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Direito Penal

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Direito Penal 
→ Dos Crimes Contra a Administração 
Pública 
Esses crimes contra a Adm Pública começam 
no Artigo 312 do CP. 
Antes de começar de fato, é necessário 
entender algumas denominações: 
1. Crime Funcional: 
É o crime praticado por funcionário público 
contra a Administração Pública. 
Existem os crimes funcionais próprios e os 
crimes funcionais impróprios. 
2. Crime Funcional Próprio: 
É a conduta proibida que só se configura 
enquanto crime, quando for praticada no 
âmbito da Adm Pública, se tirar o caráter da 
Adm Pública e trazer para o âmbito comum, 
deixa de ser uma conduta proibida. Cabe a 
desclassificação do delito. 
3. Crime Funcional Impróprio: 
É a conduta proibida tanto no âmbito da Adm 
Pública, quanto fora do âmbito da Adm 
Pública. 
4. Comunicabilidade das circunstâncias 
judiciais: 
Obs: Artigo 30 do CP. 
A elementar do crime é quando tira a figura 
típica, ele não será mais o mesmo crime. 
Sempre que as circunstâncias ou caráter 
pessoal for das circunstâncias desse tipo, vai 
se comunicar autores e partícipes. Nesse 
caso, todos que vierem a cooperar/auxiliar o 
funcionário público a praticar o crime, 
responderam pelo mesmo crime, desde que 
saibam dessa condição do funcionário 
público. Sendo assim, eles respondem p-elo 
mesmo crime, comunicam-se entre os 
coautores e participes, desde que saibam 
dessa condição. Se eles não souberem, eles 
responderam pelo crime a parte e não o 
mesmo do funcionário público. 
5. Princípio da Insignificância: 
Não se aplica o princípio da insignificância nos 
crimes contra a Administração Pública, pois 
nesses crimes não é o patrimônio que está 
sendo protegido, e sim a moralidade da 
Administração Pública. 
Pois, o que é analisado é a conduta do 
funcionário público com o objetivo de lesar a 
moralidade da Adm Pública. 
→ Sumúla 599 STJ 
 
→ Conceito de funcionário público para 
fins penais: 
1. Quem, embora transitoriamente ou sem 
remuneração, exerce cargo, emprego ou 
função pública. 
2. Funcionário Público por equiparação. (327, 
parágrafo 1º do CP). 
3. Autarquias (INSS) 
4. Sociedades de economia mista (Banco do 
Brasil) 
5. Empresas Públicas (Correios) 
6. Fundações Instituídas pelo Poder Público 
(FUNAI) 
7. Causa de aumento de pena 
Sendo assim, funcionário público para fins 
penais não se restringe a apenas a aquele que 
fez concurso público. 
 
