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Apostila Direito do Consumidor - AV1 - COMPLETO

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e de como se constrói a relação 
jurídica de consumo afirmando que o 
consumidor é aquele que adquiriu o produto 
ou serviço. 
 
Ex.: Stefani Germanotta compra um novo carro, 
logo ela é consumidora, não importando a finalidade 
da compra. 
 
• Teoria Finalista: na essência essa foi a teoria 
adotada expressamente pelo art. 2º do 
CDC, o seu principal elemento é a destinação 
final do produto ou serviço. Nesse caso o 
consumidor seria aquele que adquire 
produto ou serviço para ser o destinatário 
final. 
 
Art. 2. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica 
que adquire ou utiliza produto ou serviço como 
destinatário final. 
 
Ex.: O mesmo carro que Stefani comprou, se for 
utilizado para serviços pessoais, ela será a 
destinatária final (consumidora). Já se ela utilizar o 
carro para fins comerciais, por exemplo, aluguel ou 
uber, ela já não é mais a destinatária final. 
 
• Teoria Finalista Aprofundada ou Mitigada: 
aquela onde o consumidor adquire produto 
ou serviço é o destinatário final, mas em 
alguns casos mesmo não sendo o 
destinatário final (pois utiliza o bem para fins 
econômicos, por exemplo compra caminhão para 
transportar carga) vai estar acobertado pelo 
CDC e não só pelo CC. É adotada por 
jurisprudência do STJ: 
 
Resp 1.010.834, Min. Nancy Andrighi. “Se admite a 
aplicação das normas do CDC a determinados 
consumidores profissionais, desde que seja 
demonstrada a vulnerabilidade técnica, jurídica ou 
econômica.” 
• Consumidor equiparado ou bystander: 
A coletividade de 
pessoas, ainda 
que indeter-
mináveis, que 
haja intervindo 
nas relações de 
consumo 
(art. 2º, § único) 
 
Todas as vítimas 
de danos 
ocasionados pelo 
fornecimento de 
produto ou 
serviço 
defeituoso 
(art. 17) 
 
Todas as pessoas 
determináveis ou 
não, expostas às 
práticas 
comerciais ou 
contratuais 
abusivas 
(art. 29) 
 
 
 
4 
2. Conceito de Fornecedor: 
 
A definição legal de fornecedor está prevista no art. 
3º do CDC, vejamos: 
 
Art. 3°. CDC. Fornecedor é toda pessoa física ou 
jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, 
bem como os entes despersonalizados, que 
desenvolvem atividade de produção, montagem, 
criação, construção, transformação, importação, 
exportação, distribuição ou comercialização de 
produtos ou prestação de serviços. 
 
Em suma podemos concluir que o fornecedor é todo 
aquele que coloca produto ou presta serviço no 
mercado de consumo. 
 
O doutrinador Bruno Miragem ressalta: “com relação 
ao elemento dinâmico da definição (desenvolvimento 
de atividade), o CDC buscou relacionar ampla gama 
de ações, com relação ao fornecimento de produtos 
e à prestação de serviços. Neste sentido, é correto 
indicar que são fornecedores, para os efeitos do 
CDC, todos os membros da cadeia de fornecimento, 
o que será relevante ao definir-se a extensão de 
seus deveres jurídicos, sobretudo em matéria de 
responsabilidade civil”. 
 
Para distinção entre pessoa física e pessoa jurídica 
fornecedora é preciso se atentar a habitualidade da 
atividade da pessoa física, por exemplo, um aluno que 
vende trufas na escola para pagar as mensalidades. 
 
 
Já a pessoa jurídica foi especificada pelo CDC como: 
pj privada, pública, nacional, estrangeira e ainda 
entes despersonalizados. 
 
 Teoria do Fornecedor Equiparado: 
De acordo com Roscoe Bessa o “CDC ao lado do 
conceito genérico de fornecedor (caput, art. 3º), 
indica e detalha, em outras passagens, atividades 
que estão sujeitas ao CDC. Talvez, o melhor exemplo 
seja o relativo aos bancos de dados e cadastros de 
consumidores (art. 43, CDC)”. 
Sobre isso o doutrinador entende que: “até a edição 
da Lei n. 8.078/90, as atividades desenvolvidas 
pelos bancos de dados de proteção ao crédito (SPC, 
SERASA, CCF), não possuíam qualquer disciplina legal. 
A regulamentação integral de tais atividades surgiu 
justamente com o Código de Defesa do Consumidor, 
considerando sua vinculação direta com a crescente 
oferta e concessão de crédito no mercado. 
Portanto, não há como sustentar, ainda que se 
verifique que a entidade arquivista não atenda a 
todos os pressupostos do conceito de fornecedor 
do caput do art. 3º, que não se aplica o CDC”. 
 
