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ANDRAGOGIA E 
EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL
Pablo Rodrigo Bes
Perfil de alunos e o 
pedagógico-andragógico
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Reconhecer os diversos per� s de alunos e suas particularidades.
 Diferenciar a pedagogia da andragogia.
 Compreender as formas de atuar com alunos adolescentes.
Introdução
O mundo se reconfigurou significativamente nas últimas décadas e, da 
mesma forma, as maneiras como se aprende e se ensina. Essas mudanças 
afetaram a forma como as pessoas, de modo geral, vivem, se comunicam 
e se relacionam. 
A escola e os alunos também mudaram, sendo que estes últimos 
apresentam variados perfis, sendo assim, cabe aos professores conhecer 
tais perfis para melhor adaptar os processos educativos junto a eles. 
Neste capítulo, você vai estudar alguns destes perfis, mais especifica-
mente do aluno adulto, da EJA, da educação profissional, o aluno criança, 
da escola fundamental e o aluno do ensino a distância, procurando 
estabelecer suas principais características e particularidades. Também vai 
diferenciar as práticas pedagógicas das andragógicas e verá, de forma 
prática e objetiva, como é possível desenvolver as atividades docentes 
com os adolescentes.
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Os perfis de alunos: criança, EJA (educação 
profissional) e EAD
O ensino a distância cresceu de forma exponencial no mundo inteiro e também 
no Brasil, alterando a forma como a educação vinha se desenvolvendo nas 
últimas décadas. O professor – que antes era visto como aquele que detinha 
o acesso ao conhecimento e às informações que seriam utilizadas durante o 
processo de ensino – passa a ter sua condição reconfi gurada, uma vez que o 
acesso à informação se universaliza com o surgimento das novas tecnologias 
da informação e comunicação (TICs).
O uso disseminado das TICs na atual sociedade, em que “[...] os fluxos de 
mensagens e imagens entre as redes constituem o encadeamento básico de 
nossa estrutura social” (CASTELLS, 1999, p. 573), altera também o funciona-
mento da escola e reflete no perfil do aluno. Dessa forma, o aluno, que estuda 
a distância, possui uma aproximação ainda maior com as TICs, dependendo 
dessas e as utilizando para cumprir com a sua rotina de atividades que foram 
autodirigidas pelo professor, professor-tutor ou tutor nos encontros, sejam eles 
presenciais ou on-line. Esse aluno normalmente possui um perfil dinâmico 
e ágil na busca de informações via rede, valendo-se da hipertextualidade em 
suas pesquisas (Figura 1).
Figura 1. Triângulo interativo para o ensino a distância.
Fonte: adaptada de Coll e Monereo (2010, p. 125).
CONTEÚDOS
Atividade educacional do 
professor apresentada e 
mediada pelas TICs
Atividades de aprendizagem 
dos alunos mediadas 
pelas TICs
Atividades de 
ensino e 
aprendizagem 
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O aluno adulto, que frequenta tanto as classes escolares da educação de jovens e 
adultos quanto da educação profissional e tecnológica, apresenta características bem 
particulares no seu perfil. Entre elas, a necessidade de atender a um propósito imediato 
com os seus estudos, com a participação e o envolvimento nos processos de ensino 
e aprendizagem que serão colocados em prática e, sobretudo, no aproveitamento 
de suas vivências e experiências no decorrer das aulas. O adulto apresenta ainda um 
perfil mais crítico em relação ao seu próprio rendimento e à escola, se comparado 
ao universo infantil.
A Figura 1 representa o triângulo interativo para o ensino a distância, 
sendo que o aluno é o centro do processo educativo, e o papel do professor 
(ou tutor) se resume à condução e orientação de sua rotina de estudos, o que 
é feito através da interatividade pelos diversos canais criados para esse fim. 
A criança, da mesma forma, encontra-se envolvida em suas práticas cul-
turais cotidianas nessa mesma lógica das redes e da comunicação digital, 
exposta a uma profusão de imagens e informações com as quais, algumas 
vezes, não sabe como lidar. Isso, porém, não apresenta grandes mudanças em 
seu perfil como aluno, uma vez que ainda entende, se submete e procura seguir 
os processos educativos propostos pelos professores sem muita dificuldade 
ou resistência. Cabe ao docente também procurar dialogar com as crianças 
ao criar seus projetos de trabalho, porém, sobre a forma como as atividades 
serão conduzidas, os métodos que serão utilizados para que a aprendizagem 
se efetive ficam ao critério do professor. A criança ainda consegue visualizar 
e aceitar que no futuro poderá vir a utilizar aqueles conhecimentos adquiridos.
