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cervicalgia e lombalgia - DIAGNÓSTICOS SINDRÔMICOS E ETIOLÓGICOS DA DOR CERVICAL E DOR LOMBAR

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e, 
às vezes, rostral do pescoço. 
O tratamento das neuralgias consiste no uso de anticonvulsivantes (carbamazepina, 
oxcarbazepina, difenilidantoína, valproato ou divalproato de sódio, gabapentina, topiramato) 
ou miorrelaxantes (baclofeno); pode haver necessidade de procedimentos cirúrgicos. A dor 
facial atípica caracteriza-se como dor em queimor, peso ou latejamento na face e, às vezes, na 
região cervical. É mais comum em mulheres de meia-idade com alterações psicológicas. O 
tratamento consiste no uso de antidepressivos, neurolépticos e procedimentos de medicina 
física. 
LOMBALGIA 
A lombalgia é definida como dor e desconforto localizados entre a margem costal e a prega 
glútea inferior, com ou sem dor na perna. 
CAUSAS GERAIS DE DORES LOMBARES 
➔ A dor lombar é inespecífica em 85-90% das vezes, ou seja, não se consegue identificar a sua 
causa com exatidão, e específica ou sintomática em 10-15% dos casos, quando um fator 
causal (trauma, infecção, inflamação, artrite reumatóide, tumor, hérnia discal, vasculopatia 
ou outra) pode ser identificado. 
➔ A dor lombar inespecífica tem uma evolução favorável em 85% das vezes, com os sintomas 
regredindo em até seis semanas. Entretanto, pelo menos 30% das pessoas que sofrem um 
episódio de lombalgia aguda experimentarão outro episódio em um período de um ano. 
Quando a lombalgia se prolonga além de três meses é classificada como crônica. A lombalgia 
se cronifica em cerca de 5-8% dos pacientes. 
➔ A dor pode se irradiar para a face posterior das coxas de um ou dos dois lados. Quando a 
dor ultrapassa o joelho recebe o nome de lombociatalgia ou ciática e é um indício do 
envolvimento de uma raiz nervosa, quase sempre L5 ou S1. 
 Diagnóstico Sindrômicos e Etiológicos da Dor Cervical e Dor Lombar | Larissa Gomes de Oliveira. 
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As disfunções posturais são as causas mais frequentes para dor lombar, pois a má postura 
adquirida pela maioria da população nas atividades de vida diária aumenta a pressão intradiscal 
e consequentemente produz uma degeneração do disco intervertebral. 
As dores lombares decorrentes de forças excessivas sejam externas ou internas. São 
consideradas forças excessivas as atividades repetidas como extensão, flexão e/ou rotação 
excessiva de um segmento lombar vertebral, e chamadas de “perturbadoras” as forças internas 
que enfraquecem a função neuro-musculo esquelética, portanto, consideradas excessivas ou 
inadequadas, entre elas a fadiga, o ódio, a depressão, a falta de atenção, a ansiedade, falta de 
treinamento e a distração; que podem ser decorrentes de fatores psicogênicos e psicosociais, 
como stress e falta de motivação, são circunstâncias que contribuem para o desencadeamento 
e cronificação das síndromes dolorosas lombares (algumas sem uma nítida comprovação de 
relação causal) tais como: 
 psicossociais, insatisfação laboral, obesidade, hábito de fumar, grau de escolaridade, 
realização de trabalhos pesados, sedentarismo, síndromes depressivas, litígios trabalhistas, 
fatores genéticos e antropológicos, hábitos posturais, alterações climáticas, modificações 
de pressão atmosférica e temperatura. 
 Condições emocionais podem levar à dor lombar ou agravar as queixas resultantes de outras 
causas orgânicas preexistentes 
O médico tem papel fundamental no diagnóstico e necessita sobretudo de uma história 
detalhada da dor, fatores associados e um exame físico meticuloso para um correto diagnóstico. 
O diagnóstico das lombalgias é, via de regra, clínico. Exames de imagem em geral não são 
solicitados em lombalgias agudas, apenas nos casos em que são observados alguns sinais de 
