Prévia do material em texto
Clínica de Pequenos Animais 2 Camilla Teotonio Pereira INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA Insuficiência cardíaca é o estado patofisiológico no qual o coração é incapaz de bombear sangue de forma a atender as necessidades metabólicas do organismo, ou faz isso sob altas pressões de enchimento. É originada por anomalias da pré, pós carga e contratilidade. Insuficiência cardíaca seca: DC muito baixo que causa hipotensão. Sintomas sincope, fraqueza. FORMAS DE IC Forma aguda: infarto é raro na veterinária. CAUSAS MECANISMOS COMPENSATÓRIOS CURTO PRAZO 1. Mecanismo de Frank-Starling A energia de contração é proporcional ao comprimento inicial da fibra cardíaca. O aumento da pré carga (volume), que leva ao aumento da pressão diastólica final, provoca melhora da performance ventricular. Imagine que o ventrículo vai se enchendo, fazendo com que os músculos cardíacos se estirem e queiram voltar ao seu estado de repouso. Com isso, quanto mais cheio o ventrículo, maior é a disposição muscular de voltar a esse estado, aumentando a intensidade da força de contração. O enchimento do ventrículo é o gatilho para todo o processo de aumento da força de contração cardíaca. Primeiro, por causa da tensão passiva do músculo cardíaco, depois, pela maior entrada de cálcio nas células musculares devido ao aumento da sensibilidade ao íon Ca++. Por fim, ainda eleva a possibilidade de interações entre actina e miosina no espaço interfibrilar, reduzido pelo estiramento. Com isso, o coração não precisa de um controle nervoso nem hormonal constante para bombear o sangue. Todo esse processo fisiológico do mecanismo de Frank-Starling resulta na ampliação do volume sistólico em resposta ao aumento do volume diastólico final. ECO aumento da contratilidade. 2. Sistema nervoso simpático Os barorreceptores presentes na carótida e seio aórtico são receptores de pressão. Em caso de baixa pressão arterial devido à má perfusão, baixo debito cardíaco, os barorreceptores manda informação para centro cardio vascular localizado no encéfalo pelos nervosos aferentes (glossofaríngeo e vago). A resposta do centro cardio vascular é aumentar o SNS que tem como função de aumentar retenção de liquido pela aldosterona e vasoconstrição periférica. 3. Sistema renina angiotensina aldosterona (SRAA) Quando o DC e pressão arterial estão reduzidos ocorre ativação do SRAA para restabelecer a perfusão. LONGO PRAZO 1. Remodelamento ventricular Resposta a sobrecarga crônica MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DISPNÉIA Aspecto da efusão pleural. cão gato ASCITE EDEMA PERIFÉRICO Somente quando animal apresenta primeiro ascite e depois edema periférico. Se o edema for primeiro a causa não deve ser por problemas cardíacos. CLASSIFICAÇÃO 1. Classe I Paciente assintomático. 2. Classe II Insuficiência cardíaca de discreta a moderada (sintomático). Presença de sinais clínicos de insuficiência cardíaca, em repouso ou exercício de intensidade leve. 3. Classe III Insuficiência cardíaca avançada. Sinais clínicos muito evidentes de insuficiência cardíaca. TRATAMENTO Maioria das cardiomiopatias não tem cura e o TTM é sintomático. DIURÉTICOS Tratamento do edema pulmonar cardiogênico é a remoção do líquido em excesso que se encontra no interstício e/ou nos alvéolos pulmonares, como consequência de uma cardiopatia. A ativação neuro-hormonal pode ser uma consequência desagradável do uso crônico de diuréticos, porém pode ser minimizado com o uso de doses mais baixas ou em associação a inibidores da ECA. 1. Furosemida Fármaco de efeito rápido quando administrado por IV, com início de ação em 5 minutos e pico de ação em 30 minutos. Bem tolerado tanto para cães, quanto por gatos. Diuréticos de alça ascendente de Henle que inibe a bomba de Co transporte Na/K/Cl. Diversas vias de administração. Dose depende da manifestação clínica entre 1mg/kg EDA (dias alternados) a 4mg/Kg, TID. Em casos menos graves, deve-se iniciar com a menor dose e manter aquela com a qual o animal apresente mínimos sinais de ICC. A administração da furosemida em infusão