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/ Impresso por Medi, CPF 174.985.607-71 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 16/09/2020 14:30:23 Introdução A tuberculose é uma doença granulomatosa crônica contagiosa, causada pelo Mycobacterium tuberculosis. Comumente, acomete os pulmões, mas pode afetar qualquer órgão ou tecido. Histórico Epidemiologia O agravo atinge a todos os grupos etários, com maior predomínio nos indivíduos economicamente ativos (15 - 54 anos) e do sexo masculino. Nos pacientes adultos, maiores de 15 anos, a Tuberculose pulmonar é a forma mais frequente, atingindo cerca de 90% dos casos. Nos menores de 15 anos, este percentual é de 75%, podendo, entretanto, se localizar em outras partes do organismo: rins, ossos e meninges, dentre outras, em fun o das quais se expressar clinicamente. çã á A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, no mundo, 10,4 milhões de pessoas tiveram tuberculose em 2015, e mais de 1 milhão morreram por conta da doença. Esses resultados configuram a tuberculose como um grave problema de saúde pública, salientando-se que a OMS a reconhece como a doença infecciosa de maior mortalidade no mundo, superando o HIV e a malária juntos. Incidência: 2007-2016 houve uma variação de -1,7%/ano. Apesar dessa redução, convém ressaltar que a meta para eliminação da tuberculose como problema de saúde pública no Brasil é de <10 casos para cada 100 mil hab. Vale salientar que esse resultado apenas será alcançado caso haja melhoria no cenário atual de alguns indicadores operacionais e epidemiológicos – por exemplo, a redução do coeficiente de incidência de aids. Risco de adoecimento por tuberculose: 67,2/100 mil hab. no Amazonas, em 2016. O coeficiente de mortalidade por tuberculose no Brasil apresentou redução de 15,4% no período de 2006 a 2015. Apesar dessa redução, em 2015, o Brasil ainda registrou 4.543 óbitos por tuberculose sendo o risco de óbito no Amazonas 3,2/100 mil hab. / Impresso por Medi, CPF 174.985.607-71 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 16/09/2020 14:30:23 Nas áreas do mundo nas quais a AIDS é prevalente, o HIV tem se tornado o fator de risco isolado mais importante para o desenvolvimento de tuberculose, que é a principal causa de morte, por doença infecciosa, em pessoas vivendo com HIV/aids, e o uso da terapia antirretroviral em pacientes coinfectados reduz a mortalidade nesse grupo mais vulnerável. A tuberculose permanece a principal causa de óbitos ao redor do mundo em pessoas privadas em termos econômicos e de saúde, uma vez que prospera em condições de pobreza, aglomeração e doença debilitante crônica. Pessoas idosas são vulneráveis devido à debilidade do sistema imunológico. Etiologia M. tuberculosis, também conhecido como bacilo de Koch (BK). O complexo M. tuberculosis e constituido de várias especies: M. tuberculosis hominis, M. bovis, M. avium, M. africanum, M. microti e M. pinnipedii. As micobactérias são bacilos delgados, álcool-ácido resistentes (isto é, possuem alto conteúdo de lipídios complexos que prontamente coram-se pela técnica de Ziehl- Neelsen [fucsina carbol] e subsequentemente resistem à descoloração). O M. tuberculosis é um bacilo não formador de esporos, sem flagelos, não produtor de toxina, aeróbio estrito e intracelular facultativo. É capaz de sobreviver no interior de células fagocitárias. Apresenta longo período de geração (16 a 20 h), dependendo da oferta de oxigênio, de nutrientes e do pH do meio. Devido à presença de uma parede celular complexa que contém grandes quantidades de lipídeos, o bacilo é protegido da ação de agentes químicos, embora seja facilmente destruído por agentes físicos. A trasmissão usualmente é direta e por inalação de microrganismos aerossolizados, quando um indivíduo infectado tosse, elimina gotículas contaminadas, chamadas gotículas de Flügge, que permanecem algumas horas em suspensão no ar. Ao se inspirar o ar contendo essas gotículas aspira-se o núcleo seco da gotícula, chamado de núcleo de Wells contendo de um a três bacilos, atinge os bronquíolos e os alvéolos. Outras formas de contaminação são através de expectoração ou exposição a secreções contaminadas oriundas de pessoas infectadas. / Impresso por Medi, CPF 174.985.607-71 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 16/09/2020 