Prévia do material em texto
Ortopedia Pediátrica I – Displasia do desenvolvimento do quadril Definição Consiste em anormalidades do quadril que podem ser congênitas ou desenvolver-se após o nascimento – nasce com uma alteração no acetábulo com o fêmur e que se não for corrigida pode resultar em uma displasia. A displasia implica em deformidade progressiva do quadril, no qual o fêmur proximal, o acetábulo e a cápsula articular são defeituosos (não necessariamente todos são defeituosos, pode ter alteração apenas na congruência e futuramente se não tratado poderá resultar em uma alteração displásica) A luxação da cabeça do fêmur poderá ocorrer no útero, ao nascimento ou após o nascimento. Classificação Teratológica (associada a outras desordens) Quando teratológica a criança normalmente tem outras deformidades associadas às alterações de quadril. Nesses casos é sempre bom investigar possíveis alterações cardíacas também, por essa tendência à associação de outras possíveis patologias. o Deformidades graves: acetábulo, cápsula e fêmur proximal o Mielomeningocele, artrogripose, agenesia lombossacral e anomalias cromossômicas Típica: crianças normais, sem outras deformidades São as benignas, crianças sem outras doenças associadas que nasceram com apenas essa alterações. Crianças que nasceram de parto pélvico, ficaram muito tempo sentadas no intra-útero, etc. Incidência De 1 a 1,5 por 1.000 nascidos vivos Depende muito da região: até 175:1000 na Iugoslávia Feminino 4:1 -> associação com relaxina (será explicado em breve) Baixa incidência em povos Bantu da África e Chineses Alta incidência nos índios Navajo norte-americanos Epidemiologia 1º mais comum -> lado esquerdo 2º mais comum -> bilateral O mais raro e associado a pior prognóstico é o isolado à Direita Associado: o Torcicolo congênito (mais importante – de 5 a 20%) o NÃO ESTÁ ASSOCIADO A PÉ TORTO CONGÊNITO Etiologia Consiste em uma doença multifatorial associada à: o Laxidão ligamentar o Posição intra-uterina o Posição pós natal – colocar o bebê em uma posição só depois que nasce. o Anteversão femoral excessiva (Campbell) – intra- utero ou após nascimento, seria colocar a perna em rotação interna Laxidão ligamentar A relaxina está presente na mulher grávida e consiste em um hormônio responsável pela elasticidade da pelve. Entretanto, ele passa a placenta e pode vir a afetar o concepto (o que explica a maior incidência no sexo feminino) DDQ tem maior proporção entre colágeno tipo III X colágeno tipo I O excesso de frouxidão da capsula é o principal fator na falha de manter a cabeça congruente e por conseguinte desenvolver a DDQ A capsula possui o papel mais importante do que a estrutura óssea em si. Imagem: testes feitos nos pacientes Posição intrauterina 16% dos DDQ nasceram de pélvico Pélvico, pior se ambos flexão e rotação externa (36% terão DDQ) Cesárea diminui a incidência se pré-termo (8.1% -> 3.7%) No tempo normal NÃO ALTERA Na ortopedia, a cesariana ajuda muito o nascimento de bebês com possíveis complicações na hora do parto. Assim, depreende-se que o parto normal pode acarretar em possíveis alterações ortopédicas no bebê, que poderiam ter sido evitadas se tivesse sido feito a cesariana. Desenvolvimento do quadril Começa na 7ª semana de gestação; A forma do acetábulo se desenvolve a partir do contato com a cabeça femoral – se a cabeça femoral não estiver no acetábulo, ele não vai se desenvolver. Ao nascimento, o acetábulo é completamente formado por cartilagem e tem o labrum de fibrocartilagem O acetábulo tem continuidade com a cartilagem trirradiada (íleo, isquio e púbis) O