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janeiro/2017 Adequação de Ofertas de Produtos e Serviços ao Cliente (Suitability) Aspectos Regulatórios Elisangela Peña Munhoz 2 Sumário Apresentação 3 Introdução 4 I. Sistema Financeiro Nacional 5 II. Código de Proteção e Defesa do Consumidor 39 III. Regulamentação das relações de consumo no Sistema Financeiro 59 IV. Psicologia Econômica 114 V. Adequação da oferta de produto e serviço 125 Bibliografia 137 3 Apresentação O Conselho Monetário Nacional por meio da Resolução nº 3.694/09, com as alterações da Resolução nº 4.283/13, dispôs que a oferta de produtos e serviços financeiros deve atender as necessidades, os interesses e os objetivos dos clientes e usuários. De outra parte, a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), por meio do Sistema de Autorregulação Bancária, publicou o normativo de crédito responsável (SARB nº 10/2013) e o normativo de adequação da oferta de produtos e serviços (SARB nº 17/2016). Este último normativo prevê o treinamento e a capacitação dos funcionários que desempenham atividades de criação, de oferta e de venda de produtos e serviços. Com base nisso, o Instituto FEBRABAN de Educação (INFI) concebeu o exame de Adequação de Ofertas de Produtos e Serviços ao Cliente (Suitability) Aspectos Regulatórios, que irá atestar o conhecimento das normas pertinentes às relações de consumo. Esta prova será realizada de forma eletrônica e à distância. O INFI conta com um banco de questões, dentre as quais 30 são randomicamente selecionadas e apresentadas ao candidato. A prova que deverá ser concluída em até 1h30m, aborda três temas: (1) adequação da oferta ao perfil do cliente; (2) ética e proteção do consumidor; e, (3) situações práticas de venda. Para cada um desses temas são indicados regulamentos e textos de apoio, que devem ser lidos e conhecidos como parte da preparação para a prova de certificação. Além disso, o aluno dispõe de um simulado, inspirado em casos reais, para ajudar nessa preparação. E, como mais uma ferramenta de apoio, o INFI/FEBRABAN apresenta este guia de estudos. Aqui, você encontrará as principais referências sobre o conteúdo da prova. 4 Introdução A Lei nº 8.078/90, conhecida como Código de Proteção e Defesa do Consumidor estabelece as regras válidas para as relações de consumo no território brasileiro, prevendo expressamente sua aplicável aos produtos e serviços oferecidos pelo sistema financeiro e bancário. Assim, as regras do CDC valem para o atendimento nas agências, valem para a oferta de produtos pelas centrais de atendimento, ou seja, elas valem para o seu dia- a- dia de trabalho. A elaboração deste material teve como premissa que o leitor pudesse perceber esta relação. Para tanto, enfrentou o desafio de aproximar os regulamentos do Sistema Financeiro com os direitos básicos do consumidor. Escolhemos organizar o material primando por uma sequencia lógica: partimos das leis de organização do Sistema Financeiro e do próprio Código de Proteção e Defesa do Consumidor, para só depois realizarmos o exercício de aproximação com as Resoluções CMN e os normativos da Autorregulação Bancária. Tratamos da oferta, da comunicação, da contratação, do tratamento das reclamações, enfim, abordamos as principais interações com o consumidor bancário. Esperamos que este material ajude você não só nos estudos, mas também no seu dia- a- dia de trabalho, para realizar uma oferta adequada de produtos e serviços aos seus clientes. Afinal, conhecer este conteúdo é ponto crítico para a assertividade e legalidade no desempenho de suas tarefas. Bons estudos! Boa prova! Bons negócios! 5 I. Sistema Financeiro Nacional Nesse primeiro capítulo iremos estudar quatro leis: a Lei Complementar nº 105/01, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras; a Lei nº 4.595/64, que dispõe sobre a Política e as Instituições Monetárias, Bancárias e Creditícias e cria o Conselho Monetário Nacional; a Lei nº 9.069/95, que dispõe sobre o Plano Real, o Sistema Monetário Nacional, estabelece as regras e condições de emissão do REAL e os critérios para conversão das obrigações para o REAL; e, o Decreto nº 6.306/07, que regulamenta o IOF. Começando pela Lei nº 4.595/64, norma que estrutura e regula o Sistema Financeiro Brasileiro, que é composto pelo Conselho Monetário Nacional, o Banco Central da República do Brasil, o Banco Central do Brasil, o Banco do Brasil, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDS) e demais instituições financeiras públicas e privadas. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm Art. 1º O sistema Financeiro Nacional, estruturado e regulado pela presente Lei, será constituído: I - do Conselho Monetário Nacional; II - do Banco Central da República do Brasil; II - do Banco Central do Brasil; (Redação dada pelo Del nº 278, de 28/02/67) III - do Banco do Brasil S. A.; IV - do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico; V - das demais instituições financeiras públicas e privadas. 6 Vamos detalhar um pouco as informações sobre o Conselho Monetário Nacional, o Banco Central, o Banco do Brasil e as Instituições Financeiras, porque são entidades que interessam diretamente ao seu cotidiano de trabalho. Sobre o Conselho Monetário Nacional, que a partir de agora iremos cita- lo apenas por sua sigla CMN, é composto por três membros, nos termos do que estabeleceu a Lei nº 9.069/95: o Ministro do Estado da Fazenda (que é também o presidente deste conselho), o Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão e o Presidente do Banco Central. Confira: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm Art. 8º O Conselho Monetário Nacional, criado pela Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, passa a ser integrado pelos seguintes membros: I - Ministro de Estado da Fazenda, na qualidade de Presidente; II - Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão;(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.216- 37, de 2001) III - Presidente do Banco Central do Brasil. § 1º O Conselho deliberará mediante resoluções, por maioria de votos, cabendo ao Presidente a prerrogativa de deliberar, nos casos de urgência e relevante interesse, ad referendum dos demais membros. § 2º Quando deliberar ad referendum do Conselho, o Presidente submeterá a decisão ao colegiado na primeira reunião que se seguir àquela deliberação. § 3º O Presidente do Conselho poderá convidar Ministros de Estado, bem como representantes de entidades públicas ou privadas, para participar das reuniões, não lhes sendo permitido o direito de voto. § 4º O Conselho reunir- se- á, ordinariamente, uma vez por mês, e, extraordinariamente, sempre que for convocado por seu Presidente. § 5º O Banco Central do Brasil funcionará como secretaria- executiva do Conselho. § 6º O regimento interno do Conselho Monetário Nacional será aprovado por decreto do Presidente da República, no prazo máximo de trinta dias, contados da publicação desta Lei. § 7º A partir de 30 de junho de 1994, ficam extintos os mandatos de membros do Conselho Monetário Nacional nomeados até aquela data. 7 O CMN nos interessa porque é responsável pela formulação das políticas da moeda e do crédito com vistas ao progresso econômico e social do Brasil, como manda a Lei nº 4.595/64. Para a formulação da política da moeda, são suas atribuições, entre outras, autorizar as emissões de papel- moeda, determinar as características gerais das cédulas e das moedas, estabelecer condições para que o Banco Central emita moeda- papel. Já para a formulação da política do crédito, são suas atribuições: fixar diretrizes e normas da política cambial, disciplinar o crédito em todas as suas modalidades e as operações creditícias em todas as suas formas, limitar as taxas de juros, sempre que necessário, entre outras. Vale aqui destacarmos que dedicaremos parte de nosso tempo de estudo à algumas Resoluções do CMN, afinal, compete a esteórgão (VIII) regular a constituição, funcionamento e fiscalização dos que exercerem atividades subordinadas a esta lei, bem como a aplicação das penalidades previstas. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm Art. 4º Compete ao Conselho Monetário Nacional, segundo diretrizes estabelecidas pelo Presidente da República: I - Autorizar as emissões de papel- moeda (Vetado) as quais ficarão na prévia dependência de autorização legislativa quando se destinarem ao financiamento direto pelo Banco Central da República do Brasil, das operações de crédito com o Tesouro Nacional, nos termos do artigo 49 desta Lei. (Vide Lei nº 8.392, de 30.12.91) O Conselho Monetário Nacional pode, ainda autorizar o Banco Central da República do Brasil a emitir, anualmente, até o limite de 10% (dez por cento) dos meios de pagamentos existentes a 31 de dezembro do ano anterior, para atender as exigências das atividades produtivas e da circulação da riqueza do País, devendo, porém, solicitar autorização do Poder Legislativo, mediante Mensagem do Presidente da República, para as emissões que, justificadamente, se tornarem necessárias além daquele limite. Quando necessidades urgentes e imprevistas para o financiamento dessas atividades o determinarem, pode o Conselho Monetário Nacional autorizar as emissões que se fizerem indispensáveis, solicitando imediatamente, através de Mensagem do Presidente da República, homologação do Poder Legislativo para as emissões assim realizadas: II - Estabelecer condições para que o Banco Central da República do Brasil emita moeda- papel (Vetado) de curso forçado, nos termos e limites decorrentes desta Lei, bem como as normas reguladoras do meio circulante; 8 III - Aprovar os orçamentos monetários, preparados pelo Banco Central da República do Brasil, por meio dos quais se estimarão as necessidades globais de moeda e crédito; IV - Determinar as características gerais (Vetado) das cédulas e das moedas; V - Fixar as diretrizes e normas (VETADO) da política cambial, inclusive compra e venda de ouro e quaisquer operações em moeda estrangeira; V - Fixar as diretrizes e normas da política cambial, inclusive quanto a compra e venda de ouro e quaisquer operações em Direitos Especiais de Saque e em moeda estrangeira; (Redação dada pelo Del nº 581, de 14/05/69) VI - Disciplinar o crédito em todas as suas modalidades e as operações creditícias em todas as suas formas, inclusive aceites, avais e prestações de quaisquer garantias por parte das instituições financeiras; VII - Coordenar a política de que trata o art. 3º desta Lei com a de investimentos do Governo Federal; VIII - Regular a constituição, funcionamento e fiscalização dos que exercerem atividades subordinadas a esta lei, bem como a aplicação das penalidades previstas; IX - Limitar, sempre que necessário, as taxas de juros, descontos comissões e qualquer outra forma de remuneração de operações e serviços bancários ou financeiros, inclusive os prestados pelo Banco Central da República do Brasil, assegurando taxas favorecidas aos financiamentos que se destinem a promover: - recuperação e fertilização do solo; - reflorestamento; - combate a epizootias e pragas, nas atividades rurais; - eletrificação rural; - mecanização; - irrigação; - investimento indispensáveis às atividades agropecuárias; X - Determinar a percentagem máxima dos recursos que as instituições financeiras poderão emprestar a um mesmo cliente ou grupo de empresas; XI - Estipular índices e outras condições técnicas sobre encaixes, mobilizações e outras relações patrimoniais a serem observadas pelas instituições financeiras; 9 XII - Expedir normas gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas instituições financeiras; XIII - Delimitar, com periodicidade não inferior a dois anos o capital mínimo das instituições financeiras privadas, levando em conta sua natureza, bem como a localização de suas sedes e agências ou filiais; XIV - Determinar recolhimento de até 60% (sessenta por cento) do total dos depósitos e/ou outros títulos contábeis das instituições financeiras, seja na forma de subscrição de letras ou obrigações do Tesouro Nacional ou compra de títulos da Dívida Pública Federal, seja através de recolhimento em espécie, em ambos os casos entregues ao Banco Central do Brasil, na forma e condições que o Conselho Monetário Nacional determinar, podendo este: (Redação dada pelo Del nº 1.959, de 14/09/82) a) adotar percentagens diferentes em função;; (Redação dada pelo Del nº 1.959, de 14/09/82) - das regiões geo- econômicas;; (Redação dada pelo Del nº 1.959, de 14/09/82) - das prioridades que atribuir às aplicações; (Redação dada pelo Del nº 1.959, de 14/09/82) - da natureza das instituições financeiras; (Redação dada pelo Del nº 1.959, de 14/09/82) b) determinar percentuais que não serão recolhidos, desde que tenham sido reaplicados em financiamentos à agricultura, sob juros favorecidos e outras condições fixadas pelo Conselho Monetário Nacional. (Redação dada pelo Del nº 1.959, de 14/09/82) (Vide art 10, inciso III) XV - Estabelecer para as instituições financeiras públicas, a dedução dos depósitos de pessoas jurídicas de direito público que lhes detenham o controle acionário, bem como dos das respectivas autarquias e sociedades de economia mista, no cálculo a que se refere o inciso anterior; XVI - Enviar obrigatoriamente ao Congresso Nacional, até o último dia do mês subsequente, relatório e mapas demonstrativos da aplicação dos recolhimentos compulsórios, (Vetado). XVII - Regulamentar, fixando limites, prazos e outras condições, as operações de redesconto e de empréstimo, efetuadas com quaisquer instituições financeiras públicas e privadas de natureza bancária; XVIII - Outorgar ao Banco Central da República do Brasil o monopólio das operações de câmbio quando ocorrer grave desequilíbrio no balanço de pagamentos ou houver sérias razões para prever a iminência de tal situação; XIX - Estabelecer normas a serem observadas pelo Banco Central da República do Brasil em suas transações com títulos públicos e de entidades de que participe o Estado; 10 XX - Autoriza o Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas federais a efetuar a subscrição, compra e venda de ações e outros papéis emitidos ou de responsabilidade das sociedades de economia mista e empresas do Estado; XXI - Disciplinar as atividades das Bolsas de Valores e dos corretores de fundos públicos; XXII - Estatuir normas para as operações das instituições financeiras públicas, para preservar sua solidez e adequar seu funcionamento aos objetivos desta lei; XXIII - Fixar, até quinze (15) vezes a soma do capital realizado e reservas livres, o limite além do qual os excedentes dos depósitos das instituições financeiras serão recolhidos ao Banco Central da República do Brasil ou aplicados de acordo com as normas que o Conselho estabelecer; XXIV - Decidir de sua própria organização;; elaborando seu regimento interno no prazo máximo de trinta (30) dias; XXV - Decidir da estrutura técnica e administrativa do Banco Central da República do Brasil e fixar seu quadro de pessoal, bem como estabelecer os vencimentos e vantagens de seus funcionários, servidores e diretores, cabendo ao Presidente deste apresentar as respectivas propostas; (Vide Lei nº 9.650, 27.5.1998) XXVI - Conhecer dos recursos de decisões do Banco Central da República do Brasil; (Vide Lei nº 9.069, de 29.6.1995) XXVII - Aprovar o regimento interno e as contas do Banco Central da República do Brasil, sem prejuízo da competência do Tribunal de Contas da União; XXVII - aprovar o regimento interno e as contas do Banco Central do Brasil e decidir sobre seu orçamento e sobre seus sistemas de contabilidade, bem como sobre a forma e prazo de transferência de seus resultados para o Tesouro Nacional, sem prejuízo da competência do Tribunal de Contas da União.(Redação dada pelo Decreto Lei nº 2.376, de 25.11.1987) (Vide art 10, inciso III) XXVIII - Aplicar aos bancos estrangeiros que funcionem no País as mesmas vedações ou restrições equivalentes, que vigorem nas praças de suas matrizes, em relação a bancos brasileiros ali instalados ou que nelas desejem estabelecer - se; XXIX - Colaborar com o Senado Federal, na instrução dos processos de empréstimos externos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para cumprimento do disposto no art. 63, nº II, da Constituição Federal; XXX - Expedir normas e regulamentação para as designações e demais efeitos do art. 7º, desta lei. (Vide Lei nº 9.069, de 29.6.1995) XXXI - Baixar normas que regulem as operações de câmbio, inclusive swaps, fixando limites, taxas, prazos e outras condições. 11 Sobre o Banco Central do Brasil, que chamaremos de BACEN, é uma autarquia, à qual compete cumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são atribuídas pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional (art. 9º), além de tomar algumas medidas de forma exclusiva, como por exemplo, emitir a moeda- papel e a moeda metálica, exercer o controle do crédito. Veja o texto legal: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm XXXII - regular os depósitos a prazo entre instituições financeiras, inclusive entre aquelas sujeitas ao mesmo controle ou coligadas; (Incluído pelo Decreto Lei nº 2.283, de 1986) XXXII - regular os depósitos a prazo entre instituições financeiras, inclusive entre aquelas sujeitas ao mesmo controle acionário ou coligadas; (Redação dada pelo Decreto Lei nº 2.284, de 1986) XXXII - regular os depósitos a prazo de instituições financeiras e demais sociedades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, inclusive entre aquelas sujeitas ao mesmo controle acionário ou coligadas. (Redação dada pelo Decreto- lei nº 2.290, de 1986). Art. 10. Compete privativamente ao Banco Central da República do Brasil: I - Emitir moeda- papel e moeda metálica, nas condições e limites autorizados pelo Conselho Monetário Nacional (Vetado). II - Executar os serviços do meio- circulante; III - determinar o recolhimento de até cem por cento do total dos depósitos à vista e de até sessenta por cento de outros títulos contábeis das instituições financeiras, seja na forma de subscrição de Letras ou Obrigações do Tesouro Nacional ou compra de títulos da Dívida Pública Federal, seja através de recolhimento em espécie, em ambos os casos entregues ao Banco Central do Brasil, a forma e condições por ele determinadas, podendo: (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989) a) adotar percentagens diferentes em função: (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989) 1. das regiões geoeconômicas; (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989) 2. das prioridades que atribuir às aplicações; (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989) 3. da natureza das instituições financeiras; (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989) 12 b) determinar percentuais que não serão recolhidos, desde que tenham sido reaplicados em financiamentos à agricultura, sob juros favorecidos e outras condições por ele fixadas. (Incluído pela Lei nº 7.730, de 31.1.1989) IV - receber os recolhimentos compulsórios de que trata o inciso anterior e, ainda, os depósitos voluntários à vista das instituições financeiras, nos termos do inciso III e § 2° do art. 19. (Redação dada pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) V - Realizar operações de redesconto e empréstimos a instituições financeiras bancárias e as referidas no Art. 4º, inciso XIV, letra “ b “, e no § 4º do Art. 49 desta lei;; (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) VI - Exercer o controle do crédito sob todas as suas formas; (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) VII - Efetuar o controle dos capitais estrangeiros, nos termos da lei; (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) VIII - Ser depositário das reservas oficiais de ouro e moeda estrangeira; VIII - Ser depositário das reservas oficiais de ouro e moeda estrangeira e de Direitos Especiais de Saque e fazer com estas últimas todas e quaisquer operações previstas no Convênio Constitutivo do Fundo Monetário Internacional; (Redação dada pelo Del nº 581, de 14/05/69) (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) IX - Exercer a fiscalização das instituições financeiras e aplicar as penalidades previstas; (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) X - Conceder autorização às instituições financeiras, a fim de que possam: (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) a) funcionar no País; b) instalar ou transferir suas sedes, ou dependências, inclusive no exterior; c) ser transformadas, fundidas, incorporadas ou encampadas; d) praticar operações de câmbio, crédito real e venda habitual de títulos da dívida pública federal, estadual ou municipal, ações Debêntures, letras hipotecárias e outros títulos de crédito ou mobiliários; e) ter prorrogados os prazos concedidos para funcionamento; f ) alterar seus estatutos. g) alienar ou, por qualquer outra forma, transferir o seu controle acionário. (Incluído pelo Del nº 2.321, de 25/02/87) 13 XI - Estabelecer condições para a posse e para o exercício de quaisquer cargos de administração de instituições financeiras privadas, assim como para o exercício de quaisquer funções em órgãos consultivos, fiscais e semelhantes, segundo normas que forem expedidas pelo Conselho Monetário Nacional;; (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) XII - Efetuar, como instrumento de política monetária, operações de compra e venda de títulos públicos federais;; (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) XIII - Determinar que as matrizes das instituições financeiras registrem os cadastros das firmas que operam com suas agências há mais de um ano. (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) § 1º No exercício das atribuições a que se refere o inciso IX deste artigo, com base nas normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, o Banco Central da República do Brasil, estudará os pedidos que lhe sejam formulados e resolverá conceder ou recusar a autorização pleiteada, podendo (Vetado) incluir as cláusulas que reputar convenientes ao interesse público. § 2º Observado o disposto no parágrafo anterior, as instituições financeiras estrangeiras dependem de autorização do Poder Executivo, mediante decreto, para que possam funcionar no País (Vetado) Art. 11. Compete ainda ao Banco Central da República do Brasil; I - Entender- se, em nome do Governo Brasileiro, com as instituições financeiras estrangeiras e internacionais; II - Promover, como agente do Governo Federal, a colocação de empréstimos internos ou externos, podendo, também, encarregar- se dos respectivos serviços; III - Atuar no sentido do funcionamento regular do mercado cambial, da estabilidade relativa das taxas de câmbio e do equilíbrio no balanço de pagamentos, podendo para esse fim comprar e vender ouro e moeda estrangeira, bem como realizar operações de crédito no exterior, inclusive as referentes aos Direitos Especiais de Saque, e separar os mercados de câmbio financeiro e comercial; (Redação dada pelo Del nº 581, de 14/05/69) IV - Efetuar compra e venda de títulos de sociedades de economia mista e empresas do Estado; V - Emitir títulos de responsabilidade própria, de acordo com as condições estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional; VI - Regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis; 14 Segundo a Lei nº 4.595/64, cabe ao BACEN, também, autorizar previamente o funcionamento das Instituições Financeiras, exceto se estas forem estrangeiras, quando então, só poderão funcionar com autorização do Poder Executivo, por meio de decreto. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm VII - Exercer permanente vigilância nos mercados financeiros e de capitais sobre empresas que, direta ou indiretamente, interfiram nesses mercados e em relação às modalidades ou processosoperacionais que utilizem; VIII - Prover, sob controle do Conselho Monetário Nacional, os serviços de sua Secretaria. § 1º No exercício das atribuições a que se refere o inciso VIII do artigo 10 desta lei, o Banco Central do Brasil poderá examinar os livros e documentos das pessoas naturais ou jurídicas que detenham o controle acionário de instituição financeira, ficando essas pessoas sujeitas ao disposto no artigo 44, § 8º, desta lei. (Incluído pelo Del nº 2.321, de 25/02/87) § 2º O Banco Central da República do Brasil instalará delegacias, com autorização do Conselho Monetário Nacional, nas diferentes regiões geo- econômicas do País, tendo em vista a descentralização administrativa para distribuição e recolhimento da moeda e o cumprimento das decisões adotadas pelo mesmo Conselho ou prescritas em lei. (Renumerado pelo Del nº 2.321, de 25/02/87) Art. 18. As instituições financeiras somente poderão funcionar no País mediante prévia autorização do Banco Central da República do Brasil ou decreto do Poder Executivo, quando forem estrangeiras. § 1º Além dos estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de crédito, financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de valores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições financeiras. 15 Sobre o Banco do Brasil, que também compõe o Sistema Financeiro, funciona como agente financeiro do Tesouro Nacional e como executor da política de crédito e financeira do governo federal. Possui várias atribuições, entre elas, (I) ser agente pagador e recebedor fora do País (IV) executar os serviços de compensação de cheques. Confira texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm § 2º O Banco Central da Republica do Brasil, no exercício da fiscalização que lhe compete, regulará as condições de concorrência entre instituições financeiras, coibindo- lhes os abusos com a aplicação da pena (Vetado) nos termos desta lei. § 3º Dependerão de prévia autorização do Banco Central da República do Brasil as campanhas destinadas à coleta de recursos do público, praticadas por pessoas físicas ou jurídicas abrangidas neste artigo, salvo para subscrição pública de ações, nos termos da lei das sociedades por ações. Art. 19. Ao Banco do Brasil S. A. competirá precipuamente, sob a supervisão do Conselho Monetário Nacional e como instrumento de execução da política creditícia e financeira do Governo Federal: I - na qualidade de Agente, Financeiro do Tesouro Nacional, sem prejuízo de outras funções que lhe venham a ser atribuídas e ressalvado o disposto no art. 8º, da Lei nº 1628, de 20 de junho de 1952: a) receber, a crédito do Tesouro Nacional, as importâncias provenientes da arrecadação de tributos ou rendas federais e ainda o produto das operações de que trata o art. 49, desta lei; b) realizar os pagamentos e suprimentos necessários à execução do Orçamento Geral da União e leis complementares, de acordo com as autorizações que lhe forem transmitidas pelo Ministério da Fazenda, as quais não poderão exceder o montante global dos recursos a que se refere a letra anterior, vedada a concessão, pelo Banco, de créditos de qualquer natureza ao Tesouro Nacional; c) conceder aval, fiança e outras garantias, consoante expressa autorização legal; d) adquirir e financiar estoques de produção exportável; e) executar a política de preços mínimos dos produtos agropastoris; f ) ser agente pagador e recebedor fora do País; 16 g) executar o serviço da dívida pública consolidada; II - como principal executor dos serviços bancários de interesse do Governo Federal, inclusive suas autarquias, receber em depósito, com exclusividade, as disponibilidades de quaisquer entidades federais, compreendendo as repartições de todos os ministérios civis e militares, instituições de previdência e outras autarquias, comissões, departamentos, entidades em regime especial de administração e quaisquer pessoas físicas ou jurídicas responsáveis por adiantamentos, ressalvados o disposto no § 5º deste artigo, as exceções previstas em lei ou casos especiais, expressamente autorizados pelo Conselho Monetário Nacional, por proposta do Banco Central da República do Brasil; III - arrecadar os depósitos voluntários, à vista, das instituições de que trata o inciso III, do art. 10, desta lei, escriturando as respectivas contas; (Redação dada pelo Decreto- lei nº 2.284, de 1986) IV - executar os serviços de compensação de cheques e outros papéis; V - receber, com exclusividade, os depósitos de que tratam os artigos 38, item 3º, do Decreto- lei nº 2.627, de 26 de setembro de 1940, e 1º do Decreto- lei nº 5.956, de 01/11/43, ressalvado o disposto no art. 27, desta lei; VI - realizar, por conta própria, operações de compra e venda de moeda estrangeira e, por conta do Banco Central da República do Brasil, nas condições estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional; VII - realizar recebimentos ou pagamentos e outros serviços de interesse do Banco Central da República do Brasil, mediante contratação na forma do art. 13, desta lei; VIII - dar execução à política de comércio exterior (Vetado). IX - financiar a aquisição e instalação da pequena e média propriedade rural, nos termos da legislação que regular a matéria; X - financiar as atividades industriais e rurais, estas com o favorecimento referido no art. 4º, inciso IX, e art. 53, desta lei; XI - difundir e orientar o crédito, inclusive às atividades comerciais suplementando a ação da rede bancária; a) no financiamento das atividades econômicas, atendendo àsnecessidades creditícias das diferentes regiões do País; b) no financiamento das exportações e importações. (Vide Lei nº 8.490 de 19.11.1992) § 1º - O Conselho Monetário Nacional assegurará recursos específicos que possibilitem ao Banco do Brasil S. A., sob adequada remuneração, o atendimento dos encargos previstos nesta lei. 17 O Banco do Brasil terá como presidente uma pessoa indicada pelo Presidente da República e aprovada pelo Senado Federal, de reputação integra. Caráter que também deverá ser reconhecido em seus diretores. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm Sobre as Instituições Financeiras (IFs), que são as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm § 2º - Do montante global dos depósitos arrecadados, na forma do inciso III deste artigo o Banco do Brasil S. A. Colocará à disposição do Banco Central da República do Brasil, observadas as normas que forem estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, a parcela que exceder as necessidades normais de movimentação das contas respectivas, em função dos serviços aludidos no inciso IV deste artigo. § 3º - Os encargos referidos no inciso I, deste artigo, serão objeto de contratação entre o Banco do Brasil S. A. e a União Federal, esta representada pelo Ministro da Fazenda. § 4º - O Banco do Brasil S. A. prestará ao Banco Central da República do Brasil todas as informações por este julgadas necessárias para a exata execução desta lei. § 5º - Os depósitos de que trata o inciso II deste artigo,também poderão ser feitos nas Caixas econômicas Federais, nos limites e condições fixadas pelo Conselho Monetário Nacional. Art. 21. O Presidente e os Diretores do Banco do Brasil S. A. deverão ser pessoas de reputação ilibada e notória capacidade. § 1º A nomeação do Presidente do Banco do Brasil S. A. será feita pelo Presidente da República, após aprovação do Senado Federal. § 2º As substituições eventuais do Presidente do Banco do Brasil S. A. não poderão exceder o prazo de 30 (trinta) dias consecutivos, sem que o Presidente da República submeta ao Senado Federal o nome do substituto. 18 Estas organizações deverão, obrigatoriamente, serem constituídas como sociedades anônimas, excetuando as cooperativas de crédito. Estas Sociedades Anônimas precisam respeitar regras específicas para a emissão de suas ações, que foram definidas na Lei nº 4.595/64, inclusive, no que toca a constituição do capital inicial, que deverá ser sempre considerada a moeda nacional corrente. