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Unidade II - Urbanização Brasileira

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Geografia Urbana
Urbanização Brasileira
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Profa. Dra. Vivian Fiori 
Revisão Textual:
Prof. Ms. Luciano Vieira Francisco 
5
Nesta Unidade daremos continuidade aos nossos estudos na disciplina de Geografia urbana 
com a temática sobre o processo de urbanização brasileira ao longo da história.
Para atingir satisfatoriamente os objetivos, leia o material teórico e complementar, assim 
como, com empenho e dedicação, realize as atividades propostas.
Analisar os processos de urbanização no território brasileiro ao longo 
da história.
Urbanização Brasileira
 · Introdução
 · O Período Técnico-científico
 · O Período do Meio Técnico-científico-informacional
 · A Urbanização na Amazônia
 · O Centro-Oeste e as Novas Formas de Urbanização
6
Unidade: Urbanização Brasileira
Contextualização
Ao longo da história do Brasil, considerando-se a partir da ocupação portuguesa, a criação 
das cidades e o processo de urbanização foi lento e incipiente, sobretudo no período colonial.
Há também diferenças regionais de como se deu esse processo de criação de vilas, essas que 
posteriormente foram transformadas em cidades. Nem tudo que ocorreu em um período da 
história do Brasil se deu em todas as regiões ou lugares do mesmo modo.
Para exemplificar, enquanto Salvador (1549) era tornada capital do governo geral do Brasil e 
tinha importância administrativa em parte do período colonial, São Paulo era apenas uma vila 
pouco importante economicamente.
Do mesmo modo, o Sul do Brasil tinha um vínculo histórico mais próximo dos atuais países 
vizinhos e com a chegada de imigrantes europeus na serra gaúcha no século XIX houve a 
fundação ou a ressignificação dos municípios existentes com vilas e cidades que passaram a ter 
na paisagem a marca desses imigrantes.
Desse modo, entende-se que cada lugar tem um tempo espacial distinto. Em relação ao 
tempo espacial, Milton Santos (2008) e Roberto Lobato Corrêa (2006) dizem que cada lugar 
possui uma idade e variáveis que combinadas criam tempos espaciais diferentes. Como diz 
Corrêa (2006, p. 41):
Alguns segmentos incorporam vários momentos da história, enquanto outros 
podem ser muito recentes, incorporando apenas o presente. Ou seja, essas 
diferenças refletem os momentos históricos em que cada segmento foi gerado, 
sua inércia dinâmica ou o modo como manteve continuidade e permanece vivo 
no presente, expressando variáveis que têm significado e pesos específicos para 
a totalidade social. 
Por isso, nem tudo que ocorreu em uma região ou em um conjunto de cidades brasileiras 
deu-se do mesmo modo em todo o território nacional. 
Considerando-se que o processo de urbanização deu-se, em maior medida, nas regiões 
próximas ao litoral, bem como nas metrópoles do Sudeste-Sul (região concentrada), caso de 
São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, é aí que há uma concentração de 
atividades de serviços e comerciais. 
Portanto, cabe reiterar que é fundamental entender o processo de urbanização brasileira 
observando esses tempos espaciais distintos dos lugares, fazendo, portanto, a relação do tempo 
e do espaço, que são categorias indissociáveis. 
7
Introdução
Trataremos do processo de urbanização brasileira ao longo da história a partir da ocupação 
portuguesa em 1500. Dividiremos esse processo usando a concepção de Milton Santos dos 
meios geográficos com a periodização do meio natural, meio técnico-científico e, por fim, do 
meio técnico-científico-informacional.
O meio natural e a urbanização incipiente no Brasil
A urbanização foi lenta durante o período colonial brasileiro. A primeira cidade fundada 
formalmente no Brasil foi São Vicente, em 1532, no litoral paulista. A própria ocupação era 
incipiente e em seu início havia feitorias, de modo que apenas com o tempo foram fundadas 
vilas, posteriormente elevadas a categoria de cidade.
Em 1549 Salvador tornou-se capital da colônia da parte do território chamado de Brasil – 
importante lembrar que havia Brasil e também Maranhão, cuja capital era São Luís e depois 
Belém. A localização do local foi importante, pois seu sítio urbano é uma acrópole, ou seja, o 
local tinha uma parte do relevo mais alto de onde havia uma boa visão da baia. O fato de ser 
uma baia – atualmente chamada de Baia de Todos os Santos – também facilitava que os navios 
aportassem no local. 
Conforme afirma Adriano Botelho (2006), nesse período havia o mecanismo de sesmarias, 
a doação de terras realizada pelo governo português, mas também havia outras formas de 
doação ou concessão nesse período, como aponta o autor: 
O mecanismo de sesmarias configurava uma das formas de organização 
fundiária dos núcleos urbanos que, na maioria das vezes, combinava-se com as 
datas, espécie de sesmaria urbana. Uma vez constituída a vila, a Câmara detinha 
o poder de doar e retirar terras, ou seja, cabia à municipalidade a concessão 
de “terras e chãos” a partir do “rossio da vila”, ou seja, as terras comunais 
pertencentes à vila, outorgadas pelo donatário da capitania. O processo de 
obtenção de sesmarias era bastante moroso e burocrático o que estimulava, 
ao lado do processo legal de apropriação de terras pela doação de datas e 
de sesmarias, a apropriação direta de terras por parte de pessoas de menores 
recursos e prestígio, que se instalavam em áreas menos acessíveis: os chamados 
posseiros (BOTELHO, 2006, p. 233, grifo nosso).
