Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

MÓDULO 2: ANDRAGOGIA.
Aulas  Avaliação
#1 - A importância da didática na andragogia
Marcar como feita
#2 - Perfil de alunos e o pedagógico-andragógico
Marcar como feita
#3 - Orientações curriculares para andragogia
Marcar como feita
#4 - Experiência de vida na aprendizagem de jovens e adultos
Apresentação
A didática é uma ciência que apresenta uma evolução histórica que acompanha as próprias teorias educacionais, logo, para estudá-la, precisamos conhecer um pouco das principais tendências ou teorias do ensino que se desenvolvem e modificam a maneira como o ensino e a aprendizagem são vistos e propostos. Conhecida como a disciplina que estuda a "arte de ensinar", a didática também deverá ser ajustada e adequada ao perfil dos alunos com quem se desenvolva um processo educativo.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer a evolução histórica da didática e quais as tendências que melhor se aplicam a jovens e adultos, seja na escolarização fundamental ou na educação profissional. Procuraremos estabelecer algumas ênfases didáticas que devam ser seguidas pelos docentes ao desenvolverem suas atividades educacionais com jovens e adultos para que atinjam sucesso em suas tarefas docentes.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
· Reconhecer o conceito de didática e sua evolução histórica.
· Correlacionar os princípios andragógicos com a didática nas turmas de EJA e de educação profissional.
· Identificar aspectos didáticos importantes para o processo de ensino e aprendizagem com alunos jovens e adultos.
Desafio
O trabalho docente com jovens e adultos requer um esforço por parte do professor na busca por uma didática que possa ser mais adequada a este público específico e às suas características. Embora saibamos que a didática se desenvolve e debruça seus enfoques principais de estudo na escolarização de crianças, cabe ao docente conhecer as técnicas envolvidas para poder ajustar com as ideias da Andragogia e atender, assim, os seus objetivos de forma eficaz. Acompanhe o caso do professor Rogério.
Rogério é professor de uma turma de educação profissional do PRONATEC e ministra atualmente o curso de Assistente Comercial, que visa capacitar o público adulto para que ocupe vagas no mercado de trabalho, mais especificamente no setor comercial. A turma é constituída de 22 alunos e começou o curso muito animada, pois a expectativa com a escola e o que haviam ouvido falar sobre o curso eram motivadores. O professor Rogério já era experiente no trabalho com adultos, pois tinha desenvolvido essa atividade em outra fase de sua carreira com uma turma de EJA, porém, agora pensava que seria diferente, pois, para ele, "preparação para o mundo do trabalho é diferente, tem que exigir mais".
Logo nos primeiros encontros em sala de aula com os alunos, apresentou o seu programa de aulas e foi logo comentando que o curso necessitaria de empenho por parte de todos para que atingissem os inúmeros conteúdos que tinham pela frente. Preocupou-se em planejar muito bem as aulas, estabelecendo os objetivos de aprendizagem no detalhe e selecionando os conteúdos com muito rigor metodológico. Rogério queria passar o máximo que pudesse para aqueles alunos, pois queria que fossem os melhores assistentes comerciais que já haviam se formado.
Padrão de resposta esperado
Cabe ao professor Rogério reunir a turma do curso profissionalizante e fazer a escuta dos alunos para corrigir os rumos futuros. Um de seus erros principais foi o de desconsiderar que, por se tratar de um curso que prepara para o trabalho, devesse deixar de lado o diálogo e apresentar uma postura didática mais tecnicista.
Os alunos adultos precisam ser constantemente motivados por meio do diálogo e do estabelecimento de relações entre o ensino que estão obtendo e sua aprendizagem prática a ser desenvolvida. Além disso, Rogério esqueceu de vincular a realidade social e problematizar as questões e as experiências que os alunos possuíam nas suas aulas, perdendo uma excelente oportunidade de torná-las mais ricas e dinâmicas.
Infográfico
Conteúdo do Livro
Todo docente procura uma forma de tornar suas aulas mais atrativas e interessantes, em que a aprendizagem possa tornar-se significativa aos seus alunos e, da mesma forma, lhe realizar pessoalmente como professor. Em busca de respostas a esses anseios, surge a didática, identificada como a "arte de ensinar", que irá propor técnicas diversas que facilitarão ao docente a condução e o desenvolvimento de suas aulas. Leia mais sobre o assunto no capítulo A importância da didática na Andragogia. Inicie seus estudos em A evolução histórica do conceito de didática e continue lendo até Aspectos didáticos importantes para o processo de ensino e aprendizagem com alunos jovens e adultos.
Boa leitura.
A importância da didática na andragogia
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Reconhecer o conceito de didática e sua evolução histórica.
 Correlacionar os princípios andragógicos com a didática nas turmas
de EJA e de educação pro ssional.
 Identi car aspectos didáticos importantes para o processo de ensino
e aprendizagem com alunos jovens e adultos.
Introdução
A didática é uma ciência cuja evolução histórica acompanha as próprias teorias educacionais, logo, para estudá-la, é preciso conhecer um pouco das principais tendências ou teorias do ensino que se desenvolvem e modificam as maneiras como o ensino e a aprendizagem são vistos e propostos. Conhecida como a disciplina que estuda a “arte de ensinar”, a didática também deverá ser ajustada, adequada ao perfil dos alunos com quem se desenvolverá um processo educativo.
Neste capítulo, você vai conhecer a evolução histórica da didática e quais as tendências que melhor se aplicam a jovens e adultos, seja na escolarização fundamental ou na educação profissional. Serão estabelecidas algumas ênfases didáticas que devem ser seguidas pelos docentes ao desenvolverem suas atividades educacionais com os jovens e adultos para que atinjam sucesso em suas tarefas docentes.
A evolução histórica do conceito de didática
Todo docente procura uma forma de tornar suas aulas mais atrativas e interessantes, para que a aprendizagem torne-se signifi cativa aos alunos e para sua realização pessoal como professor. Em busca de respostas a esses anseios,
surge a didática, identifi cada como a “arte de ensinar”, que irá propor técnicas diversas que facilitarão ao docente a condução e o desenvolvimento de suas aulas.
Comenius, na obra Didáctica Magna, escrita em 1657, aborda o conceito de didática da seguinte forma:
Nós ousamos prometer uma didática magna, ou seja, uma arte universal de ensinar tudo a todos: de ensinar de modo certo, para obter resultados, de ensinar de modo fácil, portanto sem que docentes e discentes se molestem ou enfadem, mas, ao contrário, tenham grande alegria; de ensinar de modo sólido, não superficialmente, de qualquer maneira, mas para conduzir à verdadeira cultura, aos bons costumes, a uma piedade mais profunda (COMENIUS; GOMES, 1976, p. 13).
Comenius revolucionou a forma como a educação vinha sendo pensada na sua época e, com a obra Didáctica Magna, pretendia estabelecer um padrão de técnicas que estabelecesse uma junção perfeita entre a teoria e a prática para o ensino das crianças. Aliás, frente ao cenário da época, em que a imprensa recentemente havia sido descoberta e em meio às grandes navegações, o pensador tcheco era um grande entusiasta do uso das tecnologias nas ações educativas que propunha. No entanto, o ensino nessa época ainda era dirigido a poucos de uma elite, o que não agradava ao autor. Logo, quando afirma “ensinar tudo a todos”, refere-se a estender o ensino a toda a população (crianças), não somente aos filhos de nobres e ao clero. Na realidade brasileira da educação andragógica, voltada para jovens e adultos, é muito interessante e merece destaque o dizer de Comenius: “sem que docentes ou discentes se molestem ou se enfadem”. Esse trechocultural e, com isso, tornando o seu processo de ensino e aprendizagem significativo.
Aspectos culturais que interferem na aprendizagem de jovens e adultos
O direito de todos terem acesso à educação foi afi rmado com a publicação da Constituição Federal de 1988 – um momento importante de instauração da democracia no país. A educação para as pessoas que não tiveram acesso ou conseguiram continuar seus estudos ganhou a denominação de Educação de Jovens e Adultos com a publicação da Lei nº 9.394/96, que, no artigo 37, destaca que: “A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.”.
Desta forma, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) precisa ser realizada e planejada considerando as especificidades dos alunos, a partir de aulas em que o diálogo seja fundamentado e construído pelo respeito aos conhecimentos prévios dos alunos. Não basta só dar acesso a esses alunos à escola: é preciso ofertar um ensino de qualidade e formação crítica, em um ambiente no qual o aluno tenha prazer de permanecer.
A escola para os alunos da EJA “[...] representa para eles um espaço ao mesmo tempo de recolocação social, de sociabilidade, de formalização do saber e de desenvolvimento pessoal. Nesse sentido, os alunos jovens e adultos diferem, em muitos aspectos, das crianças, e isto deve ser sempre considerado.” (BRASIL, 2006b, p. 8).
Na EJA, o professor será um orientador que buscará, a partir de atividades, potencializar a aprendizagem dos alunos, mediando e orientando a construção do conhecimento ao valorizar os aspectos culturais e históricos dos alunos e seus conhecimentos prévios. Assim, ele conseguirá reconhecer a diversidade cultural da turma em suas aulas, promovendo momentos significativos para que a aprendizagem aconteça.
Segundo o Parecer nº 11/2000 do Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2000), a modalidade EJA se configura por 3 funções: reparadora, equalizadora e qualificadora. A função reparadora está vinculada ao fato de dar acesso à educação para as pessoas que não tiveram a oportunidade de continuar na “idade certa” no ensino fundamental e médio da educação básica. Já a
44 Educação de Jovens e Adultos
função equalizadora está relacionada à oportunidade de todos terem acesso à educação, um dever do Estado garantido na publicação da Constituição Federal de 1988. E a função qualificadora tem o objetivo de ofertar uma educação permanente.
Segundo Pinto (1993, p. 49): “A educação tem que ser popular, por sua origem, por seu fim e por seu conteúdo. O país é atrasado em virtude do modo de vida de suas massas (não de suas elites). Por isso, a transforma- ção da existência do povo é o que constitui a substância da mudança na realidade da nação.”.
Os alunos da EJA precisam ser reconhecidos como um ser histórico, constituído de vivência e experiências, pois “[...] a cada realidade corresponde um tipo de aluno e não poderia ser de outra forma, são pessoas que vivem no mundo adulto do trabalho, com responsabilidades sociais e familiares, com valores éticos e morais formados a partir da experiência, do ambiente e da realidade cultural em que estão inseridos.” (BRASIL, 2006a, p. 4).
Na Educação de Jovens e Adultos, o professor precisa compreender a importância do reconhecimento da diversidade cultural na escola, a partir das diferenças que podem ser: sociais, culturais, étnicas, de gênero, orientação sexual, religiosa, econômicas, entre outras.
