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NEGÓCIO JURÍDICO

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com o objetivo de enganar terceiros ou fraudar a lei.
- Ex.: 
1) ocultação do verdadeiro preço da coisa no contrato de compra e venda, antedata de documento, sonegação de imposto.
2) não posso doar para meu amante; mas posso simular uma compra e venda na qual ele não paga nada.
3) vender apartamento com preço mais baixo para pagar menos imposto.
B) Características da simulação:
- É NJ bilateral: acordo entre 2 partes para lesar terceiro ou fraudar a lei.
- É sempre acordada com a outra parte, ou com as pessoas a quem ela se destina. Diferente do dolo. No dolo, a vítima participa da avença. Na simulação, a vítima lhe é estranha. É chamada de vício social porque objetiva iludir terceiros ou violar a lei.
- É uma declaração deliberadamente desconforme com a intenção: as partes maliciosamente disfarçam seu pensamento.
- É realizada com o intuito de enganar terceiros ou fraudar a lei.
C) Espécies de Simulação:
a) Absoluta: as partes não realizam nenhum negócio, apenas fingem, para criar uma aparência, uma ilusão externa. É absoluta porque a declaração de vontade se designa a não produzir resultado, ou seja, deveria ela produzir um resultado, mas o agente não pretende resultado algum.
- Ex.: a falsa confissão de dívida perante amigo, com concessão de garantia real, para esquivar-se da execução de credores quirografários.
b) Relativa (dissimulação): as partes pretendem realizar determinado negócio, prejudicial a terceiro ou em fraude à lei. Para escondê-lo, ou dar-lhe aparência diversa, realizam outro negócio. São 2 negócios: um é simulado, aparente, destinado a enganar; o outro é o dissimulado, oculto, mas verdadeiramente desejado. O NJ aparente, simulado, serve apenas para ocultar a efetiva intenção dos contratantes, ou seja, o negócio real.
- Ex.: as partes, para pagar imposto menor, passam a escritura por preço inferior ao real (art.167, §1º, inciso II).
- Ex.: homem casado, para contornar a proibição legal de fazer doação à amante, simula a venda a um 3º, que transferirá o bem àquela (art.167, §1º, inciso I). Esse NJ é chamado de “NJ por interposição de pessoa”, o “testa-de-ferro”.
OBS.: O que pode ser válido é o dissimulado, se for válido na substância e na forma. O simulado é sempre NULO (art.167). A 2ª parte do dispositivo se refere à simulação relativa (dissimulação). A 1ª parte se refere à simulação absoluta.