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Displasia do Quadril

Material sobre embriologia dos membros e anatomia do quadril: descreve formação dos brotos e placas digitais (semanas 4–8), desenvolvimento da articulação do quadril e ossificação do fêmur proximal, além da anatomia, funções da pelve e órgãos e vasos das vísceras pélvicas.

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Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
 
Embriologia do Quadril 
Formação dos Membros no Embrião 
Formação dos membros na 4ª semana no dobramento do 
embrião surge 1º os brotos dos membros superiores, 
brotos constituídos de mesoderma e ectoderma, 
posteriormente surge os brotos dos membros inferiores, 
na 6ª semana começa a aparecer os raios digitais. 
5ª semana 
• Placas de mãos e pés-raios digitais, músculos e 
modelos cartilaginosos dos ossos. 
• Músculos, ossos, cartilagens e vasos sanguíneos 
formam-se a partir do mesoderma 
• Gradativamente formam os ossos 
• Inicialmente forma-se um molde do osso com um 
aglomerado de células do mesoderma 
6ª semana 
• Início dos moldes de radio, ulna, cotovelo, 
punho, carpos, falanges etc. 
• O que era aglomerado de células começa a ser de 
cartilagem. 
• Aparecimento das articulações. 
• Além dos ossos, se forma músculos e pele ao 
redor. 
• Ocorre em ambos os membros. 
7ª semana 
• As reentrâncias entre os dedos estão bem 
acentuadas, porém os dedos não estão 
totalmente separados. 
• Na 7ª semana a cartilagem começa a ser 
substituída por tecido ósseo. 
• A ossificação ocorre lentamente. 
• O osso vai ter a cartilagem e tecido ósseo. 
8ª semana 
• O osso já possui grande quantidade de tecido 
ósseo e a cartilagem permanece nas articulações. 
• Nem toda cartilagem é substituída, ela 
permanece. 
• Os dedos são curtos, as mãos parecem uma 
nadadeira, junturas sinoviais (inicio do período 
fetal) 
• Miotomos formam músculos de ossos de 
membros superiores e inferiores. 
 
A articulação do quadril começa a se desenvolver por 
volta da sétima semana de gestação, quando surge uma 
fenda no mesênquima do broto do membro primitivo. 
Estas células pré-cartilaginosas se diferenciam em uma 
cabeça femoral e um acetabulo cartilaginosos totalmente 
formados por volta da 11ª semana de gestação. Ao 
nascimento, o acetábulo neonatal é completamente 
composto por cartilagem, com uma borda de 
fibrocartilagem chamada labrum. 
A cartilagem hialina do acetábulo é continua com as 
cartilagens trirradiadas, que dividem e interconectam os 
três componentes ósseis da pelve (o ilíaco, o isqueo e o 
púbis). O formato concavo da articulação do quadril é 
determinado pela presença de uma cabeça femoral 
esférica. 
Vários vetores determinam a profundidade acetabular, 
incluindo o crescimento intersticial dentro da cartilagem 
articular, crescimento aposicional sob pericôndrio e o 
crescimento dos ossos adjacentes (ilíaco, isquio e púbis). 
No neonato, todo o fêmur proximal é uma estrutura 
cartilaginosa no formato da cabeça femoral e trocanteres 
maior e menor. As três principais áreas de crescimento 
são a placa fisária, a placa de crecimento do trocanter 
maior e o istmo do colo femoral. Entre 4º e 7 º mês de vida, 
surge o centro de ossificação femoral proximal (no centro 
da cabeça femoral). Este centro de ossificação continua a 
se dilatar, juntamente com seu primórdio cartilaginosos, 
até a vida adulta, quando somente uma fina camada de 
cartilagem articular permanece. Durante o período de 
crescimento, a espessura da cartilagem que circunda este 
núcleo ósseo diminui gradualmente, assim como a 
espessura de cartilagem acetabular. O crescimento do 
fêmur proximal é afetado pela tração exercida pelos 
músculos, pelas forças transmitidas através da 
articulação do quadril pela carga sobre o membro, pela 
nutrição articular normal, pela circulação e pelo tônus 
muscular. Alterações nestes fatores podem causar 
mudanças profundas no desenvolvimento do fêmur 
proximal. 
 
Anatomia do Quadril 
O quadril une a coluna vertebral aos dois fêmures. 
Contém funções primárias e secundárias. 
• Funções primárias: sustenta o peso do corpo nas 
posições sentadas e de pé; oferece fixação para os fortes 
músculos da locomoção e postura; 
• Funções secundárias: conter e proteger as vísceras 
pélvicas e as vísceras abdominais inferiores; 
proporcionar sustentação para as vísceras 
abdominopélvicas e para o útero grávido; proporcionar 
fixação para uma série de estruturas como corpos eréteis 
(corpos cavernosos e o corpo esponjoso), músculos e 
membranas entre outros. 
O termo pelve é usado para nomear o anel ósseo formado 
pelos dois ossos do quadril lateralmente, sacro e cóccix 
posteriormente, e delimitada na porção anterior pela 
sínfise púbica e na inferior pelo diafragma pélvico, 
constituindo assim o cíngulo do membro inferior. Faz 
parte da região inferior do abdome, sendo dividida em 
pelve óssea e visceral. 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
As vísceras pélvicas compreendem a bexiga, porções 
terminal dos ureteres, órgãos genitais, tanto masculino 
quanto feminino, reto, assim como também contêm vasos 
sanguíneos, vasos linfáticos e nervos. 
Como a maioria dos outros ossos do membro inferior, o 
quadril, também denominado osso pélvico ou osso 
ilíaco, é um osso par, articulando-se entre si 
anteriormente pela sínfise púbica e posteriormente os 
dois se articulam com o sacro em sua porção lateral e, 
ainda, inferiormente cada osso do quadril se articula com 
o fêmur correspondente. 
No feto, o osso do quadril é constituído por três partes, o 
ísquio, o púbis e o ílio. Até a puberdade, essas três peças 
ósseas que formam o osso do quadril permanecem unidas 
umas às outras por cartilagem; a partir desse período, 
ocorre a ossificação da cartilagem e o osso do quadril 
passa a ser único, embora as peças ósseas que o 
constituem originalmente conservem as suas 
denominações. 
O ponto de encontro desses três ossos faz-se ao nível do 
acetábulo, região na qual mais se faz sentir o peso 
suportado pelo quadril, que é a fossa articular que recebe 
a cabeça do fêmur. Portanto, é neste ponto que ocorre a 
ligação entre o esqueleto apendicular do membro 
inferior e o cíngulo do membro inferior. 
O osso do quadril é caracterizado como osso plano e 
irregular, apresentando comprimento e largura 
equivalentes e predominando sobre a espessura. Suas 
funções incluem as de movimento, participando das 
articulações com o sacro e o fêmur, de defesa, protegendo 
os órgãos pélvicos, e de sustentação, pois transmite aos 
membros inferiores o peso de todos os segmentos do 
corpo situados acima dele. 
No osso do quadril, visto lateralmente na posição 
vertical, é facilmente identificada uma profunda 
cavidade: o acetábulo e, logo abaixo, se encontra o forame 
obturado. Este é um grande orifício oval ou triangular, 
fechado por uma membrana, a membrana obturadora, 
com uma pequena passagem para os vasos e o nervo 
obturatório. A presença desse forame minimiza a massa 
óssea (peso), enquanto seu fechamento pela membrana 
oferece extensa área superficial em ambos os lados para 
fixação muscular. 
Como já foram referidas, as três peças esqueléticas que 
formam o osso do quadril (Figura 3) estão unidas, no 
adulto, no nível do acetábulo, de modo que o ílio forma 
sua porção posterossuperior; o ramo superior do púbis o 
constitui medialmente e o corpo do ísquio a sua porção 
inferior e lateral. 
O ílio compõe a maior parte do osso do quadril, 
possuindo partes mediais mais espessas para 
sustentação de peso, o corpo, e partes posterolaterais 
finas, as asas, sendo que a divisão é indicada na face 
interna pela linha arqueada. Anteriormente, o ílio possui 
espinhas ilíacas anterossuperiores e anteroinferiores 
que fornecem fixação para ligamentos e tendões dos 
músculos do membro inferior. 
A crista ilíaca, uma margem superior curva longa e 
espessa da asa do ílio, estende-se da espinha ilíaca 
anterossuperior até a espinha ilíaca posterossuperior. A 
crista é um local importante para fixação de músculos 
como o tensor da fáscia lata e o transverso do abdome. 
Uma proeminência no lábio externo da crista, a 
tuberosidade ilíaca, encontra-se a aproximadamente 
cinco a seis cm posterior à espinha ilíaca 
anterossuperior.A espinha ilíaca posterossuperior 
marca a extremidade superior da incisura isquiática 
maior. 
A parte anteromedial do osso do quadril pode ser 
estabelecida tomando-se como referência o púbis, que é 
menos volumosa e um pouco mais anterior que o ísquio. O 
púbis limita anteriormente o forame obturado 
apresentando dois ramos, um superior e outro inferior, 
quase horizontal. Os ramos são suportes esqueléticos, 
porém relativamente leves, que mantêm o arco formado 
pelo sacro e pelos dois ílios, através do qual o peso do 
esqueleto axial é dividido e transferido lateralmente 
para os membros inferiores quando se está em posição 
ortostática, e para os túberes isquiáticos quando sentado. 
O encontro dos dois ramos constitui o corpo do púbis. Os 
dois ossos púbicos se unem pela sínfise púbica. 
A margem ântero-superior dos corpos unidos e da sínfise 
forma a crista púbica, que oferece a fixação para 
músculos abdominais. A confluência dos ramos 
isquiopúbicos com cada um, formada pela união dos 
ramos púbicos inferior e do ísquio na borda inferior da 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
sínfise púbica forma o que é conhecido como arco do 
púbis ou ângulo subpúbico. 
A margem posterior do ramo superior do púbis tem uma 
elevação que recebe a denominação de linha pectínea do 
púbis, que forma a abertura superior da pelve e termina, 
medialmente, numa projeção óssea bem marcada nas 
extremidades laterais da crista púbica, o tubérculo 
púbico, no qual se fixa o ligamento inguinal. A margem 
inferior do ramo superior do púbis é a crista obturatória. 
 