14:30:23 Período de transmissibilidade: Enquanto o doente estiver eliminando bacilos e não houver iniciado o tratamento. Com o início do esquema terapêutico recomendado, a transmissão é reduzida, gradativamente, níveis insignificantes, ao fim de poucos dias a ou semanas. As crianças, com Tuberculose pulmonar, geralmente não são infectantes. A tuberculose orofaríngea e intestinal adquirida pela ingestão de leite contaminado com é rara em nações desenvolvidas, porém ainda é Mycobacterium bovis observada em países portadores de bovinos leiteiros tuberculosos e naqueles com venda de leite não pasteurizado. Outras micobactérias, em especial as do complexo Mycobacterium avium M. tuberculosis , são muito menos virulentas em relação ao e raramente causam doença em pessoas imunocompetentes. Entretanto, causam doença em 10-30% dos pacientes com AIDS. É importante que a infecção por seja diferenciada da doença. A M. tuberculosis infecção é a presença dos organismos, os quais podem ou não causar a doença clinicamente significativa. Na maioria das pessoas, a tuberculose primária é assintomática, apesar de poder causar febre e efusão pleural. Organismos viáveis podem permanecer dormentes em tais lesões por décadas. Se as defesas imunes forem diminuídas, a infecção pode reativar para produzir doença comunicável e potencialmente ameaçadora à vida. Após a infecção pelo , transcorrem, em média, 4 a 12 M. tuberculosis semanas para a detec o das lesões primarias. A maioria dos novos casos de doenççã a pulmonar ocorre em torno de 12 meses após a infec o inicial. çã / Impresso por Medi, CPF 174.985.607-71 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 16/09/2020 14:30:23 Patogenia Pessoas imunocompetentes ão bloquear uma infecção potencial com ir macrófagos ativados, especialmente se a dose infectante for baixa, uma vez que a agressão por um microrganismo é seguida de uma rea o inflamatória inespecífica (resposta çã imunitária inata), que consiste na migra o de leucócitos (células efetoras) para os tecidos çã a fim de eliminar ou conter o agente invasor, resposta que geralmente é efic naz a eliminação do patógeno. Se a infec o progredir, o hospedeiro isola os patógenos em uma çã lesão fechada, denominada (significando protrusão ou massa), uma tubérculo característica que dá à doença seu nome. Quando a doenç é interrompida neste ponto, as a lesões cicatrizam lentamente, tornando-se calcificadas. Elas são mostradas claramente nos raios X, e são denominadas complexos de Ghon (a tomografia computadorizada [TC] é mais sen vel que os raios X para detectar lesões por TB). Se as defesas do corpo falham sí nesse estágio, o tubérculo se rompee libera bacilos virulentos nas vias aéreas do pulmão, e então nos sistemas cardiovascular e linfático. Tuberculose primária Na maioria dos indivíduos, a tuberculose primária, apesar da bacteremia, é assintomática e tem evolu o çã “benigna”. O primeiro contato do bacilo com o indivíduo (primoinfecção) determina diversas rea es: exsudativa (nódulo exsudativo), produtiva çõ (granuloma duro), produtivo-caseosa (granuloma com necrose caseosa) ou cicatrizante (nódulo calcificado). As manifestações patológicas da tuberculose, como os granulomas caseosos e a cavitação, são resultado da hipersensibilidade que se desenvolve em conjunto com a resposta imune do hospedeiro. Reação exsudativa Os bacilos inalados chegam aos alvéolos, onde macrófagos alveolares e células polimorfonucleares - neutrófilos - atraídos por PAMPs da bactéria são a primeira linha de defesa do hospedeiro. Nas três primeiras semanas de infec o, a resposta inflamatória çã pulmonar é inespecífica (pode ser confundida com pneumonia ou até mesmo um quadro gripal) e feita por neutrófilos e macrófagos. / Impresso por Medi, CPF 174.985.607-71 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 16/09/2020 14:30:23 O bacilo penetra em macrófagos por endocitose mediada por diversos receptores dos macrófagos, PRRs de manose se ligam à lipoarabinomanana, um glicolipídeo da parede celular bacteriana, e receptores do sistema complementos se ligam à bactérias previamente opsonizadas. Apesar de fagocitarem os bacilos, os macrófagos não os destroem, pois componentes do BK bloqueiam a fusão dos fagossomos com os lisossomos, impedindo a formação dos fagolisossomos, eficientes na eliminação