alerta como febre, perda de peso, déficit neurológico, idade acima de 50 anos e trauma. Quando 
há persistência da dor por mais 4-6 semanas os exames devem ser solicitados. 
QUAIS EXAMES PODEM SER SOLICITADOS? 
O raio x simples geralmente é o primeiro exame. Outros exames incluem a tomografia 
computadorizada, a ressonância magnética e a mielografia, todos com indicação criteriosa e 
embasada em hipótese diagnóstica. Achados anormais em um exame de imagem não 
necessariamente explicam a causa da dor, ou seja, pessoas sem qualquer sintoma podem 
apresentar em exames alterações estruturais na coluna que talvez nunca causarão dor ou outros 
sintomas assim como pessoas com sintomas de dor podem apresentar exames absolutamente 
normais. Portanto os exames de imagem sempre devem ser analisados caso a caso e 
correlacionados com as manifestações de cada pessoa individualmente. 
O objetivo inicial do tratamento é o alívio da dor. Podem ser usadas várias medicações incluindo 
analgésicos, antiinflamatórios, miorrelaxantes, corticóides e opióides, sempre após avaliação do 
risco-benefício de cada uma delas. O repouso, embora recomendado na fase aguda, deve 
limitar-se a um curto período uma vez que seu prolongamento retarda a recuperação e favorece 
a cronificação do processo sobretudo por facilitar a perda de força muscular. Na lombalgia 
crônica nenhuma terapia isolada é eficiente. Os mesmos medicamentos da fase aguda podem 
ser usados e em alguns casos há benefícios importantes com o uso de algunmas classes de 
antidepressivos em baixas doses para controle da dor. 
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A reabilitação com exercícios de alongamento e fortalecimento muscular além da reeducação 
postural são fundamentais para reduzir os sintomas e prevenir o retorno das dores. Outras 
intervenções incluem TENS, acupuntura, terapia cognitivo-comportamental e infiltração. 
LOMBOCIATALGIA 
É quando há dor irradiada para o membro inferior (60% dos casos), que pode ser: 
• De origem radicular (exemplo: compressão por hérnia de disco) 
• Referida (exemplo: dor miofascial) 
A dor neuropática (DN) está presente em 37 a 55% dos pacientes com dor irradiada para o 
membro inferior. Segundo a International Association for the Study of Pain (IASP), é definida 
como a que surge como consequência direta de uma lesão ou doença que afeta o sistema 
somatossensorial. A característica neuropática está correlacionada com dor mais intensa, 
comorbidades mais graves e piora da qualidade de vida (QV). 
O diagnóstico preciso do padrão de dor é essencial para se obter bom resultado terapêutico, 
visto que o fármaco deve ser específico para cada tipo de dor: nociceptiva, neuropática ou mista. 
A identificação do componente neuropático depende de anamnese e exame físico minuciosos, 
além dos exames complementares. A DN é espontânea e pode ter algumas características 
clínicas específicas, como: 
• Hiperalgesia: dor exagerada (desproporcional) a um estímulo habitualmente doloroso; 
• Hiperpatia: reação exagerada aos estímulos álgicos intensos ou repetitivos aplicados em 
regiões hipoestésicas; 
• Alodínea: dor devido a um estímulo que normalmente não provoca dor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Diagnóstico Sindrômicos e Etiológicos da Dor Cervical e Dor Lombar | Larissa Gomes de Oliveira. 
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REFERÊNCIAS 
 
ALVES NETO, Onofre et al.. Dor: princípios e prática. Porto Alegre: Editora Artmed, 2009. 
 
ALMEIDA, Darlan Castro; KRAYCHETE, Durval Campos. Dor lombar - uma abordagem diagnóstica. 
Rev. dor, São Paulo, v. 18, n. 2, pág. 173-177, abril de 2017. 
 
Sociedade Brasileira de Reumatologia. Diagnóstico e Tratamento das Lombalgias e 
Lombociatalgias.237:2613-4. 
Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-
50042004000600005