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm Art. 17. Consideram- se instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparam- se às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual. Art. 25. As instituições financeiras privadas, exceto as cooperativas de crédito, constituir- se- ão unicamente sob a forma de sociedade anônima, devendo a totalidade de seu capital com direito a voto ser representada por ações nominativas. (Redação dada pela Lei nº 5.710, de 07/10/71) § 1º Observadas as normas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional as instituições a que se refere este artigo poderão emitir até o limite de 50% de seu capital social em ações preferenciais, nas formas nominativas, e ao portador, sem direito a voto, às quais não se aplicará o disposto no parágrafo único do art. 81 do Decreto- lei nº 2.627, de 26 de setembro de 1940. (Incluído pela Lei nº 5.710, de 07/10/71) § 2º A emissão de ações preferenciais ao portador, que poderá ser feita em virtude de aumento de capital, conversão de ações ordinárias ou de ações preferenciais nominativas, ficará sujeita a alterações prévias dos estatutos das sociedades, a fim de que sejam neles incluídas as declarações sobre: (Incluído pela Lei nº 5.710, de 07/10/71) I - as vantagens, preferenciais e restrições atribuídas a cada classe de ações preferenciais, de acordo com o Decreto- lei nº 2.627, de 26 de setembro de 1940;; (Incluído pela Lei nº 5.710, de 07/10/71) II - as formas e prazos em que poderá ser autorizada a conversão das ações, vedada a conversão das ações preferenciais em outro tipo de ações com direito a voto. (Incluído pela Lei nº 5.710, de 07/10/71) 19 A atividade de concessão de empréstimos ou de adiantamentos desempenhadas por uma Instituição Financeira (IF) tem cinco limitações legais importantes e que precisam ser conhecidas. Veja o que estabelece o art. 34 da Lei nº 4.595/64. A inobservância desta proibição implicará em crime e os responsáveis pela infração poderão ser submetidos ao cumprimento de pena de reclusão de 1 a 4 anos. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm § 3º Os títulos e cautelas representativas das ações preferenciais, emitidos nos termos dos parágrafos anteriores, deverão conter expressamente as restrições ali especificadas. (Incluído pela Lei nº 5.710, de 07/10/71) Art. 26. O capital inicial das instituições financeiras públicas e privadas será sempre realizado em moeda corrente. Art. 34. É vedado às instituições financeiras conceder empréstimos ou adiantamentos: I - A seus diretores e membros dos conselhos consultivos ou administrativo, fiscais e semelhantes, bem como aos respectivos cônjuges; II - Aos parentes, até o 2º grau, das pessoas a que se refere o inciso anterior; III - As pessoas físicas ou jurídicas que participem de seu capital, com mais de 10% (dez por cento), salvo autorização específica do Banco Central da República do Brasil, em cada caso, quando se tratar de operações lastreadas por efeitos comerciais resultantes de transações de compra e venda ou penhor de mercadorias, em limites que forem fixados pelo Conselho Monetário Nacional, em caráter geral; IV - As pessoas jurídicas de cujo capital participem, com mais de 10% (dez por cento); V - Às pessoas jurídicas de cujo capital participem com mais de 10% (dez por cento), quaisquer dos diretores ou administradores da própria instituição financeira, bem como seus cônjuges e respectivos parentes, até o 2º grau. 20 Atenção! Dever de sigilo. A Lei Complementar nº 105/01 também é importante para o nosso estudo, porque estabelece as regras sobre os sigilos das operações financeiras, ou seja, a obrigação das Instituições Financeiras, no desempenho de suas atividades, de manter algumas informações protegidas por segredo. Logo no art. 1º, o legislador indicou quais as entidades consideradas Instituições Financeiras; o que não é considerado infração ao dever de sigilo; e, as hipóteses em que pode ser decretada a quebra do dever de sigilo. Assim, por exemplo, a troca de informações entre Instituições Financeiras, para fins cadastrais, não constitui uma violação ao dever de sigilo, se forem observadas as regras do CMN e do BACEN. Confira o texto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp105.htm § 1º A infração ao disposto no inciso I, deste artigo, constitui crime e sujeitará os responsáveis pela transgressão à pena de reclusão de um a quatro anos, aplicando- se, no que couber, o Código Penal e o Código de Processo Penal. (Vide Lei 7.492, de 16.7.1986) § 2º O disposto no inciso IV deste artigo não se aplica às instituições financeiras públicas. Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1º São consideradas instituições financeiras, para os efeitos desta Lei Complementar: I – os bancos de qualquer espécie; II – distribuidoras de valores mobiliários; III – corretoras de câmbio e de valores mobiliários; IV – sociedades de crédito, financiamento e investimentos; 21 V – sociedades de crédito imobiliário; VI – administradoras de cartões de crédito; VII – sociedades de arrendamento mercantil; VIII – administradoras de mercado de balcão organizado; IX – cooperativas de crédito; X – associações de poupança e empréstimo; XI – bolsas de valores e de mercadorias e futuros; XII – entidades de liquidação e compensação; XIII – outras sociedades que, em razão da natureza de suas operações, assim venham a ser consideradas pelo Conselho Monetário Nacional. § 2º As empresas de fomento comercial ou factoring, para os efeitos desta Lei Complementar, obedecerão às normas aplicáveis às instituições financeiras previstas no § 1º. § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II - o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operaçõesque envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9 desta Lei Complementar. 22 Ainda sobre a Lei Complementar nº 105/01, ao BACEN também cabe respeitar o sigilo, tanto das informações que envolvem as operações que realiza, quanto das informações que tem acesso por meio de sua competência fiscalizatória sobre as Instituições Financeiras. E, como a Comissão de Valores Mobiliários desempenha a mesma atribuição fiscalizatória, cabe ela mesmo dever. Confira o texto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp105.htm § 4º A quebra de sigilo poderá ser decretada, quando necessária para apuração de ocorrência de qualquer ilícito, em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial, e especialmente nos seguintes crimes: I – de terrorismo; II – de tráfico ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas afins; III – de contrabando ou tráfico de armas, munições ou material destinado a sua produção; IV – de extorsão mediante seqüestro; V – contra o sistema financeiro nacional; VI – contra a Administração Pública; VII – contra a ordem tributária e a previdência social; VIII – lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores; IX – praticado por organização criminosa. Art. 2º O dever de sigilo é extensivo ao Banco Central do Brasil, em relação às operações que realizar e às informações que obtiver no exercício de suas atribuições. § 1º O sigilo, inclusive quanto a contas de depósitos, aplicações e investimentos mantidos em instituições financeiras, não pode ser oposto ao Banco Central do Brasil: I – no desempenho de suas funções de fiscalização, compreendendo a apuração, a qualquer tempo, de ilícitos praticados por controladores, administradores, membros de conselhos estatutários, gerentes, mandatários e prepostos de instituições financeiras; 23 Por determinação do Poder Judiciário, as Instituições Financeiras, o BACEN e a Comissão de Valores Mobiliários prestarão informações sigilosas restritamente aos envolvidos no processo. Se os dados forem requeridos por pessoas que compõem comissões de inquéritos administrativos, estas só serão prestadas se houver autorização judicial. Confira o texto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp105.htm II – ao proceder a inquérito em instituição financeira submetida a regime especial. § 2º As comissões encarregadas dos inquéritos a que se refere o inciso II do § 1º poderão examinar quaisquer documentos relativos a bens, direitos e obrigações das instituições financeiras, de seus controladores, administradores, membros de conselhos estatutários, gerentes, mandatários e prepostos, inclusive contas correntes e operações com outras instituições financeiras. § 3º O disposto neste artigo aplica- se à Comissão de Valores Mobiliários, quando se tratar de fiscalização de operações e serviços no mercado de valores mobiliários, inclusive nas instituições financeiras que sejam companhias abertas. § 4º O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, em suas áreas de competência, poderão firmar convênios: I - com outros órgãos públicos fiscalizadores de instituições financeiras, objetivando a realização de fiscalizações conjuntas, observadas as respectivas competências; II - com bancos centrais ou entidades fiscalizadoras de outros países, objetivando: a) a fiscalização de filiais e subsidiárias de instituições financeiras estrangeiras, em funcionamento no Brasil e de filiais e subsidiárias, no exterior, de instituições financeiras brasileiras; b) a cooperação mútua e o intercâmbio de informações para a investigação de atividades ou operações que impliquem aplicação, negociação, ocultação ou transferência de ativos financeiros e de valores mobiliários relacionados com a prática de condutas ilícitas. § 5º O dever de sigilo de que trata esta Lei Complementar estende- se aos órgãos fiscalizadores mencionados no § 4º e a seus agentes. § 6º O Banco Central do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários e os demais órgãos de fiscalização, nas áreas de suas atribuições, fornecerão ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, de que trata o art. 14 da Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998, as informações cadastrais e de movimento de valores relativos às operações previstas no inciso I do art. 11 da referida Lei. 24 Se for do Poder Legislativo o órgão que requerer as informações sigilosas ao BACEN ou à Comissão de Valores Mobiliários ou às Instituições Financeiras, estes dados só poderão ser cedidos se forem pertinentes ao exercício de suas competências e, o fornecimento, dependerá de autorização previa do Plenário da Câmara dos Deputados, ou do Senado Federal, ou de ambas as casas. Confira o texto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp105.htm Art. 3º Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário, preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes, que delas não poderão servir- se para fins estranhos à lide. § 1º Dependem de prévia autorização do Poder Judiciário a prestação de informações e o fornecimento de documentos sigilosos solicitados por comissão de inquérito administrativo destinada a apurar responsabilidade de servidor público por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre investido. § 2º Nas hipóteses do § 1º, o requerimento de quebra de sigilo independe da existência de processo judicial em curso. § 3º Além dos casos previstos neste artigo o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários fornecerão à Advocacia- Geral da União as informações e os documentos necessários à defesa da União nas ações em que seja parte. Art. 4º O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, nas áreas de suas atribuições, e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as informações e os documentos sigilosos que, fundamentadamente, se fizerem necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais. § 1º As comissões parlamentares de inquérito, no exercício de sua competência constitucional e legal de ampla investigação, obterão as informações e documentos sigilosos de que necessitarem, diretamente das instituições financeiras, ou por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários. § 2º As solicitações de que trata este artigo deverão ser previamente aprovadas pelo Plenário da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, ou do plenário de suas respectivas comissões parlamentares de inquérito. 25 As Instituições Financeiras têm o dever de passar informações sobre as operações realizadas pelos seus usuários à administração tributária federal, para tanto, deverão seguir os critérios definidos pelo Decreto nº 4.489/02. Estes dados serão restritos à identificação dos titulares das operações e aos montantes globais mensalmente movimentados, não podem conter a inserção de qualquer elemento que permita identificar a origem ou a natureza dos gastos. Confira o texto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp105.htm Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (Regulamento) § 1º Consideram- se operações financeiras, para os efeitos deste artigo: I – depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança; II – pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques; III – emissão de ordens de crédito ou documentos assemelhados; IV – resgates em contas de depósitos à vista ou aprazo, inclusive de poupança; V – contratos de mútuo; VI – descontos de duplicatas, notas promissórias e outros títulos de crédito; VII – aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variável; VIII – aplicações em fundos de investimentos; IX – aquisições de moeda estrangeira; X – conversões de moeda estrangeira em moeda nacional; XI – transferências de moeda e outros valores para o exterior; XII – operações com ouro, ativo financeiro; XIII - operações com cartão de crédito; XIV - operações de arrendamento mercantil; e XV – quaisquer outras operações de natureza semelhante que venham a ser autorizadas pelo Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão competente. 26 Em casos de processos administrativos ou procedimentos fiscais, as autoridades poderão ter acesso a informações sigilosas, se esses dados forem indispensáveis. Sendo que, o resultado dessa análise, também será protegido pelo dever de sigilo. Confira o texto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp105.htm Como já falamos, o dever de sigilo do BACEN estende- se à Comissão de Valores Mobiliários, quando se tratar de fiscalização de operações e serviços no mercado de valores mobiliários, assim, instaurado o inquérito administrativo, a Comissão de Valores Mobiliários pode solicitar à autoridade judiciária o levantamento de sigilo quando § 2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringir- se- ão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. § 3º Não se incluem entre as informações de que trata este artigo as operações financeiras efetuadas pelas administrações direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. 27 necessário ao exercício da atividade de fiscalização. Confira o texto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp105.htm Por determinação da Lei nº 105/01, se, durante a atividade fiscalizatória, o BACEN ou a Comissão de Valores Mobiliários encontrarem indícios de ocorrência de algum crime que seja de ação pública, deverão informar o Ministério Público para que sejam tomadas as devidas providencias. Assim definiu a leu porque é de competência deste órgão mover ações públicas. Confira o texto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp105.htm Art. 7º Sem prejuízo do disposto no § 3º do art. 2º, a Comissão de Valores Mobiliários, instaurado inquérito administrativo, poderá solicitar à autoridade judiciária competente o levantamento do sigilo junto às instituições financeiras de informações e documentos relativos a bens, direitos e obrigações de pessoa física ou jurídica submetida ao seu poder disciplinar. Parágrafo único. O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, manterão permanente intercâmbio de informações acerca dos resultados das inspeções que realizarem, dos inquéritos que instaurarem e das penalidades que aplicarem, sempre que as informações forem necessárias ao desempenho de suas atividades. Art. 8º O cumprimento das exigências e formalidades previstas nos artigos 4º, 6º e 7º, será expressamente declarado pelas autoridades competentes nas solicitações dirigidas ao Banco Central do Brasil, à Comissão de Valores Mobiliários ou às instituições financeiras. Art. 9º Quando, no exercício de suas atribuições, o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários verificarem a ocorrência de crime definido em lei como de ação pública, ou indícios da prática de tais crimes, informarão ao Ministério Público, juntando à comunicação os documentos necessários à apuração ou comprovação dos fatos. § 1º A comunicação de que trata este artigo será efetuada pelos Presidentes do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários, admitida delegação de competência, no prazo 28 A quebra do dever de sigilo é crime, e ao responsável pela infração poderá imputada uma pena de reclusão de 1 a 4 anos, além do pagamento de multa e das sanções previstas no Código Penal, quando cabíveis: A última lei que nos cumpre tratar é o Decreto nº 6.306/07, que regulamenta o Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários, o chamado IOF. Sobre o estudo de qualquer tributo ou imposto, algumas informações são fundamentais sabermos: quando ocorre o fato gerador para o pagamento do tributo, qual a alíquota e qual a base de cálculo. O fato gerador para a cobrança do IOF é a entrega do valor, ou seja, no momento em que o montante é posto à disposição do interessado. Assim, se for um único evento, será apenas em um momento, se forem em parcelas, a cada momento que a parcela for disponibilizada. Confira: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/D6306.htm máximo de quinze dias, a contar do recebimento do processo, com manifestação dos respectivos serviços jurídicos. § 2º Independentemente do disposto no caput deste artigo, o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários comunicarão aos órgãos públicos competentes as irregularidades e os ilícitos administrativos de que tenham conhecimento, ou indícios de sua prática, anexando os documentos pertinentes. Art. 10. A quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa, aplicando- se, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem omitir, retardar injustificadamente ou prestar falsamente as informações requeridas nos termos desta Lei Complementar. 29 Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei nº 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1º Entende- se ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I - na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II - no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III - na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV - na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V - na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI - na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7º e 10 do art. 7º; VII - na data do lançamento contábil,em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. § 2º O débito de encargos, exceto na hipótese do § 12 do art. 7º, não configura entrega ou colocação de recursos à disposição do interessado. § 3º A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I - empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (Decreto- Lei nº 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1º, inciso I); II - alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 58); III - mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13). 30 A base de cálculo e a alíquota do IOF são: Art. 7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I - na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0082%; (Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) (Vigência) b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; 2. mutuário pessoa física: 0,0082% ao dia;(Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) (Vigência) II - na operação de desconto, inclusive na de alienação a empresas de factoring de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo, a base de cálculo é o valor líquido obtido: a) mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; b) mutuário pessoa física: 0,0082% ao dia; (Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) (Vigência) III - no adiantamento a depositante, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês: a) mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; b) mutuário pessoa física: 0,0082%; (Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) (Vigência) IV - nos empréstimos, inclusive sob a forma de financiamento, sujeitos à liberação de recursos em parcelas, ainda que o pagamento seja parcelado, a base de cálculo é o valor do principal de cada liberação: a) mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; 31 b) mutuário pessoa física: 0,0082% ao dia; (Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) (Vigência) V - nos excessos de limite, ainda que o contrato esteja vencido: a) quando não ficar expressamente definido o valor do principal a ser utilizado, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o valor dos excessos computados no somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0082%; (Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) (Vigência) b) quando ficar expressamente definido o valor do principal a ser utilizado, a base de cálculo é o valor de cada excesso, apurado diariamente, resultante de novos valores entregues ao interessado, não se considerando como tais os débitos de encargos: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; 2. mutuário pessoa física: 0,0082% ao dia; (Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) (Vigência) VI - nas operações referidas nos incisos I a V, quando se tratar de mutuário pessoa jurídica optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional, de que trata a Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006, em que o valor seja igual ou inferior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), observado o disposto no art. 45, inciso II: 0,00137% ou 0,00137% ao dia, conforme o caso; VII - nas operações de financiamento para aquisição de imóveis não residenciais, em que o mutuário seja pessoa física: 0,0082% ao dia. (Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) (Vigência) § 1º O IOF, cuja base de cálculo não seja apurada por somatório de saldos devedores diários, não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias, acrescida da alíquota adicional de que trata o § 15, ainda que a operação seja de pagamento parcelado. (Redação dada pelo Decreto nº 6.391, de 2008) § 2º No caso de operação de crédito não liquidada no vencimento, cuja tributação não tenha atingido a limitação prevista no § 1º, a exigência do IOF fica suspensa entre a data do vencimento original da obrigação e a da sua liquidação ou a data em que ocorrer qualquer das hipóteses previstas no § 7º. 32 § 3º Na hipótese do § 2º, será cobrado o IOF complementar, relativamente ao período em que ficou suspensa a exigência, mediante a aplicação da mesma alíquota sobre o valor não liquidado da obrigação vencida, até atingir a limitação prevista no § 1º. § 4º O valor líquido a que se refere o inciso II deste artigo corresponde ao valor nominal do título ou do direito creditório, deduzidos os juros cobrados antecipadamente. § 5º No caso de adiantamento concedido sobre cheque em depósito, a tributação será feita na forma estabelecida para desconto de títulos, observado o disposto no inciso XXII do art. 8º. § 6º No caso de cheque admitido em depósito e devolvido por insuficiência de fundos, a base de cálculo do IOF será igual ao valor a descoberto, verificado na respectiva conta, pelo seu débito, na forma estabelecida para o adiantamento a depositante. § 7º Na prorrogação, renovação, novação, composição, consolidação, confissão de dívida e negócios assemelhados, de operação de crédito em que não haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor não liquidado da operação anteriormente tributada, sendo essa tributação considerada complementar à anteriormente feita, aplicando- se a alíquota em vigor à época da operação inicial. § 8º No caso do § 7º, se a base de cálculo original for o somatório mensal dos saldos devedores diários, a base de cálculo será o valor renegociado na operação, com exclusão da parte amortizada na data do negócio. § 9º Sem exclusão da cobrança do IOF prevista no § 7º, havendo entrega ou colocação de novos valores à disposição do interessado, esses constituirão nova base de cálculo. § 10. No caso de novação, composição, consolidação, confissão de dívida e negócios assemelhados de operação de crédito em que haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor renegociado na operação. § 11. Nos casos dos §§ 8º, 9º e 10, a alíquota aplicável é a que estiver em vigor na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida ou negócio assemelhado. § 12. Os encargos integram a base de cálculo quando o IOF for apurado pelo somatório dos saldos devedores diários. § 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a VI, conforme o caso. § 14. Nas operações de crédito contratadas por prazo indeterminado e definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, aplicar- se- á a alíquota diária prevista para a operação e a base de cálculo será o valor do principal multiplicado por trezentose sessenta e cinco. 33 Em algumas hipóteses legais, a alíquota do IOF é reduzida à zero. Confira o texto legal vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/decreto/D6306.htm § 15. Sem prejuízo do disposto no caput, o IOF incide sobre as operações de crédito à alíquota adicional de trinta e oito centésimos por cento, independentemente do prazo da operação, seja o mutuário pessoa física ou pessoa jurídica. (Incluído pelo Decreto nº 6.339, de 2008). § 16. Nas hipóteses de que tratam a alínea “a” do inciso I, o inciso III, e a alínea “a” do inciso V, o IOF incidirá sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, à alíquota adicional de que trata o § 15. (Incluído pelo Decreto nº 6.339, de 2008). § 17. Nas negociações de que trata o § 7º não se aplica a alíquota adicional de que trata o § 15, exceto se houver entrega ou colocação de novos valores à disposição do interessado. (Incluído pelo Decreto nº 6.391, de 2008) § 18. No caso de operação de crédito cuja base de cálculo seja apurada por somatório dos saldos devedores diários, constatada a inadimplência do tomador, a cobrança do IOF apurado a partir do último dia do mês subsequente ao da constatação de inadimplência dar- se- á na data da liquidação total ou parcial da operação ou da ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no § 7º. (Incluído pelo Decreto nº 7.487, de 2011) § 19. Na hipótese do § 18, por ocasião da liquidação total ou parcial da operação ou da ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no § 7º, o IOF será cobrado mediante a aplicação das alíquotas previstas nos itens 1 ou 2 da alínea “a” do inciso I do caput, vigentes na data de ocorrência de cada saldo devedor diário, até atingir a limitação de trezentos e sessenta e cinco dias. (Incluído pelo Decreto nº 7.487, de 2011). Art. 8º A alíquota do imposto é reduzida a zero na operação de crédito, sem prejuízo do disposto no § 5º: (Redação dada pelo Decreto nº 7.011, de 2009) I - em que figure como tomadora cooperativa, observado o disposto no art. 45, inciso I; II - realizada entre cooperativa de crédito e seus associados; III - à exportação, bem como de amparo à produção ou estímulo à exportação; IV - rural, destinada a investimento, custeio e comercialização, observado o disposto no § 1º; 34 V - realizada por caixa econômica, sob garantia de penhor civil de jóias, de pedras preciosas e de outros objetos; VI - realizada por instituição financeira, referente a repasse de recursos do Tesouro Nacional destinados a financiamento de abastecimento e formação de estoques reguladores; VII - realizada entre instituição financeira e outra instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil, desde que a operação seja permitida pela legislação vigente; VIII - em que o tomador seja estudante, realizada por meio do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior - FIES, de que trata a Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001; IX - efetuada com recursos da Agência Especial de Financiamento Industrial - FINAME; X - realizada ao amparo da Política de Garantia de Preços Mínimos - Empréstimos do Governo Federal - EGF; XI - relativa a empréstimo de título público, quando esse permanecer custodiado no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, e servir de garantia prestada a terceiro na execução de serviços e obras públicas; XIII - relativa a adiantamento de salário concedido por pessoa jurídica aos seus empregados, para desconto em folha de pagamento ou qualquer outra forma de reembolso; XIV - relativa a transferência de bens objeto de alienação fiduciária, com sub- rogação de terceiro nos direitos e obrigações do devedor, desde que mantidas todas as condições financeiras do contrato original; XV - realizada por instituição financeira na qualidade de gestora, mandatária, ou agente de fundo ou programa do Governo Federal, Estadual, do Distrito Federal ou Municipal, instituído por lei, cuja aplicação do recurso tenha finalidade específica; XVI - relativa a adiantamento sobre o valor de resgate de apólice de seguro de vida individual e de título de capitalização; XVII - relativa a adiantamento de contrato de câmbio de exportação; XVIII - relativa a aquisição de ações ou de participação em empresa, no âmbito do Programa Nacional de Desestatização; XIX - resultante de repasse de recursos de fundo ou programa do Governo Federal vinculado à emissão pública de valores mobiliários; XX - relativa a devolução antecipada do IOF indevidamente cobrado e recolhido pelo responsável, enquanto aguarda a restituição pleiteada, e desde que não haja cobrança de encargos remuneratórios; 35 XXI - realizada por agente financeiro com recursos oriundos de programas federais, estaduais ou municipais, instituídos com a finalidade de implementar programas de geração de emprego e renda, nos termos previstos no art. 12 da Lei nº 9.649, de 27 de maio de 1998; XXII - relativa a adiantamento concedido sobre cheque em depósito, remetido à compensação nos prazos e condições fixados pelo Banco Central do Brasil; XXIII - realizada por instituição financeira referente a repasses de recursos obtidos no exterior, em qualquer de suas fases; (Revogado pelo Decreto nº 6.391, de 2008). XXIV - realizada por instituição financeira, com recursos do Tesouro Nacional, destinada ao financiamento de estocagem de álcool etílico combustível, na forma regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional; XXV - realizada por uma instituição financeira para cobertura de saldo devedor em outra instituição financeira, até o montante do valor portado e desde que não haja substituição do devedor. XXVI - relativa a financiamento para aquisição de motocicleta, motoneta e ciclomotor, em que o mutuário seja pessoa física. (Incluído pelo Decreto nº 6.655, de 2008) XXVII - realizada por instituição financeira pública federal em que sejam tomadores de recursos pessoas físicas com renda mensal de até dez salários mínimos, desde que os valores das operações sejam direcionados exclusivamente para adquirir bens e serviços de tecnologia assistiva destinados a pessoas com deficiência, nos termos do parágrafo único do art. 1º da Lei nº 10.735, de 11 de setembro de 2003. (Incluído pelo Decreto nº 7.726, de 2012) Produção de efeito XXVIII - realizada por instituição financeira, com recursos públicos ou privados, para financiamento de operações, contratadas a partir de 2 de abril de 2013, destinadas a aquisição, produção e arrendamento mercantil de bens de capital, incluídos componentes e serviços tecnológicos relacionados, e o capital de giro associado, a produção de bens de consumo para exportação, ao setor de energia elétrica, a estruturas para exportação de granéis líquidos, a projetos de engenharia, à inovação tecnológica, e a projetos de investimento destinados à constituição de capacidade tecnológica e produtiva em setores de alta intensidade de conhecimento e engenharia e projetos de infraestrutura logística direcionados a obras de rodovias e ferrovias objeto de concessão pelo Governo federal, a que se refere o art. 1º da Lei nº 12.096, de 24 de novembro de 2009, e de acordo com os critérios fixados pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil. (Incluído pelo Decreto nº 7.975, de 2013) XXIX - contratada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE, destinada à cobertura, total ou parcialmente, das despesas incorridas pelas concessionárias de serviço público de distribuição de energia elétrica nos termos do Decreto nº 8.221, de 1º de abril de 2014. (Incluído pelo Decreto nº 8.231, de 2014) XXXI - efetuada por intermédio da Financiadora de Estudos e Projetos 36 - FINEP ou por seus agentes financeiros, com recursos dessa empresa pública;; e (Incluído pelo Decreto nº 8.325, de 2014) XXXII - destinada, nos termos do §3º do art. 6º da Lei nº 12.793, de 2 de abril de 2013, ao financiamento de projetos de infraestrutura de logísticadirecionados a obras de rodovias e ferrovias objeto de concessão pelo Governo Federal. (Incluído pelo Decreto nº 8.325, de 2014) § 1º No caso de operação de comercialização, na modalidade de desconto de nota promissória rural ou duplicata rural, a alíquota zero é aplicável somente quando o título for emitido em decorrência de venda de produção própria. § 2º O disposto no inciso XXV não se aplica nas hipóteses de prorrogação, renovação, novação, composição, consolidação, confissão de dívidas e negócios assemelhados, de operação de crédito em que haja ou não substituição do devedor, ou de quaisquer outras alterações contratuais, exceto taxas, hipóteses em que o imposto complementar deverá ser cobrado à alíquota vigente na data da operação inicial. § 3º Quando houver desclassificação ou descaracterização, total ou parcial, de operação de crédito rural ou de adiantamento de contrato de câmbio, tributada à alíquota zero, o IOF será devido a partir da ocorrência do fato gerador e calculado à alíquota correspondente à operação, conforme previsto no art. 7º, incidente sobre o valor desclassificado ou descaracterizado, sem prejuízo do disposto no art. 54. § 4º Quando houver falta de comprovação ou descumprimento de condição, ou desvirtuamento da finalidade dos recursos, total ou parcial, de operação tributada à alíquota zero, o IOF será devido a partir da ocorrência do fato e gerador calculado à alíquota correspondente à operação, conforme previsto no art. 7o, acrescido de juros e multa de mora, sem prejuízo do disposto no art. 54, conforme o caso. § 5º Fica instituída, independentemente do prazo da operação, alíquota adicional de trinta e oito centésimos por cento do IOF incidente sobre o valor das operações de crédito de que tratam os incisos I, II, IV, V, VI, X, XI, XIV, XVI, XVIII, XIX, XXI e XXVI. (Redação dada pelo Decreto nº 6.655, de 2008) 37 E, antes de terminar, vale saber ainda que o Decreto nº 6.306/07 estabeleceu regra especial a respeito do seguro. Confira: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/decreto/D6306.htm Art. 18. O fato gerador do IOF é o recebimento do prêmio (Lei nº 5.143, de 1966, art. 1º, inciso II). § 1º A expressão “operações de seguro” compreende seguros de vida e congêneres, seguro de acidentes pessoais e do trabalho, seguros de bens, valores, coisas e outros não especificados (Decreto- Lei nº 1.783, de 1980, art. 1º, incisos II e III). § 2º Ocorre o fato gerador e torna- se devido o IOF no ato do recebimento total ou parcial do prêmio. Art. 21. A base de cálculo do IOF é o valor dos prêmios pagos (Decreto- Lei nº 1.783, de 1980, art. 1º, incisos II e III). Art. 22. A alíquota do IOF é de vinte e cinco por cento (Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 15). § 1º A alíquota do IOF fica reduzida: I - a zero, nas seguintes operações: a) de resseguro; b) de seguro obrigatório, vinculado a financiamento de imóvel habitacional, realizado por agente do Sistema Financeiro de Habitação; c) de seguro de crédito à exportação e de transporte internacional de mercadorias; d) de seguro contratado no Brasil, referente à cobertura de riscos relativos ao lançamento e à operação dos satélites Brasilsat I e II; e) em que o valor dos prêmios seja destinado ao custeio dos planos de seguro de vida com cobertura por sobrevivência; f ) de seguro aeronáutico e de seguro de responsabilidade civil pagos por transportador aéreo; g) de seguro garantia. (Redação dada pelo Decreto nº 7.787, de 2012) 38 Finalizamos nossa primeira etapa de estudo, analisando os principais aspectos sobre a organização do Sistema Financeiro Nacional. A partir de agora, vamos fazer uma pausa neste assunto, para abordar um conteúdo diferente. Como avisamos ainda na introdução, precisamos estudar o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. II - nas operações de seguro de vida e congêneres, de acidentes pessoais e do trabalho, incluídos os seguros obrigatórios de danos pessoais causados por veículos automotores de vias terrestres e por embarcações, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou não e excluídas aquelas de que trata a alínea “f” do inciso I: trinta e oito centésimos por cento; (Redação dada pelo Decreto nº 6.339, de 2008). III - nas operações de seguros privados de assistência à saúde: dois inteiros e trinta e oito centésimos por cento; (Redação dada pelo Decreto nº 6.339, de 2008). IV - nas demais operações de seguro: sete inteiros e trinta e oito centésimos por cento. (Incluído pelo Decreto nº 6.339, de 2008). § 2º O disposto na alínea “f” do inciso I do § 1º aplica- se somente a seguro contratado por companhia aérea que tenha por objeto principal o transporte remunerado de passageiros ou de cargas. 39 II. Código de Proteção e Defesa do Consumidor Em 1990 foi promulgada a Lei nº 8.078, o chamado Código de Proteção e Defesa do Consumidor, que a partir de agora iremos chamá- lo simplesmente CDC. Esta lei determina as regras que devem ser observadas nas relações de consumo em todo o território brasileiro. Muitas dúvidas podem surgir durante o seu estudo e, como esperamos deixar claro, a simples leitura do CDC irá solucioná- las. Esta lei foi elaborada com linguagem acessível, porque, como veremos em breve, um dos princípios da Política Nacional das Relações de Consumo estabelecida pela Lei nº 8.078/90 é a educação e a informação dos fornecedores e dos consumidores (art. 4º). Portanto, não podia ser diferente, a redação desta norma primou por um texto simples. Então, vamos à leitura dos principais dispositivos do Código de Proteção e Defesa do Consumidor que irão interessar não só para realização do exame de certificação, como, também, para as relações de consumo que você irá estabelecer. O CDC indica duas características sobre suas regras, elas são: de ordem pública e de interesse social. São de ordem pública porque não podem ser afastadas pela vontade dos sujeitos ao celebrarem um contrato, nem serem afastadas por outras leis hierarquicamente inferiores. São de interesse social porque interessa a todos a harmonia nas relações de consumo. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.htm Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal e art. 48 de suas Disposições Transitórias. 40 É importante também que você conheça os objetivos e osprincípios da Política Nacional das Relações de Consumo, previstos no art. 4º. Os objetivos são importantes porque eles são as razões de ser desta lei. Os princípios são a base de interpretação dela, ou seja, você precisa conhecer os princípios para aplicar adequadamente as regras aos casos concretos do cotidiano. Vamos exemplificar a importância dos princípios legais: quando o legislador afirma que é princípio do CDC a vulnerabilidade do consumidor em relação ao fornecedor, na análise de um caso prático, precisamos partir da premissa que o conhecimento e o monopólio do produto ou do serviço estão nas mãos do fornecedor, de forma que, o consumidor terá a informação na medida exata do que lhe for comunicado. Confira: Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995) I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo; II - ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor: a) por iniciativa direta; b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas; c) pela presença do Estado no mercado de consumo; d) pela garantia dos produtos e serviços com padrõesadequados de qualidade, segurança, durabilidade e desempenho. III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa- fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores; IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo; 41 Para finalizar esta parte introdutória, aproveite este momento de leitura e se atente aos instrumentos previstos para a execução desta política que estão elencados no art. 5º. Confira o texto vigente: Você pode estar se perguntando o que é consumidor ou o que é uma relação de consumo, ou mais, pode estar se questionando se a sua relação com o cliente é uma relação de consumo. Vamos tratar disso agora. V - incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços, assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo; VI - coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de consumo, inclusive a concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos, que possam causar prejuízos aos consumidores; VII - racionalização e melhoria dos serviços públicos; VIII - estudo constante das modificações do mercado de consumo. Art. 5° Para a execução da Política Nacional das Relações de Consumo, contará o poder público com os seguintes instrumentos, entre outros: I - manutenção de assistência jurídica, integral e gratuita para o consumidor carente; II - instituição de Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, no âmbito do Ministério Público; III - criação de delegacias de polícia especializadas no atendimento de consumidores vítimas de infrações penais de consumo; IV - criação de Juizados Especiais de Pequenas Causas e Varas Especializadas para a solução de litígios de consumo; V - concessão de estímulos à criação e desenvolvimento das Associações de Defesa do Consumidor. 42 A relação de consumo é toda aquela transação realizada entre um consumidor e um fornecedor e que envolva um produto ou um serviço. Então, fundamental que conheçamos os sujeitos que participam dessa relação (consumidor e fornecedor). Voltando ao texto da lei, o legislador definiu cada um desses conceitos. O consumidor é o sujeito (pessoa física ou jurídica) que obtém ou usa algo, gratuita ou onerosamente, como destinatário final. Ou seja, consumidor é quem coloca fim à cadeia produtiva. Confira: Este conceito de consumidor é ampliado mais adiante no Código de Proteção e Defesa do Consumidor, quando são tratadas as responsabilidades do fornecedor, abrangendo todas as vítimas do evento ao conjunto de consumidores. Confira o texto vigente: O CDC inclui no conceito de consumidor todas as pessoas expostas às práticas comerciais de oferta e publicidade. Assim, todos aqueles que assistem a uma publicidade são considerados consumidores. Confira: Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Parágrafo único. Equipara- se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo. Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam- se aos consumidores todas as vítimas do evento. Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam- se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas. 43 O fornecedor é quem participa da cadeia produtiva, seja uma pessoa física ou uma pessoa jurídica, contribuindo para que o produto ou serviço chegue às mãos do consumidor. Aproveitando a leitura, esse mesmo artigo conceitua produto e serviço. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.htm Atenção! Serviço de natureza bancária, financeira e de crédito. Destacamos um ponto importante: os serviços de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária foram expressamente previstos pelo Código de Proteção e Defesa do Consumidor como uma relação de consumo. Essa previsão legal reforça ainda mais a importância de nosso estudo sobre os direitos do consumidor. Continuando em nossa análise da Lei nº 8.078/90, chegou a hora de conhecermos os direitos básicos dos consumidores. O art. 6º é fundamental no CDC, para conhecer o código, você precisa conhecer ele. Confira: Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. 44 Para cada um dos direitos básicos, o Código de Proteção e Defesa do Consumidor impôs obrigações aos fornecedores. Nós selecionamos os principais desses deveres, são os que tem relação direta com o desempenho de sua atividade profissional, para tratarmos aqui. O primeiro direito – à proteção - , está diretamente relacionado ao direito que todo ser humano tem de ter a sua vida e a sua saúde resguardada. Desse modo, os fornecedores são proibidos de colocar no mercado produtos e serviços com alto grau de nocividade. Art. 6º São direitos básicos do consumidor: I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações; III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços; V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos; VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados; VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências; IX - (Vetado); X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral. Parágrafo único. A informação de que trata o inciso III do caput deste artigo deve ser acessível à pessoa com deficiência, observado o disposto em regulamento. 45 Entretanto, alguns produtos ou serviços têm, como característica particular, um risco inerente, para estes casos, a lei determina a obrigação de informação apropriada. Confira o texto legal: Os outros dois direitos: educação e divulgação sobre o consumo adequado, e, a informação clara sobre os produtos e serviços –, têm correlação grande,juntos, eles evidenciam o que já mencionamos em outro momento: o consumidor terá acesso à informação na exata medida que o fornecedor disponibilizar. Por esse motivo é tão importante a qualidade do que é comunicado, por esse motivo o direito à informação é considerado essencial na relação de consumo. Lamentavelmente, ele é base de inúmeros problemas. O consumidor precisa conhecer o que vai contratar para fazer a melhor escolha. A escolha é do consumidor, prestar a informação é dever do fornecedor. Assim, o CDC indicou como o fornecedor deve prestar as informações pelos seus prepostos e por qualquer uma das formas de interação com os consumidores. Segundo a lei, um produto ou serviço deve ser ofertado com clareza e precisão. As características, o preço, as garantias e os riscos precisam ser comunicados expressamente, inclusive, com instruções sobre o uso, para que os consumidores possam escolher o que mais lhe atenderá. Art. 8° Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos à saúde ou segurança dos consumidores, exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição, obrigando- se os fornecedores, em qualquer hipótese, a dar as informações necessárias e adequadas a seu respeito. 46 Esta proteção e este dever começam antes mesmo do contrato de consumo ser firmado. Aliás, por determinação legal, toda informação ou publicidade integra o contrato. Confira: O CDC fixa a responsabilidade conjunta do fornecedor pelos atos de todos aqueles que negociam ou prestam serviços em seu nome. A Lei nº 8.078/90 usa a expressão solidariamente, veja só: Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. Art. 34. O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos. Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores. Parágrafo único. As informações de que trata este artigo, nos produtos refrigerados oferecidos ao consumidor, serão gravadas de forma indelével. 47 Outra obrigação dos fornecedores é honrar a sua oferta. E, se houver negativa de cumprimento, é direito do consumidor escolher qual solução preferirá, nos termos do que estabelece o art. 35. Confira: Podemos aplicar o direito à informação precisa, justa e adequada à oferta e à contratação do crédito, tema que nos interessa muito. O art. 52 assenta duas noções fundamentais: reforça o dever do fornecedor de informar previamente as características do produto;; e, resguarda o direito do consumidor em realizar o pagamento de forma antecipada (da parcela ou do saldo devedor) com a redução proporcional dos juros. Confira o texto: Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, alternativamente e à sua livre escolha: I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade; II - aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente; III - rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos. Art. 52. No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou concessão de financiamento ao consumidor, o fornecedor deverá, entre outros requisitos, informá- lo prévia e adequadamente sobre: I - preço do produto ou serviço em moeda corrente nacional; II - montante dos juros de mora e da taxa efetiva anual de juros; III - acréscimos legalmente previstos; IV - número e periodicidade das prestações; V - soma total a pagar, com e sem financiamento. § 1° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da prestação. § 2º É assegurado ao consumidor a liquidação antecipada do débito, total ou parcialmente, mediante redução proporcional dos juros e demais acréscimos. § 3º (Vetado). 48 Outro direito básico do consumidor é a proteção contra a abusividade na publicidade enganosa ou abusiva, nos métodos coercitivos ou desleais, nas clausulas impostas em desfavor do consumidor. Esse amparo é uma forma de equilibrar a relação contratual. Vamos tratar de cada uma dessas proteções. Sobre as mensagens, o CDC proibiu a enganosidade e a abusividade publicitária, definindo estas duas expressões. Confira o texto vigente: Sobre as práticas abusivas, o Código de Proteção e Defesa do Consumidor impôs a proibição de várias condutas que classificou como reprováveis em uma relação de consumo, por exemplo, você sabia que condicionar a venda de um produto à venda de outro é uma prática proibida pelo CDC porque é abusiva? Um outro exemplo é a execução de um serviço sem apresentação prévia do orçamento e sem a aprovação expressa do consumidor, conduta que também é também é vedada. Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. § 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. § 2° É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. 49 As práticas abusivas foram previstas no art. 39, mas esta lista é exemplificativa, ou seja, outras práticas comerciais também poderão ser consideradas abusivas, mesmo não constando nesse rol. Confira: Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos; II - recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de suas disponibilidades de estoque, e, ainda, de conformidade com os usos e costumes; III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer qualquer serviço; IV - prevalecer- se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir- lhe seus produtos ou serviços; V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva; VI - executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as partes; VII - repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo consumidor no exercício de seus direitos; VIII - colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro); IX - recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri- los mediante pronto pagamento, ressalvados os casos de intermediação regulados em leis especiais; X - elevar sem justa causa o preçode produtos ou serviços; XI - Dispositivo incluído pela MPV nº 1.890- 67, de 22.10.1999, transformado em inciso XIII, quando da conversão na Lei nº 9.870, de 23.11.1999; XII - deixar de estipular prazo para o cumprimento de sua obrigação ou deixar a fixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério; XIII - aplicar fórmula ou índice de reajuste diverso do legal ou contratualmente estabelecido; Parágrafo único. Os serviços prestados e os produtos remetidos ou entregues ao consumidor, na hipótese prevista no inciso III, equiparam- se às amostras grátis, inexistindo obrigação de pagamento. 50 Sobre clausulas contratuais abusivas, o CDC elencou algumas clausulas que podem onerar demasiadamente o consumidor por imputar lhe prestação desproporcional. Estas cláusulas serão consideradas nulas, será como se nunca tivessem existido. Por exemplo, se o contrato de abertura de conta de depósito previsse a possibilidade de encerramento por iniciativa apenas da Instituição Financeira, sem outorgar o mesmo direito ao consumidor, esta clausula desrespeitaria o art. 51, XI da Lei nº 8.078/90, e seria considerada ineficaz. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/L8078.htm Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis; II - subtraiam ao consumidor a opção de reembolso da quantia já paga, nos casos previstos neste código; III - transfiram responsabilidades a terceiros; IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa- fé ou a eqüidade; V - (Vetado); VI - estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor; VII - determinem a utilização compulsória de arbitragem; VIII - imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico pelo consumidor; IX - deixem ao fornecedor a opção de concluir ou não o contrato, embora obrigando o consumidor; X - permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, variação do preço de maneira unilateral; XI - autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente, sem que igual direito seja conferido ao consumidor; XII - obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua obrigação, sem que igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor; 51 Para os contratos que prevejam o pagamento de prestações, se o consumidor deixar de pagar alguma parcela, o fornecedor não poderá pedir a rescisão do contrato com a retomada do bem, ficando com todo o valor já pago pelo seu cliente. Se assim for determinado em contrato, a clausula será abusiva. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.htm XIII - autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente o conteúdo ou a qualidade do contrato, após sua celebração; XIV - infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais; XV - estejam em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor; XVI - possibilitem a renúncia do direito de indenização por benfeitorias necessárias. § 1º Presume- se exagerada, entre outros casos, a vantagem que: I - ofende os princípios fundamentais do sistema jurídico a que pertence; II - restringe direitos ou obrigações fundamentais inerentes à natureza do contrato, de tal modo a ameaçar seu objeto ou equilíbrio contratual; III - se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando- se a natureza e conteúdo do contrato, o interesse das partes e outras circunstâncias peculiares ao caso. § 2° A nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato, exceto quando de sua ausência, apesar dos esforços de integração, decorrer ônus excessivo a qualquer das partes. § 3° (Vetado). § 4° É facultado a qualquer consumidor ou entidade que o represente requerer ao Ministério Público que ajuíze a competente ação para ser declarada a nulidade de cláusula contratual que contrarie o disposto neste código ou de qualquer forma não assegure o justo equilíbrio entre direitos e obrigações das partes. Art. 53. Nos contratos de compra e venda de móveis ou imóveis mediante pagamento em prestações, bem como nas alienações fiduciárias em garantia, consideram- se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total das prestações pagas em benefício do credor que, em razão do inadimplemento, pleitear a resolução do contrato e a retomada do produto alienado. 52 Como já vimos, a proteção do consumidor começa mesmo antes de estabelecido o contrato de consumo, e é garantida também em caso de inadimplemento. Sobre métodos abusivos, coercitivos ou desleais, o CDC protege o consumidor inadimplente que não poderá ser exposto a situações constrangedoras, não poderá ser ridicularizado, nem poderá ser ameaçado pelo fornecedor. Se a cobrança for indevida, o consumidor terá o direito à devolução do valor cobrado em dobro. Confira o texto vigente: A cobrança de dívida que exponha negativamente o consumidor é assunto tão sério que foi considerada um crime contra as relações de consumo pelo Código de Proteção e Defesa do Consumidor, com a consequente aplicação de pena de detenção. Confira o texto: § 1° (Vetado). § 2º Nos contratos do sistema de consórcio de produtos duráveis, a compensação ou a restituição das parcelas quitadas, na forma deste artigo, terá descontada, além da vantagem econômica auferida com a fruição, os prejuízos que o desistente ou inadimplente causar ao grupo. § 3° Os contratos de que trata o caput deste artigo serão expressos em moeda corrente nacional. Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável. Art. 71. Utilizar, na cobrança de dívidas, de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral, afirmações falsas incorretas ou enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o consumidor, injustificadamente, a ridículo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer: Pena Detenção de três meses a um ano e multa. 53 O CDC reservou ao consumidor o direito de ter acesso às informações constantes nos registros sobre a pessoa dele e às fontes desses dados. Ademais, cuidou de como devem ser esses dados: não podem ter informações negativas referentes a um período superior a 5 anos; a abertura de um registro deve ser precedida de um aviso, entre outros parâmetros. É importante conhecer este artigo. Confira: Sobre o a proteção contratual, o CDC garantiu o direito do consumidor à modificação das clausulas contratuais que estabeleçam prestação desigual ou a revisão, caso aconteça um fato novo, que torne essas clausulas excessivamente prejudiciais ao consumidor. É hora de falarmos de proteção contratual. Em primeiro lugar, é importante sabermos que os contratos de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de conhecê- lo previamente, ou se não forem redigidos de forma clara. Art. 43. O consumidor, sem prejuízo do disposto no art. 86, terá acesso às informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes. § 1° Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em linguagem de fácil compreensão, não podendo conter informações negativas referentes a período superior a cinco anos. § 2° A abertura de cadastro, ficha, registroe dados pessoais e de consumo deverá ser comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitada por ele. § 3° O consumidor, sempre que encontrar inexatidão nos seus dados e cadastros, poderá exigir sua imediata correção, devendo o arquivista, no prazo de cinco dias úteis, comunicar a alteração aos eventuais destinatários das informações incorretas. § 4° Os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os serviços de proteção ao crédito e congêneres são considerados entidades de caráter público. § 5° Consumada a prescrição relativa à cobrança de débitos do consumidor, não serão fornecidas, pelos respectivos Sistemas de Proteção ao Crédito, quaisquer informações que possam impedir ou dificultar novo acesso ao crédito junto aos fornecedores. § 6º Todas as informações de que trata o caput deste artigo devem ser disponibilizadas em formatos acessíveis, inclusive para a pessoa com deficiência, mediante solicitação do consumidor. 54 Nós já falamos sobre a presunção de vulnerabilidade do consumidor em relação ao fornecedor; retomando esse ponto, quem elabora os contratos, geralmente, são os fornecedores e que acabam impondo ao consumidor sem a chance de alteração. A lei estabelece este direito como forma de equilibrar a relação contratual. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.htm Em segundo lugar, um instrumento frequentemente usado nas relações de consumo é o contrato de adesão. Eles são um tipo de negócio jurídico no qual a participação do consumidor se resume a aceitação das cláusulas formuladas antecipadamente pelo fornecedor. Não há negociação das condições. Para exemplificar, imagine a abertura de uma conta corrente. O consumidor recebe o termo ou condições de abertura, mas não tem a oportunidade de altera- las. O consumidor aceita as clausulas. Para este tipo de contrato, o Código de Proteção e Defesa do Consumidor estabelece regras específicas e que precisam ser respeitadas ao serem redigidos. Confira o texto vigente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.htm Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance. Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo. § 1° A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza de adesão do contrato. § 2° Nos contratos de adesão admite- se cláusula resolutória, desde que a alternativa, cabendo a escolha ao consumidor, ressalvando- se o disposto no § 2° do artigo anterior. 55 Sobre o direito do consumidor a efetiva prevenção e reparação de danos, o CDC instituiu a responsabilidade conjunta dos fornecedores pelos vícios de qualidade ou quantidade que um produto ou serviço apresente e definiu as regras para a solução. Já tivemos a oportunidade de mencionar anteriormente sobre a responsabilidade conjunta dos fornecedores, porque não é só neste artigo, em vários dispositivos o CDC reforça que os fornecedores responderão conjuntamente nas relações de consumo. Dois outros aspectos precisamos abordar: o conceito de vício e a regra para a solução. Para entendermos o conceito de vício, nada melhor do que ler o próprio artigo do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, pois ele explica que um produto com vício (a) possui uma impropriedade ou uma inadequação para o uso, ou seja, não funciona satisfatoriamente para aquilo que é destinado, (b) possui uma característica que diminua o valor, por exemplo, uma peça de vestuário que possua uma avaria; ou, ainda ou, ainda, (c) é diferente daquele que foi comunicado ao consumidor, por exemplo, vende- se um investimento e entrega- se um título de crédito. Caso o produto ou serviço apresente algum vício, existe uma regra para a solução ou reparação: o fornecedor pode corrigir o vício em até 30 dias. Passado este prazo e, não resolvido o problema do consumidor, este poderá exigir uma das alternativas previstas pela lei. Este prazo de 30 dias pode ser convencionado de forma diversa pelas partes, respeitados os limites de 7 dias (mínimo) e 180 dias (máximo). Confira o texto vigente: § 3º Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com caracteres ostensivos e legíveis, cujo tamanho da fonte não será inferior ao corpo doze, de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor. § 4° As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor deverão ser redigidas com destaque, permitindo sua imediata e fácil compreensão. 56 Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. § 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III - o abatimento proporcional do preço. § 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do consumidor. § 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir- lhe o valor ou se tratar de produto essencial. § 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1° deste artigo, e não sendo possível a substituição do bem, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço, sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1° deste artigo. § 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o consumidor o fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente seu produtor. § 6° São impróprios ao uso e consumo: I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos; II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se destinam. 57 Sobre os direitos básicos dos consumidores, a facilitação da defesa é garantida com a inversão da prova em favor do consumidor, dentre outros instrumentos. Este é um dos principais mecanismos de efetividade da tutela da Lei nº 8.078/90. O fornecedor terá que provar que não é responsável, demonstrar a inexistência de nexo causal entre a conduta e o dano. Para finalizar este assunto, é preciso que abordemos as consequências previstas pelo Código de Proteção e Defesa do Consumidor para os casos de descumprimento das regras nele previstas. O fornecedor que desrespeitar esta lei poderá incorrer em penalidades administrativas, bem como outras sanções previstas pelas leis da ordem civil e penal. Você já pode ter vistoveiculação de noticia que determinado fornecedor ficou proibido de comercializar algum produto, ou que certo estabelecimento comercial foi fechado pelo PROCON. Veja a lista de penalidades previstas no art. 56 do CDC. Confira: Art. 56. As infrações das normas de defesa do consumidor ficam sujeitas, conforme o caso, às seguintes sanções administrativas, sem prejuízo das de natureza civil, penal e das definidas em normas específicas: I - multa; II - apreensão do produto; III - inutilização do produto; IV - cassação do registro do produto junto ao órgão competente; V - proibição de fabricação do produto; VI - suspensão de fornecimento de produtos ou serviço; VII - suspensão temporária de atividade; VIII - revogação de concessão ou permissão de uso; IX - cassação de licença do estabelecimento ou de atividade; X - interdição, total ou parcial, de estabelecimento, de obra ou de atividade; XI - intervenção administrativa; XII - imposição de contrapropaganda. 