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HISTÓRIA DA MEDICINA Elany Portela 2 Elany Portela Sumário Pré-História ................................................................................................................................................................................................................................................................... 03 Mesopotâmia ......................................................................................................................................................................................................................................................... 04 China ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 05 Índia ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 09 Oriente Médio ............................................................................................................................................................................................................................................................... 11 Grécia e Roma ....................................................................................................................................................................................................................................................... 12 Idade Média ........................................................................................................................................................................................................................................................................ 14 Brasil ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 16 Medicina no Brasil ....................................................................................................................................................................................................................................... 17 Médicos no Brasil .......................................................................................................................................................................................................................................... 19 3 Elany Portela Pré-História Paleopatologia: Estudo de sinais de enfermidades encontrados em objetos arqueológicos Medicina instintiva Lambiam e sugavam os ferimentos (funcionava como um dreno) Ervas (tentativa, erro e acerto) Banho frio para aliviar a dor As doenças eram uma forma de controlar o comportamento do homem, logo os curandeiros eram sagrados, pois eram os servos de Deus, os únicos que decidiam entre a vida e a morte, e doença e a cura. Paleolítico Cultos curativos As doenças se resumiam a traumatismos e doenças genéticas. Há pinturas rupestres que retratam raquitismo, obesidade e exames em ossos que revelam reumatismo e tuberculose. Mesolítico Sangria e Trepanação A trepanação era uma abertura realizada no crânio que permitia a saída dos maus espíritos.. Foi o primeiro contato do meio interno do individuo com o meio externo. Neolítico Agricultura e habitação (menos exposição ao perigo) = Sedentarismo Surgimento das doenças infectológicas Redução das enfermidades Prática Médica Trepanação (craniotomia): era associado ao sagrado, a maioria sobrevivia a operação Religião, magia e medicina eram inseparáveis A causa das doenças eram associadas a deuses, espirítos e magias como uma maldição ou castigo. (VUDU nos dias atuais) A prática da medicina era por meio de curandeiros ou feiticeiros e as divindades tinham o poder de decidir entre a vida ou a morte e provocar ou curar doenças. Ocorria em cerimônias, encantamentos e feitiços com sucção, ventosas, sangria, lama e ervas Já existiam cirurgias como o alinhamento de fraturas, trepanação (com instrumentos de pedra) e torniquete (controle de hemorragias). O parto ficava a cargo das mulheres da tribo. 4 Elany Portela A medicina ainda é associada ao sagrado Sumérios Primeiro sistema de escrita Primeiras cidades e primeiras civilizações A doença nas civilizações mesopotâmicas eram castigo divino e pecado, era determinada por abandono dos gênios, ação direta dos deuses ou ação de demônios. A terapêutica surgia a partir da confissão dos pecados, o tratamento se baseava na purificação da alma e reconhecimento de todos os erros. A medicina começava por ser preventiva, pelo uso de amuletos apropriados, oferendas ou sacrifícios apaziguadores daquelas forças malignas Prática Médica Sacerdotes Deus Marduque Pazuzu: demônio das enfermidades Cirurgias eram usadas como tratamento de feridas, abscessos e fraturas. O coração era sede da inteligência e o fígado, a sede da vida (órgão principal da circulação, pois poaasuia grande quantidade de sangue). Hepatoscopia: exame do fígado de animais sacrificados. Tratamento do doente: 1. Intervenção específica de um šhipu ou ašhipu ou šipu (clérigo- exorcista); 2. Não havendo sucesso, o tratamento prosseguia com o asû (curador prático), que recorria a um conjunto de manipulações físicas, pequenos atos cirúrgicos e administração ou aplicação de prescrições medicamentosas variadas, resultantes da mistura de substâncias orgânicas e inorgânicas. 