A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
5 pág.
RESUMO: CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

Pré-visualização | Página 1 de 2

Aula 28 a 30 (09/07) 
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 
 
I. CONCEITO 
 É a verificação da compatibilidade das leis e atos normativos com a CF 
 Baseia-se nas seguintes premissas: 
 É necessário que haja a supremacia da CF (formal ou hierárquica entre a CF e as 
demais leis) 
 Rigidez constitucional 
 
OBS.: não confundir com controle de convencionalidade. Este é a verificação da 
compatibilidade das leis e atos normativos com os tratados supralegais, ex.: Pacto de São 
José da Costa Rica. 
 
 Se uma lei for incompatível com a CF, ela será inconstitucional. Nesse sentido, tem-se 
as seguintes espécies de inconstitucionalidade: 
 
a) Inconstitucionalidade material: o conteúdo da lei fere a CF 
 
b) Inconstitucionalidade formal: o problema não está no conteúdo, mas sim no 
procedimento legislativo. Subdivide-se em 3: 
 Inconstitucionalidade formal orgânica: diz respeito à incompetência para elaborar o ato. 
Ex.: município que elabora lei penal. 
 Inconstitucionalidade formal propriamente dita: trata do desrespeito ao processo 
legislativo. 
 Inconstitucionalidade formal por descumprimento de pressuposto objetivo do ato: ex.: 
medida provisória sem relevância ou urgência. 
 
 
II. ESPÉCIES DE CONTROLE 
 
1. Quanto ao momento em que acontece 
[ [ 
1.1. Controle preventivo: é aquele que ocorre antes do nascimento da lei. Impede o 
nascimento de uma lei inconstitucional. Poderá ser das seguintes espécies: 
[ 
a) Controle preventivo feito pelo Poder Legislativo através das CCJs (são as 
comissões internas formadas por parlamentares; tem a função principal de verificar a 
constitucionalidade dos projetos de lei); 
[ 
b) Controle preventivo feito pelo Poder Executivo através do veto jurídico: aprovado 
o projeto de lei, ele será encaminhado ao Executivo para sanção/veto. Assim, poderá 
vetar se o projeto for contrário ao interesse público (veto político) ou se for 
inconstitucional (veto jurídico); 
[[ 
c) Controle preventivo feito pelo Poder Judiciário: só pode ser feito quando um 
parlamentar impetra MS para obstar prosseguimento de um projeto de lei 
inconstitucional. Nesse caso só é possível apreciar a inconstitucionalidade formal. 
 
1.2. Controle repressivo: é aquele que ocorre depois do nascimento da lei ou do ato 
normativo. 
 Em regra, o controle repressivo no Brasil é feito pelo Poder Judiciário. Exceção: controle 
repressivo feito pelo Poder Legislativo. Hipóteses: 
 Congresso Nacional pode rejeitar uma MP que considere inconstitucional; 
 Quando o Congresso Nacional suspende decreto presidencial que extrapola os 
limites de suas funções regulamentares; 
[ 
1.3. Controle repressivo realizado pelo Poder Judiciário: são 2 as modalidades: 
 
a) Controle difuso: surgiu nos EUA no ano de 1803 em decisão da Suprema Corte (caso 
Marbury vs. Madison), na qual o juiz John Marshall declarou uma lei inconstitucional 
pela 1ª vez na história. No Brasil, surgiu na CF de 1891 (2ª constituição brasileira). 
 Qualquer juiz ou Tribunal pode declarar uma lei inconstitucional, desde que haja um 
caso concreto e que a inconstitucionalidade seja matéria incidental (ou seja, a 
inconstitucionalidade não é a matéria principal do processo) 
 Os tribunais somente podem declarar uma lei inconstitucional pela maioria absoluta de 
seus membros ou dos membros do Órgão Especial, trata-se da chamada cláusula de 
reserva de plenário (art. 97, CF) 
 Efeitos: é inter partes. A CF prevê um mecanismo de conversão do efeito inter partes 
para erga omnes (é a remessa dos autos do STF para o Senado que, se quiser, poderá 
suspender a execução da lei no todo ou em parte art. 52, X, CF decisão discricionária 
do Senado). 
 
b) Controle concentrado: surgiu na Áustria. Também é chamado de controle por via de 
ação, já que é feito através de 5 ações constitucionais. São elas: 
 Ação direta de inconstitucionalidade genérica (ADI genérica) art. 102, I, a, CF 
 Ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO) art. 103, §2º, CF 
 Ação direta de inconstitucionalidade interventiva (ADI intervenção federal) art. 34 a 36, 
CF 
 Ação declaratória de constitucionalidade (ADC) art. 102, I, a, CF 
 Arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) art. 102, §1º, CF 
 
III. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE GENÉRICA (ADI) 
 Art. 102, I, a, CF 
[ 
1. COMPETÊNCIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Contra lei municipal que contraria a CF não cabe ADI, mas cabe o controle difuso e 
também cabe ADPF. 
 
