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Psicologia Social I - Aulas EAD

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de nos conformarmos às normas sociais do grupo, ou seja, às regras implícitas de comportamentos, valores e crenças aceitáveis.
· A conformidade por razões normativas se dá em situações nas quais fazemos o que os outros fazem devido ao fato de não querermos atrair a atenção, de não sermos objeto de zombaria ou rejeição. Assim, a influência social normativa ocorre quando a influência social dos outros nos leva a nos conformarmos para sermos amados e aceitos pelos demais. Esta é uma conformidade que resulta em aquiescência pública às crenças e aos comportamentos do grupo.
· Aronson, Wilson & Akert (2002) destacam: “Os grupos têm certas expectativas em relação à maneira como seus membros devem se comportar, e os membros respeitados do grupo conformam-se a essas regras. Os que não o fazem são considerados diferentes, difíceis, e, transviados. Os membros transviados podem ser ridicularizados, punidos, ou mesmo rejeitados pelos colegas” (p.175).
Conformismo
· 
· Segundo o dicionário Aurélio (1988) a definição de conformismo refere-se a: "Atitude de quem se conforma com todas as situações" (p. 169).
· Na maioria das vezes, confundimos estes termos e usamos de forma indiscriminada conformismo e conformidade. Mas a principal distinção é que: conformismo é relativo ao ato em si e conformidade à qualidade de ser conformista.
Experimento e Obediência
· Veja, a seguir, o experimento de Stanley Milgram, que investigou como pessoas se comportavam frente à autoridade de uma outra.
· O Experimento
· No segundo semestre de 1961, 40 pessoas aceitaram participar de uma pesquisa e aplicaram choques quase mortais em completos desconhecidos tão somente porque um professor - outro completo desconhecido para eles - deu ordens para que continuassem. A aparente sessão de tortura era, na verdade, um experimento científico, e os choques, encenação de atores. Os experimentos de obediência de Stanley Milgram completaram cinquenta anos em 2011 e continuam relevantes no estudo da natureza humana.
· Na universidade de Vale (Estados Unidos), Milgram conduziu testes psicológicos para investigar como pessoas comuns e sem traços violentos podiam ser capazes de ações atrozes. Sua maior inspiração era tentar entender como pessoas que, até então, pareciam decentes e de bom caráter, podiam ter colaborado com os horrores do holocausto na Alemanha nazista. Milgram acreditava que qualquer pessoa, se submetida à pressão da autoridade, terá tendência a simplesmente obedecer. O primeiro experimento reuniu 40 voluntários homens que assumiam o papel de um "professor" e deveriam fazer perguntas a um "aluno" e lhe dar choques quando ele errasse a resposta. O "aluno" era, na verdade, um ator contratado por Milgram que fingia levar choques cada vez mais potentes. Conforme o voluntário hesitava em seguir com as punições, um cientista que supostamente coordenava o estudo incentivava o "professor a seguir com o processo.
· Dos 40 participantes, 65% chegou a dar choques de 450 volts enquanto os "alunos" imploravam para que eles parassem. Em testes posteriores, a média de 65% sempre se manteve, inclusive em testes com mulheres e em outros países. Nunca houve um voluntário que tenha interrompido o experimento para ajudar o "aluno". Uma pequena porcentagem de participantes se recusou a continuar e deixou a sala, mas sem prestar auxílio ou denunciar os pesquisadores que supostamente eletrocutavam pessoas.
· Apesar de reconhecido mundialmente como um dos mais notáveis psicólogos de seu tempo, Milgram se graduou em ciências políticas. Apenas após a formatura, ele quis trocar de carreira e se candidatou a uma vaga de doutorado em Psicologia na Universidade de Harvard. Rejeitado na primeira tentativa, ele só foi aceito após completar seis cursos de Psicologia em outras instituições de Nova York.
· Seu experimento de obediência quase lhe custou a licença de psicólogo. Por um ano, ele foi investigado pela Associação Americana de Psicologia devido a questionamentos éticos sobre sua pesquisa. Apenas quando seus colegas consideraram seu experimento válido, ele pôde entrar na associação. Milgram morreu em dezembro de 1984, aos 51 anos.
