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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO ÉVERTON CRÍSTIAN RODRIGUES DE SOUZA AS RESTRIÇÕES GERENCIAIS DERIVADAS DA AUSÊNCIA FOR MAL DA FUNÇÃO PCP EM UMA MICROEMPRESA DO SETOR DE ALIMENTO S DA REGIÃO METROPOLITANA DE JOÃO PESSOA - PB JOÃO PESSOA 2009 1 ÉVERTON CRÍSTIAN RODRIGUES DE SOUZA AS RESTRIÇÕES GERENCIAIS DERIVADAS DA AUSÊNCIA FOR MAL DA FUNÇÃO PCP EM UMA MICROEMPRESA DO SETOR DE ALIMENTO S DA REGIÃO METROPOLITANA DE JOÃO PESSOA - PB Orientador: Prof. Dr. Cosmo Severiano Filho. JOÃO PESSOA 2009 Monografia apresentada à Universidade Federal da Paraíba como requisito parcial para a obtenção do Grau de Bacharel em Engenharia de Produção Mecânica. 2 ÉVERTON CRÍSTIAN RODRIGUES DE SOUZA AS RESTRIÇÕES GERENCIAIS DERIVADAS DA AUSÊNCIA FOR MAL DA FUNÇÃO PCP EM UMA MICROEMPRESA DO SETOR DE ALIMENTO S DA REGIÃO METROPOLITANA DE JOÃO PESSOA - PB Monografia apresentado pelo aluno Éverton Crístian Rodrigues de Souza, do curso de Engenharia de Produção Mecânica, tendo obtido o conceito de _____________________ conforme a apreciação da banca examinadora constituída pelos professores: Aprovado (a) em: ______de ___________________ de 2009. BANCA EXAMINADORA ___________________________________________________________________ Prof. Dr. Orientador: Cosmo Severiano Filho - UFPB campus I ________________________________________________________________ Prof. Dr. Examinador: César Emanoel Barbosa de Lima – UFPB campus IV _______________________________________________________________ Prof. Dr. Examinador: Homero Catão Maribondo da Trindade – UFPB campus I 3 DEDICATÓRIA Aos meus pais, que num moto de amor têm feito de suas vidas um experimento, se expondo por diversas vezes ao risco, a fim de balizar seus filhos com seus erros e acertos. Pai e Mãe, a vocês todo o mérito que o cumprimento desta etapa encerra e que para nós representa. E a Vânia, que tem se manifestado como expressão da atenção divina para comigo, trilhando comigo o meu caminho, me fortalecendo nas horas difíceis e confraternizando as vitórias. 4 AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar a Deus, que dispôs tudo e todos para que este momento fosse possível. Em seguida seria impossível ordenar todos aqueles que colaboraram com a construção do presente momento, então aludo os que me vêm à cabeça como representantes de todos os demais que não foram aqui incluídos: • À sociedade que tornou disponível as instituições de ensino público, pelos quais passei por todo o meu processo de formação profissional, cívica e moral; • À banca examinadora, que neste momento representa todos aqueles que atuaram no meu referido processo de formação; • Ao corpo de profissionais componentes desta instituição de ensino, em especial a NILDO, que se revelou grande amigo, realizando, por vezes, esforço além dos seus limites profissionais, a fim ajudar aos seus amigos; • Ao meu Pai (Adelmo), à minha mãe (Francisca), meus irmãos (Elaine, Elásio e Eládson) e a toda família, que como detentores de sabedoria infinitamente mais apurada, têm me orientado nos meus passos, me ensinando a ousar passos largos e firmes; • A Vânia, que tem sido companhia incansável e fonte de inspiração na busca dos sonhos projetados. • Aos amigos de caminhada, que nos momentos de cansaço têm sido frondosa árvore e nos momentos de êxito têm sido multiplicadores das alegrias vividas (André, Severino, Kleber, Leandro, Edlaine e Elizama (Edlama), Igor Castro, Igor (galego) Lucas, Tiago Baiano, Fábio Brito, Diego Magalhães, Camila, Welma, Márcio Braga e demais parceiros por estes representados); • Ao professor Geraldo Maciel, o BARRETO (in memorian), que nos ensinou a extrapolar os limites do saber científico, nos mostrando que por traz de fatos científico sempre há um mundo cheio de curiosidades e vida; • Ao professor Cosmo Severiano Filho, que revelou grande sensibilidade e confiança para com a minha situação, além de ter sido uma fonte de conhecimentos admirável. • Por fim àqueles que não estão aqui explicitados, mas têm consciência de sua participação no meu desenvolvimento pessoal e profissional. A vocês todos, meus agradecimentos, da mais profunda reverência. 5 RESUMO Este trabalho objetiva revelar as restrições gerenciais experimentadas por uma empresa de pequeno porte do setor de alimentos da cidade de Cabedelo – PB, para tanto apoiando-se sobre os objetivos específicos de descrever as atividades de PCP, listar os benefícios do uso sistêmico da função PCP e realizar um estudo comparativo da realidade empresarial com a teoria pesquisada. A fim de cumprir os objetivos propostos neste trabalho, o procedimento escolhido apropriou-se de uma metodologia exploratória descritiva, com análise qualitativa, culminando em um estudo de caso, como modo de investigação. O instrumento utilizado para a coleta de dados consistiu em um roteiro, tipo formulário de entrevista semi-estruturado, também empregando o método de observação não participante. Inicialmente uma ampla revisão da literatura foi realizada a fim de levantar o estado da arte acerca do tema abordado, incluindo definições, conceitos e aspectos relevantes para a pesquisa sobre o Planejamento e Controle da Produção (PCP), micro e pequenas empresas e a indústria de alimentos. Como resultado da pesquisa foi constatado que a empresa objeto do estudo possui um sistema de PCP informal que não desempenha suas funções de planejamento e controle de forma eficiente e eficaz. Ao fim da realização do trabalho foi possível concluir que a empresa estudada se mostrou como um caso bastante típico de MPE, desenvolvendo rotinas gerenciais voltadas apenas para ações de curto prazo. Deste modo a utilização da função PCP figura uma excelente alternativa para a consolidação da empresa focada e, de modo geral, para a firmação das MPEs. Palavras-Chave: Planejamento e Controle da Produção. Micro e Pequenas Empresas. Indústria de Alimentos. Restrições Gerenciais. 6 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS MPEs – Micro e Pequenas Empresas SEBRAE – Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa PCP – Planejamento e Controle da Produção IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística OC - Ordem de Compra OP – Ordem de Produção OM – Ordem de Montagem PA – Produto Acabado PMP – Plano-Mestre de Produção PC – Pedido de Compra MP – Matéria-Prima MRP – Material Requeriment Planning PEPS – Primeiro que Entra, Primeiro que Sai PIB – Produto Interno Bruto ABIA – Associação Brasileira das Industrias de Alimentos P&D – Pesquisa e Desenvolvimento ONU – Organização das Nações Unidas 7 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Causas do insucesso dos micro e pequenos empreendimentos......................16 FIGURA 2 - Produção empurrada e puxada........................................................................ 20 FIGURA 3 - Organização de uma empresa industrial......................................................... 27 FIGURA 4 - Esquema de produção e fluxo de informação................................................. 29 FIGURA 5 - Programação e sequenciamento da produção e sistemas produtivos..............33 FIGURA 6 - Estrutura hierárquica da empresa................................................................... 54 8 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 - Participação das MPEs nareceita 1985/2001.............................................. 14 GRÁFICO 2 - Faturamento líquido das indústrias de produtos alimentares....................... 48 GRÁFICO 3 - Exportação brasileira – 1964 – 2007........................................................... 49 GRÁFICO 4 - Principais destinos da exportação de alimentos........................................... 49 9 LISTA DE TABELAS TABELA 1 - Cenário nacional da MPEs............................................................................ 14 TABELA 2 - As MPEs na economia mundial..................................................................... 38 TABELA 3 - Motivos para a constituição da empresa........................................................ 40 TABELA 4 - Distribuição percentual do valor agregado bruto dos principais setores....... 44 TABELA 5 - Absorção da mão-de-obra pela indústria de alimentos brasileira.................. 45 TABELA 6 - Número de empregados: média de empregados por empresa brasileira e média de empregados por empresas da indústria de alimentos, 1940 – 1999................................ 46 10 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 Atividade de curto, médio e longo prazo do PCP........................................... 25 QUADRO 2 Vantagens da programação............................................................................. 32 QUADRO 3 Algumas regras de gerenciamento.................................................................. 34 QUADRO 4 Critérios adotados para enquadramento de MPE no Brasil............................ 37 QUADRO 5 Indústria de alimentos e a posição de seus setores em relação ao faturamento líquido (2001, 2005 e 2006)................................................................................................. 48 QUADRO 6 Comparativo entre teoria e prática no tocante aos níveis hierárquicos do PCP...58 QUADRO 7 Paralelo entre teoria e prática vivenciada na no tocante às funções do PCP........60 QUADRO 8 Benefícios da aplicação sistêmica do PCP e os requisitos para o caso estudado..61 11 SUMÁRIO 1 CONTEXTUALIZAÇÃO GERAL DA PESQUISA ...............................................12 1.1 DEFINIÇÃO DO TEMA E PROBLEMA DA PESQUISA ........................................12 1.2 JUSTIFICATIVA .........................................................................................................13 1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA......................................................................................17 1.3.1 Objetivo Geral ............................................................................................................17 1.3.2 Objetivos específicos:.................................................................................................17 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................................18 2.1 PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO COMO FUNÇÃO GERENCIAL................................................................................................................18 2.2 ÁREAS DE INTERFACE COM O PCP......................................................................26 2.3 FERRAMENTAS CLÁSSICAS DE PCP....................................................................30 2.3.1 Roteiro .........................................................................................................................30 2.3.2 Programação...............................................................................................................31 2.3.3 Seqüenciamento..........................................................................................................32 2.3.4 Controle .......................................................................................................................34 2.1.4 Vantagens do Uso da Função PCP............................................................................35 2.4 AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO SETOR DE ALIMENTOS .................36 2.4.1 Definição de Micro e Pequena Empresa...................................................................36 2.4.2 Características das Micro e Pequenas Empresas....................................................38 2.4.3 A Indústria de Alimentos no Contexto Internacional.............................................42 2.4.4 A Indústria de Alimentos no Contexto Nacional.....................................................43 3 METODOLOGIA .......................................................................................................51 3.1 DEFINIÇÃO DAS VARIÁVEIS .................................................................................52 3.2 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS .............................................................52 3.3 AMBIENTE DA PESQUISA.......................................................................................53 4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS..........................................................................55 5555 CONCLUSÕES...........................................................................................................62 REFERÊNCIAS .....................................................................................................................63 APÊNDICES ...........................................................................................................................70 12 1 CONTEXTUALIZAÇÃO GERAL DA PESQUISA 1.1 DEFINIÇÃO DO TEMA E PROBLEMA DA PESQUISA Com as mudanças experimentadas no Brasil, e no mundo, especialmente após a década de 1990, a abertura do país a produtos externos e mudanças no plano financeiro, os consumidores tomaram postura bem mais incisiva em relação à exigências de produtos mais elaborados. As principais exigências foram de produtos de maior valor agregado, qualidade e menor preço, influenciados por maior poder aquisitivo adquirido, maiores facilidades na aquisição de bens e serviços e acesso a novos produtos vindos do exterior. Na indústria de alimentos, estas mudanças foram bem delineadas principalmente por este setor estar no nascedouro do parque industrial brasileiro, acompanhando diversas fases da evolução da indústria e, ainda hoje, ocupando importante posição em relação à geração de renda e empregos. Dentre os setores industriais brasileiros que mais geraram valor agregado bruto no século XX, a indústria de alimentos sempre ocupou posição relevante, chegando a se tornar o maior parque industrial nacional. Nos primeiros