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Leonardo Dutra Rubim Curso de Farmácia na Universidade Estadual de Londrina – UEL Leonardo.dutra@uel.br V. 2 mailto:Leonardo.dutra@uel.br 2 TORTORA, Gerard J.; NILSEN, Mark T. Princípios da anatomia humana. 12ª. ed. [S. l.: s. n.], 2013. 3 Bile ❑ Sintetizada pelos hepatócitos → canalículos biliares e ductos hepáticos/císticos → vesícula biliar ❑ Entra no intestino via ducto biliar comum/colédoco ❑ Hepatocrinina ➢ Hormônio responsável pela secreção da bile do fígado ❑ Colecistocinina (CCK) ➢ Hormônio peptídico liberado no sangue quando os aminoácidos da dieta chegam ao duodeno ➢ Age sobre a vesícula biliar contraindo e esvaziando-a Bile hepática (% da bile total) Bile vesicular (% da bile total) Água 97 85,92 Sólidos 2,52 14,08 Ácidos biliares 1,93 9,12 Mucina e pigmentos 0,53 2,98 Colesterol 0,06 0,26 Ácidos graxos esterificados e não esterificados 0,14 0,32 Sais inorgânicos 0,84 0,65 pH 7,1 – 7,3 6,9 – 7,7 + concentrada 4 Ácidos biliares ❑ Formados a partir do colesterol ❑ Sintetizado no fígado ❑ Algumas modificações ocorrem na estrutura do colesterol pela ação da 7α-hidroxilase (etapa limitante de velocidade) e de outras etapas ❑ A produção dos ácidos biliares primários gera propionil-CoA ❑ Ácidos biliares primários ➢ Colil-CoA (mais abundante) ➢ Quenodesoxicolil-CoA Colil-CoA Quenodesoxicolil-CoA Hidroxilação no C7 Hidroxilação no C7 Redução no C5 e C6 Redução no C5 e C6 Remoção dos C25, C26 e C27 Remoção dos C25, C26 e C27 Hidroxilação no C12 MURRAY, Robert K. et al. Bioquímica ilustrada de harper. 29ª. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 5 Ácidos biliares ❑ Ácidos biliares precisam ser conjugados para se tornarem solúveis no pH do intestino, ajudando na função de absorção de lipídios e vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) ❑ A conjugação ocorre com taurina e glicina ➢ Colil-CoA + taurina → Ácido taurocólico ➢ Colil-CoA + glicina → Ácido glicocólico ➢ Quenodesoxicolil-CoA + taurina → Ácido tauroquenodesoxicolico ➢ Quenodesoxicolil-CoA + glicina → Ácido glicoquenodesoxicólico ❑ No intestino, ocorre a formação de ácidos biliares secundários, por ação de 7α- desidroxilase, catalisada por bactérias intestinais: ➢ Colil-CoA Ácido → desoxicólico ➢ Quenodesoxicolil-CoA Ácido → litocólico ❑ Na bile alcalina (pH de 7,6 a 8,4), presume- se que os ácidos biliares e seus conjugados estejam na forma de sais – daí o termo “sais biliares” ❑ 90% a 95% dos sais biliares secretados no intestino retornam ao fígado por meio da circulação porta ❑ A absorção dos sais conjugados ou não acontece no íleo ❑ A pequena fração que não é reabsorvida é excretada nas fezes (perda necessária para a eliminação do colesterol) ❑ Acontece a recirculação de 6 a 10 vezes ❑ A porção secretada é proporcional a reposição sintetizada no fígado ❑ Uma via de retroalimentação estimula ou inibe a enzima 7α-hidroxilase, que é a limitante da síntese, pela concentração de sais biliares na veia porta ➢ [Aumento] → bloqueio da síntese ➢ [Diminuição] → indução da síntese 6 Visão geral do colesterol MURRAY, Robert K. et al. Bioquímica ilustrada de harper. 29ª. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 7 Síntese da bilirrubina ❑ A bilirrubina é um pigmento biliar ❑ Forma-se a partir da degradação da porção porfirina das heme-proteínas (hemoglobina, mioglobina, citocromos, catalases, etc. ❑ 85% da bilirrubina formada provém das hemácias (15% mioglobina e outras) ❑ As hemácias são fagocitadas após 100 a 120 dias pelas células do sistema retículo- endotelial (macrófagos), no baço, fígado e medula-óssea ➢ Globina → porção proteica (reutilizada em forma de aminoácidos) ➢ Ferro (Fe) → reaproveitado ➢ Hemo → grupamento prostético ❑ A conversão do grupo heme em bilirrubina passa por processos de redução e oxidação, sendo o sistema enzimático complexo chamado de heme-oxigenase, responsável pelo processo. ❑ Antes da forma final em bilirrubina, há a passagem pela biliverdina que é convertida em bilirrubina pela ação da biliverdina- redutase MURRAY, Robert K. et al. Bioquímica ilustrada de harper. 