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Docente: Prof.ª Sheila de F. Perecin Menegati Biomédica: Especialista em Hematologia e Imunohematologia Mestranda em Biologia Molecular de grupos sanguíneos – Unicamp HEMATOLOGIA - Biomedicina Série Granulocítica Neutrófilos → Escalonamento maturativo Granulócitos → escalonamento maturativo Granulócitos → escalonamento maturativo Linhagem Granulocítica Série linfocitária Série monocitária Série plasmocitária Escalonamento maturativo dos linfócitos, monócitos e plasmócitos Células plasmocitárias ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS As alterações observadas variam com: Localização / extensão do processo Nivel das manifestações sistêmicas Agente etiológico Grupo etário Condições imunológicas ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS RESPOSTA INFLAMATÓRIA: Alterações hemodinâmicas e microvasculares. Aumento do fluxo sanguíneo e extravasamento do fluido no local da infecção ação de citocinas e mediadores inflamatórios nos vasos sanguíneos. Sinais da inflamação: calor, rubor, tumor e dor. Nesse momento, neutrófilos e macrófagos fagocíticos iniciam a resposta inflamatória • Liberação de quimiocinas pelos macrófagos-atração de neutrófilos e monócitos para o tecido infectado ou inflamado; • Ingestão de patógeno bacteriano ou viral pela célula dendritícas – Células apresentadoras de antígenos (APC); • As APCs dirigem –se aos linfonodos e ativam linfócitos específicos para os antígenos-resposta imune adaptativa. ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS - Resposta Inflamatória Aguda Resposta hematológica nas Infecções • Cinética e função das células envolvidas nos processos de defesa Resposta hematológica à infecções - estágios Resposta hematológica - Bactérias Intracelulares M. tuberculosis, M. leprae • Bactérias penetram nos macrófagos e estimulam tanto células TCD4 comoTCD8. • Secreção de IFN-γ que ativa os MACRÓFAGOS A PRODUZIREM ÓXIDO NÍTRICO -destruição das bactérias • Neutrofilia não é esperada • Tuberculose e hanseníase Monocitose – manifestação frequente Neutrofilia - ocorre na tuberculose miliar (Reação Leucemóide)-f ase disseminada da doença Pancitopenia- se ocorrer esplenomegalia • Produção de Citocinas: TNF-α, IL-1, IL-6 Febre • Mobilização intensa de neutrófilos • Neutrofilia ( principalmente por Gram + ) • Neutropenia (principalmente por Gram -) • Desvio à esquerda Resposta hematológica - Bactérias extracelulares Resposta hematológica - Infecção Viral • Patógenos intracelulares • Utilizam maquinaria da célula infectada para se reproduzirem. • Interação dos Linfócitos T com células portadoras dos antígenos – ativação de citocinas que agem nas células-alvo. • Nos tecidos afetados as células dendríticas englobam os patógenos e migram para os linfonodos estimulando LinfócitosT a liberarem mais citocinas e Linfócitos B produtores de anticorpos que reagirão com as células infectadas ou interagirão com macrófagos para atuarem sobre as células infectadas. Resposta hematológica - Síndrome da Imunodeficiência Adquirida • Depressão profunda da resposta imune mediada pelos linfócitos T. • Agente etiológico-retrovírus HIV (1983) • Capacidade de infectar várias células de preferência CD4 e macrófagos. • Disfunção imunológica grave. Alterações hematológicas (resposta) - AIDS • Alterações hematológicas numerosas e variáveis • Ação do vírus sobre células precursoras • Associação com infecções, inflamações ou neoplasias • Associação com uso de Medicamentos • Característico: citopenias (anemia, leucopenia e trombocitopenia): • Capacidade do vírus infectar e destruir as células • Anemia • produção de hemácias • destruição • Leucócitos • Linfopenia • Neutropenia • Monocitopenia • Alterações funcionais • Vacuolização citoplasmática, anormalidades granulares, defeitos de segmentação, núcleos bizarros • Plaquetas • Trombocitopenia Resposta hematológica - Mononucleose Infecciosa • Causa-vírus Epstein-Baar • Pertence a família herpesviridae • Infecta principalmente linfócitos B • Incidência -jovens 15 a 19 anos • Evidências que EBV- associação a neoplasias • Ocorre: • Leucocitose 10.000-20.000/mm3 (2/3 dos casos) • Linfocitose (>50% dos leucócitos) • Expansão clonal de L T-CD8+ • Vírus infecta Linfócitos B • Linfócitos T reativos às células infectadas tornam-se atípicos • Podem permanecem na circulação por 1-2 meses (até 6m) • Em geral > 10% do total de leucócitos • Trombocitopenia e anemia Respostas hematológicas - Dengue • Causada por um dos quatro sorotipos de vírus da família Flaviviridae. • Transmissão pelo mosquito Aedes Egypti. • Manifestações clínicas - desde a febre indiferenciada até a síndrome do choque da dengue. • Alterações laboratoriais variadas • Leucopenia • Anormalidade mais comum • Máxima entre 5º- 6º dia • Linfócitos atípicos e plasmócitos presentes. • Plaquetopenia • < 50.000 em 50- 60% dos casos • Máxima entre 5º- 7º dia • Prova do laço positiva • Monocitose • 100% (Taiwan) ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS ALTERAÇÕES QUALITATIVAS: Granulações tóxicas: Grânulos primários ricos em mieloperoxidase Vacuolização citoplasmática: Exocitose de material fagocitado Corpos de Döhle: Liquefação do retículo endoplasmático Comum em Pneumonia pneumocócica, erisipelas (estafilococos), queimaduras ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS DE COM GRANULAÇÕES TÓXICAS ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS VACÚOLOS CITOPLASMÁTICO CORPOS DE DOHLE ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS Vacúolos Tóxicos: aparecem nos neutrófilos, junto com os grânulos tóxicos e representam grave lesão citoplasmática decorrente de processo bacteriano intenso (septicemia) ou quando há formação de pus (abcesso) ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS Corpúsculo de Döhle: aparecem na periferia dos neutrófilos. São áreas ricas em RNA e representam liquefação do retículo endoplasmático decorrente de lesão citoplasmática. São um sinal fidedgno de infecções bacterianas graves ou sistêmicas ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS NEUTROFILIA COM DE ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS RESPOSTA INFLAMATÓRIA BACTERIANA: Mobilização intensa de neutrófilos Neutrofilia ( principalmente por Gram + ) Desvio à esquerda Neutropenia: principalmente por Gram - ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS RESPOSTA INFLAMATÓRIA: INFECÇÕES VIRAIS: Patógenos intracelulares Utilizam da célula infectada para se reproduzirem. Interação dos Linfócitos T com células portadoras dos antígenos Provocam ativação de citocinas que agem nas células- alvo. Nos tecidos afetados as células dendríticas englobam os patógenos e migram para os linfonodos estimulando LinfócitosT a liberarem mais citocinas e Linfócitos B produtores de anticorpos que reagirão com as células infectadas ou interagirão com macrófagos para atuarem sobre as células infectadas. ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS Linfócitos T reativos às células infectadas tornam-se atípicos http://ashimagebank.hematologylibrary.org/content/vol2008/issue1015/images/large/08-00031-Fig1.jpeg NORMAL ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS ASSOCIADAS DESVIO À ESQUERDA LEVE ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS ASSOCIADAS DESVIO À ESQUERDA SEVERO ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS ASSOCIADAS ALTERAÇÕES CELULARES – LEUCÓCITOS REAÇÃO LEUCEMÓIDE: Leucocitose reacional e excessiva,caracterizada pela presença de células imaturas no sangue periférico HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA • LEUCOGRAMA Contagem global dos leucócitos Contagem diferencial dos leucócitos Avaliação morfológica de maneira geral Células imaturas Precursores ou blastos Pró-mielócito Mielócito Metamielócito Células em transição e/ou maduras Bastão Neutrófilo Eusinófilo Basófilo Linfócito Monócito CONTAGEM GLOBAL – Objetivos • Determinar infecção ou inflamação. • Determinar a necessidade de testes adicionais, como, por exemplo, o diferencial de leucócitos ou a biópsia de medula