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Propedêutica Médica
Nathália Machado - Tut 01
Exame Físico
Composto por:
- Inspeção
- Palpação
- Percussão
- Ausculta
Nessa jornada estudaremos:
1 - Ectoscopia
2 - Dados vitais
3 - Antropometria
4 - Exame Geral
5 - Exame Segmentar, composto por:
- Cabeça e pescoço;
- Tórax: Aparelho respiratório e Aparelho Cardiovascular;
- Abdômen;
- Aparelho genito urinário;
- Aparelho osteomuscular;
- Exame neurológico.
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E para ilustrar e auxiliar nesse momento de aprendizado,
contaremos com a presença da nossa querida paciente a
Sra. Gretchen, ao longo do nosso exame físico ela servirá de
cobaia.
1 - Ectoscopia:
A impressão inicial do paciente fornece dados de extrema importância para o
raciocínio diagnóstico. Nela constará os dados obtidos antes mesmo de tocar o
paciente.
Vamos começar!! A Sra. Gretchen entrou em nosso
consultório, o que devemos observar?
Serão observados no paciente os seguintes itens:
a) Estado geral
b) Lucidez (consciência)
c) Orientação (qualidade da
consciência)
d) Atitude ativa/passiva típica ou
atípica
e) Idade aparente
f) Icterícia
g) Palidez
h) Hidratação
i) Cianose
j) Edema
k) Biotipo
l) Respiração
m) Estado de higiene
n) Estado nutricional
o) Postura
p) Fácies
q) Humor
r) Marcha
Descreveremos agora todos esses itens:
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a) Estado Geral:
Pode ser classificado em:
Bom estado geral (BEG), regular estado geral ou ruim estado geral.
É uma avaliação que descreve a impressão obtida ao observar o paciente, para que
se saiba até que ponto a doença atingiu o organismo visto como um todo.
Serve de alerta para o médico caso o paciente não apresente sintomas que
justifique o estado geral, indicando a necessidade de uma investigação mais
aprofundada.
O contrário também pode ocorrer, um BEG em situação de doença grave indica uma
boa capacidade de reação do organismo.
b) Lucidez (Consciência):
O paciente está lúcido, orientado do tempo e espaço? Responde aos estímulos?
Para o exame de nível de consciência, deve se considerar os seguintes fatores:
- Perceptividade: Capacidade de responder perguntas simples (ex: “Como
vai?”), ou informar aspectos como nome dos familiares, endereço, realizar
cálculos simples ou atender a ordens como “Sente-se no leito Sra. Gretchen”,
“Sra. Gretchen, tire a camisa, por favor”.
- Reatividade: Capacidade de reagir a estímulos inespecíficos, como desviar os
olhos e a cabeça para um ponto onde se provocou um barulho. Pode ser
avaliada também em relação a dor.
- Deglutição: Capacidade de levar os alimentos a boca e degluti-los.
- Reflexos: Respostas às manobras de alguns reflexos tendinosos: patelar,
plantares, cutâneos, abdominais e pupilares.
Pode ser classificado em:
Alerta, sonolento, obnubilado, torporoso ou coma:
- O paciente sonolento responde a estímulos verbais ou ao toque leve.
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- O paciente letárgico ou obnubilado responde a estímulos mais vigorosos.
- O paciente torporoso apresenta retirada somente a estímulos dolorosos.
- Coma é um estado de arresponsividade e pressupõe que os olhos estejam
fechados. Os pacientes comatosos não obedecem a comandos, não
apresentam abertura ocular mesmo a dor e não têm movimentação
espontânea.
c) Orientação (qualidade da consciência):
O paciente está lúcido, orientado no tempo e espaço? (LOTE)
Realiza-se perguntas como: “Sra. Gretchen, a senhora sabe onde está? Que dia é
hoje Sra. Gretchen? Está dia ou noite?”
d) Atitude ativa/passiva típica ou atípica:
A posição adotada pelo paciente no leito ou fora dele, por comodidade, hábito ou
com o objetivo de conseguir alívio para algum padecimento.
Algumas posições são conscientemente procuradas pelo paciente (voluntárias),
enquanto outras independem de sua vontade ou são resultantes de estímulos
cerebrais (involuntárias).
Daí se vê que a primeira preocupação do médico deve ser distinguir essas duas
condições, só tendo valor diagnóstico as atitudes involuntárias ou as que
proporcionam alívio para algum sintoma. Se isso não for observado, pode-se dizer
que o paciente não tem uma atitude específica ou que ela é indiferente.
Atitude ativa são as que o paciente adota por sua vontade, que pode ser
classificada em Boa Postura e Má Postura.
Posição antálgica:
Atitude em que o paciente assume para alívio de alguma dor. E podem ser:
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- Ortopneica: Posição de alívio em casos de dispneia decorrente de
insuficiência cardíaca, asma brônquica e ascites volumosas.
- Genupeitoral: Atitude em “prece meometana”, facilita o enchimento do
coração em casos de derrame pericárdico.
- Posição de cócoras: Observada em crianças com cardiopatia congênita
cianótica, a posição gera um alívio da hipóxia generalizada pois aumenta o
retorno venoso ao coração.
- Parkinsoniana: Típico do paciente de Parkinson. (autoexplicativo né queridos?)
- Diferentes decúbitos: Posição em que o paciente, de forma voluntária, assume
para alívio de algum padecimento. Decúbito lateral, tanto direito quanto
esquerdo, costuma ser adotada quando há uma dor pleurítica, ele se repousa
sobre o lado da dor. Decúbito dorsal: com as pernas fletidas sobre as coxas e
estas sobre a bacia, é observado dos processos inflamatórios pelviperitoniais.
Decúbito ventral: mais comuns em portadores de cólica intestinal.
Atitudes passivas:
São atitudes que independem da vontade do paciente; impossibilidade do paciente
de mudar de posição sem ajuda de outra pessoa.
Incluem a atitude passiva (observada em pacientes inconscientes ou comatosos), o
ortótono, o epistótono, emprostótono, pleurostótono, a posição de gatilho e
torcicolo e mão pêndula da paralisia radial.
Pacientes que não apresentam atitudes antálgicas ou passivas podem ser
considerados pacientes que possuem atitude atípica, isto é, normal. Já os pacientes
que assumem determinada posição, seja de maneira ativa ou passiva, assumem
atitudes típicas.
Idade aparente:
A aparência do paciente condiz com a sua idade?
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e) Icterícia:
O paciente está ictérico ou anictérico? No caso de icterícia, deve atribuir o número
de cruzes de acordo com o grau da coloração (+/++++).
- Esse sintoma tem relação com problemas de origem hepática.
- Observar coloração da palma da mão, esclera e freio da língua. A icterícia se
caracteriza por um tom amarelado nessas regiões.
O excesso de betacaroteno pode se assemelhar à icterícia. Para diferenciar as duas
condições, observe se o tom amarelado/alaranjado está presente apenas na pele
(caroteno) ou também na esclera e freio lingual (icterícia).
Icterícia neonatal - classificação:
f) Palidez:
A pele e as mucosas podem se apresentar pálidas ou coradas e a palidez pode ser
classificada de acordo com a quantidade de cruzes (+/++++).
Observar mucosa palpebral da conjuntiva, mucosa oral, leito ungueal e palma das
mãos.
g) Hidratação:
O nível de hidratação ou desidrataçãopode ser classificado em cruzes (+/++++).
