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M a r i a L u z i a F e r n a n d e s – C a r d i o p e d – A n a K a r i n a – P á g i n a | 1 INTRODUÇÃO I Esporádicas e de etiologia multifatorial: o 10% síndromes clínicas. o 5-8% anormalidades cromossômicas. o 3-5% defeitos gênicos isolados. o 2-3% fatores ambientais. I Recorrência: o 1-6% em irmãos. o Mães > Pais → acometidos por cardiopatia congênita. o Risco dobrado quando o casal é afetado e tem parentesco de primeiro grau. PRINCIPAIS SÍNDROMES QUE MAIS FREQUENTEMENTE APRESENAM ASSOCIAÇÃO COM CARDIOPATIA CONGÊNITA SÍNDROME DE HOLT-ORAM (SÍNDROME DA MÃO- CORAÇÃO) I A síndrome de Holt-Oram, uma doença cardíaca familiar associada a mal formações esqueléticas, conta entre os achados mais importantes a comunicação interatrial, distúrbios da condução atrioventricular, hipoplasia vascular e mal formações músculo- esqueléticas dos membros superiores. I Hipoplasia dos MMSS e comprometimento dos ombros ou até mesmo agenesia de rádio (malformação da extremidade das mãos, especialmente dos polegares). I Comunicação interatrial (CIA) (Comunicação interventricular → CIV, arritmias). I Caráter autossômico dominantes com expressão clínica variável. I Bom prognóstico. SÍNDROME DE WILLIAMS I Fáceis de gnomo ou duende. Encurtamento da fissura palpebral, pregas epicânticas (prega de pele que se estende da raiz do nariz até a extremidade interna das sobrancelhas), aumento do volume periorbital, distância nasolabial aumentada, lábios inferiores protuberantes. Baixa estatura, unhas e dentes hipoplásicos. Comprometimento intelectual moderado, personalidade amigável. I Estas crianças normalmente têm problemas de coordenação e equilíbrio, apresentando um atraso psicomotor. I Hipercalcemia e hipercalciúria → nefrocalcinose. I CARDIOPATIAS CONGÊNITAS: Estenose aórtica supravalvar, estenose de ramos pulmonares, anomalias da valva pulmonar e CIV. Síndromes Genéticas e Cardiopatias Congênitas – Aula 03 M a r i a L u z i a F e r n a n d e s – C a r d i o p e d – A n a K a r i n a – P á g i n a | 2 SÍNDROME DE NOONAN – TURNERS MASCULINOS I FENÓTIPO TURNER-LIKE: Baixa estatura, epicanto, telecanto, hipertelorismo, implantação baixa do cabelo com pescoço curto e alado, tórax largo, displasia auricular. I 25% atraso do desenvolvimento neuropsicomotor. I Habitualmente esporádica, havendo descrições de herança autossômica dominantes. I CARDIOPATIAS CONGÊNITAS: Estenose pulmonar supra-alvar, estenose de ramos pulmonares, estenose subpulmonar, defeitos septais. SÍNDROME DE MARFAN I Desordem do tecido conjuntivo (1:10.000). I Defeito na fibrina, característica autossômica dominante. I Fenótipo longilíneo, aracnodactilia, pectus excavatum, escolioses (60%), frouxidão ligamentar, pés planos, ectopia de cristalino, deslocamento de retina. I CARDIOPATIAS CONGÊNITAS: PVM, insuficiência aórtica, dilatação da aorta, aneurisma da aorta (degeneração da túnica média), coarctação de aorta. I Cardiopatias respondem por 90% dos óbitos desta população. SÍNDROME DE GOLDENHAR (ÓCULO-AURÍCULO VERTEBRAL) I Assimetria e hipoplasia facial, hipoplasia de pavilhão auricular e ouvido médio, acuidade auditiva reduzida, apêndices ou fístulas pré-auriculares, assimetria mandibular. Fusões de vértebras ou hipoplasia dos corpos vertebrais, cistos epibulbares. I Habitualmente esporádica, no entanto há descrições de herança autossômica dominantes com recorrência de até 50%. I CARDIOPATIAS CONGÊNITAS: CIV, PCA, T4F, CoAo. SÍNDROME DE CORNÉLIA DE LANGE I 1:20.000. I RCIU, microcefalia com comprometimento intelectual variável, anomalias das extremidades (dismorfologias dos dedos), cílios longos, sobrancelhas espessas que se fundem na região glabela, “boca de carpa” (filtro longo com lábios superiores finos com inclinação das fissuras labiais para