3. Em caso de insucesso, os doentes poderiam recorrer aos serviços de um bârû (sacerdote-adivinho) que, pelo exame das vísceras de um animal especialmente sacrificado para o caso, daria uma explicação final. Plantas e minerais: As prescrições mais comuns utilizavam cerca de 250 plantas com ação medicinal, 120 substâncias minerais e mais 180 outras drogas, sem contar com solventes e outros aditivos. Há relatos de drogas psicoativas como mandrágora, beladona e maconha, e 5 Elany Portela muitos alimentos e/ou medicamentos com o sabor deliberadamente ruim para afugentar os demônios. Banhos, compressas frias e quentes: As estações do ano também influenciavam nas doenças; para o verão, usava-se o frio; no inverno, água quente; os dias bons ou maus também teriam influência na evolução das doenças. O médico tinha importante papel social na antiga Babilônia: Existiam dois tipos de médicos: ashipu – aqueles que diagnosticavam os deuses ou demônios responsáveis pela doença, realizando simpatias e encantamentos – e asu – aquele que entendia de ervas e praticava cirurgias, cuidava das feridas. Código de Hamurabi Coleção de leis na Babilônia – Lei de Talião “olho por olho dente por dente” Recompensa ao médico em caso de cura Punição em caso de morte ou dano grave causado ao doente 6 Elany Portela A China é uma civilização na qual os conhecimentos tradicionais e clássicos desenvolvidos pelos ancestrais estão intimamente ligados aos equivalentes modernos. A medicina chinesa possui 8 métodos de tratamento: Fitoterapia; Acupuntura; Tuina (massagem e osteopatia chinesa); Dietoterapia; Auriculoterapia; Moxabustão; Ventosaterapia; Práticas físicas (exercícios integrados de respiração e circulação de energia). Segundo as lendas chinesas, são três os imperadores celestes que ajudaram os homens no inicio do império: 1. Fu Hsi fundou a civilização e deu aos homens a escrita,a música, a concepção de yin e yang e os oitos trigramas místicos. 2. Shen Nung (imperador vermelho) deu conhecimento sobre agricultura e pecuária, , Construiu o primeiro herbário médico com 365 fármacos.. 3. Huang Ti (imperador amarelo) deu ao homem a roda, o imã, o calendário, a astronomia, a arte de medição do pulso e o livro do Imperador Amarelo (compédio médico sobre prevenção e tratamento) que guiou a medicina chinesa por dois milênios. Também colaborou com acupuntura Dinastias Shang - A medicina se baseou em mitos e lendas. Foi empregado o uso de água e vinho quente como terapia e o uso de agulhas e facas de bronze como instrumentos cirúrgicos. Já se estudava por essa época a teoria dos cinco elementos, relacionando órgãos a cada elemento. Chou - Durante esse período se desenvolve um sistema médico organizado no qual funcionários da corte eram treinados em especialidades diversas (médicos clínicos, cirurgiões, nutrólogos e médicos-veterinários.) Os seus deveres eram bem definidos. Enquanto os médicos cuidavam da medicina interna, os cirurgiões atendiam as doenças externas. Surge grande médico Bian, lembrado pela sua habilidade em fazer diagnóstico, ele observava a língua do paciente, orelha, face, olhos, boca e garganta, fazendo anamnese e acreditava que as doenças surgiam por desequilíbrio de Yin e Yang. No final da dinastia havia sete diferentes estados e a teoria Yin e Yang se tornou mais desenvolvida assim como a teoria dos cincos elementos e a descrição das causas das doenças começou a ser redigida e ensinada. Quin - Marco infeliz para toda a tradição chinesa, vários livros são queimados e se 7 Elany Portela perde importantes informações sobre a China Antiga. Han . - Durante o período se destaca o médico Chuyu Yi, o primeiro a manter registros médicos dos doentes. Tang - O budismo encontra sua alta e em 624 é fundada a Academia Médica Imperial que formava médicos para servir imperador e sua corte. Yin e Yang Naturezas opostas e complementares que trazem o equilíbrio. Yang é o ativo, quente, positivo, masculino que nada no coração e nos pulmões. Yin é passivo, escuro, úmido, negativo e feminino que ressoa nas entranhas ocas. Elementos Terra, água, ar e madeira Correspondem