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Sinais que podem ser observados na ectoscopia do paciente sugestivo de
desidratação, são:
- Pele seca (a elasticidade e turgor estarão diminuídos mas para avaliar essa
parte é necessário o contato com o paciente, fugindo do conceito de
ectoscopia)
- Mucosas secas
- Olhos afundados (enoftalmia)
- Fontanelas deprimidas em crianças
- Estado geral comprometido
- Excitação psíquica ou abatimento
h) Cianose:
Observar uma coloração mais azulada no lábio, leito ungueal, e outras extremidades
(cianose) que é indicativa de redução da oxigenação do sangue ou de redução da
perfusão sanguínea.
Então cuidado! O paciente pode estar com a coloração mais azulada por um
hipoperfusão sanguínea em razão de frio (cianose periférica causada pela
vasoconstrição periférica induzida pelo frio). Neste caso, tente esquentar a mão do
paciente e observar se melhora
O paciente pode se apresentar cianótico ou acianótico, esse sinal tem relação com o
nível de oxigênio. Pode ser classificado também segundo o sistema das cruzes
(+/++++).
i) Edema:
Excesso de líquido acumulado no espaço intersticial ou intracelular, pode ocorrer em
qualquer sítio do organismo mas, do ponto de vista semiológico, interessa apenas o
edema cutâneo.
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A investigação sobre o edema iniciará na anamnese, quando se pergunta o tempo de
duração, localização e evolução. Posteriormente no exame físico completa-se a
análise, investigando pontos como: localização, distribuição, intensidade,
consistência, elasticidade, temperatura, sensibilidade e outras alterações.
j) Biotipo:
Análise simples onde se observa o tipo morfológico através de um conjunto de
características, pode ser classificado em:
- Longilíneo: Tórax afilado e chato, pescoço longo e delgado, ângulo de Charpy
menor que 90º, musculatura delgada, panículo adiposo pouco desenvolvido,
tendência a estatura elevada.
- Mediolíneo: Tipo intermediário, equilíbrio entre os membros e o tronco,
desenvolvimento harmônico, ângulo de Charpy em torno de 90º.
- Brevilíneo: Tórax alargado e volumoso, pescoço curto e grosso, membros
curtos em relação ao tronco, ângulo de Charpy maior que 90º, musculatura
desenvolvida e panículo adiposo espesso, tendência para baixa estatura.
A determinação do biotipo encontra sua principal utilidade para a correta
interpretação das variações anatômicas que acompanham cada tipo morfológico,
pois há uma relação entre a forma exterior do corpo e a posição das vísceras.
Assim, a forma do coração e a localização do ictus cordis serão diferentes nos três
tipos. A forma do estômago, por sua vez. está estreitamente relacionada com a
morfologia externa do indivíduo
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k) Respiração:
Observar se há dificuldades para respirar ou se está usando força excessiva (uso de
musculatura acessória) para inspirar.
O paciente pode estar eupneico ou se apresenta algum sinal visível de dificuldade
respiratória, o paciente está dispneico.
l) Estado de Higiene
Avaliar de o paciente possui um bom ou mau estado de higiene. O paciente apresenta
mau-cheiro? Mau-hálito?
m) Estado Nutricional
Avaliar o estado nutricional do paciente, se aparenta sinais de sobrepeso,
obesidade, desnutrição ou se ele se encontra bem nutrido.
n) Postura
Pode ser descrita das seguintes formas:
- Ortostase: em pé.
- Sedestação: sentado.
- Decúbito lateral, dorsal ou ventral.
o) Fácies
Conjunto de dados exibidos da face do paciente, esse item é importante pois certas
doenças imprimem na face traços característicos, e o diagnóstico pode nascer da
simples observação da face. Os principais tipos são:
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- Fácies normal ou atípica
- Fácies hipocrática: olhos fundos, parados e inexpressivos. Apontam para
doença grave.
- Fácies renal: edema em torno dos olhos, palidez cutânea. Observada das
doenças difusas dos rins, como a síndrome nefrótica e na glomerulonefrite
difusa aguda.
- Fácies leonina: alterações produzidas pela Hanseníase, como pele espessa
onde se encontram diversos lepromas, lábios grossos, bochechas deformadas
pelo aparecimento de nódulos, barba escassa ou inexistente.
- Fácies adenoidiana: nariz pequeno e afilado e a boca sempre entreaberta.
Apresenta-se em pacientes portadores de hipertrofia das adenoides.
- Fácies parkinsoniana: cabeça inclinada para frente e imóvel nessa posição,
olhar fixo, supercílios elevados, testa enrugada e expressão de espanto.
- Fácies basedowniana: exoftalmia, olhos brilhantes, rosto magro, expressão que
indica vivacidade mas, às vezes, apresenta aspecto ansioso, pode apresentar
bócio. Indica hipertireoidismo.
- Fácies mixedematosa: rosto arredondado, nariz e lábios grossos, pele seca,
espessa e acentuação dos seus sulcos, supercílios escassos, cabelos secos e
sem brilho. Indica hipotireoidismo ou mixedema.
- Fácies acromegálica: apresenta saliência das arcadas supraorbitárias,
proeminência das maçãs do rosto, aumento do nariz, lábios e orelha e maior
desenvolvimento do maxilar inferior. Os olhos parecem pequenos em meio a
tantas estruturas hipertrofiadas.
- Fácies cushingnoide: arredondamento do rosto sem atenuação dos traços
faciais, acne. Observamos em casos de Síndrome de Cushing por hiperfunção
do córtex da suprarrenal, ou em pacientes que usam corticoides.
- Fácies mongoloide: olhos oblíquos e distantes, rosto redondo, boca
entreaberta. Observada no mongolismo e na Síndrome de Down.
- Fácies etílica: olhos avermelhados e certa ruborização da face, hálito etílico,
voz pastosa e sorriso indefinido.
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p) Humor
O humor do paciente pode ser classificado em:
- Eutímico: normal
- Triste
- Eufórico
- Irritado
q) Marcha
O modo de andar do paciente poderá ser de grande utilidade diagnóstica,
especialmente nas afecções neurológicas. Deve ser analisada solicitando-se ao
paciente que caminhe certa distância (acima de 5 m), descalço, de preferência com
calção, com olhos abertos e fechados, indo e voltando sob a observação do
examinador.
A marcha normal pode sofrer variações em relação a particularidades individuais
("cada pessoa tem seu jeito característico de andar"), ou em razão de distúrbios do
aparelho locomotor.
Então, como seria a descrição da ectoscopia da nossa querida paciente Sra.
Gretchen sabendo que ela se encontra saudável?
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2 - Dados Vitais
Agora iremos colher os dados vitais do paciente, e continuaremos usando a Sra.
Gretchen de cobaia. Nesse momento iremos analisar:
- Frequência Cardíaca
- Pulso Radial
- Frequência Respiratória
- Temperatura
- Tensão Arterial
- Enchimento Capilar
- Saturação
- Dor
FrequênciaCardíaca:
A FC vai determinar o ritmo do coração e o número de
batimentos. A contagem de batimentos se faz no intervalo de 1
minuto. Isto é, 60 segundos, nem cogite trapacear e contar
apenas 15 ou 30 segundos pois algumas arritmias não são
percebidas em um intervalo de tempo tão curto.
Podemos classificar a frequência conforme a quantidade de
batimentos por minuto em bradicardia, normocardia ou taquicardia.
Abaixo os valores de referência da frequência cardíaca em adultos:
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Pulso Radial:
Habitualmente, a artéria radial situa-se entre a apófise
estiloide do rádio e o tendão dos flexores. Ficou
confuso? Observe a imagem ao lado da mãozinha da
querida paciente Sra. Gretchen.
Para apalpá-la, empregam-se as polpas dos dedos
indicador e médio, variando a força de compressão até
que seja obtido impulso máximo.
