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Brasília-DF. IntradermoterapIa, preenchImento FacIal, toxIna BotulínIca, carBoxIterapIa, mIcroagulhamento e crIolIpólIse Elaboração Juliana Tironi Machado Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Sumário APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 6 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 7 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 9 UNIDADE I MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA ................................................................................. 11 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO À INTRADERMOTERAPIA .................................................................................... 11 CAPÍTULO 2 MEDICAMENTOS UTILIZADOS NA INTRADERMOTERAPIA ............................................................ 17 CAPÍTULO 3 PROTOCOLOS E TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DE INTRADERMOTERAPIA: SUGESTÕES DE PROTOCOLOS DE INTRADERMOTERAPIA .................................................................................. 41 CAPÍTULO 4 CLASSIFICAÇÃO DE GORDURA LOCALIZADA ......................................................................... 61 UNIDADE II PREENCHIMENTO FACIAL ..................................................................................................................... 68 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO AO PREENCHIMENTO FACIAL ........................................................................... 68 CAPÍTULO 2 TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DE PREENCHEDORES .................................................................... 82 UNIDADE III TOXINA BOTULÍNICA ........................................................................................................................... 113 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO À TOXINA BOTULÍNICA .................................................................................... 113 CAPÍTULO 2 TIPOS DE TOXINA BOTULÍNICA ............................................................................................... 118 CAPÍTULO 3 ANATOMIA ........................................................................................................................... 122 CAPÍTULO 4 RESULTADOS DE APLICAÇÃO DA TOXINA BOTULÍNICA ............................................................ 126 UNIDADE IV PEIM ................................................................................................................................................. 136 CAPÍTULO 1 PROCEDIMENTO ESTÉTICO INJETÁVEL PARA MICROVASOS .................................................... 136 UNIDADE V INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 ................................................................................................................................................................................... 142 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO E HISTÓRIA DA INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 ................................................................................ 142 CAPÍTULO 2 CARBOXITERAPIA E SUAS APLICAÇÕES ................................................................................. 151 CAPÍTULO 3 CARBOXITERAPIA NAS ALTERAÇÕES ESTÉTICAS ...................................................................... 156 UNIDADE VI MICROAGULHAMENTO ...................................................................................................................... 179 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 179 CAPÍTULO 2 OS MECANISMOS DA MICROPUNTURA ................................................................................. 184 CAPÍTULO 3 APLICAÇÃO DA MICROPUNTURA .......................................................................................... 194 UNIDADE VII CRIOLIPÓLISE .................................................................................................................................... 199 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO À CRIOLIPÓLISE .............................................................................................. 199 CAPÍTULO 2 OS MECANISMOS DA CRIOLIPÓLISE ..................................................................................... 202 CAPÍTULO 3 INDICAÇÕES DE CRIOLIPÓLISE ............................................................................................. 206 UNIDADE VIII ENDERMOLOGIA – DERMOTONIA ...................................................................................................... 212 5 CAPÍTULO 1 ENTENDENDO A ENDERMOLOGIA ........................................................................................ 212 CAPÍTULO 2 TÉCNICAS ............................................................................................................................ 216 CAPÍTULO 3 TIPOS DE PROTOCOLO ......................................................................................................... 220 PARA (NÃO) FINALIZAR ................................................................................................................... 225 REFERÊNCIAS ................................................................................................................................ 226 6 Apresentação Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial 7 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista. Para refletir Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões. Sugestão de estudo complementar Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso. Atenção Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado. 8 Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. Sintetizando Trechoque busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. Para (não) finalizar Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado. 9 Introdução Esta, sem dúvida, é a apostila mais aguardada pelos alunos deste curso. A partir de resoluções específicas, alguns cursos foram capazes de habilitar profissionais a entrar na área dos procedimentos estéticos injetáveis. Desse modo, esta apostila disponibilizará a vocês conhecimentos sobre quais ativos são usados na área da estética para tratamentos de disfunções estéticas e seu modo de aplicação. Também serão abordadas as técnicas de preenchimento com ácido hialurônico e toxina botulínica, carboxiterapia, microagulhamento, Procedimento Estético Injetável para Microvasos (PEIM), criolipólise e endermologia. Esses são tratamentos tanto faciais quanto corporais para obter conhecimento fisiológico e clínico ao mesmo tempo. A partir disso, o aluno poderá ter conhecimento teórico e domínio sobre as técnicas exigidas pelos seus respectivos conselhos na área de estética, poderá saber quais medicações devem ser usadas para uma finalidade específica, seja para rejuvenescimento, gordura localizada ou celulite e o porquê disso. Objetivos » Promover o conhecimento fisiológico, farmacológico e terapêutico das técnicas de intradermoterapia, aplicação de toxina botulínica, preenchimento facial e bioestimulação de colágeno, criolipólise e PEIM. » Compreender o mecanismo de ação das técnicas de intradermoterapia, aplicação de toxina botulínica, preenchimento facial e bioestimuladores faciais, criolipólise e PEIM. » Compreender o método de aplicação mais atual das técnicas de intradermoterapia, aplicação de toxina botulínica, preenchimento facial e bioestimuladores faciais, criolipólise e PEIM. » Ter domínio teórico sobre os procedimentos injetáveis. 10 11 UNIDADE I MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA CAPÍTULO 1 Introdução à Intradermoterapia Linha do tempo da mesoterapia A mesoterapia também é denominada Intradermoterapia. Ela é uma técnica bastante utilizada pelos profissionais da área da saúde estética, pois os resultados obtidos são extremamente relevantes e sua aplicação é relativamente simples. Porém, com o objetivo de compreender melhor os princípios que envolvem os tratamentos que utilizam a intradermoterapia, faz-se necessário ter um conhecimento prévio sobre os processos históricos que fundamentaram a técnica. 400 a.C: Hipócrates teria usado folha de figueira da Barbária (cacto) para tratar dores no ombro de um pastor local. No entanto, chineses já usavam essa técnica há 2.000 anos com martelos guarnecidos de pontas, denominada, acupuntura (LE COZ, 2012). 1793: foi comprovada a ação terapêutica de substâncias injetáveis, pelo Dr. Pravaz (LE COZ, 2012). 1832: o Dr. Pravaz inventa a seringa e a agulha oca (LE COZ, 2012).1900: na França, surge o “Ressuscitador”, aparelho que contém numerosas agulhas maciças fixadas. Com a ajuda de um sistema elástico essas numerosas agulhas são espetadas na pele, por unguento (LE COZ, 2012). 1910: na Bélgica, o Dr. Lemaire observa aplicações de procaína para tratar neuralgias, e, mais tarde, Leriche aplica procaína em gânglios e tendões dolorosos (LE COZ, 2012). 1948 a 1950 → os drs. Pistor e Lebel expandem as infiltrações locais de procaína para diversas áreas de aplicações (LE COZ, 2012). 12 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA 1952→ marco da mesoterapia – Dr. Pistor trata um sapateiro asmático com uma injeção de 10 mL de procaína por via intravenosa. No entanto, não há melhora evidente da dispneia, enquanto que a surdez dele diminui. Desse modo, Pistor teve a ideia de injetar localmente, ou seja, próximo ao lóbulo da orelha, doses baixas de procaína que resultou em diminuição substancial da surdez (LE COZ, 2012). 1953 → a técnica de Pistor é divulgada e muitos o procuram, no entanto, ele observa que a técnica não é eficaz para todos os pacientes surdos que ele trata. Entretanto, ele observa melhora em outros aspectos, por exemplo: dores da articulação temporomandibular são eliminadas, eczemas do conduto auditivo desaparecem e os zumbidos são reduzidos (LE COZ, 2012). 1953 a 1958→ os locais de injeção se multiplicam, promovendo a descoberta de outras indicações (LE COZ, 2012). 1958→ o nome mesoterapia é proposto na imprensa médica em um artigo publicado na revista La Presse Medicale em 4 de junho, por Pistor. Nesse artigo, ele destacava as novas propriedades da procaína local na patologia humana. Propõe que “A ação sobre os tecidos originários do mesoderma é tão significativa que esses tratamentos mereceriam o nome global de mesoterapia” (LE COZ, 2012). É interessante ressaltar nesse momento que, atualmente, a técnica não abrange somente tecidos da mesoderme (vasos, tendões, tecidos conectivos etc.), mas lesões dermatológicas (ectoderma), patologias digestivas (endoderma) também podem ser amenizadas pela mesoterapia (LE COZ, 2012). 1960 → o prof. Bordet pede ao Dr. Pistor que ensine mesoterapia aos estudantes de medicina veterinária. Isso vai até 1965, quando Bordet toma a liderança do ensinamento para os alunos (LE COZ, 2012). 1961→ primeiro livro publicado de Pistor: La Mésothérapie (LE COZ, 2012). 1964 → é criada por Pistor a Sociedade Francesa de Mesoterapia, nomeando o Dr. Lebel para a presidência. De primeira instância foram reunidos dezesseis médicos (LE COZ, 2012). 1976 → Pistor resumiu a técnica de mesoterapia com as seguintes palavras – “POUCO, POUCAS VEZES E NO LOCAL ADEQUADO” (LE COZ, 2012). Ainda nesse ano, Pistor reconheceu que suas recomendações eram empíricas, baseadas em sua própria experiência clínica (LE COZ, 2012). 1978 → Pistor faz uma conferência nos EUA, em Nova York (LE COZ, 2012). 13 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I 1980 → Pistor cria o multipuntor (seringa com multipunturas) (LE COZ, 2012). 1982→ falecimento do Dr. Lebel, sobre quem Pistor disse: “O homem que mais ajudou a mesoterapia em seus momentos difíceis acaba de falecer. Ele era meu mestre e meu amigo. Se a mesoterapia de hoje reúne nomes que começam a ser conhecidos, um deles, particularmente insubstituível, que está estritamente ligado ao início histórico da mesoterapia e que não poderá jamais ser esquecido, é o nome de Mario Lebel” ( LE COZ, 2012). Lebel teve três ideias e ações principais que foram: » a agulha curta ser o pequeno elo entre todos; » ter sido o primeiro presidente da Sociedade Francesa de Mesoterapia, em 1964; » a difusão da técnica entre os veterinários. 1912 → criado o primeiro diploma da Universidade de Mesoterapia pela Faculdade de Paris XIII (LE COZ, 2012). 1991→ Dr. Pistor cede seu lugar à frente da Sociedade Francesa de Mesoterapia ao Dr. Le Coz (Le Coz, 2012). 1992 a 2002→ os drs. Pistor e Le Coz viajam juntos pelo mundo para difundir a mesoterapia e ensiná-la aos médicos da América do Sul, Europa e África (LE COZ, 2012).2001→ surgiram trabalhos indexados no MedLine sobre o uso da intradermoterapia/mesoterapia para as dermatoses inestéticas (LE COZ, 2012). 2002→ criação do diploma interuniversitário. Qualificação do ato mesoterápico pelo Caisse Nationale d´Assurance Maladie (CNAM) (LE COZ, 2012). 2003→ falecimento do Dr. Pistor (LE COZ, 2012). 2004 → médicos americanos encontram-se na França (Paris) para estágios do Dr. Le Coz e partem para difundir a técnica de origem francesa para o outro lado do Atlântico. A partir daí Le Coz é regularmente convidado para ir ao Canadá e EUA ensinar a técnica aos colegas (LE COZ, 2012). 2005 → Ásia administra a nova abordagem terapêutica (LE COZ, 2012). 2007 → o diploma interuniversitário de mesoterapia já compreende cinco faculdades (LE COZ, 2012). 14 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA 2008 → até o momento o ato mesoterápicointroduzido na nomenclatura do CNAM ainda não foi numerado (LE COZ, 2012). Intradermoterapia na prática A intradermoterapia é uma técnica minimamente invasiva que consiste em injeções intradérmicas ou subcutâneas de várias misturas diluídas de extratos naturais de plantas, agentes homeopáticos, produtos farmacêuticos, vitaminas e outras substâncias bioativas que são infundidas em quantidades muito pequenas que variam de 0,1 mL a 0,2 mL por meio de múltiplas punturas dérmicas ao invés de poucas injeções (BROWN, 2006; TANRIKULU,2007; KALIL, 2006). Essa técnica também é conhecida como mesoterapia, no entanto, este nome não condiz apenas com um tratamento estético em específico, e sim, descreve um método de fornecimento de drogas. Além disso, o termo mesoterapia é proveniente da mesoderme, uma das três camadas germinativas do embrião que origina tecido conjuntivo, muscular, circulatório, entre outros (ROTUNDA; KOLODNEY, 2006). É interessante ressaltar que, antes da mesoterapia ser aceita como uma modalidade de tratamento estético, a intradermoterapia era utilizada no tratamento de diversas patologias, principalmente para dores e reumatismo (KALIL, 2006). Em 1952, Michel Pistor, um médico francês, foi o primeiro a relatar a utilização da mesoterapia com injeções de procaína próxima à orelha de pacientes com deficiência auditiva para melhorar a audição. Embora essa tenha sido restaurada por um curto período, foi relatada melhoria nas articulações, zumbido e eczema na região tratada (ROTUNDA; KOLODNEY, 2006; PISTOR, 1964). Desde então, a intradermoterapia vem se tornando cada vez mais popular no ramo estético, principalmente por sua extensa finalidade, pois pode ser usada para tratamento de rejuvenescimento facial, flacidez, hidrolipodistrofia ginoide, alopecia, redução de medidas e emagrecimento (DUNCAN; ROTUNDA, 2011; ROTUNDA, 2009). Mecanismo de ação da intradermoterapia Segundo Sivagnanam (2010), a derme é uma junção das funções imunológicas, circulatórias e neurológicas. Desse modo, ele propõe que a ação medicamentosa da técnica de intradermoterapia pode atuar em uma dessas funções desencadeando o processo de reparo, seja na flacidez ou na estria, produzindo colágeno e elastina, seja pela vasodilatação aumentando o processo lipolítico no local, por exemplo. 15 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I A pele tem uma propriedade de reservatório, principalmente no nível da camada córnea. A função de barreira é assegurada pela camada córnea, cuja eliminação aumenta consideravelmente a permeabilidade da pele (WEPIERRE, 1980a). Desse modo, os produtos injetáveis ativam os receptores dérmicos e se difundem lentamente, por meio da microcirculação. Não é necessária a presença física do fármaco no órgão alvo, pois o produto pode atuar por meio de receptores responsáveis por desencadear um influxo nervoso por liberar mediadores químicos com ações a distância. Esses receptores são numerosos, porém variam em quantidade segundo sua localização e profundidade (KAPLAN; COUTRIS, 1992). De modo geral, na mesoterapia preconiza-se a aplicação do medicamento na região mais próxima do órgão-alvo. É possível pensarmos que o produto injetado localmente tenha um valor energético, mais do que químico, em certas condições. Além disso, as moléculas grandes e os compostos fortemente lipofílicos são reabsorvidos de forma lenta e preponderantemente por via linfática. As moléculas pequenas são absorvidas principalmente por via sanguínea (WEPIERRE, 1980b). A retenção nas estruturas cutâneas e subcutâneas permite ao medicamento permanecer concentrado sob a zona de aplicação e produzir efeitos farmacológicos locais, enquanto sua difusão periférica permanece reduzida e não acarreta ação sistemática (LE COZ, 2012). A persistência de medicamentos nas regiões profundas da pele foi comprovada após aplicação de alguns corticoides, de tiroxina, de estradiol, entre outros. Esse experimento mostrou que, após a absorção, os medicamentos aplicados retornam diretamente ao coração sem passar pelo fígado (WEPIERRE,1980c). Os efeitos secundários por via intradérmica são reduzidos com relação às vias subcutâneas e intramuscular, uma vez que essas atingem a grande circulação de forma mais rápida quando comparada à via intradérmica (LE COZ, 2012). Disponível em: htp://www.vichy.pt/international/Lalaborat%C3%B3rios-Vichy/ Camada-granulosa-1cmp1204.aspx. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/abd/v86n1/v86n1a13.pdf Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls 000439406&fd=y. A puntura promove um estímulo no sistema neuroendócrino, dando origem à liberação de uma série de neurotransmissores, tais como: a encefalina responsável pela modulação da dor, promovendo um efeito anestésico após a sua liberação; a 16 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA betaendorfina responsável pela ação lipolítica e aumento da imunidade, aumentando a concentração de linfócitos T, como acontece também na prática de exercícios físicos; a substância decapeptídio, envolvida nas respostas inflamatórias, liberada quando se provoca uma irritação ao tecido, causando vasodilatação, taquifilaxia, aumento da permeabilidade venular (edema), eritema, liberação de ânion superóxido e outros mediadores como, histamina, prostaglandinas, enzimas lisossômicas e, finalmente induz a reação inflamatória irritativa, desencadeando reflexos somáticos e viscerais. A puntura promove também estímulo à produção de colágeno e elastina (recuperação tecidual) (MAYA, 2007). Mrejen em 1992, observou que injetando medicações em diferentes profundidades dérmicas, no caso entre 4 mm e 10 mm havia diferença no tempo de excreção da medicação. Aplicando em uma profundidade de 10 mm percebeu-se que o produto atingia a circulação mais rapidamente e sua eliminação ocorria antes do desejado. No entanto, quando o produto era aplicado em uma profundidade de 4 mm o tempo que o medicamento ficava disponível na camada era maior. Com isso, padronizou- se a aplicação da intradermoterapia em uma profundidade ideal de 4 mm. Nessa profundidade, após 10 minutos decorrentes da aplicação, a quantidade do fármaco no local da aplicação permanece em 50%. Em profundidades maiores que 4 mm, após 10 minutos a permanência do fármaco declina para 16% (TENNSTEDT, 1976; AMIN et al ,2006). Dessa forma, é evidente que as injeções intradérmicas se difundem por via sanguínea. Assim, concluiu-se que a difusão de um produto em intradermoterapia depende da profundidade a que é injetado. Esta diferença pode ser ilustrada com curvas de eliminação: o caminho intradérmica superficial teria uma curva de eliminação monoexponencial, enquanto que o caminho intradérmica mais profunda iria ter uma curva biexponencial (eliminação inicial mais rápido, correspondendo a uma injeção intravenosa, seguida de eliminação mais lenta no reservatório derme) (MREJEN,1992). Por muito tempo, a base de cada mistura foi a procaína. Atualmente, além da procaína utilizamos com muita frequência lidocaína ou soro fisiológico como solvente de base (LE COZ, 2012). Na hora da mistura das medicações na mesoterapia é importante saber que elas precisam ser preparadas em uma ordem precisa de pH para evitar flóculo (LE COZ,2012). 17 CAPÍTULO 2 Medicamentos Utilizados na Intradermoterapia Medicações Em 2012, saiu a Resolução nº 4.302 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) proibindo o uso de alguns extratos vegetais isolados ou associados com outras substâncias, são eles: » chá verde; » centella asiática; » ginkgo biloba; » melilotus; » castanha-da-Índia; » dente-de-leão; » sinetrol; » ayslim; » girassol. Posteriormente, em 2013, foi publicada outra Resolução, a nº 128 da ANVISA, proibindo o princípio ativo Tiratricol. Além disso, substâncias alcoólicas e oleosas foram proscritas dos tratamentos injetáveis mesoterápicos por apresentarem risco de desenvolvimento de necrosetecidual. Atualmente, outras substâncias também foram proibidas pela ANVISA, como os lipossomas de girassol, por não ter nenhuma comprovação científica, em relação a sua eficácia e por poder irritar e causar alergias na pele. Extrato de polifenóis da alcachofra, pois, quando aplicada no corpo, essa substância pode deixar vermelhidão, coceiras e manchas arroxeadas que não saem. Mais recentemente, a ANVIS, suspendeu uso de desoxicolato de sódio e seus derivados. 18 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Não obstante, a intradermoterapia tem uma vasta variedade de medicamentos que podem ser utilizados em diferentes tratamentos. A seguir, estão listadas algumas classes medicamentosas e os medicamentos que fazem partes delas. » anestésicos/paticolíticos; » venotróficos (venolinfáticos ou vasoativos); » lipolíticos; » eutróficos entre outros. Anestésicos/paticolíticos Na grande maioria dos protocolos de intradermoterapia, os anestésicos, preferencialmente utilizados para minimizar a dor do procedimento, são lidocaína a 1% (para as condições agudas) ou procaína a 1% (para condições crônicas) sem epinefrina. Na França, drogas como buflomedil (vasodilatador) e pentoxifilina também são utilizados, pois se acredita que podem aumentar a microcirculação no tecido local, e facilitar a eliminação de resíduos metabólicos.(ADELSON, 2005). Em estudos com animais, a pentoxifilina tem demonstrado ter um efeito anti- hiperalgésico. Ervas como alcachofra, ginko biloba, melilotus também são utilizadas para melhorar a circulação local (VALE et al., 2004). Procaína (pH - 5,0) A procaína é uma amina secundária, pertencente ao grupo éster. É considerada um anestésico fraco de curta duração (~1h). Sua toxicidade é 110 vezes maior por via intravenosa em relação à via subcutânea. A procaína é utilizada na mesoterapia por suas propriedades simpaticolíticas, analgésicas e vasodilatadoras (CALAIS,1987). Lidocaína (1% ou 10 mg/mL) A lidocaína é um anestésico local de pH neutro (6,0-7,5) mais potente que a procaína com potência de 60 a 75 minutos. Apresenta um período de latência menor que a procaína sendo o mais estável entre todos os anestésicos conhecidos. É uma amida. Existem várias diluições de lidocaína na mesoterapia, sendo a mais encontrada e utilizada a de 1%. Um estudo sobre as reações secundárias com 2.839 pessoas que aplicaram 19 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I injeções de mistura contendo lidocaína não mostrou nenhum choque anafilático ou vagal (CAHIER,1990). Anestésicos locais geralmente atravessam a bainha do nervo na forma não ionizada, porém interagem com os receptores situados na membrana neural na forma ionizada, estabilizando o potencial da referida membrana, bloqueando a condução nervosa. A despolarização talvez ocorra devido à interferência com o fluxo de íons Na+ e K+ através da membrana plasmática (CAHIER,1990). A lidocaína assim como outros anestésicos locais podem ser ineficazes em áreas inflamadas, pois, nessas, o pH, por ser mais baixo facilita a ionização das moléculas de lidocaína, dificultando assim sua penetração nas fibras nervosas (CAHIER,1990). Apesar da sua grande utilização na prática clínica, a lidocaína pode apresentar alguns efeitos adversos, tais como: reações locais de origem alérgica ou citotóxicas, dores, edemas, neurite e dermatite e eczematoide. Venotróficos (venolinfáticos ou vasoativos) Os vasoativos são muito usados na mesoterapia, e sua utilização parece ter efeito importante. São fármacos responsáveis pelo efeito vasodilatador, permitem uma melhor absorção e difusão dos outros fármacos (LE COZ, 2012). Segundo Mrejen (1992), haveria uma terceira circulação no corpo humano, além da sanguínea e da linfática. Existiria uma circulação entre o plasma e o líquido intersticial, mais especificamente na substância fundamental amorfa da derme. Assim, os medicamentos injetados ficariam no interstício dérmico e seriam absorvidos por unidades microcirculatórias, atravessariam a parede capilar e atingiriam a circulação linfática ou sanguínea, de acordo com a especificidade do produto (HERREROS et al., 2011). Buflomedil (Alfabloqueador 10mg/mL pH-6,5) Utilizado nos fenômenos de insuficiência venosa, pois é um vasodilatador arteriolar, é importante para o aporte de oxigênio no tecido. Estimula a drenagem de toxinas. Além disso, inibe a agregação plaquetária melhorando o fluxo sanguíneo. O mesmo pode ser usado via intradérmica em celulite e alopecia e subcutânea para gordura localizada. Por fim, não se observam reações adversas em intradermoterapia devido à baixa dosagem utilizada (ADELSON, 2005). 20 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Minoxidil O minoxidil promove ação vasodilatadora periférica. É indicado para alopecia, pois estimula a microcirculação em torno do folículo piloso auxiliando o crescimento capilar (LE COZ, 2012). Estimula os folículos em fase de miniaturização, ou seja, de pequeno diâmetro e hipopigmentados, estimula a multiplicação de células da matriz (na raiz do cabelo). Deve ser usado por 1 a 4 meses, para se observar o crescimento. Deve-se passar por manutenções. Finasterida A finasterida é inibidora da 5alfa-redutase tipo 2. Ela reduz em dois terços a transformação de testosterona em DHT. Este composto não reduz as ações fisiológicas da testosterona, diminui apenas as concentrações de DHT. Ocorre inicialmente um aumento na contagem folicular, com pico aos doze meses, e logo após, aumento na espessura dos fios. Os efeitos se perdem após doze meses de descontinuação do uso. É importante fazer manutenção. Benzopirona (5mg/mL pH-7,0) A benzopirona é conhecida também como cumarina. Ela atua principalmente na redução do edema, aumentando a resistência da parede dos vasos e diminuindo o conteúdo de macromoléculas no interstício (o que faz com que o edema se perpetue). Por ser uma substância marcadora (substância ativa) do Melilotus, diminui a fragilidade dos capilares, otimiza o retorno venoso e assim diminui o edema local. Favorece a migração de macrófagos para o local do edema e, dessa forma, contribui para a fagocitose de macromoléculas impróprias do interstício que desencadeiam o edema (VALE et al., 2004). Ela também reduz a inflamação. Benzopirona com rutina (pH -0,5%-2,5%) A benzopirona e a rutina atuam em sinergismo melhorando a circulação periférica e diminuindo a fragilidade capilar. Dessa forma, otimizam o retorno venoso e reduzem o edema. São indicados para a realização de protocolos para o eixo vascular. Apresentam ação antioxidante (MREJEN, 1992). A rutina é um flavonoide, age na cadeia do ácido araquidônico diminuindo a inflamação e a permeabilidade capilar. Sintetiza colágeno, aumenta a produção de elastina e proteoglicanos. O uso desse composto é intradérmico. É um composto considerado 21 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I vasculoprotetor e venotônico (MREJEN,1992). Apresenta ação lipolítica estimulada pelas catecolaminas e hormônios lipolíticos. Pentoxifilina (20mg/mL pH-7,0-8,5) As pentoxifilinas apresentam ação sobre a deformabilidade das hemácias. São consideradas vasodilatadores periféricos. Além disso, elas são utilizadas em membros inferiores por serem considerados medicamentos interessantes para celulite em grau III e IV (JULL et al, 2002). Além de sua ação vascular, atribui-se a ela propriedades anti-inflamatórias, fibrinolíticas e lipolíticas (GEORGE, 2008). Medicamentos lipolíticos São aqueles medicamentos que por meio de diferentes mecanismos de ação têm a capacidade de quebrar a gordura localizada. Estimulam a lipólise e/ou inibem a lipogênese no nosso organismo (RIBEIRO, 2010). Sabe-se que a quebra de gordura estocada nos adipócitos é regulada pelos receptores α-2 e β-receptores, na superfície da célula adipocitária. A lipólise ocorre por hormônios, incluindo estrógeno ou estimulantes químicos, incluindo a cafeína, por exemplo. A atividadedo β-receptor aumenta a lipólise. Já a atividade do receptor α-2 inibe o β-receptor. Por isso, a ativação β-adrenérgica e a inibição α-2 adrenérgica aumentam a lipólise nos adipócitos (MATARASSO; PFEIFFER, 2005). O número de razão de α-2 e β-receptores nos adipócitos varia em diferentes áreas do corpo, por exemplo: quadril e coxa contêm mais α-2-receptores. Desse modo, a gordura nessas áreas é mais resistente à lipólise. Já os β–receptores são encontrados em maior quantidade no abdômen (MATARASSO; PFEIFFER, 2005). É interessante salientar que a lipólise representa um processo pelo qual os triglicérides intracelular são hidrolisados, ou seja, degradados em ácidos graxos livres e glicerol, os quais ficam disponíveis na circulação. No entanto, a lipólise não produz um efeito permanente, tais como: apoptose ou necrose celular. Em vez disso, a lipólise dispara uma resposta metabólica aguda que é, com toda a probabilidade, transitória (ROTUNDA, 2005). Devido a isso, deve ser orientado para a paciente, tanto durante quanto após o tratamento estético, permanecer com a reeducação alimentar e a prática de exercício físico, para assim manter por mais tempo os resultados da intradermotrapia. Não obstante, estudos já salientaram que o desoxicolato de sódio também é capaz de levar o adipócito a morte celular por apoptose e necrose (MATARASSO; PFEIFFER, 2005; JAYASINGHE et al., 2013). 22 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Os lipolíticos apresentam mecanismos importantes como, diminuição na formação de triglicérides (lipogênese); inibição na fosfodiesterase e aumento de AMPc, que, quando ativada, inibe a lipólise; bloqueio dos alfa receptores; estímulo dos beta receptores e bloqueio dos receptores neuropeptídeos (esses agem principalmente na celulite, restabelecendo a macrocirculação local e diminuindo o edema) (RAWLINGS, 2006; DUNCAN, 2007; RIBEIRO, 2010). Não é recomendado o uso de terapias que estimulem a circulação periférica logo após o procedimento nem mesmo a realização de atividades físicas. O aumento da circulação periférica induz a perda de medicamento do tecido para a corrente sanguínea, contrariando o princípio da técnica. Algumas medicações e mesclas medicamentosas, assim como formas de aplicações podem vir a causar uma discreta reação de resposta celular no nível do panículo adiposo que reveste o plano muscular. Trata-se de um pequeno afluxo de células linfoides diversas (fibrócitos, histiócitos, macrófagos, plasmócitos) localizados na periferia das grandes células vasculares de gordura. Nota-se também uma vasodilatação dos capilares. Tipos de medicamentos lipolíticos Cafeína (250mg/mL, 5% ou 50mg/mL, pH- 7,0) A cafeína ou 1,3,7-trimetilxantina é lipossolúvel e, quando ingerida, é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal. Sua metabolização acontece no fígado, iniciando com a retirada dos grupos metila 1 e 7, reação catalisada pelo citocromo P450 1A2, levando à formação de três grupos metilxantinas. Sua ação lipolítica se deve à mobilização dos ácidos graxos livres dos tecidos ou estoques intramusculares. Atua ainda como competidor dos receptores de adenosina e, como esses atuam inibindo a lipólise, tem-se um aumento nos níveis de AMPc, que ativa as lipases hormônios sensíveis, promovendo a lipólise (MELLO; KUNZLER; FARAH, 2007). Sua ingestão pode contribuir para o aumento da perda de peso e para a manutenção dele, por meio da oxidação da gordura e termogênese (DUNCAN, 2007). Seu efeito estimulante sobre o sistema nervoso central se dá pelo aumento da concentração plasmática de noradrenalina. Assim, estimula o processo lipolítico ao inibir a fosfodiesterase, aumentar a meia-vida do AMPc e, consequentemente, a atividade da proteína quinase A (PKA) e da lipase hormônio sensível (LSH) (CURI et al., 2003). 23 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Além disso, parece aumentar os níveis de proteínas desacopladoras do tipo 3 (UCP- 3) no tecido adiposo branco. As proteínas desacopladoras estão presentes nas mitocôndrias das células e têm a capacidade de desacoplar a fosforilação oxidativa por dissipar, na forma de calor, o gradiente eletroquímico que foi gerado pelo processo respiratório. É por meio desse processo que nos mantemos aquecidos durante o inverno, a chamada termogênese. Foi demonstrado que animais transgênicos que expressavam essas proteínas além do normal apresentaram redução do tecido adiposo. Portanto, esta seria outra ação da cafeína na lipodistrofia localizada e no fibroedema ginoide (RAWLINGS, 2006; MORI et al., 2009). A cafeína também é encontrada no mercado na forma combinada com a sinefrina, que é extraída da laranja amarga, recebendo o nome comercial de Amarashape®. A sinefrina tem estrutura semelhante à adrenalina, se liga a receptores adrenérgicos dos adipócitos e aumenta a quantidade de AMPc intracelular levando à lipólise. Considerando que a cafeína é a substância lipolítica mais conhecida, que atua inibindo a fosfodiesterase (que faz a quebra do AMPc), a junção desses dois princípios aumenta a quantidade de AMPc e, consequentemente, a atividade lipolítica (TERRA; MININ; CHORILLI, 2009). A teofilina, outra metilxantina, tem taxa de permeação cutânea inferior à cafeína, baixa solubilidade em água e efeitos secundários marcantes, mas o ácido teofilino acético, um derivado da teofilina, é hidrossolúvel e seguro para uso tópico (RIBEIRO, 2010). Resumindo, a cafeína inibe de fosfodiesterase, aumenta o AMPc intra-adipocitário e consequentemente estimula a lipólise. Faz parte da família das xantinas. É indicada para tratamentos com gordura localizada e celulite (hidrolipodistrofias) e estimula o SNC. (MORI et al., 2009). Além disso, aumenta a termogênese e a oxidação das gorduras (maior metabolização dos ácidos graxos). Geralmente utilizada nas hidrolipodistrofias, mas favorece claramente os hematomas. É preferível, portanto, injetá-la por meio subcutâneo com dose baixa, diluída (MORI et al., 2009). No entanto, este composto pode ser visto em aplicações intradérmicas (para gordura localizada) e intramuscular (melhora o desempenho físico, pois ativa o metabolismo) também (MORI et al., 2009). Na aplicação intramuscular, pode apresentar reações como taquicardia e insônia em pacientes mais sensíveis. Além disso, podem ocorrer interações em pacientes fumantes, metabolizando mais rápido o composto, ou em pacientes que fazem uso de anticoncepcional, retardando a metabolização (RIBEIRO, 2010). 24 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Contraindicação: para pacientes que apresentam hipersensibilidade às xantinas, hipertensos e cardiopatas (RIBEIRO, 2010). Substâncias da família das xantinas como cafeína, aminofilina entre outras são estimulantes lipolíticos, ou seja, aumentam os beta-receptores dos tecidos adiposos promovendo a lipólise no local tratado (VELASCO et al., 2008; MORIMOTO et al., 2001). Pentoxifilina (pH-7,0) Como já falado no tópico dos venotróficos, esta xantina apresenta efeito benéfico na microcirculação por inibir a agregação plaquetária, melhorar a deformidade dos eritrócitos diminuindo a viscosidade do sangue e por apresentar efeito vasodilatador sobre os capilares (GUIRRO; GUIRRO, 2007). Indicada para tratamentos com gordura localizada e celulite. As reações adversas que pode apresentar são urticária e prurido no local da aplicação, mas que regride ao término do tratamento (GUIRRO; GUIRRO, 2007). Aminofilina (pH-9,0) Esta última xantina apresentada também tem ação lipolítica aumentando a produção de AMPc e consequentemente quebrando os triglicérides em ácidos graxos e glicerol. Ela inibe a produção de prostaglandinas e liberação de histamina e leucotrienos diminuindo o processo inflamatório. Também é indicada para tratamento de celulite (GUIRRO; GUIRRO, 2007). Pode apresentar dor no local da aplicação e sensação de calor. É contraindicada para aplicação intramuscular em para cardiopatas (GUIRRO;GUIRRO, 2007). Ioimbina (0,5%, 5 mg/mL, pH-5,0) Alcaloide da planta Pausinistalia yoimbina, antagonista de receptor alfa adrenérgico em adipócitos. Este antagonismo induz a lipólise intra-adipocitária. Em outras palavras, se liga a receptores alfa 2 adrenérgicos aumentando a disponibilidade de ligação da norepinefrina a receptores beta 2 adrenérgicos, consequentemente aumentando a lipólise e diminuindo a lipogênense (RASCOVSKI, 2000). É indicada para tratamento com gordura localizada, nas mulheres: quadril e coxa; nos homens: região lateral do tronco (RASCOVSKI, 2000). Não deve exceder dose máxima de 10 mg/mL por sessão (RASCOVSKI, 2000). 25 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Não se deve associar este composto com cafeína (xantinas) e a outras substâncias de pH alcalino ─ precipitação. As reações locais podem ser de ardor no momento da aplicação e, por ter uma ação vasodilatadora, podem ocorrer hematomas. É contraindicado para pacientes com hipersensibilidade à ioimbina, hipertensão ou problemas cardíacos. Essa medicação apresenta complicações na maioria dos pacientes, muitos relatam sentir reações como calafrios e náuseas por 3 horas após a aplicação. Geralmente recomenda-se ao paciente não se alimentar por 2 horas antes de aplicar este composto (RASCOVSKI, 2000). L-carnitina (30%, 300mg/mL, pH-7,0) É um aminoácido sintetizado nos tecidos, que favorece a hidrólise total da molécula de ácido graxo na mitocôndria. Aumenta o ATP nos músculos quando associado ao exercício físico (KEDE; SABATOVICH, 2009; RIBEIRO, 2010). É responsável por transportar os ácidos graxos livres do citosol para as mitocôndrias para assim serem oxidados. Além disso, pode ser usada via intradérmica e intramuscular. As reações causadas podem ser de ardor no local da aplicação (KEDE; SABATOVICH, 2009; RIBEIRO, 2010). Outros aminoácidos podem também ser utilizados, como L-ornitina associado com L-arginina atuam na mobilização de gorduras do organismo. L-taurina evita a degradação das proteínas favorecendo o uso de gorduras como fonte de energia e aumentando a insulina, a qual melhora o metabolismo da glicose. Na aplicação intramuscular é interessante associar com inositol trifosfato (KEDE; SABATOVICH, 2009; RIBEIRO, 2010). Para melhorar o desempenho recomenda-se fazer restrição de carboidratos e gorduras na dieta, fazer exercícios físicos. Também é interessante utilizá-la com outros lipolíticos trifosfato (KEDE; SABATOVICH, 2009). Mesoglicano (pH-7,0) Apresenta ação lipolítica estimulando a lípase e inibindo e dificultando a deposição de gordura, sendo ideal para tratamento de celulite graus III e IV. Tem tendência a causar hematomas, sendo interessante associar com benzopirona. Além da sua ação lipolítica, o mesoglicano apresenta ação fibrinolítica e antiedema por lisar as traves fibrinogênicas e reorganizá-las (CHORILLI et al., 2007). 26 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Desoxicolato de sódio (4,75% pH-7,0) O desoxicolato de sódio é um sal biliar solúvel em água que promove a lise celular, levando à redução do tecido adiposo subcutâneo (ROTUNDA et al., 2004), além disso, também tem sido demonstrada redução de lipomas (ROTUNDA et al., 2005). No intestino, ele é capaz de emulsificar a gordura proveniente da alimentação, sendo também um produto metabólico de bactérias intestinas (JAYASINGHE et al., 2013). Brown (2006) discutiu o possível papel do desoxicolato de sódio no tecido adiposo. Ele sugeriu que este composto dentro do tecido subcutâneo, poderia desempenhar quatro diferentes formas, a micela, vesículas e/ou monômeros e cristais. Deste modo, o desoxicolato de sódio em forma de vesículas e/ou monômeros leva à necrose celular. Quando na forma de micela, poderia resultar na mobilização da saída da gordura dos adipócitos, e, por fim, na forma de cristal poderia ser prejudicial às células, o que dependeria da sua concentração (BROWN, 2006). Matarasso (2009) relata que a associação de desoxicolato de sódio com vasodilatadores resulta em uma rápida absorção do desoxicolato de sódio para dentro da célula. Sua aplicação deve ser subcutânea. Se aplicado via intraderme causa necrose, sendo que 5% dos pacientes têm chances de formação de nódulos doloridos. Sua duração persiste de 7 a 15 dias. As reações comuns da aplicação deste composto são vermelhidão, prurido, inchaço (até 5 dias), leve incomodo no local, que persiste durante todo o tratamento (BROWN, 2006). Desox-sil (desoxicolato de sódio 4,75%/silício 3%) – exclusivo da marca PINEDA. Apresenta ação emulsionante de gorduras, a formulação especial permite o uso do desoxicolato de sódio em veículo diferenciado fosfolipídico com maior biocompatibilidade, facilitando a dispersão pelo tecido, aumentando o número de células atingidas com redução dos efeitos colaterais. Apresenta menor edema e menor risco de fibrose e formação de nódulos Para tratamentos com desoxicolato de sódio, aconselhe seu paciente a fazer semanalmente drenagem linfática, sempre 48 horas após a aplicação. Caso ocorra nódulo, indique na hora do banho para que massageie o local ou então, faça massagem no local com uma compressa de água quente. Para que ocorra o mínimo possível de nódulo, é essencial aplicar 0,1 mL por ponto. No entanto, não é só isso que fará ocorrer o nódulo, já que este faz parte do mecanismo de ação do composto. Este produto deve ser usado sempre com um anestésico e venolinotrófico. 27 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Não fazer retroinjeção com desoxicolato de sódio Figura 1. Após duas sessões de intradermoterapia com o protocolo desoxicolato de sódio, L-carnitina, buflomedil, lidocaína, cafeína, houve uma redução de 13 cm na circunferência abdominal total. Fonte: Machado, autorizada pelo paciente da autora da apostila, 2015. Figura 2. Complicações com desoxicolato de sódio após má conduta na aplicação ─ Necrose tecidual. Fonte: http://www.arinosnoticias.com.br/noticia/6657/Aumenta-numero-de-mulheres-feridas-ao-tentar-eliminar-gordura-em- Cuiaba. Silício orgânico (0,5%, ou 5 mg/mL, pH6,0) Apresenta ação lipolítica pelo aumento de AMPc, consequentemente bloqueando a enzima fosfodiesterase como também apresenta ação eutrófica regenerando as fibras dérmicas. É elemento estrutural do colágeno, elastina, proteoglicanos e glicoproteínas. Apresenta ação antifibrótica e antioxidante, opondo-se a peroxidação lipídica. É indicada para lipodistrofias, celulite, mesolifting facial, hidratante, antinflamatória, antienvelhecimento e estrias (KEDE; SABATOVICH, 2009). 28 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Eutróficos São responsáveis por melhorar o tecido conjuntivo, desse modo, agem estimulando as produções de fibras colágenas, reorganizam as já existentes e contribuem para a formação da matriz extracelular deste tecido (LE COZ, 2012). Fatores de crescimento Os fatores de crescimento são proteínas reguladoras, mediadores de vias de sinalização no interior das células e entre elas. Eles são encontrados em vários tecidos em fase de cicatrização e renovação celular (ZOE, 2009). São mediadores biológicos naturais que atuam sobre os processos de reparo e regeneração. Os fatores de crescimento podem ser aplicados em cicatrização e cura de ferimentos, ação anti-aging, estímulo de crescimento capilar, inibição de crescimento de pelos, crescimento de cílios e tratamento para manchas, sendo utilizados com o intuito de remover células epidermais danificadas, estimular a produção de novas células e nutrir as existentes (BEN et al., 2006). São indicadas para estrias, flacidez e rejuvenescimento facial: » IGF: aumenta níveis de colágeno e elastina, estimula a mitose celular, estimula os folículos capilares a produzirem um cabelo mais denso e forte. Importante papel no crescimento capilar (BEN et al., 2006). » EGF: melhora a aparência de cicatrizes e manchas, reduz e previne rugas pela ativação de novas célulasda epiderme (BEN et al., 2006); » TGFb3: estimula novas células da epiderme, reduz rugas e estrias pelo estímulo da síntese de colágeno e elastina (BEN et al., 2006); » b-FGF: melhora a elasticidade da pele e a circulação periférica (BEN et al., 2006); acelera a cicatrização em feridas abertas e as repara, reduz e previne linhas e rugas de expressão pela ativação de novas células na derme; » VEGF: estimula o crescimento capilar, facilita a nutrição do folículo e induz a angiogênese (BEN et al., 2006). » AFGF-FC: estimula o crescimento capilar e inibie sua despigmentação, aumenta a circulação sanguínea do couro cabeludo e promove a revitalização dos folículos capilares; induz síntese de colágeno e elastina. 29 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Ácido alfa-lipoico (0,05%) O ácido alfa-lipoico é sintetizado naturalmente pelo organismo, com atuação no fígado, rins e coração. Foi descoberto em 1951, por sua atividade nos processos de síntese de energia como coenzima atuando na descarboxilação oxidativa do ácido pirúvico e dos alfas cetoácidos. Mais tarde suas propriedades antioxidantes foram descobertas e, então, sua utilização foi voltada para a redução de processos inflamatórios e em combate ao envelhecimento. Atualmente, é utilizado para tratamentos em estrias, flacidez e rugas, é um importante antioxidante, anti-inflamatório e lipotrópico. É contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da formulação (PERRICONE, 2001) O ácido alfa-lipoico apresenta dupla solubilidade (em água e em gordura ─ lípides), dessa forma consegue penetrar facilmente em todas as partes e estruturas da célula protegendo-a contra a ação dos radicais livres. Por ser um elemento sintetizado naturalmente pelo organismo, o ácido alfa-lipoico exerce diversas funções no organismo, dentre as quais podem ser citadas: regulação do metabolismo lipídico e carbônico, ação lipotrópica, ação anti-inflamatória, atuando como antioxidante metabólico por controle de radicais livres. Provoca restituição das funções mitocondriais devido à atividade antioxidante e por fazer parte do complexo de enzimas presentes nesta categoria (PERRICONE, 2001). Benefícios após a aplicação: » redução da inflamação; » melhora do aspecto da elasticidade e tônus da pele; » diminuição de rugas finas; » diminuição das dimensões, coloração e profundidade das estrias; » prevenção do eritema causado pela exposição ao sol; » alisamento do relevo das cicatrizes hipertróficas e normotróficas; » suavisa as rugas profundas. Sugestão de protocolo de aplicação Aplicação ponto a ponto ou retroinjeção uma vez por semana durante seis semanas a depender da avaliação/anamnese. 