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gabi_fran_ Gabrielle França, CESUPA 2021 Definição O prurido significa a sensação que causa o desejo de coçar a pele e é experimentado como uma sensação dela mesma, sendo uma causa extremamente frequente nas consultas dermatológicas. É um evento extra cutâneo – um produto da atividade do sistema nervoso central (SNC), um fenômeno multidimensional com componentes sensoriais discriminativos, cognitivos, estimativos e motivacionais. O prurido provoca escoriações que podem se tornar inflamadas, bem como degradação cutânea e possivelmente infecções secundárias, a pele se torna liquenificada, descamativa e escoriada. O prurido tem muitas similaridades com a dor, mas os padrões de resposta comportamental diferem: a dor provoca a remoção de um reflexo, enquanto a coceira leva a um reflexo de arranhar. Fisiopatologia O prurido pode ser causado por diversos estímulos, como o toque da pele, vibração e objetos. Há uma série de mediadores químicos, assim como diferentes mecanismos que causam a sensação de coceira. Neurônios sensoriais periféricos específicos medeiam à sensação de prurido. O mecanismo O prurido decorre da estimulação das terminações nervosas livres da junção dermoepidérmica, o difuso é induzido pela estimulação específica das fibras C não mielinizadas, enquanto o prurido localizado, tanto no espaço quanto no tempo, envolve as fibras A-d. Um engenhoso plexo de processos dendríticos não mielinizados está presente nas terminações distais dessas fibras, as quais terminam na epiderme inferior e, possivelmente, na junção dermoepidérmica, onde os “receptores do prurido”, ainda não morfologicamente identificados, encontram-se provavelmente localizados e podem ser ativados por mediadores pruridogênicos (pró-inflamatórios). Esses nociceptores polifuncionais (respondem a estímulos mecânicos, térmicos e químicos) são encontrados apenas na pele, em algumas membranas mucosas e na córnea (locais onde se é possível sentir prurido). Tanto as fibras C como as A-d conduzem impulsos em velocidades variadas à medula espinhal, via raiz nervosa dorsal dos nervos espinhais. As fibras C não mielinizadas transmitem os impulsos nervosos do prurido ao gânglio nervoso da raiz dorsal ipsilateral, onde executam sinapses com neurônios secundários prurido-específicos. Esses neurônios secundários imediatamente cruzam em direção ao trato espinotalâmico anterolateral contralateral e dirigem-se ao tálamo, terminando no córtex somatossensorial do giro pós-central. Durante todo esse processo há aqui mediadores essenciais como: Histamina É o principal mediador periférico do prurido. Na pele, a histamina está nos grânulos dos mastócitos da derme e pode ser liberada por eles pela degranulação ou por basófilos circulantes, através de vários receptores, incluindo o receptor para IgE. Causa vasodilatação e edema quando interage com os receptores H1A histaminérgicos que, por sua vez, ativam canais TRPV1; surpreendentemente, esse e o mesmo tipo de canal TRPV1 estimulado pela capsaicina e por altas temperaturas e causa prurido quando estimula diretamente as terminações nervosas. Histologicamente, os mastócitos da derme e os neurônios amielínicos estão intimamente justapostos, aumentando a possibilidade de uma relação pseudossinaptica e implicando em uma intima relação funcional entre o sistema nervoso e o imune. Prostaglandina Na pele, as prostaglandinas aumentam E prolongam a coceira induzida pela histamina. Os níveis de PGE1 e PGE2 se correlacionam com o prurido central. A PGE2 tem sido mostrada como portadora de um efeito pruriginoso direto de baixo nível; isto sugere que a ação periférica dos prostanoides pode potencializar o prurido através de um efeito inespecífico sobre as fibras nervosas. Serotonina Ação periférica se dá pela liberação de histamina pelos mastócitos. Ação central provavelmente através do sistema neurotransmissor de opióides e da ativação dos receptores 5HT3 que não são encontrados na pele. Encontrados em maior quantidade nas plaquetas, o que explica o prurido em doenças hemáticas. Substancia P É um neuropeptídio considerado como intensificador da percepção de coceira. Ela é sintetizada nos corpos celulares de neurônios C, transportada em direção aos terminais nervosos periféricos, e liberada por despolarização antidromica para causar vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular (inflamação neurogênica). Precisa de muita substancia P para causar uma imediata degranulação de mastócitos. Todavia, baixas concentrações podem ativar receptores de neurocinina 1 (NK1) em mastócitos, levando a sensibilização dessas células e aumentando a produção de TNF-alfa que vai sensibilizar as terminações nervosas nociceptiva. PEPTIDEOS OPIOIDES Os opióides endógenos modificam a percepção do prurido através de receptores centrais: induzem prurido por meio da degranulação de mastócitos e pela ativação de receptores de opióides μ, a morfina e outros agonistas endógenos e exógenos de receptores de opioides μ são conhecidos por causarem prurido generalizado, sendo que a morfina também causa eritema quando introduzida intradermicamente. Tipos de prurido A definição do prurido com base nos mecanismos separa o prurido induzido em um sistema nervoso saudável por mecanismos periféricos do prurido (pruriceptivo) e mecanismos centrais (neurogênico) do prurido causado por patologia neuronal (neuropático). Prurido dermatológico: surge de doenças cutâneas como eczemas, psoríase, prurido do inverno, escabiose e urticária. Prurido sistêmico: surge de doenças internas como doença hepática colestática primária, doença de Hodgkin, policitemia vera e determinadas condições multifatoriais, frequentemente alterações metabólicas. Prurido neurogênico/neuropático: surge de doenças do SNC ou periférico, como tumores cerebrais, esclerose múltipla, neuropatia, irritação ou compressão nervosa, como na notalgia parestésica e prurido braquiradial. Prurido psicogênico/psiquiátrico: parasitofobia prurido misto ou de superposição. Prurido crônico; leva a sensibilização de neurônios de segunda ordem no interior do corno dorsal, consequentemente levando a uma sensibilidade aumentada a coceira: alocinese e hipercinese pontuada. Compreende um complexo de sintomas associados à pele, mais amplo que o agudo. Pode estar relacionado a diferentes tipos de coceira, incluindo a coceira pruritoceptiva (originaria de doença de pele) e a coceira neuropatica (devido a uma patologia no sistema nervoso), além de ter causas sistêmicas e psiquiátricas.