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da entrega efetiva da coisa, substituindo-a pela tradição 
do título que a represente e de outros documentos segundo a previsão contratual 
ou os costumes locais.
Esta modalidade de venda ocorre com mais frequência em negociações inter-
nacionais, em que os contratantes se encontram em lugares diversos onde está a 
mercadoria no ato da conclusão do contrato.
O vendedor, entregando os documentos, se libera da obrigação e tem direito 
ao preço; e o comprador, na posse justificada de tais documentos, pode exigir do 
transportador a entrega da mercadoria.
Art. 529. Na venda sobre documentos, a tradição da coisa é substituída pela entrega do 
seu título representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato ou, no silêncio 
deste, pelos usos.
Parágrafo único. Achando-se a documentação em ordem, não pode o comprador recusar 
o pagamento, a pretexto de defeito de qualidade ou do estado da coisa vendida, salvo 
se o defeito já houver sido comprovado.
Art. 530. Não havendo estipulação em contrário, o pagamento deve ser efetuado na 
data e no lugar da entrega dos documentos.
Art. 531. Se entre os documentos entregues ao comprador figurar apólice de seguro 
que cubra os riscos do transporte, correm estes à conta do comprador, salvo se, ao ser 
concluído o contrato, tivesse o vendedor ciência da perda ou avaria da coisa.
Art. 532. Estipulado o pagamento por intermédio de estabelecimento bancário, caberá 
a este efetuá-lo contra a entrega dos documentos, sem obrigação de verificar a coisa 
vendida, pela qual não responde.
Parágrafo único. Nesse caso, somente após a recusa do estabelecimento bancário a efe-
tuar o pagamento, poderá o vendedor pretendê-lo, diretamente do comprador.
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Contratos em Espécie
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2. Do Contrato Estimatório
O contrato estimatório (arts. 534 a 537 do CC) é conhecido no comércio como 
venda em consignação. Trata-se de um contrato equivalente à compra e venda em 
consignação, em que o comprador recebe as mercadorias em depósito e, após um 
prazo fixado pelas partes, paga as que conseguir revender e devolve as restantes.
Como exemplo, temos a pessoa que combina com o amigo para deixar o carro 
em sua concessionária para ser vendido por um preço determinado. Caso o amigo 
consiga vender por um preço maior, então terá um lucro, pois é obrigado a entregar 
apenas o preço ajustado.
No exemplo citado, o dono da coisa é chamado de consignante e aquele que 
recebe a coisa em depósito (ex: o amigo) é chamado de consignatário.
Durante o período de consignação, em regra, o consignatário é um mero depo-
sitário do bem, ou seja, não pode usá-lo.
A natureza jurídica da venda em consignação é a seguinte:
•	 unilateral: a questão é controvertida, mas a doutrina majoritária entende que 
com a entrega da coisa e o nascimento do contrato, todas as obrigações são do 
consignatário, sendo a principal delas o pagamento do preço estimado;
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•	 oneroso: ambas as partes auferem vantagens;
•	 real: só se aperfeiçoa quando o bem consignado é entregue ao consignatário;
•	 típico: está previsto no Código Civil; e
•	 não solene: independe de forma especial.
Art. 534. Pelo contrato estimatório, o consignante entrega bens móveis ao consig-
natário, que fica autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço ajustado, salvo se 
preferir, no prazo estabelecido, restituir-lhe a coisa consignada.
Art. 535. O consignatário não se exonera da obrigação de pagar o preço, se a 
restituição da coisa, em sua integridade, se tornar impossível, ainda que por fato 
a ele não imputável.
Art. 536. A coisa consignada não pode ser objeto de penhora ou sequestro pelos cre-
dores do consignatário, enquanto não pago integralmente o preço.
Art. 537. O consignante não pode dispor da coisa antes de lhe ser restituída ou de lhe 
ser comunicada a restituição.
Percebe-se que no contrato estimatório existem duas partes:
•	 o consignante: entrega os bens ao consignatário; e
•	 o consignatário: recebe os bens para tentar vender.
Além disso, vale mencionar que o art. 534 do CC determina que apenas os bens 
móveis podem ser objetos de um contrato estimatório.
3. Da Doação
O conceito de doação é dado pelo art. 538 do CC.
Art. 538. Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, 
transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra.
Desse conceito, é possível extrairmos dois elementos: o subjetivo e o objetivo.
•	 Elemento subjetivo: é o animus donandi, que consiste na intenção de fa-
zer uma liberalidade em favor do donatário; e
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•	 Elemento objetivo: consiste na transferência da propriedade de bens ou 
direitos do patrimônio do doador para o patrimônio do donatário.
Deve-se salientar que o contrato de doação apenas gera a obrigação de trans-
ferir os bens e direitos indicados. A efetiva transferência representa a execução 
do contrato de doação. O domínio (propriedade), como vimos, só se efetua com a 
tradição (bens móveis) ou com o registro (bens imóveis).
Quanto à natureza jurídica do contrato de doação, temos o seguinte:
•	 unilateral: só o doador assume obrigação; entretanto, devemos ressaltar a 
doação com encargo, que é considerada bilateral, pois ambas as partes assu-
mem obrigações recíprocas;
•	 gratuito: apenas uma das partes aufere vantagens, enquanto a outra não 
assume qualquer ônus;
•	 típico: está previsto no Código Civil;
•	 solene: a lei, em regra (art. 541 do CC), exige forma escrita para os bens 
móveis e escritura pública para os imóveis, para que a doação se aperfeiçoe; 
entretanto, excetua-se a doação verbal que poderá ocorrer quando o bem 
doado for de pequeno valor e houver a imediata tradição.
Art. 541. A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular.
Parágrafo único. A doação verbal será válida, se, versando sobre bens móveis e de pe-
queno valor, se lhe seguir incontinenti a tradição.
Apesar de a doação ser unilateral, trata-se de um contrato que, para se formar, 
depende da convergência de duas vontades. Ou seja, na doação, não basta o doa-
dor querer doar, pois o donatário também deve manifestar a sua aceitação. Sendo 
fixado um prazo pelo doador, o silêncio acarretará uma aceitação tácita da doação, 
desde que seja pura. Tal assunto é tratado no art. 539 do CC:
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Art. 539. O doador pode fixar prazo ao donatário, para declarar se aceita ou não a li-
beralidade.

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