Semiologia do Quadril 
O exame físico deve ser realizado buscando-se dados 
relativos à inspeção, palpação, mobilidade articular, 
realização de alguns testes especiais e breve exame 
neurológico ( motor e sensitivo). 
➢ Inspeção 
A inspeção inicia-se quando o paciente entra na sala de 
exame, devendo a marcha ser observada com atenção, 
pois várias patologias manifestam-se mais claramente 
durante a deambulação. 
A área a ser examinada deverá estar a descoberto, 
respeitando-se o pudor do paciente, para que possamos 
observar possíveis cicatrizes, hipotrofias musculares, 
assimetrias, alterações posturais. Se durante a inspeção 
houver suspeita de encurtamento de um membro em 
relação a outro, deveremos realizar a medida do 
comprimento dos membros conforme veremos adiante. 
➢ Palpação 
A palpação é realizada buscando-se identificar possíveis 
pontos dolorosos, tumorações, deformidades ósseas e o 
tônus e o trofismo da musculatura. São importantes 
pontos de referência: a espinha ilíaca ântero-superior, a 
crista ilíaca, a espinha ilíaca póstero-superior, o 
trocânter maior e a tuberosidade isquiática. 
O nervo ciático encontra-se a meio caminho entre estas 
duas últimas estruturas, na nádega. O pulso da artéria 
femoral pode ser palpado imediatamente abaixo do 
ligamento inguinal, em um ponto a meia distância entre a 
espinha ilíaca ântero-superior e a sínfise púbica. 
A musculatura periarticular é bastante potente e pode ser 
palpada em grupos: 
• Flexores- na região anterior do quadril ( 
iliopsoas, reto femoral, sartório) 
• Abdutores- na região lateral do quadril ( glúteos 
médio e mínimo) 
• Extensores- na região posterior do quadril ( 
glúteo máximo e isquiotibiais) 
• Adutores- na região medial do quadril ( adutores 
longo, curto e magno, pectíneo e grácil). 
 
➢ Mobilidade Articular 
O quadril é uma articulação sinovial do tipo esferóide, e 
portanto, capaz de realizar movimentos em todos os 
planos. Para pesquisa dos movimentos o indivíduo é 
colocado em decúbito dorsal, mantendo-se a pelve e o 
tronco em posição simétrica. 
É comum a bacia movimentar-se quando estamos 
testando a articulação do quadril, o que pode levar um 
examinador desatento a interpretar erroneamente o grau 
de amplitude de movimentos. Por isto, sempre observe a 
pelve e estabilize-a segurando com uma das mãos. 
A mobilidade deve ser testada de forma ativa e passiva. 
Tanto os testes ativos como os passivos servem para 
determinar a existência de limitação de movimentos da 
articulação; nos testes ativos, o paciente utiliza seus 
próprios músculos para atingir o alcance necessário de 
movimentação, enquanto nos testes passivos é o 
examinador quem movimenta a articulação do paciente. 
O paciente pode ser incapaz de completar os testes ativos 
por fraqueza muscular, contratura dos tecidos moles 
periarticulares (cápsula articular, ligamentos, músculos) 
ou por bloqueios ósseos (alterações na conformação das 
superfícies articulares, fusões, saliências ósseas). 
Os testes passivos eliminam o fator muscular, visto que 
neste caso a força passa a ser desprendida pelo 
examinador. Se nos testes ativos o paciente foi incapaz de 
completar a amplitude normal de movimentos, porém 
nos testes passivos não houve limitações, podemos 
inferir que a fraqueza muscular é a causa da restrição. 
A amplitude média de movimentos do quadril é a 
seguinte: 
• Flexão (0-120 graus): consiste em levar a coxa em 
direção anterior, de encontro ao abdome(fig. 3). 
• Abdução (0-45 graus): consiste em afastar o 
membro inferior da linha média (fig. 4). 
• Adução (0-30 graus): consiste em cruzar a linha 
média com o membro inferior (fig 5). 
• Rotação interna (0-30 graus) e Rotação externa 
(0-45 graus): utilizamos a perna como referência 
para as medidas, rodando-se o membro inferior 
interna e externamente (fig 6 e 7). 
• Extensão (0-30 graus): é feita com o paciente em 
decúbito ventral, elevando-se a coxa da 
superfície da mesa de exame, mantendo-se o 
joelho levemente fletido (fig. 8). 
Obs.: As rotações também podem ser avaliadas com o 
quadril em extensão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
➢ Testes Especiais 
Teste de Trendelenburg 
Este teste avalia o músculo glúteo médio. O músculo 
glúteo médio estabiliza a pelve, impedindo o 
infradesnivelamento da pelve no lado oposto a contração 
muscular durante a fase de oscilação da marcha. 
Essa manobra é realizada solicitando ao paciente em pé 
que flexione o quadril e o joelho de um lado com enquanto 
se observa o nível das cristas ilíacas. 
O teste é positivo quando ocorre a queda da pelve para o 
lado não apoiado, o que significa insuficiência do glúteo 
médio do lado oposto. Esta queda pode ser observada 
também durante a marcha. 
Figura 03 flexão Figura 04 Abdução 
Figura5 adução 
Figura6 rot. interna 
Figura7 rot. externa 
Figura8 extensão 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
Esse sinal é conhecido como sinal de Trendelenburg. 
Geralmente, o indivíduo compensa essa queda 
inclinando o tronco para o lado oposto para permitir a 
elevação do membro. 
 
Teste de Thomas 
 Este teste objetiva determinar a presença e o grau da 
contratura em flexão do quadril. 
A manobra é realizada solicitando-se ao paciente em 
decúbito dorsal que abrace junto ao tronco o membro 
inferior fletido. Se a coxa oposta não apóia sobre a mesa 
de exame, significa que há deformidade em flexão do 
quadril que pode ser medida em graus com auxílio de um 
goniômetro. 
Teste de Thomas Positivo (10º) 
 
Teste de Patrick ou Fabere 
Este teste avalia a articulação coxofemoral e a 
sacroilíaca. 
A manobra é realizada com o paciente em decúbito 
dorsal, solicitando se ao paciente que coloque o 
calcanhar sobre o joelho do lado oposto formando a 
figura do número quatro com os membros inferiores. 
Nesta posição o examinador força a abdução e a rotação 
externa no quadril examinado enquanto estabiliza a 
pelve com a outra mão no lado oposto. 
A restrição do movimento de abertura do “quatro” ou dor 
na virilha sugere patologia da articulação coxofemoral. 
Dor referida na topografia posterior da articulação 
sacroilíaca quando a abdução e a rotação externa são 
forçadas sugere disfunção localizada na articulação 
sacoilíaca. 
Teste de Patrick 
 
Teste de GaenslenEste teste avalia articulação sacroilíaca pelo 
movimento de contra-nutação. 
A manobra pode ser realizada com o paciente em 
decúbito dorsal ou lateral. O teste é executado forçando a 
extensão do membro inferior de um lado enquanto a 
pelve do lado oposto é 
estabilizada pelo 
próprio paciente que 
mantém o membro 
inferior fletido e 
abraçado junto ao 
tronco. O paciente 
pode referir dor caso 
haja doença na 
articulação sacroilíaca. 
 
 
Teste do músculo piriforme 
Esse teste objetiva avaliar o músculo piriforme. 
A manobra consiste no estiramento do músculo com 
rotação medial e flexão do quadril com o paciente em 
decúbito dorsal. Esta manobra não distende o nervo 
ciático. Dor localizada sobre o músculo com ou sem 
irradiação para o membro inferior pode indicar espasmo 
ou inflamação do músculo. 
 
Testes para avaliação de encurtamento muscular 
O teste de Ely permite identificar a presença de 
encurtamento da parte retofemoral do quadríceps. A 
manobra consiste na realização passiva da flexão do 
joelho com o paciente em decúbito ventral. Haverá 
encurtamento do músculo, se durante a manobra ocorrer 
flexão do quadril com elevação da pelve. 
 
 
 
Testes para avaliação de instabilidade do quadril do 
recém-nascido 
O sinal de Ortolani deve ser pesquisado em todo recém-
nascido. 
A manobra consiste na realização da abdução suave da 
coxa com o quadril fletido a 90o. Durante esta manobra o 
dedo indicador e médio exercem pressão leve sobre o 
trocânter do quadril examinado. Na doença displásica 
do quadril (luxação congênita) pode-se sentir um 
ressalto no momento em que o quadril é reduzido pela 
manobra que caracteriza o sinal positivo. 
O sinal de Barlow está presente no recém-nascido se o 
quadril é luxável. O sinal é caracterizado pelo ressalto 
que é sentido ao realizar pressão suave medialmente e no 
sentido longitudinal do fêmur com o quadril aduzido. 
 
 
 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
 
 
 
Teste de Telescopagem 
O teste da 
telescopagem é 
utilizado para avaliar 
a instabilidade do 
quadril. 
A manobra é realizada 
pela pressão 
longitudinal da coxa 
com o quadril na 
posição fletida a 90º. 
O deslocamento no 
sentido axial caracteriza o teste positivo. 
 
Medida dos comprimento dos membros inferiores 
A realização das medidas dos comprimentos dos 
membros inferiores é útil para o diagnóstico de 
obliqüidade pélvica, da discrepância no comprimento 
dos membros inferiores e da escoliose compensatória 
secundária a diferença no comprimento dos membros 
inferiores. 
A diferença observada no comprimento dos membros 
inferiores pode ser apenas aparente. Ocorre quando há 
obliqüidade pélvica. A medida feita a partir da cicatriz 
umbilical mostra uma diferença que não é confirmada 
pela medida real do membro feito a partir das espinhas 
ilíacas ântero-superiores. 
A medida real da diferença deve ser feita a partir da 
espinha ilíaca ântero-superior até o maléolo medial ou a 
superfície plantar do calcanhar com o auxilio de uma fita 
métrica em cada membro (Figura). A diferença de 
comprimento dos membros inferiores pode ser causa dos 
desvios observados na coluna vertebral (escoliose) e na 
pelve (obliqüidade pélvica). 
 
