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Métodos de estudo em Histologia (Cap. 1 - Junqueira e Carneiro 13ª ed.)

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que contêm os tecidos são então 
levados a um micrótomo; 
- Os mais utilizados são os micrótomos rotativos 
convencionais; 
- De acordo com a regulagem, realiza cortes de 1 a 60 
micrômetros, embora isso dependa do meio de inclusão 
que se encontra o tecido; 
 
- Após serem seccionados, os cortes são colocados para 
flutuar sobre uma superfície de água aquecida e, depois, 
sobre lâminas de vidro, onde aderem e serão, em seguida, 
corados. 
 
 Fixação física por congelação 
- Um modo diferente de preparar secções de tecidos 
ocorre após submeter os tecidos a um congelamento 
rápido. Dessa forma, são fixados por congelação 
tornando-se rígido e prontos para serem seccionados. O 
micrótomo para tecido congelados é o criostato ou 
criomicrótomo. Como não passa pelo procedimento de 
desidratação e inclusão, ele é usado em hospitais/centros 
cirúrgicos para que seja possível analisar, em poucos 
minutos, espécimes obtidos durante procedimentos 
cirúrgicos; 
- Os cortes por congelação também são úteis para o 
estudo histoquímico de enzimas e de outras proteínas em 
cortes histológicos, porque, ao contrário da fixação 
química, o congelamento não inativa a maioria das enzimas 
e mantém muitas proteínas em suas conformações e 
locais originais. Quando se deseja estudar os lipídios 
Eduarda Lima (UFCA – T31) 
 
também se usa secções congeladas, já que a imersão de 
tecidos em solventes, como o xilol, dissolve essas 
substâncias. 
 
 Coloração 
- Com poucas exceções, os tecidos são incolores. Muito 
corantes se comportam como substâncias de caráter 
ácido ou básico e tendem a formar ligações eletrostáticas 
(salinas) com componentes ionizados dos tecidos. Os 
componentes dos tecidos que se coram bem com 
corantes básicos são basófilos e os que tem afinidade 
por corantes ácido, acidófilos. 
→ Corantes básicos - Exemplos: Azul de toluidina, 
azul de metileno e hematoxilina (existem 4 tipos 
mais conhecidos – Erlich, Delafield, Mayer, 
Harris). Se ligam às estruturas basófilas das 
células e dos tecidos. Os tecidos que reagem com 
corantes básicos contêm ácidos na sua 
composição, como ácidos nucleicos, 
glicosaminoglicanos e glicoproteínas ácidas; 
→ Corantes ácidos – Exemplos: Orange G, eosina, 
fucsina ácida. Coram principalmente 
componentes acidófilos dos tecidos, como, por 
exemplo, mitocôndrias, grânulos de secreção, 
proteínas citoplasmáticas e colágeno. 
- Dentre esses, a combinação de hematoxilina e eosina 
(HE) é a mais utilizada. A hematoxilina cora em azul ou 
violeta o núcleo das células e estruturas como porções 
do citoplasma ricas em RNA e a matriz extracelular da 
cartilagem hialina. A eosina cora o citoplasma e o colágeno 
em cor de rosa. 
- O procedimento inteiro desde a fixação até a 
observação de um tecido em um microscópio de luz pode 
demorar de 12h a 2 dias. 
 
Microscopia de Luz 
 
 
 
- Torna possível a obtenção de boas imagens aumentadas 
até 1000 a 1500 vezes. O poder/limite de resolução 
máximo (menor distância entre duas partículas, possibilita 
que elas sejam vistas como dois objetos separados) do 
microscópio de luz é de aproximadamente 0,2 µm. 
Objetos menores ou mais delgados que 0,2 µm (exemplo, 
membrana celular ou um filamento de actina) não podem 
ser distinguidos por esse instrumento. Ou dois objetos 
como, duas mitocôndrias ou lisossomos, serão vistos como 
um só objeto se estiverem separados por menos de 0,2 
µm. 
- Então, o que determina a riqueza de detalhes é o limite 
de resolução máxima e não seu poder de aumento. 
 
Microscopia de contraste de fase e 
de contraste diferencial de 
interferência 
- O microscópio de contraste de fase usa um sistema de 
lentes que produz imagens visíveis de cortes quase 
transparentes/não corados. Outros métodos para 
observar secções desse tipo é a microscopia de 
contraste diferencial (microscopia de Nomarski), que 
produz uma imagem aparentemente tridimensional. Estas 
imagens são sempre vistas em preto, branco e tons de 
cinza. 
 