Importante ressaltar que a doação de sesmarias e mesmo do sistema de datas (terra urbanas) 
eram feitas apenas para os chamados homens “bons”, termo usado para os homens brancos, 
não tendo acesso nem negros, indígenas ou estrangeiros.
Nesse período colonial, o Brasil era fundamentalmente rural. Toda vida da população 
existente estava entremeada pelas atividades no campo tanto nas atividades extrativistas e de 
criação de gado, pelo interior do País, quanto também as mais importantes economicamente 
para Portugal, como é o caso da cana-de-açúcar na Zona da Mata do Nordeste.
Ao longo do tempo, os bandeirantes, que eram principalmente paulistas, foram ocupando 
as regiões além do Tratado de Tordesilhas (1494). Nesse caso, o tratado foi sendo modificado à 
medida em que os brasileiros, principalmente os bandeirantes, foram ocupando novas regiões 
e fundando vilas. 
8
Unidade: Urbanização Brasileira
Segundo Goulart Reis Filho (apud SANTOS, 2008), entre 1650 e 1720 foram fundadas 
35 vilas, sendo que Recife e São Paulo foram elevadas a categoria de cidades nesse período. 
No Brasil, após 1720, havia um conjunto de 63 vilas e oito cidades, ou seja, na verdade a 
urbanização e mesmo a fundação de cidades no Brasil era extremamente incipiente. 
Vivia-se, portanto, um modo de vida rural, conforme nos explica o geógrafo Francisco 
Scarlato (1996, p. 141): 
Isto posto, vale dizer, que as cidades brasileiras, no período colonial, representaram 
um prolongamento do modo rural. A ausência de uma burguesia urbana abriu 
o espaço ao poder das oligarquias agrárias. A Câmara Municipal, primeira e 
principal instituição política representativa da população da colônia, tinha sua 
sede na cidade, porém, ela era controlada pelos senhores da Casa Grande. As 
funções mais importantes eram exercidas pelos latifundiários da cana. Essas 
cidades, na verdade, eram os locais onde se formalizavam juridicamente os atos 
exercidos na Grande Propriedade. Pode-se dizer que as cidades representavam 
o Fórum de Direito do Poder Político, porém era a Casa Grande que exercia de 
fato esse poder. 
De outro lado, onde hoje se encontra parte da Amazônia brasileira, para Portugal era outra 
colônia denominada de Maranhão, cuja capital em 1621 era a cidade de São Luís. A forma de 
ocupação implantada nessa região eram principalmente duas: uma ligada aos fortes militares, 
geralmente fundados em torno do Rio Amazonas e de seus afluentes; além disso, havia também 
a ocupação de aldeias jesuíticas, como forma de catequizar os índios. 
O fato é que principalmente os jesuítas começarama comercializar os produtos oriundos 
da própria floresta ou do interior da região, chamados de “drogas do sertão” (Figura 1). Tais 
produtos eram levados até o porto de Belém ou também de São Luís e a partir daí eram 
destinados a Portugal. Por conta disso, o governo português, em 1750, criou a Companhia 
Geral do Grão-Pará e Maranhão. Essa companhia passou a fazer o comércio dos produtos 
provenientes dessa região. 
Figura 1 – Espaços econômicos do Brasil no século XVIII e cidades.
 
cafehistoria.ning.com
9
Desse modo, o governo português começou a controlar um pouco mais essa comercialização 
e, por isso, transferiu a capital dessa região para a cidade de Belém, em 1751. Essas aldeias 
foram, posteriormente, transformando-se em vilas e futuramente em cidades. 
Essa foi uma ocupação embrionária, de aldeias e vilas, que viriam a se tornar cidades 
importantes na região amazônica, todas situadas no entorno do Rio Amazonas ou de seus 
afluentes. Entre as quais, pode-se citar: Santarém, no Rio Tapajós; Óbitos, no Rio Trombetas; 
Tefé, no Rio Japurá, bem como as aldeias missionárias de Alenquer, Gurupatiba (Monte Alegre), 
Mariuá (Barcelos) etc.
Assim, nesse período colonial, a formação e a existência das cidades eram 
incipientes, havia uma grande relação com a natureza, de modo que esse é o 
período denominado de meio natural por Milton Santos (2008). 
Ao final do século XVII e principalmente no século XVIII, ainda no período colonial, houve 
descobertas de minerais, entre os quais ouro e pedras preciosas, na região de Cuiabá (atual 
Mato Grosso) e no que chamamos hoje de Minas Gerais. 
Desse modo, surgiu uma urbanização mais efetiva, já que a sociedade mineira, ligada a essa 
exploração de minerais, vivia e se concentrava principalmente nas cidades (Figura 1). 