30 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Ácido glicólico (1%) O ácido glicólico é um agente ceratolítico de pH 3,5 extraído da cana de açúcar pertencente ao grupo dos alfa-hidroxi-ácidos. É constituído por dois átomos de carbono que lhe conferem uma rápida difusão a nível intercelular por ser hidrofílico. Por não necessitar de proteínas plasmáticas para exercer sua função é indicado para tratamentos como fotoenvelhecimento, mesolifting facial, estrias jovens e flacidez (HERNANDEZ; FRESNEL, 1999). O ácido glicólico apresenta ação ceratolítica por diminuir a coesão de corneócitos por interferência na formação de ligações iônicas, destruindo a proteína que une um corneócito a outro. Além disso, atua na síntese de glicosaminoglicano e outras substâncias da matriz intracelular da derme (HERNANDEZ; FRESNEL, 1999). Os glicosaminoglicanos promovem uma intensa hidratação devido à grande capacidade de absorção de água. Por esta razão, preenche as lacunas deixadas nas estrias, rugas, flacidez cutânea. Histologicamente, observa-se aumento na espessura do estrato granuloso na epiderme na adesão da união dermoepidérmica e do número de fibras elásticas, colágenas e seu reordenamento, reposicionando-as paralelamente (HERNANDEZ; FRESNEL, 1999). Consequentemente estimula a síntese de colágeno e elastina. Aumenta a incorporação de prolina no colágeno (HERNANDEZ; FRESNEL, 1999). Ácido mandélico (pH- 5,0) Apresenta as mesmas propriedades que o ácido glicólico, só difere no tamanho da molécula, sendo esta última maior. É contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da formulação e aos alfa-hidroxi-ácidos (GARG et al.,2009) Glucosaminoglicanos (GAG) Gel amorfo constituído por condroitin sulfato, queratan sulfato, heparan sulfato e dermatan sulfato. Apresenta forte agregação às proteínas de ligação, é uma estrutura organizada e estimula a síntese de matriz extracelular, promove efeito esponja na derme (CHORILLI et al., 2007). Indicado para preenchimento transitório, flacidez dérmica facial e corporal, estrias jovens e antigas (CHORILLI et al., 2007). 31 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Ácido hialurônico (40mg/2mL ou 2,5% ou 60mg/mL) O ácido hialurônico, um polissacarídeo aniônico (anteriormente chamado de mucopolissacarídeo de alto peso molecular, está presente naturalmente na matriz extracelular do tecido conjuntivo, liga-se a proteínas e outros polissacarídeos aniônicos, atraindo moléculas de água formando uma matriz em forma de gel, dando sustentação aos tecidos. Aumenta a espessura derme-epiderme mantendo sua elasticidade e auxiliando em suas trocas metabólicas. Principal glicosaminoglicano da pele. É indicado para tratamentos como flacidez facial e corporal, mesolifting facial e estria, por apresentar poder hidratante, cicatrizante e hidroscópico (CHORILLI et al., 2007; HERREROS et al.,2011). O ácido hialurônico tem grande capacidade de absorção de água (cada molécula de ácido hialurônico consegue reter de 200 a 500 moléculas de água). Quando aplicado por via intradérmica também ocorre hidratação intensa, preenchendo as lacunas deixadas pela estria e pela flacidez cutânea. O ácido hialurônico incorpora-se à matriz que proporciona elasticidade, tonicidade e maciez à pele. Além disso, devido a sua ação anti-inflamatória impede a criação de cicatrizes e aderências. É contraindicado para pacientes alérgicos a polissacarídeos. Deve-se evitar aplicações próximas a áreas vascularizadas (irritação e inflamação) (CHORILLI et al., 2007; HERREROS et al., 2011). Ácido hialurônico com condroitin (XADN) O condroitin também é um polissacarídeo que auxilia no equilíbrio do tecido conjuntivo (HERREROS et al., 2011). Essa associação XADN é indicada para flacidez por melhorar a hidratação da pele, o uso intradérmico, e em estrias, devido à ação anti-inflamatória do condoritin, melhora a cicatrização. Seu uso é por retroinjeção. É contraindicado para pessoas com alergia aos componentes da fórmula (HERREROS et al., 2011). Colágeno (1%) O colágeno é uma das proteínas que formam as fibras do organismo. É constituído principalmente pelos aminoácidos glicina hidroxiprolina, hidroxilisina e prolina. O colágeno está presente em grande quantidade nos tendões, pele, ligamentos e músculos. Suas fibras formadas por um arranjo regular de moléculas de tropocolágeno são praticamente inextensíveis e tem como característica principal a resistência a tensões. É indicado para tratamentos de flacidez facial e corporal e estrias, devido ao 32 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA seu poder hidratante e eutrófico do tecido conjuntivo (MACIEL; OLIVEIRA, 2011; KEDE; SABATOVICH, 2009). Quando aplicado por via injetável, o colágeno exerce o eritema de preenchimento em locais no qual as fibras de colágeno e elastina estão danificadas, como em estrias, sulcos e regiões que apresentam flacidez (MACIEL; OLIVEIRA,2011; KEDE; SABATOVICH, 2009). O colágeno hidrolisado é 90% mais digerível do que o colágeno nativo. Ele também diminui a aparência das rugas e evita o envelhecimento precoce. Para melhorar a absorção de colágeno pelo organismo deve-se aliar sua ingestão com alimentos ricos em vitamina C. O colágeno hidrolisadoé muito importante para os adeptos das dietas pouco calóricas, pois o baixo valor calórico na alimentação contribui para a perda de colágeno. Cabelos e pele são diretamente beneficiados com o seu uso. DMAE (3%) DMAE ou 2-Dimetilaminoetanol é um composto que funciona como estabilizador e antioxidante da membrana plasmática celular e eficaz anti-aging. Tem excelente ação tensora a curto e longo prazo, sendo precursor da acetilcolina, o neurotransmissor responsável pela contração muscular. Além disso, estimula a produção de fibroblasto na síntese de matriz extracelular (PERRICONE, 2001). Apresenta efeitos lifting antirrugas, anti-idade, diminuindo os sinais do envelhecimento. Desse modo, é indicado para o tratamento de flacidez dérmica e muscular tanto facial quanto corporal (abdômen, parte interna de braços e pernas) (PERRICONE, 2001). Deve ser injetado uma vez por semana ponto a ponto, em todo o rosto, mesmo ao redor dos olhos e pálpebras superiores e inferiores e pescoço. O efeito lifting dura em torno de 3 a 4 horas, no entanto, há efeito acumulativo com o uso (PERRICONE, 2001). A reação adversa pode ser coceira e vermelhidão. Este tratamento é contraindicado para pacientes que usam botox, por possuir efeito antagônico (PERRICONE, 2001). Elastina (1%) A elastina é uma das proteínas que formam as fibras do organismo, sendo indicada para flacidez corporal e facial e estrias. Apresenta grande poder hidratante e nutritivo (KEDE; SABATOVICH, 2009). 33 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Com o envelhecimento, vários processos ocorrem na derme e epiderme que podem danificar as fibras colágenas, tais como: ação de radicais livres, associação de lipídeos aos grupamentos hidrofóbicos e aumento de conteúdo de cálcio e magnésio. Esses fatores formam as fibras mais espessas e frágeis, fato que leva à perda de sua flexibilidade com risco de consequente rompimento. Alterações bruscas de peso, que promovem o chamado “efeito sanfona”, também podem romper essas fibras, provocando o aparecimento de estrias, linhas de expressão e flacidez na pele (MACIEL; OLIVEIRA,2011; KEDE; SABATOVICH,2009). Silício orgânico (1mg pH-7,0) - Trissilinol O silício orgânico apresenta efeito lipolítico, como também antioxidante e eutrófico no tecido conjuntivo. É indicado para tratamentos de flacidez facial, estrias, gordura localizada, celulite associada a flacidez e rugas ─ geralmente associado a um venotrófico (KEDE; SABATOVICH, 2009). No organismo humano constitui um elemento estrutural do tecido conjuntivo atuando como um blocatalizador, intervindo em diferentes processos enzimáticos (KEDE; SABATOVICH, 2009). O silício orgânico participa da constituição das macromoléculas que formam o tecido conjuntivo como elastina, colágeno, proteoglicanos e glicoproteínas evitando sua degeneração e favorecendo e estimulando sua regeneração induzida e regulando a proliferação dos fibroblastos (KEDE; SABATOVICH, 2009). Atua também como regulador, normalizador, estimulante e protetor dos processos metabólicos e de divisão celular atuando como agente antioxidante, opondo-se a peroxidação lipídica por reorganizar os fosfolípides da membrana. Dessa forma, o silício participa do envelhecimento precoce (KEDE; SABATOVICH, 2009). O silício induz e regula a produção de fibroblastos no tecido conjuntivo; atua como antioxidante inibindo a formação de radicais livres por participar da constituição das macromoléculas que formam o tecido conjuntivo; reduz a degeneração das fibras de colágeno e elastina e estimula sua regeneração (KEDE; SABATOVICH, 2009). O silício orgânico não deve ser aplicado em pessoas que apresentam alergia aos componentes da fórmula e aos salicilatos e seus derivados (KEDE; SABATOVICH, 2009). DMAE está citado nos artigos científicos para uso tópico na sua forma base (líquida). 34 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Vitamina C (20% ou 222mg/mL, pH-6,0) Trabalhos demonstram que, embora a capacidade proliferativa e a síntese de colágeno dependam da idade, o ácido ascórbico é capaz de estimular a proliferação celular bem como, a síntese de colágeno pelos fibroblastos dérmicos independente da idade. A vitamina C atua também como importante cofator para enzimas (PERRICONE, 2001). É essencial para a formação do colágeno e não é produzida pelo organismo. À medida que a pele envelhece, a derme torna-se fina e seu colágeno diminui. Essas alterações aceleram-se ainda mais com a exposição a raios UVA e UVB de forma crônica (PERRICONE, 2001). Por sua ação na biossíntese do colágeno e por seu efeito redutor de radicais livres, a possibilidade de liberar doses farmacológicas de ácido L-ascórbico via percutânea apresenta-se como uma importante terapêutica (PERRICONE, 2001). Benefício: » potente ação antioxidante; » restaura a luminosidade da pele fotoenvelhecida; » estimula a síntese de colágeno e elastina. Uso intradérmico, sua principal indicação é flacidez, mesolifting facial e estrias. Apresenta reações como ardor momentâneo no local da aplicação. Outros tipos de medicamentos utilizados São aqueles fármacos que não se enquadram em nenhuma das categorias citadas anteriormente ou por possuírem mecanismo de ação diferente. Mesoglicano (pH- 7,0) Além do que já se observou nos comentários do tópico lipolítico, o composto mesoglicano apresenta ação fibrinolítica. Seu estímulo se dá pela lipase advinda das lipoproteínas. Desse modo, inibe depósito de lípides e melhora o endotélio vascular. Seu uso é intradérmico. Tem efeito adverso por causar hematoma e quando associado a benzopirona. É contraindicado a pessoas com hipersensibilidade a heparinoides (CHORILLI et al., 2007). 35 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Hialuronidase (pH-5,5) É uma enzima proteolítica. Este produto parece poder ser degradado pela aplicação de antisséptico alcoólico. Atribui-se a ele uma responsabilidade de “descompartimentação” na celulite, bem como propriedades de estimulação dos fibroblastos. No entanto, ele pode causar reações locais intensas imediatas ou retardadas. É capaz de mudar a permeabilidade do tecido conjuntivo, diminuir edema. Seu uso pode ser intradérmico para celulite ou subcutâneo para gordura localizada (CHORILLI et al., 2007). Há necessidade de fazer teste cutâneo As reações que podem vir a causar são processos alérgicos (eritema, prurido, vermelhidão) até depois da 4ª aplicação. A aplicação deve ser feita intralesional em uma concentração de 200 UTR por local onde foi feito o preenchimento irregular. Frasco: 3000URT em 10mL soro 200 UTR = 0,7mL Ácido tranexâmico Age nos compostos que atuam na diferenciação dos melanócitos inibindo-os e assim evitando a formação de mais células produtoras de melanina. É indicado para a redução da pigmentação do melasma; a remoção de hemossiderina; a remoção da hiperpigmentação da pele resultante de cicatrizes de acne; manchas senis; hormonais, medicamentosas e por exposição solar e para tratamento para olheiras (ALBUQUERQUE, 2005). Reduz a atividade da tirosinase (enzima responsável pela síntese de melanina). Ácido kójico Despigmentante natural, não é fotossensível e não causa alergia, diminui a produção de melanina pela tirosinase (MAYUMI et al.,2007). Associando dois despigmentantes na fórmula de ação sinérgica otimizam-se os resultados. Exemplo: ácido glicólico, vit C, entre outros ativos (MAYUMI et al.,2007). Tem ação antioxidante e ajuda na prevenção do envelhecimento cutâneo. 36 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Tripeptídeo – 41 Derivado do fator de crescimento TGFβ, é um produto nanolipossomado. Desse modo, apresenta facilidade na absorção. É indicado para tratamentos de gordura localizada e celulite (ROVER et al., 2001; CHORILLI et al., 2007). O tripepdeo-41 ativa NFkb que aumenta a produção de citocinas pró-inflamatórias como o TNFα. Ele aumenta o AMPc em adipócitos e bloqueia o Ɣ (esses são receptores importantesna adipogênese). Reduz a expressão de C/EBP (fator de transcrição essencial na adipogênese) e, por último, mas não menos importante reduz o acúmulo de triglicérides pela inibição de PPARƔ C/EBP (ROVER et al., 2001; CHORILLI et al., 2007). Coenzima Q10 Desempenha papel fundamental no metabolismo energético, e na proteção antioxidante das células. No entanto, diminui a partir dos 30 anos. Conhecido como ubiquitinona, esta coenzima é encontrada em todas as células do nosso organismo, principalmente nas musculares, cardíacas e do músculo esquelético. Fortalece sistema imunológico, ativa a produção de anticorpos, tem ação antioxidante, neutraliza os radicais livres, retarda o envelhecimento e ajuda a regenerar a vit C e a vit E. Previne doenças cardíacas e melhora distúrbios cardiovasculares como a hipertensão. Biotina É a vitamina do complexo B, conhecida como vit B7 e vitamina H. Processa gorduras, proteínas e carboidratos, gerando energia para o corpo e produzindo ácidos que mantêm a pele, as unhas e os cabelos em ótimo estado. Sua ausência pode deixar a pele seca, escamosa e com vermelhidão ao redor da boca e nariz. Metionina Aminoácido essencial, não é produzido pelo organismo e deve ser ingerido através da dieta. Contém enxofre, substância necessária para a produção do antioxidante natural. A glutationa, também produz a cisteína e a taurina. Ajuda no processo de eliminação das toxinas, cria tecidos saudáveis e promove a saúde cardiovascular. 37 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Crisina Extraída da planta Passiflora coeruela, apresenta atividade fitoestrogênica, antioxidante e ansiolítica. É considerada uma “isoflavona anabólica”, pelo seu efeito antiestrógeno, impedindo a conversão da testosterona em estrogênios. D-Pantenol Vitamina D, o D-pantenol, forma ativa do ácido pantotênico do grupo da coenzima A, é uma substância que apresenta papel dos mais importantes na regulação dos processos de suprimento de energia. Ele se fixa em cada célula viva e, auxilia na construção da célula e manutenção normal do crescimento. Ao ser aplicado na pele ou nos cabelos, ele se converte em vitamina B5, sua forma bioativa, exerce poder hidratante e acelera a regeneração celular, promove também a queratinização da pele e do cabelo. Inositol Apresenta ação no metabolismo celular, com ação energética. Membro das vitaminas do complexo B, hidrossolúvel, essencial para o metabolismo das gorduras, e pode auxiliar na redução dos níveis do colesterol. Ajuda na redução da aterosclerose. L-taurina Utilizada como suplemento energético devido ao seu efeito desintoxicante, facilita a excreção de substâncias não mais úteis ao organismo. Produz aumento do fluxo sanguíneo, auxilia na utilização da gordura como fonte de energia. L-arginina Lipolítica, drena toxinas e combate flacidez. Muito utilizada em todos os tipos de lipodistrofias e níveis de celulite; tratamento de pequenos panículos de gordura; bons resultados para protocolos combinados com carboxiterapia. L-prolina Atua na produção de colágeno. Quando associado a lisina, vit C e cobre apresenta melhores resultados. Suas funções são fortalecer tendões e ligamentos, reparar musculatura e tecido vascular, cardioprotetor e ajuda no envelhecimento cutâneo. 38 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA L-lisina Efeito supressor: impede a replicação do vírus Herpes simplex, não pode associar a L-arginina (serve de meio de cultura ao vírus). L-fenilalanina Atua na produção de tirosina; aumenta a dopamina (melhora a depressão e Parkison); aumenta a produção de colecistoquina que é um sacietogênico, pois aumenta o tempo do alimento no estômago – protocolos de apetite/emagrecimento. Contraindicado associado a fenilcetonúricos. L-ornitina Aminoácido essencial, produzido pela utilização da hidrólise da L-arginina. Ornitina tem papel importante na produção do hormônio do crescimento e é usada para aumentar a massa muscular durante a redução de gordura corporal. HMB Betahidroxibetametilbutirato (HMB) é o aminoácido que deriva do metabolismo da leucina. Sua ação decorre da redução da proteólise muscular e aumento da massa magra, desse modo, auxilia na eliminação da massa gorda corporal. Apresenta ação anticatabólica, ou seja, preserva a quantidade de massa magra durante os exercícios. Atua de modo a beneficiar o crescimento das células e a produção de proteínas, o que garante a hipertrofia muscular. BCAA São aminoácidos de cadeia ramificada; sua forma injetável se assemelha com a oral, mas os comprimidos ou o pó dessa substância ao ingerir apresenta ação generalizada, enquanto que ao injeta-la, apresenta ação local, ganho de massa muscular. Composição: isoleucina, valina e leucina, associado a l-carnitina, l-arginina, vit B6, magnésio, zinco e lidocaína. Realizado uma vez por semana, após a aplicação o paciente, deve realizar atividade física em um período curto, de apenas 2 horas, para conseguir um maior efeito desse composto nas fibras musculares. 39 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Picolinato de cromo Mineral essencial para a produção de insulina. O aumento da insulina melhora o recebimento de glicose, e a circulação sanguínea e a manutenção dos níveis de açúcar no sangue. Pode resultar em ganho de energia, queima de gordura e construção de massa muscular. Indicado para pessoas que não conseguem emagrecer porque consomem altas taxas de doce. Inibidor de apetite e vontades. Picolinato de cromo + exercício físico = diminui gordura e melhora a massa muscular. 5HTP Hidroxitriptofano, age da mesma forma que o triptofano, é percursora da serotonina, neutransmissor responsável pela sensação de bem-estar. Este composto sai facilmente da corrente sanguínea em direção ao cérebro e aumenta os níveis de serotonina no sistema nervoso central, contribuindo para o humor. Ele também favorece a liberação da leptina, hormônio da saciedade, e também melhora a qualidade do sono e o combate dos sintomas da TPM. Morosil Suplemento natural, feito a partir do extrato seco da laranja Moro, encontrada no Mediterrâneo. Seus benefícios são: gerenciamento do peso, aumento da sensibilidade a insulina, redução dos triglicérides e colesterol total, redução da gordura abdominal, potente antioxidante. Vitamina B12 – metilcobalamina Necessárias reações de metilação: trio (complexo B, b12 e B9) +taurina Indicações: distrofia muscular – regenera terminais nervosos motores; esclerose múltipla, Alzheimer – melhora a memória e a comunicação; Parkinson – atua no metabolismo, L-dopamina, autismo (SC), sistema imunológico, hipotireoidismo, doença renal e psoríase Deficiência: exame dosar b12 (211 – 911pg/mL) Ideal é acima de 700 pg/mL Dose diária 1000 mcg 40 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Efeito colateral – acne temporária Benefícios da vitamina B12 - Auxilia na formação e reparo de células. Previne anemia, protege o sistema nervoso; fornece resistência e energia; previne o surgimento do câncer; atua na pele, unhas e cabelos; auxilia na fertilidade masculina; reduz peso; aumenta massa magra. Não há diferença na quantidade recomendada para homens e mulheres, mas gestantes necessitam de apenas 0,0026 mg diários, enquanto as lactantes precisam de 0,0028 mg também diário. A vitamina b12 é hidrossolúvel: o excesso é eliminado sem qualquer tipo de armazenamento. Desse modo, deve-se consumir as quantidades recomendadas diariamente. PQQ Vitamina do complexo B: 100x mais potente que a vitamina C. Apresenta co-fator de oxirredução: neutraliza superóxidos e hidroxilos – cardioprotetor e neuroprotetor. Aumenta o número de mitocôndrias, promove biogênese (ativa genes de reprodução). Protege DNA mitocondrial e preserva os já existentes. Indicação: envelhecimento precoce, terapia oxidativa, metabolismo, melhora performance, atividade física, previne cabelos brancos. Cuidado: IM/EV promove um calor súbito seguido detontura (duração de 30-40 min). Gluconato de cobre O íon cobre melhora a tonalidade da pele agindo como cofator da tirosinase responsável por transformar a tirosina em melanina. 41 CAPÍTULO 3 Protocolos e Técnicas de Aplicação de Intradermoterapia: sugestões de protocolos de intradermoterapia Os protocolos são essenciais no nosso dia a dia; no entanto, para que possamos desenvolvê-los da melhor forma possível, precisamos ser capazes de dominar a técnica, além de ter conhecimento dos ativos, mas isso já foi visto no capítulo anterior. Além disso, precisamos saber avaliar o real problema do nosso paciente. Dessa forma saberemos qual protocolo deve ser utilizado para obter os melhores resultados. Abaixo, são apresentados alguns exemplos de protocolos, sugestões interessantes a serem usadas no cotidiano. Contudo, na prática, acabamos desenvolvendo nossos próprios protocolos, sem contar que, em muitos casos, será necessário desenvolver protocolos personalizados, o que os diferenciará no mercado de trabalho. Atualmente, além dos tratamentos injetáveis, sempre fazemos prescrições de cápsulas ou tópicos, dependendo para o que for o tratamento, para que o paciente/cliente permaneça com a conduta home care. Assim, obtemos melhores resultados pela associação e pela rotina de tratamentos que o paciente acaba entrando, trazendo mais assiduidade e desempenho dele. Despigmentante Aplicação intradérmica por toda a extensão da mancha a ser tratada, adicionar 0,1mL por ponto durante doze semanas, sendo realizada uma vez por semana. » ácido tranexâmico 8mg; » ácido kójico 20mg; » lidocaína 8mg; » veículo qsp 2mL. Flacidez corporal ou facial ou estrias » ADN (ácido hialurônico 10% + condroitin 2,5%) 2mL; » elastina 1% 2 mL; 42 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA » lidocaína 1% 2mL; » silício orgânico 1mg/2mL; » DMAE 3%/2mL. Rugas e linhas de expressão » ácido hialurônico 40mg/4mL; » glucosamina 20%/4mL; » silício orgânico 1mg/2mL. Flacidez corporal » ácido hialurônico 10%/2mL; » DMAE 3%/2mL; » condroitin sulfato 200mg/2mL. Flacidez facial I » ácido glicólico 1%/2mL; » DMAE 3%/2mL; » ácido hialurônico 40mg/2mL; » lidocaína 1%/2mL. Flacidez facial II » condroitin sulfato 10%; » ácido hialurônico 0,06%; » silício orgânico 0,5%; » DMAE 2,5%; » lidocaína 1%. 43 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Rejuvenescimento facial I » DMAE 7%; » lidocaína 2%. Rejuvenescimento facial II » IGF;TGP2; » EGF; » ácido mandélico; » ácido kójico; » GAG. Estria vermelha » IGF; » vitamina C 20%; » ácido hialurônico 1% + condroitin 2,5% (XADN); » silício orgânico 10mg/mL; » glicerinol; » lidocaína 1%. Estria branca Mescla I » IGF; » vitamina C; » polidocanol 0,5% - 0,5mL; 44 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA » silício orgânico 10mg/mL; » componente isolado - Gluconato de Cobre 0,28% - 0,5mL. Mescla II » ácido hialurônico 0,06%; » buflomedil 1%; » sulf. magnésio 10%; » silicium P 3%; » lidocaína 1%. Observação Importante Em casos de estrias em que a aparência delas está branca é indicado utilizar nas primeiras aplicações o Gluconato de cobre observando a necessidade de aplicação em cada sessão, uma vez que ele persiste agindo no local por uma semana e obtendo a coloração desejada da pele retirar o medicamente da mescla. Flacidez corporal Mescla I » silício orgânico 10mg/ml; » colágeno 2%; » IGF; » TGF; » ácido hialurônico 1%. Mescla II » DMAE 2,5%; » silício orgânico 0,5%; 45 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I » polidocanol 0,5%; » lidocaína 1%; » GAG 17,2%. Celulite » benzopirona + Rutina 1mg/2mL; » cafeína 50 mg/2mL; » mesoglicana; » lidocaína 2%. Celulite grau II » ioimbina 0,5%; » buflomedil 1%; » crisina 100mcg; » L-carnitina 30%; » lidocaína 10%. Celulite grau III » desoxicolato 122mg; » pentoxifilina 2%; » crisina 100mcg; » silício orgânico 0,5%; » lidocaína 1%. 46 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Para gordura localizada Mescla I » desoxicolato de sódio 4,75%; » cafeína 100mg/2mL; » silício orgânico 10mg/mL; » buflomedil 10mg/2mL; » lidocaína 1%. Mescla II » tripeptideo -41 1,2% 2mL; » cafeína 10mg/2mL; » lidocaína 1%; » silício orgânico 10mg/2mL; » aminofilina 40mg/2mL. Intramuscular ─ emagrecimento » aminofilina 20mg; » furosemida 5mg; » lidocaína 40 mg; » cafeína 100 mg; » inositol 100mg » ceículo qsp 5mL. 47 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Emagrecimento grau I Mescla I » picolinato de cromo 200mcg; » L-ornitina 150mg; » L-fenilalanina 50mg; » inositol + taurina 200mg; » lidocaína 10 mg. Mescla II » vitamina B12 + metionina + inositol + colina 2mL; » L-cornitina 600mg; » L-ornitina 150mg; » L-fenialanina 2,5%; » lidocaína 2%. Mescla III » L-carnitina 600mg/ 2mL Emagrecimento grau II e III; » L-Fenilalanina 2,5%/ 2mL; » L-ornitina 150 mg / 2mL; » lidocaína 1% 2mL. Os protocolos devem ser desenvolvidos uma vez na semana, pois são técnicas desconfortáveis e podem gerar hematomas. Muitas vezes o hematoma não desaparece em uma semana. Na hora do procedimento não pode aplicar na região que ainda apresenta o hematoma, pois o paciente terá dor e não terá efeito naquele local. Alguns protocolos de flacidez podem ser realizados a cada duas semanas, para ocorrer o estímulo de colágeno, se atentar nos ativos envolvidos. 48 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Protocolos para gordura localizada: pode ocorrer de alguns pacientes incharem muito, desse modo realiza-se a aplicação a cada 15 dias. Técnicas manuais de aplicação As técnicas manuais de aplicação são realizadas por via parenteral, sendo as mais utilizadas na intradermoterapia ou mesoterapia a intradérmica, a subcutânea e a intramuscular. A aplicação intramuscular não é considerada uma técnica mesoterápica, uma vez que Pistor relata que a técnica consiste em injeções intradérmicas ou subcutâneas de um fármaco ou de uma mistura de vários produtos denominada, melánge ou mesclas. Outras técnicas conhecidas e utilizadas na aplicação é a técnica ponto por ponto, descrita pela primeira vez por Pistor, a qual envolve a aplicação da mescla no volume de 0,02 a 0,05mL perpendicular à pele (4 mm de profundidade) com uma distância de 1 a 2 cm entre os pontos. As injeções são aplicadas com pouco volume sempre perpendicularmente à pele em uma profundidade precisa na derme profunda, distanciando em torno de 1 a 2 cm. Como relatado acima, esta técnica é usada principalmente para redução da gordura localizada (ADELSON, 2005). A técnica Nappage é mais superficial (2 mm de profundidade), ocorre pressão constante sobre o êmbolo durante a aplicação, como se imitasse uma máquina de costura em um ângulo de 45°, com uma agulha de 4 mm. Este procedimento é um dos mais desconfortáveis para o paciente. G técnica é utilizada no couro cabeludo e na celulite (ADELSON, 2005). Nesta técnica de Nappage, com um movimento de vibração rápido no pulso, o profissional produz múltiplos impactos invisíveis no nível da epiderme. O gesto deve ser perfeitamente dominado para evitar escoriações cutâneas durante o mesolifting bem como o sangramento. O produto depositado nessas multipucturas é absorvido rapidamente. Isso porque esta técnica permite estimular as seguintes estruturas sub-basais e basais(LE COZ, 2012): » unidade microcirculatória: importante efeito vasoativo (alternância cruzada de vasoconstrição e vasodilatação) (LE COZ, 2012); » unidade de competência nervosa: efeito mecânico direto da ponta da agulha sobre os receptores sensitivos da camada córnea (LE COZ, 2012); 49 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I » unidade de competência imunitária: efeito farmacológico dos medicamentos utilizados na camada basal para a imunoestimulação(LE COZ, 2012); » unidade de competência fundamental: a absorção cutânea dos produtos é rápida. Ela segue uma passagem transdérmica. A substância fundamental é supostamente visada por essa passagem (LE COZ, 2012). Esta técnica é realizada em toda a extensão da face e pescoço, principalmente. A técnica epidérmica será relatada no tópico a seguir. Figura 3. Ângulos de inserção da agulha segundo a via de administração: intramuscular (IM), subcutânea (SC) e intradérmica (ID). Intradérmica 10º- Intravenosa Subcutânea Intramuscular 90º Músculo Tec. subcutâneo Derme Epiderme Intramuscular 90º Subcutâneo 45º Intravenoso 25º Intradérmico 10º- Fonte: http://carlos-sobrinho.blogspot.com/2013/06/angulo-de-perfuracao-com-agulha.html. Intraepidérmica Esta é a mais superficial (1 mm de profundidade) de todas as técnicas, em que a camada basal da pele não é penetrada. As agulhas de calibres 27-31 são usadas com o bisel orientado para longe da pele e arrastado ao longo com uma leve pressão positiva aplicada ao êmbolo, feito de um padrão em grelha, a intervalos de 1 cm ao longo de toda a área afetada. Esta técnica é útil para pacientes com baixo limiar de dor e é ideal para o rejuvenescimento facial (ADELSON, 2005). 50 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Múltiplas injeções de pequenas doses de medicamentos, em locais precisos, em uma única sessão que exigem muito do profissional. Para superar esta difícil tarefa, muitos profissionais usam um dispositivo chamado Mesogun. Os benefícios da Mesogun incluem injeções mais rápidas, entrega precisa da dose, profundidade consistente de penetração e mais conforto para o profissional e o paciente (LEIBASCHOFF, 2006). Além das tradicionais agulhas e seringas para o tratamento, também podem ser utilizadas sofisticadas pistolas de mesoterapia. Essas pistolas possuem injetores eletrônicos de múltiplos pontos que permitem a quantificação do volume e da profundidade da aplicação. A desvantagem no uso da pistola está na dificuldade de esterilização de todo o conjunto, uma vez que somente a agulha é descartável (HERREROS et al., 2011; ROHRICH et al., 2005). Nesta técnica de injeção utiliza-se uma agulha de 13 mm de comprimento com um diâmetro de 0,29 mm (30 G) (LE COZ, 2012). A agulha é colocada superficialmente à pele, ou seja, a 15º aproximadamente com o bisel para cima. A técnica tradicional pode ser utilizada para tratamento de estrias, flacidez e rejuvenescimento facial. Nestes procedimentos é necessário fazer uma pápula para administrar a medicação, também a 15º. Na estria esse tratamento deve ser aplicado dentro dela; na flacidez, em toda a extensão e no rejuvenescimento, em pontos-chave para a produção de colágeno e elastina da área tratada (LE COZ, 2012). Quando for aplicar a técnica de intradermoterapia para rejuvenescimento na face e pescoço, os principais pontos a considerar serão: » oval do rosto pescoço e colo; » músculo plastima; » músculo orbicular oral; » zona dos malares; » músculo orbicular ocular; » músculo prócero; » músculo corrugador do supercílio; » zona da testa; » profundidade das injeções 0,5 a 4,0 mm. 51 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Quando o produto a ser injetado for líquido, injetar como pápula, quando o produto for denso, injetar na derme e não mais na epiderme, caso contrário, o composto pode permanecer dias aparente na pele. Já o líquido, quando aplicado em pápula, fica alguns minutos, horas no máximo. Intradérmica Utiliza-se a mesma agulha 30 G, no entanto, aplica-se a 45º, acometendo um plano mais profundo quando comparado à via epidérmica (LE COZ,2012). Os lugares devem ter poucos pelos, pouca pigmentação e pouca vascularização; por exemplo: face (LE COZ, 2012). Geralmente é injetado em torno de 0,05 a 0,1mL por ponto. Em aplicações intradérmicas, duas técnicas são bastante usadas: a ponto por ponto e a múltiplos pontos (ADELSON, 2005). A técnica de múltiplos pontos necessita do posicionamento preciso do ângulo da agulha a 45º, fazendo-a penetrar de 0,5 a 2 mm de profundidade (derme superficial). É interessante salientar que somente 1/3 da dose propelida é injetada (ADELSON, 2005). “A escolha da técnica de múltiplos pontos é guiada pela noção de‘INTERFACE-MESO’” ─ definida pelo Dr. Kaplan, que diz A ação de estímuloterapia local e a ação farmacológica local ou sistemática da mistura injetada vão depender do número de receptores ativados, que é nomeado de nociceptores cutâneos, de unidades microcirculatórias ou de unidades de competências imunológicas (KAPLAN; COUTRIS, 1992). Desse modo, a superfície de contato entre a mistura injetada e o tecido-hospedeiro é bem maior em reconstrução do que em injeções contínuas ponto por ponto. Assim, para 1 mL de líquido injetado em 10 pontos de 0,10 mL, a interface-meso será de 10 cm2, mas se para o mesmo volume, injetar em 200 pontos a reconstrução será de 0,005mL e então, a interface-meso será de 28,5 cm2 (KAPLAN; COUTRIS, 1992). A INTERFACE-MESO seria a superfície de contato estabelecida entre os produtos injetados e o tecido injetado. Assim, quanto mais fragmentada a substância (por múltiplos pontos, com menor quantidade de substância), maior a interface- meso e maior o número de nociceptores/receptores dérmicos ativados (KAPLAN; COUTRIS, 1992). 52 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Já a injeção intradérmica profunda é feita entre 1 a 3 mm de profundidade sem pápula, com dose variando de 0,1 a 0,2 mL por ponto. Figura 4. Esquematização de aplicação intra-epidérmica na técnica de intradermoterapia. Fonte: http://sa.sol-m.com/noticias/agulhas-e-seringas-indicadas-para-aplicacao-intradermica/. Figura 5. Esquematização de aplicação intradérmica na técnica de intradermoterapia. Músculo Tecido subcutâneo Derme Epiderme Fonte: http://sa.sol-m.com/noticias/agulhas-e-seringas-indicadas-para-aplicacao-intradermica/. Hipodérmica – subcutânea A absorção é lenta e, por meio dos capilares ocorre de forma contínua e segura. As regiões de aplicação podem ser, por exemplo: braço (apresenta velocidade média de absorção da medicação), abdome e flancos (velocidade rápida), perna e subglúteo (velocidade lenta). O local da aplicação deve ser revezado quando for aplicado por período indeterminado (LE COZ, 2012). Essas injeções podem variar de 4 a 13 mm de profundidade em função das localizações, a aplicação ocorre com a agulha no ângulo de 90º dependendo da prega adipocitária. Se o paciente for muito magro, deve-se fazer ângulo de 45º, no entanto, padroniza-se usar agulha 30 G para tratamentos de gordura localizada (LE COZ, 2012). 53 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Complicações que a técnica hipodérmica pode apresentar » infecções inespecíficas; » formação de tecido fibrótico; » embolias por lesão de vaso ou uso de drogas oleosas ou em suspensões; » lesão de nervos; » úlcera ou necrose de tecidos. Figura 6. Esquematização da aplicação subcutânea na técnica de intradermoterapia. Músculo Tecido subcutâneo Derme Epiderme Fonte: http://sa.sol-m.com/noticias/como-fazer-aplicacao-subcutanea-com-seguranca/. Intramuscular ─ IM Não são todos os profissionais na área da estética que se beneficiam desta aplicação, como esteticistas, fisioterapeutas, biólogos. A aplicação IM é de rápida absorção. O músculo escolhido dever ser bem desenvolvido e de fácil acesso, não possuir grandes calibres nem nervos. Os músculos e volumes injetados são: » deltoide – de 2 a 3 ml; 54 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA » glúteo – de 4 a 5 ml; » músculo da coxa (quadríceps – vasto lateral) - de 3 a 4 mL. Aplicação do músculo glúteo Dividir o glúteo em quatro quadrantes e aplicar no quadrante superior externo. Complicações que a técnica intramuscular no músculo glúteo pode apresentar As complicações que podem ocorrer na aplicação IM são: embolia,infecção e abscessos. O profissional deve tomar cuidado com o nervo ciático na aplicação na região glútea. Figura 7. Ilustrações da aplicação intramuscular para a técnica de intradermoterapia na região do glúteo. Fonte: https://medifoco.com.br/injecao-intramuscular/. 55 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Aplicação do músculo deltoide 5 a 6 cm depois do final do ombro (~ 4 dedos) Complicações que a técnica intramuscular no músculo deltoide pode apresentar Vásculos-nervosas com paralisia muscular. Figura 8. Ilustração da aplicação intramuscular da técnica de intradermoterapia na região deltoide. Fonte: https://www.tuasaude.com/como-aplicar-injecao-intramuscular/. Aplicação no músculo da coxa Distanciar um palmo a partir do joelho até o vasto lateral. Complicações que a técnica intramuscular no músculo da coxa pode apresentar Nesta aplicação o(a) biomédico(a) esteta deve tomar cuidado com o nervo fêmuro- cutâneo. A técnica ode causar, abscessos, nódulos e dores. 56 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Figura 9. Ilustração para aplicação intramuscular na região vasto lateral da coxa. Fonte: https://www.tuasaude.com/como-aplicar-injecao-intramuscular/. O pool de aminoácidos é um tratamento injetável de enzimas intramusculares indicado para ganho rápido de massa muscular e manutenção da massa muscular; aumento da força e contração muscular; aumento da carga nos exercícios; ganho de resistência e fôlego durante o exercício; síntese muscular perfeita; prevenção e tratamento da sarcopenia; pacientes em estados hipercatabólicos, traumatizados ou desnutridos; aumento do transporte de oxigênio; auxílio em dietas de emagrecimento; redução da fadiga mental e muscular e ajuda na manutenção dos níveis de serotonina e melatonina no cérebro. Seringas utilizadas na intradermoterapia Lembre-se que a seringa estéril, descartável, em plástico é utilizada individualmente para cada paciente em cada sessão. Cada tipo de seringa pode ser usado com um tipo de aparelhagem específico para o seu tamanho. Seu tamanho varia, por exemplo (LE LOZ, 2012): » seringas com volume de 1 a 2,5 mL geralmente são usadas para intervenções na face ou sobre o couro cabeludo, pois as graduações são mais precisas e a pressão na injeção menor; » seringa de 5 mL geralmente servem para intervenções manuais de áreas médias; » seringa de 10 mL na maioria das vezes é utilizada para grandes áreas, para tratamento de gordura localizada, celulite, flacidez (dependendo da região), estria (dependendo da quantidade) (LE COZ, 2012). 57 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I É preciso sempre prestar atenção nas graduações da seringa para controlar as quantidades injetadas. É prudente manter uma compressa ou um algodão seco na hora da aplicação, após a assepsia do local (um algodão embebido no álcool faz sangrar novamente). Esse algodão serve para comprimir os pontos de injeção para evitar que eles sangrem, mas não deve tocar a agulha (LE COZ, 2012). O excesso do conteúdo inserido nas seringas só deve ser expelido após a colocação da agulha, desse modo, serão retirados o ar e as bolhas que haviam ficado até então lá dentro. Agulhas utilizadas na intradermoterapia Cada agulha ou perfuro cortante deve ser descartado em um recipiente sólido feito para este fim ou em um incinerador (LE COZ, 2012). As agulhas geralmente usadas são classificadas em: » para ressuspender a medicação usa-se a de 18G 1½ 40 x 1,2mm (rosa); » para gordura localizada usa-se a de 30G ½ 13mm (aplicação SC) (amarela); » para estrias, lipodistrofia e flacidez ou rejuvenescimento pode-se utilizar a de 30G1/2 13 mm (técnica de retroinjeção para estria; aplicação SC para lipodistrofia, ponto por ponto e flacidez aplicação ID) ou 30G ½ 4 mm (técnica ponto a ponto – ID para todas as disfunções); » para aplicações IM usa-se a de 22G 1 ¼ 0,70 x 30mm (cinza). Figura 10. Ilustração das agulhas usadas na intradermoterapia e seus respectivos tamanhos. Rosa – 18G ½” – 40 x 1,20 Preta – 22G ¼” – 30 x 0,70 Amarela – 30G ½”- 4mm (pequena) / 30G ½” -13 x 0,30 (maior – mão ilustrada) Fonte: http://www.metsavaht.com.br/ortopedia/mesoterapia/. 58 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Produtos As ampolas devem ser abertas no último momento, pois alguns produtos são degradáveis à luz. É imprudente, até mesmo perigoso, preparar misturas com antecedência. Além disso, é proibido pela ANIVSA. Desse modo, opte por comprar kits de ampolas separadas e não mesclas já prontas (LE COZ, 2012). As preparações devem comportar poucos produtos a fim de diminuir os riscos de incompatibilidades física e química. Na hora que preparar, atente para o pH das ampolas, sempre ordenando do pH maior para o menor ou do menor para o maior, para que assim você não desestabilize a mistura. ISSO É MUITO IMPORTANTE. Se não fizer dessa forma, a mistura pode turvar, e o composto não fará efeito podendo gerar efeito colateral na maioria das vezes (LE COZ, 2012; ADELSON, 2005). Antes de preparar qualquer produto observar se a solução está límpida isenta de grumos ou partículas. Para quebrar a ampola, segure no corpo dela, com uma das mãos, deixando-a na posição de 45º, assim minimiza-se o risco de contaminação ao abrir. Com o dedo indicador envolva a parte superior da ampola, e com a ponta do polegar faça apoio no estrangulamento, puxando para trás. Aplicação Não injetar uma quantidade muito grande por ponto, pois isso pode provocar dor e nódulos que demoram a desaparecerem. Uma quantidade excessiva do produto pode provocar adenopatias. Técnicas Em determinados casos, a injeção pode causar dor ao paciente, isso pode estar relacionado aos seguintes fatores: » a agulha tocou um pequeno vaso; » a agulha atingiu uma ramificação nervosa; » a injeção foi aplicada muito rapidamente; » a quantidade injetada foi muito grande; 59 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I » o produto foi mal diluído; » a injeção foi muito superficial. Desse modo, é interessante intervir no primeiro momento, fazendo uma aplicação rápida da agulha (para isso requer experiência), e no segundo momento, fazendo uma injeção progressiva do produto (LE COZ, 2012). Observe sempre seu paciente para perceber sua feição. Caso o paciente demonstre estar sentido dor é indicado mudar o movimento. Além disso, não se deve repetir as sessões muito aproximadamente. Isso é inútil (o efeito benéfico da sessão precedente é diminuído) e, às vezes, perigoso (multiplicação dos hematomas). Não se deve aplicar em cima de hematoma (LE COZ, 2012). A dor é maior, a região apresenta edema e inflamação. Figura 11. Técnica por retroinjeção. Fonte: Autora, 2020. Figura 12. Técnica ponto a ponto, deve ser espaçada de 1 a 2cm por ponto. Fonte: Autora, 2020. 60 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Anestésicos Alguns pacientes apresentam muita sensibilidade na hora da aplicação do anestésico, sendo muito doloroso e até mesmo traumatizante a técnica de intradermoterapia, principalmente as aplicações na epiderme (intra-epidérmica) e derme (intradérmica e subcutâneo). Com isso, é importante pensarmos no conforto do paciente, já que as sessões são realizadas na maioria das vezes semanalmente. Assim, antes de iniciar as injeções deve-se fazer compressa de gelo na região, podendo ser com bolsa de gelo ou para áreas menores com caneta Skin Cooler ou o Massageador facial anti-idade vibração harmonização energy. Também podem ser usados os próprios anestésicos principalmente para a região da face como EMLA®, DERMOMAX®, Piaglis®, ou até mesmo anestésicos manipulados, que trazem conforto ao paciente. 61 CAPÍTULO 4 Classificação de Gordura Localizada Hiperlipodistrofia A gordura corporal tem um papel fundamental nas reservas energéticas do ser humano, equilibrando a temperatura e homeostase corporal, transporte de vitaminas lipossolúveise proteção de órgãos vitais contra choques. Além disso, é sabido que o tecido adiposo é o principal reservatório energético do corpo (XAVIER; PETRI, 2009). No entanto, sempre que um indivíduo excede a ingestão da quantidade de caloria em relação ao seu gasto energético diário a energia acaba sendo reservada em forma de gordura (XAVIER; PETRI, 2009). Desse modo, deduz-se que indivíduos sedentários em sobrepeso ou obesos apresentam gordura corporal em excesso, pela ingestão ser maior que o gasto energético (XAVIER; PETRI, 2009). A hiperlipodistrofia resume-se ao aumento exacerbado e anormal de gordura proveniente da alimentação, armazenada na forma de triglicérides nos adipócitos. Este armazenamento acomete áreas diferentes dependendo do gênero, sendo nos homens na região abdominal na maioria dos casos e, nas mulheres, na região glúteo-femoral, por representar áreas de menor atividade metabólica. Além disso, o aumento da gordura localizada está relacionado ao ganho de peso (LE COZ, 2012) (Figura 13). Contudo, deve-se frisar que as mulheres que estão no período de mudanças como a menopausa, ou que já passaram dela, tendem apresentam taxas hormonais baixas, o que interfere no acúmulo, metabolismo e consequentemente disposição da gordura corporal, que muitas vezes se torna uma gordura de aspecto androide e não mais ginoide. 