A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
12 pág.
Clínica de Equinos- Neonatologia

Pré-visualização | Página 2 de 3

correta, a 
imunidade passiva pela 
transferência de anticorpos da égua 
ao potro através do colostro o 
aparelho digestivo do potro só é 
permeável a esses anticorpos até 18-
24 horas de vida. Devido ao tipo de 
 
6 
Clínica de Equinos-2021/1 UFMG 
Ana Flávia Sousa Santos 
 
placenta da égua ela não consegue 
transferir anticorpos ao feto e esses 
nascem com grande susceptibilidade 
a infecções, precisando então mamar 
esse colostro e caso não mamem ele 
não vai ter essa imunidade. 
 
Diagnóstico é fechado pelo histórico e 
pela medição das concentrações 
séricas IgG que devem ser maior que 
800mg/dL se tenho uma falha 
parcial o valor é entre 400 e 800 e 
uma falha total se menor que 
400mg/dl, deixando esse potro 
dentro do alto risco, principalmente 
para sepse neonatal. Diversos testes 
quantitativos melhores como as 
imunodifusão radial ou semi 
quantitativo pelo teste comercial, 
faço esse teste em 12 horas de vidas, 
pois eu consigo intervir ainda como 
uso do colostro, plasma ou outros 
produtos comerciais. 
 
O colostro não é muito bom fazer por 
mamadeira, melhor por sonda para 
evitar aspiração nesse animal, faz 
de 1 a 2 litros em 3 a 4 mamadas 
durante as 8 ou 10 horas de vida. Já 
o plasma faz de 20 a 40 mL/Kg na 
via IV dependendo da IgG desse 
potro onde vamos dar só o necessário 
para chegar a 800mg/dL. 
Sepse Neonatal Equina 
Importante, pois é a maior causa de 
mortalidade em potros no período 
neonatal. Sendo fundamental para 
o prognóstico o reconhecimento 
precoce do potro de alto risco para 
uma intervenção imediata com 
maior chance de resposta a terapia, 
ação coordenada do proprietário e 
tratadores com veterinário de campo 
 
7 
Clínica de Equinos-2021/1 UFMG 
Ana Flávia Sousa Santos 
 
e das unidades de tratamento 
intensivo, podendo ainda assim a 
mortalidade chegar 50%. 
 
Preciso reconhecer essa sepse o mais 
rápido possível assim como a SIRS 
deve ser reconhecida no exame 
clínico me impedindo desse animal 
entrar em sepse. 
 
Se tenho mais de 3 (principalmente 
leucocitose e hipertermia)desses 6 
parâmetros alterados temos um 
grande problema, pois esse animal já 
tem um quadro de SIRS me 
deixando alerta para a Sepse. 
A infecção pode ocorrer no útero, 
durante o nascimento e após o 
nascimento, sendo muito comum a 
causa por falhas de transferência da 
imunidade passiva, infecções do 
umbigo, placentite bacteriana, 
condições de manejo e limpeza 
inadequados e até secundárias a 
outras alterações neonatais como a 
prematuridade ou síndrome da 
asfixia perinatal. Então as 
principais portas de entradas é o 
umbigo, o trato gastro intestinal, 
trato respiratório ou placenta, 
podendo ocorrer por gram – e + . 
Suspeitamos de sepse com o histórico 
com identificação dos fatores de 
risco, depois o exame físico que é 
uma das maiores ferramentas para 
reconhecimento da sepse 
acompanhado dos exames 
laboratorais para fechar um 
diagnóstico. 
Sinais iniciais de sepse não são 
muito pronunciados onde o animal 
tem letargia, diminuição do reflexo 
de sucção e mamando menos, 
conforme progride esse potro entra 
em decúbito, depressão grave, 
hipovolemia, alteração de 
temperatura, mucosas hiperêmicas, 
petéquias, taquicardia, taquipneia, 
reconhecimento do foco séptico deve 
ser o mais rápido quanto possível 
para impedir essa progressão. 
 
8 
Clínica de Equinos-2021/1 UFMG 
Ana Flávia Sousa Santos 
 
Exames laboratoriais como 
hemograma e bioquímico deve ser 
feito, assim como uma cultura 
sanguínea, onde no inicio tenho 
uma leucopenia com desvio a 
esquerda e neutrófila tóxica, o 
fibrinogênio vai estar aumentado, já 
a cultura vai ser definitiva para o 
diagnóstico, porém temos muito 
tempo até o diagnóstico, os 
resultados demoram de 48 a 72 
horas. 
 