Relação de consumo tradicional 
 
 
 
Relação com fornecedor por equiparação 
 
 
 
 
 
 
 
3. Conceito de Produto: 
 
Art. 3º, § 1°. Produto é qualquer bem, móvel ou 
imóvel, material ou imaterial. 
 
A definição legal de produto e seu enquadramento 
como objeto da relação de consumo foram alvo de 
algumas críticas doutrinárias. Para alguns autores a 
melhor definição para produtos, na verdade, seria 
“bens”. Apesar do conceito de produto previsto no 
CDC ter sido sucinto e objetivo, a doutrina entende 
pela necessidade de interpretar o dispositivo da 
maneira mais ampla possível, com objetivo de 
abranger a qualquer objeto colocado à venda no 
mercado de consumo. 
Consumidor Fornecedor 
Fornecedor Consumidor 
Cadastro 
Inadimplentes 
 
 
5 
 
• Na visão de Filomeno, “produto (entende-se 
bens) é qualquer objeto de interesse em 
dada relação de consumo, e destinado a 
satisfazer uma necessidade do adquirente, 
como destinatário final”. 
 
• Para Claudia Lima Marques produto se 
define como “qualquer bem, consumível 
fisicamente ou não, móvel ou imóvel, novo 
ou usado, material ou imaterial, fungível ou 
infungível, principal ou acessório”. 
 
Destaca-se ainda a possibilidade de ser protegido o 
consumidor que adquire um produto usado no 
mercado de consumo, desde que os demais 
elementos dessa relação jurídica estejam 
presentes, isto é, desde que o vendedor se 
enquadre no conceito de fornecedor. Por exemplo, 
a compra de um carro usado numa concessionária 
de veículos. 
 
4. Conceito de Serviço: 
 
Art. 3º, § 2°. Serviço é qualquer atividade 
fornecida no mercado de consumo, mediante 
remuneração, inclusive as de natureza bancária, 
financeira, de crédito e securitária, salvo as 
decorrentes das relações de caráter trabalhista. 
 
Para que o serviço seja objeto da relação jurídica de 
consumo, deverá ser prestado por alguém que se 
enquadre no conceito de fornecedor e contratado 
por um consumidor (destinatário final ou por 
equiparação). 
 
A definição legal de serviço nos chama atenção ainda 
sobre três aspectos: 
 
• Exigência de remuneração: essa podendo ser 
direta (contraprestação imediata feita pelo 
consumidor) ou indireta (ex.: estacionamento 
“gratuito” de shopping, onde o valor já está 
embutido nos diversos produtos vendidos no local); 
 
• Exclusão das relações trabalhistas: são três 
os fundamentos para a exclusão das relações 
trabalhistas: 
 
 
1. existência de lei específica regulatória 
das relações empregatícias, consolidação 
da CLT; 
2. a posição constitucional em que se 
encontram os direitos dos trabalhadores, 
direitos fundamentais sociais art. 6º e 7º 
CF; 
3. uma justiça especializada para dirimir os 
conflitos de interesses decorrentes das 
relações de empregos, justiça do 
trabalho. 
 
• Rol exemplificativo de serviços, com 
destaque para a inclusão dos serviços 
bancários: pela visão da doutrina clássica a 
inserção das atividades bancárias na definição de 
serviços se deu por: 
 
1. Serem remunerados; 
2. Por serem oferecidos de modo amplo e geral, 
portanto despersonalizado; 
3. Por serem vulneráveis os tomadores de tais 
serviços, na nomenclatura própria do CDC (não 
apenas no aspecto econômico, mas também técnico, 
jurídico-científico e informacional). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• 
• Condomínio: não;
 
• Relações advocatícias: não;
 
• Serviços notariais: não;
 
• Crédito educativo: não;
 
• Contrato de locação: não;
 
• Contrato de franquia: não;
 
Nunca é demais relembrar: a relação 
jurídica de consumo é composta de 
elementos subjetivos (consumidor e 
fornecedor), bem como de elementos 
objetivos (produto e serviço). 
 
 
6 
• Serviços públicos: é possível aplicar o código 
de acordo com o art. 22 do CDC. Caso o 
serviço público seja danificado por tarifa, 
não por tributo.

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