O polegar se fixa delicadamente no dorso do punho do paciente. Nessa imagem,
podemos observar que o nosso querido colega estudante de medicina na empresa
medicina claramente esqueceu de fixar o polegar no dorso da Sra. Gretchen.
O examinador usa a mão direita para examinar o pulso esquerdo do paciente, e
vice-versa. Ademais, a mão do paciente deve repousar no leito ou na mesa de exame
em completa supinação.
Então vamos de tutorial meninas!
!º Encontre a artéria radial do paciente.
2º Pressione conforme a necessidade com os dois dedinhos a artéria até obter o
pulso máximo.
3º Não esqueça de fixar o polegar no dorso.
4º Não me fale mentirinhas e conte o pulso durante 60 segundos.
5º Outro ponto importante é a simetria, então é necessário que se faça a contagem
nos dois braços.
Características do Pulso Radial:
Agora que você já sabe identificar o pulso e fazer a contagem, aprenderá sobre as
características dele. São elas:
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- Frequência: É necessário contar sempre o número de pulsações durante um
minuto inteiro, comparando-se este valor com o número de batimentos
cardíacos. A frequência do pulso varia com a idade e em diversas outras
condições fisiológicas.
- Ritmo: É dado pela sequência das pulsações. Se elas ocorrem em intervalos
iguais, diz-se que o ritmo é regular. Se os intervalos são variáveis - ora mais
longos, ora mais curtos -, trata-se de ritmo irregular. A irregularidade do
pulso indica alteração do ritmo cardíaco - arritmia -, que pode ser fisiológica
ou patológica.
- Amplitude: Essa característica é avaliada pela sensação captada em cada
pulsação e está diretamente relacionada com o grau de enchimento da
artéria durante a sístole e seu esvaziamento durante a diástole. Quanto à
amplitude, classifica-se o pulso em amplo, mediano e pequeno. Bom exemplo de
pulso amplo é o da insuficiência aórtica. Na estenose aórtica, observa-se o
contrário, ou seja, o pulso é pequeno.
- Dureza: Avalia-se a tensão ou dureza do pulso pela compressão progressiva
da artéria. Se for pequena a pressão necessária para interromper as
pulsações, caracteriza-se pulso mole. Ao contrário, se a interrupção da onda
sanguínea exigir forte pressão, trata-se de pulso duro. Denomina-se a
situação intermediária de tensão mediana.
- Simetria: As artérias braquiais dos dois braços devem apresentar
similaridade das características.
Frequência Respiratória:
No intervalo de 60 segundos é feita a contagem do número de
respirações observando o tórax do paciente.
O interessante seria fazer a contagem enquanto finge estar
contando a frequência do pulso radial, observando as elevações
do tórax, pois quando o paciente é avisado que será feita a
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contagem do número de respirações, inconscientemente ele acaba mudando o ritmo
normal.
Pode ser classificado em bradipneico, eupnéico e taquipneico.
É importante verificar também o ritmo da respiração, que pode conter pausas,
períodos de inspiração/expiração profunda ou ser arrítmica; uso de musculatura
acessória, tiragem (retração dos espaços intercostais, da fossa supraclavicular ou
da região epigástrica), que evidenciam dificuldade para respirar. Observar se não
há tempo expiratório prolongado (o normal é o tempo da inspiração ser maior do que
o da expiração, o que pode se inverter em situação de broncoespasmo – “crise de
asma”).
A unidade de medida utilizada é: incursões respiratórias por minuto (irpm).
Temperatura:
Locais de aferição e suas temperaturas normais:
Axilar: 35,5ºC a 37,5ºC
Bucal: 36ºC a 37,4ºC
Retal: 36ºC a 37,5ºC
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O reto é o local que indica melhor a temperatura do corpo e
com maior precisão.
Tensão Arterial:
Pressão arterial é a força exercida pelo sangue sobre as paredes dos vasos. Sofre
variações contínuas, na dependência da posição do indivíduo, das atividades e das
situações em que ele se encontra.
Tem por finalidade promover uma boa perfusão dos tecidos e assim possibilitar as
trocas metabólicas.
Considerações importantes:
- Verificar se o manguito está adequado para o braço do paciente e não pode ser
colocado por cima da roupa;
- Perguntar se houve consumo de café ou uso de cigarro nos 30 minutos que
antecederam o exame, se está sentindo dor, se a bexiga está cheia e deve colocar o
paciente em repouso por pelo menos 3 minutos.
- O manguito deve ocupar a região mediana entre o acrômio e o olécrano.
- A artéria braquial deve estar na altura do coração e o braço deve estar apoiado
em uma superfície;
- De preferência coloque o paciente na posição de sedestação, encostado e sem as
pernas cruzadas;
- Verificar a simetria, a diferença deve ser de até 10 mmHg;
- Aconselha-se a usar a campânula do estetoscópio ao invés do diafragma;
E agora vamos de tutorial novamente, meninas!
!º Verificar o pulso radial, posicionar o manguito
centralizado sobre a artéria braquial, inflar o manguito até
o pulso sumir. O valor onde o pulso desaparece é
provavelmente o valor da PA sistólica do paciente.
2º Posicionar o estetoscópio na fossa antecubital, inflar o
manguito até 20 a 30 mmHg acima do valor encontrado no
pulso radial.
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3º Desinsuflar o manguito lentamente, o primeiro batimento regular audível é a PA
sistólica (fase 1 do som de Korotkoff). O último batimento regular audível é a PA
diastólica, fase 5 de Korotkoff.
À medida que desinsuflar o manguito, volta a ocorrer a passagem do sangue pela
artéria antes colabada, surgindo os ruídos chamados sons de Korotkoff, classificados
em 5 fases:
Fase 1: Aparecimento de sons, o primeiro som é muito claro como uma pancada. A
clareza do batimento depende de força, velocidade e quantidade de sangue. O pulsoarterial não se manifesta inicialmente, pois a quantidade de sangue na porção distal
do manguito ainda é insuficiente.
Fase 2: Batimentos com murmúrios, com a dilatação da artéria pressionada, a
contracorrente reverbera e cria murmúrios na parede dos vasos sanguíneos.
Fase 3: Murmúrio desaparece, os batimentos passam a ser mais audíveis e mais
acentuados. A artéria que sofreu constrição continua a se dilatar com a redução da
pressão do manguito.
Fase 4: Abafamento de sons, os batimentos repentinamente tomam-se menos
acentuados. Há, portanto, um abafamento dos sons.
Fase 5: Desaparecimento de sons, restabelece-se o calibre normal da artéria e o
sangue não mais provoca ruídos perceptíveis à ausculta da artéria radial.
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Enchimento Capilar
A extremidade deve ser colocada na altura do coração e pressionar por 10 segundos
a falange distal.
A coloração deve voltar ao normal em no máximo 2 segundos.
Saturação:
Medição realizada com o oxímetro cujo objetivo é verificar o nível de saturação de
oxigênio.
Idealmente, mais de 89% das suas células vermelhas devem estar transportando
oxigênio.
*Peak Floow: É um instrumento que serve para medir a eficácia da função pulmonar e
indica quão abertas estão as vias respiratórias ou quão difícil é respirar. É um
aparelho pequeno, portátil, que mede o fluxo de ar ou a taxa de fluxo expiratório
máximo.
Dor:
Então, sabendo que nossa paciente Sra. Gretchen encontra-se saudável, como
poderíamos descrever seus dados vitais?