58 Depois desse nosso mergulho no Código de Proteção e Defesa do Consumidor, podemos retomar ao Sistema Financeiro, agora para estudar a relação de consumo no segmento bancário, estabelecendo a relação da Lei nº 8.078/90 e o seu dia- a- dia de trabalho. 59 III. Regulamentação das relações de consumo no Sistema Financeiro Como vimos, o Conselho Monetário Nacional é o órgão do Sistema Financeiro que formula a política de crédito, disciplinando o crédito em todas as suas modalidades e que regula a constituição, o funcionamento e fiscaliza as entidades que exercerem atividades subordinadas à Lei nº 4.595/64. Assim, as Resoluções CMN são fundamentais para as atividades desenvolvidas pelas Instituições Financeiras. Dentre o grande coletivo de Resoluções CMN, as que nos interessam para esse estudo são referentes à conta corrente, tarifas, contratação de correspondentes, funcionamento das ouvidorias, e, sobre a transparência e os riscos na contratação de operações e na prestação de serviços: • Resolução CMN nº 2.025/99 (e suas atualizações), sobre as contas de depósitos. • Resolução CMN nº 3.516/07 (e suas atualizações), sobre a liquidação antecipada de contratos de crédito e de arrendamento mercantil financeiro. • Resolução CMN nº 3.517/07 (e suas atualizações), sobre o CET. • Resolução CMN nº 3.694/09 (e suas atualizações), sobre a prevenção de riscos na contratação de operações e na prestação de serviços. • Resolução CMN nº 3.919/10 (e suas atualizações), sobre a cobrança de tarifas pela prestação de serviços. • Resolução CMN nº 3.954/11 (e suas atualizações), sobre os correspondentes. • Resolução CMN nº 4.197/13 (e suas atualizações), sobre o CET. • Resolução CMN nº 4.433/15 (e suas atualizações), sobre as Ouvidorias. • Resolução CMN nº 4.480/16 (e suas atualizações), sobre contas de depósitos por meio eletrônico. 60 Com vistas a elevar os padrões de conduta dos Instituições Financeiras no relacionamento com os clientes pessoas físicas, a FEBRABAN instituiu o Sistema de Autorregulação Bancária (SARB), um microssistema de normas setoriais que suplementam as normas existentes. As Instituições Financeiras que aderiram à Autorregulação Bancária, as chamadas de signatárias, recebem um selo como um reconhecimento público do compromisso que firmaram. Para este nosso estudo interessam os normativos SARBs abaixo indicadas, e, como estes normativos não devem ser interpretados em desacordo com as regras vigentes, iremos analisar em conjunto com as Resoluções CMN, separando- os por temas. • SARB nº 001/2008: relacionamento com o consumidor pessoa física. • SARB nº 003/2008: serviço de atendimento ao consumidor. • SARB nº 005/2009: oferta e contratação de crédito direto ao consumidor e arrendamento mercantil financeiro, ambos para a aquisição de veículos. • SARB nº 010/2013: crédito responsável. • SARB nº 012/2014: resumo contratual. • SARB nº 013/2014: contratação de crédito por meios remotos. • SARB nº 015/2014: crédito consignado, • SARB nº 017/2016: adequação de produtos e serviços ao perfil do consumidor. A partir de agora, o exercício será aproximar as Resoluções CMN e os normativos do Sistema de Autorregulação Bancárias (SARB) com as regras do Código de Proteção e Defesa do Consumidor que já vimos, aproximando- nos ainda mais da sua atividade profissional, revelando que procedimentos simples exigidos de você são, na verdade, cumprimento de um dever legal. 61 Iniciamos com a Resolução CMN nº 3.694/09 (e suas atualizações), que dispõe sobre as medidas mínimas que as Instituições Financeiras devem tomar para a prevenir riscos na contratação de operações e na prestação de serviços. A título de recordação, quando estudamos o Código de Proteção e Defesa do Consumidor, falamos que o primeiro direito básico do consumidor é a proteção contra riscos que envolvem os produtos e serviços disponibilizados no mercado. Esta norma é sucinta, mas traz disposições importantes para o seu trabalho. Em primeiro lugar, estabelece o que as Instituições Financeiras devem garantir na contratação de produtos e serviços. É importante que você conheça o que dispõe o art. 1º. Confira o texto: Art. 1º As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, na contratação de operações e na prestação de serviços, devem assegurar: (Redação dada pela Resolução nº 4.283, de 4/11/2013.) I - a adequação dos produtos e serviços ofertados ou recomendados às necessidades, interesses e objetivos dos clientes e usuários; (Redação dada pela Resolução nº 4.283, de 4/11/2013.) II - a integridade, a confiabilidade, a segurança e o sigilo das transações realizadas, bem como a legitimidade das operações contratadas e dos serviços prestados;; (Redação dada pela Resolução nº 4.283, de 4/11/2013.) III - a prestação das informações necessárias à livre escolha e à tomada de decisões por parte de clientes e usuários, explicitando, inclusive, direitos e deveres, responsabilidades, custos ou ônus, penalidades e eventuais riscos existentes na execução de operações e na prestação de serviços;; (Redação dada pela Resolução nº 4.283, de 4/11/2013.) IV - o fornecimento tempestivo ao cliente ou usuário de contratos, recibos, extratos, comprovantes e outros documentos relativos a operações e a serviços;; (Redação dada pela Resolução nº 4.283, de 4/11/2013.) V - a utilização de redação clara, objetiva e adequada à natureza e à complexidade da operação ou do serviço, em contratos, recibos, extratos, comprovantes e documentos destinados ao público, de forma a permitir o entendimento do conteúdo e a identificação de prazos, valores, encargos, multas, datas, locais e demais condições;; (Redação dada pela Resolução nº 4.283, de 4/11/2013.) VI - a possibilidade de tempestivo cancelamento de contratos; (Redação dada pela Resolução nº 4.283, de 4/11/2013.) 62 Esta norma também determina que a escolha em usar a prestação de serviço pessoal ou eletrônica é do consumidor, e se ele selecionar o canal convencional. Segundo a Resolução CMN nº 3.694/09, as Instituições Financeiras não podem nem impossibilitar, nem dificultar o acesso aos canais convencionais, excetuando as situações em que o consumidor esteja em uma dependência exclusivamente eletrônica. Confira o texto: VII - a formalização de título adequado estipulando direitos e obrigações para abertura, utilização e manutenção de conta de pagamento pós- paga;; (Incluído pela Resolução nº 4.283, de 4/11/2013.) VIII - o encaminhamento de instrumento de pagamento ao domicílio do cliente ou usuário ou a sua habilitação somente em decorrência de sua expressa solicitação ou autorização;; e (Incluído pela Resolução nº 4.283, de 4/11/2013.) IX - a identificação dos usuários finais beneficiários de pagamento ou transferência em demonstrativos e faturas do pagador, inclusive nas situações em que o serviço de pagamento envolver instituições participantes de diferentesarranjos de pagamento. (Incluído pela Resolução nº 4.283, de 4/11/2013.) Parágrafo único. Para fins do cumprimento do disposto no inciso III, no caso de abertura de conta de depósitos ou de conta de pagamento, deve ser fornecido também prospecto de informações essenciais, explicitando, no mínimo, as regras básicas, os riscos existentes, os procedimentos para contratação e para rescisão, as medidas de segurança, inclusive em caso de perda, furto ou roubo de credenciais, e a periodicidade e forma de atualização pelo cliente de seus dados cadastrais. (Incluído, a partir de 2/5/2014, pela Resolução nº 4.283, de 4/11/2013. Art. 3º É vedado às instituições referidas no art. 1º recusar ou dificultar, aos clientes e usuários de seus produtos e serviços, o acesso aos canais de atendimento convencionais, inclusive guichês de caixa, mesmo na hipótese de oferecer atendimento alternativo ou eletrônico. § 1º O disposto no caput não se aplica às dependências exclusivamente eletrônicas nem à prestação de serviços de cobrança e de recebimento decorrentes de contratos ou convênios que prevejam canais de atendimento exclusivamente eletrônicos. (Redação dada pela Resolução nº 4.479, de 25/4/2016.) 63 Já o normativo SARB nº 001/2008, estabelece as diretrizes para o relacionamento com os consumidores nos canais de atendimento e prevê procedimentos para estimular a melhoria dos padrões de qualidade das Instituições Financeiras. Para a elaboração deste normativo foram definidos quatro princípios que, em consonância com o que já previu o CDC, nos dão um norte de como o atendimento deve ser prestado: ética e lealdade, respeito ao consumidor, comunicação eficiente e melhoria contínua. A explicação de cada princípio esta no próprio normativo. Confira o texto: http://portal.autorregulacaobancaria.com.br/pagina/17/4/pt-br/ normativos § 2º A opção pela prestação de serviços por meios alternativos aos convencionais é admitida desde que adotadas as medidas necessárias para preservar a integridade, a confiabilidade, a segurança e o sigilo das transações realizadas, assim como a legitimidade dos serviços prestados, em face dos direitos dos clientes e dos usuários, devendo as instituições informá- los dos riscos existentes. § 3º As instituições devem divulgar, em suas dependências e nas dependências dos estabelecimentos onde seus produtos são ofertados, em local visível e em formato legível, informações relativas às situações que impossibilitem a realização de pagamentos ou de recebimentos nos canais de atendimento existentes, a exemplo dos contratos ou convênios que prevejam canais de atendimento exclusivamente eletrônicos, dos boletos de pagamento vencidos ou fora do padrão, bem como dos pagamentos com cheque. (Incluído pela Resolução nº 4.479, de 25/4/2016.) Art. 3º Os princípios que sintetizam os compromissos descritos neste documento são: I - Ética e Legalidade, que compreende agir de modo ético, razoável e justo em relação ao funcionamento do mercado, à sociedade e ao meio- ambiente;; respeitar a livre concorrência e a liberdade de iniciativa;; atuar em conformidade com a legislação e regulamentação vigentes e com as normas da Autorregulação;; II - Respeito ao Consumidor, que implica em tratar o consumidor de forma justa e transparente, com atendimento eficiente, cortês e digno;; assistir o consumidor na avaliação dos produtos e serviços adequados às suas necessidades e garantir a segurança e a confidencialidade de seus dados pessoais; conceder crédito de forma responsável e incentivar o uso consciente de crédito; 64 O normativo SARB nº 001/2008 ainda institui que o atendimento deva ser livre de discriminação, que todos os funcionários precisam estar aptos para receber as reclamações dos consumidores, que a comunicação deve ser simples e eficiente e em tempo oportuno para embasar as decisões de consumo dos clientes. Confira o texto: III - Comunicação Eficiente, que significa fornecer informações de forma responsável e que sejam úteis, em linguagem simples, acessível e no tempo oportuno para permitir ao consumidor tomar decisões melhores, informadas, conscientes e embasadas; IV - Melhoria Contínua, que estabelece o compromisso de aperfeiçoar padrões de conduta, elevar a qualidade dos produtos, níveis de segurança e eficiência dos serviços; Parágrafo único. Esses princípios se aplicam aos produtos e serviços prestados pela Instituição Financeira Signatária ao consumidor, incluindo contas correntes e produtos de investimento. Art. 4º Nos atendimentos realizados aos consumidores serão observadas as seguintes regras: I - qualquer que seja o canal de atendimento, observadas as normas aplicáveis, todos os consumidores devem ser tratados sem discriminação por sexo, idade, cor, religião, estado civil ou condição física; II - a Instituição Financeira Signatária será receptiva a quaisquer reclamações, considerando- as para a melhoria contínua dos seus serviços e provendo resposta às demandas que o exigirem; III - seus colaboradores e prepostos, em qualquer dos canais de atendimento, estarão aptos a receber e encaminhar as suas demandas, ou, conforme o caso, a orientar o consumidor quanto aos canais de atendimento adequados; IV – adoção de meios eficientes de comunicação e relacionamento, inclusive o eletrônico, com os consumidores, na medida da disponibilidade e possibilidade de cada Instituição Financeira Signatária; V – assegurar informações úteis e operações eficientes e simples, observadas a regulação vigente e as normas de proteção ao consumidor; e VI – simplificação, informação, transparência, segurança e eficiência dos procedimentos para portabilidade previstos nas normas em vigor. 65 Como estabelece o CDC, a educação e divulgação adequada sobre como usar o produto ou o serviço garantem a liberdade de escolha. Em harmonia com esta premissa legal, o normativo SARB nº 001/2008 determina regras mínimas para diversos canais de atendimento, de modo a garantir uma prestação de serviços adequada no canal de eleição do consumidor. Sobre o atendimento por meio das máquinas de caixa automático, para que seja adequado, é necessário que contenham dispositivos de segurança, que sejam mantidas abastecidas, e que estejam aptas para executar operações habituais e, para os casos de indisponibilidade, além do dever da Instituição Financeira de providenciar a reparação, é dever informar aos consumidores outros locais próximos onde possam ser atendidos. Confira o texto: http://portal.autorregulacaobancaria.com.br/pagina/17/4/pt-br/ normativos Sobre o atendimento pela rede mundial de computadores (internet), para que seja adequado, a Instituição Financeira também deve observar a regra de manter um dispositivo de segurança, bem como manter um procedimento de analisar dos relatos feitos pelos consumidores sobre possíveis fraudes. Confira o texto: Art. 5º Os serviços prestados nos terminais de autoatendimento da Instituição Financeira Signatária, bem como em terminais de autoatendimento compartilhados ou de terceiros, observarão, entre outras, as seguintes regras: I – os terminais de autoatendimento deverão possuir dispositivos de segurança apropriados ao local de instalação, ser abastecidos de numerário e aptos a executar operações rotineiras, tais como consulta e saque; e II - sempre que for identificado que um terminal de autoatendimento não está funcionando adequadamente, será providenciada a sua reparação, bem como disponibilizadas informações sobre o mais próximo em funcionamento, por meio de seus canais de atendimento. 66 O normativo SARB nº 001/2008 ainda previu o atendimento no canal Ouvidoria, caso a reclamação do consumidor não seja resolvida nos canais ordinários das Instituições Financeiras. Sobre este canal, retomaremos em outro momento. Confira o texto: Sobre o atendimento por telefone, nas chamadas centrais de atendimento ao consumidor, para que seja eficiente, estabelece o normativo SARB nº 001/2008que o menu de opções deve ser facilitado, que os funcionários estejam capacitados, que as informações sejam prestadas prontamente. Art. 6º O atendimento e a prestação de serviços ao consumidor realizados por meio da internet e aplicativos nos sistemas de comunicação móvel atenderão aos seguintes preceitos, entre outros: I - a Instituição Financeira Signatária disponibilizará sistemas com adequado nível de segurança para navegação, troca de informações e realização de transações; e II - caso o consumidor seja vítima de fraude eletrônica, a Instituição Financeira Signatária iniciará um procedimento para averiguar a procedência da denúncia e para adotar as medidas cabíveis. Art. 7º Nos casos em que o consumidor não obtenha a solução de que necessita nos canais de atendimento primários da Instituição Financeira Signatária, este poderá contatar o serviço gratuito de Ouvidoria. Parágrafo único. A Ouvidoria deverá assegurar a observância das normas e regulamentos relativos aos direitos do consumidor e atuar como canal entre o consumidor e a Instituição Financeira Signatária, inclusive na mediação de eventuais conflitos. Art. 8º A reclamação realizada na Ouvidoria será identificada por meio de um número de protocolo de atendimento e o consumidor receberá resposta no prazo previsto na Resolução nº 4.433, do Conselho Monetário Nacional e suas alterações posteriores. Parágrafo único. A Instituição Financeira Signatária deverá divulgar amplamente a existência da Ouvidoria, bem como informações completas acerca da sua finalidade e forma de utilização. 67 Confira o texto: http://portal.autorregulacaobancaria.com.br/pagina/17/4/pt-br/ normativos Ainda sobre o normativo SARB nº 001/2008, vamos tratar sobre a oferta e publicidade. Este regulamento determina que deve haver uma distinção entre a peça publicitária de marketing e a peça de comunicação que apresente termos e condições dos serviços e produtos;; de forma que, para o consumidor, fique claro qual o tipo de informação que a Instituição Financeira pretende comunicar. Confira o texto: Art. 9. A Instituição Financeira Signatária que oferecer um serviço de atendimento telefônico deve disponibilizá- lo com um menu de opções que facilite o acesso aos serviços desejados, para atender o consumidor de modo eficiente e de forma a minimizar o tempo de espera. §1º Caso o atendimento seja efetuado por profissionais, eles estarão preparados para prestar informações de forma pronta e cordial, explicando os serviços em detalhe ou direcionando a sua demanda para o canal de atendimento adequado. §2º Caso não seja possível resolver a solicitação do consumidor imediatamente, a Instituição Financeira Signatária fará o acompanhamento necessário através de qualquer meio eficaz de comunicação, garantindo ao consumidor acesso a informações sobre o andamento e a solução da demanda. Art. 10. O disposto nesta seção não se aplica ao canal SAC – Serviço de Atendimento ao Consumidor, bem como ao atendimento telefônico prestado pelas agências. Art. 11. Este capítulo abrange a publicidade, os anúncios publicitários, os materiais promocionais e as ofertas comerciais feitas por meio de quaisquer canais de comunicação de propriedade da Instituição Financeira Signatária, incluindo centrais de atendimento, dispositivos móveis de comunicação e internet. Art. 12. A comunicação com o consumidor sobre os termos e condições dos serviços bancários prestados pelas Instituições Financeiras Signatárias será distinta do material de marketing ou publicidade. 68 Reiterando uma previsão do CDC e, não é exagerada esta repetição: todas as mensagens devem ser leais às características do produto ou do serviço, de forma a evitar a veiculação de uma mensagem enganosa ou abusiva. Os dados que precisam ser veiculados, obrigatoriamente, são: prazos, valores, tarifas e implicações em caso de inadimplemento. Confira o texto: Art. 13. As informações prestadas nas ofertas, ações e materiais publicitários serão leais, corretas, claras e precisas, sobre todos os aspectos essenciais ao produto ou serviço ofertado. Parágrafo único. A utilização de termos técnicos, siglas e abreviaturas ocorrerá apenas quando estritamente necessário e serão esclarecidos por meio adequado. Art. 14. Os anúncios não conterão informação de qualquer natureza que, direta ou indiretamente, por implicação, omissão, exagero ou ambiguidade, leve o consumidor a erro. §1 Para fins deste normativo, considera- se indução em erro: I – a utilização de chamadas publicitárias que sejam desproporcionais entre o que é anunciado e o que efetivamente é o produto ou o serviço ofertado; II – não disponibilizar, de forma adequada e respeitada as características de cada canal de comunicação, informações essenciais do serviço ou do produto; e III – não prestar informações relevantes sobre os riscos do produto ou serviço de forma adequada aos consumidores. §2 São informações essenciais aquelas relativas às características do serviço ou produto contratado, os prazos, valores, tarifas e consequências do seu inadimplemento. Art. 15. Os anúncios e materiais promocionais, quando referentes a produtos específicos, indicarão os meios para obtenção das informações essenciais, tais como prazos, valores e tarifas, referentes às suas características. 69 Voltando às resoluções, a Resolução CMN nº 3.919/10 (e suas atualizações) regulamentou a cobrança das tarifas bancárias. A tarifa é um pagamento realizado pelo cliente para remunerar um serviço bancário que foi prestado a ele. Reafirmando o que já havia sido definido pelo Código de Proteção e Defesa do Consumidor, a Resolução CMN nº 3.919/10 é clara ao afirmar que a tarifa deve ser prevista em um contrato assinado pelo consumidor antes de ser cobrada. Confira o texto: Os serviços prestados pelas Instituições Financeiras às pessoas naturais foram classificados em: essenciais, que não podem ser tarifados, e estão previstos no art. 2º; prioritários, para os quais é obrigatória a oferta de pacote de serviços, previstos no art. 3º; especiais, que são aqueles indicados no art. 4º; e, finalmente, diferenciados, os mencionados no art. 5º. Para sabermos qual a classificação de cada serviço é fundamental que conheçamos o texto da Resolução CMN nº 3.919/10 (e suas atualizações). Art. 1º A cobrança de remuneração pela prestação de serviços por parte das instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, conceituada como tarifa para fins desta resolução, deve estar prevista no contrato firmado entre a instituição e o cliente ou ter sido o respectivo serviço previamente autorizado ou solicitado pelo cliente ou pelo usuário. § 1º Para efeito desta resolução: I - considera- se cliente a pessoa que possui vínculo negocial não esporádico com a instituição, decorrente de contrato de depósitos, de operação de crédito ou de arrendamento mercantil, de prestação de serviços ou de aplicação financeira; II - os serviços prestados a pessoas naturais são classificados como essenciais, prioritários, especiais e diferenciados; e III - (Revogado pela Resolução nº 3.954, de 24/2/2011.) § 2º É vedada a realização de cobranças na forma de tarifas ou de ressarcimento de despesas: I - em contas à ordem do Poder Judiciário e para a manutenção de depósitos em consignação de pagamento de que trata a Lei nº 8.951, de 13 de dezembro de 1994; e II - do sacado, em decorrência da emissão de boletos ou faturas de cobrança, carnês e assemelhados. 70 Confira o texto vigente: http://www.bcb.gov.br/Pre/CMN/resolucao_recente.asp Serviços essenciais Art. 2º É vedada às instituições mencionadas no art. 1º a cobrança de tarifas pela prestação de serviços bancários essenciais a pessoas naturais, assim considerados aqueles relativos a: I - conta de depósitos à vista: a) fornecimento de cartão com função débito; b) fornecimento de segunda via do cartão referido na alínea “a”, exceto nos casos depedidos de reposição formulados pelo correntista decorrentes de perda, roubo, furto, danificação e outros motivos não imputáveis à instituição emitente; c) realização de até quatro saques, por mês, em guichê de caixa, inclusive por meio de cheque ou de cheque avulso, ou em terminal de autoatendimento; d) realização de até duas transferências de recursos entre contas na própria instituição, por mês, em guichê de caixa, em terminal de autoatendimento e/ou pela internet; e) fornecimento de até dois extratos, por mês, contendo a movimentação dos últimos trinta dias por meio de guichê de caixa e/ou de terminal de autoatendimento; f ) realização de consultas mediante utilização da internet; g) fornecimento do extrato de que trata o art. 19; h) compensação de cheques; i) fornecimento de até dez folhas de cheques por mês, desde que o correntista reúna os requisitos necessários à utilização de cheques, de acordo com a regulamentação em vigor e as condições pactuadas; e j) prestação de qualquer serviço por meios eletrônicos, no caso de contas cujos contratos prevejam utilizar exclusivamente meios eletrônicos; II - conta de depósitos de poupança: a) fornecimento de cartão com função movimentação; b) fornecimento de segunda via do cartão referido na alínea “a”, exceto nos casos de pedidos de reposição formulados pelo correntista, decorrentes de perda, roubo, furto, danificação e outros motivos não imputáveis à instituição emitente; c) realização de até dois saques, por mês, em guichê de caixa ou em terminal de autoatendimento; 71 d) realização de até duas transferências, por mês, para conta de depósitos de mesma titularidade; e) fornecimento de até dois extratos, por mês, contendo a movimentação dos últimos trinta dias; f ) realização de consultas mediante utilização da internet; g) fornecimento do extrato de que trata o art. 19; e h) prestação de qualquer serviço por meios eletrônicos, no caso de contas cujos contratos prevejam utilizar exclusivamente meios eletrônicos. § 1º Para fins do disposto nos incisos I, alínea “j”, e II, alínea “h”, do caput, são consideradas meios eletrônicos as formas de atendimento eletrônico automatizado sem intervenção humana, tais como os terminais de autoatendimento, a internet e o atendimento telefônico automatizado, observado que: I - a utilização dos canais de atendimento presencial ou pessoal, bem como dos correspondentes no País, por opção do correntista, estando disponíveis os meios eletrônicos, pode acarretar a cobrança das tarifas mencionadas nas alíneas “c”, “d” e “e” dos incisos I e II, do caput deste artigo, a partir do primeiro evento; e II - o atendimento presencial ou pessoal ou por meio dos correspondentes no País não sujeita o cliente ao pagamento de tarifas, se não for possível a prestação dos serviços por meios eletrônicos ou se estes não estiverem disponíveis. § 2º As disposições da Resolução nº 2.817, de 22 de fevereiro de 2001, alterada pela Resolução nº 2.953, de 25 de abril de 2002, não se aplicam a contas de depósitos cujos contratos prevejam utilizar exclusivamente meios eletrônicos. § 3º A quantidade de eventos gratuitos referentes aos serviços de que tratam as alíneas “c”, “d”, “e”, e “i” do inciso I e as alíneas “c”, “d”, e “e” do inciso II, do caput, deve ser considerada para cada conta de depósitos, independentemente do número de titulares, e não é cumulativa para o mês subsequente. § 4º O contrato de conta conjunta de depósitos deve prever a quantidade de cartões a ser fornecida aos titulares, sendo vedada a cobrança pelo fornecimento da quantidade de cartões pactuada. § 5º A realização de saques em terminais de autoatendimento em intervalo de até trinta minutos é considerada, inclusive para efeito da alínea “c” dos incisos I e II, do caput, como um único evento. Serviços prioritários Art. 3º A cobrança de tarifa pela prestação de serviços prioritários a pessoas naturais deve observar 72 a lista de serviços, a padronização, as siglas e os fatos geradores da cobrança estabelecidos na Tabela I anexa a esta Resolução, assim considerados aqueles relacionados a: I - cadastro; II - conta de depósitos; III - transferência de recursos; IV - operação de crédito e de arrendamento mercantil; V - cartão de crédito básico; e VI - operação de câmbio manual para compra ou venda de moeda estrangeira relacionada a viagens internacionais. § 1º O valor das tarifas de que trata o caput deve ser estabelecido em reais. § 2º O valor de tarifa cobrada pela prestação de serviço por meio do canal de atendimento “Correspondente no País”, previsto na Tabela I de que trata o caput, não pode ser superior ao da tarifa cobrada pela prestação do mesmo serviço por meio de canal de atendimento presencial ou pessoal. Serviços especiais Art. 4º Admite- se a cobrança de tarifa pela prestação de serviços especiais a pessoas naturais, assim considerados aqueles cuja legislação e regulamentação específicas definem as tarifas e as condições em que aplicáveis, a exemplo dos serviços referentes ao crédito rural, ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH), ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ao Fundo PIS/PASEP, ao penhor civil previsto no Decreto nº 6.473, de 5 de junho de 2008, às contas especiais de que trata a Resolução nº 3.211, de 30 de junho de 2004, às contas de registro e controle disciplinadas pela Resolução nº 3.402, de 6 de setembro de 2006, bem como às operações de microcrédito de que trata a Resolução nº 3.422, de 30 de novembro de 2006. Serviços diferenciados Art. 5º Admite- se a cobrança de tarifa pela prestação de serviços diferenciados a pessoas naturais, desde que explicitadas ao cliente ou ao usuário as condições de utilização e de pagamento, assim considerados aqueles relativos a: 73 I - abono de assinatura; II - aditamento de contratos; III - administração de fundos de investimento; IV - aluguel de cofre; V - aval e fiança; VI - avaliação, reavaliação e substituição de bens recebidos em garantia; VII - outros serviços de câmbio não previstos na Tabela I anexa a esta Resolução; (Redação dada pela Resolução nº 4.021, de 29/9/2011.) VIII - cartão pré- pago;; (Redação dada pela Resolução nº 4.021, de 29/9/2011.) IX - cartão de crédito diferenciado; X - certificado digital; XI - coleta e entrega em domicílio ou outro local; XII - corretagem envolvendo títulos, valores mobiliários e derivativos; XIII - custódia; XIV - envio de mensagem automática relativa à movimentação ou lançamento em conta de depósitos ou de cartão de crédito; XV - extrato diferenciado mensal contendo informações adicionais àquelas relativas a contas de depósitos à vista e/ou de poupança; XVI - fornecimento de atestados, certificados e declarações; XVII - fornecimento de cópia ou de segunda via de comprovantes e documentos; XVIII - fornecimento de plástico de cartão de crédito em formato personalizado; XIX - fornecimento emergencial de segunda via de cartão de crédito; e XX - leilões agrícolas. § 1º O disposto no inciso II do caput não se aplica aos casos de: I - contratos por adesão, exceto no caso de substituição do bem em operações de arrendamento mercantil; e II - liquidação ou amortização antecipada, cancelamento ou rescisão de contratos. 74 A Resolução CMN nº 3.919/10 (e suas atualizações) tornou obrigatória a oferta de pacotes para os serviços prioritários aos clientes pessoas naturais, sendo que, o valor somado das tarifas no pacote deve ser inferior aos valores ofertados individualmente. Confira o texto vigente: Outro aspecto importante sobre a cobrança de tarifas é referente à divulgação. A Resolução CMN nº 3.919/10 (e suas atualizações) serviu- se da mesma expressão que o CDC usou para dizer como devem ser comunicadas as características dos produtos e serviços: de maneira ostensiva. Ou seja, a tabela de tarifas precisa estar disponível no ambiente físico (como agências e correspondentes) e no ambiente virtual (sites).E, no caso da publicidade sobre os pacotes de serviços, o conteúdo mínimo a ser comunicado é: o valor de cada serviço, a quantidade de ocorrências inclusas no pacote e o preço do pacote. § 2º Não se aplica a cobrança pelo serviço de que trata o inciso XVI do caput nas situações em que o fornecimento é obrigatório por determinação legal ou regulamentar, a exemplo do fornecimento das informações de que trata o art. 3º da Resolução nº 3.401, de 6 de setembro de 2006, e o art. 2º, parágrafo único, da Resolução nº 3.517, de 6 de dezembro de 2007. Art. 6º É obrigatória a oferta de pacote padronizado de serviços prioritários para pessoas naturais, na forma definida na Tabela II anexa a esta resolução. § 1º O valor cobrado mensalmente pelo pacote padronizado de serviços mencionado no caput não pode exceder o somatório do valor das tarifas individuais que o compõem, considerada a tarifa correspondente ao canal de entrega de menor valor. § 2º Para efeito do cálculo do valor de que trata o § 1º: I - deve ser computado o valor proporcional mensal da tarifa relativa a serviço cuja cobrança não seja mensal; e II - devem ser desconsiderados os valores das tarifas cuja cobrança seja realizada uma única vez. § 3º A exigência de que trata o caput aplica- se somente às instituições que oferecem pacotes de serviços aos seus clientes vinculados a contas de depósitos à vista ou de poupança. 