acetábulo do neonato é como uma placa fisária; O labrum também atua na formação acetabular e deve ser manipulado com cautela durante o tratamento; O acetábulo assume sua forma definitiva por volta dos 8 anos; O fêmur proximal se desenvolve em um padrão complexo e não tão bem esclarecido; Surge um centro de ossificação na cabeça do fêmur por volta dos 4 a 7 meses; Esse centro vai crescendo e a cartilagem cedendo espaço a ele até o fim da adolescência. Essa é a cartilagem trirradiada, responsável pela formação do acetábulo. Só vai ocorrer se estiver com a cabeça femoral congruente. Se não acontecer, ele vai ficar displásico, mais reto. Elementos envolvidos no crescimento normal: o Cartilagem subcapital Crescimento do colo do fêmur Responsável pelo crescimento de 30% do MMII o Cartilagem do trocânter maior Dela depende a determinação do ângulo de variação É solicitada pelas forças de tração (glúteo médio) o Cartilagem trirradiada (“Y”) Crescimento e morfologia do acetábulo 50% do desenvolvimento da pelve Características: Formada pelo ílio, ísquio e púbis Centrada perfeitamente no fundo do acetábulo Morfologia em estrela de 3 pontas = condição essencial para o crescimento concêntrico. Terminologia Displásico Achado radiográfico com obliquidade aumentada e perda da concavidade acetabular, com archo de Shenton intacto Subluxação Cabeça sem contato total com o acetábulo e quebra do arco de SHenton Luxado Cabeça femoral sem contato com o acetábulo Desenvolvimento na DDQ Flexão do quadril nos últimos meses de gestação + apresentação pélvica = displasia residual ou luxação Instabilidade Quadril está contido e reduzido, mas é instável Luxavel, em decorrência da frouxidão capsuloligamentar Pode haver ou não displasia concomitante Evolução 60% se estabilizam na primeira semana de vida 88% se estabilizam até 2 meses de vida (mesmo sem tratamento) 10% tendem a evoluir para subluxação ou luxação Ocorre deformação de estruturas que se desenvolveram normalmente embriologicamente Ao nascimento, subluxa e reduz fácil -> rima posterosuperior do acetábulo achatada Conforme essa instabilidade continua, a parte posterosuperior do acetábulo/labrum se inverte e hipertrofia -> Neolimbus Quando você reduz faz um “Clunk” -> cabeça passando pela “Lombada“ do neolimbus Deste ponto alguns ainda podem reduzir e ficarem normais – tem que pegar nessa fase, aqui é o limite Se continua luxado -> o pulvinar cresce e não deixa mais voltar O ligamento redondo alonga e engrossa e também impede A capsula contrai abaixo da cabeça, mais estreita que seu diâmetro – capsula fica contraída, não da para colocar de volta. Quanto antes fizer a redução mais provável que corrija o alinhamento. Se reduz e mantem reduzido, a tendência é que o acetábulo e a cabeça se tornem congruentes novamente -> “Apoitamento do fêmur” O ângulo acetabular vai horizontalizando após a redução Já se não reduzir (até 4 a 8 anos -> não tem consenso) mas é necessário fazer cirurgia, entretanto essa pessoa terá problemas no quadril para o resto da vida dele. Vai ficando cada vez mais vertical, podendo passar de côncavo a convexo. DDQ no adulto Quadril bem mais alto, cercado de cápsula espessa “high riding dislocation” Cabeça oval e achatada medial Ligamento redondo espesso, sem cartilagem no acetábulo Tração muscular encurta o membro A cabeça pode ficar sem artrose até o fim da vida – porque não tem congruência na articulação. *Se não for luxação completa -> Artrose Luxação incompleta tem contato parcial, então da para desenvolver artrose. Imagem: você ve que não existe mais teto acetabular, não faz a