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3 - Antropometria:
Nesse momento será avaliado os seguintes dados antropométricos dos nossos
pacientes mas, em especial (como vocês já sabem), a querida Sra. Gretchen:
- Peso
- Altura
- IMC
- Envergadura
- Perímetro cefálico
- Perímetro torácico
- Perímetro abdominal
- Medida do quadril
- Perímetro braquial
Peso:
Na prática, emprega-se a balança comum para a determinação do peso. Para os
recém-nascidos é necessária uma balança própria, e, para os pacientes
impossibilitados de deambular, pode-se usar a cama-balança.
Ideal: O paciente deve estar desnudo, deve ser pesado no
mesmo horário, preferencialmente em jejum e de bexiga vazia.
Além disso, o paciente deve ficar de costas para a balança e
descalços, em postura ereta.
Obtido o peso, este é comparado com os valores considerados
normais em relação à idade, a altura e ao sexo.
Altura:
O paciente deve estar em ortostase, usa-se o antropômetro vertical ou estadiômetro
de parede. O Comprimento deve ser obtido com o paciente em decúbito dorsal.
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IMC:
O índice de massa corporal é um indicador útil, de fácil interpretação e aplicável à
maioria dos pacientes adultos para se avaliar o estado nutricional.
Conforme o IMC, categoriza-se o paciente em magreza, eutrofia, sobrepeso e graus
de obesidade.
É importante notar a proporção massa muscular/massa de gordura, pois pode levar a
interpretações errôneas acerca do IMC.
Dependendo da tabela de referência, pode haver uma pequena variação dos valores.
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Envergadura:
A envergadura é medida com o paciente em ortostase e
com os braços em posição de cristo redentor, como
mostra nossa paciente ao lado. Essa medida normalmente
coincide com a altura.
Perímetro Cefálico:
- Preferencialmente utilizar fita métrica de papel ou de metal flexível, já que a fita
métrica flexível pode esticar;
- Colocar a fita em torno da cabeça da criança, passando pelos pontos
imediatamente acima das sobrancelhas e orelhas, e em torno
da saliência occipital;
- Se a circunferência da cabeça do bebê está acima do
normal ou abaixo do normal, uma avaliação mais detalhada é
necessária;
- Crianças com circunferência cefálica pequena podem
indicar craniossinostose ou microcefalia, sendo que bebês
nascidos de mães usuárias de cocaína ou álcool podem ter circunferências cefálicas
menores.
- Pode ser medido com o paciente em posição de sedestação ou em ortostase.
Perímetro Torácico:
A fita deve ser posicionada na linha mamilar e a medição
deve ser feita no momento da expiração.
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Perímetro abdominal:
A medida da circunferência abdominal logo acima da
crista ilíaca é um procedimento simples e útil na
avaliação de risco de doença mesmo com peso
corporal normal. O excesso de gordura abdominal
está relacionado com alterações metabólicas
(síndrome metabólica), incluindo dislipidemias,
resistência à insulina, diabetes melito tipo 2,
hipertensão arterial e doença arterial coronariana.
Deve ser medida no ponto médio entre a última costela do gradil costal e o bordo
superior da crista ilíaca.
Deve ser medido sem blusa.
Os valores normais são:
Homens: até 102 cm
Mulheres: até 88 cm
Relação cintura-quadril:
Outro índice é a relação cintura-quadril (RCQ). Para
obtê-lo divide-se a circunferência da cintura pela
circunferência do quadril.
A circunferência da cintura é o perímetro abdominal e a
circunferência do quadril deve ser medida posicionando
a fita no local mais saliente dos glúteos.
Mulheres: RCQ < 0,8
Homens: RCQ < 0 ,9
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Perímetro Braquial
O perímetro braquial é medido no ponto médio entre o
acrômio e o olécrano.
Pregas cutâneas:
As dobras cutâneas são medidas para avaliação da gordura corporal. Entre essas
dobras, temos:
- Prega bicipital
- Prega tricipital
- Prega subescapular
- Prega suprailíaca
4 - Exame Geral
Chegamos agora em uma parte muito legal do exame físico, e essa parte do exame
inclui:
- Pele
- Área Subcutânea
- Mucosa
- Fâneros
- Linfonodos/gânglios
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Pele:
Primeiramente iremos analisar a pele da nossa querida paciente Sra. Gretchen.
A pele é composta por:
Epiderme: Dividida em 5 camadas, os estratos:
- Germinativo
- Espinhoso
- Granulosa
- Lúcido
- Córnea
É pobre em vasos sanguíneos e contém os melanócitos e os queratinócitos.
Derme: Camada vascularizada, inervada e onde se encontram glândulas sudoríparas
e sebáceas.
Hipoderme: Nem todos os autores consideram essa uma camada da
pele, mas a Sra. Gretchen pediu para avisar a vocês que nessa
camada encontramos tecido adiposo e é o local de fixação com os
outros tecidos, tem função de depósito nutritivo, isolamento térmico
e modela a superfície corporal.
Além disso, como eu espero que você saiba, na anamnese você deve perguntar a Sra.
Gretchen sobre a presença de sinais e sintomas subjetivos, como prurido, ardor, dor,
fatores desencadeantes, por exemplo. E ainda, não esquecer de perguntar sobre os
antecedentes e a história epidemiológica e o ambiente.
O exame de pele é composto por 4 passos:
1. inspeção:
- da lesão
- de toda a pele
- deve utilizar lente ou fotômetro
2. Palpação24
3. Digito/Vitro pressão
4. Compressão
Agora descreveremos cada um deles.
INSPEÇÃO
Nesse momento você deverá observar:
- Quantidade: lesão única ou múltipla
- Localização: onde anatomicamente se encontra a lesão
- Distribuição da lesão: focais (apenas um ponto apresenta lesão), multifocal
(vários pontos), difusa (em todo o órgão).
- Forma: puntiforme (1mm), lenticular (ovaladas), numular (arredondadas),
arciformes (em forma de arco), anulares (em forma de anel)
- Tamanho
- Coloração
- Observar a borda: regular? Irregular?
- Observar limites: Bem definido? Mal Definido?
PALPAÇÃO
Agora você vai verificar as seguintes características:
- Tamanho: deverá ser medido de maneira precisa
- Superfície: lisa, áspera ou rugosa
- Consistência: dura ou mole
- Sensibilidade
- Temperatura: frio ou quente
- Umidade: Úmido ou seco
- Mobilidade: móvel ou aderida
DIGITO-PRESSÃO
É realizada com a polpa do polegar ou do indicador.
VITRO-PRESSÃO
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Pressiona-se a lesão com os dedos ou com um vidro provocando uma isquemia local,
isso permite distinguir o eritema da púrpura ou de outras manchas vermelhas.
COMPRESSÃO
Nesse momento serão avaliados os edemas.
Agora que você já sabe descrever uma lesão, gostaríamos que descrevesse uma
lesão no braço apresentada pela paciente Sra. Gretchen, vamos lá?
Descreva as seguintes características:
Quantidade
Localização
Forma
Distribuição da lesão
Tamanho – medir o maior diâmetro
Coloração
Observar borda - Regular? Irregular?
Observar limites - Bem definido? Mal definido?
Superfície: lisa, áspera ou rugosa?
Consistência: Dura? Mole?
Sensibilidade
Temperatura: Fria/quente
Umidade : Úmida? Seca?
Mobilidade : Móvel? Aderida?
Resposta: Lesão única, localizada no braço, formato numular, focal, coloração
rosácea, borda regular, limites bem definidos, superfície aparentemente lisa,
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aparentemente seca, aparentemente mole, sem sensibilidade segundo Sra. Gretchen.
