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Fisiologia da Senescência (sistema cardíaco, respiratório, renal, ósseo, imune) - Módulo Envelhecimento - Problema 1

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Thaís Pires 
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Problema 1 
1. Conhecer as transformações fisiológicas do processo de senescência; 
 
Senescência – declínio ou deterioração das propriedades funcionais em níveis celulares, teciduais e orgânicos, 
o que causa uma DIMINUIÇÃO na capacidade de HOMEOSTASIA, principalmente frente a situações de 
estresse, tornando o indivíduo mais vulnerável a doenças e à morte → O INÍCIO, RITMO, VELOCIDADE e 
PROGRESSÃO desse processo varia individualmente, bem como a DETERIORAÇÃO DA FUNÇÃO É 
HETEROGÊNEA entre os diversos sistemas e indivíduos → inicia com uma perda da capacidade de 
reestabelecer a homeostasia em SITUAÇÕES DE ESTRESSE e, por fim, detectável pela alteração da FUNÇÃO 
EM REPOUSO 
Propriedades funcionais: medida direta da HABILIDADE das células, dos tecidos e dos sistemas 
orgânicos em operar APROPRIADA e OTIMAMENTE, sofrendo influência genética e ambiental – para que 
possuam um bom funcionamento, é preciso que haja uma constante REPARAÇÃO DO DNA, DETECÇÃO E 
DEPURAÇÃO DE PROTEÍNAS E ORGANELAS e DEFESA CONTRA PATÓGENOS 
Efeitos muito bem documentados acerca do envelhecimento incluem a DETERIORAÇÃO DA EFICIÊNCIA 
DO SINAL DE TRANSDUÇÃO → ex: redução na resposta de vasodilatação do endotélio ao estrógeno, 
relacionada a uma alteração do gene receptor de estrógeno; redução da responsividade das células de Leydig 
à estimulação gonadocoriônica, por alterações da membrana celular 
 
Ex: Proteinas extremamente modificadas, seja por glicação não enzimática, seja por radicais livres, podem 
induzir à INFLAMAÇÃO, que, associada à RESPOSTA IMUNE (inflamação + resposta imune), desencadeia o 
PROCESSO DE APOPTOSE CELULAR – essas proteínas podem exercer uma ação regulatória na atividade da 
TELOMERASE e, assim, influenciar a SOBREVIVÊNCIA E SENESCÊNCIA CELULAR, uma vez que a destruição do 
telômero é o principal determinante do ENVELHECIMENTO SISTÊMICO 
 
 Alterações na Estrutura Corporal 
Assim como ocorre em diversas fases do desenvolvimento, há uma alteração no VOLUME DE ÁGUA no 
organismo, principalmente no compartimento INTRACELULAR 
 
A principal alteração estrutural ocorre ao nível MUSCULAR, com perda de musculatura estriada esquelética = 
SARCOPENIA (NÚMERO E VOLUME DAS FIBRAS MUSCULARES TIPO 2 + NEURÔNIOS ALFA MOTORES 
ESPINHAIS) – 10% entre 30 e 50 anos; a partir dessa idade, perda de 1% ao ano. Como grande parte da TAXA 
METABÓLICA BASAL é resultante da manutenção da musculatura esquelética estriada, há uma diminuição da 
DEMANDA ENERGÉTICA no período de senescência, facilitando o processo de ganho de peso! 
 A musculatura esquelética é o tecido que contém mais de 50% das proteínas orgânicas, além de ser o 
PRINCIPAL ALVO DA AÇÃO DA INSULINA, hormônio que causa o anabolismo associado a diversos outros 
hormônios com esse efeito, como GH, IGF, ESTRÓGENOS, ANDRÓGENOS - Essa perda muscular implica em 
uma diminuição da FORÇA MUSCULAR, que é essencial para a realização de tarefas do dia a dia, causando 
uma DEBILIDADE FÍSICA E PERDA DA INDEPENDÊNCIA 
 
Outro tecido que sofre alterações com a senescência é o ADIPOSO, que aumenta percentualmente ao longo 
dos anos, funcionando como um RESERVATÓRIO para substâncias lipofílicas – então a utilização de drogas 
desse espectro deve ser feita com cautela. O acúmulo desproporcional desse tecido tende a ocorrer nas 
regiões ABDOMINA, VISCERAL e INTRAMUSCULAR 
 
Alterações no Sistema Imunológico 
A maioria dos mecanismos imunológicos sofrem alterações no processo do envelhecimento, havendo uma 
REDUÇÃO DE FUNÇÕES do sistema imune adaptativo e um AUMENTO DE FUNÇÕES do sistema imune inato 
Thaís Pires 
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O sistema imune inato é a primeira linha de defesa orgânica contra patógenos, trabalhando de forma 
semelhante para os diversos tipos de situações – esse sistema inclui as barreiras físicas, químicas, células 
fagocíticas, NK, sistema complemento, citocinas → durante o ENVELHECIMENTO, há um desequilíbrio na 
PRODUÇÃO E LIBERAÇÃO DE CITOCINAS, havendo um CONSTANTE ESTADO PROINFLAMATÓRIO que contribui 
para a desorganização das respostas imunológicas, maior predisposição a doenças infecciosas e aparecimento 
ou agravamento de doenças crônicas 
 