 
Teste de Allis 
O teste de Allis objetiva avaliar a diferença dos 
comprimentos das coxas. 
A manobra consiste na observação do nível dos joelhos 
com o quadril fletido a 90o. O desnível caracteriza o teste 
positivo e pode ser devido ao encurtamento do fêmur da 
tíbia ou devido a luxação do quadril. Na luxação do 
quadril (doença displásica do quadril) esse sinal é 
conhecido como sinal de Galeazzi. 
 
Teste para avaliação da epifisiólise proximal do fêmur 
Objetiva determinar limitação da rotação medial do 
quadril. 
A manobra consiste na flexão passiva e simultânea do 
quadril e do joelho com o paciente em decúbito dorsal. O 
teste positivo produz o sinal de Drehmann que consiste 
no aparecimento da rotação lateral durante a realização 
da flexão do quadril. Este sinal aparece nas fases 
precoces da epifisiólise proximal do fêmur. 
 
➢ Exame Neurológico 
O exame neurológico do quadril se compõe de duas 
partes: testes motores e testes sensitivos. 
Testes Motores: os músculos são testados por grupos, 
conforme descrito anteriormente. 
• Os flexores(inervados por L1,L2 e L3) são 
testados com o paciente sentado, com as pernas 
pendentes para fora da mesa, solicitando-se que 
o mesmo flexione o quadril enquanto o 
examinador ofereçe resistência no terço distal 
da coxa. 
• Para se testar os extensores(S1) o paciente deve 
estar em decúbito ventral e com o joelho fletido, 
tentando estender o quadril enquanto o 
examinador oferece resistência na face 
posterior da coxa. 
• Os abdutores(L5) são testados com o paciente em 
decúbito dorsal, enquanto o examinador coloca 
suas mãos sob as faces laterais dos tornozelos , 
impondo resistência e solicitando ao paciente 
que abduza os membros; pode também ser 
testado com o paciente em decúbito lateral, 
quando então o examinador impõe resistência 
na face lateral da coxa . 
• E os adutores(L2,L3 e L4) são testados com o 
paciente em decúbito dorsal, estando os 
membros abduzidos e com o examinador 
impondo resistência na face interna dos 
tornozelos enquanto o paciente é solicitado a 
realizar o movimento de adução. 
Para cada grupo muscular a força é então classificada, de 
acordo com o sistema proposto pela ASIA: 
• Grau 0: não há contração visível ou palpável 
• Grau 1: contração visível e/ou palpável, mas que 
não produz movimento 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
• Grau 2: movimentação completa do membro 
desde que eliminada a força contrária da 
gravidade 
• Grau 3: movimentação completa do membro 
contra a força da gravidade 
• Grau 4: movimentação completa contra a força 
da gravidade e uma pequena resistência 
imposta pelo examinador . 
• Grau 5: movimentação completa contra a 
força da gravidade e uma grande resistência 
imposta pelo examinador. 
 
Testes Sensitivos: as raízes que suprem sensitivamente a 
pele da região do quadril e coxa são: 
T12(área do ligamento inguinal), L1(terço superior da 
coxa), L2(terço médio da coxa), L3(terço inferior da coxa), 
todos estes na face anterior do membro. 
Na face posterior do membro, as raízes de S1 e S2 suprem 
a sensibilidade de extensa área que vai desde a prega 
glútea até a fossa poplítea. 
 
 
Displasia do Desenvolvimento do Quadril 
“Displasia do desenvolvimento do quadril” (DDQ) é uma 
expressão genérica que descreve um espectro de 
anormalidades anatômicas do quadril, as quais podem 
ser congênitas ou de desenvolvimento após o 
nascimento. A DDQ manifesta-se de várias formas, 
dependendo do grau de deslocamento, da idade do 
paciente no diagnóstico e no tratamento ou, ainda, da 
condição do quadril, se é instável, displásico, 
subluxado ou luxado. A displasia implica progressiva 
deformidade do quadril, em que o fêmur proximal, o 
acetábulo e a cápsula são defeituosos. A luxação da 
cabeça do fêmur pode ocorrer no útero (fetal ou pré-
natal), no nascimento (perinatal) ou depois dele (pós-
natal). Os achados clínicos e radiográficos, assim como as 
modificações patológicas, dependem do tempo de 
deslocamento. A luxação do quadril é dividida em três 
grandes categorias: a teratológica, que ocorre antes do 
nascimento e envolve graves deformidades do acetábulo, 
da cápsula e do fêmur proximal, associada a outras 
malformações, como mielomeningocele, artrogripose 
múltipla congênita, agenesia lombossacral e anomalias 
cromossômicas; a neurológica, em decorrência dos 
desequilíbrios musculares pós-natais, como na paralisia 
cerebral; e a típica, que ocorre em crianças normais. 
 
ETIOLOGIA 
As causas da DDQ são multifatoriais, mas as mais 
importantes são hiperlassidão ligamentar, excessiva 
anteversão femoral, anteversão e/oudeficiência 
acetabular e má posição intrauterina. 
Em recém-nascidos, a suspeita de DDQ costuma ser alta 
nas seguintes situações: 
a) existir história familiar; 
b) ocorrer oligoidrâmnios; 
c) for o primeiro filho e do sexo feminino (meninas têm 
incidência maior do que meninos, em proporção de 8:1); 
d) apresentar torcicolo, plagiocefalia, pé metatarso varo 
ou calcâneo-valgo, contratura em extensão dos joelhos ou 
outras deformidades; 
e) tiver apresentação pélvica (aumenta a probabilidade 
de luxação em mais de 14 vezes no lactente a termo). 
 
A flexão do quadril, durante os últimos meses de 
gestação, nas posições pélvica ou cefálica, aliada à 
frouxidão ligamentar, pode evoluir para displasia 
residual ou subluxação, mostrando que essa posição é 
importante como causa de displasia do 
desenvolvimento do quadril. Na posição pélvica, o 
fêmur do feto em flexão e rotação externa pode ser 
forçado para fora do acetábulo, predispondo a criança a 
nascer com o quadril instável, subluxado ou luxado. 
O quadril do neonato é uma articulação relativamente 
instável porque a musculatura não está desenvolvida, 
as superfícies cartilaginosas são deformáveis com 
facilidade e os ligamentos são frouxos. É possível haver 
posicionamento exagerado em flexão aguda e adução do 
quadril na vida intrauterina, sobretudo em fetos com 
apresentação de nádegas. Essa situação pode causar 
estiramento excessivo da cápsula posterior do quadril, o 
que deixa a articulação instável após o parto. A 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
frouxidão pode refletir a história familiar ou a 
presença do hormônio materno relaxina na circulação 
fetal. Na instabilidade, o quadril está contido e reduzido, 
mas lasso, instável e, por conseguinte, passível de 
luxação, em decorrência da frouxidão 
capsuloligamentar. Pode haver displasia concomitante. 
Na displasia, ocorre desenvolvimento inadequado da 
articulação do quadril, incluindo o acetábulo, a cabeça 
femoral ou ambos. No recém-nascido, a displasia, sem 
instabilidade ou luxação, é assintomática, e o exame 
físico é normal. O diagnóstico é fortuito e possível 
apenas por ultrassonografia. Quando tal condição vem 
acompanhada de instabilidade ou luxação, as manobras 
de Barlow confirmam o diagnóstico na avaliação por 
imagem. Por essa razão, o diagnóstico isolado costuma ser 
estabelecido muito tarde, quando a evolução alcança 
subluxação e luxação, com sinais clínicos mais evidentes 
na criança maior, como a limitação da abdução, o sinal de 
Galeazzi e o sinal de Trendelenburg na idade da marcha. 
Em certos casos, o diagnóstico pode ser ainda mais 
tardio, aparecendo na idade adulta sob a forma de dor em 
consequência de artrose precoce do quadril. Conforme 
Barlow, 60% dos casos de instabilidade isolada se 
estabilizam na primeira semana e 90% até o terceiro 
mês de vida. Os outros 10% tendem a evoluir para 
subluxação e luxação. Na experiência do autor, isso 
ocorre na instabilidade com displasia não diagnosticada 
e/ou não tratada de modo precoce. Na subluxação, existe 
perda parcial do contato articular. É o termo usado para 
descrever achados radiográficos que indicam hipoplasia 
do acetábulo e deslocamento parcial da cabeça do fêmur 
em relação ao seu encaixe no acetábulo. Na luxação, há 
perda total do contato articular entre a cabeça femoral e 
o acetábulo. Ambos os casos vêm acompanhados de 
maior ou menor displasia. 
 
DIAGNÓSTICO CLÍNICO 
O diagnóstico varia de acordo com a idade da criança, o 
grau de deslocamento da cabeça femoral (instável, 
subluxada ou luxada) e quanto à condição do 
deslocamento, se pré-natal, perinatal ou pós-natal. 
 
