Logo Passei Direto
Buscar

religiao_no_brasil_e_etica_unc

Livro sobre religiões no Brasil e ética que apresenta panorama das maiores religiões, movimentos religiosos no país (religiões africanas e afro‑brasileiras, espiritismo), estudo do Cristianismo e da Reforma Luterana e capítulos sobre ética religiosa e ética social.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

RELIGIÃO NO 
BRASIL E ÉTICA
RELIGIÃO NO 
BRASIL E ÉTICA
R
E
L
IG
IÃ
O
 N
O
 B
R
A
S
IL
 E
 É
T
IC
A
DOUGLAS MOACIR FLOR
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-3752-0
Capa religiao_no_brasil_e_etica.indd 1 20/12/2013 17:13:39
IESDE BRASIL S/A.
Curitiba
2014
Douglas Moacir Flor
Religião no Brasil e Ética
© 2007 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do detentor 
dos direitos autorais.
Capa: IESDE BRASIL S/A.
Imagem da capa: IESDE BRASIL S/A.
IESDE BRASIL S/A.
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
Todos os direitos reservados.
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
________________________________________________________________________________
F649r
 Flor, Douglas Moacir
 Religião no Brasil e ética / Douglas Moacir Flor. - 1. ed. - Curitiba, PR : IESDE 
Brasil, 2014. 
102 p. : il. ; 28 cm. 
 ISBN 978-85-387-3752-0
 1. Brasil - Religião. I. Título.
13-07930 CDD: 200.981
 CDU: 2(81)
________________________________________________________________________________
12/12/2013 13/12/2013 
Movimentos religiosos no Brasil | 7
Nova espiritualidade | 7
Como se caracterizam os movimentos religiosos | 8
Religiões africanas | 9
Religiões afro-brasileiras | 10
Espiritismo | 13
O Cristianismo I | 17
Conhecer Jesus é fundamental | 17
O amor ágape | 18
A história | 19
Jesus – o mestre | 19
O Cristianismo II | 25
A Bíblia – livro sagrado do Cristianismo | 25
A Reforma do século XVI | 35
Introdução | 35
Lutero | 36
A Reforma Luterana – pensamento | 41
A base de Lutero | 41
Pensamento de Lutero | 42
A Igreja tenta silenciar Lutero | 42
A excomunhão de Lutero | 43
A bula papal | 45
Declarado herege | 46
O exílio | 46
A volta | 47
O casamento de Lutero | 47
A morte de Lutero | 47
A paz de Augsburgo | 48
A Igreja Luterana e a Educação | 51
Lutero e a Educação | 51
O Luteranismo pós-reforma | 54
A Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) | 55
Questões fundamentais de Ética | 65
Questões básicas | 65
Ética Social e Ética Religiosa | 67
Princípios de Ética | 71
Algumas questões | 71
Ética – algumas reflexões de ordem geral | 72
Ética e Moral | 72
Consciência | 75
O direito positivo e o senso de justiça | 75
Responsabilidade | 76
O livre-arbítrio | 76
Ética – uma perspectiva cristã | 83
Ética – uma abordagem Religiosa e distinção da Social | 83
Ética – uma perspectiva religiosa cristã | 84
Ética Religiosa cristã e Moral Religiosa – os Dez Mandamentos | 86
Ética Social cristã | 87
Ética – assuntos práticos | 91
A ordem da vida: a Ética nas questões da vida | 91
A Ética da corporeidade | 94
A ordem familiar: a Ética na família | 95
A ordem de justiça: a Ética nas questões legais | 97
A ordem civil: a Ética na política | 98
Apresentação
Estamos iniciando uma caminhada. Há mais de 15 anos trabalho com a disciplina de Cultura 
Religiosa. O começo sempre é difícil. Existe uma resistência natural do aluno em estudar os 
conteúdos. O preconceito fica claro quando se define a disciplina como aula de religião. Outros 
ainda pensam em catequese. Mas não será este o nosso objetivo. Apenas quero caminhar com 
vocês no sentido de construir uma reflexão madura sobre a vivência e o comportamento religioso 
das pessoas e a influência que exercem sobre a vida de cada um de nós.
Ao final de cada semestre, fico surpreso com a reação dos alunos. A maioria considera a disciplina 
muito interessante. É claro que alguns resistentes ficam indiferentes, pois não tiveram a coragem 
de abrir o coração e aceitar conceitos essenciais para se viver uma boa vida.
Trabalho em uma Universidade Confessional, isso significa que a mesma está ligada a uma 
Instituição Religiosa. Mas nem por isso queremos impor o que pensamos. Vamos apenas 
debater. Se puder ajudá-los com essa reflexão, com certeza o farei. 
Você irá encontrar neste livro um panorama das maiores religiões do mundo. Notará a 
pluralidade religiosa e terá uma ideia da riqueza de pensamento e valores das religiões 
estudadas. Também iremos estudar mais detalhadamente o Cristianismo e a Reforma 
Luterana, pois são movimentos que influenciaram diretamente na existência da 
Universidade Luterana do Brasil. Por fim, estudaremos Ética. Particularmente, a ética cristã 
e os valores que ela pode acrescentar na vida de cada um de nós.
Nesta caminhada, muitos dos textos têm a participação de professores de Cultura Religiosa 
que nesses 15 anos estão ao meu lado. Citamos aqui Ronaldo Steffen, Jonas Dietrich, Valter 
Kuchenbecker, Egon Seibert, Ricardo Rieth, Valter Steyer, Thomas Heimann, Nereu Haag e Bruno 
Muller. Além desses, não podemos deixar de citar o Capelão Geral da Universidade Luterana do 
Brasil, pastor Gerhard Grasel, e o Diretor do curso de Teologia da Ulbra, pastor Leopoldo Heimann. 
São pessoas que têm ajudado não somente a construir esta trajetória em Cultura Religiosa, como 
têm colaborado com o aprofundamento da reflexão e ajudado muitas pessoas.
Douglas Moacir Flor
 Resumo
Encontramos milhares de religiões no mundo todo. Cada uma das gran-
des religiões proporcionou material para a formação de novos movi-
mentos religiosos que vêm crescendo a cada ano. Vamos analisar neste 
texto como esses movimentos se formam e ainda algumas religiões pre-
sentes no Brasil.
Movimentos 
religiosos no Brasil
Nova espiritualidade
Com a evolução tecnológica e científica do último século e com explicações não religiosas para 
o curso dos eventos, pode-se pensar que o homem tenha deixado a religião de lado e buscado novas 
alternativas para a sua vida. É bom lembrar que estamos num processo de secularização. Com isso, no-
tamos que também os conceitos éticos ensinados pelas religiões não afetam mais as questões sociais. 
Mas será que as religiões estão mesmo perdendo a força?
Talvez isso esteja acontecendo com as religiões tradicionais. Mas a cada ano novas seitas e novos 
movimentos vêm surgindo, e, como no Brasil há liberdade de culto religioso, nada impede que se inven-
te uma nova religião a cada dia. Por outro lado, os problemas sociais e as necessidades do ser humano 
fazem com que ele ainda recorra à religião.
Hoje, as igrejas cristãs têm de lutar não só contra a discriminação, mas também contra uma 
série de diferentes tendências religiosas, entre elas algo que pode ser chamado de esoterismo (GA-
ARDER, 1989, p. 253).
8 | Movimentos religiosos no Brasil
É verdade também que as pessoas preferem falar sobre nova “espiritualidade”. É a palavra da 
moda, fugindo especialmente das igrejas tradicionais. Gaarder (1989, p. 254), falando sobre isso, explica 
que o conceito de nova espiritualidade é muito abrangente, pois compreende:
novas campanhas missionárias de religiões antigas como o Hinduísmo e o Budismo;::::
novas seitas cristãs;::::
novas seitas religiosas não cristãs, que adotam ideias de uma ou de mais de uma das principais ::::
religiões do mundo;
antigas noções esotéricas;::::
novo “conhecimento”, que com frequência é uma mistura de ciência moderna com antigos ::::
conceitos religiosos. 
Como se caracterizam os movimentos religiosos 
Cada movimento religioso tem a sua característica. Cada um busca modificar o seu ritual, adap-
tando-o ao gosto dos seus fiéis e também atendendo às suas necessidades. Mas encontramos em al-
guns autores características que nos ajudam a analisar estes movimentos.
Normalmente, foram fundados por alguém com forte personalidade, que teve uma revelação da 
divindade e se sente chamado a liderar uma igreja. Pode ser uma “figura messiânica” a quem as pessoas 
recorrem em épocas de crises espiritual, cultural ou política. Mas também pode ser, como em vários 
movimentos, inspirados pelo Hinduísmo, um “guru” (mestre religioso) que exige a completa obediência 
e devoção de seus discípulos. Oguru em si não é necessariamente divino, mas representa o divino e, 
portanto, pode receber oferendas de seus seguidores (GAARDER, 1993, p. 256).
Outras características comuns aos novos movimentos religiosos é que eles sempre se dizem uni-
versais e aplicáveis para todos. Aparecem como a solução de todos os problemas e oferecem uma vida 
próspera aos seus fiéis. Ao mesmo tempo, é muito comum que sejam usados os nomes de grandes líde-
res religiosos para aprofundar ou melhorar a sua propaganda. Assim usam, sem nenhum medo, o nome 
de Jesus, Moisés, Maomé e Buda e os tomam como precursores. Normalmente, os novos movimentos 
não repudiam as outras religiões, mas as consideram antiquadas.
Normalmente, eles exageram na busca pela experiência interior do indivíduo e ignoram os dog-
mas e as leis das religiões tradicionais. “A experiência interior, segundo eles, propicia uma liberdade 
total, que promove a tranquilidade, a harmonia e a felicidade.” (GAARDER, 1993, p. 256). O problema está 
no fato de que o indivíduo pode encontrar a si mesmo, muitas vezes sem a necessidade da presença 
de Deus, contrariando assim a maioria das religiões. Portanto, sempre lembrem-se de que precisamos 
buscar o equilíbrio nas práticas religiosas e não chegar ao fanatismo religioso.
9|Movimentos religiosos no Brasil
Religiões africanas 
O tráfico de escravos 
A colonização do Novo Mundo, a partir do século XVI, mudou para sempre a história da África. 
Vulneráveis, entre outros motivos devido a uma sucessão de lutas tribais, os negros africanos tornaram-
se presas fáceis dos exploradores do tráfico de escravos. Conquistadores da França, da Inglaterra, da 
Holanda e de Portugal disputavam essa mão de obra, importante para o aproveitamento das riquezas 
naturais e para o cultivo de terras na América.
Inicialmente, os negros eram capturados pelos muçulmanos que os trocavam com os portugue-
ses por prisioneiros de conquistas marítimas. Aos poucos, o tráfico de escravos organizou-se e deixou 
de ser ilegal, contando com o apoio e a proteção de todos os governos. O comércio de negros só ter-
minaria com a Revolução Industrial na Europa, que deu origem a um novo modelo econômico.
A captura de negros 
Vemos também que os mouros eram os intermediários entre os portugueses e os grandes fornecedo-
res de escravos. Todavia, com o decorrer do tempo, as negociações passaram a ser feitas diretamente com 
os régulos (chefes tribais) nas aldeias. Os negros eram quase sempre caçados pelos próprios mercadores, 
mediante o pagamento de um tributo aos régulos. Eles eram arrastados até o litoral e embarcados em navios 
negreiros. Antes de cruzarem os mares em direção aos novos domínios, eram marcados com ferro em brasa 
no ombro, no peito ou na coxa. Muitos não sobrevivam à viagem devido às péssimas condições da traves-
sia. Calcula-se que de 3 a 5 milhões de africanos tenham morrido confinados em cubículos nos portos, nos 
porões dos navios e nas guerras tribais ocasionadas pelo comércio escravagista. O tráfico negreiro durou 
três séculos. Nesse período, cerca de 10 a 15 milhões de africanos chegaram à América. Estima-se que de 
500 a 7 mil deles foram levados para a América do Norte. Os demais foram trazidos para as Américas do Sul 
e Central.
A origem dos escravos
O trecho da costa africana localizado entre Cabo Verde (Senegal) e Luanda (Angola) tornou-se 
uma reserva de escravos para as plantações do Novo Mundo. Dos cerca de um milhão de africanos 
aprisionados pelos portugueses no início do século XVII, mais da metade era de Angola, do Congo e 
de Benin. Os demais escravos foram capturados na Costa do Ouro (Gana) e da Senegâmbia (entre o rio 
Senegal e as ilhas Sherbo, em Serra Leoa).
10 | Movimentos religiosos no Brasil
A história mostra que no ano de 1640, quando se libertou da dominação espanhola, a monarquia 
portuguesa conservava apenas algumas possessões africanas e o Brasil. As colônias africanas passaram 
a ser meras fornecedoras de escravos para as plantações brasileiras de cana-de-açúcar, que representa-
vam, naquela época, a mais importante fonte de divisas para Portugal.
Chegada ao Brasil
Os portugueses tinham autorização para escravizar índios. Mesmo sendo um fato negativo, mui-
tos o fizeram. Mas, como o tráfico de negros mostrou-se altamente lucrativo, eles deram preferência à 
escravização de africanos. O lucro chegava a 600%. Todos ganhavam: a burguesia europeia, que mon-
tou entrepostos de escravos na costa africana; a Coroa Portuguesa, que cobrava altos impostos dos 
senhores de engenho, não só pela importação de escravos, como também pela exportação do açúcar 
produzido pela mão de obra negra; e os próprios colonizadores, que tinham à disposição trabalhadores 
escravos, que podiam ser negociados como mercadoria.
Os primeiros escravos chegaram ao Brasil em 1549. Dez anos depois, cada senhor de engenho 
recebeu um Alvará Real com permissão para adquirir 120 negros, pagando um terço de seu valor como 
imposto de importação. Os escravos vinham de Angola, de Moçambique, da Costa do Marfim, de Serra 
Leoa, de Gâmbia, da Nigéria, da Libéria, do Congo, de Cabinda e de Bissau. Entre eles havia integrantes 
de culturas diversas e milenares como nagôs, jejes, minas, mandingas, hauçás, fulas, benguelas, tapas e 
angicos. Estima-se que no século XVI tenham chegado ao país cerca de 100 mil escravos negros – núme-
ro superior ao de brancos que viviam aqui naquela época. Até o fim do tráfico negreiro para o Brasil, em 
1850, calcula-se que entre 4 e 5 milhões de escravos chegaram ao país, onde o regime de escravatura 
só foi abolido em 1888.
Religiões afro-brasileiras
Apesar de lamentarmos profundamente o tráfico de escravos, foi por meio dele que recebemos no 
país uma riqueza enorme de cultura. A fusão de crenças e costumes africanos, católicos e indígenas deu 
origem a uma nova cultura religiosa, representada principalmente pela Umbanda e pelo Candomblé. 
Na época da escravidão, os cultos africanos foram condenados e perseguidos pela Igreja Católica. 
As práticas, quase sempre clandestinas, e a natureza secreta de alguns rituais deixaram poucos registros 
dos costumes religiosos dos negros africanos no Brasil. A documentação sobre esses rituais, produzida 
por autoridades, desqualificou e reduziu a religiosidade negra à mera feitiçaria. Ainda hoje, quando o 
número de praticantes e simpatizantes chega a 70 milhões de pessoas, segundo a Federação Nacional 
de Tradição e Cultura Afro-brasileira, os cultos afro-brasileiros enfrentam preconceitos, críticas e ataques 
de alguns segmentos da sociedade.
O Candomblé
Essa é a religião afro-brasileira mais influente no país. A base de sua prática é a reverência e o culto 
aos orixás. Olorum é considerado o ser supremo, o princípio das coisas. Os orixás, emanações de Olorum, 
11|Movimentos religiosos no Brasil
originaram-se dos ancestrais dos clãs africanos, divinizados há mais de 5 mil anos. Embora sejam asso-
ciados aos santos cristãos, possuem características humanas como a vaidade, a raiva, a força e o ciúme.
As diferentes origens dos escravos explicam a multiplicidade de manifestações do Candomblé 
pelo território brasileiro. Em cada canto do país, pratica-se um tipo de culto, mas preserva-se certa uni-
dade em torno da liturgia e das crenças originais, trazidas pelos africanos.
Rituais e pedidos
Os cultos do Candomblé são realizados no terreiro, também denominados “roça” ou “casa de san-
to”, usado simultaneamente como templo e moradia. Durante os rituais, o terreiro é decorado de acordo 
com as cores do orixá cultuado, os participantes entoam cantos de louvor e fazem diversas oferendas 
a essa divindade. Algumas cerimônias, especialmente quando há oferenda de animais sacrificados, são 
restritas aos iniciados.
Tanto os devotos de orixás como os simpatizantes do Candomblé recorrem aos terreiros em bus-
ca de proteção, de saúde, de prosperidade, de paz e de ajuda para a resolução de problemas existen-
ciais, como o desemprego e as desilusões amorosas.Muitas pessoas procuram os terreiros para enviar 
ou desfazer um “trabalho de demanda” (magia para prejudicar).
No Candomblé, a consulta aos orixás é feita principalmente por meio da leitura de jogos divina-
tórios, como os búzios. A resolução do problema apresentado exige a utilização de ebós, oferendas, 
orações e rituais africanos, de acordo com a complexidade de cada caso.
Os terreiros
Nessa espécie de templo, o dia a dia dos mortais mistura-se com os rituais dos orixás. Em muitos 
casos, a divisão dos espaços de um terreiro lembra os egbes – antigas habitações coletivas dos clãs dos 
povos de língua iorubá. Nos quartos-de-santo ficam os pejis (altares) e os assentamentos (as represen-
tações com objetos e símbolos dos orixás). O espaço do santuário, no qual se fixa o axé, a força do so-
brenatural, é extremamente sagrado. Alguns orixás possuem quartos dentro da casa, enquanto outros, 
apenas na área externa. As festas que reúnem os fiéis e as divindades do Candomblé são promovidas 
no barracão.
Orixás e sincretismo no Candomblé 
Essas divindades estão ligadas à força da natureza e possuem um equivalente entre os santos do 
catolicismo.
Oxalá, deus da criação, equilibrado e tolerante, mantém sincretismo com Nosso Senhor do Bonfim.
Oxóssi, deus da caça, pode representar São Jorge ou São Sebastião.
Ogum, deus da guerra e do ferro, equivale a Santo Antônio ou São Jorge.
Omolu ou Obaluaê, deus das doenças, é relacionado a São Lázaro e São Roque.
Xangô, deus do fogo e do trovão, corresponde a São Jerônimo ou São Pedro.
12 | Movimentos religiosos no Brasil
Iansã, deusa dos ventos e das tempestades, relaciona-se com Santa Bárbara.
Oxum, deusa das águas doces, da fecundidade e do amor, equivale a Nossa Senhora da Conceição 
ou Nossa Senhora das Candeias.
Oxumaré, deus da chuva e do arco-íris, representa São Bartolomeu.
Ossaim, deus da folhas e ervas medicinais, corresponde a São Benedito.
Nanã, deusa da lama e do fundo dos rios, representa Nossa Senhora Santana.
Iemanjá, deusa dos mares e oceanos, corresponde a Nossa Senhora da Conceição ou Nossa Se-
nhora da Glória.
Exu, que aparece nas experiências do candomblé, não é um orixá, mas um intermediário entre 
este e os seres humanos.
Liderança religiosa
O processo ritualístico do candomblé é comandado por um 
pai de santo, chamado de babalorixá, ou por uma mãe de santo, 
chamada yalorixá. A função dos dois, além de incorporar o seu orixá, 
é dar licença aos seus seguidores para que levem diante dele seus 
pedidos e desejos.
A Umbanda
A Umbanda surgiu na década de 1920, no Rio de Janeiro. Com 
o passar dos anos, foi se propagando pelo Brasil e tomando conota-
ção de “religião universal” (GAARDER, 2000, p. 298).
A preocupação dos umbandistas não é manter ou preservar as raízes africanas, mas sim pensar 
suas raízes como brasileiras. É afro, mas afro-brasileira. Assim, encontramos nesta religião uma caracte-
rística importante a ser ressaltada:
[...] a Umbanda também pode ser dita religião brasileira porque é resultante de um encontro histórico único, que 
só se deu no Brasil: o encontro cultural de diversas crenças e tradições religiosas africanas com as formas popula-
res de Catolicismo, mais o sincretismo hindu-cristão trazido pelo Espiritismo Kardecista de origem europeia. Eis aí 
a Umbanda, um sincretismo religioso originalmente brasileiro. (GAARDER, 2000, p. 299)
Na Umbanda, a divindade maior é adorada sob vários nomes, especialmente Zambi, que é tido 
como perfeito e não criado ou concebido. Notem o sincretismo. Logo a seguir, vem o Orixá-maior, 
chamado de Oxalá, identificado com Jesus Cristo e que está no comando dos orixás (semelhante aos 
anjos no catolicismo romano) e dos santos (espíritos evoluídos e desencarnados, semelhantemente ao 
pensamento Kardecista). 
Os orixás e os santos têm como função comandar as linhas (faixas de vibração espiritual correspondentes a cada 
elemento da natureza, semelhantes à vivência religiosa indigenista) e os chefes de falange (entidades espirituais 
evoluídas que servem como guias a um conjunto de espíritos de menor evolução em relação aos orixás e que vibram 
na mesma linha espiritual; são também conhecidos como entidades). Os espíritos de menos evolução guiados pelos 
Iemanjá.
W
ik
ip
éd
ia
.
13|Movimentos religiosos no Brasil
chefes de falange são como guias espirituais, espécie de mensageiros dos orixás e santos, que se manifestam como 
caboclo (espírito dos índios), pretos velhos (espíritos de escravos africanos) e crianças, a fim de trazerem aos homens 
ainda encarnados as mensagens dos orixás. (STEFFEN, 2000, p. 62)
Os terreiros são organizados em sete linhas tradicionais: de Oxalá, de Iemanjá, de Oxóssi, de 
Xangô, do Oriente ou das crianças, africanas ou das almas e de Ogum. Na Umbanda, a consulta é 
feita por meio de um médium, e os “trabalhos” são realizados pelo espírito que está incorporado nele 
durante os rituais.
A liderança religiosa
O pai de santo e a mãe de santo são quem comandam os rituais. Eles fazem parte da chamada 
hierarquia espiritual.
O pai/mãe de santo, ao incorporar seu orixá/guia, deixa-se levar pela incorporação, permitindo que ele se manifeste 
dentro de suas qualidades específicas. Fazem parte de suas funções: incorporar o espírito protetor, identificar os espíri-
tos que baixam, riscar o ponto, explicar a doutrina, dar os passes, curar as doenças e adivinhar pelos búzios. (STEFFEN, 
2000, p. 64)
Assim temos uma ideia de como funciona a Umbanda e os seus rituais. É claro que existem mui-
tos pontos que podem ser aprofundados, mas nossa intenção aqui é a de resumir as características 
mais importantes.
Espiritismo
Os alunos sempre pedem para que falemos sobre o Espiritismo, pois principalmente no Brasil 
encontramos muitas pessoas adeptas a essa religião. Aliás, a pergunta é: o espiritismo é uma religião? 
Muitos espíritas fazem questão de dizer que espiritismo não é religião, mas ciência.
Origem do Espiritismo
O Espiritismo surgiu na França com Leon Hippolyte Denizard 
Rivail, conhecido como Allan Kardec (1804-1869). Foi ele quem “sis-
tematizou uma série de conhecimentos religiosos e deflagrou um 
movimento que se definia, ao mesmo tempo como ciência, filosofia e 
religião” (STEFFEN, 2000, p. 38).
Allan Kardec foi quem trouxe em sua sistematização os mi-
lenares conhecimentos evolucionistas. Retoma a reencarnação e a 
Lei do Carma, como no Hinduísmo. Também fala sobre a pluralidade 
dos mundos, isto é, a existência de vários planos habitados, já que a 
Terra não é o único mundo habitado, mas um planeta material e dis-
tante da perfeição. Esses pensamentos distanciaram o Espiritismo 
do Cristianismo, já que são contrários ao pensamento cristão. Allan Kardec.
W
ik
ip
éd
ia
.
14 | Movimentos religiosos no Brasil
Como o Espiritismo entende o ser humano
A visão do Espiritismo sobre o ser humano é tridimensional. Os elementos são os seguintes:
o corpo: sem valor em si mesmo, é a parte menos nobre do ser humano e só adquire valor na ::::
medida em que possibilita uma relação com o planeta Terra;
o espírito ou alma: de criação divina, é o princípio inteligível responsável pelo pensamento, ::::
vontade e senso moral; é portador do livre-arbítrio, ou seja, da capacidade de escolher quais 
atos executar (os atos bons privilegiam a caridade, enquanto os maus, a materialidade). A 
união do espírito com o corpo se dá a partir da concepção, iniciando assim a possibilidade de 
decidir por atos que permitirão ou não a evolução da dimensão espiritual;
o perispírito: é a condensação de um fluido universal, normalmente invisível, que possibilita e ::::
explica as aparições nas sessões espíritas. É como se fosse um envoltório do espírito, necessá-
rio para a união das duas dimensões anteriores e razão pela qual o perispírito não é só material 
e nem só espiritual (STEFFEN, 2000, p. 40).
Como o Espiritismo entende o mundo
O mundo é concebido em dois planos: o material, onde habitam os espíritos encarnados ou aque-
les a quem chamamos deseres humanos vivos; e o espiritual, onde habitam os espíritos desencarna-
dos. 
A comunicação entre os dois planos só é possível graças ao médium, que tem a função de 
intermediar e interpretar os espíritos por meio de diferentes aptidões, que o tornam capaz de cap-
tar e transmitir as mensagens recebidas. Os sinais podem ser emitidos de várias maneiras como: 
com efeitos físicos – batidas, levitação, transporte de objetos; auditivos – sons; artísticos – pintura, 
desenho, poesia, romance, musicais; e psicográficos – captação da escrita desenvolvida por um 
espírito desencarnado.
Finalmente, Espiritismo é um assunto atual. As novelas vêm há muito tempo discutindo vários as-
suntos sobre fenômenos espíritas. Frequentemente, vemos ou ouvimos falar das experiências de “quase 
morte”. Muitas pessoas que já estiveram próximas da morte afirmam que a sua alma deixou o corpo. São 
as experiências extracorporais. O exemplo mais citado é o de pessoas que, deitadas na mesa de opera-
ção, foram puxadas para um estado espiritual, voltando depois para o corpo.
As religiões que vimos neste capítulo são interessantes de serem estudas e pesquisadas. Encon-
tramos milhares de brasileiros adeptos a elas. Nossa questão aqui não é dizer se é certo ou errado prati-
car o Candombé, a Umbanda ou o Espiritismo. Apenas é bom ressaltar que é difícil praticar o Catolicis-
mo, por exemplo, e ao mesmo tempo optar por estes rituais. As concepções de origem, sentido da vida 
e destino são muito diferentes. 
