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Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
Embriologia do Quadril
Formação dos Membros no Embrião
Formação dos membros na 4ª semana no dobramento do
embrião surge 1º os brotos dos membros superiores,
brotos constituídos de mesoderma e ectoderma,
posteriormente surge os brotos dos membros inferiores,
na 6ª semana começa a aparecer os raios digitais.
5ª semana
• Placas de mãos e pés-raios digitais, músculos e
modelos cartilaginosos dos ossos.
• Músculos, ossos, cartilagens e vasos sanguíneos
formam-se a partir do mesoderma
• Gradativamente formam os ossos
• Inicialmente forma-se um molde do osso com um
aglomerado de células do mesoderma
6ª semana
• Início dos moldes de radio, ulna, cotovelo,
punho, carpos, falanges etc.
• O que era aglomerado de células começa a ser de
cartilagem.
• Aparecimento das articulações.
• Além dos ossos, se forma músculos e pele ao
redor.
• Ocorre em ambos os membros.
7ª semana
• As reentrâncias entre os dedos estão bem
acentuadas, porém os dedos não estão
totalmente separados.
• Na 7ª semana a cartilagem começa a ser
substituída por tecido ósseo.
• A ossificação ocorre lentamente.
• O osso vai ter a cartilagem e tecido ósseo.
8ª semana
• O osso já possui grande quantidade de tecido
ósseo e a cartilagem permanece nas articulações.
• Nem toda cartilagem é substituída, ela
permanece.
• Os dedos são curtos, as mãos parecem uma
nadadeira, junturas sinoviais (inicio do período
fetal)
• Miotomos formam músculos de ossos de
membros superiores e inferiores.
A articulação do quadril começa a se desenvolver por
volta da sétima semana de gestação, quando surge uma
fenda no mesênquima do broto do membro primitivo.
Estas células pré-cartilaginosas se diferenciam em uma
cabeça femoral e um acetabulo cartilaginosos totalmente
formados por volta da 11ª semana de gestação. Ao
nascimento, o acetábulo neonatal é completamente
composto por cartilagem, com uma borda de
fibrocartilagem chamada labrum.
A cartilagem hialina do acetábulo é continua com as
cartilagens trirradiadas, que dividem e interconectam os
três componentes ósseis da pelve (o ilíaco, o isqueo e o
púbis). O formato concavo da articulação do quadril é
determinado pela presença de uma cabeça femoral
esférica.
Vários vetores determinam a profundidade acetabular,
incluindo o crescimento intersticial dentro da cartilagem
articular, crescimento aposicional sob pericôndrio e o
crescimento dos ossos adjacentes (ilíaco, isquio e púbis).
No neonato, todo o fêmur proximal é uma estrutura
cartilaginosa no formato da cabeça femoral e trocanteres
maior e menor. As três principais áreas de crescimento
são a placa fisária, a placa de crecimento do trocanter
maior e o istmo do colo femoral. Entre 4º e 7 º mês de vida,
surge o centro de ossificação femoral proximal (no centro
da cabeça femoral). Este centro de ossificação continua a
se dilatar, juntamente com seu primórdio cartilaginosos,
até a vida adulta, quando somente uma fina camada de
cartilagem articular permanece. Durante o período de
crescimento, a espessura da cartilagem que circunda este
núcleo ósseo diminui gradualmente, assim como a
espessura de cartilagem acetabular. O crescimento do
fêmur proximal é afetado pela tração exercida pelos
músculos, pelas forças transmitidas através da
articulação do quadril pela carga sobre o membro, pela
nutrição articular normal, pela circulação e pelo tônus
muscular. Alterações nestes fatores podem causar
mudanças profundas no desenvolvimento do fêmur
proximal.
Anatomia do Quadril
O quadril une a coluna vertebral aos dois fêmures.
Contém funções primárias e secundárias.
• Funções primárias: sustenta o peso do corpo nas
posições sentadas e de pé; oferece fixação para os fortes
músculos da locomoção e postura;
• Funções secundárias: conter e proteger as vísceras
pélvicas e as vísceras abdominais inferiores;
proporcionar sustentação para as vísceras
abdominopélvicas e para o útero grávido; proporcionar
fixação para uma série de estruturas como corpos eréteis
(corpos cavernosos e o corpo esponjoso), músculos e
membranas entre outros.
O termo pelve é usado para nomear o anel ósseo formado
pelos dois ossos do quadril lateralmente, sacro e cóccix
posteriormente, e delimitada na porção anterior pela
sínfise púbica e na inferior pelo diafragma pélvico,
constituindo assim o cíngulo do membro inferior. Faz
parte da região inferior do abdome, sendo dividida em
pelve óssea e visceral.
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
As vísceras pélvicas compreendem a bexiga, porções
terminal dos ureteres, órgãos genitais, tanto masculino
quanto feminino, reto, assim como também contêm vasos
sanguíneos, vasos linfáticos e nervos.
Como a maioria dos outros ossos do membro inferior, o
quadril, também denominado osso pélvico ou osso
ilíaco, é um osso par, articulando-se entre si
anteriormente pela sínfise púbica e posteriormente os
dois se articulam com o sacro em sua porção lateral e,
ainda, inferiormente cada osso do quadril se articula com
o fêmur correspondente.
No feto, o osso do quadril é constituído por três partes, o
ísquio, o púbis e o ílio. Até a puberdade, essas três peças
ósseas que formam o osso do quadril permanecem unidas
umas às outras por cartilagem; a partir desse período,
ocorre a ossificação da cartilagem e o osso do quadril
passa a ser único, embora as peças ósseas que o
constituem originalmente conservem as suas
denominações.