75 Confira o texto vigente: http://www.bcb.gov.br/Pre/CMN/resolucao_recente.asp Sobre o dever da Instituição Financeira de informar previamente as características do produto, vamos conhecer mais um normativo, o SARB nº 012/2014, que institui o chamado resumo contratual. Você já conhece este documento, já entrega ao seu cliente, mas o que talvez ainda não saiba é que ele cumpre uma obrigação legal nos termos da Lei nº 8.078/90. O resumo contratual vincula os contratantes, como já diz o CDC. As informações mínimas que precisam constar são: o preço, os juros, os acréscimos legais, a quantidade de parcelas e a soma a ser paga a vista e na forma financiada, com vistas a assegurar Art. 15. É obrigatória a divulgação pelas instituições mencionadas no art. 1º, em local e formato visíveis ao público no recinto das suas dependências, bem como nos respectivos sítios eletrônicos na internet, das seguintes informações relativas à prestação de serviços a pessoas naturais e pessoas jurídicas e respectivas tarifas: I - tabela contendo os serviços cuja cobrança de tarifas é vedada, nos termos do art. 2º; II - tabela, nos termos do art. 3º, incluindo lista de serviços, canais de entrega, sigla no extrato, fato gerador da cobrança e valor da tarifa; III - tabela contendo informações a respeito do pacote padronizado, na forma do art. 6º; IV - tabela contendo a relação dos benefícios e/ou recompensas vinculados aos cartões de crédito diferenciados emitidos pela instituição, devendo os cartões ser agrupados em dois quadros, um por proprietário do esquema de pagamento (bandeira) e outro por valor da tarifa de anuidade diferenciada em ordem crescente; V - tabelas de demais serviços prestados pela instituição, inclusive pacotes de serviços; VI - esclarecimento de que os valores das tarifas foram estabelecidos pela própria instituição; e VII - outras informações estabelecidas pela regulamentação em vigor. Parágrafo único. Na divulgação de pacotes de serviços, devem se informados, no mínimo: I - o valor individual de cada serviço incluído; II - o total de eventos admitidos por serviço incluído; e III - o preço estabelecido para o pacote. 76 a transparência, a lealdade, a objetividade das informações. O resumo contratual é obrigatório também nas ofertas por meio eletrônico. Veja o que estabelece o normativo: Art. 1º Este Normativo tem por objetivo estabelecer os elementos mínimos que integram o resumo contratual de crédito e assegurar transparência, lealdade, informações objetivas e eficiência nas relações de consumo entre as Signatárias e os consumidores. Parágrafo único. Nenhum princípio, diretriz ou procedimento deste Normativo deve ser interpretado ou resultar em menor proteção do consumidor, conforme previsto nas normas e regulamentos existentes. Art. 2° Na contratação de crédito será garantido o conhecimento prévio do resumo contratual, nos termos deste Normativo. Parágrafo único. Será tratada em normativo específico a contratação decrédito rotativo. Art. 3° O resumo contratual tem por objetivo assegurar de forma transparente, clara e precisa a informação sobre as principais cláusulas do contrato de crédito entre o consumidor e as Signatárias. Parágrafo único. O resumo contratual não substitui ou afasta o contrato celebrado entre as partes, mas suas informações vinculam, nos termos das normas em vigor, os respectivos contratantes. Art. 4° O resumo contratual deverá conter, sem prejuízo de outras complementações pelas Signatárias, as seguintes informações econômicas e de direitos dos consumidores: I – Econômicas da transação, que compreenderá: a. valor do empréstimo contratado pelo consumidor (valor entregue em conta e eventuais IOF + tarifas + seguros); b. valor a ser recebido pelo consumidor; c. valor das tarifas cobradas; d. valor dos tributos incidentes; 77 Ainda sobre o dever da Instituição Financeira de informar previamente as características do produto, nas operações de concessão de crédito, além do resumo contratual, cabe também informar o Custo Efetivo Total das operações, em atendimento ao que estabelece o CDC. Você também já conhece este outro documento - custo efetivo total das operações ou CET - , que deve ser entregue antes da contratação do crédito ou a qualquer tempo, atendendo o pedido do consumidor, como iremos ver agora. e. eventual valor da contratação do seguro; f. outros valores incidentes, quando houver, devidamente especificados; g. taxa de juros ao mês e ao ano; h. quantidade de parcelas; e i. valor da parcela mensal. II – Custo Efetivo Total, mensal e anual; III - Encargos de atraso; e IV – Direitos do Consumidor: a. exercício da liquidação antecipada e portabilidade; b. canais de atendimento disponíveis e; c. exercício do direito de desistência, nos termos do artigo 11 do Normativo SARB 10/2013. §1º Nos casos de financiamento para aquisição de bens ou serviços, será informada a soma total a pagar, com ou sem financiamento do contrato de crédito celebrado. §2º Nos casos de contratação por telefone, haverá uma leitura das informações constantes do presente artigo, devendo- se, ao final, indagar o consumidor sobre eventuais dúvidas existentes. §3º O resumo contratual será disponibilizado aos consumidores, respeitada a política de cada Signatária, por meio previamente informado. §4º Nos casos de contratações pelos terminais de autoatendimento, as informações constantes do inciso IV do presente artigo poderão constar apenas no documento disponibilizado pela Signatária para impressão. 78 Temos duas resoluções sobre o assunto: a Resolução CMN nº 3.517/07 (e suas atualizações), que dispõe sobre as informações que deverão constar nesse documento;; e a Resolução CMN nº 4.197/13 (e suas atualizações), que dispõe sobre a divulgação do CET. Vamos, então, a elas. O CET é um instrumento que serve à clareza da informação sobre a cobrança de tarifas, e permite ao consumidor escolher a melhor proposta de operação de crédito oferecida no mercado. Ele evidencia a taxa percentual anual, ou seja, no período de 365 dias (expressa em percentual e em duas casas decimais). Para o cálculo do Custo Efetivo Total, precisarão ser considerados os fluxos referentes às liberações e aos pagamentos previstos, também a taxa de juros firmada no contrato, os tributos, as tarifas, os seguros e outras despesas cobradas do consumidor, mesmo que relativas ao pagamento de serviços de terceiros contratados pela instituição, inclusive quando essas despesas forem objeto de financiamento. Veja o que diz o at. 1º daResolução CMN nº 3.517/07: Art. 1º As instituições financeiras e as sociedades de arrendamento mercantil, previamente à contratação de operações de crédito e de arrendamento mercantil financeiro com pessoas naturais e com microempresas e empresas de pequeno porte de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, devem informar o custo total da operação, expresso na forma de taxa percentual anual, calculada de acordo com a fórmula constante do anexo a esta resolução. (Redação dada pela Resolução nº 3.909, de 30/9/2010) § 1º O custo total da operação mencionado no caput será denominado Custo Efetivo Total (CET). § 2º O CET deve ser calculado considerando os fluxos referentes às liberações e aos pagamentos previstos, incluindo taxa de juros a ser pactuada no contrato, tributos, tarifas, seguros e outras despesas cobradas do cliente, mesmo que relativas ao pagamento de serviços de terceiros contratados pela instituição, inclusive quando essas despesas forem objeto de financiamento. § 3º No cálculo do CET não devem ser consideradas, se utilizados, taxas flutuantes, índice de preços ou outros referenciais de remuneração cujo valor se altere no decorrer do prazo da operação, os quais devem ser divulgados junto com o CET. § 4º O CET será divulgado com duas casas decimais, utilizando- se as Regras de Arredondamento na Numeração Decimal (NBR5891), estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. 79 Assim como vimos no resumo contratual, o CET também é parte integrante do contrato de concessão de crédito, devendo constar de modo destacado, nos termos da Resolução CMN nº 4.197/13 (e suas atualizações). Ele deve ser entregue antes da contratação, ou a qualquer tempo, atendendo a solicitação do cliente: A clareza esperada no fornecimento das informações está prevista em diversos regulamentos. Outro exemplo é o normativo SARB nº 015/2014, que cuida das diretrizes e dos procedimentos a serem adotados pelas Instituições Financeiras nas operações de crédito consignado, reiterando muitas das obrigações sobre as quais já falamos anteriormente. Convém que retomemos estes pontos. § 5º No caso de operações de adiantamento a depositantes, de desconto, de cheque especial e de crédito rotativo, devem ser considerados os seguintes parâmetros: (Redação dada pela Resolução nº 3.909, de 30/9/2010.) I - o prazo de trinta dias;; (Redação dada pela Resolução nº 3.909, de 30/9/2010.) II - o valor do limite de crédito pactuado. (Redação dada pela Resolução nº 3.909, de 30/9/2010.) § 6º Nas operações em que houver previsão de mais de uma data de liberação de recursos para o tomador de crédito, deve ser calculada uma taxa para cada liberação, com base no cronograma inicialmente previsto. § 7º O CET deve ser calculado a qualquer tempo pelas instituições financeiras e sociedades de arrendamento mercantil, a pedido do cliente. § 8º As informações históricas relativas à taxa de que trata o caput devem permanecer à disposição do Banco Central do Brasil pelo prazo mínimo de cinco anos. Art. 1º A planilha de cálculo do Custo Efetivo Total (CET), de que trata a Resolução nº 3.517, de 6 de dezembro de 2007, deve ser apresentada previamente à contratação da operação de crédito e de arrendamento mercantil financeiro, bem como constar, de forma destacada, dos respectivos contratos. Parágrafo único. O demonstrativo de que trata o caput deve explicitar, além do valor em reais de cada componente do fluxo da operação, na forma definida na Resolução nº 3.517, de 2007, art. 1º, §§ 2º e 3º, os respectivos percentuais em relação ao valor total devido. 80 Estabelece o normativo SARB nº 015/2014 que, para o produto consignado, e até mesmo nas operações firmadas pelos correspondentes, é preciso que a proposta do contrato seja entregue ao consumidor quando da assinatura, seja na forma física ou na forma eletrônica. Como é sabido, este produto depende de uma informação importante: a margem consignável. Com base nisso, é fundamental que o contrato contenha os seguintes dados: o alerta de que a validação do contrato depende da margem consignável disponível (que será confirmada pela fonte pagadora do salário ou vencimento);; a pretensão do consumidor e o valor efetivamente contratado. Se o valor financiado for menor que o pretendido pelo consumidor, ele deve ser informado de forma clara e destacada, e concordar com o valor inferior. Entretanto, o financiamento de valor superior ao pretendido é proibido pelo regulamento. Confira as principais disposições desta norma. Art. 2º Nas operações de crédito consignado, realizadas por intermédio de correspondentes, é obrigatória a entrega da proposta contratual ou do contrato no momento em que são acertadas as condições da operação que será encaminhada à Instituição Signatária. §1º A proposta de contratação de crédito consignado recebida pela instituição Signatária será processada e verificados a avaliação do risco de crédito, o valor do crédito disponível e a margem consignável do cliente junto à fonte pagadora, nos termos das normas e procedimentos existentes. §2º O contrato de crédito consignado deverá refletir as mesmas condições descritas na proposta entregue pelo correspondente, ressalvadas as hipóteses dos incisos I e II do art. 4° deste normativo. §3º Nos casos de entrega do contrato no momento da pactuação das condições da operação, não se aplicam as disposições previstas no parágrafo anterior. §4º A disponibilização do contrato a que se refere o parágrafo segundo deste artigo poderá ocorrer por meio eletrônico ou por via postal, de acordo com a política de segurança de cada Instituição Signatária. Art. 3º A proposta contratual observará as regras aprovadas em normativo específico da Autorregulação – Normativo SARB 12/2014 - complementada pelas disposições específicas deste normativo. Parágrafo único. Caso no momento da apresentação da proposta contratual pelo correspondente ao cliente não for possível indicar todas as informações referidas no caput, ela conterá, no mínimo, o valor solicitado pelo cliente, a quantidade e o valor de parcelas pretendidas e os juros remuneratórios incidentes, ficando a Instituição Signatária, nesse caso, obrigada a enviar as demais informações ao cliente antes da efetiva contratação da operação de crédito proposta e da sua averbação na folha de pagamento. 81 Art. 4º A proposta contratual de crédito consignado, além das informações constantes no Normativo SARB 12/2014, deverá alertar de forma expressa, clara e ostensiva que: I. os valores referentes ao empréstimo são indicativos da pretensão contratual do consumidor e que sua efetiva concessão dependerá da margem consignável disponível; II. a validade e eficácia do contrato de crédito consignado está condicionada à confirmação da margem consignável por parte da fonte pagadora; e III. para qual Instituição Signatária a proposta será encaminhada e os dados da central de atendimento de referida Instituição, que poderá disponibilizar ao cliente informações atualizadas relacionadas ao empréstimo. Art. 5º A contratação de crédito consignado em valores inferiores ao pretendido pelo consumidor na proposta contratual, em razão da margem consignável, deverá assegurar: I. devida manifestação de interesse e consentimento do consumidor, redigida em destaque; II. no caso de contratação via correspondente, o prazo de 7 (sete) dias para o exercício do direito de desistência, contado do momento em que forem disponibilizados os valores contratados, devendo o consumidor restituí- los acrescidos de eventuais tributos e juros incidentes até a data da efetiva devolução. Parágrafo único. É vedada a aprovação de operação com valor total ou margem consignável superior ao pretendido pelo consumidor. Art. 6º Para liquidação antecipada de contrato, serão disponibilizadas ao consumidor as informações sobre o saldo devedor relativas ao contrato de concessão de crédito e os meios de liquidação contratualmenteassumidos entre o consumidor e a Instituição Signatária. Parágrafo único. Os documentos referidos no presente artigo poderão ser entregues ou encaminhados aos representantes legais dos consumidores, devidamente constituídos com procuração específica para tal fim, com firma reconhecida por autenticidade, com identificação da Instituição Signatária requerida e da operação em questão, com validade de no máximo 30 (trinta) dias. 82 Quando estudamos o direito à informação previsto no CDC, vimos que todas as formas de comunicação integram o contrato e vinculam os fornecedores, seja nas interações pessoais, seja nas interações eletrônicas, ou, ainda, seja no contato realizado por meio de representantes. Nos últimos anos, os clientes e usuários do Sistema Financeiro tem contado com os correspondentes, além dos canais eletrônicos. Assim, importante estudarmos a regulamentação dos correspondentes bancários. A Resolução CMN nº 3.954/11 (e suas atualizações), dispõe sobre a contratação de correspondentes bancários e confirma o que foi fixada pela Lei nº 8.078/90, a Instituição Financeira é responsável pelo atendimento feito pela empresa contratada e pelo produto que ela vende, de modo que, esse atendimento deverá ser feito por conta, e nos termos das diretrizes impostas pelo Banco que contrata. Confira o texto vigente: http://www.bcb.gov.br/Pre/CMN/resolucao_recente.asp Segundo a Resolução CMN nº 3.954/11, os correspondentes devem necessariamente: ser contratados em território nacional; o contrato não pode ser do tipo franquia;; não é qualquer empresa que pode ser contratada como correspondente, apenas aquelas permitidas pelo art. 3º; e, algumas contratações dependerão de prévia autorização do BACEN. Confira o texto vigente: http://www.bcb.gov.br/Pre/CMN/resolucao_recente.asp Art. 2º O correspondente atua por conta e sob as diretrizes da instituição contratante, que assume inteira responsabilidade pelo atendimento prestado aos clientes e usuários por meio do contratado, à qual cabe garantir a integridade, a confiabilidade, a segurança e o sigilo das transações realizadas por meio do contratado, bem como o cumprimento da legislação e da regulamentação relativa a essas transações. 83 Art. 1º As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil devem observar as disposições desta resolução como condição para a contratação de correspondentes no País, visando à prestação de serviços, pelo contratado, de atividades de atendimento a clientes e usuários da instituição contratante. Parágrafo único. A prestação de serviços de que trata esta resolução somente pode ser contratada com correspondente no País. Art. 3º Somente podem ser contratados, na qualidade de correspondente, as sociedades, os empresários, as associações definidos na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), os prestadores de serviços notariais e de registro de que trata a Lei no 8.935, de 18 de novembro de 1994, e as empresas públicas. (Redação dada pela Resolução nº 3.959, de 31/3/2011.) § 1º A contratação, como correspondente, de instituições financeiras e demais instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN), deve observar o disposto no art. 18 desta resolução. (Redação dada pela Resolução nº 3.959, de 31/3/2011.) § 2º É vedada a contratação, para o desempenho das atividades de atendimento definidas nos incisos I, II, IV e VI do art. 8º, de entidade cuja atividade principal seja a prestação de serviços de correspondente. (Redação dada pela Resolução nº 3.959, de 31/3/2011.) § 3º É vedada a contratação de correspondente cujo controle seja exercido por administrador da instituição contratante ou por administrador de entidade controladora da instituição contratante. (Redação dada pela Resolução nº 3.959, de 31/3/2011.) §4º A vedação de que trata o §3o não se aplica à hipótese em que o administrador seja também controlador da instituição contratante. (Incluído pela Resolução nº 3.959, de 31/3/2011.) Art. 5º Depende de prévia autorização do Banco Central do Brasil a celebração de contrato de correspondente com entidade não integrante do SFN cuja denominação ou nome fantasia empregue termos característicos das denominações das instituições do SFN, ou de expressões similares em vernáculo ou em idioma estrangeiro. Art. 6º Não é admitida a celebração de contrato de correspondente e que configure contrato de franquia, nos termos da Lei nº 8.955, de 15 de dezembro de 1994, ou cujos efeitos sejam semelhantes no tocante aos direitos e obrigações das partes ou às formas empregadas para o atendimento ao público. 84 Para a contratação (e renovação) de correspondente, é premissa a ser observada pela Instituição Financeira, a análise de situações que desonerem a empresa ou os seus diretores, pois podem comprometer a adequada e segura prestação de serviços aos consumidores. Inclusive, o critério risco deve compor o cálculo da política de remuneração do correspondente. Confira o texto vigente: http://www.bcb.gov.br/Pre/CMN/resolucao_recente.asp Eu não sei se você já sabe, mas a Resolução CMN nº 3.954/11 (e suas atualizações) permite que o correspondente bancário substabeleça o contrato de prestação de serviços em um único nível, desde que a Instituição Financeira tenha autorizado e, também, desde que não seja para o atendimento em operações de câmbio. Confira o texto vigente: Art. 4o A instituição contratante, para celebração ou renovação de contrato de correspondente, deve verificar a existência de fatos que, a seu critério, desabonem a entidade contratada ou seus administradores, estabelecendo medidas de caráter preventivo e corretivo a serem adotadas na hipótese de constatação, a qualquer tempo, desses fatos, abrangendo, inclusive, a suspensão do atendimento prestado ao público e o encerramento do contrato. Art. 4º- A A instituição contratante deve adotar política de remuneração dos contratados compatível com a política de gestão de riscos, de modo a não incentivar comportamentos que elevem a exposição ao risco acima dos níveis considerados prudentes nas estratégias de curto, médio e longo prazos adotadas pela instituição, tendo em conta, inclusive, a viabilidade econômica no caso das operações de crédito e de arrendamento mercantil cujas propostas sejam encaminhadas pelos correspondentes. (Incluído, a partir de 2/1/2012, pela Resolução nº 4.035, de 30/11/2011.) Parágrafo único. A política de remuneração de que trata o caput deve considerar qualquer forma de remuneração, inclusive adiantamentos por meio de operação de crédito, aquisição de recebíveis ou constituição de garantias, bem como o pagamento de despesas, a distribuição de prêmios, bonificações, promoções ou qualquer outra forma assemelhada. (Incluído, a partir de 2/1/2012, pela Resolução nº 4.035, de 30/11/2011. 85 O contrato que a Instituição Financeira firma com os correspondentes pode incluir as atividades previstas no art. 8º e 9º da Resolução CMN nº 3.954/11 (e suas atualizações), entre elas: abertura de conta corrente, realização de ações de movimentação de contas (transferências, por exemplo), recebimento de pagamentos, recebimento de propostas de crédito, recebimento de propostas de cartão de crédito, realização de operações de câmbio. Veja o que a resolução autoriza: Art. 7º Admite- se o substabelecimento do contrato de correspondente, em um único nível, desde que o contrato inicial preveja essa possibilidade e as condições para sua efetivação, entre as quais a anuência da instituição contratante. § 1º A instituição contratante, para anuir ao substabelecimento, deve assegurar o cumprimento das disposições desta resolução, inclusive quanto às entidades passíveis de contratação na forma do art. 3º. § 2º É vedado o substabelecimento do contrato no tocante às atividades de atendimento em operações de câmbio. Art. 8º O contrato de correspondente pode ter por objeto as seguintes atividadesde atendimento, visando ao fornecimento de produtos e serviços de responsabilidade da instituição contratante a seus clientes e usuários: I - recepção e encaminhamento de propostas de abertura de contas de depósitos à vista, a prazo e de poupança mantidas pela instituição contratante; II - realização de recebimentos, pagamentos e transferências eletrônicas visando à movimentação de contas de depósitos de titularidade de clientes mantidas pela instituição contratante; III - recebimentos e pagamentos de qualquer natureza, e outras atividades decorrentes da execução de contratos e convênios de prestação de serviços mantidos pela instituição contratante com terceiros; IV - execução ativa e passiva de ordens de pagamento cursadas por intermédio da instituição contratante por solicitação de clientes e usuários; V - recepção e encaminhamento de propostas de operações de crédito e de arrendamento mercantil concedidas pela instituição contratante, bem como outros serviços prestados para o acompanhamento da operação; (Redação dada, a partir de 2/1/2015, pela Resolução nº 4.294, de 20/12/2013.) 86 A prestação de atendimento por meio dos correspondentes deve seguir as premissas da transparência no fornecimento de informação para o consumidor. Dentre outras coisas, a empresa contratada não pode ter instalações que induzam o cliente a erro, VI - recebimentos e pagamentos relacionados a letras de câmbio de aceite da instituição contratante; VIII - recepção e encaminhamento de propostas de fornecimento de cartões de crédito de responsabilidade da instituição contratante; e IX - realização de operações de câmbio de responsabilidade da instituição contratante, observado o disposto no art. 9º. Parágrafo único. Pode ser incluída no contrato a prestação de serviços complementares de coleta de informações cadastrais e de documentação, bem como controle e processamento de dados. Art. 9º O atendimento prestado pelo correspondente em operações de câmbio deve ser contratualmente restrito às seguintes operações: I - compra e venda de moeda estrangeira em espécie, cheque ou cheque de viagem, bem como carga de moeda estrangeira em cartão pré- pago; (Redação dada, a partir de 2/1/2012, pela Resolução nº 4.035, de 30/11/2011.) II - execução ativa ou passiva de ordem de pagamento relativa a transferência unilateral do ou para o exterior; e III - recepção e encaminhamento de propostas de operações de câmbio. § 2º O contrato que inclua o atendimento nas operações de câmbio relacionadas nos incisos I e II do caput deve prever as seguintes condições: I - limitação ao valor de US$3.000,00 (três mil dólares dos Estados Unidos), ou seu equivalente em outras moedas, por operação; II - obrigatoriedade de entrega ao cliente de comprovante para cada operação de câmbio realizada, contendo a identificação das partes, a indicação da moeda estrangeira, da taxa de câmbio e dos valores em moeda estrangeira e em moeda nacional; e III - observância das disposições do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Estrangeiros (RMCCI). 87 fazendo com que ele ache que esta em um ponto de venda da própria Instituição Financeira. Mais que isso, precisam ser divulgadas as condições do serviço prestado por aquele estabelecimento, identificando em nome de qual empresa atua, indicando os limites do atendimento daquele correspondente. Também é necessário informar os telefones dos Serviço de Atendimento aos Clientes e das Ouvidorias das empresas para as quais o corresponde presta atendimento. Estes pontos devem constar do contrato firmado com o correspondente, conforme estabelece a Resolução CMN nº 3.954/11 (e suas atualizações). Confira o texto vigente: Art. 10. O contrato de correspondente deve estabelecer: I - exigência de que o contratado mantenha relação formalizada mediante vínculo empregatício ou vínculo contratual de outra espécie com as pessoas naturais integrantes da sua equipe, envolvidas no atendimento a clientes e usuários; II - vedação à utilização, pelo contratado, de instalações cuja configuração arquitetônica, logomarca e placas indicativas sejam similares às adotadas pela instituição contratante em suas agências e postos de atendimento; III - divulgação ao público, pelo contratado, de sua condição deprestador de serviços à instituição contratante, identificada pelo nome com que é conhecida no mercado, com descrição dos produtos e serviços oferecidos e telefones dos serviços de atendimento e de ouvidoria da instituição contratante, por meio de painel visível mantido nos locais onde seja prestado atendimento aos clientes e usuários, e por outras formas caso necessário para esclarecimento do público; IV - realização de acertos financeiros entre a instituição contratante e o correspondente, no máximo, a cada dois dias úteis; V - utilização, pelo correspondente, exclusivamente de padrões, normas operacionais e tabelas definidas pela instituição contratante, inclusive na proposição ou aplicação de tarifas, taxas de juros, taxas de câmbio, cálculo de Custo Efetivo Total (CET) e quaisquer quantias auferidas ou devidas pelo cliente, inerentes aos produtos e serviços de fornecimento da instituição contratante; VI - vedação ao contratado de emitir, a seu favor, carnês ou títulos relativos às operações realizadas, ou cobrar por conta própria, a qualquer título, valor relacionado com os produtos e serviços de fornecimento da instituição contratante; VII - vedação à realização de adiantamento a cliente, pelo correspondente, por conta de recursos a serem liberados pela instituição contratante; 88 Se o correspondente ofertar operações de crédito ou de arrendamento mercantil, considerando os riscos que estas transações envolvem, deverão ser tomados cuidados específicos visando garantir a integridade, a confiabilidade e a transparência no atendimento aos consumidores, como por exemplo: todos os planos de operações devem ser apresentados ao consumidor, bem como os planos oferecidos pelas demais Instituições Financeiras, para as quais o correspondente presta serviços;; além disso, os funcionários que prestam atendimento deverão se identificar usando um crachá. Confira o texto vigente: VIII - vedação à prestação de garantia, inclusive coobrigação, pelo correspondente nas operações a que se refere o contrato; IX - realização, pelo contratado, de atendimento aos clientes e usuários relativo a demandas envolvendo esclarecimentos, obtenção de documentos, liberações, reclamações e outros referentes aos produtos e serviços fornecidos, as quais serão encaminhadas de imediato à instituição contratante, quando não forem resolvidas pelo correspondente; X - permissão de acesso do Banco Central do Brasil aos contratos firmados ao amparo desta resolução, à documentação e informações referentes aos produtos e serviços fornecidos, bem como às dependências do contratado e respectiva documentação relativa aos atos constitutivos, registros, cadastros e licenças requeridos pela legislação; XI - possibilidade de adoção de medidas pela instituição contratante, por sua iniciativa, nos termos do art. 4º, ou por determinação do Banco Central do Brasil; XII - observância do plano de controle de qualidade do atendimento, estabelecido pela instituição contratante nos termos do art. 14, § 1º, e das medidas administrativas nele previstas; e XIII - declaração de que o contratado tem pleno conhecimento de que a realização, por sua própria conta, das operações consideradas privativas das instituições financeiras ou de outras operações vedadas pela legislação vigente sujeita o infrator às penalidades previstas nas Leis nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e no 7.492, de 16 de junho de 1986. Parágrafo único. A vedação de que trata o inciso VIII não se aplica às operações de financiamento e de arrendamento mercantil de bens e serviços fornecidos pelo próprio correspondente no exercício de atividade comercial integrante de seu objeto social.89 Art. 11. O contrato de correspondente que incluir as atividades relativas a operações de crédito e de arrendamento mercantil, referidas no art. 8º, inciso V, deve prever, com relação a essas atividades: I - obrigatoriedade de, no atendimento prestado em operações de financiamento e de arrendamento mercantil referentes a bens e serviços fornecidos pelo próprio correspondente, apresentação aos clientes, durante o atendimento, dos planos oferecidos pela instituição contratante e pelas demais instituições financeiras para as quais preste serviços de correspondente; II - uso de crachá pelos integrantes da respectiva equipe que prestem atendimento nas operações de que trata o caput, expondo ao cliente ou usuário, de forma visível, a denominação do contratado, o nome da pessoa e seu número de registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); III - envio, em anexo à documentação encaminhada à instituição contratante para decisão sobre aprovação da operação pleiteada, da identificação do integrante da equipe do correspondente, contendo o nome e o número do CPF, especificando: a) no caso de operações relativas a bens e serviços fornecidos pelo próprio correspondente, a identificação da pessoa certificada de acordo com as disposições do art. 12, § 1º, responsável pelo atendimento prestado; e b) nas demais operações, a identificação da pessoa certificada que procedeu ao atendimento do cliente; IV - liberação de recursos pela instituição contratante a favor do beneficiário, no caso de crédito pessoal, ou da empresa fornecedora, nos casos de financiamento ou arrendamento mercantil, podendo ser realizada pelo correspondente por conta e ordem da instituição contratante, desde que, diariamente, o valor total dos pagamentos realizados seja idêntico ao dos recursos recebidos da instituição contratante para tal fim; e V - pagamento de remuneração, da seguinte forma: a) na contratação da operação: pagamento à vista, relativo aos esforços desempenhados na captação do cliente quando da originação da operação; e b) ao longo da operação: pagamento pro rata temporis ao longo do prazo do contrato, relativo a outros serviços prestados após a originação. (Inciso V incluído, a partir de 2/1/2015, pela Resolução nº 4.294, de 20/12/2013.) § 1º Com relação ao disposto no inciso V, alínea “a”, o valor pago na contratação da operação deve representar: I - no máximo 6% (seis por cento) do valor de operação de crédito encaminhada, repactuada ou renovada;; ou no máximo 3% (três por cento) do valor de operação objeto de portabilidade. (Parágrafo 1º incluído, a partir de 2/1/2015, pela Resolução no 4.294, de 20/12/2013.) 