Desse processo, criaram-se cidades importantes como Sabará, Mariana, Vila Rica (atual Ouro 
Preto), Tiradentes, São João Del Rei, entre outras, que levaram uma urbanização maior na 
região da capitania de Minas Gerais, conforme nos explica Scarlato (1996, p. 416):
Apesar do século XVIII ter presenciado um grande avanço na fundação de 
vilas e cidades no interior do território brasileiro, esses processos se fizeram de 
forma muito descontínua, motivados tanto pela dependência do povoamento 
em relação às oscilações do mercado externo, como também pelo esgotamento 
dos recursos ou pela ocorrência de um produto com outro, como da cana, da 
mineração ou do café. 
Apesar disso, ao final do período colonial (1500-1822) as principais cidades brasileiras eram 
as capitais das capitanias, conforme cita Milton Santos (2008, p. 22):
No fim do período colonial, as cidades, entre as quais avultaram São Luís do 
Maranhão, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, somavam perto de 
5,7% da população total do País, onde vivam, então, 2,85 milhões de habitantes 
(PRADO JR., 1953, p. 21). Basta lembrar que, na passagem do século XVII para 
o século XVIII, Salvador já reunia 100 mil moradores, enquanto nos Estados 
Unidos, nenhuma aglomeração tinha mais de 30 mil.
Considerando-se o processo de urbanização, somente no século XIX é que o território 
brasileiro passou por grandes transformações. O primeiro desses eventos foi a chegada da 
família real, em 1808, ao Rio de Janeiro, devido à invasão francesa em Portugal, realizada nesse 
momento, refugiando-se no Brasil. 
10
Unidade: Urbanização Brasileira
Desse modo, a cidade do Rio de Janeiro, que já era capital do Brasil desde 1763, passou 
a ser também a capital da metrópole portuguesa, e ficou conhecida como corte, sobretudo e 
formalmente em 1815, com a criação do Reino Unido a Portugal e Algarves. 
Por conta disso, houve uma série de transformações urbanas no Rio de Janeiro, promovidas 
pelo governo da época para que a família real e também outras pessoas que faziam parte da 
corte portuguesa pudessem se instalar. 
Houve alguns melhoramentos urbanos na cidade, principalmente construídos a partir do 
trabalho de escravos, que eram usados nessas novas construções, nos melhoramentos do 
arruamento, nos aterros dos alagadiços etc. 
Em 1822 o Brasil tornou-se independente do governo de Portugal e houve uma mudança 
na divisão política brasileira, passando a ser chamada de província. Nesse período imperial, a 
cidade do Rio de Janeiro tornou-se a capital de todo o Brasil.
O Período Técnico-científico
Em 1850 aconteceram diversos eventos importantes para o entendimento do território 
brasileiro, entre os quais podemos destacar os seguintes: o fim do tráfico de escravos; as 
migrações estrangeiras; a Lei de Terras no Brasil e a inserção de algumas regiões do território 
brasileiro no processo capitalista mundial. 
Esse período é denominado por alguns autores de “arquipélago brasileiro”, pois essas regiões 
não estavam integradas internamente e somente voltadas ao mercado externo. 
 
 Importante
Um evento importante foi o fim do tráfico de escravos. Conforme o interesse da Inglaterra, nem 
o Brasil e nem outros países poderiam comprar novos escravos e isso fazia com que a escravidão 
se tornasse, do ponto de vista econômico, um fator preocupante às elites da época. Isso fez com 
que o Brasil começasse a fazer propaganda no exterior para trazer imigrantes, sobretudo europeus, 
principalmente para o Sul-Sudeste. 
Outro aspecto a ser destacado em 1850 é a Lei de Terras, criada exatamente nesse ano, 
evidenciava a preocupação da elite da época com a questão da terra no Brasil, já que com a 
chegada dos imigrantes e no futuro o possível fim da escravidão, havia a preocupação que tais 
grupos pudessem ter acesso à terra. 
A partir daí passou a existir a figura do proprietário privado, mediante ao processo de compra 
e venda, ou seja, dessa forma excluía-se os negros e também os imigrantes pobres, já que esses 
não teriam acesso ou condições de comprar a terra. 
11
Enquanto isso, no Sul do Brasil, ao final do século XIX, o governo doou pequenos lotes 
de terras para os imigrantes estrangeiros, principalmente no Paraná, em Santa Catarina e 
no Rio Grande do Sul. No caso do Rio Grande do Sul, na região da Serra Gaúcha, onde 
hoje se localizam cidades como Caxias do Sul, Garibaldi, Flores da Cunha e Gramado houve 
predomínio de imigração italiana e alemã, que foram fundando tais cidades. 
Portanto, essas cidades têm um pouco da cultura desses imigrantes, que podem ser 
percebidas em suas paisagens. Em Santa Catarina, na região do Vale do Itajaí, houve imigração 
principalmente de alemães. Logo, as cidades de Blumenau, Joinville e Brusque foram fundadas 
por colonos alemães e suas paisagens demonstram algumas características que lembram esse 
país europeu. 
Outro evento importante nesse período foi a inserção do território brasileiro na divisão 
internacional do trabalho. Havia, basicamente, três regiões que estiveram inseridas nesse 
processo: a Amazônia, o sertão do Nordeste e a região de produção cafeeira, principalmente no 
estado de São Paulo.
Você Sabia ?
A Amazônia com a produção da borracha. Afinal, após 1850, a borracha tornou-se uma 
mercadoria extremamente importante, porque havia forte demanda externa pela sua produção. 