Do nascimento aos 6 meses 
No recém-nascido, o diagnóstico clínico de luxação do 
quadril é feito pelo teste de Ortolani, e o de 
instabilidade, pelo teste de Barlow. Contudo, antes de 
aplicar esses testes, é preciso examinar com cuidado, 
além dos sinais de risco, o quadril e os membros 
inferiores, em busca de outros aspectos sugestivos de 
DDQ, como: 
• Assimetria de pregas nas coxas e poplíteas. Costuma 
acontecer no recém-nascido pela obliquidade pélvica, 
com contratura no quadril em abdução de um lado e em 
adução do outro, o que poderá estar comprometido. 
• Assimétricas, positivo à esquerda, estendendo-se 
posterior e lateralmente à abertura anal. O lado direito é 
normal. Positivo à direita. Bilateral, sugerindo luxação 
posterior bilateral dos quadris. 
• Encurtamento aparente do fêmur (sinal de Galeazzi 
positivo). Não é encontrado de modo habitual no recém-
nascido, a não ser nos casos de deslocamento pré-natal 
(teratológica) ou no diagnóstico tardio, quando de uma 
luxação franca. O exame deve ser feito com os quadris em 
posição simétrica. Quando o quadril estiver em abdução, o 
outro em adução parecerá mais curto. O diagnóstico de 
fêmur curto congênito, nesses casos, não pode ser 
esquecido. 
• Assimetria das pregas inguinais. Em geral, as pregas são 
simétricas, mas, quando a cabeça femoral está deslocada 
em posição posterior e cranial, podem estar assimétricas. 
No lado afetado, a prega inguinal estende-se posterior e 
lateralmente em relação à abertura anal. Quando ambos os 
quadris estão deslocados, as pregas estão simétricas, mas 
estendem-se posterior e lateralmente à abertura anal. 
• Teste de Ortolani. Coloca-se a criança em posição supina 
em mesa de exame firme. A criança precisa estar relaxada, 
não chorar nem resistir ao exame. Examina-se um lado do 
quadril de cada vez. Com uma mão, estabiliza-se a bacia; 
com a outra, colocam-se os dedos médio e o indicador no 
trocânter maior e abraça-se a coxa com a mão e o polegar 
sobre o joelho. Não se coloca o polegar no triângulo 
femoral, pois isso pode causar dor e reação da criança. A 
manobra é realizada com delicadeza. Não se pode 
comprimir demais os dedos sobre a coxa do bebê. Com o 
quadril fletido em 90°, abduz-se a coxa e, com o dedo 
indicador ou o médio, empurra-se, de baixo para cima e de 
fora para dentro, pelo trocânter maior, a cabeça femoral 
para dentro do acetábulo. O examinador sente o ressalto de 
redução do quadril. A seguir, aduz-se o quadril. A cabeça 
femoral irá se deslocar para fora do acetábulo com ressalto 
de saída. Não se pode esquecer que esse é um teste de 
sensibilidade e não de força. O ressalto é sentido nos dedos, 
não pelos ouvidos por meio de ruídos do tipo clunck, como 
descrito em muitas publicações. É importante não 
confundir o ressalto de entrada e saída da cabeça femoral 
com o roçar miofascial da banda iliotibial, ou dos glúteos 
no trocânter maior, ou, ainda, o fenômeno do vácuo 
articular no quadril. A subluxação da patela, durante o 
exame, também pode causar crepitação, confundindo o 
exame. 
• Teste de Barlow. Esse teste é feito para o diagnóstico de 
instabilidade do quadril. A criança é colocada da mesma 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
forma que para o teste de Ortolani. A extensão do quadril 
aumenta a sua instabilidade, enquanto a hiperflexão 
deixa-o mais estável. O quadril deve ser testado em 45° de 
flexão e 5 a 10° de adução, ou seja, em posição de 
instabilidade. Com os dedos indicador e médio por cima do 
trocânter maior e o polegar no terço médio da coxa (não em 
cima do trocânter menor), empurra-se a cabeça femoral, 
lateral e posteriormente, na tentativa de deslocar o 
quadril. Quando o quadril é instável, a cabeça femoral se 
desloca para fora do acetábulo, por meio do ressalto de 
saída. A seguir, desfaz-se a compressão lateroposterior e, 
de maneira delicada, abduz-se e flexiona-se o quadril. A 
cabeça femoral será reduzida para dentro do acetábulo, 
com o ressalto de entrada. Em caso de dúvida, testa-se o 
quadril em posição de maior instabilidade, ou seja, com 
maior extensão e adução. No quadril subluxado, a cabeça 
femoral não consegue ser empurrada para fora do 
acetábulo, não ocorre o ressalto desaída, somente um 
deslizamento, e uma leve telescopagem pode ser sentida, já 
que o quadril está parcialmente luxado 
 
Dos 6 aos 12 meses 
Com o progressivo deslocamento posterolateral e cranial 
da cabeça femoral, aumentam as alterações anatômicas 
na articulação. 
• Contratura em adução do quadril: a abdução do 
quadril luxado é progressivamente limitada. 
• Encurtamento aparente da coxa: sinal de Galeazzi 
positivo 
• Postura em rotação externa do membro inferior: 
com o quadril e o joelho em extensão, o membro 
inferior fica posicionado em rotação externa. 
• Assimetria das pregas glúteas: as pregas ficam 
assimétricas e são mais acentuadas na luxação 
unilateral. 
ATENÇÃO! O teste de Ortolani pode ser negativo nas 
luxações pré-natais ou teratológicas em função das 
deformidades e da adaptação precoce dos componentes 
articulares, assim como nas de diagnóstico tardio, pela 
perda progressiva da frouxidão ligamentar e pelo 
aumento da força muscular, que mantém o quadril 
luxado, aumentando progressivamente as dificuldades 
de redução. 
 
Após a marcha 
Somando-se aos achados descritos, a criança anda com 
claudicação por conta da fraqueza do glúteo médio e do 
encurtamento aparente do membro afetado. Em 
ortostatismo, apresenta lordose lombar excessiva, 
rotação externa do membro inferior, trocânter maior 
proeminente e sinal de Trendelenburg positivo. Com o 
aumento da contratura em adução do quadril, ocorre 
geno valgo compensatório. 
 
 
 
DIAGNÓSTICO 
Exames de imagem 
O diagnóstico deve ser o mais precoce possível! Desde 
que realizado antes dos três meses de vida, o êxito do 
tratamento tem alta porcentagem de sucesso. 
A radiografia 
convencional tem um 
valor limitado na 
confirmação diagnóstica 
da DDQ nos recém-
nascidos, pois as epífises 
femorais proximais 
(cabeças dos fêmures) 
não estão ossificadas até 
os quatro a seis meses de 
vida, é cartilaginosa e, 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
portanto, radiotransparente. Por outro lado, a 
ultrassonografia do quadril do neonato tem um 
potencial óbvio nas crianças desta faixa etária, pois 
evidenciará claramente as estruturas cartilaginosas que 
são precariamente delineadas pela radiografia simples. 
 
É mportante 
ressaltar 
que, no 
período 
neonatal (0-4 
semanas), o 
exame físico 
é preferível 
em relação à 
USG pelo 
elevado 
índice de 
exames 
falso-positivos nesta faixa etária. 
A radiografia da bacia começará a ser útil para a 
confirmação da DDQ mais tarde, após os quatro meses 
de idade da criança. Ressaltamos que o núcleo de 
ossificação da cabeça femoral será radiograficamente 
visível a partir do quarto ou sexto mês de vida. 
Para diagnosticarmos a luxação/subluxação, devemos 
traçar algumas linhas, que são medidas e sinais indiretos, 
tais como: a linha de Hilgenreiner é uma reta horizontal 
traçada entre as cartilagens do acetábulo (trirradiadas), 
utilizada para comparar a altura das epífises femorais. A 
linha de Perkins é uma reta traçada perpendicularmente 
à primeira, tangenciando o rebordo ósseo lateral do 
acetábulo. Estas duas linhas formam os quatro 
quadrantes de Ombredane. No quadril normal, a porção 
medial da metáfise (ou o núcleo de ossificação epifisário) 
deverá estar no quadrante inferior interno. Fora essas 
tem a linha de Shenton e o índice acetabular. 
O índice acetabular é um ângulo agudo formado pela 
linha de Hilgenreiner e uma segunda linha traçada no 
teto acetabular. Caso este ângulo esteja maior que 30° isto 
sugere displasia acetabular. 
O atraso no aparecimento do núcleo de ossificação da 
epífise femoral, entre o terceiro e sexto mês de vida, leva 
à suspeita de DDQ. 
 
A tomografia axial computadorizada (TAC) no estudo 
da DDQ, graças ao seu poder de resolução e à 
possibilidade de realizar os cortes transversais, permite 
a observação da interposição do tendão do músculo 
ileopsoas e da hipertrofia do pulvinar, mesmo sem a 
contrastação da cápsula e do interior da cavidade 
articular como, também, evidenciar as subluxações 
femorais e a medida do ângulo de anteversão 
acetabular. Este exame poderá ser realizado mesmo com 
a criança usando aparelho gessado e será útil, portanto, 
para informar a exata posição de redução. 
Em trabalho realizado no Hospital das Clínicas da 
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e 
publicado em 1990, foram estudados nove pacientes com 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
11 quadris luxados submetidos à redução incruenta e à 
imobilização em aparelhos gessados e feito o controle 
desta redução com a TAC. A conclusão foi de que a TAC é 
um bom método na avaliação da redução incruenta da 
DDQ, sendo útil na maioria dos casos em que a 
radiografia simples deixar dúvidas; o ângulo de 
anteversão acetabular nem sempre está aumentado na 
DDQ como foi comprovado pela medição realizada no 
trabalho; e, o pulvinar hipertrofiado pode muito bem ser 
detectado pela TAC. 
 
TRATAMENTO 
O tratamento da DDQ é desafiador tanto para o 
ortopedista pediátrico como para o generalista. Os 
objetivos do tratamento incluem o diagnóstico o mais 
precocemente possível, a redução da articulação e a 
estabilização do quadril em uma posição segura. 
Classicamente, dividimos as possibilidades do 
tratamento de acordo com as diferentes faixas etárias, 
por ocasião do diagnóstico. 
 
a) Tratamento do recém-nascido até aos três meses de 
vida 
O tratamento é indicado tão cedo o diagnóstico tenha sido 
realizado. Nesta faixa etária o tratamento é baseado no 
conceito de que, mantendo-se o posicionamento do 
quadril reduzido em flexão e em leve abdução, ocorrerá o 
estímulo necessário para o desenvolvimento normal da 
articulação. Assim, uma vez estabelecido o diagnóstico de 
instabilidade ou de luxação do quadril, o tratamento será 
iniciado visando a redução da cabeça femoral na 
cavidade acetabular e a sua manutenção até a certeza 
da estabilidade articular. 
Nos Recém-Nascidos o objetivo é manter a cabeça 
centrada no acetábulo utilizando-se aparelhos fixos 
(travesseiro de Frejka) ou dinâmicos (tirantes de 
Pavlik) 
Inúmeros aparelhos ortopédicos estão disponíveis nos 
dias de hoje para cumprir o objetivo do tratamento 
inicial. Atualmente, a órtese mais comumente usada é o 
suspensório de Pavlik, USADO DE 1 – 6 MESES – aqui a 
indicação do medcurso. Esta órtese proporciona a 
simultânea flexão e abdução da articulação 
coxofemoral graças às tiras que se unem com relativa 
facilidade. Segundo Pavlik, o uso do suspensório por ele 
idealizado diminui o risco da necessidade de redução 
cirúrgica. 
 
