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USO DE DADOS EPODEMIOLÓGICOS 
1. De que forma dados epidemiológicos podem ser empregados na avaliação da formulação de políticas 
públicas em saúde? 
2. Quais os critérios adotados na escolha desses dados? 
3. Qual a utilidade e aplicação dos indicadores de morbimortalidade? 
4. Qual o impacto dos resultados em morbimortalidade sobre a sociedade contemporânea? 
Epidemiologia é o estudo da frequência, da distribuição e dos determinantes dos problemas de saúde 
em populações humanas, bem como a aplicação desses estudos no controle dos eventos relacionados com 
saúde. É a principal ciência de informação de saúde, sendo a ciência básica para a saúde coletiva 
Etimologicamente, “epidemiologia” significa o estudo que afeta a população (epi= sobre; demio= 
povo; logos= estudo) 
A epidemiologia é a ciência das epidemias, onde se averigua determinantes sociais, ambientais, 
genéticos e exposições dos indivíduos a agentes tóxicos, microbiológicos, entre outros, que ocasionam em 
doenças, incapacidades intelectuais e físicas, e até mesmo à morte, investigando as distribuições e as 
quantidades em relação a saúde e doença. A epidemiologia indica, através de estudos, os aspectos da doença 
e até mesmo do desastre como sua frequência, sua distribuição geográfica e a população que mais corre risco. 
Os dados produzidos pela epidemiologia podem ser de doenças conhecidas ou não 
O primeiro relato de dado epidemiológico foi produzido por Hipócrates, na Grécia há mais de 2000 
anos, onde foi percebido a relação das doenças com os fatores ambientais. As primeiras observações 
epidemiológicas foram descritas por John Snow, em Londres que analisou cada moradia com casos de óbito 
por cólera entre 1848 e 1853, e percebeu uma relação entre a água originária destas residências; ao comparar 
com outras residências, Snow percebeu que a maioria das vítimas da cólera tinham a água fornecida pela 
empresa Southwark 
Aplicações da Epidemiologia 
1. Informar a situação de saúde da população: Determinar as frequências, o estudo da distribuição dos eventos 
e o diagnóstico consequente dos principais problemas de saúde verificados, identificando também as partes 
da população que foram afetadas, em maior ou menor proporção 
2. Investigar os fatores determinantes da situação de saúde:Realizar estudo científico das determinantes do 
aparecimento e manutenção dos danos à saúde na população 
3. Avaliar o impacto das ações para alterar a situação encontrada:Determinar a utilidade e a segurança das 
ações isoladas dos programas de serviço de saúde 
A Associação Internacional de Epidemiologia (IEA) atribui: 
• 3 propósitos principais: 
1. Relatar a disseminação e a importância do agente causador da doença em relação com as dificuldades 
da saúde entre as populações humanas 
2. Gerar informações que sirvam de base para a prevenção, moderação e tratamento das doenças, 
estabelecendo prioridades 
3. Identificar a causa e origem da doença 
• 6 metas obrigatórias que podem ser acrescidas; são originárias da metodologia científica e devem ser 
aplicadas em sua ordem específica: 
1. Estudo exato 
2. Análise correta 
3. Esclarecimento racional 
4. Formação de hipótese 
5. Comprovação a hipótese 
6. Conclusão 
Conforme Souza e Contandriopoulos, "a idéia de que utilizar conhecimentos científicos é uma prática 
recomendável para os tomadores de decisão" está baseada no pressuposto de que políticas formuladas com 
base em conhecimentos racionais serão mais eficazes e eficientes. 
O ciclo de trabalho da formulação de políticas tem conteúdos distintos e as etapas são: 
1. a identificação de problemas socialmente relevantes, 
2. a formulação da política propriamente dita, 
3. a implementação 
4. a avaliação 
1. A epidemiologia pode contribuir na etapa de identificação dos problemas socialmente relevantes através do 
estudo da distribuição dos problemas de saúde e de seus determinantes nos diversos grupos sociais, 
fornecendo informações técnicas para embasar as decisões políticas, tanto no âmbito dos movimentos sociais 
quanto no âmbito governamental, somando-se a outros tipos de informação a serem consideradas no 
processo de tomada de decisão. 