O ponto de encontro desses três ossos faz-se ao nível do
acetábulo, região na qual mais se faz sentir o peso
suportado pelo quadril, que é a fossa articular que recebe
a cabeça do fêmur. Portanto, é neste ponto que ocorre a
ligação entre o esqueleto apendicular do membro
inferior e o cíngulo do membro inferior.
O osso do quadril é caracterizado como osso plano e
irregular, apresentando comprimento e largura
equivalentes e predominando sobre a espessura. Suas
funções incluem as de movimento, participando das
articulações com o sacro e o fêmur, de defesa, protegendo
os órgãos pélvicos, e de sustentação, pois transmite aos
membros inferiores o peso de todos os segmentos do
corpo situados acima dele.
No osso do quadril, visto lateralmente na posição
vertical, é facilmente identificada uma profunda
cavidade: o acetábulo e, logo abaixo, se encontra o forame
obturado. Este é um grande orifício oval ou triangular,
fechado por uma membrana, a membrana obturadora,
com uma pequena passagem para os vasos e o nervo
obturatório. A presença desse forame minimiza a massa
óssea (peso), enquanto seu fechamento pela membrana
oferece extensa área superficial em ambos os lados para
fixação muscular.
Como já foram referidas, as três peças esqueléticas que
formam o osso do quadril (Figura 3) estão unidas, no
adulto, no nível do acetábulo, de modo que o ílio forma
sua porção posterossuperior; o ramo superior do púbis o
constitui medialmente e o corpo do ísquio a sua porção
inferior e lateral.
O ílio compõe a maior parte do osso do quadril,
possuindo partes mediais mais espessas para
sustentação de peso, o corpo, e partes posterolaterais
finas, as asas, sendo que a divisão é indicada na face
interna pela linha arqueada. Anteriormente, o ílio possui
espinhas ilíacas anterossuperiores e anteroinferiores
que fornecem fixação para ligamentos e tendões dos
músculos do membro inferior.
A crista ilíaca, uma margem superior curva longa e
espessa da asa do ílio, estende-se da espinha ilíaca
anterossuperior até a espinha ilíaca posterossuperior. A
crista é um local importante para fixação de músculos
como o tensor da fáscia lata e o transverso do abdome.
Uma proeminência no lábio externo da crista, a
tuberosidade ilíaca, encontra-se a aproximadamente
cinco a seis cm posterior à espinha ilíaca
anterossuperior.A espinha ilíaca posterossuperior
marca a extremidade superior da incisura isquiática
maior.
A parte anteromedial do osso do quadril pode ser
estabelecida tomando-se como referência o púbis, que é
menos volumosa e um pouco mais anterior que o ísquio. O
púbis limita anteriormente o forame obturado
apresentando dois ramos, um superior e outro inferior,
quase horizontal. Os ramos são suportes esqueléticos,
porém relativamente leves, que mantêm o arco formado
pelo sacro e pelos dois ílios, através do qual o peso do
esqueleto axial é dividido e transferido lateralmente
para os membros inferiores quando se está em posição
ortostática, e para os túberes isquiáticos quando sentado.
O encontro dos dois ramos constitui o corpo do púbis. Os
dois ossos púbicos se unem pela sínfise púbica.
A margem ântero-superior dos corpos unidos e da sínfise
forma a crista púbica, que oferece a fixação para
músculos abdominais. A confluência dos ramos
isquiopúbicos com cada um, formada pela união dos
ramos púbicos inferior e do ísquio na borda inferior da
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
sínfise púbica forma o que é conhecido como arco do
púbis ou ângulo subpúbico.
A margem posterior do ramo superior do púbis tem uma
elevação que recebe a denominação de linha pectínea do
púbis, que forma a abertura superior da pelve e termina,
medialmente, numa projeção óssea bem marcada nas
extremidades laterais da crista púbica, o tubérculo
púbico, no qual se fixa o ligamento inguinal. A margem
inferior do ramo superior do púbis é a crista obturatória.
Semiologia do Quadril
O exame físico deve ser realizado buscando-se dados
relativos à inspeção, palpação, mobilidade articular,
realização de alguns testes especiais e breve exame
neurológico ( motor e sensitivo).
➢ Inspeção
A inspeção inicia-se quando o paciente entra na sala de
exame, devendo a marcha ser observada com atenção,
pois várias patologias manifestam-se mais claramente
durante a deambulação.
A área a ser examinada deverá estar a descoberto,
respeitando-se o pudor do paciente, para que possamos
observar possíveis cicatrizes, hipotrofias musculares,
assimetrias, alterações posturais. Se durante a inspeção
houver suspeita de encurtamento de um membro em
relação a outro, deveremos realizar a medida do
comprimento dos membros conforme veremos adiante.
➢ Palpação
A palpação é realizada buscando-se identificar possíveis
pontos dolorosos, tumorações, deformidades ósseas e o
tônus e o trofismo da musculatura. São importantes
pontos de referência: a espinha ilíaca ântero-superior, a
crista ilíaca, a espinha ilíaca póstero-superior, o
trocânter maior e a tuberosidade isquiática.
O nervo ciático encontra-se a meio caminho entre estas
duas últimas estruturas, na nádega. O pulso da artéria
femoral pode ser palpado imediatamente abaixo do
ligamento inguinal, em um ponto a meia distância entre a
espinha ilíaca ântero-superior e a sínfise púbica.
A musculatura periarticular é bastante potente e pode ser
palpada em grupos:
• Flexores- na região anterior do quadril (
iliopsoas, reto femoral, sartório)
• Abdutores- na região lateral do quadril ( glúteos
médio e mínimo)
• Extensores- na região posterior do quadril (
glúteo máximo e isquiotibiais)
• Adutores- na região medial do quadril ( adutores
longo, curto e magno, pectíneo e grácil).