Aparentemente pois não temos bola de cristal e através de consulta EAD não dá pra
definir com exatidão, mas coloquei para vocês irem quebrando a cabeça rs.
Lesões Elementares
Lesões elementares são alterações no tegumento cutâneo determinadas por
processos inflamatórios, degenerativos, circulatórios, neoplásicos, por distúrbios de
metabolismo ou por defeitos de formação.
Da combinação de lesões elementares surgem os sinais morfológicos que
caracterizam síndromes e afecções. São classificadas de acordo com os seguintes
grupos:
1) Alterações de cor
2) Elevações edematosas
3) Formações sólidas
4) Coleções líquidas
5) Alterações de espessura
6) Perdas e reparações
Existem as lesões elementares
primárias, que ocorrem sobre a pele
sadia. As secundárias, que ocorrem
sobre uma lesão primária prévia.
O conjunto de lesões primárias é chamado de erupção.
Pode ser monomorfa (reação alérgica) ou polimorfa (varicela).
1) Alterações de cor
Possuem coloração diferente da pele do paciente e não possuem relevo.
São classificadas em:
27
Mácula: possuem menos de 1 cm.
Mancha: possuem mais de 1 cm.
As máculas e as manchas são lesões elementares primárias.
Elas são divididas ainda em pigmentares, vasculares e hemorrágicas. As pigmentares
possuem relação com a quantidade de melanina, enquanto que as vasculares são
resultado de uma maior quantidade de sangue no local da lesão, o que as diferencia
é a localização desse sangue, se dentro (vasculares) ou fora (hemorrágicas) do vaso.
Através da digito/vitro pressão é possível diferenciar as duas, se a colocação
desaparecer é vascular, caso não desapareça, é hemorrágica.
- Pigmentares:
Variação da quantidade de melanina.
Pode ser:
Manchas leucodérmicas: Manchas brancas decorrentes de diminuição ou ausência de
melanina.
Manchas hiperpigmentares ou hipercrômicas: Ocorre por aumento da melanina ou
de outros pigmentos.
As lesões por aumento da melanina da epiderme são de coloração castanha e as
lesões com presença de melanina na hipoderme são mais azuladas.
Outros pigmentos que pode causar manchas: hemossiderina, bilirrubina, caroteno.
- Vasculares:
Eritemas: mancha vermelha decorrente da vasodilatação (desaparece à
vitropressão). Pode ser classificada segundo a cor, localização, extensão e evolução.
Exantemas: manchas eritematosas disseminadas na pele e de evolução aguda, que
pode ser exantema morbiliforme ou rubeoliforme, quando as manchas são
entremeadas por pele normal, ou exantema escarlatiniforme, quando a pele é
28
uniformemente eritematosa sem áreas de pele entremeadas. Os exantemas nas
mucosas recebe o nome de enantema.
A cianose é um eritema arroxeado, por congestão passiva ou venosa com diminuição
da temperatura.
O rubor é um eritema vermelho vivo por vasocongestão ativa ou arterial com
aumento de temperatura.
A eritrodermia é um eritema generalizado crônico e persistente que se acompanha
de descamação.
Mancha angiomatosa: Mancha de cor vemelha decorrente de uma
neoformação vascular na derme.
Mancha anêmica: Mancha branca por agenesia vascular
em determinada área da pele.
Telangiectasias/Spider: telangiectasias são dilatações
nos vasos terminais, ou seja, arteríolas, vênulas e
capilares. Spider é uma telangiectasia cujo formato se
assemelha a uma aranha, isto é, possui um corpo
central de onde emergem várias perninhas diferentes e
em várias direções. Desaparece ao pressionar o ponto
central.
- Hemorrágicas:
Púrpura: Mancha vermelha por extravasamento de hemácias na derme e não
desaparecem a vitro/digitopressão. Podem ser de dois tipos: petéquias, que são
lesões menores que 1 cm, ou equimoses, que são lesões maiores que 1 cm.
29
2 - Lesões edematosas:
São elevações circunscritas causadas por edema na derme ou hipoderme.
Urticária: elevação efêmera, irregular, de tamanho e cor variável do branco-róseo
ao vermelho pruriginosa, resulta do extravasamento de plasma com formação de
edema dérmico.
Angioedema: área de edema circunscrito, que pode ocorrer no subcutâneo,
causando tumefação
Resultam de processo inflamatório ou neoplásico, atinge isoladamente ou
conjuntamente epiderme, derme e hipoderme.
3 - Formações sólidas:
As formas sólidas podem ser classificadas em:
Pápula: lesão sólida, circunscrita, elevada e menor que 1
cm.
Placa: lesão elevada, de superfície geralmente plana,
maior que 1 cm, pode apresentar superfície descamativa,
crostosa ou queratinizada, pode ser formada pela
confluência de pápulas.
Tubérculo: Elevação sólida e circunscrita de localização
dérmica, com mais de 1 cm de diâmetro. Ex: Hanseníase Virchowiana;
neurofibromatose.
Nódulo: lesão sólida, circunscrita, saliente ou não de 1 a 3 cm de tamanho.
Nodosidade ou tumor: lesão sólida, circunscrita e maior que 3 cm, o termo tumor é
utilizado preferencialmente para neoplasia. localização hipodérmica, com até 3 cm
de diâmetro. Ex: Hanseníase virchowiana; neoplasias.Verrucosidade: Lesão sólida, elevada, de superfície dura e inelástica, formada por
hiperqueratose.
30
4 - Coleções líquidas:
As formas líquidas podem ser classificadas:
Lesões de conteúdo líquido que pode ser serosidade, sangue ou pus.
Vesícula: elevação circunscrita de até 1cm, com conteúdo claro
(seroso) que pode se tornar turvo (purulento) ou rubro
(hemorrágico).
Bolha ou Flictena: difere-se da vesícula apenas pelo
tamanho, que é maior que 1cm.
Pústula: elevação de até 1cm e de conteúdo purulento.
Abscesso: possui tamanho variável, é formado por
coleção purulenta da pele ou tecidos subjacentes. Sinais
flogísticos podem estar presentes:edema, dor, rubor, calor.
Hematoma: formada por derrame de sangue na pele ou tecidos subjacentes,
difere-se da equimose por haver alteração de espessura. Pode infectar e haver
presença de sinais flogísticos, e o conteúdo hemorrágico pode tornar-se purulento.
5 - Alterações na espessura da pele:
Queratose: espessamento da pele por aumento da camada córnea, tornando-se
áspera e com a superfície amarelada.
Liquenificação: espessamento da pele com acentuação dos sulcos e da cor própria,
apresentando aspecto quadriculado.
Edema: aumento de espessura, depressível, cor da própria pele ou
rósea-avermelhada por extravasamento de plasma.
Esclerose: alteração da espessura com aumento da consistência da pele,
tornando-se lardácea ou coriácea. A pele pode estar espessada ou adelgaçada,
havendo hiper ou hipocromia associadas. Resulta de fibrose do colágeno.
31
Atrofia: diminuição da espessura da pele. Ocorre redução do número e volume dos
constituintes teciduais.
6 - Perdas ou reparações:
Lesões oriundas da eliminação ou destruição patológicas e de reparações em tecidos
subcutâneos.
Escama: massa furfurácea, micácea ou foliácea que se desprende as superfície
cutânea por alteração de queratinização.
Exulceração: perda superficial somente de epiderme.
Ulceração: perda circunscrita de epiderme e derme, podendo atingir hipoderme e
tecidos subjacentes.
Fissura: perda linear da epiderme e derme, no contorno de orifícios naturais ou em
áreas de pregas e dobras.