2. Na etapa de formulação das políticas, os conhecimentos epidemiológicos sobre os mecanismos de produção 
dos problemas de saúde e sobre a eficácia ou eficiência dos instrumentos de intervenção, novamente podem 
se somar a conhecimentos oriundos de outras ciências do campo da saúde coletiva e de outros campos do 
conhecimento para auxiliar os formuladores na compreensão da complexidade do problema e de seu 
contexto, definição de objetivos e metas, e seleção das intervenções. 
3. Na etapa de implementação, a epidemiologia pode contribuir no acompanhamento através de tecnologias 
como a vigilância epidemiológica e o monitoramento. 
4. No processo de avaliação os conhecimentos epidemiológicos podem ser úteis principalmente na análise dos 
impactos previstos e alcançados. Santos e Victora19 chamam a atenção para a série de eventos e etapas que 
se interpõem entre a proposição de determinadas intervenções ou políticas de saúde e a avaliação de seus 
efeitos ou impactos sobre o perfil epidemiológico da população. Evidentemente, para que ocorra o impacto e 
a modificação do perfil epidemiológico é obrigatório que ocorram eventos decorrentes da política 
implementada. No entanto, há uma série de fatores que podem ser modificados por processos independentes 
da implementação da política e que também modifiquem o perfil epidemiológico, tornando particularmente 
difícil a análise de desempenho. 
Conclusão 
O papel da epidemiologia nas políticas públicas setoriais de saúde, ou em outras políticas sociais, reafirma 
o compromisso político e social dessa disciplina científica e reconhece a necessidade de articular os 
conhecimentos epidemiológicos a outros saberes, no intuito de garantir melhor saúde para a população e, 
portanto, melhor qualidade de vida. 
Critérios para escolha dos dados 
1- Indicadores válidos e confiáveis 
Especial atenção deve ser dada quanto à cobertura de eventos dos dados utilizados no seu cálculo. identificar 
se há subnotificação de eventos. 
A presença de subnotificação irá resultar em distorções dos indicadores, mais freqüentemente em sua 
subestimação. Exemplos de subnotificação: 
✓ ausência de preenchimento de Declarações de Nascidos Vivos ou de Óbitos, 
✓ não preenchimento de ficha de notificação do SINAN. 
2- Definições e procedimentos empregados na construção dos indicadores devem ser simples e de fácil 
interpretação e internacionalmente padronizados, de modo a permitir sua comparabilidade no tempo e 
espaço. 
3- A qualidade e a comparabilidade dos indicadores de saúde dependem da aplicação sistemática de 
definições operacionais e de procedimentos padronizados de medição e cálculo 
4- Bom poder discriminatório para permitir comparações no tempo e espaço 
5- Possibilidade de obtenção para populações geográfica ou demograficamente definidas 
6-Possibilidade de obtenção com os dados disponíveis 
7- Ser sensível às mudanças de fatores ambientais, sociais e a políticas públicas 
 
1. Alguns indicadores não apresentam boa sensibilidade, mas devem fazer parte da matriz porque explicitam 
as características e a dinâmica da população a ser monitorada, por ex taxa de mortalidade geral, taxa bruta de 
natalidade, taxa de crescimento da população. 
2. Deve-se selecionar indicadores de fácil atualização para propiciar seu acompanhamento ao longo do tempo, 
deve-se evitar o uso de dados provenientes do Censo Demográfico, estes necessitam de estimativas para seu 
acompanhamento temporal, o que pode gerar distorções. 
3. Deve-se selecionar indicadores que representem os principais problemas de saúde da população e que 
apresentem boa sensibilidade, como por exemplo a taxa de mortalidade infantil, neonatal e pós neonatal. 
Sistema de Informações de Agravos de Notificação de Vigilância Epidemiológica(SINAN) 
O Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN) tem por objetivo o registro e processamento 
dos dados sobre agravos de notificação em todo o território nacional, fornecendo informações para análise do 
perfil da morbidade e contribuindo dessa forma para a tomada de decisões no nível municipal, estadual e 
federal. 
Esse sistema foi desenvolvido para ser operacionalizado num nível administrativo o mais periférico 
possível, ou seja, a unidade de saúde; porém, se o município não dispuser de microcomputadores nas suas 
unidades, ele poderá ser operacionalizado a partir das secretarias municipais, regionais da Saúde e Secretaria 
Estadual da Saúde. Esse sistema irá possibilitar uma análise global e integrada de todos os agravos definidos, 
gerando informações nos níveis acima referidos, além de distrito e bairro. 