anos do século XXI, este setor manteve crescimento do faturamento líquido a uma taxa elevada praticamente constante. Movimento semelhante foi experimentado no tocante à geração de empregos, se mantendo como um dos setores que mais empregou no país. Estas características evolutivas do setor alimentício se projetam de forma similar às características da evolução das micro e pequenas empresas, sobretudo por que 85% das empresas deste setor são classificadas como microempresas. Peculiaridades, como alta absorção da mão-de-obra e geração de renda, são típicas das micro e pequenas empresas, que têm sua importância socioeconômica comprovada por diversos estudos elaborados por fontes oficiais e não oficiais. Outra propriedade alegórica das Micro e Pequenas Empresas (MPEs) no Brasil é a alta taxa de mortalidade, ocasionada, principalmente, pela baixa capacidade gerencial dos seus dirigentes. Não se pode omitir o fato que em nações desenvolvidas as MPEs se consolidaram e desempenham bem sua função social, pois têm tido atenção especial do governo, que desenvolve políticas de apoio específicas. Deficiências nas políticas governamentais têm sido indicadas, em pesquisas realizadas pelo SEBRAE, como um dos motivos da não13 sobrevivência das MPEs no Brasil. Porém se conduzidas de forma estratégica, gerenciadas com base em métodos e técnicas apropriadas, as MPEs podem se consolidar no atual ambiente competitivo. Uma forma de buscar o sucesso da organização é realizar uma gestão da produção consistente, potencializando as vantagens competitivas advindas da função produção. O Planejamento e Controle da Produção (PCP) se traduz em alternativa proeminente de composição de um gerenciamento da produção consistente (MOREIRA; TUBINO; RUSSOMANO e SLACK et al, 2008). O Planejamento e Controle da Produção diz respeito à função de apoio gerencial, que utiliza informações das mais diversas áreas da organização, a fim de garantir a utilização eficiente dos recursos produtivos, coordenados de forma solidária, para que se tenham produtos (bens e serviços) na quantidade certa, com qualidade, segundo um método definido, nos prazos e locais certos e com o mínimo custo possível. 1.2 JUSTIFICATIVA Segundo o Novo Código Civil (Lei n° 10.406/02), a empresa é um importante agente social, dotado de relevante poder sócio-econômico, visto que está à sua responsabilidade a geração de empregos, o recolhimento de tributos e, ainda, movimentação da economia. Assim, a função social de uma empresa é alcançada quando, além de cumprir os papéis elencados no parágrafo anterior, a empresa observa a solidariedade, promove a justiça social, livre iniciativa, busca de pleno emprego, redução das desigualdades sociais, valor social do trabalho, dignidade da pessoa humana, os valores ambientais, dentre outros princípios constitucionais e infraconstitucionais, independente de seu ramo de atuação e dimensão. Dentro da abordagem da função social das empresas, as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) vêm tomando importância notória na sociedade. Isto representa uma ótima expectativa de desenvolvimento socioeconômico do Brasil, quando associado ao potencial empreendedor do Brasil, confirmado por uma pesquisa realizada anualmente pela Babson College, dos Estados Unidos, e pela London Business School, da Inglaterra, que caracteriza o Brasil como um dos países mais empreendedores do mundo (GEM, 2005). 14 O gráfico 1 traz informações sobre a contribuição das MPEs nas receitas dos anos de 1985 a 2001. Como se pode observar, há um crescimento suave, sem grandes diferenças percentual, porém quando aliada ao crescimento da detenção da mão-de-obra, por parte destas empresas, esta informação indica o quanto as MPEs vêm se tornando importantes. Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE, 2001), no período de 1985 a 2001, o número de pessoas ocupadas no segmento das micro e pequenas empresas, mais que dobrou. Gráfico 1 Participação das micro e pequenas empresas na receita – 1985/2001 Fontes: IBGE, Diretoria de Pesquisas, (2001) Atualmente, segundo o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (2008), as MPEs são representantes de 26% da massa salarial do Brasil e foram responsáveis por 55% dos empregos formais em 2005, além de 51% do número de exportações em 2006 (tabela 1). Tabela 1 Cenário nacional das MPEs Fonte: Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (2008) O decreto nº 6.174 de 01 Agosto 2007 institui e regulamenta o Fórum Permanente de MPEs, e tem como objetivo promover sustentabilidade das MPEs, ampliar participação de 15 MPEs na geração de emprego, renda e produtos inovativos e promover atividades coletivas, ostentando como metas para 2010: incrementar em 21% a aplicação do investimento fixo, elevação do gasto privado em pesquisa e desenvolvimento em 0,65%, ampliação da participação das MPEs nas exportações em 1,25% e aumentar em 10% o número de MPEs exportadoras. Este incentivo governamental assegura um ambiente mais propício à sobrevivência e consolidação das MPEs. Porém, apesar da ótima correlação existente entre a importância das micro e pequenas empresas para a sociedade, as altas taxas de empreendedorismo no Brasil, e a preparação de um ambiente mais fértil para as MPEs, o Brasil ainda hoje apresenta um índice alto de mortalidade para empreendimentos com até quatro anos de existência, quando comparado a países desenvolvidos da América do Norte e da Europa. De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE, 2005), a taxa de mortalidade para as MPEs, e para o período considerado, chega a 59,9%. Isto é um indicativo de que há algo de errado na gestão das MPEs. Para o SEBRAE (2007), os motivos que levam uma empresa a pedir a falência são os mesmos que levam outra a fechar as portas antes de cinco anos: falta de planejamento inicial e baixo nível de gestão. Segundo Anholon et al. (2007), alguns dos pontos fracos mais comuns das MPEs são: • Influência das relações de parentesco nas atribuições de cargos e tarefas; • falta de planejamento estratégico, visão e missão; • confusão entre a pessoa física do empresário e a pessoa jurídica da empresa; • reduzida capacidade administrativa; • Falta de conhecimento do mercado em que está inserida; • relação inadequada com os fornecedores e clientes; • falta de uma política de recursos humanos • não utilização de softwares em auxílio à produção. Estes pontos fracos podem vir a se tornar causa do insucesso das micro e pequenas empresas, como ilustra a figura 1. Dentro de uma visão sistêmica, pode-se dizer que os pontos fracos listados guardam forte relação com o planejamento e controle da produção. 16 Figura 1 causas do insucesso dos micro e pequenos empreendimentos Fonte: Elaborado Pelo Pesquisador. Segundo Chiavenato (1991), a função PCP é que planeja e programa a produção e as operações da empresa, bem como as controla adequadamente, objetivando aumentar a eficiência e a eficácia através da administração da produção. Somando esta perspectiva à de Burbidge (1988), que detalha que o PCP tem, dentre suas funções, a de proporcionar uma utilização dos recursos produtivos de forma adequada, se pode rematar que os pontos fracos das MPEs, listados por Anholon et al (2007), podem ser amenizados, ou até mesmo liquidados, com a função desempenhada pelo PCP nas organizações. Em pesquisa realizada por Barros Filho e Tubino (1998), foi constatado que o número de produções científicas, catalogadas em bibliotecas, que relacionam a esfera das MPEs com a função de apoio gerencial PCP é muito restrita, chegando apenas a 20 produções científicas em todo o mundo. Quando unidas ao universo de trabalhos disponíveis na internet e de posse de pesquisadores, o total de trabalhos, que de algum modo relacionavam MPEs e PCP, chegou a 31 produções científicas. Ainda assim, muitos dos trabalhos reunidos tinham seu foco restrito a uma ferramenta específica de PCP, o que figura uma situação de extrema escassez de fontes de pesquisas que unem estas duas esferas. Por tanto, diante da importante função social das MPEs, das oportunidades oferecidas pelo atual cenário empresarial, as limitações gerenciais, características destas empresas, e o restrito número de produções científicas que relacionam os temas abordados, o presente trabalho torna-se relevante à medida que se propõe a descrever as restrições gerenciais derivadas da ausência formal da função PCP nas MPEs, a fim de colaborar com o desenvolvimento científico, a consolidação das MPEs e conseqüente promoção do desenvolvimento socioeconômico. 17 1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA 1.3.1 Objetivo Geral A presente pesquisa tem como objetivo geral revelar as restrições gerenciais derivadas da ausência (formal) da função PCP em uma empresa de pequeno porte da indústria de alimentos. Para tanto, visa contemplar três objetivos específicos. 1.3.2 Objetivos específicos: • Descrever as atividades de Planejamento e Controle da Produção• Listar benefícios advindos do uso da função PCP em uma organização no setor alimentício • Fazer uma comparação da realidade empresarial da uma empresa da indústria alimentícia com a teoria pesquisada. 18 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO COMO FUNÇÃO GERENCIAL Sistemas de Produção O termo produção pode assumir diversos significados, dentre eles o de gerar, elaborar e realizar, ou ainda pode significar a obra de um autor, as etapas da realização de uma “produção” cinematográfica, etc. O que estes significados têm em comum é a capacidade de nos remeter à transformação de algo em uma obra distinta do que se tinha inicialmente. No meio industrial a palavra produção não é diferente, ela remete justamente à transformação de entradas, em produtos úteis, alocando recursos de um sistema produtivo. Sistemas de produção industrial podem ser definidos como sendo um conjunto de elementos humanos, físicos e gerenciais inter-relacionados, projetados para que a geração de produtos se dê agregando valor a estes, de tal modo que o valor final supere os custos incorridos para obtê-los (MACCARTHY ; FERNANDES, 2002). Note-se que os sistemas de produção estão inseridos em um ambiente e, portanto, influenciam ao mesmo tempo em que são influenciados por este,pois são sistemas abertos. Giannis e Costas (2005) acrescentam a esse modelo o fato que uma das saídas, do sistema de produção, a serem consideradas são os resíduos produtivos, que também devem ser corretamente gerenciados. Sipper & Bulfin (1997) sobrepõem que qualquer sistema produtivo industrial possui uma “espinha dorsal” que é a manufatura, um processo com fluxo de dois componentes principais: material e informação. Existem diversas maneiras, sob as mais diversas perspectivas e parâmetros distintos, de se classificar os sistemas produtivos, desde os mais amplos ou genéricos até os mais pormenorizados. Uma classificação extensa e bastante conhecida dos sistemas produtivos é feita com base na atividade econômica à qual este pertence, conforme segue (PIRES, 2004): a)Primária: agropecuária, extrativismo; b)Secundária: indústria, transformação; c)Terciária: serviços. 19 Russomano (2000) adota uma classificação mais específica, comparando as principais características, com destaque para a relação entre os tempos de preparo dos equipamentos e os tempos de operação, a quantidade de produtos iguais, a capacidade ociosa, a arrumação das máquinas, a qualificação dos operários, o fluxo de produção e a quantidade de material em processamento. A classificação sugerida por este autor é dividida em três tipos: contínuo, intermitente e construção de projetos. Moreira (2008) acrescenta duas classificações de sistemas de produção, a primeira denomina classificação tradicional e a segunda Classificação Cruzada de Schroeder. A classificação tradicional, em função do fluxo do produto, agrupa os sistemas de produção em três grandes categorias: a) Sistemas de produção contínua ou de fluxo em linha: apresentam seqüência linear de fluxo e trabalham com produtos padronizados I. Produção contínua propriamente dita: é o caso das indústrias de processo. Este tipo de produção tende a ter um alto grau de automatização e a produzir produtos altamente padronizados; II. Produção em massa: linhas de montagem em larga escala de poucos produtos com grau de diferenciação relativamente pequeno b) Sistemas de produção intermitente (fluxo intermitente) I. Por lotes: ao término da fabricação de um produto outros produtos tomam seu lugar nas máquinas, de maneira que o primeiro produto só voltará a ser fabricado depois de algum tempo. II. Por encomenda: o cliente apresenta seu próprio projeto do produto, devendo ser seguidas essas especificações na fabricação. c) Sistemas de produção de grandes projetos sem repetição: produto único, não há rigorosamente um fluxo do produto, existe uma seqüência predeterminada de atividades que deve ser seguida, com pouca ou nenhuma repetitividade. A Classificação Cruzada de Schroeder considera duas dimensões. De um lado, a dimensão tipo de fluxo de produto de maneira semelhante à classificação tradicional, e do outro, a dimensão tipo de atendimento ao consumidor, onde existem duas classes: • Sistemas orientados para estoque: o produto é fabricado e estocado antes da demanda efetiva do consumidor. Este tipo de sistema oferece atendimento rápido e a baixo custo, mas a flexibilidade de escolha do consumidor é reduzida; • Sistemas orientados para a encomenda: as operações são ligadas a um cliente em particular, discutindo-se preço e prazo de entrega. 