→ Peculato 
Art. 312 – Apropriar-se o funcionário público 
de dinheiro, valor ou qualquer outro bem 
móvel, público ou particular, de que tem a 
posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em 
proveito próprio ou alheio: 
Pena – reclusão, de dois a doze anos, e multa. 
Bem Jurídico Protegido: é a moralidade da 
Adm Pública. 
Sujeitos: O sujeito ativo é crime próprio, é ser 
funcionário público, e o sujeito passivo é a 
Adm Pública ou aquele que teve seu 
patrimônio violado. 
Obs: Decreto – Lei 201/67 – Quando o 
peculato é praticado por prefeitos, aplica-
se esse decreto e não o artigo do CP. 
Obs: Existe o peculato doloso e o peculato 
culposo, o que vamos trabalhar agora é o 
peculato doloso, que inclui o peculato-
furto, o peculato apropriação e o peculato-
desvio. 
Tipo Objetivo: 
a) Peculato-apropriação: é uma 
apropriação indébita praticada por funcionário 
público, ou seja, tem uma qualificação do 
sujeito ativo. É necessário que o funcionário 
público tenha a posse da coisa em razão do 
seu cargo. Ou seja, é necessário que a 
posse venha a se dar em razão do cargo. 
b) Posse lícita: A posse inicial deve ser 
lícita em razão do cargo, ou seja, ele deve 
ter as coisas na sua mão de forma lícita, a 
Adm Pública entrega a coisa nas suas mãos. 
E é depois que ele passa a agir como se fosse 
dono da coisa. Sendo assim, primeiro ele tem 
uma posse funcional e depois ele começa a 
exercer um domínio sobre a coisa pessoal. A 
posse tem que ser lícita porque se não for 
ilícita não será o crime de peculato. Ex: se ele 
se utilizar de fraude, não se caracteriza mais 
como crime de peculato, será enquadrado em 
outro crime. Não deve ser utilizado 
violência, fraude ou engano! Deve ser 
entregue de forma livre ao funcionário 
público em razão do seu cargo e de forma 
livre. 
Sendo assim, os requisitos para o peculato-
apropriação são: posse em razão do cargo e 
posse lícita. 
Obs: Peculato-malversação: é quando o 
funcionário público pega coisa do 
particular que está sob proteção da 
Administração Pública para utilizar como 
se fosse dono. A utilização da coisa como 
se dele fosse. É uma forma de peculato-
apropriação que é chamado de peculato-
malversação. 
Obs: o bem imóvel não é objeto do 
peculato. Apenas os bens móveis, dinheiro 
ou valor. 
Obs: Peculato-Desvio: é a conduta 
praticada pelo agente que tem o poder de 
destinar a coisa, o dinheiro ou valor. Ao 
invés de ele destinar para a Administração 
Pública, ele destina para ele ou para 
terceiro. Não confundir com o peculato-
apropriação, pois no peculato-apropriação 
o agente tem posse da coisa, e aqui nesse 
peculato ele tem a obrigação de 
destinação. 
No PECULATO-DESVIO o objeto material 
do crime, deve beneficiar o próprio 
funcionário público ou um terceiro. Se o 
desvio for em proveito da própria 
Administração, será outro crime, e não o 
de peculato. Será o crime descrito no 
Artigo 315 do CP (emprego irregular de 
verbas ou rendas públicas). Ex: se aquela 
verba especifica está destinada a 
Educação, não pode ser aplicada na 
cultura. Apenas na Educação, de acordo 
com a lei. Apenas em estado de 
necessidade é possível utilizar as verbas 
destinadas a uma coisa, em outra coisa, 
pois nesse caso é justificável, mas, caso 
seja injustificável, poderá o agente 
responder pelo crime do 315 do CP. 
Obs: Peculato-furto: Nesse caso, o tipo 
objetivo é SUBTRAIR. O Crime é subtrair 
ou concorrer para que outrem subtraia. Se 
caracteriza quando o funcionário público 
utilizando a facilidade do seu cargo, 
subtrai ou concorre dolosamente para que 
outrem subtraia. Se o funcionário não se 
utilizar pela facilidade proporcionada pelo 
seu cargo, não é peculato-furto. 
Objeto Material: 
O objeto material do peculato é restrito, recai 
sobre dinheiro. Ou seja, o objeto material do 
peculato é o dinheiro da Administração 
Pública, é o dinheiro público. Pode ser o 
dinheiro ou qualquer outro bem móvel. 
Lembrando que para o peculato deve ser a 
moeda corrente. 
→ Não se pune o peculato de uso. Se 
ficar demonstrado no caso concreto 
que o agente não queria a coisa para 
si, ou não tinha animus sobre a coisa. 
Se ele queria apenas usar e restituir, e 
for provado isso, não pratica crime. 
→ Pune a quitação de obrigação com a 
Administração Pública. 
Tipo Subjetivo: O crime é doloso. 
Consumação: 
No peculato-apropriação o crime será 
caracterizado quando ele passa a agir como 
se dono fosse, e acontece quando o agente 
nega devolver a coisa ou algo semelhante a 
recusa. Ela nega restituição ou dispôs da 
coisa. 
No peculato-desvio o crime se caracteriza 
quando o dinheiro é desviado para ele ou para 
terceiro. 
No peculato-furto, o crime está caracterizado 
quando o agente furta a coisa. 
 
→ Peculato Culposo 
Art. 312, parágrafos 2º e 3º do CP: 
Parágrafo 2º. Se o funcionário concorre 
culposamente para o crime de outrem: 
Pena – detenção, de três meses a um ano. 
Parágrafo 3º. No caso do parágrafo anterior, a 
reparação do ano, se processe a sentença 
irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é 
posterior, reduz de metade a pena imposta. 
O peculato culposo é o único crime na 
modalidade culposa que é praticado pelo 
funcionário público contra a Administração 
Pública, todos os outros são dolosos. Se ele 
concorrer dolosamente para outrem, é 
crime DOLOSO, mas se ele concorrer 
culposamente, é crime CULPOSO. 
Existem alguns requisitos par que se 
caracterize crime culposo: 
a) Violação de