90 Com o intuito de garantir a qualidade do atendimento prestado aos consumidores bancários por correspondentes de operações de crédito e arrendamento mercantil, a Resolução CMN nº 3.954/11 (e suas atualizações) estabelece a obrigatoriedade de que os funcionários sejam aprovados em exame de certificação, confirmando a capacitação nos seguintes assuntos: Código de Proteção e Defesa do Consumidor, regulamentação aplicável, ética e Ouvidoria: Para os correspondentes que atuam na oferta de crédito direito ao consumidor e de arrendamento mercantil, existe outro normativo de Autorregulação Bancária específico, que está em total alinhamento com o que vimos até este momento. É o normativo SARB nº 005/2009. § 2º O contrato de que trata o caput deve prever, ainda, que, no caso de liquidação antecipada da operação com recursos próprios do devedor ou com recursos transferidos por outra instituição, será cessado o pagamento da remuneração referida no inciso V, alínea “b”. (Parágrafo 2º incluído, a partir de 2/1/2015, pela Resolução nº 4.294, de 20/12/2013.) Art. 12. O contrato deve prever, também, que os integrantes da equipe do correspondente, que prestem atendimento em operações de crédito e arrendamento mercantil, sejam considerados aptos em exame de certificação organizado por entidade de reconhecida capacidade técnica. § 1º No caso de correspondentes ao mesmo tempo fornecedores de bens e serviços financiados ou arrendados, admite- se a certificação de uma pessoa por ponto de atendimento, que se responsabilizará, perante a instituição contratante, pelo atendimento ali prestado aos clientes. § 2º A certificação de que trata este artigo deve ter por base processo de capacitação que aborde, no mínimo, os aspectos técnicos das operações, a regulamentação aplicável, o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ética e ouvidoria. § 3º O correspondente deve manter cadastro dos integrantes da equipe referidos no caput permanentemente atualizado, contendo os dados sobre o respectivo processo de certificação, com acesso a consulta pela instituição contratante a qualquer tempo. 91 A primeira regra imposta pelo normativo SARB nº 005/2009 é a entrega do orçamento previamente para essas duas modalidades de produto, quando ofertados tanto pela própria empresa, quanto pelos correspondentes. Confira o texto: http://portal.autorregulacaobancaria.com.br/pagina/17/4/pt-br/ normativos Relembrando o que assentou o Código de Proteção e Defesa do Consumidor quando tratou das práticas abusivas: a realização do orçamento de forma prévia e o aceite do consumidor são condições impostas ao fornecedor. Assim, o normativo SARB nº 005/2009, sobre a oferta de operações de crédito direto ao consumidor e de arrendamento mercantil financeiro de veículos estipula, também como condição, a entrega prévia do orçamento para estas duas modalidades de crédito. Confira o texto: Art. 2º Os documentos e os procedimentos mínimos de oferta e contração de operações de crédito direto ao consumidor e arrendamento mercantil financeiro no mercado de veículos passam a ser estabelecidos neste Normativo. Art. 3º As Instituições Financeiras Signatárias e as Conveniadas que atuarem, através de correspondentes no país, na oferta e contratação de operações de crédito direto ao consumidor e arrendamento mercantil financeiro no mercado de veículos, adotarão documentos padronizados para oferta, a partir de agora denominados de “orçamentos”. Parágrafo único. Os orçamentos previstos no anexo deste Normativo são relativos ao mercado de veículos e representam: I - operações de crédito direto ao consumidor; e II - operações de arrendamento mercantil financeir. 92 Como já vimos na Resolução CMN nº 3.954/11: Art. 4º A utilização dos orçamentos é obrigatória para todas as Instituições Financeiras Signatárias e as Conveniadas, bem como por seus respectivos Correspondentes. §1º Considera- se Correspondente, para fins deste Normativo, qualquer empresa terceira contratada a fornecer propostas de operações de crédito direto ao consumidor e de arrendamento mercantil financeiro, no mercado de veículos, na forma da regulamentação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional – CMN. §2º A não utilização dos orçamentos, por qualquer Correspondente, implicará a não conformidade de conduta por parte da respectiva Instituição Financeira Signatária ou da Conveniada ofertante do crédito direto ao consumidor ou do arrendamento mercantil financeiro contratado. Art. 5º A forma e o conteúdo dos orçamentos definidos neste Normativo somente poderão ser alterados por processo de revisão de normativos da Autorregulação Bancária. Art. 6º Para garantia da liberdade de escolha do consumidor, as Instituições Financeiras Signatárias e as Conveniadas deverão assegurar que cada Correspondente seu que atue nas operações tratadas neste Normativo assuma contratualmente o dever de: I - manter afixado painel com a identificação de que se trata de Correspondente da Instituição Financeira Signatária ou Conveniada contratante; e II - apresentar ao consumidor as opções de contratação disponibilizadas pelas Instituições que represente. §1º O painel será afixado em local visível do estabelecimento comercial do Correspondente e nos locais em que for prestado atendimento ao público. §2º No painel deverão constar,no mínimo, as seguintes informações: a - nome pelo qual cada Instituição é conhecida no mercado; b - descrição dos produtos e serviços acessíveis por meio daquele Correspondente; e c – números de telefone dos serviços de atendimento (SACs) e das Ouvidorias das Instituições Financeiras Signatárias e das Conveniadas contratantes de seus serviços. 93 Como os produtos Crédito Direito ao Consumidor e Arrendamento Mercantil podem envolver a cobrança de tarifa, o normativo SARB nº 005/2009 tratou do assunto também. Em harmonia com Resolução CMN nº 3.919/10 (que já vimos) o normativo SARB nº 005/2009 indica que a tarifa de cadastro pode ser cobrada, afinal, trata- se de um serviço prioritário, excetuando duas situações: (1) as situações que os consumidores preferirem entregar os documentos espontaneamente (documento de identificação, CPF, comprovantes de renda e de residência, pesquisa de restrições financeiras, certidões negativas de cartórios e certidão de regularidade de CPF), e (2) aos consumidores que já são correntistas da Instituição Financeira. Confira o texto: Art. 7º As Instituições Financeiras Signatárias e as Conveniadas deverão assegurar que o Correspondente adote os seguintes procedimentos: I - entrega ao consumidor de uma via preenchida do orçamento escolhido, antes da contratação da operação e depois de ofertadas as propostas disponíveis; II – utilização, por suas equipes de atendimento, de crachás que pronta e facilmente permitam a identificação, pelo consumidor, do nome do Correspondente, do próprio atendente e de seu CPF; e III – alocação de ao menos um profissional que atue em nome do Correspondente, previamente aprovado em exame de Certificação Profissional aplicado por entidade de reconhecida capacidade técnica, em cada ponto de atendimento ao público. Art. 8º A tarifa de cadastro nas operações de financiamento de veículos e arrendamento mercantil será cobrada do consumidor de acordo com o fato gerador definido na Resolução CMN n° 3.919 de 2010 e suas alterações posteriores. Parágrafo Único. A tarifa de cadastro remunera o serviço de cadastro, que compreende, nos termos da Resolução supracitada, a “realização de pesquisa em serviços de proteção ao crédito, base de dados e informações cadastrais, e tratamento de dados e informações necessários ao início de relacionamento decorrente da abertura de conta de depósitos à vista ou de poupança ou contratação de operação de crédito ou de arrendamento mercantil, não podendo ser cobrada cumulativamente”. 94 Art. 9º Ficará dispensado do pagamento da tarifa de cadastro para início de relacionamento nas operações de financiamento e arrendamento mercantil de veículos, o consumidor que entregar à Instituição Financeira cópias autenticadas ou apresentar os originais dos documentos enumerados no inciso I deste artigo. I – Os documentos previstos no caput deste artigo são: a) documento de identificação com foto; b) número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda - CPF; c) comprovante de residência; d) comprovante de renda ou de patrimônio, sendo estes cópia do holerite, da declaração anual de imposto de renda ou da certidão pro labore; e) pesquisa em bancos de dados e de proteção ao crédito, sendo aceitas, à escolha do consumidor, as feitas na SERASA Experian, Boavista Equifax ou outra equivalente, aprovada pela Instituição Financeira Signatária; f ) certidões de cartórios de protesto do local do domicílio do consumidor; e g) certidão de regularidade do CPF do consumidor expedida pela Receita Federal do Brasil. II - Os documentos enumerados nas alíneas “a” a “d” do inciso I acima poderão ser também exigidos do consumidor que opte por contratar o serviço de cadastro, sendo, em qualquer caso, permitida a apresentação do respectivo original para conferência; III - É vedada às Instituições Financeiras Signatárias e às Conveniadas, para fins de dispensa do pagamento da tarifa de cadastro, a ampliação do rol de documentos mencionados no inciso anterior, podendo, no entanto, isentar qualquer desses documentos; IV - As Instituições Financeiras Signatárias e as Conveniadas devem aceitar os documentos previstos no inciso I apresentados pelo consumidor, desde que legíveis; V - Os comprovantes, pesquisas e certidões somente serão considerados válidos se legíveis e apresentados com até no máximo 30 (trinta) dias de sua emissão, desde que ainda vigentes, conforme a data de validade constante no próprio documento; e VI - As Instituições Financeiras Signatárias e as Conveniadas deverão guardar o resultado da pesquisa cadastral dos consumidores que optaram pelo pagamento da respectiva tarifa pelo prazo da vigência do contrato a fim de que possam provar a prestação do serviço em até 30 (trinta) dias, em caso de questionamento do consumidor, ou no prazo estipulado pelo Poder Judiciário ou pelas autoridades administrativas solicitantes. 95 Para finalizarmos o assunto contratação de crédito, sobre o direito do consumidor previsto na Lei nº 8.078/90 de pagar antecipadamente (uma parcela ou todo o saldo devedor) com a redução proporcional dos juros, a Resolução CMN nº 3.516/07 (e suas atualizações) assegurou que o cálculo para a liquidação antecipada da operação use a mesma taxa de juros que foi acertada no contrato, bem como, proibiu a cobrança de tarifa para esta operação. Art. 10. Em respeito ao princípio da boa- fé que rege as relações de consumo, a análise da situação cadastral do cliente não será afetada pela escolha do consumidor pelo pagamento da tarifa ou pela entrega da documentação exigida, mas sim pela verificação efetiva da sua situação cadastral. Parágrafo único. Cabe às Instituições Financeiras Signatárias e as Conveniadas efetuar a referida análise prevista no caput deste artigo, de acordo com as suas políticas internas aplicáveis e demais critérios de mercado, não se limitando à análise da documentação entregue ou coletada. Art. 11. As Instituições Financeiras Signatárias e as Conveniadas que oferecerem financiamento ou arrendamento mercantil não poderão cobrar tarifa de cadastro de clientes que com ela mantenham relacionamento, independentemente do local de solicitação do crédito ou arrendamento mercantil. Art. 12. O pagamento do Registro do Contrato é responsabilidade do consumidor e pode compor o valor da operação de financiamento de veículos ou de arrendamento mercantil, desde que expressamente solicitado e discriminado no CET. §1º Os custos de Registro de Contrato, nas operações de financiamento de veículos, representam as despesas relacionadas à constituição da alienação fiduciária sobre o bem que o consumidor deu em garantia, nos termos do artigo 490 do Código Civil - CC e Resolução do Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN n° 320 de 2009 e suas alterações posteriores. §2º Os custos de Registro de Contrato nas operações de arrendamento mercantil representam as despesas relacionadas à constituição do arrendamento mercantil, nos termos da Lei 11.882 de 2008 e Resolução CONTRAN n° 320 de 2009 e suas alterações posteriores. §3° Os custos de Registro de Contrato não comporão a operação de financiamento ou arrendamento mercantil sempre que o consumidor contratar diretamente, às suas expensas, o envio dos dados do contrato para os DETRANS que possuem sistema próprio de registro. 96 Confira: Vamos tratar agora do produto conta corrente, analisando a Resolução CMN nº 2.205/99 (e suas atualizações), que regulamenta as contas de depósito, usualmente chamadas de conta corrente. Este tipo de produto permite que o depositante retire o valor disponível no tempo que desejar. Já faz parte da rotina de trabalho de um gerente o documento chamado: ficha- proposta para abertura de conta de depósito. O que é pouco conhecida é a obrigação legal deste instrumento. As condições de abertura têm informações importantes e necessárias e atende o que foi previsto no CDC, informam ao consumidor contratante sobreas condições do produto. Nos termos da Resolução CMN nº 2.205/99 (e suas atualizações), a ficha- proposta deve conter as seguintes informações, necessariamente: sobre o saldo exigido para a manutenção da conta, sobre as condições para fornecimento de talões de cheques, sobre a exigência de comunicação (por parte do depositante), quando houver alterações dos dados cadastrais, sobre da possibilidade da inclusão do nome do depositante no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundo;; bem como, sobre a destruição dos cheques liquidados. Art. 1º Fica vedada às instituições financeiras e sociedades de arrendamento mercantil a cobrança de tarifa em decorrência de liquidação antecipada nos contratos de concessão de crédito e de arrendamento mercantil financeiro, firmados a partir da data da entrada em vigor desta resolução com pessoas físicas e com microempresas e empresas de pequeno porte de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Art. 2º O valor presente dos pagamentos previstos para fins de amortização ou de liquidação antecipada das operações mencionadas no art. 1º contratadas a taxas prefixadas deve ser calculado com a utilização da taxa de juros pactuada no contrato. Parágrafo único. A utilização da taxa de juros pactuada no contrato para apuração do valor presente mencionado no caput deve estar prevista em cláusula contratual específica. (Artigo 2º com redação dada, a partir de 5/5/2014, pela Resolução nº 4.320, de 27/3/2014.) 97 Todas estas informações deverão ser prestadas inicialmente, quando da abertura da conta, para cumprir o dever imposto pelo Código de Proteção e Defesa do Consumidor, dando ciência ao consumidor das regras contratuais. Ainda, deverão consta na ficha- proposta, as informações sobre os procedimentos para o encerramento da conta, como forma de manter o equilíbrio contratual. Deve abranger ainda, a informação que o encerramento deverá ser precedido de uma comunicação, e que pode acontecer tanto por iniciativa do consumidor quanto da Instituição Financeira. Confira o texto vigente: http://www.bcb.gov.br/Pre/CMN/resolucao_recente.asp Art. 2º A ficha- proposta relativa a conta de depósitos à vista deverá conter, ainda, cláusulas tratando, entre outros, dos seguintes assuntos: I - saldo exigido para manutenção da conta; (Redação dada pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000.) II - condições estipuladas para fornecimento de talonário de cheques; III - (Revogado pela Resolução nº 2.303, de 25/7/1996.) IV - obrigatoriedade de comunicação, devidamente formalizada pelo depositante, sobre qualquer alteração nos dados cadastrais e nos documentos referidos no art. 1º desta Resolução; (Redação dada pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000.) V - inclusão do nome do depositante no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), nos termos da regulamentação em vigor, no caso de emissão de cheques sem fundos, com a devolução dos cheques em poder do depositante à instituição financeira; (Redação dada pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000.) VI - informação de que os cheques liquidados, uma vez microfilmados, poderão ser destruídos;(Redação dada pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000.) VII - procedimentos a serem observados com vistas ao encerramento da conta de depósitos, respeitado o disposto no art. 12 desta Resolução. (Incluído pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000.) Parágrafo único. (Revogado pela Resolução nº 2.303, de 25/7/1996.) 98 Os dados do consumidor que serão inclusos na ficha- proposta de abertura da conta de depósito devem ser verdadeiros, conferidos com documentação comprobatória. Segundo a Resolução CMN nº 2.205/99 (e suas atualizações), a Instituição Financeira tem a responsabilidade de garantir a exatidão destas informações. Confira o texto legal: A importância da veracidade das informações da ficha- proposta implica, inclusive, na vedação legal de emissão de talões de cheque ao depositante, nos termos do art. 6º da Resolução CMN nº 2.025/99. Confira: Art. 3º As informações constantes da ficha- proposta, bem como os elementos de identificação e localização do proponente, devem ser conferidos à vista de documentação competente, observada a responsabilidade da instituição pela verificação acerca da exatidão das informações prestadas. (Redação dada pela Resolução nº 2.953, de 25/4/2002.) Parágrafo 1º A execução dos procedimentos de que trata este artigo pode ser atribuída a correspondentes contratados nos termos da Resolução 2.707, de 30 de março de 2000, e regulamentação posterior, não desonerando o gerente responsável pela abertura da conta de depósito e o diretor designado nos termos do art. 15 desta resolução da responsabilidade pelo cumprimento das disposições previstas na legislação e na regulamentação em vigor. (Redação dada pela Resolução nº 2.953, de 25/4/2002.) Parágrafo 2º A instituição deve adequar seus sistemas de controles internos voltados para as atividades de abertura e acompanhamento de contas de depósitos, implantados nos termos da Resolução 2.554, de 24 de setembro de 1998, com vistas a prever o monitoramento das atribuições conferidas na forma do parágrafo 1º, bem como adotar políticas e procedimentos, incluindo regras rígidas do tipo “conheça seu cliente”, que previnam a utilização das respectivas instituições, intencionalmente ou não, para fins de práticas ilícitas ou fraudulentas. (Redação dada pela Resolução nº 2.953, de 25/4/2002.) Parágrafo 3º A prerrogativa de atribuir a execução dos procedimentos pertinentes à abertura de contas de depósitos a correspondentes, na forma prevista no parágrafo 1º, dependerá da prévia adequação dos sistemas de controles internos referida no parágrafo 2º. (Incluído pela Resolução nº 2.953, de 25/4/2002.) Parágrafo 4º A instituição deve manter arquivadas, junto à ficha- proposta de abertura da conta de depósitos, cópias legíveis e em bom estado da documentação referida neste artigo. (Incluído pela Resolução nº 2.953, de 25/4/2002.) 99 A Resolução CMN nº 2.025/99 (e suas atualizações) concedeu às Instituições Financeiras a liberalidade de abrir, de manter e de encerrar uma conta de depósito de consumidores inclusos no cadastro de emitentes de cheques sem fundos (CCF). Confira o texto vigente: A ficha- proposta deverá conter também as condições para encerramento de uma conta de depósito, inclusive respeitadas as informações mínimas previstas no art. 12 da Resolução CMN nº 2.025/99 (e suas atualizações). Além disso, esta norma estabeleceu que os pedidos de encerramento devem ser acatados, ainda que existam cheques sustados, revogados ou cancelados por qualquer causa. Os pedidos de encerramento precisarão ser mantidos em registro pela Instituição Financeira. Confira: Art. 6º É vedado o fornecimento de talonário de cheques ao depositante enquanto não verificadas as informações constantes da ficha- proposta ou quando, a qualquer tempo, forem constatadas irregularidades nos dados de identificação do depositante ou de seu procurador. Art. 10. É facultada à instituição financeira a abertura, manutenção ou encerramento de conta de depósitos à vista cujo titular figure ou tenha figurado no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF). Parágrafo único. É proibido o fornecimento de talonário de cheques ao depositante enquanto figurar no CCF. Art. 12. Cabe à instituição financeira esclarecer ao depositante acerca das condições exigidas para a rescisão do contrato de conta de depósitos à vista por iniciativa de qualquer das partes, devendo ser incluídas na ficha- proposta as seguintes disposições mínimas: (Redação dada pela Resolução no 2.747, de 28/6/2000.) I - comunicação prévia, por escrito, da intenção de rescindir o contrato; (Redação dada pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000.) II - prazo para adoção das providências relacionadas à rescisão do contrato; (Redação dada pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000.) 100 A Resolução da CMN nº 4.480/16 (e suas atualizações) éoutro instrumento que regulamenta abertura e o encerramento das contas de depósito, neste caso, trata especificamente da realização destes procedimentos por meio eletrônico, ou seja, por meio de canais remotos utilizados para comunicação e troca de informações, sem o contato presencial (excluindo o telefone). As inovações mais significativas que esta norma trouxe para os fins deste estudo são a possibilidade do uso de assinatura eletrônica, o estabelecimento da obrigatoriedade da adoção de procedimentos de controle e a necessidade de previsão de forma eletrônica para o encerramento deste tipo de conta de depósito, se a abertura for eletrônica. Confira o texto vigente: III - devolução, à instituição financeira, das folhas de cheque em poder do correntista, ou de apresentação de declaração, por esse último, de que as inutilizou;; (Incluído pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000.) IV - manutenção de fundos suficientes, por parte do correntista, para o pagamento de compromissos assumidos com a instituição financeira ou decorrentes de disposições legais;; (Incluído pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000.) V - expedição de aviso da instituição financeira ao correntista, admitida a utilização de meio eletrônico, com a data do efetivo encerramento da conta de depósitos à vista. (Incluído pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000.) Parágrafo 1º A instituição financeira deve manter registro da ocorrência relativa ao encerramento da conta de depósitos à vista. (Incluído pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000.) Parágrafo 2º O pedido de encerramento de conta de depósitos deve ser acatado mesmo na hipótese de existência de cheques sustados, revogados ou cancelados por qualquer causa, os quais, se apresentados dentro do prazo de prescrição, deverão ser devolvidos pelos respectivos motivos, mesmo após o encerramento da conta, não eximindo o emitente de suas obrigações legais. (Incluído pela Resolução nº 2.747, de 28/6/2000. Art. 2º As instituições mencionadas no art. 1º podem realizar a abertura de contas de depósitos por meio eletrônico, para pessoas naturais, observadas as disposições das Resoluções ns. 2.025, de 24 de novembro de 1993, e 3.211, de 30 de junho de 2004. 101 Lembre- se: se a abertura foi realizada por meio eletrônico, o encerramento também deve ser possibilitado por este meio. Confira o texto: Caminhando para os últimos regulamentos que iremos ver neste capítulo, como podemos pensar no atendimento na Instituição Financeira e vícios dos produtos e serviços? Falaremos agora sobre a solução dos problemas enfrentados pelo consumidor bancário. § 1º É admitida a utilização de assinatura digital, nos termos da legislação em vigor, para efeito do cumprimento do disposto no inciso VI do art. 1º da Resolução nº 2.025, de 1993, e no inciso V do art. 2º da Resolução nº 3.211, de 2004. § 2º É admitida a coleta de assinatura por meio de dispositivos eletrônicos para efeito do cumprimento do disposto no art. 11 da Resolução nº 2.025, de 1993. Art. 3º Na abertura de conta de depósitos por meio eletrônico, as instituições mencionadas no art. 1º devem adotar procedimentos e controles que permitam confirmar e garantir a identidade do proponente, a autenticidade das informações exigidas, bem como adequar os procedimentos relativos à prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, inclusive mediante confrontação das informações com as disponíveis em bancos de dados de caráter público ou privado. Art. 4º Para o encerramento da conta de depósitos aberta por meio eletrônico, além do disposto nas Resoluções ns. 2.025, de 1993, e 3.211, de 2004, deve ser assegurada ao cliente a possibilidade de encerramento por meio eletrônico. 102 O Decreto nº 6.523/08, chamado Decreto do SAC, regulamenta o Código de Proteção e Defesa do Consumidor, estabelecendo regras para o canal telefônico chamado de SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor). As disposições deste Decreto aplicam- se apenas aos fornecedores de serviços que são regulados pelo Poder Público federal, o que inclui os serviços bancários. Confira o texto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2008/decreto/ d6523.htm O Decreto do SAC garantiu o direito ao consumidor acompanhar as demandas registradas neste canal por um registro numérico, que conterá: a data, a hora e o motivo da reclamação. Esta anotação numérica deverá ser informada de plano, logo no início do atendimento, e depois poderá ser enviado ao consumidor caso ele peça (por meio eletrônico ou por carta). Pelo período mínimo de dois anos, esse registro poderá ser cedido ao consumidor ou ao órgão fiscalizador se solicitado. Já a gravação da ligação deverá ser armazenada por pelo menos 90 dias e será disponibilizada ao consumidor, caso ele requeira nesse período. Confira o texto: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2008/decreto/ d6523.htm Art. 1º Este Decreto regulamenta a Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, e fixa normas gerais sobre o Serviço de Atendimento ao Consumidor - SAC por telefone, no âmbito dos fornecedores de serviços regulados pelo Poder Público federal, com vistas à observância dos direitos básicos do consumidor de obter informação adequada e clara sobre os serviços que contratar e de manter- se protegido contra práticas abusivas ou ilegais impostas no fornecimento desses serviços. Art. 15. Será permitido o acompanhamento pelo consumidor de todas as suas demandas por meio de registro numérico, que lhe será informado no início do atendimento. 103 O Decreto nº 6.523/08 prevê prazos diferentes para que os fornecedores tratem cada tipo de demandas dos consumidores: (1) as informações devem ser respondidas prontamente; (2) as reclamações devem ser resolvidas em até cinco dias úteis; e, (3) os cancelamentos devem ser processados de imediato, assim como os efeitos, que devem ser de forma instantânea, ainda que seja necessário um prazo maior para a efetivação no sistema. Especialmente sobre os pedidos de cancelamento, deverão ser acatados independe de adimplemento contratual. O consumidor poderá requerer o envio do comprovante de cancelamento e a solução da sua reclamação, sempre que requerer. Confira o texto: § 1º Para fins do disposto no caput, será utilizada seqüência numérica única para identificar todos os atendimentos. § 2º O registro numérico, com data, hora e objeto da demanda, será informado ao consumidor e, se por este solicitado, enviado por correspondência ou por meio eletrônico, a critério do consumidor. § 3º É obrigatória a manutenção da gravação das chamadas efetuadas para o SAC, pelo prazo mínimo de noventa dias, durante o qual o consumidor poderá requerer acesso ao seu conteúdo. § 4º O registro eletrônico do atendimento será mantido à disposição do consumidor e do órgão ou entidade fiscalizadora por um período mínimo de dois anos após a solução da demanda. Art. 17. As informações solicitadas pelo consumidor serão prestadas imediatamente e suas reclamações, resolvidas no prazo máximo de cinco dias úteis a contar do registro. § 1º O consumidor será informado sobre a resolução de sua demanda e, sempre que solicitar, ser- lhe- á enviada a comprovação pertinente por correspondência ou por meio eletrônico, a seu critério. § 2º A resposta do fornecedor será clara e objetiva e deverá abordar todos os pontos da demanda do consumidor. § 3º Quando a demanda versar sobre serviço não solicitado ou cobrança indevida, a cobrança será suspensa imediatamente, salvo se o fornecedor indicar o instrumento por meio do qual o serviço foi contratado e comprovar que o valor é efetivamente devido. 104 Outro normativo que precisamos abordar é o normativo SARB nº 003/2008, que estabelece regras complementares para o SAC das Instituições Financeiras. Primeiro aspecto que interessa neste normativo é que, embora este seja um canal especializado para tratar as reclamações dos consumidores, por definição da empresa, outrossim, poderáreceber sugestões e elogios. Confira o texto: Art. 18. O SAC receberá e processará imediatamente o pedido de cancelamento de serviço feito pelo consumidor. § 1º O pedido de cancelamento será permitido e assegurado ao consumidor por todos os meios disponíveis para a contratação do serviço. § 2º Os efeitos do cancelamento serão imediatos à solicitação do consumidor, ainda que o seu processamento técnico necessite de prazo, e independe de seu adimplemento contratual. § 3º O comprovante do pedido de cancelamento será expedido por correspondência ou por meio eletrônico, a critério do consumidor. Art. 2º O SAC tem por objetivo ser um canal especializado na solução de problemas dos consumidores. §1º Como canal de relacionamento, ele deve garantir o apoio ao consumidor, sempre que for necessário, buscando sua efetiva satisfação e assegurando que as informações que vier a prestar sejam claras, adequadas e completas, evidenciando respeito pelos consumidores. §2º As Instituições Financeiras Signatárias poderão tratar em seus SACs ainda, de forma opcional, de outras demandas dos consumidores, tais como sugestões e elogios, desde que submetidas a todos os elementos de qualidade do Decreto Federal 6523/08. 105 Os atendimentos do SAC devem garantir o sigilo dos dados e a privacidade dos clientes, para tanto, o normativo SARB nº 003/2008 possibilita a criptografia das comunicações eletrônicas com os consumidores. Confira o texto: O SAC de uma Instituição Financeira deve primar pela solução imediata das demandas dos consumidores. Caso isso não seja possível, o normativo SARB nº 003/2008 confirmou o prazo instituído pelo Decreto nº 6.523/08 – 5 dias úteis para as reclamações. Confira o texto: Art. 18 A fim de assegurar o sigilo das informações, a preservação da privacidade e intimidade dos consumidores, os arquivos enviados por correio ou meio eletrônico, poderão ser criptografados e acessíveis mediante senha fornecida ao solicitante. Parágrafo único. Nos casos em que o consumidor escolher a entrega pessoal, poderá ser dada opção de retirada da gravação na agência de relacionamento do consumidor ou locais definidos pela Instituição Financeira Signatária, com a utilização de meios que garantam sua identificação no ato da entrega. Art. 19 A resolução das demandas deve ser buscada no primeiro momento do atendimento, tempestivamente. §1º Para os casos em que a solução não for possível de forma imediata, a resolução das demandas dos consumidores deve se dar em até 5 (cinco) dias úteis. §2º A impossibilidade do atendimento da demanda no prazo previsto no parágrafo anterior será devidamente justificada, com a indicação do prazo necessário e a busca em conjunto com o consumidor de uma solução provisória para sua demanda. 