2. LEGITIMADOS: são as 9 pessoas do art. 103, CF: 
 Presidente da República 
 Mesa do Senado Federal 
 Mesa da Câmara dos Deputados 
 Mesa da Assembleia Legislativa 
 Governador dos estados e do DF 
 PGR 
 Conselho Federal da OAB 
 Partido político com representação no Congresso Nacional 
 Confederação sindical ou entidade de classe nacional 
 
Os legitimados podem ser divididos em 2 grupos: 
 Legitimados universais: são aqueles que podem ajuizar ADI sobre qualquer assunto. 
 Legitimados interessados: são os que precisam provar interesse especial no objeto da 
ação. É o que a doutrina e a jurisprudência chamam de pertinência temática. São 3: 
 Governador: deverá provar o interesse do seu Estado 
 Assembleia Legislativa: deverá provar o interesse do seu Estado 
 Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional 
 
3. OBJETO 
 EC pode ser objeto de ADI? Sim, pois poderá ser inconstitucional se violar o processo 
legislativo ou ferir cláusula pétrea. 
 Norma constitucional originária (artigo ou texto que nasceu com a CF) pode ser objeto 
de ADI? Não, pois seria incoerente. 
 Medida provisória pode ser objeto de ADI? Sim, é possível a inconstitucionalidade tanto 
material quanto formal. 
 Lei anterior à CF pode ser objeto de ADI? Não, a lei incompatível apenas não será 
recepcionada. 
 
4. PROCEDIMENTO 
 Previsto na Lei n. 9.868/99 
 Se a PI for indeferida, cabe agravo para o próprio tribunal 
 Não admite desistência nem intervenção de terceiros 
 Admite-se a participação do amicus curiae (órgãos ou entidades podem requerer sua 
participação) 
Lei... ...que fere a... ...é de competência do... 
Federal CF STF 
Estadual CF STF 
Estadual Constituição estadual TJ 
Municipal Constituição estadual TJ 
Municipal CF Não cabe ADI 
 Participam da ADI: 
 O AGU: tem a função de defender a constitucionalidade da lei 
 O PGR: agirá como fiscal da lei, podendo opinar pela (in)constitucionalidade 
 Decisão: para votar uma ADI, precisam estar presentes pelo menos 8 ministros do STF. 
 A ADI tem caráter duplo ou ambivalente, isto é, o STF poderá declarar a lei 
constitucional ou inconstitucional 
 
5. EFEITOS 
 Erga omnes: contra todos 
 Vinculante: vincula os demais órgãos do Poder Judiciário e toda a Administração Pública 
 Ex tunc (em regra): é o chamado efeito retroativo. 
 Exceção: por 2/3 dos seus membros, o STF pode modular os efeitos. 
 
IV. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO (ADO) 
 Caberá em caso de inconstitucionalidade por omissão normativa (ausência total ou 
parcial de regulamentação de uma norma constitucional de eficácia limitada) 
 O STF é competente para julgar ADO, mas é possível previsão na Constituição Estadual 
de ADO a ser julgada pelo TJ 
 Legitimados (art. 103, CF): são os mesmos da ADI 
 Procedimento (Lei n. 9.868/99): 
 Admite-se amicus curiae 
 Não se admite desistência nem intervenção de terceiros 
 O PGR participa 
 Em regra, o AGU não participa (exceção: em caso de inconstitucionalidade por 
omissão parcial) 
 Efeitos: julgada procedente a ADO, o Judiciário comunicará o Legislativo. Se a omissão 
for do Executivo, manda fazer o ato em 30 dias. 
 De acordo com o STF, julgada procedente a ADO, o Judiciário fixará prazo para o 
Legislativo legislar e, se não for cumprido, o próprio Judiciário criará as regras (ex.: 
ADO n. 26 ADO da Homofobia) 
 
V. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE INTERVENTIVA 
 Arts. 34 a 36, CF 
 Finalidades: 
 Declarar inconstitucional um ato ou uma omissão 
 Decretar a intervenção (retirada