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INTRODUÇÃO Chama-se VDRL o exame de sangue feito na procura por indícios sorológicos da sífilis, uma doença venérea causada pelo Treponema pallidum que tem a capacidade de invadir mucosas ou a pele em áreas de abrasão. Essa bactéria, quando não descoberta em seus estágios iniciais de infecção, pode atingir órgãos nobres como coração e cérebro, causando complicações graves como sífilis cardiovascular e neurossífilis. Também, é importante para se evitar a sífilis congênita que pode trazer complicações para o feto e recém-nascido. O exame é solicitado para acompanhamento de pacientes já com sífilis ou quando há suspeita da doença. Nesse último caso, como o exame é de elevada especificidade, resultados negativos eliminam a suspeita, porém o exame positivado carece de outros testes para diagnóstico confiável. Para diagnóstico de sífilis, existem os testes treponêmicos, os quais utilizam o próprio T. pallidum como antígeno e tem valor diagnóstico; e os testes não treponêmicos, nos quais o VDRL se insere e que empregam anticorpos não específicos para o T. pallidum, mas que estão presentes na sífilis. Nesse teste, usa-se uma suspensão aquosa antigênica que contém cardiolipina, colesterol e lecitina. No preparo dessa suspensão, a ligação desses componentes ocorre ao acaso e resulta na formação de estruturas arredondadas denominadas micelas, conforme se pode ver na figura adiante. Destes, a cardiolipina, um componente lipídico da camada de revestimento do Treponema, é a mais importante, uma vez que, o anticorpo procurado irá se ligar a ela. Ao colocar a suspensão antigênica em contato com o soro em teste, se o anticorpo que reage com os componentes da suspensão, também chamado de reaginina, estiver presente, haverá a formação de flóculos observados em microscópico. . . O objetivo dessa prática foi familiarizar as alunas com a realização desse exame tornando-as capazes de diferenciar um exame positivo de um negativo. MATERIAL E MÉTODOS Para realização da prática, uma amostra de sangue foi coletada e uma de soro foi disponibilizada. O kit utilizado para teste, o V.D.R.L test da Wiener, fornecia a suspensão antigênica, composta por cardiolipinas e lecitinas purificadas. Foi necessário dispor de uma placa Kline, uma placa de vidro transparente com 12 setores côncavos. Além desses, micropipetas também foram utilizadas. A amostra coletada foi centrifugada para obtenção do soro. Como o kit não fornecia as soluções controles para comparação, solução salina foi usada como controle negativo e como controle positivo, uma amostra sabidamente positiva. Assim, 25µL de cada um dos componentes necessários para a execução do teste, isto é, controle positivo, controle negativo, amostra colhida e amostra disponibilizada, foram transferidos para setores diferentes da placa. Após, uma gota da solução antigênica, contada a partir do conta gotas, foi adicionada em cada setor, fez-se a homogeneização realizando movimentos circulares com a placa sobre a bancada por 4 minutos e levou-a ao microscópio óptico. No microscópio, a placa foi posta sobre a platina de forma que a luz pudesse passar pelo setor. Aproximou-se a platina o máximo possível da objetiva de menor aumento, afastou-a até que fosse viável observar o conteúdo do setor e ajustou-se o foco para que a observação pudesse ser mais nítida, verificando ou não a presença de floculação. RESULTADOS E DISCUSSÃO O teste aqui realizado foi uma prova qualitativa, isto é, não define a quantidade de reagininas presentes. Por se tratar de um antígeno lipídico, os complexos Ag-Ac formados não são tão específicos e podem resultar em falsos-positivos. Assim, a presença de floculação não confirma a doença, mas fornece forte indício quando associado ao diagnóstico clínico compatível com a enfermidade. Como já mencionado, é um teste é de alta especificidade, sendo assim, testes negativados afastam a suspeita da doença. Os controles positivos e negativos foram registrados como mostram as imagens abaixo: CONTROLE POSITIVO CONTROLE NEGATIVO As imagens obtidas da observação das amostras no microscópio foram como segue, e ambas sugerem a ausência de reagininas nos soros testes. Na imagem da amostra disponibilizada vê-se alguns pontos escuros que são sugidades e não refletem um resultado positivo. Normalmente se o resultado do VRDL for positivo significa que a pessoa tem sífilis, contudo, o indivíuo pode não ter sífilis e ter outras doenças como a brucelose, lepra, hepatite, malária, asma, tuberculose, câncer e doenças auto-imunes, originando um resultado falso-positivo. Dessa forma, sugere-se que sempre que existir sífilis, as reagininas estarão presentes; mas nem sempre a presença de reagininas é indicativo de sífilis. O VDRL qualitativo não é suficiente para dar diagnóstico. Dessa forma, o teste semiquantitativo também pode ser realizado em amostras que apresentarem floculação no exame qualitativo. Assim, faz-se diluições seriadas da amostra e títulos acima de 1/16 sugerem a existência de sífilis. As diluições também são úteis para acompanhamento de pacientes em tratamento, uma vez que, títulos de amostras sucessivas em decaimento indicam um tratamento eficaz. https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22193/mod_resource/content/1/S%C3%ADfilis%20-%20Manual%20Aula%202.pdf http://www.scielo.br/pdf/abd/v81n2/v81n02a02.pdf https://www.tuasaude.com/exame-vdrl/