microbiana. Com isso, os bacilos permanecem vivos e proliferam dentro dos macófagos. se Reação produtiva Como a resposta puramente exsudativa não é suficiente para conter o avanço do bacilo, é acionada uma segunda linha de defesa. Macrófagos contendo bacilos liberam IL-12, que estimula linfócitos T de padrão Th1 a liberar citocinas, sobretudo interferon- γ γ (IFN- ), que é o principal ativador de macrófagos, tornando-os capazes de matar os microrganismos. O interferon estimula a formação de fagolisossomos nos macrófagos infectados, expondo as bactérias a um ambiente ácido inóspito. O interferon também é capaz de produzir óxido nítrico, capaz de destruir diversos constituintes micobacterianos. O interferon também orquestra a formação de granulomas e necrose caseosa. Por ação do IFN- , macrófagos ativados transformam-se em células epitelioides; estas γ tendem a se aglomerar e a formar sincícios, originando células gigantes multinucleadas. Com a organiza o dessas células, a inflama o adquire o padrão granulomatoso. Na çã çã tuberculose, os granulomas contêm uma ou mais células gigantes no centro, ao redor das quais existem células epitelioides; na periferia, encontram-se linfócitos, macrófagos recém-chegados e poucos plasmócitos. Em algumas pessoas, a infecção progride devido à idade avançada ou imunossupressão, e a resposta imune contínua resulta em destruição tecidual devido a caseação e cavitação. Reação produtivo-caseosa Macrófagos, células epitelioides e linfócitos T causam a morte dos bacilos existentes no granuloma. Dependendo do número de bacilos presentes e do grau de hipersensibilidade do hospedeiro, surge necrose caseosa no centro do granuloma. Quanto maior a carga de bacilos e maior o grau de hipersensibilidade do hospedeiro, maior é a extensão da necrose nos granulomas. / Impresso por Medi, CPF 174.985.607-71 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 16/09/2020 14:30:23 Reação de cicatrização Com a morte dos bacilos e o controle da multiplica o bacteriana, o granuloma çã segue o curso natural de repara o de toda rea o inflamatória, que é sua colageniza o çã çã çã induzida pelo fator de crescimento de fibroblastos (FGF) secretado por macrófagos. Com isso, a lesão entra em processo de cicatriza o, hialiniza o e calcifica o. çã çã çã Complexo de Ghon A rea o inflamatória inicial e os granulomas, com ou sem necrose, formam-se çã preferencialmente na região inferior do lobo superior ou na superior do lobo inferior. O conjunto desses granulomas recebe o nome de nódulo de Ghon. A partir deste, os bacilos alcançam os vasos linfáticos e os linfonodos hilares, onde promovem o mesmo tipo de reação inflamatória, ou seja, linfadenite granulomatosa. Ao conjunto de nódulo de Ghon e linfadenite dá-se o nome de complexo primário ou complexo de Ghon. Esse complexo primário pode ter dois destinos: (1) cura, que ocorre na grande maioria dos casos. Em certas pessoas, alguns bacilos podem permanecer latentes (viáveis) nesses locais por muito tempo, mas sem provocar lesões (forma latente). (2) tuberculose- doença. Quando não há cura da infecção, os bacilos persistem nos tecidos, multiplicando- se e podem se disseminar para os próprios pulmões (pelas vias aéreas) ou para outros órgãos (pela via sanguínea). Esse quadro constitui a tuberculose primária progressiva. / Impresso por Medi, CPF 174.985.607-71 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 16/09/2020 14:30:23 / Impresso por Medi, CPF 174.985.607-71 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 16/09/2020 14:30:23 Tuberculose secundária Mais comum em adultos, é aquela que ocorre em indivíduo que teve anteriormente a primoinfec o. Como já comentado, ós a infec o primária os bacilos çã ap çã podem se retirar a um estado latente e metabolicamente inerte. Na vida adulta, por qualquer condi o que resulte em queda da imunidade, os bacilos latentes voltam a se çã multiplicar e dão origem a novos granulomas e a novas lesões (tuberculose por reativa o).