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Aula 1 DCI 2020

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DIREITO DO COMÉRCIO INTERNACIONAL
INTRODUÇÃO E CONCEITOS BÁSICOS
COMÉRCIO INTERNACIONAL
CONCEITO DE COMÉRCIO INTERNACIONAL
O comércio internacional compreende toda a circulação de bens e serviços entre as fronteiras dos países, abrangendo as operações de compra e venda, aluguel, leasing, doação, financiamento e consignação, dentre outras. Em suma, não importa a natureza da operação realizada; se ela envolver circulação de mercadorias e serviços entre países, poderemos considerá-la dentro do escopo do comércio internacional.
 
Dá-se o nome de comércio internacional ao conjunto global de relações comerciais estabelecidas pelos países entre si, por meio das quais estes buscam satisfazer suas necessidades.
Direito Internacional Público x Direito Internacional Privado
Dir. Int. Púbico
Dir. Int. Privado
a) O DI Público reúne o conjunto de normas aplicáveis nas relações entre países;
b) No DI Público, os sujeitos em questão serão os Estados e também as Organizações Internacionais;
c) O DI Público vai regulamentar então, situações entre entes soberanos, estatais e públicos.
a) DI Privado entra em cena para lidar com questões relacionadas a particulares que tenham interesses em mais de um país.
b) No DI Privado as relações jurídicas orbitam entre particulares, mesmo nos casos onde o Estado ou Organização Internacional figure em meio a uma determinada lide.
c) O DI Privado vai tratar de situações entre entes privados, jurisdicionados, ou ainda que públicos, que figurem na condição de particulares.
A Internalização dos Tratados Internacionais no Brasil
Embora a internalização dos tratados internacionais seja matéria regulamentada de acordo com o ordenamento jurídico de cada país, existem, via de regra, dois modelos de procedimentos para realizar a análise dos tratados internacionais com vistas a sua posterior ratificação. O primeiro modelo, chamado de unifásico, dispensa a análise do tratado pelo órgão legislativo do país, sendo necessária apenas sua assinatura para que o texto seja incorporado ao ordenamento jurídico interno. No segundo modelo, chamado de multifásico, há várias etapas distintas de tramitação do tratado entre os poderes do Estado.
Acordo-executivo ou Executive Agreement
Brasil: Há dois tipos de procedimentos para viabilizar a incorporação de um tratado internacional, o procedimento simplificado que dispensa a aprovação do Poder Legislativo, e o procedimento padrão multifásico, em que o tratado deve passar pela aprovação do Congresso Nacional. 
Acordo-executivo Ou Executive Agreement: Dispensa o trâmite legislativo e a aprovação pelo Congresso Nacional. O acordo-executivo é uma expressão criada nos Estados Unidos para designar aquele tratado que se conclui sob a autoridade do chefe do Poder Executivo, independentemente do parecer e consentimento do Senado ou do órgão legislativo competente. O acordo-executivo tem forma simplificada, é exarado pelo Presidente da República e tem a mesma autoridade dos tratados, não sendo submetido a nenhuma espécie de controle constitucional. A única formalidade exigida para sua entrada em vigor é a assinatura pelo Chefe do Poder Executivo, ou por outra autoridade por delegação com base no artigo 84 da Constituição Federal de 1988, no caso brasileiro.
Ex: A título de exemplo, pode-se citar os Memorados Bilaterais de Cooperação para Infraestrutura - MOCs, que criam um espaço de colaboração institucional entre o Brasil e outros países com vistas a facilitar investimentos externos em setores de infraestrutura. O Memorando de Cooperação estabelece um marco de colaboração institucional bilateral, com a presença do Estado, que oferece segurança aos investidores estrangeiros sem criar obrigações contratuais. 