62 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA Figura 13. Desenho mostrando as regiões que acometem maior quantidade de gordura localizada na mulher (pera ─ ginoide) e no homem (maçã ─ androide). Fonte: https://www.bemestardehoje.com.br/doencas-cronicas/obesidade-ginoide-ou-androide. Os fatores etiológicos que podem desencadear a hiperlipodistrofia são: » genéticos/ hormonais; » qualidade de vida. Para avaliar a hiperlipodistrofia leve em consideração: » IMC (Índice de Massa Corpórea) 25; » medidas de circunferência. Quadro 1. Classificação segundo Organização Mundial da Saúde (OMS) do IMC. IMC Classificações Menor que 18,5 Abaixo do peso normal 18,5-24,9 Peso normal 25,0-29,9 Excesso de peso 30,0-34,9 Obesidade classe I 35,0-39,9 Obesidade classe II Maior ou igual a 40,0 Obesidade classe III Fonte: autora, 2019. IMC = peso/ altura2 63 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I Quadro 2. Valores de comprimento de circunferência abdominal considerados como risco para doenças associadas à obesidade. Risco elevado Risco muito elevado Mulheres ≥80 ≥88 Homens ≥94 ≥102 Fonte: Sampaio, 2004. O tratamento eficaz para essa condição é o emagrecimento primordialmente e qualquer que seja o programa de emagrecimento, todos devem estar associados a uma atividade física regular. Existem diferenças na resposta lipolítica ao exercício em função da localização dos tecidos adiposos (BORGES, 2006; GARCIA et. al, 2006). Durante o exercício, em ambos os sexos, a lipólise do tecido adiposo subcutâneo abdominal aumenta exacerbadamente. No entanto, a do tecido adiposo fêmuro-gluteal aumenta, mas de forma mais insignificante. Essa diferença é ainda mais marcante na mulher, o que pode explicar a dificuldade de conseguir reduzir essa região, mesmo durante exercícios que estimulam a lipólise dos outros depósitos de gordura. Desse modo, conseguimos propor de forma decrescente as partes do corpo dos homens e das mulheres que apresentam um gasto energético maior durante o exercício físico (LE COZ, 2012; BORGES, 2006; GARCIA et. al, 2006). Ou seja, no homem, durante o exercício físico o gasto energético começa no abdome tronco braços pernas, enquanto que na mulher o maior gasto energético começa nos braços tronco pernas. Um tratamento intradermotérapico que vem se associar a uma reeducação alimentar, exercício físico regular e/ou tratamento medicamentoso é o tratamento intramuscular de intradermoterapia. A associação desses fatores pode corroborar para um emagrecimento mais rápido. É muito importante solicitar os últimos exames laboratoriais do paciente e ver se ele está apto para fazer o tratamento em questão, ou se é um paciente que apresenta uma das contraindicações como citado acima. Caso o paciente não esteja com os exames em dia, oriente-o a ir no médico, ou faça uma parceria com um, para que você, como profissional, saiba sempre as condições fisiológicas do paciente. Para a aplicação das mesclas, por exemplo de gordura localizada na técnica de intradermoterapia, antes de mais nada deve-se medir o paciente com fita métrica. Nesse caso divide-se em três partes o abdome, escolhendo sempre a maior área para ser trabalhada. A divisão deve ser de 5 cm de distância entre as três medidas. Por exemplo, se a maior área de gordura for a região central do abdome, meça 5 cm acima do umbigo, no umbigo e 5 cm abaixo do umbigo. Essa medição deve ser feita sempre na mesma região e todas as vezes que o paciente retornar para fazer a aplicação. A medida deve ser 64 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA feita antes e não após a sessão. Na primeira e última sessões, deve-e tirar foto da região. A câmera precisa estar posicionada da mesma maneira em todos os momentos. Além da fita métrica também é importante medir a quantidade de gordura com o adipômetro. Pregas menores que 1,5 não devereceber a enzima para gordura localizada a 90º, por exemplo, pela falta de espessura de gordura na região. Antes de começar o tratamento, limpe sempre a área com clorexidine ou álcool 70º. Com um lápis de olho, marque os pontos, para facilitar na hora da aplicação. Deve-se espaçar no mínimo 1 cm e não mais que 5 cm cada ponto. Trabalhe sempre a região que apresentar maior prega de gordura. Observe se o paciente apresenta espessura de prega para que você consiga aplicar a 90º o produto, senão aplique a 45º. Na hora que for injetar o produto, injete devagar o líquido para amenizar o desconforto do paciente. As regiões que podemos trabalhar são: abdome inferior, abdome superior, abdome total, flancos, culote, interno de coxa, interno dos joelhos, dorso inferior, dorso superior, sub-glúteo, posterior do braço, back shape (área inferior das costas, acima do bumbum). Limpar a área com gaze seca é a melhor opção para parar o sangramento. É normal o paciente sentir-se inchado, dolorido, ficar com eritema, por até 5 dias em média, e ter hematomas na região, por até 7 dias em média. Recomenda-se o uso de pomada para hematoma, exemplo: Hirudoid®, Arnica, Trombofob®. Após 48 horas deve-se indicar drenagem linfática, para eliminar as toxinas acumuladas na corrente sanguínea, com a consequente redução dos adipócitos. Para associar a atividade física, apenas após 6 a 8 horas, quando a mescla já desempenhou seu papel no organismo de fato. Nesse momento pode-se indicar a cinta modeladora, a ser usada durante a prática de atividade física. Qualquer tratamento que se queira associar, deve fazer antes da aplicação de enzima, essa deve ser sempre realizada por último, para a medicação permanecer no local da aplicação. Dependendo do procedimento, o produto pode ser absorvido mais rápido, diminuindo seu resultado. Muitos pacientes têm a percepção errada de que após a aplicação de enzima deve-se fazer exercício físico no local aplicado. Por exemplo, aplicou-se enzima no abdome, e o paciente faz abdominal. Desse modo, é importante deixar claro ao paciente a forma como atua o produto na fisiologia, para que ele não diminua o resultado que possa vir a obter. Para os tratamentos faciais e flacidez, faça também os pontos para facilitar as aplicações. Já para estria, faça retroinjeções em cada uma das estrias. Na celulite aplique dentro dela a 45º. Dependendo do grau da celulite associe com carboxiterapia para romper as 65 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I fibras ou até mesmo fazer subincisão. Para tratamento capilar, aplique ponto a ponto a 15º. Após os tratamentos faciais deve-se sempre finalizar com protetor solar. Para tratamentos capilares, peça para o pacientetrazer o manipulado que você irá prescrever para ele, para que ao final da sessão você o aplique, ou então manipule um que possa ser aplicado em todos os tipos de queda capilar e deixe em seu consultório. As contraindicações para o tratamento de intradermoterapia dependem de qual composto for usar, sendo bem específico. Em sua maioria não pode realizar esse tratamento pacientes que estão com triglicérides, enzimas hepáticas e colesterol alterados, diabetes descontrolado, assim como hipertensão. Pacientes que estão em tratamento de câncer ou que terminaram em até 3 anos a 5 anos, devem ter uma autorização ao médico. Doenças autoimunes, gestantes e lactantes também são contraindicações. As indicações são para os pacientes que almejam resultado para flacidez, estrias, queda e nutrição de cabelo, gordura localizada, perda de peso, melhora da performance, acelerar o metabolismo, crescimento muscular, clareamento de manchas e rejuvenescimento. Skinbooster Como sabemos, o envelhecimento causa uma série de mudanças, como a redução da funcionalidade dos fibroblastos; redução progressiva no conteúdo de ácido hialurônico na pele; e redução e desestruturação do colágeno e das fibras elásticas. Como consequência, as propriedades viscoelásticas (compactação, tônus e equilíbrio hídrico) e mecânicas (espessura e elasticidade) ficam reduzidas, assim como as trocas metabólicas. A estrutura da derme e o consequente suporte para as veias é enfraquecido. Após os 30 anos (acentuando-se aos 50 anos de idade) o conteúdo de ácido hialurônico é reduzido assim como a hidratação da derme, e as trocas entre sangue e tecidos sofrem alterações. As funções do ácido hialurônico na pele são: modulação das funções da pele; preservação da integridade, mobilidade e proliferação celular; estimulação da formação de novo colágeno; reconstrução da estrutura da pele (matriz extracelular); manutenção de hidratação balanceada; contribuição para preservação e melhora das propriedades elásticas; prevenção e redução da formação de linhas e rugas; contribuição para o aumento da firmeza. 66 UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA O ácido hialurônico tem alto poder hidratante já que é capaz de se ligar e manter grandes volumes de água, até 500 vezes seu próprio peso, por exemplo: 20 mg de AH se ligam a ~ 10 g de água. Nesta abordagem ao cuidado da pele fazemos uso de diferentes categorias de tratamento com injeção de ácido hialurônico que são muito empregadas, principalmente na Europa. Com esses tratamentos busca-se melhorar a aparência superficial da pele, sua textura, além de restaurar o tônus, a elasticidade e obter hidratação equilibrada. Uma dessas categorias, a “biorrevitalização”, é baseada no uso de ácido hialurônico natural não modificado, com ou sem adição de substâncias, como vitaminas, aminoácidos entre outros (bioestimulação). Em alguns países europeus e não europeus essa categoria também é denominada mesoterapia. Outra categoria de tratamento com injeção, disseminada desde 2004, é conhecida como skinbooster (intensificadora da pele). Baseia-se no uso de uma forma particular de ácido hialurônico, o gel NASHA, que foi submetido a pequenas modificações (estabilização) para maior persistência da pele. Diferentemente do que ocorre com a biorrevitalização/bioestimulação, em que o ácido hialurônico natural permanece muito pouco tempo no tecido, com o NASHA, graças ao processo de estabilização, o efeito na pele é prolongado, com hidratação profunda na forma de reservatórios dérmicos de ácido hialurônico, o que é cientificamente demonstrado. Os skinboosters da marca Restylane, Princess, Rennova e alguns outros são os únicos produtos com base em ácido hialurônico não reticulado estabilizado disponíveis em fórmulas injetáveis para o cuidado com a pele. A revitalização e os intensificadores da pele são tratamentos a serem administrados em múltiplas sessões. No caso da revitalização, o número de sessões varia e não há padrão pré-definido (entre 3 e 7 ou 8 sessões com intervalos de 7 a 15 dias). Para os intensificadores comprovou-se efetivamente por até 6 meses com ciclos de 3 sessões a cada 20 ou 30 dias e uma única sessão de manutenção após 4 ou 6 meses. Russo & Fundaró (2016) se baseiam principalmente no uso de intensificadores tanto como tratamento exclusivo quanto como tratamento preliminar ou complementar para correção de volume ou com preenchimento de rugas. A preferência por intensificação em detrimento da revitalização é baseada em experiências clínicas positivas em termos de efetividade e satisfação dos pacientes, corroboradas por resultados em estudos que demonstram melhora significativa e duradoura no que se refere a elasticidade, tônus e turgor da pele, assim como em parâmetros como identificação clínica de elastose solar e luminosidade da pele. Em um estudo comparativo sobre rejuvenescimento da pele no dorso e na mão comprovou-se a 67 MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I maior efetividade do gel NASHA em comparação com as fórmulas contendo ácido hialurônico natural não modificado. Programa de tratamento – Objetiva melhorar a qualidade da pele, promovendo hidratação profunda e duradoura e reestruturação gradual. O programa, como já mencionado, pede três sessões, uma vez por mês, e uma única sessão de manutenção após 4 ou 6 meses. Este programa também deve ser individualizado de acordo com as necessidades específicas de cada paciente. Dependendo das características da pele e das necessidades do paciente, identifica-se tratamento mais adequado e correto. A partir de então será possível administrar microinjeções em regiões específicas da face, pescoço e colo. Imediatamente após a sessão de tratamento é possível que haja um pequeno edema, que deve desaparecer espontaneamente em 2 a 3 dias. As microinjeções devem ser aplicadas com a agulha tangenciando a pele (5 a 10 graus de inclinação) com cerca de 1 cm de distância entre elas, utilizando agulhas convencionais ou microcânulas flexíveis que não permitem tratar toda a face com muito poucos orifícios de entrada. As injeções devem ser na camada intermediária (deve ser aplicada injeções breves, lineares ou multipunções pode usar microcânula) ou profunda da derme (que não devem ser aplicadas com técnica de microgotas visível), deve ser curta, linear com microdepósitos do gel. Isso vai depender do produto que for usar. Pode-se concluir que as injeções de NASHA estimulam a produção de colágeno por diferentes mecanismos de ação, incluindo tração mecânica de fibroblastos, estimulação de fatores de crescimento e inibição da degradação do colágeno, com efeitos evidentes já na primeira sessão. A biorevitalização feita com mesclas de produtos que contêm ácido hialurônico, vitaminas, minerais, fatores de crescimento, aminoácidos, entre outros, também apresentam excelentes resultados, na elasticidade, clareamento da pele, firmeza, diminuição de rugas finas. Esse produto pode ser manipulado como mencionado acima, denominado técnica de mesoterapia. Ou pode ser industrializado, como o da Filorga NCTF®. Seu plano de tratamento deve ser feito em 5 sessões com manutenção anual. As três primeiras sessões devem ser feitas de 15 em 15 dias e as duas últimas, uma vez por mês. A melhora é vista logo na primeira sessão. A pele clareia, enrijece, melhora o tônus. Deve ser feita anualmente a manutenção, com pelo menos uma sessão. 68 UNIDADE IIPREENCHIMENTO FACIAL CAPÍTULO 1 Introdução ao Preenchimento Facial História A partir do século XIX foi possível a realização de procedimentos cirúrgicos devido ao desenvolvimento de anestesia local e geral, o que deu origem a procedimentos estéticos cada vez mais invasivos. No século XX, a gordura tornou-se o preenchedor mais comum da época, principalmente após pacientes sofrerem grandes traumas; no entanto, ela não tinha efeito duradouro. Nos anos 1970, a cosmética estava no seu auge, estudos estavam sendo desenvolvidoscom base na produção do colágeno bovino, isso porque, nesse momento, o mundo já se dava conta de que o envelhecimento era um processo natural e cronológico, não obstante, retardá-lo, traria grandes promessas à pesquisa como também ao setor financeiro (PECK; PECK, 1983; WATSON et al., 1983). O desenvolvimento do preenchedor foi pensado primeiramente em repor a perda de volume e/ou correção das imperfeições dérmicas, subcutâneas e até mesmo musculares que resultaram de um traumatismo, defeito cirúrgico, condição de lipoatrofia ─ cicatrizes de acne, agentes ambientais, por HIV ─ fotoenvelhecimento ou envelhecimento cronológico. Esta técnica foi pensada nas mulheres que se preocupam com a beleza e que por motivos de tempo não têm mais tanta disponibilidade de se ausentar das suas tarefas rotineiras como antes, uma vez que o procedimento em questão não requer tempo de recuperação (GLADSTONE; CARRUTHERS, 2005; AVRAM et al., 2008). Com isso, a técnica de preenchimento transformou-se na primeira opção de tratamento estético antes da escolha da correção cirúrgica. Desse modo, para se preencher uma face devemos levar em consideração a idade da pessoa, fatores externos e genéticos, para então repor o volume perdido seja de compartimento de gordura, ou reabsorção óssea, ou então, somente tratar rítides, sulcos ou contornos. 69 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Atualmente, profissionais habilitados na área de saúde estética podem utilizar para preencher faces compostos como o ácido hialurônico (AH), hidroxiapatita de cálcio e a policaprolactona, produtos que são volumizadores. Contudo, o ácido hialurônico é o mais aplicado e usado pelos profissionais habilitados na área dos injetáveis. No entanto, é interessante ressaltar que a hidroxiapatita de cálcio como também a policaprolactona são produtos que, além de reduzir rugas, restaurar volume e redefinir contorno também produzem colágeno na região tratada, aumentando o tempo do resultado de rejuvenescimento na região. Diferentemente, o ácido hialurônico não consegue produzir colágeno suficiente para aumentar sua durabilidade, somente hidrata e volumiza a região, consequentemente a durabilidade dele é menor que a dos demais. Contudo, por que será que mesmo assim o AH ainda é o mais usado pelos profissionais? A mobilidade do AH é muito maior comparada com esses outros compostos e, com isso, o produto traz versatilidade ao profissional como também ao paciente. Ele pode ser usado em diversas regiões/planos com uma segurança muito maior comparada aos demais e, além disso, o ácido hialurônico é o único preenchedor até o momento que apresenta um antígeno, a HIALURONIDASE, o que aumenta ainda mais a segurança no manuseio deste produto. A hidroxiapatita de cálcio (CaHA), com o nome comercial Radiesse®, apresenta 30% de hidroxiapatita de cálcio suspendido em 70% de um gel carreador que contém basicamente carboximetilcelulose mas também, glicerina e alta pureza de água. As microesferas de CaHA são componentes muito semelhantes aos produzidos no dente e nos ossos. Quando injetado em tecidos, o Radiesse® é degradado em torno de 3 a 6 meses e assim, as partículas de CaHA atuam para a formação e produção de novos colágenos. O Radiesse® é usado basicamente para a correção de rugas médias e profundas, como, por exemplo, o sulco nasolabial, no plano subdermal e para a correção de perda de gordura na face (volumização no plano supraperiostal). Desse modo, a CaHA, é muito utilizado para planos profundos como, contorno de face, mandíbula, mento e malar. A durabilidade do produto é em média de 1 ano e 6 meses. Apresenta validade de 3 anos quando não aberta e aconselha-se o manuseio do produto para aplicação com cânula, pela segurança da técnica, lembrando que, pela composição do produto, a força no êmbolo deve ser maior, quando comparado ao AH (MIN e AHN (2007). A aplicação na região e no plano deve acontecer de maneira correta caso contrário nota-se o aparecimento de nódulos na região. Diferente do AH, a CaHA não apresenta antígeno, por isso, o profissional deve dominar ainda mais a anatomia e a técnica para que não haja compressão de vasos ou aplicação do produto dentro da luz no vaso, o que pode gerar uma complicação de necrose, com conduta cirúrgica apenas para reparo. 70 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL Atualmente já existem outras marcas de CaHA no mercado, até mesmo de farmácias de manipulação, exemplos: Diamond - Rennova®, ou da farmácia Victalab. A policaprolactona (PCL), apresenta nome comercial Ellansé®. Esse produto combina durabilidade e resultado imediato de volumização. Ele é composto por microesferas de policaprolactona e um gel aquoso de carboximetilcelulose. São biocompatíveis e biodegradáveis, no entanto, apresentam durabilidade do produto maior comparado aos outros compostos. Eles apresentam quatro tipos de versões de durabilidades: de 1 ano, 2 anos, 3 anos e 4 anos. A biodegradação da PCL difere da de CaHa, que ocorre por fagocitose. Nesse caso, acontece por hidrólise dos ésteres, levando ao produto final CO2 e H2O, totalmente degradado e eliminado pelo corpo. Enquanto a carboximetilcelulose é degradada em 6 a 8 semanas, pelos magrófagos, a PCL estimula a neocolagenase. No entanto, o tempo de duração de cada versão depende na verdade do comprimento da cadeia inicial do polímero e do tempo total de biorresorção do produto. Os planos de tratamentos para este produto são profundos, sendo, na face, subcutâneo e supraperiostal e, nas mãos, subcutâneo. Os bolus devem ser distribuídos quando a aplicação for no plano subcutâneo de no máximo 0,2mL por ponto sendo gentilmente massageado. Este produto não é indicado para tratar, gabela, boca e rugas periobiculares. Usar sempre cânula no manuseio da distribuição do produto. (de Melo et al., 2017). Do mesmo modo que a CaHa, a PCL também não apresenta antígeno. Novamente salienta-se a importância do domínio da anatomia para a aplicação desses produtos. Nesta apostila, o AH será abordado por maior facilidade de compra, manuseio, aplicabilidade, por ser aplicado em todos os planos e por apresentar o antígeno. Todos os produtos apresentados na apostila são liberados pela ANVISA; quando não o forem, isso será mencionadp. Anatomia e indicação Para que possamos entender a indicação e técnica de aplicação de um preenchimento, é essencial entendermos primeiramente a anatomia da face. Para isso, precisamos conhecer os principais músculos e regiões nas quais serão e poderão ser aplicados o preenchedor pelos profissionais habilitados em saúde estética. Este é um curso de especialização modo básico, devido a isso, vamos ensinar na teoria o preenchimento do terço inferior apenas. Essa região é mais indicada para iniciar a técnica de preenchimento facial. Além disso, essa região supracitada é a mais comumente relatada em cursos de pós-graduação. 71 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Partindo do suposto que todos tiveram aula de anatomia na graduação, a explicação será direcionada ao aprendizado em questão. Abaixo deixo referências de livros de anatomia importantes para o estudo básico ser aprimorado. SOBOTTA, Johannes et al. Sobotta atlas de anatomia humana. 23. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. 3 v. MADEIRA, Miguel Carlos; RIZZOLO, Roelf J. Cruz. Anatomia Facial - Com Fundamentos de Anatomia Sistêmica Geral - 4ª Ed. 2012. Anatomicamente, a face é composta de pele dividida em epiderme, derme e hipoderme ou tecido subcutâneo. Esse apresenta compartimentos de gorduras superficiais e profundos, existem vários compartimentos e cada um recebe um nome específico de acordo com a sua localização na face. Além disso, a face também apresenta linfonodos, veias, artérias e nervos, distribuídos em todo o seguimento facial, músculos faciais (músc. Depressor, músc. Elevador e músc. Esfincterianos) cada um responsável por uma ação – mecanismo e, por último, o osso da face. Conhecer a anatomia da face e cada nome desdeos compartimentos de gordura até o osso facial traz segurança em relação às técnicas injetáveis, e, claro, conhecimento. Ao olhar o rosto de um paciente e conhecer a anatomia facial, é fácil saber se será interessante preencher a têmpora, o sulco nasolabial ou então o malar, por exemplo. Saber identificar se houve perda de gordura, reabsorção óssea ou ambos ou somente flacidez de pele trará melhor resultado do que simplesmente preencher, como uma receita de bolo. O paciente/cliente saíra muito mais satisfeito porque você tratou a causa e não somente o incômodo. E, para isso, é preciso ter conhecimento sobre anatomia. Atualmente está na moda e aposto também que você já ouviu falar em harmonização facial. Levando ao pé da letra, nada mais é do que trazer harmonia a uma face. Quando pensamos em harmonia, lembramos de proporções e simetrias. Muitos falam que a beleza está na perfeição. Mas como sabemos não há simetria perfeita. Entre os lados da face, é comum encontramos assimetrias na proporção de até 3:4, considerando largura e altura. Existem várias teorias de proporção facial que trazem harmonia, ou seja, beleza. Abaixo, discrimino algumas: 72 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL Primeiramente, nossa face é dividida em três regiões: superior, média e inferior, como demonstrado na figura 15. O terço superior se estende da linha da implantação do cabelo até a glabela, o médio vai da glabela até a região subnasal e o terço inferior se estende da região subnasal até o mento (TAN;GLOAU, 2005). O último terço pode ser novamente dividido em outras duas partes: um terço do subnasal até o estômio e outros dois terços do estômio até o mento. Esses terços da horizontal se similiarizam na altura vertical. Se todas essas linhas apresentarem proporções umas com as outras temos então uma face harmoniosa, caso contrário, onde não se observa a harmonia deve-se restabelecer a harmonia, através, por exemplo, de um preenchimento facial. Encontramos também na literatura três tipos de biotipos faciais: » Os BRAQUIFACIAIS: são indivíduos que apresentam a altura facial reduzida e a face mais larga » Os MESOFACIAIS: são indivíduos que apresentam dimensões horizontais e verticais correspondentes » Os DOLICOFACIAIS: são indivíduos que apresentam a altura facial mais alongada e a face mais estreita. » Além disso, o biotipo facial também se encaixa na mecânica ortodôntica ou perfil mandibular, classificados como: » ORTOGNATA: mandíbula normal; » RETROGNATA: mandíbula retrusa; » PROGNATA: mandíbula protusa. Tipos de face De maneira menos acadêmica, também podemos caracterizar as formas faciais por meio do contorno e da proporção entre as dimensões horizontais e verticais, veja abaixo: » formato de coração: assemelha-se a um coração, possui a testa mais larga e vai estreitando até chegar a mandíbula com queixo pontudo. » formato oval: considerado o formato ideal, o comprimento do rosto é igual a uma vez e meia a largura e pode ser dividido em três partes iguais. » formato quadrado: O comprimento do rosto é semelhante à largura, possui as linhas do queixo, e a mandíbula fica abaixo da linha da boca. 73 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II » formato redondo: A largura é igual ao comprimento, a mandíbula não é marcada e tem queixo curto, largo e arredondado. » formato triangular: a testa é estreita e vai se alargando até chegar à mandíbula. Normalmente tem um queixo pequeno e proeminente. » formato diamante: maçãs do rosto proeminentes com testa e mandíbula retraídos. » formato triângulo invertido: parecido com o coração, mas sem o arco do couro cabeludo, apresenta queixo fino e testa mais alongada. » formato retangular: formas alongadas e estreitas, fronte alta, com traços quadrados na testa, mandíbula e queixo. Figura 14. Divisão do rosto em terço superior, médio e inferior. Estômio 1/3 superior 1/3 médio 1/3 inferior Fonte: https://injectors.com.br/dermatologista-preenchimento-sp/preenchimento-terco-inferior-da-face-queixo-e-mandibula- sao-paulo/. Na região do lábio também deve existir proporções. O lábio superior deve ser de 1/3 e do lábio inferior de 2/3, sendo o inferior maior que o superior, e deve ser avaliado com o lábio relaxado. Entre o sexo feminino e o masculino também se observa diferença na anatomia facial de cada um. Isso deve ser levado em consideração no momento da harmonização facial, o que também se aplica a diferenças raciais, como características físicas entre caucasianos, latinos, africanos, asiáticos e indígenas. Não podemos esquecer também das diferenças de face masculina e feminina, que será comentada mais adiante. 74 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL O profissional, quando especializado na área estética, poderá fazer preenchimento com ácido hialurônico em toda a região da face, denominada a técnica de full face, o que gera volume e rejuvenescimento. As regiões que podem ser preenchidas são: Terço superior da face: » têmpora; » supercílios; » glabela (muito perigoso o preenchimento nessa área, é zona de risco pelas veias e artérias de grande calibre que passam nessas regiões, mas pode ser feito por profissionais mais habilidosos). Terço médio face: » sulco Nasojugal (olheira); » malar; » zigomático; » nariz. Terço inferior da face: » sulco nasolabial (bigode chinês);sulco labiomentoniano (marionete); » linha da mandíbula; » comissura labial; » rugas periorais; » lábios; » mento; » mandíbula. O preenchimento com ácido hialurônico pode ser feito para melhorar a cicatriz de acne também. Existem diversas técnicas que podem ser feitas para aplicar o preenchimento com ácido hialurônico para sustentar e volumizar o tecido. Serão citadas nesta apostila as 75 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II técnicas de MD Codes, desenvolvida pelo cirurgião plástico brasileiro Mauricio de Maio e licenciada pela Allergan. As linhas do sorriso ou linhas de marionete, em indivíduos mais idosos ou com acnes acentuadas apresentam flacidez facial. O preenchimento desses sulcos pode criar pequenas ondas laterais à zona de injeção. Assim, faz-se o uso concomitante de toxina botulínica nos músculos depressor do ângulo da boca, do mento e orbicular da boca, prolongando e melhorando a aplicação do preenchedor (GLADSTONE; CARRUTHERS, 2005). Em determinados pontos da face a aplicação do ácido hialurônico é contraindicada, além de outros pontos como já citado acima serem áreas muito difíceis, até mesmo para cursos avançados, por conta do risco que a região traz. Relembrando as regiões para aplicaç: » linhas de preocupação ou frontais; » linhas periorbitais superficiais; » outras regiões como têmpora, glabela, fronte, supercílios e nariz são feitas apenas quando o profissional conhece bem a anatomia e já é habilidoso nas outras regiões da face. Há relatos de aplicações realizadas nessas regiões que ocasionaram oclusão arterial, isquemia e até mesmo embolismo, uma vez que o ácido hialurônico apresenta facilidade de se deslocar do local de aplicação para as regiões relatadas. Com isso, o profissional que realizar a aplicação do produto nessas regiões deve ter bastante prática e assumir o risco das complicações que possam aparecer (TAMURA, 2010). Desse modo, quando se está iniciando na área dos preenchedores, é de extrema importância aprimorar primeiramente as técnicas básicas de preenchimento e sempre iniciar nas regiões de menor risco. Mesmo assim, isso não impede de ocorrer complicações. Sendo assim, friso aqui a obrigatoriedade de realizar cursos práticos na área. 76 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL Figura 15. Foto ilustrativa das regiões de aplicação de preenchimento com ácido hialurônico, nível básico e avançado, para indicação de profissional Esteta. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1 12 13 14 15 16 17 Fonte: https://dravanessadefelicibus.com.br/toxina-botulinica-ou-preenchimento-facial/. 1. linhasde preocupação; 2. linhas da glabela; 3. linhas periorbitais; 4. contorno labial; 5. linhas periorais; 6. linhas do sorriso – marionete; 7. comissuras orais; 8. aumento dos lábios; 9. aumento do mento; 10. sulco nasogeniano; 11. aumento do malar; 77 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II 12. área infra-orbital; 13. contorno de mandíbula; 14. linha da mandíbula; 15. nariz; 16. lóbulo da orelha; 17. cicatriz de Acne. Envelhecimento Para se usar de maneira apropriada o ácido hialurônico, maximizando o seu efeito cosmético e ao mesmo tempo minimizando o risco de complicações, o profissional deve ter um entendimento amplo da estética da face e das mudanças que ocorrem com o envelhecimento. A estética geralmente tende a exibir um padrão de beleza, no entanto, este padrão difere em relação aos rostos atraentes de homens e mulheres, pois esses apresentam características distintas, ou seja, cada um obedece a um formato e proporção. Assim, a face feminina deve exibir alguns desses tópicos: » testa maior e suave com nariz menor; » sobrancelhas arqueadas ou com formato de asa de gaivota; » olhos um pouco distantes, causando um olhar expressivo e largo; » maçãs do rosto proeminentes; » estreitamento em formato de coração da parte inferior da face, com uma razão menor entre a parte inferior e superior do rosto; » lábios cheios e vermelhos. Resumindo: apresenta supercílios entre 1,0 a 1,5 cm acima do rebordo orbitário, região malar mais arredondada e lábios maios volumosos, mento mais arredondado. A face ideal masculina deve exibir: » sobrancelhas proeminentes e horizontais com arqueamento mínimo; 78 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL » olhos mais profundos e próximos; » nariz ligeiramente maior; » boca mais larga; » região inferior da face com formato quadrado com uma razão mais equilibrada entre as partes superior e inferior; » barba ou superfície áspera na pele da região inferior da face. Resumindo: apresenta supercílios na mesma altura ou 0,5 cm acima do rebordo orbitário, zigoma e mandíbula projetados, mento mais quadrado. Contudo, a estética se realiza pela harmonia e o equilíbrio da face que existe em toda grande forma, tamanho e configurações das partes individuais. Desse modo, devemos considerar e entender essas mudanças que a face sofre com o passar do tempo. Como já foi dito anteriormente, o envelhecimento é um processo natural e cronológico. Entretanto, diversos fatores podem desencadeá-lo de maneira mais rápida trazendo consequências danosas à pele, principalmente. A exposição solar pela radiação ultravioleta, tabagismo, desidratação, grandes perdas e ganhos de peso são alguns desses fatores. Além desses fatores externos que podem influenciar e adiantar o processo de envelhecimento. O próprio envelhecimento, por si só gera: Tan e Gloau (2005, p.12) Perda de gordura subcutânea: em geral, com a idade, existe uma perda do volume e da circunferência dos contornos da face, que são observados na juventude, resultando na aparência achatada ou afundada das estruturas faciais. Mudanças na musculatura intrínseca das expressões faciais e sua influência na pele: os músculos da expressão facial são os únicos, pois eles se inserem diretamente na pele. Anos de expressões faciais constantemente dobrando a pele, resulta na formação progressiva de rugas hiperdinâmicas que inicialmente aparecem apenas com o movimento facial, mas posteriormente permanecem como rugas em repouso. Rugas hiperdinâmicas são mais proeminentes em áreas onde os músculos e a fáscia subjacentes estão mais diretamente ligados à pele, tal como nas regiões frontal, glabelar, nasolabial, perioral e periocular. 79 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Mudanças gravitacionais pela perda de elasticidade tecidual: com o envelhecimento, as partes moles da face perdem sua elasticidade inerente e sua habilidade a resistir o repuxamento. Inevitavelmente eles começam a ceder e decair sob os efeitos da gravidade. Remodelamento das estruturas ósseas e cartilaginosas subjacentes: com o tempo, a reabsorção óssea pode resultar em uma diminuição do volume facial aparente, e a força gravitacional em estruturas cartilaginosas pode resultar na queda de algumas estruturas, como a ponta nasal. Assimetria facial devido a mudanças nas estruturas ósseas e cartilaginosas é difícil de corrigir,e indicar estas diferenças aos pacientes no início da consulta é importante para adequar as suas expectativas. Quadro 3. Classificação de Glogau do fotoenvelhecimento. Tipo I – Sem rugas » fotoenvelhecimento inicial; » alterações de pigmentos leves; sem ceratoses; rugas mínimas; » pacientes jovens – 20 ou 30 anos (maquiagem mínima ou ausente). Tipo II – Rugas em movimento (Rugas Dinâmicas) » fotoenvelhecimento leve a moderado; » lentigos senis visíveis iniciais; ceratoses palpáveis, mas não visíveis; linhas paralelas ao sorriso começando aparecer lateralmente à boca; Pacientes final dos 30 e 40 anos (geralmente usam alguma maquiagem). Tipo III Rugas em repouso – (Rugas Estáticas) » fotoenvelhecimento avançado; » discromia visível e telangiectasias; ceratoses visíveis; rugas mesmo sem movimentação facial; Pacientes – 50 anos ou mais velhos (sempre usam base corretiva em quantidade). Tipo IV Apenas Rugas » fotoenvelhecimento grave; » pele com coloração amarelo-cinzentada malignidades cutâneas prévias; rugas por todas a face, não há pele normal; Paciente ─ sexta ou sétima década, não pode usar maquiagem, pele de aspecto “rachado”. Fonte: adaptado de Glogau (1994, 1996). As mudanças do envelhecimento manifestam redução de volume da região temporal, ptose de sobrancelhas, aumento da profundidade da região orbitária, aumento do sulco lacrimal, redução e descolamento da gordura de Bichat, acentuação do sulco nasogeniano, ptose de comissura labial, acentuação da linha da marionete, diminuição da concavidade entre a mandíbula e o pescoço e formação de bandas platismais mais evidentes. Desse modo, as linhas do bigode chinês, por exemplo, são o resultado aparente de um processo de envelhecimento total que envolve osso, gordura, músculo e pele. 80 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL A partir do envelhecimento ocorrem alterações morfológicas importantes. O envelhecimento ósseo, por exemplo, inicia-se a partir dos 22 anos de idade na mulher e aos 25 anos de idade no homem, sendo observados principalmente no malar, mandíbula e na região orbital. Isso gera perda tridimensional no tecido adiposo e na musculatura, para os quais o osso serve de apoio, promovendo importantes alterações estéticas. Sabemos conforme mencionado anteriormente que o rosto apresenta diversos compartimentos de gordura que, quando jovem, tem forma equilibrada, separados os compartimentos por septos fibrosos, apresenta quantidade de gordura suficiente, ou seja, número e volume adequados. O envelhecimento provoca a queda desses coxins de gordura. O que antes trazia um aspecto de juventude com o triângulo invertido na face, agora traz um aspecto envelhecido pela ptose da gordura invertendo o triângulo, o que diminui as proporções superiores da face e aumenta as inferiores. http://www.surgicalcosmetic.org.br/detalhe-artigo/318/-Quadralizacao-facial-- no-processo-do-envelhecimento O fotoenvelhecimento do terço inferior da face, afeta principalmente os lábios, o queixo, a região da bochecha e o pescoço. As rugas que se formam ao redor do lábio são decorrentes do repuxamento constante do músculo orbicular da boca quando a pele dos lábios superior e inferior se torna mais inelástica, criando rugas angulares, radiais e verticais. O efeito da gravidade resulta em uma queda das comissuras orais lateralmente e para baixo, o que leva a uma aparência mais triste e cansada. A perda de elasticidade aumenta a queda da pele. Ainda no envelhecimento acontece atrofia nos músculos orbiculares da boca e perda de tecido subcutâneo levando a um achatamento e perda de volumedos lábios com menor área vermelha aparente (GLOGAU, 2002). Assim, como vimos, o envelhecimento apresenta fatores externos que potencializam sua ação ocorrendo, desse modo, o aparecimento do fotoenvelhecimento cutâneo com: » linhas dinâmicas de expressão; » rugas estáticas; » pregas causadas por fotodano e elastose da pele e perda de suporte tecidual posterior por remodelamento ósseo e atrofia de gordura. O plastima, músculo localizado na região do pescoço, atualmente tem sido muito estudado por estar envolvido no envelhecimento facial do terço inferior. Sabe-se que o platisma tem origem (onde o músculo é fixado) no tórax e ombro e inserção (onde http://www.surgicalcosmetic.org.br/detalhe-artigo/318/-Quadralizacao-facial--no-processo-do-envelhecimento http://www.surgicalcosmetic.org.br/detalhe-artigo/318/-Quadralizacao-facial--no-processo-do-envelhecimento 81 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II o músculo apresenta mobilidade) na mandíbula. Durante a contração os músculos seguem vetores de força que geralmente fogem da sua área de inserção, determinando linhas hipercinéticas perpendiculares à direção da contração, o qual resulta em rugas horizontais, verticais e/ou oblíquas. Não só as contrações persistentes enrugam a pele, mas o aumento do tônus muscular do platisma em repouso também. O músculo platisma está envolvido também com os músculos orbicular da boca, depressor do ângulo da boca, depressor do lábio inferior, risório, masseter e mento pois são os músculos inferiores da face responsáveis pela complexa expressão facial. Desse modo, quando a força do músculo plastima é muito elevada, ele pode acarretar em prejuízo, ou seja, envelhecimento precoce, para os outros músculos que tendem a serem puxados, já que as fibras musculares desses músculos são interligadas. O platisma, por exemplo, puxa o canto da boca lateralmente, provocando queda, linhas e enrugamento nessa região (ADA et al., 2017). 82 CAPÍTULO 2 Técnicas de Aplicação de Preenchedores Tipos de preenchedores Existe uma vasta quantidade e marcas de substâncias denominadas preenchedores hoje no mercado, tanto como substâncias biodegradáveis e não permanentes quanto como não biodegradáveis e permanentes. Os preenchedores mais tradicionais são os biodegradáveis, ou seja, aqueles que podem ser absorvidos e excretados pelo organismo em determinado tempo, geralmente curto. Sabe-se que, por mais que estas substâncias apresentem reações de hipersensibilidade, elas têm segurança comprovada (GLADSTONE; CARRUTHERS, 2005). Além dos preenchedores biodegradáveis, existem os semi-permanentes e os permanentes. No entanto, é interessante evidenciar que os profissionais habilitados na área dos injetáveis só podem aplicar os biodegradáveis, no caso o ácido hialurônico e os que foram citados na introdução, o CaHa e o PCL. No entanto, o PCL com duração a partir de 3 anos não pode ser usado por não médicos por ser considerado semi- permanente. Os semi-permanentes apresentam efeito mais duradouro, entretanto, podem causar maiores complicações, como granulomas, uma vez que, desenvolvem-se tardiamente (mais que um ano depois do tratamento), como por exemplo, a PCL de 3 e 4 anos. Esses costumam conter microsferas que não são biodegradáveis. Os preenchedores permanentes resultam em alta incidência de granuloma e extrusão, como por exemplo o polimetilmetacrilato ─ PMMA e o silicone, no entanto, alguns autores consideram o PMMA como sendo um preenchedor semipermanente (GLADSTONE; CARRUTHERS, 2005). Ácido hialurônico O ácido hialurônico aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) em 2003, representa um grande avanço na história dos preenchedores. Isso porque esta substância é gerada por fermentação bacteriana e também de crista de galos, não existindo a necessidade de testes alérgicos. Este é um preenchedor versátil e parece ter efeito mais prolongado que o próprio colágeno. 83 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II O ácido hialurônico (AH) é um polissacarídeo linear que ocorre na natureza composto de resíduos alternados dos monossacarídeos D-glicurônico e N-acetil-D-glicosamina. Este composto é altamente distribuído na matrix extracelular dos tecidos conjuntivos, no fluído sinovial, nos humores aquoso e vítreo do olho e em outros tecidos. Sua estrutura química é uniforme por toda a natureza e, portanto, não tem potencial para imunogenicidade na sua forma pura. Na pele, o AH forma a matrix fluída elastoviscosa na qual fibras de colágeno, fibras elásticas e outras estruturas intercelulares estão embebidas. Sintetizado nas membranas celulares e então secretado no espaço extracelular, o AH é o maior (50kDa) e é o glicosaminoglicano (GAG) mais abundante na matriz extracelular da derme. Ele difere dos demais GAG, pois não é sulfatado ou ligado a uma proteína central (BOWMMAN; NARINS, 2005). O AH liga-se a uma grande quantidade de água e múltiplas cadeias de AH se emaranham e se interpenetram umas nas outras para formar soluções altamente elastoviscosas, o que dá à pele maleabilidade e elasticidade. Assim como dá volume e preenche o local injetado. Em contrapartida, a quantidade de ácido hialurônico na pele diminui com o envelhecimento, resultando em uma menor hidratação e consequentemente no aumento do enrugamento (BOWMMAN; NARINS, 2005). Além disso, a meia vida do AH no tecido é de apenas 1 a 2 dias (o AH exógeno é rapidamente removido da derme e degradado no fígado a dióxido de carbono e água), sendo um candidato ruim para preenchimento tecidual em sua forma não modificada (BOWMMAN; NARINS, 2005). Já os géis de AH conhecidos como hilanos, são géis químicos, conectados por ligações covalentes, como também hidrogéis, pois são inchados com 95% do seu peso por água, sendo lentamente absorvidos do tecido com o passar dos meses (BOWMMAN; NARINS, 2005). Produto a ser implantado Existem vários tipos de preenchedores e marcas de ácido hialurônico. Existem os preenchedores finos, que são denominados preenchedores que apresentam cadeias de baixo peso molecular. Eles obtêm menos reticulação e devem ser aplicados na derme média a superior, e são utilizados para rugas finas e superficiais. Existem preenchedores mais espessos, chamados de preenchedores com média reticulação para rugas mais profundas, que devem ser colocados mais profundamente na derme e por fim, preenchedores mais robustos, que apresentam alto peso molecular ou alta reticulação para áreas que requerem aumento substancial de volume como região supraperiostal, rugas ou sulcos muito profundos com colocação na interface derme/subcutâneo (BOWMMAN; NARINS, 2005). Atualmente, empresas como Allergan,conseguem 84 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL misturar as cadeias altas e baixas de peso molecular promovendo moldabilidade e efeito lifting, um preenchedor de alta performance. Um exemplo de produto é o Restylane®, pois existem três formulações iguais às citadas acima de hilano para serem preenchidos em profundidades diferentes na derme: Restylane®, Restylane Fine Lines® e Restylane Perlane®. A concentração de AH nesses produtos é de 20mg/mL. O que diferencia os produtos é o tamanho das partículas de AH, número de partículas de gel por mL, e a profundidade do alvo do implante. » O Restylane Fine Lines® apresenta as menores partículas, consequentemente é menos viscoso, ou seja, menos reticulado. O produto é injetado pela agulha de 30G ou cânula 27G ou 25G e é usado na derme mais superficial para corrigir linhas finas. O seu uso é indicado, em geral para, por exemplo, preencher olheiras, boca, glabela, linhas periorbiculares e linhas do sorriso, se houver necessidade. » O Restylane® apresenta partículas maiores e é injetado por uma agulha de 30 G ou cânula 25G ou 22G. Sua aplicação é realizada na derme média para corrigir geralmente os sulcos nasogenianos leves a moderados e fornecer aumento labial. Ademais, é indicado, em geral, para linhas glabelares, crista do filtro, pregas nasolabiais,contorno labial, aumento labial, linhas do sorriso, rinomodelação e comissuras orais, dependendo do grau. » O Restylane Perlane® apresenta partícula de maior tamanho, consequentemente é mais viscoso. O produto é injetado por uma agulha de 27G ou cânula 22G, no plano profundo, supraperiostal ou no tecido subcutâneo superficial, para tratar pregas profundas. É indicado, em geral, para pregas nasolabiais, aumento do mento, contorno mandibular, malar e zigomático. O Juvederm®, da Allergan, apresenta: » Juvéderm Voluma® para estruturação, ou seja, usado para plano profundo – osso, pois restaura volume e proporciona suporte para terço médio, têmporas, mento e mandíbula (até 2mL por área tratada por sessão, é o indicado). » Juvéderm Volift® para preenchimento e contorno, usado para sulcos e rugas médias.Delinear lábios, corrigir assimetrias, deformidades de contorno ou perda de volume. 