106 Um ponto deve ser abordado de forma especial: reclamação sobre produto ou serviço não solicitado. Este tema é considerando de tanta importância, por tudo aquilo que já estudamos quanto analisamos o CDC, que o normativo SARB nº 003/2008 ordena que, se a comprovação da contratação não for demonstrada, a Instituição Financeira deverá proceder imediatamente a suspensão da cobrança. Confira o texto: http://portal. autorregulacaobancaria.com.br/pagina/17/4/pt-br/normativos O normativo SARB nº 003/2008 estabelece como é direito do consumidor: receber informação sobre a solução do registro que fez no SAC. Entretanto, condiciona o envio de comprovante ao pedido do cliente. Confira: Em conformidade ao que já havia sido regulamentado pelo Decreto nº 6.523/08, para os casos dos consumidores que recorram ao Serviço de Atendimento do Consumidor para solicitar o cancelamento de algum produto ou serviço, estes pedidos precisam ser imediatamente acatados, e, caso solicitado pelo consumidor, deverá ser enviado um comprovante de cancelamento. Não pode ser adotado o procedimento de direcionamento do consumidor para outro canal. Lembramos: o SAC deverá ser, necessariamente, um canal de cancelamento de todos os produtos que sejam contratados por telefone. Art. 20 Em se tratando de demanda que verse sobre serviço não solicitado ou cobrança indevida, cabe à instituição financeira demonstrar sua efetiva contratação ou o fato gerador do débito, sem o que, a cobrança por esse serviço será imediatamente suspensa. Art. 21 O consumidor deve ser sempre informado sobre a solução de sua demanda e, caso solicite, a instituição financeira deve enviar, por correspondência ou meio eletrônico, a critério do consumidor, a comprovação dessa solução, em linguagem clara, objetiva e que aborde todos os pontos da demanda. 107 Confira o texto: http://portal.autorregulacaobancaria.com.br/pagina/17/4/pt-br/ normativos Art. 22 Os pedidos de cancelamento devem ser acatados imediatamente, mediante pronto fornecimento de um número de protocolo. §1º Durante o atendimento de cancelamento, a Instituição Financeira Signatária deve esclarecer o consumidor sobre as consequências financeiras do ato, inclusive os eventuais riscos e perdas da operação. §2º Desde que haja concordância do consumidor, a Instituição Financeira Signatária poderá apresentar eventuais ofertas para continuidade da contratação. Art. 23 Os efeitos do cancelamento serão imediatos à solicitação do consumidor, ainda que decorra um tempo entre o pedido e a sua efetivação contratual. Art. 24 O SAC deve receber e acolher os pedidos de cancelamento relativos a todos os produtos e serviços que a Instituição Financeira Signatária disponibilize a contratação por telefone. §1º Para os demais produtos e serviços não passíveis de contratação por essa mesma via, o consumidor será orientado sobre como proceder, caso a caso. §2º Caso o cancelamento necessite de ações complementares ao pedido telefônico para sua conclusão, por parte do consumidor, ele será informado sobre como proceder e em que prazo deverá fazê- lo para obter a confirmação de sua solicitação. §3º Uma vez tomadas tais ações pelo consumidor, no prazo a ele informado, os efeitos do cancelamento serão válidos desde o momento do pedido por telefone, conforme assinalado no protocolo a ele fornecido. Art. 25 Cabe ao consumidor optar por qual via deseja receber o comprovante do pedido de cancelamento (eletrônica ou por correspondência). 108 Finalmente, sobre o canal de recebimento de reclamações, o normativo SARB nº 003/2008 deixou à cargo das Instituições Financeiras escolher ampliar os canais de atendimentos do Serviço de Atendimento ao Consumidor, incluindo outros além do telefone. É usual, atualmente, a disponibilização de chat, de formulários no site eletrônico ou, ainda, um endereço eletrônico específico para registro de reclamações. Confira o texto: O consumidor bancário conta ainda com outra via para tratamento de suas reclamações: a Ouvidoria. A Resolução CMN nº 4.433/15 fixa as regras que deverão ser observadas para a estruturação e o funcionamento deste canal, bem como indica quais as funções. Todos conhecem a principal dessas atribuições – atendimento ao consumidor em última instância - , ou seja, na Ouvidoria são tratadas reclamações não resolvidas em outros canais (pontos de atendimento, correspondentes e o próprio Serviço de Atendimento ao Consumidor). Outro papel da Ouvidoria é agir como um mediador entre os consumidores e as áreas internas das Instituições Financeiras, cabendo ainda prestar informações ao conselho de administração (ou à diretoria, na falta desse órgão). Veja o que dispõe o art. 3º. Confira o texto: Art. 26 As Instituições Financeiras Signatárias poderão ampliar os meios de acesso ao SAC contemplando a disponibilização de outros veículos, tais como formulário pela internet, chat no site da instituição, e- mail específico, entre outros. Art. 3º São atribuições da ouvidoria: I - prestar atendimento de última instância às demandas dos clientes e usuários de produtos e serviços que não tiverem sido solucionadas nos canais de atendimento primário da instituição;109 A Resolução tomou o cuidado de estabelecer regras para a organização, deixado uma certa medida de liberdade para que cada Instituição Financeira eleja a melhor vinculação hierárquica para a sua Ouvidoria, proibindo expressamente áreas que possam ensejar conflito de interesses ou conflito de função. Confira: A Resolução CMN nº 4.433/15 previu hipóteses de compartilhamento de Ouvidoria, tanto para conglomerados, quanto para cooperativas. Confira o texto vigente: II - atuar como canal de comunicação entre a instituição e os clientes e usuários de produtos e serviços, inclusive na mediação de conflitos; e III - informar ao conselho de administração ou, na sua ausência, à diretoria da instituição a respeito das atividades de ouvidoria. Parágrafo único. Para efeitos desta Resolução, considera- se primário o atendimento habitual realizado em quaisquer pontos ou canais de atendimento, incluídos os correspondentes no País e o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) de que trata o Decreto nº 6.523, de 31 de julho de 2008. Art. 4º A estrutura da ouvidoria deve ser compatível com a natureza e a complexidade dos produtos, serviços, atividades, processos e sistemas de cada instituição. Parágrafo único. A ouvidoria não pode estar vinculada a componente organizacional da instituição que configure conflito de interesses ou de atribuições, a exemplo das unidades de negociação de produtos e serviços, da unidade responsável pela gestão de riscos e da unidade executora da atividade de auditoria interna. Art. 5º É admitido o compartilhamento de ouvidoria nos seguintes casos: I - instituição que integre conglomerado composto por pelo menosduas instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, podendo ser constituída a ouvidoria em qualquer das instituições autorizadas a funcionar; II - instituição que não integre conglomerado composto por pelo menos duas instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, podendo ser constituída a ouvidoria: 110 As responsabilidades da Ouvidoria foram definidas no art. 6º da Resolução CMN nº 4.433/15 e precisam ser conhecidas por todos. Primeiramente, a Ouvidoria deve não só atender, mas também instruir, analisar, prestar informações sobre o tratamento e dar uma resposta formal no prazo ao consumidor em 10 dias úteis, prazo que poderá ser prorrogado por um período igual, uma única vez. Se o consumidor buscou diretamente a Ouvidoria, esta poderá solicitar ao cliente ou usuário que busque o SAC previamente. Excepcionalmente, a Ouvidoria atenderá o consumidor como primeiro canal. Esses atendimentos podem incluir também as demandas de órgãos reguladores. É também atribuição deste canal informar o Conselho de Administração (na ausência, à diretoria) da Instituição Financeira sobre os problemas enfrentados no exercício de suas atribuições, bem como sobre as melhorias adotadas para a solução destas questões. Para esse fim, caberá à Ouvidoria enviar um relatório quantitativo e qualitativo sobre suas atividades à Auditoria Interna da empresa, ao Comitê de Auditoria e ao Conselho de Administração (na ausência, à diretoria), semestralmente. a) em empresa ligada, conforme definição constante do art. 1º, § 1º, incisos I e III, da Resolução nº 2.107, de 31/08/1994; e b) na associação de classe a que seja filiada ou na bolsa de valores ou bolsa de mercadorias e futuros ou bolsa de valores e de mercadorias e futuros nas quais realize operações; III - cooperativa singular de crédito filiada a cooperativa central, podendo ser constituída a ouvidoria na respectiva cooperativa central, confederação de cooperativas de crédito ou banco do sistema cooperativo; e IV - cooperativa singular de crédito não filiada a cooperativa central, podendo ser constituída a ouvidoria em cooperativa central, federação de cooperativas de crédito, confederação de cooperativas de crédito ou associação de classe da categoria. § 1º O disposto no inciso II, alínea “b”, não se aplica a bancos comerciais, bancos múltiplos, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, associações de poupança e empréstimo e sociedades de arrendamento mercantil que realizem operações de arrendamento mercantil financeiro. § 2º O disposto nos incisos II, alínea “b”, e IV somente se aplica a associação de classe ou bolsa que possuir código de ética ou de autorregulação efetivamente implantado, ao qual a instituição tenha aderido. 111 Confira o texto vigente: http://www.bcb.gov.br/Pre/CMN/resolucao_recente.asp Art. 6º As atribuições da ouvidoria abrangem as seguintes atividades: I - atender, registrar, instruir, analisar e dar tratamento formal e adequado às demandas dos clientes e usuários de produtos e serviços; II - prestar esclarecimentos aos demandantes acerca do andamento das demandas, informando o prazo previsto para resposta; III - encaminhar resposta conclusiva para a demanda no prazo previsto; IV - manter o conselho de administração ou, na sua ausência, a diretoria da instituição, informado sobre os problemas e deficiências detectados no cumprimento de suas atribuições e sobre o resultado das medidas adotadas pelos administradores da instituição para solucioná- los; e V - elaborar e encaminhar à auditoria interna, ao comitê de auditoria, quando existente, e ao conselho de administração ou, na sua ausência, à diretoria da instituição, ao final de cada semestre, relatório quantitativo e qualitativo acerca das atividades desenvolvidas pela ouvidoria no cumprimento de suas atribuições. § 1º O atendimento prestado pela ouvidoria: I - deve ser identificado por meio de número de protocolo, o qual deve ser fornecido ao demandante; II - deve ser gravado, quando realizado por telefone, e, quando realizado por meio de documento escrito ou por meio eletrônico, arquivada a respectiva documentação; e III - pode abranger: a) excepcionalmente, as demandas não recepcionadas inicialmente pelos canais de atendimento primário; e b) as demandas encaminhadas pelo Banco Central do Brasil, por órgãos públicos ou por outras entidades públicas ou privadas. § 2º O prazo de resposta para as demandas não pode ultrapassar dez dias úteis, podendo ser prorrogado, excepcionalmente e de forma justificada, uma única vez, por igual período, limitado o número de prorrogações a 10% (dez por cento) do total de demandas no mês, devendo o demandante ser informado sobre os motivos da prorrogação. 112 Os registros das demandas dos clientes na Ouvidoria deverão ser armazenados em sistema informatizado, garantindo o controle destas informações tanto para análise, quanto para fins de garantia do prazo legal de resposta ao consumidor. Confira o texto vigente: O atendimento nas Ouvidorias será prestado ao cliente da Instituição Financeira e aos demais usuários. Relembrando o que vimos anteriormente, o CDC inclui no conceito de consumidor toda a pessoa exposta às práticas comerciais. Além do mais, este acesso deve ser gratuito. A sua existência e suas atribuições devem ser amplamente divulgadas. Confira: Art. 7º A instituição deve manter sistema de informações e de controle das demandas recebidas pela ouvidoria, de forma a: I - registrar o histórico de atendimentos, as informações utilizadas na análise e as providências adotadas; e II - controlar o prazo de resposta. Parágrafo único. As informações de que trata este artigo devem permanecer registradas no sistema pelo prazo mínimo de cinco anos, contados da data da protocolização da ocorrência. Art. 8º A instituição deve: I - dar ampla divulgação sobre a existência da ouvidoria, suas atribuições e forma de acesso, inclusive nos canais de comunicação utilizados para difundir os produtos e serviços; e II - garantir o acesso gratuito dos clientes e dos usuários ao atendimento da ouvidoria, por meio de canais ágeis e eficazes, inclusive por telefone, cujo número deve ser: a) divulgado e mantido atualizado em local visível ao públicono recinto das suas dependências e nas dependências dos correspondentes no País, bem como nos respectivos sítios eletrônicos na internet, acessível pela sua página inicial; b) informado nos extratos, comprovantes, inclusive eletrônicos, contratos, materiais de propaganda e de publicidade e demais documentos que se destinem aos clientes e usuários; e c) registrado e mantido permanentemente atualizado em sistema de informações, na forma estabelecida pelo Banco Central do Brasil. 113 A Resolução CMN nº 4.433/15 faz exigências formais sobre haver uma previsão no estatuto (ou no contrato social) das Instituições Financeiras sobre a constituição, as atribuições e os critérios para nomeação e remoção de ouvidor. Os cuidados com o trabalho da Ouvidoria implicam, inclusive, que haja uma previsão no estatuto (ou no contrato) para que este órgão acesse livremente as informações necessárias para o exercício das suas atividades, dando condições para seu funcionamento. Confira o texto vigente: Art. 9º O estatuto ou o contrato social das instituições referidas no art. 2º, conforme a natureza jurídica da sociedade, deve dispor, de forma expressa, sobre os seguintes aspectos: I - as atribuições e atividades da ouvidoria; II - os critérios de designação e de destituição do ouvidor e o tempo de duração de seu mandato; e III - o compromisso expresso da instituição no sentido de: a) criar condições adequadas para o funcionamento da ouvidoria, bem como para que sua atuação seja pautada pela transparência, independência, imparcialidade e isenção; e b) assegurar o acesso da ouvidoria às informações necessárias para a elaboração de resposta adequada às demandas recebidas, com total apoio administrativo, podendo requisitar informações e documentos para o exercício de suas atividades no cumprimento de suas atribuições. § 1º As exigências previstas no caput devem ser incluídas no estatuto ou contrato social da instituição na primeira alteração que ocorrer após a constituição da ouvidoria ou após o início da vigência desta Resolução. 114 IV. Psicologia Econômica Introduzindo uma nova etapa no nosso estudo, a partir de agora vamos nos dedicar ao tema consumo. Vera Rita de Mello Ferreira é psicóloga, mestre em psicologia social e do trabalho, e defendeu sua tese de doutoramento na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, intitulada PSICOLOGIA ECONÔMICA - ORIGENS, MODELOS, PROPOSTA. Como resultado de sua pesquisa, estabeleceu uma correlação entre a psicologia e a economia, propondo que os fatores psíquicos estão presentes nos fenômenos econômicos, aspecto que merece um estudo mais apurado. Assim, o trabalho da autora foi estudar os comportamentos dos sujeitos e dos grupos de sujeitos no campo do consumo, com base nos elementos psíquicos. Definida como o estudo do comportamento econômico de indivíduos e grupos (Lea et. al., van Raiij, Kirchler e Hölzl), a Psicologia Econômica pertenceria a uma linhagem que conta com a Economia Política e a Psicologia, particularmente nas suas modalidades experimental e aplicada, como genitores (Reynaud, 1967;; Descouvières, 1998 Barracho, 2001), derivando- se, mais recentemente, da Psicologia Social (Lewis et. al.,1995 van Raiij, 199915). A expressão teria sido usada pela primeira vez no final do século XIX, por Gabriel Tarde, na França (FERREIRA, 2007, p. 7). As pesquisas históricas da autora revelaram que os primórdios da Psicologia Econômica remontam ao século XIX, quando alguns economistas passaram a aprofundar o tema, questionando os elementos da Psicologia que estavam sendo usado pela Economia até então. Os economistas tratavam dos instintos como força importante para a aquisição de bens, desconsiderando fatores da ordem psicológica. Em 1881, o cientista social francês Gabriel Tarde, empregou, provavelmente pela primeira vez, a expressão Psicologia Econômica (van Raaij, 1999, p.288), num artigo sobre a relação entre Psicologia e Economia, publicado no periódico Filosófica (Barracho, 2001, p.20- 21). Tarde, que era também um especialista em Direito, escreveu, mais tarde, The Laws of Imitation (1890), incluindo elementos 115 psicológicos numa análise sobre o comportamento social e econômico (van Raaij, 1999, p.288). Tais leis são descritas por Barracho como referindo- se à economia da seguinte maneira: imitação, no caso da moda e atividades de transformação;; repetição, para produção;; e inovação, para propriedade e associação (2001, p.20- 21) (FERREIRA, 2007, p. 50- 51). Muito embora a inclusão de elementos sociais no estudo da Economia tenha sido feita pioneiramente por Adam Smith, a grande maioria dos autores estudados por Vera Ferreira, indicam a publicação do livro La psychologie economique (1902) de Gabriel Tarde, como a obra inaugural da Psicologia Econômica. Tarde é considerado precursor da disciplina, pois incorporou aos seus estudos três mecanismos psicológicos para analisar a interação entre os sujeitos: a imitação, a repetição e a inovação. Finalmente, em 1902, chegamos à data, muito importante, considerada como o nascimento da Psicologia Econômica por quase todos os autores aqui examinados (Reynaud, 1967, van Raaij, 1999, Lea et. al., 1987; Lewis et. al., 1995, Descouvières, 1998, Webley & Walker, 1999, Barracho, 2001, Kirchler & Hölzl, 2003, Wärneryd, 2005b). Esta é a data de publicação do livro de Gabriel Tarde, intitulado La psychologie economique. Ele é considerado o fundador da disciplina e seu livro, uma compilação em dois volumes, do curso que ele oferecia no College de France, procurava explicar os processos subjetivos subjacentes aos fenômenos econômicos, reconhecendo aqueles como a verdadeira explicação para os últimos. Ele usava três mecanismos psicológicos básicos para apresentar esta explicação – imitação, repetição e inovação – como o centro da interação social (cf. Barracho, 2001, p.20- 21) (FERREIRA, 2007, p. 56). Trilhando o caminho da pesquisa, a autora buscou um conceito para a expressão Psicologia Econômica, e percebeu que todas as tentativas de definição foram contaminadas por temas associados à problemática de cada época. Mais, foram estabelecidas correntes diferentes, com abordagens peculiares. Para Vera Ferreira, em resumo esta disciplina pode ser conceituada como o estudo do comportamento econômico de indivíduos e grupos. Na busca de melhor entender sua questão de fundo, a pesquisadora preocupa- se em saber como acontece esta influência, pautando a análise dos fenômenos econômicos nas proposições psicanalíticas. 116 Decidir, que se apóia nos passos antecedentes da percepção e avaliação das condições oferecidas, constitui a essência dos atos humanos, ao reunir a capacidade de captar informações, analisá- las e ponderar sobre elas, abrindo caminho, assim, para a função especial do pensar que, seguido pelo agir, pode criar e transformar. É, também, o objeto de estudo privilegiado da Psicologia Econômica, como vimos no capítulo anterior, seja como alvo da discórdia em torno da racionalidade – as decisões são racionais ou não? – seja sob a forma abrangente do que muitos denominam comportamento econômico, que se manifesta em diferentes contextos. Em todos eles, porém, encontramos o denominador comum: como indivíduos e grupos escolhem o que acreditam ser a melhor alternativa frente às questões que devem encaminhar ou problemas a solucionar? (FERREIRA, 2007, p. 154). Depois de indicar todo o seu caminho, enumerar os principais autores, mostrar no que cada um pode contribuir, no que cada um fugiu da abordagem que lhe interessava, Vera Ferreira inicia a defesa de sua proposição: existe um modelo de tomada de decisão, que pode ser compreendido com a ajuda da Psicanálise, para a construção de uma Psicologia Econômica. A ação de escolher ou de tomar uma decisão tem raízes em fatores intrínsecos ao ser humano: como entender e explicar esse funcionamento? Com a Psicanálise: Decidir, quese apóia nos passos antecedentes da percepção e avaliação das condições oferecidas, constitui a essência dos atos humanos, ao reunir a capacidade de captar informações, analisá- las e ponderar sobre elas, abrindo caminho, assim, para a função especial do pensar que, seguido pelo agir, pode criar e transformar. É, também, o objeto de estudo privilegiado da Psicologia Econômica, como vimos no capítulo anterior, seja como alvo da discórdia em torno da racionalidade – as decisões são racionais ou não? – seja sob a forma abrangente do que muitos denominam comportamento econômico, que se manifesta em diferentes contextos. Em todos eles, porém, encontramos o denominador comum: como indivíduos e grupos escolhem o que acreditam ser a melhor alternativa frente às questões que devem encaminhar ou problemas a solucionar? (FERREIRA, 2007, p. 154). 117 Outro problema que a pesquisadora teve que enfrentar foi como correlacionar duas disciplinas, aparentemente, tão diferentes de forma a construir uma visão interdisciplinar. Ela adotou como ângulo de enfoque para buscar a solução, teorias que desvendam o funcionamento mental (como o sujeito age em função do prazer e desprazer, satisfação e insatisfação), mas não sob a ótica da econômica nem da Psicologia, e sim, à luz de uma Psicologia Econômica. Assim, em que pese estes pensadores da Economia partirem do vértice de prazer e dor, ou satisfação e insatisfação, tal como encontramos na teoria psicanalítica dos princípios do funcionamento mental, uma associação entre as duas visões não se sustentaria em virtude da função que este angulo ocupa nas respectivas disciplinas. Na Economia, é ponto de partida, para procurar medidas exatas referentes a valor econômico ou monetário, e ponto de chegada, para explicar escolhas feitas, ao passo que na Psicanálise diz respeito à economia psíquica dos indivíduos e grupos, que também visam, sempre, o objetivo de satisfazer seus impulsos ou desejos, porém, tem- se interesse, neste caso, em conhecer todo o percurso até suas decisões, econômicas ou não, e não apenas os resultados finais (FERREIRA, 2007, p. 160- 161). Assim, aprofundando- se no binômio prazer- desprazer, Vera Ferreira encontrou um fundamento psicanalítico: a avaliação da percepção de determinado fato é alterada pela perspectiva de alcance da satisfação. Em outras palavras, o sujeito tende a preferir satisfação menor em um espaço curto de tempo, em detrimento de satisfação maior, mas que requeira mais tempo, e, se o mesmo tempo requerer a satisfação maior e a satisfação menor, o sujeito preferirá a satisfação maior: O abrangente artigo de Ainslie (2005a27), criador da expressão Picoeconomics, que também dá título ao seu livro de 199228, sintetiza boa parte destas concepções. Na página da internet dedicada ao tema29, Picoeconomics é definida como “micro- microeconomia”, dedicada a explorar as implicações de uma descoberta experimental – fato de que pessoas, freqüentemente, e outros animais, sempre, descontariam a perspectiva de uma recompensa futura numa curva mais agudamente inclinada do que a curva “racional”, prevista pela Economia tradicional, que é exponencial. Dentro de um gradiente de postergação que pode ir de segundos a décadas, entre pares de recompensas alternativas, podem ser identificadas preferências por recompensas menores, que venham mais rápido, àquelas, maiores, porém, posteriores, quando a espera pela recompensa menor for curta e, de outro lado, por recompensas maiores e posteriores, quando a alternativa menor será adiada, mesmo que o intervalo entre ambas permaneça o mesmo (FERREIRA, 2007, p. 168- 169). 118 Conclui a pesquisadora que o valor é inversamente proporcional ao adiamento. Por consequência, os sujeitos estão continuamente escolhendo satisfações atuais que podem influenciar, de modo a limitar suas perspectivas e decisões futuras. O conceito de escolha intertemporal ajudou a pesquisadora na elaboração de suas proposições: a preferência por agrados imediatos. Vera Ferreira usa o exemplo dos juros de forma muito ilustrativa e, perfeitamente cabível para nosso estudo. Vale a pena conferir: Gianetti (2005 42) utiliza este enfoque para discutir os juros, como exemplo de escolha intertemporal: se desejo adquirir um bem agora e não disponho de fundos suficientes, posso tomar um crédito, efetuar a compra, porém, terei que pagar um custo extra – os juros sobre o empréstimo – mais à frente. Em seu livro, entrelaça Biologia, Filosofia e Economia – e alguma coisa de Freud, mais alguns autores de Psicologia Econômica – para tratar do assunto. Ele chama a atenção, também, para o fato de que tanto o futuro pode ser subestimado, numa manifestação equivalente à “miopia”, como o presente ser subestimado, ou seja, uma “hipermetropia”, que leva a considerar apenas o que está no futuro, mais uma vez distorcendo os fatos, como exemplos de desconto subjetivo. O’Donoghue e Rabin (2000 43) examinam o mesmo vértice da gratificação imediata versus postergada, também com a inclusão do conceito de desconto hiperbólico subjetivo, em contextos que indicariam problemas de auto- controle, como uso de drogas, teoria do incentivo e escolha do consumidor e marketing. O desconto hiperbólico subjetivo aponta para situações em que a pessoa possa preferir uma opção quando esta for oferecida em determinado momento e, outra, se oferecida em outro momento, embora as perspectivas sejam equivalentes em ambos os casos. Afirmam que, em sua maioria, as pessoas têm preferência por gratificação imediata e dificuldade para adiá- la. Neste sentido, encontramos importante convergência com o que exporemos em nosso modelo de tomada de decisão (cf. cap.4.6) (FERREIRA, 2007, p. 171- 172). Com este fundamento e partindo das questões sugeridas por outros autores, Vera Ferreira questiona as premissas da Economia sobre a estabilidade no processo de decisão. Alguns sujeitos são ingênuos sobre os impactos futuros de suas decisões, outros sujeitos, chamados de sofisticados, consideram a situação futura de forma que mantem controle sobre as decisões no presente. Fala- se aqui em autocontrole e percepção. 119 Criticando a visão tradicional na Economia de que as escolhas seriam estáveis e, em especial, as preferências inter- temporais seriam consistentes no que diz respeito ao tempo, os autores delineiam diferentes perfis que revelariam o modo predominante como esta questão é administrada pelos indivíduos: se ingênuos acerca de problemas futuros com auto- controle, seu comportamento será simples e intuitivo, revelando sua preferência por gratificação imediata de modo direto – sempre adiam tarefas desagradáveis e são condescendentes quanto a atividades que viciam;; já os sofisticados, que não ignoram seus problemas com auto- controle, são influenciados por este conhecimento e tentam usar de artifícios para dominar a situação, de tal forma que apresentam comportamento mais complexo – evitam o comportamento tentador no presente, a fim de procurar induzir “bom comportamento” no futuro; contudo, podem acabar escolhendo exatamente o contrário do que poderia satisfazer, privando- se, ao fim e ao cabo, de qualquer satisfação. Podemos levantar a hipótese para este tipo de insucesso invocando o fato de tal conhecimento mostrar- se insuficiente no que tange ao aspecto emocional, ou seja, pode alcançar apenas o estrato intelectual, sem fazer sentido verdadeiro para o indivíduo – aquele sentido que é capaz de impelir ao aprendizado. Mas retornaremos ao assunto adiante (FERREIRA, 2007, p. 172- 173). Assim, além do binômio prazer- desprazer, que influencia nossas decisões, outro binômio há de ser considerado: o da razão- emoção, por terem relação direta com Psicologia Econômica. A emoção pode influenciar as nossas decisões, seja contribuindo positiva ou negativamente: Com exceção da última observação, as anteriores apresentam potencial de convergênciacom o pano de fundo que fundamenta nosso modelo – para nós, emoções podem favorecer o surgimento do pensar, com maiores chances de resultados efetivos, ou dificultar e, até mesmo, interromper, esta evolução, o que traria conseqüências prejudiciais ao indivíduo ougrupo em questão (cf. 4.6) (FERREIRA, 2007, p. 176). O trabalho de pesquisa da autora que elegemos contribui com novas proposições para entender o fenômeno do consumo. A primeira delas é a afirmativa de que todas as ações humanas são compostas por um elemento emocional que orienta a tomada de decisão. 