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Doença Ulcerosa Péptica - Tratamento

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da terapia quádrupla: 
IBP (ex.: omeprazol 20 mg 12/12h) + sal de bismuto (240 mg 12/12h) + amoxicilina (1 g 12/12h) ou 
doxiciclina (100 mg 12/12h) + furazolidona (200 mg 12/12h) por 10-14 dias. 
ESTAS SÃO AS RECOMENDAÇÕES DO III CONSENSO BRASILEIRO DE H. PYLORI. 
O controle de cura da infecção deve ser realizado no mínimo um mês após o final do tratamento 
(preferencialmente dois a três meses). O teste respiratório com uréia marcada com carbono 13 
ou 14 constitui o método não invasivo ideal para realizar o controle da erradicação. É altamente 
Amanda Coimbra Pires 
sensível e específico e de custo moderado. Deve-se evitar o exame em pacientes em uso de 
anti-secretores, especialmente os inibidores de bomba protônica ou antimicrobianos na semana 
precedente ao exame, para se evitar a possibilidade de falso-negativos. A sorologia não é um 
método útil no controle de erradicação do HP. Nos pacientes portadores de úlcera gástrica, 
persiste imprescindível a realização de endoscopia digestiva de controle da lesão ulcerosa e 
coleta de material para estudo histológico confirmando a benignidade da lesão e a situação do 
HP. 
A possibilidade de reinfecção após um tratamento bem sucedido é possível, porém pouco 
frequente. 
Quanto ao seguimento de úlceras pépticas duodenais, habitualmente, não são necessárias 
biópsias da lesão. Ao completar o processo de cicatrização da úlcera duodenal, usualmente se 
observa o aparecimento de traves fibrosas que convergem para o local da lesão, que podem 
diminuir a sua luz e formar entre elas recessos que lembram divertículos, sendo, por essa razão, 
denominadas “pseudodivertículos”. Estima-se que mais de 90% das úlceras duodenais cicatrizam 
após quatro semanas de tratamento com inibidor de bomba de próton, erradicação do H. pylori 
e/ou interrupção do anti-inflamatório não hormonal. Logo, o que vai determinar a necessidade 
da realização de novo exame em casos de sintomas refratários do paciente. 
-No caso de úlceras gástricas, a regra é realizar novo exame endoscópico após 6 a 8 semanas de 
tratamento para avaliar a sua cicatrização e coletar novas biópsias, mesmo quando a histologia 
anterior revelou tratar-se de úlcera benigna. 
-Se o estudo histológico for negativo para malignidade e houver redução significativa do 
tamanho da úlcera, isto é, acima de 50% do tamanho inicial, o prazo de tratamento com a 
mesma droga poderá ser prolongado, seguindo-se nova avaliação ao final dele. Se a redução 
não for significativa, isto é, menor que 50% do tamanho inicial, outro tipo de medicamento ou 
aumento da dose deve ser instituído por mais seis semanas, recomendando-se manter o controle 
endoscópico periódico com biópsias até a cicatrização completa da lesão. O seguimento 
endoscópico deve ser realizado nos pacientes com úlcera que não puderam ser biopsiados no 
primeiro exame, em virtude de hemorragia, coagulopatia ou instabilidade clínica. 
O diagnóstico de úlcera péptica requer a realização de exame complementar, sendo a Endoscopia 
Digestiva Alta (EDA) o padrão-ouro. 
 
A queixa de sintomas dispépticos recentes não necessariamente indica EDA... Este exame é oneroso! Pelo 
Guideline americano, a conduta inicial diante de tal situação deve ser a pesquisa do H. pylori por exames 
não invasivos (teste respiratório da urease, sorologia) e, caso positivo, tratamento empírico com 
erradicação da bactéria (antibióticos + inibidores da bomba de prótons). Caso negativo, um curso empírico 
de quatro semanas com antissecretores (inibidores da bomba de prótons ou bloqueadores H2), é a medida 
sugerida, solicitando-se a EDA apenas nos casos refratários ou recorrentes. O uso de AINE também deve 
ser investigado, e se presente o medicamento deve ser suspenso. Estas são as melhores estratégias em 
termos de custo-benefício. Porém, a EDA está sempre indicada desde o início nos pacientes > 45 anos ou 
naqueles com “sinais de alarme” para uma possível neoplasia gástrica: perda ponderal, anemia, 
sangramento, vômitos recorrentes, disfagia, massa abdominal, adenopatia, história familiar de câncer 
gástrico e gastrectomia parcial prévia. 
Deve-se tomar muito cuidado com as úlceras gástricas! Enquanto as duodenais raramente são malignas 
(ver adiante), as gástricas devem SEMPRE ser investigadas para câncer: se a EDA visualizar uma úlcera 
“péptica” no estômago, várias amostras de material (pelo menos sete) devem ser colhidas por biópsia e 
Amanda Coimbra Pires 
exaustivamente investigadas à procura de tecido neoplásico, o que não é necessário de rotina numa úlcera 
duodenal. 
TRATAMENTO CIRÚRGICO 
Existem duas indicações básicas para a realização de um procedimento cirúrgico nos pacientes com 
úlcera: 
1- Intratabilidade clínica; 
2- Presença de complicações (hemorragia, perfuração e obstrução). 
Intratabilidade clínica é definida, como a não cicatrização da úlcera após cerca de 8-12 semanas de 
tratamento, ou sua recidiva após o término da terapia. INCOMUM. 
Para considerarmos uma úlcera como refratária, é necessário que a erradicação do H. pylori seja 
confirmada e o uso de AINEs, afastado. Em úlceras gástricas, é fundamental também descartarmos 
malignidade, com biópsias endoscópicas repetidas. 
COMPLICAÇÕES AGUDAS DA DOENÇA ULCEROSA PÉPTICA 
Hemorragia Digestiva Alta 
É a complicação mais comum da DUP e a causa mais frequente de Hemorragia Digestiva Alta (HDA) na 
população 
De forma geral, a maioria dos doentes tem idade superior a 60 anos e utiliza habitualmente AINEs ou AAS 
em dose baixa. Existe, sobretudo na úlcera gástrica, associação com infecção pelo H. pylori (70% dos 
casos). 
A HDA associada à DUP se manifesta subitamente com hematêmese e melena (casos mais graves) ou 
apenas melena (casos mais leves), exacerbação de uma dor epigástrica ou de qualquer outra 
sintomatologia dispéptica.