Pesquisas sociais, demográficas e econômicas 
Estatísticas sociais e demográficas, baseadas em informações obtidas nos domicílios, incluindo o censo 
demográfico decenal, e pesquisas baseadas em registros administrativos como o registro civil e a pesquisa de 
assistência médico-sanitária; estatísticas econômicas sobre a produção agropecuária, industrial, da construção 
civil, comércio, serviços e transportes; os índices de preços; e as pesquisas sobre economia informal e de 
orçamento familiar. 
LILACS 
Referências bibliográficas e resumos, desde 1982. É um produto cooperativo da Rede Latino-Americana e do 
Caribe, de informação em ciências da saúde, coordenada pela BIREME. 
MEDLINE 
Base de dados bibliográficos produzida pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos da América, é 
fonte essencial de informação, contendo as mais importantes pesquisas publicadas na literatura da área 
biomédica. A base MEDLINE é internacional no seu escopo, com aproximadamente 75% de citações publicadas 
em língua inglesa. Contém todas as referências que aparecem no Index Medicus, no Index to Dental Literature 
e no International Nursing Index. Também contém referências completas dos artigos publicados em mais de 
3.200 periódicos, cobrindo tópicos como microbiologia, nutrição, saúde ambiental, assistência médica e 
farmacológica. 
SIH–SUS 
Base de dados produzida pelo Ministério da Saúde/DATASUS – Sistema de Informações Hospitalares do 
Sistema Único de Saúde. Contém dados que se referem às internações de todos os municípios, em todos os 
níveis de gestão do SUS. Estão incluídas todas as informações da autorização de internação hospitalar (AIH), 
exceto nomes e endereços dos pacientes, a partir de 1993. Inclui também programas para facilitar a emissão 
dos relatórios. Dados de declarações de óbitos 
Base de dados produzida pelo Ministério da Saúde/DATASUS – Base nacional de informações de mortalidade. 
Contém dados provenientes das declarações de óbitos, a partir de 1979. Inclui também programas que 
permitem a análise dos dados. 
CID10 – Classificação Internacional de Doenças 
A Classificação Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde, na sua décima revisão, é 
produzida pelo Centro Colaborador da OMS para a Classificação de Doenças em Português (Centro Brasileiro 
de Classificação de Doenças) – Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo/Organização Mundial 
de Saúde/Organização Pan-Americana de Saúde. Essa versão é composta de três volumes: Lista Tabular 
(apresenta o relatório da Conferência Internacional para a Décima Revisão, a classificação propriamente dita 
nos níveis de três e quatro caracteres, a classificação da morfologia de neoplasias, listas especiais de tabulação 
para mortalidade e para morbidade, as definições e os regulamentos da nomenclatura); Manual de Instruções 
(apresenta as notas sobre a certificação médica e sobre a classificação com maior quantidade de informações 
e de material de instrução e orientações sobre o uso do volume 1, as tabulações e o planejamento para o uso 
da CID); Índice Alfabético (apresenta o índice propriamente dito com uma introdução e maior quantidade de 
instruções sobre seu uso). 
Sistema de Registro de Medicamentos (SIAMED) 
Desenvolvido pela OPS/OMS, tem como objetivo automatizar o registro de medicamentos a cargo da 
instância federal responsável pela regulamentação da sua produção, comercialização e distribuição. Encontra-
se implantado em vários países, respeitadas as características nacionais próprias de cada um. Nesse momento, 
por necessidade estabelecida pela própria Secretaria de Estado da Saúde, através de seu Centro de Vigilância 
Sanitária, está sendo testado e adaptado para implantação no Estado de São Paulo. O SIAMED/SP permite o 
cadastramento das indústrias farmacêuticas e o registro de todas as inspeções realizadas em cada indústria 
cadastrada. Gera informações cadastrais das empresas, relatórios das inspeções realizadas e outros relatórios 
segundo área de abrangência e/ou atividade, linha de produção, validade da autorização de funcionamento, 
relação total de empresas cadastradas, dentre outras.

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