voltinha. Observar a cabeça do fêmur, ela não está congruente com o acetábulo porque ele está plano. Clínica o Do nascimento aos 6 meses de idade Instabilidade = teste de Barlow Luxação = teste de Ortolani Na dúvida,não da alta para o paciente, precisa fazer os testes! Obs: nessa parte o áudio do professor cortou, então pesquisei a descrição de como fazer os testes. Fonte: UFRJ – arquivo com demais informações sobre DDQ http://www.me.ufrj.br/images/pdfs/protocolos/neonatologia/ doenca_displasica_do_quadril.pdf Teste de Barlow – desloca o quadril instável o Estabiliza-se a pelve do RN com uma mão. Com a outra, flexiona-se e aduz-se o quadril ao mesmo tempo em que se aplica uma força posterior o Se o quadril é deslocável sente-se um “click” Teste de Ortolani – desloca o quadril instável o Mais frequentemente positivo entre o 1 ° e o 2° meses de vida o Após os 2 meses de idade, geralmente não é mais possível fazer a redução o Estabiliza-se a pelve do RN com uma mão. Com a outra, flexiona-se e aduz-se o quadril, ao mesmo tempo em que se desloca a cabeça femoral anteriormente, para dentro do acetábulo. o Dos 6 aos 12 meses de idade Deslocamento progressivo Raramente Barlow e Ortolani Assimetria de pregas glúteas e poplíteas Assimetria das pregas inguinais – ocorre porque o fêmur ascendeu Sinal de Galeazzi Limitação da abdução -> mais confiável Vai tentar abduzir o quadril e ele não consegue, existindo um bloqueio no quadril luxado. o Após a marcha Unilateral X Bilateral Ponta dos pés no lado afetado (mais curto) O GM puxa e o fêmur vai o Tredelenburg + o Marcha de Tredelenburg Sinal de Galeazii Bilateral pode ser difícil de ver Sinal característico é hiperlordose lombar. Diagnóstico por imagem Ultrassonografia O melhor até os 6 meses de idade Feito por 2 métodos: Estático de Graf Analisa o fêmur proximal e o contorno da pelve É o mais usado É um teste estático Dinâmico de Harcke Reprodução das manobras de Barlow e Ortolani É um teste dinâmico Posição Supina Plano transverso Método de Graf o Imagem coronal do quadril, com 45° de flexão e 15º de rotação interna o 1 linha de referencia o 2 ângulos: Alfa = linha de referência + linha passando pelo teto ósseo Beta = linha de referencia + linha passando pela cartilagem Alfa: Medida da inclinação do aspecto superior do acetábulo Normal = > 60° Beta: Avalia o componente cartilaginoso do acetábulo Normal < 55° Conforme subluxa, o Alfa diminui e o Beta aumenta! Imagem: tabela auxiliadora para conduta de cada caso. o Tipo IIc no método de Graf -> o mais importante! É o estágio de pré-luxação; o Ideal para o Graf é USG, com pelo menos 6 semanas de idade; o Muitos tratam todos os tipos II com órtese de abdução. Artrografia Definição dos limites da cápsula; Estruturas que impedem a redução concêntrica: o Neolimbo invertido o Ligamento redondo o Pulvinar hipertrofiado o Constrição capsular em ampulheta o Iliopsoas o Ligamento transverso. Radiografia o Úteis por volta dos 2 a 3 meses; o Pelve AP; o Linha de Hilgenreiner -> tangente às imagens em lágrima; o Linha de Perkins -> perpendicular a linha de Hilgenreiner, no ponto mais lateral do acetábulo. Delimita os quadrantes de Ombrédanne. o Quadrantes de Ombrédanne –> no quadril normal, o núcleo da cabeça localiza-se no quadrante ínfero- medial o Linha de Shenton -> segue a curvatura superior do forame obturado e continua em curva junto ao colo do fêmur. É interrompida nas luxações. Índice acetabular É o ângulo traçado entre a linha de Hilgenreiner e a superfície do acetábulo É diferente no adulto (base é a linha intergotas) o Neonatos -> 27,5° o 6 meses -> 