No entanto, você deve estar se perguntando: o reconhecimento da cultura dos jovens e adultos interfere na aprendizagem? Sim, ao dar importância à cultura dos alunos, o professor passa a reconhecer esse sujeito como um ser social e histórico, na medida em que pensa junto com os alunos as relações entre os saberes por eles já construídos e os conteúdos que serão abordados na escola. Freire (1996, p. 33-34) propõe uma reflexão sobre o respeito aos saberes dos educandos pelos professores:
Por que não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deve associar a disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade agressiva em que a violência é a constante e a convivência das pessoas é muito maior com a morte do que com a vida? [...] Por que não estabelecer uma “intimidade” entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos?
Assim, na Educação de Jovens e Adultos, as experiências pessoais influenciam a aprendizagem, as vivências, e a visão e leitura de mundo dos alunos ganham significados a partir da construção de conhecimento realizada de forma cooperativa e colaborativa entre colegas e professores (BRASIL, 2006a, p. 4):
Experiência de vida na aprendizagem de jovens e adultos 45
A visão de mundo de uma pessoa que retorna aos estudos depois de adulta, após um tempo afastada da escola, ou mesmo daquela que inicia sua trajetória escolar nessa fase da vida, é bastante peculiar. Protagonistas de histórias reais e ricos em experiências vividas, os alunos jovens e adultos configuram tipos humanos diversos. São homens e mulheres que chegam à escola com crenças e valores já constituídos.
Desta forma, é possível entender que os aspectos culturais dos alunos estão estreitamente ligados ao processo de ensino e aprendizagem, seguindo a perspectiva de Candau (2002) a cultura é um fenômeno que apresenta aspectos
plurais, multiformes, heterogêneos e dinâmicos. Complementando sobre a diversidade dos alunos na EJA:
Se a origem de nossos alunos é diversa, naturalmente, o acúmulo e a bagagem cultural deles também são. Quando falamos em cultura estamos nos referindo ao conjunto de ações, elaborações, construções, produções e manifestações de um grupo de pessoas, que se dá por meio e através de múltiplas linguagens e pode ser identificado na forma de falar, atuar, reagir, pensar e expressar de cada pessoa desse grupo. Especificamente no caso dos alunos e alunas jovens e adultos, referimo-nos a uma cultura popular do fazer, que se aprende fazendo e vendo fazer. Ela possui uma dimensão muito pragmática, voltada para a ação, que gosta de se movimentar e fazer junto uma construção marcadamente compartilhada e coletiva. (BRASIL, 2006a, p. 12).
Ao planejar as aulas a fim de potencializar a aprendizagem dos alunos, o professor precisa reconhecer tanto ele como o aluno como seres inacabados, seguindo a perspectiva de Pinto (1993, p. 39): “O homem é por essência um ser inacabado, pois se constitui a si mesmo ao longo de sua existência social.”. Assim, a educação busca a formação do aluno para que ele tenha a consciência deste inacabamento, o que deve lhe permitir a busca constante de conhecimento, já que o processo de aprendizagem e a construção do conhecimento acontecem por toda a vida.
Sobre o inacabamento, Freire (1996, p. 59) afirma que o homem, ao compreender que é um ser inacabado, sabe que pode ir além, em uma busca constante e permanente por conhecimento: “Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinante.”.
46 Educação de Jovens e Adultos
O professor como orientador e mediador do processo de ensino e aprendizagem precisa considerar a realidade social do aluno com base na exigência da criticidade, estimulando a curiosidade dos alunos na busca de conhecimentos para construir novos.
Para saber mais a respeito da Educação de Jovens e Adultos, acesse na Internet os documentos de referência, na íntegra, mencionados anteriormente no texto: a Lei nº 9.394/96 e o Parecer nº11/2000.
Aspectos da experiência do indivíduo e seus reflexos no processo de aprendizagem
As experiências dos alunos devem ser relacionadas aos conteúdos abordados em aula, dando signifi cados à construção de conhecimento, em um processo no qual alunos e professores aprendam a partir do respeito mútuo em uma construção coletiva, cooperativa e colaborativa.
Para isso, o professor deve estar atento à turma, mostrar interesse pelas experiênciasdos alunos, e reconhecer este sujeito como ativo no processo de ensino e aprendizagem. Além disso, ele não pode negar a leitura de mundo que os alunos têm ao ingressar na escola. Para Freire (1996, p. 138):
A resistência do professor, por exemplo, em respeitar a “leitura de mundo” com que o educando chega à escola, obviamente condicionada por sua cultura de classe e revelada em sua linguagem, também de classe, se constitui um obstáculo à sua experiência de conhecimento. Como tenho insistido nesse e em outros trabalhos saber escutá-lo não significa, já deixei isto claro, concordar com ela, a leitura do mundo ou a ela se acomodar, assumindo-a como sua. Respeitar a leitura de mundo do educando não é também um jogo tático com que o educador ou educadora torna-se simpático ao educando. É a maneira correta que tem o educador de, com o educando e não sobre ele, tentar a superação de uma maneira mais ingênua por outra mais crítica de inteligir o mundo.
Experiência de vida na aprendizagem de jovens e adultos 47
Desta maneira, o processo de aprendizagem passa a ser uma construção coletiva que envolve professores e alunos. A atuação do professor deve ser de um orientador, que acompanha o processo de aprendizagem do aluno, a fim de guiar e mediar momentos que auxiliem os alunos na construção de conhecimento. Freire (1996, p. 116) ressalta que “[...] não posso ser professor sem me achar capacitado para ensinar certo e sem os conteúdos de minha disciplina não posso, por outro lado, reduzir minha prática docente ao puro ensino daqueles conteúdos.”.
Ou seja, o professor que sua prática docente não pode estar reduzida a apenas a reprodução de informações aos alunos, sim precisa estar aberta e flexível para promover um ensino em que o aluno seja ativo e autônomo. Diante desta perspectiva ser professor não é uma tarefa fácil, é uma tarefa para quem não tem medo de correr e assumir o risco de errar, buscando sempre o melhor para a sua turma.
Pinto (1993) alerta que a educação tem um cunho intencional, já que o professor precisa ter a consciência de que tipo de homem ele quer formar. Além disso, o professor, a partir da sua intencionalidade, deve ter consciência também de que as atividades elaboradas para os alunos precisam estar “[...] de acordo com o ritmo e as necessidades de seu grupo, devem ser feitas diariamente, semanalmente e ocasionalmente.” (BRASIL, 2006b, p. 30).
A experiência de vida e sua influência na forma como o indivíduo aprende
Já sabemos que valorizar as experiências de vida é fundamental na escola, seja em qualquer nível. Na Educação de Jovens e Adultos não seria diferente. Este reconhecimento deve partir de forma respeitosa por parte do professor, ao entender a educação como uma função social permanente (PINTO, 1993). Na sala de aula, o aluno passa a ter um papel ativo, com o auxílio do professor, que proporcionará um ambiente significativo para que a aprendizagem ocorra. De forma que este processo não seja limitado apenas ao repasse de informações, Freire (1996, p. 52) destaca que o professor precisa saber que:
“[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.”.
O autor faz uma crítica ao mencionar que a prática educativa da escola não pode ser baseada em uma educação bancária, na qual o aluno é apenas o receptor, e o professor, o detentor do saber. Para Freire (1992, p. 70-71):
48 Educação de Jovens e Adultos
[...] partir do saber que os estudantes tenham não significa ficar girando em torno deste saber. Partir significa pôr-se a caminho, ir-se, deslocar-se de um ponto a outro e não ficar, permanecer. Jamais disse, como às vezes sugerem ou dizem que eu disse, que deveríamos girar embevecidos, em torno do saber dos educandos, como mariposa em volta da luz. Partir do “saber de experiência feito” para superá-lo não é ficar nele. E sim a partir das experiências e conhecimento prévios do educando estimular neles a vontade de aprender. Já que o educando ao valorizar a sua própria identidade, cultura poderá se reconhecer como um ser social, ativo e importante na vida em sociedade.
De fato, a partir das experiências e conhecimento prévios dos educandos, buscamos estimular neles a vontade de aprender na sala de aula, pois é fundamental que não só o professor, mas também o aluno, compreenda a importância de valorizar sua própria identidade e, consequentemente, sua condição social, cultural e econômica. Nas aulas “[...] alunos e professora percorreram juntos um caminho de construção e expressão de conhecimento. Eles, construindo conhecimentos, compartilhando experiências e saberes; ela dando-lhes voz e intervindo em seu modo de pensar, através de perguntas e informações.” (BRASIL, 2006b, p. 5).
O professor, para dar significado aos conteúdos, necessita aproveitar os conhecimentos prévios dos alunos, suas “leituras de mundo” de forma organizada e planejada, a partir da construção de objetivos e metas, elaborando aulas que tenham como finalidade promover a reflexão e criticidade. Já que, ao reconhecer os alunos como sujeitos ativos na prática pedagógica, o professor proporcionará um ambiente motivador, em que o educando terá segurança e vontade de participar.
O grande objetivo nesse processo é ver um professor engajado e envolvido no processo de ensino e aprendizagem, na construção de um grupo, que tenha um espaço rico em que todos os envolvidos – alunos e professores – sintam- -se à vontade para aprender, buscar, discordar, errar e opinar, a partir de um diálogo reflexivo em grupo:
Um grupo se constrói pela constância do diálogo, pela produção em equipe, pela expressão individual, garantido o direito à voz. Na sala de aula, o(a) professor(a) é aquele(a) que provoca e facilita esse diálogo, essa produção e essa expressão individual. Ele(a) auxilia na resolução dos conflitos, favorece as trocas e as ajudas mútuas. (BRASIL, 2006b, p. 20).
Experiência de vida na aprendizagem de jovens e adultos 49
Outro grande objetivo é relacionar os conteúdos abordados na escola com a vida prática do aluno, trazendo significado para sua aprendizagem e para a sua atuação como cidadão ativo na sociedade, instigando, por meio de cenários de reflexão na escola, a sua vontade de aprender e conhecer, a partir da sua percepção de vida. Considerando sempre que “[...] que os alunos da EJA chegam à escola, todos os dias, depois de uma jornada de trabalho e que a diversidade pode contribuir para o dinamismo da aula, para o despertar do interesse, da atenção e do envolvimento.” (BRASIL, 2006b, p. 29).
É importante destacar que as experiências e vivências dos alunos devem ser um ponto de partida: o professor precisa mobilizar o educando a conhecer, pesquisar, estar consciente de seu papel no ensino e aprendizagem.
Leia a reportagem do site da Revista Nova Escola intitulada EJA: como fazer um jornal para a comunidade com a participação dos alunos (MANSANI, 2016). De fato, esse é um exemplo de atividade inter e multidisciplinar que pode envolver de forma eficaz não só os alunos da EJA, mas também a comunidade: a elaboração de um jornal.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases para a educação nacional. Brasília: Presidência da República, 1996. Disponível em: . Acesso em: 11 nov. 2011.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional da Educação. Parecer nº 11, de 10 de maio de 2000. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. Brasília: MEC, 2000. Disponível em: . Acesso em: 20 fev. 2017.