çã Por serem aeróbios, os bacilos multiplicam-se preferencialmente nos ápices pulmonares (por es mais aeradas, com maior tensão de oxigênio e menor fluxo çõ sanguíneo), onde as lesões da tuberculose secundária são mais comuns. Outras vezes, o indivíduo que teve a primoinfec o curada bacteriologicamente çã sofre uma nova infecção. Por isso, a tuberculose secundária é também conhecida como tuberculose do adulto ou , podendo esta ser endógena ou tuberculose de reinfecção exógena. As lesões da tuberculose secundária apresentam-se em quatro formas macroscópicas: apical, cavernosa, ácino-nodosa e miliar. Tuberculose apical A reativação dos bacilos dá origem a granulomas produtivos, granulomas produtivo-caseosos e nódulos fibrocalcificados, em razão de surtos repetidos de ativa o, çã formação de granulomas e neoforma o conjuntiva. Por essa razão, nesses casos são çã frequentes extensas lesões fibrocaseosas nos ápices pulmonares. Tuberculose cavernosa Quando ocorre necrose extensa nos locais atingidos, o material necrótico se liquefaz e é drenado por um brônquio, dando origem a grandes cavita es conhecidas çõ como cavernas tuberculosas. Quando há destrui o também de vasos sanguíneos, surge çã hemoptise. O número, o tamanho e a forma das cavernas variam bastante. Com a fibrose que se formana sua parede e no parênquima adjacente, às vezes podem surgir outras lesões pulmonares Tuberculose miliar Com a expansão das lesões destrutivas, os bacilos podem penetrar nos vasos sanguíneos, através dos quais são levados a outros pontos no próprio pulmão e a vários outros ó ãos, sobretudo fígado, baço, rins, meninges e medula óssea. Forma-se assim rg / Impresso por Medi, CPF 174.985.607-71 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 16/09/2020 14:30:23 grande número de pequenos nódulos inflamatórios nos locais atingidos (nódulos miliares), constituindo a tuberculose miliar Tuberculose ácino-nodosa A partir da lesão apical ou de reativa o da lesão primária, pode haver çã proliferação dos bacilos e sua dissemina o pelas vias aéreas. O transporte dos bacilos çã através dos brônquios por a o dos movimentos respiratórios leva ao aparecimento de çã lesões axiais peribrônquicas que acompanham a histoarquitetura pulmonar. Nesses casos, a inflama o granulomatosa compromete caracteristicamente ácinos pulmonares inteiros, çã podendo ser reconhecida macroscopicamente como condensa o parenquimatosa com a çã forma acinar. Quando ácinos adjacentes são acometidos, formam-se as lesões em trevo. Se os bacilos atingem a pleura, forma-se pleurite tuberculosa, com derrame pleural. Manifestações clínicas As manifestações cl icas da tuberculose formam um espectro variável, que ín depende de fatores do hospedeiro, do patógeno e da interação destes, a virulência do / Impresso por Medi, CPF 174.985.607-71 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 16/09/2020 14:30:23 bacilo, a quantidade do inóculo e a suscetibilidade genética do hospedeiro também influenciam a apresentação clínica da doença Cerca de 5% das pessoas primo-infectadas desenvolvem doença clinicamente significativa. Em contraste com a tuberculose secundária, a tuberculose primária progressiva mais frequentemente se assemelha a uma pneumonia bacteriana aguda. A forma pulmonar se manifesta mais comumente como infiltrado nas regiões média e inferior dos pulmões, associado a linfadenomegalia hilar ipisilateral. Pode ocorrer atelectasia resultante da compressão brônquica extr seca provocada pela ín linfadenomegalia (síndrome do lobo médio). Essa forma da doença é responsável por grande número dos achados de nódulo pulmonar e/ou ganglionar calcificado em radiografia de tórax realizada por outro motivo. A tosse é o sintoma mais comum da tuberculose pulmonar, geralmente produtiva. A hemoptise ocorre como sintoma inicial em menos de 25% dos casos de doença em atividade. A dor pleurítica advém da inflamação do parênquima pulmonar adjacente à pleura. A dispneia correlaciona-se com o acometimento extenso do pulmão, que pode evoluir para insuficiência respiratória. Os sintomas sistêmicos, em sua maioria, são relacionados a citocinas liberadas por macrófagos ativados: febre é o mais frequente, ocorrendo em até 80% dos doentes, tendo como característica não exceder 38°C e surgir preferencialmente no período vespertino. Perda de peso, suores noturnos, perda de apetite, fraqueza e astenia são sintomas correlacionados com a TB, mas podem estar relacionados doenças com concomitantes. Os sintomas dependem do órgão acometido e são resultantes dos processos inflamatório e obstrutivo provocados pelas lesões. Os sintomas sistêmicos são muito menos frequentes.