➢ Mobilidade Articular
O quadril é uma articulação sinovial do tipo esferóide, e
portanto, capaz de realizar movimentos em todos os
planos. Para pesquisa dos movimentos o indivíduo é
colocado em decúbito dorsal, mantendo-se a pelve e o
tronco em posição simétrica.
É comum a bacia movimentar-se quando estamos
testando a articulação do quadril, o que pode levar um
examinador desatento a interpretar erroneamente o grau
de amplitude de movimentos. Por isto, sempre observe a
pelve e estabilize-a segurando com uma das mãos.
A mobilidade deve ser testada de forma ativa e passiva.
Tanto os testes ativos como os passivos servem para
determinar a existência de limitação de movimentos da
articulação; nos testes ativos, o paciente utiliza seus
próprios músculos para atingir o alcance necessário de
movimentação, enquanto nos testes passivos é o
examinador quem movimenta a articulação do paciente.
O paciente pode ser incapaz de completar os testes ativos
por fraqueza muscular, contratura dos tecidos moles
periarticulares (cápsula articular, ligamentos, músculos)
ou por bloqueios ósseos (alterações na conformação das
superfícies articulares, fusões, saliências ósseas).
Os testes passivos eliminam o fator muscular, visto que
neste caso a força passa a ser desprendida pelo
examinador. Se nos testes ativos o paciente foi incapaz de
completar a amplitude normal de movimentos, porém
nos testes passivos não houve limitações, podemos
inferir que a fraqueza muscular é a causa da restrição.
A amplitude média de movimentos do quadril é a
seguinte:
• Flexão (0-120 graus): consiste em levar a coxa em
direção anterior, de encontro ao abdome(fig. 3).
• Abdução (0-45 graus): consiste em afastar o
membro inferior da linha média (fig. 4).
• Adução (0-30 graus): consiste em cruzar a linha
média com o membro inferior (fig 5).
• Rotação interna (0-30 graus) e Rotação externa
(0-45 graus): utilizamos a perna como referência
para as medidas, rodando-se o membro inferior
interna e externamente (fig 6 e 7).
• Extensão (0-30 graus): é feita com o paciente em
decúbito ventral, elevando-se a coxa da
superfície da mesa de exame, mantendo-se o
joelho levemente fletido (fig. 8).
Obs.: As rotações também podem ser avaliadas com o
quadril em extensão.
➢ Testes Especiais
Teste de Trendelenburg
Este teste avalia o músculo glúteo médio. O músculo
glúteo médio estabiliza a pelve, impedindo o
infradesnivelamento da pelve no lado oposto a contração
muscular durante a fase de oscilação da marcha.
Essa manobra é realizada solicitando ao paciente em pé
que flexione o quadril e o joelho de um lado com enquanto
se observa o nível das cristas ilíacas.
O teste é positivo quando ocorre a queda da pelve para o
lado não apoiado, o que significa insuficiência do glúteo
médio do lado oposto. Esta queda pode ser observada
também durante a marcha.
Figura 03 flexão Figura 04 Abdução
Figura5 adução
Figura6 rot. interna
Figura7 rot. externa
Figura8 extensão
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
Esse sinal é conhecido como sinal de Trendelenburg.
Geralmente, o indivíduo compensa essa queda
inclinando o tronco para o lado oposto para permitir a
elevação do membro.
Teste de Thomas
Este teste objetiva determinar a presença e o grau da
contratura em flexão do quadril.
A manobra é realizada solicitando-se ao paciente em
decúbito dorsal que abrace junto ao tronco o membro
inferior fletido. Se a coxa oposta não apóia sobre a mesa
de exame, significa que há deformidade em flexão do
quadril que pode ser medida em graus com auxílio de um
goniômetro.
Teste de Thomas Positivo (10º)
Teste de Patrick ou Fabere
Este teste avalia a articulação coxofemoral e a
sacroilíaca.
A manobra é realizada com o paciente em decúbito
dorsal, solicitando se ao paciente que coloque o
calcanhar sobre o joelho do lado oposto formando a
figura do número quatro com os membros inferiores.
Nesta posição o examinador força a abdução e a rotação
externa no quadril examinado enquanto estabiliza a
pelve com a outra mão no lado oposto.
A restrição do movimento de abertura do “quatro” ou dor
na virilha sugere patologia da articulação coxofemoral.
Dor referida na topografia posterior da articulação
sacroilíaca quando a abdução e a rotação externa são
forçadas sugere disfunção localizada na articulação
sacoilíaca.
Teste de Patrick
Teste de GaenslenEste teste avalia articulação sacroilíaca pelo
movimento de contra-nutação.
A manobra pode ser realizada com o paciente em
decúbito dorsal ou lateral. O teste é executado forçando a
extensão do membro inferior de um lado enquanto a
pelve do lado oposto é
estabilizada pelo
próprio paciente que
mantém o membro
inferior fletido e
abraçado junto ao
tronco. O paciente
pode referir dor caso
haja doença na
articulação sacroilíaca.
Teste do músculo piriforme
Esse teste objetiva avaliar o músculo piriforme.
A manobra consiste no estiramento do músculo com
rotação medial e flexão do quadril com o paciente em
decúbito dorsal. Esta manobra não distende o nervo
ciático. Dor localizada sobre o músculo com ou sem
irradiação para o membro inferior pode indicar espasmo
ou inflamação do músculo.
Testes para avaliação de encurtamento muscular
O teste de Ely permite identificar a presença de
encurtamento da parte retofemoral do quadríceps. A
manobra consiste na realização passiva da flexão do
joelho com o paciente em decúbito ventral. Haverá
encurtamento do músculo, se durante a manobra ocorrer
flexão do quadril com elevação da pelve.
Testes para avaliação de instabilidade do quadril do
recém-nascido
O sinal de Ortolani deve ser pesquisado em todo recém-
nascido.
