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Estabilizadores de Humor Transtorno Bipolar •Séc XIX - Jules Baillarger - Forma dual de insanidade •Jean Pierre Falret- Insanidade circular •Emil Kraepelin – curso natural da doença Histórico Mania •Estado de humor elevado ou irritabilidade •Duração de no mínimo uma semana Critérios Diagnósticos A. Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável e aumento anormal e persistente da atividade dirigida a objetivos ou da energia, com duração mínima de uma semana e presente na maior parte do dia, quase todos os dias (ou qualquer duração, se a hospitalização se fizer necessária). Critérios Diagnósticos B. Durante o período de perturbação do humor e aumento da energia ou atividade, três (ou mais) dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) estão presentes: 1. Autoestima inflada ou grandiosidade. 2. Redução da necessidade de sono (exemplo: sente-se descansado com apenas três horas de sono); 3. Mais loquaz que o habitual ou pressão para continuar falando. Critérios Diagnósticos B. Durante o período de perturbação do humor e aumento da energia ou atividade, três (ou mais) dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) estão presentes: 4. Fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelerados. 5. Distrabilidade (exemplo: a atenção é desviada muito facilmente por estímulos externos insignificantes ou irrelevantes), conforme relatado ou observado. Critérios Diagnósticos B. Durante o período de perturbação do humor e aumento da energia ou atividade, três (ou mais) dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) estão presentes: 6.Aumento da atividade dirigida a objetivos (seja socialmente, no trabalho ou escola, seja sexualmente) ou agitação psicomotora 7.Envolvimento excessivo em atividades com elevado potencial para consequências dolorosas (envolvimento em surtos desenfreados de compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros insensatos). Critérios Diagnósticos C. A perturbação do humor é suficientemente grave aponto de causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional ou para necessitar de hospitalização a fim de prevenir dano a si mesmo ou a outras pessoas, ou existem características psicóticas D. O episódio não é atribuível a aos efeitos fisiológicos de uma substância (exemplo: droga de abuso, medicamento, outro tratamento) ou a outra condição médica. Depressão •Humor deprimido ou perda de interesse/prazer por quase todas as atividades durante pelo menos duas semanas. Depressão Classificação Ocorrência de pelo menos um episódio maníaco, que pode ter sido precedido ou sucedido de episódios hipomaníacos ou depressivos Transtorno bipolar tipo II Distúrbio de humor recorrente, constituído por um ou mais episódios depressivos maiores e pelo menos um episódio hipomaníaco Transtorno Bipolar tipo I Lítio • Antiguidade: Banhos em fontes alcalinas para pacientes agitados ou eufóricos • 1840: tratamento da gota • Schou et al (1954) foram os primeiros a apresentarem dados a favor do uso do lítio • Tratamento do TAB há mais de 50 anos Histórico • Ação em diversos locais de transdução de sinais • Receptores de neurotransmissores • Segundo mensageiros Mecanismo de ação • Inibição das Inositol Monofosfatases (IMPA1 e IMPA2) e Polifosfatases • Ativação de Proteína-quinase-C (PKC), que culminaria na ativação de fatores indutores ou supressores da transcrição gênica Mecanismo de ação • Íon de substituição aumentando níveis de neurotransmissores (aumentando níveis de serotonina e diminuindo noradrenalina), altera níveis de dopamina, GABA, acetilcolina • Inibição de enzimas adenilciclase e inositol- 1 fosfatase – levando a redução da neurotransmissão noradrenérgica Mecanismo de ação • Efetivo nos episódios maníacos e na manutenção de remissões • Prevenção do suicídio • Potencializador de antidepressivos • Alzheimer Ação Efeitos colaterais Litemia!!! • Antes do início do uso - dosagem de creatinina, eletrólitos, T4 livre, TSH, homograma e ECG • 300 mg, 2x por dia→ 300, 3x • 900 a 2.100 Recomendações Anticonvulsivantes como estabilizadores de humor Histórico Primeiros testados: carbamazepina e valproato EFICÁCIA COMPROVADA • Valproato • Carbamazepina • Lamotrigina EFICÁCIA INCERTA/ DUVIDOSA • Oxcarbazepina • Topiramato • Gabapentina • Bloqueadores do canal de cálcio (tipo L) Uso no tratamento do TB foi consolidado na década de 1990; no BR apenas para tratamento da mania aguda. FARMACOLOGIA: • 3 formas: ácido valproico, valproato de sódio ou valproato de sódio( divalproex) • Metabolização hepática; INIBIDOR DO SISTEMA MITOCROSSOMAL HEPÁTICO( aumento da concentração das drogas metabolizadas por essa via) • ½ vida de 5 a 20 horas; • Correlação entre nível sérico e efeito antimaníaco é fraca; níveis entre 50 a 125-150mcg/ml produzem bom efeito clínico ÁCIDO VALPROICO/VALPROATO DE SÓDIO Mecanismo de ação: ÁCIDO VALPROICO/VALPROATO DE SÓDIO 3 hipóteses de mecanismos: ✓ inibição canais de sódio sensíveis à voltagem; ✓ reforço das ações do GABA; ✓ regulação das cascatas de transdução de sinais; Hipótese para ação antimaníaca: • Redução do fluxo de íons pelos canais de sódio sensíveis à voltagem, possivelmente por modificação da sensibilidade; → menos sódio entra nos neurônios → diminuição da liberação de glutamato→ menor nível de neurotransmissão excitatória ÁCIDO VALPROICO/VALPROATO DE SÓDIO Efeitos colaterais Uso a curto prazo: ácido valproico é bem tolerado agudamente; alterações GIs, elevação benigna transaminases hepáticas e sintomas neurológicos; Uso a longo prazo: Principais: aumento apetite e peso, alterações cutâneas e aumento na incidência de ovário policístico. INDICAÇÕES e EFICÁCIA MANIA AGUDA: em alguns estudos → efeito comparável ao lítio; Uso por período prolongado para evitar recorrência da mania DEPRESSÃO AGUDA: ações antidepressivas pouco estabelecidas; estudos duplo-cegos→ valproato é eficaz no tratamento de episódios depressivos moderados a graves em pacientes bipolares PROFILAXIA: comumente utilizado por um período prolongado para evitar recorrência da mania, mas efeitos profiláticos ainda não bem estabelecidos. FATORES PREDITIVOS: ciclagem rápida, mania disfórica ou mista, início tardio e/ou curta duração da doença, histórico de muitos episódios prévios LAMOTRIGINA Uso para tratamento de manutenção do TB aprovado no Brasil em 2010 MECANISMO DE AÇÃO • Efeitos inibitórios nos canais de cálcio voltagem-dependentes→ estabilização membranas neuronais e inibição liberação de neurotransmissores excitatórios, principalmente o glutamato • sem efeitos nos receptores de neurotransmissores • Baixos efeitos inibitórios no transporte de serotonina, noraderenalina e dopamina LAMOTRIGINA FARMACOCINÉTICA • Metabolização hepática • ½ vida de cerca de 25 horas • Efeitos adversos: geral→ bem tolerado; →mais comuns: exantema cutâneo(10%) →Raro: sd de Stvens-Johnson INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: metabolizada pela enzima UDP-glicuronil transferase, ou seja, fora do sistema citocromo P450, portanto há pouco ou nenhum potencial de interação com a maioria das medicações psiquiátricas INDICAÇÕES E EFICÁCIA Mania aguda: não eficaz; Depressão: recomendações com base na larga experiência clínica nessa situação; Profilaxia: eficaz para prevenção de recorrência de episódios de depressão maior ou de mania; possivelmente uma boa combinação com estabilizadores de humor que agem mais na prevenção de mania, como o lítio. CARBAMAZEPINA No BR: aprovado pela ANVISA para tratamento de episódios maníacos agudos e para tto de manutenção do TB Farmacologia: absorção lenta; pico plasmático após 4 a 8 horas; metabolização citocromo P450 Mecanismo de ação: Bloqueio canais de sódio voltagem dependentes; potencializa o efeito do GABA Efeitos adversos: mais frequentes: diplopia, visão embaçada, sedação, fadiga, náusea, tontura, nistagmo e ataxia- dose dependentes,geralmente transitórios. INTOXICAÇÃO sinais precoces: tontura, ataxia, sedação, diplopia; fatal em altas doses, com nistagmo, sinais cerebelares, alterações de consciência, taquicardia, arritmias CARBAMAZEPINA INDICAÇÕES E EFICÁCIAS Mania aguda: 2ª linha no tto Depressão bipolar: 3ª linha no tto da depressão bipolar; falta de evidências Profilaxia: 2ª linha no tto de manutenção do TB FATORES PREDITIVOS: Pode ser útil para: • pacientes que não respondem a outros tratamentos; • intolerantes