Barbosa e Moura (2013, p. 52) comentam sobre a aprendizagem na Educação 
Profissional e Tecnológica (EPT):
Podemos dizer que a EPT requer uma aprendizagem significativa, contex-
tualizada, orientada para o uso das TIC, que favoreça o uso intensivo dos 
recursos da inteligência, e que gere habilidades em resolver problemas 
e conduzir projetos nos diversos segmentos do setor produtivo. Como 
contraponto, podemos dizer que a aprendizagem em EPT deve estar 
cada vez mais distante da aprendizagem tradicional, fundamentada no 
poder do verbo, teórica e dependente do uso intensivo da memória.
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Pode-se perceber que a educação profissional segue procurando atender esse 
perfil de aluno adulto que deve ser desafiado a partir de situações-problema, 
com a utilização dos recursos tecnológicos existentes e com o desenvolvimento 
de outras habilidades de uso prático na profissão.
Diferenças entre pedagogia e andragogia
Esta seção estabelecerá um paralelo, uma comparação entre a pedagogia 
e a andragogia; nele, poderão fi car mais evidentes os perfi s de alunos que 
caracterizam cada uma dessas ciências do ensinar.
A pedagogia procura centrar o planejamento, a organização, a avaliação 
e o desenvolvimento de suas atividades educativas no professor. Mesmo 
considerando que hoje se incentive e promova a participação dos alunos na 
construção dos projetos, ainda recai sobre o professor o centro da condução 
desses processos.
As crianças normalmente apresentam uma motivação extrínseca ou ex-
terna, correspondendo bem a estímulos como recompensas, competições 
entre si, entre outras possíveis estratégias que o professor possa selecionar 
para estimular a turma a agir.
A aprendizagem costuma ser focada no desenvolvimento de conteúdos, e 
esses saberes chegam aos alunos através de aulas expositivas, leituras e exer-
cícios de escrita. Já o ambiente onde ocorre a aprendizagem, normalmente a 
sala de aula, é o local onde existem mecanismos de disciplinamento em relação 
à disposição dos alunos, mobiliários, rotinas e esquadrinhamento do tempo.
O Quadro 1 apresenta, de forma resumida, a diferenciação apresentada pelo 
sociólogo Peter Jarvis na obra The sociology of adult & continuing education, 
lançada em 1985. Em relação à avaliação sobre o público adulto (da andragogia), 
é importante notar que se refere muito mais ao desempenho de habilidades 
e capacidades que ajudarão a resolver problemas e situações encontradas na 
vida cotidiana e, no caso da educação profissional, na execução de tarefas 
inerentes à formação que se está buscando, o que é essencial.
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 Fonte: adaptado de Jarvis (1985). 
Pedagogia Andragogia
Aprendizagem centrada no professor. Aprendizagem centrada no aluno.
Os aprendizes são dependentes. Os aprendizes são independentes 
e autodirecionados.
Os aprendizes são motivados de 
forma extrínseca (recompensa, 
competição, etc.).
Os aprendizes são motivados 
de forma intrínseca (satisfação 
gerada pelo aprendizado).
A aprendizagem é caracterizada 
por técnicas de transmissão 
de conhecimento (aula, 
leituras designadas).
A aprendizagem é caracterizadapor 
projetos inquisitivos, experimentação 
e estudos independentes.
O ambiente de aprendizagem 
é formal, caracterizado pela 
competitividade e por juízos de valor.
O ambiente de aprendizagem é mais 
informal, caracterizado por equidade, 
respeito mútuo e cooperação.
O planejamento e a avaliação são 
conduzidos pelo professor.
A aprendizagem é baseada 
em experiências.
A avaliação é realizada basicamente 
por meio de métodos externos.
As pessoas são centradas 
no desempenho em seus 
processos de aprendizagem.
 Quadro 1. Diferenças entre a pedagogia e a andragogia .
Os alunos adolescentes
As crianças e os adultos aprendem, respectivamente, nos contextos da escola 
fundamental, da educação de jovens adultos e da educação profi ssional. Neste 
capítulo, procura-se estabelecer alguns perfi s sobre esses alunos em relação 
ao processo de ensino-aprendizagem.
Porém, é conveniente destacar a forma como o aluno adolescente age 
quando envolvido em processos educativos. O jovem se encontra (sob uma 
visão idealizada e construída pelos adultos) na fase de transição entre um ser 
infantil e o que ainda não atingiu a adultez. Por isso, apresenta características 
peculiares no seu jeito de ser que, muitas vezes, desafiam os docentes dentro 
e fora da escola.
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Essa forma de visualizar o adolescente como alguém “a chegar a algum 
lugar” ou “a desenvolver-se” pode determinar um caráter de alguém que é 
visto dentro da lógica da aprendizagem como imaturo, ou ainda irrespon-
sável e não comprometido com o que se propõe, o que é um equívoco, pois 
as generalizações sempre são problemáticas. Irresponsabilidade e falta de 
comprometimento são características que podem ser observadas também nos 
adultos, eventualmente.