óssea. • Monitorar a resposta à quimioterapia, radioterapiaou outros tipos de terapia. HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA CONTAGEM GLOBAL • A contagem normal de leucócitos varia de 5.000 a 10.000/ml. HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://cnaturais9.files.wordpress.com/2008/05/tipos-de-leucocitos.jpg&imgrefurl=http://cnaturais9.wordpress.com/sistema-circulatorio/&usg=__LzJpiHp_GoCIfKpvrI_3vsOS_zw=&h=278&w=451&sz=35&hl=pt-BR&start=2&tbnid=ckJ7fZdg4aJ-_M:&tbnh=78&tbnw=127&prev=/images?q=leuc%C3%B3citos&gbv=2&hl=pt-BR&sa=G http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://pwp.netcabo.pt/sistema.imune/leucocitos.png&imgrefurl=http://pwp.netcabo.pt/sistema.imune/sistema_imunitario.htm&usg=__ukfMtlQ3gLvfvZIF5Ui6Op9d_oM=&h=234&w=767&sz=388&hl=pt-BR&start=1&tbnid=tNWzkYsqi0wGIM:&tbnh=43&tbnw=142&prev=/images?q=leuc%C3%B3citos&gbv=2&hl=pt-BR&sa=G ACHADOS ANORMAIS LEUCOCITOSE LEUCOPENIA HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://home.kku.ac.th/acamed/kanchana/p34.jpg&imgrefurl=http://home.kku.ac.th/acamed/kanchana/bsi.html&usg=__9jhfQPn47N2StnZqqLGH6sT3FJI=&h=412&w=580&sz=97&hl=pt-BR&start=10&um=1&tbnid=fdqkViybUiOmNM:&tbnh=95&tbnw=134&prev=/images?q=LEUCOPENIA&hl=pt-BR&sa=G&um=1 LEUCOCITOSE Contagem elevada de leucócitos geralmente relacionada à: Infecção Abscesso Meningite Apendicite Amigdalite Leucemia necrose tecidual infarto do miocárdio HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA LEUCOPENIA Contagem diminuída de leucócitos indica depressão da medula óssea, que pode resultar de: Infecções virais Influenza Febre tifoide Sarampo Hepatite infecciosa Mononucleose e rubéola. HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA LEUCOPENIA – Também relacionado à: Reações tóxicas que acompanham o tratamento com antineoplásicos, ingestão de mercúrio ou outros metais pesados, ou exposição ao benzeno ou arsênicos. HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA CONTAGEM GLOBAL • MÉTODO: Utiliza-se uma diluição de 1:20 em líquido diluente que geralmente é o liquido de Turk (ocasionalmente pode-se utilizar agua com objetivos de lisar as hemácias e contar os leucócitos) Conta-se em câmara de Neubauer, nos 4 quadrantes laterais HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA CONTAGEM GLOBAL Leucócitos Leucócitos LeucócitosLeucócitos CONTAGEM DIFERENCIAL • A diferenciação de leucócitos é importante para avaliar a distribuição e morfologia dos glóbulos brancos, fornecendo informação mais específica sobre o sistema imune do paciente do que a contagem de leucócitos isoladamente. HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA CONTAGEM DIFERENCIAL – Objetivo •Avaliar a capacidade para resistir e superar infecções. •Detectar e identificar diversos tipos de leucemia. •Determinar o estágio e gravidade de uma infecção. •Detectar reações alérgicas. •Avaliar a gravidade de reações alérgicas (contagem de eosinófilos). •Detectar infecções parasitarias. •Servir de suporte para o diagnóstico de outras doenças. HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA VALORES DE REFERENCIA – Adulto • Bastão: 1 à 5% • Basófilos: 0 a 2% • Eosinófilos: 1 a 5% • Linfócitos: 22 a 40% • Monócitos: 2 a 12% • Neutrófilos: 45 a 65%. HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA VALORES DE REFERENCIA – Criança • Bastão: 1 à 5% • Basófilos: 0 a 2% • Eosinófilos: 1 a 5% • Linfócitos: 45 a 65% • Monócitos: 2 a 10% • Neutrófilos: 22 a 40%. HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA Leucocitose com neutrofilia e acompanhada de desvio nuclear à esquerda significa : que a medula óssea está liberando células de seu "pool“ de reserva porque algum tecido está necessitando de neutrófilos. O desvio à esquerda caracteriza a liberação de células mais jovens pela medula óssea, porque a maioria das células do "pool“ de reserva da medula óssea são bastonetes. HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA CONTAGEM DIFERENCIAL • MÉTODO: Devido ao tamanho variado dos leucócitos, sua distribuição