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Obras uel

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RESUMO E QUESTÕES DAS OBRAS 
DA UEL 
POR: @DIIPLOMED 
 
CONTOS NOVOS 
MARIO DE ANDRADE 
Sobre o autor: Mário de Andrade (1893-1945) iniciou sua carreira no auge da implantação do 
Modernismo no Brasil. Ao lado de Oswald de Andrade (que não era seu parente) e outros artistas, 
colaborou decisivamente para a revolução modernista e para a realização da Semana de Arte Moderna, em 
1922. E, como tal, fez diversas experiências estilísticas tanto na prosa quanto na poesia, com destaque 
para Macunaíma – o herói sem nenhum caráter (1928) e Amar, verbo intransitivo (1927), destacando-se 
como um dos mentores da renovação literária com vocabulário, estrutura e olhar voltado à cultura 
brasileira. No caso de Contos novos, abandona o experimentalismo mais radical, em prol de uma narrativa 
modernista segura e madura, por assim dizer. As histórias, que se passam em São Paulo, tanto na capital 
quanto no interior, têm como objetivo retratar o processo de urbanização e industrialização, o duelo entre 
patriarcalismo e progressismo, além de denunciar as injustiças sociais e fazer análise psicológica dos 
personagens. 
Escola literária: modernismo – 1 ° geração. O Modernismo surgiu como produto das transformações 
sofridas pelo Brasil nas duas primeiras décadas do século 20, iniciando com a Semana de Arte Moderna de 
1922, que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo e tinha como objetivo causar incomodo e chocar os 
expectadores. O Modernismo divide-se em 3 momentos, sendo que a obra e o autor estudados pertencem 
à 1° Geração Modernista 
Sobre a obra: Contos Novos foi publicado postumamente, em 1947. A morte prematura impediu o 
autor de finalizar o projeto do livro, que compreenderia doze contos. Com isso, apenas nove foram 
efetivamente escritos. Segundo indicações do próprio Andrade, ele iniciou a redação ainda na década de 
1920, tendo-a revisado em diversas ocasiões, como é o caso, por exemplo, de Atrás da Catedral de Ruão, 
iniciado em 1927, que passou por, ao menos, cinco revisões até a sua finalização, em julho de 1944. Dos 
nove contos, quatro são narrados em 1ª pessoa pelo personagem Juca. São eles, na ordem em que 
aparecem: Vestida de Preto, Peru de Natal, Frederico Paciência e Tempo da Camisolinha. São narrativas de 
períodos distintos da vida do narrador, desde a infância, passando pela adolescência, até a fase adulta. 
Nesse sentido, a ordem dos contos é exatamente ao contrário, isto é, Tempo da Camisolinha seria o 
primeiro, Frederico Paciência o segundo; Peru de Natal o terceiro; e, finalmente, Vestida de Preto, o conto 
que compreende os três grandes momentos da vida do narrador (infância, adolescência e vida adulta). No 
 