15|Movimentos religiosos no Brasil
Atividades
1. Você já observou a diversidade de movimentos religiosos que encontramos no Brasil? Faça uma 
relação dos que você conhece.
2. Como você analisa a questão do sincretismo religioso?
3. No seu entender, Espiritismo é ciência ou religião? Explique.
16 | Movimentos religiosos no Brasil
Ampliando conhecimentos
Existe um livro interessante e de linguagem fácil sobre o assunto desta aula:
ZICMAN, Renée; MOREIRA, Alberto. Misticismo e Novas Religiões. Petrópolis: Vozes, 1994.
Autoavaliação
1. Como você avalia os movimentos afro-brasileiros e de que forma você detecta traços da Umbanda 
e do Candomblé na cidade onde mora?
Referências
KUCHENBECKER, Valter. O Homem e o Sagrado. Canoas: Editora da Ulbra, 2000.
STEFFEN, Ronaldo. As grandes religiões do mundo. In: KUCHENBECKER, Valter. O Homem e o Sagrado. 
Canoas: Editora da Ulbra, 2000.
ZICMAN, Renée; MOREIRA, Alberto. Misticismo e Novas Religiões. Petrópolis: Vozes, 1994.
 Resumo
A maior de todas as grandes religiões. Jesus surpreendeu com sua 
mensagem, uma proposta de vida nova para seus seguidores. Uma es-
perança ligada não somente a esta vida, mas também à eternidade. É 
difícil falar do Cristianismo sem vivê-lo. Quem o vê de fora muitas ve-
zes não compreende o quanto ele pode mudar a vida de alguém. Isso 
porque ser cristão exige fé acima de tudo. Neste texto você vai ler um 
pouco sobre a história do Cristianismo. Mas, apesar de todos os dados 
históricos, é fundamental entender a essência desta religião. 
O Cristianismo I
Conhecer Jesus é fundamental
Note como são interessantes as anotações do historiador Huston Smith, um dos grandes estudio-
sos das religiões. Retiramos estas frases do seu livro As Religiões do Mundo (1991).
Jesus convidou o povo a ver as coisas de um modo diferente, certo de que, se elas o fizessem, ::::
seu comportamento mudaria de acordo com a nova visão.
Jesus usou particularidades que faziam parte do mundo das pessoas: grão de mostarda e solo ::::
rochoso, servos e senhores, casamentos e vinhos. Essas particularidades deram aos seus ensi-
namentos um toque de realidade; ele estava falando de coisas que realmente faziam parte do 
mundo de seus ouvintes.
Nós vimos a sua glória. Existe no mundo, escreveu Dostoiévski, somente uma figura de beleza ::::
absoluta: Cristo. Essa figura infinitamente bela é um milagre infinito.
18 | O Cristianismo I
Toda a sua vida foi de humildade, doação de si e de um amor ::::
totalmente altruísta. A prova suprema de sua humildade é a im-
possibilidade de descobrirmos exatamente o que Jesus pensa-
va de si mesmo.
Jesus gostava das pessoas e elas, por sua vez, gostavam dele. ::::
Elas o amavam; amavam-no intensamente, e eram muitas.
Chegou um momento em que eles sentiram que, olhando ::::
para Jesus, olhavam para algo semelhante a Deus em forma 
humana. Nós vimos a sua Glória [...] cheio de graça e verdade 
(João 1.14).
O amor ágape1
Uma das primeiras observações sobre os cristãos feitas por um estranho é “Veja como esses cris-
tãos amam-se uns aos outros”. Uma parte integrante dessa atenção mútua era a ausência total de barrei-
ras sociais; tratava-se de uma confraria de iguais, como definiu uma estudiosa do Novo Testamento. Ali 
estavam homens e mulheres que não só diziam que todos eram iguais aos olhos de Deus, mas também 
viviam de acordo com essa afirmação.
Ficar triste na presença de Jesus era uma impossibilidade existencial. Essa era uma qualidade dos 
cristãos. Também, as palavras de Jesus foram claras: “que a minha alegria esteja convosco e a vossa ale-
gria seja completa” (João 15.11).
Os estranhos ficavam perplexos. Aqueles cristãos, espalhados aqui e ali, não eram numerosos, 
não eram ricos nem poderosos. Na verdade, enfrentavam mais adversidades do que o indivíduo médio. 
Porém, em meio às provações, haviam encontrado uma paz interior que se expressava numa alegria que 
parecia exuberante.
O único poder capaz de realizar transformações como essa que descrevemos é o amor. O amor 
só cria raízes nas crianças quando chega até elas. É um fenômeno reativo e, literalmente, uma resposta. 
Deus amou primeiro. Não é difícil imaginar a mudança que teria se processado nos primeiros cristãos ao 
se descobrirem amados por Deus. O amor que as pessoas aprenderam com Cristo envolvia pecadores e 
marginais, samaritanos e inimigos.
Completamente convencidos disso, os discípulos saíram para conquistar um mundo que, acredi-
tavam, Deus já conquistara para eles.
1 Ágape: é o amor fraternal entre os cristãos, ordenado por Jesus no Novo Testamento, que se expressava de três maneiras práticas: na doação 
de esmolas – daí ágape ser traduzido por caridade –, em reuniões da igreja e saudações cristãs – demonstradas pelo ósculo (beijo) –, e nas 
refeições nas quais os crentes participavam.
Jesus Cristo.
W
ik
ip
éd
ia
.
19|O Cristianismo I
A história
No início do século I, quando surge o Cristianismo, toda a região do mar Mediterrâneo está sob o 
poder de Roma. A história dessa religião está ligada à história do Império Romano e à do povo hebreu. 
Aliás, para se conhecer a história do Cristianismo é necessário também um bom conhecimento do Ju-
daísmo. Os profetas do Antigo Testamento já anunciaram, muitos anos antes, a vinda do Messias, de 
um libertador. A Palestina, Terra Prometida por Deus aos hebreus, sofreu, ao longo dos anos, um enfra-
quecimento político e social. O povo, que havia passado por anos de prosperidade e de unidade sob os 
reinados de Davi e Salomão, estava abalado pelas disputas internas entre diversas tribos. Após a morte 
do Rei Salomão, em 931 a.C., a Palestina foi dividida em reino do norte (Israel) e do sul (Judá) e sofreu 
sucessivas invasões até cair em poder dos romanos, por volta de 60 a.C. 
O nascimento de Jesus
Os evangelhos relatam que Jesus foi concebido pela força do Espírito Santo e foi dado à luz por Maria, 
uma jovem virgem pertencente à tribo de Judá e à descendência de Davi. O menino-Deus dos cristãos nas-
ceu na cidade de Belém quando Herodes governava a Judeia (antigo reino de Judá). Ele cresceu em Nazaré, 
pequena cidade da região da Galileia, na atmosfera simples de uma casa de carpinteiro. Não encontramos 
nos evangelhos um relato sobre a juventude de Jesus. O último relato acontece no templo, em Jerusalém, 
quando Jesus, aos 12 anos, é encontrado conversando com os doutores da lei. Depois disso o evangelho 
resume: “E crescia Jesus em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens”. 
A pregaçãoJesus começa a pregar após ser batizado por João Batista. A sua pregação é o anúncio de um 
novo reino. Ele chama o povo ao arrependimento e anuncia o perdão de Deus. Arrependimento signifi-
ca transformação. É mudança de vida. O cristão que se arrepende dos seus pecados muda a sua forma 
de viver. Vive para o próximo, vive pela fé em Deus – o Criador, e ama como Deus ama o seu povo. 
O objetivo dos evangelhos não era a veracidade histórica, e sim a proclamação de uma mensa-
gem. Eles explicam o sentido da morte de Jesus, do seu sacrifício e da sua ressurreição. Os evangelhos 
mostram que Jesus de fato tinha autoridade divina e que de fato ressuscitou. A fé cristã não pode ser 
justificada por meios científicos, nem refutada com base nesses métodos.
Jesus – o mestre
Jesus era chamado rabi – “mestre” ou “professor”. Não foi por acaso que ele reuniu multidões de 
pessoas. Suas parábolas2 e sermões eram preciosos. Falava por meio de máximas, por meio de conversas 
com os discípulos ou com pessoas que encontrava. Leia, posteriormente, a conversa que Jesus teve com 
o jovem rico. Ela está no evangelho de Mateus, capítulo 19, versículos 16 a 26. Outro método de pregar 
era por meio de sermões. O mais interessante é o Sermão da Montanha. 
2 Analogias, comparações por meio das quais se apresentava um fato do cotidiano com significado celeste.
20 | O Cristianismo I
As parábolas se constituíram numa das melhores formas de ensinar. As histórias de Jesus sempre 
foram usadas para dar um sentido às perguntas dos discípulos e dos demais seguidores. Para que vocês 
tenham uma ideia dos ensinos de Jesus, há três parábolas encontradas na Bíblia Sagrada, no Novo Testa-
mento, livro de Mateus, que resumem de modo magistral o seu ensino a respeito do amor de Deus para 
com a humanidade, do amor que seus seguidores têm a ponto de perdoar seus ofensores e do amor 
que olha para o lado e os move a assistir quem dele necessita.
A morte de Jesus
A ação de Jesus, sua mensagem, a maneira de lidar com as pessoas, seus milagres, a quebra de 
muitas tradições, também criaram sentimento de ódio nos seus opositores. As críticas de Jesus não eram 
baseadas em questões econômicas ou políticas; sua preocupação maior e fundamental estava na auten-
ticidade das relações humanas e na sinceridade de propósitos com as quais as pessoas esperavam cultuar 
a Deus. Por isso criticou o templo, os sacerdotes, os mestres de lei, os escribas. Poucas pessoas compreen-
deram a essência da sua mensagem. Por isso, também foi levado a morrer numa cruz. Foi considerado um 
desordeiro, um perigo para a sociedade e para os interesses dos governantes e religiosos.
A morte de Jesus.
W
ik
ip
éd
ia
O que precisamos compreender é que a morte de Jesus, para os cristãos, era algo anunciado pe-
los profetas no Antigo Testamento. Ele é visto como verdadeiro homem, mas também como verdadeiro 
Deus. Segundo a Bíblia, Jesus assumiu a forma de homem para sofrer e morrer, pagando a culpa pelos 
pecados de toda a humanidade. Ao que crer nele, é assegurado o perdão de pecados, a ressurreição do 
seu corpo para a vida eterna.
A ressurreição
 Este é o ponto-chave, a mensagem cristã. Jesus morreu, mas ressuscitou dentre os mortos. Um 
simples homem não faria isso. É algo racionalmente impossível para qualquer ser mortal, mas não para 
21|O Cristianismo I
Deus. Deus mostra à humanidade que é maior do que a morte. Jesus venceu a morte e está na presença 
do Pai. A ressurreição é que dá legitimidade ao Cristianismo. Sem ela, a vida e a obra de Jesus não fariam 
sentido. Por isso os cristãos anunciam que “Cristo vive”. 
Uma das piores coisas do mundo é perder alguém que se ama. A morte é cruel, é dura. Ela ceifa a 
vida de pessoas idosas, de meia-idade, de jovens e de crianças por meio de doenças incuráveis como o 
câncer ou a aids, infartos, acidentes e assim por diante.
Ela liquida com sonhos de trabalho, estudo, namoro, casamento, viagens etc.
Deus não a criou. Ela é consequência direta da desobediência dos primeiros homens, Adão e Eva. 
É o salário do pecado (Romanos 6.23). E como cada ser humano tem cometido pecados por meio de 
pensamentos, desejos, palavras e ações, todos, dia mais, dia menos, morrerão.
Para muitos, a morte é o fim de todas as coisas. Contudo, a Bíblia Sagrada diz que tudo não termi-
na com ela, que existe a ressurreição. A ressurreição de Lázaro (João 11.1-46) é prova disso.
Certa vez, este amigo de Jesus, Lázaro, estava doente. Suas irmãs, Maria e Marta, imediatamente 
mandam avisá-lo, dizendo: “Está enfermo aquele a quem amas”. Jesus não sai imediatamente do lugar 
em que se encontrava para auxiliá-lo. Lázaro morre e é sepultado.
Quatro dias depois de Lázaro ter sido sepultado, Jesus chega à Betânia. Marta vem ao seu encon-
tro e lhe diz: “Se estivesse aqui, meu irmão não teria morrido”. Jesus retrucou dizendo que ele iria res-
suscitar. Maria o crê, só que para o fim dos tempos, no último dia. Jesus, porém, afirma: “Eu sou a ressur-
reição e a vida, quem crê em mim, ainda que morra, viverá”. O que Jesus estava dizendo era que ele era 
Senhor sobre a morte, e que ele ressuscitaria a seu amigo Lázaro. De fato, aquilo que parecia impossível 
aos olhos de todos, aconteceu: Lázaro ressuscitou depois de quatro dias de sepultamento.
Jesus ressuscitou, segundo os evangelhos, muitas pessoas. Entre elas citamos Lázaro, o filho de 
uma viúva da cidade de Naim, e a filha de Jairo. Ele próprio ressuscitou ao terceiro dia e prometeu que 
no último dia todos ressuscitarão.
Todos os cristãos sabem que irão morrer. O que eles não sabem é quando isso acontecerá. Talvez 
dentro em breve, repentinamente. Talvez depois de doença prolongada, ou depois de atingirem uma 
idade avançada. Vivendo pouco ou muito, eles creem que ressuscitarão e isso os consola. Para eles, esta 
é a mensagem central da Igreja Cristã: existe ressurreição porque Cristo ressuscitou. Ele, Jesus, vive; 
portanto, eles também viverão. E é esta a mensagem que tem consolado cristãos de todas as idades 
quando precisam se despedir de alguém que amam.
Nossa sugestão é que você faça uma leitura de um dos evangelhos. É o relato fiel do nascimen-
to, vida e morte de Jesus. A fé do cristão está baseada nestes relatos. A Igreja Cristã acredita que estes 
textos são revelados por Deus. Por isso também são inquestionáveis. Pegue uma Bíblia, abra no Novo 
Testamento e escolha entre os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas ou João.
Não podemos esquecer que a história do Cristianismo é uma continuação da História do povo ju-
deu. Jesus é o Messias prometido pelos profetas já no Antigo Testamento e suas características fecham 
com os textos de Isaías, por exemplo.
22 | O Cristianismo I
Atividades
1. Como você entende a questão do nascimento de Jesus, gerado pelo Espírito Santo?
2. Qual a importância da ressurreição de Jesus para o Cristianismo?
3. Após a leitura do texto, procure discutir com os colegas e amigos o sentido da morte de Jesus.
23|O Cristianismo I
Ampliando conhecimentos
Recomendo, para um conhecimento maior do tema, a leitura de um dos Evangelhos que conta a história 
de Jesus. Pode ser os Evangelhos de Mateus, Marcos ou Lucas. 
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Revisada e atualizada. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
Autoavaliação
1. O que você entende ser importante na mensagem do Cristianismo? Que tipo de aplicação prática 
é possível fazer para uma vida mais feliz?
24 | O Cristianismo I
Referências
BÍBLIA. Potuguês. Bíblia Sagrada. Tradução de: Almeida. Revista e atualizada. São Paulo: Sociedade 
Bíblica do Brasil, 1999.
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Edição revisada e atualizada. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 
1991.
KUCHENBECKER, Valter. O Homem e o Sagrado. Canoas: Editora da Ulbra, 2000.
SHIMITH, Huston. As Religiões do Mundo. São Paulo: Cultrix, 1991.
 Resumo
Vamos fazer neste texto uma reflexão maior sobre o Cristianismo e como 
a fé cristã pode ser colocada em prática. Praticamente todo o texto foi 
trabalhadopor um colega nosso da disciplina de Cultura Religiosa, o 
professor Egon Seibert, que escreve do coração.
O Cristianismo II
A Bíblia – livro sagrado do Cristianismo 
Is
to
ck
ph
ot
o.
A palavra Bíblia significa conjunto de livros, o que ela na verdade é, sendo que se divide em dois 
grandes blocos, o Antigo (AT) e o Novo (NT) Testamentos. A palavra testamento lembra aliança ou acor-
do, estabelecidos entre Deus e os seres humanos. No caso do AT, o mesmo refere-se a Abraão, que 
recebeu a promessa de vir a ser uma grande nação, de onde viria o Messias, o Redentor de todos os 
26 | O Cristianismo II
homens. Também lembra a libertação da escravidão do Egito através do sangue do cordeiro. Quanto 
ao NT, é lembrado o cumprimento da promessa de que o Messias veio na pessoa de Jesus, que ele salva 
os homens da morte eterna com o derramar do seu sangue – o sangue da nova aliança – e envia seus 
mensageiros ao mundo para pregar seu evangelho. Para facilitar a sua leitura, a Bíblia foi dividida em 
capítulos e versículos (SEIBERT, 2002).
Antigo Testamento
É formado por 39 livros, escritos em hebraico e aramaico pelos profetas, de mais ou menos 1260 
até 400 a.C.
Livros
Livros da Lei (Pentateuco);
Históricos – Josué até Ester;
Poéticos – Jó até Cantares de Salomão;
Profetas maiores – Isaías até Daniel;
Profetas menores – Oséias até Malaquias.
Conteúdo do Antigo Testamento
Destacamos:
Criação do mundo em seis dias;
Queda em pecado pelos primeiros homens;
Promessa do Messias, Redentor;
Formação e história do povo de Israel;
Profecias sobre Jesus: Gênesis 3.15, 12.2; Isaías 7.14, 53.4-11; Miquéias 5.2; Salmo 16.10.
Novo Testamento
É formado por 27 livros, escrito em grego pelos evangelistas e apóstolos entre 50 até 100 d.C.
Conteúdo do Novo Testamento
Destacamos:
quatro evangelhos que narram vida, ensinos, milagres, sofrimento, morte, ressurreição e ::::
ascensão de Jesus;
27|O Cristianismo II
atos dos Apóstolos: iniciando pela ascensão, narra o Pentecostes, a formação da Igreja Cristã, o ::::
seu desenvolvimento, as suas atividades e as perseguições que Jesus sofreu;
cartas: Paulo (13), Pedro, Judas, Tiago; Hebreus (não se sabe o autor), João;::::
profecia: Livro de Apocalipse – Revelação. ::::
A Bíblia contém duas grandes doutrinas, a Lei e o Evangelho. Veja as suas diferenças no quadro 
abaixo: 
A Lei O Evangelho
Ensina o que nós devemos fazer ou 
deixar de fazer.
Ensina o que Deus fez e ainda faz pela 
nossa salvação.
Manifesta o nosso pecado e a ira de Deus.
Manifesta o nosso Salvador e a graça 
de Deus.
Exige, ameaça e condena eternamente 
quem não cumpre os mandamentos.
Promete, dá e sela o perdão, vida e 
Salvação e crê em Jesus.
Provoca a ira no homem e o afasta de 
Deus.
Chama e atrai para Cristo, opera a fé.
Deve ser pregada aos impenitentes. Anuncia-se aos atemorizados.
A lei serve como freio (impedindo que 
o mal tome conta do mundo), espelho 
(revelando os erros humanos), e norma 
(mostrando ao ser humano como agir).
O Evangelho é a boa-nova da graça do 
amor de Deus em Cristo Jesus (João 
3.16), e motiva o cristão à prática das 
ações que agradam.
 Esse é o livro sagrado do Cristianismo, a Bíblia. Os cristãos a leem e nela meditam porque a acei-
tam como a palavra de Deus. Eles a creem porque:
ela diz de si mesma que é a palavra de Deus (2Timóteo 3.16: “Toda a Escritura é inspirada ::::
por Deus”);
ela não se contradiz, pois sempre apresenta o mesmo remédio para a enfermidade chamada ::::
pecado: a fé em Cristo;
suas profecias se cumpriram e cumprem. Exemplos: queda em pecado – consequências; di-::::
lúvio; cativeiro e desterro de Israel; a vinda do Salvador Jesus; destruição de Jerusalém (Tito, 
ano 60); perseguições; fim dos tempos – Marcos 13.31: “Passarão céus e terra, mas as minhas 
palavras não passarão”;
ela dá uma explicação às perguntas como: donde vim, para onde vou, por que vivo? (Efé-::::
sios 2.8-10);
seu estudo convence da verdade, de que Jesus é o caminho que conduz à vida eterna (João ::::
14.6). Lema da Ulbra: Ueritas uos liberabit! (João 8.31-32): “Se vós permanecerdes na minha 
palavra, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (SEIBERT, 2002).
28 | O Cristianismo II
Ensinos de Jesus e a sua prática entre 
os cristãos sobre o amor para com o que retorna arrependido
A Parábola do filho pródigo (Lucas 15.11-32).
Para muitos, em vez de O filho pródigo, a parábola deveria receber o título de O pai que espera 
ou O pai amoroso, porque na verdade retrata o amor de Deus Pai para com aqueles que se afastam 
dele e retornam arrependidos.
A parábola nos apresenta três personagens que queremos analisar:
1.ª O filho mais moço: pede ao pai a sua parte da herança1 que este não tinha obrigação nenhu-
ma de lhe dar. 
 O jovem parte e gasta tudo de maneira dissoluta, extravagante e imoral. Quando o dinheiro aca-
ba, por coincidência surge grande fome. Procura empregos e o que lhe sobra é tornar-se por-
queiro. Aceita o emprego porque imagina que ali pudesse alimentar-se com alfarrobas – vagens 
gigantes, que eram dadas para os porcos comer. Ninguém, no entanto, lhe dá alguma coisa.
 Caindo em si lembra-se da casa do pai, na qual a situação dos escravos era melhor que a sua. 
Resolve voltar, pedir-lhe desculpas e suplicar-lhe que o aceite de volta como escravo.
2.ª O pai: algo interessante Jesus registra – o Pai estava aguardando a volta do filho. Ao vê-lo na 
estrada o reconhece e vai ao seu encontro. Compadece-se dele, abraça-o e beija.
 O filho reconhece sua situação: não tinha nenhum direito, nada para exigir. Só uma súplica: 
aceita-me como um dos teus escravos.
 Aí vem a surpresa: o pai reintegra o filho na família – melhor roupa, anel no dedo, sandálias 
nos pés, novilho cevado, música, danças, festa. Por quê? Este meu filho estava morto e revi-
veu, estava perdido e foi achado.
3.ª O irmão mais velho: este volta do campo depois de uma jornada de trabalho. Ouve o som da 
música, gritos de alegria. Intrigado, pergunta o que estava acontecendo. Ao saber do que se 
tratava, uma reação estranha para aquele momento: indignado, não quer entrar nem partici-
par da festa. O pai o procura e o irmão mais velho quer repreender o pai: estou a tanto tempo 
contigo e nem um cabrito preparas para festejar comigo. Mas este teu filho (não é seu irmão), 
que foi embora e gastou tudo, volta e é recebido com festas? Até o novilho cevado (engordado 
na estrebaria) é abatido para festejar?
 O pai então o chama à realidade: tudo isso aqui é teu. Nada perdeste; a herança continua 
sendo tua. Mas era preciso que nos alegrássemos, pois este teu irmão estava morto e revi-
veu, estava perdido e foi achado.
O ensino dessa parábola:
Jesus, na presente parábola, narra de uma maneira bem clara que Deus é o Pai que recebe o pecador que o busca em ar-
rependimento sincero. Os que retornam, por piores que tenham sido as suas ações do ponto de vista humano, serão por 
ele recebidos (Quem vem a mim, de modo algum o lançarei fora). Ele, porém, aponta para as atitudes, por vezes hipócritas, 
1 De acordo com os costumes de então, um terço dos bens do pai. Depois de recebê-la não teria mais direitos sobre aquilo que o pai viesse a 
adquirir.
29|O Cristianismo II
de quem se julga de sua família e que se dá o direito de discriminar quem errou e que, arrependido, deseja voltar a este 
convívio. Ao invés de lamentar que alguém volta arrependido e é aceito por Deus em sua família, cristãos deveriam 
alegrar-se, pois o que Deus mais deseja é que todos se arrependam dos seus pecados e vivam. (SEIBERT, 2002)
Sobre o perdão ao próximo
O credor incompassivo, sem misericórdia (Mateus 18.21-35)
Jesus é colocado diante de uma questão intrigante: quantas vezes alguém deve perdoar ao seu 
próximo? Alguns admitiam até sete vezes. Jesus, porém diz que devem ser 70 vezes 7, com o que deseja 
mostrar que seus seguidores perdoam sempre. É neste contexto que ele conta a parábola do credor 
incompassivo para ensinar a sua vontade a respeito do perdão.
Na parábola,Jesus fala sobre um rei que ajusta contas com os seus servos. Um deles lhe deve 10 
mil talentos, o equivalente a 480 mil quilos de ouro. Isso hoje representaria no mínimo um valor de 5,5 
bilhões de reais. Como o devedor não tem com o que pagar, o rei manda que seja vendido tudo o que 
ele tem, bem como ele próprio e seus familiares. Desesperado, este se lança aos pés do rei e suplica por 
misericórdia. E não é que o rei o atende e perdoa?
Depois de tamanha generosidade, o perdoado sai aliviado da presença do rei e encontra um con-
servo seu que lhe devia 100 denários. Um talento, 48 quilos de ouro, equivalia a 10 mil denários. Cada 
denário por sua vez correspondia a 4,8 gramas de ouro, o que resultaria num valor de cerca de mais ou 
menos R$5.500,00. Que diferença. O que podia se esperar? Que o que fora perdoado também perdoasse. 
E aí a surpresa: ele lança seu companheiro na prisão de onde só sairia depois de haver pago a dívida.
Os amigos deste por sua vez o delatam ao rei que agora, irado, o chama de servo malvado e o lança na 
prisão, entregando-o aos verdugos (carrascos ou algozes).
Através desta parábola, Jesus quer ensinar que a nossa dívida (de pecados, de erros) diante de Deus 
é tão grande que não podemos resgatá-la. É verdade, muitos o querem fazer. No entanto, segundo Jesus 
isso é impossível. Eis porque o apóstolo Paulo ensinou que é por graça que se é salvo (Efésios 2.8-9).
O que fazer com os nossos pecados? Apelar para o amor de Deus que, por causa de Cristo, nos per-
doa. O apóstolo João recomenda em 1João 1.9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para 
nos perdoar e purificar de toda a injustiça.”
Assim como Deus nos perdoa devemos também perdoar aqueles que pecam contra nós, que 
nos ofendem. É fácil? Não é não. Mas esta é a vontade de Deus e seu amor, somente ele pode mover-
nos a agir em amor.
Alguns motivos que podem levar alguém a não perdoar:
falta de humildade diante de Deus;::::
desejo de vingança (o outro precisa pagar – muitos casais estragam sua vida por esta causa);::::
desconhecimento da enormidade do amor divino, que sempre está pronto a perdoar.::::
Recomendamos que leiam na Bíblia, Efésios 4.31-5.2, através do site da Sociedade Bíblica do 
Brasil (SEIBERT, 2002).
