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DERMATITES Também conhecida como eczema, são processos inflamatórios restritos a epiderme e parte da derme. São subdivididas em: o De contato: o Atópica o Seborreica Dermatite ou Eczema de contato o É causada pelo contato da pele com um agente exógeno que pode ser alérgeno (alérgico) ou um irritante (irritativo) o Os locais mais acometidos são as áreas que possuem mais contatos com substâncias, como mãos, pés, face e pescoço o Evolui por surtos: se você entra em contato com o agente, desenvolve o processo de inflamação da epiderme e parte da derme. Se retira o contato, a tendência é melhorar o Caráter ocupacional: padeiros, pintores, químicos, agricultores, pois estão expostos a substancias constantemente o Classificação: Dermatite de contato por irritação primaria (DCIP) Dermatite alérgica por contato (DCA) Dermatite de contato fototóxica Dermatite de contato fotoalérgica DCIP: irritante primário o Irritantes absolutos que são ácidos e bases fortes. Quando essas substancias entram em contato com a pele, leva a lesão imediata maciça lesão na pele Ação caustica da substancia leva ao aparecimento imediato da lesão Eritema, necrose e ulcerações o Irritantes relativos: geralmente ácido e base fraca A exposição repetitiva a esses ácidos e bases fracas provocam uma sequência de lesões a depender da frequência da exposição: - 1º: aparece eritema - 2º: a exposição se mantém: aparecimento de vesículas clinicas - 3º: vesículas podem romper e aparece o conteúdo da vesícula que é o exsudato (rico em linfócitos) - 4º: o exsudato seca e forma crostas - 5º: Se mesmo assim o paciente mantem a exposição começa a aparecer as alterações na camada da derme e epiderme. Paraceratose (má formação da epiderme por células nucleadas, as quais não conseguem compactar bem uma na outra, gerando a descamação) Obs.: na epiderme existem células anucleadas compactas que mantem a integridade da epiderme - 6º: Liquenificação e hiperceratose: as camadas (da derme para cima) aumentam a espessura, muda a coloração para acastanhada, com aspecto seco e com ranhuras Ex.: solventes, sabões, detergentes eczema do lar Urina e fezes também são IP relativos dermatite das fraldas o Os testes de contato ou epicutâneos (patch tests) são negativos Como não é um processo alérgico, não há formação de anticorpo, apenas liberação de mediadores inflamatórios o Deve ser pesquisado na anamnese: Uso de luvas (nesse caso seria a falta do uso) Exposição ao calor recorrente Lesão prévia na pele Baixa umidade –xerose- (uma característica clínica em uma pele com processo inflamatório são as glândulas sudoríparas que possuem sua produção reduzida, então a pele fica mais seca) o Geralmente coçam menos que as outras dermatites. O maior sintoma é a sensação de queimação ou uma dor inespecífica, não prurido o Na lesão a esquerda: lesões eritematosas, presença de escamação associada, com edema. Subagudo (presença de descamação) o Na direita: não tão eritematosa, presença de linhas verticais nos dedos, pele grosseira, acastanhados característicos de liquenificação resultado de inflamação crônica Dermatite das fraldas o Geralmente em crianças menores de 2 anos o Lesões mais intensas nas superfícies convexas: A fralda provoca atrito e umidade principalmente nas regiões convexas. A união do atrito + umidade provoca maceração da pele, gerando microlesões fazendo com que ela perca parte de sua integridade As dobras são poupadas o Presença frequente de urina e fezes (irritantes primários) o É comum que complique com a presença de patógenos, mais comum a candidíase Passa a não poupar mais as regiões das dobras, pois se espalha na pele Descamação fina e esbranquiçada Lesões satélites (estão em volta da lesão central) pápulo-vesico- pustulosas Presença de prurido. A criança fica mais chorosa DCA: Dermatite de contato alérgica Envolve sensibilização e reação imunológica tipo IV (mediada por imunidade celular) Formação de linfócito T especifico contra substancia contactante com presença de memoria Tem duas fases: 1. Fase de indução ou sensibilização (via aferente): dura cerca de 15 dias apresentação do antígeno ao sistema imunológico com a formação de células de memoria 2. Fase de elicitação (via eferente: 24-48h) - o contato repetitivo promove a migração de linfócitos previamente sensibilizados para o local do contato. - as vezes, a fase de sensibilização nunca foi completa. Então, o paciente passa toda a vida em contato com o alérgeno sem formar memória vigorosa. Mas, em determinado momento, ele muda os hábitos e passa a ter contato maior com o alérgeno e fica sensibilizado. Posteriormente, quando entra em contato novamente, ocorre a resposta inflamatória na pele. Alérgenos comuns: Níquel: presença em fivelas, bijuteria Cromo: curtição do couro Produtos de beleza: esmalte, maquiagem, cremes Látex Dermatite de contato fototóxica o Mesmo mecanismo da DCIP, porém a substancia para se tornar irritante, precisa ter sua estrutura modificada pela luz solar Aritema edema bolha hiperpigmentação nas áreas expostas a luz Ex.: fitofotodermatose por limão Dermatite de contato fotoalérgica o Para ocorrer reação imunológica tipo IV o fotoalérgeno depende da radiação solar, pois muda a sua conformação Ex.: anti-histaminico de uso tópico e perfumes Diagnóstico o Diagnóstico clínico (morfotopografia das lesões) DCIP: exclusão da