BRASIL. Ministério da Educação. Trabalhando com educação de jovens e adultos: alunas e alunos de EJA. Brasília: MEC, 2006a. (Caderno EJA, 1).
BRASIL. Ministério da Educação. Trabalhando com educação de jovens e adultos: a sala de aula como espaço de vivência e aprendizagem. Brasília: MEC, 2006b. (Caderno EJA, 2).
CANDAU, V. M. (Org.). Sociedade, educação e cultura(s): questõese propostas. Petró- polis: Vozes, 2002.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
MANSANI, M. EJA: como fazer um jornal para a comunidade com a participação dos alunos. Revista Nova Escola, 10 out. 2016. Disponível em: . Acesso em: 05 mar. 2017.
PINTO, Á. V. Sete lições sobre educação de jovens adultos. 8. ed. São Paulo: Cortez, 1993. Disponível em: . Acesso em: 15 fev. 2017.
Leituras recomendadas
FREIRE, P. A educação na cidade. São Paulo: Cortez, 1991. FREIRE, P. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
FREIRE, P. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: UNESP, 2000.
FREIRE, P.; SHOR, I. Medo e ousadia: o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
Dica do Professor
O adulto chega à sala de aula com toda sua bagagem de vida, ou seja, trazendo sua experiência, mais complexa e densa que a da criança, e ele precisa sentir que sua vivência está sendo valorizada. Por isso, é importante que o educador tenha noção desse processo e o utilize para enriquecer sua prática, conforme veremos no vídeo.
Exercícios
Na prática
É importante que as vivências sejam consideradas no processo de ensino-aprendizagem. Veja um exemplo que ilustra esta necessidade.
Saiba mais
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Nós da Educação - Processos Cognitivos de Aprendizagem de Jovens e Adultos - Parte 2
http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/video/showVideo.php?video=13830 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E CRÉDITOS DE IMAGENS CLAXTON, Guy. O desafio de aprender ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed, 2005. FERNANDO, Becker. Educação e construção do conhecimento. 2. ed. Porto Alegre: Penso, 2012. Bancos de imagens Stockfresh e ShutterStock. SAGAH, 2015
EQUIPE SAGAH Coordenador(a) de Curso Neuza Maria Belo Professor(a) Elaine Andrade Santos Gerente Neuza Maria Belo Coordenadora de Projetos Renata Figueira Analista Metodológica Elisângela Silva Designers Instrucionais Arlene Souza Cristhiane Maurício Cornélio Web Designers Clarice Ribeiro Fábio Gomes Kívia Bueno Maria Cláudia Müller Editores de Áudio e Vídeo Átila Santos Willian Sidney Revisoras Daniela de Souza França Diana Amendoeira de Oliveir
image1.png
image2.png
image3.jpeg
image4.png
image5.png
image6.png
image7.png
image8.png
image9.png
image10.png
image11.png
image12.png
image13.png
image14.png
image15.png
image16.png
image17.png
image18.png
image19.png
image20.png
image21.png
image22.png
image23.png
image24.png
image25.png
image26.png
image27.png
image28.png
image29.png
image30.png
image31.png
image32.png
image33.png
image34.png
image35.png
image36.png
image37.png
image38.png
image39.jpeg
image40.jpeg
image41.png
image42.png
image43.png
image44.png
image45.jpegpode ser considerado como um guia para que as ações, os ajustes relativos à organização das aulas nos aspectos espaciais (disposição das mesas e cadeiras) e na organização do tempo (cronologia das atividades a serem desenvolvidas, tempo para realização, intervalos necessários, etc.) sejam estabelecidos sem ocasionar desgastes para ninguém.
A didática acompanha a própria história da educação, propondo as melhores técnicas e práticas para que haja uma melhoria na educação. Essa evolução do conceito da disciplina de didática será afetada pelas várias teorias de ensino que vão se estabelecer historicamente, como a Pedagogia Tradicional, a Pedagogia Renovada, a Pedagogia Tecnicista e a Pedagogia Crítica.
72 A importância da didática na andragogia
De acordo com Damis (2010, p. 206):
Historicamente, os conhecimentos produzidos sobre arte de ensinar caminharam da ênfase no ensino para a aprendizagem, da transmissão de conhecimentos pelo professor para a orientação de atividades para estimular o pensamento e a reflexão do estudante, da importância de planejar contingências de reforço, com o objetivo de alcançar formas específicas de comportamentos, para regular aprendizagens e desenvolver competências nos estudantes. Enfim, o entendimento produzido sobre o ato de ensinar caminhou, historicamente, no sentido de priorizar ora um ora outro elemento que constitui o ato de ensinar.
Pode-se, portanto, ter uma noção mais precisa de como ocorrem modifica- ções no conceito de análise sobre o qual a didática irá se debruçar e como vai se ajustando às novas teorias que surgem. A Figura 1 apresenta essa mudança de ideias centrais na didática.
O esquema mostra como a forma de atuação com os jovens e adultos deve seguir alguns desses padrões, como o do desenvolvimento de competências, muito utilizado na educação profissional, e da obrigatoriedade da utilização de atividades que se proponham a levar o aluno a pensar e refletir sobre a sua própria realidade, contextualizando com os temas desenvolvidos em sala de aula.
A importância da didática na andragogia 73
Ensino e aprendizagem podem parecer sinônimos, mas representam ações bem diferentes e específicas, aliadas a teorias distintas. Enquanto o ensino focaliza no docente como o centro da condução dos processos, a aprendizagem procura analisar como esses processos ocorrem pelo viés do aluno em sala de aula. Logo, poderá haver processos de ensino nos quais a aprendizagem não ocorra.
Os princípios da andragogia e a didática nas turmas de EJA e na educação profissional de jovens e adultos
A concepção de didática que mais se alinha com os atuais princípios balizadores da andragogia é a chamada didática crítica, que se alinha com a Pedagogia Crítica e propõe que a escola inserida dentro de um contexto social leve à transformação através da refl exão crítica sobre a própria sociedade. Considera para esse fi m a aliança entre teoria e prática de forma inseparável.
De acordo com Knowles (1970), os princípios da andragogia são: a necessidade do aprendiz de saber; o autoconceito do aprendiz; a experiência anterior do aprendiz; a prontidão para aprender; a orientação para a aprendizagem e a motivação para aprender.
A didática para trabalhar com públicos jovens e adultos deve levar em consideração esses princípios ao propor técnicas que elevem o nível das aprendizagens desse grupo específico de alunos. Os jovens e adultos necessitam, sobretudo, perceber a contextualização, a aplicação prática dos conteúdos que o docente está propondo a partir da proposta curricular para a turma. Há envolvimento nas discussões em busca dos melhores formatos de ensino-aprendizagem que serão postos em prática, e a utilização de suas competências já desenvolvidas nas experiências vividas costuma promover motivação e engajamento.
74 A importância da didática na andragogia
Leia mais sobre a didática e a formação do professor no artigo A didática e sua contribuição no processo de formação do professor, dos autores Barbosa e Freitas (2016).
Ao pensar em uma didática que se encarregue de auxiliar o docente nas suas tarefas com uma turma de jovens e adultos, pode-se entender que o seu conceito deva ir além da mera associação com técnicas de ensino e práticas eficazes para esse público. Deve-se levar em conta o seu papel na própria formação do docente, acompanhando as constantes mudanças do mundo e sua relação com a docência. Segundo Veiga (2004-2005, p. 13):
Enfatizar o processo didático da perspectiva relacional significa analisar suas características a partir de quatro dimensões: ensinar, aprender, pesquisar e avaliar. O processo didático, assim, desenvolve-se mediante a ação recíproca e interdisciplinar das dimensões fundamentais. Integram-se, são complementares.
Veiga aponta um importante caminho para o professor analisar se suas ações no trabalho com adultos estão seguindo em um caminho didaticamente adequado. Basta analisar se os processos de ensino estão de acordo com os princípios andragógicos, se a aprendizagem tem sido efetivada por parte dos alunos, o que pode ser verificado através de avaliações diversificadas. O docente pode, também, envolver-se com a pesquisa que irá fazer para aprimorar suas habilidades intelectuais que repercutirão diretamente na sua atuação docente.
Dessa forma, o docente que trabalha com jovens e adultos deve estar sempre se questionando sobre o que é preciso ser ensinado e o que, efetivamente, seus alunos precisam aprender para utilização direta na vida pessoal e profissional. Essa reflexão se constitui em parte importante da didática para jovens e adultos.
A importância da didática na andragogia 75
Aspectos didáticos importantes para o processo de ensino e aprendizagem com alunos jovens e adultos
Alguns aspectos importantes da didática a ser utilizada em uma turma de jovens e adultos, seja ela de ensino fundamental ou voltada para a educação profi ssional, devem ser evidenciados. Um deles é o triângulo didático (Figura 2), proposto por Brousseau (1996) em seus estudos sobre a didática da matemática.
Os vértices do triângulo didático são o docente, o estudante e as tarefas/ atividades a serem desenvolvidas. Fica claro, dentro do esquema proposto, que o ensino recai sobre o docente, e a aprendizagem recai sobre o estudante. O professor se apresenta como o mediador que, através da formulação de tarefas e atividades, irá levar o aluno até a aprendizagem dos saberes necessários.
Ao trabalhar com ações educacionais para jovens e adultos, o contexto (que se encontra no esquema envolvendo todos os elementos da tríade) se faz muito importante, pois, seguindo os princípios da andragogia, esse perfil de alunos necessita estar constantemente relacionando sua realidade social ao que vem estudando em sala de aula. Logo, esta seria a primeira ênfase de uma didática para esse público: a contextualização.
Ao propor atividades condizentes com os princípios da andragogia para sua turma de EJA ou na educação profissional, o docente deve levar em conta como
76 A importância da didática na andragogia
serão transformados e adaptados os saberes científicos que constam em sua programação curricular para serem desenvolvidos, de forma contextualizada, e, além disso, que possam ser entendidos pela turma, o que leva a uma nova ênfase: a transposição didática.
Ao exercer a docência com jovens e adultos, é necessária a permanente percepção de que eles já têm uma bagagem de conhecimentos e vivências anteriores muito superior se comparada com o público infantil e que já desenvolveram seus métodos próprios de pensar e resolver seus problemas sobre as questões práticas que lhe são impostas. Logo, a didática para esse público alvo também deve se preocupar em mapear, em:
[...] identificar a natureza desses conhecimentos práticos e desses supostos estilos cognitivos próprios dos adultos, e investigar de que modo poderiam ser mobilizados para as aprendizagens tipicamente escolares, ou, em outra perspectiva, de que maneira os conteúdos da escola deveriam ser modificados para se adequar a esse modo de pensarpróprio que os jovens e adultos desescolarizados já teriam forjado ao longo da vida (RIBEIRO, 1999, p. 191).