30 | O Cristianismo II
Sobre o amor ao próximo
O bom samaritano (Lucas 10.25-37)
Um intérprete da lei perguntou certo dia a Jesus o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Jesus 
lhe disse: o que está escrito na lei? Ele respondeu: ama a Deus de todo o coração, alma e entendimento e ama 
ao próximo como a ti mesmo. Jesus, por sua vez, falou: faze isto e viverás. Como que se desculpando, o intér-
prete da lei perguntou: quem é o meu próximo? Foi aí que Jesus lhe contou a parábola do bom samaritano.
Um homem fora assaltado, deixado semimorto na estrada. Na estrada de Jerusalém a Jericó pas-
sam pelo assaltado um sacerdote e um levita. Nenhum o assiste. Finalmente Jesus diz que também veio 
um samaritano, inimigo de Israel. E este cuida do homem ferido, leva-o até um pequeno hotel onde 
paga o atendimento que lhe é prestado e promete voltar para pagar todo o tratamento.
É então que Jesus pergunta quem foi o próximo do que fora assaltado? E o intérprete da lei, muito 
contrariado, precisa reconhecer que fora o que usara de misericórdia com ele. Diante disso, Jesus lhe diz: 
vai e procede tu de igual modo.
O amor ao próximo foi uma das características dos cristãos da Igreja Primitiva. Havia entre eles, 
especialmente em Jerusalém, muitos pobres. A Igreja, através de ofertas voluntárias, sustentava seus 
pobres. Especialmente as viúvas recebiam seu rancho semanal.
De repente surge um problema. As viúvas de origem grega sentem-se prejudicadas. Começam a 
receber menor auxílio que as de origem judaica. Reclamam. Pedro então convoca as lideranças e orde-
na que sejam eleitos sete diáconos, sete homens fiéis que cuidem da distribuição do alimento entre os 
pobres. Ele e os demais apóstolos iriam dedicar-se ao que foram incumbidos pelo Senhor Jesus: o ofício 
da oração e da pregação do Evangelho.
A diaconia é o serviço amoroso que o cristão presta ao seu próximo em resposta ao amor de Deus. 
Ela lida com as consequências e causas do pecado: doenças, sofrimentos, pobreza, miséria, ganância, 
preguiça, exploração, luto, solidão, violência (assaltos, estupros, homicídios), guerra, catástrofes natu-
rais, fome, vícios, insensibilidade, solidão, morte.
Sugestões de como se pode demonstrar amor ao próximo:
visitando doentes em seus lares e hospitais (câncer, aids, lepra);::::
visitando idosos (nossos avós ou pais) para conversar, passear (asilos, casas-lares, creches, or-::::
fanatos);
visitando os que sofrem (enlutados, órfãos);::::
visitando os presos;::::
auxiliando os pobres (alimentos, roupas, remédio, estudo, emprego);::::
encaminhando dependentes de drogas ou de álcool às instituições especializadas;::::
olhando pelos portadores de deficiências físicas (hospitais), mentais (APAE), visuais (doação ::::
de córneas), auditivas etc;
lutando contra a poluição, preservando a natureza (lixo, inseticida, biodegradáveis), rios, ar, ::::
florestas, solo;
31|O Cristianismo II
lutando pela justiça social e contra qualquer tipo de discriminação (igualdade no trato ::::
com a lei);
lutando pelo direito à vida (contra o aborto);::::
apoiando o pacifismo (não à violência, à guerra);::::
lutando contra a corrupção – não sendo corruptor nem corrupto;::::
ajudando e orientando migrantes e desempregados;::::
organizando palestras sobre higiene, saúde, drogas, em associações de bairros;::::
participando da vida política do país.::::
O cristão busca inspiração em Jesus e no seu amor. Ele ensinou no Evangelho de João 15.12: 
Amai-vos como eu vos amei. No Evangelho de Mateus 25.31-46 é mostrado que os que creram e produ-
ziram os frutos terão a vida eterna.
No livro O Homem e o Sagrado, o professor Jonas Dietrich descreve a pessoa de Jesus e o seu ensino. Diz: “No en-
sino de Jesus, encontramos a expressão mais íntima de seu extraordinário sentimento de amor para com todas as 
pessoas. Este amor (ágape) é, sem dúvida, a lição mais dura e desafiadora que Deus, na pessoa de Jesus, deixou 
como exemplo aos seus discípulos, para que estes atuassem como instrumentos retransmissores deste sentimen-
to às demais pessoas em palavras, pensamentos e atos”. (SEIBERT, 2002)
Muitos acham entediante fazer a leitura da Bíblia. Tem gente que tem até vergonha de carregar 
a Bíblia. Mas por outro lado, podemos encontrar neste livro temas interessantes para o nosso dia a dia. 
Lá nós encontramos a palavra de Deus. Aliás, como afirmam os cristãos, a Bíblia é a palavra de Deus. Lá 
nós encontramos aquilo que Deus deseja para cada um. Não conheço nenhum livro que tenha uma 
mensagem tão bonita como esta.
Atividades 
1. Leia na Bíblia Sagrada o Salmo 23 e relate o que descobriu nesta poesia.
32 | O Cristianismo II
2. Leia também o texto de Provérbios, capítulo 1, e escreva sobre o sentido do texto em, no máximo, 
dez linhas.
3. O que a Parábola do Filho Pródigo nos ensina para a vida? Lucas 15.11-32.
Ampliando conhecimentos
Ler pelo menos uma das parábolas de Jesus e refletir: como aplicar esta parábola no século XXI.
33|O Cristianismo II
Autoavaliação
1. Como é possível a experiência de perdoar o próximo e amá-lo, mesmo depois de saber que aqui 
incluímos também os nossos inimigos?
34 | O Cristianismo II
Referências
BÍBLIA. Bíblia Sagrada. Tradução de: Almeida. Revista e atualizada. São Paulo: Sociedade Bíblica de 
Brasil, 1999.
SEIBERT, Egon. O Cristianismo. Texto inédito, mas usado nas aulas de Cultura Religiosa da Univer-
sidade Luterana do Brasil, 2002.
 Resumo
No século XVI, causas religiosas, políticas, econômicas e sociais deram ori-
gem à Reforma Luterana. Com isso, chegamos à segunda grande divisão 
do Cristianismo e o fim da hegemonia da Igreja Católica no Ocidente. O 
personagem principal desta história chama-se Martin Luther (Martinho 
Lutero – 1483-1546).Doutor em Teologia, Lutero estudou a Bíblia e lutou 
para retornar à essência do Cristianismo. Notou os desvios do catolicismo 
e chamou a Igreja à reforma. Queria reformar a sua própria Igreja, a Igreja 
Católica Apostólica Romana. As resistências, as discussões teológicas e a 
sua excomunhão levaram ao surgimento de um novo movimento: o Lu-
teranismo.
A Reforma do século XVI
Introdução
Nos séculos XV e XVI, a Europa viveu um período de intensas mudanças políticas, científicas e 
culturais, que marcaram a transição da Idade Média para a Era Moderna. O sistema feudal estava em 
crise, as cidades floresciam e a burguesia ganhava força como classe social. O movimento renascentista, 
iniciado no século XIV, influenciava a arte e o pensamento europeus. A invenção da Imprensa por Gu-
tenberg, em 1450, possibilitava a popularização de textos clássicos e da Bíblia, cujos estudos e a leitura, 
até então, eram restritos ao clero. A Inquisição, comandada pela Igreja Católica Romana, condenava à 
fogueira todos aqueles que ameaçavam sua doutrina ou seu poder político. Portugueses, espanhóis e 
ingleses davam início às grandes navegações, já que a tomada de Constantinopla pelos turco-otoma-
nos, em 1453, havia fechado o caminho mais curto para as Índias, onde mercadores europeus buscavam 
especiarias – esse fato foi marcante para o descobrimento da América, em 1492, por Cristóvão Colombo, 
e do Brasil, em 1500, por Pedro Álvares Cabral.
36 | A Reforma do século XVI
O período foi marcado também pelo fortalecimento das monarquias nacionais, o que suscitava uma 
oposição cada vez mais forte às ingerências da Igreja Católica na vida política e civil dos europeus. 
Este é o quadro que encontramos na época de Lutero, por volta de 1500. É um resumo histó-
rico de uma época que nos leva a horas de leitura agradável, notando a mudança de mentalidade 
de um mundo oprimido pela estagnação da história.
 Lutero
Pode ser que você não tenha lido nada sobre ele, mas vai des-
cobrir na sua história que a vida e as coisas não são mero acaso. Ele 
acreditava que por trás de suas ações, dos seus escritos e das suas 
decisões, Deus estava presente e o conduziu à Reforma de 1517. Aqui 
vai um breve resumo da sua história. 
O meio familiar e a educação
Lutero nasceu no dia 10 de novembro de 1483 em Eisleben, uma pequena cidade da Alemanha. 
Seus pais eram de origem camponesa e eram religiosos tradicionais. Seu pai adquiriu, pouco a pouco, 
certo bem-estar por seu trabalho na extração mineira. Não havia na família nem sacerdotes nem mon-
ges. Segundo depoimentos do próprio Lutero, sua educação foi severa e algumas vezes foi castigado 
fisicamente a ponto de fugir de seu pai. Disse ainda que numa determinada vez, por ter pegado uma 
noz indevidamente, apanhou de sua mãe até sangrar.
Sua formação escolar ocorreu em três etapas:
de 1488 a 1497, frequentou a escola municipal de Masfeld. Ali aprendeu os rudimentos do la-::::
tim, o canto e, com toda a certeza, as expressões principais da fé cristã: os dez mandamentos, 
o pai-nosso, a ave-maria, o credo. Os métodos empregados na escola eram os tradicionais, 
fundados em particular na memorização e sem excluir o uso frequente de pancadas;
de 1498 a 1501, foi aluno em Eisenach. Ali frequentou a “escola do Trívio”, uma escola que ensi-::::
nava as três disciplinas fundamentais: a gramática, a retórica e a dialética;
em 1501, Lutero iniciou seus estudos universitários em Erfurt, uma das principais universida-::::
des alemãs da época. A Faculdade de Direito, à qual o pai de Lutero o encaminhou, tinha uma 
boa reputação. Como era de costume, diferente das Universidades hoje, ele começou estu-
dando durante três anos na Faculdade de Artes. Nesse ciclo, se formou nas disciplinas tradi-
cionais: gramática, dialética e retórica, que constituíam o trívio; geometria, aritmética, música 
e astronomia (quadrívio). Teve que participar também de cursos de ética e de metafísica. A fa-
miliaridade de Lutero com a lógica aristotélica e seus conhecimentos da ética e da metafísica, 
do mesmo Aristóteles, remontam ao ensino recebido durante esses anos. Em 1502 tornou-se 
bacharel, o que lhe permitiu ensinar aos principiantes a gramática, a retórica e a lógica. A 7 
de janeiro de 1505 recebeu o grau de mestre. Durante esse tempo, participou de cursos e mi-
nistrou outros. Era igualmente incumbido de tomar parte em debates acadêmicos, exercício 
tradicional das universidades na época.
Martinho Lutero.
W
ik
ip
éd
ia
.
37|A Reforma do século XVI
O monge
Como Lutero tornou-se monge se estava estudando Direito?
Lutero mesmo conta a sua história, mais tarde, numa das conversas à mesa. Referiu-se ao temporal que 
o surpreendera a 2 de julho de 1505 perto de Stotternheim. Aterrorizado por um raio que quase o fulminara, 
o jovem homem exclamara: “Ajuda-me, Santa Ana, que me tornarei monge”. De volta a Erfurt, o estudante 
despediu-se de seus amigos e submergiu, a 17 de julho de 1505, no convento dos agostinianos da cidade.
Existem outros dados que podem explicar a ida de Lutero ao convento. Melanchton relatou acer-
ca da morte súbita de um amigo pouco antes do acontecimento. Outra fonte diz que Lutero teria sido 
ferido nos meses precedentes por um golpe de espada.
A verdade é que havia por trás dos fatos um sentimento de culpa, um medo da severidade de 
Deus, como alguém que diariamente cobra das pessoas pelos seus pecados. Numa de suas prédicas, 
em 1534, ele relata:
Fui monge por quinze anos, sem contar o que tinha vivido antes. Li com zelo todos os seus livros e fiz tudo quanto 
estava ao meu alcance. Em nenhum momento consegui achar consolo em meu batismo; ao contrário, pensava conti-
nuamente: Ó, quando finalmente poderás tornar-se piedoso e fazer o suficiente, para teres um Deus misericordioso? 
Através de pensamentos como esse, fui incitado em direção à mongeria, tendo me atormentado e supliciado através 
do jejum, do frio e da vida severa. (LUTERO, 1995)
O sacerdote
Entrando para o convento e seguindo a tradição dos monges agostinianos, Lutero tornou-se um 
sacerdote. Em 27 de fevereiro de 1507, Lutero foi consagrado diácono, e em 3 de abril ordenado sacer-
dote. No dia 2 de maio celebrou sua primeira missa na presença de seu pai. Na parte central da celebra-
ção, no momento do ofertório, Lutero foi tomado por uma angústia súbita. “Quem é aquele com quem 
tu falas?”. Teria dito ele para si mesmo, segundo seu testemunho de 1540. “A partir desse momento li a 
missa com um intenso pavor.” Ao que parece, tratou-se do temor de aproximar-se de maneira direta da 
majestade de Deus. A angústia continuou por um tempo. Lutero sentia o peso de uma imagem de Cristo 
esboçada essencialmente como juiz.
Os estudos para o ensino de Teologia
Estudar Teologia foi o caminho para Lutero encontrar respostas às suas angústias. Foi também o 
caminho para descobertas importantes e para a Reforma de 1517. 
Começou seus estudos em 1507. De outubro de 1508 ao outono de 1509, mudou-se para Wit-::::
tenberg, a fim de aí prosseguir seus estudos e assumir cursos na faculdade de Artes. 
Em março de 1509, tornou-se bacharel em Bíblia na Faculdade de Wittenberg.::::
Em outubro de 1512, obteve o grau de Doutor e começou a ensinar. Passou a comentar a Bíblia ::::
para os estudantes da Faculdade de Teologia de Wittenberg.
Entre 1513 a 1518, seu ensino abordou sucessivamente os Salmos, depois as Epístolas aos Ro-::::
manos, aos Gálatas e aos Hebreus. 
38 | A Reforma do século XVI
Depois de 1509, utilizou-se uma nova tradução de Aristóteles. Havia um cuidado especial no ::::
ensino do grego e do hebraico, sobretudo a partir de 1517-1518, quando foram fundadas no-
vas cátedras para essas disciplinas.
A partir de 1511, foi-lhe confiada a pregação em seu convento. Pouco depois tornou-se sub-::::
prior e regente de estudos. Vigário de distrito após 1515, passou a ser o responsável por 10 a 
20 conventos em Meissen e na Turíngia.
A crise interior
A entrada na vida monástica não acalmou Lutero. Não encontravapaz interior, vivia angustiado. 
Num de seus relatos ele mesmo diz: 
Eu me martirizava com a oração, o jejum, as vigílias, o frio. [...] Que procurava com isso, senão a Deus? Ele sabe com 
quanto zelo observei minha regra (monástica) e que vida severa eu levava [...] Pois eu não confiava em Cristo, antes o 
tomava por nada além de um juiz severo e terrível, tal como se costuma pintá-lo assentado sobre o arco-íris. (LIENHARD, 
1998)
A chave para o problema de Lutero foi encontrada com muito estudo das Escrituras (Bíblia). Com-
preendeu que a justiça de Deus, da qual nos fala o Evangelho, não é aquela de Deus juiz, mas a aceitação 
do ser humano pecador por Deus, a dádiva de Cristo concedida por Deus ao ser humano. É unido a Cris-
to na fé que o ser humano poderá viver, ou seja, subsistir diante de Deus. Foi na carta do Apóstolo Paulo 
aos Romanos que Lutero encontrou um versículo desafiador que diz: “O Justo viverá por fé”. A justiça de 
Deus, que é dada pela fé, que está assentada tão só em Deus e em sua misericórdia. 
O conflito com a Igreja tradicional
O nome de Lutero começou a aparecer na Igreja a partir de 1517, quando ele atacou pela primeira 
vez a questão das indulgências. Para ele, elas desferiam um duro golpe na sinceridade da penitência.
O que eram as indulgências?
Eram entendidas como a remissão, pela Igreja, de uma pena que tinha sido imposta ao penitente, 
depois que ele tinha confessado sua falta e recebido a absolvição. Isso, por sua vez, baseava-se na ideia 
de que um ato pecador compreendia não apenas uma falta, mas também uma pena que o pecador 
devia cumprir sobre a terra ou no purgatório.
A prática das indulgências existia desde o século XI. No início, só abrangiam as penas impostas pela Igreja na vida terrena. 
Posteriormente foram estendidas àquelas do purgatório, abrangendo aí também aquelas que se referiam às pessoas já 
falecidas. As indulgências ajudavam a enriquecer o tesouro da Igreja e veio com o tempo atender às necessidades finan-
ceiras do papado. A indulgência contra a qual Lutero iria se levantar tinha sido promulgada em 1506 e renovada em 1517. 
As somas recolhidas estavam destinadas a financiar a construção da basílica de São Pedro em Roma. Uma percentagem 
cabia ao arcebispo Alberto de Mogúncia, que organizava na Alemanha a venda das indulgências, empregando os serviços 
de Tetzel. A aquisição de uma indulgência custava 1 florim para o artesão e 25 florins para os reis, príncipes e bispos. Para 
se ter uma ideia, o custo de subsistência de uma pessoa importava em 1 florim para uma semana. (LIENHARD, 1998)
Para Lutero, o cristão precisava de um arrependimento verdadeiro. A indulgência não poderia 
dispensá-lo, pois em caso contrário o cristão tornar-se-ia vítima de uma falsa segurança.
39|A Reforma do século XVI
Por isso, quando escreve as 95 teses, de 31 de outubro de 1517, Lutero escreve: “Ao dizer: fazei 
penitência, [...] nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência” (tese 
número 1). “Seja excomungado e maldito quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas” 
(tese 71), mas não se deveria aí depositar sua confiança (teses 32, 49, 52), e, sim, “ensinar aos cristãos 
que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indul-
gências” (tese 43). Lutero chegou à base da doutrina das indulgências, ao definir o tesouro da Igreja. Não 
estariam em questão os méritos excedentes de Cristo e dos santos, mas “o verdadeiro tesouro da Igreja 
é o Santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus”. 
Resumindo, indulgência era um documento que vendia perdão dos pecados. As pessoas pode-
riam comprar perdão para si ou para qualquer outra pessoa, amigo, familiar, mesmo que já estivessem 
mortos. Foi a gota d’água para que Lutero publicasse, no dia 31 de outubro de 1517, as 95 teses, que 
falam sobre os abusos da Igreja. Ele deseja uma reforma, uma revisão das posições teológicas da mes-
ma. Para Lutero, qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão plena de pena e 
culpa, mesmo sem carta de indulgência.
Lutero não tinha uma ideia clara da repercussão que teriam as suas teses e o eco que isso 
causaria, mas tinha uma convicção: não estava falando nada que fosse contra os princípios bíblicos. 
Ele mesmo diz:
Em primeiro lugar, protesto que absolutamente nada quero dizer ou sustentar senão o que é e pode ser sustenta-
do primeiramente nas Sagradas Escrituras e a partir delas, depois em e a partir dos Pais da Igreja aceitos e até ago-
ra conservados pela Igreja Romana e, por fim, a partir dos cânones e das decretais pontifícias. (LUTERO, 1995)
Sempre gostei de ler sobre Lutero. Especialmente porque sempre achei seus textos atuais, por 
parecer que está falando dos problemas da nossa época. Interessante é que Lutero sempre encontrou 
respostas para suas aflições nas Escrituras Sagradas. Era a sua fonte de vida, fonte de inspiração. Lutero 
mostrou que aí está um manual seguro de orientação para a vida.
Atividades
1. Como você analisa a presença de Deus na trajetória de Lutero?
2. Na sua visão, a ideia de Lutero era ser um novo Papa ou seu desejo era somente corrigir erros 
teológicos da Igreja a qual ele pertencia?
40 | A Reforma do século XVI
3. Qual foi a importância da Reforma para a evolução do pensamento humano?
Ampliando conhecimentos
A indicação de leitura são as obras de Lutero já traduzidas para o português. Já existem nove livros 
traduzidos com as principais ideias do reformador.
LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Porto Alegre: Concórdia, 1995.
Autoavaliação
1. Numa reflexão mais aprofundada é possível considerar a Reforma Luterana como uma obra atual. 
Quais os aspectos possíveis de se aplicar no nosso cotidiano?
Referências
LIENHARD, Marc. Martim Lutero: tempo, vida e mensagem. São Leopoldo: Sinodal, 1998.
LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Porto Alegre: Concórdia, 1995.
Resumo
Hoje, quando falamos em Reforma Luterana, buscamos entender alguns 
aspetos importantes que nos reportam para o século XXI. Quando falamos 
em causas da ruptura com o catolicismo, podemos aventar várias possibi-
lidades. Seriam causas econômicas, políticas, nacionalismo, individualismo 
renascentista e uma preocupação crescente pelos abusos eclesiásticos. Tudo 
isso se percebe. Mas o fato é que a causa básica foi a religiosa. Lutero tinha 
a intenção única de reformar a sua querida Igreja, que era a Igreja Católica 
Apostólica Romana. Como não foi compreendido e acabou excomungado, 
a solução foi seguir com os seus simpatizantes para um outro caminho. Sur-
ge assim o Luteranismo. Lutero não desejava esse nome. Ele mesmo disse: 
“peço que deixem de lado o meu nome e não se chamem luteranos, mas 
cristãos” (LUTERO, 1995).
A Reforma Luterana – pensamento
A base de Lutero
Todos os fundamentos doutrinários de Lutero são bíblicos. Estudioso da Bíblia e professor de Teo-
logia, ele estava convicto de que a palavra de Deus era fonte para a vida. É com base neste conjunto de 
livros que ele busca força para contrapor todos os abusos cometidos pela Igreja de sua época. Foi da Bíblia, 
no livro de Romanos, que Lutero entende a justificação pela fé: “Visto que a justiça de Deus se revela no 
evangelho, de fé em fé, como está escrito: o justo viverá por fé” (Romano 1,17). Significa que o homem é 
justificado por Deus pela fé e não pelas obras. Isso se opõe à ideia de que o povo precisava comprar as 
indulgências para ser salvo.
42 | A Reforma Luterana – pensamento
O grande diferencial apontado por ele nos textos é a insistência nas palavras de ordem: “apenas Deus; apenas as escri-
turas e apenas a Graça”. Esta última só é conseguida mediante a conscientização e fé nas duas anteriores. A justificação 
pela fé move e alicerça o Protestantismo. Porém, esta graça nos vem de graça, nos é dada de forma gratuita por Deus, 
sem intermediários ou simonias. “Para recebermos a salvação pela graça que vem apenas por meio do Senhor Jesus é 
preciso que hajauma sinceridade e absoluta confiança em Deus e na Sagrada Escritura”. (MARQUES, 2005, p. 203)
Na dieta1 de Worms, em março de 1521, Lutero foi convidado a se retratar. Pediu um prazo para 
dar a resposta e quando voltou “falou como um profeta de Deus: se não lhe provassem pela Escritura 
Sagrada que tinha escrito algo contrário à doutrina cristã, não se retrataria” (STEYER, 2000, p. 130).
Pensamento de Lutero
Além do sucesso da Reforma do século XVI, Lutero foi um incansável escritor. Depois de ser exco-
mungado, em 26 de maio de 1521, ele foi “sequestrado” por um amigo seu, Frederico, o Sábio. Assim:
Durante aproximadamente dez meses no Castelo de Wartburgo, escreveu diversas obras teológicas, destacando-se, 
porém, a sua tradução do Novo Testamento do original grego para o alemão. Uma obra mestra, pois graças ao seu 
talento e conhecimento linguístico, conseguiu unificar os cerca de duzentos dialetos existentes numa única língua 
padrão. (STEYER, 2000, p. 130)
A Igreja tenta silenciar Lutero
Apesar da alegria de muita gente em ter visto Lutero atacar o comércio de indulgências, natural-
mente, outras pessoas o odiaram. Principalmente os amigos dominicanos de Tetzel, um dos grandes 
interessados em arrecadar dinheiro. Os mesmos começaram a espalhar mentiras sobre Lutero. Ao ouvir 
essas mentiras, o imperador Maximiliano I escreveu para o papa instando com ele para que fizesse al-
guma coisa a respeito de Lutero. 
A situação começou a ficar difícil para o monge. Para piorar, ele acabara de pregar um sermão vi-
goroso sobre a excomunhão, afirmando que uma pessoa excomungada iria para o Céu caso conservas-
se a fé no coração. Se o povo acreditasse nisso, a Igreja perderia a sua mais potente arma. Assim, o papa 
Leão X tomou providências e convocou Lutero para apresentar-se em Roma, a fim de ser examinado. Em 
seguida, o papa modificou esta ordem e disse ao cardeal Caetano que prendesse Lutero. Posteriormen-
te, o papa deu instruções no sentido de que, se Lutero se arrependesse de seus ataques, fosse liberado; 
caso contrário, a Igreja devia puni-lo com a excomunhão.
Pelo menos Lutero tinha um protetor. Tratava-se do eleitor Frederico, o Sábio, da Saxônia. 
Frederico tinha em alta estima o seu professor de religião. Muitos dos seus oficiais, incluindo o 
pregador da corte, George Spalatin, estavam do lado dele e de Frederico. O eleitor estava decidido 
a fazer com que Lutero tivesse um julgamento justo, o que não aconteceria se seus inimigos con-
1 Dieta: Assembleia Legislativa que reunia todas as forças políticas da Alemanha, convocada pelo imperador, com a finalidade de discutir 
assuntos de interesse civil e religioso.
43|A Reforma Luterana – pensamento
seguissem pôr as mãos nele. Assim sendo, Frederico, engenhosamente, tornou ineficazes todas as 
suas tentativas de retirar Lutero de sua proteção.
Em outubro de 1518, Lutero teve três encontros com o cardeal Caetano. O cardeal tinha or-
dens expressas de Roma para não entrar em debate público com Lutero. Ele seria simplesmente 
solicitado a retratar-se, ou seja, desdizer o que havia declarado oralmente ou por escrito. Se fizesse 
isso, seria perdoado e voltaria a ser novamente um “verdadeiro filho da Igreja”. Caso contrário, ou-
tras medidas seriam tomadas.
Lutero tomou uma postura humilde diante de Caetano, mas mesmo assim não chegaram a um 
acordo. Lutero disse que não iria se retratar, a menos que alguém mostrasse, pela Bíblia, que ele estava 
errado. Caetano não podia fazer isso. Por fim, o cardeal zangou-se e ordenou que Lutero se retirasse e só 
se apresentasse novamente quando estivesse pronto a se retratar.