23.5° o 2 anos 20° o 30° é o limite máximo do normal – mais que isso tem-se um acetábulo displásico. Linha de Calvé Estende-se pela margem lateral do ílio a partir da convexidade do acetábulo até o colo do fêmur Deve tocar a margem lateral do colo do fêmur Tratamento 1. Suspensório de Pavlik Funções Manter o quadril em flexão e abdução Evitar a extensão e adução Manter a cabeça femoral centrada no acetábulo (promove o desenvolvimento do acetábulo) Promover a redução espontânea da luxação Contra-indicações Desequilíbrio muscular (mielomeningocele, paralisia cerebral) Frouxidão ligamentar (Ehlers-Danlos) Rigidez muscular (Artrogripose) Tiras Anteriores = limitam a extensão Posteriores = limitam a adução Posição Flexão = 100 a 120° Abdução = nunca forçada, tração leve pelas tiras, de modo que abduza mais pela gravidade Uso continuado (não retirar para o banho) Não deve ser utilizado após os 6 meses de idade. Importante 1. Adaptar a cinta torácica abaixo da linha dos mamilos polêmicos 2. Colocar os pés nos estribos 3. Flexão de 120° e prender as tirar anteriores 4. As tiras posteriores são levemente tensionadas, permitindo que o quadril abduza com a gravidade e possa aduzir até quase neutro Complicações Abdução exagerada = necrose da cabeça Flexão exagerada = lesão do nervo femoral Falha na redução (15%) Desenvolvimento acetabular tardio Doença de Pavlik -> deforma o acetábulo se permanecer muito tempo luxado -> achatamento na região póstero-lateral 2. Neonato Se Ortolani ou Barlow positivo -> reduzir e estabilizar -> até 95% com bons resultados Recomendam Pavlik tanto nos luxados quanto intáveis, embora boa parte dos intáveis estabilize sozinho. Pavlik, na 3ª semana é realizado US, se estiver OK, prossegue + 3 semanas e o Pavlik é retirado Acompanhamento é feito com RX com 4 meses Se na 3ª semana estiver luxado, usar órtese em abdução 3. De 1 a 6 meses Inicia-se com Pavlik (usar com flexão >90°) Se em 3 a 4 semanas não reduzir, buscar outro tratamento Se reduziu, manter por mais 6 semanas com acompanhamento assíduo Após a retirada, pode manter em um aparelho de abdução por mais 3 a 4 meses. 4. De 6 a 12 meses Redução incruenta possível: Gesso por 6 semanas + 6 + 6 (segundo Tachdjian) Redução incruenta impossível Contratura dos adutores = tenotomia (aumenta área de segurança) Interposição de partes moles = redução cruenta Gesso por 6 semanas + órtese Evita-se osteotomias nesta idade Imagem: hoje em dia não usa-se mais 5. Após a marcha Redução cruenta + gesso Retirar o pulvinar e o ligamento transverso Dos 18 meses aos 3 anos (após os 24 meses) o Salter Dos 3 aos 6 anos o Salter + encurtamento femoral Acima dos 6 anos o Chiari Legg, Calvé e Perthes Etiologia o Ainda desconhecida o Existem algumas teorias, mas nada comprovado, sendo estas: Traumática Congênita Vascular Mecânica Hormonal Episódio isquêmico idiopático: Anormalidades de coagulação (deficiencia de proteína C ou S/ Fator 5 Leiden) Alteração do fluxo sanguineo arterial (obstrução na arteria circunflexa medial) ** Obstrução da drenagem venosa da epífise e colo femoral Trauma Influência genética Fatores nutricionais Sinovite transitória Teoria Unificada: Criança suscetível sofre um trauma leve provocando a formação de pequenos trombos área metafisária, distúrbios da coagulação impediriam a reabsorção dos trombos. Ramos da artéria circunflexa femoral medial Vasos epifisários laterais e anteriores; Vasos cervicais ascendentes laterais; Avascularidade – somente uma artéria óstero superior que penetra na cápsula Anatomia o Apenas núcleo secundário de ossificação está envolvidos o O