120 Nossa primeira contribuição contempla, justamente, esta heurística afetiva ou, como preferimos denominar, o componente emocional que está presente em todas as ações humanas, tanto no plano psíquico, como no sensorial. Partimos do pressuposto da existência deste elemento para propor nosso modelo de tomada de decisão fundamentado na Psicanálise, que se apóia em teorias e observações centradas nas noções desenvolvidas, desde Freud, Klein e, levando a níveis de estimulante aprofundamento, Bion, em torno de uma teoria do pensar, à luz dos dois princípios do funcionamento mental (FERREIRA, 2007, p. 181). Com o apoio dos conhecimentos que possui como psicanalista, retomou as lições freudianas sobre os conteúdos do subconsciente (realidade interna), ou seja, as informações que afastamos do consciente pelo processo chamado de recalque. São afastadas, acredita- se, porque ameaçam gerar desprazer. Essa realidade interna possui funcionamento próprio, entretanto, influencia e é influenciada pela realidade consciente. Desta forma, como ensinou Freud e resgatou nossa autora, uma sequência de eventos mentais pode ser desencadeada pela realidade psíquica. Partindo dessa premissa, o desafio da Psicologia Econômica é conhecer como os sujeitos se relacionam com a realidade externa. Portanto, juntas, estas duas realidades determinam a tomadade decisão. Naturalmente, não poderíamos deixar de apontar, como outra premissa essencial, a noção primeira que fundamenta a Psicanálise – a existência de conteúdos inconscientes em nossa mente, presentes no que chamamos de realidade interna e realidade psíquica, que funcionariam de modo próprio e bastante diverso do que é encontrado, pelo menos à primeira vista, no convívio social, por exemplo. De acordo com Freud (1915a), o inconsciente possui leis e lógica próprias, que ignoram a dimensão temporal, a negação, contradições mútuas, graus de dúvida ou certeza, embora atuem sobre a vida consciente do indivíduo e sofram, igualmente, influências desta. Por meio do processo denominado repressão ou recalque, as idéias que representam impulsos que, carregados de desejo, ameacem gerar desprazer, são mantidas afastadas da consciência, constituindo, dessa forma, o inconsciente (Freud, 1915b). É importante ressaltar que, para Freud e outros psicanalistas, tudo que é inconsciente supera muito, em magnitude, o que é consciente, além de haver um determinismo psíquico que poderia explicar o que fazemos conscientemente em termos de motivações inconscientes – ainda que estas razões permaneçam desconhecidas pelo próprio sujeito. Freud (1913) acredita, ainda, que a realidade psíquica teria a mesma capacidade de iniciar uma seqüência de eventos mentais, 121 do que qualquer acontecimento da realidade externa, com o quê concorda Bion (1965). Para este último autor, o termo consciente se referiria a estados da personalidade, sendo a consciência de uma realidade externa, secundária à consciência de uma realidade psíquica interna, pois a consciência da realidade externa dependeria da capacidade da pessoa tolerar a existência de sua própria realidade interna (op. cit., p.86) (FERREIRA, 2007, p. 186- 187). Conforme propôs Freud, e Vera Ferreira aplica à tese que estamos estudando, a relação estabelecida entre os conteúdos interno e externo tem por base dois mecanismos (ou princípios), que buscam diminuir a tensão, resguardando o sujeito do desprazer. Eles atuam de formas diferentes: o princípio do prazer e o princípio da realidade. As maneiras de atuar, conforme cada um dos dois princípios, embora visando o mesmo objetivo de reduzir a tensão por meio de evitar desprazer ou buscar prazer, seriam, porém, praticamente opostas: ao passo que, no caso do princípio do prazer, a mente busca satisfação imediata, mesmo incorrendo em situações de risco, pois expõe o indivíduo a medidas precipitadas e, em grande parte das vezes, inconsistentes no que diz respeito a obter prazer verdadeiro e duradouro, no caso do princípio da realidade, embora de forma mais lenta e trabalhosa, pois depende de maior apuro para encontrar as respostas que busca, a psique procura reduzir aquela tensão por meio de alterações significativas da realidade (FERREIRA, 2007, p. 188). Assim, a percepção da realidade pode estar influenciada por um mecanismo de afastar aquilo que não agrada, portanto, a tomada de decisão de um sujeito pode ser comprometida por ilusões: Estas observações lançam alguma luz sobre os fenômenos detectados por pesquisadores da interface Psicologia - Economia como escolha intertemporal, desconto hiperbólico subjetivo e contas mentais, conforme vimos anteriormente. Em todos estes casos, notamos a presença de elementos ilusórios toldando a captação mais imparcial da realidade, no que indicaria um funcionamento psíquico guiado pelo princípio do prazer (FERREIRA, 2007, p. 190). A pesquisadora justifica como sendo esta uma possível causa de atitudes que chamou de onipotentes. Em sujeitos que não desenvolveram plenamente a capacidade psíquica 122 de discernir o real do ilusório, a habilidade de tomar decisões, avaliando a satisfação de forma plena é comprometida. Vera Ferreira resgata classificações de outros autores sobre esse tipo de comportamento e, resumindo, propõe que: a imaturidade reflete uma intolerância à frustração. Nessa esteira, Vera Ferreira passa a explorar um fenômeno atual e relevante: o endividamento, que se funda na dificuldade de postergar um gasto e na possibilidade de realizar qualquer coisa a qualquer preço, de forma plenamente “justificável”;; situação que se casa perfeitamente com a exploração da fragilidade do sujeito em um ambiente de apelo ao consumo. Outro importante fenômeno, a nosso ver, pertencente a esta categoria, e que vem atraindo o interesse de muitos pesquisadores no mundo todo, devido à sua crescente prevalência, é o endividamento, no que se refere à impossibilidade subjetiva de adiar o gasto, fazendo- se contas mirabolantes para encontrar uma fórmula capaz de justificá- lo frente às reais posses do sujeito naquele momento. O que pode ser mais ilusório do que um cartão de crédito, que parece prometer que tudo é possível e acessível, como se nunca tivesse que ser, efetivamente pago? Ou a compra de um veículo, de muitos milhares de reais, que começa com “entrada de 1 real”, sem chamar a atenção, é claro, para o número de prestações que se seguirão e, menos ainda, o valor total em que redundarão. Exemplos não faltam. Se estas “promoções” existem, ao lado de toda a propaganda que nos inunda, e sobre a qual não nos estenderemos nesta tese, podemos supor, apenas como início de um debate que esperamos aprofundar em outro momento, que respondam a condições internas propícias a seu florescimento no modo como as pessoas administrariam sua vida financeira. No mau sentido, é como se “juntasse a fome com a vontade de comer”, ou seja, o movimento para explorar a vulnerabilidade prevalente entre as pessoas com esta fragilidade, efetivamente detectada entre os indivíduos. Ao abrir mão de pensar, como veremos a seguir, fica- se sujeito a um alto pedágio em termos de desenvolvimento pessoal – e econômico (FERREIRA, 2007, p.193- 194). O que justificaria ações autodestrutivas? A pesquisadora estabelece a hipótese de que as emoções são a instituição principal dos pensamentos,viabilizam ou não que a mente alcance eles (os pensamentos). Ela afirma que os pensamentos são dominados pelas emoções. Ou seja, a emoção sequestra a razão, deixando- a inacessível. 123 A hipótese que levantamos, com Bion, apontará, por conseguinte, para o lugar de matriz que as emoções ocupariam em relação aos pensamentos, no sentido de permitir que estes últimos possam ou não ser alcançados pela mente107. Para Bion, “a razão é escrava da emoção e existe para racionalizar a experiência emocional.” (1970108, p.1). E mais: é a capacidade para tolerar as repercussões emocionais desencadeadas pela experiência de frustração que permitirá à mente “desenvolver pensamentos como um meio de tornar a frustração tolerada ainda mais tolerável.” (Bion, 1961- 1967109, p.186/187) (FERREIRA, 2007, p.195- 196). Como superar isso? A pesquisadora propõe, que o caminho é a apuração da capacidade de discernimento, a superação do binômio prazer- desprazer, para que seja possível alcançar um juízo apartidário para a tomada de decisão. Voltando para as hipóteses iniciais levantadas na discussão, é necessária uma troca do princípio do prazer (busca da satisfação imediata) pelo princípio da realidade (busca da satisfação ainda que tardia). Em primeiro lugar, a mente precisa ter a capacidade da consciência que, ao lado da percepção, lhe permitirá dar- se conta do que está ao seu redor, bem como daquilo que se situa em seu interior. Esta consciência teria, agora, habilidade para captar qualidades sensórias, além daquelas associadas apenas a prazer ou dor. Ao mesmo tempo, a atenção deve mostrar- se como um importante recurso, com o fito de permitir preparar- se, antecipadamente, para buscar novos dados que, devidamente registrados na memória, possibilitem o acesso à faculdade do julgamento imparcial (FERREIRA, 2007, p.197- 198). Finalmente, para Vera Ferreira, o aspecto emocional é fundamental e transversal à tomada de decisão, os aspectos externos são incontroláveis. Portanto, resta ao sujeito, para tomar boas decisões, que tenha habilidade de compreensão da realidade e habilidade de suportar a frustação. Em nossa perspectiva, a questão emocional acompanha o processo decisório do começo ao fim, desde seu nascedouro – se favorece o surgimento do pensar e de pensamentos ou, ao contrário, se os impede, criando terreno propício ao florescimento de ilusões – passando por todas as barreiras de vieses de percepção e avaliação, até chegar ao final – porque erramos, muito freqüentemente. Sendo 124 tudo muito precário, no ambiente externo, com todas as suas instabilidades, e no interno, de nossa mente, torna - se quase impossível deixar de errar. Aqui entra um dos aspectos mais importantes, portanto – a possibilidade de aprender com a experiência emocional, nas palavras de Bion (1979- 1987136), “tornar bom um mau negócio” – quando se volta a depender da capacidade de tolerância à frustração para conseguir observar o que se passa, a fim de poder aprender com o que não resultou em sucesso e, então, mediante novos processos de pensar, buscar formas de modificar o que está insatisfatório na realidade. Para decisões econômicas, com todo o seu ônus de prejuízos financeiros, seja no plano do indivíduo ou, o que teria ainda maior peso, para a população como um todo, este aspecto ganha relevância essencial (FERREIRA, 2007, p.205). 125 V. Adequação da oferta de produto e serviço Agora que já falamos sobre educação para o mercado de consumo como um dos direitos básicos do consumidor e, por consequência, um dever do fornecedor. Também já vimos que as decisões de consumo são influenciadas por fatores internos e fatores externos. É preciso correlacionarmos esses dois temas. Em resumo, a oferta de produtos e serviços bancários deve observar a adequação às necessidades, aos interesses e aos objetivos do consumidor, a informação é ponto chave desse dever, como instrumento que viabiliza a escolha consciente e adequada pelo cliente. Nos últimos anos, a oferta e a contratação de crédito tem merecido atenção especial. Além da complexidade de cada linha de crédito, este produto envolve riscos, tarifas, juros e regras especiais para contratação. O consumidor não o conhece bem, da mesma forma que, pouco conhece as informações que envolvem a contratação do crédito. Em consequência do estabelecido pelo Código de Proteção e Defesa do Consumidor, as Instituições Financeiras, entre outras obrigações, precisam informar, educar e oferecer o produto certo, assegurando a adequação das propostas de negócio às reais necessidades, interesses e possibilidades de cada cliente. Lembrando o que ensinou Vera Ferreira: os elementos externos fazem parte da decisão. Você, como fornecedor deste produto, deve esclarecer estes aspectos para que o consumidor contrate o produto mais adequado. Inclusive, esta é sua obrigação legal. O Sistema de Autorregulação Bancária cuidou deste assunto com três normativos: SARB nº 10/2013 sobre o crédito responsável, SARB nº 13/2014 sobre a contratação de crédito por meio remoto e SARB nº 17/2016 sobre adequação de oferta. Todos objetivam atender os direitos básicos do consumidor que foram previstos no CDC, e os consequentes deveres do fornecedor, neste caso, as Instituições Financeiras. Vamos a eles. 126 Determinou o normativo SARB nº 10/2013 que contratação do crédito responsável é aquela que é adequada ao perfil econômico e à capacidade de pagamento do consumidor. Assim, pressupõe que a oferta seja feita depois da avaliação das informações declaras pelo cliente e daquelas disponíveis nos bancos de dados públicos e privados. Confira: O primeiro ponto de atenção do normativo SARB nº 010/2013 é que o consumidor deve ser orientado a sempre manter os seus dados atualizados junto à Instituições Financeira com quem se relaciona, para que a análise do binômio perfil- adequação seja a mais atualizada possível. Confira o texto: Atualmente, a oferta de crédito não acontece apenas no contato pessoal, ocorre por meios eletrônicos, por correspondentes. A regulamentação não dispensou cuidar de qualquer tipo de contratação; todos precisam ser adequados ao perfil e as necessidades do consumidor. Desta forma, caso a contratação aconteça por meios remotos, à Instituição Financeira cabe dar ampla divulgação às condições gerais do produto para que o cliente esteja ciente e possa analisar se realmente aquele crédito irá atender as necessidades. Este documento precisa estar no site eletrônico, nas agências, nos cartórios de títulos e documentos, para garantir a ampla divulgação: Art. 6º Considera- se contratação de crédito responsável aquela que possibilite verificar a adequação da oferta de crédito realizada ao perfil econômico e à capacidade de pagamento do consumidor contratante, sob avaliação da instituição financeira, com base nas informações declaradas e disponíveis nos bancos de dados públicos e privados de crédito. Parágrafo único. A consulta e o registro das informações pessoais do consumidor observarão os limites da legislação específica sobre o tratamento de dados pessoais. Art. 7º O consumidor deve ser orientado, na contratação de uma operação de crédito, a manter atualizados os seus dados cadastrais e econômicos junto à instituição financeira. Parágrafo único. Os mecanismos de comunicação do consumidor com a Signatária para o envio de informações relacionadas a alteração relevante de sua capacidade de pagamento dos créditos contratados serão expressamente informados. 127 O consumidor terá acesso prévio às condições do crédito, e, se realmente escolher contratar o produto por algum meio eletrônico, ser- lhe- á garantido um prazo de 7 dias para desistir do contrato, devolvendo os valores liberados à Instituição Financeira. Este é o direito de arrependimento que é garantido apenas para contratações por meios remotos: Confira o texto: http://portal.autorregulacaobancaria.com.br/pagina/17/4/pt-br/normativos Art. 8° As contratações multicanais podem ser presenciais, quando estabelecidas pessoalmente entre o consumidor e a Signatária, ou por meios remotos, quando realizadas, dentre outras, pela internet, telefone ou terminais de autoatendimento. Art. 9° No caso de contratação de crédito por meios remotos, a Signatária disponibilizará as condições gerais para contratação em seu site ou nos canais presenciais, bem como em cartórios de títulos e documentos, para análise prévia do consumidor. Art. 10 As contratações realizadas mediante canais remotos deverão alertar os consumidores sobre os cuidados a serem adotados na escolha do tipo e modalidade de crédito contratado, assim como sobre a possibilidade de esclarecer suas dúvidas, mediante contato direto com a Signatária. Parágrafo único. O alerta referido no caput do presente artigo será definido pelo Conselho de Autorregulação, nos termos de que trata o art. 4º deste Normativo. Art. 11 Nas contratações de crédito realizadas por meios remotos, o consumidor poderá desistir do contrato no prazo de até sete dias do recebimento dos valores, devendo restituir o valor total financiado ou concedido que lhe foi entregue, acrescido dos eventuais tributos e juros incidentes até a data da efetiva devolução. Parágrafo único. O procedimento para desistência previsto neste artigo será devidamente informado aos consumidores no ato da contratação. 128 Em complementação, temos o normativo SARB nº 013/2014 que cuidou de procedimentos mínimos para garantir a confiança, a qualidade, a transparência e a eficiência das operações de crédito realizadas pelos meios remotos: Vale dizer que os meios remotos de contratação, aqui considerados, são: o telefone, os mobiles, os caixas eletrônicos e a internet: Art. 3° As regras e procedimentos deste Normativo são complementares e não excluem aquelas previstas no Normativo de Crédito Responsável em vigor no Sistema de Autorregulação Bancária – SARB n° 10, de 27 de junho de 2013. Art. 2° Para fins de aplicação deste Normativo, consideram- se meios remotos de contratação de crédito os canais não presenciais disponibilizados pelas Signatárias que permitam a contratação originária de operações de crédito por consumidores, pessoas físicas, a saber: I – Telefone; II – Dispositivos móveis de comunicação (Mobile Banking); III – Caixas Eletrônicos de Autoatendimento (ATM); e IV – Internet (Internet Banking). Parágrafo único. Será tratada em normativo específico a contratação de crédito rotativo. Art. 4° Deve ser assegurado ao consumidor a possibilidade de fechar as publicidades de crédito realizadas em janelas adicionais do internet ou mobile banking, ou em telas adicionais de caixas eletrônicos de autoatendimento. Parágrafo único. Os mecanismos de encerramento do anúncio pop- up ou tela adicional de publicidade serão de fácil e imediata identificação para o consumidor. 129 Foi estabelecida como uma condição necessária para a efetivação deste tipo de contratação, a dupla confirmação, medida que objetiva garantir a contratação responsável pelo consumidor. O cliente deverá responder à ostensiva pergunta se aceita as condições do produto que esta contratando. Confira o texto: Finalmente, o normativo SARB nº 17/2016, que objetiva aprimorar a adequação de oferta, estabelece princípios a serem adotados por suas Signatárias. Confira: Art. 5° Fica instituído nas ofertas e contratações de crédito nos caixas eletrônicos de autoatendimento, dispositivos móveis e internet, o procedimento da dupla confirmação do consumidor para prosseguimento e efetivação da transação creditícia. §1° Considera- se dupla confirmação a aceitação do consumidor das condições da oferta realizada e do seu interesse em prosseguir com a contratação do crédito. §2° Para aceitação do consumidor das condições da oferta de crédito será garantida, de forma prévia, a informação do resumo contratual da operação, conforme previsto no artigo 15 do Normativo SARB n° 10/2013 – Crédito Responsável. §3° Deverá ser emitido o alerta previsto no artigo 10, parágrafo único do Normativo SARB n°10/2013 – Crédito Responsável 2 e concedida a opção do consumidor prosseguir com a contratação. Art. 6° Nas operações de contratação previstas nesta seção será garantida a ostensividade da pergunta de confirmação de concordância com as condições contratuais ofertadas e do interesse do consumidor na contratação do crédito. Art. 3º As Instituições Financeiras Signatárias deverão adotar procedimentos para assegurar que a oferta de produtos e serviços financeiros seja adequada às necessidades, aos interesses e aos objetivos dos consumidores. Parágrafo único. Considera- se “oferta”, para fins desse normativo, a disponibilização de serviços ou produtos para contratação direta ou mediante correspondente no país, através de qualquer canal presencial ou remoto e distinta do material de marketing ou publicidade. 130 As políticas de incentivos adotadas pelas Instituições Financeiras devem incluir critérios de medição e apuração que identifiquem a adequação de produtos e serviços ao perfil dos clientes. Por exemplo, contemplar, como forma de identificação de insatisfação dos consumidores, os índices de cancelamento de produto logo após a contratação. Confira o texto: http://portal.autorregulacaobancaria.com.br/pagina/17/4/pt-br/ normativos Art. 4º Os procedimentos previstos no artigo anterior deverão se basear: I – na elaboração, por parte da Instituição Financeira Signatária, de política interna que defina o público alvo para oferta de cada produto ou serviço; II – na oferta de produtos e serviços aos consumidores que tenham perfil para aquisição e figurem como público alvo estabelecido na referida política interna, descrita no inciso anterior; III – na possibilidade de demonstração de enquadramento do consumidor nos perfis de público alvo utilizados para definição dos produtos ou serviços e a oferta adequada do produto e serviço por parte da Instituição Financeira Signatária; e IV - na disponibilização de informações aos consumidores que lhe permitam constatar eventuais situações de não enquadramento, inclusive aquelas ocorridas em momento posterior à contratação, quando previsto nos manuais anexos a este Normativo. Art. 11. As Instituições Financeiras Signatárias deverão incluir critérios de adequação de produtos e serviços ao perfil do consumidor em suas políticas de incentivos. §1º Para fins do cumprimento do disposto neste artigo, as políticas de incentivos, direcionadas aos funcionários da própria Instituição Financeira Signatária e aos correspondentes no país: (a) deverão considerar, para definição dos incentivos, critérios relacionados a cancelamentos de contratações logo após sua efetivação ou a reclamações de clientes relacionadas a vendas com vícios de comercialização; (b) deverão contemplar incentivos negativos para o caso de descumprimento das regras deste Normativo; e (c) no caso de funcionários da própria Instituição Financeira, não deverão prever remuneração variável baseada exclusivamente em comissão por vendas de produtos ou serviços por ele realizadas. 131 Como última referência bibliográfica de estudo, temos o Caderno de Educação Financeira: Gestão de Finanças Pessoais (conteúdo básico), disponibilizado pelo Banco Central do Brasil, com vistas a apoiar a população na realização de seus projetos. O BACEN elaborou este material indicando os cinco passos para alcançar a concretização dos objetivos em um tempo menor e com um custo também menor. Saber usar o dinheiro é ponto importante para a realização de projetos e sonhos. Por outro lado, embora nos últimos anos tenha sido facilitado o acesso ao crédito, não fomos educados a usa- lo de forma favorável para a concretização de planos. A proposta do caderno de educação financeira do Banco Central é apresentar conceitos que auxiliem a população a manter o equilíbrio das finanças pessoais. Vale a pena conferir! Omódulo 1 aborda a Nossa Relação com o Dinheiro; o módulo 2 trata do Orçamento; o módulo 3 explora o Uso do Crédito e Administração das Dívidas; o módulo 4 é sobre Consumo Planejado e Consciente; o módulo 5 cuida de Poupança e Investimento e; o módulo 6 aborda a Prevenção e Proteção. Sobre a relação das pessoas com o dinheiro (módulo 1) e a realização dos sonhos, seguindo o proposto pelo caderno de educação financeira, é primordial que tenhamos claro qual é o sonho que queremos realizar. Assim, primeiramente vale o exercício de transformar o sonho em projeto. Comece pela definição precisa de onde quer chegar para que possa ser feito um planejamento apropriado para ir da situação atual à almejada. Só depois disso é que será possível estabelecer metas claras e objetivas para seu projeto para que seja possível a mensuração do tempo possível e necessário para realizar o projeto. Antecipar o cenário futuro sob o ponto de vista do projeto já realizado, ou, nos termos do texto, internalizar a visão de futuro trazida pela perspectiva de realização do projeto, pode nos ajudar a permanecermos no desafio. Fundamental também é ter metas intermediárias e celebrar estas conquistas menores que estarão nos levando à realização do projeto. §2º O cumprimento da obrigação descrita neste artigo será avaliado periodicamente pela Instituição Financeira Signatária, por meio de seus mecanismos de avaliação e monitoramento do processo de oferta de produtos e serviços. 132 Cotidianamente fazemos escolhas e elas podem nos aproximar ou nos afastar de nosso projeto, portanto é preciso cautela. Vivemos rodeados de marketing, ofertas, os mais diversos estímulos para o consumo. Nossas aquisições envolvem bens essenciais para a sobrevivência e também bens prescindíveis, o importante é manter o equilíbrio entre razão e emoção, necessidade e desejo. Devemos sempre lembrar que não existe certo ou errado para as escolhas, mas, sim, decisões que aproximam ou afastam dos resultados almejados. Você lembra do conceito de troca intertemporal? Vera Ferreira também o usou. As decisões de hoje afetam o futuro. Entenda que não é errado você querer coisas que não sejam estritamente essenciais. É normal ter desejos e, dentro de suas posses, comprar produtos e serviços que satisfaçam esses desejos. Entretanto, é importante ter em mente que o consumo não pode ser movido apenas pela emoção, ou pior, pela emoção imposta por meio de propaganda ou de imposição social, como a necessidade de manter status e coisas do tipo (BRASIL, 2013, p.12). Sobre o orçamento (módulo 2), é um importante instrumento para a realização do projeto, que serve tanto para conhecer, como diagnosticar, e também organizar as finanças. É proposta uma sequência de ações: (1) planejar, separar, classificar as despesas (fixas e eventuais) e as receitas (fixas e variáveis); (2) registrar, realizar a anotação; (3) agrupar, etapa que ajuda a identificar o percentual da renda que está sendo direcionado para cada tipo de despesas, exemplificando, saber quanto se gasta com transporte ou alimentação; com esta organização é possível alcançar a quarta e ultima etapa; (4) avaliar para identificação se a situação é superavitária ou se há um déficit e, assim, respaldar a tomada de decisão. Sobre o uso do crédito e a administração das dívidas (módulo 3), é primordial o entendimento de que o crédito é um recurso de terceiro, que envolve custo e ainda, que é ofertado em diversas modalidades, de maneira que é possível usar conforme a necessidade especifica da situação. 133 A oferta de crédito, ou seja, a oferta de um valor monetário envolve, como contrapartida, a cobrança de uma remuneração, os juros. É comum comparar os juros como um aluguel pelo uso do dinheiro de terceiro. Os juros são calculados de duas formas. Os do primeiro tipo são os juros simples, que são calculados apenas sobre o capital principal: Juros simples são aqueles pagos somente sobre o capital principal. São o mesmo que “juros não capitalizados”. Exemplo: Ao tomarmos emprestados R$1.000,00, por 6 meses, com taxa simples de 5% a.m. (ao mês), ao final do período, a nossa dívida será de R$1.300,00, ou seja, R$1.000,00 do capital + R$50,00 (5% de R$1.000,00) por mês x 6 meses = R$1.000,00+ R$300,00 (BRASIL, 2013, p.25). Os do segundo tipo são os juros compostos, calculados sobre o capital principal somado aos juros do período de capitalização anterior, que passa a incorporar o capital principal: Juros compostos são aqueles que, após cada período de capitalização – normalmente um mês –, são incorporados ao capital principal e passam, por sua vez, a também render juros. Tratam- se dos chamados “juros sobre juros” ou “juros capitalizados”. No mesmo exemplo anterior, caso fossem utilizados os juros compostos, a dívida ao final do período seria de R$1.340,10, ou seja: • 1º mês: R$1.000,00 (capital principal) + R$50, 00 (5% de R$1.000,00) = R$1.050,00; • 2º mês: R$1.050,00 (capital principal+juros) + R$52,50 (5% de R$1.050, 00) = R$1.102,50; • 3º mês: R$1.102,50 + R$55,13 (5% de R$1.102,50) = R$1.157,63; • 4º mês: R$1.157,63 + R$57,88 (5% de R$1.157,63) = R$1.215,51; • 5º mês: R$1.215,51 + R$60,77 (5% de R$1.215,51) = R$1.276,28; • 6º mês: R$1.276,28 + R$63,82 (5% de R$1.276,28) = R$1.340,10 (BRASIL, 2013, p.26). 134 O período de capitalização é o período de tempo durante o qual aplica- se determinada taxa de juros sobre o capital. Outro aspecto importante sobre a cobrança de juros são os sistemas de amortização de saldo devedor: sistema de amortização constante (SAC); e o sistema de parcelas constantes (PRICE). Cada parcela paga do financiamento é composta por amortização de saldo devedor e pagamento dos juros. Enquanto a tabela PRICE mantem as parcelas constantes durante todo o período do pagamento, na tabela SAC as parcelas reduzem mensalmente. Mas não é só essa a diferença;; a forma de amortização do saldo devedor também é diferente: para a tabela SAC a amortização do saldo devedor é constante, já na tabela PRICE a amortização do saldo devedor é crescente, tem evolução exponencial depois de pagas algumas parcelas (em torno de 50%). Considerando estas características, cada tabela de amortização é mais adequada a cada tipo de financiamento. O crédito pode ser bom ou ruim para quem o contrata e para quem o concede. Para quem concede o crédito, há o pagamento dos juros que remuneram a quantia emprestada, mas há o risco de não receber. Para quem toma o crédito, possibilita antecipar a aquisição de um bem, mas traz consigo o risco de comprometimento de parte da sua renda (endividamento). Portanto, a cautela vale para os dois lados. Quem concede deve atentar para a capacidade de pagamento do outro e quem contrata deve estar atento ao custo efetivo. O inadimplemento gera a dívida (endividamento), que pode ser devido a despesas que acontecem em alguma época especifica do ano (por exemplo, o IPVA que é devido no início de cada ano), pode ser por despesas decorrentes de um consumo não planejado (alguma oferta), ou, ainda, a dívida pode ser decorrente de um orçamento que esta negativo (receitas menores que as despesas). O endividamento é preocupante, quando se torna excessivo, pois pode comprometer o patrimônio, atingir a esfera moral com a negativação do devedor, incluindo- o em cadastro de restrição ao crédito. 135 Em caso de endividamento excessivo, é necessário identificar as dívidas, classificando- as, renegociando- as em condições mais interessantes, eliminando- se os gastos classificados como desperdícios, reduzir ou eliminar os gastos que foram considerados supérfluos e procurando outras alternativas para os gastos necessários, pois estes não podem sair do orçamento. Finalmente, outra solução é gerar renda nova complementar. Após tomar consciência do endividamento e de ter a certeza de que quer sair dessa situação, é importante conhecer o real tamanho doproblema. E conhecer as dívidas é exatamente mapear detalhadamente as informações importantes: os valores das dívidas, os prazos para pagamento, as taxas de juros que está pagando etc. De posse de todas as informações, torna- se mais fácil a busca de alternativas para a saída do endividamento (BRASIL, 2013, p.30). Sobre o consumo planejado (módulo 4), significa priorizar o que é importante para você e deixar de lado aquilo que não atende seus sonhos. Isso exige mudanças de atitude. Para o planejamento financeiro, portanto, é preciso superar dificuldades. Conheça as dicas apresentadas no Caderno de Educação Financeira, pois elas podem ser muito úteis para você! Consumir de maneira planejada e consciente não significa restringir gastos e deixar de comprar. Não se trata de fazer menos de tudo. O que estamos falando aqui é fazer mais daquilo que é mais relevante para você e menos daquilo que é menos relevante para sua realidade, seus anseios e de sua família (BRASIL, 2013, p.35). Sobre investimento (módulo 5), é um ponto importante, pois quem investe pode ganhar dinheiro. Como informação é fundamental, você precisa saber sobre risco e rentabilidade, precisa conhecer o seu perfil como investidor, conhecer as modalidades de investimento. O Caderno de Educação Financeira do Banco Central exibe informações iniciais, que podem ser complementadas com os materiais divulgados pelas Instituições Financeiras. 136 Sobre prevenção e proteção (módulo 6), orienta o leitor de como se prevenir contra riscos inerentes da vida, apresentando como medidas de defesa o seguro e o plano de aposentadoria. Você pode ainda fazer alguns exercícios que o BACEN deixou como fechamento do material. Fica o convite: conheça o Caderno de Educação Financeira! 137 Bibliografia BRASIL, Banco Central do. Caderno de Educação Financeira: Gestão de Finanças Pessoais (Conteúdo Básico), BACEN, 2013. Disponível no link: https://www.bcb.gov.br/ pre/pef/port/caderno_cidadania_financeira.pdf BRASIL. Lei Complementar nº 105/01, dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências. BRASIL. Lei nº 8.078/90, dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. BRASIL. Lei nº 4.595/64, dispõe sobre a Política e as Instituições Monetárias, Bancárias e Creditícias, cria o Conselho Monetário Nacional e dá outras providências. BRASIL. Decreto nº 6.306/07, regulamenta o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF. BRASIL. Decreto nº 6.523/08, regulamenta a Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, para fixar normas gerais sobre o Serviço de Atendimento ao Consumidor - SAC. BRASIL. Resolução nº 2.025/99 (com as atualizações), Conselho Monetário Nacional. BRASIL. Resolução nº 3.516/07 (com as atualizações), Conselho Monetário Nacional. BRASIL. Resolução nº 3.517/07 (com as atualizações), Conselho Monetário Nacional. BRASIL. Resolução nº 3.694/09 (com as atualizações), Conselho Monetário Nacional. BRASIL. Resolução nº 3.919/10 (com as atualizações), Conselho Monetário Nacional. BRASIL. Resolução nº 3.954/11 (com as atualizações), Conselho Monetário Nacional. BRASIL. Resolução nº 4.197/13 (com as atualizações), Conselho Monetário Nacional. BRASIL. Resoluções CMN nº 4.480/16 (com as atualizações), Conselho Monetário Nacional. 138 BRASIL. Resoluções CMN nº 4.433/15 (com as atualizações), Conselho Monetário Nacional. FEBRABAN, Normativo do Sistema de Autorregulação Bancária nº 001/2008. FEBRABAN, Normativo do Sistema de Autorregulação Bancária nº 003/2008. FEBRABAN, Normativo do Sistema de Autorregulação Bancária nº 005/2009. FEBRABAN, Normativo do Sistema de Autorregulação Bancária nº 010/2013. FEBRABAN, Normativo do Sistema de Autorregulação Bancária nº 012/2014. FEBRABAN, Normativo do Sistema de Autorregulação Bancária nº 013/2014. FEBRABAN, Normativo do Sistema de Autorregulação Bancária nº 015/2014. FEBRABAN, Normativo do Sistema de Autorregulação Bancária nº 017/2016. FERREIRA, Vera Rita de Mello. Psicologia Econômica: origens, modelos, propostas. Tese de Doutorado, Programa de Estudos Pós- Graduados em Psicologia Social, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, 2007. Disponível no link: http://verarita. psc.br/index.php?option=com_content&view=article&id=55&Itemid=53 NUNES, Rizzatto. Curso de Direito do Consumidor. São Paulo: Editora Saraiva, 2015.