com órgãos, estações do ano, emoções e sentimentos. A fisiologia na medicina tradicional chinesa foi construída num modelo semelhante à teoria dos 4 humores proposta por Hipócrates, exceto pelo fato de que há cinco humores, correspondendo aos cinco sabores, cinco qualidades, cinco órgãos sólidos, cinco estações, cinco emoções, cinco cores etc. Prática Médica Equilíbrio de energias: boa alimentação e respiração Vacinação contra a varíola aspirando a pústula seca pelas narinas Crianças retardadas eram tratadas com tireoide de carneiro e algas ricas em Iodo Métodos anestésicos Aberturas abdominais Estudo do pulso Foram os chineses os primeiros a estudar as causas e circunstâncias das mortes, inaugurando a medicina legal. O salário do médico era estipulado de acordo com o percentual de doenças que ele conseguia curar. Os métodos diagnósticos na medicina chinesa tradicional incluem a anamnese, o exame do pulso, observação da voz e das expressões corporais e, em algumas circunstâncias, o toque de uma determinada área afetada por algum sintoma. Em relação às mulheres, o exame físico não era visto como prática adequada; 8 Elany Portela então as mulheres levavam uma boneca de marfim ou cerâmica e apontavam na boneca a região onde havia dor ou desconforto. Categorias Médicas 1. Médico-chefe Coletava medicamentos Examinava outros médicos, e os nomeava 2. Dietólogos Receitavam 6 classes de alimentos e bebidas 3. Enfermidades simples 4. De úlceras (cirurgiões) 5. De animais (veterinários) Cirurgia na China Não era tão abundante o conhecimento anatômico na China e eram eficazes seus tratamentos preventivos, decorrente disso a cirurgia não alcançou na tradição chinesa grandes avanços e destaque. Dentre os cirurgiões se destaca Hua T’o, que inventou drogas anestésicas, hidroterapia e ginástica médica. Ele foi mestre em acupuntura e invejável diagnosticador. Segundo a lenda ele poderia curar enxaquecas com apenas uma agulha. O cirurgião aconselhou o imperador a realizar trepanação para cefaleias incuráveis. A cirurgia resultou em morte do imperador, sendo Hua T’o acusado de assassinato. Na prisão, que cumpriu antes de ser morto, se perderam seus escritos que continham receitas de anestésicos milagrosos e unguentos que curavam infecções. Sua técnica de castração se tornou lendária e utilizada por muitos anos na formação dos eunucos do imperador. Nas anestesias utilizava-se de vinho misturado a Cannabis sativa. Procedimentos mágicos e racionais: presságios eram sinais das doenças. A população dá preferência à tradicional medicina ayurveda, que é legalmente reco- nhecida na Índia, tanto por tradição como por ser mais econômica, embora também usem a medicina ocidental quando necessário. Há cursos oficiais, hospitais, clínicas, colégios e até uma Universidade voltados, unicamente, para a medicina ayurveda. O médico ayurveda pode ter seu consultório e goza de todas as regalias do médico ocidental. A medicina ayurveda difundiu-se universalmente como uma modalidade de medicina complementar. Os estudos sobre a história da medicina na Índia consideram três períodos cronológicos: 1. período védico ou dos vedas A doença pode resultar de castigo dos deuses por pecados e faltas cometidas O tratamento consistia em preces, recitação de orações apropriadas ao caso e procedimentos mágicos diversos aliados ao uso empírico de medicação à base de plantas. 2. período bramânico – Surgiram os primeiros livros sobre medicina. O pai da medicina indiana foi Atreya, autor do livro Atreya Samhita, no qual classifica as doenças em curáveis e incuráveis. 3. período mongol – A Índia foi dominada por mongois e em seguida por ingleses até conquistar sua autonomia. Profissão Médica Casta sacerdotal Código de Manu O médico examinava o escarro, urina, fezes e vômitos dos pacientes Estudo do pulso Inoculação de pústulas para varíola 500 fármacos e 700 plantas medicinais Tratamento de mordidas de serpente Cirurgias Cesariana Rinoplastia (precursores da cirúrgia plástica): cortar o nariiz era o castigo oficial do adultério e de outras trnsgressões. Os médicos corrigiam estéticamente essas punições. Amputação Criação de mais de 120 instrumentos cirúrgicos que são usados até hoje 9 Elany Portela 10 Elany Portela Foram responsáveis por grandes avanços na medicina, pois enquanto que na Europa o conhecimento da medicina ficou restrito aos religiosos, no califado era ela difundida. A medicina árabe se desenvolveu com vasto e consistente material teórico, traduziram obras de Aristóteles, Hipócrates e Galeno Foram responsáveis por um grande avanço na medicina pois não sofreram entraves do catolicismo