Dias depois, Lutero viu a cópia de um anúncio feito pelo papa, no qual era chamado de herege, ou 
seja, aquele que acredita ou ensina doutrina falsa. O papa o tinha declarado culpado sem nem mesmo 
ouvir as suas razões. Caetano escreveu a Frederico chamando Lutero de herege e pedindo que ele fosse 
mandado a Roma ou forçado a abandonar a Saxônia. Lutero defendeu-se das acusações de Caetano e 
disse que apelaria para um concílio geral da Igreja.
Frederico estava numa enrascada. Não sabia se entregava Lutero ou não. Voltou-se para os seus 
professores universitários à procura de conselho. Praticamente todos eles estavam ao lado de Lutero. 
Frederico queria cumprir o seu dever cristão. Se Lutero estivesse certo, ele cometeria um pecado contra 
Deus por entregá-lo aos seus inimigos. Se estivesse errado, então certamente haveria homens bastante 
instruídos na Igreja para demonstrar os erros dele. Mas isso só poderia ser feito se dessem a Lutero uma 
boa chance para explicar e defender as suas ideias.
Conversando com o papa, Frederico conseguiu fazer com que um representante seu visitasse 
a Saxônia e conversasse com Lutero. O homem escolhido foi Charles Von Miltitz. Ele era da Saxônia 
e parente de Frederico. Enquanto atravessava a Alemanha, Miltitz foi descobrindo que muita gente 
estava ao lado de Lutero e que Frederico não o entregaria. Após conversar com Lutero, Miltitz disse 
que faria um relatório favorável ao papa. Lutero prometeu que pararia de pregar contra as indulgên-
cias se seus inimigos parassem de atacá-lo. Também permitiu que um bispo alemão examinasse seus 
ensinos e apontasse neles quaisquer erros. Os dois homens se despediram em paz. Com o relatório 
entregue em Roma, o papa perdoou Lutero e lhe deu as boas vindas de reingresso na Igreja. Ele esta-
va ansioso para acabar de vez com as dificuldades na Alemanha, porque outros problemas lhe ocupa-
vam a mente. Inesperadamente, porém, morreu o imperador Maximiliano. As questões eclesiásticas 
foram esquecidas por um pouco, enquanto um novo imperador tinha sido escolhido. Deus estava 
dando a Lutero um pouco mais de tempo. 
A excomunhão de Lutero
Lutero havia concordado em permanecer em silêncio se os seus oponentes também o fizessem. 
Mas eles não cumpriram a parte deles no acordo. 
44 | A Reforma Luterana – pensamento
O primeiro debate sobre as teses de Lutero foi marcado para a cidade de Leipzig. O doutor 
Carlstadt, de Wittenberg, e o doutor Eck, de Ingolstadt, seriam os debatedores. Este último, natu-
ralmente, estava disposto a atacar e acabar com Lutero, que foi junto com Carlstadt na esperança 
de que pudesse ter uma chance de tomar parte no debate e defender-se contra as acusações de 
Eck. Em junho de 1519, Lutero cavalgou as 40 milhas (cerca de 65 quilômetros) até Leipzig, junto 
com vários outros professores de Wittenberg. Duzentos estudantes com espadas e alabardas foram 
junto para protegê-lo.
O debate foi realizado no castelo do duque George. Segundo as regras, um dos contendores de-
via levantar-se e falar durante meia hora. Em seguida, seria a vez do outro. Estas notas seriam enviadas 
a várias Universidades para avaliação.
Durante a primeira semana, Eck disputou com Carlstadt. Confiando em sua memória extraordiná-
ria, Eck não fazia uso de notas nem de livros. Carlstadt, pelo contrário, consultava uma pilha de livros à 
medida que falava. Isso era cansativo para a audiência, mas os argumentos de Carlstadt pareceram mais 
consistentes quando os registros foram mais tarde lidos e julgados. Notando isso, Eck solicitou que as 
regras do debate fossem alteradas, de modo que nenhum livro pudesse se consultado durante a discus-
são. A audiência apoiou a ideia. Daí para frente, Carlstadt começou a perder terreno no debate.
Lutero assumiu o lugar de Carlstadt em 4 de julho de 1519. O ponto principal da discussão era: 
“Como e quando o papa tornou-se o cabeça da igreja cristã?” Eck insistia em que Cristo mesmo fez de 
Pedro o primeiro papa. Lutero, até historicamente, mostrava que depois de Cristo passaram-se centenas 
de anos sem que houvesse papa algum. Pedia a Eck, acima de tudo, argumentos da escritura. Eck fazia 
referência aos escritos dos pais da Igreja Primitiva e às leis e decretos dos concílios. Lutero disse: “com 
todo o respeito devido aos pais, prefiro ater-me às sagradas escrituras”. 
Ao ver que Lutero estava levando a melhor nodebate, Eck comparou-o a João Huss. Huss tinha 
sido queimado como herege em 1415, mas os seus seguidores mantinham vivas as suas ideias. O povo 
desta parte da Saxônia odiava os hussitas porque eles tinham frequentemente invadido terras saxô-
nicas e destruído muitas propriedades. Quando Lutero replicou que algumas das ideias de Huss eram 
corretas, muitos da audiência ficaram contra ele. Depois de mais algum debate sobre a penitência, in-
dulgências e purgatório, a discussão chegou ao fim. Os partidários de Eck achavam que ele tinha ganho 
o debate e, depois disso, o papa passou a considerá-lo um paladino na luta contra as falsas doutrinas. 
Os amigos de Lutero, por sua vez, estavam igualmente orgulhosos do seu campeão; afinal, ele não tinha 
arrefecido diante do grande João Eck.
Este debate levou Lutero a compreender o quanto ele tinha se afastado dos ensinos de Roma. 
Para ele, a Bíblia era infinitamente mais importante do que todos os escritos dos pais eclesiásticos. 
Na Escritura era Deus quem falava, não os homens. Viesse o que viesse, a consciência de Lutero 
estava cativa à palavra de Deus.
Em 1520, Lutero escreveu vários tratados importantes. Ele disse que o papa não estava acima dos 
governantes terrenos. Disse também que qualquer cristão, estudando cuidadosamente, poderia com-
preender a Escritura tão bem quanto o papa e censurou ainda as vidas dissolutas de muitos dos líderes 
da Igreja.
45|A Reforma Luterana – pensamento
Algumas controvérsias teológicas
A Igreja Católica Romana ensina que há sete sacramentos. Lutero afirmou que na realidade há ::::
apenas três – Batismo, Ceia do Senhor e Penitência – e ele não estava muito certo acerca deste 
último. A Igreja ensinava que o único caminho para Deus era por meio de mediação do sacer-
dote. Lutero disse que todos os homens são sacerdotes e podem ir diretamente a Deus.
 A Igreja Romana ensinava que na Ceia do Senhor o pão e o vinho são transformados pelo sa-::::
cerdote no corpo e sangue de Cristo. O sacerdote, pois, “sacrifica” o corpo e o sangue de Cristo 
pelos pecados do povo. Lutero negou isso e mostrou, com base na Bíblia, que a morte de Cristo 
na cruz pagou por todos os pecados uma vez e para sempre, e que seu corpo não necessita ser 
sacrificado novamente. A escritura também deixa claro que no sacramento do altar, o pão e o 
vinho permanecem, mas o crente recebe com eles também o verdadeiro corpo e sangue de 
Jesus. Lutero argumentava que ao povo devia ser dado não apenas o pão, mas também o vinho, 
porque foi desta maneira que Jesus ministrou a Santa Ceia aos seus discípulos.
Lutero mostrou como um cristão devia ser “um senhor livre, não sujeito a ninguém” e, ao mes-::::
mo tempo, “servo de todos, a todos sujeito”. Em nos dando o Céu como presente, Deus nos li-
bertou de todos os temores. Em agradecimento a Deus por esta liberdade, o Cristão não pode 
deixar de servir aos outros por meio de obras de amor e benevolência.
A bula papal
Enquanto Lutero escrevia, Eck encontrava-se a caminho de Roma. Lá chegando, fez um relató-
rio sobre o debate de Leipzig. A cúria, ou corte da Igreja, realizou então uma reunião especial. Com 
a ajuda de Eck e Caetano, redigiram uma lista de 41 erros cometidos por Lutero. Foi, então, enviada 
a ele uma bula ou carta papal, exigindo que se retratasse dos seus falsos ensinos dentro de 60 dias, 
caso contrário, seria excomungado.
Se o papa pensava que essa bula amedrontaria Lutero e o reduziria ao silêncio, estava enganado. 
Muita gente estava alegre porque Lutero teve a coragem de pôr a descoberto as coisas que estavam 
erradas no seio da Igreja. Frederico, o Sábio, tinha decidido proteger Lutero. Mais importante que tudo, 
Lutero não podia parar de proclamar ousadamente a verdade do evangelho.
Eck foi encarregado da perigosa tarefa de anunciar a bula papal na Alemanha. O povo rasgou os 
seus cartazes e o ameaçou, de modo que se deu por satisfeito em retornar vivo a Ingolstadt.
Alguns dos inimigos de Lutero queimaram seus livros em praça pública. Quando Lutero soube 
disso, fez ele próprio também a sua fogueira. No dia 10 de dezembro de 1520 – fim do prazo dado pelo 
papa para que ele se retratasse, distribuiu o anúncio de sua própria queima de livros. Fora dos muros de 
Wittenberg, Lutero queimou os livros de direito canônico e dos escritos dos padres. Aproveitou também 
para queimar a bula papal. O rompimento de Lutero com a Igreja tinha acontecido finalmente.
46 | A Reforma Luterana – pensamento
Declarado herege
Em janeiro de 1521, o papa declarou Lutero herege e o excomungou. Isso significava que ele, à 
semelhança de um galho morto, solto da árvore, estava desvinculado da Igreja. Seus livros foram quei-
mados e os seus seguidores foram exortados a abandoná-lo.
Aleander, o mensageiro do papa na Alemanha, tentou conseguir que o novo imperador, Carlos V, 
declarasse Lutero um fora da lei. Se isso fosse feito, ele seria caçado e morto como um animal.
Lutero foi convidado para ir à cidade de Worms. Lá aconteceria uma Dieta, uma espécie de 
Concílio, onde ele seria examinado e interrogado, mas não lhe seria permitido argumentar ou expli-
car seus ensinos. O imperador enviou a ele um salvo-conduto, uma carta prometendo que estaria 
em segurança.
No dia 17 de abril de 1521, Lutero foi levado ao palácio do bispo, onde o imperador e a Dieta es-
tavam reunidos. O recinto estava lotado. Ao longo das paredes havia soldados espanhóis e alemães em 
formação. Havia príncipes, eleitores, bispos e cavaleiros por todos os lados. Todos sabiam o que estava 
por trás desta reunião. O poder do papa tinha sido desafiado. Se o papa quisesse manter sua autoridade, 
Lutero devia confessar que estava errado.
O inquiridor lançou uma pergunta dupla a Lutero: “Dr. Lutero, o senhor admite que escreveu estes 
livros e que estava errado no que escreveu?” Um a um, os títulos dos 25 livros que estavam empilhados 
sobre uma pequena mesa foram lidos em voz alta. Então Lutero respondeu à primeira pergunta: “Sim, 
estes livros são meus; eu os escrevi, e escrevi ainda outros”. Quanto à pergunta sobre a retratação, Lutero 
disse: “Esta pergunta diz respeito a Deus, à sua palavra e à salvação de almas. Peço que me deem algum 
tempo para pensar no assunto” (LUTERO, 1995). O imperador deu-lhe um dia para pensar e responder.
No outro dia sua resposta foi clara e simples: “A menos que me convençam, pela escritura ou por 
razões claras, de que estou errado, eu permaneço constrangido pelas escrituras. Não posso me retratar. 
Deus me ajude. Amém” (LUTERO, 1995).
Um grande rumor de vozes eclodiu na sala. O imperador abandonou a sala e a reunião foi encer-
rada. Enquanto muitos dos amigos de Lutero o aplaudiam, seus inimigos pediam para que ele fosse 
queimado como herege. Houve outras tentativas de convencer Lutero a retratar-se, mas sempre em 
vão. Sua resposta era sempre a mesma: convençam-me pela Escritura. No dia 26 de abril, Lutero e seus 
três amigos deixaram Worms e retornaram a Wittenberg. A qualquer momento poderiam dar fim a sua 
vida, mas ele colocava-se inteiramente nas mãos do seu Criador.
O exílio
Um mês depois, no dia 26 de maio de 1521, o imperador Carlos V assinou o Edito de Worms. Este 
documento fazia de Lutero um fora da lei, um proscrito. Ninguém devia ter qualquer negócio com ele. 
Todo cidadão estava no dever de capturá-lo e entregá-lo às autoridades. Ele podia ser morto se avista-
do. Mas um amigo seu, Frederico, sequestrou Lutero e o escondeu no castelo de Wartburgo até que as 
coisas se acalmassem.
No castelo, Lutero aproveitou para trabalhar. Escreveu livros, panfletos e cartas que eram le-
vados a uma impressora; as cópias logo começaram a ser espalhadas por toda a Alemanha. O povo 
47|A Reforma Luterana – pensamento
lia com alegria, pois isso significava que Lutero ainda estava vivo e escrevia para eles. Deu início 
ao trabalho de tradução do Novo Testamento grego para o alemão. Em 11 semanas o trabalho es-
tava concluído. Agora, muito mais gente poderia vir ao conhecimento de Jesuspor meio da Bíblia, 
como tinha acontecido com ele próprio. Escreveu também um catecismo com dicas para a melhor 
vivência cristã.
A volta
A Câmara Municipal de Wittenberg enviou uma carta a Lutero para que ele voltasse do exílio. 
Havia acontecido algumas confusões, principalmente por parte de homens que queriam adiantar o pro-
cesso de reforma e impostores que se diziam profetas do Senhor. De volta ao seu próprio púlpito, Lutero 
pregou uma série de contundentes sermões ao seu povo, urgindo com os moradores da cidade a que 
fossem pacientes e deixassem a palavra de Deus operar nos corações dos homens. “Quando tivermos 
conquistado os corações dos homens, os males morrerão por si mesmos”. Nunca devemos usar a força. 
A vida inteira do cristão deve ser de fé e amor, disse ele aos seus ouvintes.
Nunca foi intenção de Lutero fundar uma nova Igreja. Seu estudo da Bíblia o convenceu de que mui-
ta coisa ensinada pela Igreja do seu tempo era de invenção humana. Lutero desejava que a Igreja parasse 
de ensinar esses erros e retornasse à doutrina pura, conforme ensinada por Cristo e seus apóstolos.
O casamento de Lutero
O celibato obrigatório fora introduzido por Gregório VII, em 1075. É de origem pagã. A Escritura 
Sagrada, tanto do Antigo como do Novo Testamento, ordena o casamento para os sacerdotes. “É ne-
cessário que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher. E que governe a sua própria casa, 
criando os filhos sob a disciplina, com todo o respeito” (1Timóteo 3.2).
Lutero casou-se com Catarina von Bora, ex-freira. Catarina entrou no convento contra a sua vontade. 
Sem vocação, abandonou a vida religiosa e, aos 26 anos, casou-se com Lutero, que tinha 42 anos.
Tiveram seis filhos: João, Elisabeth, Madalena, Martin, Paulo e Margarete. Foi um lar feliz, com 
muito respeito, amor, muita música e canto. Mas foi de lágrimas também, quando o casal perde a pe-
quenina Elisabeth, com menos de um ano de idade e mais tarde a outra filha, Madalena, com apenas 
13 anos de idade.
A morte de Lutero
E um dia teria de acontecer. O importante é que Lutero fez a sua parte. Era hora de descansar, 
depois de longos anos de trabalho, como diz o texto:
A longa vida monástica entre jejuns e vigílias, as múltiplas horas de estudo, aulas, conferências, entrevistas, as penosas 
viagens realizadas, a enorme produção literária e, sobretudo, a responsabilidade da liderança espiritual da Reforma, 
48 | A Reforma Luterana – pensamento
bem como a ameaça constante do espectro do Edito de Worms, abalaram a sua saúde física. Assim, aos 62 anos de 
idade, Lutero veio a falecer. (STEYER, 2000, p. 137)
E continua o texto:
Na madrugada de 18 de fevereiro de 1546, assistido pelo seu confessor, doutor Justo Jonas, e pelo capelão Célio, de Masfeld, 
confessou sua fé em Cristo Jesus. Recitou por três vezes o versículo bíblico de João 3.16: “Porque Deus amou o mundo de tal 
maneira que deu o seu filho unigênito (Jesus Cristo), para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”, 
e com as palavras do Salmo 31.5 “Nas tuas mãos entrego o meu espírito; tu me remiste, Senhor, Deus da Verdade”, entregou 
sua alma nas mãos do criador. (STEYER, 2000, p. 138)
Seu corpo foi sepultado ao lado do púlpito da Catedral de Wittenberg, do alto do qual por tantos 
anos anunciara o evangelho do amor de Deus em Cristo Jesus.
A paz de Augsburgo
A paz assinada em Augsburgo, no ano de 1555, concretiza o reconhecimento oficial da Reforma 
por parte do Sacro Império Romano Germânico.
Carlos V convoca uma dieta para a cidade de Augsburgo (Alemanha). Presidida por Fernando, o 
irmão de Carlos V, a dieta caracterizou-se pelo bom senso, pois se procurou achar um modus vivendi. 
Assim, foi assinada a Paz de Augsburgo, na data histórica de 25 de setembro de 1555, que concedia 
direitos iguais tanto a católicos como a luteranos (STEYER, 2000, p. 140).
Foi uma batalha. Não com armas. Talvez o modelo de batalha que o mundo deveria adotar, subs-
tituindo as armas. Lutero usou apenas a palavra, mas seu argumento foi forte.
Foram 38 anos de longos debates, desde o momento em que Lutero afixou as 95 teses na porta 
da Igreja de Wittenberg até a assinatura da paz de Augsburgo. Isso que a ideia inicial era apenas a 
simples intenção de conter o abuso da venda de indulgências. Como diz o texto: “Trinta e oito anos 
que alteraram o curso da história, pois devolveu ao homem a mais nobre das liberdades, a liberdade 
da consciência” (STEYER, 2000, p. 140).
Atividades
1. Qual foi a base utilizada por Lutero nas discussões da Reforma?
49|A Reforma Luterana – pensamento
2. Você já conhecia a história da Reforma? O que mais chamou a sua atenção no decurso do texto?
3. Qual é a diferença em dizer que “o homem é salvo pelas obras” ou “que o homem é salvo pela fé”?
50 | A Reforma Luterana – pensamento
Ampliando conhecimentos
Nossa sugestão é a leitura do livro:
LIENHARD, Marc. Martim Lutero: tempo, vida e mensagem. São Leopoldo: Sinodal, 1998.
Autoavaliação
1. Reflita sobre a situação social, econômica e política na época da Reforma e relacione questões 
ainda não resolvidas na nossa sociedade atual.
Referências
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de: Almeida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
KUCHENBECKER, Valter. O Homem e o Sagrado. Canoas: Editora da Ulbra, 2000.
MARQUES, Leonardo Arantes. História das Religiões e a Dialética do Sagrado. São Paulo: Editora Ma-
dras, 2005.
LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Porto Alegre: Concórdia, 1995.
STEYER, Walter O. Da Igreja Primitiva até a Reforma. In: KUCHENBECKER, Valter. O homem e o sagrado. 
Canoas: Editora da Ulbra, 2000.
A Igreja Luterana 
e a Educação
Lutero e a Educação
Muitos alunos perguntam qual a relação entre a disciplina de Cultura Religiosa e a Universidade 
Luterana. Outros querem saber se realmente é importante esse tipo de conteúdo no contexto social em 
que vivemos hoje. Respondemos dizendo que a Ulbra é uma instituição confessional. Surgiu de uma 
comunidade luterana e tem um papel muito importante na educação do jovem hoje. A Universidade 
tem uma filosofia luterana de educação. O aluno que estuda nessa instituição durante vários anos e con-
segue a colação de grau será inquirido por amigos e familiares sobre essa filosofia. Por isso, é importante 
que pelo menos quatro créditos sejam destinados ao conhecimento da Universidade e de sua filosofia 
religiosa, com propostas definidas de educação.
Mas para entender essa preocupação pela educação, é necessário um retorno às origens. Vamos 
voltar mais uma vez ao século XVI e ver que Martinho Lutero teve uma preocupação constante com a 
educação do povo alemão, principalmente das crianças e dos jovens. O reformador não estava preo-
cupado somente com a existência de escolas e boas universidades, mas também com a qualidade de 
ensino. Para entender bem esse aspecto, é preciso reler alguns textos nessa área e tirar, em ordem cro-
nológica, as principais ideias de Lutero quanto à educação.
Por volta de 1500, a Igreja Cristã ainda se resumia em Católica Apostólica Romana e Igreja Orto-
doxa, resultado do Cisma de 1054. A Reforma Luterana estava longe de acontecer. Martinho Lutero era 
um jovem de 17 anos e nem sabia que um dia entraria para alguma ordem religiosa e seguiria a vida 
monástica. Ele estava concluindo a escola secundária e o desejo do pai era fazer de seu filho um grande 
doutor em Direito. Foi para isso que Lutero entrou na Universidade de Erfurt, uma das melhores da Ale-
manha, com aproximadamente dois mil alunos. Sua preparação foi suada, incluindo leituras dos escritos 
de romanos famosos e de grandes pensadores gregos. Mas valeu a pena, pois em setembro de 1502, 
Lutero recebeu o diploma de bacharel em Artes.
52 | A Igreja Luterana e a Educação
A Reforma aconteceu em 1517. Mas já em 1501, Lutero teve o primeiro contato com a Bíblia. Em 
1505, recebeu o título de mestre em Artes e, no mesmo ano, decidiu ser monge, entrando, assim, para a 
ordem dos agostinianos em Erfurt.Sua decisão é surpreendente, difícil de explicar. As razões estão em 
algumas crenças populares, no seu medo de Deus e em alguns fatos ocorridos anteriormente. Em 1507, 
como sacerdote, Lutero reza a primeira missa. Em 1508, torna-se pastor em Wittenberg e um ano depois 
inicia suas lições sobre a Bíblia. Em 1510, vai a Roma e se decepciona com o que vê. Em 1512, recebe 
o título de doutor em Teologia. Em 1513, expõe os livro de Salmos; em 1515, o livro de Romanos e em 
1516, o livro de Gálatas. Em 1517, Lutero dá início à Reforma, com a publicação das 95 teses.
Lutero viveu num sistema de educação bem diferente do atual. Ele entrou na escola com quatro 
anos e meio. Os meninos aprendiam a ler e falar a língua latina. Os sacerdotes ou estudantes universi-
tários que os ensinavam eram muito rigorosos. Se um menino se comportasse mal ou não soubesse a 
lição, seu nome era escrito numa lousa chamada de “lista do lobo”. Semanalmente o professor apagava 
a lista, depois de dar uma varada no aluno cujo nome constava na lousa. Certa vez, Martinho teve uma 
semana nada fácil – seu nome apareceu quinze vezes na “lista do lobo”.
Outro fato interessante aconteceu em Eisenach, na Escola da Igreja de São Jorge, quando Lutero 
estava fazendo sua preparação para a universidade. Ele gostava especialmente do diretor, o mestre 
João Trebonius, que tratava seus alunos com amor e respeito. Um escritor conta que sempre que Mestre 
Trebonius entrava na classe, esse tirava o chapéu e fazia uma inclinação de cabeça para os estudantes. 
Quando perguntaram-lhe por que fazia isso, respondeu: “Entre estes jovens discípulos, sentam-se al-
guns a quem Deus pode fazer nossos futuros líderes e homens eminentes. Ainda que não os conheça-
mos agora, é perfeitamente adequado que os honremos” (LIENHARD, 1998).
Histórias como essas fazem-nos pensar que essa convivência nas escolas e universidades tenha 
dado ao reformador um gosto saboroso pela educação. Para ele, aí estava o segredo para a liberdade do 
homem. Sua preocupação com os jovens alemães sempre foi muito forte e sua crítica ao modelo edu-
cacional de muitas instituições, principalmente universidades, era procedente. Vamos ver, em seguida, 
alguns de seus artigos publicados, os quais questionavam e chamavam a atenção dos governantes para 
a importância da educação.
Em 1520, Lutero propõe a reforma nas universidades como parte de um programa de reforma ge-
ral e da sociedade política. Com o tema À nobreza cristã da nação alemã, acerca da melhoria do estamento 
cristão, o reformador coloca as Escrituras Sagradas em primeiro lugar como objeto de estudo, tanto nas 
escolas superiores, como nas inferiores. Para entendê-la, era preciso estudar as línguas e as artes liberais. 
Aproveitou para criticar os religiosos que pregavam a Palavra sem conhecer a língua original (o hebraico 
e o grego). Para ele, a partir do desconhecimento, muitos textos da Bíblia eram mal interpretados.
Em 1522, acontece a publicação do Novo Testamento na língua alemã. Foi o resultado da preo-
cupação didática de oferecer ao povo, na própria língua, os textos que fundamentavam os argumentos 
para que a Reforma continuasse. Em 1534, toda a Bíblia já havia sido traduzida e distribuída ao povo, 
graças ao conhecimento do Doutor Martinho Lutero. Podemos lembrar aqui que Lutero foi beneficiado 
com o surgimento da imprensa, pouco antes de 1500. Graças a isso, foi possível espalhar com rapidez 
entre o povo todo o seu trabalho.
Em 1524, mostrando preocupação e zelo pela educação, Lutero escreve a Carta aberta aos conse-
lhos de todas as cidades da Alemanha para que criem e mantenham escolas cristãs. Também argumenta 
em favor dos estudos clássicos com vistas à formação de lideranças para a Igreja e o Estado. Caracteriza 
53|A Igreja Luterana e a Educação
a educação como obra do amor cristão, que atende às necessidades individuais e coletivas dos seres 
humanos. Lutero constatou que em todas as partes da Alemanha as escolas estavam no abandono, as 
universidades eram pouco frequentadas e os conventos estavam em declínio. Então, convocou os pais 
e todas as autoridades para aconselhar a juventude (isso como solução para todos). O argumento prin-
cipal foi o seguinte:
Se anualmente é preciso levantar grandes somas para armas, estradas, pontes, diques e inúmeras outras obras seme-
lhantes para que uma cidade possa viver em paz e segurança temporal, por que não levantar igual soma para a pobre 
juventude necessitada, sustentando um ou dois homens competentes como professores? (LUTERO, 1995)
O reformador põe mais lenha na fogueira e faz um desafio. Para ele, cada cidadão deveria pensar 
na quantidade de dinheiro que gastou com indulgências, missas, vigílias, doações, espólios testamentá-
rios, missas anuais por falecimento, ordens mendicantes, fraternidades, peregrinações e toda confusão 
de outras tantas práticas desse tipo. Para Lutero, agora que todos estavam livres dessa ladroeira e do-
ações para o futuro, eles deveriam doar, por agradecimento e para a glória de Deus, parte disso para a 
escola, para educar as pobres crianças.