85 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II » Juvéderm Volbella® para refinamento usado para planos superficiais, menos que 0,3 mL. » Juvérderm Volite® para hidratação profunda como se fosse um skinbooster. Aqui foram citadas duas ótimas marcas de ácido hialurônico, no entanto, existem outras muito boas como: Perfectha®, Belotero®, Rennova®, Princess®, Perlane®, Teosyal®, entre outras. Recomendo que, no início, o profissional use diversas marcas conceituadas no mercado, pois conforme adquirir experiência na aplicação de AH, será mais fácil perceber que usar tal marca em uma região específica lhe trará melhor resultado do que outra por exemplo, isso porque existem algumas particularidades muito importantes a serem observadas em um preenchedor, como as características reológicas que incluem o módulo de elasticidade (G´- falasse G prime) e a viscosidade. Esses elementos podem afetar a durabilidade do produto dependendo da marca e da área de aplicação, veja a seguir. Sundaram et al., (2013) observaram que os preenchedores Restyane® e Perlane® eram relativamente firmes e não se espalhavam muito após a implantação, desse modo, esses efeitos refletiram na sua maior elasticidade (G´) e viscosidade, já Juvéderm Volbella e Volift eram mais suaves e tendiam a espalhar mais após a implantação, isso é em grande parte atribuído ao seu menor G´ e viscosidade. Baseado nesses dados e nas experiências, sabemos que marcas com maior G´ e viscosidades são mais utilizadas em face média, pois conferem menos dispersão, dando estabilidade no contorno e firmeza da carga. Já as de menor G´ e menor viscosidade são preferidas em lábios, por exemplo, onde pode ocorrer maior dispersão e ser considerável atraente. Como apresentado acima, mais de um tipo de Restylane® ou Juvérderm®, por exemplo, pode ser usado no mesmo local de aplicação. O que se deve considera para definir qual produto usar, será a camada que irá aplicar. Muitas vezes em uma paciente jovem que já apresenta um sulco nasogeniano marcado podemos usar um preenchedor de pouca reticulação ou reticulação média, pois essa paciente ainda apresenta coxins de gordura e o tecido ósseo organizado na face. Sendo assim, a marca pode ter ocorrido pela movimentação da pele. Poderia ser considerado também recomendar algumas sessões de skinbooster. No caso de uma paciente na faixa dos 50 anos, já temos reabsorção óssea e dos coxins de gordura, apresentando flacidez. Muitas vezes neste caso do sulco nasogeniano teremos que usar preenchedor de alta reticulação e de média reticulação, porém em camadas 86 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL dérmicas diferentes, sendo subcutânea e derme, respectivamente. Começar sempre com a camada mais profunda. Quanto maior for a profundidade do sulco, o ideal é usar a técnica de leque e cruzada, explicadas mais à frente. Depois muda-se a camada com outro preenchedor médio, não se deve usar o mesmo preenchedor em camadas superficiais, para que sejam evitadas complicações, como nódulos, o preenchimento ficar aparente, aumentar a flacidez, entre outras situações. É comum termos que aplicar o ácido hialurônico por sessões, a cada 15 a 20 dias ao invés de aplicar tudo no mesmo dia, isso diminui também as chances de ocorrer complicações. Sabe-se que aplicar mais de 7 mL de AH em uma face toda, em um dia aumentam-se os riscos de complicação no paciente. A partir dessa quantidade o paciente leva em média 30 dias para obter um resultado final, isso corresponde ao tempo que o ácido hialurônico demora para se adaptar à face. Pede-se então que o paciente retorne, caso não tenha ocorrido complicação no decorrer em 30-45 dias. Após a aplicação do AH, é comum inchar a região, após 72 horas deve-se começar a apresentar uniformidade, caso contrário, aplicou-se mais que o devido ou alguma outra complicação, como rejeição, alergia, entre outros. Existem exceções, ou seja, alguns pacientes podem vir a permanecer mais tempo com o inchaço, por isso, sempre se deve avaliar bem seu paciente, fazê-lo assinar a anamnese, o termo de consentimento e o contrato de prestação de serviço. Falaremos mais à frente sobre outras complicações. Recomendo utilizar sempre cânula para a aplicação. Sugestões para se basear: Sulco nasogeniano De acordo com a figura abaixo, se for uma linha, usar skinbooster - 1 sessão/mês por 3 meses. (Skinbooster explicado na Unidade I) ou preenchedor de baixa reticulação geralmente 1 mL total (para ambos os lados do sulconasogeniano). Ruga – Preenchedor de reticulação média, usar de 1 - 2 mL total Prega/Sulco – Preenchedor de alta reticulação ou associar alta e média reticulação, sempre respeitando as camadas. Nesse caso, é interessante usar a técnica de MD codes, comentada mais à frente. 2 – 4 mL 87 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Figura 16. Camada superficial da pele que demonstra a linha, ruga e sulco/prega da face. Camada Superficial da pele Camada Intermediária da pele Linha Ruga Prega Gordura Músculo Fonte: http://www.tratamentopararugas.med.br/preenchimento.html. Acesso em: 28 jun. 2015. Boca Para a aplicação na região labial o ácido hialurônico é utilizado com menor reticulação, pois, como vimos acima, ele precisa ter espalhabilidade e menos viscosidade, já que essa região é muito movimentada, é exposta a altas e baixas temperaturas entre outras situações. A aplicação deve ser feita na mucosa superficial, se atentar com as artérias labiais tanto superior quanto inferior, pois passam praticamente no meio dos lábios, numa camada mais profunda de mucosa. Quando se aplica o AH nessa região, logo se observa o inchaço pelo acúmulo de água na região, quando se aprofunda o material, você irá perceber que o inchaço não aparecerá e terá que colocar mais produto, cuidado nessa hora, pois aumenta-se a chance de complicação. Recomendo utilizar sempre cânula, pela segurança, mesmo assim faça a aspiração antes de injetar o produto. A aspiração deve ser feita tanto com cânula quanto com agulha, o que serve para qualquer região. Em lábios jovens, geralmente damos volume, quase não tem necessidade de contorno. Por isso, a avaliação deve ser bem feita para que haja um bom resultado e que supere o objetivo do paciente. Escutar o que o paciente quer é sempre o melhor caminho. No entanto, como profissional, você deve ter noção do que deve ser feito e respeitar sempre o bom senso e a fisiologia. Deve-se mostrar ao paciente as situações prováveis que podem vir a ocorrer. 88 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL Devem ser levados em conta o tamanho de face e as proporções de boca para saber a quantidade de produto utilizado. Num primeiro momento ocorrerá inchaço na região aplicada. Passadas 72 horas o inchaço diminuirá e até 30% da quantidade de produto. Desse modo, muitas vezes também fazemos o lábio por sessão. Em uma primeira sessão de 1-2 mL, em muitos casos não há necessidade de adicionar mais produto após 20-30 dias. Lábios maduros, há perda de gordura, desse modo, muitos pacientes questionam que quando jovens os lábios eram maiores,ou que perderam o contorno do lábio. Nesses pacientes é indicado fazer a aplicação de AH nos filtros, arco do cupido, contorno labial e dar volume. Também é indicado fazer em sessões. Pode ser utilizado como sugestão de 1 até 3 mL de AH, tudo vai depender da necessidade do paciente em primeiro lugar e do que ele quer. Lábios masculinos não devem apresentar muita definição de contorno mais volume. O volume também deve ser menor que dos lábios femininos, mantendo sempre as proporções, lábio superior menor que o inferior. Lábios femininos prioriza-se o contorno labial e volume. Mento Como citado acima, o mento difere de homem e de mulher assim como os lábios, o contorno de mandíbula, o zigomático e o malar. O mento é uma região mais segura e pode ser aplicado o AH com agulha, mas também não exclui a possibilidade da cânula. No caso da mulher, o mento deve ser mais oval. Para isso, com um lápis de marcação, marca-se uma linha reta a partir da asa do nariz de ambos os lados até a ponta do mento, o foco da aplicação do produto será no meio entre esses dois pontos. Logo após, deve- se massagear. Se for com agulha, a aplicação é supraperiostal, não esquecer de fazer a aspiração. Se for com cânula, fazer o pertuito (furinho com a agulha para introduzir a cânula) na linha da comissura labial na mesma altura do mento. A projeção do mento se faz quando o paciente apresenta mandíbula retrógrada, seu aumento melhora toda a proporção facial. Muitas vezes também é indicado para pacientes com nariz projetado. O mento equilibra a harmonização da face, tirando o foco do nariz. No homem, o mento é mais quadrado, trazendo masculinidade à face. Para isso, com um lápis de marcação, marca-se uma linha reta a partir da asa do nariz de ambos os lados até a ponta do mento, o foco da aplicação do produto diferente do da mulher, será na linha e não no meio delas. Sempre após a aplicação, massagear. 89 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II A quantidade de mL de AH é variável, em média 1-3 ml. Marionete Com o envelhecimento, é comum apresentar essa ruga que desce até a mandíbula, originada a partir da comissura labial. Muitas vezes ela acaba se unindo com o sulco nasogeniano. Acomete mais mulheres e homens maduros. Muitas vezes, quando realizam preenchimento labial, os pacientes já pedem para incluir o preenchimento da marionete. Se não, é indicado sugerir, se houver necessidade, para trazer maior resultado e satisfação ao paciente. A aplicação é igual ao sulco nasogeniano, vai depender da sua profundidade. Lembrando que nessa região passam artérias calibrosas, deve-se tomar cuidado. Sempre realizar travas, ou seja, aplicar técnica, cruzada. Quantidade varia em torno de 1 -3 ml Contorno mandibular Além do contorno mandibular ser perdido com o tempo, ele provoca mais envelhecimento pela flacidez que gera. Por isso, é interessante restabelecer esse contorno nos pacientes que têm necessidade. Por exemplo, é comum obter melhores resultados em tratamentos de marionete e sulco nasogeniano, aplicando AH no contorno mandibular e no zigomático. O contorno mandibular também difere nos homens e mulheres, sendo que o rosto feminino é mais delicado, apresenta a mandíbula mais oval, ou seja, não tão marcada, já o homem, apresenta uma mandíbula marcada e acentuada. Para aplicação de contorno masculino deve-se usar a camada supraperiostal e a derme profunda, utilizando duas técnicas diferentes. Na supraperiostal ir no arco ou ângulo mandibular perpendicularmente e aplicar o produto, sempre fazendo a aspiração antes de 7 a 10 segundos. Assim, a agulha deve tocar no osso e subir um mínimo, deve ser feita a aspiração e então, aplicada. Muitos pacientes perdem essa região óssea. Quando isso acontece, deve-se realizar apenas a aplicação de derme profunda. É importante salientar que, quando aplicamos o AH em camadas profundas, demora para ser observado seu volume. Assim, acaba-se utilizando mais produto. Contudo, em algumas regiões considero importante a utilização da aplicação em camadas profundas para aumentar a durabilidade do tratamento, e manter a sustentação do tecido. Já 90 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL sabemos que o AH em camadas superficiais apresenta menor durabilidade quando comparado na aplicação de camadas profundas. Para a aplicação na derme profunda ou até mesmo no subcutâneo, recomendo a utilização de cânula. Para isso, com um lápis de marcação, marque na região do ângulo mandibular um triângulo. Faz-se uma reta do ramo da mandíbula até o ângulo da mandíbula, outra reta do ângulo da mandíbula para o corpo mandibular e fecha-se o triângulo com outra reta do corpo da mandíbula até o ramo mandibular. Esse desenho é feito para se orientar quanto ao depósito de AH. No homem, o ângulo do triângulo é mais fechado e na mulher é mais aberto. Logo em seguida, se faz um pertuito no meio do corpo mandibular, introduz-se a cânula até o ângulo mandibular, aspira-se por 7 a 10 segundos, e injeta-se o AH. Na retroinjeção, volte aplicando AH no corpo mandibular. Ainda nesse pertuito, volte a cânula para a entrada e faça a deposição do AH em leque indo até o ramo e voltando injetando (para dar volume à região). Faça outro pertuito no ramo mandibular e introduza a cânula até o ângulo da mandíbula, voltando com retroinjeção. Na mulher, a aplicação é igual, o que difere é a abertura do desenho do triângulo, e na maioria dos casos não fazemos aplicação supraperiostal, somente subcutânea, mas isso vai depender do grau de flacidez da pele. Muito cuidado pois o corpo mandibular apresenta nervo facial, artérias e veias faciais. Na região do ramo da mandíbula, deve-se atentar para o nervo facial, ramo marginal da mandíbula e a parótida, principalmente. Pacientes que apresentam estrutura do rosto quadrada são beneficiadas no envelhecimento, por não ter tanta flacidez no contorno mandibular. A quantidade de AH usada nessa região é variável, sugestão 2-3 ml por lado. A reticulação é sempre a maior a ser usada nessa região. Olheira Do terço médio será abordado apenas a olheira para preenchimento. A região infraorbitária deve ser preenchida com AH, somente quando houver profundidade, mesmo assim devemos avaliar bem o paciente para que a volumização da área não nos traga futuras complicações. Nessa região é recomendado somente o preenchimento de AH com reticulação baixa, pelo grande edema que ocorre. A olheira deve ser preenchida somente com cânula, na região de derme. Deve-se atentar para não superficializar o produto na pele, formando o efeito Tindell, pigmentação 91 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II azulada na região. Para a aplicação, com um lápis de marcação, faça uma linha reta a partir da asa do nariz até a ponta do olho, e outra linha reta que desce para se juntar com essa. Após faça uma linha diagonal, na junção dessas duas até o ponto lacrimal. Faça um pertuito na junção das três linhas e introduza a cânula. Aplique o AH, somente nas regiões profundas. É importante fazer essa região por sessão, pois é uma área de muito inchaço. Faça no máximo 1ml (total para os dois lados), e após 15 a 20 dias avalie para ver a necessidade de aplicar mais. Muitas vezes, passados 30 dias ocorre reabsorção de produto, geralmente mais de um lado do que do outro (do lado que a pessoa dorme). Isso ocorre para qualquer área, por isso, é importante solicitar ao paciente que durma, por pelo menos três dias de barriga para cima e não faça atividade física, o que deve ser colocado em seu termo de consentimento. Técnica Para a correta aplicação do ácido hialurônico no paciente, alguns protocolos precisam ser adotados pelo profissional para garantir que o procedimento seja realizado com segurança. Dessa maneira, os resultados obtidos serão altamente relevantes. Abaixo está listado um protocolo básico de aplicação do produto. » tenha sempre em mãos hialuronidase (será abordada mais à frente); » após entrar em acordo com o pacienteem relação à técnica e ao valor do procedimento, preencha os termos, contratos e anamnese; » remova a maquiagem, a área deve ser limpa com clorexidina 0,5%; » fotografe de diversos ângulos, com a pele do paciente limpa, o paciente deve estar em pé e o plano de fundo deve ser de uma cor só; » aplique anestesia tópica 30 a 40 min antes do procedimento. Após limpar a região, pode-se fazer botão anestésico onde for aplicar o produto também com lidocaína estéril a 1%.; » com o paciente sentado faça a marcação dos pontos onde precisa ser injetado o AH, onde há profundidade. Use um lápis de olho, por exemplo. A aplicação pode ocorrer com o paciente sentado ou deitado; » a maioria dos autores recomendam manter o bisel da agulha para cima, pois, na maioria das vezes a ponta da agulha é vista e mais precisamente controlada quando a pele é perfurada. A entrada da agulha na pele 92 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL geralmente é uma questão individual, no entanto, alguns profissionais entram em ângulo de 30º ou 45°, se supraperiostal entram a 90°. » o preenchimento pode ser feito com agulha ou cânula, se for com cânula deve ser feito um pertuito antes para assim inseri-la, caso contrário não conseguirá inserir, pois a ponta estará romba.; » antes de injetar o AH aspire por 10 segundos para reduzir as chances de pegar um vaso, ou aplicar dentro dele. É importante aplicar pouco produto sempre perto de vasos calibrosos e principalmente quando não há espaço na região, pois pode ocorrer compressão de vasos e gerar necrose tecidual; » após a retirada da agulha ou cânula é normal extravasar sangue através do pertuito, use uma gaze seca e faça compressão; » massageie moldando o local após a aplicação para o AH moldar na região; » observe a coloração do tecido, pode ficar roxo caso pegue um vaso. O mais comum é ficar vermelho, porém controlado; se a coloração estiver esbranquiçada, fique alerta! Sinal de compressão ou de que injetou produto no vaso, nesse caso massageie bem até voltar à cor normal. Caso não volte, aplique hialuronidase. A hialuronidase é a única enzima capaz de degradar o ácido hialurônico. Você sempre deve tê-la em seu consultório com a data de validade no período para ser usada. Isso é de extrema importância. A compra é feita em farmácia de manipulação, e deve-se prescrever hialuronidase de 2000 UTR ou 3000 UTR. No consultório, antes de aplicar, deve-se diluir com 5 ml de soro fisiológico estéril. Aplicar 0,3ml por ponto, distanciar os pontos em 0,5 cm. É importante, após ou durante esta pós-graduação, fazer um curso de complicações, pois a partir do momento em que você começar a realizar procedimentos pode acontecer de ocorrer uma complicação. Só não observa complicações quem não tem paciente, então você precisa estar preparado para resolvê-las. Como a viscosidade do ácido hialurônico diminui com o aumento da temperatura, o aquecimento da seringa, provocado pela mão que a segura antes de aplicar a injeção pode ajudar. Assim, ocorre diminuição de força na injeção na hora da aplicação. 93 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Figura 17. Agulha indicada para aplicação do ácido hialurônico com baixa reticulação e média reticulação: 30G (mesma usada na intradermoterapia) e cânula indicada para preenchimento com baixa e média reticulação 25G ou 27G e alta reticulação 22G. Fonte: http://www.fibracirurgica.com.br/agulha-descartavel-13-x-03-30g1-2-40120-c-100-sr-3525/p ; http://drfaissal.com.br/ blog/agulhas-ou-canulas/ A técnica de aplicação linear retrógrada é a mais usada. Segurando a seringa paralela ao comprimento da ruga ou prega a ser tratada, perfure a pele e avance com a agulha por toda a sua extensão. Enquanto retira lentamente a agulha da pele, aplique uma pressão constante no êmbolo para liberar o material na derme (em rugas finas e superficiais, observe a saída do material enquanto retira a agulha retrogradamente). Rugas ou linhas superficiais curtas podem ser eliminadas em apenas uma aplicação. Esta técnica pode ser usada com cânula também. A técnica das punturas seriadas é a mais fácil tecnicamente (pois a ponta da agulha não se move durante a injeção) e é a preferida dos iniciantes. Para esta técnica a agulha perfura a pele até a profundidade desejada, deposita uma pequena quantidade do produto e então a agulha é retirada. Injeções individuais desse tipo funcionam bem para cicatrizes de acne, enquanto as sucessivas podem diminuir rugas. Para você saber se está na derme média, quando for aplicar um preenchedor próprio para essa área, é só observar se o contorno da seringa fica visível ao injetar, mas não deve ver a cor da agulha/cânula. http://drfaissal.com.br/blog/agulhas-ou-canulas/ http://drfaissal.com.br/blog/agulhas-ou-canulas/ 94 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL Guie o seu tratamento, sabendo que para materiais (ácido hialurônico) mais finos, deve-se atentar para parâmetros visuais e, para materiais mais espessos, deve-se atentar para parâmetros táteis. A resistência deve ser sentida na derme profunda. As técnicas em leque e com aplicação cruzada são apenas variações da técnica retrógrada, geralmente usada quando se preenche com maior quantidade de material e em maior profundidade. Caso ocorra erro ao injetar o material no plano profundo, as rugas não são corrigidas, mas o erro é visível. Já quando o erro ocorre na superfície do tecido, os defeitos são passíveis de correção, no entanto, a superfície pode ficar com irregularidades. Após a injeção é recomendado massagear levemente o local no qual o preenchedor foi aplicado, para que, dessa forma, seja excluída qualquer propensão a nódulo ou irregularidades na região. Dessa forma, estamos garantindo que o produto se acomode aos contornos dos tecidos. No entanto, quando o local é massageado, mais de 20% do produto pode ser eliminado. Com isso, deve-se fazer a hipercorreção. Por fim, deve haver um limite de 1,5-2,0 mL por sessão e o retoque pode ser feito de 2 a 4 semanas depois da aplicação. Figura 18. Técnicas de implantação dos hilanos (ácido hialurônico). 1- Linear Retrógrada 2- Punturada seriada 3 - Em leque 4 - Cruzada Fonte: autora, 2019. 95 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Figura 19. Preenchimento labial. Fonte:https://terezascardua.com.br/cursos-de-harmonizacao-facial/escultura-labial-tecnica-lipts/. Não há uma sequência na técnica de aplicação de ácido hialurônico labial, o que vai depender da preferência pessoal. No entanto, muitos profissionais começam pelo canto direito do lábio inferior. Caso haja necessidade de contornar e preencher, comece contornando o lábio, pode ser com cânula ou agulha. A agulha fornece mais precisão, no entanto, pode vir a trazer futuras complicações, além dos hematomas. A cânula é mais segura, mas não tem tanta precisão, contudo reduz significativamente os hematomas. Volume e contorno definidos caracterizam lábios jovens. Curvatura em forma de M do vermelhão da boca é denominada de arco do cupido, e a proeminência linear que parte dos ápices do M em direção às narinas é chamada de filtro. É importante relatar que, nas proporções ideais, em mulheres caucasianas, o lábio deve ter a proporção de 1:1,6, ou seja, o lábio inferior mais volumoso que o superior. Em perfil, o formato dos lábios deve ser convexo e o superior deve ser projetado 2 milímetros anteriormente ao lábio inferior. Injeção no vermelhão do lábio ajuda a definir sua linha. Os tubérculos labiais (3 no lábio superior e 2 no lábio inferior), podem ser tratados. Isso proporciona a forma arredondada e o volume natural ao lábio. Aplicação da técnica MD codesTM Em 2010, o cirurgião plástico brasileiro Maurício de Maio demonstrou a técnica 8-point lift, que consiste no tratamento facial com aplicação de AH da Juvederm®, em pontos 96 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL específicos da face, pontos denominados de L1 a L8, sendo que a letra L corresponde a lift e os númeroscorrespondem às subunidades anatômicas. Em 2015, ele melhorou a técnica e lançou o código médico mais conhecido atualmente como MD codesTM, que foi licenciado pela Allergan. Este é considerado uma técnica de reestruturação facial para o tratamento global do envelhecimento cutâneo por meio de um mapeamento completo de toda a face. Essa técnica é mundialmente conhecida. Quadro 4. Entendendo o 8-point lift. Código Áreas de aplicação Volume (mL) Técnica de aplicação Efeitos da aplicação Observações L1 (Ck1) Arco zigomático – osso 0,1-0,2 – com agulha Bolus pequeno Eleva a região malar; Oferece suporte ao supercílio e à pálpebra. L2 (Ck2) Proeminência zigomática – osso 0,2-0,4 – com agulha Bolus pequeno Projeta a região malar e encurta a distância pálpebro-malar. Não aplique na artéria zogmático-facial. L3 (Ck3) Malar anteromedial – osso ou subcutêno 0,1-0,5 – com agulha ou cânula Bolus pequeno ou em leque Melhora a junção pálpebro-malar- medial e suaviza o tear through. Não aplique na artéria infraorbital. L4 (NL) Sulco nasolabial – subcutâneo 0,1-0,5 – agulha ou cânula Linear Reduz a proeminência do sulco nasolabial. Não aplique na artéria facial. Aplique levemente da medial ao sulco nasolabial. L5 (M) “linha de marionete” – subcutâneo 0,1-0,5 – agulha ou cânula Linear Fortalece e eleva a mucosa da comissura oral e melhora a aparência das “linhas de marionete”. Não aplique na artéria facial. Aplique levemente da medial ao sulco nasolabial. L6 (C6) Sulco prejowl – osso e/ ou subcutâneo 0,1-0,5 – agulha ou cânula Bolus pequeno ou Linear ou em leque Reduz a proeminência do sulco prejowl. L7 (JW1) Ângulo da mandíbula – osso; subcutâneo 0,1-0,5 - agulha Bolus pequeno ou em leque Remodela e eleva a linha da mandíbula. L8 (Ck4, Ck5) Parótida e área submalar – subcutâneo 0,2-1,0 – agulha ou cânula Em leque Foca a área de depressão e melhora a perda de volume submalar e pré- auricular; eleva a linha da mandíbula. Não aplique na glândula parótida, no nervo bucal, na artéria e nas veias faciais. Fonte: Borba, 2018. Decifrando as letras Região frontal: F Região temporal: T Sobrancelha (eyebrow): E Sulco Lacrimal (tear through): Tt Região malar/bochecha (cheek): Ck Nariz: N 97 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Sulco nasolabial: NL Lábio (lip):Lp Sulco labiomentoniano (Marionete): M Queixo (chin): C Contorno mandibular (jowl line): Jw Recomenda-se, na maioria dos pacientes, após a avaliação facial, que o tratamento se inicie pelo terço médio. O remodelamento da região malar começa com a aplicação de Ck1(com agulha) pois eleva a região malar e sustenta os tecidos além de dar suporte à pálpebra inferior. Após a reestruturação supraperiostal nas regiões de contorno de Ck1 e Ck2, por meio da cânula distribui-se o AH retroinjetando, remodelando essa região. Essa técnica leva ao efeito de top model look com maior sombreamento da região submalar. Quanto ao volume injetado em cada ponto, isso dependerá da avaliação e da perda de cada paciente. Contudo, é importante evitar que, em cada região, sejam aplicados mais de 2 ml por sessão, e é prudente que, em cada ponto, não seja injetado mais do que 0,5 ml por sessão. Devemos sempre fazer injeções com aspirações prévias, lentamente e com pequenos volumes. Em relação ao volume total injetado, é importante salientar que pode ser feito em sessões e distribuído ao longo do planejamento, até que o objetivo final seja alcançado. Remodelação da região malar A região malar é a das bochechas e faz parte do contorno facial. Ela pode influenciar diretamente no aspecto do rosto, para aparentar ser mais magro, por exemplo. Para a região malar, há 5 pontos de reestruturação: Ck1 na parte lateral do arco zigomático; Ck2 na eminência zigomática; Ck3 na região anteromedial; Ck4 na parte lateral baixa e Ck5 na região submalar. Deve-se atentar para a região do forame infraorbitário, por onde passam nervos e vasos. O ponto Ck3 encontra-se sobre a região do forame infraorbitário, sendo uma área de alto risco. O Ck5 é necessário para pacientes muito magros, que perderam a gordura malar submuscular. As áreas de injeção de acordo com os pontos, são: » Ck1- arco zigomático; 0,1-0,3ml – bolus, supraperiostal; » Ck2 – eminência zigomática; 0,2-0,4 ml – bolus, supraperiostal; 98 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL » Ck3 – malar anteromedial; 0,1-0,5ml – bolus ou em leque, supraperiostal ou subcutâneo; » Ck4 – malar lateral inferior; 0,2-1,0ml – em leque, subcutâneo; » Ck5 – submalar.0,2-0,5ml – em leque, subcutâneo. Remodelamento do sulco nasolabial (nasogeniano) O sulco nasolabial estende-se da asa do nariz até a comissura labial e está situado sobre o caminho da artéria facial, que percorre profundamente a região. Deve ser aplicado na derme e pode-se usar agulha ou cânula. São feitos três pontos ao longo desse sulco, que são: » NL1 – sulco nasolabial superior: 0,1-0,4 ml, em leque; » NL2 – sulco nasolabial central: 0,2-0,4 ml, linear; » NL3 – sulco nasolabial inferior: 0,1-0,2 ml, linear. Remodelação da região labial Existem oito pontos para a reestruturação labial, são eles: » Lp1: vermelhão do lábio (superior e inferior) – 0,05-0,1ml; bolus pequeno; » Lp2: arco do cupido – 0,05-0,1ml; linear; » Lp3 borda do lábio – 0,05-0,1ml; linear; » Lp4: tubérculo medial – 0,05-0,1ml; bolus pequeno; » Lp5: tubérculos laterais – 0,05-0,1ml; bolus pequeno; » Lp6: comissura labial – 0,05-0,1ml; linear ou em leque; » Lp7: filtro labial – 0,05-0,1ml; linear; » Lp8: linhas periorais – 0,1-0,2ml; microponto. 99 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Remodelação do sulco labiomentoniano Estende-se da comissura labial até a região do forame mentoniano, também conhecido como linha da marionete. Os três pontos a serem tratados, são: » M1: sulco labiomentoniano superior; 0,1-0,2ml -linear; » M2: sulco labiomentoniano central; 0,2-0,4ml, linear; » M3: sulco labiomentoniano inferior; 0,2-0,4ml, linear. Remodelação do mento Essa região é irrigada pelos vasos mentonianos que partem do forame mentoniano, e tem seis pontos de tratamento, que são: » C1: ângulo mentoniano; 0,5-1,0ml – linear ou leque; » C2 (Jw5): ápice mentoniano; 0,2-0,4ml – bolus pequeno; » C3: pogônio; 0,2-0,4ml – bolus pequeno; » C4: submentoniano; 0,2-0,4ml – bolus pequeno; » C5: mentolateral; 0,2-0,4ml- bolus pequeno; » C6 (Jw4): prejowl; 0,1-0,5 ml – linear ou bolus pequeno. Remodelação de contorno mandibular Deve-se tomar cuidado ao fazer o Jw3, uma vez que está sobre a emergência da artéria facial, que passa profundamente. As áreas de injeção são: » Jw1: ângulo da mandíbula; 0,2-0,5ml –bolus pequeno – alarga a face, eleva e define o ângulo da mandíbula; » Jw2: região pré-auricular; 0,5-1,0ml – em leque – eleva a pele e reduz a flacidez da linha da mandíbula; » Jw3: corpo da mandíbula; 2-0,5ml – linear – melhora a definição da linha mandibular; 100 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL » Jw4 (C6): prejowl; 0,1-0,5ml –linear ou bolus ou em leque – reduz a proeminência do sulco prejowl; » Jw5 (C2): ápice mentoniano; 0,2-0,5ml linear ou em bolus – melhora a dimensão vertical altura do mento. As fotos de todos os remodelamentos serão postadas na biblioteca do portal. Anamnese Existem questões importantes a serem feitas na anamnese do paciente antes da aplicação do ácido hialurônico, tais como: » experiência passada com outros preenchedores; » história de cicatrizes e queloides; » história de infecção por herpes simples; » história de hematomas/sangramento fácil; » condições dermatológicas que exibem patergias; » qualquer inflamação ativa na área a ser tratada; » tolerância alta a dor; » planos sociais importantes nos próximos 3-7 dias; » expectativas realísticas. É interessante fazer as perguntas acima para o profissional ficar ciente do quadro do paciente, como também se ele já obteve satisfação em uma realização anteriordo tratamento. Qualquer relato citado acima e confirmado pelo paciente deve influir no tratamento pelo profissional, devido a grandes chances do tratamento dar errado (BOWMMAN; NARINS, 2005). O paciente que for fazer o preenchimento facial não deve tomar aspirina por pelo menos 8 dias; e vitamina E, anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) por pelo menos cinco dias antes do tratamento. Deve ainda suspender os fitoterápicos a base de cumarina e Gingko biloba. Já, a aplicação de Arnica montana, no local da aplicação no pré- procedimento parece reduzir o surgimento de equimoses, por mais que ainda não tenha evidências científicas. 101 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Além disso, fazer fotos do pré-procedimento e do pós-procedimento de ângulos frontal, oblíquo e perfil são extremamente importantes para a satisfação do paciente. Após o procedimento é aconselhável deixar o paciente descansar por alguns minutos, devido à ansiedade causada pelo trauma da agulha. Compressas frias, ou até mesmo o gelo irão reduzir o edema e a sensibilidade causada pelas múltiplas punturas realizadas. Oriente o paciente a reduzir as expressões faciais pelas primeiras 48 horas. Orientações de cuidados pré e pós aplicação do AH (GLADSTONE; CARRUTHERS, 2005). » O paciente deve evitar ou suspender medicamentos como: ácido acetilsalicílico, anticoaculante oral, anti-inflamatório não esteroide e suplementos ou vitaminas que acarretam em equimose; » o profissional deve averiguar se o paciente não apresenta nenhuma lesão cutânea com infecção bacteriana ou viral ativa; » após a aplicação recomenda-se o uso de água termal ou máscara calmante, bem como de bolsa de gelo que deve estender até 72h pois ajuda a melhorar o eritema e o edema; » não praticar atividade física por 24 horas. Reações adversas e complicações A abordagem das complicações deve ser bem conhecida do especialista, pois, embora também possam ser decorrência de má técnica, acidentes na aplicação e variações anatômicas podem contribuir para o seu aparecimento. Em 2017, Almeida et al., categorizaram os eventos adversos relacionados ao ácido hialurônico, em três momentos que são: imediato, precoce e tardio. E, foi proposto um novo termo para eventos adversos que apresentam edema tardio intermitente persistente (ETIP). 102 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL Quadro 5. Recomendações de consenso sobre a classificação de eventos adversos relacionados ao ácido hialurônico em relação ao momento de início: possíveis sinais, sintomas e diagnóstico. Início imediato (em até 24 horas) Início precoce (24 h a 30 dias) Início tardio (depois de 30 dias) Alterações de cor: eritema, equimose, hematoma, cianose, branqueamento; Nódulo; Pruridoa; ddor grave; edema grave; alterações visuais; irregularidades; alterações neurológicas; alterações vasculares: embolização, oclusão arterialb; hematoma; equimose; reação alérgica; sobrecorreção, parestesia. Alterações de cor: eritema, equimose, hematoma, cianose, efeito tyndall; nódulo; cicatriz; dor grave; edema grave; linfadenopatia e febre; irregularidades; úlcera com pústula e crostas cutâneas; telangiectasias; alterações neurológicas; alterações vasculares: isquemia, necrose, telangiectasia; alterações de cor: eritema persistente, equimose, efeito tyndall, hiperpigmentação pós-inflamatória; alterações sistêmicas: infecção, inflamação; parestesia; cicatrizes: hipertróficas, atróficas; irregularidades: sobrecorreção, infiltração (celulite), nodulação Alteração de cor: eritema; Hipercromia; Nódulo; Edema tardio intermitente persistente; cicatriz; edema grave; telangiectasia; neovascularização; alterações vasculares: telangiectasia; alterações de cor: hiperpigmentação pós-inflamatória, eritema persistente; cicatriz: atrófica, queloide; irregularidades: edema tardio intermitente persistente, nodulação, edema tardio. a= considerar reação que pode causar hipersensibilidade tipo I ou reação alérgica; b= alterações visuais e neurológicas estão incluídas; c= parestesia resultante apenas do trauma periférico. Fonte: Borba, 2018 Quadro 6. Tratamentos de eventos adversos relacionados ao ácido hialurônico de início precoce. Alterações vasculares (isquemia ou necrose, telangiectasia) Alterações de cor (eritema persistente, equimose, efeito tyndall, hiperpigmentação – pós inflamatória Alterações sistêmicas (infecção e inflamação) Alterações de sensibilidade (parestesia) Cicatriz (hipertrófica e atrófica) Irregularidades (sobrecorreção, infiltração, nódulos) Hialuronidase Compressas quentes Ácido acetilsalicílico 300 mg (2cp) – 1 semana Luz pulsada/ laser Nad/Yag Hialuronidase Clareadores físicos e químicos, peeling, laser: Nd:yag, luz pulsada, uso de corticoides Alterações sistêmicas foram consideradas gatilhos que podem influenciar os eventos adversos relacionados ao AH, serão tratados de acordo com sua etiologia. Corticoides orais por trauma de agulha. Se a compressão do agente de preenchimento for a causa suspeita, considerar o uso de hialuronidase, considerar eletroetimulação Corticoides orais – tratamento tópico com bioestimulação Hialuronidase, antibioticoterapia Fonte: Borba, 2018. 103 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Quadro 7. Tratamentos de eventos adversos de formação de nódulos relacionados ao ácido hialurônico de início tardio. Inflamatória Não inflamatória Infecção supurativa – abcesso (biofilme deve ser considerado); drenagem com biópsia e cultura tecidual, considerar ultrassom como um guia, antibioticoterapia com macrolídeos e quinolonas até os resultados do antibiograma, considerar hialuronidase depois de uma semana de antibioticoterapia. Não inflamatória - Reação de corpo estranho – espera com vigilância, massagem, hialuronidase, injeção local de corticoides, anti-inflamatório não esteroide oral. Infecção não supurativa – biofilme; biópsia com cultura tecidual: considerar ultrassom como um guia, antibioticoterapia, com macrolídeos e quinolonas até os resultados de antibiograma, considerar hialuronidase depois de uma semana de antibioticoterapia. Não inflamatória - Acúmulo do produto – hialuronidase. Inflamatória sem infecção – reação de corpo estranho; biópsia com cultura tecidual, considerar ultrassom como um guia, antibioticoterapia com macrolídeos e quinolonas até os resultados do antibiograma, considerar hialuronidase depois de uma semana de antiobioticoterapia. Fonte: Borba, 2018. A hialuronidase age despolimerizando reversivelmente o ácido hialurônico existente ao redor das células do tecido conjuntivo, reduzindo temporariamente a viscosidade desse tecido e tornando-o mais permeável à difusão dos líquidos. A hialuronidase é uma substância ativa enzimática, sendo seu pó fino, quase branco de origem bovina, liofilizada estéril. O produto apresenta como excipiente o talco farmacêutico, cuja finalidade é veicular o ativo em sua formulação, com função inerte. Bioestimuladores de Colágeno Fios de Polidioxanona (PDO) Os sinais de envelhecimento envolvem todas as partes da face. Por exemplo, há um aumento da altura da testa devido à ptose tecidual, rugas glabelares, aparência orbital mais ampla e profunda, distorção na borda orbital súperolateral. Borda superior com excesso de pálpebra e dobras, absorção óssea na borda infraorbital, com aumento da flacidez nos músculos e na pele, dobras nasolabiais mais visíveis, diminuição do volume dos compartimentos de gordura, linha da mandíbula marcada por ptose de pele e gordura, acúmulo de gordura submentoniana, ângulo submental e cervical alterado com retração do músculo platisma e ptose da pele. Diante disso, a procura por uma melhora na aparência e atratividade facial tem aumentado cada vez mais. A tendência atual é a escolha por procedimentos minimamente invasivos. O menor tempo na execução da técnica e a recuperação pós-procedimento são as principais justificativas. Ostratamentos sem downtime, ou seja, sem afastamento das atividades normais dos pacientes, são os mais procurados atualmente. As principais 104 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL técnicas incluem, bioestimuladores de colágeno, preenchedores, volumizadores, toxina botulínica, reguladores de cor e hidratação de derme. Os fios de polidioxanona (PDO) são considerados bioestimuladores de colágeno, pois reestruturam a face, melhorando sua aparência e atratividade. Os egípcios foram os primeiros a usar os fios de sutura em 3500 a.C. para o fechamento de feridas. Desde então, os fios vêm sendo utilizados em diversos procedimentos injetáveis. A utilização de fios para promover um lifting facial iniciou há mais de 30 anos. Diversos tipos de fios são utilizados com diferentes protocolos de implantação. Os fios não absorvíveis eram primeiramente utilizados na face. Sulamanidze introduziu os primeiros fios (não absorvíveis) anti-ptose em 1998. Porém, devido a relatos de eventos adversos tardios, a tendência atual é por biomateriais absorvíveis. Nos anos 2000, surgiu um novo conceito, os fios de ácido poli-L-lático, visando promover a sustentação dos tecidos. São fabricados com alta tecnologia, mas o custo elevado vem sendo responsável pelo decréscimo do seu uso. No início de 2011, o tratamento com o fio de polidioxanona (PDO) foi introduzido para o rejuvenescimento facial na Coreia. O fio de PDO foi originalmente usado em cirurgia cardíaca. Ele permanece em média seis meses e após a hidrólise, onde o p-dioxanona é convertido em gás carbônico e água e desaparece completamente dentro do tecido. Portanto, uma variedade de produtos foi desenvolvida com a expectativa de que os eventos adversos tardios sejam menos prováveis de ocorrer do que ao promover um lifting da face com um fio não absorvível. A técnica foi descoberta na Coreia pelo cirurgião Kown Han, em meados de 2006, que percebeu que a cicatriz ficava menos evidente quando utilizava o fio de PDO, e a pele em volta ficava com um aspecto mais jovem. A partir disso, o trabalho foi desenvolver uma técnica que introduzisse o fio sob a pele de uma forma menos traumática possível. Para tal, ele desenvolveu uma agulha, tão fina como a de acupuntura, capaz de deixar o fio sob a pele. O fio de PDO é um monofilamento sintético, absorvível, preparado a partir do poliéster poli (p-dioxanona). Trata-se de um material não alergênico, não piogênico, que provoca ligeira reação tecidual durante a absorção. É extremamente bem tolerado pelo organismo e foi o primeiro fio sintético absorvível antimicrobiano e bioestimulante. Tem a capacidade de preservar 70% da sua resistência tensional após duas semanas, 50% em quatro semanas e 25% em seis semanas. 105 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Entre as principais indicações podemos citar a bioestimulação de colágeno. Pode ser utilizado em sinergia com outros biomateriais no tratamento de ptoses leves, promovendo um efeito lifting, na preservação do envelhecimento da pele, no tratamento de cicatrizes (ex.: acne) e no tratamento de intercorrências com outros fios e/ou complementação. As principais contraindicações são as doenças de base não controladas, lesões de pele não diagnosticadas, expectativas irreais sobre o tratamento e infecções na região a ser tratada. Essa técnica não é indicada quando há fotoenvelhecimento significativo ou rugas muito proeminentes. Peles finas devem ser avaliadas com critério diferenciando devido a sua fragilidade e transparência, limitando o tratamento com fios a camadas mais profundas. Relatos de complicações sérias com a utilização de fios absorvíveis são baixos. Dentre as complicações raras incluem –se a quebra de suturas, mau posicionamento e falha em manter o suporte. Há, no entanto, o potencial para complicações de cicatrizes não reversíveis após uma infecção por inserção de fios. Possíveis danos a longo prazo na camada superficial do SMAS causados por cicatrizes repetitivas também devem ser considerados. Um criterioso cuidado na execução da técnica com medidas estéreis deve ser adotado. Deve-se atentar também para não aprofundar muito o fio, podendo pegar nervos e músculos e manter sempre o mesmo plano. A busca de tratamentos para o rejuvenescimento facial com menor tempo de recuperação e menores complicações em relação aos procedimentos invasivos tradicionais tem sido um dos principais motivos que levam os pacientes a optarem por esses tratamentos, embora os resultados sejam um pouco mais limitados. Foi relatado, através de estudos, que a inserção de fios PDO melhora a textura da pele, deixando-a com mais brilho e elasticidade. No entanto, o mecanismo subjacente a essas mudanças positivas na pele permanece incerto. Propõe-se que uma pequena lesão nos tecidos moles causada por um fio PDO possa ativar a proliferação de miofibroblastos e aumentar o endurecimento da pele. Além disso, também é esperado que o aumento da circulação via aumento capilar melhore a textura da pele e diminua o volume de gordura pela desnaturação dos adipócitos, melhorando o contorno facial. O fio retém sua forma em aproximadamente 12 semanas, torna-se fragmentado em 24 semanas e é totalmente dissolvido em 48 semanas. Estudos relatam o aumento da produção de colágeno em torno do fio de PDO inserido no tecido. As alterações no fio após a inserção podem ser observadas ao longo do tempo, ou seja, o efeito, na maioria das vezes, não é imediato, como dos tecidos. O que ocorre é uma recuperação 106 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL tecidual que provoca um efeito lifting facial deve considerar o fato de que os tecidos mais profundos devem ser reposicionados ou preenchidos em combinação de técnicas para que a pele seja tracionada. Os resultados são potencializados quando combinados com toxina botulínica, preenchedores e outros bioestimuladores. Mais estudos são necessários para avaliar técnicas combinadas. O planejamento adequado é essencial para qualquer tipo de tratamento. Logo, uma avaliação clínica, psicológica e sistêmica do paciente deve ser realizada através da anamnese e exames complementares. Para selecionar a técnica apropriada para cada paciente, o profissional deve avaliar e se concentrar no planejamento e, principalmente, na queixa principal do paciente. O tratamento com a utilização de fios foi chamado de lunch time lifting (lifting da hora do almoço), devido à rapidez na execução da técnica e relativa facilidade de implantação nos tecidos, além de: baixo índice global de complicações e eventos adversos; procedimento feito com anestesia tópica; rápida recuperação e sem necessidade de afastamento das atividades laborais e sociais; bom nível de satisfação; poder ser utilizado em combinação com outros biomateriais para otimizar os resultados; não alterar as características do paciente, proporcionando um efeito natural. Após a inserção do fio, estudos hitopatológicos indicam reação a corpo estranho dérmico e subcutâneo, com infiltração de linfócitos, deposição de colágeno e fibrose. A neocolagênese pode explicar a contratura e remodelação da pele. A síntese de pró- colágeno inicia no terceiro dia e os resultados são percebidos após 2 a 3 semanas. A reabsorção por hidrólise ocorre em 6 a 8 meses. Estudos relatam que o efeito continua após a reabsorção. Há um consequente efeito lifting pela melhora na textura e flacidez da pele. Estudos também apontam que se o procedimento for realizado com a finalidade de produção de colágeno, o efeito durará mais de 48 semanas, tendo sido observado efeitos por até 24 meses. Os fios de PDO podem aumentar os fibroblastos, as fibras de colágeno, as fibras elásticas, o ácido hialurônico na matriz e o ácido da matriz extracelular. Se houver flacidez grave da pele ou excesso de tecido adiposo, mais fios podem ser inseridos. Para o endurecimento e rejuvenescimento da pele, insira os fios na derme. Para lipólise, insira os fios mais profundamente na camada subcutânea.Os fios são apresentados em fios lisos (mono ou duplo) ou parafuso (mono ou duplo) e com garra (espiculado bidirecional). O fio liso só promove colágeno e a partir do resultado final pode vir a dar um efeito lifting, enquanto que o espiculado faz o lifting 107 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II imediato pelas garras que apresenta, além de também estimular o colágeno. Os fios lisos são apresentados inseridos a agulha e os fios espiculados são apresentados em cânulas. O resultado final de todos os fios é em torno de 45 dias. Para realizar o procedimento deve-se: » fazer a marcação; » fazer a antissepsia; » aplicar anestésico; » inserir os fios; » limpar a área e aplicar compressas de gelo na área tratada com fios seguindo o procedimento para minimizar o edema e os hematomas; » dar instruções pós aplicação dos fios. Para fios lisos, a inserção acontece a 45º até chegar na derme, seguida de paralelismo com a derme. Estica-se a pele, deve-se entrar com movimentos giratórios no sentido horário até o stop, então remove-se a agulha. Se for no subcutâneo, aplica-ses na camada correta lentamente. Para fios espiculados, deve-se fazer um pertuito na área de inserção, com uma agulha de calibre maior que a cânula do fio fazer a inserção, introduzir a cânula a 90º, até a camada correta. Sente-se uma espécie de rompimento. Nesse momento vira-se a cânula a 45º e insere-se lentamente com movimentos rotacionais até chegar ao stop. Na superfície da pele segura-se a ponta do fio inserido no SMAS e, puxa-se devagar a cânula para fora da pele. Nesse momento, com uma gaze seca passa-se na superfície da pele de cima para baixo e de baixo para cima, para que com esse movimento se possa abrir as garras do fio e ele seja inserido no tecido. Feito isso, percebe-se que irá sobrar um pedaço do fio para fora, esse pedaço deve ser segurado e puxado a favor da gravidade, ou seja, contra a sua posição. Em seguida, percebe-se que a pele do paciente se repuxa. Nesse momento, com uma tesoura estéril corta-se o excesso de fio. Para reposicionar o tecido coloque as mãos em sentidos opostos na zona de aplicação e faça tração, você sentirá o fio se reposicionar no tecido. Para fios de tração (com garra) é indicado colocar micropore seguindo a região de inserção. Não há necessidade para fios lisos. O paciente deve tomar cuidado pois em até 3 dias o fio pode sair uma pontinha para fora, caso ele mexa a região, por isso, é recomendado não fazer exercícios físicos por 3 a 5 dias, dormir de barriga para cima, 108 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL não tocar muito a região tratada, lavar o rosto com sabonete antisséptico, evitar cremes e maquiagem nas primeiras 24 horas. Após as 24 horas, aplicar filtro solar 3 vezes ao dia e evitar exposição ao sol. Após começar a inserir o fio liso, lembre-se este está envolvido dentro de uma agulha, mantenha sempre o plano, após inserir na derme, nunca retire a agulha sem ainda ter posicionado o fio na derme, caso contrário perderá aquele fio. Após posicionado segure o “stop” (uma bolinha de borracha) e retire a agulha. No caso de fios espiculados, o problema é mais grave. Ao introduzir o fio, mantenha-o sempre no mesmo plano, nunca volte a cânula, mesmo com o fio não posicionado corretamente, pois isso acarretará em dor ao paciente e o fio será posicionado de maneira errada. Uma vez inserido o fio, não se pode retirá- lo. Então, tenha total domínio da técnica antes de realizar o procedimento, caso contrário a remoção poderá ser cirúrgica. É normal o paciente relatar dor após a aplicação e dificuldade de abrir a boca (quando aplicado nessa região). A dor pode persistir por alguns dias. Em algumas situações conseguimos quebrar o fio de maneira mais rápida aplicando radiofrequência em cima, caso tenha interesse em removê-lo, ou caso fique superficializado. Os fios lisos podem ser inseridos em qualquer região do corpo e sempre que houver uma flacidez de grau baixo a moderado. Para se ter maior resultado aplica-se em malha. Os fios parafuso, além de promoverem colágeno dão um pouco de volume à região. Os fios espiculados devem ser posicionados em pontos estratégicos para fazer o efeito lifting, próximo à têmpora, arco do zigomático e ângulo da mandíbula. Podem ser aplicados a partir de um pertuito vários fios em formato de leque. O fio espiculado também pode ser aplicado em qualquer região do corpo, no entanto, quando há flacidez na região o mais indicado são fios lisos. Em regiões pesadas que contêm gordura deve-se aumentar a quantidade de fios para se obter um resultado. Entendendo o SMAS (sistema superficial musculoaponeurótico) - é a camada septo fibrosa da pele abaixo da derme e, acima dos vasos da fáscia. Há uma camada de gordura sem septo entre o músculo facial profundo e o SMAS, principais vasos sanguíneos e o sistema nerval são mais profundos que o SMAS. O que forma a camada superficial do SMAS é o plexo subdérmicio. O SMAS é responsável pela distribuição da força muscular e atividades no músculo facial. 