29ª. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 8 MURRAY, Robert K. et al. Bioquímica ilustrada de harper. 29ª. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. ❑ A bilirrubina precisa ser transportada no plasma, da medula ou baço até o fígado, carregado pela albumina 1º processo: captação pelas células parênquimais do fígado por sistema de transporte facilitado. A albumina impede que a bilirrubina volte para o sangue 2º processo: conjugação no reticulo endoplasmático liso (REL) 3º processo: secreção da bilirrubina conjugada na bile Síntese da bilirrubina 9 ❑ Após a captação as proteínas ligandina e proteína Y ajudam a manter a bilirrubina solubilizada até a hora da conjugação ❑ O processo de conjugação torna a bilirrubina polar, impedindo que ela permaneça no citosol ligada a lipídeos, por exemplo ❑ A conjugação é catalisada pela UDP- glicuronosiltransferase ❑ A bilirrubina é conjugada ao UDP-Ácido glicurônico (UDP-glicose + NAD+ → UDP-Ácido glicurônico (ação da UDP-glicose- desidrogenase)) formando um intermediário monoglicuronídeo de bilirrubina + UDP ❑ O monoglicuronídeo de bilirrubina sofre a ação da UDP-glicuronosiltransferase novamente, formando diglicuronídeo + UDP ❑ Após a conjugação, a bilirrubina conjugada é secretada, seguindo o caminho Polos capilares hepáticos → (transporte ativo (MRP-2)) canalículos biliares → ducto cístico e hepático → vesícula biliar → ducto biliar comum → intestino MURRAY, Robert K. et al. Bioquímica ilustrada de harper. 29ª. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. Síntese da bilirrubina 10 MURRAY, Robert K. et al. Bioquímica ilustrada de harper. 29ª. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. MURRAY, Robert K. et al. Bioquímica ilustrada de harper. 29ª. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. Síntese da bilirrubina 11 Metabolismo da bilirrubina ❑ Assim que a bilirrubina diglicuronídeo chega na porção final do íleo e do intestino grosso, as B-glicuronidases (de bactérias) retiram os 2 ácidos glicurônicos da estrutura ❑ A bilirrubina desconjugada passa por uma série de reduções formando urobilinogênio(grupo de compostos tetrapirrólicos incolores) ➢ Urobilinogênio → estercobilinogênio (250mg/24h) → oxidação → estercobilina (coloração alaranjada nas fezes ➢ Urobilinogênio (pequena parte) → absorção pela veia porta → circulação êntero-hepática (fígado) ➢ Urobilinogênio (pequena parte) → absorção pela veia porta → urobilinogênio urinário (1 a 2mg/24h) → oxidação → urobilina (cor alaranjada na urina) A bilirrubina é fotossensível BAYNES, John W. Bioquímica médica. 3ª. ed. Rio de Janeiro: [s. n.], 2010. 12 Importância clínica da bilirrubina Direta Indireta Conjugação Sim (ácido glucurônico) Não Presença na urina (colúria) Sim Não* Transportador Não Albumina Polaridade Polar Apolar Solubilidade Sim Não Afinidade pelo tecido cerebral Baixa Elevada Valores de ref** 0,8 mg/dL 0,4 mg/dL * A bilirrubina indireta é encontrada no plasma carregada pela albumina, por seu caráter hidrofóbico. Os rins não conseguem filtrar a bilirrubina por ela estar ligada a albumina ** valores de referência de malloy Evely ❑ Bilirrubina total (direta+indireta) = 1,2 mg/dL no sangue ❑ Hiperbilirrubinemia → aumento da bilirrubina no sangue (> 2,0 