contínua pode fornecer diurese melhor quando comparada à injeção em bolus, pois o débito urinário é maior e a perda de potássio de menor. Ela pode ser diluída na concentração de 5 a 10 mg/mℓ em glicose 5%, solução fisiológica, RL ou água estéril. Uma vez que a diurese tenha iniciado e a respiração melhore, a dosagem é reduzida para prevenir contração excessiva de volume e depleção de eletrólitos. Edema pulmonar: 2 a 8mg/Kg cada 1-2 horas. Nos gatos, a dose deve ser menor do que a preconizada para os cães, pois os felinos apresentam maior sensibilidade ao fármaco e, consequentemente, resposta terapêutica efetiva com menores doses de furosemida, porém com piores efeitos colaterais. Diurese excessiva associada à administração de inibidores da ECA pode induzir insuficiência renal funcional. Os diuréticos também devem ser utilizados com cuidado nos casos de sinais de baixo DC (fraqueza, síncope, pulso hipocinético, membranas mucosas hipocoradas) ou nos estados de baixo enchimento ventricular como tamponamento cardíaco. Diurético + inibidor da ECA: 1 a 2mg/Kg, BID. Eliminação: 65% urina / 35% fezes. Efeitos colaterais: letargia, desidratação, hipocalemia raramente hipotensão. Mensurar constante dosagem sérica de sódio, potássio, ureia e creatinina a cada 2 ou 3 meses com terapia prolongada. Torasemida (Torsemin) droga nova e mais potente que furosemida, porém é cara e uso quando tem resistência de furosemida. A continuidade do uso da furosemida ou da frequência de administração no tratamento do edema pulmonar cardiogênico depende da resposta clínica do paciente, ou seja, deve-se diminuir a dose e a frequência, conforme a melhora clínica do paciente e do padrão respiratório. 2. Hidroclorotiazida Diurético tiazidico de túbulo distal e em menor intensidade na alça de Henle que diminui a permeabilidade ao NaCl por ação no cotransportador e aumenta a secreção de potássio no ducto coletor. Dose 2 a 4mg/Kg, BID, VO. Utilização deve sempre ser associada com furosemida, pois a monoterapia apresenta potência diurética moderada. Efeitos colaterais semelhantes aos da furosemida, deve ter maior atenção quando ocorre a associação de ambos os fármacos. Eliminação hepática e principalmente renal. Pouca utilização da associação, porém quando necessária, fazemos em quadros refratários de ICCD e raramente no quadro de edema pulmonar. 3. Espironolactona Diurético de ducto coletor e antagonistas da aldosterona (poupadores de potássio) e de baixa potência diurética. Utilização deve ser associada com furosemida e eventualmente à hidroclorotiazida. Dose 2 a 4mg/Kg, SID. Indicação nos quadros de ICCD e usar em pacientes com hipocalemia de grau leve, a fim de evitar a progressão desse distúrbio eletrolítico. Efeito colateral: dermatite ulcerativa na região facial e hiperpotassemia. INIBIDORES DA ECA (IECAS) Não são verdadeiros vasodilatadores, eles são normodilatadores mistos (arteriolares e venosos) e inibem os efeitos deletérios na ativação crônica do SRAA (aumento da reabsorção de sódio – pré carga, fibrose miocárdica, apoptose dos miócitos e remodelamento cardíaco). Uso de IECAS na ICC melhora as manifestações clínicas e dos parâmetros hemodinâmicos, com reflexos + e significativos na qualidade de vida e aumento de sobrevida dos cardiopatas. Demora entre 2 a 3 semanas para efeito máximo. Efeitos colaterais: distúrbios gastroentéricos, hipotensão, hipercalcemia e azotemia (insuficiência renal) e não são frequentes. A associação de diuréticos e IECA é indicada os pacientes cardiopatas e em insuficiência cardíaca congestiva, isso porque o uso prolongadoda furosemida estimula o SRAA, portanto os efeitos hipotensor e de induzir a azotemia nesses pacientes é maior. Mensurar constante PAS e níveis séricos de ureia e creatinina. 1. Benazepril (Fortekor®, Lotensin®) Dose 0,25 a 0,5mg/Kg, VO, SID/BID. Eliminação hepática e renal. 