no esfregaço nem sempre é uniforme. Assim nas bordas e na cauda há maior quantidade de neutrófilos, eosinófilos e monócitos, ficando os linfócitos mais restritos à região central do esfregaço HEMOGRAMA / LEUCOGRAMA CONTAGEM DIFERENCIAL • Para evitar erros deve-se fazer a contagem em zigue-zague. • Deve-se contar 100 leucócitos para soltar o resultado em % • Terminado a contagem deve-se percorrer a lamina buscando alterações morfológicas Leucocitose neutrofílica com desvio a esquerda Interpretação do leucograma e alterações leucocitárias • INFLUÊNCIA DA AUTOMAÇÃO NA ANÁLISE QUANTITATIVA E QUALITATIVA DO HEMOGRAMA – ESPECÍFICAMENTE NO LEUCOGRAMA Interpretação do leucograma e alterações leucocitárias • Citometria de fluxo é uma técnica utilizada para contar, examinar e classificar partículas microscópicas suspensas em meio líquido em fluxo. • Permite a análise de vários parâmetros simultaneamente, sendo conhecida também por citometria de fluxo multiparamétrica. • Através de um aparelho de detecção óptico-eletrônico são possíveis análises de características físicas e/ou químicas de uma simples célula. Interpretação do leucograma e alterações leucocitárias Principio da técnica: • Um feixe de luz (normalmente laser) de um único comprimento de onda (cor) é direcionado a um meio líquido em fluxo. • Um número de dectores são apontados ao local onde o fluxo passa através do feixe de luz; um na linha do feixe de luz (Forward Scatter ou FSC) e vários perpendiculares a este (Side Scatter ou SSC) além de um ou mais detectores fluorescentes. • Cada partícula suspensa passando através do feixe dispersa a luz de uma forma, e os corantes químicos fluorescentes encontrados na partícula ou juntos a partícula podem ser excitados emitindo luz de menor frequência do que o da fonte de luz. • Esta combinação de luz dispersa e fluorescente é melhorada pelos dectetores, e analisando as flutuações de brilho de cada detector (uma para cada pico de emissão fluorescente) • É possível explorar vários tipos de informação sobre a estrutura física e química de cada individual partícula. Interpretação do leucograma e alterações leucocitárias INTERPRETAÇÃO: • FSC correlaciona-se com o volume celular e SSC depende da complexidade interna da partícula (por exemplo: forma do núcleo, quantidade e tipo dos grânulos citoplasmáticos e rugosidade da membrana). • Alguns citômetros de fluxo do mercado tem eliminado a necessidade da fluorescência, usando somente dispersão de luz para sua medição. • Outros citômetros de fluxo formam imagens de cada fluorescência da célula, dispersão de luz e transmissão de luz. Interpretação do leucograma e alterações leucocitárias HEMATOLOGIA E CITOMETRIA DE FLUXO: • A hematologia foi uma das primeiras disciplinas médicas a se beneficiar das aplicações clínicas da citometria de fluxo. • Algumas destas aplicações são atualmente utilizadas regularmente para o diagnóstico ou a seguinte terapêutica das diferentes afecções. • A imunologia utiliza a citometria de fluxo para a detecção ou identificação de sub-tipos de células implicadas na imunidade. Interpretação do leucograma e alterações leucocitárias Interpretação do leucograma e alterações leucocitárias • 4- Gráfico tamanho/complexidade que indica as populações leucocitárias presentes na amostra assinaladas com uma cor para cada uma. • 5- Gráfico granulosidade/lobularidade que permite evidenciar as diferenças apresentadas entre os granulócitos por análise da luz despolarizada. • 6- Histograma das plaquetas e dos eritrócitos permitem mostrar as diferenças entre a população de plaquetas e de eritrócitos e se estas populações apresentam uniformidade de tamanho. • 1 – dados quantitativos do leucograma: leucócitos totais; contagem absoluta e calculo das porcentagens. • 2 – dados quantitativos do eritrograma: numero total de eritrócitos, dosagem de Hb e hematócrito, além de cálculos do VCM, HCM, CHCM e RDW. • 3 – dados quantitativos do plaquetograma: quantificação das plaquetas Interpretação do leucograma e alterações leucocitárias