mg/dL) → ICTERÍCIA Tipo Causa Exemplo clínico Frquência Pré-hepática hemólise Autoimune Incomum Hemoglobina anormal Depende da região Intra-hepática Infecção Hepatites A, B e C Comum/Muito comum Química/droga Acetaminofeno Comum Álcool Comum Erros genéticos Síndrome de Gilbert 1 em 20 Bilirrubina Síndrome de Crigler-Najjar Muito raro Metabolismo Síndrome de Dubin-Johnson Muito raro Síndrome de Rotor Muito raro Erros genéticos Doença de Wilson 1 em 200.000 Proteínas específicas Alfa 1 antiripsina 1 em 1000 com genótipo Autoimune Hepatite ativa crônica Incomum/rara Neonatal Fisiológica Muito comum Pós-hepática Ductosbiliares intra- hepáticos Drogas cirrose biliar primária Comum/incomum colagite Comum Ductos biliares extra- hepáticos Cálculos vesiculares/tumor pancreático Muito comum/incomum Colangiocarcinoma Raro BAYNES, John W. Bioquímica médica. 3ª. ed. Rio de Janeiro: [s. n.], 2010. 13 Tipos de icterícia ❑ Produção de bilirrubina incompatível com a capacidade de conjugação e secreção no fígado ❑ Fígado está em estado normal ❑ Acontece o aumento da bilirrubina quando há maior degradação de hemácias (hemólise intensa) → causas: malária, incompatibilidade fetal do rH (D), hemoglobinopatias, anemia hemolítica (doença autoimune), anemia falciforme (hemácia em formato de foice) ❑ Aumento da bilirrubina indireta no sangue (ligada a albumina) ❑ Aumento da produção de urobilinogênio no fígado (máxima capacidade de produção) → cor alaranjada na urina e nas fezes (urobilina e estercobilina) ❑ Icterícia Acolúrica BAYNES, John W. Bioquímica médica. 3ª. ed. Rio de Janeiro: [s. n.], 2010. 14 Tipos de icterícia ❑ Causada por lesão no fígado → causas: vírus (hepatites), lesão no parênquima hepático por intoxicação metabólica ❑ Refluxo de bilirrubina direta pelo aumento na permeabilidade dos canalículos biliares e/ou presença de células necróticas ❑ Icterícia colúrica ❑ A absorção de urobilinogênio hepático pelo intestino (veia porta) é direcionada somente para a urina, entao todo (o pouco) urobilinogênio absorvido é oxidado em urobilina, por causa da incapacidade do fígado lesionado em fazer a circulação êntero- hepática BAYNES, John W. Bioquímica médica. 3ª. ed. Rio de Janeiro: [s. n.], 2010. 15 Tipos de icterícia ❑ Obstrução parcial ou total dos canais biliares ❑ Produção normal de bilirrubina ❑ Causada por coágulos sanguíneos, cálculos biliares, parasitas (Schistosoma mansoni), tumor nos canais ou processos inflamatórios ❑ A bilirrubina direta não vai para o intestino e sofre um refluxo para o sangue ❑ Aparece na urina pela característica polar da bilirrubina direta (conjugada) → icterícia colúrica ❑ Urina escura pela alta concentração de bilirrubina conjugada ❑ Diminuição na produção de urobilinogênio, logo, diminuição da produção de urobilina e estercobilina BAYNES, John W. Bioquímica médica. 3ª. ed. Rio de Janeiro: [s. n.], 2010. 14 Tipos de icterícia Pré-hepática Intra-hepática Pós-hepática Causa Aumento na produção de bilirrubina Lesão no fígado Obstrução nos canais biliares Produção de bilirrubina Aumentada Normal Normal Condição do fígado Normal Deficiente Normal Bilirrubina indireta Aumento no sangue Normal Normal Bilirrubina direta Aumento na bile (máxima capacidade do fígado de conjugação) Diminuída Aumento no sangue Hemólise Intensa Normal Normal Urobilinogênio hepático Aumento “normal” Redução Urobilina Aumento Pode aparecer alto (absorção) Redução Estercobilina Aumento Redução Redução Colúrica Não Sim Sim Coloração da urina Alaranjada Pode ser alaranjada Escura (alta na concentração de bilirrubina direta) Coloração das fezes Alaranjada Esbranquiçada Esbranquiçada Fonte: juro por Deus. Confia em mim (ou não pq não tenho crtz)