Leia mais sobre o campo pedagógico da EJA no artigo A formação de educadores e a constituição da educação de jovens e adultos como campo pedagógico, da autoria de Ribeiro (1999).
Como Ribeiro (1999) cita, os adultos apresentam uma forma própria de pensar e que deve ser levada em conta para a adequação das tarefas e atividades que serão propostas a eles. Finalizando essa busca por uma aplicação didática que seja vista com sucesso para esse público, salienta-se a busca constante do professor em investigar novas técnicas e propor sempre uma flexibilidade em seus planejamentos, entendendo que muitas vezes serão necessárias correções nas trajetórias que foram traçadas, ajustes nas técnicas utilizadas, modificações propostas em novos diálogos com a turma. Enfim, a participação dos adultos durante o processo de ensino e aprendizagem é constante e, dessa forma, exige um ambiente flexível por parte do docente e de seu planejamento.
A importância da didática na andragogia 77
Assista ao vídeo Saberes, alunos e docentes: o Triângulo Didático, disponível no link ou código a seguir.
https://goo.gl/LbXc9o
78 A importância da didática na andragogia
BARBOSA, F. A. dos S.; FREITAS, F. J. C. de. A didática e sua contribuição no processo de formação do professor. Revista Saberes da FAP, [Pimenta Bueno], n. esp., p. 1-13, jan. 2016. Disponível em: . Acesso em: 8 ago. 2017.
BECK, Caio. O triângulo didático. 2016. Disponível em: . Acesso em: 8 ago. 2017.
BROUSSEAU, G. Fundamentos e métodos da didáctica da matemática. In: BRUN, J. (Dir.) Didática das matemáticas. Lisboa: Instituto Piaget, 1996. p. 35-113.
COMENIUS, J. A.; GOMES, J. F. Didáctica magna: tratado da arte universal de ensinar tudo a todos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1976.
DAMIS, O. T. Arquitetura da aula: um espaço de relações. In: DALBEN, A. I. L. de F. et al. (Org.). Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente: didática, formação docente, trabalho docente. Belo Horizonte: Autêntica, 2010. p. 202-218.
KNOWLES, M. S. The modern practice of adult education: andragogy versus pedagogy. New York: New York Association, 1970.
RIBEIRO, V. M. A formação de educadores e a constituição da educação de jovens e adultos como campo pedagógico. Educação & Sociedade, Campinas, v. 20, n. 68, p. 184- 201, dez. 1999. Disponível em: . Acesso em: 8 ago. 2017.
VEIGA, I. P. A. As dimensões do processo didático na ação docente. In: ROMANOWSKI, J. P.; MARTINS, P. L. O.; JUNQUEIRA, S. R. A. (Org.). Conhecimento local e conhecimento universal: pesquisa, didática e ação docente. Curitiba: Champagnat, 2004-2005. p. 13-30.
Leituras recomendadas
CANDAU, V. M. (Org.). Rumo a uma nova didática. Petrópolis: Vozes, 2002.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996
Dica do Professor
Exercícios
Na prática
A didática reveste-se de fundamental importância ao trabalhar com a educação de adultos, uma vez que, aliada aos princípios que regem a educação deste grupo particular de alunos, poderá fazer com que a aprendizagem se realize de forma eficaz e que ambos, professor e alunos, sintam prazer e realização nos encontros em sala de aula. Porém, de nada adianta ao docente valer-se de técnicas de uma didática voltada para o público infantil, o que, quando utilizadas, somente geram insatisfação, infrequência e evasão dos alunos das turmas de jovens e adultos.
Joice era uma professora detalhista, dedicada e preocupada com a aprendizagem de seus alunos. Procurava planejar muito bem suas aulas, o que revertia em muito sucesso com sua turma no ensino fundamental. Joice foi convocada pelo município onde era concursada para assumir uma turma de educação de jovens e adultos na sua escola. Aceitou o desafio, confiante, e aproveitou o recesso escolar para planejar as aulas das primeiras semanas, criando para cada conteúdo uma atividade interessante, utilizando material concreto, revistas, jornais, sucatas, etc., enfim, selecionou vídeos, animações e músicas. Porém nem tudo correu conforme o esperado.
Saiba mais
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Saberes, alunos e docentes: o Triângulo Didático
Para conhecer um pouco mais sobre o triangulo didático, assista ao vídeo.
A http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=5821 ssista
A didática e sua contribuição no processo de formação do professor
Caso queira conhecer um pouco mais sobre a didática e a formação do professor, leia o artigo.
https://fapb.edu.br/wp-content/uploads/sites/13/2018/02/especial/3.pdf 
A formação de educadores e a constituição da educação de jovens e adultos como campo pedagógico
Para se aprofundar nas questões sobre o campo pedagógico de EJA, acesse o artigo.
https://www.scielo.br/pdf/es/v20n68/a10v2068 
Referências e créditos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E CRÉDITOS DE IMAGENS BES, Pablo. Andragogia e educação profissional. Porto Alegre: Sagah, 2017. MENEZES, J. E.; SILVA, R. S. da; QUEIROZ, S. M. A transposição didática em Chevallard: as deformações/transformações sofridas pelo conceito de função em sala de aula. In: Congresso Nacional de Educação, 2008. Banco de imagens Shutterstock. SAGAH, 2017
EQUIPE SAGAH Coordenador(a) de Curso Marcia Paul Waquil Professor(a) Paulo Bes Gerente de Produção Daiana Garibaldi da Rocha Gerente Unidade de Negócios Rodrigo Severo Núcleo de Projetos Daniela Moreira Carvalho Greyce Melanie de Souza Luciana Bolzan Núcleo de Marketing Juliana Ulbrich Santos Núcleo de Implementação Maurício Robson Ribeiro Taila Messias Vanzelloti Núcleo Metodológico Fernanda Flores Designer Instrucional Franciane de Freitas Designer Gráfico Gabriele Dias
​​​​​​​
Perfil de alunos e o pedagógico-andragógico
Apresentação
O mundo se reconfigurou significativamente nas últimas décadas e, da mesma forma, as maneiras como se aprende e se ensina. Essas mudanças afetaram a forma como as pessoas, de modo geral, vivem, se comunicam e se relacionam. A escola também é perpassada por estas mudanças, e nossos alunos hoje têm perfis variados e é nosso papel como professores conhecer para melhor adaptar nossos processos educativos junto aos docentes.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer alguns desses perfis, mais especificamente do aluno adulto, da EJA, da Educação Profissional, o aluno criança, da escola fundamental e o aluno do ensino a distância. Você vai estabelecer suas principais características e particularidades e também diferenciar as práticas pedagógicas das andragógicas e problematizar de forma prática e objetiva como podemos desenvolver nossas atividades docentes com os adolescentes.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
· Identificar os diversos perfis de alunos e suas particularidades.
· Diferenciar a pedagogia da andragogia.
· Reconhecer as formas de atuar com alunos adolescentes.
Desafio
O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) tem como um de seus objetivos a ampliação das oportunidades educacionais dos trabalhadores, o que é realizado por meio da qualificação profissional oferecida nas parcerias com o Serviço Nacional de Aprendizagem (Senai, Senac, Senar e Senat), em que são desenvolvidos cursos de qualificação e técnicos profissionalizantes, e ainda através da Rede e-TEC Brasil, em que são oferecidos cursos na modalidade a distância. Analise a situação abaixo ocorrida em um desses cursos:
Evandro e Mauro eram dois colegas professores do curso profissionalizante em gastronomia do Pronatec e desenvolviam suas atividades numa cozinha instalada junto a uma unidade do Senac. Ambos eram ótimos profissionais na área gastronômica, tinham praticamente a mesma formação na área e exerciam a função de chefs em restaurantesbadalados da cidade.
O fato que os diferenciava era que os alunos sempre se articulavam no início do semestre para pertencerem a turma de Mauro e não a de Evandro. Sempre causava um problema para a secretaria quando tinham que ser realizados os ajustes de matrícula dos alunos.
Os profissionais que atendiam os alunos pensavam: "Como pode tantos adultos agindo como crianças". A situação começou a tomar proporções inaceitáveis quando você, pedagogo da instituição, resolveu averiguar o que estava ocorrendo. Você decidiu frequentar as aulas de ambos os professores por dois dias.
No seu entendimento:
a) Quais são as possíveis causas que estão fazendo com que um maior número de alunos queriam estudar na turma de Mauro?
b) O que você faria para contornar esta situação junto a Evandro?
c) Quais conselhos daria a ele?
Padrão de resposta esperado
a) Provavelmente o que está fazendo com que o método de Mauro tenha mais sucesso junto aos seus alunos jovens e adultos neste curso de qualificação profissional do Pronatec, é o caráter prático utilizado como metodologia, ou seja, os conteúdos vão sendo inseridos, desenvolvidos pelo professor durante as atividades, os alunos enxergam tais conceitos operando enquanto aprendem sobre eles, ao invés de estudá-los antes teoricamente para posterior aplicação como faz Evandro.
b) A postura de Mauro também demonstra que entende a avaliação do que está sendo aprendido pelos alunos nas aulas a partir de um olhar mais abrangente, onde reconhece os aprendizados e as conquistas individuais e coletivas, o que motiva o grupo a prosseguir. Já Evandro acaba evidenciando um caráter avaliativo-punitivo ao adotar essa postura, em que os alunos percebem estarem sendo constantemente cobrados e de certa forma punidos se não apresentarem um rendimento satisfatório ao que aprenderam teoricamente. Isso acaba assustando os alunos e prejudicando a aprendizagem, além do que que também contribui para a insatisfação da turma e para as comparações entre um e outro professor.
c) Procurar conversar com Evandro é uma boa estratégia, enaltecendo suas boas atitudes como docente e pedindo que procurasse revestir suas aulas com mais momentos de prática, maiores experiências realizadas pelos educandos, aconselhar que o mesmo procurasse conversar com a turma, ouvindo como gostariam que as aulas fossem conduzidas e ajustasse o formato de suas atividades. Também poderia ser sugerido que as turmas tivessem momentos de desenvolvimento de atividades conjuntas para motivar ainda mais os cursistas.
Infográfico
Exercer a profissão docente exige que conheçamos os diversos tipos de perfis possíveis de alunos, que poderemos encontrar em nossas salas de aulas. Cada um desses perfis tem características próprias que lhes constitui e que fará com que tenham um comportamento diferente em relação às propostas de aprendizagem que forem desenvolvidas. Neste Infográfico, você vai acompanhar algumas das características dos perfis de aprendizagem das crianças, adolescentes e adultos.