20 Russomano (2000) também trata de outra classificação muito utilizada que envolve a decisão de produzir: antecipada ou sob encomenda. É possível encontrar na literatura diversas classificações semelhantes. Bonney et al (1999) abordam a classificação onde “puxar” ou “empurrar” a produção são os parâmetros. Em um sistema empurrado as ordens de produção, gerenciadas de forma central, são liberadas numa data de início que corresponde à data de entrega prometida subtraída do lead time de produção. Uma vez liberadas, essas ordens fluem de operação para operação, no mesmo sentido dos materiais. Em um sistema puxado, o controle é feito com base no estoque em processo, a ordem é emitida ao último estágio do sistema, e daí é passada para o estágio anterior sucessivamente. Ou seja, os materiais processados fluem do início para o fim (entrada para a saída), e as informações no sentido oposto (Figura 2). Figura 2 Produção empurrada e Puxada Fonte: TUBINO (1997) 21 Para Sipper e Bulfin (1997), uma característica que distingue os dois sistemas é a interdependência das operações. A interdependência recíproca é aquela na qual há duas vias de relacionamento entre os centros de trabalho: cada centro afeta e é afetado pelos demais adjacentes por meio do fluxo de materiais e informações. Esta é a base dos sistemas puxados. A interdependência seqüencial é aquela onde cada saída de uma operação é dependente do input de uma ou mais operações. Para isolar esta dependência, geralmente se usam estoques reguladores. Planejamento e Controle da Produção Para que se tenha o melhor emprego dos recursos de produção, assegurando assim, a execução do que foi previsto, é necessário planejar e controlar a produção, enquanto função em uma organização, segundo Slack et al (2008). Para Ackoff (1976), está planejando quem tenta antecipar-se ao futuro. A futuridade das ações presentes é exatamente o cerne do planejamento. A premissa que sustenta o planejamento é a idéia de que eventos indesejáveis podem ser reprimidos por uma postura pró ativa. Segundo Moreira (1999), o planejamento da produção é que lança as bases para as atividades gerenciais, a fim de delinear as ações que devem ser seguidas, e em que momento agir, para que se possa atingir os objetivos de uma organização. É importante ressaltar que só se pode planejar a partir do momento que a organização tenha bem definido seus objetivos, missão, visão e políticas. Controlar (a função produção), por sua vez, objetiva fazer com que ocorra o previsto nos planos organizacionais, atingindo os objetivos contidos naquele, ainda que não se confirmem os pressupostos do plano (SLACK et al, 2008). De posse dos conceitos de produção, planejamento e controle, dentro de uma perspectiva organizacional (que a partir de agora serão os considerados neste trabalho), é possível definir e conceituar Planejamento e Controle da Produção (PCP). De imediato, unindo as definições de produção (em um sistema produtivo), planejamento e controle, é razoável dizer que a função do Planejamento e Controle da Produção é projetar no futuro o objetivo organizacional, com foco convergente na missão e visãoda organização, para que se possa trilhar as ações gerenciais, dentro da política organizacional, e tendo como ferramenta de ajuste o controle do que foi planejado. 22 Diversos autores têm sugerido definições e conceitos para PCP, além de identificar seus objetivos. A seguir é possível acompanhar a definição de PCP, e os seus objetivos por alguns autores. Zacarelli (1979) denomina o PCP como Programação e Controle da Produção, definindo-o como “... um conjunto de funções inter-relacionadas que objetivam comandar o processo produtivo e coordená-lo com os demais setores administrativos da empresa". Já para Plossl (1985), PCP é denominado como Planejamento e Controle da Produção, e o objetivo do PCP é “fornecer informações necessárias para o dia-a-dia do sistema de manufatura, reduzindo os conflitos existentes entre vendas, finanças e chão-de-fábrica". Motta (1987) define PCP como a função administrativa que tem por objetivo fazer os planos que orientarão a produção, e servirão de guia para o seu controle. Segundo Burbridge (1988), o objetivo do PCP é proporcionar uma utilização adequada dos recursos, de forma que produtos específicos sejam produzidos por métodos específicos, para atender um plano de vendas aprovado. Chiavenato (1991) afirma que a função PCP é que planeja e programa a produção e as operações da empresa, bem como as controla adequadamente, objetivando aumentar a eficiência e a eficácia através da administração da produção. Do ponto de vista de Martins (1993), "o objetivo principal do PCP é comandar o processo produtivo, transformando informações de vários setores em ordens de produção e ordens de compra - para tanto exercendo funções de planejamento e controle - de forma a satisfazer os consumidores com produtos e serviços e os acionistas com lucros". Russomano (1995) define PCP como uma função de apoio de coordenação das várias atividades de acordo com os planos de produção, a fim de atender os programas preestabelecidos, com economia e eficiência. Para o autor, o objetivo do PCP é a ordenação dos recursos produtivos de modo a atingir os resultados desejados em termos de quantidade, qualidade, prazo e lugar. Tubino (2008) considera que o PCP é responsável pela coordenação e aplicação de recursos produtivos, de forma a atender da melhor maneira possível os planos estabelecidos em níveis estratégico, tático e operacional. Em suma, PCP é uma função de apoio gerencial, que utiliza informações das mais diversas áreas da organização, a fim de garantir a utilização eficiente dos recursos produtivos, coordenados de forma solidária, para que se tenham produtos (bens e serviços) em quantidade certa, com qualidade, segundo um método definido, nos prazos e locais certos e com o mínimo custo possível. 23 Níveis Hierárquicos do Planejamento e Controle da Produção Para que se possa desenvolver suas funções, o PCP é planejado em diferentes níveis hierárquicos. Sobre estes níveis são estabelecidos os planos do PCP (TUBINO, 2008). Segundo este mesmo autor, estes níveis hierárquicos são denominados de nível estratégico, tático e operacional. No nível estratégico tem-se o planejamento a longo prazo e a formulação do planejamento estratégico de produção, que gera um Planejamento de Produção. No nível tático têm-se os planos de médio prazo, como o Planejamento-Mestre de Produção e a criação do Plano-Mestre de Produção (PMP). Por fim, no nível operacional, que corresponde ao curto prazo, o PCP lida com a programação da produção, bem como executa o acompanhamento e controle da produção. Para Slack et al (2008) “estratégia é o padrão geral de ações e decisões que posicionam a empresa em seu ambiente, e que pretendem alcançar suas metas de logo prazo”. Por tanto planejar estrategicamente é traçar respostas rápidas e eficazes às ameaças e oportunidades que se oferecem à empresa, buscando melhorar suas vantagens competitivas, o que lhe permitirá sua sobrevivência. O impacto das ações estratégicas visa o cumprimento da missão da empresa, corroborando para a sua visão. Para Tubino (2008), a missão e a visão de uma empresa são, respectivamente, a definição do seu atual negócio e qual deverá ser em tempos futuros (bem definido). São utilizadas pelos gerentes para priorizar as ações dos gerentes e devem ser estendidas para todos os níveis hierárquicos dentro da organização: nível corporativo, nível da unidade de negócio e nível funcional. Ainda segundo o mesmo autor, o nível corporativo define a estratégia corporativa, que é global, indicando a área de negócio que a empresa atuará ao longo do tempo. No nível de unidade de negócio é definida a estratégia competitiva de cada unidade, caso haja mais de uma, demonstrando como seu negócio compete no mercado, rendimento esperado e quais táticas serão conduzidas para sustentar tal posição. Por fim, no nível funcional define-se a estratégia funcional de cada área da empresa, em ouras palavras, as políticas de produção, consolidando as estratégias corporativa e competitiva. Daí são gerados planos das três principais áreas da organização: Plano Financeiro, Plano de Marketing e Plano de Produção. A ênfase deste trabalho é dada ao Plano de Produção, devido aos objetivos pretendidos. O Plano de Produção é resultado de decisões estratégicas ligadas à produção e tem como objetivo alocar corretamente os recursos produtivos para as estratégias escolhidas. Além disso, por ser um plano de longo prazo, necessita de freqüentes reformulações para a 24 adaptação de variáveis que foram alteradas. Este trabalha com informações oriundas da área de vendas e produção (TUBINO, 2008). A elaboração do Plano de Produção deverá empregar ferramentas matemáticas e técnicas empíricas para a sua elaboração, e servirá de base para a elaboração do Plano-Mestre de Produção. O Planejamento-Mestre de Produção está em posição intermediária entre o nível estratégico e o nível operacional. Sua função é projetar no médio prazo o que foi traçado no plano de produção, com maior riqueza de detalhes, resultando no Plano-Mestre de Produção (TUBINO, 2008). Na elaboração do PMP todas as áreas têm maior envolvimento com a manufatura, tanto cedendo como recebendo informações do PCP. No Plano-Mestre de Produção são formalizadas todas as decisões tomadas acerca da necessidade de produtos acabados para cada período analisado (TUBINO, 2008). O PMP é obtido por um processo de tentativas, a partir de um PMP inicial, caso este não esteja adequado aos recursos disponíveis para sua execução, este é refeito, se este for viável, autoriza-se o plano. Os planos estabelecidos são efetuados com maiores detalhes no PMP a partir do constante no Plano de Produção. Deve ser salientado que as listas de produtos a serem fabricados, e as respectivas necessidade de materiais, são considerados de forma agregada. Planos contingenciais terão que ser pensados de forma que amorteçam leves desvios no PMP (STRUMIELLO, 1999; SLACK et al, 2008; TUBINO, 2008). No curto prazo realiza-se o detalhamento dos planos, avaliando a demanda de forma totalmente desagregada. (SLACK et al, 2008). Com a desagregação da demanda são definidos quais produtos produzir, a seqüência de suas operações e o momento exato de entrega. Neste nível de planejamento tornam-se difíceis mudanças significativas nas escalas dos recursos, sendo permitido apenas mudanças no mix de produtos (TUBINO, 2008). Ao fazer intervenções de curto prazo os gerentes estarão interessados em equilibrar a qualidade, rapidez, confiabilidade, flexibilidade e custos de suas operações ad hoc(caso-a-caso). Neste caso qualquer decisão será tomada, provavelmente, com base na experiência dos gerentes, dada a escassez de tempo para cálculos detalhados (SLACK et al, 2008). Segundo Moreira (2008), no nível operacional (curto prazo) estão a programação e controle do que foi previsto no PMP. Para elea programação da produção tem a função de definir quanto e quando comprar, fabricar e montar cada item necessário para a consecução dos produtos acabados previstos no plano. Estão dentro da programação da produção atividades de gestão de estoques, sequenciamento da produção e emissão de ordens. 25 Informações dos níveis hierárquicos do planejamento estão resumidas no quadro 2, que traz uma visão geral do inter-relacionamento das atividades de PCP, por autores distintos. Quadro 1 Atividades de Curto, Médio e Longo Prazo do PCP Fonte: Direne (2003). 26 2.2 ÁREAS DE INTERFACE COM O PCP As áreas que estão relacionadas de forma mais intensa com o PCP são, segundo Tubino (1997), Produção, Marketing, Finanças, Engenharia, Compras/Suprimentos, Manutenção e Recursos Humanos. A produção, segundo Tubino (1997), é área central do sistema produtivo. Slack et al (2008) afirmam que a produção (enquanto função) é responsável pela produção de bens e serviços para consumidores externos à organização. Marketing é a área da empresa responsável pelas vendas, além da divulgação dos bens e serviços disponibilizados pela empresa. Além das vendas e promoção dos produtos, a área de marketing é responsável por “captar” as necessidades do cliente e as fornecer à engenharia da empresa, para que sejam incorporadas nas características do produto (TUBINO, 1997). Segundo o mesmo autor, Finanças é responsável pela administração dos recursos financeiros, análise de investimentos, acompanhamento do fluxo de caixa e a provisão destes quando e onde forem solicitados. Engenharia é a área encarregada das funções técnicas do projeto e processos de fabricação e montagem dos produtos. A área de compras, segundo Slack et al (2008), está relacionada com a função de suprimentos de uma empresa, lidando com a preparação de pedidos e licitação e avaliação dos fornecedores, emissão dos pedidos formais de compras e o monitoramento destes. Manutenção é encarregada de manter os equipamentos, máquinas e toda infraestrutura, de modo geral, aptos ao uso (Tubino, 1997). A área de Recursos Humanos está encarregada de cuidar de todos os assuntos pertinentes aos trabalhadores da empresa, como recrutamento, treinamento, alocação, políticas salariais, relações trabalhistas, etc. (Tubino, 1997). É importante frisar que todas as áreas acima citadas estão de algum modo, ligadas ao PCP, seja como fornecedora de informações, seja como cliente do PCP. Russomano (1995) também define as áreas presentes numa organização, de forma pouco diferente da acima explicitada, no entanto ele divide a organização de acordo com o relacionamento dos gerentes com a direção (órgão da alta administração). A figura 3 ilustra esta abordagem. 