como ocorreu na europa Fundaram hospitais semelhantes aos atuais (com separação em alas), para a escolha do local distriuiam carnes pela idade e no decorrer dos dias escolhiam o local onde houve menor degradação da carne. Havia grande controle com a higiene hospitalar. O atendimento era humanizado, se adotando terapias ocupacionais como música, dança e teatro. Fundaram também as escolas médicas e as bibliotecas Tinha o poder de ocasionar as enfermidades, que eram castigo pelos pecados. Ala era ajudado pela ação do médico. A dissecação de cadáveres era PROIBIDA – o que resultou em um certo atraso na medicina em especial na anatomia. Centros de ensinos ou hospitais Certificado de seus mestres Semelhança com o internato e residência médica do Brasil.Comportamento do paciente Observação das fezes e secreções corporais Os cientistas muçulmanos não se limitaram à "Medicina Profética", eles perceberam que as ciências da vida, incluindo a medicina, exigem uma investigação e observação contínuas e o conhecimento do que as outras nações possuem destas ciências, aplicando assim, a orientação do Islão, que incentiva os muçulmanos a adicionar tudo o que é útil e a procurar a sabedoria, onde e quando disponível. Os médicos cientistas muçulmanos se destacaram por serem os primeiros a conhecer e realizar a especialização. Eles estavam, por exemplo, classificados em oftalmologistas, conhecidos como “Al- Kahalyin”, cirurgiões, profissionais da hijama chamados “hajjamun” e ginecologistas, entre outros. 11 Elany Portela Caráter e localização da dor Os medicamentos a base de minerais marcaram o inicio da farmacologia Dominaram as técnicas de destilação, filtração, dissolução e calcinação Âmbar, almíscar, sândalo e cânfora Esponja com droga hipnótica sobre a boca e nariz Cirurgião árabe mais importante Livro o al-Tasrif: Cauterização,cistotomia, herniotomia e trepanação Amputações, cirurgia de fístulas, bócios e aneurismas Escreveu quase 100 livros Cânon of Medicine Base da ciência médica até o século XVII Foi o primeiro a descrever diversas doenças como a meningite e a ancilostomose. Descobriu os métodos de infecção de doenças contagiosas e ressaltou que essas doenças são transmitidas através de micro-organismos na água e no ar. Os médicos árabes se utilizaram do senso crítico É considerado o fundador da parasitologia As traduções do grego, entre outras línguas, foi um fator relevante no início de sua ascensão, no entanto, rapidamente assimilaram seu criticismo e corrigiram seus excessos. 12 Elany Portela Grécia Transição da medicina mágica para a científica Nos primórdios era impossível dissociar a medicina dos deuses, eles tinham o poder de causar e curar as doenças. Os mortais tinham que dedicar orações, preces e sacrificios. Asclépio A cobra representa o renascimento, e a mediação entre os mundos. O bastão é o símbolo da árvore da vida. Templo de Esculápio Deus da saúde Filho de uma mortal com o deus do sol Apolo Santuários religiosos e Balneários medicinais eram os locais de cura e tratamento. -> Precursores dos hospitais Placas votivas -> local onde eram escritos os relatos da doença até a sua cura, precursor dos prontuários. Teoria Humoral ou Doutrina dos Quatro Humores Sangue, muco (fleuma), bile amarela e negra. Funcionavam como balanceadores da saúde Saudável: Equílibrio entre os 4 humores Desequilíbrio: distu´rbio entre os fluídos. Hipócrates Pai da medicina Grande nome da Escola Hipocrática que lutou contra a visão templista que evocava o curandeirismo mágico. Também integrou os conceitos de diagnóstico, tratamento e prognóstico. Fez uma abordagem racional da medicina Código e conduta e ética para médicos Anamnese Inventou a medicina clínica: histórico clínico, encostava o ouvido no peito, palpação para verificar a temperatura, analisavam pulso e exame vaginal com espéculos. Correção de fraturas e deslocamentos de coluna Corpus Hippocraticum 13 Elany Portela O Corpus Hippocraticum reúne um conjunto de textos médicos de épocas e escolas distintas A medicina hipocrática conforme mostrada no Corpus caracteriza-se por três aspectos: 1. detalhada observação de sintomas, 2. abertura para discussão de ideias 3. disposição para explicar causas das doenças. Um dos maiores comentadores do livro foi o médico romano Galeno, herdeiro das teorias hipocráticas. Uma raridade do tratado foi a presença de descrição anatômica. Juramento Hipocrático Roma Inicialmente empírica e mágica Helenização da medicina romana Chegada dos médicos gregos que inicialmente eram criticados Escravo médico particular Escravos médicos municipais e do Estado Criação do primeiro hospital