Mas a maior crítica foi quanto à falta de escolas cristãs. Nelas é que os jovens encontrariam a verdadei-
ra educação e os valores adequados para a vida. A tese era de que a universidade até então não colaborava 
praticamente em nada; pelo contrário, corrompia a nobre juventude. Lutero chega ao ponto de perguntar o 
que se aprendeu até o momento nas universidades e conventos e afirma que houve quem estudasse 20, 40 
anos e não soubesse nem latim nem alemão, quer dizer, muitos não dominavam nem a própria língua.
O vergonhoso era a necessidade de estimular os pais a educar os filhos e a juventude, buscando o 
melhor para eles. Vergonhoso, porque a própria natureza os deveria incentivar em vários sentidos. Para 
ilustração desse pensamento, Lutero falou o seguinte:
Não existe animal irracional que não cuide de seus filhotes e não lhes ensine o que lhes convêm, com exceção da 
avestruz, que é tão rigorosa com seus filhotes como se não fossem seus, deixando os ovos abandonados no chão. Em 
primeiro lugar, há pais que sequer são leais e conscientes para educarem seus filhos, ainda que tivessem condições 
para tanto. Como as avestruzes, também eles endurecem-se contra seus filhos, contentando-se com o fato de terem se 
livrado dos ovos e de terem gerado filhos; além disso, nada mais fazem. (LUTERO, 1995)
Mas se as crianças deveriam viver na cidade entre o povo, como poderia a razão, e em especial o 
amor cristão, tolerar que elas crescessem sem educação? Para Lutero, as crianças sem educação essen-
cial seriam veneno para as outras crianças, de sorte que, por fim, se arruinaria uma cidade inteira.
Também era de concordância do reformador que a maioria das pessoas mais velhas, por não 
terem sido ensinadas, não tinham aptidão e não sabiam educar crianças; isso porque para ensinar bem 
era necessário gente especializada. E mesmo que os pais fossem aptos e quisessem assumir essa tarefa, 
não teriam tempo nem espaço, em face de outras atividades e dos serviços domésticos. Aí surgiu a ne-
cessidade de se manterem educadores comunitários para as crianças, a não ser que cada qual quisesse 
manter um em particular. Isso, porém, seria oneroso demais para um simples cidadão e, uma vez mais, 
muitos excelentes alunos seriam prejudicados por serem pobres.
Interessante é a visão futurista de Lutero. Ele afirma a importância da educação para o progresso 
de uma cidade, dizendo que esse progresso não depende apenas do acúmulo de grandes tesouros, da 
construção de muros, de casas bonitas, de muitos canhões e da fabricação de muitas armaduras. Antes 
de tudo isso, o melhor e mais rico progresso para uma cidade é quando possui homens bem instruídos, 
muitos cidadãos ajuizados, honestos e bem-educados. Assim, eles poderiam acumular, preservar e usar 
corretamente riquezas e todo tipo de bens.
54 | A Igreja Luterana e a Educação
Para terminar, podemos ver ainda o modelo de educação propostopor Lutero. Ele cita a edu-
cação na cidade de Roma. Lá, os meninos eram educados de tal maneira que aos 15, 18 ou 20 anos 
dominavam perfeitamente o latim, o grego e toda sorte de artes liberais. As artes liberais eram o 
conjunto das sete disciplinas que constituíam pré-requisitos para a formação específica. Ao lado do 
estudo das línguas, que compreendia gramática, dialética e retórica, exigia-se aritmética, música, 
geometria e astronomia. A partir dessa educação, Roma tinha gente apta e preparada para todas 
as atividades. Depois dos estudos concluídos, os jovens passavam diretamente para o serviço mi-
litar e para o serviço público. Disso resultavam homens sensatos e ajuizados, com conhecimento e 
experiência.
Por fim, Lutero tinha plena consciência de que Deus proveu o seu povo com riqueza de artes, pesso-
as doutas e livres e que isso precisava ser aproveitado. Eis a responsabilidade da universidade, hoje.
A seguir, veremos alguns pontos importantes sobre o Luteranismo pós-Reforma e sobre as Igrejas 
Luteranas hoje. Depois de falar sobre a Igreja Luterana, é importante ligar a primeira parte deste capítu-
lo com a Universidade Luterana do Brasil.
O Luteranismo pós-reforma
Muitos países aderiram ao movimento iniciado por Martinho Lutero: boa parte da Alemanha, a 
Finlândia, a Suécia, a Noruega, a Dinamarca, a Boêmia, a Morávia, hoje República Tcheca; com caracterís-
ticas próprias, a Inglaterra, a Escócia, a Holanda, a Suíça; e, em parte, a França, a Áustria e a Hungria.
A Reforma Luterana provocou a Contrarreforma, também chamada de Reforma Católica. O Con-
cílio de Trento (1546-1563) procurou pôr ordem na casa. Há quem admita que, provocando a Contrar-
reforma, Lutero tenha salvado a própria Igreja Católica.
Em decorrência da Reforma, surgiu na Europa uma nova ordem social caracterizada pelo pluralis-
mo confessional, respeito à consciência, ética, desenvolvimento social e progresso científico. A socieda-
de, vendo-se livre da tutela papal, avançou o sinal e emancipou-se de Deus, o Criador. 
Lutero contribuiu para a sociedade moderna, mas não imaginou nem quis uma sociedade 
como esta que se apresentava como ateísta, agnóstica, amoral, sem-vergonha, exploradora, corrupta 
e violenta. Mesmo assim, ainda existia esperança e tempo para lutar. O reformador acreditava, e isso é 
bom ser lembrado, que o Evangelho continuava eficaz para transformar homens egoístas em cristãos 
altruístas e, assim, a Igreja permaneceria para sempre. Porque o homem acreditou nessas ideias é que 
a Igreja Luterana continua viva ainda hoje em todo o mundo, na tentativa de transformar o próprio 
Homem em nova criatura.
Martinho Lutero, padre da Igreja Católica, doutor em Teologia e catedrático, não tinha nenhuma 
intenção de fundar uma nova Igreja. Sua preocupação era chamar a atenção de seus superiores para os 
erros doutrinários que eles vinham cometendo e reformar internamente a sua Igreja. Queria uma Igreja 
que voltasse à verdade bíblica e seguisse os fundamentos da Igreja Cristã Primitiva e à mensagem sal-
vadora de Jesus Cristo, pregando o amor e perdoando o próximo.
Também não era sua intenção fundar uma Igreja com seu nome. Quanto a isso, ele mesmo diz, em 
1522, na exortação contra tumulto e rebelião:
55|A Igreja Luterana e a Educação
Peço que deixem de lado o meu nome e não se chamem luteranos, mas cristãos. O que é Lutero? Pois não é minha 
doutrina, tampouco fui crucificado por quem quer que seja. São Paulo não admitia que os cristãos se chamassem 
paulinos ou petrinos, mas cristãos. Como poderia eu, miserável saco de vermes, encorajar os filhos de Cristo 
a chamarem-se pelo meu nome amaldiçoado? Não, meus amigos, vamos acabar com os nomes de partidos e 
chamar-nos cristãos, pois é de Cristo a nossa doutrina. Os papistas, sim, têm nome de partido, com toda a razão, 
pois não se contentam com a doutrina e o nome de Cristo. Querem ser papistas também. Pois deixe-os serem do 
papa, que é mestre deles. Eu não sou nem pretendo ser mestre. Compartilho, com a comunidade cristã, a única 
doutrina comum de Cristo, que é somente ele – o Mestre. (LUTERO, 1995)
Mesmo não querendo dividir a Igreja, isso acabou acontecendo. Os líderes da Igreja Católica Ro-
mana do século XVI achavam que ela nunca poderia errar. Por conseguinte, concluíram que Lutero de-
via ser um falso mestre e não lhe deram ouvidos. Seus inimigos espalharam mentiras acerca dele, o papa 
o excomungou e, pelo Edito de Worms, o imperador Carlos V declarou-o proscrito. Fora da própria Igreja, 
Lutero só viu uma maneira de continuar com a Reforma: criar uma nova comunidade religiosa.
Hoje, a Igreja Luterana encontra-se espalhada por todos os cinco continentes. Espalhou-se pela 
Europa, caminhou para os Estados Unidos e mais tarde para outros países, chegando à América Latina 
e ao Brasil no final do século XIX.
No Brasil, encontramos duas denominações luteranas. A Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) 
e a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). São igrejas com poucas diferenças teológi-
cas. Estão separadas porque surgiram de missões diferentes. A IECLB é resultado da fusão de alguns sí-
nodos e do trabalho de missionários vindos da Alemanha, em 1824, para atender às necessidades espi-
rituais dos imigrantes. A IELB surgiu com o esforço de missionários mandados pelo Sínodo de Missouri, 
dos Estados Unidos, em 1900. Apesar de não terem a mesma administração, essas igrejas trabalham 
juntas em alguns setores, como é o caso da literatura.
A Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB)
A Igreja Evangélica Luterana do Brasil é originária do trabalho mis-
sionário desenvolvido a partir de 1900 pelo Sínodo Evangélico Luterano 
de Missouri-Ohio e outros estados, conhecido, desde 1847, como The Lu-
theran Church – Missouri Synod. Já completou cem anos de trabalho mis-
sionário no Brasil.
Este sínodo foi fundado em 1847. Formou-se sob a direção do 
pastor Carl Ferdinand Wilhelm Walther, que, em 1838, havia emigrado 
da Alemanha para os Estados Unidos por razões de consciência. Em 
1817, o rei da Prússia, Frederico Guilherme III, no intuito de pôr fim ao 
que definia como querela religiosa, decretara a união da Igreja Lutera-
na com a Igreja Reformada, fundada por Zwinglio e Calvino, formando 
a Igreja Evangélica Unida. Muitos luteranos, revoltados com essa in-
gerência do trono na vida da Igreja e inconformados com a teologia 
racionalista que lhe dava sustentação, decidiram abandonar a pátria e 
emigrar para os Estados Unidos. Aí esperavam desfrutar da liberdade 
Ulrico Zwinglio.
W
ik
ip
éd
ia
.
W
ik
ip
éd
ia
.
João Calvino.
56 | A Igreja Luterana e a Educação
de consciência e culto, privilégios garantidos pela constituição democrática daquele país. Unidos, 
grupos de imigrantes luteranos formaram a Igreja Luterana – Sínodo de Missouri, com a qual a IELB 
hoje se identifica.
O trabalho no Brasil começou com uma resolução em fins de abril de 1899, na convenção 
daquele sínodo. Uma das moções recomendava o início da missão daquele sínodo na América do 
Sul, especialmente no Brasil e na Argentina. Alguns anos antes, um pastor que já estava no Brasil 
escreveu para os luteranos nos Estados Unidos, pedindo ajuda. Era o pastor Johann F. Brutschin, 
enviado ao Brasil em 1867. O navio em que estava naufragou na costa do Rio Grande do Sul. Os 
passageiros se salvaram, perdendo, no entanto, toda a bagagem. Brutschin primeiro serviu como 
pastor assistente em São Leopoldo/RS. Em 1868, tornou-se pastor da paróquia de Dois Irmãos/
RS. Também chegou a ser membro da diretoria do Sínodo Rio-grandense, que reunia imigrantes 
evangélicos alemães. Este sínodo, mais tarde, reuniu-se com outros grupos sinodais para formar a 
atual Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB). Mas o desejo de um sínodo levou 
Brutschin a desligar-se do Sínodo Rio-grandense. Mais tarde – por meio de correspondência à re-
vista oficial do Sínodo de Missouri, Der Lutheraner – ele descobriu e gostou da posição doutrinária 
expressanos textos, pedindo, assim, filiação àquela denominação.
O primeiro missionário enviado ao Brasil foi o pastor C. J. Broders, com um bom currículo, 
inclusive com passagem como capelão do exército americano na guerra contra a Espanha, traba-
lhando em Cuba. No Brasil, depois de muita pesquisa, esse pastor descobriu que na colônia de São 
Pedro, no Rio Grande do Sul, havia várias famílias desejosas de fundar uma congregação luterana. 
Broders rumou a São Pedro, fundando ali a primeira congregação missuriana no Brasil, denominada 
Comunidade Evangélica Luterana São João. O primeiro núcleo congregacional foi organizado em 
1.º de julho de 1900, com 17 famílias.
Aos poucos, foram surgindo novas congregações e pontos de missão. O trabalho foi crescendo 
graças à presença de imigrantes alemães, que solicitavam atendimento de pastores evangélicos – a 
mesma doutrina espiritual deixada para trás no país de origem.
No dia 24 de junho de 1904, foi fundado oficialmente o 15.º Distrito do Sínodo de Missouri, 
hoje Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Até aquela data, este sínodo já atuava em três áreas no Rio 
Grande do Sul: no sul, com as congregações de São Pedro, Santa Eulália, Santa Coleta, Bom Jesus 
e Morro Redondo; em Porto Alegre, com as congregações de Estância Velha, São Leopoldo e Dois 
Irmãos; no centro-oeste, com as congregações de Jaguari, Rincão dos Vales e Rincão São Pedro.
Graças a esse trabalho, hoje a Igreja Evangélica Luterana do Brasil tem comunidades espalhadas 
por todo o país e algumas missões no exterior. É uma Igreja independente administrativamente. Sua 
administração central fica em Porto Alegre. Possui um seminário para a formação teológica de seus 
pastores: em São Leopoldo/RS, hoje ligado à Universidade Luterana do Brasil. As decisões da Igreja são 
tomadas em convenção nacional com os seus pastores e os representantes das congregações.
57|A Igreja Luterana e a Educação
Principais doutrinas da IELB
A IELB é um conjunto de cristãos que confessa o nome de Cristo conforme o claro ensino da Bíblia. 
Essa Igreja afirma que a Sagrada Escritura é a palavra de Deus. Palavra verdadeira e infalível; clara, sim-
ples e completa. Tudo o que Deus queria que os homens conhecessem para a sua salvação está escrito 
na Bíblia. Não há necessidade de novas revelações. Por isso, a Escritura é a única fonte e norma para 
todos os ensinos da Igreja Cristã. As doutrinas básicas da Igreja Evangélica Luterana são as seguintes:
Deus
A igreja crê, ensina e confessa que o conhecimento natural que o Homem possui a respeito de 
Deus é imperfeito e insuficiente para a sua salvação. Conhecimento correto e salvífico o Homem adqui-
re somente pela Escritura Sagrada, na qual Deus se revela como o Deus verdadeiro: Pai, Filho e Espírito 
Santo. Assim ele se revelou e quer ser adorado. Qualquer outro culto é idolatria e abominação ao Senhor 
(Romanos 1.19-20; 2.14-15; Deuterônomio 6. 4; Mateus 28.19; João 5.23; 1Coríntios 8.4-8).
Homem
A Igreja crê, ensina e confessa que o Homem foi criado por Deus conforme a imagem divina, a 
qual consistia em bem-aventurado conhecimento de Deus, perfeita justiça e santidade. Esta imagem se 
perdeu com a queda em pecado. Agora, o Homem nasce com o pecado original, isto é, o pecado que 
herdamos de Adão, a completa corrupção de toda a natureza humana, privada da justiça original, incli-
nada para todo o mal e sujeita à condenação (Gênesis 1.17, 2.7, 3.1-16; Salmo 51.5-12; Romanos 5.12; 
Salmo 143.3; Isaías 64.6).
Pecado
A Igreja crê, ensina e confessa que toda e qualquer transgressão da santa lei de Deus é pecado. Cada 
pensamento, palavra ou ato contrário à vontade de Deus é pecado. O pecado é a causa de toda a miséria 
neste mundo. O Homem é responsável diante de Deus e terá de prestar contas de sua vida, sendo que Deus 
julgará a todos (Ezequiel 18.23-30; Romanos 8.7; 1João 3.4; Gênesis 8.4; Hebreus 9.27; Romanos 6.23).
Evangelho
A Igreja crê, ensina e confessa que Deus, em seu infinito amor, não abandonou os homens em 
sua ruína, mas resolveu salvá-los pela obediência, paixão e morte de seu Filho unigênito, Jesus Cristo. 
O Evangelho é a boa notícia dessa salvação. Nele, Deus oferece perdão dos pecados, vida e salvação a 
todos os homens. Todo o pecador arrependido que confia nas promessas do Evangelho tem o que estas 
palavras lhe dizem e prometem: “perdão dos pecados, vida e eterna salvação” (João 3.16; Romanos 1.16; 
Gálatas 3.5; 2Coríntios 5.19).
58 | A Igreja Luterana e a Educação
Salvador
A Igreja crê, ensina e confessa que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Como 
Filho de Deus, gerado do Pai desde a eternidade, é, em todos os sentidos, igual ao Pai e ao Espírito 
Santo. Como verdadeiro Homem, nasceu da Virgem Maria. Nasceu sem pecado e é, em todos os 
sentidos, verdadeiro homem. Como nosso substituto, cumpriu a lei de Deus, padeceu por nossos 
pecados e, por seu sacrifício e morte, consumou a obra de reconciliação. Desceu ao inferno para 
mostrar sua vitória sobre todos os nossos inimigos. Pela ressurreição dos mortos, Deus declarou ter 
aceito o sacrifício de Jesus. Jesus Cristo é o único Salvador da humanidade. Fora dele, não há salva-
ção. Jesus voltará, visível ao mundo para julgar os vivos e os mortos (João 1.1; Mateus 1.18-25; 1Pedro 
2.22; 2Coríntios 5.19; 1João 2, 2; Colossenses 2.15; Romanos 1.14; Atos 10. 42).
Conversão
A Igreja crê, ensina e confessa que a conversão de um pecador compreende contrição e fé. A con-
versão não é mera reforma moral ou a resolução solene de corrigir a vida, mas é a completa mudança de 
toda a vida do Homem, é o renascimento espiritual do pecador, é uma transformação milagrosa, efetu-
ada pelo poder do Espírito Santo e operada pelos meios da graça: a palavra de Deus e os sacramentos. 
Sendo espiritualmente cego, morto e inimigo de Deus, o Homem não se inclina a Deus nem pode se 
dispor à graça ou aceitá-la. Por isso, a conversão é um ato exclusivo de Deus, no qual o Homem pode 
resistir. A Bíblia lembra que o Homem é salvo unicamente pela graça de Deus mediante a fé em Cristo e 
que Deus quer a salvação de todos. O que é salvo, é salvo pela graça. O que se perde, perde-se por culpa 
própria (Jeremias 31.18; João 1.12-13; Romanos 10.17; Atos 11. 21; Efésios 2.1-5).
Fé
A Igreja crê, ensina e confessa que a fé salvadora não é simples assentimento aos ensinos da Escritu-
ra, mas é a confiança de um pecador arrependido no perdão de Cristo. Tal fé não é um ato de obediência 
ou decisão da vontade humana, mas um ato da graça divina. Mesmo sendo um ato divino, não é o Espírito 
Santo quem crê em nós. Nós é que cremos. A pessoa que não tiver esta confiança em Cristo não pode 
ser salva; permanece sob a escravidão de Satanás, sob a ira divina e caminha para a condenação infernal. 
Aquele que está em Cristo é nova criatura e busca, sob a ação do Espírito Santo, estreita comunhão com 
o Salvador. Por contrição e arrependimento diários, afoga as inclinações pecaminosas de sua carne e, pela 
graça de Cristo, ergue-se diariamente para uma nova vida com Jesus. Luta diariamente com muitas fra-
quezas, mas busca a perfeição em Cristo, a qual gozará na eternidade em toda a sua plenitude (Tiago 2. 
19; Isaías 55. 6-7; Marcos 1.15; João 1.12; 1Coríntios 12. 2; Romanos 10.7; Atos 16.31; João 3. 36; Filipenses 
3. 14; Efésios 4. 15-16; Romanos 12.1-3).
Ministério
A Igreja crê, ensina e confessa que o ministério pastoral é um ofício ordenado por Deus para ad-
ministrar publicamente a palavra de Deus e os sacramentos. Os ministros não constituem uma classe 
especial de pessoas, como os sacerdotes do Antigo Testamento. Sendo todos os cristãos sacerdotes 
reais, ninguém tem o direito de se sobrepor aos outros. Por isso, só o chamado de uma comunidade 
torna alguém um ministro. O ministro exerce publicamente as funções que todos os cristãos exercem 
em particular (Atos 6. 2; 1Pedro 2. 9; Tito 1. 5-7; Atos 20.17-28; 1Coríntios 14. 34-40; 1Timóteo 2. 11).
59|A Igreja Luterana e a Educação
Batismo
A Igreja crê,ensina e confessa que o sacramento do santo batismo foi ordenado por Jesus como 
meio da graça pelo qual o Espírito Santo opera a remissão dos pecados, livra da morte e dá a vida eterna 
a quantos creem. Pelo batismo, as crianças recebem a fé e se tornam filhos de Deus; aos adultos, o batis-
mo sela o perdão dos pecados. Enquanto alguém permanece na fé, desfruta das bênçãos do batismo. O 
batismo deve ser administrado uma vez só, em nome do Deus Triúno: Pai, Filho e Espírito Santo (Mateus 
28.19; Tito 3. 5; Marcos 10.14; Marcos 7. 4, 16.16; Atos 22.16).
Santa Ceia
A Igreja crê, ensina e confessa que na Santa Ceia o Senhor Jesus Cristo, de acordo com sua palavra, nos 
dá o seu corpo e sangue para remissão dos pecados. Os elementos materiais, pão e vinho, não se transfor-
mam em corpo e sangue. Mas por ordem e promessa de Deus, recebemos na Santa Ceia, com e sob o pão e o 
vinho, o verdadeiro corpo e sangue de Cristo. Os que creem, o recebem para fortalecimento de sua fé. Os que 
participam sem arrependimento e fé, recebem igualmente o verdadeiro corpo e sangue de Cristo, mas para 
juízo. A Santa Ceia é a mesa do Senhor, na qual recebemos conforto e consolo. Ela nos dá o perdão dos peca-
dos e nos fortalece na esperança da ressurreição (Mateus 26. 26-28; Marcos 14. 24; 1Coríntios 11. 24-29).
Por fim, a Igreja crê, confessa e ensina que Deus determinou um dia no qual julgará o mundo 
com justiça, mas ninguém sabe quando será. Nesse dia, Jesus voltará visível e glorioso. Céu e Terra 
se desfarão. Todos os mortos ressuscitarão. Todos serão julgados por Jesus. Aos incrédulos, Jesus dirá: 
“apartai-vos de mim, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus seguidores”. Aos fiéis, que terão 
um corpo glorioso, dirá: “vinde, benditos de meu Pai, e entrai no gozo de vosso Senhor que vos está 
preparado desde a fundação do mundo”. Então serão criados os novos céus e a nova terra, nos quais 
habitará a justiça (João 5.28-29; Atos 10. 42; 1Coríntios 15. 51-52; Romanos 8. 18; Mateus 10. 28; Isaías 
66. 24; Jó 19. 25-27; Mateus 26. 31-46; 2Pedro 3. 10-13; Apocalipse 21. 1-8.).
A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra)
Em janeiro de 1988, o Presidente da República, senhor José Sarney, autorizou pelo Decreto 95.623 a 
criação da Universidade Luterana do Brasil, a partir das Faculdades Canoenses, pela via da autorização. 
A ideia de fundar uma universidade luterana era antiga. Na assembleia geral extraordinária de 13 de 
agosto de 1972, o então presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, pastor Elmer Reimnitz, que havia 
sido pastor da Comunidade Evangélica Luterana “São Paulo”, de Canoas, de 1954 a 1962, apresentou à Co-
munidade um plano de criação de diversas faculdades, que resultariam em uma universidade luterana. Este 
empreendimento seria uma ação conjunta entre a IELB e a Celsp. Só que a ideia não foi levada adiante.
O pastor Ruben Becker, com muita luta, conseguiu levar o projeto adiante a partir das escolas de pri-
meiro e segundo graus. A universidade é fruto da Reforma, das missões vindas ao Brasil e da Comunidade 
Evangélica Luterana São Paulo, de Canoas/RS, vinculada à Igreja Evangélica Luterana do Brasil.
Neste contexto todo, encontramo-nos hoje. O papel da universidade é de responsabilidade pe-
rante a sociedade. Foi possível observar que Lutero via a educação como serviço que pais e autoridades, 
pastores e mestres prestam a Deus. Educar as novas gerações é cooperar, voluntariamente ou não, com 
o regime ou governo secular de Deus sobre o mundo. Educá-los cristamente é, ademais, participar vo-
luntária e espontaneamente no governo espiritual de Deus, que visa à redenção da humanidade.
60 | A Igreja Luterana e a Educação
A diferença da educação cristã é que nela existe a esperança de uma renovação da sociedade hu-
mana pelo amor decorrente da fé. A universidade luterana, de certa maneira, precisa recuperar a ética 
do amor e da solidariedade cristã.
A filosofia de trabalho que tem orientado a atuação da comunidade se acha muito bem expressa 
nos estatutos da Fundação Luterana. De acordo com os artigos 8.º e 9.º, que tratam, respectivamente, 
do fundamento doutrinário e das finalidades, todo o trabalho é regido pela doutrina luterana, que se 
fundamenta nos livros canônicos da Escritura Sagrada e se acha exposta nos documentos confessionais 
da Igreja Evangélica Luterana, reunidos no Livro de Concórdia, de 1580.
A Fundação tem por finalidade a educação em todos os níveis, graus e áreas, o aprimora-
mento e divulgação da cultura brasileira, a expansão da pesquisa nos domínios da ciência e da 
técnica, a comunicação social, a promoção do bem-estar social, a divulgação da mensagem cristã. 
A universidade deve ser o campo de ensaio de novas formas de convívio social em termos de li-
berdade, respeito mútuo e cooperação. Deve ser uma alavanca para o desenvolvimento, tanto da 
região como do país. Deve ser um mercado de soluções para problemas que afligem a sociedade 
em nosso tempo.
Entre os objetivos da Ulbra, podemos citar, nos termos da Lei 5.540/68, a pesquisa, o desenvolvi-
mento das ciências, das letras e das artes, a formação de profissionais de nível universitário, bem como 
a difusão e a preservação da cultura. A universidade é, ela própria, expressão e repositório de cultura. Na 
formação cristã do aluno, ela procurará habilitá-lo à compreensão de si mesmo e do mundo, à atuação 
responsável na sociedade, ao trabalho como forma de realização pessoal e como meio de produção dos 
bens necessários à vida e ao lazer, como fruto da livre expressão do ser humano.
Quanto ao saber científico, a universidade tem por alvo reunir, selecionar, organizar e testar todo 
o conhecimento que possa ter significado para a vida em sociedade. Visto ser o conhecimento relativo à 
experiência que lhe deu origem, a universidade procura relacionar o saber científico com as condições 
originárias, com vistas a revisá-lo, sempre que possível, mediante processos experimentais.