Microscopia confocal 
- A imagem fornecida pelos microscópios não costuma 
ser composta de um único plano muito delgado do corte, 
Eduarda Lima (UFCA – T31) 
 
há superposição de vários planos. Para resolver isso foi 
desenvolvido o microscópio confocal, que torna possível 
focalizar um plano muito delgado do espécime. A 
localização dos componentes do espécime pode ser feita 
com mais precisão que ao microscópio de luz. 
 
Microscopia de fluorescência 
- É chamado de fluorescência o fenômeno quando as 
substâncias são irradiadas por luz de um determinado 
comprimento de onda, emitindo luz com um comprimento 
de onda mais longo. Nessa microscopia as secções são 
iluminadas por uma fonte de luz de mercúrio sob alta 
pressão. Dessa forma, as substâncias fluorescentes são 
observadas como objetos brilhantes e coloridos. 
Substâncias fluorescentes que tenham afinidade por 
moléculas encontradas nas células ou na matriz 
extracelular podem ser usadas como corantes 
fluorescentes, como o alaranjado de acridina, que pode 
combinar-se com o DNA e o RNA. 
 
Microscopia Eletrônica 
- Se baseia na interação entre elétrons e componentes 
dos tecidos. Os dois tipos são: 
 Microscopia eletrônica de transmissão: 
- Na teoria, possibilita altíssima resolução (0,1 nm), na 
prática, situa em torno de 3 nm. Torna possível que 
espécimes de partículas e moléculas isoladas sejam 
ampliados até cerca de 400 mil vezes e que cortes 
delgados de células e tecidos sejam ampliados cerca de 
120 mil vezes. 
- A imagem resultante é sempre em preto e branco. As 
áreas claras são denominadas elétron-lucentes ou 
elétron-transparentes, enquanto as áreas escuras, 
elétrons-densa. 
- O microscópio eletrônico usa cortes muito mais delgados 
que os de microscopia de luz. 
 Microscopia eletrônica de varredura: 
- Fornece imagens pseudotridimensionais das superfícies 
de células, tecidos e órgãos. São obtidas imagens em 
preto e branco de fácil interpretação. 
 
OBS1.: Os termos histoquímica e citoquímica são 
usados para indicar métodos que identificam e 
localizam subst. em células e matriz extracelular, 
seja em cortes histológicos ou em células cultivadas. 
Muitos procedimentos histoquímicos são usados em 
diagnóstico laboratorial de várias doenças. A reação 
de Perts para ferro, as reações de PAS-amilase para 
glicogênio e Alcian blue para glicosaminoglicanos 
são habitualmente aplicadas a biopsias de tecidos de 
pacientes nos quais se quer diagnosticar doenças em 
que se acumulam nos tecidos quantidades elevadas 
de ferro (ex: hemocromatose, hemossiderose), 
glicogênio(glicogenoses), glicosaminoglicanos 
(mucopolissacaridoses) e esfingolipídios 
(esfingolipidoses). 
 
 
OBS2.: A imunocitoquímica é a metodologia que 
possibilita identificar, por meio de anticorpos, 
moléculas em cortes ou em células cultivadas, 
grande utilidade para identificar e localizar 
proteínas e glicoproteínas. O anticorpo se liga 
especificamente à proteína e sua localização pode 
então ser evidenciada por microscopia de luz ou 
eletrônica, dependendo do marcador que foi 
acoplado ao anticorpo. 
 
OBS3.: Técnicas de hibridização: Hibridização ou 
hibridação é a ligação entre duas moléculas de 
cadeia única de ácidos nucleicos (DNA com DNA, 
RNA com RNA ou RNA com DNA) que se reconhecem 
um ao outro se suas sequências forem 
complementares, formando moléculas de cadeia 
dupla. A hibridização possibilita a identificação de 
sequências específicas de DNA ou RNA. 
Hibridização in situ: Quando aplicada diretamente 
a células e cortes de tecidos, esfregaços ou 
cromossomos de células mitóticas, a técnica é 
chamada de hibridização in situ. Essa técnica é 
excelente para averiguar se uma célula tem uma 
sequência específica de DNA (ex: um gene ou parte 
de um gene), ou para definir a localização de um 
gene em um cromossomo ou identificar as células 
nas quais um gene específico está sendo transcrito. 
As técnicas de hibridização são altamente 
específicas e habitualmente utilizadas em pesquisa, 
diagnóstico clínico e