episódio de isquemia parece fugaz e único, não se repetindo posteriormente o A necrose instala-se sempre nos cantos anterior e lateral da epífise estende-se para as regiões posteriore medial da cabeça femoral. Patogenia 4 fases (Waldestrong) Necrose (inicial – sinovite): 6 meses o Altera cor da cabeça (mais densa), diminuição do núcleo o Alargamento espaço medial (pela sinovite, hipertrofia de cartilagem). Fragmentação: 8 meses o Início de reparação (reabsorção e deposição óssea) o Fase inflamatória o Amolecimento tecidual (vulnerabilidade mecanica) o Lateral para medial e anterio para posterior Reossificação: 2 a 4 anos o Simultêna à fragmentação o Aumenta área radiodensa Residual: até o final Estágio inicial há necrose local da camada mais profunda da cartilagem epífise, com hipertrofia de cartilagem No segundo estágio, há fragmentação com reabsorção e revitalização tecidual através de aposição de osso novo sobre o tecido necrosado A necrose pode estender-se à placa de crescimento do fêmur proximal – fechamento da placa = colo curto e ascensão do grande trocânter Na fase de reossificação, pode estar deformada ou não Fase residual A cartilagem articular não é afetada Acetábulo remodela com a deformidade residual Acetábulo remodela com a deformidade residual Placa é mais fina que o normal, com células irregulares. Epidemiologia 4 a 8 anos – pico aos 6 anos (2 até 16 anos) Sexo masculino (4:1) Incidencia varia de 1:1200 até 1:12500 Mais frequente em japoneses, asiáticos e esquimós Raro em negros – persistencia de articulação do ligamento redondo Hx familiar 1,6 a 20% Últimos partos de mães multíparas Baixas condições socioeconomicas Malnutrição (baixo IGF-2) Mais em centros urbanos Quadro clínico Dor inguinal ou em face anterior da coxa Relacionado com atividade Dor referida na dace antero-medial do joelho (pode ser o único sintomas) – n. obituratório Espasmo e contratura da loja adutora Limita abdução Claudicação (1º sinal clínico) Limitação da abdução e rotação interna do quadril Flexão em adução = sinal preococe e mau px Tredelemburg frequentemente positivo Exames complementares Raio X (AP + Lauenstein) Sinais precoces – dimiminuição da altura do nucleo epifisário; aumento do espaço articular; fratura subcondral (sinal de Caffey). Ressonância Magnética: útil para o disgnóstico precoce (antes do RX) e preciso Cintilografia: detecção precoce do infarto – PIN HOLE (Classificação Colney Dias). Artrografia: informações sobre a relação cabeça/acetábulo – tamanho e forma da cabeça e relação com lábio cartilagíneo. Avalia melhor posição de congruencia do quadril. Discrepância RX-artrografia Classificação pneumoatrtrográfica de Laredo Imagem: mesmo paciente, mesma fase História Natural Doença Autolimitada Sequelas dependem de fatores de mau prognóstico, tais como: Idade (>6 anos) – menor potencial de remodelação Extensão do comprometimento do nucleo epifisário Tempo entre o aparecimento da necrose e sua resolução completa Obesidade – quanto mais gordo, pior Apesar do RX ruim, muitos paciente evoluem bem Mais importante: mobilidade Grande parte: evolui para coxartrose Deteriora a partir do 40 anos (Subluxação lateral) (Cistos metafisários) Classificações Catteral Salter-Thompson Sinal de Cafffey – fratura subcondral (fase inicial) Grupo A – comprometimento menor que 50% Catteral I e II Coluna lateral intacata Grupo B – comprometimento maior que 50% Catteral III e IV Pior prognóstico Prega + pilar lateral Herring (pilar lateral) Fase de fragmentação – alterações radiográficas Fatores Prognósticos Deformidade residual (mais importante) Congruencia