para civis em 394 As guerras serviram para aumento das práticas médicas e conhecimentos anatomicos Saúde Pública No século II d.C. foi criado um serviço público de saúde para atender aos cidadãos pobres que não tinham como pagar aos médicos. Os romanos se preocupavam com os lugares encharcados e pantanosos. aterrando estes lugares, ou misturando água salgada ao charco, para inibir o crescimento de mosquitos, já que tinham percebido uma forte associação entre áreas pantanosas e doenças. Galeno Decreveu nervos e a estrutura da medula espinhal com precisão O corpo não é mais instrumento da alma Cirurgião dos gladiadores – inúmeros instrumentos cirúrgicos – Preparação galênica Era apoiado pela igreja católica Descreveu o cérebro Toda lesão causa uma mudança na função (é válido até os dias de hoje) Comentou a obra de Hipócrates brilhantemente e também é lembrado por eternizar a obra de Herófilo. 14 Elany Portela Idade das trevas: abandono do pensamento racional Supremacia da Igreja Católica em relação a medicina pagã Único responsável pela cura era Deus, que também era responsável pelas doenças. A doença era associada ao pecado enquanto a cura era associada a fé. Havia um santo específico para cada orgão e cada moléstia Os padres e monges beneditinos exerciam o cargo de médicos Idade da fé Estagnação científica Cura por rações e intervenções divinas Obstáculo para o estudo da medicina Atividade médica Receitar preces e exorcismos Amuletos, óleos e imagens santas Hospitais cristãos Os hospitais surgiram como instituições cristãs Funcionavam como asilos de caridade para pobres, velhos e enfermos. Eram ligados a ordens religiosas As cirurgias ficavam a cargo dos barbeiros, pois já dominavam a navalha. e os monges foram proibidos de realizarem cirurgias, visto que cristãos não deveriam manusear sangue. Ensino médico Mosteiro como a Escola dos Beneditinos A religiosidade era dominante, porém usa- se conhecimentos galênicos e hipocráticos. Surgimento das universidades: ensino médico profissional com exame de aprovação A igreja opunha-se vigorosamente aos estudos anatômicos com ameaça de excomunhão. A dissecação dos cadáveres so foi aprovada com o Papa Sisto IV e só podia ser feita em corpos condenados pela igreja. Mondino dei Luizzi foi o primeiro a fazer dissecações com o apoio da igreja católica Escola de Salermo Prenúncio da laicização do estudo da medicina Inadequação dos mosteiros A salvação dos monges médicos deixa de ser verdadeira Cercamento – exodo rural – aumento de moléstias – onera os hospitais cristãos 15 Elany Portela As costruções hospitalares não eram adequadas Miseráveis mentiam para serem admitidos Necessidade de administradores (médicos) Dia do médico – Dia de São Lucas – 18 de outubro Diferentes profissionais da saúde Os médicos (físicos) eram aqueles que possuíam o saber médico greco-romano, dominavam o latim e o ensino universitário, passaram por processo de habilitação e exercia uma função mais técnica. O especieiro preparava medicamentos, possuíam formação técnica. Os boticários recebiam formação através de um mestre. Não podiam praticar atos médicos, eram destinados a fabricação e conservação de medicamentos. Havia outros profissionais como os auxiliares de flebotomias e sangrias. Peste Negra Provocou uma imensa devastação, deixando sequelas permanentes pela Europa: Transformou a relação entre as pessoas, Abalou a imagem de infalibilidade do clero Reforçou a fé pessoal Aumentou a popularidade dos cultos místicos. Colônia Chegada dos portugueses ao Brasil em 1500. Os portugueses eram tão avançados quanto os outrospaíses da Europa no início da Idade Moderna; A medicina dos nativos era mística, os pajés ou xamãs eram a entidade médica; Além de sua cultura e costumes os portugueses trouxeram diversas doenças que foram responsáveis por dizimar milhares de índios; Com o Concílio de Trento houve a ideia de catequizar os índios, com isso os Jesuítas vieram ao Brasil, e se tornaram também os médicos da colônia. Inicialmente a medicina indígena era demonizada, mas com as dificuldades de repor os medicamentos dos jesuítas, houve uma apropriação da medicina dos nativos, para entender mais sobre o uso de cada espécime usada pelo pajé. O período colonial caracterizou-se principalmente por doenças transmissíveis, vindas dos portugueses, escravos e estrangeiros. As principais doenças eram as DSTs, lepra (hanseníase), tuberculose, febre amarela, cólera, malária, varíola, leishmaniose além das decorrentes de desnutrição, acidentes com animais peçonhentos e das aglomerações urbanas e péssimas condições de trabalho. Não existia uma política de