Conteúdo do Livro
No capítulo Perfil de alunos e o pedagógico-andragógico, você vai conhecer alguns perfis de alunos com os quais o docente precisa estar preparado para desenvolver suas atividades educativas. Você vai estudar ainda o perfil infantil e entender a ênfase de análise nos adolescentes e adultos que se inserem na EJA e na educação profissional, sobre os quais aplicamos os princípios andragógicos que estamos estudando. Inicie seus estudos em Os perfis de alunos: criança, EJA (Educação profissional) e EAD e continue lendo até Os alunos adolescentes.
Boa leitura.
Perfil de alunos e o pedagógico-andragógico
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Reconhecer os diversos per s de alunos e suas particularidades.
 Diferenciar a pedagogia da andragogia.
 Compreender as formas de atuar com alunos adolescentes.
Introdução
O mundo se reconfigurou significativamente nas últimas décadas e, da mesma forma, as maneiras como se aprende e se ensina. Essas mudanças afetaram a forma como as pessoas, de modo geral, vivem, se comunicam e se relacionam.
A escola e os alunos também mudaram, sendo que estes últimos apresentam variados perfis, sendo assim, cabe aos professores conhecer tais perfis para melhor adaptar os processos educativos junto a eles.
Neste capítulo, você vai estudar alguns destes perfis, mais especificamente do aluno adulto, da EJA, da educação profissional, o aluno criança, da escola fundamental e o aluno do ensino a distância, procurando estabelecer suas principais características e particularidades. Também vai diferenciar as práticas pedagógicas das andragógicas e verá, de forma prática e objetiva, como é possível desenvolver as atividades docentes com os adolescentes.
Os perfis de alunos: criança, EJA (educação profissional) e EAD
O ensino a distância cresceu de forma exponencial no mundo inteiro e também no Brasil, alterando a forma como a educação vinha se desenvolvendo nas últimas décadas. O professor – que antes era visto como aquele que detinha o acesso ao conhecimento e às informações que seriam utilizadas durante o processo de ensino – passa a ter sua condição reconfi gurada, uma vez que o acesso à informação se universaliza com o surgimento das novas tecnologias da informação e comunicação (TICs).
O uso disseminado das TICs na atual sociedade, em que “[...] os fluxos de mensagens e imagens entre as redes constituem o encadeamento básico de nossa estrutura social” (CASTELLS, 1999, p. 573), altera também o funcionamento da escola e reflete no perfil do aluno. Dessa forma, o aluno, que estuda a distância, possui uma aproximação ainda maior com as TICs, dependendo dessas e as utilizando para cumprir com a sua rotina de atividades que foram autodirigidas pelo professor, professor-tutor ou tutor nos encontros, sejam eles presenciais ou on-line. Esse aluno normalmente possui um perfil dinâmico e ágil na busca de informações via rede, valendo-se da hipertextualidade em suas pesquisas (Figura 1)
O aluno adulto, que frequenta tanto as classes escolares da educação de jovens e adultos quanto da educação profissional e tecnológica, apresenta características bem particulares no seu perfil. Entre elas, a necessidade de atender a um propósito imediato com os seus estudos, com a participação e o envolvimento nos processos de ensino e aprendizagem que serão colocados em prática e, sobretudo, no aproveitamento de suas vivências e experiências no decorrer das aulas. O adulto apresenta ainda um perfil mais crítico em relação ao seu próprio rendimento e à escola, se comparado ao universo infantil.
A Figura 1 representa o triângulo interativo para o ensino a distância, sendo que o aluno é o centro do processo educativo, e o papel do professor (ou tutor) se resume à condução e orientação de sua rotina de estudos, o que é feito através da interatividade pelos diversos canais criados para esse fim. A criança, da mesma forma, encontra-se envolvida em suas práticas culturais cotidianas nessa mesma lógica das redes e da comunicação digital, exposta a uma profusão de imagens e informações com as quais, algumas vezes, não sabe como lidar. Isso, porém, não apresenta grandes mudanças em seu perfil como aluno, uma vez que ainda entende, se submete e procura seguir os processos educativos propostos pelos professores sem muita dificuldade ou resistência. Cabe ao docente também procurar dialogar com as crianças ao criar seus projetos de trabalho, porém, sobre a forma como as atividades serão conduzidas, os métodos que serão utilizados para que a aprendizagem se efetive ficam ao critério do professor. A criança ainda consegue visualizar e aceitar que no futuro poderá vir a utilizar aqueles conhecimentos adquiridos.
Barbosa e Moura (2013, p. 52) comentam sobre a aprendizagem na Educação Profissional e Tecnológica (EPT):
Podemos dizer que a EPT requer uma aprendizagem significativa, contextualizada, orientada para o uso das TIC, que favoreça o uso intensivo dos recursos da inteligência, e que gere habilidadesem resolver problemas e conduzir projetos nos diversos segmentos do setor produtivo. Como contraponto, podemos dizer que a aprendizagem em EPT deve estar cada vez mais distante da aprendizagem tradicional, fundamentada no poder do verbo, teórica e dependente do uso intensivo da memória.
Perfil de alunos e o pedagógico-andragógico 33
Pode-se perceber que a educação profissional segue procurando atender esse perfil de aluno adulto que deve ser desafiado a partir de situações-problema, com a utilização dos recursos tecnológicos existentes e com o desenvolvimento de outras habilidades de uso prático na profissão.
Diferenças entre pedagogia e andragogia
Esta seção estabelecerá um paralelo, uma comparação entre a pedagogia e a andragogia; nele, poderão fi car mais evidentes os perfi s de alunos que caracterizam cada uma dessas ciências do ensinar.
A pedagogia procura centrar o planejamento, a organização, a avaliação e o desenvolvimento de suas atividades educativas no professor. Mesmo considerando que hoje se incentive e promova a participação dos alunos na construção dos projetos, ainda recai sobre o professor o centro da condução desses processos.
As crianças normalmente apresentam uma motivação extrínseca ou externa, correspondendo bem a estímulos como recompensas, competições entre si, entre outras possíveis estratégias que o professor possa selecionar para estimular a turma a agir.
A aprendizagem costuma ser focada no desenvolvimento de conteúdos, e esses saberes chegam aos alunos através de aulas expositivas, leituras e exercícios de escrita. Já o ambiente onde ocorre a aprendizagem, normalmente a sala de aula, é o local onde existem mecanismos de disciplinamento em relação à disposição dos alunos, mobiliários, rotinas e esquadrinhamento do tempo.
O Quadro 1 apresenta, de forma resumida, a diferenciação apresentada pelo sociólogo Peter Jarvis na obra The sociology of adult & continuing education, lançada em 1985. Em relação à avaliação sobre o público adulto (da andragogia), é importante notar que se refere muito mais ao desempenho de habilidades e capacidades que ajudarão a resolver problemas e situações encontradas na vida cotidiana e, no caso da educação profissional, na execução de tarefas inerentes à formação que se está buscando, o que é essencial.
34 Perfil de alunos e o pedagógico-andragógico
Fonte: adaptado de Jarvis (1985).
	Pedagogia 
	Andragogia
	Aprendizagem centrada no professor. 
	Aprendizagem centrada no aluno.
	Os aprendizes são dependentes. 
	Os aprendizes são independentes e autodirecionados.
	Os aprendizes são motivados de forma extrínseca (recompensa, competição, etc.).
	Os aprendizes são motivados de forma intrínseca (satisfação gerada pelo aprendizado).
	A aprendizagem é caracterizada por técnicas de transmissão de conhecimento (aula, leituras designadas).
	A aprendizagem é caracterizada por projetos inquisitivos, experimentação e estudos independentes.
	O ambiente de aprendizagem é formal, caracterizado pela competitividade e por juízos de valor.
	O ambiente de aprendizagem é mais informal, caracterizado por equidade, respeito mútuo e cooperação.
	O planejamento e a avaliação são conduzidos pelo professor.
	A aprendizagem é baseada em experiências.
	A avaliação é realizada basicamente por meio de métodos externos.
	As pessoas são centradas no desempenho em seus processos de aprendizagem.
Quadro 1. Diferenças entre a pedagogia e a andragogia .
Os alunos adolescentes
As crianças e os adultos aprendem, respectivamente, nos contextos da escola fundamental, da educação de jovens adultos e da educação profi ssional. Neste capítulo, procura-se estabelecer alguns perfi s sobre esses alunos em relação ao processo de ensino-aprendizagem.
Porém, é conveniente destacar a forma como o aluno adolescente age quando envolvido em processos educativos. O jovem se encontra (sob uma visão idealizada e construída pelos adultos) na fase de transição entre um ser infantil e o que ainda não atingiu a adultez. Por isso, apresenta características peculiares no seu jeito de ser que, muitas vezes, desafiam os docentes dentro e fora da escola.
Perfil de alunos e o pedagógico-andragógico 35
Essa forma de visualizar o adolescente como alguém “a chegar a algum lugar” ou “a desenvolver-se” pode determinar um caráter de alguém que é visto dentro da lógica da aprendizagem como imaturo, ou ainda irresponsável e não comprometido com o que se propõe, o que é um equívoco, pois as generalizações sempre são problemáticas. Irresponsabilidade e falta de comprometimento são características que podem ser observadas também nos adultos, eventualmente.
Ao analisar o documentário Kids, lançado em 1995, Giroux (1996, p. 124) comenta que os adolescentes costumam ser: “louvados como um símbolo de esperança no futuro e, ao mesmo tempo, execrados como uma ameaça à ordem social existente, os jovens têm se tomado objetos de ambivalência, presos entre discursos contraditórios e espaços de transição”.
É justamente essa ambivalência, essa necessidade em classificar e categorizar os jovens que deve ser vista com posicionamento crítico por parte do professor. É preciso observar com muita atenção os marcadores sociais que foram construídos para esses jovens e que nem sempre correspondem aos alunos adolescentes da atualidade.
Os alunos adolescentes, porém, normalmente apresentam características muito similares ao que é fornecido nos princípios da andragogia, apreciam muito a utilização de desafios, sentem necessidade de envolvimento nas decisões sobre o que será realizado, como será feito, quando e de que maneira serão avaliados. Manifestam seu interesse no aprendizado de questões práticas e que serão logo utilizadas no desenvolvimento de suas tarefas.
Uma das características mais notadas nas experiências com alunos adolescentes, principalmente na educação profissional, é o dinamismo e interesse nas atividades, sobretudo naquelas que fugiam do modelo da escola mais tradicional. Dessa forma, desenvolvendo uma metodologia de trabalho dialógica, na qual constantemente era colocado à prova o que os jovens conheciam sobre os assuntos tratados e colocando-os como protagonistas dos processos de aprendizagem, os resultados eram muito satisfatórios, excedendo as expectativas.