Existia um sistema de aviamento, que era o financiamento de bens de consumo e instrumentos 
de trabalho para a exploração da borracha, cujo investimento em geral era realizado por capital 
estrangeiro, caso do banco Manaos Harbour Limited, em 1902 e The Port of Pará, em 1906.
Houve uma mudança do ponto de vista de transporte, com uma revolução técnica com 
a vinda de veículos a vapor. Em 1867 o governo brasileiro liberou o transporte também 
com embarcações estrangeiras, caso da Amazon Steamship Navegation Company Limited, 
de capital inglês. 
Desse modo, essa região recebeu diversos imigrantes oriundos principalmente do Nordeste 
brasileiro. As cidades de Manaus e de Belém tornaram-se as principais centralidades dessa 
região nesse período, pois exportavam a borracha pelos seus portos. 
Como exemplo, citamos seis bancos estrangeiros, situadosnesse período em Belém, assim 
como a construção do Teatro de Manaus, entre outros elementos urbanos que foram criados 
nesse momento, tornando essas cidades importantes centralidades da época. 
Novos núcleos urbanos também surgiram, caso das cidades de Manicoré, no Rio Madeira, 
Boca do Acre, Japuri, Brasiléia e Sena Madureira, no Acre. 
Por outro lado, entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, principalmente na região 
do Vale do Paraíba (entre as Serras da Mantiqueira e do Mar), já se produzia café. Contudo, 
essa produção, entre 1840 e 1850 ainda era à base de escravos e que carecia de um tipo de 
transporte mais ágil. 
Com a chegada da ferrovia ao Estado de São Paulo, a primeira em 1867, ligando a cidade 
de Santos a Jundiaí, houve uma revolução nos transportes, já que anteriormente o café era 
transportado por animais, descendo a Serra do Mar. 
12
Unidade: Urbanização Brasileira
Isso fez com que surgissem cidades no entorno da ferrovia, com um novo processo de 
urbanização, tanto no interior quanto na própria capital paulista, onde surgiram bairros ladeados 
à malha ferroviária, caso da Mooca, Ipiranga, Brás e Lapa. 
Logo, a partir da expansão cafeeira, São Paulo tornou-se uma cidade importante no Brasil, 
assim como outras no interior paulista foram também se urbanizando.
Além disso, havia também uma terceira região inserida nessa economia global. Tratava-se do 
algodão produzido no sertão nordestino. Essa produção de algodão interessava à indústria têxtil 
da época, principalmente inglesa. As companhias estrangeiras é que exploravam esse produto 
e o levavam in natura para ser processado nas indústrias inglesas. 
A cidade de Recife passou a fazer essa comercialização do algodão, bem como produzir um 
tipo de subproduto do algodão, com tecido considerado menos nobre. Além disso, a cidade já 
era exportadora por muito tempo de cana-de-açúcar e de alguns de seus subprodutos. 
Em 1872, no primeiro censo demográfico formal do Brasil, realizado no período imperial, 
somente três capitais brasileiras tinham mais de cem mil habitantes, como cita Milton Santos 
(2008, p. 23):
Em 1872, apenas três capitais brasileiras contavam com mais de 100 mil 
habitantes: Rio de Janeiro (274.972), Salvador (129.109) e Recife (116.671). 
Somente Belém (61.997), contava mais de 50 mil residentes. São Paulo, então, 
tinha uma população de 31.385 mil moradores. Em 1890, eram três as cidades 
com mais de 100 mil moradores: Rio de Janeiro, com 522.651, Salvador, com 
174.4123 e Recife, com 111.556. Três outras cidades passavam pela casa dos 
50 mil (São Paulo: 64.934; Porto Alegra: 52.421 e Belém: 50.064). Em 1900, 
havia quatro cidades com mais de cem mil vizinhos e uma beirava essa cifra.
Portanto, a segunda metade do século XIX foi importante para um novo processo de 
urbanização no território brasileiro, denominado por Milton Santos (2008) como período do 
meio técnico-científico. 
Surgiram novas mudanças técnicas em partes do território brasileiro, entre as quais podemos 
destacar a chegada dos telégrafos, as ferrovias, principalmente no Estado de São Paulo, os 
barcos a vapor, na Amazônia, entre outras.
Essas materialidades e sistemas de Engenharia, portanto, transformaram e modernizaram 
parte do território brasileiro e também criaram novas formas de urbanização, que se davam 
principalmente no entorno ou integrados a esses novos sistemas técnicos. Conforme comenta 
Milton Santos (2008, p. 29): 
Esse quadro é relativamente quebrado a partir da segunda metade do século 
XIX, quando, a partir da produção de café, o Estado de São Paulo se torna o 
pólo dinâmico de vasta área que abrange os estados mais ao Sul e vai incluir, 
ainda de modo incompleto, o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ainda aqui, a 
explicação pode ser buscada nas mudanças ocorridas tanto nos sistemas de 
engenharia (materialidade), quanto no sistema social. De um lado, a implantação 
de estradas de ferro, a melhoria dos portos, a criação de meios de comunicação 
atribui uma nova fluidez potencial a essa parte do território brasileiro. De outro 
lado, é aí também onde se instalam, sob os influxos do comércio internacional, 
formas capitalistas de produção, trabalho, intercâmbio, consumo, que vão tornar 
efetiva aquela fluidez.