109 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Ácido poli-L-lático - Sculptra® Ácido poli-L-lático (PLLA), mais conhecido como Sculptra®, é um polímero sintético de alfa-hidroxi-ácido biodegradável, biocompatível, visto primeiramente na Europa em 1999, denominado New Fill, que foi aprovado pelo FDA, desde 2009 para correções de uso estético. A primeira aprovação deste composto pelo FDA foi em 2004, para aplicação em paciente HIV positivo que apresentava lipodistrofia atrófica. No Brasil, surgiu primeiro em 2005, para os pacientes com HIV que apresentavam lipodistrofia atrófica e posteriormente para fins estéticos. Mais de 150 mil pacientes eram tratados em mais de 30 países até 2006. Como visto anteriormente, o PLLA era introduzido na estética como fios de sutura. Devido ao seu alto valor, decidiu-se trabalhar com ele em forma de pó liofilizado. As partículas de PLLA são grandes o suficiente para escapar da fagocitose mediada pelos macrófagos e, incitam diretamente uma resposta inflamatória local subclínica que resulta em encapsulamento e fibroplasia secundária. Embora a degradação da microesfera de PLLA possa estar completa em nove meses, a proliferação subsequente de fibroblastos e a neocolagênese persiste por 2 anos ou mais (~ 25 meses). Portanto, embora muitas vezes descrito como um produto semipermanente, o PLLA, não produz efeito volumizador imediato, levando a um aumento gradual, progressivo e duradouro dos tecidos, devido à formação de neocolagênese. Dependendo da quantidade de material aplicado, os efeitos podem ser progressivamente de melhora da textura da pele, firmeza ou aumento de volume. A capacidade do PLLA de estimular a produção de colágeno o torna ideal para suprir a perda de volume estrutural em várias camadas de tecido, incluindo déficits dérmicos, subcutâneos e relacionados aos ossos. A restauração do volume médio da face é alcançada com a combinação de uma técnica em leque e aplicação retrógrada em um plano subcutâneo para restaurar o volume nos compartimentos nasolabial e malar (bochecha) e injeção supraperiosteal na área zigomática-malar para corrigir a reabsorção óssea do arco zigomático. O PLLA aplicado em plano supraperiosteal nas concavidades temporais e sua aplicação em leque na camada subcutânea na área do zigmático – malar restauram o volume da face lateral. O PPLA apresenta tamanho de 40-63 µm. A atrofia dos tecidos moles e a reabsorção mandibular, contribuem para o envelhecimento do terço inferior da face que também pode ser corrigida com aplicações de PLLA, supraperiostal e derme profunda dos ângulos mandibulares, sulcos prévios e queixo. Deve-se evitar a aplicação do PLLA diretamente nas fibras dos músculos, pois pode causar nódulos nessa região. Também deve-se evitar a aplicação nas comissuras labiais, 110 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL no músculo do ângulo depressor da boca (paciente sente muita dor nessa região),bem como nos músculos do contorno da mandíbula/platisma. Todos os citados podem levar à formação de nódulos, pela captura da partícula. As áreas de segurança para realizar o tratamento são contorno do terço lateral do ângulo da mandíbula, compartimento inferior lateral do zigmático e do malar. As injeções devem ser feitas na camada subcutânea, ou seja, acima da glândula parótida e do músculo masseter. Também podem ser aplicadas injeções na camada supraperiostal na região do mento e nos sulcos prejowl. Nessas áreas podem ser usadas agulhas 26 G, aplicando 0,1 mL por técnica de malha ou a 25 G aplicando de 0,1-0,3 mL/cm2 por técnica de leque. Injeções pontuais de 0,3-0,5 mL seguidas de massagens firmes podem ser utilizadas. A aspiração sempre antes da injeção pode diminuir o risco de uma aplicação intravascular inadvertida, por exemplo. Esse tratamento pode ser feito com cânula também. Este tratamento é realizado em sessões, desse modo, não queira em uma sessão arrumar todas as irregularidades, pois isso irá causar superabundância de partículas e consequentemente formação de nódulos. A correção volumétrica será alcançada pelo número de sessões, pois a formação de colágeno aumenta e distende o tecido, tornando mais fácil evitar a supercorreção. A recomendação envolve reconstituir o pó liofilizado usando volumes de diluição mais altos (8 mL ou mais) pelo menos 24 horas antes, deixar em temperatura ambiente e somente homogeneizar o produto pouco antes de iniciar o procedimento. Para a face, completar com 2 mL de lidocaína estéril a 1%, para o corpo completar com 4 mL de lidocaina estéril a 1%, tratamentos faciais podem ser injetados até 20 mL de PLLA reconstituído, na face no máximo 12 mL. Este tratamento pode ser realizado além da face, mãos, pescoço, glúteo, colo, abdome, braços, interno de coxa, ou seja, qualquer região que apresente flacidez. Para o tratamento, deve-se ter em mãos lápis de marcação. Marcar os pontos que serão aplicados é de extrema importância, para que você não se perca na quantidade de produto que será distribuído por toda a região, além de se orientar. Lidocaína para realizar o pertuito, sugiro aplicar sempre o produto com cânula na técnica de leque, ou com agulha para região supraperiostal. Apenas assim minimizam-se as eventuais complicações. Mesmo com cânula não esqueça de fazer a aspiração. Faça a massagem firme imediatamente após o implante e durante o período de acompanhamento a curto prazo, ou seja, a massagem deve ser realizada durante 5 dias, 5 vezes ao dia por 5 minutos cada massagem. 111 PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II Não fazer atividade física durante 72 horas. Lábios, nariz e áreas infraorbitais também devem ser evitados, dado o maior potencial de sobrecorreção e nodularidade. Foi observado infarto orbital com perda visual relatada após a colocação de PLLA nasal e periorbital. Hidroxiapatita de Cálcio - Radiesse® Atualmente existem diversas marcas de hidroxiapatita de cálcio (CaHA), como já citado anteriormente, para tratamentos estéticos. Contudo, irei abordar a marca Radiesse® que foi a primeira a ser lançada para essa finalidade. Radiesse® é um preenchedor injetável que consiste em microesferas de hidroxiapatita de cálcio (CaHA), suspensas em um gel carreador de matrix aquoso, em uma proporção respectiva de 30% a 70%. Este gel consiste em carboximetilcelulose de sódio, glicerina e água altamente purificada. As microesferas de CaHA apresentam um tamanho de 25-45 µm e são idênticas a componentes inorgânicos do osso e do dente. Desse modo, o CaHA é biocompatível, biocerâmica, biodegradável e não irritante, a fagocitose é mediada pelos macrófagos, na qual resulta na degradação deste composto. Quando o Radiesse® é injetado nos tecidos, ele promove de imediato um nível de correção superficial, passado de 3 a 6 meses, o gel carreador é degradado e as partículas remanescentes de CaHA atuam como um andaime para o depósito de novos colágenos, através da resposta fibroblástica. Esse processo é pensado para conseguir a correção prolongada do tecido, como um produto semi-permanente. Este produto é atualmente aprovado pelo FDA, para a correção moderada a severa de rugas faciais e também para Lipodistrofia, assim como o Sculptra®, mas é aprovado somente para volumizar essas regiões. No entanto, como técnicas off-label usamos também para melhora de vincos profundos, como sulco nasolabial, comissuras orais, para vincos profundos na glabela, vincos horizontais e cicatrizes de acne. Ele também é usado para dar volume na região malar, submalar, prejowl e até no dorso nasal. O Radiesse® não requer refrigeração e sua validade é de 3 anos, quando não aberto. Pode ser apresentado em seringas de 1,3 mL, 1,5mL, 0,8 mL com ou sem lidocaína. Geralmente é injetado com agulha de 27 G, que permite um fluxo suave e uniforme do material sem obstruí-lo, pois ele apresenta uma consistência de pasta grossa e é facilmente administrado ao realizar uma pressão sobre a seringa. Pode ser aplicado na subderme e supraperiostal. Muita atenção deve ser dada ao aplicar o produto na região correta, caso contrário, leva à visibilidade do material branco e à formação de nódulos. Planos muito profundos, como a aplicação supraperiostal, requerem a aplicação de 112 UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL mais produto para uma adequada correção. Teoricamente, autores relatam que esse tipo de aplicação pode levar a injeção intravascular, além de causar muitas equimoses. O volume final resultante é diretamente proporcional à quantidade de produto injetado, não sendo aconselhada a supercorreção. Este tratamento é mais seguro quando realizado com cânula e também deve ser realizado por sessão. O Radiesse® em sua primeira apresentação é usado como preenchimento, o ideal é sua aplicação em leque ou malha. Quando diluído, pode ser usado como bioestimulador de colágeno apenas. O CaHA, quando aplicado no osso, promove a formação de um novo osso, combinando atividade de osteoblastos e osteoclastos. A associação de CaHA juntamente com AH pode ser feita considerando planos diferentes. Após a aplicação, sugere-se fazer compressa de gelo para diminuir o edema. Recomenda-se ao paciente não manipular a área aplicada e é comum o aparecimento de edema, eritema e equimose por alguns dias. Para manter a longevidade do tratamento sugere-se a reaplicação do produto na área tratada após 2 a 3 meses da primeira sessão para restabelecer a perda de volume causado pela degradação do gel. O produto pode durar de 1 a 2 anos. O CaHA usado como bioestimulador deve ser diluído para promover somente a formação de colágeno e não mais a volumização. Para isso, seguem as respectivas diluições para cada região. » face, diluir de 1:1 ou 1:2; » pescoço e colo, diluir 1:2 ou 1:4; » glúteo, coxa, braço, joelho, abdome, diluir 1:1, 1:2 e 1:4; » peles muito finas diluir na primeira sessão 1:5. A aplicação deve ser pontual, linear retrógada. Pode ser aplicado nas linhas de tração. Deve ser massageado imediatamente. Evitar exercícios até 72 horas e anti-inflamatório. 113 UNIDADE IIITOXINA BOTULÍNICA CAPÍTULO 1 Introdução à Toxina Botulínica Envelhecimento e atuação da toxina botulínica O envelhecimento é um processo natural que o organismo passa durante o seu clico de vida, ocasionando alterações fisiológicas e funcionais nos órgãos, tecidos e sistemas. Um dos primeiros órgãos a denunciar que determinado organismo está envelhecendo é a pele, causando incômodo e queda na autoestima em muitas pessoas. As características de uma pele envelhecida denunciam a idade e até mesmos os hábitos de vida de uma pessoa, pois as regiões que apresentam os primeiros sinais do envelhecimento são justamente aquelas que ficam mais expostas, tais como: face, pescoço e colo. Essas regiões, além de sofrerem com o envelhecimento cronológico também são afetadas por fatores epigenéticos, como o sol (BIOT et al., 2012). A toxina botulínica (Tb) revolucionouos tratamentos estéticos em todo o mundo para paciente de ambos os sexos. O terço superior da face é o local que recebe a maior atenção em tratamentos que utilizam a neurotoxina, obtendo-se resultados bastante satisfatórios na correção de rugas dinâmicas. Não obstante, virou consenso entre os profissionais da saúde que trabalham com a toxina que o seu uso deve ser realizado de forma moderada nos tratamentos. O objetivo é evitar o aspecto de congelamento da face (ausência de expressão) em especial nos pacientes do sexo masculino (MESKI, 2012). Introdução e história O uso da neurotoxina botulínica tipo A originou-se em 1970, como uma alternativa não cirúrgica, primeiramente usada para o tratamento do estrabismo. A partir daí, a lista 114 UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA de utilizações médicas para essa toxina em questão foi crescendo rapidamente. Como técnica estética ela foi averiguada após o tratamento de blefaroespasmo, na qual se observou pela primeira vez a diminuição das rugas (BERRY; STANEK, 2012). A história da neurotoxina botulínica tipo A começou entre 1817 e 1822 com o alemão Justinus Kerner, que denominou a toxina sausage poison, por observar a presença dessa toxina em salsichas, enlatados e produtos com carnes mal preparadas. Meio século depois, seu compatriota Muller Latinised, denominou a doença como botulismo proveniente de botulus = salsicha. No entanto, a bactéria causadora dessa doença, Clostridium botulinum só foi cultivada pela primeira vez, em 1897 por Van Ermengen (ERBGUTH, 2004; VAN ERMENGEN,1897). Em 1949, foi descoberto o mecanismo de ação mais conhecido atualmente na área da estética, proveniente dessa toxina, o bloqueio neuromuscular (BURGEN; DICKENS; ZATMAN, 1949). Um dos primeiros estudos científicos sobre a neurotoxina botulínica tipo A como cosmético foi certamente relatada pelo casal de autores Carruthers em 1992, abordando a melhoria no enrugamento da pele próximo ao tratamento de blefaroespasmo (CARRUTHERS, 1992). Taxonomia e fisiologia Clostridium botulinum é uma bactéria gram positiva, anaeróbica. Apresenta-se em forma de bacilo e forma esporos, os quais produzem uma potente exotoxina, direcionada neurologicamente. Existem oito tipos sorológicos de exotoxina, que são reconhecidos com base na especificidade antigênica de cada exotoxina. Esses oito tipos sorológicos são: A, B, C1, C2, D, E, F e G. No entanto, somente os sorotipos A e B são as formas disponíveis comercialmente, sendo a toxina botulínica do tipo A a mais potente. Devido a isso, ela foi utilizada primeiramente para fins terapêuticos e somente anos mais tarde foi utilizada na estética. Já a neurotoxina tipo B é indicada para tratar distúrbios neurológicos, principalmente (PECORA; FILHO, 2012). Ademais, apresentam funções semelhantes e são antigenicamente diferentes, o que permite que aqueles poucos pacientes que desenvolverem anticorpos ainda podem se beneficiar com o tratamento da outra neurotoxina (BERRY; STANEK, 2012). É importante salientar que a ação da neurotoxina botulínica apresenta diferentes consequências quando injetada dentro da pele, com a finalidade de uso de técnicas estéticas. Isso porque, injeta-se 200 milhões de vezes menos do que a dose letal (CARTEE; MONHEIT, 2011). 115 TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III Propriedades da toxina botulínica – mecanismo de ação Existem atualmente no mercado mundial diferentes marcas de toxinas botulínicas do tipo A (Tba). No entanto, no mercado brasileiro há a comercialização de cinco marcas, são elas: Botox® (toxina onabotulínica), Dysport® (toxina abobotulínica), Prosigne®, Xeomin® (toxina incobotulínica) e Botulift® (PEROCA; FILHO, 2012). Atualmente, saiu a Bottulium®, muito similar a Botulift®. A neurotoxina é formada por duas cadeias, uma leve que possui 50 KDa (kilo daltons) e uma pesada constituída por 100 KDa, elas são unidas por uma ponte de dissulfeto. Quando a toxina botulínica se encontra na forma ativa (150 KDa) ela é envolvida por um complexo proteico constituído por hemaglutininas e não hemaglutininas (proteínas não tóxicas). Essas proteínas protegem a neurotoxina do ataque do suco gástrico quando a toxina se encontra em algum alimento contaminado ocasionando, portanto, o botulismo. (PECORA; FILHO, 2012). O tamanho do complexo proteico da toxina é obtido através da somatória da porção ativa (150 KDa) com as proteínas associadas, que são as hemaglutininas e as não hemaglutininas. Essa composição do complexo pode variar de acordo com o fabricante do produto (PECORA; FILHO, 2012). Além disso, a presença ou ausência de um complexo proteico pode interferir no tamanho do complexo de toxina e consequentemente na antigenicidade do produto (DRESSLER; HALLETT, 2006). Quando a neurotoxina é ingerida ou injetada, o seu mecanismo de ação fica limitado ao sistema nervoso periférico, ou seja, a toxina irá atacar os nervos. Ela não tem a capacidade de ultrapassar a barreira hematomeníngea, ocasionando na musculatura uma paralisia flácida. Este mecanismo de ação pode ser divido em quatro etapas: » ligação da toxina em um dos receptores presentes na porção terminal do neurônio alvo; » penetração ou internalização na terminação nervosa do complexo presente entre a neurotoxina e o receptor do neurônico nas suas vesículas de endocitose; » translocação da cadeia leve do compartimento das vesículas até o citosol da célula; 116 UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA » ataque proteolítico (protease) pela cadeia leve de uma das proteínas de ligação do fator sensível à N-etilmaleimida solúvel (SNARE), responsável pelo acoplamento da membrana e pela fusão das vesículas sinápticas que liberam a acetilcolina, ocasionando a interrupção da exocitose. Além dessas principais etapas, ainda sobre o mecanismo de ação temos: › As proteínas dentro do complexo SNARE incluem a sináptica neural- associada a SNAP-25, a sintaxina e as proteínas de membrana associadas a vesículas (vesicle-associated membrane proteins [VAMP]). A toxina botulínica tem como alvo essas proteínas. › As vesículas contendo a toxina botulínica fundem-se com vacúolos digestivos, que clivam a molécula da toxina botulínica em cadeias leves e pesadas separadamente. A cadeia leve (50 kDa) exerce o efeito de paralisia da toxina botulínica ao inativar o complexo RNA-guided Fokl Nucleases (RFNs) bloqueando, assim, a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular. Cada sorotipo de toxina botulínica liga-se a uma região específica do terminal nervoso pré-sináptico, e cada um deles cliva proteínas exclusivas dentro do próprio terminal. Todos os sorotipos da toxina botulínica atuam no complexo SNARE. A ligação entre a toxina e o neurônio-alvo ocorre por meio de uma ligação altamente específica entre a cadeia pesada e os receptores que ficam expostos na superfície do neurônio durante a liberação dos neurotransmissores na fenda sináptica (PEROCA; FILHO, 2012). Ressalta-se que o receptor da toxina botulínica varia dependendo do sorotipo injetado, quando injetado, os sorotipos A, C e E clivam a molécula SNAP- 25. O receptor é a proteína SV2, quando injetado o sorotipo B, D, F e G clivam a sinaptotagmina ou a VAMP, cada um em um local distinto. Em todas as situações, a TBa inativa enzimaticamente uma proteína específica e necessária para o ancoramento e a fusão de vesículas contendo acetilcolina na junção neuromuscular. A inibição da liberação de acetilcolina resulta em fraqueza muscular localizada (paralisia), a qual é gradualmente revertida ao longo tempo. O mecanismo pelo qual a fraqueza muscular induzida pela Tb é revertida ainda é desconhecido, mas pode envolver turnover intraneural das proteínas de ancoragem afetadas, responsáveis pela liberação de acetilcolina na junção neuromuscular e pelo surgimento de novos terminais nervosos ou uma combinação de ambos os mecanismos. 117 TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III Ademais, o tempo de ação desses sorotipos também é diferente, a toxina botulínicado tipo A tem um tempo de ação de vários meses, enquanto que a do tipo B age por um tempo menor. Em alguns casos, depois de passar um tempo da aplicação da toxina botulínica, mas antes que a terminação nervosa tenha recuperado por completo sua funcionalidade, pode vir a ocorrer, a chamada neoinervação, que é o brotamento das terminações nervosas, podendo levar à antecipação da contração muscular. No entanto, isso só acontece quando ainda há ação da toxina botulínica no local. Após sua finalização essa neoinvervação se retrai (POULAINA et al.,2009; WORTZMAN; PICKETT, 2009). Resumindo o mecanismo de ação A toxina botulínica atua na placa das terminações neuromusculares colinérgicas pré- sinápticas, inibindo a liberação de vesículas de acetilcolina nessas terminações. As toxinas apresentam diferentes sítios de ação no receptor conhecido como SNARE. A recuperação funcional pode ocorrer em 3 a 4 meses, depois que os brotamentos dos axônios novos substituem as placas terminais bloqueadas. A ação da toxina botulínica em nível molecular consiste na sua ligação extracelular a estruturas glicoproteicas em terminais nervosos colinérgicos e no bloqueio intracelular da secreção de acetilcolina (DE MAIO, 2011). A toxina botulínica está relacionada não somente a paralisia muscular, mas também à inibição reflexa espinal, promovendo ainda o bloqueio de fibras autonômicas para músculos lisos e glândulas exócrinas, bem como efeito analgésico por bloqueio da substância P, do glutamato e do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (DE MAIO, 2011). Além disso, a toxina apresenta efeitos indiretos sobre o SNC por não ultrapassar a barreira hematoencefálica, que são: inibição reflexa, reversão das alterações da inibição recíproca, da inibição intracortical e de potenciais evocados somatossensoriais (DE MAIO, 2011). 118 CAPÍTULO 2 Tipos de Toxina Botulínica Difusão da toxina botulínica no organismo A difusão da neurotoxina no organismo é objeto de estudo de várias pesquisas clínicas. Tais estudos relatam que, se a toxina for aplicada em excesso, ela pode ocasionar o aparecimento de efeitos colaterais indesejados. Vários fatores podem dificultar a difusão correta da substância, tais como (PEROCA; FILHO, 2012): » massa molar; » volume elevado de soro na reconstituição da toxina; » altas doses; » conservação inadequada da toxina. De acordo com os princípios de Fick, quanto menor a massa molecular, maior será o raio de difusão de uma substância. Com isso, complexos de neurotoxinas com peso molecular baixo têm maior raio de difusão quando comparados a complexos com um peso molecular elevado (BEYLOt, 2009). Entretanto, esse conceito não é compartilhado por todos os pesquisadores, uma vez que outros cientistas abordam que, se houver diferença na difusão, será por conta da dose e volume inapropriados (PICKETT, DODD, RZANY,2008; PICKETT,2009; WOHLFARTH et al., 2008). Atividade biologia e grau de pureza da toxina Ao longo dos anos a quantidade de proteína clostridial presente nos frascos de toxina foi diminuindo. Na década de 1990 o Botox apresentava 25 ng/frasco de 100 U. Atualmente, esse valor foi reduzido para 5 ng/frasco de 100 U. O valor de proteína clostridial corresponde à quantidade de toxina ativa e inativa presentes no frasco (FREVERT; DRUGS, 2010). Durante a produção e armazenamento, parte da neurotoxina pode ser inativada, ademais, todas as preparações têm alguma porcentagem de toxina inativa, consequentemente essa toxina inativa não apresenta efeito terapêutico, mas funciona como antígeno na produção de anticorpos neutralizantes (BEYLOT, 2009). 119 TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III A quantidade de toxina presente em um frasco é chamada de atividade biológica específica. Quanto menor a quantidade de neurotoxina inativa e proteína clostridial associada à toxina ativa, maior será o grau de pureza da neurotoxina. A atividade biológica é expressa em U/ng de proteína, e deve ser a maior possível (FREVERT; DRUGS, 2010). Antigenicidade da toxina botulínica Determinadas formulações de neurotoxinas podem levar ao desenvolvimento de anticorpos que podem ser neutralizantes contra o complexo proteico. Os anticorpos neutralizantes são aqueles formulados para atacar a toxina botulínica ativa, causando a anulação ou redução do efeito do tratamento. Os anticorpos que atuam contra o complexo proteico são denominados não neutralizantes e, como o próprio nome já diz, não apresentam efeito direto na ação terapêutica (PEROCA; FILHO, 2012). Basicamente qualquer princípio proteico não humano pode agir como antígeno, provocando a criação de anticorpos. Outro fator que deve ser levado em consideração quando estamos analisando a antigenicidade da toxina é a quantidade de neurotoxina inativa presente no frasco, porque, apesar de não apresentar efeito terapêutico, ela tem a capacidade de induzir a criação de anticorpos neutralizantes. Além disso, aplicações frequentes com curtos intervalos entre uma sessão e outra (Exemplo: um mês), com dosagens superiores a 200 U (unidades) e injeções intravenosas acidentais também ocasionam a formação de anticorpos neutralizantes (DRESSLER; HALLETT, 2006). Reconstituição da toxina botulínica tipo A O volume utilizado para a reconstituição da neurotoxina pode ser adaptado de acordo com as preferências do profissional habilitado em saúde estética e às necessidades do paciente. No entanto, algumas recomendações de protocolo devem ser mantidas para garantir a eficácia e segurança do tratamento (FILHO; PECORA, 2012). Toxina de qualquer marca deve sempre ser reconstituída em uma solução de cloreto de sódio (NaCL) a 0,9% sem preservativo (soro fisiológico - SF 0,9%) estéril. Algumas marcas são mais sensíveis a fortes diluições e ao turbilhonamento do frasco, pois isso pode provocar a fixação de toxina ativa no frasco, ocasionando perda da sua potência (FILHO; PECORA, 2012). Quando a neurotoxina é utilizada para fins estéticos, é usada uma reconstituição padrão. Frascos com 100 U de toxina são reconstituídos em 1mL de SF a 0,9% estéril, para 120 UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA reduzir a possibilidade de difusão e tornar a aplicação menos dolorosa, pois, quanto menor o volume, menor será a distensão (FILHO; PECORA, 2012). Para outros tipos de aplicações, como ocorre no caso dos tratamentos de hiperidrose ou neuralgia pós-herpética, é indicado realizar uma reconstituição em 2mL de SF 0,9%, porque neste tipo de tratamento é preconizado que a toxina atinja uma maior dispersão (FILHO; PECORA, 2012). Quadro 8. Volume de reconstituição. U Botox®/Prosigne®/ Xeomin®/ Botulift® U Dysport® 1:2,5 (em relação ao Botox®) U Dysport 1:3 (em relação ao Botox®) Dose 1U 2,5U 3U Volume de reconstituição 1mL(frasco 100U) 0,01mL =1U 2mL(frasco 500U) 0,01mL =2,5U 1,66mL(frasco 500U) 0,01mL =3U Volume de reconstituição 2mL(frasco 100U) 0,02mL =1U 4mL(frasco 500U) 0,02mL =2,5U 3,32mL(frasco 500U) 0,02mL =3U Fonte: Adaptado de Filho e Pecora (2012). Os laboratórios recomendam a reconstituição do frasco de toxina botulínica na hora da aplicação e manutenção sob refrigeração (2ºC a 8ºC) por até 8 horas. Para estabelecimento de uma nomenclatura internacional, a toxina botulínica Dysport® é denominada Speywood, em referência à companhia que desenvolveu o produto. Potência e razão de conversão A primeira toxina botulínica a ter aprovação para uso tanto terapêutico quanto estético foi o Botox®, em 1989. Logo após, as outras toxinas que vieram a ser aprovadas buscaram a liberação por meio de estudos científicos que as comparassem com o Botox®, demonstrando uma baixa prevalência de eventos adversos e equivalência nos resultados clínicos. Sendo assim, seguem na tabela abaixo as comparações entre as marcas de toxinas botulínicas disponibilizadas atualmente no Brasil. 121 TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III Quadro 9. Comparações entre as principais toxinas botulínicas disponíveis no Brasil. BOTOX® DYSPORT®PROSIGNE® XEOMIN® BOTULIFT® Aprovação 1989 1991 2005 2005 2004 Nome Onabotulínica Abobotulínica - Incobotulínica - Fabricante Allergan Beaufor-Ipsen Galderma Lanzhou Cristalia Merz-Biolab Medy-Tox Bergamo Tamanho 900kDa 500kDa 900kDa 150kDa 950kDa Conservação -5ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC 15ºC a 30ºC 2ºC a 8ºC Pós- reconstituído 2ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC Apresentação 100 U 500 U 50 a 100 U 100 U 100 U Estabilização Secagem à vácuo Liofilização Liofilização Liofilização Liofilização Validade 36 m 12 m 24/36 m 24 m 24 m Potência 1U = LD 50 1U = LD 50 1U = LD 50 1U = LD 50 1U = LD 50 Razão 1U 2,5U 1U 1U 1U Fonte: Adaptado de Filho & Pecora (2012). Material utilizado na aplicação da toxina botulínica As seringas utilizadas na aplicação da toxina são escolhidas de acordo com a reconstituição. Para neurotoxinas que apresentam 100 U no frasco, nas quais é adotada a diluição utilizando 1 mL de SF 0,9%, o indicado é utilizar seringas de insulina com 30 U (0,3 mL) ou seringas de insulina de 50 U (0,5 mL) com agulhas curtas (30 G, 13 mm). Tais seringas são graduadas de 0,01 mL, na qual 0,01 mL corresponde a 1 U (FILHO; PECORA, 2012). O tipo de seringa mais indicado para reconstituição em 2 mL é a de insulina de 100 U (1mL), com graduação referente a 0,02mL, em que 1 U corresponde a 0,02 mL (FILHO; PECORA, 2012). 122 CAPÍTULO 3 Anatomia Classificação estética do padrão muscular segundo De Maio A musculatura facial é importantíssima para expressar os sentimentos de uma pessoa, sendo por meio da contração ou relaxamento muscular, ou até mesmo pela junção desses fatores o que determina e caracteriza muitas vezes a personalidade do indivíduo. Por exemplo, existem pessoas que apresentam uma expressão ou contração mais enrijecida (forte), ou seja, cinética, enquanto outros apresentam expressões hipocinéticas. Desse modo, o tratamento com toxina botulínica deve ser adequado pela característica pessoal ser humano (DE MAIO, 2011). Tipos de Indivíduos Cinéticos: apresentam movimentação natural, ou seja, apresentam movimentos suficientes e não exagerados, exemplo: ao sorrir, contrai-se o músculo orbicular do olho e forma-se linha de expressão natural e suave na região periorbital (DE MAIO, 2011). Hipercinéticos: apresentam movimentação excessiva de determinado grupo muscular, como por exemplo, o palhaço, que eleva excessivamente o supercílio, ou pessoas constantemente bravas que contraem a região glabelar ou o músculo frontal (DE MAIO, 2011). Hipocinético: apresentam movimentação lenta de determinado grupo muscular. Sua expressividade é baixa (DE MAIO, 2011). Tônico: apresentam o tônus muscular normal, e para sua expressividade as estruturas anatômicas estão posicionadas corretamente (DE MAIO, 2011). Hipertônicos: apresentam distorção anatômica e formação de rugas compostas, perderam a capacidade de relaxar determinado grupo muscular. Isso é comum nas regiões frontal, glabelar, periorbital, comissuras dos lábios e pescoço, assim como as platismais (DE MAIO, 2011). Hipotônicos e/ou hipocinéticos: apresentam flacidez cutânea, relaxamento excessivo e pouca expressividade. Com o tempo, podem desencadear algumas 123 TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III características, como a flacidez, por exemplo, que podem já estar presentes. Além da flacidez, pode haver ptose de determinadas estruturas anatômicas (DE MAIO, 2011). Muitos indivíduos podem apresentar padrões musculares variados na face, podendo ser um grupo muscular hipercinético e outro cinético. Desse modo, cada região necessitará de um tratamento específico (DE MAIO, 2011). Locais de aplicação no terço superior da face É necessário o conhecimento minucioso da musculatura e da anatomia facial para o uso e a administração adequados da toxina botulínica. Músculo levantador: » músculo frontal. Músculos abaixadores: » músculo corrugador; » músculo prócero; » músculo orbicular do olho. Observação: os músculos corrugadores e prócero formam a glabela. O músculo frontal origina-se na gálea óssea frontal, e se insere nas fibras do prócero, corrugador e orbicular do olho. O modo de contração desse músculo varia entre as pessoas. Existem as que contraem de forma igual e outras que contrai de forma desigual. Nos pacientes calvos a contração da musculatura é perceptível, desse modo, deve-se aplicar na área sem o cabelo (FAGIEN,1999). Os pontos devem ser marcados ao longo das linhas transversais da fronte. Em geral, utilizam-se pontos de 1 a 3 unidades adicionadas a intervalos de 1,5 cm através do meio da testa, a um mínimo de 2 cm acima da parte superior das sobrancelhas. Já pacientes que apresentam ptose de sobrancelhas ou ptose da pálpebra superior, aplica-se 3 cm acima, mas às vezes a melhor opção é não tratar o músculo frontal (CARRUTHERS; CARRUTHERS, 2001); Complicações na região frontal por altas doses: » ausência de expressão; » dificuldade de olhar para cima; » ptose de sobrancelha e piora na ptose de pálpebra superior. 124 UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA As assimetrias podem ocorrer, em geral, pela ausência de aplicação de toxina botulínica nas regiões mais laterais, causando elevação exagerada da porção lateral das sobrancelhas, conferindo um olhar diabólico (MESKI, 2012). Caso esse erro ocorra nas sobrancelhas, elas podem ser corrigidas aplicando a toxina botulínica em uma região mais alta, para que a região inferior do músculo frontal que não recebeu toxina aumente o tônus de repouso e eleve a sobrancelha (MESKI, 2012). Outro ponto chave que deve ser aplicado é acima da linha mediopupilar ou na porção média do orbicular do olho, para que a sobrancelha não fique com aspecto de acento circunflexo (CARRUTHERS; CARRUTHERS, 2007). O tratamento da aplicação de toxina botulínica na região frontal faz total diferença para o rejuvenescimento e para a prevenção do envelhecimento precoce tanto em homens quanto em mulheres. No entanto, ele deve vir sempre acompanhado do tratamento da aplicação na região glabelar, o que permite um resultado mais natural e suave na face (MESKI, 2012). Depois de aplicada a toxina botulínica, em até 15 dias pode-se esperar os resultados que podem ser obtidos pela sua ação. Desse modo, deve-se tomar cuidado com a reaplicação de toxina antes do tempo na região tratada. Na glabela encontram-se os músculos corrugador dos supercílios e o prócero. O complexo glabelar origina-se na porção nasal do osso frontal, e se estende no sentido lateral e para cima, para inserir no terço médio da sobrancelha. O corrugador é um músculo mais profundo na porção medial e superficial lateral. É visível uma ondulação na pele durante sua contração. O prócero é um músculo fino, estreito e superficial, é o responsável pela formação de rugas horizontais sobre o ápice nasal (KNIZE, 2000; GOODMAN,1998). Os pontos de aplicação nos músculos corrugadores geralmente são em duas partes: a parte inferior e a superior dos corrugadores. Nos homens, as doses da aplicação variam de 4 a 12 unidades na região superior e 2 a 8 unidades na região inferior. Nas mulheres de 4 a 8 e 2 a 6 U, respectivamente (MESKI, 2012). A aplicação deve ser feita 1 cm acima da margem óssea supraorbital, para evitar complicações. Já no prócero, aplica-se de 2 a 8 U em um único ponto central, em uma linha média, abaixo da linha da junção dos supercíclios (MESKI,2012). O músculo orbicular do olho circula a região periorbitária e se insere nos tendões dos cantos interno e externo, assim como nas fibras dos músculos frontal, prócero e corrugadores dos supercílios (AVRAM et al., 2008). Pacientes que apresentam rugas na região periobicular dos olhos (pés de galinha) que surgem na área do canto externo 125 TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III dos olhos se beneficiam com a aplicação demasiada na elevação das sobrancelhas, pois estas as atenuam(MESKI, 2012). É importante saber diferenciar as rugas das linhas que formam no sorriso pela contração dosmúsculos zigmáticos que elevam a região malar. Isso porque o excesso de toxina neste local pode indicar um efeito artificial e, em homens, pode causar aspecto feminino (WIEDER; MOY, 1998). Os pontos de aplicação no músculo periocular, geralmente são entre 2 e 5 variando de 2 a 4 unidades por ponto. Os pontos de aplicação são determinados com o paciente forçando ao máximo o sorriso. As aplicações são realizadas nas áreas que se formam as rugas, distanciando 1 a 2 cm da margem óssea orbital, para se evitar complicações (MESKI, 2012). A complicação mais evidente nessa área é a formação de hematomas, por isso a injeção deve ser bem superficial, intradérmica (MESKI, 2012). Envelhecimento e mímica A musculatura da face deve ser analisada com um conjunto de forças vetoriais que atuam de forma sinérgica e antagônica. Desse modo, deve-se ter cuidado, por exemplo, com a cauda do supercílio que poderá ser cada vez mais elevada quanto mais fraca for a força de ação da porção temporal depressora do músculo orbicular do olho ou quanto mais fortes forem as fibras laterais do músculo frontal. Contudo, essa força de ação resultante pode ser modificada com o tempo, no processo de envelhecimento (DE MAIO, 2011). A partir da mímica podemos notar que a ação de um músculo ou de um grupo muscular interfere em outros músculos da mesma região. Isso acontece por conta das fibras dos músculos que atuam sobre uma área específica, ou seja, a contração de um músculo provoca relaxamento de seu antagonista e vice-versa. Com o envelhecimento, o vetor gravitacional (descendente) supera os vetores responsáveis pelo aspecto natural e jovem da estrutura facial, observando queda de estruturas anatômicas em sentido caudal (DE MAIO, 2011). 126 CAPÍTULO 4 Resultados de Aplicação da Toxina Botulínica Técnicas de aplicações As toxinas mais utilizadas na prática clínica são o Botox® e o Dysport®. Segundo os fabricantes, o tempo de uso desses compostos é de 24h e 8h após abertos, respectivamente. No entanto, sabe-se que, na prática clínica, a toxina botulínica normalmente é armazenada no refrigerador por dias ou até semanas. Com o passar do tempo, tende a diminuir sua eficácia e aumentar o risco de contaminação (DE MAIO, 2011). Diferente do preenchimento que há diversas técnicas de aplicação, a toxina apresenta apenas dois tipos de aplicações: a técnica padrão e a microinjeção. Na técnica padrão, injeta-se no músculo um volume de 0,05 mL ou mais a depender do tipo do músculo conforme já visto nos capítulos anteriores. Usa-se uma agulha de calibre 30 ou 32, em ângulo perpendicular ou oblíquo. Esta técnica apresenta um risco de comprometimento menor de músculos vizinhos (DE MAIO, 2011; AVRAM et al.,2008). Na técnica de Microinjeção injetam-se na derme pequenas quantidades de toxina botulínica, ou seja, quantidades menores a 0,025 mL a uma distância média de 1 cm, muito superficialmente também com uma agulha no calibre de 30 ou 32. A fim de proporcionar o efeito de mesobotox (AVRAM et al.,2008). Indicações estéticas para aplicação de toxina botulínica Fronte O paciente deve fazer a contração do músculo frontal, elevando as sobrancelhas, para observar as assimetrias e linhas de expressão. O objetivo é diminuir as rugas da fronte provocadas pela contração do músculo occipitofrontal. Geralmente, faz-se um total de 4 a 6 pontos, a dose depende do tipo de musculatura e do produto que estiver usando. Em média, usa-se a dose de Botox® de 10 a 15 UI e de Dysport® de 25 a 40 UI (DE MAIO, 2011). 127 TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III Os pontos laterais determinam o grau de movimento das sobrancelhas, assim, quanto mais medial a aplicação, maior o movimento lateral (sobrancelha arqueada). A injeção deve ser feita profundamente, sem contato com o periósteo (AVRAM et al., 2008). As complicações mais aparentes são: ptose de sobrancelha. Deve-se lembrar de afastar um dedo pra cima para poder aplicar o primeiro ponto, sinal de Mefisto (quando se restringe a aplicação dos pontos na área entra as linhas médias das pupilas, arqueando as sobrancelhas exageradamente) e rugas residuais de supercílio (DE MAIO, 2011). Classificação dos padrões de contração frontal Padrão total É o mais frequente, apresenta rugas (rítides) horizontais por toda a região frontal que avançam lateralmente além das linhas mediopupilares, até o final da cauda dos supercílios. Sugere-se ponto de aplicação ao longo de toda a musculatura, com doses maiores na região central e menores na região lateral (Figura X) (BRAZ; SAKUMA, 2010) Figura 20. Padrão total de contração do músculo frontal A) Anatomia B) Paciente em contração máxima C) Sugestão de distribuição dos pontos de aplicação da toxina. Fonte: Braz; Sakuma(2010). Padrão Médial As rugas horizontais se concentram na região central da fronte, geralmente até a região mediopupilar. Para esses pacientes sugere-se pontos de aplicação, variando de um a três, na região medial da fronte. Quando utilizam três pontos formam-se um triângulo ao contrário (BRAZ; SAKUMA, 2010). 128 UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA Figura 21. Padrão medial de contração do músculo frontal A) Anatomia B) Paciente em contração máxima C) Sugestão de distribuição dos pontos de aplicação da toxina. Fonte: Braz; Sakuma (2010). Padrão lateral É o tipo menos frequente, as rugas horizontais apresentam-se nas laterais da fronte, a maioria após a linha mediopupilar. Geralmente apresentam sobrancelhas arqueadas diferentes das outras pessoas. Para esses pacientes sugerimos pontos de aplicação nas regiões laterais, com doses baixas, para não comprometer o movimento da cauda da sobrancelha. Muitas vezes não é necessário pontos na região central (BRAZ; SAKUMA, 2010). Figura 22. Padrão lateral de contração do músculo frontal A) Anatomia B) Paciente em contração máxima C) Sugestão de distribuição dos pontos de aplicação da toxina. Fonte: Braz; Sakuma (2010). Glabela Normalmente esta é a primeira região a ser tratada com a toxina botulínica. O paciente deve fazer a contração dos músculos corrugador e prócero, fazendo uma feição enfurecida, por exemplo. O objetivo é reduzir as linhas verticais proporcionadas pelos músculos corrugadores e as linhas horizontais originadas pelo músculo prócero. As possíveis complicações são: ptose palpebral e alargamento entre as sobrancelhas. 129 TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III A injeção deve ser feita profundamente, sem contato com o periósteo (DE MAIO, 2011; AVRAM et al., 2008). Figura 23. Forçando os corrugadores e próceros. Fonte: https://www.huffpostbrasil.com/2014/08/30/todos-fazemos-a-mesma-cara-de-bravo-quando-estamos-com- raiva_a_21677656/. Orbicular (pés de galinha e pálpebra inferior) O paciente deve fazer a contração do orbicular dos olhos, sorrindo, por exemplo. Essas rugas são estáticas e dinâmicas, localizando-se na parte lateral da pálpebra inferior. São injetados superficialmente. A injeção na pálpebra inferior deve ser feita com cautela para evitar resultados indesejáveis, como ressecamento ocular, lagoftalmo (incapacidade total ou parcial da pálpebra fechar) e aparecimento de bolsas palpebrais. As complicações podem ser: equimoses e hematomas (DE MAIO, 2011; AVRAM et al., 2008). Figura 24. Região do pé de galinha com rugas na região de pálpebra inferior e sorriso gengival. Fonte: https://www.iped.com.br/materias/estetica-e-beleza/possivel-eliminar-pes-galinha.html. 130 UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA Avaliação clínica A avaliação clínica é primordial para o sucesso do tratamento. Desse modo, o exame da função da musculatura facial é feito pela observação do paciente em repouso, com verificação do tônus muscular, da simetria, de contrações e espasmos musculares e das linhas e expressões faciais, incluindo sulco nasogeniano. A função motora também é testada. Deve-se solicitar ao paciente que eleve os supercílios, feche os olhos firmemente, mostre os dentes, contraia os lábios entreoutras expressões/mímicas (DE MAIO, 2011). Conforme o paciente realizar as mímicas citadas acima e as linhas de expressão aparecerem, com um lápis de maquiagem branco, por exemplo, o profissional irá marcar a área na qual será aplicada a toxina fazendo pontos entre as linhas que surgirem. Esses pontos devem ser feitos em locais precisos para que não ocorra ptose, como já comentado em capítulos anteriores (DE MAIO, 2011; AVRAM et al., 2008). Contraindicações Pacientes com esclerose lateral amiotrófica, miastenia gravis, esclerose múltipla, e síndrome de Eaton Lambert apresentam transmissão neuromuscular que podem se agravar em contato com a toxina botulínica (DE MAIO, 2011). Pacientes com hipersensibilidade ou alergia à classe de toxina botulínica ou seus incipientes não devem receber esta toxina (DE MAIO, 2011). Interações medicamentosas - algumas substâncias como: aminoglicosídeos, ciclosporinas, D-penicililamida, quinidina, sullfato de magnésio, lincosamidas e aminoquinolonas podem interferir na transmissão neuromuscular ou neuroglandular se associadas com a toxina botulínica (DE MAIO, 2011; AVRAM et al., 2008). Além disso, o profissional deve ter cuidado com pacientes dismórficos, pois esses são excessivamente preocupados com defeitos reais ou imaginários. Desse modo, cabe ao profissional que irá realizar a aplicação esclarecer todos os possíveis resultados do procedimento, ainda mais quando se sabe que o resultado esperado pelo paciente não será atingido (DE MAIO, 2011). Até o presente momento não foram publicados dados confiáveis sobre efeitos teratogênicos da toxina botulínica em humanos, mesmo assim devemos evitar tratamentos com mulheres grávidas, lactantes ou pacientes em tratamentos oncológicos (DE MAIO, 2011; AVRAM et al., 2008). 