 
entanto, em Tempo da Camisolinha, o narrador é Carlos, embora tudo indique tratar-se mesmo de Juca, 
ainda mais se consideramos a descrição dos cabelos cacheados logo no início do conto, referência idêntica 
à descrição feita do personagem nos outros contos. O objetivo 27 de todos parece ser a de tentar entender 
quem foi, que aspectos da vida levaram o narrador a ser o que é, bem como, já na quase velhice, tentar 
compreender as atitudes que tomou nos momentos específicos de sua vida. Também, pode-se dizer, que 
são contos em que o peso do lirismo é mais acentuado, em que recompor uma imagem perdida é mais 
importante que a análise social. Além disso, os contos em 1ª pessoa apresentam caráter autobiográfico. 
No período, influenciado pelas doutrinas psicanalíticas de Freud, o autor deixa-se levar por certo complexo 
edipiano, de maneira a exaltar a figura da mãe-mártir perfeita e abominar a formação patriarcal da família. 
Ainda é lembrada (Frederico Paciência) certa tendência ao homossexualismo. Por trás da análise 
psicológica, o escritor mostra a vivência urbana, retirando seus personagens das camadas médias da 
sociedade paulistana. Já os cinco contos restantes são narrados em 3a pessoa – com narrador observador e 
também narrador onisciente (“O Ladrão”, “Primeiro de Maio”, “O Poço”, “Atrás da Catedral de Ruão” e 
“Nélson”). Os três primeiros apresentam um componente social, de inspiração neorrealista, ao passo que 
os dois últimos têm como ponto central questões de ordem existencial. 
Enredo dos contos 
1. "VESTIDA DE PRETO": Juca, em flashback, recupera as primeiras experiências amorosas com sua 
prima Maria, bruscamente interrompidas por uma Tia Velha. A repressão associa-se à rejeição da prima, 
que o esnoba na adolescência. A prima se casa, descasa, e o convida para visitá-la. "Fantasticamente 
mulher", sua aparição deixa Juca assustado. 
 2."O LADRÃO": Numa madrugada paulistana, um bairro operário é acordado por gritos de pega-ladrão. 
Num primeiro momento, marcado pela agitação, os moradores reagem com atitudes que vão do medo ao 
pânico e à histeria, anulados pela solidariedade com que se unem na perseguição ao ladrão. Num segundo 
momento, caracterizado pela serenidade e enleio poético, um pequeno grupo de moradores experimenta 
momentos de êxtase existencial. Os comportamentos se sucedem, numa linha que vai do instinto gregário 
ao esvaziamento trazido pela rotina. 
3. "PRIMEIRO DE MAIO": Conflito de um jovem operário, identificado como "chapinha 35", com o 
momento histórico do Estado Novo. 35 vê passar o Dia do Trabalho, experimentando reflexões e emoções 
que vão da felicidade matinal à amargura e desencanto vespertinos. Mesmo assim, acalenta a esperança 
de que, no futuro, haja liberdade democrática para que "sua" data seja comemorada sem repressão. 
4. "ATRÁS DA CATEDRAL DE RUÃO: Relato dos obsessivos anseios sexuais de uma professora de 
francês, quarentona invicta, que procura hipocritamente dissimular seus impulsos carnais. Aplicação 
ficcional da psicanálise: decifração freudiana. 
5. "O POÇO": Joaquim Prestes, fazendeiro dividido entre o autoritarismo e o progressismo, é desafiado 
por um grupo de peões que se insubordinam, desrespeitando o mandonismo absurdo do patrão. 
 6. "PERU DE NATAL": Juca exorciza a figura do pai, "o puro-sangue dos desmancha-prazeres", 
proporcionando à família o que o velho, "acolchoado no medíocre", sempre negara. 
7. "FREDERICO PACIÊNCIA": Dois adolescentes envolvidos por uma amizade dúbia, de conotação 
homossexual, procuram encontrar justificativas para esse controvertido vínculo e se rebelam contra as 
convenções impostas pela sociedade. 
 
 
 8. "NÉLSON": Registro do comportamento insólito de um homem sem nome. Num bar, um grupo de 
rapazes exercita seu "voyeurismo" pela curiosidade despertada pelo estranho sujeito: quatro relatos se 
acumulam, na tentativa de decifrar a identidade e a história de vida de uma pessoa que vive ilhada da 
sociedade, ruminando sua misantropia. 
9. "TEMPO DE CAMISOLINHA": Juca, posicionando-se novamente como personagem narrador, evoca 
reminiscências da infância, especialmente do trauma que lhe causou o corte de seus longos cabelos 
cacheados. Reconcilia-se com a vida ao presentear um operário português com três estrelas-do-mar. 
Personagens 
 Juca: presente em vários contos na condição de narrador, parece funcionar como alter ego do autor. 
 35: o protagonista sem nome de “Primeiro de maio”, símbolo da festa e da solidariedade que se opõem 
ao estado repressivo. 
 Frederico Paciência: personagem do conto homônimo, síntese das tentativas de vencer as barreiras 
impostas pelo superego. 
 Nelson: personagem do conto homônimo, fiuração da solidão. 
 Mademoiselle: personagem de “Atrás da Catedral de Ruão”, figuração do desejo sexual reprimido. 
Trabalhadores: presentes em “O poço”, “Tempo da camisolinha” e “Primeiro de maio”, evidenciam a 
perspectiva social da literatura modernista. 
QUESTOES 
1) (UEL) Sobre Contos Novos, de Mário de Andrade, é correto afirmar que esse livro: 
a) representa obra da fase madura do autor, desligando-se dos ideais estéticos modernistas de 22 e 
retomando atitudes românticas. 
 b) representa uma evolução da prosa de ficção realista e crítica, assemelhando-se ao