a efeitos colaterais; alguns subtipos de TB que não respondem ao lítio; • comorbidades com abuso de drogas, histórico negativo de TB em parentes de primeiro grau GABAPENTINA • Anticonvulsivante de 3ª geração • Não interage com outras drogas → vantagem no tto de TB quando múltiplas drogas são utilizadas • provável uso coadjuvante no tto de TB comórbido com transtornos de ansiedade, abuso de substâncias ou excessiva impulsividade e agressividade • Contraindicação: como monoterapia no tto da mania aguda, depressão bipolar ou tto de manutenção do TB TOPIRAMATO • Anticonvulsivante de 3ª geração • Baixo metabolismo hepático → poucas interações medicamentosas. • Uso limitado pelos efeitos colaterais frequentes nas doses terapêuticas, como cefaleia, desconcentração e déficit de memória . • Redução do apetite e perda de peso. • Pode ser útil no tto de TB em situações específicas: ciclagem rápida, comorbidades como obesidade ou alcoolismo. • CI: como monoterapia na mania aguda, depressão bipolar ou tto de manutenção do TB Antipsicóticos HISTÓRICO • TERAPIA PADRÃO OURO no tratamento de TB, era de Lítio e associação com anticonvulsivantes • 2005, Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) –Guideline para tratamento de TB • Primeiro em uso para TB foi a OLANZAPINA, mas outros agentes mostraram eficácia no tratamento FARMACOLOGIA • O grupo dos antipsicóticos atípicos inclui: I. RISPERIDONA II. OLANZAPINA III. PALIPERIDONA IV. CLOZAPINA V. QUETIAPINA VI. ZIPRASIDONA VII.ARIPIPRAZOL FARMACOCINÉTICA • Apresentam uma rápida absorção por via oral • Sofrem extenso metabolismo de primeira passagem • São altamente lipofílicos, passando a BHE • Apresentam um bloqueio maior de 5-HT2/D2 e uma rápida dissociação do receptor D2 • Com velocidade variável entre diferentes agentes • Facilita a liberação de dopamina no estriado • Baixa incidência de efs. Extrapiramidais • Efeitos seletivos de acordo com a via (MESOLÍMBICA) EXAMES DE CONTROLE • Testes de função hepatica, hemograma, glicemia e perfil lipídico • Clozapina: hemograma • Não deve ser iniciada em pessoas com menos de 3.500 leucócitos/mm³ ou com menos de 1.500 neutrófilos/mm³ EFEITOS COLATERAIS • E.C. anticolinérgicos, entre eles: • Hipotensão, Xerostomia, Constipação, Íleo paralítico, retenção urinária, visão turva, fotofobia, congestão nasal e confusão mental • Há relatos de eventos cardiovasculares, ZIPRADONA, aumento do QT, hipotensão ortostática e taquicardia • Eventos extrapiramidais são menos frequentes EFEITOS COLATERAIS • Pacientes que são vulneráveis: • Idosos, Parkinsonianos, Adolescentes e pessoas em uso simultâneo de Lítio e ISRS • Sedação, manejo é prescrevendo para antes de dormir ou trocar por outro • Convulsões, é incomum (CLOZAPINA) incidência é dose dependente USO CLÍNICO • Score da Young Mania Rating Scale • Eficácia comprovada no tratamento de DB, esp. Quetiapina OLANZAPINA • Primeiro a ter eficácia documentada • Tratamento da Mania Aguda e manutenção do TB • Estudo chinês indica ser superior ao lítio na fase aguda de episódios de mania ou mistos • Reduz os episódios de qualquer polaridade QUETIAPINA • Tratamento do TB, monoterapia ou associado ao Lítio ou Valproato • Equivalente ao Lítio e Haloperidol no tratamento de mania • Associada, é mais efetiva que isolada • Reduz em 70% a recorrência RISPERIDONA • Eficácia nos episódios maníacos e mistos do TB tipo I • Maior eficácia em monoterapia na mania aguda • Menos estudada • Associações com Lítio ou ACV é mais eficaz que as últimas medicações isoladas ARIPIPRAZOL • Eficácia superior a do Haloperidol • Aumenta o tempo de recaída de novos episódios de humor • Apresenta perfil metabólico favoráve para longo prazo • Principal Metabólito Ativo é a DEIDROARIPIPRAZOL • T1/2 75 a 94 horas NOVA GERAÇÃO • Eficácia ainda é pouco comprovada • PALIPERIDONA superior ao placebo para mania aguda • EFICÁCIA SEMELHANTE A QUETIAPINA • ASENAPINA, eficaz na manutenção do TB • EQUIVALENTE À OLANZAPINA • Baixa propenção a sedação, alterações eletroencefalográficas e sinais extrapiramidais Outros Fármacos Benzodiazepínicos • Tratamento adjuvante aos estabilizadores de humor em emergências. • Administração intramuscular ou