Esta Universidade busca seguir a proposta educacional de Lutero e, com muita seriedade, quer 
encontrar alternativas para educar bem o cidadão. A disciplina de Cultura Religiosa cumpre a função 
de mostrar um caminho mais seguro para a vida em sociedade e de definir o perfil de comportamento 
ético àqueles que aqui se formam. A ideia é preparar educadores e líderes capazes de, futuramente, 
conduzir outros com a mesma segurança.
Lutero sabia muito bem qual o ser humano que importa formar: o cristão que é livre de tudo 
e de todos pela fé em Deus, mas que, por isso mesmo, é servo de todos pelo amor. Tendo abraçado 
pela fé o Deus que é amor e como amor se revela em Jesus Cristo, o ser humano é transformado 
à imagem deste Deus e não pode senão tornar-se um ser amoroso, que ama, generosa e gratuita-
mente, assim como é amado. Da mesma forma, a educação se faz no contexto da ética do amor.
Por fim, podemos dizer que o papel da Universidade é colaborar com a sociedade na formação 
de homens sensatos, ajuizados e excelentes, munidos de conhecimento e experiência. Como disse 
Lutero:
Deus proveu o seu povo com riqueza de artes, pessoas doutas e livres. É hora de aproveitar tudo isso, ceifar e reco-
lher o melhor que pudermos e de ajuntar tesouros, para preservar algo para o futuro destes anos dourados. (LUTERO, 
1995, p. 324)
61|A Igreja Luterana e a Educação
Atividades
1. Para você, qual é a importância das escolas confessionais na formação de crianças e jovens?
2. Como você analisa o sistema educacional proposto por Lutero, para os nossos dias?
62 | A Igreja Luterana e a Educação
3. Como você vê a posição de Lutero em querer que a nova Igreja não usasse o seu nome para 
identificar os fiéis?
Ampliando conhecimentos
Busquem na internet sites denominados Luteranos e identifiquem a relação com a presença dessas 
denominações no país e a Reforma Luterana do século XVI.
Sugestões:
<www.ulbra.br>.
<www.ielb.com.br>.
63|A Igreja Luterana e a Educação
Autoavaliação
1. Se você fosse um educador, qual ideia de Luterousaria para qualificar as escolas brasileiras?
64 | A Igreja Luterana e a Educação
Referências
CRISTO PARA TODOS, Folheto Informativo da IELB. Porto Alegre: Concórdia, 1994.
LIENHARD, Marc. Martim Lutero: tempo, vida e mensagem. São Leopoldo: Sinodal, 1998.
LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Porto Alegre: Concórdia, 1995.
Resumo
É necessário entender Ética, uma palavra muito usada nos dias de hoje, 
mas pouco praticada. Com a finalidade de entendermos as questões 
fundamentais de Ética Aplicada veremos, num primeiro momento, as 
bases antropológicas da Ética; definição e objetivos da Ética; e os aspec-
tos que distinguem a Ética Social da Ética Religiosa. 
Questões 
fundamentais de Ética
Questões básicas
Bases antropológicas da Ética
Como a Ética está voltada exclusivamente ao ser humano, vamos ver quais os primeiros proble-
mas encontrados em consequência da diversidade. Ética é um problema exclusivamente antropológico 
porque somente o ser humano tem a necessidade de tomar decisões éticas, visto que suas ações, na 
relação com a natureza e a sociedade, não são neutras, mas sempre possuem reflexos que podem ser 
positivos ou negativos, benéficos ou maléficos, certos ou errados. Assim, veremos algumas característi-
cas principais do ser humano que têm vinculação direta com suas decisões e ações éticas:
66 | Questões fundamentais de Ética
cada ser humano é uma pessoa, isto é, um indivíduo, um ser único, diferente de qualquer ou-::::
tro, e isso vem a ser uma grande dificuldade para entendê-lo. Nisso está o problema central de 
todas as questões éticas;
o ser humano é racional, pensa por si próprio e de maneira autônoma. Por isso, não pensa se-::::
gundo padrões preestabelecidos, mas de acordo com suas próprias ideias. A estrutura racional 
do ser humano está subdividida em três aspectos básicos:
a) cognitivo, ou seja, ele realiza aprendizados: o Homem não nasce sabendo, mas precisa apren-
der tudo na vida, inclusive a viver de modo ético;
b) volitivo, ou seja, cada ser humano tem uma vontade própria, pois há no íntimo de cada pessoa 
um núcleo exclusivamente seu que o determina a agir dessa ou daquela maneira, segundo 
suas próprias motivações ou interesses;
c) afetivo, ou seja, há em cada ser humano sentimentos e sensibilidade próprios. O sentir é uni-
versal, mas a forma de sentir é única e especial em cada indivíduo. Os sentimentos humanos 
são muito complexos e variam de pessoa para pessoa, o que torna as questões éticas muito 
difíceis de serem entendidas e solucionadas (HAAG, 2000, p. 190-191).
Por outro lado, há uma teleologia em todas as ações humanas; tudo é feito visando um determi-
nado fim, que pode ser consciente ou inconsciente. Mesmo podendo estar equivocado, cada ser huma-
no, ao agir, pensa que está fazendo o melhor possível. O que vale para a Ética é a consciência social, e 
não o que o indivíduo pensa ser bom apenas para si.
O ser humano é egocêntrico; cada um tem o seu “eu”, que lhe dá as características pessoais. Con-
tudo, cada ser humano, a partir do seu “eu”, torna-se um egoísta, ou seja, sempre pensa, em primeiro 
lugar, em si, buscando a satisfação de seus próprios interesses e necessidades, não abrindo mão de 
nada que julga ser seu e não dando a mínima importância às necessidades alheias. O egoísmo é a mola 
propulsora de todos os problemas éticos.
O ser humano é também um ser social. Precisa de outros para viver e conviver. Ele é um ser de 
pluralidade. Ao mesmo tempo em que é uma pessoa individual, é também um ser de relações sociais. 
Os problemas éticos surgem a partir do momento em que o indivíduo não supera seus egoísmos e vai-
dades, fazendo prevalecer os interesses pessoais em detrimento dos da coletividade.
Diante dessas características, o homem é o único ser que tem a necessidade de equilibrar suas 
relações com o outro e com a natureza, determinando normas de convivência para dar parâmetros à 
conduta, o que se denomina moral.
Aqui parte-se do pressuposto de que o Homem é um ser surpreendente, extraordinário, porém, contraditório. 
Distingue-se dos animais por sua faculdade racional. Isto pode ser visto como uma vantagem, mas, por outro 
lado, apresenta uma grande desvantagem. Com a razão, o Homem está aberto para infinitas possibilidades, mas 
também está condicionado a limites muito estreitos. Com a razão, o Homem abre-se ao conhecimento de uma 
variedade muito grande de conteúdos, mas não pode conhecer todas as coisas e nem sempre conhece suficien-
temente a si mesmo e aos outros. Com a razão, busca o infinito, mas está rigorosamente limitado ao seu mundo 
finito. A Ética parte dessas tensões humanas e busca uma solução para as mesmas. Contudo, por ser humana, a 
Ética necessita conviver com as contingências e precariedades da vida humana, mas sempre se esforçando para 
superá-las e resolvê-las. (HAAG, 2000, p. 192)
67|Questões fundamentais de Ética
Conceito de Ética
A partir do que foi visto anteriormente, podemos chegar a algumas definições de Ética. Vejamos 
três apresentadas pelo professor Nereu:
1.° a Ética pode ser definida como um saber íntimo e aprofundado dos princípios que orientam a 
conduta das pessoas de uma coletividade, de acordo com as normas morais vigentes, com o 
objetivo de alcançar o bem comum;
2.° a Ética tem como objetivo despertar a consciência de cada ser humano para que suas ações 
visem ao bem comum. Ele deve buscar um convívio estável, equilibrado e de mútua aceitação, 
tendo como base os princípios sociais e os valores espirituais. Por isso, cada pessoa precisa 
saber quais são as ações que, de fato, são boas ou más, certas ou erradas;
3.° para que isso se efetive, a pessoa precisa aprender a tomar decisões segundo uma consciência 
ética bem orientada, ou seja, precisa ter um conhecimento mais profundo das ações que são 
moralmente válidas e socialmente corretas. Por isso, a Ética não é normativa, mas pedagógica 
ou educativa (HAAG, 2000, p. 192-193).
Podemos dizer aqui que Ética e Moral têm sentidos distintos. A Moral se relaciona com as 
ações do indivíduo, com a conduta real, enquanto a Ética é formada por princípios ou juízos que 
originam essas ações. A Ética faz a avaliação teórica da Moral dos indivíduos, ocupando-se com 
tudo o que é considerado moralmente bom. Ela estuda o modo como os indivíduos se relacionam 
moralmente na sociedade. Portanto, a Ética se ocupa com o estudo dos fins da moral do homem 
no meio de seu contexto social. Ela analisa, por exemplo, se um homem, ao agir moralmente, agiu 
bem ou mal diante dos demais semelhantes, tendo como referência os valores do contexto social 
(religiosos, filosóficos, entre outros).
A ética tem o compromisso de ser, acima de tudo, humana. Eis, porque, via de regra, ela se identifica com o humanis-
mo, que, como expressa o termo, centraliza-se no Homem e busca sua afirmação. O humanismo se subdivide em dois 
ramos principais: o natural e o cristão. O primeiro parte do pressuposto de que ele é um ser imanente à natureza e ao 
mundo, e por isso, sua afirmação se dará a partir do desenvolvimento de suas capacidades e potencialidades naturais, 
ou seja, humanas (racionais) e sociais (políticas). O segundo considera que ele é um ser que transcende ao mundo e, 
por isso, sua afirmação está na relação com Deus através de Cristo e seu Evangelho. A partir daí, o Homem deverá de-
senvolver seus dons espirituais mediante os quais efetivará os ideais éticos que se identificam com a esperança e a fé 
numa vida eterna após a morte. (HAAG, 2000, p. 193)
Ética Social e Ética Religiosa
Como nossa disciplina é Cultura Religiosa, vamos naturalmente fazer uma distinção entre Ética 
Social e Religiosa. Até porque entendemos que a Ética Religiosa oferece ótimos subsídios para as rela-
ções humanas saudáveis.
Pode-se dizer que a Ética Social distingue-se da Ética Religiosa em três aspectos fundamentais, 
quanto ao que cada uma delas coloca como pressuposto. Primeiro os princípios:
68 | Questões fundamentais de Ética
na Ética Social, os princípiosque fundamentam a ação do indivíduo são extraídos da própria ::::
convivência humana, a partir das ideias filosóficas que traduzem os anseios e as expectativas 
da sociedade. Por isso, diz-se que é uma Ética situacionista, razão porque estes princípios são 
flexíveis e se adaptam às mudanças históricas. Na Ética Religiosa, os princípios que orientam a 
conduta da pessoa são extraídos das doutrinas que fundamentam a religião, sendo, portanto, 
uma ética perenealista e não situacionista, razão porque seus princípios são mais rígidos e 
dificilmente admitem mudanças históricas (HAAG, 2000, p. 194).
Em segundo lugar, distingue-se quanto aos meios:
para efetivar seus princípios, os meios de que a Ética Social dispõe estão baseados no próprio ::::
sistema cultural, sobre o qual atuam as mais diversas instituições sociais, como as famílias, as 
escolas, as igrejas, as empresas, os meios de comunicação, os partidos políticos etc., onde cada 
uma dessas instituições tem seus interesses e ideologias. Já a religião, para efetivar seus prin-
cípios doutrinários, dispõe do que está fundamentado na lei moral divina, buscando, a partir 
dela, determinar o que é o melhor para a sociedade humana (HAAG, 2000, p. 194).
Em terceiro lugar, distingue-se quanto aos fins:
a finalidade última da Ética Social é atingir o bem comum, ou seja, aquilo que é o melhor para ::::
toda a sociedade. Por isso, ela é uma ética imanente, ou seja, restrita aos limites humanos, 
temporais e sociais. A ética religiosa tem como fim último atingir o bem maior que existe, o 
bem supremo, Deus, que, para a religião, é princípio e fim de toda a existência do Homem e 
do mundo. Por isso, ela é uma ética transcendente, isto é, projeta o Homem para além deste 
mundo material, buscando um sentido eterno para sua vida (HAAG, 2000, p. 194).
O fundamento da Ética Religiosa
Se a característica mais importante que fundamenta a Ética Social é a liberdade, o princípio mais 
importante que fundamenta a Ética Cristã é o amor. Mas o amor é um termo muito mal-entendido e 
usado erroneamente muitas vezes. As pessoas têm dificuldade de definir a palavra amor. Isso porque ela 
possui vários sentidos. Vamos definir aqui qual o tipo de amor que realmente serve para fundamentar a 
ética cristã. As definições a seguir são extraídas do grego. No Novo Testamento, a palavra amor aparece 
de três formas distintas:
A primeira definição está na palavra eros:
eros:::: , do qual se derivou o termo português erótico (amor sexual). Essa forma de amor é mar-
cada por atração e intimidade física, e está sujeita às instabilidades emotivas das pessoas, pois 
manifesta-se através de paixões, às vezes, incontroláveis. Por isso, o amor meramente erótico 
tem se tornado uma forma de amor bestial e desumano, na qual o parceiro sexual não passa 
de um objeto de prazer egoísta. O amor eros, sem dúvida nenhuma, nunca poderá ser o funda-
mento da ética cristã, mas infelizmente é tolerado na ética social (HAAG, 2000, p. 195).
A segunda definição nós encontramos no termo filos:
69|Questões fundamentais de Ética
filos:::: , do qual temos em português o termo filantropia (caridade). O amor de tipo filos é 
aquele que se dá entre pais e filhos, irmãos e irmãs, e entre parentes ou pessoas unidas 
por laços afetivos sem que entre elas exista relação sexual (amor eros). Contudo, o amor 
filos está sujeito ao egoísmo humano, pois “amamos” preferencialmente as pessoas que 
nos são afetivamente mais íntimas e excluímos as demais. Assim, este também não serve 
de fundamento para a ética cristã (HAAG, 2000, p. 195).
E a terceira definição, para nós a mais importante, está representada pela palavra ágape:
ágape:::: é uma forma toda especial de amor, que transcende aos dois tipos anteriores e aponta 
para o amor divino (amor de Deus), que naturalmente não se encontra no ser humano a não 
ser que tenha sido comunicado ao homem da parte de Deus pelo vínculo da fé. Ao receber 
Dele esse amor, o homem passa a estar apto a relacionar-se como seu semelhante. O amor 
ágape tem como característica uma forma de amor na qual as pessoas estabelecem entre si 
uma relação de intimidade espiritual, ou seja, amam-se sem qualquer busca de interesse ou 
vantagem pessoal, mas buscando o bem da pessoa amada. Por isso, o amor ágape é aquela 
forma de amor em que o perdão está acima de tudo, e se é capaz de aceitar aqueles com quem 
não simpatizamos. Essa forma de amor foi magistralmente sintetizada por Cristo quando, na 
cruz, perdoou a seus algozes orando a Deus, dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o 
que fazem”; ou quando Cristo ensinou uma prática ética na qual afirma: “se te baterem numa 
face, oferece também a outra”. Tudo isso Cristo sintetizou na expressão: “Amai-vos uns aos ou-
tros como eu vos amei” (HAAG, 2000, p. 196).
Sabemos que o amor ágape não é fácil de ser entendido e, menos ainda, de ser praticado. Olhe 
para você e imagine-se praticando este tipo de amor. Busque situações concretas na sua vida, em que 
o perdão foi necessário, e você teve dificuldades para praticá-lo. Essa forma de amor é a única válida 
para a fundamentação da ética cristã. Quando trabalharmos a questão ética, buscaremos sempre esta 
definição de amor para fundamentar nossas ações.
O primeiro passo para avaliarmos com clareza se o nosso procedimento moral é correto é buscar 
entender a Ética. Mas não só entender. Precisamos usar a ética como instrumento de avaliação da moral. 
Não existem normas definidas para isso. Lembre que neste sentido a ética é educativa, é pedagógica.
Atividades
1. Você consegue distinguir Ética de Moral? Como?
70 | Questões fundamentais de Ética
2. Suas ações morais são sempre éticas? Explique.
3. Como você avalia a Ética fundamentada no amor ágape?
Ampliando conhecimentos
Para estudo sugiro uma atividade prática. Uma análise mais aprofundada das nossas ações morais e o 
que nos leva a proceder dessa ou daquela maneira.
Dica de leitura:
FORELL, George W. Ética da Decisão. São Leopoldo: Sinodal, 1983.
Autoavaliação
1. A partir da leitura do texto, como a ideia de que o egoísmo é a mola propulsora de todos os 
problemas éticos pode levar você a uma mudança de ação?
Referências
HAAG, Nereu. Questões fundamentais de ética aplicada. In: KUCHENBECKER, Valter. O Homem e o Sa-
grado. Canoas: Editora da Ulbra, 2000. 
RUDNICK, M. L. Ética Cristã para Hoje. Rio de Janeiro: Juerp, 1991.
VAZQUEZ, A. S. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984.
VIDAL, M. Moral de Atitudes: ética fundamental. Aparecida: Santuário, 1978.
 Resumo
Queremos, nesta aula, fazer mais algumas reflexões sobre ética, buscando 
subsídios para entender o assunto. Pela diversidade do pensamento huma-
no, também é difícil chegar a conclusões definitivas sobre ética, por isso, 
a reflexão e a introspecção são fatores importantes. O que podemos fazer 
para transformar a sociedade? De quem é a responsabilidade de estabele-
cer um convívio estável? 
Princípios de Ética
Algumas questões
A mentira é sempre errada?::::
Quando eu desejo fazer algo, mas a sociedade diz que está errado, como posso decidir o ::::
que fazer?
Por que é errado tentar uma expansão da consciência por meio das drogas, por exemplo?::::
Quem realmente possui a autoridade para estabelecer o que é certo e errado?::::
É a consciência individual um guia seguro para a vida?::::
É o ato egoísta, embora repleto de satisfação pessoal, que determina o que é certo e errado?::::
Os valores são relativos ou absolutos? :::: (HONER, 1973, p. 100).
72 | Princípios de Ética
Ética – algumas reflexões de ordem geral 
Cada religião, à sua maneira, segue o que denominamos de filosofia de vida, os princípios ideais 
que normatizam o seu modo específico de pensar.
Por vezes, no entanto, parece difícil conciliar os ideais com a realidade. No campo religioso, o proble-
ma assume proporções ainda maiores, pois somos inclinados a pensar que tanto o movimento religioso 
como seus seguidores são perfeitos e não se desviam nunca de sua pregação.Não raro, para indicar nossa 
indignação, usamos expressões como: isso é uma imoralidade! Ou isso é antiético!
Ética e Moral
As palavras ética e moral, embora usadas indiferentemente, possuem significados distintos.
A moral se relaciona às ações, isto é, à conduta real.
A ética são os princípios ou juízos que originam essas ações.
Nessa dimensão, a ética e a moral são como a teoria e a prática. A ética é a teoria moral ou a filo-
sofia moral.
Todo mundo tem uma moral, pois todos praticam ações que podem ser examinadas eticamente. Mas nem todo 
mundo já levou em consideração a ética. (HELLERN; NOTAKER; GAARDNER, 2000)
Ética descritiva e ética normativa
A ética descritiva retrata as noções éticas predominantes nas diversas culturas. Utiliza métodos 
científicos fundamentados na objetividade, sem julgar o que é certo e errado no que foi observado. 
Normalmente a ética descritiva pode ser observada nas pesquisas de opinião que são feitas com as pes-
soas no intuito de identificar seus pontos de vista sobre assuntos como sexualidade, aborto, impostos, 
roubos, violência e outros.
Perigo: a ética descritiva pode gerar uma “moralidade estatística”, ou seja, a noção de que aquilo 
que a maioria faz deve estar certo.
A ética normativa procura mostrar quais ações são certas e quais são eticamente inaceitáveis. Ela 
repousa sobre determinados valores e fornece normas para as ações. Sua busca não é pelo que é, mas 
pelo que deve ser. Nesse sentido, os Dez Mandamentos são um exemplo de ética normativa.
Valores
Quais valores fornecem as normas para nossas ações? Qual valor é mais importante para cada 
um de nós?
Dinheiro?::::
Carro?::::
73|Princípios de Ética
Lazer?::::
Saúde?::::
Liberdade?::::
Amizade?::::
Amor?::::
Não esquecer: alguns valores são apenas meios para se alcançar outros valores. Considere como exem-
plo o dinheiro: ele não tem valor intrínseco, mas pode ser usado para se obter alguma outra coisa.
Fato 1: ao tomarmos nossas decisões cotidianamente, estamos sempre priorizando valores, mes-
mo sem ter consciência.
Fato 2: ao priorizar valores, é comum que nossos interesses entrem em conflito com interesses 
alheios. Nossa boa sorte não pode ser o infortúnio alheio. O ato de se preocupar apenas com a própria 
sorte é chamado de egoísmo ético.
A natureza dos valores (alternativas teóricas) 
e a justificação para os julgamentos valorativos 
(alternativas metódicas) – uma visão filosófica 
Teoria emotiva 
Método de justificação: sentimento e envolvimento 
Os defensores da teoria emotiva, também identificados como subjetivistas, dizem que todos os 
valores são relativos e individuais. O que determina o que tem ou não algum valor repousa simples-
mente no fato do indivíduo gostar ou aprovar alguma coisa. A única justificação para um julgamento 
valorativo assenta-se em como um indivíduo sente ou o quanto ele envolve-se com uma determina-
da situação. Dessa forma, diferentes pessoas valorizam diferentes coisas e cada um tem direito a sua 
opinião.
Nesta categoria, enquadram-se tanto os existencialistas quanto os linguistas, pois defendem a 
relatividade dos valores individuais.
Para a teoria emotiva, a justificativa das ações repousa exclusivamente nos sentimentos pessoais.
Teoria do relativismo cultural 
Método de justificação: autoridade social
Conforme essa perspectiva, o que é certo e errado está determinado pela cultura particular na 
qual o fato ou a circunstância ocorre.
O relativismo cultural justifica, assim, os julgamentos valorativos pelo apelo à autoridade social 
de uma cultura particular. Assim, o certo e o errado é o que uma determinada sociedade sanciona.
74 | Princípios de Ética
Nessa perspectiva, podemos enquadrar Freud (o certo e o errado são ideias que introjetamos a 
partir da sociedade e de nossos pais), bem como a psicologia comportamentalista ou behaviorista, que 
condiciona o comportamento dos indivíduos aos valores sociais.
Teoria absolutista 
Método de justificação: razão e/ou autoridade divina 
Conforme essa visão (também identificada como objetivista), o que tem valor independe do que 
o indivíduo gosta ou pensa, bem como independe do que uma sociedade sanciona.
Essa perspectiva se opõe ao relativismo. Assevera que as leis morais são universais e eternamente 
verdadeiras, independentemente de qualquer coisa.
Nessa perspectiva, enquadra-se a lei moral dos Dez Mandamentos, cujos valores são universais e 
repousam sobre a autoridade de Deus.
Teoria do relativismo objetivo 
Método de justificação: evidência empírica 
O amor é tido como um alto valor; quebrar uma promessa por razões egoístas é considerado 
errado. Conforme a teoria do relativismo objetivo, o amor é considerado um alto valor não pelo fato de 
ser uma regra moral absoluta, e a conservação das promessas não é um princípio universal estabeleci-
do pela razão. Para a teoria, o que está em jogo é a produção das melhores consequências e satisfação 
humana a serem obtidas com uma determinada atitude.
A teoria é denominada de “relativa” por defender que todos os valores dependem da satisfa-
ção humana. Ao mesmo tempo, é considerada “objetiva” por insistir no teste das consequências a 
serem obtidas – a produção do máximo de satisfação.
Enquadram-se nessa teoria o utilitarismo, o pragmatismo e as correntes psicológicas defendidas 
por Erich Fromm, Abraham Maslow e Carl Rogers.
Teoria da escolha racional 
Método de justificação: escolha livre, imparcial e informada 
A teoria da escolha racional nega a tese do relativismo cultural, sustentando que um determinado 
modo de vida é claramente melhor que outro se a escolha for determinada por um processo racional. É 
verdade que, em última análise, é o indivíduo quem faz a escolha do que é certo e errado a partir do que 
sente ou prefere. No entanto, o mesmo indivíduo, por ser racional, deve reconhecer que os sentimentos 
são fidedignos somente se forem livres, imparciais e frutos das informações.
75|Princípios de Ética
Consciência 
O Livro das Religiões assim se expressa:
Consciência é a capacidade que temos de reagir ao certo e ao errado. Podemos dizer que a consciência é um cão de 
guarda normativo. Se infringimos uma de nossas normas, a consciência começa a rosnar. Em casos mais flagrantes, seu 
peso pode nos derrubar; ou ela pode nos forçar a recuar, modificar nossas ações, pedir desculpas a alguém. (HELLERN; 
NOTAKER; GAARDNER, 2000, p. 267)
O fato: podemos fugir ou nos esconder de tudo e de todos, mas não de nossa consciência.
A problemática: 
De onde a consciência vem?
Todos têm a mesma consciência?
Há, pelo menos, três formas de responder à primeira pergunta.
É inata no ser humano: assim pensa o Cristianismo, por exemplo.::::
É imposta pelo ambiente externo: o ser humano é moldado pelas condições culturais exter-::::
nas, como pensam a psicologia e as ciências sociais.
É inata no ser humano, mas recebe informações externas: nessa dimensão ela equivaleria a um ::::
tribunal. Julga e decide o que é certo e errado a partir de alguma informação externa sobre o 
que é certo e o que é errado. Ela pune as pessoas quando rompem as normas, mas não deter-
mina absolutamente essas normas (STEFFEN, 2002).
O direito positivo e o senso de justiça 
Toda sociedade se baseia numa determinada ética, manifestada num código de leis. Violar as leis 
implica na quebra da harmonia social.
Ainda assim, podemos observar que nem sempre o que cada um pensa sobre o certo e o errado 
corresponde às leis sociais. A título de exemplificação, relembremos a questão do aborto, da eutanásia, 
do pagamento dos impostos, em particular do imposto sobre a renda, do trabalho de menores, da com-
pra de produtos contrabandeados. Ou ainda, de profissionais que se recusam a cumprir determinada 
função em razão de sua consciência. 
Relembrar: em 2002, um tratorista baiano, empregado de uma empresa contratada para cumprir mandato judicial que 
determinava a derrubada de casas erguidas numa área invadida, recusou-se, por questão de consciência pessoal,de 
mover o trator para cima das mesmas e foi preso em flagrante por desobediência à ordem judicial. (STEFFEN, 2002)
76 | Princípios de Ética
Tecnicamente, denominamos de desobediência civil quando uma pessoa ou um grupo passa 
a desafiar e infringir o direito positivo (o sistema jurídico acordado) de maneira plenamente inten-
cional (senso de justiça).
Responsabilidade
A questão da ética centra-se no senso de responsabilidade: por quem e pelo que nos sentimos 
responsáveis?