Soma esses pontos e acima de 8 a 11 
eu considero a sepse, associamos os 
achados ao histórico, junto aos 
achados laboratoriais temos um 
diagnóstico presuntivo, a cultura 
me da o confirmatório, porém 
demora ai é melhor entrar com 
tratamento , quando tá indo pra 
sepse a experiência do clínico diz que 
é já inicia esse tratamento logo pra 
não correr o risco de perder esse potro. 
Tratamos com a antibioticoterapia 
IV, suporte hemodinâmico adequado 
e a terapia suporte total desse 
animal. O suporte consiste na 
monitoração constante mantendo 
animal em decúbito esternal, 
plasma hiperimune, manter 
aquecido, nutrição enteral ou 
parenteral e cuidados adequados 
melhoram o prognóstico. 
30 a 70% dos casos se tiver um 
reconhecimento rápido, tratamento 
adequado no inicio do quadro 
clínico esses potros se recuperam com 
1 a 4 semanas de tratamento. 
Prematuridade 
Menos de 320 dias de Gestação, por 
causas como placentite, potros com 
problemas congênitos, estresse de 
cirurgias ou gestações gemelar. As 
características vão ser as orelhas 
moles, fronte abaulada, menor 
tamanho, pelos finos e curtos, 
 
9 
Clínica de Equinos-2021/1 UFMG 
Ana Flávia Sousa Santos 
 
relaxamento excessivo de tendões, 
podemos confirmar com um raio-x 
onde vamos ver a ossificação 
incompleta dos ossos do carpo e 
tarso. 
 
Não podemos então deixar esses 
potros de jeito nenhum levantar, pois 
vai ser sem suporte e ser esmagados, 
colocando uma tala nessa região 
para ajudar o desenvolvimento 
desses ossinhos. 
É um potro de alto risco com 
alterações de diversos sistemas, 
ausência de reflexos de sucção, 
dificuldades de se levantar e 
suscetíveis a sepse. 
Síndrome do mau ajustamento 
neonatal 
Síndrome da asfixia perinatal ou 
encefalopatia hipóxico isquêmica 
onde temos uma oxigenação 
anormal dos tecidos causando uma 
hipóxia em vários tecidos, mas 
principalmente neurológicos. Os 
sinais vão variar com a gravidade, 
duração e o órgão acometido, 
podendo ser neurológico, 
gastrointestinal, respiratório, renais 
e outros sistemas. 
A causa pode ser de origem materna 
como doenças respiratórias, 
edotoxemias, hemorragias, anemias, 
placentites, partos distócicos ou até 
mesmo separação de útero e placenta, 
podendo ser de origem fetal também 
quando temos uma gestação 
gemelar, anormalidades congênitas, 
sepse, aspiração de mecônio e 
prematuridade. 
Tratamento vai depender do sinal, 
convulsões com uso do diazepam e 
midazolam, suporte de oxigênio, 
fluido e nutricional, com uso de 
antioxidantes como o alopurinol, 
dmso, tiamina, vitamina c e E, 
podendo usar o sulfato de magnésio 
também. Esses potros no tratamento 
intensivo podem apresentar uma 
melhora súbita, com maior 
consciência deixxando a dúvida 
sobre ser hipóxia deixando a teoria do 
neuroesteroides que afeta esse 
animal. 
Os neuroesteroides são substâncias 
placentárias que agem como 
sedativos no feto, que após o 
nascimento tem uma queda rápida, 
 
10 
Clínica de Equinos-2021/1 UFMG 
Ana Flávia Sousa Santos 
 
redução brusca da progesterona com 
aumento do cortisol no potro normal, 
nesses neuroesteróides há uma falha 
nessa transição ficando muita 
progesterona que age sedando o 
potro, isso ocorre, pois a pressão do 
canal do parto não é suficiente o que 
não gera o estimulo para fazer a 
troca. 
Então para tratar faz a amarra e 
um aperto adequado para 
mimetizar, que após os 20 
mininutos melhoram e levantam 
normais, aqueles animais que 
tiverem realmente a hipóxia não vai 
melhorar então vou ter que ir dando 
um suporte. 
Retenção do Mecônio 
Animais devem defecar o mecônio de 
2 a 12 horas após o parto, caso não 
ocorra vai deixar esses potros com 
sinais de dor abdominal ficando 
em posturas frequentes de 
defeccação, balança o rabo e rola, 
além de causar distensão 
abdominal, taquicardia, taquipnéa 
e o tenesmo. Potros de 1 a 2 dias de 
vida só com desconforto 
intermitente, faz diagnóstico com 
palpação retal, US, Radiografia e o 
terapêutico com enema. 
Casos graves usa acetilcisteina