A manobra consiste na realização da abdução suave da
coxa com o quadril fletido a 90o. Durante esta manobra o
dedo indicador e médio exercem pressão leve sobre o
trocânter do quadril examinado. Na doença displásica
do quadril (luxação congênita) pode-se sentir um
ressalto no momento em que o quadril é reduzido pela
manobra que caracteriza o sinal positivo.
O sinal de Barlow está presente no recém-nascido se o
quadril é luxável. O sinal é caracterizado pelo ressalto
que é sentido ao realizar pressão suave medialmente e no
sentido longitudinal do fêmur com o quadril aduzido.
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
Teste de Telescopagem
O teste da
telescopagem é
utilizado para avaliar
a instabilidade do
quadril.
A manobra é realizada
pela pressão
longitudinal da coxa
com o quadril na
posição fletida a 90º.
O deslocamento no
sentido axial caracteriza o teste positivo.
Medida dos comprimento dos membros inferiores
A realização das medidas dos comprimentos dos
membros inferiores é útil para o diagnóstico de
obliqüidade pélvica, da discrepância no comprimento
dos membros inferiores e da escoliose compensatória
secundária a diferença no comprimento dos membros
inferiores.
A diferença observada no comprimento dos membros
inferiores pode ser apenas aparente. Ocorre quando há
obliqüidade pélvica. A medida feita a partir da cicatriz
umbilical mostra uma diferença que não é confirmada
pela medida real do membro feito a partir das espinhas
ilíacas ântero-superiores.
A medida real da diferença deve ser feita a partir da
espinha ilíaca ântero-superior até o maléolo medial ou a
superfície plantar do calcanhar com o auxilio de uma fita
métrica em cada membro (Figura). A diferença de
comprimento dos membros inferiores pode ser causa dos
desvios observados na coluna vertebral (escoliose) e na
pelve (obliqüidade pélvica).
Teste de Allis
O teste de Allis objetiva avaliar a diferença dos
comprimentos das coxas.
A manobra consiste na observação do nível dos joelhos
com o quadril fletido a 90o. O desnível caracteriza o teste
positivo e pode ser devido ao encurtamento do fêmur da
tíbia ou devido a luxação do quadril. Na luxação do
quadril (doença displásica do quadril) esse sinal é
conhecido como sinal de Galeazzi.
Teste para avaliação da epifisiólise proximal do fêmur
Objetiva determinar limitação da rotação medial do
quadril.
A manobra consiste na flexão passiva e simultânea do
quadril e do joelho com o paciente em decúbito dorsal. O
teste positivo produz o sinal de Drehmann que consiste
no aparecimento da rotação lateral durante a realização
da flexão do quadril. Este sinal aparece nas fases
precoces da epifisiólise proximal do fêmur.
➢ Exame Neurológico
O exame neurológico do quadril se compõe de duas
partes: testes motores e testes sensitivos.
Testes Motores: os músculos são testados por grupos,
conforme descrito anteriormente.
• Os flexores(inervados por L1,L2 e L3) são
testados com o paciente sentado, com as pernas
pendentes para fora da mesa, solicitando-se que
o mesmo flexione o quadril enquanto o
examinador ofereçe resistência no terço distal
da coxa.
• Para se testar os extensores(S1) o paciente deve
estar em decúbito ventral e com o joelho fletido,
tentando estender o quadril enquanto o
examinador oferece resistência na face
posterior da coxa.
• Os abdutores(L5) são testados com o paciente em
decúbito dorsal, enquanto o examinador coloca
suas mãos sob as faces laterais dos tornozelos ,
impondo resistência e solicitando ao paciente
que abduza os membros; pode também ser
testado com o paciente em decúbito lateral,
quando então o examinador impõe resistência
na face lateral da coxa .
• E os adutores(L2,L3 e L4) são testados com o
paciente em decúbito dorsal, estando os
membros abduzidos e com o examinador
impondo resistência na face interna dos
tornozelos enquanto o paciente é solicitado a
realizar o movimento de adução.
Para cada grupo muscular a força é então classificada, de
acordo com o sistema proposto pela ASIA:
• Grau 0: não há contração visível ou palpável
• Grau 1: contração visível e/ou palpável, mas que
não produz movimento
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• Grau 2: movimentação completa do membro
desde que eliminada a força contrária da
gravidade
• Grau 3: movimentação completa do membro
contra a força da gravidade
• Grau 4: movimentação completa contra a força
da gravidade e uma pequena resistência
imposta pelo examinador .
• Grau 5: movimentação completa contra a
força da gravidade e uma grande resistência
imposta pelo examinador.
Testes Sensitivos: as raízes que suprem sensitivamente a
pele da região do quadril e coxa são:
T12(área do ligamento inguinal), L1(terço superior da
coxa), L2(terço médio da coxa), L3(terço inferior da coxa),
todos estes na face anterior do membro.
Na face posterior do membro, as raízes de S1 e S2 suprem
a sensibilidade de extensa área que vai desde a prega
glútea até a fossa poplítea.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril
“Displasia do desenvolvimento do quadril” (DDQ) é uma
expressão genérica que descreve um espectro de
anormalidades anatômicas do quadril, as quais podem
ser congênitas ou de desenvolvimento após o
nascimento. A DDQ manifesta-se de várias formas,
dependendo do grau de deslocamento, da idade do
paciente no diagnóstico e no tratamento ou, ainda, da
condição do quadril, se é instável, displásico,
subluxado ou luxado. A displasia implica progressiva
deformidade do quadril, em que o fêmur proximal, o
acetábulo e a cápsula são defeituosos. A luxação da
cabeça do fêmur pode ocorrer no útero (fetal ou pré-
natal), no nascimento (perinatal) ou depois dele (pós-
natal). Os achados clínicos e radiográficos, assim como as
modificações patológicas, dependem do tempo de
deslocamento. A luxação do quadril é dividida em três
grandes categorias: a teratológica, que ocorre antes do
nascimento e envolve graves deformidades do acetábulo,
da cápsula e do fêmur proximal, associada a outras
malformações, como mielomeningocele, artrogripose
múltipla congênita, agenesia lombossacral e anomalias
cromossômicas; a neurológica, em decorrência dos
desequilíbrios musculares pós-natais, como na paralisia
cerebral; e a típica, que ocorre em crianças normais.