13
Assim, conforme se observa no seguinte Quadro, a seguir, no final do século XIX e em 1900 
as cidades brasileiras ainda eram pouco populosas, mas, observa-se que São Paulo ainda não 
aparecia como as principais cidades do ponto de vista da quantidade de população. 
Quadro 1: População das Cidades Brasileiras
1872 1900
Cidade População Cidade População
Rio de Janeiro 274.972 Rio de Janeiro 691.565
Salvador 129.109 Salvador 239.820
Recife 106.671 Recife 205.813
Belém 61.997 Belém 113.106
Niterói 47.548 Niterói 96.560
Porto Alegre 43.998 Porto Alegre 73.674
Fortaleza 42.458 Fortaleza 53.433
Cuiabá 35.987 Cuiabá 50.300
São Luís 31.604 São Luís 49.755
São Paulo 31.385 São Paulo 48.639
Fonte: Scarlato (1996, p. 426). 
Por ser a capital do Brasil na época, o Rio de Janeiro era a cidade principal, assim como 
Salvador, essa por ter sido a antiga capital. Recife, por ser uma nova centralidade nordestina e 
a cidade de Belém, por ter sido capital do antigo Estado do Maranhão e também por conta da 
exportação da borracha. Por fim, São Luís, por ter sido capital na região do Estado do Maranhão. 
Contudo, no início do século XX, São Paulo se tornou a cidade que mais cresceu no mundo, 
tanto por conta da chegada de migrantes, vindos principalmente da Europa e também do interior 
de São Paulo, quanto também pela transformação das áreas rurais em urbanas.
Portanto, São Paulo, que no começo do século XX, tinha uma população de 48.639 
habitantes, figurando como a décima cidade em quantidade de população no Brasil, na década 
de 1930 tornou-se a principal cidade brasileira, tanto em termos de população, quanto devido 
à concentração de atividades econômicas. 
Alguns fatores contribuíram à ampliação da importância da cidade de São Paulo, 
tornando-a uma centralidade do País, mas com grande desigualdade. 
14
Unidade: Urbanização Brasileira
A expansão cafeeira, embora tenha ocorrido no interior de São Paulo, trouxe novos 
investimentos à capital, tanto de bancos, financeiras, mercado imobiliário, quanto também de 
concessões que foram realizadas para empresas estrangeiras para serviços de água, produção 
de energia e transporte. Desse modo, por exemplo, a empresa canadense Light and Power ficou 
responsável pelo transporte urbano da época, bem como pela produção da energia elétrica.
Outro fator foi a transformação de áreas, até então, rurais do município, em terra urbana com 
a formação do mercado imobiliário que se transformou em um dos maiores do Brasil. Como 
exemplo, citamos a construção ao final do século XIX da Avenida Paulista, em uma antiga 
região de chácaras, em 1891, que naquela época passou a abrigar, a partir da sua construção, 
a elite paulistana. 
Já a partir da década de 1940, a região central de São Paulo foi passando por um processo 
de transformação e verticalização, de modo que a própria Avenida Paulista foi se tornando 
verticalizada, com prédios e espigões que hoje são ocupados por bancos, financeiras, gestão 
de grandes empresas, entre outras atividades. Ao mesmo tempo, mediante a expansão das 
ferrovias em áreas periféricas começaram a surgir os bairros no entorno dessas ferrovias, em um 
trinômio várzea-ferrovia-indústria em forma de bairros e vilas operárias.
O Período do Meio Técnico-científico-informacional
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve diversas mudanças no mundo, que 
atingiram também o território brasileiro. Foi o período que Milton Santos denominou de meio 
técnico-científico-informacional. 
Sobretudo pós-1960 ocorreram novas revoluções técnico-científicas e a expansão das 
multinacionais para os países subdesenvolvidos latino-americanos, entre os quais o Brasil, 
promovendo uma nova fase de industrialização. 
Momento em que as regiões metropolitanasde São Paulo e Belo Horizonte tornaram-se 
importantes polos dessas multinacionais, principalmente de empresas de bens de consumo, 
entre as quais destacamos a indústria automobilística. 
Nessa nova fase de industrialização, principalmente após 1956, no governo de Juscelino 
Kubitschek, o Brasil privilegiou o modal de transporte rodoviário, como forma de integrar as 
regiões brasileiras. 
Dessa forma, novamente a região Sudeste foi a que alcançou maior industrialização, tornando 
as cidades de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro atrativas à mão de obra, principalmente 
nordestina. Foi a fase de crescimento das grandes cidades e metrópoles, principalmente do Sudeste. 
Essa situação já apontava a centralidade do Estado de São Paulo, cuja metrópole paulistana 
destaca-se como onipresente no território brasileiro (SANTOS, 2008), sobretudo após a década 
de 1940, por isso, atraiu diversos imigrantes entre os anos 1960-1970. Algumas cidades paulistas 
tornaram-se centralidades regionais, devido à intensa urbanização e ao crescimento econômico, 
como região industrial e como centro de informação e produção de conhecimento.