Situações de Conformismo Social
· As situações de conformismo social são encontradas sempre que o isolamento e a confrontação com novas normas provocam uma ansiedade. Isolado de seus quadros de referência, o indivíduo acaba adotando os conjuntos de referência do novo grupo. Esse processo de isolamento é, aliás, uma prática usual cada vez que se trata de transformar as normas e os valores de um indivíduo.
· Nas prisões, nas casas de reeducação de todos os tipos, nos grupos que têm por função transformar o indivíduo, o fato de isolá-lo de suas reações sociais anteriores o leva a se conformar com as novas normas.
· As instituições são aquelas que determinam, ou seja, que dão início, que estabelecem, que formatam. Uma instituição visa definir um modo de regulação global da sociedade e tem por objetivo manter um estado, "fazer durar" e garantir uma transmissão. Assim, a família, a escola, a igreja, o exército são instituições; são grupos que têm suas leis, seus sistemas de regras, seu tipo de transmissão de um certo saber e uma vontade de influência sobre o conjunto das relações sociais.
Persuasão
· A literatura sobre mudança de atitude e persuasão diz respeito aos processos de informação que as pessoas se envolvem quando são expostas a mensagens que visam mudar suas atitudes. Esta linha de pesquisa tem grandes aplicações na área da propaganda e marketing.
· O objetivo das pessoas que trabalham com marketing é capturar a atenção do cliente potencial para poder mostrar os benefícios que ele - o cliente - pode usufruir com o produto ou serviço que está sendo trabalhado. O marketing trabalha também, na sua essência, com persuasão.
· O conhecimento de como a persuasão ocorre pode levar a ações que facilitam a vida de vários profissionais e a nossa própria vida particular, e como todo conhecimento, pode ser utilizado para o bem ou não.
Variáveis
· A persuasão envolve três variáveis:
· O comunicador, também chamado de fonte de persuasão;
· A comunicação ou mensagem propriamente dita;
· E a audiência que representa o alvo da tentativa de persuasão.
· Estas três variáveis precisam ser analisadas mais detalhadamente quando abordamos a persuasão.
· Uma gama de pesquisas mostrou que as várias características dessas variáveis podem conduzir a uma mudança de atitude.
Exemplos
· Comunicadores mais dignos de confiança, mais atrativos e que semelhantes à audiência ou ao público, normalmente, levam a mais mudança de atitude, a uma maior familiaridade das mensagens, entre outros fatores. Na verdade, nem sempre a persuasão deve ser vista como uma forma abusiva de manipular o povo. Existe uma importante linha de pesquisa na Psicologia Social representada pelo Marketing Social que consiste em campanhas de saúde voltadas a induzir mudanças positivas nas pessoas. 
· Um problema com grande parte das campanhas de saúde pública, como o anúncio contra o fumo ou a Lei Seca é se a indução ao medo funciona realmente para mudar as atitudes das pessoas.
· Será que as imagens de pacientes com câncer nos maços de cigarro conseguem diminuir o consumo do produto, ou será que, frente a uma imagem tão chocante, o fumante opta por ignorar a foto do maço?
· Segundo uma análise recente de mais de 100 estudos sobre esse assunto, concluiu que a severidade tem efeitos positivos sobre as atitudes. É interessante observar que as imagens não tiveram um impacto maior do que outras induções ao medo. Porém, as pesquisas com objetivo nas três variáveis da persuasão, normalmente, visam o impacto das variáveis individuais selecionadas, ou seja, de forma isolada. Isto gera problema porque muitos dos efeitos dessas variáveis acabam sendo vistos como contraditórios. Por exemplo, às vezes, a similaridade entre o agente da persuasão e seu público levava a mais persuasão, enquanto, em outras pesquisas, a similaridade aparecia ter pouco impacto sobre a persuasão. Assim surge o modelo de processo

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