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cervicalgia e lombalgia - DIAGNÓSTICOS SINDRÔMICOS E ETIOLÓGICOS DA DOR CERVICAL E DOR LOMBAR

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localizados em outras regiões do corpo podem 
também estar acometidos em conjunto com os da região cervical. A SDM muitas vezes envolve 
mais de um músculo, e vários são os fatores ativadores dos PGs. 
A fibra muscular, quando sofre lesão, sobrecarga ou estresses de repetição, desenvolve PGs que 
resultam em contração muscular exagerada durante período de tempo prolongado. 
Associadamente, ocorre fadiga muscular. Isquemia focalizada e anormalidades subseqüentes do 
ambiente extracelular das miofibrilas, além de liberação de substâncias algiogênicas, geram ciclo 
vicioso caracterizado por elevação da atividade motora e do sistema nervoso neurovegetativo, 
aumentando a sensibilidade à dor. Os eventos dolorosos podem ser auto-sustentados por 
fenômeno de sensibilização centrais e periféricos. 
DISFUNÇÕES INTERVERTEBRAIS 
Decorrem da degeneração do disco intervertebral, fenômeno decorrente do avanço da idade 
ou de traumatismos. Resulta em redução da capacidade amortecedora discal e causa sobrecarga 
do corpo vertebral, dos unicos vertebrais e das facetas articulares. Como consequência, 
instalam-se osteófitos reacionais ou hérnias discais. Essas anormalidades podem resultar em 
compressão da medula espinal ou das raízes nervosas. 
A hérnia de disco consiste na protrusão do núcleo pulposo através de falhas decorrentes da 
rotura ou anormalidades do anel fibroso; localiza-se especialmente entre os segmentos C6-C7 e 
C5- C6. Raramente as protrusões discais causam sintomas. Além da degeneração, as hérnias 
discais cervicais podem decorrer de traumatismos. 
A espondilose cervical acomete predominantemente os segmentos C4 a T I e pode causar os 
discos moles ou a forma calcificada e osteófitos (hérnias duras). Em ambas as condições, após o 
quadro inicial agudo pode haver resolução completa dos sintomas. Os sintomas decorrentes da 
discoartrose dependem da localização da anormalidade, das dimensões do compartimento que 
sofre com pressão e da elasticidade do tecido deformado. Ocorre geralmente em indivíduos com 
mais de 40 anos de idade e é quase universal no idoso. 
Dependendo das anormalidades estruturais ou funcionais, não há repercussões ou ocorre 
cervicalgia, limitação da movimentação, mielopatia e/ou radiculopatia cervical. E muitas vezes 
responsabilizada pela cervicalgia, mas com o é evidenciada com elevada frequência nos 
indivíduos assintomáticos, na ausência de com pressão radicular não deve ser considerada causa 
 Diagnóstico Sindrômicos e Etiológicos da Dor Cervical e Dor Lombar | Larissa Gomes de Oliveira. 
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de cervicalgia. A compressão de raízes nervosas pode cursar com radiculopatia, e a da medula 
espinal, com mielopatia. 
TUMORES 
 Diversas neoplasias que acometem a região cervical podem cursar com cervicalgia, incluindo as 
ósseas (tumor de células gigantes, condrossarcoma, osteossarcoma, sarcoma de Ewing, cistos 
ósseos, osteoblastoma, mieloma múltiplo), as metástases (tumor de tireóide, rim, mama, 
pulmão) e tumores extradurais (metástases), intradurais extramedulares (neurinomas, 
meningiomas) ou intramedulares (ependimomas, gliomas). A evolução geralmente é insidiosa e 
comum ente associada a anormalidades neurológicas (mielopatia, radiculopatia). As lesões 
ósseas podem cursar com fraturas patológicas. A história, o exame físico e os exames 
complementares (radiografria simples, RM , TC, mielografia, mapeamento ósseo) permitem o 
diagnóstico. 
São mais comumente metástases nos corpos vertebrais de carcinomas de pulmão, mama, 
próstata, rins, tireoide e cólon. O mieloma e a leucemia também podem envolver as vértebras, 
e todos normalmente levam a sintomas por compressão neurológica ou por fraturas patológicas. 
Os tumores primários benignos mais comuns da coluna são hemangiomas, cistos ósseos 
aneurismáticos, osteoma osteoide, osteoblastoma e osteocondroma. Os malignos são 
osteossarcoma, condrossarcoma, sarcoma de Ewing, linfoma, plasmicitoma e cordoma. 
DOENÇAS INFECCIOSAS 
A osteomielite causada por agentes não específicos ou específicos (tuberculose), podem causar 
dor cervical e/ou occipital discreta ou intensa irradiada para os ombros e membros superiores 
frequentemente associada a disfagia, à limitação da mobilidade e aos espasmos musculares 
cervicais. Além de envolver estruturas musculoesqueléticas cervicais e causar dores, pode 
causar também, características variáveis como déficits neurológicos e/ou dor quando há febre 
e perda de peso associados ou não a inapetência. 
As espondiloartropatias são caracteristicamente um tipo de doença autoimune inflamatória 
que afeta o esqueleto axial nas ênteses (pontos de inserção de ligamentos e tendões ao 
esqueleto) e que também podem afetar as articulações sacroilíacas, assim como as grandes 
articulações dos membros inferiores. 
A artrite reumatoide, que também é uma doença autoimune sistêmica, pode acometer a coluna 
cervical no segmento C1-C2, em 34 a 42% dos casos, determinando subluxação atlantoaxial. 
 