Existem alguns pontos a serem observados com atenção que dizem respeito às questões culturais que esses jovens vivenciam durante sua trajetória de vida até o momento e que construíram seu modelo de vida. Essas questões normalmente se chocam quando se apresentam identidades contrárias ou contraditórias às suas. Quando o “outro” é muito diferente, seja em questões raciais (de determinação biológica, como cor de pele, cabelos, algum tipo de deficiência motora, etc.), em questões que envolvam a sexualidade, ou ainda, na forma como pensa e se posiciona, podem ocorrer conflitos que o professor
36 Perfil de alunos e o pedagógico-andragógico
deve saber como lidar em sala de aula ou nos espaços utilizados para conduzir seus processos educativos.
Como muitos jovens nessa fase ainda podem apresentar falta de controle sobre suas emoções, o docente deve sempre conversar francamente sobre preconceitos que possam existir, esclarecendo seu posicionamento sobre os mais diversos temas e estabelecendo que no ambiente onde desenvolve-se a aprendizagem (e em todos os demais) deverão adotar uma postura respeitosa para todos, independente de etnia, opção sexual, religiosidade ou posicionamento político. Estabelecendo essas combinações e as reafirmando esporadicamente, estará garantido um clima de aprendizado muito tranquilo e que garantirá que os processos se desenvolvam e atinjam os seus objetivos.
Outra estratégia que costuma ser utilizada e é muito apreciada, tanto pelos adultos quanto pelos adolescentes, é a valorização da comunicação, ou seja, incentivar que todos possam se comunicar, falar o que pensam sobre os assuntos abordados, sem nenhuma censura ou constrangimento por parte do grupo. Quando essas regras não ficam bem estabelecidas, alguns jovens acabam limitando-se a simplesmenteouvir, deixando de participar e envolver-se com as atividades que estão sendo desenvolvidas.
Ao expressar-se e ser ouvido e respeitado pelo grupo, o jovem sente-se integrado e motivado para continuar buscando o aprendizado.
Perfil de alunos e o pedagógico-andragógico 37
38 Perfil de alunos e o pedagógico-andragógico
BARBOSA, E. F.; MOURA, D. G. Metodologias ativas de aprendizagem na educação profissional e tecnológica. Boletim Técnico do Senac, Rio de Janeiro, v. 39, n. 2, p. 48- 67, maio/ago. 2013.
CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
COLL, C.; MONEREO, C. Psicologia da educação virtual: aprender e ensinar com as tecnologias da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010.GIROUX, H. O Filme Kids e a política de demonização da juventude. Revista Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 21, n. 1, p. 123-136, jan./jun. 1996.
JARVIS, P. The sociology of adult & continuing education. New York: Routledge, 1985.
Leituras recomendadas
FREIRE, P.; SHOR, I. Medo e ousadia: o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
SCHWATZ, S. Alfabetização de jovens e adultos: teori
Dica do Professor
Na prática
Paulo é formado em pedagogia e atua nos últimos anos como orientador de educação profissional junto ao Programa Jovem Aprendiz, preparando os adolescentes para que ocupem suas vagas profissionais nas empresas contratantes destes aprendizes. Quando recebeu o convite para desenvolver essa atividade profissional com os adolescentes e jovens adultos deste programa, teve dificuldades em aceitar, temia não conseguir se adaptar, pois era uma experiência nova em sua carreira docente que tinha sido desenvolvida até o momento somente com a Educação Infantil e Anos Iniciais da educação básica, ou seja, com alunos ainda crianças. Percebeu que precisaria atualizar-se, era necessário buscar informações e teorias que pudessem ajudá-lo, diversificar sua metodologia, pois não estava dando certo. Teve contato em suas buscas com os temas relacionados à andragogia, que apontava princípios e caminhos para uma educação de jovens e adultos, o que considerou muito importante, também leu sobre a heutagogia, que relacionava-se com o autoaprendizado possível através do uso das tecnologias digitais em rede que os adolescentes tanto dominavam e defendiam. Com a mente cheia de novas teorias, Paulo tinha três possíveis caminhos a seguir.
Qual terá sido a escolha de Paulo?
Saiba mais
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Você sabe quais habilidades desenvolver para cada perfil de aluno?
https://educador360.com/gestao/tipos-de-alunos-na-escola/ 
Andragogia: um olhar para o aluno adulto
No artigo Andragogia: um olhar para o aluno adulto, você vai ler a importância de um ensino direcionado ao aluno adulto, devido a mudanças ocorridas nos últimos dois séculos e que revolucionaram a forma de o indivíduo interagir com o entorno
https://www.researchgate.net/publication/279510577_Andragogia_um_olhar_para_o_aluno_adulto 
O filme kids e a política de demonização da juventude
https://seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/article/view/71648/40639 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E CRÉDITOS DE IMAGENS BES, Pablo. Andragogia e educação profissional. Porto Alegre: Sagah, 2017. Conteúdo UOL. Disponível em: http://conteudo.imguol.com.br/2014/01/06/aula-deculinaria-1389023126745_956x500.jpg?mobile. Acesso em: 17 ago. 2017. Blogspot. Disponível em: http://4.bp.blogspot.com/_UCaTzBbr1E/TPWiJqbYP0I/AAAAAAAAAPc/mENFrAVAkF4/s1600/dinamica+de+grupo.jpg. Aceso em: 17 ago.2017. Banco de imagens Shutterstock. SAGAH, 2017.
EQUIPE SAGAH Coordenador(a) de Curso Marcia Paul Waquil Professor(a) Pablo Bes Gerente de Produção Daiana Garibaldi da Rocha Gerente Unidade de Negócios Rodrigo Severo Núcleo de Projetos Daniela Moreira Carvalho Greyce Melanie de Souza Luciana Bolzan Núcleo de Marketing Juliana Ulbrich Santos Núcleo de Implementação Maurício Robson Ribeiro Taila Messias Vanzelloti Núcleo Metodológico Fernanda Flores Designer Instrucional Franciane de Freitas Designer Gráfico Kaka Silocch
3. Orientações curriculares para andragogia
Apresentação
Para toda modalidade de ensino, é necessário que sejam planejados e organizados conhecimentos que serão disponibilizados para que se cumpram as finalidades da educação escolarizada. Para a educação de jovens e adultos, não é diferente — mas como são selecionados e articulados os conteúdos a serem desenvolvidos para esse público específico?
Buscando responder à pergunta, você analisará, nesta Unidade de Aprendizagem, como o currículo escolar deve ser constituído para atender às especificidades de jovens e adultos. Você verá que para esse grupo de alunos sempre devem ser envolvidas questões da sua vida social — suas experiências pessoais e profissionais deverão estar sempre envolvidas nas propostas curriculares e fazer parte das metodologias utilizadas para atender às exigências curriculares. Você estudará também pontos considerados fundamentais para a educação de jovens e adultos, seja na busca pela educação fundamental ou na educação profissional, como questões que envolvem cultura, leitura, escrita, tecnologia e mundo de trabalho.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
· Problematizar o conceito de currículo e educação de jovens e adultos.
· Articular o currículo andragógico (EJA e educação profissional) com a cultura.
· Identificar os temas fundamentais para EJA.
Desafio
Desenvolver atividade docente exige do professor que se adapte ao público que desenvolverá suas ações educativas. Adultos adotam uma postura diferente nos seus processos de aprendizagem, se comparados às crianças. Dessa forma, embora os conteúdos a serem envolvidos nas turmas de crianças e adultos possam até ser semelhantes, as metodologias empregadas e as formas de conduzir os processos devem ser distintas, para que se atinja o sucesso e a aprendizagem se torne significativa para os discentes.
Você estava trabalhando com uma turma de jovens e adultos que cursam o ensino fundamental e demonstram um desempenho muito satisfatório na aquisição das habilidades de leitura e escrita, o que o deixa muito realizado como docente. Então, baseado nesse contexto da turma, você resolveu reforçar as aulas de língua portuguesa com a utilização sistemática de textos para serem lidos pelos alunos e trabalhados em aula. Porém, uma dúvida lhe veio à cabeça: trabalhar com textos clássicos de livros de literatura ou utilizar artigos de jornais e revistas atuais nessas leituras propostas aos alunos? Qual seria o caminho mais correto? Como você deveria proceder?
Padrão de resposta esperado
A opção de selecionar diariamente pequenos trechos dos jornais que circulam na cidade, para que os momentos de leitura sejam realizados pelos alunos, é a melhor escolha, pois o aluno adulto apresenta constantemente a necessidade de discutir assuntos atuais que estão ao seu redor e que podem ser contextualizados com aplicação prática. Os livros clássicos de literatura também podem ser utilizados, porém, em outros momentos específicos das aulas de língua portuguesa.
Infográfico
Um currículo pode ser visto como um arranjo estrutural que planeja e organiza os diversos conhecimentos que serão desenvolvidos junto aos alunos. É importante que, ao construir uma proposta curricular, sejam levados em conta o próprio papel da escola e o tipo de formação que se deseja para aquele grupo de alunos. Neste Infográfico, você conhecerá que o currículo para trabalhar com jovens e adultos deve contemplar os princípios da andragogia em sua formação.
Conteúdo do Livro
No capítulo Orientações curriculares para andragogia, da obra Andragogia e educação profissional, você aprenderá os principais conceitos que envolvem a construção de um currículo para a educação de jovens e adultos. Inicie seus estudos em O conceito de currículo e a educação de jovens e adultos e continue lendo até O mundo do trabalho e a tecnologia.
Boa leitura!
Orientaçõescurriculares para a andragogia
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Problematizar o conceito de currículo e a educação de jovens e adultos.
 Articular o currículo andragógico (EJA e educação pro ssional) com
a cultura.
 Identi car os temas fundamentais para a EJA.
Introdução
Para toda a modalidade de ensino, é necessário planejar e organizar os conhecimentos que serão disponibilizados para que se cumpram as finalidades da educação escolarizada. Para a educação de jovens e adultos não é diferente, mas você sabe como são selecionados e articulados os conteúdos a desenvolver para este público específico?
Buscando responder a esta pergunta, este texto aborda como o currí- culo escolar deve ser constituído para atender à especificidade dos jovens e adultos. Você vai ver que, para este grupo de alunos, sempre devem ser envolvidas as questões da sua vida social; suas experiências pessoais e profissionais deverão estar envolvidas nas propostas curriculares e devem fazer parte das metodologias que se utilizam para atender às exigências curriculares. Você vai estudar também os pontos considerados fundamentais para a educação de jovens e adultos, seja na busca pela educação fundamental ou na educação profissional, como as questões que envolvem a cultura, a leitura, a escrita, a tecnologia e o mundo do trabalho.
O conceito de currículo e a educação de jovens e adultos
Você sabe o que é um currículo e como são selecionados e articulados os conteúdos que pretendem fazer com que a educação escolarizada contemple seus objetivos? As construções históricas são de refl exão fundamental nesse momento, pois inúmeros fatores sociais, econômicos e culturais se articulam na tentativa de defi nir um certo tipo de aluno que será formado através desse rol de saberes que serão desenvolvidos na escola.