ETIOLOGIA
As causas da DDQ são multifatoriais, mas as mais
importantes são hiperlassidão ligamentar, excessiva
anteversão femoral, anteversão e/oudeficiência
acetabular e má posição intrauterina.
Em recém-nascidos, a suspeita de DDQ costuma ser alta
nas seguintes situações:
a) existir história familiar;
b) ocorrer oligoidrâmnios;
c) for o primeiro filho e do sexo feminino (meninas têm
incidência maior do que meninos, em proporção de 8:1);
d) apresentar torcicolo, plagiocefalia, pé metatarso varo
ou calcâneo-valgo, contratura em extensão dos joelhos ou
outras deformidades;
e) tiver apresentação pélvica (aumenta a probabilidade
de luxação em mais de 14 vezes no lactente a termo).
A flexão do quadril, durante os últimos meses de
gestação, nas posições pélvica ou cefálica, aliada à
frouxidão ligamentar, pode evoluir para displasia
residual ou subluxação, mostrando que essa posição é
importante como causa de displasia do
desenvolvimento do quadril. Na posição pélvica, o
fêmur do feto em flexão e rotação externa pode ser
forçado para fora do acetábulo, predispondo a criança a
nascer com o quadril instável, subluxado ou luxado.
O quadril do neonato é uma articulação relativamente
instável porque a musculatura não está desenvolvida,
as superfícies cartilaginosas são deformáveis com
facilidade e os ligamentos são frouxos. É possível haver
posicionamento exagerado em flexão aguda e adução do
quadril na vida intrauterina, sobretudo em fetos com
apresentação de nádegas. Essa situação pode causar
estiramento excessivo da cápsula posterior do quadril, o
que deixa a articulação instável após o parto. A
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frouxidão pode refletir a história familiar ou a
presença do hormônio materno relaxina na circulação
fetal. Na instabilidade, o quadril está contido e reduzido,
mas lasso, instável e, por conseguinte, passível de
luxação, em decorrência da frouxidão
capsuloligamentar. Pode haver displasia concomitante.
Na displasia, ocorre desenvolvimento inadequado da
articulação do quadril, incluindo o acetábulo, a cabeça
femoral ou ambos. No recém-nascido, a displasia, sem
instabilidade ou luxação, é assintomática, e o exame
físico é normal. O diagnóstico é fortuito e possível
apenas por ultrassonografia. Quando tal condição vem
acompanhada de instabilidade ou luxação, as manobras
de Barlow confirmam o diagnóstico na avaliação por
imagem. Por essa razão, o diagnóstico isolado costuma ser
estabelecido muito tarde, quando a evolução alcança
subluxação e luxação, com sinais clínicos mais evidentes
na criança maior, como a limitação da abdução, o sinal de
Galeazzi e o sinal de Trendelenburg na idade da marcha.
Em certos casos, o diagnóstico pode ser ainda mais
tardio, aparecendo na idade adulta sob a forma de dor em
consequência de artrose precoce do quadril. Conforme
Barlow, 60% dos casos de instabilidade isolada se
estabilizam na primeira semana e 90% até o terceiro
mês de vida. Os outros 10% tendem a evoluir para
subluxação e luxação. Na experiência do autor, isso
ocorre na instabilidade com displasia não diagnosticada
e/ou não tratada de modo precoce. Na subluxação, existe
perda parcial do contato articular. É o termo usado para
descrever achados radiográficos que indicam hipoplasia
do acetábulo e deslocamento parcial da cabeça do fêmur
em relação ao seu encaixe no acetábulo. Na luxação, há
perda total do contato articular entre a cabeça femoral e
o acetábulo. Ambos os casos vêm acompanhados de
maior ou menor displasia.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO
O diagnóstico varia de acordo com a idade da criança, o
grau de deslocamento da cabeça femoral (instável,
subluxada ou luxada) e quanto à condição do
deslocamento, se pré-natal, perinatal ou pós-natal.
Do nascimento aos 6 meses
No recém-nascido, o diagnóstico clínico de luxação do
quadril é feito pelo teste de Ortolani, e o de
instabilidade, pelo teste de Barlow. Contudo, antes de
aplicar esses testes, é preciso examinar com cuidado,
além dos sinais de risco, o quadril e os membros
inferiores, em busca de outros aspectos sugestivos de
DDQ, como:
• Assimetria de pregas nas coxas e poplíteas. Costuma
acontecer no recém-nascido pela obliquidade pélvica,
com contratura no quadril em abdução de um lado e em
adução do outro, o que poderá estar comprometido.
• Assimétricas, positivo à esquerda, estendendo-se
posterior e lateralmente à abertura anal. O lado direito é
normal. Positivo à direita. Bilateral, sugerindo luxação
posterior bilateral dos quadris.
• Encurtamento aparente do fêmur (sinal de Galeazzi
positivo). Não é encontrado de modo habitual no recém-
nascido, a não ser nos casos de deslocamento pré-natal
(teratológica) ou no diagnóstico tardio, quando de uma
luxação franca. O exame deve ser feito com os quadris em
posição simétrica. Quando o quadril estiver em abdução, o
outro em adução parecerá mais curto. O diagnóstico de
fêmur curto congênito, nesses casos, não pode ser
esquecido.
