identificação do risco de saúde associado com níveis excessivamente altos ou baixos da gordura corporal total; identificação do risco de saúde associado com o acúmulo excessivo de gordura intra-abdominal; monitorização de possíveis alterações da composição corporal, associadas a certas doenças; acompanhamento do crescimento, desenvolvimento, maturação e alterações da composição corporal relacionadas à idade; formulação de recomendações dietéticas e prescrição de exercício e avaliação da efetividade das mesmas. Logo, o acúmulo excessivo de gordura para determinada massa corporal é, reconhecidamente, um fator de risco para diversas condições patológicas, como o diabetes, a hipertensão e a doença coronariana (RODRIGUES et al, 2001).
Nesse meandro, nota-se que cada aluno necessita de uma dieta específica, assim como atividades físicas que auxiliem na redução das taxas alteradas, principalmente, na redução de gordura corporal, para que os voluntários possam ter uma vida mais saudável. Com base nesses objetivos cada um deles devem ser avaliados individualmente com o intuito de se alcançar os melhores resultados possíveis.
Dessa forma, para o aluno 1 seria indicado uma dieta com foco no processo de emagrecimento, com o objetivo de reduzir seu IMC, além de que fique dentro do padrão de peso ideal, uma vez que está levemente acima do peso. Com isso, uma nutrição adequada e atividade física diária são componentes-chave de um programa de controle de peso. O princípio básico subjacente em programas de perda de peso seguros e eficazes é que o peso pode ser perdido apenas se o balanço energético for negativo, que ocorre quando o gasto calórico excede a ingestão calórica. Para isso, a maneira mais eficaz de criar um déficit calórico é combinar dieta (restrição de ingesta calórica) e atividade física (aumento de gasto calórico) (GUISELINE, 2016).
Mediante o exposto anteriormente, a ingesta de uma dieta com menos carboidrato, aderindo a uma dieta parcialmente low carb, proporcionaria ao voluntário uma perda de peso mais acentuada, além de que ao reduzir carboidrato, o organismo tende a queimar a segunda fonte de energia do corpo, portanto, lipídeos, fator este que contribuiria para a redução de massa gorda. Além da componente nutricional, o mesmo deve praticar exercícios físicos como andar a 6 km/h durante 45 minutos, que corresponderia a um consumo de aproximadamente 300 calorias, assim como a prática de futebol que a cada 9 minutos consome cerca de 100 calorias. Logo, ele conseguiria consumir mais calorias do que ingerir se fizesse dieta e atividade juntas, de modo a reduzir seu índice de gordura corporal, uma vez que alcançaria um déficit calórico.
O aluno 2, apresenta-se acima do peso ideal e com um percentual de gordura visceral quase dentro do limite de normalidade. Para que possa alcançar resultados que reverta este quadro, seria interessante a ingestão de alimentos naturais, evitando industrializados ricos em gorduras trans, sódio, de alto teor calórico, e até mesmo alimentos hidrogenados, uma vez que o consumo de alimentos ricos em fibras, dentro dos padrões de carboidratos, proteínas e lipídios indicados para o consumo diário, aliado a prática de exercícios físicos, como natação durante 30 minutos ou volley em torno de 40 minutos, auxiliaria no consumo de cerca de 200 calorias por dia, que juntamente com um consumo calórico menor que seu metabolismo basal, resultaria em perda de gordura e um melhor índice de gordura visceral.
Por fim, observa-se que o aluno 3 está dentro dos valores de normalidade para sua idade e altura, no entanto apresenta uma alta composição de gordura em seu corpo. Para que consiga reverter tal quadro, a ingestão de alimentos mais saudáveis, como frutas, legumes, hortaliças, carne branca, como peixe e frango, evitando frituras e alimentos com alto teor de gordura, seria uma ótima opção para solucionar este caso, que para ter um melhor resultado, precisaria da prática de atividade física, com o intuito de criar músculo, ou seja, massa magra ao mesmo tempo que estivesse focado também na perda de gordura corporal. Com isso, a musculação seria uma boa opção para construção e alcance de tais objetivos.
Nesse contexto, cabe mencionar que a prática de atividade física juntamente com acompanhamento nutricional são fatores essenciais para uma vida mais saudável, além de evitar doenças como obesidade, distúrbios metabólicos e até mesmo doenças cardiovasculares. Além disso, a redução da gordura corporal, além de benefícios para a saúde, ajuda a melhorar a aparência física, já que os músculos se tornam mais visíveis em decorrência da redução da gordura subcutânea (GUISELINE, 2016).
4 CONCLUSÃO
Mediante o teste prático realizado, foi possível verificar como funciona a análise da composição corporal através do procedimento de bioimpedância elétrica, assim como o método de utilização da balança de bioimpedância, analisando-se a composição corporal total de água, massa livre de gordura e massa gorda dos voluntários. Com isso, observou-se o domínio dos discentes quanto aos processos de realização da prática, adquirindo tanto conhecimento teórico quanto prático sobre o assunto.
REFERÊNCIAS
BRITTO, E. P.; MESQUITA, E. T. Bioimpedância Elétrica Aplicada à Insuficiência Cardíaca. Rev SOCERJ. 2008;21(3):178-183. Disponível em: http://sociedades.cardiol.br/socerj/revista/2008_03/a2008_v21_n03_a08aatueleonora.pdf. Acesso em: 12 out. 2019.
CÔMODO, A. R. O. et al. Utilização da Bioimpedância para Avaliação da Massa Corpórea. Projeto Diretrizes. 2009. Disponível em: https://diretrizes.amb.org.br/_BibliotecaAntiga/utilizacao-da-bioimpedancia-para-avaliacao-da-massa-corporea.pdf. Acesso em: 12 out. 2019.
GUISELINI, M. Prescrição de exercícios para emagrecimento saudável. Evidências em obesidade. 2016. Disponível em: http://www.abeso.org.br/pdf/revista61/atividade_fisica.pdf. Acesso em: 12 out. 2019.
MARTINS, K. A. et al. Comparação de métodosde avaliação da gordura corporal total e sua distribuição. Revista Brasileira de Epidemiologia. 2015. Disponível em: https://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2011000400014. Acesso em: 12 out. 2019.
MATTIA, I. M. Os efeitos da endermoterapia sobre a gordura abdominal – uma análise por meio da plicometria e de bioimpedância. Trabalho de Conclusão de Curso. Criciúma. Nov. 2011. Disponível em: http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/325/1/Ingrid%20de%20Moura%20de%20Mattia.pdf. Acesso em: 12 out. 2019.
RODRIGUES, M. N. et al. Estimativa da gordura corporal através de equipamentos de bioimpedância, dobras cutâneas e pesagem hidrostática. Rev Bras Med Esporte _ Vol. 7, Nº 4 – Jul/Ago, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbme/v7n4/v7n4a03. Acesso em: 12 out. 2019.
SILVA, M. M. et al. Bioimpedância para avaliação da composição corporal: uma proposta didático-experimental para estudantes da área da saúde. Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 41, nº 2, e20180271 (2019). Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbef/v41n2/1806-9126-RBEF-41-2-e20180271.pdf. Acesso em: 12 out. 2019.
ZOLLER, C. Índice de massa corporal (IMC). Infoescola. 2017. Disponível em: https://www.infoescola.com/nutricao/indice-de-massa-corporal-imc/. Acesso em: 12 out. 2019.

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