27 Figura 3 Organização de uma Empresa Industrial Fonte: Russomanso (1995, p. 27) Pré-Requisitos do Planejamento e Controle da Produção Condição inquestionável para o funcionamento do PCP é ter uma estimativa de vendas, a partir daí todos os demais departamentos se movimentarão para cumprir a solicitação de vendas (RUSSOMANO, 1995). Previsão de demanda é definida por Moreira (2008) como um processo racional de estimação das vendas futuras de um item ou um conjunto de itens. Para realizar a previsão de demanda, os gerentes da organização farão uso de ferramentas matemáticas (métodos quantitativos), baseadas em acontecimentos do passado, e a experiência acumulada (métodos qualitativos). Existem diversos métodos (numéricos) de previsão de demanda, porém, não serão abordados neste trabalho, por estarem além de sua proposta. Segundo Russomano (1995), outros dois pré-requisitos são indispensáveis ao PCP: o roteiro da produção e o planejamento da capacidade. O primeiro é o conhecimento detalhado 28 do produto em todos seus componentes e processos, sendo tarefa de Engenharia, que determina quais componentes são comprados e quais são fabricados, especificando os métodos de fabricação destes. O segundo pré-requisito, planejamento da capacidade, consiste fundamentalmente em conciliar as perspectivas de vendas com a capacidade da fábrica e dos recursos financeiros, materiais e humanos disponíveis (MOREIRA, 2008). Assim, em uma visão geral, os pré- requisitos do PCP consistem basicamente em saber o que se deseja alcançar e, para tanto, o que se tem disponível. A partir daí são tomadas decisões inerentes ao PCP. Funções do Planejamento e Controle da Produção O PCP de forma orgânica, apoiando os departamentos de Vendas e Produção no planejamento e na coordenação de suas ações, com a finalidade de que sejam cumpridos e atingidos todos os resultados previamente estabelecidos, exercendo as seguintes funções, de maneira geral (RUSSOMANO, 1995): • Gestão de estoques de matéria-prima e insumos; • Emissão das ordens; • Programação e controle das ordens de fabricação; • Movimentação das ordens de fabricação da produção; • Controle e acompanhamento da produção. Os estoques são tratados como amortecedores das contingências do sistema produtivo. Cisotti (2007) afirma que os estoques podem ser classificados como: estoque de matéria- prima, estoque de produtos de processos, estoque de produtos acabados, estoque de trânsito e estoque de consignação. Para o mesmo autor, é extremamente importante que o administrador saiba que tipo de estoque está manuseando, sob pena de não obter bons resultados na administração de estoques. Segundo Dias (1993), a administração de estoques tem por função minimizar o capital total investido em estoques, aumentando o uso eficiente dos meios internos da empresa. Neste caso, a função PCP se preocupará em manter a produção abastecida de todos os materiais que esta precisar da forma mais econômica. Portanto, precisa estar em contato permanente com a emissão de ordens (RUSSOMANO, 1995). Hoje é comum o uso de softwares de produção para desempenhar a função de gestão de estoques. 29 A Emissão de Ordens, segundo Russomano (1995), consiste na emissão e liberação das ordens de fabricação, montagem e compras, que permitirão aos diversos setores da empresa executar suas atividades de forma coordenada, no sentido de atender ao PMP projetado para o período em questão. Uma ordem de fabricação, montagem ou compras deve conter as informações necessárias para que os setores responsáveis possam executar suas atividades. A programação das Ordens de Fabricação estabelece a ocasião em que serão efetivadas as operações de fabricação a que serão submetidas as peças componentes do produto final. (RUSSOMANO, 1995). Segundo o mesmo autor, Movimentação das Ordens de Fabricação visa servir de canal para se obter informações do que foi fabricado, podendo também ser encarregada de prover retirada de matéria-prima, liberação de ordens de fabricação, contagem, transferência e entrega do produto acabado. O acompanhamento e controle da produção, como já explicitado, tem função de comparar o planejado com o efetivado, tomando as providencias para as eventuais correções (RUSSOMANO, 1995). A figura 2.3 ilustra um esquema de produção e fluxo de informações. Figura 4 Esquema de Produção e Fluxo de Informações Fonte:Adaptado de Russomano (1995, p. 53) O uso do planejamento e controle da produção é orientado pelo tipo de produção, se contínua, intermitente ou por projetos especiais. Logicamente, como já mencionado, poderá haver sistemas de produção mistos, que comportam em si mais de um tipo de produção. Neste caso a cada tipo de produção terá, para si, um tipo de PCP (RUSSOMANO, 1995). Os tipos 30 de PCP estão listados abaixo, e trazem consigo o tipo de produção a que é recomendado, segundo Russomano (1995): • PCP por Ordem – considerado o mais complexo, é recomendado para sistemas que comportam produção intermitente. • PCP por Projeto – é recomendado para sistemas que utilizam produção por projetosespeciais. É notório que neste tipo de produção cada projeto terá suas características individuais e, por tanto, exigirá um PCP específico. • PCP por Fluxo – é indicado para indústrias contínuas que desenvolvem sua função de PCP sob condição de extrema repetição e variedade de produtos pequena, por tanto, este tipo de PCP mais simples é suficiente para atender suas necessidades. 2.3 FERRAMENTAS CLÁSSICAS DE PCP No desempenho de suas funções o Planejamento e Controle da Produção faz uso de determinadas ferramentas. A seguir á discorrido sobre as quatro ferramentas clássicas de PCP. 2.3.1 Roteiro Nessa fase, determina-se quem fará as operações, onde elas serão feitas e os tempos unitários de fabricação do produto para cada uma das operações. Para RUSSOMANO (1995), o roteiro da produção tem a função de determinar o melhor método de produção das peças, dos subconjuntos e da montagem dos vários produtos acabados que a fábrica produz, além de determinar o tempo-padrão de preparação e de operação das máquinas. As decisões baseadas no roteiro de produção são: fabricar ou comprar, fluxo de montagem, forma e tamanho da matéria-prima, divisão do trabalho a ser feito, escolha da máquina na qual o trabalho será feito, seqüência das operações e escolha do ferramental. 31 2.3.2 Programação Essa ferramenta determina os tipos e as quantidades dos produtos que serão fabricados, baseados nos pedidos recebidos dos clientes, nas previsões de vendas, ou em ambos. Chiavenato (1991) define a programação como o detalhamento do plano de produção, para que ele possa ser executado de maneira integrada e coordenada pelos diversos órgãos produtivos e demais órgãos de assessoria. Conforme Russomano (1995), essa fase, por ele denominada de planejamento da produção, consiste no acerto do programa de produção para um determinado período a partir das perspectivas de vendas, da capacidade de produção e dos recursos financeiros disponíveis. A atividade de programação determina o momento de início e fim das atividades a serem cumpridas, além do volume de produção alocado, ocorrendo em várias fases das atividades de planejamento da produção (SLACK et al, 2008). A complexidade da atividade de programação, claramente, aumenta diretamente com o aumento do número de operações a desempenhar, o número de máquinas a programar e processos de modo geral. De posse de informações tais como: disponibilidade de equipamentos, matérias-primas, operários, processo de produção, tempos de processamento, prazos e prioridade das ordens de fabricação; as ordens de fabricação poderão ser distribuídas aos centros produtivos onde será iniciada a execução do PMP. Segundo Martins (1993), os objetivos da programação e sequenciamento da produção são : • aumentar a utilização dos recursos; • reduzir o estoque em processo; • reduzir os atrasos no término dos trabalhos Para Resende (1989) a programação acontece em três níveis: • Programação no nível de planejamento da produção - é realizada na elaboração do PMP, quando se procura encontrar as quantidades de cada tipo de produto que deve ser fabricado em períodos de tempo sucessivos. • Programação no nível de Emissão de Ordens - acontece durante o processo de planejamento de materiais, onde determina, com base no PMP, quais itens devem ser reabastecidos e suas datas associadas de término de fabricação e chegada de fornecimento externo. 32 • Programação no nível de Liberação da Produção - determina para cada ordem de fabricação, quando é necessário iniciar a fabricação e quanto é preciso trabalhar em cada uma das operações planejadas. Isso é possível pelo conhecimento do tempo de passagem de cada componente, o qual contém o tempo de processamento e de montagem de cada operação, os tempos de movimentação e espera existentes entre cada operação. Segundo Slack et al (2008) a programação pode ser realizada para frente ou para traz, ambos trazem suas vantagens e desvantagens, além de cada situação merecer especial atenção em relação a este assunto. Por exemplo, para sistemas produtivos que utilizam MRP e Just-in- time, a programação para traz seria mais recomendada, em tese. As vantagens de cada tipo de programação podem ser visualizas no Quadro - 2. Vantagens da programação para frente Vantagens da programação para trás Alta utilização de pessoal - os trabalhadores sempre começam a trabalhar para manter-se ocupados Custos Mais Baixos com Materiais - Os materiais não são utilizados até que eles o tenham que ser, retardando assim o agregar de valor até o último momento. Flexível - As folgas de tempo no sistema permitem que trabalhos inesperados sejam programados Menos exposto a riscos, no caso de mudança de programação pelo consumidor Tende a focar a operação nas datas prometidas ao consumidor. Quadro 2 Vantagens da Programação Para Frente e Para Trás Fonte: Slack (2008 p. 332) 2.3.3 Seqüenciamento As atividades de curto prazo do PCP são distintas para a produção puxada e empurrada, sendo na produção puxada os funcionários responsáveis por estas atividades com o uso do sistema kanban. Já nos sistemas tradicionais de empurrar a produção se faz necessário definir, a cada programa de produção, seu seqüenciamento (RODRIGUES, 2003). O Seqüenciamento é a atividade de PCP que lida com decisões sobre qual a melhor ordem de execução das tarefas, através da analise de alguns fatores pré-definidos, segundo Slack et al (2008). 33 Tubino (2008) afirma que o seqüenciamento da produção leva em conta, como informações mais importantes nas suas decisões, dados referentes aos tempos de processamento e as datas de entrega, que podem ser estabelecidos com base nas informações de produtos finais ou lotes individualmente. De acordo com o mesmo autor, a complexidade e o dinamismo do seqüenciamento dependem do sistema produtivo. Em um extremo, como exemplo de sistema mais simples, está o seqüenciamento de um sistema do tipo contínuo, que possui as opções de produtos e processos reduzidos, restando à programação da produção a determinação do volume de produção, focando na gestão de estoques e/ou logística. No outro extremo têm-se os sistemas de produção por projeto, ou encomenda, que a cada caso, seqüências e emissões de ordem terão que ser feitas. Na Figura 5 é possível visualizar a relação da programação e seqüenciamento da produção com alguns sistemas produtivos. Figura 5 Programação e Seqüenciamento da Produção e Sistemas Produtivos Fonte: Tubino (2008, p. 102) Há três formas, geralmente utilizadas, de se estimar a eficiência do seqüenciamento: em termos do lead time médio, o atraso médio e o estoque em processo médio (RODRIGUES, 2003). Para Tubino (2008), não há regras que sejam eficientes em todas as situações, porém nada substitui um bom PMP e a utilização equilibrada dos recursos produtivos. Se o sistema não tiver capacidade de produção suficiente, não será uma boa regra de decisão que resolverá o problema de atendimento ao cliente. Alguns métodos de seqüenciamento são dispostos no Quadro 3. 34 Quadro 3 Algumas regras de Seqüenciamento Fonte: Tubino (2008, p. 117) 2.3.4 Controle Iniciada a produção, a fase do controle trata de acompanhá-la em todos os seus aspectos para que os planos sejam executados, ou devidamente modificados, quando surjam imprevistos que impossibilitem sua realização, conforme já abordado anteriormente. Segundo Zacarrelli (1979), há dois tipos de controle usados para orientar eventos de acordo com os planos: Acompanhamento e Controle de Estoques. Acompanhamento são os controles que orientam os eventos a seguir aquilo que foi definido nos planos, ordens ou “planos diários”. O Controle de Estoques é usado para assegurar que o nível dos estoquesse mantenha dentro dos limites razoáveis. Portanto, o controle da produção deve ser administrado de tal forma que faça com que o investimento ou estoque seja mantido em um nível ótimo e o controle de estoque seja somente um controle secundário, cuja principal função é dar o alarme quando algo está fora do previsto. O objetivo principal do controle da produção é atingir a meta definida pelo marketing no plano de vendas. Dentro dessas limitações, o controle tem por objetivo secundário a consecução de integração otimizada entre o uso da mão-de-obra, dos equipamentos e do capital (Biazin & Godoy, 2000). 