Crosta: concreção de cor amarela, esverdeada ou vermelha escura, que se forma em
área de perda tecidual. Resulta do dessecamento da serosidade, pus ou sangue
misturado a restos epiteliais.
Cicatriz: lesão de aspecto variável, pode ser saliente ou deprimida, móvel ou
aderente. Não possui poros ou anexos cutâneos. Resulta da reparação de processo
destrutivo da pele, associado a atrofia, fibrose e discromia.
Finalmente acabou, nem Sra. Gretchen aguentava mais ouvir
falar sobre tantos tipos de perebas. Vamos agora para o
exame das mucosas!
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Exame das Mucosas
Nesse momento analisaremos nas mucosas dos pacientes:
- Cor
- Umidade
- Integridade
Cor:
A coloração normal é róseo-avermelhada, decorrente da rica rede vascular das
mucosas. Quando estão normais, denomina-se mucosas normocoradas.
Em caso de descoramento das mucosas, denomina-se mucosas descoradas e
classifica segundo o sistema de cruzes (+/++++).
A descoloração é um achado semiológico de grande valor prático pois indicam
anemia.
Além disso, a mucosa pode apresentar-se hipercorada, podendo haver inclusive,
mudança da tonalidade para vermelho-arroxeada.
Mucosas hipercoradas indicam aumento de hemácias na área, como ocorre em
inflamações (conjuntivite, gengivites) e nas poliglobulias.
Além disso a mucosa pode se apresentar cianótica, ictérica e leucoplásica
(esbranquiçada por espessamento do epitélio).
Umidade:
A umidade das mucosas pode estar normal, apresentando um discreto brilho
indicativo de tecidos hidratados.
Porém, o paciente pode apresentar mucosas secas, com perda do brilho, os lábios e
língua adquirem aspecto ressecado. Na maioria das vezes indicam desidratação.
Integridade:
Deve observar no paciente se as mucosas estão íntegras ou se possuem lesões.
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Exame dos Fâneros:
- Implantação
- Distribuição: verificar se é uniforme, se há calvície/alopécia.
- Quantidade: a queda de cabelos é um dado de interesse semiológico.
- Coloração
- Brilho
- Textura
UNHAS
- Forma
- Implantação
- Espessura
- Superfície
- Consistência
- Brilho
- Coloração
5 - Exame Segmentar de Cabeça e Pescoço
Dividido em Crânio x Face
Face:
- Olhos
- Orelhas
- Boca
- Nariz
- Seios paranasais
Pescoço
Nesse momento do exame segmentar usaremos as técnicas de inspeção e palpação.
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Crânio:
Analisar:
- Tamanho: macro ou microcefalia
- Formato: alteramento por traumas ou fechamento prematuro de suturas
- Posicionamento
- Pontos dolorosos
- Ulcerações
- Tumorações
- Depressões
Face:
Olhos:
- Globos oculares:
Tamanho (momento em que se analisa a presença de exoftalmia, entre outros)
Simetria (momento em que se analisa a presença de estrabismo, entre outros)
Distância
- Supercílios e cílios:
Quantidade
Tamanho
Direção
Coloração
- Pálpebras:
Cor, fissuras, simetria;
Movimentos de abertura e
fechamento
Bordas
Edema
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Lesões
Ressecamento/lacrimejamento
excessivo
Conjuntiva: anemia ou pterigio.
Acuidade visual
Pupila (midríase ou miose)
Orelha:
- Pavilhão
- Secreções
- Tumorações e lesões
- Processos inflamatórios
- Sensibilidade
- Corpo estranho
- Comprimir tragus (otite média e
externa)
- Comprimir mastóide
Nariz:
- Formato
- Simetria
- Tumorações, lesões e depressões
- Narina: mucosa, secreções e vibrissas
- Septo nasal
Através da rinoscopia é possível observar no paciente o assoalho da fossa nasal, o
septo nasal, a cabeça da concha nasal inferior e a entrada do meato inferior. Com o
paciente em hiperextensão é possível observar a concha média, a porção alta do
septo nasal e a fenda olfativa.
Seios paranasais: palpação em busca de sensibilidade dolorosa
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Boca:
A classificação/teste de Mallampati é muito utilizada por anestesistas para avaliar o
grau de abertura da cavidade bucal.
- Mucosa
- Gengivas
- Dentes
- Língua
- Assoalho da boca
- Palato
- Tonsilas
- Úvula
- Lábios
Pescoço:
Momento em que será analisado os linfonodos e a glândula tireóide.
Inspeção geral: deve verificar toda a região cervical na busca de alguma alteração
visível ou assimetrias.
Cadeias ganglionares:
- Pré-auriculares
- Auriculares posteriores
- Occipitais
- Tonsilares
- Submandibulares
- Submentonianos
- Cervicais superficiais
- Cervicais profundos
- Cervicais posteriores
- Supraclaviculares
Descrição do linfonodo:
- Localização
- Tamanho
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- Número
- Consistência
- Sensibilidade
- Mobilidade x aderência
- Confluência
Essas características ajudam a diferenciar um processo inflamatório de uma
neoplasia, uma vez que dor, bordas bem delimitadas com bordas macias e certa
mobilidade tem uma indicação de inflamação ao invés de neoplasia, cujas as
características são, de certa maneira,antagônicas.
Laringe e Traqueia:
Identifique o osso hióide e as cartilagens
tireóide e cricóide, elas devem se mover
durante a deglutição.
Os anéis cartilaginosos devem ser distintos e
indolores.
Palpação da tireoide:
- Cartilagem tireóide (pomo de Adão)
- Ligamento cricotireóideo
- Cartilagem cricoide
- Tireoide
Avaliar o tamanho, a simetria, consistência,
superfície e se há hipersensibilidade (dor).
O examinador deve se posicionar à direita, em
frente ao paciente.
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Após localizar o istmo da tireóide, posiciona o polegar e o
indicador direito em cada um dos lados da traqueia.
Solicite que Sra. Gretchen degluta, assim você poderá
sentir a glândula bilateralmente passando pelos dedos.
Na palpação do lobo direito da tireoide do paciente, o
examinador utiliza o polegar direito, e no lobo
esquerdo, usa o polegar esquerdo.
Em outro tipo de palpação, o paciente deve estar em
sedestação e o examinador em ortostase atrás do
paciente. O paciente deve fletir a cabeça para o
lado a ser examinado para descontrair o músculo e
os dedos indicador e médio do observador penetram
na face interna daquele músculo, explorando o lobo
da glândula, deslizando os dedos desde a cartilagem
tireóidea até o 6º anel da traquéia. A manobra é
repetida para o outro lado.
A deglutição deve ser solicitada pois facilita a identificação da glândula.
Ausculta:
Artérias carótidas: possível identificar sopros de aneurisma e
sopros de estenose da artéria aórtica.
A ausculta pode ser feita na tireóide uma vez que é possível
auscultar sopros causados por aumento de fluxo
sanguíneo por tireotoxicose.
Na traqueia ausculta-se som traqueal, produzido pela
passagem do ar na fenda glótica e na própria traquéia.
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5.1 - Semiologia do Aparelho Respiratório
É composto por:
- Inspeção estática
- Inspeção dinâmica
- Palpação
- Percussão
- Ausculta
O tórax de uma maneira bastante geral compreende a
região da parede torácica, que se estende
dorsalmente da vértebra T1 até T12, e lateralmente é
delimitado pelas costelas.
Toda a propedêutica pulmonar deve ser feita na
porção posterior e anterior, de forma a abranger
todas as regiões pulmonares, e bilateralmente
(comparar um hemitórax com o outro).
