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- CÉLULAS NERVOSAS E HISTOLOGIA GERAL 8
dendritos que partem do corpo celular e um único axônio. Estão espalhados
por todo o sistema nervoso, sobretudo como neurônios motores.
[2] Bipolares
Apresentam apenas dois prolongamentos que partem corpo celular, um
dendri to e um axônio. Localizam – se nos gânglios vestibular e coclear, na
retina e no epitélio olfatória da cavidade nasal.
[3] Pseudounipolares (ou unipolares)
Possuem um prolongamento que parte do corpo celular e se ramifi ca em um
ramo central (penetra no SNC) e um periférico (segue para o resto do corpo).
Ambos apresentam estrutura de axônio e são capazes de transmitir impulsos
nervosos, apesar de a porção distal do ramo periférico possuir pequenas
termi
nações dendríticas com função de recepção. Desse modo, o impulso é
transmiti do do ramo periférico para o central sem envolver o corpo celular.
Localizam- se nos gânglios espinais da raiz dorsal e em alguns gânglios
cranianos.
Figura 3. Classifi cação neurológica dos neurônios. Disponível em L.C.JUNQUEIRA; CARNEIRO, José. Histologia
Básica: Texto e Atlas. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ltda, 2013.
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3.1.3. Classificação Funcional dos
Neurônios
Os neurônios podem ser
classificados em três grupos de
acordo com sua função:
[1] Sensitivos (aferentes)
Recebem estímulos sensoriais do
de milímetros/dia) e corrente lenta
(poucos milímetros/dia). Há ainda ou
tro movimento de moléculas, desta
vez no sentido retrógrado, que leva
substâncias para serem utilizadas no
corpo celular.
Corpo celular→ Terminal axônico
o
d
a
r
g
ó
r
ambiente e do próprio organismo e os
e
t
n
enviam na forma de impulsos nervo
A
e
sos ao SNC.
t
r
o
p
s
n
a
r
T
[2] Motores (eferentes)
Após o processamento das informa
ções recebidas no SNC, esses neurô
o
nios conduzem impulsos aos órgãos
d
a
r
efetores (músculos e glândulas).
g
ó
r
t
e
R
e
t
[3] Interneurônios
r
o
p
s
n
Funcionam como integradores exclu
a
r
T
sivamente no SNC estabelecendo re
des complexas de circuitos entre ou
tros neurônios.
3.1.4. Transporte Axonal
Corresponde ao transporte de molé
culas e organelas entre o soma e os
terminais axônicos.
Há um movimento de moléculas ao
longo do axônio no sentido anteró
grado (saem do corpo celular). Essa
migração ocorre em dois tipos de ve
locidades: corrente rápida (centenas
Translocação de vesículas,
macromoléculas e enzimas
Síntese de neurotransmissores
Participação das cinesinas
Terminal axônico→ Corpo celular
Translocação de materiais
endocitados , proteínas e resíduos
Síntese de estruturas proteicas e degradação
Participação das dineínas
HORA DA REVISÃO As cinesinas e dineínas
são proteínas motoras que se associam aos
microtúbulos, deslizando pelos mesmo a partir
de uma mudança conformacional im
pulsionada pela hidrólise de ATP. As dineínas
caracterizam a via en docítica – transporte
retrógrado -, enquanto as cinesinas estão rela
cionadas à via secretora – trans porte
anterógrado.
TECIDO NERVOSO - CÉLULAS NERVOSAS E HISTOLOGIA GERAL 10
Além da distribuição de materiais, o
transporte também serve para per
mitir e garantir manutenção do cito
esqueleto do axônio.
SAIBA MAIS! O transporte axonal
retrógrado é usado por alguns
vírus para difundirem – se de um
neurô
nio para outro e para o transporte
de toxinas da periferia ao SNC.
Podemos citar como exemplo o ví
rus da raiva, que penetra nos ner
vos, é transportada para o corpo
celular e provoca um quadro de en
cefalite grave.
3.2. CÉLULAS DA GLIA
As células da glia ou a neuroglia são
responsáveis por fornecer proteção,
sustentação e suporte metabólico
aos neurônios. Costumam existir em
quantidades 10 vezes maiores em
relação ao número de neurônios em
nosso corpo, mas devido aos seus
pequenos tamanhos, ocupam aproxi
madamente a metade do volume do
tecido nervoso. Em lâminas coradas
em HE, elas não são bem evidencia
das, sendo possível apenas a visuali
zação de seus núcleos. Não são
capa zes de receber ou transmitir
impulsos
nervosos. São 4 tipos de neuroglia
central: astrócitos, oligodendrócitos,
micróglia, células ependimárias.