Conforme diz Cassiano Caon Amorim (2010, p. 129), em sua tese sobre esse processo de 
industrialização do território brasileiro:
15
A partir dos anos 1940-1950, é a lógica da industrialização que prevalece: o termo industrialização 
não pode ser tomado, aqui, em seu sentido estrito, isto é, como criação de atividades industriais 
nos lugares, mas em sua mais ampla significação, como processo social complexo, que tanto 
incluiu a formação de um mercado nacional, quanto os esforços de equipamento do território 
para torná-lo integrado, como a expansão do consumo em formas diversas, o que impulsiona a 
vida das relações (leia-se terceirização) e ativo o próprio processo de urbanização. Essa nova base 
econômica ultrapassa o nível regional, para situar-se na escala do país.
Essa lógica da industrialização incorporou novas áreas do território brasileiro, sobretudo na 
região concentrada, intensificando a urbanização e a ampliação dos serviços existentes.
Nesse período (1956-1973), tais cidades ainda possuíam terrenos mais baratos, o que 
permitia que parte desses migrantes conseguisse trabalho e comprassem pequenos lotes para a 
construção de suas casas. Geralmente tais casas eram feitas pelos próprios proprietários, em um 
modelo que se denominava autoconstrução. 
Ainda estavam no período predominantemente “fordista”, de indústria de linhas de produção, 
de execução e montagem, momento em que foram surgindo, portanto, as periferias, com 
loteamentos baratos e populares, alguns regulares e outros não.
Isso ocorria, por exemplo, na cidade de São Paulo, bem como em Santo André, São Bernardo, 
São Caetano, região conhecida como ABC Paulista, inseridas na Região Metropolitana de São 
Paulo (RMSP). 
No Brasil essa situação econômica foi alterada nas décadas de 1970 e 1980, sobretudo 
depois de 1973, pós-crises internacionais do petróleo. Nesse período (1973-1994) houve uma 
desaceleração econômica no Brasil, que resultou em diversos problemas socioeconômicos. 
Derivam dessas condições o aumento do número de favelas, alta inflação e desemprego. 
Nesse período houve um crescimento das metrópoles, da região Sudeste. Logo, tornaram-se 
cidades gigantes, em termos populacionais, mas aos poucos cada vez mais precárias do ponto 
de vista da urbanização. 
Como afirma Marcelo Lopes de Souza, nos anos 1970, o governo federal criou nove regiões 
metropolitanas no Brasil. A ideia, no período, era que algumas questões como abastecimento 
de água, resíduos sólidos, entre outros, pudessem ser discutidas no âmbito regional, por isso a 
criação das regiões metropolitanas, formalmente. O autor comenta sobre esse período:
No Brasil, foram criadas, na década de [19]70, nove regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, 
Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Não resta 
dúvida de que se tratava de reconhecer, formalmente, a existência de metrópoles de fato. Mesmo 
Belém, cuja região metropolitana era, à época, restrita a dois municípios (além de Belém, 
Ananindeua) e não possuía complexidade lá muito grande, apresentava grande centralidade, 
pois sua hinterlândia (região de influência) se espraiava pela imensa área da Amazônia. A razão 
desse reconhecimento formal das metrópoles era dupla: explicitamente, tornar mais racional, 
sob o ângulo econômico, a prestação dos chamados serviços de interesse comum, isto é, serviços 
que interessam a mais de um município e que podem ser mais inteligentemente oferecidos por 
meio de uma gestão integrada, como a destinação do lixo, o abastecimento de água, a proteção 
ambiental e outros mais; para isso foi criada, em cada região metropolitana, um órgão de 
planejamento e gestão (SOUZA, 2007, p. 35, grifos nossos).
Desse modo, as cidades das Regiões Metropolitanas (RM) cresceram dos anos 1960 até 1990, 
sobretudo as metrópoles. 
16
Unidade: Urbanização Brasileira
A Urbanização na Amazônia
Já na região amazônica havia algumas características peculiares do território. Conforme 
afirmado, as cidades mais importantes estavam ou próximas aos rios, como no caso da cidade 
de Manaus, por exemplo, ou próximas aos portos marítimos, como no caso de Belém. No 
entanto, no período dos governos Juscelino Kubitschek (1956 a 1961) e militares (1964 a 1985) 
a Amazônia teve políticas específicas à sua ocupação. 
Desse modo, surgiram inéditas frentes agrícolas no Mato Grosso, que é considerado parte da 
Amazônia Legal, e também em Rondônia, fazendo com que se intensificassem a urbanização 
nessas regiões. 
Com a construção da BR-364, que liga Porto Velho (Rondônia) a Cuiabá (Mato Grosso), 
intensificou-se a urbanização com o surgimento de cidades como Vilhena, Ji-Paraná, entre outras. 
Já no segundo período do governo militar de Geisel foi criado um programa chamado 
Poloamazônia que levava o governo a privilegiar os grandes projetos agropecuários e minerais. 
Algumas regiões passaram a ter maior densidade de ocupação. Esse é o caso da região 
Leste do Pará, onde cidades como Marabá, Parauapebas e Tucuruí tornaram-se importantes 
economicamente, vinculadas principalmente à produção de ferro da Serra de Carajás e à 
hidrelétrica de Tucuruí. 
Essa urbanização do Leste do Pará está atrelada ao sistema rodoviário, desde a 
construção da Rodovia Belém-Brasília no governo de Juscelino Kubitschek e a 
posterior ocupação das empresas, principalmente da empresa Companhia Vale do 
Rio Doce, que explora os minerais de Carajás. 