exposição a substancia suspeita melhora reexposição recidiva DCA: teste de contato (PATCH TEST) - na imagem à direita: As imagens A e B não são indicativas de positividade, a partir da formação de pequenas vesículas com eritema, pode positivar. Então, as imagens C, D e E são positivas - a imagem C é eritema com vesícula - a E é vesícula com pústula (mais intensa) - as lesões da DCA podem ultrapassar o local de contato e se estender a áreas distantes autossensibilização (coloca esmalte no dedo e depois coça o olho) o Biópsia tem pouca utilidade, pois só evidencia o eczema o Diagnostico diferencial: dermatite seborreica, atópica e micoses superficiais o Tratamento: Afastar substancias irritantes ou alérgicas Proteção da pele (ex.: luvas) Hidratante para manter a integridade da pele Compressas úmidas com água boricada e corticoide tópico Corticoide oral por curto período em casos graves Dermatite atópica o Doença inflamatória crônica da pele de causa multifatorial o Associação com asma e rinite o Evolui em surtos: tendência a melhorar com o passar dos anos o Marcador da doença: xerose cutânea associado ao prurido o Barreira cutânea disfuncional: o A pele possui um limiar de cossadura bem menor: qualquer coisa a pessoa se coça (ex.: mudanças de temperatura após tomar banho quente a pessoa se coça) o A resposta celular menor em relação as pessoas sem dermatite atópica, pois é medida por IgE (fisiologicamente baixa a resposta celular) o Caráter hereditário: história familiar de atopia frequente o Epidemiologia: Acomete 5-10% das crianças em todo o mundo e 1-3% dos adultos Maior incidência em áreas urbanas e países desenvolvidos Maior frequência nas últimas décadas Pode ocorrer em qualquer idade após o 3º mês de vida o Fatores imunológicos envolvidos: Predominio da resposta Th2 (humoral) na fase aguda e com a evolução se torna Th1 Elevação de IgE principalmente quando presente manifestações respiratórias Depressão da imunidade celular: por isso, esses pacientes possuem infecções virais, bacterianas e fungicas de repetição mais comumente que os não atópicos 75-90% colonização por S. aureus o Quadro clinico: Tríade: xerose, prurido e eczema Piora com a sudorese Existem três estágios de acordo com a faixa etária: - Infantil: até 2 anos - Pré-puberal:2-12 anos - Adolescência e adulto: > 12 anos Dermatite atópica infantil o A partir do 3º mês de vida o Poupa o centro da face o Erupção vésico-crostosa o Face, couro cabeludo e região extensora dos membros Obs.: região flexora poupada o Não há liquenificação o Complicação mais frequente: infecção secundaria o Irritabilidade e agitação Dermatite atópica pré-puberal o Pode ser continuação do eczema infantil ou não o Surtos de agudização o Poupa mais a face o Placas liquenificadas com escoriações e crostas o Regiões de dobras como fossas poplíteas, punhos, cubitais, tornozelos e dorso das mãos e dos pés o Infecção secundaria incomum 2.3. Dermatite atópica do adulto o Placas liquenificadas e descamativas o Prurido intenso o Áreas de flexão: cervical, antecubital, poplítea além dos punhos, mãos, mamilos, perioral e periorbital o Infecção infrequente Critérios diagnosticos A doença é tão complexa que foram criados critérios diagnósticos: o Sinal de Hertogue: paciente, de tanto coçar a região da face, começa a perder os pelos do supercilio o Prega de Dennie Morgan: os pacientes com dermatite atópica, geralmente possuem mais de uma prega o Ptiriase alba: macula hipocrômica não descamativa, mas um pouco áspera na região na face. A diferença da psoríase versicolor, é que na alba não descama o Diagnostico diferencial: Dermatite seborreica Dermatite de contato Micoses superficiais Psoríase Escabiose Tratamento o Orientar os pais sobre o caráter crônico e recorrente o Cortar as unhas o Afastar agravantes como: lã. Sabões além da área de higiene, roupas sintéticas e etiquetas, banhos quentes e demorados, sudorese o Medicações: Hidratação cutânea Tratar infecção secundaria, se houver Corticoides tópicos Imunomoduladores tópicos Anti-histaminicos orais Imunossupressores para casos de difícil controle Dermatite seborreica o Doença inflamatória crônica de causa desconhecida o Formação de sebo com qualidade ruim que pode propiciar a proliferação de fungos do gênero Malassezia gerando um processo inflamatório o Predileção por áreas ricas em glândulas sebáceas: Centro da face Couro cabeludo Intermamárias Pavilhão auricular externo Áreas intertriginosas (entre dedos) o Curso crônico e recorrente o Fatores agravantes: Calor Umidade Estresse físico e emocional Drogas: arsênio, ouro, metildopa, cimeidina, neurolepticos, álcool HIV, Doença de Parkinson, diabetes e obesidade Alimentos condimentados o Ocorre mais em homens do que mulheres o Incidência Bimodal (duas fases) Lactentes: nos 3 primeiros meses de vida - Estimulo dos andrógenos maternos na criança e depois some - Pode haver infecção secundaria por bactérias ou leveduras - Áreas das fraldas pode ser acometida Adultos: 4ª e 6ª décadas de vida Características Placas eritematodescamativas com escamas branco- amareladas, graxentas (gordurosas) e aderidas (difícil de retirar) “Crosta láctea” em bebes Prurido discreto Tratamento o Lactente: Limpeza e aplicação de emolientes (facilita a retirada de escamas) Cetoconazol 2% e corticoide tópico para casos mais graves o Adulto: Xampus e cremes antifúngicos Corticoide tópico e emolientes