Exame do tórax:
O paciente deve estar
preferencialmente despido.
É importante identificar regiões e
linhas anatômicas.
Deve buscar comparar as regiões
simétricas do pulmão, pois isso
permite encontrar alterações que podem estar presentes em apenas um dos
pulmões.
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Devemos lembrar que na porção posterior há a presença da escápula e da coluna
vertebral devendo-se, portanto, solicitar ao paciente que se posicione de modo a
afastá-las dos campos pulmonares.
Uma das maneiras mais utilizadas é solicitando a ele que cruze os braços e coloque
as mãos sobre os ombros.
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Inspeção estática:
Basicamente devemos olhar a aparência do tórax.
Observar se o paciente possui desvios
de coluna:
- Escoliose: coluna em S
- Cifose: “corcunda”
- Lordose: entrada aprofundada na
lombar
Além disso, no exame estático,
deve-se observar a estrutura do
esterno, das costelas e das
vértebras, pois isso pode ser
indicativo de certas alterações
estruturais como:
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- Pectus excavatum (tórax escavado ou “tórax de sapateiro”), no qual há a
inversão da concavidade do esterno.
- Tórax em barril, que apresenta uma retificação das colunas vertebrais e
elevação do esterno (tórax comum em enfisematosos).
Inspeção dinâmica:
Visa definir o padrão respiratório do paciente, que pode estar eupneico, taquipneico
ou bradipneico.
Observar se existe uso da musculatura acessória:
- Tiragem intercostal
- Retração subdiafragmática
- Retração supraesternal
- Retração de fúrcula esternal
Palpação:
Deve-se fazer a palpação superficial de toda a caixa torácica visando a avaliação
de:
- Pontos dolorosos
- Lesões superficiais
- Crepitação
Avaliação da complacência pulmonar:
A palpação deve ser realizada no ápice, na base e
entre elas.
Para ser realizada no ápice, deve-se colocar as
mãos na base do pescoço, com os polegares juntos
na região da proeminência das vértebras cervicais
na pele (processo espinhoso) e os dedos sobre a
região acima da escápula de cada lado.
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Peça para o paciente realizar movimentos
inspiratórios e expiratórios profundos, devendo
ambos lados estarem com expansibilidade
simétrica (as duas mãos devem fazer a mesma
amplitude de movimento).
Deve-se repetir o processo mais duas vezes até a
base (aproximadamente até a vértebra T12).
Procura-se com isso encontrar assimetrias entre
os campos pulmonares (direito ou esquerdo) e entre os terços pulmonares (superior,
médio e inferior).
Avaliação do Frêmito tóraco-vocal:
É como se define a vibração sentida quando o paciente emite um som estridente,
como quando requisitado a falar “33”.
Isso é importante, pois auxilia diagnóstico de processos patológicos, tais como
derrame pleural ou consolidações pulmonares.
Nos derrames, o frêmito se encontra diminuído devido ao fato de haver líquido entre
a pleura e o pulmão, dificultando a propagação do som até a parede torácica.
Nas consolidações (uma espécie de “massa”), ex.: pneumonia ou tumor, o som
encontra-se aumentado, posto que o meio sólido da consolidação permite maior
transmissibilidade por meio da árvore brônquica.
Palpação:
44
Percussão:
A percussão deve ser realizada com a mão dominante, usando-se a falange distal
(ponta do dedo) do terceiro dedo sobre o segundo ou terceiro dedo da outra mão.
Você irá prosseguir batendo a falange contra o outros dedos realizando-se sempre a
comparação entre os sons produzidos na porção de um hemitórax com a do outro
hemitórax.
É possível identificar quatro sons pulmonares.
Som claro pulmonar: som da percussão do pulmão normal. Entre a macicez e o
timpanismo.
Som timpânico: som de característico de estruturas mais "ocas", ou seja, com grande
quantidade de ar no parênquima pulmonar ou na cavidade torácica, é encontrado em
casos de enfisema pulmonar e de pneumotórax.
Som submaciço: ocorre quando há líquido interposto entre o parênquima pulmonar e
a parede torácica, como em derrames pleurais (uma espécie de líquido na camada
que reveste o pulmão).
Som maciço: obtido quando se percute regiões mais "densas", ou seja, quando há uma
diminuição da quantidade de ar no pulmão ou em suas proximidades. Isto está
45
presente em tumores periféricos e em pneumonias (consolidação). Você irá sentir
que está percutindo algo sólido.A percussão pode apresentar certas alterações que não determinam estados
patológicos. É importante ressaltar que abaixo do sexto espaço intercostal direito é
possível encontrar um som maciço que corresponde ao fígado (principalmente quando
a percussão é executada na porção anterior do tórax).
Ausculta:
Para a ausculta, devemos pedir ao paciente que realize inspirações e expirações
profundas com a boca entreaberta, sem realizar barulho, uma vez que isso pode
gerar alguns ruídos adventícios.
Assim como na percussão, deve-se realizar uma comparação entre duas regiões
simétricas do hemitórax, indo do ápice até a base.
Os sons respiratórios normais podem ser classificados como: som traqueal,
respiração brônquica e murmúrios vesiculares.
Murmúrio vesicular:
É o som normal escutado no pulmão.
Representa o som causado pela entrada e saída de ar dos pulmões.
Pode estar presente , ausente ou diminuído.
Em situações patológicas é possível auscultar ruídos adventícios (sons anormais),
indicativos, cada um deles, de certas alterações.
Estertores finos (crepitações):
São tipos de sons nítidos e descontínuos
semelhantes ao friccionar dos cabelos.
São gerados quando o ar entra em um alvéolo
pulmonar que contenha líquido.
Ocorrem no final da inspiração.
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Estertores grosseiros:
São menos agudos e duram mais que os finos.
Sofrem nítida alteração com a tosse e podem ser
ouvidos em todas as regiões do tórax.
São audíveis no início da inspiração e durante a
expiração.
Têm origem na abertura e fechamento das vias aéreas
contendo secreção viscosa e espressas. Comuns na bronquite crônica e nas
bronquiectasias.
Sibilos:
São sons contínuos, musicais e de longa duração.
Têm sua origem nas vias aéreas e requerem o fechamento prévio dos brônquios.
As paredes brônquicas devem ser trazidas aos pontos de oclusão para que ocorra os
sibilos.
Por outro lado, em vez de acontecer uma reabertura súbita, as paredes brônquicas
passam a vibrar ao serem atingidas por fluxo aéreo em alta velocidade.
Os sibilos acompanham as doenças que levam à obstrução de fluxo aéreo.
Em geral são múltiplos e disseminados. Acontece na asma e na bronquite (DPOC).
Atrito Pleural:
Ocorre por um processo inflamatório das pleuras
visceral e parietal.
Isso torna a superfície das pleuras irregulares,
gerando o atrito pleural.
Dica: O som é similar ao atrito de um pano velho.
47
Estridor:
Pode ser considerado como um tipo
especial de sibilo, com maior intensidade
na inspiração, audível à distância.
Acontece nas obstruções altas da laringe
ou da traquéia.
Pode ser provocado por laringites agudas,
câncer da laringe e estenose da traquéia.
Síndromes torácicas:
48
5.2 Semiologia do Aparelho Cardiovascular
Avaliação Geral:
- Alterações da coloração da pele e
mucosas (palidez e cianose)
- Edema e perfusão periférica.
Exame dos Pulsos Arterial e Venoso Jugular:
Hora de avaliar as seguintes características,
lembram? Não detalhei pois vocês nessa
altura do campeonato já devem ter gravado o
significado de cada uma delas. Se não
recorda, sobe ai em dados vitais e revisa, ok?