Ao analisar o documentário Kids, lançado em 1995, Giroux (1996, p. 124) 
comenta que os adolescentes costumam ser: “louvados como um símbolo de 
esperança no futuro e, ao mesmo tempo, execrados como uma ameaça à ordem 
social existente, os jovens têm se tomado objetos de ambivalência, presos entre 
discursos contraditórios e espaços de transição”.
É justamente essa ambivalência, essa necessidade em classificar e cate-
gorizar os jovens que deve ser vista com posicionamento crítico por parte do 
professor. É preciso observar com muita atenção os marcadores sociais que 
foram construídos para esses jovens e que nem sempre correspondem aos 
alunos adolescentes da atualidade.
Os alunos adolescentes, porém, normalmente apresentam características 
muito similares ao que é fornecido nos princípios da andragogia, apreciam 
muito a utilização de desafios, sentem necessidade de envolvimento nas de-
cisões sobre o que será realizado, como será feito, quando e de que maneira 
serão avaliados. Manifestam seu interesse no aprendizado de questões práticas 
e que serão logo utilizadas no desenvolvimento de suas tarefas.
Uma das características mais notadas nas experiências com alunos adoles-
centes, principalmente na educação profissional, é o dinamismo e interesse nas 
atividades, sobretudo naquelas que fugiam do modelo da escola mais tradicio-
nal. Dessa forma, desenvolvendo uma metodologia de trabalho dialógica, na 
qual constantemente era colocado à prova o que os jovens conheciam sobre os 
assuntos tratados e colocando-os como protagonistas dos processos de apren-
dizagem, os resultados eram muito satisfatórios, excedendo as expectativas.
Existem alguns pontos a serem observados com atenção que dizem respeito 
às questões culturais que esses jovens vivenciam durante sua trajetória de 
vida até o momento e que construíram seu modelo de vida. Essas questões 
normalmente se chocam quando se apresentam identidades contrárias ou 
contraditórias às suas. Quando o “outro” é muito diferente, seja em questões 
raciais (de determinação biológica, como cor de pele, cabelos, algum tipo de 
deficiência motora, etc.), em questões que envolvam a sexualidade, ou ainda, 
na forma como pensa e se posiciona, podem ocorrer conflitos que o professor 
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deve saber como lidar em sala de aula ou nos espaços utilizados para conduzir 
seus processos educativos.
Como muitos jovens nessa fase ainda podem apresentar falta de controle 
sobre suas emoções, o docente deve sempre conversar francamente sobre pre-
conceitos que possam existir, esclarecendo seu posicionamento sobre os mais 
diversos temas e estabelecendo que no ambiente onde desenvolve-se a apren-
dizagem (e em todos os demais) deverão adotar uma postura respeitosa para 
todos, independente de etnia, opção sexual, religiosidade ou posicionamento 
político. Estabelecendo essas combinações e as reafirmando esporadicamente, 
estará garantido um clima de aprendizado muito tranquilo e que garantirá que 
os processos se desenvolvam e atinjam os seus objetivos.
Outra estratégia que costuma ser utilizada e é muito apreciada, tanto 
pelos adultos quanto pelos adolescentes, é a valorização da comunicação, ou 
seja, incentivar que todos possam se comunicar, falar o que pensam sobre os 
assuntos abordados, sem nenhuma censura ou constrangimento por parte do 
grupo. Quando essas regras não ficam bem estabelecidas, alguns jovens acabam 
limitando-se a simplesmente ouvir, deixando de participar e envolver-se com 
as atividades que estão sendo desenvolvidas. 
Ao expressar-se e ser ouvido e respeitado pelo grupo, o jovem sente-se integrado e 
motivado para continuar buscando o aprendizado. 
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BARBOSA, E. F.; MOURA, D. G. Metodologias ativas de aprendizagem na educação 
profissional e tecnológica. Boletim Técnico do Senac, Rio de Janeiro, v. 39, n. 2, p. 48-
67, maio/ago. 2013.
CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
COLL, C.; MONEREO, C. Psicologia da educação virtual: aprender e ensinar com as 
tecnologias da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010.GIROUX, H. 
O Filme Kids e a política de demonização da juventude. Revista Educação e Realidade, 
Porto Alegre, v. 21, n. 1, p. 123-136, jan./jun. 1996.
JARVIS, P. The sociology of adult & continuing education. New York: Routledge, 1985.
Leituras recomendadas
FREIRE, P.; SHOR, I. Medo e ousadia: o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e 
Terra, 1986.
SCHWATZ, S. Alfabetização de jovens e adultos: teoria e pratica. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 
2012.

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