131 TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III Efeitos adversos da toxina botulínica Equimoses Os lugares mais comuns do ocorrer são na região frontal e na região periobicular. Para evitarmos esse evento logo após a aplicação pode-se colocar uma compressa gelada no local fazendo pressão. Além disso, o paciente pode ser orientado a suspender o uso de anti-inflamatório não hormonal, alfa-tocoferol e Ginkgo biloba dez dias antes da aplicação (FILHO; PECORA, 2012). Cefaleia A toxina botulínica pode induzir cefaleia em alguns casos, principalmente quando aplicada na região frontal, com etiologia desconhecida, podendo durar até quatro semanas sendo necessário a administração de analgésicos (FILHO; PECORA, 2012). Muscular A toxina botulínica em excesso pode acarretar em perda de expressão facial, paralisia muscular incompleta, paralisia de músculos inadequados por dispersão da toxina para grupos musculares indesejados (FILHO; PECORA, 2012). Ptose palpebral Pode ocorrer dispersão da toxina botulínica por meio do forame orbital, com acometimento do músculo levantador da pálpebra superior, levando ao aparecimento de ptose palpebral entre 2 e 10 dias. Para evitar essa complicação deve-se respeitar a distância de 1 cm da margem óssea orbital superior, assim como evitar a injeção muito baixa na lateral do nariz, com dispersão da toxina por meio do septo orbital e acometimento do músculo levantados da pálpebra superior. Esse evento geralmente desaparece por volta de um mês. O que pode melhorar e antecipar o estímulo da musculatura é a carboxiterapia, eletroestimulação no local da ptose. Colírio de Tartarato de Brimonidina 0,2%, e agonista alfa-adrenérgico, que estimula o músculo Müller também ajudam (1 gota no olho acometido a cada 8 horas) (FILHO; PECORA, 2012). 132 UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA Figura 25. Ptose palpebral à esquerda após aplicação de toxina botulínica A para tratamento de espasmo hemifacial. Fonte: OLIVEIRA et al., 2010. Ptose de sobrancelha Ocorre geralmente com altas doses nos pontos da região frontal. Nessa região a aplicação da toxina botulínica deve ser de 2,5 cm acima da sobrancelha, mantendo sempre alguma atividade do músculo frontal diminuindo o aspecto de congelamento, lembrando que os pontos devem ser sempre entre as linhas hemipupilares (FILHO; PECORA, 2012). Sinal mefisto Caracteriza-se pelo paciente apresentar a sobrancelha com aspecto demoníaco. A correção desse evento indesejado se faz com aplicação posterior de 1 ou 2 U de toxina botulínica (Botox®) nas fibras laterais da região frontal (FILHO; PECORA, 2012). 133 TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III Figura 26. Sinal mefisto, sobrancelha arqueada com aspecto demoníaco. Excesso de ponto na linha mediopupilar. Fonte: https://mdemulher.abril.com.br/famosos-e-tv/famosas-que-colocaram-botox-veja-o-antes-e-depois/. Bunny lines Consiste na intensificação ou aparecimento de linhas nasais após a aplicação de toxina botulínica tipo A na glabela, evidenciada no sorriso. Pode ser corrigida aplicando 2 UI de Botox® de cada lado da lateral do nariz, no músculo nasal. No entanto, deve- se ter atenção nessa aplicação, o ideal é aplicar acima da linha nasofacial, evitando o acometimento do músculo levantador do lábio superior e da asa nasal, com consequente ptose labial (FILHO; PECORA, 2012). 134 UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA Figura 27. Linhas Nasais proeminentes a partir do sorriso ou de uma mímica. Fonte: http://www.lkaesthetics.com/botox-treatments/2015/9/3/botox-for-bunny-lines .Acesso em: 21 nov. 2015. Diplopia No tratamento de rugas periorbiculares deve ser respeitada a distância de pelo menos 1 cm da margem óssea lateral da órbita, e além disso, deve utilizar volumes pequenos, para evitar acometimento do músculo retolateral, com consequente diplopia a até mesmo estrabismo (FILHO; PECORA, 2012). Novidades sobre a toxina botulínica Atualmente, sabemos que a toxina botulínica pode atuar não somente para paralisação da musculatura, mas também na redução da glândula sudorípara, atuando na hiperidrose para pacientes que transpiram muito em pés e mãos. Atua também nas glândulas sebáceas, pode ser usada para reduzir a oleosidade do cabelo, como também da face. Existe uma técnica bem recente, a Microtox, que atua reduzindo poros dilatados, melhorando a cicatrização de acne, reduzindo a oleosidade da pele e melhorando as rugas finas. A diferença de aplicação é que, nesse caso diluímos mais a toxina. Toxinas botulínicas que apresentam 100 U são diluídas em 5 ml de soro fisiológico e aplicadas na derme, para obter esse resultado. Os dados são recentes, por isso, ainda não está totalmente evidenciado sobre a possibilidade de gerar vacina, nessa aplicação, uma vez que é aplicado muito mais produto em sessões. Esse tratamento é feito para paralização da musculatura para rejuvenescimento facial e muitos pacientes que fazem um tratamento acabam fazendo o outro. Aumentam-se as unidades no corpo sendo aplicadas mais vezes no ano. 135 TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III Além de aplicar toxina botulínica no terço superior estamos trabalhando bastante no terço inferior da face, para afinar a face aplicando no masseter, ou até mesmo no músculo platisma para rejuvenescer o contorno facial e melhorar as rugas do pescoço. Aplica-se bastante também no músculo depressor do ângulo da boca, no depressor do lábio inferior e no mento, tudo para melhorar o contorno da face e do lábio reduzindo as rugas, trazendo rejuvenescimento. Também se aplica no nariz, além das bunny lines. Pode-se aplicar no ápice do nariz e na columela como também nas asas do nariz, isso fará arrebitar e afinar essa região tão incômoda para muitos pacientes. 136 UNIDADE IVPEIM CAPÍTULO 1 Procedimento Estético Injetável para Microvasos Como o objetivo dos profissionais da área de saúde estética é tratar telangiectasia e microvarizes (grau estético), darei mais ênfase abordando este assunto. As telangiectasias são pequenos vasos, de localização dérmica, medindo de 0,1 a 1mm de diâmetro, resultantes da dilatação de uma vênula, capilar ou arteríola e que podem aparecer isoladamente ou ser confluentes, dando o aspectode “teia de aranha”. As microvarizes são pequenas veias de localização subcutânea com trajeto tortuoso ou retilíneo, de aproximadamente 1 a 2mm de largura, apresentando-se salientes na pele. Quando as telangiectasias e microvarizes ocorrem associadas a varizes, que são veias salientes e visíveis, com alterações definidas e não reversíveis de suas propriedades anatômicas, causando elevação da pele, deve-se proceder primeiramente com a cirurgia das varizes para posteriormente realizar o PEIM. Isso potencializa os resultados cirúrgicos, ou caso estas estruturas apareçam sem estar associadas a varizes pode-se realizar a técnica estética no consultório mesmo. As teorias para explicar o aparecimento ou o agravamento da doença varicosa são aumento na circulação pélvica, hormônio, teoria mecânica, predisposição hereditária, aumento da volemia, alterações estruturais da parede venosa, alterações anatômicas das válvulas venosas, entre outros. Porém, o que é mais aceito pela literatura são as causas por problemas hormonais. Desse modo, a alta prevalência dos vasinhos é dada pelo aumento das taxas de estrógeno e progesterona, que ocorre durante a gravidez. Os fatores de risco são idade, número de gestações, antecedentes familiares, uso de salto alto, permanecer muito tempo em pé, musculação pesada, trauma, alimentação, batidas. No caso do salto alto, ele impede a circulação correta. Desse modo, orienta-se 137 PEIM │ UNIDADE IV que o salto deve ser de tamanho pequeno para ocorrer o retorno venoso. Também não é indicado sapatos como por exemplo all star. Para os tratamentos dos vasos, decorrente da fragilidade capilar, na estética podem ser tratados aqueles vasos que apresentam coloração arroxeadas ou avermelhadas, que são considerados vasos não funcionais. Os vasos azulados e esverdeados são considerados vasos funcionais e, sendo assim, não devem ser mexidos. Pela classificação de Francischelli, os vasos tratáveis são: Tipo 1 - apresentam insuficiência venosa de importância predominantemente estética, são as varizes reticuladas e as telangiectasias. Talangiectasias são definidas como sendo a confluência de vênulas intradérmicas dilatadas com calibre inferior a 1mm e compreendem, junto com as veias reticulares, a classe I de Francischelli. Os tratamentos mais indicados para esse tipo são: escleroterapia, também chamado procedimento estético injetável para microvasos (PEIM), Laser NdYAG, luz pulsada, crioescleroterapia e microcirugia das telangiectasias, essas duas últimas realizadas somente por médicos. A partir do tipo 2, o tratamento não é apenas estético, é necessário indicar para o médico vascular. Tipo 2 - Insuficiência venosa funcional e estética, apresentam-se como varizes de médio calibre, sente dor e já tem nódulos. Os tratamentos mais indicados são escleroterapia, crioescleroterapia, laser NdYAG, luz pulsada, flebectomia ambulatorial com agulha de crochê, cirurgia convencional de varizes, cirurgia endovascular venosa com laser EVLT e tratamento continuado de varizes – TCV. Tipo 3 - Insuficiência venosa funcional assintomática, são varizes de grande calibre, não provocam dor. Nesse caso o tratamento é voltado mais para as questões funcionais da doença venosa, embora os cuidados com manchas e cicatrizes sejam tomados pelo cirurgião. Os tratamentos mais indicados para esse tipo são: flebectomia ambulatorial com agulha de crochê, cirurgia convencional de varizes e cirurgia endovascular venosa com laser EVLT. Tipo 4 - São varizes de grosso calibre e que já provocam problemas de saúde. Podem apresentar necrose tecidual. Nesses casos as complicações mais frequentes são: tromboflebite, hiperpigmentação, eczema venoso, úlcera varicosa, hemorragia, fibrose, dermatite ocre, infecção. Geralmente são pacientes que estão há muito tempo sem tratamento. Após a cirurgia muitos pacientes precisam fazer o tratamento estético de vasinhos, pela quantidade de vasos que se formam. Para este tipo, os tratamentos mais indicados são: cirurgia convencional de varizes e cirurgia endovenosas com Laser EVLT. 138 UNIDADE IV │ PEIM Durante a consulta e a avaliação deve-se questionar sobre: » os vasos que mais incomodam o paciente » em que momento eles apareceram; » se o paciente apresenta alguma doença relacionada (vascular e/ou diabetes); No caso de diabetes fazer a aplicação com glicose 50% e não 75%. » que doenças teve anteriormente; » se tem alergias; » qual a rotina diária; » se já fez aplicação alguma vez; se gostou do resultado; qual produto foi utilizado; há quanto tempo fez a última sessão; » se pratica atividade física. Após a realização da técnica não deve fazer atividade física, somente após 2 a 3 dias. Se fizer antes acabará sentindo dor; » se o paciente é fumante, caso em que vasos acabam sendo recorrentes; » se costuma tomar sol, o que deve ser suspendido por pelo menos 20 dias. » se faz uso contínuo de algum medicamento; por exemplo: roacutan, caso em que precisa esperar de 6 a 8 meses para realizar a aplicação senão haverá altas chances de manchar a pele. » Além disso, deve-se sempre tirar foto antes e depois. Os agentes esclerosantes se classificam em orgânicos e inorgânicos. Esses últimos são efetivos para os vasos, porém são mais agressivos para a pele. A glicose hipertônica constitui-se em um dos esclerosantes mais importantes. Ela é bastante eficiente e vem sendo utilizada pela maioria dos profissionais no Brasil. A velocidade da glicose na aplicação não pode ser alta pois pode pigmentar a região. A glicose 50% deve ser utilizada em diabéticos compensados na quantidade de no máximo 3 mL. Deve-se usar também essa porcentagem pelos profissionais que não têm muita experiência, para não pigmentar o paciente, e em paciente com fototipos 5 e 6. A glicose 75% é muito eficiente, mas deve-se saber usar de acordo com as sugestões 139 PEIM │ UNIDADE IV já mencionadas. O volume máximo por aplicação são 10 mL, sendo que a quantidade usual por aplicação é de 3 a 6 mL. É interessante usar glicose 50% em pacientes com telangiectasias claras e muito fininhas e em diabéticos compensados. A glicose 75% é indicada para pacientes com telangiectasias mais grossas e escuras. Em relação ao mecanismo de ação, ocorre irritação no vaso em que o líquido esclerosante foi aplicado, o que faz com que o vaso se contraia, feche e desapareça após até 15 dias. Após a aplicação, o sangue não volta a entrar nos vasos tratados o que evita a formação de novos vasinhos no local. As desvantagens da glicose são o ardor e a coceira, apenas. As vantagens são segurança por ser agente orgânico, não produzir reações alérgicas, ser de fácil obtenção. A eficiência, apesar dos poucos trabalhos disponíveis, já foi comprovada historicamente, podendo ser utilizada. Além disso, apresenta baixo custo. O princípio básico da técnica é eliminar a veia varicosa, com uma injeção de substância esclerosante (glicose 50 a 75%) no interior do vaso, que provoca a destruição de sua camada endotelial, levando a fibrose daquele vaso, e seu desaparecimento. A inclinação da agulha deve ser de 10º a 20º no máximo. O bísel deve estar posicionado para cima e a velocidade da aplicação deve ser lenta. Introduz-se a agulha a 10º, com a seringa encostada na pele praticamente. Com cuidado para não transfixar o microvaso começa-se a injetar a glicose. Se injetar e perceber que ele não desapareceu, volta-se um pouco com a seringa ou abaixa-ses mais e tenta-se injetar novamente. Caso não visualize o vaso sumindo, é porque não pegou o vaso. Não insista e deixe para a próxima sessão, pois a região vai inchar e não será mais possível acertar o vasinho. Tome cuidado pois não se deve fazer pápula na região, isso pode aumentar as chances de hiperpigmentar. Para minimizar o desconforto do paciente, pode-se aplicar lidocaína ou o skincooler, que apresenta ação imediata. Os efeitos colaterais são manchas temporárias, pequenas feridas temporárias,manchas ao redor da área tratada e sensação de queimação no local, mas todos desaparecem. Já as complicações podem ser hiperpigmentação pós PEIM, a destruição do vaso pode gerar alta liberação de ferro na região, edema temporário, pela reação de inflamação, coceira temporária. Deve-se lembrar o paciente de não coçar, pois pode manchar. Se isso acontecer, deve-se aguardar 30 dias para fazer a despigmentação. Dentre ainda as complicações estão: úlcera cutânea, manchas 140 UNIDADE IV │ PEIM marrons e necrose cutânea que são manchas pretas, provocadas pelo acentuado aumento de glicose na região, para o que é necessário realizar raspagem. As melhores seringas para serem utililzadas são de 1mL e de 3 mL, a agulha de 30G. O vaso demora em torno de 15 dias para esclerosar por inteiro. No momento da aplicação deve-se observar que o vaso desaparecerá, logo após ele vai escurecer para então finalmente clarear a partir do dia seguinte. Para a aplicação da glicose, deve- se aplicar no máximo 6 mL por sessão. Se aplicar mais, o paciente relatará peso nas pernas. O intervalo das sessões deve ser de no mínimo 20 dias. No dia da aplicação não se deve usar salto. Na hora do tratamento recomenda-se aplicar a agulha sempre na ponta do vaso e a glicose deve passar por toda sua extensão fazendo o caso desaparecer. Após a aplicação é normal sentir a perna cansada. Fórmula despigmentante: » Ácido tioglicólico ................ 10-15% (mais indicado 8%) » Loção ou creme qsp .......... 30 mL ou 30g Deve ser aplicado nas manchas das pernas, com a pele seca e limpar 2x ao dia:de manhã e antes de dormir. Não se expor ao sol durante todo o período do tratamento. O PEIM ou escleroterapia é contraindicado para pacientes portadores de varizes maiores, em decorrência da alta incidência de recidivas e dos bons resultados funcionais e estéticos das cirurgias de varizes. Além disso, é contraindicada aos pacientes em vigência de processos infecciosos ou alérgicos; em pessoas com diabetes melito descompensado; em pacientes com patologia grave em que a escleroterapia ou PEIM não é prioritária diante do quadro geral; naqueles com insuficiência arterial periférica importante; gestantes; lactantes; pacientes em uso de roacutan; com lesões no local; hemofilia e outros problemas de coagulação; e, em fototipos altos, deve-se tomar cuidado e doenças autoimunes. Recomendações importantes: usar roupas confortáveis no dia da aplicação, não usar saltos, evitar depilar a região até 1 dia antes, não passar cremes um dia antes também. Após o procedimento fazer uso de meias de compressão (terapêutica) ou faixas de compressão por 4 ou 6 horas após a aplicação, não praticar atividade física por até 3 dias após o procedimento, evitar atividades que necessitem ficar muito tempo em 141 PEIM │ UNIDADE IV pé, principalmente no dia da aplicação e não se expor ao sol até que os roxinhos desapareçam, o que pode levar até 20 dias. É importante salientar que PEIM é um tratamento de meio e não de fim, o que depende da resposta de cada paciente e da quantidade de sessões em cada caso. É muito importante explicar ao paciente que pode ser necessário realizar outras aplicações para chegar ao resultado final. Em relação às fotos de antes e depois, sempre se deve usar o mesmo fundo escuro (ambiente), com a mesma luz e a mesma posição. Não fazer zoom pois perde a qualidade da foto, e sempre pedir para que o paciente autorize o uso das fotos para divulgar seu trabalho dentro da clínica. Sempre fazer termo de consentimento e contrato de prestação de serviço. 142 UNIDADE V INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 CAPÍTULO 1 Introdução e História da Infusão Controlada de CO2 Introdução e história da infusão controlada de CO2 O dióxido de carbono, que é um gás inodoro e incolor, que foi descoberto em meados de 1648. É produzido e eliminado diariamente pelo organismo humano em grandes quantidades pelos pulmões no processo de respiração. Sua produção no organismo acontece graças ao resultado do metabolismo e reações oxidativas celulares. Seu uso terapêutico iniciou-se somente três séculos depois de seu descobrimento, mais precisamente no ano de 1932, na Estação Termal do Spy de Royat, França, por Pierre Laloutte. Com a experiência adquirida na câmara de fumigação com sais de mercúrio, ele passou a expor os portadores de úlceras crônicas aos vapores de combustão da magnésia alba de forma seriada, aplicada a cada dois ou três dias. Esse foi o primeiro método de tratamento sistemático do CO2 (BRANDI, 2001). Porém, a partir da década de 30, surgiram os primeiros trabalhos sobre o tema, como o do cardiologista Jean Baptiste Romuef, que teve sua publicação em 1953, após 20 anos de experiência utilizando em seus tratamentos com injeções subcutâneas de CO2 (ABRAMO, 2010). Ainda atuando em patologias vasculares em 2002, Toryama mostrou excelentes resultados na melhora da circulação periférica em pacientes com isquemia crítica, com redução de 83% dos casos de amputação. A produção industrial do gás carbônico permitiu sua utilização fora das estâncias termais, abrindo uma nova perspectiva para a terapêutica com o CO2. No século XX essa forma de obtenção criou um período na evolução terapêutica com o CO2 chamado de “Período Terapêutico Recreativo Estético” (BRANDI, 2001). 143 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V Após a descoberta dos efeitos do dióxido de carbono e das suas utilizações na medicina, os métodos foram se desenvolvendo. Nos dias atuais, graças a equipamentos capazes de controlar o fluxo injetado por minuto, é possível usar esse procedimento em vários tipos de tratamentos terapêuticos e até mesmo estéticos, como, por exemplo, no tratamento de estrias, cicatrizes, celulite, gordura localizada, flacidez cutânea, rugas, olheiras, feridas, calvície, psoríase, dentre vários outros (MARSILI, 2006). Tudo isso fez com que seu conhecimento terapêutico fosse disseminado não só na França, mas também na Itália e em vários outros países da Europa e de outros continentes, como o Brasil. Na Itália já se trabalha com a técnica há dez anos, e hoje é a mais realizada nos tratamentos de F.E.G. e adiposidade localizada (FRASCA, 2002; MARSILI, 2006). A infusão controlada de CO2, conhecida popularmente como carboxiterapia, é uma técnica que trabalha com injeção do dióxido de carbono (CO2) no tecido subcutâneo. É uma prática que tem proporcionado melhora fisiológica, com melhor irrigação sanguínea do local e, consequentemente, melhor oxigenação do tecido (ABRAMO, 2010). O gás carbônico medicinal é aquele utilizado em cirurgias com videolaparoscopia para a insuflação da cavidade abdominal, histeroscopia, cardíacas, oculares e como contraste em arteriografia e ventriculopatia (ABRAMO, 2010). A primeira coisa que precisamos gravar na memória é que o CO2 tem um poder de difusão muito forte, por esse motivo não oferece riscos ao paciente. Ele é atóxico e é eliminado facilmente do tecido, sendo assim, os riscos de embolia gasosa fatal nesse tratamento são mínimos (BRANDI, 2001). Um dos principais produtos do metabolismo celular é o ácido carbônico (H2CO3), excretado através dos pulmões sob a forma de gás carbônico (CO2). Portanto é totalmente inócuo para nosso organismo (GUIRRO e GUIRRO, 2002). CO2 é vinte vezes mais difundido que o O2, portanto o aumento de volume que ocorre após a aplicação é rapidamente absorvido e eliminado, ficando somente o efeito vasodilatador que irá promover os benefícios locais, ou seja, uma área pequena como os olhos entre 3 a 5 minutos o gás já foi absorvido e o enfisema observado já foi também absorvido (BRANDI, 2004). O dióxido de carbono O ácido carbônico (H2CO3) é produzido durante o metabolismo e excretado em forma de CO2 pelos pulmões no processo de respiração. A quantidade de CO2 transportada em 144 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 sangue venoso é de aproximadamente 200 ml/min no adulto em repouso, mas pode ser aumentada durantea atividade física (FRASCA, 2002; MARSILI, 2006). Com a ajuda de uma enzima denominada anidrase carbônica, o CO2 é hidratado no interior do eritrócito e forma o ácido carbônico (H2CO3). A dissociação de um hidrogênio é espontânea e rápida, liberando um H+ livre e bicarbonato (HCO3). Quando esses são muitos dentro do eritrócito, difundem-se para fora dele. O hidrogênio liberado liga-se à hemoglobina formando hemoglobina reduzida e liberando O2, fazendo com que haja maior disponibilidade dessa substância para as reações metabólicas do corpo (ABRAMO, 2010). A infusão controlada de CO2 possibilita, especialmente no tecido conjuntivo, uma melhor drenagem vaso linfática devido ao aumento da vasodilatação e consequente melhoria na oxigenação do tecido tratado. Estudos experimentais demonstram que, em casos de isquemia crítica, o tratamento com carboxiterapia já chegou a evitar mais de 80% das amputações (FRASCA, 2002; MARSILI, 2006). A infusão do gás provoca distensão tecidual e aumento da concentração de barorreceptores, corpúsculos de Golgi e Paccini, causando liberação de substâncias como histamina, bradicinina, serotonina, catecolamina, que atuam em receptores beta-adrenérgicos, que ativam a adenilciclase, ocasionando aumento da AMPc tissular e quebra de triglicérides. Isso faz com que a carboxiterapia seja utilizada como uma importante forma de diminuição do tecido adiposo acumulado e consequente redução de medidas. O CO2 utilizado pela carboxiterapia no Brasil tem, em média, 99,99% de pureza, o que o torna ótimo para o tratamento terapêutico. O volume de aplicação do dióxido de carbono por sessão pode variar entre 500 ml a 2.000 ml. O que se deve levar em consideração é que a aplicação é punturada e em cada ponto deve ser aplicada de uma a duas vezes dependendo do peso da pessoa que esteja realizando o tratamento. Isso será explicado mais adiante, quando falarmos de velocidade (ABRAMO, 2010; EGRAND et al., 2009; FRASCA, 2002; MARSILI, 2006). Nos banhos em água carbonada, a espessura da camada de queratina e a compactação das suas fibras não impedem a difusão do CO2 para os tecidos mais profundos, mas impedem a passagem e retêm, no seu interior, algumas moléculas do gás (BORGES et al., 2008). A perda dessas moléculas faz com que a concentração na água do banho prejudique parcialmente a efetividade do procedimento. Essa técnica só é utilizada dentro de spa com a finalidade de relaxamento. De maneira distinta, na infusão controlada do 145 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V gás carbônico medicinal, o CO2 é injetado diretamente no interior da pele, não sofrendo bloqueio e retenção das suas moléculas durante a aplicação (BRANDI, 2001). Com isso, mantém nos tecidos o mesmo volume programado pelo aparelho insuflador do gás. Como o volume injetado representa a concentração do CO2 nos tecidos, a infusão controlada do gás carbônico medicinal apresenta 100% de aproveitamento (BRANDI, 2001). Mecanismo de ação Após a aplicação, o CO2 irá agir no local e rapidamente será difundido, de 5 a 30 minutos dependendo da quantidade gás injetado. Dixará apenas seus efeitos, tais como, aumento da microcirculação, ativação de barorreceptores cutâneos, potencialização do efeito Bohr e vasodilatação. O CO2 possui ação direta local pelo miócito e indireto mediado pelo sistema nervoso simpático, com isso a vasodilatação arteriolar é evidente imediatamente à aplicação pela observação da hiperemia que a pele apresenta. A ação direta do CO2 sobre o miócito vascular prevalece em nível local e indireto mediado pelo sistema simpático, que pode ser registrado a distância. O CO2 atua, sobretudo, na microcirculação vascular do tecido conjuntivo, promovendo uma vasodilatação e um aumento da drenagem venolinfática (LEVER e LEVER, 1991). O aumento da circulação interfere no aumento da oxigenação local e, por sua vez, um tecido bem oxigenado tem um metabolismo mais acelerado, resultando em maior lipólise, melhor cicatrização e maior produção de colágeno, que irá refletir, por exemplo, na cicatrização de feridas, perda de peso, melhoria das estrias e de problemas como flacidez e rugas. O aumento do oxigênio é importante, pois elimina a formação de fluidos entre as células. O resultado é um menor número de células gordurosas e um subcutâneo mais firme. Portanto, a utilização desse gás promove o aumento do fluxo dos vasos sanguíneos, com consequente aumento do metabolismo e vascularização da área a ser tratada (LEVER; LEVER, 1991; LOPES, 2005). Após a aplicação, há, além da melhoria da circulação e da distribuição do oxigênio, a ativação de receptores devido à hiperdistensão subcutânea, ativando os barorreceptores. Esses são os corpúsculos de Golgi, sensíveis a baixas pressões, e os corpúsculos de Pacini, sensíveis a altas pressões, com consequente liberação de substâncias como bradicinina, catecolamina, histamina e serotonina. Essas substâncias atuam em receptores beta-adrenérgicos ativando a adenilciclase, promovendo assim o aumento do AMP tissular e consequente ação final hidrolítica sobre os triglicérides dos adipócitos (LEVER; LEVER, 1991). 146 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 Além disso, a afinidade do CO2 pela hemoglobina ao ser inversamente proporcional à concentração de gás carbônico causa hiperoxidação do tecido, com efeito lipolítico oxidativo. Esse processo pode ser explicado pela potencialização do efeito Bohr. A ação do CO2 injetado envolve vasodilatação local com consequente aumento do fluxo sanguíneo local e da pressão parcial de oxigênio (PpO2). O aumento da PpO2 é resultante da potencialização do efeito Bohr, ou seja, há redução da afinidade da hemoglobina pelo oxigênio, acarretando uma maior quantidade de O2 que estava retido pela hemoglobina para ficar disponível para o tecido a ser tratado (LOPEZ, 2005). A presença de CO2 nos tecidos reduz o pH no local da aplicação e resulta numa resposta inflamatória. Isso interfere na hemodinâmica celular resultando em formação de novos vasos sanguíneos. O que mais interfere na resposta do organismo à infusão de CO2 é a pressão parcial de gás nos tecidos, mostrando a importância de se aplicar a concentração adequada de CO2 para alcançar eficácia nos resultados (KEDE; SABATOVICH, 2003; LOPES, 2005). A pressão de infusão do CO2 é correspondente à pressão de gás medicinal injetado nos tecidos, e não ao gás existente no cilindro de armazenamento. Essa pressão é influenciada por fatores, sendo estes a válvula de controle de gás acoplada ao cilindro e o mecanismo de autorregulação do aparelho insuflador (ABRAMO, 2010). A velocidade do fluxo de aplicação nos tecidos é importante por determinar a intensidade do estímulo desencadeador da resposta inflamatória, variando conforme o local e a resistência tecidual. Essa velocidade vai de 1 a 180 mlCO2/min, porém os mais utilizados variam de entre 80 a 180 mlCO2/min (ABRAMO, 2010; MARSILI, 2006; LOPES, 2005). 147 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V Quadro 10. Resumo do mecanismo de ação. Vasodilatação arteriolar Ação direta sobre o miócito vascular prevalece em nível local e indireto mediado pelo sistema simpático, que pode ser registrado a distância. Atua, sobretudo, na microcirculação vascular do tecido conjuntivo, promovendo uma vasodilatação e um aumento da drenagem venolinfática. Potencialização Efeito Bohr Há redução da afinidade da hemoglobina pelo oxigênio, acarretando uma maior quantidade de O 2 que estava retido pela hemoglobina para ficar disponível para o tecido a ser tratado. Simplificando, é a tendência de o O 2 deixar a corrente sanguínea quando a concentração de CO 2 aumenta. Aumento velocidade microcirculatória Promove o aumento do fluxo dos vasos sanguíneos, com consequente aumento do metabolismo e vascularização da área a ser tratada. Ativação barorreceptores cutâneos Devido à hiperdistensão do subcutâneo, há estímulo dos barorreceptores - corpúsculos de Golgi (sensível a baixas pressões)e de Pacini (altas pressões) - e consequente liberação de substâncias como: bradicinina, catecolamina, histamina e serotonina. Fonte: Menegat (2015). Caso tenha interesse em saber mais sobre este assunto indico os seguintes artigos: » ABRAMO, A. C. Infusão controlada de CO2: carboinsuflação. São Paulo: Ed. Do Autor, 2010. » RESCH, K. L.; JUST, U. Possibilidades e limites da carboxiterapia. Review German, 2004, v. 3, n. 1: p. 45-50. » KOUTNA, N. (2006) Carboxytherapy: a new noninvasive method in aesthetic medicine. Cas Lek Cesk, 145:841–843. » PARASSONI, L.; VARLARO, V. La Carbossiterapia: una metodica in evoluzione. Riv. La Medicina Estetica.1997. 21(1). Editrice Salus Internazionale, Roma. 148 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 » BROCKOW, T.; HAUSNER, T.; DILLNER, A.; RESCH, K. L. Clinical Evidence of Subcutaneous CO2 Insufflations: A Systematic Review. J Altern Complement Med. 2000; vol 6 (5): 403. Os equipamentos O fluxo e o volume total de aplicação na infusão controlada de CO2 são controlados por equipamentos apropriados. No Brasil, o aparelho a ser utilizado deve ser registrado pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a fim de proporcionar maior conforto e segurança a quem recebe a aplicação (ABRAMO, 2010; EGRAND et al., 2009). Independentemente da marca ou do modelo do aparelho, este irá apresentar características comuns, tais como um cilindro que se liga ao aparelho por meio de um regulador de pressão de gás. Ele é injetado por meio de uma sonda com agulha pequena diretamente na pele do paciente. Quanto ao fluxo utilizado, muitos são os autores que discutem a quantidade necessária de aplicação para cada tipo de tratamento (MARSILI, 2006). Esse equipamento é composto por três segmentos distintos: equipo descartável, aparelho insuflador do gás e sistema cilindro-válvula controladora de pressão que armazena e regula a pressão da saída do gás carbônico medicinal para o circuito do aparelho insuflador. O equipo utilizado deve ser atóxico, estéril, apirogênico e descartável, formado por agulha 30G½ acoplada a um filtro que, por sua vez, é conectado ao cateter de poliprolipeno com diâmetro de 0,3cm, portanto, um fixador na extremidade livre. O reduzido diâmetro da agulha, em relação ao diâmetro do cateter, permite que o gás seja introduzido com maior pressão, facilitando sua difusão através dos tecidos. O filtro possui uma lâmina de policloreto de vinila, com espessura de 0,2µ na grade de filtragem, do tipo microbiológico e hidrofóbico, cuja função é reter possíveis impurezas existentes no interior do cateter ou no circuito do insuflador (RESCH; JUST, 2004). 149 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V Figura 28. Equipo atóxico para insuflação de CO2 e agulha 30G½. Fonte: Menegat (2015). A pressão de infusão do CO2 corresponde à pressão do gás carbônico medicinal que é introduzido no interior dos tecidos e não deve ser confundida com a pressão do gás carbônico no interior do cilindro de armazenamento (BRANDI, 2001). O sistema que controla a pressão de entrada do CO2 no aparelho insuflador é composto pelo cilindro armazenador do gás carbônico medicinal, por uma válvula reguladora da pressão do gás que sai do cilindro e um manômetro, indicador da quantidade de CO2, no estado gasoso, no interior do cilindro. A válvula de controle de pressão do gás está ligada ao aparelho insuflador do CO2 por meio de uma mangueira de material plástico ou polipropileno flexível, fechando o circuito de condução do gás no equipamento. 150 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 Figura 29. Sistema cilindro e válvula controladora de pressão. Válvula reguladora de pressão Quando o registro do cilindro está aberto e o ponteiro do manômetro posicionado entre 40 e 60 kgf/cm², é indicado que o CO2 se encontre pressurizado, no estado gasoso, no interior do cilindro, apto para executar a infusão tecidual. Fonte: Menegat (2015). 151 CAPÍTULO 2 Carboxiterapia e suas Aplicações Métodos de aplicação A velocidade do fluxo da infusão de CO2 nos tecidos determina a intensidade do estímulo lesivo que desencadeia a resposta inflamatória no local da aplicação, variando conforme a região anatômica e a resistência imposta pelo tecido. O programa do aparelho regula a rapidez com que o CO2 será injetado no interior dos tecidos. Velocidades do fluxo de infusão compreendidas entre 80 a 180 ml/ min são consideradas efetivas para desempenho da carboinsuflação. Será que regular somente a velocidade é o suficiente para obter resultado satisfatório quando tratamos de disfunções do tecido adiposo? A manutenção da temperatura do ambiente, ao redor de 24°C a 25°C, no local onde se realiza a carboinsuflação promove maior conforto durante a aplicação e, ao mesmo tempo, potencializa a ação vasodilatadora local do CO2. Antes de iniciar a aplicação do dia ou se o aparelho ficar mais de cinco horas parado, deve-se deixar escapar 150 ml de gás, pois o O2 parado, quando aplicado, faz com que a região fique inchada por duas semanas. A profundidade da aplicação é determinada de acordo com o propósito a que se destina o procedimento. Quando o objetivo está direcionado para atividades terapêuticas de características não estéticas, a aplicação do gás deve ser realizada profundamente, no interior do tecido (RESCH; JUST, 2004). A aplicação profunda tem como objetivo promover a lise do tecido adiposo subcutâneo, com o propósito de reduzir o excesso de gordura localizada, melhorando o contorno corporal da região comprometida. Assim, quando tratarmos gordura localizada e F.E.G, ou seja, tecido adiposo, a agulha deverá estar de 90° a 45° em relação à pele, dependendo da espessura do tecido adiposo subcutâneo da região (ABRAMO, 2010). A pouca espessura da derme, em média 1 a 2 mm, acrescida da resistência da camada córnea da epiderme e ao diâmetro da agulha, torna difícil afirmar que a infusão controlada de CO2 pode ser realizada com precisão em dois ou três planos dérmicos distintos: superficial, intermediário e profundo. Nesse plano, somente a ponta da 152 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 agulha bizel voltada para cima deverá ser introduzida, para garantir a superficialidade durante a injeção (MENEGAT, 2014). A distensão e a pápula branca que se observa na pele durante a infusão do gás demonstra que a aplicação está sendo realizada superficialmente, ou seja, no interior da derme (CARVALHO; VIANA; ERAZO, 2005) Essa aplicação atende a dois propósitos: » reposição e remodelação das fibras de colágeno, reticular e elástica da derme, para recuperar a consistência e elasticidade da pele; » aumento do fluxo sanguíneo da microcirculação cutânea da região infundida, elevando numericamente os pequenos vasos pré-capilares e pós-capilares locais, assim como promovendo a sua dilatação. Figura 30. Inclinação da agulha. A B Fonte: Menegat (2015). Figura 31. Pápula branca sendo observada durante a infusão do gás de CO2. Fonte: Menegat (2015). 153 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V Volume do gás na infusão controlada do CO2 Como já dito anteriormente, nosso organismo em repouso produz 200 ml/min de CO2. No exercício físico pode aumentar até dez vezes. O volume total de dióxido de carbono usado em uma sessão corresponde à somatória dos volumes infundidos em cada puntura, podendo chegar em um total de 2.000 ml. Valores acima disso não causam grandes prejuízos porém induzem mais ao desconforto do paciente podendo levá-lo ao desmaio. É preciso considerar que existe uma relação direta entre o peso do indivíduo e o conjunto formado pela extensão da superfície cutânea e o volume do tecido adiposo ao longo dessa superfície. Por essa razão, parece ser adequado relacionar o volume do gás aplicado na infusão controlada do CO2 com o peso ponderal, estabelecendo valores dirigidos às necessidades de cada indivíduo. Para um melhor aproveitamento do CO2, o volume do gása ser injetado é calculado de acordo com o peso ponderal, e não com índice de massa corporal. Dessa maneira, consegue-se atingir uma concentração adequada do CO2 nos tecidos para desencadear uma resposta inflamatória no local da aplicação. Assim sendo, considera-se como fator de eficiência a variação do volume de 1 ml até 2 ml de CO2 por quilo de peso do indivíduo, representado por mlCO2/kg. A distância entre as punturas no abdome, por exemplo, fica 3 a 15 cm, entre elas. O volume escolhido é aplicado por puntura, ou seja, unitariamente em cada um dos pontos onde o gás será injetado (ABRAMO, 2010). O cálculo do volume de gás baseado no peso ponderal do indivíduo se aplica no tratamento de alterações do tecido adiposo (RESCH e JUST, 2004). Exemplo: » Peso 50 kg » Mínimo por ponto será 50 mlCO2/cm » Máximo por ponto 100 mlCO2/cm Velocidade do fluxo de infusão ou velocidade de aplicação do CO2 Esse é um dos fatores decisivos para a efetividade da infusão, e não deverá ser confundido com o volume de gás aplicado em cada puntura. Sua escolha é influenciada pela resistência dos tecidos e pela intensidade do efeito lesivo que se deseja promover, razão pela qual ela pode deferir em diferentes áreas de um mesmo indivíduo. O descolamento 154 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 ou distensão dos tecidos e a intensidade de ruptura tecidual são proporcionais à velocidade do fluxo de infusão do gás (CARVALHO; VIANA; ERAZO, 2005). Velocidade entre 150 a 180 ml CO2/min promove uma distensão tecidual rápida, eficiente e segura, aumenta o desconforto provocando dor durante aplicação, mas traz os melhores resultados em razão de o dano interno ser maior. Áreas de menor resistência, como pálpebras, suportam melhor a velocidade de 80 a 100ml CO2/min (ABRAMO, 2010; MENEGAT, 2014). Eraso (2011) nos mostrou que a velocidade no tratamento facial terá resultado de 80 a 150ml/min, a melhor velocidade é aquela que o terapeuta melhor se adapta para controlar o enfisema criado durante a aplicação. 60 a 80ml/min controle de metabolismo como acne, psoríase, ponto gatilho. 80 a 100ml CO2/min, alterações de origem funcional e reparadora, como flacidez tissular corporal, microvasos, alopecia. 100 a 150ml CO2/min alterações morfológicas da pele, como papada, adiposidade de sutiã. 150 a 180ml CO2/min qualquer distúrbio corporal de hipoderme. Caso tenha interesse em saber mais sobre este assunto indico os seguintes artigos: » ABRAMO, A. C. Infusão controlada de CO2: carboinsuflação. São Paulo: Ed. Do Autor, 2010. » BORGES, F.; SCORZA, F. Carboxiterapia: uma revisão. Revista Fisioterapia Ser – 2008, v. 3, n. 4: p. 108-17. » MENEGAT, T. A. Guia Prático de Carboxiterapia. São Paulo, Ed. Aiko Ltda, 2014. Indicações e contraindicações Indicações A infusão controlada de CO2 é um tratamento indicado para os seguintes casos: » estrias; » acne; 155 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V » controle glândula sudorípara; » flacidez tissular; » F.E.G.; » adiposidade localizada; » olheiras; » linhas de expressão; » revitalização facial; » tratamento complementar à lipoaspiração; » pós-operatório de cirurgias plásticas; » calvície; » microvarizes; » feridas abertas; » psoríase. Contraindicações Não há importantes contraindicações, por ser um gás atóxico, não embólico, que já está normalmente presente no organismo, é amplamente aplicado na medicina e isento de efeitos sistêmicos nas doses empregadas. » patologias crônicas de pulmões ou coração; » infecção no local de aplicação; » gravidez; » hipertensão crônica; » Anemia; » colagenoses (lupus, esclerodermia, dermatomiosite); » epilepsia. (ABRAMO, 2010; BORGES; SCORZA 2008; MENEGAT, 2014) 156 CAPÍTULO 3 Carboxiterapia nas Alterações Estéticas Adiposidade localizada O tecido adiposo, também chamado de hipoderme é um tipo especializado de tecido conjuntivo composto por células denominadas adipócitos. Os adipócitos são reservatórios de energia que são acumulados em forma de lipídio (triglicerídeos). Eles são adquiridos graças ao desequilíbrio entre as necessidades energéticas diárias e a quantidade ingerida. Caso a ingestão seja maior que a necessária, a pessoa irá armazenar o excesso nesse tecido (ABRAMO, 2010; COSTA, 2011). O tecido adiposo é altamente vascularizado, resultando em constantes trocas gasosas entre ele e a corrente sanguínea. Até pouco tempo esse tecido era considerado um depósito passivo de energia, porém, nos dias atuais, estudos mostraram que ele é um tecido metabolicamente ativo, com funções de isolamento térmico, secretor de proteínas, produtor de peptídeos bioativos, amortecedor de trauma e modelador da superfície do corpo (ABRAMO, 2010). Esse tecido é formado por três camadas: areolar, intermediária e profunda. A camada areolar é a camada superficial e mais propensa à lipólise. A intermediária situa-se entre a areolar e a profunda e é fibrosa e delgada. A camada profunda é mais resistente à lipólise e tem maior espessura (Figura 35) (ALTECHEK; SODRE; AZULAY, 2006; GUIRRO; GUIRRO, 2002; COSTA, 2011). O padrão de localização de gordura varia do sexo feminino para o masculino, sendo que as mulheres apresentam um padrão ginoide, com gordura predominante nos flancos, quadril, glúteos, face interna da coxa, região troncantérica e face medial do braço. No padrão masculino ou androide, a gordura costuma localizar-se na parede abdominal superior, flancos e região cervical (ABRAMO, 2010; KEDE; SABATOVICH, 2003). A carboxiterapia tem sido largamente utilizada no tratamento da gordura localizada, sendo aplicada nos locais que apresentam maior porcentual de gordura, conforme mencionado anteriormente, e tem a função de aumentar ainda mais a vascularização tecidual, o que proporciona maior concentração de oxigênio e aumento do metabolismo local, levando à lipólise e à diminuição da quantidade de gordura. A injeção controlada de CO2 tem maior atuação na camada areolar, no entanto age também na camada 157 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V profunda em razão da vascularização e facilidade de difusão de gás nessa localidade (COSTA, 2011). A carboinsuflação apresenta eficácia na destruição dos adipócitos, reduzindo assim a adiposidade localizada. Deve ser aplicada em um ou mais ciclos, que devem ser estabelecidos de acordo com o porcentual de gordura e com as respostas fisiológicas do tratamento (COSTA, 2010). Cada ciclo é formado por dez sessões divididas em duas etapas, a primeira constituída de quatro sessões com intervalo de 24 horas e a segunda formada por seis sessões com intervalo de 72 horas (ABRAMO, 2010; COSTA, 2010). Para se obter uma elevada concentração de CO2 nos tecidos, é necessário que as quatro primeiras sessões sejam em dias seguidos, enquanto que, para manter a concentração de gás elevada, o intervalo entre uma sessão e outra deve ser de 72 horas (COSTA, 2011). A infusão de gás é profunda e feita por punturação, caso em que é necessário fazer o cálculo multiplicando o peso ponderal do paciente por 1,5 ou 2 ml CO2. O valor obtido será a quantidade a ser aplicada por ponto. A quantidade de punturas é variável, dependendo da extensão e do objetivo do tratamento. A distância entre as punturas também altera conforme o tratamento, podendo variar entre 3 e 5 cm. A velocidade do fluxo varia de 100 a 180 mlCO2/min, dependendo do volume do tecido adiposo (ABRAMO, 2010; BRANDI, 2001; COSTA, 2010). O CO2 atua primeiramente diminuindo o pH da região. A lise do tecido ocorre pela destruição mecânica do adipócito, ou seja, a velocidade infundida e a oxidação dos lipídeos da célula gordurosa induzidas pelo CO2 injetado no local. Ao mesmo tempo, a hipercapnia que se instala após a infusão do gás carbônico nos tecidos potencializa o efeito Bohr dentro das hemácias, desviando a curva de dissociação, o que aumenta a oferta de oxigênio aos tecidos (EGRAND et al., 2009). Resumo de adiposidade – métodode aplicação Punturado, sendo 1,5 a 2 ml por kg. Velocidade 100 a 180 ml CO2/min. Distância dos pontos: 3 a 5 cm. É necessário serem realizadas no mínimo dez sessões, com intervalos de 24 horas nas três primeiras e nas demais com intervalo de 72 horas. Já na hidrolipo com Carboxi (H.L.C que significa hidrolipoclasia não aspirativa), o procedimento consiste na aplicação de soro fisiológico na região com adiposidade localizada, em seguida é realizada uma sessão de ultrassom ou manthus e, para finalizar, 158 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 aplicação de carboxiterapia. Após um período de 48 horas é feita uma drenagem linfática manual (COSTA, 2011). O soro fisiológico em contato com o gás carbônico forma uma reação química, com liberação de íons, proporcionando um meio ácido no local da aplicação. Essa acidez tecidual confere um aumento da oxidação lipídica por meio da ativação das lipoproteínas lípases (LPL), potencializando o poder de lipólise (MENEGAT, 2014). Figura 32. Sequência da H.L.C. Aplicação de 20 ml de soro fisiológico em cada região Após 48hrs aplicação de DLM Aplicação de 5 minutos por ponto de Manthus ou US Aplicação de carboxiterapia forma puntural Fonte: Menegat (2015). RESUMO DE H.L.C. – MÉTODO DE APLICAÇÃO 1o DIA- DIA DE REDUÇÃO Punturado, sendo 5 ml por ponto corporal ou 1 ml para papada. Distância dos pontos: 3 a 5 cm corporal e 1 a 3cm papada. 