- Localização
- Frequência
- Ritmo
- Amplitude
- Dureza
- Simetria
Nessa espécie de escultura romana ao lado temos os pontos do corpo onde é possível
avaliar o pulso.
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Exame do Precórdio
Eta lasqueira, agora o bicho pega! Corre aqui
Sra. Gretchenn!!
Enton meninas, vocês devem saber onde se
localiza o coração. Em pacientes homens pode
ser difícil encontrar, mas Sra. Gretchen jura
que lá no fundo em algum lugar tem um, então é
preciso fazer esses exames nos homens também, tá?
Além disso, existem linhas importantes que vocês devem saber pois elas te ajudarão
nos exames.
50
Anatomia do coração:
Exame do precórdio:
Deve ser realizado com o paciente em decúbito dorsal
com o tórax exposto.
Para melhor avaliação da válvula mitral: decúbito
lateral esquerdo.
Para melhor avaliação da válvula aórtica: sedestação,
tórax inclinado para a frente.
Inspeção do precórdio:
- Malformações torácicas
- Abaulamento: Para facilitar o reconhecimento de
abaulamento, a observação da região precordial
deve ser feita em 2 incidências: tangencial, com o
examinador de pé ao lado direito do paciente e
frontal, o examinador fica junto aos pés do paciente que permanece deitado.
Abaulamento pode indicar a ocorrência de aneurisma da aorta,
cardiomegalia, derrame pericárdico e alterações da própria caixa torácica.
- Retrações
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- Impulsões
- Ictus Cordis
Um dos sinais mais importantes de disfunção cardíaca é a turgência da veia jugular
interna, também designada estase jugular.
Palpação do precórdio:
O mais importante da palpação cardíaca nesse
momento é determinar a localização do ictus
cordis (ápice do coração) e a presença de pulsos.
Ictus Cordis:
- Localização: 5º (as vezes 4º) EICE/LMC
- Extensão: 1 a 2 polpas digitais
- Amplitude: +/4+
- Duração: até ⅓ da sístole
Mais facilmente percebido na palpação, na forma de
batidas bruscas, que correspondem à propulsão do VE nas contrações (é a ponta do
coração que bate na parede torácica). Utilizam-se as polpas digitais de vários dedos
para a palpação. O ápice se encontra geralmente no 5º EI (espaço intercostal) sobre
a linha hemiclavicular.
Se palpado mais para baixo ou mais para a esquerda, pode ser sugestivo de
cardiomegalia.
Também deve ser observado o diâmetro, amplitude e duração do ictus.
Impulsão paraesternal:
- Alta: hipertensão pulmonar
- Média: normal
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- Baixa: sobrecarga do ventrículo direito
Ausculta:
- Foco Aórtico: 2º EICD (espaço
intercostal direito)/LPE (linha
paraesternal)
- Foco Pulmonar: 2º EICE/LPE
- Foco Tricúspide: base do
apêndice xifóide levemente à
esquerda (4º ou 5º EIC)
- Foco Mitral: 5º (4º) EICE/LMC,
corresponde ao ictus cordis
- Foco Aórtico Acessório: 3º
EICE/LME
Bulhas Cardíacas:
Chegamos nas famosas bulhas cardíacas, então Sra.
Gretchen, afinal o que ouvimos nessas bulhas?
Primeira bulha (B1) - Sístole
Fechamento das válvulas mitral e tricúspide, componente mitral antecede a
tricúspide, coincide com o ictus cordis e pulso carotídeo, timbre mais grave.
Representado com um TUM.
Fonese: hiper x normo x hipofonéticas
Segunda Bulha (B2) - Diástole
Fechamento das valvas aórtica e pulmonar, timbre mais agudo, representado por um
TA.
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Desdobramento:
As Válvulas Aórtica e Pulmonar tem uma diferença no tempo de fechamento, mas
esse tempo em situação normal é tão mínimo que se torna imperceptível. Mas quando
a pessoa tem um desdobramento fisiológico, há um retardo ainda maior, a aórtica
fecha primeiro e a pulmonar depois, com um intervalo de tempo maior. Isso faz comque o som ouvido mude de tum-ta para tum-tla.
- Fisiológico: causado por um retardo no fechamento da VP → inspiração
profunda retarda o fechamento da VP, ao pedir que o paciente inspire
profundamente ajuda a ouvir melhor o desdobramento.
- Amplo: insuficiência cardíaca esquerda → hipertensão pulmonar → retardo do
fechamento da válvula pulmonar (intensifica inspiração profunda)
- Paradoxal: ocorre na expiração → estenose da válvula aórtica
Para discernir a B1 da B2, aconselha-se sentir o pulso cardíaco (carotídeo ou radial,
por exemplo) que será simultâneo à sístole, marcada por B1. Assim, é mais fácil
identificar as bulhas que se está ouvindo. Massss, atencionnn!! O pulso radial do
paciente pode não estar sincronizado com o coração, no caso de um paciente
arrítmico, podendo levar a uma falsa identificação.
As bulhas geralmente ocorrem de forma rítmica e não acompanhadas de demais
sons, sendo descritas com a onomatopéia “tum-tá”.
Terceira Bulha (B3)
Penetração rápida do sangue na cavidade ventricular.
Ruído de baixa frequência → utilizar a campânula, é representado por um TU
Fisiológico: em crianças e atletas
Patológico: insuficiência cardíaca descompensada
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Quarta Bulha (B4)
Ruído débil que ocorre no final da diástole → choque entre o sangue da sístole atrial
e o sangue ventricular no fim da diástole (traduz déficit diastólico, comum em
idosos).
Sopros:
Vibrações decorrentes de mudança do
fluxo sanguíneo de laminar para
turbulento.
Características e classificação:
Localização: Foco único ou mais de um?
No segundo caso, qual o mais forte?
Localizar no ciclo cardíaco: sístole/diástole/contínuo
Temporal: proto x meso x tele x holo
Timbre: musical, rude, áspero, aspirativo, ruflar, entre outros.
Forma: crescente, decrescente, crescente/decrescente, em platô.
Irradiação
Grau: classificação de 1 a 6 de acordo com a sua intensidade.
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Intensidade - Classificação de Lavine
I - Muito difícil de ouvir
II - Pouco mais fácil de ouvir
III - Ouve-se com facilidade
IV - Presença de frêmito, ouve-se com o estetoscópio todo encostado ao tórax.
V - Tem frêmito, ouve-se com apenas uma parte do estetoscópio encostada no tórax
VI - Frêmito, ouve-se com o estetoscópio levemente suspenso no tórax
Atrito pericárdico: ruído provocado pelo
roçar dos folhetos que perderam suas
características normais.
Ritmo cardíaco:
- Regular
- Irregular (extrasístoles, fibrilação
atrial, fibrilação ventricular)
Por fim, usando a nossa paciente Sra. Gretchen,
considerando ela uma paciente saudável, como
poderíamos descrever o exame dela?
Descrição do exame normal: Pulsos simétricos, rítmicos, com
amplitude e consistência preservada. Ausência de estase de
jugular. Precórdio calmo, ictus visível no 5º EICE/LMC, medindo 1
polpa digital, impulsivo, +/4+ de curta duração, ausência de
impulsão paraesternal esquerda, bulhas palpáveis ou frêmitos, à
ausculta bulhas rítmicas normofonéticas, em 2 tempos, sem
sopros.
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E assim, chegamos ao final da nossa jornada em
propedêutica essa unidade. Se você chegou aqui, parabéns
guerreiro! Sra. Gretchen agradece sua companhia.
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