articular Idade do aparecimento da doença (quanto mais novo, melhor) Extensão do envolvimento epifisário Distúrbio secundário do fechamento da fise Potencial de remodelamento Tipo de tratamento Estágio da doença no inicio do tratamento Prognóstico Cabeça centrada e quadril móvel são os objetivos O pior prognóstico é em meninas e em crianças mais velhas (depois dos 9, 10 anos de idade), pelo baixo potencial de remodelamento e crescimento da cabeça femoral Envolvimento extenso da epífise e diminuição da latura do pilar lateral também são prognósticos. Objetivo Centraçizar definitivamente a cabeça do fêmur dentro do acetábulo Todos os sistemas de classificação de prognóstico baseiam-se no aspecto morfológico do quadril após o fechamento das placas de crescimento Método dos círculos concentricos de Mose: Avalia concentricidade e variância da cabeça (AP ou P) Bom px < 1 mm Intermediário: de 1 a 2 mm Mau px > 2 mm Considerar tratamento Grupo de pior prognóstico – TRATAR Catteral 2 e 4 Salter-Thompson B Pilar lateral C RX em risco ou clinicamente em risco Menor de 8 anos com deformidade Maiores de 8 anos Grupo de bom prognóstico – NENHUM TRATAMENTO Catteral 1 e 2 Salter-Thompson A Pilar lateral A Grupo de prognóstico intermediário – PODE NECESSITAR DE TRATAMENTO Catteral 2 Pilar lateral B Tratamento Consiste em uma doença autolimitada Via de regra, o tratamento é conservador A cirurgia é pode ser proposta para tratar sequelas com deformidades Objetivos do tratamento (cirurgico ou conservador): o Manter a epífise femoral centrada no acetábulo o Preservar a mobilidade do quadril 60% não há alteração do curso natural e evoluirão favoravelmente com ou sem tratamento 15% evoluirão de forma desfavorável apesar do tratamento Catteral tipo I ou pacientes em fase de reossificação não necessitam de qualquer tipo de tratamento Tratamento conservador – Sizínio Método histórico Restrição da marcha Repouso no leito sob tração cutânea (abdução progressiva – s/n tenotomia adutores) Imobilização após resolução do quadro álgico Artrografia Gesso ínguino-maleolar bilateral com flexão do joelho em 15°, abdução de 30 a 45° e rotação interna de 10° (Petrie/ Bromstick) sem carga por 45 dias Trocado depois pelo Atlanta 2 semanas sem gesso e sem carga (mobilidade ativa de quadris e joelhos) RX de controle Repetição do protocolo até ossificação do pilar lateral Gesso de Petrie/ Broomstick Tratamento conservador Recente Autor Lovell: deixa descansar na cama, sem imobilização, com analgésico e manda imobilizar o Fisioterapia para manter a ADM o Ortese de abdução noturna o Várias combinações Estudos atuais demonstram que resultado é semelhante com ou sem imobilização O resultado mais relacionado com a apresentação da doença Geralmente possui bom prognóstico Tratamento cirurgico Pode ser acetabular, femoral ou os dois Indicado para quadril contido no acetábulo Com relativa congruencia e boa ADM Fase inicial ou fragmentação Dispensa imobilização Rápida reabilitação Osterotomia de Chiari Reservada para casos onde a cabeça femoral reossificada permanece lateralizada Osteotomia Valgizante Quadril em dobradiça (hinge abduction) Objetivo: melhorar a distribuição das pressões Osteocondroses Definição Osteocondroses ou epifisites – desordens nas epífises em crescimento ativo Alteração da ossificação endocondral (tanto osteogênese como condrogênese) Em locais previamente normais Condição idiopática – pode ocorrer em quase todos os núcleos de crescimento do corpo (epífises, apofises e fises), única ou simultaneamente História clínica bem definida e resultados previsíveis