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Redação UECE

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para mim. Este pedido é motivado por duas razões: em primeiro lugar, sou um 
grande admirador da marca Nike, mesmo falsificada. Aliás, estive olhando os tênis 
pirateados e devo confessar que não vi grande diferença deles para os verdadeiros. Em 
segundo lugar, e isto é o mais importante, sou pobre, pobre e ignorante. Quem está 
escrevendo esta carta para mim é um vizinho, homem bondoso. Ele vai inclusive colocá-la 
no correio, porque eu não tenho dinheiro para o selo. Nem dinheiro para selo, nem para 
qualquer outra coisa: sou pobre como um rato, mas a pobreza não impede de sonhar, e eu 
sempre sonhei com um tênis Nike. Os senhores não têm ideia de como isso será 
importante para mim. Meus amigos, por exemplo, vão me olhar de outra maneira se eu 
aparecer de Nike. Eu direi, naturalmente, que foi presente (não quero que pensem que 
andei roubando), mas sei que a admiração deles não diminuirá: afinal, quem pode receber 
um Nike de presente pode receber muitas outras coisas. Verão que não sou o coitado que 
pareço. 
Proposta II 
Escreva um artigo de opinião, para ser publicado no jornal do seu colégio, em que 
você analisa a vida familiar, social e intelectual de um estudante pré-universitário. 
GÊNEROS TEXTUAIS 
 
 8 OSG.: 076466/13 
 
Uma última ponderação: a mim não importa que o tênis seja falsificado, que ele 
leve a marca Nike sem ser Nike, porque, vejam, tudo em minha vida é assim: moro num 
barraco que não pode ser chamado de casa, mas, para todos os efeitos, chamo-o de casa. 
Uso a camiseta de uma universidade americana, com dizeres em inglês, que não entendo, 
mas nunca estive nem sequer perto da universidade – é uma camiseta que encontrei no 
lixo. 
Mandem-me, por favor, um tênis. Pode ser tamanho grande, embora eu tenha pé 
pequeno. Não me desagradaria nada fingir que tenho pé grande: dá à pessoa certa 
importância. E, depois, quanto maior o tênis, mais visível ele é. E, como diz o meu 
vizinho, visibilidade é tudo na vida. 
Atenciosamente, 
(Moacyr Scliar, cronista da Folha de S. Paulo, 14/8/2000-texto adaptado) 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. CARTA ABERTA 
 
É um texto de intenção persuasiva, que denuncia um problema, ou reivindica 
algo; que pretende conscientizar pessoas e entidades a respeito dele; que objetiva também 
mobilizar os interessados, para que sejam encontradas soluções. Os verbos devem estar, 
predominantemente, no presente. Deve haver rigor na utilização dos pronomes de 
tratamento, se for o caso. O(s) autor(es) pode(m) se colocar pessoalmente, em 1ª pessoa, 
ou de forma impessoal. 
 
• Estrutura 
1. Título - que identifica o destinatário. 
2. Texto - de natureza persuasiva/reivindicatória, que anuncia o problema e exige 
solução. 
3. Local e data (facultativos) 
 
• Exemplo 
CARTA ABERTA DE ARTISTAS BRASILEIROS 
SOBRE A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA 
 
Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos 
últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados. É quase a metade da Holanda. Da área 
total, já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três Estados de 
Proposta III 
Escreva uma carta, para os seus pais, indicando o curso superior que você quer 
fazer e as razões pelas quais você fez a escolha. 
GÊNEROS TEXTUAIS 
 