35 2.1.4 Vantagens do Uso da Função PCP O PCP pode oferecer uma gama de vantagens, no entanto é importante destacar que não existe um PCP globalmente recomendado nem benefícios deste que possam ser usufruídos por todas as organizações. Como o PCP é uma função gerencial, ligada a diversas áreas da empresa, com sua atuação voltada para a função produção, visando à coordenação das atividades empresariais de forma “enxuta”, o PCP deve ser adequado a cada nova realidade, em especial nas MPEs, pois estas carecem de atenção especial no tocante à atuação estratégica da função produção, de modo econômico e que não lhe furte a flexibilidade. Dos diversos objetivos, requisitos e funções do PCP é possível extrair alguns benefícios que emanam da aplicação sistematizada da função PCP em uma empresa. Da gestão de materiais, que, como já tratado, objetiva a gestão eficiente dos estoques, advém a redução dos níveis de estoque na empresa, reduzindo áreas ocupadas com o armazenamento dos estoques, adquirindo o suprimento de matéria-prima por lotes econômicos e reduzindo os custos de gestão de estoques e, logicamente, implicando na redução dos custos globais de estoque. Com a racionalização da produção é possível tornar o processo de produção mais eficiente, o que por sua vez reduzirá os níveis de falhas, retrabalhos, manuseio de materiais e eliminação de tarefas desnecessárias no processo, contribuindo para menor necessidade de inspeções de controle da qualidade. Do caráter integrador do PCP há uma comunicação mais efetiva intra e extra empresarial, tendo por conseqüências melhor relacionamento e uma série vantagens, como melhores negociações de preços e prazos, maior flexibilidade, maior confiabilidade junto ao cliente, melhor adaptação às mudanças no ambiente, etc. Da interação dos benefícios citados, e outros mais, surgem mais outros diversos benefícios, como emprego mais eficiente dos recursos produtivos, maior índice global de produtividade, maior receita e lucratividade. Explicitando os benefícios citados, é possível listar em tópicos alguns benefícios que o PCP pode oferecer: • Redução dos níveis de estoques (e por conseqüência redução de custos de estoque); • Redução das inspeções de controle de qualidade; • Redução dos índices de falhas e retrabalho; • Redução do manuseio de materiais; 36 • Eliminação de procedimentos que não agregavam valor ao processo; • Maior integração entre as áreas da empresa; • Maior integração com os fornecedores e, por conseqüência, obtenção de mais vantagens na compra de matéria-prima (preço e prazo); • Maior eficiência e eficácia no emprego dos recursos da empresa; • Maior agilidade na reação às mudanças no ambiente, baseada no melhor desempenho global da empresa; • Maior confiabilidade junto ao cliente; • Maiores índices de produtividade global; • Maior Lucratividade 2.4 AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO SETOR DE ALIMENTOS 2.4.1 Definição de Micro e Pequena Empresa Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2001), não há unanimidade sobre a delimitação do segmento das Micro e Pequenas Empresas (MPEs). Observa-se, na prática, uma variedade de critérios para a sua definição tanto por parte da legislação específica, como por parte de instituições financeiras oficiais e órgãos representativos do setor, ora baseando-se no valor do faturamento, ora no número de pessoas ocupadas, ora em ambos. A diversidade de conceitos emana do fato de que a finalidade e os objetivos das instituições que promovem seu enquadramento são distintos (regulamentação, crédito, estudos, etc.). O Quadro 4 sintetiza os critérios adotados para enquadramento de micro e pequenas empresas no Brasil. 37 Quadro 4 Critérios Adotados Para Enquadramento de Micro E Pequenas Empresas No Brasil Fontes: IBGE (2001). O critério de classificação das MPE's por número de pessoas ocupadas não leva em conta as diferenças entre atividades com processos produtivos distintos, uso intensivo de tecnologia da informação (Internet, e-commerce, etc.) e/ou forte presença de mão-de-obra qualificada, podendo ocorrer em algumas atividades a realização de alto volume de negócios com utilização de mão-de-obra pouco numerosa, como é o caso do comércio atacadista, das atividades de informática e dos serviços técnico-profissionais prestados às empresas (atividades jurídicas, de contabilidade, consultoria empresarial, etc.). A classificação adotada neste trabalho será a sugerida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE, 2009), que classifica Micro Empresa como sendo aquela que emprega até 19 funcionários, na indústria e construção, ou até 9 funcionário no setor de comércio e serviços. A classificação como Pequena Empresa, segundo o mesmo órgão, é caracterizada como sendo a empresa que emprega de 20 a 99 funcionários, na indústria e construção, e de 10 a 49 funcionários, no setor de comércio e serviço. Ainda segundo o SEBRAE (2009), o conceito de “pessoas ocupadas” abrange não somente os trabalhadores, mas também o proprietário, como forma de dispor o número de micro unidades como fator gerador de renda para seus proprietários. Existem ainda outros diversos métodos de classificação de empresas quanto ao porte, como por exemplo, o disposto no Estatuto das Micro e Pequenas Empresas de 1999 (atualizado pelo decreto nº 5.028/2004 de 31 de março de 2004), que é adotado por programas de créditos do governo federal em apoio às MPEs. Assim, cada classificação tem uma finalidade específica (SEBRAE, 2009). 38 2.4.2 Características das Micro e Pequenas Empresas Segundo Lethbridge (1997), as políticas de apoio às micro e pequenas empresas, adotadas há mais de trinta anos nas nações desenvolvidas, é uma das formas de compreender o porquê destas terem, atualmente, uma economia sólida e distribuição de renda mais equilibrada. Um exemplo clássico disto é o Japão, que hoje lidera a corrida tecnológica industrial e se tornou a segunda potência econômica mundial. Nesse país, em 1947, já se difundiam uma série de medidas de apoio, entre as quais se destacam as financeiras e de crédito para financiamento de projetos de longo prazo. Na Itália, hoje se verifica que cerca de 70% do PIB vêm das pequenas empresas, que realizam ainda em torno de 18% das exportações e representam cerca de 25% das empresas de toda a Europa (LETBRIDGE, 1997). Ainda segundo o mesmo autor, a Alemanha, terceira força econômica mundial, tem nos empreendimentos de pequeno porte parte de seu sucesso. Apesar de o apoio alemão ao setor ter se intensificado na década de 1970, já existe hoje uma gama de programas disponíveis para os pequenos empresários. É interessante ressaltar que o país tem um plano de pesquisa e tecnologia voltado especificamente para as MPEs, destinando de 25% a 30% dos gastos federais às empresas deste escopo (LETBRIDGE, 1997). A tabela 2 ilustra a situação das MPEs em alguns paises. Tabela 2 As MPE na economia mundial. País Participação Austrália 71% da mão-de-obra e 99% das empresas constituídas Chile 80% da mão-de-obra e 20% do produto interno bruto Dinamarca 36% da mão-de-obra e 44% do produto interno bruto Espanha 80% da mão-de-obra e 51% do produto interno brutoEUA 51% da mão-de-obra e 51% do produto interno bruto Grécia 86% da mão-de-obra Irlanda 70% da mão-de-obra e 98% das empresas constituídas Itália 38% das exportações e 98% das empresas constituídas México 37% da mão-de-obra Reino Unido 56% da mão-de-obra e 40% das empresas constituídas Suíça 75% da mão-de-obra e 99% das empresas constituídas Tailândia 60% da mão-de-obra e 85% das empresas constituídas Fonte: Jacintho (2005. p. 64, apud Ortigara, 2006) No caso brasileiro, apesar de se iniciar na década de 1970, somente a partir da década de 1980 intensificou-se a discussão em torno do assunto. A partir da metade de 1994, com a 39 implantação de mais um plano monetário de estabilização financeira, surgiu um novo contexto com o qual as micro e pequenas empresa passaram a se defrontar, como controle da inflação via limitação do consumo doméstico, elevada carga tributária e elevadas taxas de juros. O fenômeno da inflação, nesta época, foi diagnosticado pela equipe econômica do governo como tendo sido provocada, eminentemente, por excesso de demanda. Nesse sentido, a alternativa técnica encontrada foi a limitação do consumo via, principalmente, restrição ao crédito e abertura do mercado a produtos de origem estrangeira. Tal fato limitava a competitividade dos produtos nacionais em virtude de os produtos importados serem, em muitos casos, de qualidade igual ou superior, forçando o preço do produto nacional a baixar (PANDOLFO; VELOSO, 2000). Já as elevadas taxas de juros praticadas no mercado, contribuíram de forma marcante para a redução do impulso de crescimento produtivo em razão do desestímulo a novos investimentos. Atrelado aos fatores, anteriormente mencionados, pode se destacar a elevada carga tributária, que tende a reduzir a competitividade do produto nacional frente ao importado. Esse mercado conturbado aumentou, hipoteticamente, o alto índice de mortalidade das MPEs. De acordo com estudos desenvolvidos por Degen (1989), 85% das MPEs não ultrapassavam cinco anos de existência. Segundo pesquisa realizada pela Babson College e pela London Business School, que afirma que o Brasil tem um bom potencial empreendedor, também alega que no Brasil a maioria das empresas é criada por necessidade e não por oportunidade (GEM, 2005). O que em muitos casos implica no fato que os empresários empreendem quando perdem um emprego ou quando necessitam aumentar suas fontes de renda, não possuindo, portanto, preparo suficiente para tal desafio. Esta tese, de empreender não baseado prioritariamente em oportunidades, mas sim por outros motivos, é confirmada pelo SEBRAE (2007), no levantamento dos fatores condicionantes de sobrevivência e mortalidade das MPEs no Brasil, no período de 2000 a 2005, conforme ilustrado na Tabela 3. 40 Tabela 3 Motivos para a constituição da Empresa Fonte: SEBRAE (2008) Atualmente a situação das MPEs vem melhorando sobremaneira. Dados do IBGE divulgados em relatório do SEBRAE (2007) apontam que as taxas de sobrevivência e mortalidade das empresas, no período do 2000 a 2005 vêm, respectivamente, aumentando e diminuindo. Em 2005 as empresas com até dois anos tiveram taxa de sobrevivência de 78%, o que representa um incremento de 27,4% em relação à taxa de 50,6% em 2002. Pode-se atribuir esse resultado a dois importantes fatores: a maior qualidade empresarial e a melhoria do ambiente econômico. A redução e o controle da inflação, a gradativa diminuição das taxas de juros, o aumento do crédito para pessoas físicas e o aumento do consumo, especialmente das classes C, D e E, propiciaram um período favorável ao desenvolvimento dos pequenos negócios no Brasil. Os empresários, atualmente, estão mais bem qualificados e com experiência, obtida, em sua maioria, em empresas privadas. Apresentam-se mais bem preparados para enfrentar os desafios do mercado, quando se observa que o percentual de empresários que identificou uma oportunidade de negócio cresceu de 15% no triênio passado para expressivos 43% em 2005 (SEBRAE, 2007). 41 Ainda segundo o mesmo órgão, o perfil dos empresários é idade média de 38 anos, 79% deles com curso superior completo ou incompleto, 51% com experiência anterior em empresa privada, 60% com algum conhecimento do ramo de negócio, ou seja, estão mais bem preparados para enfrentar os desafios do mercado com embasamento e maturidade. Apesar dos micro e pequenos empresários estarem fazendo maior esforço para buscar capacitação junto às empresas de consultoria e órgãos de apoio, algumas características ainda são fortes, no perfil das MPEs. Anholon et al (2007) em estudo realizado, buscando identificar na literatura e confrontar com a prática algumas características encontradas nas MPEs do Brasil, classificaram como pontos fracos e pontos fortes algumas destas características inerentes àquelas empresas. Os pontos fortes indicados por Anholon et AL (2007) são os seguintes: • Influência das relações de parentesco nas atribuições de cargos e tarefas; • Falta de planejamento estratégico, visão e missão, confusão entre a pessoa física do empresário e a pessoa jurídica da empresa; • Reduzida capacidade administrativa do empresário; • Falta de conhecimento do mercado em que a empresa está inserida; • Relação inadequada com fornecedores; • Má gestão do setor produtivo; • Pedidos acima da capacidade produtiva; • Política de recursos humanos não definida; • Falta de recursos de informática; • Ausência de marketing interno; • Falta de uma visão de melhoria contínua. Também foram indicados alguns pontos fortes inerentes às MPEs, quais sejam: • Maior flexibilidade em relação às grandes empresas; • Caráter mais empreendedor; • Comunicação mais efetiva entre subordinado e superior; • Contato mais próximo com o cliente. Para Pereira et al (2008), o processo de gerenciamento nas MPEs se distancia de um processo lógico ordenado, devido à existência dos fatores negativos acima listados, ou seja, o processo de planejamento é afetado por ser realizado de forma empírica (às vezes precária), 42 utilizando recursos de tabulação de informações defasados e dificultados pelo caráter difuso dos objetivos organizacionais. O controle é, então, prejudicado, devido à falta de planejamento, e consequentemente, uma sistematização do processo de controle. O que, em princípio deveria servir como estrutura de referência para a atividade de planejamento e controle, submete-se ao comportamento assintomático do micro ou pequeno empresário, promovendo um desgaste interno que resulta num desempenho abaixo do esperado e muitas vezes, por conseqüência, na morte prematura das organizações. Muitas das características da MPEs, se projetam sobre a indústria de alimentos, principalmente por esta ter seu parque industrial composto em grande parte por micro empresas. Sendo assim, a seguir á feita uma explanação da indústria de alimentos. 