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AO DOUTO JUÍZO DA VARA DO TRABALHO DE PARAUAPEBAS /PA 
 
Processo Nº 
 
PIZZARIA GOURMET LTDA, já qualificadonos autos do processo em epígrafe, 
vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência, por seu representante 
constituído apresentar 
 
CONTESTAÇÃO 
 
Em face da Reclamação Trabalhista movida por Tito, igualmente qualificado, pelos 
fatos e fundamentos a seguir dispostos. 
 
1. DA SÍNTESE DA INICIAL 
 
O reclamante ajuíza ação trabalhista suscitando, em suma, ter laborado para a 
reclamada na função de motoboy, de 15/12/2018 a 20/09/2019, quando dispensado 
sem justa causa, ocasião em que recebia salário mínimo mensal. 
 
Preliminarmente, requer a concessão da Justiça Gratuita e o pagamento de 
honorários de AJG em favor de seu patrono. 
 
Requer integração salarial das gorjetas supostamente ganhas, com a devida 
anotação na CTPS e aplicação dos reflexos nas férias e 13º salário 
 
Relata o desconto sem sua anuência e requer a devolução do valor descontado à 
título de contribuição sindical. 
 
Requer o pagamento das horas extras supostamente impagas com adicional de 50% 
e adcional noturno com acréscimo de 20% bem como a aplicação dos devidos 
reflexos nas verbas rescisórias 
 
Aduz o reclamante, também, que teria sido vítima de abalo físico e moral, por 
suposto acidente que violou a sua integridade física, bem como teve que 
disponibilizar recursos para a aquisição de vacina antirrábica. 
 
Refere o reclamante que lhe era permitido usufruir apenas 40 minutos para realizar 
as suas refeições. 
 
Solicita a reintegração do Reclamante ou, o pagamento da indenização pelo tempo 
da estabilidade, no importe de R$...; 
 
E por fim, solicita ao pagamento do adicional de periculosidade de 30% com a 
devida integração salarial e aplicação dos reflexos nas verbas rescisórias. 
 
2. PREJUDICIAL DE MÉRITO 
 
Da inépcia da petição inicial: 
 
Apesar de mais flexível, a inicial trabalhista deve revestir-se o no minímo 
condições claras à compreensão do dissídio, nos termos do art. 840, §1 da CLT, in 
verbis: 
Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal. 
 
§ 1o Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação do juízo, a 
qualificação das partes, a breve exposição dos fatos de que resulte o 
dissídio, o pedido, que deverá ser certo, determinado e com 
indicação de seu valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu 
representante. 
 
Dessa forma, considderando que a petição inicial deixou de apresentar 
os cálculos discriminados de todas as verbas pleiteadas, deixou de apresentar 
PEDIDO CERTO, DETERMINADO e com VALOR pleiteado, deve culminar com a 
inépcia da inicial. 
 
3. MÉRITO 
 
3.1 Da remuneração 
 
O Reclamante alega que percebia mensalmente o valor de R$260,00 
(duzentos sessenta reais) a título de bonificação espontânea recebida de seus 
clientes, sendo tal valor não compreendido em sua remuneração. 
 
Pois bem, o reclamante em momento algum informou a reclamada do 
recebimento de gorjetas, pois gorjetas não são solicitadas de forma padrão para a 
entrega das pizzas. Assim, faz-se descabido tal solicitação. 
 
3.2 Da sindicalização 
 
O Reclamante alega que teve descontado em seu salário o valor de 
R$31,80 à título de contribuição sindical, sem sua expressa autorização. 
 
Nota-se um equivoco da reclamante, visto que a reclamada po 
ssui um email (em anexo) na qual o reclamante autoriza a reclamada a 
descontar a referida contribuição sindical. 
 
3.3 Horas Extras 
 
A reclamante alega que trabalhou durante todo o vínculo com a 
reclamada no horário das 18h às 03h30min, de segunda à sexta, conforme escala 
semanal de trabalho, requerendo o pagamento de horas extras mensais com 
acréscimo de 50% e seus devidos reflexos. 
 
Profere inverdades a reclamante, restando desde já impugnada a 
alegada jornada de trabalho, eis que sua jornada se deu da seguinte forma, das 18h 
às 22h e das 23h às 3h, conforme provam os controles de jornada anexos. 
 