• Assimetria das pregas inguinais. Em geral, as pregas são
simétricas, mas, quando a cabeça femoral está deslocada
em posição posterior e cranial, podem estar assimétricas.
No lado afetado, a prega inguinal estende-se posterior e
lateralmente em relação à abertura anal. Quando ambos os
quadris estão deslocados, as pregas estão simétricas, mas
estendem-se posterior e lateralmente à abertura anal.
• Teste de Ortolani. Coloca-se a criança em posição supina
em mesa de exame firme. A criança precisa estar relaxada,
não chorar nem resistir ao exame. Examina-se um lado do
quadril de cada vez. Com uma mão, estabiliza-se a bacia;
com a outra, colocam-se os dedos médio e o indicador no
trocânter maior e abraça-se a coxa com a mão e o polegar
sobre o joelho. Não se coloca o polegar no triângulo
femoral, pois isso pode causar dor e reação da criança. A
manobra é realizada com delicadeza. Não se pode
comprimir demais os dedos sobre a coxa do bebê. Com o
quadril fletido em 90°, abduz-se a coxa e, com o dedo
indicador ou o médio, empurra-se, de baixo para cima e de
fora para dentro, pelo trocânter maior, a cabeça femoral
para dentro do acetábulo. O examinador sente o ressalto de
redução do quadril. A seguir, aduz-se o quadril. A cabeça
femoral irá se deslocar para fora do acetábulo com ressalto
de saída. Não se pode esquecer que esse é um teste de
sensibilidade e não de força. O ressalto é sentido nos dedos,
não pelos ouvidos por meio de ruídos do tipo clunck, como
descrito em muitas publicações. É importante não
confundir o ressalto de entrada e saída da cabeça femoral
com o roçar miofascial da banda iliotibial, ou dos glúteos
no trocânter maior, ou, ainda, o fenômeno do vácuo
articular no quadril. A subluxação da patela, durante o
exame, também pode causar crepitação, confundindo o
exame.
• Teste de Barlow. Esse teste é feito para o diagnóstico de
instabilidade do quadril. A criança é colocada da mesma
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
forma que para o teste de Ortolani. A extensão do quadril
aumenta a sua instabilidade, enquanto a hiperflexão
deixa-o mais estável. O quadril deve ser testado em 45° de
flexão e 5 a 10° de adução, ou seja, em posição de
instabilidade. Com os dedos indicador e médio por cima do
trocânter maior e o polegar no terço médio da coxa (não em
cima do trocânter menor), empurra-se a cabeça femoral,
lateral e posteriormente, na tentativa de deslocar o
quadril. Quando o quadril é instável, a cabeça femoral se
desloca para fora do acetábulo, por meio do ressalto de
saída. A seguir, desfaz-se a compressão lateroposterior e,
de maneira delicada, abduz-se e flexiona-se o quadril. A
cabeça femoral será reduzida para dentro do acetábulo,
com o ressalto de entrada. Em caso de dúvida, testa-se o
quadril em posição de maior instabilidade, ou seja, com
maior extensão e adução. No quadril subluxado, a cabeça
femoral não consegue ser empurrada para fora do
acetábulo, não ocorre o ressalto desaída, somente um
deslizamento, e uma leve telescopagem pode ser sentida, já
que o quadril está parcialmente luxado
Dos 6 aos 12 meses
Com o progressivo deslocamento posterolateral e cranial
da cabeça femoral, aumentam as alterações anatômicas
na articulação.
• Contratura em adução do quadril: a abdução do
quadril luxado é progressivamente limitada.
• Encurtamento aparente da coxa: sinal de Galeazzi
positivo
• Postura em rotação externa do membro inferior:
com o quadril e o joelho em extensão, o membro
inferior fica posicionado em rotação externa.
• Assimetria das pregas glúteas: as pregas ficam
assimétricas e são mais acentuadas na luxação
unilateral.
ATENÇÃO! O teste de Ortolani pode ser negativo nas
luxações pré-natais ou teratológicas em função das
deformidades e da adaptação precoce dos componentes
articulares, assim como nas de diagnóstico tardio, pela
perda progressiva da frouxidão ligamentar e pelo
aumento da força muscular, que mantém o quadril
luxado, aumentando progressivamente as dificuldades
de redução.
Após a marcha
Somando-se aos achados descritos, a criança anda com
claudicação por conta da fraqueza do glúteo médio e do
encurtamento aparente do membro afetado. Em
ortostatismo, apresenta lordose lombar excessiva,
rotação externa do membro inferior, trocânter maior
proeminente e sinal de Trendelenburg positivo. Com o
aumento da contratura em adução do quadril, ocorre
geno valgo compensatório.
DIAGNÓSTICO
Exames de imagem
O diagnóstico deve ser o mais precoce possível! Desde
que realizado antes dos três meses de vida, o êxito do
tratamento tem alta porcentagem de sucesso.
A radiografia
convencional tem um
valor limitado na
confirmação diagnóstica
da DDQ nos recém-
nascidos, pois as epífises
femorais proximais
(cabeças dos fêmures)
não estão ossificadas até
os quatro a seis meses de
vida, é cartilaginosa e,
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
portanto, radiotransparente. Por outro lado, a
ultrassonografia do quadril do neonato tem um
potencial óbvio nas crianças desta faixa etária, pois
evidenciará claramente as estruturas cartilaginosas que
são precariamente delineadas pela radiografia simples.
É mportante
ressaltar
que, no
período
neonatal (0-4
semanas), o
exame físico
é preferível
em relação à
USG pelo
elevado
índice de
exames
falso-positivos nesta faixa etária.
