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Direito ao esquecimento julgados do STF

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O direito ao esquecimento ocorre quando um sujeito se sente prejudicado ao ter sua imagem ou nome expostos em meios de comunicações (televisão, internet, jornais etc.), acontecimentos verídicos ou não. 
Ainda que no Brasil não tenha uma lei específica em nosso ordenamento referente ao assunto, existe meios de se requerer este direito, com embasamentos através de doutrinas, jurisprudências e artigos em nossos ordenamentos jurídicos. 
Constituição Federal Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; 
Código Civil Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma. Qualquer indivíduo pode requerer este direito quando se sentir lesado em detrimento de uma exposição de imagem ou nome a qualquer meio de comunicação, sendo este fato verídico ou não 
O direito ao esquecimento diverge opiniões visto que trata-se de um assunto com conflitos de interesses entre o direito à privacidade e a liberdade de expressão 
Em casos de fatos expostos de forma negativa, distorcida da verdade, sensacionalista, vexatória, com intuito de propaganda, abuso do direito à liberdade de expressão, liberdade de impressa ou e com sem consentimento das partes envolvidas, pode o prejudicado requerer o direito ao esquecimento e ainda entrar com ação indenizatória, assegurado pelo art. 138 a 140 do Código Penal (calunia injuria e difamação); 
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. 
Art. 139 Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 
Art. 140-Injuriar alguém, ofendendo lhe a dignidade ou o decoro: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
Código Civil Art. 953 A indenização por injúria, difamação ou calúnia consistirá na reparação do dano que delas resulte ao ofendido. 
Parágrafo único. Se o ofendido não puder provar prejuízo material, caberá ao juiz fixar, equitativamente, o valor da indenização, na conformidade das circunstâncias do caso. 
Em situações que o exposto seja um indivíduo morto pode o conjugue ou a família requerer o direito ao esquecimento. 
Art. 12 CC, Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. 
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau. 
No dia 21 de fevereiro de 2021 o Supremo Tribunal Federal STF decidiu que o direito ao esquecimento é incompatível com a constituição federal brasileira exceto em casos de proteção a honra, imagem, privacidade, personalidade geral expressa as previsões legais nos âmbitos penais e civil. 
O crime ocorreu no dia 14 de julho de 1958 Aída Curi voltava de um curso de datilografia acompanhada de sua amiga Ione Arruda Gomes, quando foi abordada por dois rapazes Ronaldo Guilherme de Souza Castro de 19 anos e Cássio Murilo Ferreira de 16 anos, Ione foi levada ao ponto de ônibus por Cássio, Aída acabou ficando com Ronaldo que a convenceu de levá-la a um prédio para poder ver o mar, pois a jovem nunca havia visto mar de cima dos prédios. Dessa forma como primeira tentativa Ronaldo decidiu levá-la a um apartamento de um amigo no entanto o mesmo não estava em casa, foi quando decidiu conversar com Cássio que conhecia um porteiro chamado Antônio João de Souza, alegando que se Cássio conseguisse a chave com o seu amigo porteiro do edifício da Avenida Atlântica ambos poderiam participar do ato. E assim foi feito ao chegar no edifício Ronaldo, Cássio e Antônio tentaram de todas as formas fazer com que a Aída cedesse aos seus desejos no entanto a jovem lutou com todas as suas forças até exaustão se consumar em um desmaio, quando perceberam que a vítima estava desacordada em decisão unânime optaram por jogá-la do prédio. Quem encontrou o corpo da vítima foi seu irmão quando havia saindo de casa em busca de sua irmã que não havia chegado. Ronaldo, Cássio e Antônio decidiram que iriam seguir a vida como se nada tivesse acontecido no entanto não contavam que um jovem chamado Beethoven havia presenciado Ronaldo com 
a Aída na rua, em um primeiro momento da investigação surgiram as hipóteses de que Aída Curi havia cometido suicídio, no entanto logo descartado pois sua família alegou que a vítima jamais se mataria, era extremamente religiosa, ao analisar com mais cautela foram perceptíveis os sinais de luta no corpo da vítima e constatado que se tratava de um homicídio, pelas lesões em seu corpo e a forma como o crime ocorreu existia mais de um criminoso no ato, apesar de todas as lesões encontradas no corpo de Aída Curi de acordo com a autópsia a jovem havia morrido virgem pois o crime de estupro não havia sido consumado, ao longo da investigação surgiram também falsos testemunhos, alterações na cena do crime que logo foram descobertos, onde a verdade veio à tona. 
Somente dois anos depois ocorreu o julgamento do caso Ronaldo condenado a 32 anos de prisão, Antônio condenado a 30 anos de prisão, Cássio absolvido pois era de menor no ano em que o crime aconteceu. Com a sentença determinada os advogados de Ronaldo e Antônio decidiram recorrerem a uma nova decisão, no ano de 1963 Ronaldo teve a pena reduzida a oito anos de prisão Antônio fugiu logo após ser absolvido e nunca mais foi encontrado, anos mais tarde Cássio foi preso por homicídio condenado a 30 anos de prisão, seu advogado também recorreu a uma sentença menor, Cássio pode esperar em liberdade provisória quando fugiu do país e voltou apenas anos mais tarde quando sua pena já não havia validade. Atualmente Ronaldo e Cássio vivem uma vida normalmente. 
Diante dos fatos apresentados, em 2004 um programa jornalístico da TV Globo ‘’ Linha Direta’’ exibiu uma matéria com a simulação do caso ocorrido no ano de 1958 na cidade do Rio de Janeiro, sem o consentimento da família da vítima que se sentiu prejudicada ao ter que relembrar o crime bárbaro onde não existiu pena justa para os delinquentes envolvidos, a sensação de impunibilidade pela inaplicabilidade da lei, gerando também sentimento de incapacidade de justiça, de forma que o programa foi exposto onde para a família da vítima foi algo sensacionalista, apelativa, menosprezando a capacidade de Aída Curi, como se a jovem fosse vítima na verdade de sua própria inocência e não somente de seus agressores assassinos. 
Em se tratando de direito ao esquecimento deve ser analisado com cautela cada caso para compreender o porquê e Qual o direito que prevalecerá pois neste quesito importante ressaltar que engloba não apenas um direito ou seja apenas o direito da vítima mas sim um conjunto de vários direitos direito à personalidade dignidade da pessoa humana direito da privacidade direito da informação a não censura intimidade liberdade de expressão liberdade de imprensa etc. 
Referente aos votos a ministra Carmém Lúcia afirmou que considera o direito ao esquecimento uma ação incompatível com a constituição isso porque em seu entendimento o direito ao esquecimento é o mesmo que apagar todo um passado histórico privando a todos do futuro, conhecimento do passado como saber o que ocorreu na história de uma nação se esta for apagada? fazendo comparação de acontecimentos ocorridos como a escravidão e problemas sociais como o feminicídio. 
O ministro Ricardo Lewandowski defendeu a ideia de que o direito ao esquecimento precisa ser analisado de forma específica em cada caso pois envolve

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