As diversas teorias envolvidas nos estudos do currículo não serão aqui abordadas, porém, é preciso conhecê-las minimamente e fazer uma distinção entre as principais correntes que discutem o currículo. O Quadro 1 enfatiza os conceitos utilizados e associados ao currículo em algumas dessas teorias.
Fonte: Adaptado de Silva (2003).
	Teorias tradicionais 
	Teorias críticas 
	Teorias pós-críticas
	Ensino 
	Ideologia 
	Identidade, alteridade, diferença
	Aprendizagem 
	Reprodução cultural e social
	Subjetividade
	Avaliação 
	Poder 
	Significação e discurso
	Metodologia 
	Classe social 
	Saber-poder
	Didática 
	Capitalismo 
	Representação
	Organização 
	Relações sociais de produção
	Cultura
	Planejamento 
	Conscientização 
	Gênero, raça, etnia, sexualidade
	Eficiência 
	Emancipação e libertação
	Multiculturalismo
	Objetivos 
	Currículo oculto
	
	Resistência
	
	
Quadro 1. Conceitos associados ao currículo e teorias que o estudam.
Orientações curriculares para a andragogia 51
As teorias pós-críticas que abordam o currículo evidenciam outros conceitos como o de saber-poder, em que se entende que todo conteúdo ensinado traz consigo uma instância de poder que é capaz de modificar uma prática ou conduta. Reforçam a ideia de cultura e do multiculturalismo que deve ser contemplado no currículo e colocam em discussão nas questões curriculares os temas de gênero, raça, etnia e sexualidade que servem, muitas vezes, como marcadores sociais que influenciam as identidades contemporâneas. Problematiza, ainda, as questões relativas à formação da identidade, das subjetividades e das diferenças a serem incluídas nas discussões sobre o currículo.
Vilar e Anjos (2014, p. 89) comentam sobre o currículo da EJA:
A reflexão sobre o currículo demanda uma análise mais profunda das concepções sobre a escola, sobre os sujeitos da EJA e sobre as intencionalidades educativas da instituição escolar. O currículo, desde uma perspectiva mais ampla, deve envolver, além das dimensões técnicas e instrumentais elencadas pelos professores, as concepções de educação e de mundo dos sujeitos, ou seja, deve relacionar o currículo com a vida das pessoas.
É importante perceber, porém, que as teorias críticas ou pós-críticas não abrirão mão da organização e dos planejamentos propostos pelas teorias tradicionais, pois ampliam as discussões e abordam outros conceitos importantes sobre ele. O mais importante a ser destacado, porém, é que o currículo deve se relacionar com a vida dos alunos.
O currículo normalmente é entendido dentro do universo discursivo das teorias tradicionais, em que os esforços giram em torno do ensino-aprendizagem, da didática, das metodologias a serem utilizadas para o desenvolvimento dos conteúdos, das ações de planejamento para que se atinjam os objetivos propostos, enfim, preocupa-se com a operacionalização dos processos.
52 Orientações curriculares para a andragogia
A teoria crítica sobre o currículo leva à indagação sobre os conteúdos propriamente ditos. Como foram selecionados e articulados? Sobre quais ideologias se apoiam? Existe um efeito de poder que favoreça alguma classe dominante na sua constituição? Enfoca, ainda, a necessidade de busca de uma conscientização por parte de alunos e professores e a busca por emancipação e libertação através da educação. Traz a ideia de currículo oculto, ou seja, tudo aquilo que se aprende na escola e que não faz parte do currículo formal estabelecido, através das trocas informais entre colegas, professores e comunidade escolar e suscita a busca por resistência.
Articulando o currículo andragógico e a cultura
Pensar em um currículo escolar que seja adequado para a EJA é propor uma conjunção de saberes que compreenda, além dos conteúdos escolares e das questões envolvidas nas teorias tradicionais sobre o currículo, um olhar sobre os aspectos que envolvem a cultura dos diversos grupos étnicos envolvidos. Deve-se também definir o conceito de cultura, que hoje é central na sociedade. Esse conceito ultrapassa a simples divisão clássica e ultrapassada de Alta Cultura, referente a determinada elite letrada em contraposição a uma baixa cultura (das massas populares) ou iletrada. “Cultura” atualmente pode ser entendida como o somatório de práticas que compõem um determinado grupo social e que contribuem para a formação de identidades. Logo, todas as culturas têm o seu valor independentemente de quaisquer questões envolvidas.
Para que as culturas possam ser consideradas e não venham a apresentar assimetrias de poder entre elas, relembre o conceito de interculturalidade citado por Walsh (2001, p. 10-11 apud OLIVEIRA; CANDAU, 2010, p. 26, grifo nosso):
Um processo dinâmico e permanente de relação, comunicação e aprendizagem entre culturas em condições de respeito, legitimidade mútua, simetria e igualdade. Um intercâmbio que se constrói entre pessoas, conhecimentos, saberes e práticas culturalmente diferentes, buscando desenvolver um novo sentido entre elas na sua diferença. Um espaço de negociação e de tradução onde as desigualdades sociais,
Orientações curriculares para a andragogia 53
econômicas e políticas, e as relações e os conflitos de poder da sociedade não são mantidos ocultos e sim reconhecidos e confrontados. Uma tarefa social e política que interpela o conjunto da sociedade, que parte de práticas e ações sociais concretas e conscientes e tenta criar modos de responsabilidade e solidariedade. Uma meta a alcançar.
A interculturalidade representa o esforço político de luta pelo confronto das desigualdades sociais que existem historicamente no Brasil e que afetam, sobretudo, boa parte daqueles sobre os quais a EJA se projeta, especialmente os mais pobres, os afro-brasileiros e os indígenas. Pensar de forma intercultural é buscar a igualdade através das práticas construídas pela escola, é pensar num currículo que articule e discuta temas que envolvem processos coloniais e históricos, procurando desenvolver o respeito mútuo e a solidariedade entre os alunos dos mais diversos estratos sociais.
Os temas fundamentais curriculares para a EJA
Alguns importantes temas que devem fazer parte do currículo da EJA serão abordados aqui, dividindo-se a análise emdois pontos considerados fundamentais para que o aluno, jovem e adulto, possa viver bem na sociedade, conforme se encontra atualmente constituída: a leitura e a escrita, o mundo do trabalho e a tecnologia.
A leitura e a escrita
Conforme Paulo Freire, ensinar exige que o docente estimule uma leitura crítica de mundo. Antes de deter-se no caráter formal da apropriação do código de escrita, é preciso alertar para essa questão mais abrangente que recai sobre a leitura considerada fundamental para os públicos jovem e adulto. Ler ultrapassa a simples capacidade de tradução daquilo que está escrito, relaciona-se à capacidade de observação, percepção de como a sociedade se organiza, como a cultura funciona e como as pessoas vão ocupando seus lugares na composição social.
54 Orientações curriculares para a andragogia
Como os alunos da EJA, sobretudo no primeiro segmento (anos iniciais do ensino fundamental), necessitam muito da apropriação dos conceitos de leitura e escrita para que possam inserir-se no mundo com condições mínimas de igualdade, é necessário que as atividades que ocorrem em sala de aula contemplem esse componente curricular de forma permanente, fazendo aproximações de forma interdisciplinar com os demais conteúdos de Matemática, Ciências Naturais e Sociedade, que também deverão ser ensinados.
Segundo a Proposta Curricular para a Educação de Jovens e Adultos, do Ministério da Educação (RIBEIRO, 2001, p. 170):
[...] é importante que o professor procure sempre articular debates orais a alguma atividade de escrita, por exemplo, sintetizando informações ou opiniões em pequenos textos ou esquemas, que podem ser elaborados coletivamente, com sua ajuda. O professor pode levar para a sala de aula livros e jornais para serem manuseados e explorados visualmente, além de ler em voz alta pequenos trechos que sirvam para enriquecer os debates. Ele poderá também elaborar problemas matemáticos a partir de fenômenos sociais ou naturais estudados.
O documento destaca a importância que deve ser dada à questão da leitura e da produção escrita por parte dos alunos. O docente deverá estar sempre estimulando essa prática, seja através de sua leitura, do encaixe de questões sociais pertinentes aos alunos que possam contribuir na construção de sua criticidade, seja através de outros gêneros literários que a leitura e a escrita se evidenciem. Com base na lógica do diálogo, aos alunos deverão ser conduzidas discussões e debates sobre temas diversos, sempre produzindo algo escrito através desses movimentos. Porém, pesquisas apontam que os professores, ao trabalharem com a EJA, tendem a focar seus trabalhos somente nas questões da leitura, escrita e matemática, o que acaba desmotivando os alunos adultos, pois estes têm necessidade de se manterem informados e anseiam por conhecer também outros assuntos e conteúdos. Esse é um direito do aluno da EJA, isto é, ter acesso a uma educação de qualidade que abranja todas as áreas do conhecimento.
Orientações curriculares para a andragogia 55
O mundo do trabalho e a tecnologia
Os alunos que frequentam as classes de EJA, e mesmo os que buscam a educação profi ssional, costumam ter um ponto em comum: inseriram-se precocemente no mercado de trabalho, normalmente por questões de necessidade familiares inerentes à própria sobrevivência e atendimento de questões básicas como alimentação e moradia. Esse fato acaba contribuindo para que desistam dos estudos, abandonando as classes regulares e se lançando ao mercado de trabalho. O mercado está cada vez mais exigente em termos de habilitação e conhecimentos obtidos de maneira formal ou escolarizada. É muito simples a constatação de que as melhores vagas, com salários mais atraentes, são as que mais exigem em termos de investimento pessoal na busca de formação.
Esse contingente de jovens e adultos, muitas vezes experientes e bons trabalhadores nas funções em que ocupam, acabam sendo pressionados tanto pelas empresas onde trabalham, quanto pela própria oferta de mão de obra mais qualificada. Dessa forma, só resta uma alternativa – voltar a estudar. É o momento em que ocorre a procura por uma classe de EJA, visando a sanar e recuperar essa condição que os coloca em posição inferior e incapazes de competir no mercado de trabalho. Deve-se ter o cuidado de não colocar na EJA somente o rótulo de preparação para o mercado de trabalho, a ideia vai muito além disso, pois o aluno jovem ou adulto deve reconhecer seu local social e ser capaz de perceber como o mundo do trabalho se relaciona constantemente com sua vida, exigindo dele posicionamento e atitudes.