A radiografia da bacia começará a ser útil para a
confirmação da DDQ mais tarde, após os quatro meses
de idade da criança. Ressaltamos que o núcleo de
ossificação da cabeça femoral será radiograficamente
visível a partir do quarto ou sexto mês de vida.
Para diagnosticarmos a luxação/subluxação, devemos
traçar algumas linhas, que são medidas e sinais indiretos,
tais como: a linha de Hilgenreiner é uma reta horizontal
traçada entre as cartilagens do acetábulo (trirradiadas),
utilizada para comparar a altura das epífises femorais. A
linha de Perkins é uma reta traçada perpendicularmente
à primeira, tangenciando o rebordo ósseo lateral do
acetábulo. Estas duas linhas formam os quatro
quadrantes de Ombredane. No quadril normal, a porção
medial da metáfise (ou o núcleo de ossificação epifisário)
deverá estar no quadrante inferior interno. Fora essas
tem a linha de Shenton e o índice acetabular.
O índice acetabular é um ângulo agudo formado pela
linha de Hilgenreiner e uma segunda linha traçada no
teto acetabular. Caso este ângulo esteja maior que 30° isto
sugere displasia acetabular.
O atraso no aparecimento do núcleo de ossificação da
epífise femoral, entre o terceiro e sexto mês de vida, leva
à suspeita de DDQ.
A tomografia axial computadorizada (TAC) no estudo
da DDQ, graças ao seu poder de resolução e à
possibilidade de realizar os cortes transversais, permite
a observação da interposição do tendão do músculo
ileopsoas e da hipertrofia do pulvinar, mesmo sem a
contrastação da cápsula e do interior da cavidade
articular como, também, evidenciar as subluxações
femorais e a medida do ângulo de anteversão
acetabular. Este exame poderá ser realizado mesmo com
a criança usando aparelho gessado e será útil, portanto,
para informar a exata posição de redução.
Em trabalho realizado no Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e
publicado em 1990, foram estudados nove pacientes com
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
11 quadris luxados submetidos à redução incruenta e à
imobilização em aparelhos gessados e feito o controle
desta redução com a TAC. A conclusão foi de que a TAC é
um bom método na avaliação da redução incruenta da
DDQ, sendo útil na maioria dos casos em que a
radiografia simples deixar dúvidas; o ângulo de
anteversão acetabular nem sempre está aumentado na
DDQ como foi comprovado pela medição realizada no
trabalho; e, o pulvinar hipertrofiado pode muito bem ser
detectado pela TAC.
TRATAMENTO
O tratamento da DDQ é desafiador tanto para o
ortopedista pediátrico como para o generalista. Os
objetivos do tratamento incluem o diagnóstico o mais
precocemente possível, a redução da articulação e a
estabilização do quadril em uma posição segura.
Classicamente, dividimos as possibilidades do
tratamento de acordo com as diferentes faixas etárias,
por ocasião do diagnóstico.
a) Tratamento do recém-nascido até aos três meses de
vida
O tratamento é indicado tão cedo o diagnóstico tenha sido
realizado. Nesta faixa etária o tratamento é baseado no
conceito de que, mantendo-se o posicionamento do
quadril reduzido em flexão e em leve abdução, ocorrerá o
estímulo necessário para o desenvolvimento normal da
articulação. Assim, uma vez estabelecido o diagnóstico de
instabilidade ou de luxação do quadril, o tratamento será
iniciado visando a redução da cabeça femoral na
cavidade acetabular e a sua manutenção até a certeza
da estabilidade articular.
Nos Recém-Nascidos o objetivo é manter a cabeça
centrada no acetábulo utilizando-se aparelhos fixos
(travesseiro de Frejka) ou dinâmicos (tirantes de
Pavlik)
Inúmeros aparelhos ortopédicos estão disponíveis nos
dias de hoje para cumprir o objetivo do tratamento
inicial. Atualmente, a órtese mais comumente usada é o
suspensório de Pavlik, USADO DE 1 – 6 MESES – aqui a
indicação do medcurso. Esta órtese proporciona a
simultânea flexão e abdução da articulação
coxofemoral graças às tiras que se unem com relativa
facilidade. Segundo Pavlik, o uso do suspensório por ele
idealizado diminui o risco da necessidade de redução
cirúrgica.
A forma apropriada para o uso do suspensório de Pavlik,
cuja ação está baseada no princípio de redução em
flexão, evitando uma posição de abdução forçada da
articulação. 89% dos quadris luxados em crianças
menores de seis meses de idade, de um estudo realizado,
foram reduzidos com sucesso e apresentaram um
desenvolvimento normal com o uso desta órtese; apenas
um quadril apresentou alterações leves, tipo
osteocondrite. Em dois pacientes a falha na obtenção da
redução foi devido ao não posicionamento em flexão de
90°.
Os autores recomendam o uso do suspensório de Pavlik
no período de recém-nascido até aos nove meses de
idade – aqui a indicação do artigo, não referindo necrose
avascular da epífise femoral, o que está de acordo com
autores. Porém, se a redução concêntrica não é obtida nas
primeiras duas a três semanas de uso do suspensório – no
medcurso traz de 3-4 semanas, esta conduta será
abandonada em favor da tração seguida pelas técnicas
clássicas de redução do quadril.
As falhas de redução com o uso do Pavlik geralmente são
devidas a um mau acompanhamento da criança pelo
médico no ambulatório. Quando a opção é pelo uso do
suspensório, é necessário que a criança seja examinada
com frequência para avaliar a correta aplicação do
mesmo,geralmente, a cada semana. Em linhas gerais, a
criança permanecerá seis a oito semanas usando o
aparelho ou, como regra prática, aproximadamente
duas vezes o valor da idade em que iniciou o uso do
suspensório de Pavlik. Lembramos que o suspensório de
Pavlik poderá ser usado até aos quatro ou seis meses de
idade da criança.