2.4.3 A Indústria de Alimentos no Contexto Internacional Em linhas gerais, pode-se dizer que a situação mundial, em relação à abertura para circulação de produtos internacionais, está mais favorável à integração dos paises em desenvolvimento com os paises desenvolvidos. Segundo Guilhem (2009), as taxas de exportações de países em desenvolvimento para países desenvolvidos são, em média, quatro vezes maiores que as exportações de outros países desenvolvidos. Ainda segundo Guilhem (2009), esta integração das diversas nações culminou na formação de blocos regionais, o que dotou as nações de maior poder de barganha de preços e qualidade. Isto fez com que os consumidores se preocupassem mais com a segurança alimentar, saúde, impactos ambientais (ecológicos) e sociais da produção de alimentos, o desenvolvimento sustentável e os recursos naturais. Entre tais elementos, a segurança alimentar e as questões relacionadas à saúde, sãoelevados à posições de significativo destaque. Becattini (1994) avigora que aspectos relacionados à qualidade e segurança do produto, no caso específico da indústria de alimentos, passaram a ser importantes, em atenção aos consumidores, principalmente aqueles de faixa de renda mais elevada, que passaram a demandar produtos alimentícios com mais atributos (congelados, pronto para consumir, naturais e lights e diets). Barzel (1982) e Wedekin e Neves (1995) reforçam a idéia e detalham que o novo comportamento do consumidor é marcado pelo surgimento de novos paradigmas 43 de consumo: diferenciação por meio de aspectos qualitativos; interação entre consumo de alimentos e o meio ambiente e a valorização da saúde. Wedekin e Neves (1995) chamam atenção para o forte impacto que as alterações listadas, bem como mudança no estilo de vida do consumidor produziram, gerando novas demandas na indústria de alimentos. Estas mudanças surtiram efeitos sobre as firmas do setor, como por exemplo, intensa competição por fatias do mercado, menor ciclo de vida dos produtos, profusão de novos lançamentos, modificações nas tecnologias de produção, transporte e embalagens, novos modos de compra e consumo, novos modos de comunicação com o consumidor final e segurança do consumidor. Silveira e Lepsch (1997) afirmam que este quadro culminou em novas exigências de estratégias do setor, no que se refere à inovação. Já para Sutton (2003), a maior concentração de mercados acabou por desembocar em competição de preços, uma vez que colocou frente a frente empresas anteriormente isoladas. Ao fim do século XX, o setor alimentício, em toda a sua cadeia, passou a experimentar uma crescente oligopolização dos mercados via extensivo número de fusões, aquisições e joint ventures (empreendimento conjunto). Em outras palavras, esta parece ser também a principal característica da internacionalização das empresas que atuam ou efetivamente se referenciam neste contexto. A liberalização do comércio e a integração das economias nas últimas décadas parecem ter atuado como principais fatores da crescente concentração de mercados no planeta, considerando o plano econômico (GUILHEM, 2009). 2.4.4 A Indústria de Alimentos no Contexto Nacional No Brasil, a indústria de alimentos tem passado por diversas mudanças, muitas delas sendo correlacionadas às instabilidades financeiras, a que foi submetido o país, e no processo de globalização, o que gerou um novo padrão de consumo nos consumidores, tornando-os mais exigentes. Porém, em todas as fases da mudança, a indústria alimentícia tem se mostrado significante colaboradora para o desenvolvimento do país. Para Birchal (2005), uma indústria é tanto mais importante quanto maior for a sua geração de valor agregado e de empregos. Segundo o mesmo autor, a indústria alimentícia foi um dos principais setores responsáveis pelo primeiro surto industrial no Brasil, ocorrido nas 44 últimas décadas do século 19. Na Tabela 4 é possível acompanhar a progressão dos principais setores industriais no Brasil, no período de 1919 a 1992. Tabela 4 Distribuição Percentual do Valor Agregado Bruto dos Principais Setores Industriais Brasileiros (1919-1992) Fonte: Adaptado de Baer (2002, pp.61, 87 e 404). É possível ver na tabela 2.3 que após a primeira guerra mundial, o setor de alimentos era o de segunda maior contribuição, em valor agregado bruto, ficando apenas atrás do setor têxtil. O setor alimentício chegou ao seu ápice em 1939, contribuindo com quase um quarto do valor agregado bruto. Até o início da década de 1950, a produção de alimentos é um dos dois principais setores industriais, ao lado da indústria têxtil. Porém, à medida que a industrialização no Brasil se aprofundava, e o parque industrial se tornava mais complexo e diversificado, o peso relativo da indústria alimentícia diminuía, chegando ao seu valor percentual mais baixo em 1980. Segundo Seifert Júnior (2004), a indústria de alimentos passou, no final do último século, por três fases distintas de mudança: na década de 1970 ocorreu a modernização das indústrias de alimentos, na década seguinte consolidou a importância das organizações agroindustriais e na década de 1990 a completa alteração do cenário da indústria de alimentos com a abertura comercial, eliminando a proteção de diversos produtos agroindustriais. Com isso, novos padrões de qualidade, produtividade e eficiência foram delineados, tal como no contexto internacional. Segundo Baer (2002), ao se iniciar o processo de abertura e reestruturação da economia brasileira na década de 1990, a produção de alimentos, apesar de passando por um profundo ciclo de reestruturação, era a principal indústria no Brasil em valor bruto agregado. Ao fim da década de 1990, a indústria alimentícia constituía-se no maior parque industrial 45 brasileiro e a sua produção representava 14% da produção industrial brasileira, percentual maior do que o da indústria do petróleo. Além de expressiva participação na produção nacional, também na absorção de mão- de-obra a indústria alimentícia colaborou significativamente, ao longo do século XX. Na década de 1940, cerca de 18% da mão-de-obra industrial no Brasil estava alocada na indústria alimentícia. Este percentual caiu ao longo das décadas que sucedem a Segunda Guerra Mundial até meados da década de 1980, similarmente ao movimento que se observou no valor agregado bruto da indústria brasileira. Como mostra a Tabela 5, da década de 1950 à de 1980 o percentil de mão-de-obra industrial no país caiu de 14% a 12%. A partir de 1985, porém, o percentual de pessoas empregadas na produção de alimentos retorna ao patamar de 18%, declinando ligeiramente ao longo da década de 1990. Mesmo assim, ao final da década de 1990 a indústria empregava cerca de 17% da mão-de-obra industrial brasileira. Porém, uma consideração sobre o trabalho informal deve ser feita, de acordo com a McKinsey (1999), de cada cinco trabalhadores da indústria alimentícia nos anos de 90, um não tinha carteira assinada. Tabela 5 Absorção da mão-de-obra pela Indústria Alimentícia Brasileira Fonte: adaptado de: Birchal (2005) Em análise comparativa, Birchal (2005), equiparou a produção média da indústria alimentícia brasileira (em valor monetário) com a produção média das demais empresas brasileiras. Foi constatado que no período de 1939 a 1999, a produção do setor alimentício apresentou declínio, entre as décadas de 1939 (representando 93% do valor da produção média nacional) e 1980 (59%), passando a crescer a partir do ano de 1985 (73%), até o último ano do período analisado (112%). 46 Análise semelhante foi realizada pelo mesmo autor a fim de ilustrar a progressão da absorção da mão-de-obra, chegando à Tabela 6. Analisando os dados das Tabelas 5 e 6 pode- se inferir que, ao final dos anos 90, a indústria alimentícia teve seu porte aumentado, tanto em termos de valor da produção quanto em termos de pessoal ocupado. Tabela 6 Número de Empregados: Média de Empregados por Empresa Brasileira e Média de Empregados por Empresa da Indústria Alimentícia, 1940-1999. Fonte: Birchal (2005) Neste contexto nacional das indústrias de alimentos, a oferta de produtos se tornou substancialmente mais heterogênea, especialmente quando consideradas as mudanças no consumo de alimentos na última década. O aumento na demanda por produtos de maior valor agregado e complexidade, em composição com os novos hábitos de alimentação, intensificaram as pressões por ampliação e diversificação na gama de produtos ofertados (TROCCOLI, 1996; PAULA, 1997). Pode-se deduzir que esta mudança seguiu a tendência nacional. Ghezan (1997) observa que há crescente heterogeneidade estratificada quanto ao atendimento das necessidades de consumo e diferenciação de produtos e estratégias de mercado segundoníveis de renda. Da mesma forma, o crescimento da população jovem, com hábitos urbanos, e a redução do número de membros nas famílias, fomentaram a segmentação do mercado e a diversificação de produtos no mercado. Com isso ampliou-se a demanda por alimentos em porções individualizadas, congelados, prontos e semi-prontos. Além disto, os consumidores se tornaram mais exigentes quanto a aspectos dietéticos e nutricionais. Em outras palavras, observa-se que o consumidor passou a ter papel muito mais incisivo no grau de influência para a indústria de alimentos nacional, entretanto, ainda menor que os observados no contexto internacional. Fatores como produtividade e redução de custos 47 para garantir preço baixo e lucratividade, ainda parecem ser dominantes na indústria brasileira (GUILHEM, 2009). Sequencialmente, o quadro de forte instabilidade econômica no país, vivenciada, principalmente, na década de 1990, foi se alterando. Em 2000, face à redução nas taxas de juros, já se notava pequena expansão da produção industrial e das exportações, dando sinais de reaquecimento econômico. Em 2001, as exportações ultrapassam as importações após seis anos de consecutivos de déficits na balança comercial (GUILHEM, 2009). Fatores como baixa inflação, programas sociais (como o Bolsa Escola), reajuste do salário mínimo e previdência contribuíram para o desenvolvimento do mercado alimentício. A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF, 2002/2003), realizada pelo IBGE (2004) mostra que, em 30 anos, o brasileiro reduziu o consumo de gêneros tradicionais como arroz, feijão, batata, pão e açúcar e aumentou o consumo de alimentos processados, como iogurte, refrigerante de guaraná e alimentos preparados. Por outro lado, segundo a POF, o consumo de refeições fora do lar no Brasil é de aproximadamente um quarto do consumo total das famílias. É importante destacar que no período de 1994 até início de 2005, a indústria de alimentos brasileira (incluindo a de bebidas) observou 109 atos de concentração, isto é, fusões e aquisições, analisados pelo Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC). segundo informações da SEAE (Secretaria de Acompanhamento Econômico), do Ministério da Fazenda, muitos destes processos passando despercebidas pelo consumidor (parte da estratégia utilizada consiste em manter a marca da empresa adquirida para não afetar a relação com o consumidor). Em 2005, apesar da pequena taxa de crescimento do PIB brasileiro (2,3%), o faturamento da indústria alimentícia foi recorde: R$ 184,2 bilhões, superior em quase 5% em relação a 2004, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA). No tocante ao porte das empresas, e algumas das suas características, o Balanço Anual 2005 da ABIA demonstrou que o setor alimentício possui 40,7 mil empresas formais, sendo 85% delas microempresas e apenas 0,9% grandes empresas. As maiores empresas do setor são as responsáveis pelos investimentos de grande porte e pela P&D. Em volume de vendas, as três maiores companhias do setor (excluindo a produção de bebidas alcoólicas) possuem controle acionário externo, mas a partir da quarta posição já aparecem as grandes empresas brasileiras, invariavelmente do setor de carnes e derivados. Os investimentos realizados em 2005 foram estimados pela ABIA em 2,5% do faturamento, dos quais 1,5% destinaram-se à aquisição de equipamentos e plantas produtivas, 0,7% a marketing e 0,3% à P&D. 48 Observando-se os dados da última Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica do IBGE (Pintec, 2003), verifica-se que a taxa de inovação do setor alimentício (29,5%) é próxima da taxa da inovação de economia em geral (33,2%). Mas para Guilhem (2009), é preciso analisar a taxa de inovação com cuidado, pois muitas empresas classificadas como inovadoras, somente realizaram imitações de inovações já lançadas por concorrentes, o que configura uma inovação apenas do ponto de vista organizacional e não para o mercado. Em 2007, segundo a ABIA (2008), o faturamento líquido da indústria de alimentos foi de R$ 196,2 bilhões, e seu crescimento tem se mantido praticamente linear e constante nos últimos anos, conforme ilustrado no Gráfico 2. O quadro 5 dispõe dos principais setores da indústria alimentícia e sua posição em relação ao faturamento líquido. Gráfico 2 Faturamento Líquido das Indústrias de Produtos Alimentares Fonte: Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA, 2008) Quadro 5 Indústria Alimentícia e a Posição de Sues Setores Em Relação Ao Faturamento Líquido (2001, 2005 E 2006) Fonte: ABIA (2008) 49 Em relação às exportações realizadas pela indústria alimentícia, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior traça, no gráfico 3, um panorama das exportações realizadas pelo Brasil no período de 1964 a 2006. A ABIA (2006) indica, no gráfico 4, os principais destinos das exportações realizadas pelo Brasil no ano de 2005. Gráfico 3 Exportação Brasileira – 1964 - 2007 Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2008) Gráfico 4 Principais Destinos das Exportações de Alimentos Fonte: ABIA (2006) Segundo Guilhem (2009), a indústria de alimentos ainda será induzida a passar por diversos processos de mudança, no cenário internacional, por mudanças tecnológicas e na 50 demanda, por exemplo. A produção de alimentos, nos próximos 100 anos, terá que se adequar a uma demanda crescente, conseqüência do crescimento populacional previsto pela ONU (organização das Nações Unidas), que indica que a população mundial, atualmente com cerca de 6,1 bilhões de habitantes, tenderá a alcançar em 2050 8,9 bilhões e em 2100 10,5 bilhões de habitantes. Diante do acima expostos, foi elaborado um procedimento metodológico adequado ao desenvolvimento da pesquisa, que é discorrido a seguir. 