A título de reflexão, podemos vislumbrar duas possibilidades, que se completam, de pensar a 
responsabilidade:
responsabilidade individual:::: : o indivíduo é responsável por si e pelo que o rodeia;
responsabilidade coletiva:::: : a sociedade é responsável pelas ações que o indivíduo não conse-
gue fazer por si só.
Perigo: é ninguém assumir, nem o indivíduo nem a sociedade, a responsabilidade pelo que está 
acontecendo. Chama-se esse comportamento de diluição de responsabilidade.
Alternativa: assumir mutuamente, indivíduo e sociedade, suas responsabilidades. Chama-se 
esse comportamento de trabalhar pela solidariedade.
O livre-arbítrio
O pressuposto: admitir que as pessoas possuem alternativas entre as quais podem escolher livre-
mente.
Há duas correntes que conduzem a discussão do tema:
o :::: determinismo: nossas escolhas são determinadas pelos elementos externos, herdados dos pais 
ou do ambiente no qual vivemos. Nesse caso, a sensação de livre-arbítrio é ilusória. Não raro ouve-
se que é preciso pensar a discussão sobre a violência; antes de responsabilizar seus praticantes 
é preciso mudar as condições econômico-sociais. Há, nesse momento, a discussão sobre a dimi-
nuição da idade para responsabilizar judicialmente os praticantes de delitos contra a pessoa e o 
patrimônio;
o :::: indeterminismo: nossas escolhas são fruto de vontade individual. Nos tornamos aquilo que 
escolhemos ser.
Aqui encontramos alguns pontos importantes para reflexão. Até que ponto sou responsável por 
uma ação moral que passe pela boa avaliação da ética? A verdade é que não podemos esperar pelos 
outros. As ações partem de nós mesmos. A nossa consciência, com certeza, já está nos perturbando. A 
ética serve para a vida pessoal do indivíduo e, consequentemente, vai ser aplicada na vida profissional. 
À medida que aguçamos nossa consciência, melhoramos também os nossos relacionamentos.
77|Princípios de Ética
Texto complementar
Uma pausa para coisas do cotidiano que contribuem 
para uma perspectiva ética
Ética e mochila escolar 
(TIBA, 1998)
É quando o discípulo está pronto que o mestre aparece. É um velho ditado hindu. Muitas vezes 
o mestre não é uma pessoa, mas um episódio do cotidiano.
A Psicologia Educacional está presente nos pequenos atos, que podem passar despercebidos.
Venha comigo observar, à porta de uma escola qualquer, a hora da chegada das crianças com 
as respectivas mães. 
Observe: quem carrega a mochila escolar?
Na maioria das vezes é a mãe. Essa mãe, por hipersolicitude e num gesto de amor, carrega a 
mochila do filho para poupá-lo desse esforço. Há mãe exagerada: leva três mochilas nas costas, 
segura ou carrega o filho menor, enquanto vai cuidando para que os outros filhos não fiquem se 
matando pelo caminho.
E, quando chegam ao portão da escola, o que acontece? O filho foge para dentro da escola e a 
mãe tem de correr atrás dele para entregar-lhe a mochila e, já com os lábios estendidos, dar-lhe um 
beijinho de despedida...
Por que um filho, nessa despedida, não beija sua mãe?
Qualquer ser humano, ao se separar de alguém, pelo menos por educação se despede dele. Os 
enamorados beijam-se tão demoradamente que é impossível saber se estão se despedindo, “fican-
do”, ou até mesmo se chegando...
Somente quando não usufruímos a companhia é que “saímos de fininho”, isto é, sem nos des-
pedirmos dela. Portanto, se um filho não beija sua mãe é porque não usufruiu prazerosamente sua 
companhia. Significa também que o filho não reconheceu a ajuda que a mãe lhe deu.
Ajudar é muito nobre e um gesto de amor, ao qual mãe nenhuma se furta. Mas, se não ficar claro 
que a mãe o está ajudando, o filho pode entender que é responsabilidade dela carregar sua mochila. 
Assim se perpetua que quem vai à escola é ele, mas quem deve carregar a mochila é a mãe. 
Para que carregar sua mochila se, até então, isso é obrigação da mãe?
Essa é uma das melhores maneiras de um filho não adquirir responsabilidade pela própria vida. Mas 
o pior é quando o filho acredita que é obrigação dos pais carregar as “mochilas da vida” e que a ele só 
cabe viver o prazer. O filho se deforma transformando-se em “folgado”, enquanto os pais se “sufocam”.
78 | Princípios de Ética
Assim vai se organizando uma falta de ética em que o respeito a quem o ajuda passa a não existir 
e a responsabilidade pelos próprios compromissos a se diluir. 
Quem não respeita a própria mãe não tem por que respeitar outras pessoas: pai, professores, 
autoridades sociais ou qualquer ser vivente, seja mendigo, seja índio... Quem não se responsabiliza 
pelos próprios atos não tem por que se preocupar com o que faz ou deixa de fazer... 
Tudo isso pode ocorrer se carregar a mochila do filho for extensão social do que a mãe faz dentro 
de casa, isto é, se ela carrega também a casa toda... Carregar a mochila do filho é um erro de amor. 
Cometido por amor, pode ser até aceitável, mas não se justifica. O maior amor é criá-lo e educá-lo 
para a vida. E a vida exige qualidade, ética, liberdade e responsabilidade.
Ainda bem que nossa psique é plástica e os comportamentos podem ser mudados a qualquer 
momento, desde que estejamos realmente mobilizados para isso.
Na primeira oportunidade esta mãe deveria fazer o esforço “sobrematerno”, que é maior que o 
sobre-humano, para não carregar a mochila do filho. Vai ser uma briga interna muito grande contra 
a sensação de estar sendo má, incompetente e omissa... Mas a mãe tem de saber que o que sempre 
fez, pensando estar ajudando, na realidade prejudicou o filho e tem que acreditar que pode mudar. 
Portanto, essa mudança de atitude tem a finalidade de educar saudavelmente o filho, porque só o 
amor não é suficiente para uma boa educação.
O filho tem de sentir todo o peso de sua mochila. Cabe à mãe oferecer ajuda.
Se ele, por birra, já que nunca carregou peso algum, recusar a ajuda, ótimo! A mãe não deve 
sentir-se inútil. Pelo contrário, deve usufruir o filho, que está começando a assumir a própria respon-
sabilidade, e curtir essa felicidade. 
A mãe não deve incomodar-se com os olhares indignados de outras mães, querendo dizer: “Que 
mãe desnaturada, que deixa o filho soterrado sob a mochila”. 
A mãe precisa devolver os olhares dizendo quão cegas e submissas elas estão sendo aos pró-
prios filhos, que logo irão chamá-las de “escravas”, e perceber nelas já uma pontinha de inveja por 
alguém estar conseguindo o que elas sempre desejaram...
É bem provável que já no dia seguinte essa mãe encontre algumas parceiras, para sua felicidade.
Chegará uma hora em que o próprio filho, não aguentando mais carregar a mochila, dirá, com 
aquele ar de súplica que desmonta qualquer coluna vertebral materna:
“Manhêêê, me ajuda?”
Esta é a hora sagrada que Deus arrumou para a mãe tentar reparar as falhas educativas anteriores. 
Portanto, não a deve perder de forma alguma. Carregar todo o peso da mochila outra vez, jamais! Mesmo 
que tenha de lutar com todas as forças contra o “determinismo do instinto materno”. 
79|Princípios de Ética
É chegada a hora de efetivamente ajudar o filho no que ele precisa. Portanto, nesse exato mo-
mento cabe à mãe abrir a mochila, que ele mesmo deve, ou deveria, ter arrumado, e deixá-lo pegar 
o que consegue carregar. 
Se ele quiser levar a mochila com menos cadernos, ótimo! Se quiser carregar alguns cadernos, 
ótimo também! Mesmo que seja pouco, se o filho começar a carregar alguma coisa, já é ótimo. 
Até agora o que ele aprendeu é que levar a mochila é obrigação da mãe. Portanto, vamos devagar, 
até elereaprender que essa obrigação é dele, e a sua mãe só o está ajudando. Se de pequenino o filho 
carrega alguns cadernos, à medida que vai crescendo pode levar mais cadernos, até chegar o dia em 
que conseguirá carregar toda a mochila. 
Educar é preparar o filho para a alegria da liberdade sem depender de ninguém para “carregar 
suas mochilas”.
Nesse novo processo, o mais importante é que o filho, ao chegar ao portão da escola, sente na pró-
pria pele a ajuda de sua mãe, medida e quantificada pelo peso da mochila que deixou de carregar. 
Nessa hora, seu coraçãozinho se enche de gratidão, e vem espontaneamente o tão desejado 
beijo do qual ela tanto correu atrás. 
É um sentimento de reconhecimento do esforço que sua mãe sempre fez e ao qual ele nunca 
deu valor. Esse reconhecimento dá ao filho o sinal da existência da mãe. Se existe, a mãe deve ser res-
peitada. Assim, o filho, carregando a própria mochila, sendo auxiliado pela mãe nessa pesada tarefa, 
cria dentro de si respeito pela pessoa que o ajuda.
Essa gratidão entra em seu quadro de valores e penetra fundo em seu modo de ser.
Quem tem respeito à própria mãe também respeita seus semelhantes. É dessa maneira que um 
filho pequeno adquire a ética que vai torná-lo um cidadão na sociedade.
Destaques
1. Quem não se responsabiliza pelos próprios atos não tem por que se preocupar com o que 
faz ou deixa de fazer...
2. A vida exige qualidade, ética, liberdade e responsabilidade. Ainda bem que nossa psique é 
plástica e os comportamentos podem ser mudados a qualquer momento, desde que este-
jamos realmente mobilizados para isso.
3. Só o amor não é suficiente para uma boa educação.
4. Quem tem respeito à própria mãe também respeita seus semelhantes. É dessa maneira que 
um filho pequeno adquire a ética que vai torná-lo um cidadão na sociedade.
80 | Princípios de Ética
Atividades
1. Faça uma relação dos seus valores e classifique-os por prioridade. Depois, discuta com os colegas 
suas escolhas.
2. Como está a sua consciência? Ela o “cutuca” quando você faz uma ação eticamente inaceitável? 
Explique.
81|Princípios de Ética
3. Quem é responsável por estabelecer um convívio estável: a sociedade ou o indivíduo? Escreva 
sobre isso.
Autoavaliação
1. Faça a sua reflexão sobre os seus valores. Qual seria a melhor ordem de valores para melhorar as 
condições de vida de cada um?
Referências
HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry; GAARDER, Jostein. O Livro das Religiões. São Paulo: Cia. das 
Letras, 2000.
HONER, Stanley M. Invitation to Philosophy. Califórnia: Wadsworth Publishing Company, 1973.
STEFFEN, Ronaldo. Reflexões sobre Ética. Canoas: Editora da Ulbra, 2002.
TIBA, Içami. Amor, Felicidade e Companhia. Coletânea de textos. São Paulo: Gente, 1998.
82 | Princípios de Ética
Resumo
Por que a Ética Social é diferente da Ética Religiosa? A resposta está na fonte. 
Na ética social está a mão do homem, enquanto na religiosa está a mão de 
Deus. É por isso que as pessoas não gostam do debate sobre determinados 
assuntos. A ética religiosa é rígida, nada foi mudado nela. Alguns dizem que 
é antiquada, pois as pessoas mudaram e o mundo está diferente. Mas, ele 
mudou para melhor? Continuamos com muitos problemas e o homem pa-
rece não encontrar solução definitiva para nenhum deles. 
Ética – uma perspectiva cristã
Ética – uma abordagem Religiosa e distinção da Social
Ética Social Ética Religiosa
Princípios: extraídos da convivência humana, a partir 
das ideias filosóficas que traduzem os anseios e as 
expectativas da sociedade. São situacionistas por 
serem flexíveis e se adaptarem às mudanças históricas. 
Resultam do anseio pela liberdade.
Princípios: extraídos das doutrinas que 
fundamentam a religião. São perenalistas por serem 
mais rígidos e dificilmente admitem mudanças 
históricas. Resultam do amor.
Meios: partem do próprio sistema cultural sobre o 
qual atuam as diversas instituições sociais (família, 
escola, igreja, empresas, meios de comunicação, 
partidos políticos etc.).
Meios: a lei moral que busca determinar o que é 
melhor para o ser humano.
Fins: atingir o bem comum. Por isso, é imanente, ou 
seja, restrita aos limites humanos, temporais e sociais.
Fins: atingir o bem superior. Por isso, é transcendente, 
ou seja, projeta o ser humano para além deste mundo 
material, buscando um sentido eterno para sua vida.
(KUCHENBECKER, 2000, p. 194)
84 | Ética – uma perspectiva cristã
Ética – uma perspectiva religiosa cristã
Como todos os pensamentos religiosos, o Cristianismo também possui sua perspectiva ética. É 
verdade que a diversidade do pensamento cristão faz-nos perceber que não há um único modo cristão 
de entender o tema.
Respeitadas as diferenças de compreensão, de uma forma geral a abordagem religiosa cristã 
da ética não pode fugir de sua centralidade: o Cristo, retratado no Novo Testamento, parte do texto 
sagrado dos cristãos. 
Cristocentrismo:::: : Jesus Cristo e sua ação de salvação são os centros da discussão e fonte de 
orientação ética e de poder de transformação.
Fundamentação novo-testamentária:::: : a Bíblia é a fonte e norma, tanto do ensino como das prá-
ticas cristãs (STEFFEN, 2002).
Ética religiosa cristã: algumas críticas
Em razão das afirmações do item anterior, o Cristianismo elaborou críticas a sistemas éticos que 
fogem dos seus pressupostos, como vemos a seguir: 
Princípio Crítica Cristã
Hedonismo: o prazer é o critério maior. O bem 
é o que dá prazer e o mal é o que causa a dor. 
Individualista: busca-se o prazer individual.
Universalista: o bem maior para o maior 
número de pessoas.
Os outros não entram em consideração. Os 
outros são excluídos por suas deficiências numa 
sociedade que não perdoa a imperfeição. Mas 
é bom lembrar que são todos seres humanos, 
criaturas de Deus.
Quem julgar sua ação digna de um bem maior 
para um número de pessoas encontra sua 
justificativa para executá-la.
Naturalismo: a natureza é o princípio 
válido para todos em todos os tempos. A 
sobrevivência é o bem maior a ser buscado e 
o que a dificulta deve ser eliminado.
Como ficam os fracos e doentes, raças tidas com 
baixo nível de evolução? Vale a lei do mais forte?
Relativismo: como cada situação é única, não 
há princípio experimental que defina o que é 
bom e mau. 
Defender a inexistência de verdades absolutas 
torna-se uma verdade absoluta.
Esteticismo: o que entra em consideração não é o 
ato em si, mas o resultado dele obtido. Os sentidos 
e emoções são utilizados para dar significado à 
vida e transformar insignificância em beleza.
O que importa é o aqui e o agora.
Autorrealização individual ou grupal sem medir 
o ato em si.
A existência aqui e agora se sobrepõe a qualquer 
outro valor.
85|Ética – uma perspectiva cristã
Idealismo: é a busca de um ideal fora do ser 
humano e da Natureza.
Intuicionismo: todos têm um conhecimento 
intuitivo do que é certo e errado.
Racionalismo: o certo e o errado dependem do 
uso exato do raciocínio.
Se o senso moral está na consciência, onde está 
a Consciência?
Se o senso de dever se sobrepõe por meio do 
raciocínio, os mais capazes estabelecem os 
melhores deveres.
(FORELL, 1983, p. 40)
Ética Religiosa cristã: crítica interna
Há duas posturas comumente praticadas dentro do Cristianismo. Uma mais negativa (legalista) e 
outra mais positiva (pedagógica).
Legalista::::: a lei de Deus é vista de forma inflexível, e deve ser cumprida em sua plenitude. Caso a 
pessoa não a cumpra, o infrator só é redimido do erro mediante punição e penitência. É prática 
coercitiva e baseada no medo.
Pedagógica::::: a lei de Deus é um método educativo que visa orientar a conduta humana dentro 
de princípios, movidos pelo amor e pelo desejo de proteger o indivíduo dos perigos morais. 
Pressupõe livre aceitação dos princípios cristãos, sem coerção (STEFFEN, 2002).
Ética Religiosa cristã e o Amor
Os significados que o Amor apresenta na linguagem comum são múltiplos e quase sempre mal 
compreendidos, em razão de pouco se pensar sobre este termo. Acreditamosque Amor é um senti-
mento e como tal não se explica. A história da Filosofia, no entanto, tem demonstrado diferente: pode-
se pensar o Amor mas, atualmente, nos desacostumamos a isso.
O Cristianismo, regra geral, afirma que o amor é o fundamento maior de seu princípio ético. Para 
defini-lo como fundamento ético, essa religião costuma diferenciar o tema a partir de três concepções.
Amor Sentido
Eros
Toda e qualquer relação humana resultante da 
funcionalidade das sensações (sentidos físicos). Nesse 
sentido entende-se amor como força unificadora e 
harmonizadora, tanto sexual como política, resultante 
dos sentidos físicos. Quando os sentidos funcionam 
em sua normalidade biológica, é possível falar em 
sensualidade. Quando essa normalidade é quebrada, 
ficando fora de controle, fala-se em paixão.
Normalmente, esse modo de amor identifica-se 
com a sexualidade, tendo em vista que, ao sermos 
despertados para alguém, nossa sensualidade 
descontrola-se e, se correspondida, somos conduzidos 
à paixão que culmina no completo descontrole dos 
sentidos, a sexualidade.
Não se identifica com a base cristã para a Ética.
86 | Ética – uma perspectiva cristã
Filia
Toda e qualquer relação humana resultante 
de atitudes concordantes e afetos positivos 
(solicitude, cuidado, piedade etc.). O termo é 
semelhante com a noção de afeição e amizade. 
Nesse sentido, é possível dizer que a dimensão 
desse amor se dá por escolha, é seletivo, e por 
concordância ou, se preferirmos, por concórdia, 
o que implica abrir mão de juízos valorativos 
condenatórios.
Não se identifica com a base cristã para a Ética.
Ágape
Toda e qualquer relação humana resultante da 
ação de Deus e que se estende a todo o “próximo”. 
Ela se caracteriza pela aceitação mútua. Nesse 
sentido é possível falar que ágape é a disposição 
à igualdade verificada quando Deus, na criação, 
tornou o ser humano igual a Ele e quando, na 
redenção, Ele mesmo torna-se, em Cristo, Ser 
Humano para resgatar nossa dignidade pela 
compreensão e perdão. Essa é a ação de Deus em 
nós e que se estende, por nós, a todo o “próximo”. 
Nós amamos porque Ele nos amou primeiro.
Essa é a base cristã para a Ética.
Ética Religiosa cristã 
e Moral Religiosa – os Dez Mandamentos
Para os cristãos, os Dez Mandamentos, mais do que um manual de comportamento humano e 
social, apontam uma sugestão de cumprimento de papéis ou funções para o bom exercício do Amor 
(ágape) enquanto aceitação mútua que compreende e perdoa. 
Costuma-se dividir os Dez Mandamentos em dois grupos: 
a) Amar a Deus
“:::: Eu sou o Senhor, teu Deus. Não terás outros deuses diante de mim”. Confiança em Deus acima 
de todas as coisas.
“:::: Não tomarás em vão o nome do Senhor teu Deus, porque o Senhor não terá por inocente o 
que tomar o seu nome em vão”. Em nome de Deus não amaldiçoar, jurar, praticar a feitiçaria, 
mentir ou enganar, mas invocá-Lo em todas as necessidades, orar, louvar e agradecer.
“:::: Santificarás o dia do descanso”. Não desprezar a pregação e a palavra de Deus, mas conside-
rá-la santa, gostar de ouvi-la e estudá-la.
87|Ética – uma perspectiva cristã
b) Amar o próximo
“:::: Honrarás a teu pai e a tua mãe, para que te vás bem e vivas muito tempo sobre a Terra”. Não 
desprezar e nem irritar pais e superiores, mas honrá-los, servi-los, obedecer-lhes, amá-los e 
querer-lhes bem.
“:::: Não matarás”. Não causar dano ou mal algum ao corpo do próximo, mas ajudá-lo e favore-
cê-lo em todas as necessidades.
“:::: Não cometerás adultério”. Levar uma vida casta e decente em palavras e ações, cada um 
amando e honrando seu parceiro.
“:::: Não furtarás”. Não tirar do próximo o dinheiro ou seus bens e nem apoderar-se deles por 
meio de mercadorias falsificadas ou negócios fraudulentos, mas ajudá-lo a melhorar e con-
servar seus bens e seu meio de vida.
“:::: Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”. Não mentir com falsidade, trair, caluniar 
ou difamar o próximo, mas desculpá-lo, falar bem dele e interpretar tudo da melhor ma-
neira.
“:::: Não cobiçarás a casa do teu próximo”. Não pretender adquirir, com astúcia, a herança ou a 
casa do próximo, nem se apoderar dela sob a aparência de direito, mas ajudar-lhe e servi-lo 
para conservá-la.
“:::: Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem os seus empregados, nem o seu gado, nem coisa 
alguma que lhe pertença”. Não apartar, desviar ou aliciar a mulher do próximo, os seus em-
pregados ou o seu gado; mas aconselhá-los para que fiquem e cumpram o seu dever. 
Ética Social cristã
Os cristãos estão cientes que hoje a maioria dos cidadãos, dentro de suas liberdades individuais, 
não fazem parte do Cristianismo. Apesar disso, eles entendem que seu modo de perceber o universo e 
o ser humano pode contribuir para relações sociais mais harmônicas e igualitárias.
A base cristã para essa percepção encontra-se no fato de todos os seres humanos serem filhos 
criados e amados por Deus, em Cristo Jesus, que podem viver digna e harmoniosamente, com justiça, 
em paz, com solidariedade e perdão, dentro de ordens adequadas ao grupo de convivência. 
Emergem dessa intenção dois modos, convergentes, de aplicar a Ética Social cristã:
ama a teu próximo como a ti mesmo: embora nem sempre vivamos de acordo com essa regra, ::::
a maioria das pessoas concorda que deveríamos fazê-lo;
trata os outros como gostarias de ser tratado: é o princípio da reciprocidade (STEFFEN, 2002).::::
Acredito que aqui encontramos ótimos fundamentos para a Ética. Você pode refletir em todas 
estas situações e chegar às conclusões necessárias para a mudança de comportamento, ou pode con-
tinuar igual. Talvez os seus princípios já estejam bem definidos e não haja necessidade de reflexão. Mas 
considero a humildade uma virtude. Acreditamos que nossa mudança pode ser contínua. Agora, aten-
ção: cuide para não sair por aí pensando que é o melhor, que está por cima. Lembre que na ética cristã 
o ser humano não está sozinho, pois Deus está com ele nas suas decisões e nas suas ações.
88 | Ética – uma perspectiva cristã
Atividades
1. Se você tivesse que optar entre Ética Social ou Ética Cristã, qual seria sua escolha? Justifique.
2. Discuta com seus colegas, ou mesmo em casa com sua família, o princípio do amor ágape. Escreva 
o que você entendeu sobre isso.
89|Ética – uma perspectiva cristã
3. Sobre os Dez Mandamentos, a lei de Deus, é possível cumpri-los na íntegra no mundo em que 
vivemos? Justifique.
Ampliando conhecimentos
Indico um livro interessante que trata sobre Ética e envolve as nossas decisões diárias.
FORELL, George W. Ética da Decisão. São Leopoldo: Sinodal, 1983.
90 | Ética – uma perspectiva cristã
Autoavaliação
1. A partir da leitura do texto, o que você pode fazer para aplicar a Ética nas suas ações? Qual modelo 
utilizar? Faça seu parecer descritivo.
Referências
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de: Almeida. Revista e atualizada. São Paulo: Sociedade 
Bíblica do Brasil, 1999.
FORELL, George W. Ética da Decisão. São Leopoldo: Editora, 1983.
GAARDER, Jostein. O Livro das Religiões. São Paulo: Cia. das Letras, 2000.
HONER, Stanley M. Invitation to Philosophy. California: Wadsworth Publishing Company, 1973.
KUCHENBECKER, Valter. O Homem e o Sagrado. Canoas: Editora da Ulbra, 2000.
STEFFEN, Ronaldo. Reflexões sobre Ética. Canoas: Editora da Ulbra, 2002.
 Resumo
Vamos trabalhar na prática alguns assuntos-chave do nosso meio. São 
problemas éticos que encontramos diariamente e estão sempre expos-
tos para discussão. É difícil chegarmos a uma definição para estes pro-
blemas. Não cabe aqui definir o que é certo e errado. Precisamos refletir 
sobre as causas e consequências das ações humanas e, através da ética, 
procurar canalizar as nossas ações para o bem.
Ética – assuntos práticos
A ordem da vida: a Ética nas questões da vida 
A Ética e a Ciência na origem da vida
A coisa mais valiosa e insubstituível que o ser humano possui é a vida. O que é vida? É muito difícil definir vida, devido à 
sua natureza abstrata. Vidanão é o ar que respiramos, pois sob o ponto de vista biológico, respirar, comer e tantas outras 
coisas das quais necessitamos para viver são apenas meios ou condições de nos mantermos vivos. Mas o ser humano é 
composto por duas dimensões distintas, porém, unidas entre si, ou seja, ele é matéria e espírito. Sobre a vida material, 
física e biológica, já possuímos inúmeras informações. O mais difícil é definir o que é vida no sentido espiritual, porque 
pouco ou nada conhecemos sobre este aspecto de nossa natureza íntima. E o pouco que conhecemos sobre a dimensão 
abstrata e espiritual da vida sofre grandes restrições por parte da cultura moderna, muito positivista e empirista. (HAAG, 
2000, p. 197)
O importante é destacar aqui que, do ponto de vista da ética religiosa, a vida é um dom ou pre-
sente de Deus. E como todo presente que se recebe, a vida deve ser bem cuidada, porque, como se 
entende no senso comum, não se devolve e nem se joga fora um presente recebido pelo simples fato 
de que isto indicaria menosprezo e ofensa à pessoa que deu o presente. 
92 | Ética – assuntos práticos
A bioética
Um dos mais novos campos que está se abrindo para a Filosofia e a Teologia é a reflexão em torno da ética da vida 
(bioética), em virtude das mais recentes pesquisas da ciência genética. Enquanto a ciência se ocupa com um obje-
to específico, a ética preocupa-se com aspectos gerais que afetam o homem e a sociedade, no que diz respeito aos 
aspectos positivos ou negativos das ações da ciência sobre a vida. E estas questões interessam tanto à Filosofia 
quanto à Teologia. À Filosofia interessa em virtude de que se ocupa com a moral a partir do enfoque racional, e à 
Teologia, porque aborda a mesma questão a partir da fé. Apesar das diferenças, ambos os enfoques convergem 
para o mesmo ponto: a defesa da vida como bem maior do homem. (HAGG, 2000, p. 198)
Constatamos aqui uma preocupação. Até que ponto a religião pode barrar o progresso da 
ciência? Pensamos que nem é bom fazer isso. Desde que os princípios utilizados para a pesquisa 
sejam bons. Devemos inclusive apoiar o avanço científico. Deus dotou o homem de capacidade 
para desvendar muito dos mistérios deste mundo. Mas é importante salientar que a nossa opção é 
sempre pela preservação da vida humana.