A forma apropriada para o uso do suspensório de Pavlik, 
cuja ação está baseada no princípio de redução em 
flexão, evitando uma posição de abdução forçada da 
articulação. 89% dos quadris luxados em crianças 
menores de seis meses de idade, de um estudo realizado, 
foram reduzidos com sucesso e apresentaram um 
desenvolvimento normal com o uso desta órtese; apenas 
um quadril apresentou alterações leves, tipo 
osteocondrite. Em dois pacientes a falha na obtenção da 
redução foi devido ao não posicionamento em flexão de 
90°. 
Os autores recomendam o uso do suspensório de Pavlik 
no período de recém-nascido até aos nove meses de 
idade – aqui a indicação do artigo, não referindo necrose 
avascular da epífise femoral, o que está de acordo com 
autores. Porém, se a redução concêntrica não é obtida nas 
primeiras duas a três semanas de uso do suspensório – no 
medcurso traz de 3-4 semanas, esta conduta será 
abandonada em favor da tração seguida pelas técnicas 
clássicas de redução do quadril. 
As falhas de redução com o uso do Pavlik geralmente são 
devidas a um mau acompanhamento da criança pelo 
médico no ambulatório. Quando a opção é pelo uso do 
suspensório, é necessário que a criança seja examinada 
com frequência para avaliar a correta aplicação do 
mesmo,geralmente, a cada semana. Em linhas gerais, a 
criança permanecerá seis a oito semanas usando o 
aparelho ou, como regra prática, aproximadamente 
duas vezes o valor da idade em que iniciou o uso do 
suspensório de Pavlik. Lembramos que o suspensório de 
Pavlik poderá ser usado até aos quatro ou seis meses de 
idade da criança. 
Em caso de falha com o uso do suspensório a nossa opção 
é a redução incruenta e a imobilização em aparelho 
gessado (precedida ou não por um período de tração) 
para esta faixa etária. 
Medcurso - Se a redução não ocorrer nas próximas 3-4 
semanas, a redução incruenta está indicada: mantemos a 
criança em tração abdutora por aproximadamente 1-3 
semanas e tenotomia percutânea dos adutores, após o 
qual a criança será anestesiada no centro cirúrgico e uma 
redução fechada é realizada (com cuidado para evitar a 
necrose avascular epifisária). Em seguida, é colocada 
num aparelho gessado flexão e ligeira abdução 
(semelhante ao aparelho gessado de Petrie para doença 
de Legg-Perthes). 
 
b) Tratamento dos três meses de vida até a idade da 
marcha 
Nesta faixa etária a maioria dos pacientes com DDQ 
poderá ser tratada com a redução incruenta (fechada) e 
a imobilização em aparelho gessado pelvipodálico. No 
ato operatório poderá ser necessária a tenotomia 
percutânea dos músculos adutores do quadril. 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
Quando não conseguimos a redução por manobras 
fechadas, a redução aberta (cruenta) está indicada. 
Assim, as indicações para a redução cruenta são: 
1) a cabeça femoral permanece acima da cartilagem 
trirradiada no exame radiográfico; 
2) arco de redução/luxação é menor do que 25° após a 
tenotomia dos adutores; 
3) a cabeça femoral não entra no acetábulo; 
4) a cabeça femoral permanece lateralizada em relação 
ao acetábulo após quatro semanas de redução parcial; e 
5) a redução previamente tentada falhou. 
Após o período de imobilização no aparelho gessado, que 
variará de dois a três meses, o paciente passa a utilizar 
uma órtese de abdução (por exemplo, tipo Milgram) por 
mais dois a três meses. 
A criança com DDQ requer avaliação clínica e 
radiográfica, com tratamento ortopédico e observação 
quando indicado, até a maturidade esquelética. 
c) Tratamento após a idade da marcha 
Esta necessidade não deveria existir, pois o ideal é que 
o diagnóstico seja efetuado bem antes desta faixa etária; 
entretanto, em algumas crianças, pode ocorrer a falha 
tanto do diagnóstico como do consequente tratamento 
precoce. 
A abordagem e os tipos de tratamento nas crianças com 
idades superiores a um ano e meio ou dois anos, são 
motivo de controvérsia. 
Pode ser indicada a tentativa de redução fechada 
(incruenta) ou, então, a redução aberta (cruenta) será 
praticamente obrigatória. Nesta faixa etária, quando do 
ato operatório, ainda teremos de considerar o 
encurtamento femoral (ósseo) para permitir a redução 
articular como, também, as operações com osteotomias 
complementares na região acetabular (osteotomias tipos 
Salter, Dega e outras). 
O limite de idade para indicação das tentativas de 
redução do quadril será até os quatro ou cinco anos de 
vida da criança. Após esta idade, as denominadas 
operações "de salvamento" da articulação são utilizadas, 
incluindo as osteotomias pélvicas mais elaboradas e 
difíceis (tipos Steel, de Chiari, poligonal pélvica e outras) 
ou pensaremos nas artroplastias totais do quadril. 
 
De 6 a 18 Meses 
Deve ser tentada a redução incruenta (mesmo método 
descrito anteriormente) e, caso não tenha sucesso, está 
indicada a cirurgia aberta (redução cruenta). Após a 
redução, a criança é mantida na imobilização gessada em 
abdução por vários meses. 
 
De 18 Meses a 8 Anos 
Nesses casos, pelo grau de displasia e deformidade já 
apresentados, a redução cruenta (cirurgia aberta) está 
sempre indicada, associada à tenotomia adutora e a uma 
osteotomia corretiva. Até os 3-4 anos, usa-se mais a 
osteotomia de Salter, (um tipo de osteotomia inominada 
da pelve) e, desta faixa etária aos oito anos, a osteotomia 
de Chiari (deslocamento medial do acetábulo) é 
preferível, associada à redução da diáfise femoral 
(ostectomia). O objetivo das osteotomias é modificar a 
angulação dos ossos para melhor acoplamento 
femuroacetabular. Após a cirurgia, a criança deve usar 
um aparelho gessado por 6-8 semanas, retomando 
paulatinamente as atividades. Após os oito anos de idade, 
a correção da DDQ não tem mais benefício!! 
 
 
 
Pé Torto congênito 
Pé torto congênito (PTC) é o termo usado para descrever 
a deformidade complexa que inclui alterações de todos 
os tecidos músculo-esqueléticos distais ao joelho, ou 
sejam, dos músculos, tendões, ligamentos, ossos, vasos e 
nervos. A deformidade resultante consiste de equino do 
retropé, varo (ou inversão) da subtalar, cavo por flexão 
plantar do antepé e adução do médio e do antepé. O PTC 
idiopático ocorre em crianças sem alterações 
subjacentes que justifiquem o quadro e não se resolve de 
forma espontânea. Outros tipos de pés tortos são: o 
postural, que se resolve habitualmente com 
manipulações; o neurológico, associado à 
mielomeningocele; e o sindrômico, presente nas crianças 
com outras anomalias congênitas; os dois últimos, 
geralmente rígidos e muito resistentes ao tratamento. 
 
EPIDEMIOLOGIA 
A incidência do PTC apresenta ampla variação conforme 
a raça, sendo de 0,93 a 1,5 para cada 1.000 nascidos vivos 
da cor branca e de até 6,8 para cada 1.000 nascidos vivos 
polinésios(2-3). O sexo masculino é duas vezes mais 
afetado. O envolvimento é bilateral na metade dos 
casos e, quando unilateral, é mais frequente à direita. 
 
 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
ETIOLOGIA 
O PTC é um dos defeitos congênitos mais comuns do pé; 
entretanto, sua patogênese ainda não foi totalmente 
esclarecida. Foi observado que que aumenta a 
incidência de PTC quando ocorre perda de líquido 
amniótico entre a 11a e a 12a semanas de gestação. 
Observaram que a presença de contraturas é mais 
frequente quanto mais precoce e duradouro for o período 
de oligodrâmnio, sendo o pé torto a contratura mais 
encontrada. Demonstraram que, entre a oitava e a 10a 
semanas após a concepção, o pé passa por um estágio 
fisiológico que lembra o PTC maduro, sugerindo, então, 
que, provavelmente, existe uma parada no 
desenvolvimento, que impediria o curso normal de 
correção espontânea da deformidade. Acreditam 
também na existência de alterações histológicas e 
estruturais como defeitos primários. Há, ainda, a 
hipótese de que a deformidade seja secundária a 
anormalidades neurogênicas, em que a diminuição da 
inervação na região póstero-medial do pé seria 
responsável pelo encurtamento e fibrose da 
musculatura, sendo comparável a uma forma limitada de 
artrogripose. Fatores genéticos apresentam reconhecida 
influência na ocorrência do PTC. Observou-se que a 
ocorrência é 17 vezes maior em parentes de primeiro 
grau, seis vezes maior em parentes de segundo grau e 
aproximadamente igual à da população geral quando 
parentes de terceiro grau. Nos gêmeos monozigóticos a 
concordância é de 32,5%, enquanto que nos gêmeos 
fraternos é de apenas 2,9%, semelhante à de irmãos que 
não são gêmeos, na população caucasiana. Pais não 
afetados têm a probabilidade de 1:40 de ter um segundo 
filho afetado, enquanto que o risco de ter uma filha 
afetada é muito pequeno. Pais não afetados com uma filha 
afetada têm a probabilidade de 1:16 de ter um filho 
afetado e 1:40 de ter outra filha afetada. Dessa forma, 
considera-se que a herança seja feita através de um gene 
dominante de baixa penetrância, ou seja, de padrão 
multifatorial. 
 