3.2.1. Astrócitos
São as maiores células da neuroglia.
Forma uma rede de células dentro
do SNC e se comunicam com
neurônios para modular e sustentar
muitas de suas atividades.
Apresentam formato estrelado e
podem ser de dois tipos:
PROTOPLASMÁTICOS
Presentes na substância cinzen
ta do SNC (parte mais externa do
encéfalo), apresentam maior nú
mero de prolongamentos que são
curtos e muito ramificados.
FIBROSOS
Presentes na substância branca
do SNC (parte mais interna do
encé falo), apresentam
prolongamentos menos
numerosos, mais longos e retos.
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Astrócitos Protoplasmáticos Astrócitos Fibrosos
Figura 4 – Desenho esquemático de astrócitos (protoplasmático à esquerda e fi broso à direita). Disponível em
PAWLI NA, Wojciech. Ross Histologia: Texto e Atlas. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ltda, 2016.
Os astrócitos se comunicam uns
com os outros por meio de junções
comu nicantes, estabelecendo uma
rede por onde informações podem
transi tar de um local para outro,
alcançando grandes distâncias no
SNC.
Suas principais funções são:
• Captura de íons, neurotransmis
sores e resíduos do metabolismo
neuronal liberados no espaço ex
tracelular por meio da emissão de
pés terminais;
• Ligação dos neurônios aos capila
res sanguíneos e auxílio na manu
tenção da barreira hematoencefá
lica;
• Liberação de glicose para o meta
bolismo energético no córtex
cere bral;
• Tecido cicatricial celular em áreas
danifi cadas do SNC.
• Fornecer cobertura para áreas des
nudas dos axônios mielinizados,
nos nós de Ranvier e nas
sinapses
• Modular as atividades neuronais
através do tamponamento da con
centração de potássio no espaço
extracelular encefálico.
SAIBA MAIS: A gliose é um pro
cesso no qual os espaços deixados
pelos neurônios mortos por
doença ou acidente no SNC são
preenchi dos pela proliferação
(hiperplasia) e pela hipertrofi a
(aumento de volu
me) dos astrócitos.
TECIDO NERVOSO - CÉLULAS NERVOSAS E HISTOLOGIA GERAL 12
3.2.2. Oligodendrócitos e as células
de Schwann
Os oligodendrócitos são células que
atuam no isolamento elétrico por
meio da formação da bainha de mie
lina no SNC a partir de seus prolon
gamentos, estando presentes tan to
na substância branca, quanto na
cinzenta. São semelhantes aos as
trócitos, porém menores e com pro
longamentos escassos e de poucas
ramificações. Nas lâminas histológi
cas, constituem as células que se co
ram mais intensamente.
Apresentam um citoplasma elétron
– denso, com um núcleo pequeno,
retículo endo plasmático rugoso
abundante, mui tos ribossomos
livres e mitocôndrias, além de um
complexo de Golgi bem
desenvolvido.
As células de Schwann desempe
nham a mesma função dos oligo
dendrócitos, isolamento elétrico, po
rém no SNP. Além disso, enquanto
um único oligodendrócito é capaz
de envolver diversos neurônios com
seus prolongamentos, uma célula de
Schwann envolve apenas um neurô
nio, podendo formar tanto
coberturas mielínicas quanto as
amielínicas dos axônios. Essas
células são achatadas bem como
seus núcleos e apresen
tam um pequeno aparelho de Golgi
e poucas mitocôndrias nos
citoplasmas. A microscopia
eletrônica demonstrou que a
mielina é a membrana plasmá
tica da célula de Schwann, organiza
da numa bainha que se enrola várias
vezes ao redor do axônio.
Ao longo de todo a extensão do axô
nio, interrupções com intervalos
regu lares ocorrem na bainha de
mielina, expondo o axônio; estas
interrupções são denominadas
nodos ou nódulos de Ranvier. Cada
nodo indica um in tervalo entre a
bainha de mielina de duas células
de Schwann ou oligo dendrócitos
diferentes localizados ao longo do
axônio.
No caso dos axônios amielínicos, há
uma única camada da membrana
plasmática e o citoplasma da célu la
de Schwann. Embora uma única
célula de Schwann possa mielinizar
somente um axônio, vários axônios