 9 OSG.: 076466/13 
 
São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, 
mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao planeta. Essa vastidão 
verde, que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados, é um lençol 
térmico engendrado pela natureza, para que os raios solares não atinjam o solo, 
propiciando a vida da mais exuberante floresta da Terra e auxiliando na regulação da 
temperatura do planeta. (...) 
Apesar do extraordinário esforço de implantarmos unidades de conservação, 
como alternativas de desenvolvimento sustentável, a devastação continua. Mesmo depois 
do sangue de Chico Mendes ter selado o pacto de harmonia homem/natureza, entre 
seringueiros e indígenas; mesmo depois da aliança dos povos da floresta “pelo direito de 
manter nossas florestas em pé, porque delas dependemos para viver” (...) a devastação 
continua. 
Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são o 
símbolo da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do 
ecossistema amazônico. 
Um país que tem 165.000 km2 de área desflorestada, abandonada ou 
semiabandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma 
única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta 
dos nossos valiosos recursos naturais. 
Portanto, como único procedimento cabível, para desacelerar os efeitos quase 
irreversíveis da devastação, é seguir o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição 
Federal: “A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma 
da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive 
quanto ao uso dos recursos naturais.” 
Assim, deve-se implementar em âmbito federal, estadual e municipal a 
interrupção imediata do desmatamento da floresta amazônica. 
É hora de enxergarmos nossas árvores como monumentos de nossa cultura e 
história. 
SOMOS UM POVO DA FLORESTA! 
(texto adaptado, disponível em www.recid.org.br) 
 
OBS: 
I. Nesta carta, propositadamente, há, no título, uma referência aos assinantes: esse recurso foi utilizado 
para dar mais credibilidade ao texto. 
II. O título desta carta poderia ser “Carta aberta ao povo brasileiro”. 
III. Se, na proposta de redação, a carta for endereçada a uma autoridade, o uso dos devidos pronomes de 
tratamento é obrigatório. Exemplo do título de uma carta aberta à presidente da República: 
Carta aberta à Excelentíssima Senhora Presidente da República. 
 
 
 
 
 
Proposta IV 
Escreva uma carta-aberta, para as famílias cearenses, convencendo-as da 
necessidade de elas contribuírem, de alguma forma, para as instituições que 
cuidam dos idosos desamparados. 
GÊNEROS TEXTUAIS 
 
 10 OSG.: 076466/13 
 
5. CRÔNICA 
 
A crônica é um texto que exprime uma observação particular da realidade; um olhar 
diferenciado e criativo sobre o cotidiano. Normalmente, a crônica tem como 
características o humor, o sarcasmo, a ironia, mas, também, pode ser um comentário mais 
formal sobre um fato do cotidiano. É por esse aspecto subjetivo, pessoal, que a crônica 
pode estar próxima do conto, do poema, enfim, de uma narrativa literária. É um gênero 
híbrido, por isso, não segue um padrão fixo, mas há alguns aspectos que são seguidos pela 
maioria dos autores. 
 
• Estrutura 
1. Introdução - identifica o tema. 
2. Desenvolvimento - tanto descreve, como relata, disserta, ou argumenta em torno 
do tema. 
3. Conclusão - é um fechamento do texto, que, dependendo do tema e do caso, pode 
conter uma brincadeira, uma ironia, ou qualquer outra característica de 
conclusão. 
 
OBS: 
I. Em situação real, as crônicas têm um título. Em alguns concursos vestibulares, no entanto, esse item 
não tem sido exigido. 
II. Uma das características da linguagem da crônica é a utilização do padrão coloquial da língua, mas, no 
vestibular, deve-se utilizar o padrão culto. 
 
• Exemplo I 
O MEU NARIZ 
 
 Sempre senti uma vontade imensa de ser livre, apesar de não saber em que a 
verdadeira liberdade consistia. 
 Tudo começou quando, numa noite, fiquei acordado até a madrugada chegar. Fiz 
de tudo para chamar o sono, mas ele não vinha. Li três contos de Moreira Campos e dois 
poemas de Florbela Espanca; bebi uns três copos de suco de maracujá, e nada. Os olhos 
vidrados que nem estátua, dessas de bronze envelhecido, que pesam mais do que chumbo 
e que têm uma cor sépia, cor de coisa velha. Era assim que me sentia. 
 Foi a partir dessa insônia que resolvi mudar tudo, e passei