Anatomia 
A deformidade no PTC é resultado do somatório entre o 
mau alinhamento dos ossos, alteração da conformação 
óssea e concomitante retração das partes moles. O osso 
que apresenta maior deformidade é o tálus,que tem 
seu colo encurtado e sua superfície medial diminuída. 
O ângulo formado pelo eixo longo da cabeça e do colo com 
o eixo longo do corpo do tálus é chamado ângulo de 
declinação, que num pé do adulto normal é de 
aproximadamente 150o a 160o e no PTC seu valor está 
entre 115º e 135º . A posição do tálus em relação ao 
tornozelo é motivo de controvérsia: é descrita como 
neutra, como rodada medialmente ou lateralmente. 
Cahuzac et al, utilizando a RNM tridimensional, 
concluíram que o enlage cartilaginoso do tálus está em 
rotação medial tanto no pé normal como no PTC; 
entretanto, no pé torto o ângulo é menor (28º versus 38º). 
O navicular e o calcâneo estão deslocados medial e 
plantarmente em relação ao tálus; o cubóide está 
deslocado medialmente em relação ao calcâneo; e o 
tornozelo encontra-se em equino. 
 
QUADRO CLÍNICO 
Toda criança portadora de deformidade congênita deve 
ser examinada como um todo, tanto para excluir 
alterações associadas como para identificação de fatores 
etiológicos, o que é possível nos casos não idiopáticos. 
Nos pés tortos congênitos é importante certificar-se de 
que não se trata de parte de quadros sindrômicos ou 
neurogênicos, assim como é necessário o acurado 
exame dos quadris pela possibilidade da associação 
com displasia do desenvolvimento. O PTC é 
caracterizado pelo equino do retropé, varo (ou 
inversão) da articulação subtalar, cavo (flexão plantar 
do antepé em relação ao retropé) e aduto (do antepé em 
relação ao mediopé). Essas deformidades não se 
corrigem passivamente. 
Observam-se uma ou duas pregas cutâneas posteriores 
e uma prega longitudinal no mediopé; o calcâneo não é 
palpável no seu coxim plantar. O tálus tem sua cabeça 
palpável na região dorsolateral e anteriormente à 
articulação do tornozelo. Numa criança com PTC 
unilateral, o pé é menor, a perna é levemente mais curta e 
tem menor diâmetro que a contralateral. O encurtamento 
ocorre na tíbia em 89% dos casos e no fêmur em 43%. A 
avaliação da torção tibial é muito difícil nos recém-
nascidos, mas torna-se mais evidente a torção interna à 
medida que a criança cresce, estando sempre associada, 
em maior ou menor intensidade. Sodré et al, em um 
estudo arteriográfico, observaram associação do PTC 
com hipoplasia ou terminação precoce da artéria tibial 
anterior, sendo sempre recomendado um bom exame 
neurovascular nas avaliações prévias e durante o 
tratamento. 
 
ALTERAÇÕES RADIOGRÁFICAS 
O diagnóstico do PTC no recém-nascido é 
essencialmente clínico. Existe grande dificuldade em 
avaliar e reproduzir as medições radiográficas. Os 
núcleos de ossificação são arredondados e excêntricos 
em seus moldes cartilaginosos, impossibili tando, por 
vezes, o correto traçado de seus eixos. Além disso, 
raramente conseguem-se radiografias com adequado 
posicionamento dos pés. O pé deve ser segurado na 
posição de melhor correção e, preferencialmente, com 
carga ou, ao menos, apoio. A incidência em ântero-
posterior (AP) é feita com dorsiflexão e rotação externa; o 
perfil (P), com dorsiflexão e eversão máximas. A ampola é 
direcionada para o retropé na incidência de frente e 
transmaleolar no perfil. 
 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
 No AP avaliamos os ângulos talocalcâneo (normal de 20º 
a 50º), talo-primeiro meta (normal de 0º a 20º) e talo-
quinto meta (normal é 0º). No perfil avaliamos o ângulo 
talocalcâneo (normal 25º a 50º), o tibiotalar (70º -100º) e 
o tibiocalcâneo com dorsiflexão máxima (25º-60º). As 
radiografias são úteis em crianças maiores para 
confirmar a correção, ajudar na identificação dos sítios 
de eventual deformidade residual, principalmente após 
o tratamento conservador e, ainda, para direcionar o 
tratamento cirúrgico, quando indicado. 
 
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO 
A graduação quanto à gravidade do PTC é fundamental 
para a comparação dos métodos de tratamento e de 
seus resultados. Dimeglio et al desenvolveram um 
método no qual o examinador aplica uma força 
corretiva “gentil” e observa quatro parâmetros 
principais: o equino no plano sagital, o varo no plano 
frontal, a derrotação do bloco calcâneo-antepé 
(supinação) e a adução do antepé, ambas no plano 
horizontal; cada um desses parâmetros é avaliado quanto 
à redutibilidade aplicando-se uma escala de quatro 
pontos, a partir do grau de deformidade residual. 
Adiciona-se mais um ponto na presença de cada uma das 
quatro outras alterações observadas (quadro 1). Já o 
método de avaliação de Pirani et al baseia-se em seis 
sinais clínicos de contratura. Um estudo comparativo 
entre as duas classificações, que investigou a correlação 
entre a avaliação e a gravidade do PTC, demonstrou que o 
método preconizado por Pirani et al apresenta alto 
coeficiente de correlação e tem melhor 
reprodutibilidade. Simons enfatiza a importância da 
avaliação radiográfica prévia nas incidências AP e P com 
correção máxima para avaliar melhor a extensão da 
deformidade residual após o tratamento conservador. 
 
TRATAMENTO 
O objetivo do tratamento é tornar o PTC um pé 
plantígrado, funcional e indolor. Com a técnica não 
cirúrgica acredita-se na capacidade de produzir 
deformação plástica e alongamento das estruturas 
contraturadas, de forma progressiva, mediante as 
propriedades viscoelásticas inerentes ao tecido 
conjuntivo. A manipulação seguida de gesso deve ser feita 
de forma seriada e é sempre o tratamento inicial, 
existindo tendência de reservar o tratamento cirúrgico às 
deformidades residuais. 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
 
Tratamento conservador 
Entre as 
diferentes 
modalidades de 
tratamento 
conservador, 
incluem-se a 
massoterapia 
fisioterápica 
seguida pelo uso 
de órtese, 
manipulações 
contínuas por 
uma máquina 
de mobilização 
passiva e 
manipulações corretivas seguidas pelo uso de gesso, 
que é o método mais utilizado, por ser baseado na 
experiência individual do profissional, pela praticidade 
e pelo baixo custo. Em relação às técnicas de 
manipulação seguidas por gesso, as mais utilizadas são a 
de Kite e de Ponseti. A técnica de Kite preconiza a 
correção das deformidades de forma sequencial e 
inicia-se pela abdução do antepé, seguida da correção 
do varo do calcâneo e, por fim, do equino. O gesso é 
confeccionado e durante sua secagem é moldado 
abduzindo-se o antepé e, com a outra mão, submete-se o 
calcâneo a uma força em valgo na sua borda medial, 
enquanto se realiza uma contrapressão próximo à 
articulação calcâneo-cubóide. O tempo médio de uso do 
gesso é de 22 meses e uma órtese noturna é utilizada até 
os 10 anos. Kite relatou sucesso em até 95% dos casos; 
entretanto, considera-se que os índices de sucesso com 
esse método são muito variáveis, pois depende muito da 
experiência pessoal. O bloqueio da articulação calcâneo-
cubóide arqueando-se o pé como se tentássemos 
endireitar um fio curvo foi considerado por Ponseti o 
“erro de Kite”, já que isso, na sua opinião, impede a 
adequada eversão do calcâneo. Ponseti também utiliza 
as manipulações seguidas por aparelho gessado 
inguinopodálico, com trocas a cada cinco a sete dias. A 
manobra visa corrigir simultaneamente o cavo, o varo 
e a adução; porém, de forma inovadora e, a princípio, 
aparentemente contraditória, inicia-se com a correção 
do cavismo, produzindo ou exagerando a supinação, 
“elevando” ainda mais o primeiro metatarso com o 
polegar. A seguir, corrige-se a adução fazendo-se a 
abdução e supinação dos dedos com contrapressão na 
porção lateral da cabeça do tálus (redução da articulação 
talonavicular). Dessa forma, a articulação calcâneo-
cubóide permanece livre, permitindo, depois, o 
adequado posicionamento do calcâneo. O gesso longo, 
cruropodálico, mantém o pé em rotação lateral. Após a 
resolução da adução e do varo, inicia-se a correção do 
equino; nesse momento, o pé deve estar abduzido até pelo 
menos 60º. Em70% dos casos é necessária a tenotomia 
percutânea do tendão calcâneo. São necessárias, em 
média, oito a 10 trocas de gesso para que seja obtida a 
correção completa do pé e, então, o tratamento continua 
mediante o uso da órtese de Denis-Browne, 
continuamente, pelos próximos três meses e no período 
noturno até os três anos de idade de criança. 
 
Tratamento cirúrgico 
Somente quando não se 
obtém a correção 
satisfatória mediante o 
tratamento com os métodos 
conservadores, indica-se o 
tratamento cirúrgico, que 
visa a completa e imediata 
resolução do quadro em um 
único procedimento. Como 
as deformidades residuais 
são variáveis, cada pé tem 
que ser cuidadosamente 
estudado através do exame 
físico e radiográfico. O 
diagnóstico correto permite a realização de cirurgias a la 
carte, ou seja, abordando-se apenas o necessário, 
evitando-se as liberações excessivas. A hipercorreção 
pode ser evitada pela preservação da porção anterior do 
ligamento deltóide profundo e do ligamento interósseo 
entre o tálus e o calcâneo. Além disso, deve-se ter cuidado 
com a redução do navicular em relação ao tálus e com os 
alongamentos dos tendões dos músculos tibial posterior e 
do tendão calcâneo. As transferências tendinosas são 
exclusivamente utilizadas em pés com deformidades 
dinâmicas. A idade ideal para que a criança seja 
submetida ao tratamento cirúrgico ainda é controversa; 
contudo, acredita-se que o melhor momento esteja entre 
os nove meses e um ano de idade ou quando o pé tiver o 
tamanho igual ou maior que 8cm. Nessa fase, as estruturas 
anatômicas são mais facilmente identificadas e o 
subsequente início da marcha ajuda a evitar as recidivas 
A abordagem cirúrgica mais utilizada é a circunferencial, 
conhecida como via de Cincinnati, descrita por 
Crawford et al. Outras possíveis abordagens são: a dupla 
via de Carroll et al ou a oblíqua, póstero-medial, de Turco. 
No nosso meio não é infrequente o diagnóstico tardio do 
PTC inveterado, fazendo-se necessária a utilização de 
procedimentos ósseos, como as osteotomias corretivas, a 
talectomia, a artrodese tríplice modelante ou, ainda, a 
correção progressiva mediante o emprego da técnica de 
tração-osteogênese, utilizando-se o fixador de Ilizarov. 
 