Já o sistema imune adaptativo, que é estimulado pela exposição a agentes infecciosos e aumenta a sua 
capacidade defensiva a cada exposição, tem como característica a ESPECIFICIDADE para moléculas distintas e 
a maior INTENSIDADE DE RESPOSTA de acordo com o número de exposições → tem como principais 
componentes os LINFÓCITOS, que produzem Ig 
 A IMUNOSSENESCÊNCIA é caracterizada por uma ALTERAÇÃO NA POPULAÇÃO DE CÉLULAS T, o que 
diminui a resposta imunológica FRENTE A ANTÍGENOS NOVOS para o indivíduo → essa alteração na população 
de células T pode ter como uma das causas a ATROFIA DO TIMO, que causa a redução da DIFERENCIAÇÃO 
DAS CÉLULAS T e B, causando 
• Redução na proliferação de células T 
• Acúmulo de células T de memória 
• Exaustão de células T naive 
As células T de memória são, geralmente, MENOS COMPETENTES, respondendo de forma mais lenta e 
necessitando de um estímulo mais intenso para reagir com uma resposta inflamatória!!! 
 
Alterações no Sistema Endócrino 
Principalmente no eixo HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-ADRENAL 
 GH – a secreção e as concentrações séricas de GH diminuem tanto no ESTADO BASAL como em 
RESPOSTA A ESTÍMULOS – em paralelo a isso, há uma diminuição da concentração sérica de IGF, diminuição 
na liberação de GHRH e na responsividade dos somatotrofos ao GHRH / A liberação de GH normalmente 
ocorre durante o SONO nas fases de ondas lentas, como na senescência existem fatores que causam 
DISTÚRBIOS DO SONO, isso também pode afetar negativamente a liberação de GH 
 
 ADH – nos idosos, a RESPONSIVIDADE RENAL ao ADH encontra-se diminuída, tornando-os mais 
vulneráveis à privação de água / a secreção de ADH frente a um aumento na osmolalidade plasmática 
(osmorreceptores) pode ou não estar alterada em idosos, porém a resposta a depleção volumétrica 
(barorreceptores) está AUMENTADA 
A diminuição da sede em resposta a estimulação osmótica, associada a uma menor responsividade renal ao 
ADH, facilita a DESIDRATAÇÃO em idosos 
 
 Melatonina – a secreção pela glândula pineal encontra-se diminuída, podendo estar associada a 
qualidade do sono nos idosos 
 
 Função Adrenocortical – embora a glândula adrenal não apresente sinais significantes de atrofia, 
apresenta alterações hormonais nos seus 3 principais hormônios 
 Cortisol e ACTH – embora haja uma diminuição da SECREÇÃO DE CORTISOL na senescência, não 
há uma diminuição da concentração sérica desse hormônio, uma vez que há uma diminuição da taxa de 
depuração! Então idosos frente a um estímulo estressor (doença aguda ou cirurgia) apresentam níveis de 
PICO SÉRICO DE CORTISOL MAIORES E MAIS DURADOUROS → além dessa diminuição da taxa de depuração, 
há uma aparente REDUÇÃO DA SENSIBILIDADE DO FEEDBACK NEGATIVO no eixo HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-
ADRENAL 
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 Aldosterona – apresenta SECREÇÃO E CONCENTRAÇÃO SÉRICA diminuídas, podendo chegar a 
uma redução de 50% aos 70 anos – isso pode ser uma consequência da diminuição da RENINA, com 
consequente perda urinária de sódio, hiponatremia e hiperpotassemia 
 
 Deidroepiandrosterona (DHEA) – os esteroides renais são os principais encontrados na 
circulação humana e são PRECURSORES DOS ESTEROIDES SEXUAIS 
 
 Regulação Alimentar – é resultante da interação entre INSULINA, LEPTINA E ADIPONECTINA – 
como há uma diminuição da sensibilidade à AÇÃO DA INSULINA decorrente da diminuição do GLUT 4 na 
musculatura esquelética estriada, podendo causar hiperinsulinemia e diminuição na tolerância a glicose 
 
Alterações no SNC 
Como já se sabe, a senescência é acompanhada de um maior dano oxidativo às proteínas, aos ácidos nucleicos 
e às membranas lipídicas, sendo esses comuns aos diversos sistemas. Devido à complexidade neuronal, 
existem algumas alterações características dessas células,