159 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V U.S ou Manthus por 20 minutos no máximo, sendo 5 minutos por quadrante no mínimo. Também muito indicado atuar com US cavitacional onde obtemos melhores resultados. Carboxiterapia tradicional para gordura seguida de pontos de flacidez Paciente deve já sair da sessão com cinta de remodelar, chamadas cintas estéticas, que possuem barbatana a favor do músculo com alta compressão. 2o DIA – DIA DE REMODELAR Nesse dia precisamos criar novas formas corporais. Na cabeça do paciente, a redução de gordura já inclui formas corporais, mas a verdade é que se não entrarmos com procedimento para criar novas formas corporais isso não irá acontecer. É indicado qualquer tipo de tratamento para remodelar a área como: endermologia, vácuo, vibrocell, entre outros. Pode ser aplicado após novamente a carboxiterapia. Outro ponto importante a ser dito da HLC é que precisa pensar no que o paciente irá fazer em casa, por isso a importância da cinta em casa de 3 a 5 horas diárias, nutracêuticos como MOROSIL OU DIGLOTHIN, CACTINEA etc. Caso tenha interesse em saber mais sobre este assunto indico os seguintes artigos: » COSTA, C. S.; OTOCH, J. P.; SEELAENDER, M. C. L.; NEVES, R. X.; MARTINEZ, C. A. R.; MARGARIDO, N. F. Avaliação citométrica dos adipócitos localizados no tecido subcutâneo da parede anterior do abdome após infiltração percutânea de CO2. Rev Col Bras Cir. 2011; 38(1). » ERASO, Juan C.; MOTTA, Angela M. Hidrolipoclasia abdominal: Variaciones técnicas y resultados antropométricos en tres centros de medicina estética de Bogotá. Colegio Mayor de Nuestra Señora del Rosario Escuela de Medicina y Ciencias de la Salud Especialización en Medicina Estética 2011 » BRANDI, C.; D`ANIELO, D.; GRIMALDI, L.; BOSI, B.; DEI, I et al. Carbon Dioxide Theraphy in the Treatment of Localized Adiposities: Clinical Study and Histopathological Correlations. Aesthet Plast Surg. 2001; 25:170- 174. 160 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 » BROCKOW; HAUSNER; DILLNER; RESCH. Clinical Evidence of Subcutaneous CO2 Insufflations: A Systematic Review. J Altern Complement Med. 2000; vol 6 (5): 403. » ABRAMO, A. C. Infusão controlada de CO2: carboinsuflação. São Paulo: Ed. Do Autor, 2010. » MENEGAT, T. A. Guia Prático de Carboxiterapia. São Paulo, Ed. Aiko Ltda, 2014. F.E.G – Fibro Edema Geloide Disfunção que aparece em 99% da população feminina, a F.E.G, vulgo celulite. Hoje algumas pesquisas já consideram a F.E.G como característica ligada ao sexo feminino, sendo comum e normal tê-la antes dos 15 anos de idade. A F.E.G chega a atingir 80% das mulheres com mais de 35 anos de idade (CORRÊA, 2008). O tecido adiposo acumulado no corpo forma em certas regiões o aparecimento de celulites. As celulites aparecem graças ao mau funcionamento dos adipócitos, que retêm maior quantidade de líquido e maior teor de lipídeos, causando também má circulação na região, devido à compressão dos vasos sanguíneos pelo aumento do volume da célula (CORRÊA, 2008; LEE, 2010). Histologicamente, o tecido celulítico apresenta alteração do interstício, com aumento da viscosidade, hipo-oxigenação, estase venulocapilar e, caso não seja tratada, pode evoluir para um estágio de fibrose cicatricial (LEVER; LEVER, 1991). Apresenta-se em diferentes graus e tipos. Ela pode ser na forma flácida, que vem acompanhada de flacidez muscular e/ou tissular. Esse tipo ocorre mais em mulheres com o biotipo magro e com pele mais branca, pois são pessoas com menor quantidade de melanina e esta, por sua vez, também ajuda na tonicidade da pele. Outra forma é a compacta, que está associada a depósitos de gordura localizada, sem nenhuma diferença histológica. Existe também a forma edematosa, que é provocada pela retenção hídrica, e a forma mista, na qual podemos ter mais de um tipo de F.E.G. em um mesmo individuo (GUIRRO; GUIRRO, 2002). A F.E.G. foi classificada em vários estágios, e de acordo com o estágio em que se encontram as manifestações cutâneas, mostram-se mais exacerbadas. Atualmente, consideram-se os quatro estágios a seguir (CORRÊA, 2008): 161 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V » Estágio I ou Edematoso: só aparece quando fazemos compressão da região. Há uma alteração das células do tecido adiposo, porém a região afetada não apresenta modificação circulatória, nem dos tecidos de sustentação, apenas uma dilatação venosa. Não há sinais visíveis na pele nem dor nesse estágio da celulite. Ela só aparece quando fazemos compressão da região. » Estágio II ou Exsudativa: nesse estágio a F.E.G. caracteriza-se por uma alteração circulatória por compressão das microveias e vasos linfáticos. O sangue e a linfa ficam estagnados e, consequentemente, ocorre um edema intercelular. Também há um endurecimento do tecido de sustentação e as irregularidades na pele ficam aparentes, mas ainda não existe dor. » Estágio III ou de Fibrose: nesse estágio os recursos utilizados devem ser bem mais variados para que haja resultados consideráveis. A F.E.G apresenta-se com o aspecto de “casca de laranja” e fica dolorida. A fibrose se instala e a circulação fica comprometida. Vasinhos e microvarizes podem surgir, além de uma sensação de peso e cansaço nas pernas. » Estágio IV ou de Esclerose: é a fase considerada mais grave, com as fibras mais duras, formando nódulos, e circulação prejudicada. A pele apresenta depressões e tem aspecto acolchoado. Ocorrem aderências à aponeurose muscular. Na termografia, os aspectos anteriores aparecem verdadeiros “buracos negros”, que são regiões de circulação diminuída, representando a formação de fibroses. As pernas ficam pesadas, inchadas e doloridas e a sensação de cansaço é frequente, até sem o menor esforço. Atuação do CO2: O CO2 atua, sobretudo, na microcirculação vascular do tecido conectivo, promovendo vasodilatação e aumento da drenagem venolinfática. Com a vasodilatação, o fluxo de nutrientes aumenta, entre eles as proteinases necessárias para remodelar os componentes da matriz extracelular (MEC) (LEVER; LEVER, 1991; CORRÊA, 2008). A ação lipolítica oxidativa atua diretamente na etiologia da F.E.G. quebrando o círculo vicioso que envolve a alteração bioquímica do interstício (aumento de viscosidade), estase venulocapilar, com hipo-oxigenação e, consequentemente, sofrimento do adipócito. Como a microcirculação se altera na panicolopatia fibroesclerótica, o aumento do fluxo sanguíneo que a injeção de CO2 exerce importante papel no tratamento dessa patologia (LEVER;LEVER, 1991). 162 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 As punturas são unitárias, aplicadas no centro das ondulações. A aplicação inicia- se apenas com a ponta da agulha introduzida na pele e, posteriormente, esta será introduzida na gordura. Esta forma de aplicação estimula a vascularização e fibrogênese, melhorando a elasticidade e fortificando o tecido conjuntivo, provocando a lise dos lipídeos e, consequentemente, diminuindo a projeção do lobo de gordura (ABRAMO, 2010; CORRÊA, 2008; MENEGAT, 2014). RESUMO DE F.E.G. – MÉTODO DE APLICAÇÃO Punturado, sendo 1 a 2 ml por kg. Velocidade 100 a 180 ml CO2/min. Aplicado dentro de cada FEG. Lembrando que FEG flácida é necessário aplicar pontos para flacidez também. É necessário realizar no mínimo doze sessões, com intervalos de 24 horas nas três primeiras, e nas demais com intervalo de 72 horas. Caso tenha interesse em saber mais sobre este assunto indico os seguintes artigos: » ABRAMO, A. C. Infusão controlada de CO2: carboinsuflação. São Paulo: Ed. Do Autor, 2010. » MENEGAT, T. A. Guia Prático de Carboxiterapia. São Paulo, Ed. Aiko Ltda, 2014. » LEE, G. Carbon Dioxide Therapy in the Treatment of Cellulite: An Audit of Clinical Practice. Aesth Plast Surg (2010) 34:239–243. » CAMPOS, V.; BLOCH, L.; CORDEIRO, T. (2007) Carboxytherapy for gynoid lipodystrophy treatment: the Brazilian experience. J Am Acad Dermatol. 56:AB196. Atrofia linear cutânea A atrofia linear cutânea, comumente chamada de estria, refere-se a distúrbios estéticos de grande relevância social em razão de seu efeito no corpo e seu impacto no psicológico do indivíduo. Seu aparecimento geralmente se dá em adultos, mas pode ocorrer também em jovens, dependendo de fatores biológicos e mecânicos. São mais frequentes no sexo 163 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V feminino e surgem especialmente nos glúteos, mamas, abdome, flancos, dorso e coxa (SILVA; TAKEMURA; SCHWARTZ, 1999). Trata-se de uma distensão exagerada da pele, causada especialmente por ganho exagerado de peso, alterações hormonais tanto na puberdade quanto na idade madura, exercícios físicos abusivos e gravidez. Porém, fatores genéticos, uso de corticoides e déficit proteico podem desencadear aparecimento de estrias (SILVA; TAKEMURA; SCHWARTZ, 1999). São cicatrizes internas causadas pelo rompimento ou diminuição da conexão entre as fibras dérmicas, tais como colágeno e elastina. Apresentam-se na maioria dos casos paralelas entre si, atingindo variados comprimentos e larguras que vão de poucos milímetros até cerca de um centímetro. Inicialmente têm coloração vermelho escura, devido ao aumento da vascularização causado pelo processo inflamatório. Depois evoluem para uma tonalidade nacarada e, em pessoas de pele morena, podem apresentar uma coloração mais escura. Sua evolução pode variar de um até dois anos (BRANDI, 2004). As estrias podem aparecer em ambos os sexos, no entanto são predominantes nas mulheres. Nas meninas podem aparecer entre 12 a 14 anos e nos meninos entre 13 e 15 anos. Localizam-se frequentemente nos glúteos, seios, abdômen, coxas, região lombossacra, e são menos comuns, mas podem surgir na fossa poplítea, região ilíaca, tórax, antebraço e porção anterior do cotovelo (RESCH; JUST, 2004). A infusão controlada de CO2 tem sido aplicada no tratamento de estrias, alcançando grande sucesso como tratamento primário ou complementar, causando efeitos hemodinâmicos, fibrogênicos e vasculares, recuperando assim a aparência da atrofia linear cutânea (SILVA, TAKEMURA e SCHWARTZ, 1999). A aplicação controlada de CO2 apresenta metodologia própria em estrias. As aplicações devem ser realizadas superficialmente, com a agulha posicionada paralelamente à pele. O volume de CO2 por aplicação é mínimo e determinado pelo leito da estria (MENEGAT, 2014; BRANDI, 2004). Os efeitos hemodinâmicos, vasculares e fibrogênicos que se instalam nos tecidos após a aplicação do gás são os fatores indutores para recuperação da aparência das estrias. A ação conjunta desses fatores estimula o processo de transdução de sinais das fibras conjuntivas na matriz extracelular, remodelando o leito da estria. A vasodilatação, a formação de novos vasos sanguíneos e o aumento de fibras de colágeno e elástica, promovidas pela neofibrogênese na matriz extracelular, reduzem o comprimento, a largura e a depressão que caracterizam a atrofia tecidual das estrias. A fibrogênese é estimulada pelo fator de crescimento do fibroblasto básico e pelo fator de crescimento 164 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 transformador, sintetizados no local após a infusão do CO2 (SILVA; TAKEMURA; SCHWARTZ, 1999). Para eficácia no tratamento é importante que ele seja feito em pelo menos três ciclos de dez sessões aplicadas num intervalo de 72 horas, sendo que o segundo ciclo deve ser cerca de 30 dias após o primeiro e o terceiro deve ser seis meses após o segundo (BRANDI, 2004). A aplicação do gás deve ser bem superficial, apenas com a ponta da agulha. O efeito inicial é a hiperemia, causada pelo aumento da vasodilatação. O número de punturas é sempre elevado e determinado pela extensão do descolamento promovido pelo CO2, o que interfere também na distância entre uma aplicação e outra, pois o procedimento é determinado pela resistência que as fibras oferecem à difusão do gás (BRANDI, 2004). Continuo. Velocidade 100 a 180 ml CO2/min. Preenchimento da estria toda. É necessário serem realizadas no mínimo dez sessões, com intervalos de 72 horas ou uma vez por semana. Atualmente o melhor tratamento para estrias é jato de plasma (sem fulguração) seguido de carboxiterapia imediata e finalizando com sérum de fatores de crescimento. Uma aplicação por semana, por no mínimo 6 semanas. Caso tenha interesse em saber mais sobre este assunto indico os seguintes artigos: » ABRAM, A. C. Infusão controlada de CO2: carboinsuflação. São Paulo: Ed. Do Autor, 2010. » MENEGAT, T. A. Guia Prático de Carboxiterapia. São Paulo, Ed. Aiko Ltda, 2014 » DOMINGUES, A. C. S.; MACÊDO, C. S. A. C. Efeito microscópico do dióxido de carbono na atrofia linear cutânea. Trabalho de conclusão de curso (Fisioterapia). 131p Universidade da Amazônia. Belém/Pará: 2006. » MARSILI, C. Carboxiterapia – Sociedade Brasileira de Cirurgia e Medicina Plástica Estética – São Paulo, 2007. 165 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V » ALTCHEK, D.; SODRÉ, C.; AZULAY, D. Dermatologia. 4. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. Rugas, linhas de expressão e flacidez O envelhecimento celular é inevitável e acontece com todos os seres humanos, mais cedo ou mais tarde. Pode ser retardado, mas nunca paralisado. Pode ser acelerado sob a influência do meio ambiente. Num mesmo indivíduo, a pele pode estar preservada normalmente em áreas cobertas pela roupa, e mais envelhecida em áreas expostas à ação acumulativa das radiações solares (CARVALHO, VIANA e ERAZO, 2005). O processo de envelhecimento acomete todas as camadas da pele. Vamos ver o que ocorre fisiologicamente e o que acontece em cada camada nesse processo (GUIRRO; GUIRRO, 2002): » Epiderme: a epiderme se adelgaça em razão do aplainamento dos cones interpapilares e da diminuição do número e volume das células. » Derme: na derme ocorre a atrofia por destruição das fibras colágenas e fibras elásticas, dando à pele um aspecto característico, chamado de elastose solar. Ocorre frequentemente em regiões expostas às radiações dos raios ultravioleta do sol. » Tecido adiposo: a alteração da epiderme e da derme caracteriza-se pelo afinamento da pele cuja cor adquire tonalidade ligeiramente amarelada, com aparecimento de pregas, rugas, telengectasias (pequenos vasos) e manchas escuras (melanose solar). Envelhecer é natural e, para ser um processo sem traumas, alguns cuidados são necessários. Ao mesmo tempo em que cresce a expectativa de vida, valoriza-se cada vez mais a jovialidade. O envelhecimento é caracterizado pelodesgaste dos vários setores do organismo, gerando alterações no seu funcionamento (CARVALHO; VIANA; ERAZO, 2005). Há diferenças marcantes entre o envelhecimento intrínseco e o fotoenvelhecimento que são coerentes com as alterações bioquímicas e moleculares. No envelhecimento pela idade, a textura da pele é lisa, homogênea e suave, com atrofia da epiderme e derme, com menor número de manchas e discreta formação de rugas. No fotoenvelhecimento, a superfície da cútis é áspera, nodular, espessada, com inúmeras manchas e rugas profundas e demarcadas. 166 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 Histologicamente, a atrofia e a retificação da epiderme no envelhecimento cronológico contrastam com a acantose da pele actínica (CARVALHO; VIANA; ERAZO, 2005). Veja o esquema abaixo que resume o envelhecer. Figura 33. Esquema que resume como envelhecemos. Envelhecimento Cutâneo Desgaste Pele Sofre Modificam Alterações Decorrem de Fatores Irritações Ressecamento Flacidez Estresse Fumo Radiação Solar Externos Internos viscosidade Hidratação Elasticidade Glicosaminoglicana Ocorrem nas célula localizadas epiderme diminuem Renovação Celular chamada é elastina colágeno Gel coloidal perde Substância Gelatinosa formam derme perde Sofre redução qualidade quantidade Nutrir e oxigenar equilíbrio água toxinas capacidade manter reter eliminar Fonte: Menegat (2015). As rugas se dividem em: » Primária: depressão linear que interrompe a uniformidade da superfície cutânea por diminuição da camada hipodérmica ou por atrofia dérmica. » Secundária: continuação das rugas da primeira fase. A troca de fase é variável no tempo e depende de cada indivíduo, acentuando a profundidade inicial. » Terciária: a aparição tardia ocorre por ptose cutânea (queda ou deslocamento). É observável em uma pele que perdeu sua elasticidade 167 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V e tonicidade pelo peso do tecido, ou seja, por flacidez, levando ao deslocamento em queda da pele da face. Tipos de envelhecimento (CARVALHO; VIANA; ERAZO, 2005): » Envelhecimento verdadeiro intrínseco: esperado (previsível inevitável e progressivo). Pode ser retardado, mas nunca parado. » Envelhecimento extrínseco ou fotoenvelhecimento: por exposição continuada e abusiva aos raios solares. A pele apresenta, precocemente, alterações comuns à pele senil. Agora, falando dos tipos de rugas, temos dois descritos a seguir: Figura 34. Tipos de rugas. Rugas de expressão: é a acentuação permanente das pregas normais da face. Exemplos: pés de ,galinha (pequenas rugas do ângulo externo do olho); pequenas rugas peribucais (em torno da boca). Sulcos: os sulcos são secundários ao afrouxamento cutâneo muscular por alteração da derme-hipoderme e ação da gravidade. Exemplos: queixo duplo, sulcos nasogenianos - queda do tecido gorduroso contribui para acentuação dos sulcos (do nariz aos lábios). Fonte: Guia Prático de Carboxiterapia (2014). A flacidez é a falta de tonicidade da pele ou músculo. Ela se refere ao estado mobilizado, frouxo ou lânguido do tecido. Pode ser muscular ou cutânea, sendo a sua causa multifatorial, o que inclui fatores genéticos, ambientais e de maus hábitos, como o sedentarismo. Não há um fator único e específico que cause flacidez. Na flacidez tissular percebe-se que a maior incidência de casos é na mulher, em consequência de fatores hormonais e da gestação. Porém, outros fatores, como o excesso de sol (fotoenvelhecimento), sedentarismo, alimentação inadequada e efeito sanfona, contribuem para o envelhecimento fisiológico, que tem seu início por volta dos 30 anos. Os idosos também repõem menor quantidade de colágeno e elastina, que são as fibras 168 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 mais importantes da tonicidade da pele. Cirurgias que promovam perda de peso rápida também favorecem a flacidez. Diferença entre flacidez de pele e flacidez de músculos A flacidez tecidual ou tissular acontece quando a pele fica flácida, frouxa. Já a muscular ocorre quando os músculos se encontram de uma maneira “mole”, não tonificada. A pele geralmente está sobreposta ao músculo e acompanha a sua tonicidade. Se o músculo está flácido, a pele também parece flácida, porém, se a pele está flácida e o músculo tonificado, então a aparência não é tão evidente. A pele tem um tecido e o músculo tem outro. O músculo espessa ou “cresce” conforme os exercícios, já a pele não (GUIRRO; GUIRRO, 2002). Para um tratamento adequado, é necessária uma avaliação rigorosa com uma boa diferenciação dos dois tipos de flacidez (GUIRRO; GUIRRO, 2002). Veremos a seguir quais procedimentos devem ser adotados. » Flacidez dérmica: com os dedos polegar e indicador em forma de pinça aperte e estique a pele. Se a pele voltar ao normal e ficar esticada, não há flacidez dérmica. Mas, se demorar a normalizar, a flacidez está presente. » Flacidez muscular: contraia a musculatura da área. Se o músculo apresentar mobilidade e contornos não definidos, isso é sinal de flacidez. Para tratamento das rugas, a aplicação deve ser superficial, usando apenas a ponta da agulha com bisel voltado para a superfície, evitando que haja infusão de gás nos tecidos mais profundos e também no músculo orbicular. O volume aplicado por puntura não está relacionado com o peso do indivíduo, mas com a distensão tecidual provocada pela infusão do CO2. Os ciclos podem ser realizados em cinco ou dez sessões, dependendo da resposta do tecido ao tratamento (ABRAMO, 2010; MENEGAT, 2014). Novos estudos demonstraram que essa quantidade de fluxo pode ser menor, cerca de 60 a 150 ml/min, dependendo da pessoa, e que são necessárias no mínimo doze sessões. 169 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V Figura 35. Pontos básicos para aplicação facial. Linha segue a favor da musculatura Linha de expressão, ruga ou sulco a ser trabalhado, entra a agulha em paralelo a pele e retira com movimento de rotação Ponto a ser trabalhado para flacidez tissular, revitalização da pele e olheiras Fonte: Guia Prático de Carboxiterapia (2014). Os efeitos hemodinâmicos, vasculares e fibrogênicos que se instalam nos tecidos após a aplicação do gás são os fatores indutores para a recuperação da pele. A ação conjunta desses fatores estimula o processo de transdução de sinais das fibras conjuntivas na matriz extracelular, remodelando a região. A vasodilatação, a formação de novos vasos sanguíneos e o aumento de fibras colágenas e elásticas, promovidas pela neofibrogênese na matriz extracelular, reduzem o comprimento, a largura e a depressão que caracterizam a atrofia tecidual das rugas. A fibrogênese é estimulada pelo fator de crescimento do fibroblasto básico e pelo fator de crescimento transformador, sintetizados no local após a infusão do CO2 (ABRAMO, 2010). Dessa forma, a carboxiterapia no tratamento facial proporciona maior velocidade de troca (aumento do fluxo sanguíneo) e melhora da oxigenação tecidual. RESUMO DE RUGAS, LINHAS DE EXPRESSÃO E FLACIDEZ – MÉTODO DE APLICAÇÃO Contínuo. Velocidade 80 a 150 ml CO2/min. Dependendo da destreza do terapeuta. 170 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 Realizando sempre a favor da musculatura da região com distância de 2 a 3 cm de ponto para ponto. É necessário serem realizadas no mínimo dez sessões, com intervalos de 72 horas ou uma vez por semana. Em fumantes não fica tão bom o tratamento. Olheira As olheiras são caracterizadas pelo escurecimento causado pela hiperpigmentação periorbital nas pálpebras. Os motivos dessa hiperpigmentação podem ser genéticos; excesso de adiposidades localizadas na região dos olhos, cansaço, estresse, sono, tabagismo, falta de vitamina K podem ser fatores determinantes para o problema. Geralmente pessoas de pele fina também estão suscetíveis (ABRAMO, 2010). A carboinsuflação é um procedimento de caráter minimamente invasivo que ajuda a corrigir esta hiperpigmentação.A velocidade de fluxo nas aplicações varia de acordo com a distensão tecidual. São necessários no mínimo dois ciclos com intervalos de 120 dias entre si, sendo que cada ciclo é composto por dez sessões (ABRAMO, 2010). Indica-se um fluxo de 80 a 150 ml/min com aplicações contínuas. Figura 36. Pontos básicos para olheiras. OPÇÕES DE PONTOS Punctura separando a insuflação de pálpebras e bolsa Punctura para insuflação de pálpebras juntas Fonte: Guia Prático de Carboxiterapia (2014). Acne Acne é um distúrbio que ocorre quando os folículos pilosos ficam obstruídos por excesso de sebo e células mortas, contribuindo para colonização de bactérias que geram inflamação. Dependendo do grau, incidência, infecção e dimensão dos pontos de acne, a principal consequência são as cicatrizes que deixam. 171 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V O mecanismo de ação da carboxiterapia na acne é fator de hiperoxigenação, ou seja, ao infundirmos o gás carbônico medicinal, pelas laterais da acne, nunca em cima dela, levamos a uma hiperoxigenação da área. A bactéria presente se dissiparáa, levando a acne a secar em um prazo de até 24 horas. Método de aplicação Contínuo Velocidade: 60 a 80ml/min Aplicar na lateral da acne Caso tenha interesse em saber mais sobre este assunto indico os seguintes artigos: » ABRAMO, A. C. Infusão controlada de CO2: carboinsuflação. São Paulo: Ed. Do Autor, 2010. » MENEGAT, T. A. Guia Prático de Carboxiterapia. São Paulo, Ed. Aiko Ltda, 2014. » EGRAND, J.; BARTOLETTI, C.; PINTO, R. Manual Prático de Medicina Estética. Buenos Aires, Camaronês, 2009. » CARVALHO, A. C. O.; VIANA, P. C.; ERAZO, P. Carboxiterapia – Nova Proposta para Rejuvenescimento Cutâneo. São Paulo, 2005. DEEP CARBOXI - Descolamento Compartimental com Carboxiterapia Têm sido descritas várias técnicas de aplicação da carboxiterapia, e uma das mais importantes consiste nos níveis de aplicação de grande uso na estética facial. A partir desta e pelas propriedades específicas que o gás carbônico possui, passamos a realizar uma técnica profunda de descolamento em pontos específicos preestabelecidos sempre próximos à região óssea (criado pela Dra. Patricia Erazo – cirurgiã plástica em 2010). Em qualquer método de tratamento devemos sempre respeitar o grau e o tipo de envelhecimento. Em nossa avaliação devemos utilizar a escala de Glogau de envelhecimento, observe a figura abaixo. 172 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 Figura 37. Graus de envelhecimento. Tipo I Tipo II Tipo III Tipo IV Fonte: Menegat (2015) Tipo I – 20 a 30 anos, sem rugas, sem manchas ou com manchas leves, necessita pouca maquiagem Tipo II – 31 a 40 anos, rugas dinâmicas, lentigo, queratose, manchas moderadas, necessita maquiagem e creme antirrugas. Tipo III – 41 a 60 anos, rugas estáticas, discromias, queratose, telangectasias, maquiagem e creme habituais não são suficientes. Tipo IV – Mais de 61 anos, rugas estáticas e gravitacionais, cor amarela ou cinza, câncer de pele, maquiagem pesada Figura 38. Resposta orgânica perante a ação mecânica da infusão controlada do CO2 – DEEP Carboxi. O gás carbônico produz vasodilatação local com aumento do fluxo vascular, potencializando o efeito Bohr Consequentemente uma hiperoxigenação local dos tecidos Ao introduzir o gás no tecido subcutâneo provoca um deslocamento, um enfisema sem trauma Passa a cumprir as fases biológicas do processo de cicatrização incentivando a qualidade e agrupação de colágeno Fonte: Menegat (2015) 173 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V A aplicação do gás carbônico deve ser realizada nos dois planos: » Plano superficial: aplicação superficial do gás somente entrando a lança do bisel, para revitalização. Esse plano é realizado a cada aplicação por semana utilizando fluxo 80 a 100 ml/min. » Plano intermediário: descolamento de estruturas flácidas com fluxo contínuo de 80 a 100 ml/min Revejam os pontos da face superficial. » Plano profundo: realizado de maneira rápida, com agulha perpendicular chegando até o osso em pontos específicos de tração nas regiões mastoidea (retroauricular), malar, frontal zigomático e o platisma (não tem ponto ósseo de referência), clavícula. Consegue-se assim uma remodelação e levantamento dos tecidos moles. Imediatamente ao aplicarmos o gás de maneira rápida com fluxo contínuo de 80 a 150 ml/min realizamos com essa manobra um descolamento da face dos compartimentos específicos para logo reposicionar o retalho descolado, tracionando-o e levando-o para cima (vetores de tração). Após a aplicação do gás e o descolamento, produz-se a hiperemia, que é gerada pelo aumento da vascularização na região, sendo este o efeito químico do gás. Imediatamente em seguida aplicamos topicamente princípios ativos tensores, por exemplo, Argireline Densiskin ou DMAE. Faz-se massagem remodeladora tracionando o retalho descolado anteriormente com o gás, iniciando na clavícula, pescoço (platisma), região mandibular, zigomático, região periorbital e frontal com movimentos ascendentes para cima e para fora, simulando o lifting. O paciente deve continuar utilizando em casa creme com efeito tensor. O tratamento em face com DEEP Carboxi só pode ser feito a cada 21 dias, respeitando as fases de cicatrização de maneira prática dos 30 dias. Atualmente fazemos o descolamento compartimental em todos os graus de envelhecimento, dessa maneira reestruturamos e devolvemos volume na face envelhecida. GRAU 1 1 sessão por mês GRAU 2 1 sessão por mês x 2 meses GRAU 3 1 sessão por mês x 3 meses GRAU 4 1 sessão por mês x 4 meses 174 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 Alopecia O couro cabeludo é uma pele com abundância de pelos, ricamente vascularizado, que reveste o crânio humano. O crescimento do cabelo ocorre dentro do folículo piloso, contendo uma raiz e uma haste dentro de cada folículo, recobertos por melanina. Vale lembrar que a haste não tem células vivas, que estão presentes apenas na raiz, que penetra aproximadamente 2 a 4 ml na superfície da pele (ABRAMO, 2010). O crescimento dos fios não acontece gradualmente, mas em períodos cíclicos, apresentando-se em fase ativa, quando há intenso crescimento, fase de repouso e fase de queda. As alterações que interferem nesse segmento de fases é a seborreia (caspa), prurido e queda dos fios. A dermatite seborreica é causada pelo excesso de oleosidade ocasionada pela produção das glândulas sebáceas, e causa descamação no couro cabeludo. O prurido também pode ser causado pela oleosidade e intensificado em situações de estresse (ABRAMO, 2010). Porém, a calvície ou queda permanente do cabelo está relacionada com o comprometimento do folículo piloso, podendo ser considerada a mais grave alteração do couro cabeludo. O que influencia esse comprometimento pode ser o tabagismo, alterações hormonais, estresse, problemas nutricionais e quimioterapia. A causa mais grave é a alopecia androgenética, que destrói o bulbo capilar e o substitui por fibrose. Nas mulheres a alopecia geralmente compromete todo o couro cabeludo e, por outro lado, nos homens é mais comum o comprometimento central (SOUZA; GARCEZ, 2005). A infusão controlada de CO2 tem se destacado como terapia na medicina estética, uma vez que proporciona importante vasodilatação local e melhora do fluxo sanguíneo, melhorando a perfusão no local onde há queda. A hipercapenia resultante da administração do gás promove a vasodilatação e o consequente aumento do fluxo sanguíneo cutâneo, estimulando a celularidade e melhoria da fisiologia local. O CO2 auxilia na nutrição do couro cabeludo estimulando o folículo piloso, sendo o resultado o crescimento de um fio mais firme e grosso. RESUMO DE ALOPECIA – MÉTODO DE APLICAÇÃO Contínuo. Velocidade 80 a 100 ml CO2/min. São necessárias no mínimo dez sessões, sendo realizado duas vezes por semana e manutenção de três em três meses duas sessões. 175 INFUSÃO CONTROLADADE CO2 │ UNIDADE V Caso tenha interesse em saber mais sobre este assunto indico os seguintes artigos: » ABRAMO, A. C. Infusão controlada de CO2: carboinsuflação. São Paulo: Ed. Do Autor, 2010. » MENEGAT, T. A. Guia Prático de Carboxiterapia. São Paulo, Ed. Aiko Ltda, 2014. Microvasos Os chamados microvasos são um incômodo que notamos aparecer mais precocemente nas novas gerações. Pessoas cada vez mais jovens têm apresentado essas dilatações vasculares da pele, que representam uma dificuldade de retorno do sangue ao coração. Microvarizes ou telangiectasias, são varizes intradérmicas, superficiais e, por esse motivo, adquirem uma coloração mais avermelhada ou arroxeada. Podem ter várias causas, como a diminuição da velocidade de circulação sanguínea, dificuldade de fechamento correto das pequenas válvulas venosas e gestação, entre outras (SONMEZ et al., 2009). Um estudo recente demonstra que no Brasil há mais de 20 milhões de pessoas com esse problema. Dentre essas pessoas as mulheres são mais atingidas que os homens. Isso ocorre devido à progesterona que é um hormônio feminino que colabora com a dilatação da veia. Outros fatores hormonais como a gestação, menstruação e menopausa parecem ter relação com a maior facilidade de dilatação das veias. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular, alguns pesquisadores relataram que as terapias de reposição hormonal e anticoncepcionais aumentam o risco de varizes. Normalmente esses problemas aparecem por volta dos 30 anos de idade (SOUZA; GARCEZ, 2005). As artérias levam o sangue do coração para as extremidades, e as veias têm a função de levar o sangue de volta ao coração, impulsionado, principalmente pela bomba muscular das panturrilhas. Dentro das veias existem pequenas válvulas que impedem o retorno venoso para as extremidades. Quando as válvulas não se fecham adequadamente, acontece esse retorno, que se denomina refluxo. Quando acontece o refluxo, aumenta a quantidade de sangue dentro das veias, o que faz com que elas se dilatem. 176 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 A melhor forma de combatê-las é a prevenção, como evitar a permanência de pé sem mover-se por um longo tempo, manter as pernas mais elevadas e pouco dobradas, praticar exercícios regulares e, em casos selecionados, usar meia elástica (SOUZA e GARCEZ, 2005). A distensão tecidual produzida pelo gás, logo após a infusão, exerce forte pressão contra a parede externa da vênula, promovendo seu colapso. Conforme a pressão do gás vai diminuindo, o fluxo sanguíneo é aumentado (BORGES; SCORZA, 2008). Resumindo, a resposta em microvasos se desenvolve em duas etapas: a primeira de oclusão do vaso e a segunda sua dilatação, com o aumento do fluxo sanguíneo em seu interior. RESUMO DE MICROVASOS – MÉTODO DE APLICAÇÃO Contínuo. Velocidade 80 a 150 ml CO2/min. São necessárias no mínimo dez sessões, sendo realizadas uma vez por semana. Caso tenha interesse em saber mais sobre este assunto indico os seguintes artigos: » ABRAMO, A. C. Infusão controlada de CO2: carboinsuflação. São Paulo: Ed. Do Autor, 2010. » MENEGAT, T. A. Guia Prático de Carboxiterapia. São Paulo, Ed. Aiko Ltda, 2014. » CORASA, J et al. Uso da carboxiterapia no tratamento de distúrbios vasculares: resultados preliminares. SETEMBRO/OUTUBRO - Nº 5 - 2006 - Revista de Angiologia e Cirurgia Vascular. Ferida aberta e cicatrizes No ramo da cirurgia plástica, a carboxiterapia tem sido empregada para correção de irregularidades pós-lipoaspiração, ou mesmo no pré-operatório para melhorar a vascularização de retalhos cirúrgicos (ABRAMO, 2010; MARSILI, 2006; MENEGAT, 2014). 177 INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 │ UNIDADE V No estudo realizado por Brandi, em 2004, foi verificada uma melhora estatisticamente significativa no que diz respeito à elasticidade da pele e às irregularidades cutâneas pós- lipoaspiração. Com isso, podemos esperar efeitos positivos da terapia com CO2 sobre a adiposidade localizada e a elasticidade cutânea da pele em pacientes que realizaram lipoaspiração. O descolamento da pele provocado pelo gás leva à perda da integridade tecidual e à exposição do colágeno, com consequente ativação do processo de cicatrização (ABRAMO, 2010; MENEGAT, 2014). A carboxiterapia também pode ser indicada para o tratamento de cicatrizes aderentes após o transcurso do processo cicatricial (MARSILI, 2006). Isso se justifica pela ação mecânica do gás ao promover um “descolamento” das estruturas aderidas durante o processo de reparo tecidual, proporcionando efeitos benéficos à aderência cicatricial (ABRAMO, 2010; SILVA, TAKEMURA; SCHWARTZ, 1999). Durante um período de quatro anos, Wollina et al. (2004) trataram 86 pacientes com feridas crônicas (úlcera venosa crônica, úlceras neuropáticas, escaras, úlceras reumáticas) com aplicação transdérmica de CO2. Os achados apontam para uma mudança positiva na microcirculação e subsequente melhoria no tecido de granulação (quer cicatrização completa quer significativa diminuição da inflamação, dor e odor). O CO2, ao ser injetado na pele, estimula um processo de oxigenação tecidual imediata e tardia, com formação de novos vasos sanguíneos e linfáticos. Por isso é amplamente utilizado no tratamento de doenças vasculares, úlceras venosas e diabéticas, auxiliando na cicatrização de feridas. Apresenta ótimos resultados no tratamento das teleangiectasias, pois age na recuperação do endotélio (BORGES; SCORZA, 2008) O tecido cicatrizado formado possui as mesmas características da pele normal, auxiliando na recuperação de cicatrizes pós-cirúrgicas, sequelas de queimaduras, cortes e cicatrizes inestéticas (BORGES; SCORZA, 2008). RESUMO DE CICATRIZES E FERIDAS – MÉTODO DE APLICAÇÃO * Feridas abertas: cinco sessões em 24 horas e após isso a cada 72 até fechar a ferida. Introduzir a agulha na borda da ferida voltada para o centro da lesão, aplicar na forma de punturação 1 mlCO2/kg peso ponderal do paciente em velocidade de 60 a 80 mlCO2/min. Em fibroses de pós-lipoaspiração a agulha deve ser introduzida completamente. Serão cinco sessões realizadas a cada 24 horas com volume de 1,5 ml CO2/kg do peso ponderal, por punturação e velocidade alta de 150 ml/min. 178 UNIDADE V │ INFUSÃO CONTROLADA DE CO2 Figura 39. Pontos ferida aberta e cicatriz. Fonte: Menegat (2015). Caso tenha interesse em saber mais sobre este assunto indico os seguintes artigos: » ABRAMO, A. C. Infusão controlada de CO2: carboinsuflação. São Paulo: Ed. Do Autor, 2010. » MENEGAT, T. A. Guia Prático de Carboxiterapia. São Paulo, Ed. Aiko Ltda, 2014. » SONMEZ, A.; YAMAN, M.; YALÇN, O.; ERSOY, B.; SERIN, M.; SAY, A. Carbon dioxide therapy increases capillary formation on random pedicled skin flaps in the rat. J Plast. 2009; vol 62:236-237. » TORIYAMA, T.; KUMADA, Y.; MATSUBARA, T.; MURATA, A.; OGINO, A.; HAYASHI, H.; NAKASHIMA, H.; TAKAHASHI, H.; MATSUO, H.; KAWAHARA, H. Efeito do dióxido de carbono em pacientes portadores de arteriopatia periférica com isquemia crítica. Int Angiol. 2002. » WOLLINA, U.; HEINIG, B.; UHLEMANN, C. Transdermal CO2 Application in Chronic Wounds. The Int. J. of Low. 2004; vol3(2):103–106. 179 UNIDADE VIMICROAGULHAMENTO CAPÍTULO 1 Introdução O melhor método de revitalizar uma pele é provocar pequenas lesões, onde o corpo vai imediatamente começar a reparar a lesão. Esse é o princípio fundamental das micropunturas, também chamada de microagulhamento ou famoso Dermaroller®. A lesão tem que ser apenas grave o suficiente para desencadear os processos de cura, mas não é grave o suficiente para causar danos permanentes na pele (BAL, CAUSSIAN, PAVEL e BOUWSTRA, 2008) O mesmo princípio está por trás da maioria dos tratamentos a laser de rejuvenescimento, como laser de CO2 fracionado, peeling ácido e outros métodos minimamente invasivos. (FABBROCINI; PADOVA; VITA; NUZIO; PASTORE, 2009) Os skins rollers (Figura 42) têm sido usados para tratar grandes áreas comobjetivo cosmético e para aumentar a permeabilidade cutânea para administração de cosmecêutico (AUST, 2008). Após a perfuração transdérmica, pode ocorrer uma penetração do ativo muito maior na área tratada do que na área não tratada (FABBROCINI; PADOVA; VITA; NUZIO; PASTORE, 2009). Além disso, a inserção sequencial das microagulhas requer uma menor pressão a ser exercida na pele, lesionando menos tecido. Por isso, essa técnica, micropunturas, é uma maneira simples de aumentar a permeabilidade da pele, otimizando assim seus resultados. (FERNANDES 2008). 180 UNIDADE VI │ MICROAGULHAMENTO Figura 40. Alguns modelos de skin roller. Fonte: Menegat, (2015). Figura 41. O que faz? O que é? É o estímulo mecânico à produção de colágeno realizado por meio do rolamento de um cilindro com pequenas agulhas, que provocam micro lesões na pele. Fonte: Menegat (2015). Comparação O microagulhamento é um método alternativo à Luz Intensa Pulsada, Laser de CO2 e Peeling de alta concentração que agem de forma mais ablativa. O Microagulhamento age de forma construtiva (mais fisiológico), podendo ser utilizado em qualquer tipo de pele (BAL; CAUSSIAN; PAVEL ; BOUWSTRA, 2008). 181 MICROAGULHAMENTO │ UNIDADE VI A aplicação é uma alternativa mais segura e melhora as seguintes condições: » O microagulhamento cria mais de 500.000 canais em 5 minutos, até a derme, que é a maior obstrução à penetração de ingredientes ativos (AUST, 2008). » Os discos agulhados criam um dano mínimo à derme sem a remoção da epiderme saudável, o que acontece com a aplicação de outras técnicas. Pelo fato de a epiderme ficar intacta, o período de cicatrização é rápido. Então mais colágeno pode ser produzido naturalmente (FABBROCINI; PADOVA; VITA; NUZIO; PASTORE, 2009). As micropunturas agem mecanicamente, ou seja, um dispositivo de agulhamento que contém várias pequenas agulhas cirúrgicas, com comprimentos de agulha entre 0,13 e 3 mm; com diâmetro de aproximadamente 0,25 mm na sua base. O tratamento de laser de CO² fraccionado traz uma lesão térmica, trazendo diversas complicações. O princípio da micropuntura é o mesmo, desde o procedimento, mas sem ter as complicações que ele desenvolve. A produção de colágeno resultante irá avançar lentamente até meses após o tratamento (FERNANDES , 2008). FABBROCINI, G.; PADOVA, M. P.; VITA, V.; FARDELLA, N.; PASTORE, F.; TOSTI, A. Periorbital wrinkles treatment using collagen induction therapy. Surgical & Cosmetic Dermatology. 2009. 182 UNIDADE VI │ MICROAGULHAMENTO Figura 42. Laser e roller. Laser x Microagulhamento LASER MICROAGULHEMNTO Laser e ácido evaporam na epiderme. Extrato córneo Epiderme Derme Vasos sanguíneos Picadas de finas agulhas alcançam a epiderme e derme. Há uma queimadura de 2º grau. A maturação da pele pode levar um mês. Os canais picados fecham em 1 hora. Pele e epiderme permanecem intactas. Processo de cicatrização é imediato. Uma camada relativamente fina de colágeno novo cresce. A pele se torna mais fina no total. Um 2º tratamento, em geral, não é possível. Uma nova camada de colágeno está situada perto do cório. A pele se torna mais espessa. O tratamento pode ser repetido várias vezes. Fonte: Barretto (2010). Fonte: Barretto (2010). Assim, resumimos as vantagens do microagulhamento: O procedimento permite estímulo na produção de colágeno sem remover a epiderme. O tempo de cicatrização é mais curto, e o risco de efeitos colaterais é reduzido em comparação ao de técnicas ablativas. 183 MICROAGULHAMENTO │ UNIDADE VI A pele se torna mais resistente e espessa, divergindo de técnicas ablativas, em que o tecido cicatricial resultante está mais sujeito ao fotodano. Tem sua indicação ampliada a todos os tipos e cores de pele, e pode ser utilizada também em áreas de menor concentração de glândulas sebáceas. Baixo custo quando comparado ao de procedimentos que exigem tecnologias com alto investimento. 184 CAPÍTULO 2 Os Mecanismos da Micropuntura Mecanismo de ação As microagulhas penetram nas camadas basais da pele (epiderme e derme), criando milhares de microlesões, provocando assim, uma lesão intencional na pele. Isso cria um caminho para os cremes cosméticos penetrarem mais facilmente, aumentando muito a sua eficácia. Como há pele intacta ao redor das lesões, ela reage para cicatrizar a pele agredida. Ao fazer isso, grande quantidade de colágeno é produzida em toda a área (BAL; CAUSSIAN; PAVEL; BOUWSTRA, 2008). Esse é o mesmo princípio do “Laser de CO2 fracionado”, um excelente equipamento, porém de custo mais elevado e não pode ser realizado por qualquer profissional (FABBROCINI, PADOVA; VITA; NUZIO; PASTORE, 2009). A expressão “fracionado” significa, explicitamente, que em torno de mínimas lesões ficam áreas intactas de pele, o que é determinante para uma rápida recuperação do paciente submetido a esse tipo de tratamento (FERNANDES , 2008). Produção Natural de Colágeno (PNC) Inúmeras rotas micro transcelulares induzem uma aceleração na cicatrização por meio da produção natural de colágeno nas camadas dérmicas. Sistema de Acesso Transdermal de Ingrediente (SATI) As rotas de absorção de ingredientes ativos se dão por meio da penetração das agulhas na epiderme e derme. O microagulhamento cria canais profundos até a derme da pele, que é a principal obstrução na penetração de ingredientes ativos. Os ingredientes ativos presentes nos produtos de tratamento de pele podem alcançar as partes mais profundas da pele com mais eficiência do que se fossem aplicados de maneira tópica, como ácido hialurônico, vitamina C, DMAE, entre outros. A vantagem desse procedimento é ser feito em consultório, ter custo baixo, ser bem tolerado, com período curto de recuperação e com pouca dor. A expectativa é de melhora após a primeira sessão dependendo do tamanho da agulha (AUST, 2008). 