51 3 METODOLOGIA Para alcançar os objetivos propostos neste trabalho, o procedimento escolhido apropriou-se de uma metodologia exploratória-descritiva, com análise qualitativa, culminando em um estudo de caso, como modo de investigação. Inicialmente uma ampla revisão da literatura foi realizada a fim de levantar o estado da arte acerca do tema abordado, incluindo definições, conceitos e aspectos relevantes para a pesquisa sobre o planejamento e controle da produção, micro e pequenas empresas e a indústria de alimentos. A pesquisa qualitativa preocupa-se com um nível de realidade que não pode ser quantificado, pois trabalha com motivos, atitudes e valores, ou seja, privilegia os aspectos subjetivos do objeto de estudo (MINAYO, 2006). O método qualitativo permite maior flexibilidade à pesquisa, podendo conferir redirecionamento da investigação na medida em que o tema é aprofundado e há um maior conhecimento e envolvimento com o cenário em estudo (GODOY, 1995). Os estudos exploratórios permitem ao investigador aumentar sua experiência em torno de determinado problema. Segundo Vergara (1998), um estudo exploratório ocorre numa área de pouco conhecimento acumulado e sistematizado. Neste caso, o pesquisador aprofunda seu estudo nos limites de uma realidade especifica, buscando antecedentes e maiores conhecimentos, para em seguida, planejar uma pesquisa descritiva ou de tipo experimental (TRIVIÑOS, 2006). Na pesquisa descritiva, o objetivo primordial é “[...] a descrição das características de determinada população ou fenômeno, ou então, o estabelecimento de relações entre as variáveis” (GIL, 1999). Segundo Quivy e Campenhoudt (1992), uma variável pode ser operatória isolada (construída empiricamente, a partir de observações reunidas por outros) ou sistêmica (construída por raciocínio abstrato, dedução). A pesquisa é um estudo de caso quando concentraa atenção em um objeto, envolvendo um estudo profundo e exaustivo deste (GIL, 1999). Segundo Donaire (1997), o estudo de caso procura estudar variáveis envolvidas em uma realidade dotada de certa complexidade que inviabiliza o uso de outros métodos. Um estudo de caso se dá investigando empiricamente um fenômeno atual dentro do seu contexto, especialmente quando não se percebe claramente os limites entre o fenômeno e o contexto (YIN, 1984, apud ALVES, 2005). 52 3.1 DEFINIÇÃO DAS VARIÁVEIS O nexo causal abordado nesta pesquisa analisou duas variáveis, a ausência formal da função PCP e possíveis restrições gerenciais derivadas da primeira variável. Estas variáveis foram classificadas como variáveis sistêmicas, pois foram construídas por dedução, seguindo um raciocínio abstrato. 3.2 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS O instrumento utilizado para o levantamento de dados consistiu em um roteiro, tipo formulário de entrevista semi-estruturado (APÊNDICE I), pertinente à finalidade deste estudo e aplicado ao sócio proprietário (responsável por todo o gerenciamento da empresa objeto do estudo). O formulário foi desenvolvido a partir de informações extraídas das experiências do pesquisador na empresa, durante realização de estágio supervisionado. A entrevista semi-estruturada é aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, interessantes à pesquisa e, em seguida, oferece amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante (TRIVIÑOS, 2006). Ainda segundo Triviños (2006), ao mesmo tempo em que valoriza a presença do investigador, a entrevista semi-estruturada, oferece todas as perspectivas possíveis para que o informante alcance a liberdade e a espontaneidade necessária, enriquecendo a investigação. Além da entrevista semi-estruturada, utilizou-se a observação não participante, que, segundo Quivy e Campenhoudt (1992), consiste em captar os acontecimentos no instante em que estes se reproduzem, sem a mediação de documentos. As vantagens da observação não participativa são, a espontaneidade da coleta do material e autenticidade relativa aos acontecimentos, em comparação com documentos e discursos. Após a fase de coleta de dados, foi feita uma análise qualitativa das informações extraídas da colata, para interpretá-las e entender a realidade da empresa estudada. Foi feito uma correlação das variáveis identificadas a fim de entender o sistema de planejamento e controle da produção, existente na empresa, e as restrições gerenciais advindas do uso deste sistema (informal). 53 Por fim, a devolução dos dados coletados em forma de informações foi feita ao pesquisado, com o intuito de promover a lisura do processo de pesquisa e manter o pesquisado a par da importância da pesquisa, garantindo assim, que novas pesquisas posteriores fossem viabilizadas. 3.3 AMBIENTE DA PESQUISA O estudo de caso foi realizado em uma micro-empresa do setor de alimentos, localizada na região metropolitana de João Pessoa - PB, na cidade de Cabedelo-PB. Atua no setor alimentício desde sua criação, em 1995, e trata-se de um estabelecimento único, que produz um único produto, pão de queijo. O critério de seleção da empresa consistiu no fato que o pesquisador se encontrava na condição de estagiário da mesma e, por tanto, já possuía amplo conhecimento e familiaridade com o objeto de estudo. O empreendimento estudado surgiu como fruto da junção do desejo, do empresário, de possuir empreendimento próprio e oportunidade por ele identificada. Na sua composição inicial, boa parte dos trabalhadores eram familiares que, com o aumento da demanda pelo produto e restrições de tempo dos então trabalhadores, foram gradativamente substituídos por trabalhadores contratados de fora da família. A produção média diária atual da empresa estudada fica na faixa de 120 a 160 kg/dia de pão de queijo, totalizando uma média mensal de 2640 a 3520 Kg/mês, que é comercializado congelado e em pacotes de 400 g e 1 kg, fornecido principalmente para redes de supermercados e algumas padarias e lanchonetes locais. A clientela da empresa é constituída por pessoas jurídicas. Segundo a caracterização adotada nesta pesquisa, a empresa é definida como micro- empresa, pois possui quatro funcionários, sendo três operários da linha de produção, mais o sócio-proprietário, que é responsável por todo o gerenciamento da produção. A estrutura hierárquica da empresa está definida conforme ilustrado na figura 3.1. 54 Figura 6 Estrutura Hierárquica da Empresa Fonte: Elaborado pelo Pesquisador A empresa não utiliza, formalmente, nenhuma filosofia/técnica de auxílio a gestões, a menos de Procedimentos Operacionais Padrão (POP), baseado em manual de boas práticas. A implantação dos POPs se deu em resposta às exigências do órgão de vigilância sanitária responsável pela fiscalização das condições de higiene. Não há padronização das operações. O conhecimento do mercado, pela empresa, é restrito e empírico, a região geográfica atingida pela empresa é conhecida, visto que os principais clientes desta são redes de supermercados que atingem o mercado local (João Pessoa - PB), porém a empresa não tem conhecimento exato da classe social que seus produtos atingem, nem a fatia de mercado que detém. Apesar de ser a única empresa local que produz pão de queijo, concorre com grandes empresas de outras regiões, que fornecem seus produtos para o mercado local Pessoense. 55 4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS A produção do objeto do estudo é contínua em massa, e se dá em layout linear (que embora não tenha sido planejado, assim se caracteriza), onde os postos de trabalho são dispostos de acordo com o fluxo do produto e as operações que se sucedem. O sistema mantém produção empurrada, e é orientado para estoque, que amortece toda a sazonalidade da demanda, sazonalidade esta que não impõe contingências significativas. Como a empresa produz apenas um produto, não foi possível determinar o grau de flexibilidade do processo, com relação ao comportamento de um mix de produtos. A empresa não tem definidos e formalizados a sua missão, visão nem os valores, não sendo, portanto, difundidos entre os colaboradores da empresa. Também não é feito de modo sistêmico o planejamento e controle da produção. Este é realizado pelo empresário de modo empírico e baseado em acontecimentos do dia-a-dia, sem registros formais. A capacidade produtiva não foi devidamente equacionada, foi estimada pelo empresário apenas baseado na prática cotidiana, e o dimensionamento das máquinas e recursos humanos foi realizado na prática, por método de tentativas, até chegar ao quadro atual. O processo produtivo não é documentado (formalizado), por tanto, não possuindo roteiro, tempo-padrão e tempo de preparação registrados. Chegou-se ao atual preço de venda do produto por método empírico de tentativas, que se sucederam até que se chegasse a um valor considerado adequado, que segundo o empresário, cobre satisfatoriamente a estrutura de custos da empresa. Por outro lado, a estrutura de custos da empresa não é determinada, de tal sorte que o empreendimento está exposto ao alto risco de estar praticando um preço de venda inadequado. Na unidade em estudo não é realizado o PMP, sendo assim não há como acompanhar os desvios da produção, em relação a este, por que ele não existe. Não é registrada também, nenhuma regra de seqüenciamento da produção, os funcionários o fazem de modo empírico. Nas funções de curto prazo da empresa, no que diz respeito à gestão dos estoques, não há políticas de gestão definidas. Há um híbrido de métodos de abastecimento dos estoques, onde alguns produtos são adquiridos por período e quantidade fixos, outros produtos somente períodofixo e quantidade avaliada no momento da aquisição e ainda outros produtos são adquiridos em grandes quantidades, quando há uma situação que represente boa oportunidade para a empresa. Não há conhecimento, por parte do empresário, dos custos envolvidos na gestão dos estoques. 56 O controle efetivo da produção é feito utilizando como indicadores a quantidade produzida esperada para o fim do dia e a quantidade realmente produzida. Quando identificados grandes desvios entre o esperado e o produzido, horas extras de trabalho são realizadas, ou redução da quantidade produzida é programada para equilibrar o nível do estoque de produto acabado. No mais, os funcionários arbitram o controle da produção. Adicionalmente, o empresário informou que, embora tenha vantagens de flexibilidade com o atual sistema de PCP, que é feito informalmente, gostaria de implantar um PCP sistêmico mais efetivo, com mais atributos e rigor no planejamento e controle da produção. Também foi informado que a empresa está evoluindo (aferido pela quantidade produzida e receita da empresa), porém ainda há pressão dos clientes para que seja ofertada maior quantidade do produto. O sócio-proprietário da empresa não realizou capacitação para ocupar o cargo de gerência da empresa, mas possui experiência de outros três empreendimentos que já gerenciou. Sua rotina gerencial atual o expõe a situação de grande sobrecarga, visto que este é encarregado do gerenciamento de dois microempreendimentos, realizando uma jornada de trabalho diário dupla. Ele admitiu a existência de certa indistinção entre ele e a pessoa jurídica da empresa, além de que alegou forte influência de outras pessoas da família no gerenciamento da empresa. Quanto ao relacionamento da empresa com o meio externo, foi considerado bom para com o cliente, no entanto, com os fornecedores, o relacionamento foi considerado regular. Isto por que uma parte dos fornecedores é também empresa de pequeno porte, e oferecem mais flexibilidade nas negociações, porém, outra parte dos fornecedores é constituída por empresas de porte maior, que, neste caso, se mostram bastante inflexíveis quanto às negociações de preço e prazo nas vendas. O relacionamento interno, com os operários, se encontra prejudicado atualmente, segundo o empresário, devido à influência de questões pessoais no relacionamento profissional. Tal problema afeta, principalmente, as ações de controle da produção e gestão dos estoques. Verificadas as características do atual sistema de PCP da empresa objeto do estudo, foi possível fazer uma reflexão das restrições gerenciais que derivam deste sistema, baseado na revisão da literatura realizada. De antemão foi possível inferir que a etapa de planejamento se encontra bastante comprometida, pois a empresa não possui definidas, formalizadas e difundidas a sua missão, visão e políticas. Salvo que a missão, visão e a política da empresa definem seu negócio, onde a empresa deseja chegar e os preceitos que guiarão suas ações, o 57 ato de planejamento, que delineia as ações da empresa, definindo como e quando agir para se antecipar às mudanças e com isso obter vantagens competitivas, fica em situação de impasse. A forma como os pré-requisitos do PCP, previsão de demanda, roteiro e capacidade de produção, identificados na empresa também concorrem para que o planejamento da empresa seja comprometido, pois o processo não é completamente conhecido (não são conhecidos os tempos padrão, leadtime, capacidade exata de todo o maquinário, não foi feito estudo do roteiro da produção, não se sabe a capacidade produtiva exata dos recursos humanos, entre outros parâmetros) e a previsão de demanda é feita muito empiricamente e sem alto grau de confiabilidade. Quanto aos níveis hierárquicos do PCP, foi verificado que embora haja o planejamento, estes não são distintos nem registrados no longo, médio e curto prazo (é feito mentalmente pelo empresário), portanto, criando confusão entre si e dificultando o seu acompanhamento. Desse modo, a estratégia competitiva da empresa torna-se nebulosa, não corroborando para a identificação e obtenção de respostas rápidas e eficazes às mudanças do ambiente. Numa época em que se discute exaustivamente sobre o uso de recursos de informática e tecnologia de informação em sistemas de produção, é discordante a realização das atividades de planejamento e controle da produção apenas mentalmente. Isto reflete o caráter imediatista que impera na empresa objeto do estudo. E mesmo no caso de uma empresa de pequeno porte, torna-se inviável lidar com a infinidade de variáveis envolvidas nas atividades do PCP, no ambiente em que as empresas estão atualmente inseridas, de atuação global e mudanças rápidas. No quadro a seguir é possível acompanhar um paralelo realizado entre o que preconiza a teoria sobre os níveis hierárquicos do PCP e a situação vivenciada na prática, com relação