COMPLICAÇÕES 
As complicações do tratamento conservador são 
decorrentes do excesso de força (hiperpressão) e de 
técnica inadequada durante a manipulação. Quando a 
correção do equino é tentada antes da correção da 
adução e do varo, pode instalar-se a deformidade em 
“mata-borrão”. O excesso de pressão na superfície 
articular pode ocasionar rigidez e deformidade. As 
complicações inerentes ao tratamento cirúrgico são a 
lesão do feixe vasculonervoso, a necrose de pele e a 
infecção no trajeto dos pinos. Além dessas, podemos 
encontrar deformidades residuais, recidivas em até 25% 
dos casos, fraqueza muscular, hipercorreção e joanete 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
dorsal. A história 
natural do PTC não 
tratado é um pé 
com deformidade 
rígida, área de 
apoio dorsolateral, 
onde se forma uma 
calosidade e os 
pacientes 
deambulam com 
capacidade 
funcional 
semelhante à dos 
com amputação do tipo Syme sem prótese. A 
impossibilidade de usar sapatos convencionais pode 
representar um fator de exclusão social. Advertência: o 
ortopedista deve ter em mente, e sempre orientar os pais, 
que mesmo um pé corretamente tratado nunca será um 
pé absolutamente normal, permanecendo de tamanho 
menor e quase sempre associado à atrofia da panturrilha. 
 
Osteoartrose 
A osteoartrose (OA), também chamada de osteoartrite, é 
uma doença degenerativa das articulações sinoviais 
(diartroses), caracterizada clinicamente por dor e 
limitação funcional ("insuficiência articular"), 
radiologicamente pela presença de osteófitos, redução 
do espaço articular e esclerose do osso subcondral e, 
histopatologicamente pela perda da integridade da 
cartilagem articular – elemento alvo desse processo 
mórbido. Ao contrário do que se pensava, a osteoartrose 
não é uma consequência normal do envelhecimento, e 
sim uma doença que depende da interação de fatores 
genéticos, biomecânicos e metabólicos. 
 
FATORES DE RISCO 
A idade é o fator de risco mais importante. A partir dos 45 
anos a prevalência de OA aumenta em progressão 
geométrica, sendo bastante incomum antes disso. A 
explicação mais aceita é que o grau de atividade 
metabólica da cartilagem articular diminui 
progressivamente com o passar do tempo. Em jovens, os 
condrócitos respondem à estimulação mecânica 
aumentando a síntese de matriz extracelular, e por isso a 
cartilagem desses indivíduos é naturalmente mais 
espessa e elástica. No idoso, o turnover da matriz 
cartilaginosa se encontra reduzido e os condrócitos já 
não respondem com a mesma eficiência aos estímulos 
mecânicos, o que justifica uma cartilagem mais fina, com 
maior propensão ao desgaste e lesão do osso subjacente. 
A importância do sexo feminino para o risco de OA há 
muito é conhecida. Mulheres idosas possuem risco 
desproporcionalmente aumentado de OA em todas as 
articulações! Acredita-se que a deficiência de 
hormônios sexuais após a menopausa seja o principal 
fator contribuinte. A predisposição genética parece ser 
significativa somente em algumas articulações. Em 
famílias com muitos membros afetados por OA do 
quadril, foram identificadas mutações em genes 
envolvidos com a secreção de matriz extracelular 
pelos condrócitos (ex.: o alelo FRZB, cuja presença reduz 
a síntese de proteínas da matriz cartilaginosa). 
Acredita-se que o acúmulo de gordura corporal esteja 
relacionado à maior circulação de algum fator 
metabólico que predisponha a OA. De um modo geral, 
pacientes obesos têm mais OA que os não obesos, além do 
que a intensidade dos sintomas tende a ser maior nos 
primeiros. A perda ponderal melhora o quadro clínico da 
OA. 
O desalinhamento anatômico da articulação (ex.: rotura 
de menisco, ligamento, cápsula, fratura óssea com 
incongruência das superfícies articulares), por levar a 
um desequilíbrio de forças mecânicas intraarticulares 
(com sobrecarga focal sobre a cartilagem), é um 
importantíssimo fator na gênese da OA. Isso pode ser bem 
exemplificado na doença de Legg-Calvé-Perthes 
(osteonecrose da cabeça femoral na infância), na 
displasia acetabular e no genu valgum ou genu varum 
congênitos. Atividades profissionais e esportivas que 
sobrecarregam determinadas articulações também 
aumentam o risco. Assim se explica a maior prevalência 
de OA em homens em relação às mulheres, quando 
analisamos as faixas etárias abaixo dos 45 anos. 
Certas doenças metabólicas sistêmicas, como a ocronose 
e a hemocromatose (deposição nas cartilagens de ácido 
homogentísico e ferro, respectivamente) também 
favorecem o surgimento de OA por interferirem no 
turnover da matriz cartilaginosa. Agora, a osteoporose e 
o tabagismo apresentam correlação negativa com a OA, 
como se fossem "fatores protetores". O mecanismo 
fisiológico dessa associação "benéfica" ainda não foi 
esclarecido. 
 
PATOLOGIA 
• Alterações da cartilagem: a osteoartrose é uma doença 
caracterizada pela perda progressiva da cartilagem 
articular. Alterações típicas podem ser facilmente 
percebidas através de artroscopia ou analisando-se o 
corte longitudinal de uma peça anatômica. Nas fases 
iniciais, percebe-se uma irregularidade da superfície 
cartilaginosa, que chamamos de fibrilação. Com o avanço 
do processo, surgem fendas e erosões na cartilagem 
articular, tipicamente com distribuição focal (áreas com 
sobrecarga de peso); elas evoluem para o desnudamento 
do osso subcondral, que aparece como uma superfície 
branca e polida, semelhante ao marfim (eburnação). Ao 
corte da peça anatômica, observa-se redução da 
espessura da camada cartilaginosa, que pode 
desaparecer por completo em certos locais. A cartilagem 
possuialterações em sua composição, tornando-se mais 
hidratada e com menor quantidade de proteoglicanas 
(condromalacia). Na sua porção mais superficial há 
perda de condrócitos, enquanto na zona mais profunda, 
adjacente ao osso, existem focos de regeneração celular. 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
• Alterações do osso subcondral: a injúria 
microtraumática permanente ao osso subcondral 
estimula os osteoblastos a sintetizarem matriz óssea, 
justificando o achado da esclerose óssea. Algumas 
regiões do osso desnudo, por absorverem as altas 
pressões do espaço articular, sofrem necrose 
provocando a formação de cistos subcondrais. Os 
osteófitos já podem ser formados desde as fases iniciais 
da OA, pelo processo de regeneração cartilaginosa, que 
se encontra acentuado na doença, porém, predominando 
em regiões não expostas a altas pressões (bordos das 
cartilagens). Com a invasão da cartilagem neoformada 
por vasos sanguíneos, ocorre ossificação secundária. 
Assim, os osteófitos são prolongamentos 
osteocartilaginosos encontrados nas margens da 
articulação acometida, e são achados característicos da 
OA. 
• Sinovite: o termo "osteoartrite" pode ser utilizado no 
lugar de "osteoartrose" justamente pela existência de 
sinovite em casos avançados. Contudo, a inflamação da 
sinóvia na OA não é tão acentuada como nas artrites 
inflamatórias (artrite reumatoide, espondiloartropatias, 
colagenoses, artrite por depósito de cristais, artrite 
infecciosa, etc.). Acredita-se que seja decorrente à 
liberação de múltiplos fragmentos ósseos e 
cartilaginosos que se desprendem de uma superfície 
articular altamente degenerada. Esses fragmentos 
eventualmente são visualizados na artroscopia. Casos 
avançados também se acompanham por formação de 
cristais microscópicos de fosfato e pirofosfato de cálcio 
dentro do líquido sinovial. Acredita-se que tais cristais, 
por induzirem a liberação de enzimas proteolíticas e 
citocinas, participem no processo inflamatório crônico 
que acompanha a OA "terminal". 
 