Desse modo, surgiu o que Roberto Lobato Corrêa chama de company town, ou seja, a 
existência de cidades construídas a partir de algumas companhias que exploram principalmente 
minerais na Amazônia. É o caso da cidade de Oriximiná e Parauapebas, no Pará, entre outras. 
Por isso, conforme explica Roberto Lobato Corrêa (2006, p. 184): 
Na Amazônia, esta diferenciação de tempos espaciais é muito marcante no 
âmbito da rede urbana. Tão marcante que se pode falar em segmentos “velhos”, 
que possuem um tempo espacial longo, e segmentos “novos”, como exemplifica-
se com as cidades ribeirinhas, de um lado, e as cidades e os embriões urbano, de 
outro, que surgiram recentemente ao longo dos grandes eixos rodoviários que 
rasgaram a Amazônia.
Logo, a existência das cidades na Amazônia possui tais peculiaridades dessa ocupação 
das antigas áreas de floresta por projetos agropecuários e principalmente minerais, criando 
novas cidades. 
Já a cidade de Manaus, devido à criação da Zona Franca de Manaus, principalmente com as 
indústrias de eletroeletrônicos, mediante a isenção de impostos, tornou-se um polo industrial da 
região, especializado nesses equipamentos eletrônicos. 
17
O Centro-Oeste e as Novas Formas de Urbanização
Por outro lado, na região Centro-Oeste do Brasil as mudanças no processo de ocupação 
tornaram-se maiores a partir do governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), devido à 
construção da cidadede Brasília, que se tornou a capital do Brasil.
Alguns autores, como José William Vesentini (1986), afirmam que a definição da capital 
do Brasil para o Planalto Central ocorreu devido a fatores políticos, pois ao levar a capital do 
Brasil para uma região longínqua das grandes metrópoles do Sudeste, seria uma forma de levar 
o poder para uma área mais distante das grandes cidades da época. Por outro lado, no Plano 
de Metas de Juscelino Kubitschek definiu-se situar a capital do Brasil no Planalto Central como 
forma de integrar o território brasileiro. 
Com a construção de Brasília nessa região e a posterior transferência da capital em 1960, 
os migrantes que trabalharam nas obras da construção da cidade e outros que chegaram 
posteriormente, foram morar, principalmente, no entorno de Brasília, cujos lugares passaram a 
ser chamados de “cidades satélites”. 
Desse modo, existe uma cidade planejada no plano piloto, que é Brasília, essa com padrão de 
urbanismo de arruamento por quadras, e por outro, a existência das chamadas “cidades satélites”, 
unidades administrativas do Distrito Federal, entre as quais, Planaltina, Taguatinga, Gama etc. 
Nas “cidades satélites”, regiões administrativas no entorno do plano piloto, há um processo 
de formação de moradias por autoconstrução, em loteamentos regulares ou irregulares e 
também de favelas, enquanto que, na cidade de Brasília, o modelo de planejamento privilegiou 
a construção de moradias para os funcionários do governo, bem como de algumas áreas de 
mansões, principalmente perto do Lago Paranoá, esse construído artificialmente.
Esse projeto de ocupar o Centro-Oeste e a Amazônia brasileira levou a um novo processo de 
urbanização diferente daquele ocorrido na região Sudeste, principalmente em São Paulo, pois 
essa nova urbanização é fruto, sobretudo, de uma ocupação que se dá a partir do campo, pela 
agricultura e pecuária. 
Desse modo, a partir dessa ocupação pelas atividades agropecuárias, foram surgindo novas cidades 
ou mesmo crescendo as já existentes, principalmente pequenas ou médias, já que a modernização 
no campo trouxe novas necessidades, tais como: produtos e insumos agrícolas, bem como mão 
de obra especializada, como no caso de agrônomos, veterinários, entre outros. Assim, como diz 
Milton Santos, ocorreu uma ruralização da cidade, pois sua existência tem uma relação direta com 
as atividades no campo. Sobre isso, Milton Santos (2008, p. 69, grifo nosso) comenta:
O caso de Goiás é emblemático. Durante praticamente quatro séculos e, do 
ponto de vista da produção, um verdadeiro espaço natural, onde uma agricultura 
e a pecuária extensivas são praticadas, ao lado de uma atividade elementar 
de mineração. Da construção de Goiânia, inaugurada nos anos 1930, não se 
conhecem sistematicamente os efeitos dinâmicos. O novo urbano chega antes 
da modernização rural, da modernização dos transportes, da modernização do 
consumo e, de modo geral, da modernização do país. Com a redescoberta do 
cerrado, graças à revolução científico-técnica, criam-se as condições locais para uma 
agricultura moderna, um consumo diversificado e, paralelamente, uma nova etapa 
de urbanização, graças, também, ao equipamento moderno do país e à construção 
de Brasília, que podem ser arrolados entre as condições gerais do fenômeno.
18
Unidade: Urbanização Brasileira
Assim, o Brasil passou por diversas mudanças ao final do século XX e início do século XXI, 
pois uma nova forma de divisão territorial do trabalho modernizou o território brasileiro, no caso 
do Centro-Oeste, principalmente a partir da produção de soja, mas também no Oeste da Bahia 
e Sul do Piauí, criando novas pequenas cidades, ou antigas cidades que foram ressignificada 
por esse processo do agronegócio.