aos níveis hierárquicos do PCP. 58 Níveis Hierárquicos do PCP Variável analisada Preconização da teoria Situação prática Nível estratégico (planejamento de longo prazo) Realiza o dimensionamento da capacidade da empresa. Realiza baseado na capacidade, objetivos organizacionais e previsão de demanda, o planejamento da produção, culminando no plano de produção. É fundado na missão, visão e políticas da empresa. Não possui missão, visão e políticas definidas. Não realiza planejamento de vendas. Não está equacionada a capacidade da empresa. O planejamento se encontra comprometido. Nível tático (planejamento de médio prazo) É projetado no médio prazo o que foi traçado no plano de produção, com maior riqueza de detalhes, resultando no Plano-Mestre de Produção sendo formalizadas as necessidades de produtos acabados para cada período analisado de forma agregada A projeção do plano de produção no médio prazo é prejudicada pelo modo que é realizado o planejamento da produção. Não é feito o PMP. Nível operacional (planejamento de curto prazo) Realiza-se o detalhamento dos planos, avaliando a demanda de forma totalmente desagregada e são definidos quais produtos produzir, a seqüência de suas operações e o momento exato de entrega. Também é realizado o controle do que foi planejado. Recaem sobre este nível as conseqüências das falhas dos demais níveis, concentrando as atividades de planejamento e programação a este nível, simultaneamente ao controle da produção. O controle da produção também se encontra prejudicado. Quadro 6 comparativo entre a teoria e a prática no tocante aos níveis hierárquicos do PCP Fonte: Elaborado pelo autor Como não é feito o planejamento de longo, médio e curto prazo de modo sistêmico, não são traçados o plano de produção e o PMP. Isto impulsiona uma dinâmica gerencial com postura corretiva mais expressiva que a postura pró-ativa, atualmente fundamental à sobrevivência do empreendimento. Esta postura corretiva vivenciada leva a uma rotina de programação da produção simultânea às atividades de curto prazo. Resultado desta rotina é uma sobrecarga para o empresário, e por vezes aumento dos custos da produção, devido a situações não previstas de maior demanda de materiais, maiores custos de gestão de estoques, maiores perdas na fabricação, paradas não programadas por falta de manutenção nas máquinas e infra-estrutura em geral e alternância de períodos de ociosidade e carregamento excessivo dos recursos humanos. O objeto de estudo, em tese, por deter um quadro de funcionários restrito, com poucos níveis hierárquicos, deveria representar um modelo de flexibilidade na relação empregado- patrão, descongestionando as relações de trabalho e diminuindo atritos que ocasionam situações críticas. Porém, o que se verifica na prática, como já mencionado, é uma relação 59 dificultada por indistinção do relacionamento pessoal e o profissional,fato que poderia ser evitado com a delineação de políticas de recursos humanos e implantação das ferramentas do PCP, que agiriam como balizadores das ações dos funcionários da empresa e objetivando a comunicação entre as partes. A criação de indicadores tornaria mais “palpável” a avaliação do desempenho das ações desenvolvidas na empresa, tanto em nível operacional como gerencial. A padronização do processo, juntamente com os indicadores de desempenho, tornaria o controle/acompanhamento da produção mais claro e efetivo, orientando tanto ações gerenciais, como as ações dos operários, comparando suas performances com os parâmetros estabelecidos. Como comentado, a dinâmica empresarial vivenciada impossibilita o empresário, por restrições no recurso tempo, de desenvolver atividades de planejamento a longo prazo, corroborando em um círculo vicioso, para ações “imediatistas”. Outra conseqüência das restrições de tempo é a dificuldade de adequação e implementação de novas técnicas, métodos e filosofias de produção na empresa, que mais uma vez conduz a situação a um círculo vicioso. Como o quadro de recursos humanos da empresa é reduzido e a pessoa do empresário experimenta grande restrição de tempo, tornou-se mais dificultado o desenvolvimento das rotinas do PCP, já que não é viável incumbir somente o empresário desta atribuição e há falta de difusão das políticas organizacionais e distribuição equilibrada das funções gerenciais. Mais uma vez, a fim de realizar um comparativo da situação vivenciada pela empresa em questão, e os predispostos na teoria, foi elaborado o quadro a seguir, que aborda as funções desenvolvidas pelo PCP. 60 Funções do PCP Variável analisada Preconização da teoria Situação prática Gestão de estoques de matéria prima e insumos Tem por função minimizar o capital total investido em estoques, aumentando o uso eficiente dos meios internos da empresa. Neste caso a função PCP se preocupará em manter a produção abastecida de todos os materiais que esta precisar de forma econômica. Não são conhecidos os custos de estoques e seu dimensionamento não foi equacionado. Emissão das ordens de fabricação Consiste na emissão e liberação das ordens de fabricação, montagem e compras, que permitirão aos diversos setores da empresa executar suas atividades de forma coordenada, no sentido de atender ao PMP O empresário o faz verbalmente. Programação e controle das ordens de fabricação Estabelece a ocasião em que serão efetivadas as operações de fabricação, a que serão submetidas as peças componentes do produto final, e as controla O empresário realiza a programação mentalmente. Como só há um produto, que é produzido em massa (produção contínua) a programação é simplificada. Movimentação das ordens de fabricação da produção Visa servir de canal para se obter informações do que foi fabricado, podendo também ser encarregada de prover retirada de matéria- prima, liberação de ordens de fabricação, contagem transferência e entrega do produto acabado. A contagem, transferência e entrega do produto é feita pelos operários (em parte), o mais é feito pelo empresário. Controle e acompanhamento da produção Tem função de comparar o planejado com o efetivado, tomando as providencias para as eventuais correções. É realizado de modo rudimentar pelo empresário, pois não há planejamento claro, nem indicadores para realização do efetivo controle da produção. Quadro 7 Paralelo entre Teoria e Pratica vivenciada no tocante às Funções do PCP Fonte: Elaborado pelo autor Por fim, no Quadro a seguir são listados os benefícios advindos da aplicação sistêmica da função PCP e alguns requisitos, identificados para o caso da empresa estudada, para que os referidos benefícios sejam alcançados. 61 Benefícios Requisito a cumprir Redução dos níveis de estoques Implantação de sistema de gestão de estoques Redução das inspeções de controle de qualidade Padronização das operações e estabelecimento de políticas de capacitação dos recursos humanos Redução dos índices de falhas e retrabalho Idem Eliminação de procedimentos que não agregavam valor ao processo Implantação das ferramentas de PCP (exemplo: roteiro, programação, sequenciamento e controle da produção) Maior integração entre as áreas da empresa Implantação de PCP sistêmico, que envolva todos na empresa. Maior integração com os fornecedores e, por conseqüência, obtenção de mais vantagens na compra de matéria-prima. Desenvolvimento de técnicas de previsão de vendas mais efetivas e planejamento da produção, além de busca por parcerias. Maior eficiência e eficácia no emprego dos recursos da empresa Conciliação dos requisitos mencionados Maior agilidade na reação às mudanças no ambiente, baseada no melhor desempenho global da empresa. Conciliação dos requisitos mencionados Maior confiabilidade junto ao cliente É conseqüência do cumprimento dos requisitos Maiores índices de produtividade global Idem Maior Lucratividade Idem Quadro 8 benefícios da aplicação sistêmica do PCP e os requisitos para o caso estudado Fonte: Elaborado pelo autor 62 5555 CONCLUSÕES Com a realização deste trabalho foi possível concluir que a Indústria de Alimentos e as MPEs têm fundamental importância para o desenvolvimento socioeconômico da nação, pois são importantes instrumentos de geração de empregos e renda, promovendo uma melhor distribuição geográfica e social destes fatores de desenvolvimento. A indústria de alimentos foi pioneira no desenvolvimento do parque industrial brasileiro e ainda hoje tem parcela muito significativa na contribuição para o desenvolvimento nacional, tornando disponíveis produtos úteis à sociedade. Uma característica importante do setor alimentício é que 85% do seu parque industrial é composto por MPEs, o que as dota de crucial importância, pois como tratado neste trabalho, as MPEs são alavancadoras do desenvolvimento. Uma forma de promover a consolidação das MPEs, inclusive as de alimentos, no Brasil, é realizar a capacitação dos seus gerentes e a adequação de ferramentas gerenciais, que embora sejam exaustivamente utilizadas nas empresas de grande porte, ainda têm o processo de implantação nas MPEs feito de modo rudimentar. Isto dificulta a adaptação destas ao ambiente empresarial cada vez mais exigente de alta capacidade de adequação às mudanças. O PCP se apresentou como função de apoio gerencial extremamente adequada à situação atualmente vivenciada pelas MPEs, oferecendo potencial de saneamento das dificuldades enfrentadas por estas e otimizando a exploração das oportunidades oferecidas pelo ambiente. Alguns dos benefícios advindos do uso da função PCP nas MPEs são a ação estratégica ante às mudanças do ambiente e o uso eficiente e eficaz dos recursos produtivos. Com a realização do estudo de caso, ao fim do trabalho, foi possível realizar um paralelo entre teoria estudada e a situação prática vivenciada por uma microempresa do setor de alimentos, verificando e descrevendo as restrições gerenciais advindas da não utilização formal da função PCP nesta empresa. Foi observado que a empresa estudada se revelou como um caso típico de micro empresa, concentrando suas ações gerenciais num horizonte de curto prazo. Por fim, conclui-se que, o presente trabalho foi de suma importância para o desenvolvimento profissional do pesquisador, agregando-lhe conhecimentos cruciais à sua formação, e foi possível contribuir, também, para o desenvolvimento científico, incrementando o acervo de trabalhos científicos que relacionam a esfera das MPEs e o uso sistêmico do PCP. 63 REFERÊNCIAS ABIA. 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O produto (e seu processo) possui roteiro de produção, tempo-padrão, recursos necessários e tempo de preparação? i. É realizado planejamento das atividades no curto, médio e longo prazo? 4. Das funções de longo prazo a. Como é feito o planejamento de longo prazo? b. São planejadas, em longo prazo, as necessidades de recursos produtivos? c. Como os fatores custos, qualidade, desempenho de entrega e inovatividade são ponderados no planejamento de longo prazo? d. A demanda pelo produto é sazonal? Se sim como se dá o processo de adequação às sazonalidades? e. Como é feita a previsão de demanda? Utilizando métodos qualitativos, quantitativos ou ambos? f. Como é preparado o plano de produção? São utilizados dados do passado? Faz uso de registros formais? g. Há ocorrência de erros quando da utilização das técnicas preferidas pela empresa? h. Há variações no preço dos produtos para se adequar a variações na produção (promoções ou altas nos preços)? 72 5. Das funções de médio prazo a. É realizado um Plano Mestre de Produção (PMP), que formaliza as necessidades de produtos acabados para um período previsto? Com que freqüência? b. Se há mudanças no PMP ao longo do período, quais os principais motivos? c. O PMP é baseado na capacidade produtiva da empresa? d. A empresa tem definido e documentado os componentes do seu produto final? e. A empresa possui o sequenciamento da produção registrado e documentado? 6. Das funções de curto prazo a. A empresa possui algum sistema de gestão de materiais? b. Como é realizado o processo de compra de matéria-prima, para o suprimento dos estoques? c. Quantos fornecedores, por produto, a empresa mantém vínculo? Como se caracteriza a relação da empresa com seus fornecedores? d. Há registros ou conhecimento do custo de gestão de estoques? e. A política de aquisição de matéria-prima leva em conta o nível de estoque, período/intervalos fixos de compra de materiais ou outro? f. È feito controle da produção a fim de garantir a execução do que foi programado? g. Quais as atitudes tomadas quando identificados desvios entre a programação e o executado? h. Quando há reprogramação, quais as alternativas utilizadas para compensar os desvios da produção? i. Quem realiza a sondagem dos desvios entre o programado e o executado? j. Quais os indicadores empregados no controle da produção? k. Há algum método/técnica de controle da qualidade? 7. Informações extras vinculadas ao PCP a. Há satisfação, por parte do responsável pelo PCP, com o PCP atualmente utilizado? b. Quais os pontos fortes e fracos do PCP utilizado na empresa? c. Já houve, ou há, alguma deficiência da empresa advinda de falhas no PCP: i. Nas funções de longo prazo? ii. Nas funções de médio prazo? iii. Nas funções de curto prazo? d. Já ocorreu (ou ocorre) de a empresa não atender pedidos, ou atrasa-los, devido a manutenção não planejadas nas máquinas? e. Há atrasos na produção por falta de controle do processo produtivo? f. Já foram registradas perdas financeiras por cota de um planejamento ou controle errôneos? g. Como se encontra a empresa, em relação à sua posição estratégica, evoluindo, involuindo ou estática? h. Estão bem definidos os pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças da empresa, além de sua vantagem competitiva? i. Há momentos em que os trabalhadores se encontram ociosos durante a produção? j. Como são priorizados os clientes (PEPS, prioridades por tipo de cliente, etc.)?