oral. • Recomendado para agitação intermitente, insônia e sintomas maníacos insipientes. • O uso intermitente hábil pode alavancar as ações de estabilização dos estabilizadores do humor administrados concomitantemente e impedir a irrupção de sintomas mais graves e, possivelmente, evitar nova hospitalização. • Devem ser usados com cautela principalmente de modo agudo a pacientes com uso abusivo de substância comórbida, ou de modo crônico a qualquer paciente Modafinila e armodafinila • Bloqueadores do transportador de dopamina (DAT). • Agentes promotores da vigília. • Ensaios clínicos multicêntricos de grande porte sobre a armodafinila são promissores como tratamento adjuvante dos antipsicóticos atípicos na depressão bipolar. Hormônios e outros produtos naturais Ácidos graxos ômega-3 EPA e DHA • Passíveis de reforçar as ações com eficácia comprovada, com poucos efeitos colaterais, se houver algum. • O EPA (ácido eicosapentanoico) é um ácido graxo essencial que pode ser metabolizado em DHA (ácido docosa- hexanoico). • Componente normal da dieta que contêm no peixe. • Encontrados em grandes quantidades no cérebro, particularmente nas membranas celulares. • Pesquisas recentes sugerem que os ácidos graxos ômega-3 possam inibir a PKC (proteinoquinase C), assim como no valproato. Inositol • Produto natural ligado aos sistemas de segundos mensageiros e às cascatas de transdução de sinais → sinais de fosfatidilinositol relacionados com vários receptores de neurotransmissores, como o receptor 5HT2A. • Estudado no transtorno bipolar e na depressão bipolar resistente ao tratamento → efetivo como agente potencializador dos antidepressivos quanto estabilizadores do humor aprovados, como a lamotrigina e a risperidona. L-metilfolato • Forma centralmente ativa da vitamina folato. • Reforçar a função dos neurotransmissores monoamínicos na depressão bipolar, porém não foi tão estudado em ensaios controlados. • Uma justificativa para o uso do L-metilfolato no transtorno bipolar consiste na interferência de vários anticonvulsivantes na absorção ou no metabolismo do folato. • pacientes bipolares que respondem parcialmente a anticonvulsivantes estabilizadores do humor ou que perdem sua resposta podem ser considerados candidatos ao uso de L-metilfolato. Hormônio da tireoide •Alguns pesquisadores observaram que o hormônio da tireoide, particularmente T3, pode estabilizar o humor em alguns pacientes com transtorno bipolar. •Não foi muito pesquisada ainda e pode ter uma ação controversa. Prática Clínica Prática Clínica 1ª linha no TAB •Dificilmente pacientes bipolares utilizam monoterapia •Não utilizar antidepressivos em monoterapia •Lamotrigina, antipsicótico atípico ou associá-los •Mania leve – valproato, lítio ou antipsicótico atípico Associações • Melhor associação = lítio ou valproato + antipsicótico • Carbamazepina + lamotrigina • Habitualmente usadas – combinações com lamotrigina, lítio e valproato • Atenção às interações entre lamotrigina e valproato • Fármacos adjuvantes para aliviar os sintomas Associações Associações TAB em mulheres • Natureza mais depressiva, com mais tentativas de suicídio • Mais disfunções tireoidianas• Maior tendência a relatar sintomas • Piora no período pré-menstrual, pós-parto e perimenopausa • Efeitos colaterais diferentes TAB em mulheres • Efeitos tóxicos fetais • Não amamentar se em uso de lítio • Monitorar lactentes: carbamazepina, valproato, lamotrigina, antipsicótico atípico Crianças • Mania pediátrica é de difícil diagnóstico e diferenciação do TDAH • Utilizam-se os mesmos fármacos dos adultos • Há poucas evidências sobre tratamento de crianças e adolescentes REFERÊNCIAS • STAHL, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações práticas. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. • FORLENZA, Orestes Vicente; MIGUEL, Eurípedes Constantino; BOTTINO, Cássio Machado de Campos; et al. Clínica psiquiátrica. [S.l: s.n.], 2011. • Bosaipo, Nayanne & Borges, Vinícius & Juruena, Mario. (2017). Transtorno bipolar: uma revisão dos aspectos conceituais e clínicos Bipolar disorder: a review of conceptual and clinical aspects. Medicina (Ribeirão Preto). 50. 72-84. 10.11606/issn.2176-7262.v50isupl1.p72-84.