A eugenia
Este termo deriva da língua grega e é composto pelo prefixo eu, que significa “novo”, e pelo termo genos, que 
significa “vida”. Portanto, o termo “eugenia” significa “nova vida”. A eugenia está relacionada com as mais recentes 
pesquisas no campo da Biologia e da Genética. A Ciência da Genética está fazendo progressos gigantescos nas 
pesquisas que dizem respeito a melhorias e transformações nos genes humanos e animais que são responsáveis 
por doenças somáticas e defeitos físicos. Eliminando-se tais genes causadores de problemas, teremos, como con-
sequência, pessoas mais sadias, isto é, livres de doenças hereditárias e imunes a doenças maléficas que possam 
ser adquiridas posteriormente. Não há a mínima dúvida de que tais contribuições da ciência sempre são bem- 
-vindas. Mas, infelizmente, sabe-se também que o uso e a aplicação de tais conhecimentos podem ser voltados 
não para o benefício do homem e da sociedade, mas para interesses egoístas, como a dominação e a exploração 
econômica. (HAAG, 2000, p. 199)
Temos recentes notícias de avanços nestas pesquisas. O Projeto Genoma, por exemplo, que busca 
mapear o DNA, está num processo bem avançado. 
Também não deve demorar para que cientistas anunciem a clonagem humana. E então, a 
partir dos interesses humanos, surgem as dúvidas: tem a ciência esse direito de reproduzir em série 
os seres humanos? Quem será o modelo ou protótipo ideal? Do ponto de vista filosófico podemos 
perguntar: poderá a clonagem reproduzir também as ideias e a moral da pessoa? Surge a pergunta 
teológica: a clonagem reproduzirá também os pecados da pessoa? A fé e as virtudes são transmiti-
das junto com a clonagem? 
É claro que não vamos responder as questões. Mas estão aí para analisarmos a complexidade 
dessa discussão.
Bebê de proveta
O termo técnico mais adequado é inseminação artificial in vitro, ou seja, a fecundação (união do óvulo com o espermatozoi-
de) é feita num tubo de ensaio em laboratório e depois o embrião é introduzido no útero da mulher. Esta é uma técnica que 
93|Ética – assuntos práticos
resolve os casos em que a gravidez não ocorre por problemas circunstanciais que impedem a fecundação. É relativamen-
te simples e não envolve maiores problemas éticos. A questão mais importante é que a inseminação artificial não resolve 
problemas congênitos de infecundidade, tendo-se, por isso, que utilizar outros meios, como a “barriga de aluguel”, na qual 
surgem vários problemas éticos. (HAAG, 2000, p. 200)
Vejam que hoje este assunto não é mais novidade. As pessoas que buscam esta técnica estão 
buscando a solução para um problema antes sem solução. Claro que aí surgem outras indagações. 
Questiona-se de um lado se isso não poderia ser resolvido com a adoção, já que encontramos mi-
lhares de pessoas abandonadas no mundo. Mas é apenas uma reflexão.
Barriga de aluguel (mãe substituta)
Barriga de aluguel é um termo genérico para designar a figura da “mãe substituta” na gestação de um ser humano. 
Barriga de aluguel consiste na seguinte situação: por impossibilidade de uma mulher poder gerar seu próprio 
filho, ela “aluga” o útero de outra, que se dispõe a gerar o óvulo fecundado daquela que não pode ter seu próprio 
filho. Uma clínica especializada faz a fecundação in vitro e instala o embrião na mãe substituta. A mãe genética 
assiste e acompanha a mãe substituta, garantindo-lhe todos os recursos para que a criança se desenvolva dentro 
da normalidade e nasça sadia e forte. (HAAG, 2000)
Podemos analisar o problema do ponto de vista legal usando os Códigos Civil e Penal. Estes 
apenas permitem que bens materiais sejam objeto de compra e venda. Pessoas não podem ser alvo 
de valor comercial, como no caso de adoção de crianças, exploração de menores para a prostitui-
ção, emprego de mão de obra escrava, entre outros. Além disso, temos todos os outros problemas 
relacionados à mãe geradora da criança, os problemas psicossomáticos, a consciência.
Eutanásia
O termo “eutanásia” deriva da língua grega e é composta pelo prefixo eu (boa) e do substantivo tánatos (morte), 
que, portanto, significa “boa morte”, ou uma morte sem sofrimento. Há dois tipos de eutanásia: a ativa e a passiva. 
A eutanásia ativa caracteriza-se pelo uso de meios diretos para interromper a vida e antecipar a morte. Essa for-
ma é legalmente condenada. Nenhum médico poderá praticar tal intervenção, pois no juramento de Hipócrates 
(primeiro médico), há um compromisso de salvar vidas, e não de condenar à morte. A dúvida ética repousa sobre 
a eutanásia passiva, ou seja, a intervenção que se faz desligando os aparelhos que mantêm viva a pessoa que 
está clinicamente morta (morte cerebral), não havendo mais, neste caso, a mínima chance de vida. A questão é a 
seguinte: pode-se, nesse caso, como gesto de piedade, livrar a pessoa dessa situação, e, quem sabe, livrar também 
os familiares de uma situação deprimente? (HAAG, 2000, p 202)
Apesar das mais diversas opiniões, a decisão nunca deverá ser tomada de forma isolada e 
arbitrária. De acordo com a ética religiosa, Deus é o doador da vida e só a ele pertence o direito 
de determinar o seu fim. Por isso, ninguém, nem mesmo um profissional da saúde, pode decidir 
de forma arbitrária e praticar a eutanásia. Toda e qualquer decisão em termos de eutanásia pas-
siva deverá passar por um conselho de ética, que a maioria dos hospitais possui, composta por 
uma equipe multidisciplinar. É importante que os familiares sejam ouvidos, e deverá sair daí uma 
decisão clara, transparente, convicta, unânime e consciente quanto ao que será feito em favor da 
pessoa clinicamente morta.
94 | Ética – assuntos práticos
A Ética da corporeidade
A sexualidade humana
O ser humano, tal qual os animais e asplantas, é um ser sexuado. A diferença é que o ser humano não age por instintos, 
porém seu comportamento sexual está submetido à dimensão racional (cognitiva, volitiva e afetiva) e espiritual (moral 
e religiosa). Os animais têm o comportamento sexual determinado pelos instintos para a preservação da espécie e não 
possuem a mínima consciência do que tal ato representa. O ser humano, mesmo tendo instintos muito elementares, 
não é determinado por eles, mas pela sua dimensão racional, e, por isso, pode e deve ter consciência do que o ato 
sexual representa para si, para seu parceiro e para a sociedade. O ser humano precisa ter consciência das múltiplas im-
plicações, boas ou más, certas ou erradas, positivas ou negativas que tal ato tem sobre si, sobre a outra pessoa, sobre a 
sociedade e diante da vontade de Deus. Além disso, há que se considerar também que o ato sexual não é apenas uma 
relação de amor do tipo eros, mas envolve também o amor do tipo filos (afetivo) e do tipo ágape (espiritual). Equivoca-
damente, há os que entendem que sexo é uma necessidade fisiológica. O ato sexual é um ato físico, mas nem por isso 
é uma necessidade fisiológica. Os aspectos mais significativos na relação sexual humana estão relacionados com os as-
pectos afetivos e espirituais que tal relação envolve. As pessoas não se unem por causa do sexo, mas porque querem ter 
um(a) companheiro(a), um(a) amigo(a), alguém em quem possam confiar e com quem possam compartilhar os bons e 
os maus momentos da vida. O sexo apenas complementa essa relação afetiva e espiritual. (HAAG, 2000, p. 205)
Por isso é importante discutir este tema com muita seriedade. Aula de sexualidade nas escolas 
não deve ensinar somente o funcionamento dos órgãos reprodutores, mas principalmente a respon-
sabilidade e o controle que as pessoas devem ter sobre o sexo. Principalmente porque pode causar 
problemas maiores como: a gravidez indesejada e doenças sexualmente transmitidas, como a aids, por 
exemplo, pois ainda não existe remédio para a cura total. Os pais devem conversar com os filhos sobre 
isso, um papo franco e aberto, sem tabus. 
Vemos um problema sério na questão da sexualidade nos dias atuais: passamos muito rapidamente de um extremo 
ao outro, ou seja, de um período em que sexo era um tabu, algo proibido e condenado, para um período no qual, por 
causa do excesso de restrição, passou-se para o excesso de permissividade. Um erro não justifica o outro. É preciso en-
contrar o equilíbrio para o bem do próprio ser humano, que recebeu de Deus este maravilhoso presente: a sexualidade 
dentro da dimensão afetiva e espiritual, privilégio do qual plantas e animais não desfrutam. (HAAG, 2000, p. 207)
A prostituição
A partir da visão da ética social, entende-se que o ser humano tem plena liberdade de fazer as opções que melhor lhe 
couberem. Hoje se pensa que se alguém escolheu a prostituição como modo de vida, ninguém tem nada a ver com 
isso, pois ninguém deve intrometer-se na vida alheia. Porém, a partir da visão da ética religiosa, o princípio que vigora 
não é a liberdade, mas o amor ágape. Então, a pergunta que se faz a partir desse ponto de vista da ética religiosa é: as 
pessoas têm, de fato, liberdade de usar seu corpo como objeto econômico? É certo alguém “comprar” o corpo de uma 
outra pessoa para satisfazer suas necessidades sexuais? (HAAG, 2000, p. 208)
O ser humano não é coisa, não é produto, não é mercadoria. Ele tem alma, sentimentos e coração. 
Neste nível, o que deve falar mais alto e valer muito mais é o amor mútuo. Quando alguém chega ao 
ponto de “vender” o seu corpo é porque algo muito grave está acontecendo com ele e com a sociedade. 
Tal pessoa precisa ser tratada com amor e não ser explorada na sua necessidade ou fraqueza. Pesquisas 
nos mostram que a grande maioria das pessoas que vivem na prostituição está nesse meio não por op-
95|Ética – assuntos práticos
ção livre, mas por questões econômicas, familiares, psíquicas, afetivas e educacionais. Assim, também, a 
grande maioria delas gostaria de mudar de vida e viver como pessoas normais, dentro de um ambiente 
familiar harmonioso. 
O que estas pessoas mais gostariam de ter na vida é o amor e uma chance que nunca tiveram: serem respeitadas. Muitas 
delas se sentem rejeitadas e inferiorizadas pelo fato de viverem em tais condições subumanas: sem carinho, sem afeto e 
sem dignidade, pois todos veem nelas um objeto que se compra, e não uma pessoa que reclama por melhores oportuni-
dades na vida, que reclama para ser alguém. (HAAG, 2000, p.208)
Uso e dependência de drogas
Este é mais um dos problemas preocupantes na nossa sociedade. Quantos pais perdem filhos 
para a droga?
Um dos problemas humanos e sociais de maior gravidade é o problema que envolve o uso e a dependência de drogas, 
que traz consequências físicas e psíquicas a curtíssimo prazo e, geralmente, irreversíveis. A pergunta inquietante que 
surge é: o que faz com que pessoas optem pelas drogas, sabendo que se autodestruirão? Será que são livres para tomar 
uma decisão que implica renúncia à vida? (HAAG, 2000, p. 209)
Não podemos sair condenando os jovens por este comportamento. Eles precisam de ajuda. Aliás, 
precisam de amor. Não fizeram uma opção simples e livre. Há causas mais profundas de ordem psíquica 
e afetiva que os influenciam a entrar no “mundo” das drogas. Muitos buscam nas drogas uma forma de 
se punir ou de fugir de algum problema que têm medo de enfrentar. Há o caso daqueles que querem 
chamar a atenção dos pais, como forma de reclamar atenção e afeto. Há casos em que a pessoa é levada 
às drogas pela curiosidade ou como forma de desafiar o perigo, tentando mostrar que é forte, mas isso 
também revela um tipo de insegurança e falta de afeto ou atenção. 
Mas é importante dizer que quando falamos em droga, não falamos somente em drogas ilícitas, 
como a maconha, a cocaína, o crack, entre outros. Falamos também das lícitas, como o cigarro e a bebi-
da. A bebida que está aí. A televisão está cheia de propagandas convencendo as pessoas a beber. Os jo-
vens adolescentes já não vão mais a uma festa sem a cerveja. Não tem graça. Aí é que muitos se iniciam 
no mundo das drogas. A droga atinge todas as faixas etárias, não esqueça. Não são somente os jovens.
A ordem familiar: a Ética na família
A família: sua constituição
O que é família hoje? Um grupo de pessoas vivendo debaixo de um mesmo teto? Um casal 
legalmente unido com direito a ter e criar seus próprios filhos? Uma relação de pessoas que têm 
uma base econômica estável? Um casal que jurou ser fiel um ao outro até que a morte os separe? 
Então vamos ver:
96 | Ética – assuntos práticos
Para a ética social, a família é constituída a partir do momento em que duas pessoas decidem viver juntas. Mas, na 
maioria das vezes, a motivação dessa união está baseada na ideia de que o casamento dá a tão sonhada liberdade de 
praticar livremente o sexo sem as inconvenientes restrições morais e sociais. Percebe-se em tais situações que o que 
motivou essa união foram apenas os interesses egoístas de cada um, sem se considerar a pessoa humana do outro. 
Quando isso acontece, não se pode dizer que aí há uma família. O vínculo familiar pressupõe uma ligação honrosa e 
digna com a pessoa do outro, e não que o outro seja um objeto de uso que, quando não serve mais, torna-se descar-
tável. (HAAG, 2000, p. 211)
Mas aqui é importante analisar a família também a partir da Ética Religiosa. Vejam que encontra-
mos uma conotação diferente da ética social:
Para a ética religiosa, a constituição da família não se dá a partir da vontade humana, mas a partir da vontade divina. Pois, 
para a religião, homem e mulher são criaturas de Deus e ele mesmo os uniu e abençoou para completarem-se física e psi-
cologicamente na vida a dois. Por isso, na visão da religião, a família é constituída e fundamentada sob a vontade divina, 
que é expressa nas doutrinas que fundamentam a religião, na qual homem e mulher não são vistos como objetos de mero 
prazer sexual, mascomo pessoas criadas conforme a imagem e semelhança de Deus, a fim de viverem de modo digno, 
fraterno e humano. (HAAG, 2000, p. 212)
A família deve dar condições para que o ser humano tenha um desenvolvimento como pessoa e 
ser social num ambiente que lhe permita isso. A família é, como já diziam há vários séculos os latinos, “a 
célula-mãe da sociedade”. Tudo depende da família. É no seio familiar que os filhos são educados para a 
vida. A ação ética de cada um vai depender muito do que foi aprendido e vivido entre pais e irmãos. 
Casamento, divórcio, recasamento
O casamento, bem como a família e o lar, atravessam juntos a mesma crise de valores éticos do mundo contemporâneo, 
marcado pelo individualismo, liberalismo e pragmatismo hedonista. A partir da visão da ética social, o casamento não pas-
sa de um contrato formal entre duas pessoas, que, “se não derem certo”, desfarão a “empresa” e tentarão novamente com 
um outro “sócio”, como se o casamento fosse uma S.A. (Sociedade Anônima). A ética religiosa, mesmo tendo sido taxada 
de arcaica, tem se posicionado como voz discordante das “novas tendências” do mundo moderno e tem insistido na visão 
de que o casamento é de origem divina e, portanto, deve fundamentar-se sobre os princípios éticos do amor ágape. Casa-
mento não é loteria, mas um projeto de vida que assumimos perante Deus e a sociedade, devendo, por isso, ser encarado 
com responsabilidade, porque as pessoas não são objetos dos quais podemos dispor para fazer experiências temporárias. 
Casamento não é um contrato, mas um projeto de vida para o qual deve haver a bênção de Deus. (HAAG, 2000, p. 213)
A família parece estar em crise. O casamento está em crise. É o que dizem as pessoas. Mas a crise é 
ética e moral, ou seja, houve a perda dos valores fundamentais pela pessoa, como por exemplo, o amor 
e o respeito ao próximo.
O divórcio, conforme a ética protestante, não é uma regra, mas uma exceção. O princípio que a ética protestante de-
fende é o da indissolubilidade do matrimônio, pois a Bíblia (norma de fé e vida) diz: “o que Deus uniu, não o separe o 
Homem”. Porém, como é inevitável que aconteçam problemas e desentendimentos entre casais, a ética protestante 
postula os seguintes procedimentos frente a tais problemas:
que o casal esgote todas as possibilidades na busca da solução para superarem seus proble-::::
mas e permanecerem unidos;
mesmo que resolvam separar-se, façam a experiência por breve tempo, dando prioridade ::::
para a reconciliação;
só em último caso recorram ao rompimento definitivo e que, então, primeiro legalizem a situ-::::
ação anterior para só depois disso começarem vida nova, cumprindo as formalidades legais e 
o que determina a lei de Deus (HAAG, 2000, p. 215).
97|Ética – assuntos práticos
É importante ainda citar o recasamento, ou seja, o recomeço de uma nova vida conjugal, mesmo 
sendo admitido pela ética protestante, deve ser feito com muito cuidado. O catolicismo, não admitindo o 
divórcio como forma legal de separação, também não admite haver uma forma legal para o recasamento. 
Já o protestantismo admite a legalização do divórcio nos casos previstos anteriormente e, por isso, tam-
bém nestes casos, admite a legalização do novo casamento, bem como a bênção religiosa para uma nova 
união matrimonial (pois, caso contrário, condenar-se-ia ao adultério ou ao concubinato a parte inocente). 
É de direito e da natureza humana que pessoas jovens, mesmo divorciadas em situações legítimas, sejam 
amparadas (e não condenadas) pela religião, a fim de terem uma vida digna, honesta e cristã. 
A ordem de justiça: a Ética nas questões legais 
A pena de morte
Definimos a pena de morte como a punição máxima aplicada a um infrator, eliminando a pessoa 
do convívio social e tirando-lhe a vida com a aplicação da pena capital. 
Aqui se levantam muitas questões de ordem legal e religiosa. No Brasil, no período do Império, 
havia a pena de morte, mas ela foi abolida por causa de um erro judiciário no qual se tirou a vida de um 
inocente. A partir de lá, não se tem mais na lei brasileira a prática legalizada da pena de morte. Já foram 
feitas várias tentativas para a reimplantação no Código Penal do artigo que faculta o uso de tal lei. Os 
debates em torno do assunto bipolarizam-se de tal maneira que há argumentos a favor e contra.
Argumentos a favor:
diante do medo da punição com morte, haveria diminuição da violência e da criminalidade;::::
o Estado não teria tantos gastos com a manutenção de presídios (verdadeiras universida-::::
des do crime). 
Argumentos contrários:
possibilidade de erro judiciário e, com ele, a condenação de um inocente; ::::
uso político e ideológico da pena, sendo, nesse caso, uma arma na mão de maus governantes ::::
que se voltam contra o próprio cidadão; 
estatísticas em países em que há a pena de morte revelam que ela foi aplicada, na maior parte ::::
das vezes, contra pobres, negros e índios. Foram raros os casos de ricos e/ou brancos a serem 
condenados;
a pena de morte não diminuiu a criminalidade, apenas a refreou num primeiro momento;::::
é falso o argumento econômico, porque os gastos para evitar erro judicial são muito altos e ::::
maiores do que os gastos com a manutenção dos presídios.
Do ponto de vista da Ética Religiosa, o assunto também é controverso, pois há teólogos que, ba-
seados em textos bíblicos, defendem a pena de morte, e outros que são contra ela, porque entende que 
só Deus tem autoridade de punir com a morte, por ser ele o autor da vida.
98 | Ética – assuntos práticos
Pessoalmente, sou contra a pena de morte, visto que ela seria usada como um instrumento que apenas atingiria os 
efeitos, ficando as causas do problema sem serem atingidas. As ondas de corrupção que afetam governantes e autori-
dades no Brasil não lhes dão idoneidade moral para serem os depositários fiéis de uma lei tão severa e drástica. Num 
país no qual apenas “ladrões de galinha” vão para a cadeia e os criminosos de “colarinho branco” ficam impunes, fica 
desautorizada a validade da implantação da lei da pena de morte. (HAAG, 2000, p. 221)
O aborto
É um assunto que merece atenção especial e é difícil de discutir, pois envolve culpa, consciência. 
Mas todos os casos devem ser tratados com muito cuidado. Vejo que aqui, a questão do amor cristão é 
fundamental para chegarmos a alguma conclusão.
A lei brasileira considera crime a prática do aborto, sendo, portanto, sujeito a sanções penais. Mas há uma disseminação 
de clínicas que fazem a prática clandestina do aborto, sem a devida coibição das autoridades. A lei brasileira admite 
duas exceções: 1.º) em caso de risco de vida para a mãe; 2.º) se a gravidez foi proveniente de estupro. Em ambos os 
casos, o médico fica autorizado a fazer o aborto, desde que seja realizado até o terceiro mês de gravidez. (HAAG, 2000, 
p. 222)
Os problemas morais que provêm da prática do aborto, segundo a ética religiosa, dizem respeito 
a questões que envolvem a concepção teológica de vida. Como já vimos antes, a vida é considerada um 
presente de Deus e ninguém tem o direito de atentar contra a vida de quem quer que seja, especial-
mente de um ser indefeso dentro de um útero. 
A ética cristã, mesmo que o aborto venha a ser legalizado, sempre orientaria o cristão a não se valer de tal lei, porque 
nem tudo o que é legal é, automaticamente, moral. A moral do cristão, em tudo, sempre será orientada pela vontade 
de Deus. Porque esse mundo, com suas paixões e concupiscências, passará, mas a vontade de Deus permanecerá para 
sempre. (HAAG, 2000, p. 223)
A ordem civil: a Ética na política
O ser humano, entre todos os seres da natureza, é o único que desenvolve formas organizadas de vida social. Os ani-
mais, nas suas mais diferentes espécies, mesmo vivendo em grupos, não possuem uma forma organizada de vida. Nas 
espécies animais, as relações grupais são determinadas pelos instintos, a fim de garantir a reprodução e a sobrevivência 
da espécie. Por isso, cada espécie possui um padrão próprio de vida grupal.Há regras naturais que determinam a fun-
ção e o comportamento de cada “membro” que compõe a espécie. (HAAG, 2000, p. 224)
A política
Este é um termo muito desgastado hoje e, por isso, para muitos, tem um significado pejorativo. Porém, tanto 
o significado semântico como o filosófico do termo “política” é muito significativo. Ele provém da palavra pólis, 
que significa cidade-estado. Cada cidade da Grécia formava um Estado independente que estava unido numa 
confederação de cidades, formando, assim, a nação grega. Cada cidade-estado era autônoma e, por isso, tinha vida e 
cultura próprias. Cada uma possuía suas próprias leis. E as leis de cada cidade eram feitas a partir da discussão pública 
99|Ética – assuntos práticos
dos problemas que a afetavam. Todos os cidadãos livres tinham vez e voz nas assembleias públicas onde eram tomadas 
as decisões “políticas”, ou seja, aquilo que dizia respeito à pólis. Daí provém o termo política, ou seja, a discussão e a 
administração das coisas públicas, cujo objetivo é a manutenção do bem comum. Não havia nada mais importante 
para o homem grego do que a pólis, pois era o lugar onde vivia. E este era o maior bem comum que todos possuíam. 
Por isso, na Grécia antiga, política era uma atividade que envolvia todos os cidadãos de uma cidade-estado. (HAAG, 
2000, p. 225)
Religião e política
Dizem que são dois assuntos que não se discute. O tema é vasto realmente, e neste texto é impos-
sível aprofundar o assunto. Mas o importante é que o meio acadêmico discuta estas questões e busque 
sempre alternativas para uma sociedade mais equilibrada. Política é uma atividade que deve envolver a 
todos, e não apenas àqueles que veem na “politicagem” um meio de obter vantagens em tudo, infeliz-
mente às custas do bem comum. 
O luteranismo, a política e a economia 
Não poderíamos terminar o texto sem falar em Lutero. Pela sua clareza em seus escritos e pela forma 
de pensar, inspirado pela Bíblia, Lutero deixa um modelo claro de sociedade com fundamentos sólidos:
O reformador Martinho Lutero, em seus escritos, fez questão de distinguir a ordem política da ordem religiosa, ou seja, 
fez a separação entre Igreja e Estado. O poder eclesiástico é distinto e separado do poder civil. Ambos cumprem funções 
diferentes, embora devam ser convergentes para o mesmo fim: a realização da vontade de Deus na promoção do bem- 
-estar espiritual e material do Homem. À Igreja cumpre a função de cuidar do bem-estar espiritual, e ao Estado cumpre a 
função de cuidar do bem-estar social e material do Homem. Igreja e Estado deveriam, segundo Lutero, ser independentes 
um do outro, ou seja, um não se metendo nos negócios do outro. Porém, por outro lado, Igreja e Estado não poderiam 
estar divorciados um do outro, por terem um objetivo comum: o bem-estar do Homem criado à semelhança de Deus. 
(HAAG, 2000, p. 229)
São todos os temas muito interessantes. Levam-nos a horas de reflexão e estudo. Não podemos 
fugir deles, pois encontraremos nesta reflexão fôlego para preservar a vida. Sei que muitos pensam ser 
utopia pensar em um mundo melhor. Mas se não sonhamos, buscamos tornar estes sonhos realidade.
Atividades
1. Dos temas apresentados, de qual você mais gostou? Justifique.
100 | Ética – assuntos práticos
2. Como você pode utilizar essa reflexão para a sua vida pessoal?
3. Converse e busque o diálogo desses temas com os seus colegas e sua família.
Ampliando conhecimentos
Minha sugestão é a leitura de alguns textos de Lutero sobre estas abordagens. É um livro em que o 
reformador fala sobre Economia, Política e educação:
LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Porto Alegre: Concórdia, 1995. v. 7.
101|Ética – assuntos práticos
Autoavaliação
1. Sobre a prática das ações morais na sua vida, em que casos, dos citados acima, você se deu conta 
que pode haver uma reflexão maior e que possa ajudá-lo?
Referências
KUCHENBECKER, Valter. O Homem e o Sagrado. Canoas: Editora da Ulbra, 2000.
LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Porto Alegre: Concórdia, 1995. v. 7.
RELIGIÃO NO 
BRASIL E ÉTICA
RELIGIÃO NO 
BRASIL E ÉTICA
R
E
L
IG
IÃ
O
 N
O
 B
R
A
S
IL
 E
 É
T
IC
A
DOUGLAS MOACIR FLOR
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-3752-0
Capa religiao_no_brasil_e_etica.indd 1 20/12/2013 17:13:39

Mais conteúdos dessa disciplina