TRATADO
Tratado é o acordo formal concluído entre os sujeitos de Direito Internacional Público – Estados, organismos internacionais e outras coletividades – destinado a produzir efeitos jurídicos na órbita internacional
Com relação ao modelo multifásico, no Brasil, a primeira fase do processo de internalização tem início com a negociação do tratado por representantes oficiais do Governo brasileiro devidamente autorizados para discutir a matéria proposta. Debatido durante rodadas de negociações em que participam representantes de vários Estados, que serão, uma vez ratificado o tratado no âmbito interno, denominados de Estados-Parte daquele tratado ou convenção internacional.
A segunda fase do processo de internalização do tratado ocorre no encerramento das negociações por ocasião da assinatura. Segundo o artigo 84 da Constituição Federal de 1988, podem assinar um Tratado o Presidente da República, o Ministro das Relações Exteriores, o Chefe de Missão Diplomática, ou autoridades detentoras da Carta de Plenos Poderes, outorgada pelo Presidente da República e referendada pelo Ministro das Relações Exteriores.
TRATADOS
Na terceira fase do processo de internalização, o TRATADO deve ser submetido à apreciação do Congresso Nacional
Finda essa etapa, o texto é submetido ao Plenário, e caso aprovado, será enviado ao Senado Federal para os mesmos procedimentos. Se houver aprovação pelo Senado Federal, o texto do tratado é então assinado pelo Presidente do Senado e publicado no Diário Oficial da União. 
Cumpre salientar que a fase de análise legislativa só se encerra definitivamente se o Tratado for rejeitado, do contrário a aprovação final ainda dependerá da sanção presidencial. 
A sanção presidencial constitui a quarta fase do processo de internalização do tratado internacional. A promulgação pelo Presidente da República e a publicação do texto do tratado, por meio de decreto do chefe do Executivo - onde se divulga o texto integral do pacto e, também, as regras sobre sua entrada em vigor, representam a sanção definitiva. Portanto, a sanção presidencial ao novo tratado internacional implica na obrigação do Governo brasileiro de dar cumprimento às responsabilidades assumidas por ocasião da entrada em vigor desse novo ato normativo. Cumpre esclarecer que o decreto executivo pode não mencionar o prazo de vigência do tratado, que nesta hipótese entrará em vigência 45 dias após a sua publicação, ou prever expressamente outro prazo. 
Outros nomes que abordam a questão e, de quase sempre, acabam por confundir-se com tratados são: Convenção, Acordo, Pacto, Protocolo, Regulamento, Declaração, Carta, Concordata, Convênio, Compromisso, Estatuto, Ata, Memorandum, dentre outros. Embora aparentemente sinônimos, a doutrina já destaca algumas distinções entre essas denominações. Vejamos algumas definições:
a) CONVENÇÃO – refere-se a tratado multilateral que estabelece normas gerais a todos os partícipes, por exemplo, Convenção de Viena sobre Tratados, Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, Convenção sobre o Direito do Mar, Convenções da OIT (organização Internacional do Trabalho) etc.
b) Acordo – é empregado para os tratados mais simples, quase sempre de natureza econômica. Tem características técnicas, administrativas. É normalmente temporário, por exemplo, acordos que o Brasil fez com o FMI (Fundo Monetário Internacional) pedindo empréstimo de dinheiro (OBS: Nesse caso por envolver gasto público – custo financeiro, no caso do Brasil tem que ser votado no Senado Federal). Há também o Acordo de Sede, aquele que um organismo internacional faz com um Estado para se estabelecer em seu território.
c) PROTOCOLO – é um tratado secundário, atrelado a um tratado principal. Vem para complementar o tratado principal, implementar algumas de suas cláusulas, corrigir os rumos do tratado original para alcançar o objetivo proposto pelos países envolvidos, por exemplo, Protocolo de Brasília de 1991, estabelecendo formas de solução de controvérsia, sem matérias comerciais, e consolidando a estrutura do Mercosul, e também o Protocolo de Las Leñas, sobre matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa, envolvendo os mesmos Estados-partes.
d) CARTA, ESTATUTO – tais nomes são utilizados para representar o tratado constitutivo das entidades