185 MICROAGULHAMENTO │ UNIDADE VI Cicatrização Imediatamente após a lesão, ocorre hemorragia mais ou menos importante, porque vasos sanguíneos (capilares, artérias e veias) são seccionados durante a lesão (BALBINO, PEREIRA e CURI, 2005). Depois de um determinado tempo ocorre o fenômeno da homeostasia, devido à coagulação; esse fenômeno acontece nos primeiros minutos após a lesão e tem como objetivo impedir a perda sanguínea (BALBINO; PEREIRA; CURI, 2005). Fases da cicatrização Independentemente do tipo da ferida causada e da extensão de tecido afetado, qualquer cicatrização de uma ferida é realizada por fases. A subdivisão em fases baseia-se nas modificações morfológicas básicas que acontecem durante o processo de cicatrização sendo (BALBINO, PEREIRA e CURI, 2005): » fase inflamatória e/ou exsudativa; » fase proliferativa: reconstrução dos tecidos granulares; » fase de maturação: maturação e epitelização. Figura 43. A Fases da cicatrização. Fonte: https://www.plasticadosonho.com.br/blog/outras-cirurgias/processo-de-cicatrizacao/. Inicia-se uma ferida profunda na pele provocada por lesão dos vasos sanguíneos. Forma- se um coágulo sanguíneo que, ao secar, constitui uma crosta. Tem início o processo de reparação, um tecido cicatricial se forma. Ao mesmo tempo, as células epiteliais se multiplicam e preenchem a região entre tecido cicatricial e crosta. Quando o epitélio 186 UNIDADE VI │ MICROAGULHAMENTO está completo, a crosta cai. O resultado é uma camada regenerada e íntegra de epitélio sobre a região da cicatriz. Fase inflamatória/exsudativa A fase inflamatória/exsudativa inicia-se desde o momento da lesão, e a sua duração é aproximadamente de três dias, que dependem das condições fisiológicas (BALBINO, PEREIRA e CURI, 2005). É caracterizada pela homeostase, coagulação, ativação da resposta imune local, fagocitose e migração celular. Por meio do aumento da permeabilidade vascular é possível intensificar a quantidade de plasma sanguíneo no espaço intersticial. Com isso é iniciada a migração dos leucócitospara a área da lesão, principalmente neutrófilos e macrófagos cuja função prioritária consiste em limpar e proteger a ferida de possíveis infecções pela fagocitose. Ao mesmo tempo mediadores liberam substâncias que ativam células de grande importância para a fase seguinte do processo curativo da ferida. A inflamação é caracterizada por apresentar quatro sintomas: rubor, calor, tumor e dor (BALBINO, PEREIRA e CURI, 2005). Na fase inicial da inflamação prevalecem os neutrófilos, que se encarregam de liberar substâncias diversas (os mensageiros estimulantes da inflamação, as citocinas), preponderantes na fagocitose de bactérias. Isso representa uma primeira limpeza da ferida. Transcorridas 24 horas e depois dos granulócitos, ocorre migração dos monócitos para o setor da ferida continuando a fagocitose, e intervindo de um modo decisivo no sucesso de limpeza da ferida dado que libertam fatores de crescimento e citocinas (BALBINO, PEREIRA e CURI, 2005). Figura 44. Pós roller imediato apresentando rubor, calor e tumor. Foto: Menegat (2015). 187 MICROAGULHAMENTO │ UNIDADE VI Fase proliferativa Na segunda fase da cura da ferida a proliferação celular prevalece, com o propósito de alcançar a reconstrução vascular e de recheio da área da lesão por meio do tecido de granulação (BALBINO, PEREIRA e CURI, 2005). Essa fase começa aproximadamente a partir do quarto dia desde que a lesão ocorreu e as condições necessárias já foram previamente estabelecidas na fase inflamatório/ exsudativa: os fibroblastos podem migrar até o coágulo e retícula de fibrina, que foram formados por meio da coagulação sanguínea, e usar isso como útero temporário. As citocinas e os fatores de crescimento estimulam e regulam a migração e proliferação de novas células (BALBINO; PEREIRA; CURI, 2005). Ocorre simultaneamente reconstrução vascular, porém o novo capilar tem uma capacidade de resistência menor. Em interdependência temporária com a reconstrução vascular, a partir do quarto dia após lesão, é necessário preencher a área lesionada com tecido novo (BALBINO; PEREIRA; CURI, 2005). Os fibroblastos produzem colágeno que amadurece fora das células até se tornar uma fibra e proteoglicanos que constitui a substância básica de tipo gelatinoso do espaço extracelular (BALBINO; PEREIRA; CURI, 2005). Figura 45. Fase de proliferação. 1 SEMANA PÓS ROLLER Fonte: Menegat (2015). 188 UNIDADE VI │ MICROAGULHAMENTO Fase de maturação Por volta do 24o dia inicia-se a maturação das fibras de colágeno. A ferida contrai, diminui a presença vascular e a quantidade de água no tecido granular que ganha em consistência. A epitelização encerra o processo de cura da ferida. (BALBINO; PEREIRA; CURI, 2005) Esse processo inclui a reconstrução das células da epiderme pela mitose e a imigração celular, principalmente das bordas da ferida. É uma fase final em que observamos inicialmente um tecido frágil e rosado, o qual lentamente perde sua coloração inicial, tornando-se mais pálido e mais forte (BALBINO; PEREIRA; CURI, 2005). É a fase mais longa do processo de cicatrização. O tecido cicatricial, após a finalização do processo, não ultrapassa 50% da força tênsil nos primeiros três meses pós-lesão (BALBINO; PEREIRA; CURI; 2005). Figura 46. Fases da cicatrização. Inflamação Proliferação Remodelação N ° c el ul ar re la tiv o Tempo (dias) 3 20 100 Fibrócito Neutrófilo Macrófago Fibroblasto Miofibroblasto Endoteliócito Fonte: https://plasticaplexus.com.br/cirurgia-plastica/cicatrizacao/. 189 MICROAGULHAMENTO │ UNIDADE VI Equipamentos Existem diversos equipamentos e marcas no mercado hoje em dia, mas o mais importante é que, seja qual for a marca, ela tenha a liberação da ANVISA para o equipamento ser vendido. Cuidados antes de comprar De um modo geral, nunca pedir um roller se for muito barato, pois não existe roller com liberação da ANVISA por valor baixo. Sempre comprar de uma empresa respeitável, e não de alguma loja desconhecida. Saber exatamente o modelo de roller específico que você está pensando adquirir. Ter cuidado extra com roller sem marca. Se um vendedor ou site afirmar que eles são de fabricação própria, esse produto será altamente suspeito. Os produtos com registro na ANVISA não têm necessidade de colocar o logo no aparelho, mas precisam ter na embalagem o número da ANVISA. Hoje em dia existem os chamados rollers (diversos tamanhos de agulha) e o mesmo procedimento pode ser realizado com equipamento dermógrafo, igual ao utilizado em micropigmentação e os dermo pen (caneta específica para micropuntura). Diferença entre Dermaroller® - skin roller e Dermapen® Com o Dermapen® é você que move o dispositivo sobre a pele, em vez de o dispositivo produzir o movimento “em si”, como um trem nos trilhos, ou, uma analogia melhor, uma peça sobre a outra roda dentada. É você que move um Dermaroller® ─ skin roller, mas sempre de forma imutável ─ em frente. Isso é muito importante, pois assegura que, no referido princípio, é impossível provocar lesões desnecessárias na pele. Quando a “fila” de agulhas é levantada para fora da pele, elas não podem “rasgar a pele”, porque a “linha do meio” e “linha de frente” são para garantir o skin roller firmemente no lugar, ou seja, não o torna flexível (LEWIS, 2014) Não é assim com o Dermapen®. Ele funciona como uma máquina de tatuagem com muitas agulhas. A grande vantagem desse sistema é que você pode movê-lo em qualquer direção com qualquer velocidade, e que, enquanto você estiver em movimento, as agulhas entram e saem em uma velocidade muito alta. A velocidade das agulhas é 190 UNIDADE VI │ MICROAGULHAMENTO independente da velocidade que se está movendo com a caneta. Isso é o oposto do que acontece com um skin roller que se move com a velocidade exata que você está movendo a cabeça de rolo (LEWIS, 2014). Figura 47. Dermapen®. Fonte: Youtube vídeo carregado por Dermapen®, utilizado em Fair Use. URL: http://www.youtube.com/watch?feature=player_ detailpage&v=29bWwHzl1ec. Outra diferença é que os skin roller são descartáveis, ou seja, para uma única utilização, já nos Dermapen® será descartado somente o cabeçote das agulhas, tendo um custo menor. Outro substituto para o Dermapen® seria o dermógrafo de micropigmentação, mas com a desvantagem de que com ele só se consegue trabalhar dentro dos sulcos, rugas e estrias, porém o custo menor ainda, uma vez que só há necessidade de trocar as agulhas (LEWIS, 2014). Atualmente, o Smart Derma Pen® é o único com ANVISA no Brasil. Nele você só troca o cabeçote como citado acima e pode regular o tamanho da agulha pelo próprio aparelho, diferente do roller que é necessário comprar no tamanho da agulha que se deseja utilizar. A versatilidade da caneta atualmente é maior no rosto pois existem áreas com maior e menor quantidade de gordura e nesse momento pode-se diminuir o comprimento da agulha para que não haja desconforto para o paciente. 191 MICROAGULHAMENTO │ UNIDADE VI Figura 48. Troca da ponteira das agulhas. Fonte: https://www.bleymed.com.br/p/995/caneta-eletrica-de-microagulhamento---smart-dermapen---smart. Figura 49. Diferença entre skin roller e Dermopen®. Fonte: www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=29bWwHzl1ec. 192 UNIDADE VI │ MICROAGULHAMENTO Figura 50. Dermógrafo de micropigmentação que pode ser usado em micropunturas. Fonte: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-852022071-dermografo-para-micropigmentaco-dermomag- pen-com-fonte-_JM. Indicações e contraindicações Indicações Os tratamentos com a técnica de microagulhamento são: » rugas e linhas de expressão; » auxiliar no tratamento de manchas; » cicatrizes, inclusive de acne e de queimaduras; » aumento da penetração de princípios ativos; » melhoria na textura da pele; » estrias brancas e vermelhas; » revitalização da face; » alopecia; » hipo ou hiperpigmentação; » poros dilatados; » resurfacing da pele; 193 MICROAGULHAMENTO│ UNIDADE VI » pele danificada pelo sol; » flacidez leve; » revitalização do colo e mãos. Contraindicações » lesões cancerígenas; » verrugas; » hiperqueratose solar; » psoríase; » infecção no sítio de aplicação (ainda que sejam lesões acneicas infectadas); » herpes ou acne ativa; » uso de anticoagulantes; » distúrbios de coagulação. Apesar de não haver contraindicação, evite o uso em diabéticos e imunodeprimidos em função da maior facilidade de adquirirem infecção (AUST, 2008; FABBROCINI; PADOVA; VITA; NUZIO; PASTORE, 2009; FERNANDES; MASSIMO, 2008). 194 CAPÍTULO 3 Aplicação da Micropuntura Primeiro passo 1. Assinar termo de consentimento. Segue um exemplo do termo: Quadro 11. Termo de Consentimento. TERMO CONSENTIMENTO – MICROPUNTURA Eu, _________________________________, portadora do R.G____________________, CPF____________________, estou ciente de que esse procedimento irá provocar na pele: hiperemia (como queimaduras solares), deixá-la sensível, podendo ficar um pouco edemaciada por várias horas. Durante todo o tratamento: Não usar nenhum cosmético sem o consentimento da Dr(a). A descamação após roller pode ocorrer a partir do 3º dia, podendo ficar descamando por até 8 dias. Neste período usar somente loção hidratante (indicada pela profissional) e protetor solar fator 60. NUNCA PUXAR A PELE QUE ESTIVER SOLTANDO. Por quatro semanas não se deve ir à praia ou piscina. Não são todas as peles que descamam. Há tipos de peles que são mais resistentes. Isso não significa menor eficiência do tratamento. Importante: uso de fotoprotetor fator 60, aplicado duas a três vezes ao dia, mesmo se o dia não estiver ensolarado. A pele após aplicação do roller estará mais sensível. Lavar o local somente com sabonete neutro duas vezes por dia: manhã e noite. Não usar maquiagem por dois dias. Usar de quatro a oito vezes ao dia cosmético indicado pelo(a) Dr.(a)________________. Se estiver ardendo ou com irritação, borrifar água termal ou bepantol liquid; ou fazer compressa com esses mesmos produtos ou soro fisiológico gelado. Deverão ser evitados por duas semanas: banho quente, entrar no carro quente, secador de cabelo, chapinha, exposição solar, enfim, tudo que possa esquentar a pele que foi tratada. São Paulo, ___________ de ________________ de 20____ Afirmo que li e entendi todas as explicações relacionadas com o procedimento de micropunturas que irei realizar de livre e espontânea vontade. Assinatura:______________________________________________ Fonte: Menegat (2015). 2. Aplicar anestésico, pode ser Emla®, ou manipular lidocaína 2 a 10%, deixando agir por 20 a 30 min. É necessário aplicar uma grande quantidade e fazer a oclusão para melhor absorção. 3. Higienizar a área com clorexedina alcoólica. 195 MICROAGULHAMENTO │ UNIDADE VI Figura 51. Clorexidina. Fonte: Menegat (2015). 4. Aplicar o roller, laminando a área ou dermógrafo ou Dermapen® dentro dos sulcos. Deve ser aplicado de quatro a oito vezes em cada direção. Figura 52. Como passar o roller. PRESSÃO MODERADA NO MÍNIMO 4X EM TODOS ATÉ UM PADRÃO UNIFORME DE PETÉQUIAS APARECER. Fonte: BAL, CAUSSIAN, PAVEL e BOUWSTRA (2008). 196 UNIDADE VI │ MICROAGULHAMENTO Verificar o tamanho da agulha perante o distúrbio estético a ser tratado conforme o quadro abaixo: Quadro 12. Tamanho das agulhas e suas indicações PATOLOGIAS TAMANHO AGULHA Aumentar a penetração de cosméticos ou crescimento de cabelo Máximo 0,3 mm Rugas finas 1-1,5 mm Rugas médias/profundas 1,5 a 2,5mm Fotoenvelhecimento 1,0 a 1,5 mm. Flacidez tissular 1,5mm e áreas sensíveis 0,5mm Manchas 0,5 a 1,0 mm Cicatrizes de acne/queimaduras 1,5 a 2,5mm Cicatrizes e estrias 1,0 a 1,5mm Fonte: Menegat (2015). Figura 53. Tamanho das agulhas perante penetração na pele. Fonte: https://portuguese.alibaba.com/product-detail/pex-laser-new-600-needles-360-degree-rotating-micro-needle-derma- roller-60549418146.html. 197 MICROAGULHAMENTO │ UNIDADE VI Também deve-se atentar para a região a ser laminada, principalmente quando trabalhada para foto revitalização. O intervalo entre as sessões depende do tamanho da agulha: » 0,2 ou 0,25 mm: pode ser usada todos os dias. » 0,3 a 0,5 mm: pode ser utilizada uma vez por semana. » 1 a 1,5 mm: pode ser usada de duas em duas semanas. » 2,0 a 2,5 mm: pode ser usada apenas uma vez cada três a quatro semanas. 5. Aplicar o cosmético desejado, exemplo DMAE 10%, fatores de crescimento, vitamina C etc. 6. Laminar mais uma vez. 7. Pode-se realizar compressa de soro fisiológico gelado para aliviar a sensação de queimação ou utilização de skin cooler. Figura 54. Skin Cooler. Fonte: https://www.utilidadesclinicas.com.br/rolo-p-resfriamento-de-pele-mini-skin-cooler-14583.html. 8. Indicar o cosmético correto para o paciente usar em casa. 198 UNIDADE VI │ MICROAGULHAMENTO Pós roller Se você rolar com agulhas 0,5 mm ou menos, não necessita de cuidado especial após a sessão. Se você rolar com agulhas mais longas do que 0,5 mm, a pele fica com hiperemia (como queimaduras solares), sensível e pode ficar um pouco edemaciada por até 72 horas. Manter a área úmida. Para a primeira semana, a melhor escolha é cobrir a área com uma camada muito fina de uma pomada oclusiva que contenha vitaminas A e D. Não expor as áreas de laminados ao sol por dez dias e, posteriormente, usar um protetor solar com um elevado fator de proteção. Esperar dois ou três dias para a aplicação de maquiagem. A área de laminados pode começar a descamar depois de três a cinco dias. Não se deve puxar a pele solta (BAL; CAUSSIAN; PAVEL e BOUWSTRA, 2008; FERNANDES e MASSIMO, 2008). 199 UNIDADE VIICRIOLIPÓLISE CAPÍTULO 1 Introdução à Criolipólise Introdução Nos tempos atuais, ter um corpo bem definido é o desejo de quase todas as mulheres. Os padrões de beleza impostos pela mídia e pela sociedade acabam mobilizando o indivíduo em sua percepção de si e, concomitantemente, afetando sua autoestima. (FERRAZ, SERRALTA, 2007). Na busca de um padrão estético social, é cada vez maior o número de mulheres que recorrem a diversas terapias, com o intuito de minimizar as disfunções estéticas (ROCHA, 2013). Ao longo da vida algumas áreas corporais apresentam nítidas alterações morfológicas com efeito antiestético, sendo as mais acometidas as regiões de abdômen e flancos. Essa gordura localizada se dá por uma hipertrofia das células adiposas uniloculares, que levam as pessoas de ambos os sexos, principalmente o feminino, a procurarem recursos para eliminá-las (ALBUQUERQUE; MACEDO). A síndrome da desarmonia corporal (SDC) é denominada como o conjunto de alterações estéticas, como a fibroedema geloide (F.E.G), adiposidade localizada, aumento de gordura corporal total e flacidez muscular. Essas alterações estéticas causam grande impacto na imagem corporal, que são fortemente influenciadas pela mídia. Como estão quase sempre associadas, os tratamentos estéticos devem considerá-las conjuntamente, a fim de promover ou manter a harmonia corporal. Esse conjunto de quesitos favorece o desenvolvimento de novas tecnologias que objetivam a remodelação corporal, principalmente, tendo em vista que as dietas associadas à atividade física muitas vezes não são capazes de remover a gordura localizada de determinadas regiões (FERRAZ; SERRALTA, 2007). 200 UNIDADE VII │ CRIOLIPÓLISE O procedimento de lipoaspiração está associado a grandes índices de significativas complicações de morbidade e mortalidade, podendo ocorrer tanto no processo operatório quanto no pós-operatório, e vão desde as complicações clássicas até o surgimento de outras imperfeições estéticas (ROCHA, 2013). Tendo em vista os riscos e a forma invasiva da lipoaspiração, despertou-se uma contínua busca por tecnologias não invasivas de modelação corporal (AVRAM; HARRY, 2009) com o mínimo de efeitos colaterais para facilitar ao indivíduo sair do procedimento e retornar à vida normalmente, sem restrições (ROCHA,2013). Em decorrência das inovações tecnológicas associadas aos riscos inerentes a esse procedimento, o número de cirurgias de lipoaspiração tende a diminuir com a introdução de recursos não invasivos. Dentre as tecnologias não invasivas, cita-se a criolipólise, a radiofrequência e ultrassom cavitacional. Alguns fabricantes conseguiram reunir diferentes modalidades de tecnologias, como criolipólise, radiofrequência e ultrassom cavitacional numa mesma plataforma. Diversas técnicas não invasivas, como ultrassom, radiofrequência, laser, luz infravermelha, dentre outros, vêm sendo aplicadas (AVRAM; HARRY, 2009). A mais nova técnica não invasiva é a criolipólise, que foi elaborada para reduzir significativamente a espessura da camada de gordura, sem danos para a pele ou outros tecidos circundantes. A técnica está no mercado há pouco tempo (em 2011 chegou no Brasil) e já é um sucesso absoluto em centros estéticos. No entanto, desde a década de 70, alguns estudos já eram feitos para transformar o tratamento no que ele é hoje. O que é criolipólise? A criolipólise é um método de congelamento feito para destruir a gordura localizada. Isso porque os adipócitos são extremamente sensíveis ao frio, por isso o congelamento intenso e localizado causa sua destruição. A técnica foi descoberta na última década pelos médicos Rox Anderson e Dieter Manstein, pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. A palavra Cryo derivada do grego Kryos, significa gelo, frio, e constitui, na atualidade, uma das mais modernas técnicas de redução de medida corporal (COLEMAN et al., 2009) A criolipólise designa o uso de crioterapia (frio) em temperaturas abaixo de -1°C; trata-se de um recurso seguro, aprovado pela Health Canadá e pela Food and Drug Administration (FDA) e tem sido apresentada como um novo método de redução da 201 CRIOLIPÓLISE │ UNIDADE VII camada de gordura de maneira não invasiva. Os primeiros estudos, que objetivavam comprovar a eficácia da técnica para a redução da espessura da camada de gordura, deram-se em um modelo suíno de Yucatán (ROCHA, 2013). A exposição desses animais ao frio demonstrou que a criolipólise pode promover uma redução de 30% a 50% na espessura da camada de gordura deles. Já em humanos os estudos têm apontado uma redução de 20% a 26% da camada de gordura no local exposto ao frio 4-6 meses após o tratamento (KENNETH et al., 2009). Tanto em humanos quanto em animais, o tratamento com a criolipólise não causou nenhum tipo de dano permanente à pele ou a outras estruturas, nem alterações no perfil lipídico, incluindo colesterol total, lipoproteína de baixa e de alta densidade, colesterol e triglicérides (COLEMAN et al., 2009). O sistema de congelamento a vácuo assistido age no tecido adiposo promovendo a lipólise e consequente redução de medidas (JEWELL; SOLISH; DESILETS, 2011; ZELICKSON et al., 2009). A criotermolipólise é a mais nova técnica não invasiva de remodelação corporal e eliminação da gordura localizada e, consequentemente, da Fibro Edema Geloide - F.E.G (JEWELL; SOLISH; DESILETS, 2011; ZELICKSON et al., 2009). Trata-se, portanto, de um método revolucionário, que consiste no resfriamento do tecido induzindo o organismo a um efeito em cascata. A exposição do corpo a baixas temperaturas faz com que o organismo acelere o metabolismo a fim de quebrar a gordura localizada no intuito de elevar a temperatura corporal, gerando uma segunda produção de energia. Isso leva ao aumento da vasodilatação e aporte nutricional ao tecido, ocasionando a remoção de toxinas e o excesso de água (ROCHA, 2013). A exposição ao frio aumenta a necessidade de produção de calor pelo corpo. A redução da camada de gordura acontece de maneira gradual ao longo do tempo, sendo os adipócitos removidos por meio de um processo inflamatório, o qual gera um processo de compensação e atinge o pico 2 a 3 meses após a exposição ao frio. 202 CAPÍTULO 2 Os Mecanismos da Criolipólise Mecanismo de ação A exposição ao frio aumenta a necessidade de produção de calor pelo corpo a fim de promover a homeotermia por meio da liberação de hormônios pelo hipotálamo, que induzem a utilização dos ácidos graxos livres como substratos energéticos nas mitocôndrias, promovendo um dispêndio de energia, ou seja, o aumento das taxas metabólicas (ROCHA, 2013). Os adipócitos são afetados seletivamente pelo frio, podendo ocorrer um processo inflamatório no local da aplicação. Há, portanto, lesão apenas nas células de gordura, mantendo-se íntegras as outras estruturas ao redor do adipócito. De 24 a 72 horas após a exposição, essas células lesionadas pelo frio iniciam uma resposta inflamatória controlada. Depois de danificadas, as células afetadas são excretadas através do metabolismo (COLEMAN et al., 2009). Figura 55. Esquema resumido de Homeotermia. Hipotálomo induzem como promovendo Substratos energéticos nas mitocôndrias Utilização dos ácidos graxos livres Liberação de hormônio s Homeotermia Fonte: Menegat (2015). Estudos histológicos comprovam que, após a exposição ao frio, ocorre apoptose dos adipócitos com posterior fagocitação deles pelos macrófagos. O processo inflamatório 203 CRIOLIPÓLISE │ UNIDADE VII estimulado por apoptose dos adipócitos se inicia três dias após o tratamento com pico em torno de 14 a 30 dias. Após esse período e até o 30° dia, o processo inflamatório reduz consideravelmente e a atividade dos macrófagos é intensificada, por conseguinte, os resultados clínicos começam a ficar mais evidentes. Em aproximadamente 60 dias após a conclusão da sessão, diminui-se o volume das células com espessamento de septos interlobulares. (COLEMAN et al., 2009) Lesão apoptose O termo apoptose, do grego apó = separação, ptôsis = queda, adotado pela primeira vez na década de 70, designa a forma fisiológica de morte celular e ocorre segundo programa genético que desencadeia um processo de autodigestão controlada, seguida da remoção de células lesadas, senescentes ou imprestáveis, sem alteração do microambiente celular (ROCHA, 2013). A apoptose ocorre como parte de um processo normal, muitas vezes é um benefício para o organismo, tendo em vista que atua como um mecanismo de defesa. A célula recebe um sinal para se autodestruir, reduz seu tamanho, quebra a cromatina em pedaços e se torna facilmente fagocitada (COLEMAN et al., 2009). Milhões e milhões de células do nosso organismo morrem a todo momento. Isso acontece porque na maioria das vezes tais células precisam praticar o suicídio para a sobrevivência do próprio organismo. A apoptose das células gordurosas (adipócitos) é iniciada quando essas células são resfriadas a temperaturas de 0°C, entretant a destruição dos adipócitos não afeta de forma significativa os níveis séricos de lipídeos ou testes de função hepática. Isso pode ser constatado por meio de avaliações trimestrais, que se mantiveram dentro dos padrões de normalidade (FERRARO et al., 2012) 204 UNIDADE VII │ CRIOLIPÓLISE Figura 56. Esquema de lesão apoptose. Adipócito antes Retratação e condensação da cromatina Formação de prolongamento da membrana celular Colapso do núcleo Formação de corpos apoptóticos, lise destes corpos apoptóticos Fonte: Menegat (2015). O início da resposta inflamatória, a partir de marcadores histológicos, ainda está sendo discutida. Acredita-se que acontece após 24 horas de submissão do paciente ao procedimento. PAlguns autores, porém, consideram seu início dentro de três dias, com picos em torno de 14 dias, e fagocitose de até 30 dias. Os restos do processo inflamatório, bem como os lipídeos, são seguramente metabolizados no prazo de 90 dias (FERRARO et al., 2012). 205 Figura 57. Lesão apoptose. Na primeira hora: adipócitos normais em forma e dimensão, ausência de células inflamatórias 2 dias: Aglomerados de inflamação (principalmente neutrófilos) abraçando adipócitos individuais 14 dias: Infiltrado linfocitário denso,macrófagos ocasionais, alguma redução do tamanho da célula adipócito 28 dias: Semelhante aos 14 dias, no entanto, além de células gigantes multinucleares (macrófagos) e redução do tamanho da célula do adipócito. Os macrófagos removem adipócitos danificados ou apoptóticos Fonte: Manstein et al. (2008) Quanto às complicações pós procedimentos, encontram-se descritas na literatura: alterações transitórias na função sensorial, porém sem lesões a longo prazo nas fibras nervosas sensoriais; eritema, o qual ocorreu imediatamente após a aplicação e que pode desaparecer 30 minutos após o término da sessão; pequenas alterações nos níveis de lipídeos ao longo do tempo, entretanto dentro dos limites considerados normais (FERRARO et al., 2012). Figura 58. Pós procedimento. A. Alterações transitórias na função sensorial. B. Eritema, o qual ocorreu imediatamente após a aplicação e que pode desaparecer 30 minutos após o término da sessão. Fonte: Menegat (2015). 206 CAPÍTULO 3 Indicações de Criolipólise Prós e contras Prós: são vários os benefícios, a começar por ser um tratamento que não causa dor, não são necessários anestesia, cortes ou agulhas; é prático e a pessoa se sente bem antes e depois do tratamento (COLEMAN et al., 2009). Pode melhorar o aspecto de flacidez das celulites, o que, de certo modo, faz as mulheres se sentirem bem. Com a retirada das gorduras localizadas, as celulites desaparecem aos poucos, na verdade, elas ficam menos visíveis (COLEMAN et al., 2009). Contra: anti-inflamatórios não podem ser administrados no pós-criolipólise. É obrigatória a utilização de cinta de pós-operatório o mais apertada possível, isso é primordial para a drenagem. Não é indicada ingestão de carboidratos brancos, gorduras, refrigerantes, açúcares nos primeiros cinco dias e, se, durante a aplicação, não for usada uma manta de proteção adequada, ou a máquina for programada de forma errada, poderão ocorrer queimaduras (COLEMAN et al., 2009). Criolipólise na prática No Brasil, o preço praticado para aquisição dos equipamentos gira em torno de 155 mil a 205 mil reais. Antes de comprar, devem-se considerar algumas hipóteses: » Se o equipamento apresenta tamanhos diferentes do cabeçote da criolipólise (pequeno, médio ou grande), permitindo aplicar em diferentes áreas de tratamento. » Se a empresa que importa o equipamento tem uma assistência técnica rápida e eficiente. » Se o equipamento é fácil de transportar, aguenta as oscilações do transporte e temperatura. A área a ser tratada é isolada com uma espécie de membrana protetora. A seguir, é inserida uma manopla com uma ponteira formada por duas placas de resfriamento, que fará uma sucção para acoplar o tecido alvo em um aplicador, em que o contato é estabelecido entre a área de tratamento e dois painéis opostos de resfriamento. As células 207 CRIOLIPÓLISE │ UNIDADE VII mortas, em seguida, são metabolicamente eliminadas, exatamente como acontece com a gordura que existe nos alimentos (FERRARO et al., 2012). O resfriamento é gradativo e pode chegar a até -10o C, pois as temperaturas variam de acordo com a quantidade de gordura. A recuperação da criolipólise é imediata e os resultados podem ser percebidos em até dois meses após a primeira aplicação. Em cada sessão podem ser eliminados aproximadamente 20% a 25% da gordura da região aplicada. O número de sessões varia de acordo com a espessura de gordura de cada área e do resultado esperado pelo paciente (KENNETH et al., 2009). Os efeitos colaterais também são mínimos: hiperemina na área tratada, edema, hematomas e dormência da pele são comuns após o tratamento e são transitórios (KENNETH et al., 2009). A criolipólise pode ser feita apenas em algumas partes do corpo, aquelas que se adaptam bem às ponteiras. Não é possível fazer no rosto, por exemplo, porque o aplicador não se encaixa. De acordo com o fabricante do aparelho, há a perspectiva do lançamento de ponteiras que se adaptem a outras partes do corpo. Cada sessão dura aproximadamente uma hora por região, podendo-se fazer um máximo de 3 horas para tratamento em três regiões diferentes. (COLEMAN et al., 2009) Configuração Pulso 500 ms (padrão) Cada ciclo é de 10 min Número mínimo de ciclo por sessão: 4 Colocar o vácuo de 25 - 50 cmHg, dependendo das condições das peles (quanto mais flácida, maior vácuo). Atraso colocado em 0 (padrão). Conectar vácuo e ponteira de crio. Resultados visíveis após 45 dias precedidos inicialmente por algum inchaço local. Tempo de ciclo: » 40/60 min somente de crio por área. 208 UNIDADE VII │ CRIOLIPÓLISE » 40 min se for feito após CAVITAÇÃO e RF. Não se pode repetir a criolipólise numa mesma área dentre 60/90 dias de tratamento. Colocar filtro de papel na parte superior da ponteira para prevenir entrada de líquido na tubulação. Sempre usar cinta modeladora logo em seguida à aplicação. Logo em seguida e nas primeiras semanas pode-se realizar qualquer tratamento que drene, por exemplo, drenagem linfática manual, endermoterapia, vibrocell, plataforma vibratória etc. Resultados: começam em 15 dias/ ciclo 45 dias / Total 3 meses. Reaplicação: Obesos - 1 vez por mês – repetir por tr~es meses. Não se pode repetir criolipólise numa mesma área dentre 90 dias de tratamento. Outra área, aplicar após 7 dias. Tratamento Limpe a área com um detergente. Coloque a manta no cliente de forma segura. Pressione CORPO- criolipólise. Selecione o tempo do tratamento por aproximadamente 45/60 min. Parametrize o vácuo em 500 ms como duração do pulso, atraso em 0 e 35/40 hg de potência de aspiração. Coloque a ponteira na área. Pressione start. 209 CRIOLIPÓLISE │ UNIDADE VII Figura 59. Sequência de aplicação da criolipólise. A B C D A: colocar a manta de proteção. B: acoplar a manopla. C: deixar agir de 45 a 60 min. D: Retire a manopla e massageie a região. Fonte: Menegat (2015). Obs: cada fabricante tem uma programação diferente, por isso, antes de alicar, deve-se verificar o método de configuração com o fabricante. Figura 60. Localização de regiões que podem receber a sucção. Flancos Abdômen Braços Flancos Parte interna das coxas Parte superior das costas Parte inferior das costas Parte interna das coxas Fonte: Fusiomed – Celebrim (2014). 210 UNIDADE VII │ CRIOLIPÓLISE Basta uma sessão para eliminar até 25% da gordura. Todavia, é importante que a pessoa agregue ao tratamento uma rotina saudável, inclua exercícios, isso tudo ajudará na remoção das células de gordura. Em relação aos intervalos, o tempo de uma sessão para outra é de, pelo menos, três meses, muito embora quase nunca seja necessário realizar mais de uma sessão. Pesquisas recentes apontam que, no caso de alguns equipamentos, o intervalo poderá ser de um mês. O ideal é conversar – sempre – com o fabricante do equipamento. Cabe ressaltar que a criolipólise é recomendada apenas para as áreas que têm mais de 2 cm de adiposidade visto em adipômetro (COLEMAN et al., 2009). Você já entendeu que a criolipólise é uma técnica segura que traz bons resultados.. Mas saber se é possível combiná-la com outras técnicas é uma dúvida frequente dos profissionais. Antes de tudo, o profissional precisa ter conhecimento dos aspectos fisiológicos e metabólicos da gordura corporal. O segredo de se combinar técnicas está no conhecimento aprofundado dos seus efeitos fisiológicos para que as ações combinadas possam produzir resultados e não danos aos tecidos (KENNETH et al., 2009). Indicações e contraindicações Indicações A criolipólise não é um tratamento para sobrepeso ou obesidade. Ela é uma opção para pessoas que têm gordura localizada em algumas regiões corporais, o famoso pneuzinho. De acordo com o fabricante, o procedimento elimina até mesmo aquela gordura incapaz de ser combatida com dieta e exercícios físicos. Contraindicações As principais contraindicações a esse tratamento consistem em: » doenças raras; » crioglobulinemia;» doença paroxística ao frio; » hemoglobinúria; » urticária ao frio; » gestantes; 211 CRIOLIPÓLISE │ UNIDADE VII » pacientes com alterações de sensibilidade; » toda e qualquer alteração neurológica; » pacientes com dispositivos intrauterinos (DIU); » tumores; » câncer. ROCHA, L. O et al. Criolipólise: Tecnologia não invasiva para redução de medidas. South American Journal Of Aesthetic Medicine. p.8-12, março de 2013. 212 UNIDADE VIIIENDERMOLOGIA – DERMOTONIA CAPÍTULO 1 Entendendo a Endermologia Introdução e história A dermotonia ou endermologia ou endermoterapia ainda é considerada uma novidade nessa área, pois é um procedimento seguro, sem agulhas ou injeções, que utiliza o vácuo e atua na pele, camada adiposa e musculatura, promovendo melhora circulatória e drenagem linfática. Foi desenvolvida primeiramente pelo engenheiro francês Louis Paul Guitay, em 1970, quando ele buscava desenvolver uma técnica que diminuísse cicatrizes oriundas de acidentes de carro. Em vez de fazer os tratamentos mais eficientes da época, ele criou um mecanismo que pudesse auxiliar os terapeutas. O resultado foi um aparelho portátil com um cabeçote massageador que, aplicado sobre a área a ser tratada, fazia sucções intermitentes e rolamentos simultâneos sobre o tecido subjacente. O aparelho, no início, foi utilizado na recuperação de queimados, mas, inesperadamente, descobriu-se ser também eficaz para o tratamento de celulite (LGD) ( BENELLI et al., 1999). Para Berreur (1998), a dermotonia busca detectar zonas de dermalgia, ou seja, regiões onde ocorre perturbação de tecido cutâneo, e produz um efeito reflexo simpaticolítico que permite a estimulação e purificação dos gânglios linfáticos, desfazendo essas zonas alteradas, diminuindo a tensão muscular e tonificando a pele por estimular os fibroblastos, produtores de colágeno e elastina. Conforme Peppercorn (1999), a técnica melhora a circulação linfática, eliminando detritos toxínicos e gera uma hipervascularização da derme e hipoderme ocorrida pela mobilização do sangue dentro dos capilares cutâneos. Assim, melhora a troficidade e favorece a nutrição celular a distância e em profundidade. Ela ocasiona também a desfibrosagem, que atua na reestruturação do tecido conjuntivo, permitindo o deslizamento deste sob a pele. 213 ENDERMOLOGIA – DERMOTONIA │ UNIDADE VII Segundo Berreur (1998) e Chang et al. (1998), conforme as leis da física, o ar atmosférico se desloca do local de maior pressão para o de menor pressão, produzindo trocas gasosas através da pele, que são importantes na eliminação de toxinas e gases, e o fortalecimento (por expansão e contração) dos vasos sanguíneos e linfáticos. Mecanismo de ação O tratamento consiste na aplicação de um equipamento que cria um vácuo (pressão negativa) (MCDANIEL et al., 1998) à medida que rola sobre a pele, agindo como uma massagem, sendo então utilizada nas áreas priorizadas e também nas demais partes do corpo. Essa ação cria uma dobra cutânea que é repetidamente segura e solta por meio de uma série de manobras que irão reestruturar o tecido conjuntivo, estimulando a circulação sanguínea e linfática. Assim, promove a melhora da oxigenação e da aparência da LDG, facilitando a nutrição dos tecidos e a distribuição da gordura subcutânea (ERSEK et al., 1997; PETIT, 1997; BORGES, 2006). Figura 61. Equipamento endermologia em funcionamento. Fonte: http://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/blog/casal-fit-no-g1-zona-da-mata/post/conheca-endermologia-um-aliado-da- estetica-contra-celulite.html. A técnica melhora a circulação linfática, eliminando detritos tóxicos e gera uma hipervascularização da derme e hipoderme ocorrida pela mobilização do sangue dentro dos capilares cutâneos, melhorando assim a atroficidade e favorecendo a nutrição celular a distância e em profundidade. Ela ocasiona também a desfibrosagem, que atua na reestruturação do tecido conjuntivo, permitindo o deslizamento desse sob a pele (KEDE; SABATOVICH, 2004). Assim, seus principais efeitos são: redução de edemas e melhora do fluxo sanguíneo; melhoria dos mecanismos de defesa imunológica; melhoria 214 UNIDADE VII │ ENDERMOLOGIA – DERMOTONIA da elasticidade da pele; diminuição da retenção hídrica e das infiltrações celulíticas; incremento da drenagem linfática; redução do estado fibrótico do tecido (BORGES, 2006). Para o sucesso dos tratamentos na área de estética, é de extrema importância salientar a correta aplicação das técnicas, sendo imprescindível a presença do profissional qualificado e habilitado para a execução e compreensão dos procedimentos realizados (KEDE; SABATOVICH, 2004; MARTINEZ; RITTES, 2004). Indicações e contraindicações Indicações » atenuar cicatrizes atróficas; » auxiliar no tratamento de F.E.G.; » acelerar a reabsorção de edema; » reorganizar o tecido adiposo subcutâneo; » auxiliar no tratamento de intradermoterapia e HLC. O uso da endermoterapia no pós-operatório de lipoaspirações deve ser cauteloso, uma vez que os tecidos precisam se reconstituir para cicatrizar. As manobras podem ser por demais agressivas nos estágios iniciais do processo cicatricial, aumentando o tempo de tratamento e o número de sessões, pois reagudizam a fase inflamatória por provocar microtraumas no tecido colágeno cicatricial, favorecendo a formação de fibroses e retardando a recuperação. Pode ser utilizada tardiamente em casos de fibroses avançadas e persistentes (BORGES, 2006). Contraindicações A endermoterapia é contraindicada para pacientes com: » tumores e neoplasias; » dermatoses; » fragilidade capilar; » doenças infecciosas; 215 ENDERMOLOGIA – DERMOTONIA │ UNIDADE VII » varizes; » flacidez tissular excessiva; » diabetes; » intolerância à sucção; » hipertensão; » hérnia umbilical; » flebites e coágulos de sangue; » uso de medicamentos anticoagulantes; » pseudo-atrofia (uso de cortisona injetável). 216 CAPÍTULO 2 Técnicas Aplicação A paciente pode usar uma malha especial (sem compressão sobre a pele), com fio em poliamida, recobrindo toda a pele para melhor deslizamento do cabeçote na superfície corporal (MANUAL DE TREINAMENTO – CELUTRAT, 2005; LOPES, 2006), mas também pode ser realizada diretamente sobre a pele utilizando pouco óleo de massagem. O óleo deve ser neutro, sem semente ou qualquer outra substância, e não há necessidade de sua utilização quando a manopla selecionada for a de esferas. Figura 62. Malha especial sem compressão. Fonte: https://www.cirurgia.net/artigos/conheca-a-endermologia-e-seus-beneficios. A aplicação deverá ser realizada em dois decúbitos, o dorsal e o ventral, iniciando a aplicação em decúbito dorsal, evoluindo para decúbito ventral. Devem sempre ser respeitados os movimentos a favor do sistema linfático e as fibras musculares de todas as regiões, inclusive da região glútea. Antes de iniciar a aplicação é necessária a ativação da rede ganglionar: gânglios das regiões supra claviculares, inguinais e poplíteas. Cada sessão deve ter uma duração em média de 40 minutos, sendo dividida a aplicação entre as regiões a serem tratadas (MCDANIEL et al., 1998). 217 ENDERMOLOGIA – DERMOTONIA │ UNIDADE VII Figura 63. Direção a ser seguida. Fonte: Menegat (2015). A endermoterapia pode ser realizada de três formas: » Depressomassagem pulsada: o cabeçote é aplicado na região por aproximadamente dois segundos. Pressão entre 600 e 700 mmHg (GUIRRO e GUIRRO, 2002). » Depressomassagem contínua: o cabeçote é aplicado sobre toda a área. Inicialmente, deve-se utilizar pressões leves (de 150 a 200 mmHg), aumentando gradativamente de acordo com a sensibilidade do paciente. O sentido de aplicação depende do objetivo terapêutico: traços longitudinais (efeitos circulatórios); traços transversais (efeito descontraturante); traços circulares (amaciamento de zonas de fibrose) (GUIRRO e GUIRRO, 2002). 218 UNIDADE VII │ ENDERMOLOGIA – DERMOTONIA Figura 64. Depressomassagem. Movimentoa seguir depressomassagem modeladora Fonte: Menegat (2015). Sugestões para uso corporal: modelagem em usuário e/ou paciente com bom tônus. Quadro 13. Sessões de modelagem. Sessões Ajustes 1ª a 10ª 11ª a 20ª Contínuo - - Sucção (mmHg) 140 -170 200 – 250 Tempo por região 10 min 15 min Fonte: autora 2019. » Depressomassagem linfática: prolongamento natural da depressomassagem, mas com pressão mais suave (de 30 a 60 mmHg) (GUIRRO e GUIRRO, 2002) realizada em três tempos: » Pulsada: a ventosa é colocada sobre os linfonodos com pressão forte (manobra de abertura) (GUIRRO; GUIRRO, 2002). » Contínua: depressomassagem contínua sobre os trajetos linfáticos na direção de reabsorção da linfa com pressões entre 30 a 60 mmHg (GUIRRO; GUIRRO, 2002). » Pulsada: a ventosa é colocada sobre os linfonodos com pressão forte (manobra de fechamento) (GUIRRO; GUIRRO, 2002). 219 ENDERMOLOGIA – DERMOTONIA │ UNIDADE VII Figura 65. Depresso drenagem. Movimento a seguir depressomassagem linfática Fonte: Menegat (2015). Sugestões para uso corporal: Drenagem linfática em usuário e/ou paciente com flacidez. Quadro 14. Drenagem linfática. Sessões Ajustes 1ª a 10ª 11ª a 20ª Pulsado 1.5 1.0 Sucção (mmHg) 100 – 140 150 – 200 Tempo por região 10 min 15 min Fonte: autora, 2019. Cuidados na aplicação O tratamento não deve gerar dor ou desconforto. Respeitar as intensidades para evitar equimoses e hematomas. 220 CAPÍTULO 3 Tipos de Protocolo Protocolo corporal sugerido Essas sugestões são baseadas em relatos clínicos, e não têm a pretensão de excluir outra metodologia de utilização do recurso terapêutico. Na realização da drenagem linfática, deve-se iniciar e finalizar o tratamento pelo bombeamento dos linfonodos, utilizando o modo pulsado (25 pulsos/min) com o cabeçote circular na região dos linfonodos e da veia safena. Entre essas duas fases seguimos as manobras obedecendo às normas gerais da drenagem, escolhendo as manobras de acordo com o estado do tecido a ser trabalhado. Roletes cilíndricos Mover o cabeçote lentamente para frente e para trás. Figura 66. DESLIZAMENTO – modo contínuo. Fonte: Autora, 2019. Efeito: permite ao cliente acostumar-se com a sensação e possibilita dosar a pressão e potência da aspiração e drenagem linfática. Deve-se utilizar após o bombeamento dos linfonodos e ao final da sequência dos roletes esféricos. Roletes esféricos Mover o cabeçote realizando movimentos de círculos. 221 ENDERMOLOGIA – DERMOTONIA │ UNIDADE VII Figura 67. CIRCULAR – modo contínuo. Fonte: Autora, 2019. Efeitos: estimulação da circulação. Realizar o movimento na forma de oito torneando totalmente uma área determinada. Figura 68. OITO GRANDE – modo contínuo. Fonte: Autora, 2019. Efeitos: movimentação do tecido conjuntivo com finalidade de hiperemiante e de remodelação. Realizar o movimento na forma de oito de modo mais rápido, torneando totalmente em áreas críticas determinadas. Figura 69. OITO PEQUENO – modo contínuo. Fonte: Autora, 2019. Efeitos: movimentação e desfibrosagem do tecido conjuntivo. Realizar o movimento na forma de zigue-zague mudando a direção do cabeçote. 222 UNIDADE VII │ ENDERMOLOGIA – DERMOTONIA Figura 70. ZIGUE-ZAGUE – modo contínuo. Fonte: Autora, 2019. Efeitos: hiperemiante e remodelamento. Figura 71. Tipos de cabeçotes corporais. Roletes esféricos Roletes cilíndricos CABEÇOTES CORPORAIS Fonte: Autora, 2019. Protocolo sugerido para estética facial Essas sugestões são baseadas em relatos clínicos, e não têm a pretensão de excluir outra metodologia de utilização do recurso terapêutico. » inicia-se o tratamento pelo bombeamento dos linfonodos, utilizando o modo pulsado (25 pulsos/min) com a ventosa de vidro de formato circular na região dos linfonodos; » desliza-se a ventosa de vidro de bico chato no mesmo sentido da drenagem manual no modo contínuo; » com a ventosa de ponta, faz-se o deslizamento ao redor dos olhos; » com a ventosa bico de pato, faz-se o movimento zigue-zague nas linhas de expressão e rugas; 223 ENDERMOLOGIA – DERMOTONIA │ UNIDADE VII » finaliza-se o tratamento pelo bombeamento dos linfonodos, utilizando o modo pulsado (25 pulsos/min) com a ventosa de vidro de formato circular na região dos linfonodos; » pode-se finalizar colocando máscara tensora ou descongestionante. Figura 72. Tipos de cabeçotes faciais. CABEÇOTES FACIAL Fonte: Menegat (2015). Existem outros equipamentos no mercado atualmente, tais como: » Vácuo laser – Empresa MMO: › A associação do ledterspis e da vacuoterapia pode ser utilizada em conjunto com cosméticos e dermocosméticos para potencializar os efeitos terapêuticos e denomina‐se Terapia Cosmética Fotopermeável (favorece a penetração de cosméticos) ou Terapia Fotoativa (dermocosmético ativado por luz). A interação de luz na presença de cosméticos requer alguns cuidados que podem interferir na penetração da luz e reduzir o efeito da laserterapia. Os princípios ativos podem ser aplicados seguramente após a laserterapia, pois a luz propicia o aumento da circulação sanguínea, favorecendo a penetração dos princípios ativos. São sugeridos os óleos para vacuoterapia, principalmente os vegetais, que não resultam em interferência na penetração da luz. Ainda, a pressão negativa do vácuo promove o aumento do aporte sanguíneo e de nutrientes com aumento da taxa metabólica na região-alvo. Nesse contexto, é importante ressaltar que os princípios ativos podem ser aplicados seguramente antes da laserterapia, pois a vacuoterapia favorece a penetração dos princípios. 224 UNIDADE VII │ ENDERMOLOGIA – DERMOTONIA › O equipamento Vacum Laser contém 1 manopla com seis lasers (três diodos 660 e três diodos 808nm de 100 mW cada) dispostos ao redor do orifício da câmera de vácuo para geração de pressão negativa. » Endermologia e laser diodo – Celutrat › Sistema que atua com Endermologia associada ao laser diodo. Por ser de baixa potência, não tem problemas com exposição solar. 225 Para (não) Finalizar A área da estética está sempre se renovando e se atualizando. Desse modo, nós, profissionais da área da saúde que atuamos com o paciente, precisamos sempre estar em dia com as novidades. A renovação faz parte do aprendizado e conhecimento trazendo segurança não só para nós, mas também conforto para nosso cliente. A cada ano novos princípios ativos surgem no mercado com um propósito novo para atuação, seja como injetável, cosmético, oral ou tópico. Como profissionais habilitados na prescrição, temos o dever de indicar sempre o padrão-ouro aos nossos pacientes/ clientes. Contudo, o aprimoramento de novas técnicas, atualizações em palestras, livros, especializações e afins são de extrema importância para o profissional que almeja sucesso e crescimento em sua carreira. 226 Referências ABRAMO, A. C. Infusão controlada de CO2: carboinsuflação. São Paulo: Ed. Do Autor, 2010. ADA, R.T.A.; ROMITI, a. and CARRUTHERS, J. A. D..The Facial Platysma and Its Underappreciated Role in Lower Face Dynamics and Contour. Dermatol Surg. 2017; 43:1042–1049). ADELSON H. Francês Mesoterapia para o tratamento da dor. Disponível em : http://www.mesotherapyworldwide.com/images/pdf/AJM_Vol_4_2006_57.pdf. Acesso em: 21 mai. 2015. AGNE, J.E. Eletrotermofototerapia: Teoria e Prática. 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