saúde, mas eram tomadas providências para minimizar problemas que afetavam a produção econômica e o comércio internacional Império Com a chegada da família real portuguesa em 1808, surgiu a necessidade de saneamento básico, urbanização e melhorias em infraestrutura. Percebeu-se a necessidade de médicos no Brasil, por isso, foram criadas duas universidades na BA e RJ A assistência médica era limitada as classes dominantes, aos demais restava apenas a medicina popular. Surgiram as primeiras Casas de Misericórdia República Predominância do café e da pecuária. A saúde era semelhante à do império, com predomínio de doenças pestilentas, saneamento precário, e ações de saúde visando a economia Campanhas sanitárias foram criadas para estimular o comercio internacional e a imigração – lideradas por Oswaldo Cruz. Criação do Instituto Soroterápico de Manguinhos (atual Instituto Oswaldo Cruz) Em 1904 houve uma imposição legal da vacina contra a varíola o que desencadeou uma revolta popular conhecida como a Revolta da Vacina 17 Elany Portela Medicina no Brasil Os africanos O número reduzido de médicos para a população do Brasil permitiu práticas médicas diferentes das portuguesas, como a africana,por exemplo. Os africanos praticavam as sangrias. Houve uma fusão dos conhecimentos populares com os saberes científicos. O processo de cura através de ervas foi uma das práticas que foram perseguidas, mas que permeia em nosso cotidiano configurando-se como uma forma de resistência. O cirurgião negro: Debret Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. “.Nas palavras de Debret, o “cirurgião negro [...]aplica a sua habilidade em se tornar respeitado pelos seus compatriotas, que o veneram como um sábio inspirado, pois ele sabe emprestar a suas receitas um fundo misterioso e, mediante tais sortilégios, disfarça o simples curativo[...]” Os indígenas Doença e morte equivaliam ao roubo de uma ou mais almas.. Por meio de rituais espirituiais os pajés buscavam a cura pela descoberta do espírito raptor. Os pajés sugavam a parte do corpo acometida pelo mal e tiravam da boca um objeto qualquer, como um espinho, anunciando-o como causador da doença, realizando, assim,uma materialização. Os portugueses Baseando-se na medicina europeia,os jesuítas foram os responsáveis por iniciar uma medicina hibrída. Alguns religiosos chegaram sabendo as práticas médicas, mas outros aprenderam no dia a dia da colônia. As funções que deveriam ser atribuídas a um físico, cirurgião, barbeiro ou boticário. Ao longo dos anos as boticas foram equipadas com todosos equipamentos necessários para a produção de medicamentos 18 Elany Portela Botica Real Militar Medicina popular No período colonial, formou-se uma pequena multidão de curandeiro, bezendeiros e rezadores, para subrir a ausência de profissionais habilitados. O Brasil, obrigatoriamente católico, era resguardado por santos, que faziam o intermédio entre os homens e Deus. Rezas e benzimentos eram parte integrante de qualquer tratamento Curandeirismo Equivalente a medicina popular •Benzimentos; •Orações; •Chás; •Simpatias; •Amuletos. Charlatanismo Prometer cura infalível para algo, sendo que esta não existe. É crime È uma mentira usando a fé do outro, em um momento de fraligidade. Médicos no Brasil Oswaldo Cruz Filho de médicos Ingressou em medicina aos 15 anos no Rio de Janeiro. Antes de concluir o curso já havia publicado 2 artigos sobre microbiologia na Revista Brasil Médico Concluiu o doutorado em Veiculação Microbiana pelas Águas Especializou-se em basteriologia pelo Instituto Pasteur Em 1902,assumiu a direção geral do novo Instituto Durante o combate a febre amarela, Cruz acreditava que o transmissor era um mosquito, e foi muito criticado por essa ideia, mas, ainda assim, implantou medidas sanitárias. Sua atuação provocou mobilizações populares como a Revolta da Vacina Carlos Chagas Estudou medicina no Rio de Janeiro Em 1905 foi enviado por Oswaldo Cruz a Santos para deter uma epidemia de malária, onde descobriu que a transmissão ocorria por meio de um mosquito. Em 1907 chefiou a Comissão de Estudo de Prevenção da Malária em MG Pesquisou sobre uma endemia que até então a causa estava ignorada; posteriormente foi chamada por doença de chagas, ele descobriu o agente transmissor e o vetor da doença Em 1918 ocupou o cargo de diretor de saúde do RJ, onde enfrentou a gripe espanhola. Suas investigações levaram a métodos para o tratamento e a erradicação dessas doenças trazendo-lhe reconhecimento internacional. Ganhou prêmios em todo o mundo Integrou o Comitê de Higiene da Liga das Nações e fundou o Centro Internacional de Leprologia