baixo), Hipertricose generalizada. I 29%: CIV. I Herança autossômica dominante (em algumas famílias). M a r i a L u z i a F e r n a n d e s – C a r d i o p e d – A n a K a r i n a – P á g i n a | 3 SÍNDROME ELLIS-VAN CREVELD I Displasia condrodérmica. I Baixa estatura, encurtamento proximal dos ossos longos, polidactilia pós axial, hipoplasia importantes das unhas. I 50%: CIA. I DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: Nanismo (não apresenta polidactilia). ASSOCIAÇÃO VATER I Anomalias vertebrais, atresia anal, fístula trqueoesofágica, hipoplasia do eixo radial, anomalia renal. I Caráter poligênico. I 50-55%: CIV, DSAV → Defeito do septo átrio- ventricular. SEQUÊNCIA DIGEORGE/SÍNDROME VELOCARDIOFACIAL I Desordens imunológicas (aplasia ou hipoplasia do timo), linfopenia (células T). Implantação baixa dos pavilhões auriculares, hipoplasia de maxilas, hipertelorismo, hipoparatireoidismo (hipocalcemia com 48h de vida). I 1:4000. I 90%: Deleção ou translocação do segmento 22q11.2. I FREQUENTE: TAC, DATVP, T4F, arco aórtico à direita. I Prognóstico dependente da extensão das anormalidades presentes. ANOMALIAS CROMOSSÔMICAS E CARDIOPATIAS CONGÊNITAS TRISSOMIA DO 18 (SÍNDROME DE EDWARDS) I 1:3000. I MORTALIDADE: 90-96% (um ano). I Dolicocefalia, retrognatia, displasia auricular, problemas gastrointestinais (atresia anal, atresia vias biliares). I Sobreposição dos dedos das mãos e pés; calcâneo proeminente e hálux em “gatilho” ou “martelo” (pé em mata-borrão). I CARDIOPATIAS CONGÊNITAS: DSAV, comprometimento valvares, CIA, CIV. TRISSOMIA DO 13 (SÍNDROME DE PATAU) I 1:5000 a 8000. I Elevadíssima mortalidade. → Nunca vi nenhum ficar vivo. I Microcefalia, enoftalmia ou anoftalmia, polidactilia, fissura lábio-palatina bilateral completa, rins policísticos, malformações severas do tubo digestivo. M a r i a L u z i a F e r n a n d e s – C a r d i o p e d – A n a K a r i n a – P á g i n a | 4 I CARDIOPATIAS CONGÊNITAS: DATVP, estenoses ou atresias valvares (VM e Vao). Em meninos pode haver ausência de testículos. SÍNDROMES DE EDWARDS E PATAU SÃO SÍNDROMES QUE NECESSITAM DE CUIDADOS PALIATIVOS. TRISSOMIA DO 21 (SÍNDROME DE DOWN) I 1:700. I Olhos oblíquos, rosto arredondado, baixa estatura, desenvolvimento físico e intelectual mais lento, hipotonia muscular, linha única na mão, nariz pequeno e achatado. I CARDIOPATIAS CONGÊNITAS: DSAV, DSAV + T4F, CIV. MONOSSOMIA DO X (SÍNDROME DE TURNER) I Sexo feminino (45, X0). I Linfedema, baixa estatura, pescoço alado, cúbito valgo, hipertelorismo mamilar, hipogenitalismo com infantilismo puberal (amenorreia primária → infertilidade). I 20-45%: CoAo. CARDIOMIOPATIAS I CARDIOMIOPATIA HIPERTROFICA: 1:30000 (60% autossômico dominante). Crianças com essa cardiomiopatia OBRIGAORIAMENTE a gente faz a investigação direta (pais e irmãos → prevenção de morte súbita). I CARDIOMIOPATIA DILATADA: 2% história familiar positiva, com herança autossômica recessiva. I CARDIOMIOPATIA RESTRITIVA: Relação com doenças de acumulo (amiloidose, hemocromatose, doença de Fabry mucopolissacaridoses). DEFEITOS NA CONDUÇÃO BAVT CONGÊNITO I 25-33%: Associação com cardiopatias congênitas. I Herança autossômica recessiva. I Doença vascular do colágeno materno. I Mucopolissacaridoses (progressiva – tipo Hurler/Hunter). WOLF PARKINSON WHITE I 3-4%: História familiar. I Autossômico dominante. ANOMALIA DE UHL I Taquicardia ventricular recorrente: BRE; substituição do miocárdio ventricular direito por tecido fibroso e gorduroso. SÍNDROME LEOPARD I Autossômica dominante. I PR prolongado, QRS alargado, BAVT. M a r i a L u z i a F e r n a n d e s – C a r d i o p e d – A n a K a r i n a – P á g i n a | 5 I Estenose subpulmonar, cardiomiopatia hipertrófica. I Máculas de pigmentação escura, telecanto, comprometimento pôndero-estatural, hipoacusia neurossensorial.