2. Enalapril (Petpril®) Dose 0,25 a 0,5mg/Kg, VO, SID/BID. Eliminação renal. INOTRÓPICOS POSITIVOS (DIGITÁLICOS) 1. Digoxina Fraco inotrópico positivo, porém aumenta o tempo de condução de pulso elétrico pelo nó atrioventricular e reduz a FC. Estreita margem entre terapêutica e tóxica. Através da inibição da adenosina trifosfatase, alterando a bomba sódio/potássio, a digoxina causa um aumento na disponibilidade de cálcio no momento do acoplamento excitação-contração, aumentando a contratilidade do miocárdio. Efeitos hemodinâmicos Usos clínicos: principalmente fibrilação atrial (FA) Principal uso na cardiomiopatia dilatada associada a FA. Administração antes das refeições. Intoxicação digitálica: suspender o tratamento e recomeçar 48/72 horas depois com metade da dose. INODILATADORES Fármacos com propriedades vasodilatadoras associadas ao efeito inotrópico positivo. 1. Pimobendan (inodilatador) Inibidor da fosfodiesterase III (quebra AMPc): inotrópico + e dilatação arterial e venosa. Aumenta sensibilidade das proteínas contrateis ao cálcio, ou seja, aumento da contratilidade miocárdica e diminui a demanda miocárdica por O2. Propriedades inotrópicas e vasodilatadoras. Causa relaxamento da musculatura lisa vascular e consequente vasodilatação, diminuindo a resistência vascular sistêmica. Vetmedin® - Boehringer com dose 0,1 a 0,3mg/Kg, BID pelo menos uma hora antes da refeição. Indicação nos casos de miocardiopatias na forma dilatada nos cães e também na endocardiose valvar mitral canina com efeitos positivos quanto à qualidade de vida dos pacientes. Efeitos colaterais: distúrbios gastroentéricos, arritmias supraventriculares e ventriculares e são frequentes. DIETA A restrição de sódio na dieta dos animais cardiopatas é indicada somente nos quadros congestivos, ou seja, na classe funcional III e, eventualmente, nas fases mais avançadas da classe funcional II da insuficiência cardíaca congestiva. Um dos principais objetivos da dieta direcionada ao animal cardiopata, além da restrição de sódio, é fornecer níveis adequados de proteína e carboidratos com palatabilidade elevada, a fim de retardar ou evitar a perda de peso e a evolução para a caquexia cardíaca, quadro observado em estágios finais dos cardiopatas. Ácidos graxos especialmente, o ômega -3, originado do óleo de peixe, têm sido utilizados na prevenção da perda de peso e da caquexia, além de existirem evidências de efeito antiarrítmico em cães da raça Boxer com arritmias ventriculares. A perda do peso e a diminuição do escore corporal podem ser fatores de mau prognóstico. O prognóstico da insuficiência cardíaca congestiva depende da classe funcional em que o animal se encontre no momento do diagnóstico e também da cardiopatia de base. Doença avançada oferecer ração de filhote por ser mais calórica. DRENAGEM DE EFUSÃO PARACENTESE Drenagem do líquido ascítico e serve para diagnóstico e terapêutico. Introdução do cateter intravenoso de tamanho 16 ou 14 na região da linha branca abdominal (linha alba). A introdução deve ser realizada a uma distância aproximada de 2 dedos em direção cranial ou caudal, a partir da cicatriz umbilical. A quantidade de líquido que deve ser drenada é a quantidade suficiente para causar o alívio respiratório e restabelecer o apetite do animal, bem como aumentar ao máximo o intervalo entre as drenagens. O líquido ascítico contém grandes quantidades de proteínas. Após a paracentese, recomenda-se a prescrição de diuréticos para controlar ou evitar a recidiva da ascite. É frequente observar o emagrecimento rápido, progressivo e com perda da massa muscular, quando esses pacientes iniciam o quadro de ascite. Aspiração com seringa ou saída por gradiente de pressão. Não utilizar aspirador a vácuo, pois diminui a pressão na cavidade abdominal de forma abrupta e pode ocasionar a hipotensão abrupta. TORACOCENTESE Drenagem da efusão pleural. Punção realizada no 7°ou 8° EIC direito na região distal da face caudal da costela, guiada com US. SONDAS TORÁCICAS Em casos recorrentes de efusão pleural com duração de 1 semana. Realizada 2/3 de distância junção costocondral a musculatura toraco-lombar. Incisão no 10°EIC + sutura em bolsa de fumo e prende a extremidade da sonda na pinça hemostática e leva até o 7°EIC. Utilizar a torneira de três vias para evitar entrada de ar do meio interno para interno.