2. Processos infecciosos 
Normalmente tem origem no disco intervertebral e são chamados de espondilodiscites, porém 
podem se estender para as vértebras e tecidos adjacentes com gravidade. Os microrganismos 
podem atingir a coluna vertebral por via hematogênica, linfática ou por contiguidade 
(inoculação direta). 
 
CAUSAS PSICOGÊNICAS OU PSICOSSOMÁTICAS E DORES REFERIDAS 
1. Causas psicogênicas e psicossomáticas 
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A dor é percebida no córtex cerebral, sem estar associada à alteração anatômica local ou 
sistêmica, geralmente de caráter difuso, descrição imprecisa ou punitiva e forte associação com 
desencadeantes emocionais. P. ex.: fibromialgia, depressão, histeria etc. A anamnese é a 
principal arma diagnóstica e os exames complementares e físicos são normais. 
2. Dores referidas 
A lesão está em outros sítios que não a coluna. Por exemplo, pode ser uma dor referida 
neurogênica de um infarto do miocárdio, dor viscerogênica como em uma vasculite de carótidas, 
espasmo esofágico ou pode ser somática, como em um herpes zoster. 
FIBRIMIALGIA 
A fibromialgia (FM) é uma condição que se caracteriza por dor muscular generalizada, crônica 
(dura mais que três meses), mas que não apresenta evidência de inflamação nos locais de dor. 
Ela é acompanhada de sintomas típicos, como sono não reparador (sono que não restaura a 
pessoa) e cansaço. Pode haver também distúrbios do humor como ansiedade e depressão, e 
muitos pacientes queixam-se de alterações da concentração e de memória. 
Ainda não totalmente esclarecida, mas a principal hipótese é que pacientes com FM apresentam 
uma alteração da percepção da sensação de dor. Isso é apoiado por estudos em que visualizam 
o cérebro destes pacientes em funcionamento, e também porque pacientes com FM 
apresentam outras evidências de sensibilidade do corpo, como no intestino ou na bexiga. Alguns 
pacientes com FM desenvolvem a condição após um gatilho, como uma dor localizada mal 
tratada, um trauma físico ou uma doença grave. O sono alterado, os problemas de humor e 
concentração parecem ser causados pela dor crônica, e não ao contrário. 
A FM é bastante comum, afetando 2,5% da população mundial, sem diferenças entre 
nacionalidades ou condições socioeconômicas. Geralmente afeta mais mulheres do que homens 
e aparece entre 30 a 50 anos de idade, embora existam pacientes mais jovens e mais velhos com 
FM. 
ASPECTO PSICOLÓGICO 
 É possível que o estresse desempenhe papel relevante na mediação e perpetuação dos 
sintomas da SFM. Muitos doentes referem que os primeiros sintomas da síndrome surgiram 
após um período de estresse crônico ou após traumatismos. Outros relatam que há 
agravamento dos sintomas após estresses físicos e emocionais de curta duração. Como a 
fibromialgia acarreta modificações da funcionalidade sem alterações orgânicas específicas, 
alguns autores