Etiologia Desconhecida Provável alteração de vascularização, segunda a atrauma, infecção ou mal-formações congenitas Falhano processo de condrificação dos canais cartilaginosos no núcleo de crescimento Por necrose destes cansi ou falha no crecsicmento Necrose epifisária segmentar do osso subcondral e cartilagem acima -> osteocondrite dissecante Apofisite por tração -> osteocondrose de cartilagem não articular Clínica Depende do local Dor, inflamação, edema, diminuição de ADM, alterações de marcha, distúrbio de cresicmento (se envolvimento fisário – ex.: Blount) Radiografia Inicialmente: centro envolvido com tamanho diminído, aumento da densidade ou arquitetura irregular Necrose -> reabsorção -> reossificação Pode voltar a ter aspecto normal ou ficar permanentemente alterado Atraso na revascularização completa de um centro necrótico fragmentado -> separação de um fragmento ostocondral livre (osteocondrite dissecante) Fases histopatológicas Tratamento Normalmente auto0limitadas, responsivas ao tratamento conservador Sintomáticos, gelo, repouso A seguir, reabilitação Cirurgia em alguns casos severos Estimular cicatrização, remover fragmento, corrigir alinhamento Locais e Eponimos Osteocondrite de Sever o Apofisite do calcâneo (osteocondrose não articular) o Alargamento da placa epifisária da apófise do calcâneo + zona de necrose avascular Doença de Osgood-Schlatter o Apofisite por tração do núcleo de crescimento da TAT Provavelmente representa uma verdadeira avulsão ou fratura por stress o Idade entre 10 3 15 anos o Mais comum em meninos o Frequente em atletas (especialmente saltadores) e patela alta) o 30% bilateral o Clínica Fase aguda (de 4 a 6 meses): dor local, com sinais inflamatórios e tumoração da TAT Após (até 2 anos): dor/ edema usualmente após atividade física, intermitente, porém persistindo a tumoração; menos limitação funcional Resolução espontânea após esses período, com desaparecimento da dor e das restrições funcionais o Radiografia – especialmente se unilateral, para excluir tumor ou infecção Fragmentação da TAT Ossículos livres o Classificação de Woolfrey e Chandler I. Tubérculo tibial proeminente e irregular II. Igual a I + pequenos fragmentos ósseos adjacentes ao aspecto anterior e superior da TAT III. TAT de aspecto normal, porém com presença de fragmentos ósseos livres o História natural 76% sem sintomas ou limitações 60% dor ao ajoelhar Maioria nota proeminência local Fator predisponente para fratura da TAT o Tratamento Conservador – sempre em esqueleticamente imaturos Na fase aguda Limitação das atividades, gelo, AINES Imobilização somente em quadros de impotência funcional (3 a 6 semanas) Na fase crônica Alongamento + fortalecimento de quadríceps e fortalecimento de flexores. Cirúrgico – em esqueleticamente maduros, se sintomas persistentes por mais de 2 anos Ferciot e Thomson – ressecção de corpos livres e debridamento da proeminência Imagem: Ferciot e Thomson – debridamento Bosworth -> 2 plugs ósseos da tíbia na TAT Imagem: Bosworth – plug ósseo na TAT Observações gerais sobre a aula: Algumas explicações ficam mais didáticas vendo a imagem com o professor explicando, sendo interessante para melhor entendimento ver o vídeo da aula nos momentos de maior dúvida; O professor até o presente momento não disponibilizou nenhum slide ou vídeo da aula, então algumas partes não consegui pegar 100% o que ele falou e algumas imagens estão com baixa qualidade. Caso até o momento da prova ele poste, seria interessante ver as imagens que ficaram piores por lá (principalmente as de RX ou com explicações). Débora Abrantes Valério