PATOGÊNESE 
Classificamos a osteoartrose como primária ou 
idiopática (de causa desconhecida) – que possui alguns 
padrões articulares clássicos e representa o grupo mais 
frequente – e secundária, causada por trauma, 
malformações anatômicas, doenças congênitas (ex.: 
Legg-Calvé-Perthes), osteonecrose, endocrinopatias 
(hipotireoidismo, acromegalia) e distúrbios metabólicos 
(ex.: hemocromatose, doença de Wilson, ocronose). 
Os condrócitos, apesar de viverem em um tecido 
avascular (a cartilagem), são células ativas, que numa 
situação normal possuem metabolismo extremamente 
lento. Eles são os responsáveis pela síntese da matriz 
cartilaginosa, composta por fibras de colágeno tipo II, 
ácido hialurônico e proteoglicanas. Os próprios 
condrócitos também produzem enzimas capazes de 
degradar as macromoléculas dessa matriz – as 
metaloproteinases. Três são as principais: colagenase, 
gelatinase e estromelisina. Fisiologicamente, o balanço 
entre síntese e degradação da matriz cartilaginosa é 
mantido na medida em que a atividade dessas 
proteinases é regulada por inibidores fisiológicos 
locais, tais como o TIMP (inibidor tecidual de 
metaloproteinases). 
Na osteoartrose, por sua vez, o balanço é NEGATIVO: a 
degradação é maior do que a síntese. Além disso, na 
tentativa de reparar o dano, os condrócitos sintetizam 
macromoléculas diferentes (ex.: colágeno tipo X), 
inadequadas para a composição do tecido 
cartilaginoso normal. Uma série de citocinas 
produzidas pelas células da sinóvia contribui para esse 
desequilíbrio, especialmente interleucina-1 e TNF-alfa 
(mediadores próinflamatórios), capazes de inibir a 
síntese de proteoglicanas e estimular a ação das 
metaloproteinases. Hoje em dia sabemos, por exemplo, 
que o estresse biomecânico pode tornar os condrócitos 
mais sensíveis à ação do TNF-alfa e da IL-1. Contudo, a 
patogênese da osteoartrose ainda não foi totalmente 
elucidada: como se dá, no corpo humano, a verdadeira 
inter-relação entre fatores genéticos, metabólicos, 
biomecânicos e inflamatórios. 
 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
A maioria dos pacientes com sinais radiológicos de OA 
não apresenta sintomas. O motivo é que as fases iniciais 
da doença (onde se encontra um grande número desses 
indivíduos) são caracterizadas por lesão restrita à 
cartilagem articular, um tecido insensível à dor. 
Ademais, a intensidade dos sintomas não possui relação 
direta com o grau de OA na radiografia! As articulações 
mais acometidas pela OA são a primeira 
metatarsofalangiana ("hálux valgo"), as interapofisárias 
(coluna vertebral), Interfalangianas Distais (IFD) e 
Proximais (IFP), carpometacarpiana do primeiro 
quirodáctilo (polegar), os joelhos e o quadril. Outras 
articulações também podem ser envolvidas, como os 
cotovelos. Curiosamente, as Metacarpofalangianas 
(MCP) não são tipicamente afetadas (ao contrário da 
artrite reumatoide), assim como a articulação do 
tornozelo (exceto em formas secundárias de OA – por 
exemplo: pós-trauma). 
O principal sintoma da OA é a dor articular, precipitada 
ou piorada pelo uso da articulação. A dor começa 
segundos ou minutos após o início do movimento, 
podendo permanecer por horas após o repouso. Tem 
um caráter tipo "aperto" ou "constrição". 
Eventualmente é desencadeada pelo próprio peso do 
corpo sobre a junta. Com o tempo, até cerca de 50% dos 
pacientes passam a referir dor em repouso e 30% 
apresentam dor noturna que pode dificultar o sono. Mas 
de onde vem a dor da OA? Seu mecanismo depende de 
vários fatores, tais como: (1) instabilidade articular, 
levando ao estiramento de ligamentos e da cápsula 
articular, ambas estruturas muito sensíveis à dor; (2) 
pressão intraóssea elevada, principalmente na placa 
subcondral, secundária à inflamação (vista na RM como 
edema de medula óssea); (3) sinovite; (4) dor muscular; (5) 
síndromes periarticulares secundárias – bursite, 
tenossinovite. 
Além da dor, o paciente pode se queixar de rigidez 
articular desencadeada pelo repouso. Ao contrário da 
rigidez matinal típica das artrites inflamatórias (que 
persistem > 1h), a rigidez matinal da OA não dura mais 
do que 30min (geralmente apenas alguns minutos). 
Queixas de "insegurança" e instabilidade articular 
também são frequentes (ex.: joelho). Muitos pacientes 
passam a, literalmente, ter medo de deambular! Outros 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
referem perda da 
amplitude de 
movimento da 
articulação 
acometida, sendo 
impedidos de 
realizar 
determinadas 
tarefas (ex.: amarrar o sapato, no caso da OA de quadril). 
Em fases avançadas, pode haver limitação funcional 
grave e incapacitante, sendo necessário o tratamento 
cirúrgico. A fraqueza e atrofia dos músculos 
periarticulares são achados comuns, explicados pelo 
desuso da articulação. Essa fraqueza contribui para a dor 
da OA, por aumentar a instabilidade articular, forçando 
os ligamentos e tendões. 
O exame físico do 
paciente revela 
dados sugestivos. A 
articulação 
acometida 
tipicamente 
apresenta um 
ligeiro aumento de 
volume, de 
consistência firme, 
com pontos 
dolorosos periarticulares. Normalmente, não há sinais 
de derrame articular. A movimentação passiva pode 
ser dolorosa e apresentar crepitações audíveis ou 
palpáveis. Nos casos mais avançados, é comum a 
presença de deformidade articular. Também ocorre 
limitação do movimento passivo independente da dor. 
Sinais francos de instabilidade articular podem ser 
observados. 
Eventualmente, o 
paciente possui 
evidências de 
sinovite leve a 
moderada, com 
muita dor à 
movimentação, 
edema, aumento 
da temperatura e 
discreto derrame 
articular. 
Denominamos esses casos "OA inflamatória", cuja 
abordagem terapêutica será um pouco diferente. É 
importante afastar outras causas de artrite que podem 
ocorrer em pacientes com OA, especialmente a 
pseudogota(depósitos de cristais de pirofosfato de 
cálcio) e a artrite séptica. Na dúvida, uma artrocentese 
deverá ser realizada! O conceito de que a OA é 
invariavelmente progressiva é incorreto. Em vários 
pacientes, ocorre esta bilização da doença. Alguns 
pacientes experimentam regressão da dor articular e até 
mesmo das alterações radiográficas. 
Dois importantes sinais podem ser facilmente 
percebidos no paciente com OA das mãos. Os nódulos de 
Heberden consistem numa expansão firme de osso 
recoberto de cartilagem, que se torna proeminente 
sobre o dorso das articulações interfalangianas distais. 
Os nódulos de Bouchard são aumentos semelhantes aos 
de Heberden, porém localizados sobre as articulações 
interfalangianas proximais. Esses nódulos são, na 
verdade, osteófitos palpáveis, quase patognomônicos de 
OA (especialmente os de Heberden). 
 
ACHADOS RADIOLÓGICOS E DIAGNÓSTICO 
O diagnóstico da OA é 
feito através da história, 
exame clínico e exame 
radiológico. Agora 
vamos rever os 
principais achados da 
OA na radiografia. O 
encontro de alguns 
desses achados 
associados a um quadro 
clínico compatível 
sugere fortemente o 
diagnóstico da OA! 
A gravidade da OA também pode ser estimada pelos 
sinais radiológicos. Uma redução muito acentuada ou 
perda do espaço articular e a presença de cistos 
subcondrais (decorrentes de necrose focal do osso) são 
sinais de OA grave. O colapso do osso subcondral é um 
evento terminal. 
Outros exames de imagem podem auxiliar na avaliação 
do paciente com OA. A tomografia computadorizada é 
superior à radiografia convencional na avaliação da 
articulação do ombro. A ressonância nuclear magnética é 
o exame de escolha para o diagnóstico de várias 
condições associadas à OA: rotura de menisco, rotura do 
ligamento cruzado, osteonecrose, lesão do manguito 
rotador do ombro, etc. Este exame também pode nos 
fornecer dados sobre a composição da cartilagem 
articular. 
• Exame do líquido sinovial: o derrame articular 
da OA é do tipo não inflamatório, com menos de 
2.000 leucócitos por mm3 , predominando as 
células mononucleares, com glicose normal. 
• Exame de sangue: as provas de atividade 
inflamatória (hemograma, VHS, proteína C-
reativa) estão caracteristicamente normais na 
OA, bem como o FAN e o fator reumatoide. Em 
idosos, podemos encontrar FR positivo em 
baixos títulos, mas tal achado se correlaciona 
com a idade avançada do paciente, e não à 
presença de um processo inflamatório 
autoimune. 
 
QUADRIL 
Alguns autores citam que a OA de quadril é mais comum 
no sexo masculino, e outros dizem que não há diferença 
entre os sexos. A literatura não confirma uma relação 
com a obesidade, porém, mostra associação negativa com 
a osteoporose. Na maioria das vezes, o comprometimento 
é unilateral. Existem três tipos anatômicos de OA de 
quadril: 
1. superolateral (60% dos casos), mais comum no 
sexo masculino; 
2. inferomedial (25%), mais comum no sexo 
feminino; e 
3. concêntrico (15%), mais comum no sexo 
feminino. 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI 
Cerca de 20% dos casos de OA de quadril são 
secundários a patologias previamente reconhecidas 
(displasia acetabular, doença de Legg-Calvé-Perthes, 
deslocamento congênito do quadril, diferença de 
comprimento entre os membros inferiores). O restante 
compõe o grupo da OA de quadril "primária". Todavia, 
atualmente se acredita que grande parte dos casos de OA 
de quadril primária seja, na verdade, decorrente de 
defeitos congênitos mais sutis, como uma displasia 
acetabular não identificada na infância, que por conta da 
incongruência entre as superfícies articulares leva a um 
desgaste acelerado da cartilagem, manifestando-se como 
OA na vida adulta. Seja como for, o principal sintoma é a 
dor à deambulação, referida na nádega, na virilha, na 
coxa ou até mesmo no joelho (25% dos casos). A dor 
normalmente piora com a rotação interna da coxa. A 
rigidez articular acaba por dificultar tarefas do 
cotidiano, como amarrar os sapatos. Para o diagnóstico, 
pelo American College of Rheumatology, o paciente deve 
apresentar dor no quadril (critério obrigatório) 
associada a, pelo menos, dois dos critérios abaixo: 
• VHS < 20 mm/h; 
• Osteófitos no RX (acetabular ou femoral); 
• Redução do espaço articular no RX. 
Nos casos graves, ocorre colapso da cabeça femoral, com 
redução do membro inferior afetado e dor refratária. A 
rotação interna (medial) é o primeiro movimento a ser 
perdido nos casos com incapacidade funcional. Existe 
um grupo de pacientes que apresenta uma evolução 
rápida e desastrosa, tornando-se incapacitado após 
alguns poucos anos, necessitando precocemente de 
artroplastia do quadril. Contudo, acredita-se que a 
maioria dos pacientes com OA de quadril tenha uma 
evolução insidiosa, com períodos longos de estabilidade. 
 
REFRÊNCIAS: 
MERLLOTTI MH, BRAGA SD, S C. Pé torto congênito. Rev 
Bras Ortop. 2006. 137-44. 
HEBERT, Sizínio K. et al. Ortopedia e traumatologia: 
princípios e prática. 5.ed. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. 
1651. p. 
 
 
 
 
 
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI

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