Com isso, resta totalmente impugnada a jornada de trabalho declinada 
na petição inicial, REQUERENDO-SE, desde já, o total indeferimento do pedido de 
horas extras 50% 
 
 
3.4 Intervalo Intrajornada 
 
O Reclamante laborava mais de 6 horas por dia, e lhe era permitido 
usufruir apenas 40 minutos para realizar as suas refeições, sendo que é obrigatório 
a concessão de um intervalo para alimentação ou repouso de uma hora. 
 
A alegação da reclamante é infundada, visto que a mesma assinava o 
controle ponto (em anexo) com os horários de entrada/saída e intervalos conforme 
mencionado anteriormente. 
 
 
3.5 Indenização por Dano Moral 
 
O Reclamante, sofreu acidente enquanto laborava, sendo atacado e 
gravemente lesionado por cães do cliente onde o qual prestava seu trabalho. O 
acidente violou a sua integridade física, bem como teve que disponibilizar recursos 
para a aquisição de vacina antirrábica, no valor de R$30,00, através de receituário 
médico. 
Destaca-se que por dano moral entende-se o dano que atinge os 
atributos da personalidade, como imagem, bom nome, a qualidade ou condição de 
ser de uma pessoa, a intimidade e a privacidade. 
 
E para haver a reparação de danos morais, essa deve ser concedida em 
hipóteses em que o evento cause grande desconforto espiritual, causando 
sofrimento demasiado à vítima, ora Requerente. 
 
Além disso, o direito à reparação do dano depende da concorrência de 
três requisitos, que estão delineados no artigo 186 do Código Civil, sendo que, para 
se configurar o ato ilícito, será imprescindível que haja: 
 
(a) fato lesivo voluntário, causado pelo agente, por ação ou omissão 
voluntária, negligência, imperícia ou imprudência; 
 
(b) ocorrência de um dano patrimonial e/ou moral; 
 
(c) nexo de causalidade entre o dano e o comportamento do agente. 
 
Nenhum deles estão presentes no caso trazido à baila. 
 
Destaca-se que o requerente não demonstrou qualquer abalo sofrido em 
razão do fato alegado, destacando ainda que os fatos alegados na exordial não são 
confirmados por quaisquer elementos probatórios reunidos no processo, ainda que 
mínimos. 
 
3.6 Honorários Advocatícios 
 
É requerido a condenação da reclamada ao pagamento de honorários 
advocatícios, no importe de 15%, sobre o valor que resultar da liquidação, nos 
termos do art. 791-A da CLT. 
Cediço que, com a nova redação da CLT, em razão da Reforma 
Trabalhista, passou-se a prever a possibilidade de honorários advocatícios em favor 
dos advogados de ambas as partes. 
Assim, em razão do trabalho do procurador da parte Autor, necessário 
que, diante os aspectos do presente caso, sejam fixados apenas 5% sobre o valor 
que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não 
sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado de causa, pois o grau de zelo 
foi pequeno, em virtude as falhas apontadas em preliminar, bem como pelo valor da 
causa não ser de grande monta, entre outras hipóteses à serem avaliadas por 
Vossa Excelência. 
Ademais, necessário que sejam aplicados também honorários 
sucumbenciais em favor deste patrono, devendo estes serem fixados em 15% 
sobre o valor que resultar da liquidação da setença, do proveito econômico obtido 
ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa. 
Por fim, vale salientar que ainda que o trabalhador ganhe benefício da 
Justiça Gratuita, a mesma não é capa de afastar à incidÊncia dos honorários 
sucumbenciais no caso em apreço. 
 
4. DIANTE DO EXPOSTO, REQUER: 
 
Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito 
admitidos, em especial o depoimento pessoal do Reclamante, prova testemunhal e 
pericial. 
 
Caso ocorra uma condenação da Reclamada que sejam compensados 
os valores já pagos ao Reclamante, inclusive os ficais e previdenciários conforme 
recibos e anexo. 
 
Requer a improcedência da ação condenando o Reclamante ao 
pagamento das custas. 
 
Alega provar os fatos por todos os meios de prova admitidos no Direito. 
 
 
NestesTermos, 
Pede deferimento.Local e data. 
 
 
 
Advogado(a) OAB nº

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