Deve perceber, por exemplo, que se apropriar das tecnologias de informação e comunicação é essencial para o desempenho de quase todas as vagas oferecidas no mercado de trabalho. Os currículos voltados para jovens e adultos devem tematizar essas aproximações com as tecnologias, suas discussões e seus usos, tanto na vida pessoal quanto profissional, pois elas fazem parte da vida em sociedade, e a habilidade que o indivíduo apresenta (ou não) na utilização delas também o diferencia nas questões profissionais. Ou seja, não se apropriar tecnologicamente também pode ser um fator que poderá gerar uma exclusão ou desigualdade para esse público de alunos.
56 Orientações curriculares para a andragogia
1. As teorias do currículo dividem-se em tradicionais, críticas epós-críticas. Assinale a alternativa que apresenta características da teoria curricular crítica.
a) Ensino e aprendizagem.
b) Articulação de gênero,raça, etnia, sexualidade.
c) Emancipação e libertação.
d) Metodologia e didática.
e) Identidade e subjetividade.
2. Sobre as concepções de currículo voltadas para a EJA, analise as afirmativas e assinale a correta.
a) O currículo deve voltar-se unicamente para os conteúdos da escolarização formal.
b) O currículo não deve considerar aspectos inerentes à cultura dos alunos.
c) O currículo para EJA deve focar somente nas questões técnicas e instrumentais.
d) O currículo da EJA deve ser visto de forma mais abrangente, sendo capaz de relacionar os conhecimentos propostos com a vida das pessoas.
e) O currículo não deve se limitar a análises sobre a concepção de escola e dos próprios alunos.
3. Os componentes que envolvem a cultura são importantes dentro da organização do currículo para jovens e adultos. Sobre esse aspecto, analise as alternativas e marque a correta.
a) A cultura dos diversos grupos étnicos que se encontram em sala de aula não é importante para o currículo.
b) A Alta Cultura deve fazer parte do currículo da EJA.
c) Ao currículo de EJA basta deter-se na chamada baixa cultura, que é mais adequada ao seu público.
d) A cultura letrada será adquirida após as aulas, com a apropriação dos conteúdos.
e) No currículo para a EJA, deve ser levado em conta o conceito de interculturalidade.
O artigo “O Projeto Pedagógico da escola e o currículo como instrumento de sua concretização”, de Marinez Murta, aborda as mudanças curriculares na escola, conforme a evolução da sociedade. 
O artigo está disponível no link ou código a seguir.
https://goo.gl/sxr6e2
4. A leitura e a escrita são pontos fundamentais a contemplar com o currículo da EJA. Sobre esses pontos, analise as alternativas e marque a correta.
a) A leitura deve resumir-se a simples decifração do código escrito.
b) A leitura e a escrita são importantes para que os jovens e adultos se insiram em condições mínimas de
igualdade na sociedade.
c) As atividades de leitura e escrita não devem ser articuladas com outras disciplinas.
d) A leitura deve ser realizada unicamente pelos alunos em sala de aula.
e) A oralidade não contribui para a escrita e leitura perseguidas.
5. As questões que envolvem a tecnologia e o mundo do trabalho também devem ser contempladas no currículo da EJA. Sobre essas questões, analise as alternativas e aponte a correta.
a) Muitos dos alunos que frequentam as classes de EJA evadiram-se de seus estudos para inserirem-se no mercado de trabalho de forma precoce, por necessidade.
b) As empresas não costumam pressionar os trabalhadoresem busca de escolarização formal.
c) A EJA tem caráter utilitarista, somente preparando para o trabalho.
d) As tecnologias não diferenciam ninguém no mercado de trabalho.
e) A apropriação tecnológica não gera exclusão.
58 Orientações curriculares para a andragogia
OLIVEIRA, L. F. de; CANDAU, V. M. F. Pedagogia decolonial e educação antirracista e intercultural no Brasil. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 26, n. 1, p.15-40, abr. 2010.
RIBEIRO, V. M (Coord.). Educação para jovens e adultos: ensino fundamental: proposta curricular – 1º segmento. 3. ed. São Paulo: Ação Educativa; Brasília, DF: MEC, 2001.
SILVA, T. T. da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.
VILAR, J. C.; ANJOS, I. R. S. Currículo e práticas pedagógicas na educação de jovens e adultos. Revista Espaço do Currículo, João Pessoa, v. 7, n. 1, p. 86-96, jan./abr. 2014.
PINTO, A. V. Sete lições sobre educação de adultos. 9. ed. São Paulo: Cortez, 1994.
Dica do Professor
No vídeo da Dica do Professor, você verá como é possível utilizar os elementos da cultura dos alunos no desenvolvimento dos conteúdos para a educação de jovens e adultos.
Assista!
Exercícios
Na prática
Ao desenvolver o projeto em concordância com a turma, o professor pode mostrar claramente aos alunos como as situações sociais que tanto discutiam diziam respeito a todos, independentemente de uma posição ideológica político-partidária. O resultado foi um sucesso: os alunos começaram a desenvolver um senso mais crítico sobre os assuntos e acabaram por se relacionar melhor e participar mais das aulas.
Saiba mais
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Assista ao vídeo sobre a educação profissional de adultos
https://www.youtube.com/embed/swyytOYNvLk 
Conheça a proposta curricular para a educação de jovens e adultos
http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/eja/propostacurricular/primeirosegmento/propostacurricular.pdf 
Leia o artigo das pesquisadoras Joelma Carvalho Vilar e Isa Regina Santos dos Anjos
http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/rec/article/view/19412 
Referências e créditos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E CRÉDITOS DE IMAGENS BES, Pablo. Andragogia e educação profissional. Sagah: Porto Alegre, 2017. Proposta construída baseada no livro Educação para jovens e adultos: ensino fundamental. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/eja/propostacurricular/primeirosegmento/pro postacurricular.pdf Banco de imagens Shutterstock. SAGAH, 2017
EQUIPE SAGAH Coordenador(a) de Curso Marcia Paul Waquil Professor(a) Pablo Bes Gerente de Produção Daiana Garibaldi da Rocha Gerente Unidade de Negócios Rodrigo Severo Núcleo de Projetos Daniela Moreira Carvalho Greyce Melanie de Souza Luciana Bolzan Núcleo de Marketing Juliana Ulbrich Santos Núcleo de Implementação Maurício Robson Ribeiro Taila Messias Vanzelloti Núcleo Metodológico Fernanda Flores Designer Instrucional Franciane de Freitas Designer Gráfico Gabriele Dias
Experiência de vida na aprendizagem de jovens e adultos
Apresentação
O ser humano, desde o seu nascimento, atua em sociedade e interage com indivíduos pertencentes a um determinado grupo social, consequentemente a uma cultura.
Nesse processo, ele vai se apropriando ao longo de sua vida, de instrumentos e signos, por meio da internalização, ou seja, é fruto desse processo de desenvolvimento. Suas experiências e circunstâncias culturais, históricas e sociais criam condições de aprendizagem, promovendo seu desenvolvimento psicológico. Disso decorre aquilo que valoriza e sua percepção de vida, de se posicionar na sociedade, refletindo também no seu processo de aprendizagem.
Contudo, nesta Unidade de Aprendizagem, você poderá refletir sobre o papel da experiência de vida do adulto no seu processo de aprendizagem.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
· Identificar aspectos, relacionados à cultura, que interferem na aprendizagem.
· Relacionar aspectos da experiência do indivíduo e seus reflexos no processo de aprendizagem.
· Reconhecer como a experiência de vida influencia na forma como o indivíduo aprende.
Desafio
O contexto da história de vida dos alunos adultos faz com que apresentem diferentes habilidades e dificuldades no processo de aprendizagem. A habilidade representa, prioritariamente, a capacidade de reflexão sobre o conhecimento e sobre seus próprios processos de aprendizagem em função do acúmulo de experiências vividas. Essas experiências, quando relacionadas ao conteúdo que está sendo visto em sala de aula, desperta nesses alunos maior interesse e participação, não raro, suscitando um intenso debate entre eles.
Considerando esse cenário, em uma turma heterogênea, como o professor pode aproveitar as diferentes experiências, e ainda estabelecer conexão com o conteúdo apresentado?
Padrão de resposta esperado
A experiência do aprendiz adulto tem grande importância como base de aprendizagem. Cabe ao professor aproveitá-la como um ponto de identificação para, a partir daí, levar os a conhecimentos novos e complementares. Pode pedir a opinião dos educandos em relação à sua percepção sobre o conteúdo abordado, a partir de relatos de histórias pessoais. As histórias ligam os indivíduos, ao mesmo tempo em que representa um recurso para promover a participação e a atenção dos demais. Além disso, deve-se priorizar mais o educando e suas experiências, que o conteúdo em si, ou seja, valorizar o processo.
Deve-se ainda adequar as estratégias de aprendizagem ao perfil do público, incluindo suas vivências nesses métodos. Portanto, a aprendizagem, passa pela experiência, por isso, é importante que o educador permita ao educando expandir suas capacidades, por meio de uma educação ativa.
Infográfico
Veja como a experiência de vida está relacionada à aprendizagem, no infográfico a seguir:
Conteúdo do Livro
A experiência constrói e reconstrói o indivíduo, assim também molda o seu processo de aprendizagem. Por isso, é fundamental que o educador reconheça as experiências como insumos para o desenvolvimento de estratégias de aprendizagem, bem como reconheça a experiência no processo de aprendizagem, visto que o adulto considera sua experiência como o próprio conhecimento. Leia o capítulo Experiência de Vida na Aprendizagem de Jovens e Adultos da obra Educação de Jovens e Adultos, e aprofunde seus conhecimentos.
Boa leitura.
Experiência de vida na aprendizagem de jovens e adultos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Identifi car aspectos, relacionados à cultura, que interferem na
aprendizagem.
 Relacionar aspectos da experiência do indivíduo e seus refl exos no
processo de aprendizagem.
 Reconhecer como a experiência de vida infl uencia na forma como
o indivíduo aprende.
Introdução
O ser humano, desde o seu nascimento, atua em sociedade e interage com indivíduos pertencentes a um determinado grupo social, consequentemente, a uma cultura. Nesse processo, ele vai se apropriando, ao longo de sua vida, de instrumentos e signos, por meio da internalização. Ou seja, o ser humano é fruto desse processo de desenvolvimento. Suas experiências e circunstâncias culturais, históricas e sociais criam condições de aprendizagem, promovendo seu desenvolvimento psicológico. Disso decorre aquilo que valoriza e sua percepção de vida, de se posicionar na sociedade, refletindo também no seu processo de aprendizagem.
Os sujeitos que ingressam na EJA são constituídos de vivência, experiências de vida. Assim, o contexto cultural e social em que vivem não pode ser renegado ou visto em segundo plano pelo professor. As experiências de vida dos jovens e adultos na aprendizagem englobam aspectos culturais bem como aspectos sociais relacionados aos seus interesses e horizontes.
Neste capítulo, você vai refletir sobre a importância de considerar a experiência de vida do adulto no contexto da sala de aula, respeitando a sua bagagem

Mais conteúdos dessa disciplina