Há, pois, um processo de urbanização cujo indutor não se dá apenas pela industrialização, 
mas também ocasionada pelas atividades no campo, que criam núcleos urbanos mais adensados, 
sejam provenientes de demandas dos commodities agroindustriais, seja em núcleos oriundos de 
uma urbanização em torno de garimpos etc.
Por outro lado, a região Sudeste, pós-ano 1990, passou por novas mudanças. As cidades 
médias tiveram um crescimento maior, enquanto as grandes cidades e metrópoles acabaram 
recebendo menos imigrantes do que recebiam nas décadas de 1960 e 1970 e passaram a ter 
um menor crescimento populacional. 
Além disso, também houve outras transformações em relação à divisão territorial do trabalho, 
pois em cidades como São Paulo, que no passado tinham uma grande importância devido à 
indústria, passaram a ter principalmente atividades ligadas ao chamado setor terciário, ou seja, de 
serviços e comércio. Em relação a esse novo processo, Milton Santos (2008, p. 100) explica que: 
A nova divisão do trabalho territorial atingiu, também, a própria região 
concentrada, privilegiando a cidade de São Paulo, a respectiva região 
metropolitana e seu entorno, onde a acumulação de atividades intelectuais 
ligadas à nova modernidade assegura a possibilidade de criação de numerosas 
atividades de ponta, ambos esses fatos garantindo-lhe preeminência em 
relação às demais áreas e atribuindo-lhe, por isso mesmo, novas condições 
de polarização. Atividades modernas, presentes em diversos pontos do país, 
necessitam apoiar-se em São Paulo para um número crescente de tarefas. São 
Paulo fica presente em todo o território brasileiro, graças a esses novos nexos, 
geradores de fluxos de informação indispensáveis ao trabalho produtivo.
Dessa maneira, o Brasil foi passando por inúmeras mudanças ao longo de sua história. 
Em uma primeira fase do período denominado meio natural havia poucas cidades e uma 
urbanização incipiente. 
Já no final do século XIX algumas regiões tornaram-se mais importantes e observou-se um 
momento da urbanização em torno de algumas atividades econômicas, principalmente como 
no caso da região amazônica, com a borracha e da expansão cafeeira, principalmente no Estado 
de São Paulo. 
No período pós-Segunda Guerra Mundial houve uma organização em um primeiro momento 
ainda relacionada, principalmente à indústria, com maior densidade e intensidade na região 
Sudeste e, mais recentemente, vinculada também às atividades do campo, expansão essa mais 
recente, principalmente nas regiões do agronegócio. 
Desse modo, ao final do século XX e começo do XXI, a urbanização ocorre também a 
partir também das atividades rurais, o que leva alguns autores a dizerem que passamos por 
um processo de “ruralização da cidade” e de desmetropolização, ou seja, as metrópoles já não 
crescem como nas décadas de 1960-1980. 
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Material Complementar
 
Para aprofundamento dos temas discutidos nesta Unidade leia:
NASCIMENTO, Cláudia Pinheiro. O processo de urbanização da Amazônia 
e seus mecanismos entre a década de 1930 e 1980. Ateliê Geográfico. 
Goiânia, GO, v. 5, n. 2, p. 227-256, ago. 2011. Disponível em: 
• <http://www.revistas.ufg.br/index.php/atelie/article/view/15489/9474>. 
Acesso em: 11 out. 2014.
PEREIRA, Rafael Henrique Moraes; FURTADO, Bernardo Alves (Org.). 
Dinâmica urbano-regional: rede urbana e suas interfaces. Brasília, DF: 
Ipea, 2011. Disponível em:
• <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/livro_
dinamicaurbano.pdf>. Acesso em: 10 set. 2014. (este serve para toda 
a disciplina, aprofundando algumas temáticas sobre algumas cidades 
ou regiões).
http://www.revistas.ufg.br/index.php/atelie/article/view/15489/9474
http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/livro_dinamicaurbano.pdf
http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/livro_dinamicaurbano.pdf
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Unidade: Urbanização Brasileira
Referências
AMORIM, C. C. O uso do território brasileiro e as instituições de Ensino Superior. 
2010. Tese (Doutorado em Geografia Humana) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.
BOTELHO, A.; OLIVEIRA, A. U. de; CARLOS, A. F. A. (Org.). Geografia das metrópoles. 
São Paulo: Contexto, 2006.
CARLOS, A. F. A.; LEMOS, A. I. G. (Org.).Dilemas urbanos: novas abordagens sobre a 
cidade. São Paulo: Contexto, 2003.
CORRÊA, R. L. Estudos sobre a rede urbana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.
OLIVEIRA, A. U. de; CARLOS, A. F. A. (Org.). Geografia das metrópoles. São Paulo: 
Contexto, 2006.
SANTOS, M. A urbanização brasileira. São Paulo: Edusp, 2008.
SCARLATO, F. C. População e urbanização brasileira. In: ROSS, J. L. S. (Org.). Geografia do 
Brasil. São Paulo: Edusp, 1996. 
SOUZA, M. L. de. ABC do desenvolvimento urbano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.
VESENTINI, J. W. A capital da geopolítica. São Paulo: Ática, 1986.
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Anotações

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