Em caso de falha com o uso do suspensório a nossa opção
é a redução incruenta e a imobilização em aparelho
gessado (precedida ou não por um período de tração)
para esta faixa etária.
Medcurso - Se a redução não ocorrer nas próximas 3-4
semanas, a redução incruenta está indicada: mantemos a
criança em tração abdutora por aproximadamente 1-3
semanas e tenotomia percutânea dos adutores, após o
qual a criança será anestesiada no centro cirúrgico e uma
redução fechada é realizada (com cuidado para evitar a
necrose avascular epifisária). Em seguida, é colocada
num aparelho gessado flexão e ligeira abdução
(semelhante ao aparelho gessado de Petrie para doença
de Legg-Perthes).
b) Tratamento dos três meses de vida até a idade da
marcha
Nesta faixa etária a maioria dos pacientes com DDQ
poderá ser tratada com a redução incruenta (fechada) e
a imobilização em aparelho gessado pelvipodálico. No
ato operatório poderá ser necessária a tenotomia
percutânea dos músculos adutores do quadril.
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
Quando não conseguimos a redução por manobras
fechadas, a redução aberta (cruenta) está indicada.
Assim, as indicações para a redução cruenta são:
1) a cabeça femoral permanece acima da cartilagem
trirradiada no exame radiográfico;
2) arco de redução/luxação é menor do que 25° após a
tenotomia dos adutores;
3) a cabeça femoral não entra no acetábulo;
4) a cabeça femoral permanece lateralizada em relação
ao acetábulo após quatro semanas de redução parcial; e
5) a redução previamente tentada falhou.
Após o período de imobilização no aparelho gessado, que
variará de dois a três meses, o paciente passa a utilizar
uma órtese de abdução (por exemplo, tipo Milgram) por
mais dois a três meses.
A criança com DDQ requer avaliação clínica e
radiográfica, com tratamento ortopédico e observação
quando indicado, até a maturidade esquelética.
c) Tratamento após a idade da marcha
Esta necessidade não deveria existir, pois o ideal é que
o diagnóstico seja efetuado bem antes desta faixa etária;
entretanto, em algumas crianças, pode ocorrer a falha
tanto do diagnóstico como do consequente tratamento
precoce.
A abordagem e os tipos de tratamento nas crianças com
idades superiores a um ano e meio ou dois anos, são
motivo de controvérsia.
Pode ser indicada a tentativa de redução fechada
(incruenta) ou, então, a redução aberta (cruenta) será
praticamente obrigatória. Nesta faixa etária, quando do
ato operatório, ainda teremos de considerar o
encurtamento femoral (ósseo) para permitir a redução
articular como, também, as operações com osteotomias
complementares na região acetabular (osteotomias tipos
Salter, Dega e outras).
O limite de idade para indicação das tentativas de
redução do quadril será até os quatro ou cinco anos de
vida da criança. Após esta idade, as denominadas
operações "de salvamento" da articulação são utilizadas,
incluindo as osteotomias pélvicas mais elaboradas e
difíceis (tipos Steel, de Chiari, poligonal pélvica e outras)
ou pensaremos nas artroplastias totais do quadril.
De 6 a 18 Meses
Deve ser tentada a redução incruenta (mesmo método
descrito anteriormente) e, caso não tenha sucesso, está
indicada a cirurgia aberta (redução cruenta). Após a
redução, a criança é mantida na imobilização gessada em
abdução por vários meses.
De 18 Meses a 8 Anos
Nesses casos, pelo grau de displasia e deformidade já
apresentados, a redução cruenta (cirurgia aberta) está
sempre indicada, associada à tenotomia adutora e a uma
osteotomia corretiva. Até os 3-4 anos, usa-se mais a
osteotomia de Salter, (um tipo de osteotomia inominada
da pelve) e, desta faixa etária aos oito anos, a osteotomia
de Chiari (deslocamento medial do acetábulo) é
preferível, associada à redução da diáfise femoral
(ostectomia). O objetivo das osteotomias é modificar a
angulação dos ossos para melhor acoplamento
femuroacetabular. Após a cirurgia, a criança deve usar
um aparelho gessado por 6-8 semanas, retomando
paulatinamente as atividades. Após os oito anos de idade,
a correção da DDQ não tem mais benefício!!
Pé Torto congênito
Pé torto congênito (PTC) é o termo usado para descrever
a deformidade complexa que inclui alterações de todos
os tecidos músculo-esqueléticos distais ao joelho, ou
sejam, dos músculos, tendões, ligamentos, ossos, vasos e
nervos. A deformidade resultante consiste de equino do
retropé, varo (ou inversão) da subtalar, cavo por flexão
plantar do antepé e adução do médio e do antepé. O PTC
idiopático ocorre em crianças sem alterações
subjacentes que justifiquem o quadro e não se resolve de
forma espontânea. Outros tipos de pés tortos são: o
postural, que se resolve habitualmente com
manipulações; o neurológico, associado à
mielomeningocele; e o sindrômico, presente nas crianças
com outras anomalias congênitas; os dois últimos,
geralmente rígidos e muito resistentes ao tratamento.
EPIDEMIOLOGIA
A incidência do PTC apresenta ampla variação conforme
a raça, sendo de 0,93 a 1,5 para cada 1.000 nascidos vivos
da cor branca e de até 6,8 para cada 1.000 nascidos vivos
polinésios(2-3). O sexo masculino é duas vezes mais
afetado. O envolvimento é bilateral na metade dos
casos e, quando unilateral, é mais frequente à direita.
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
ETIOLOGIA
O PTC é um dos defeitos congênitos mais comuns do pé;
entretanto, sua patogênese ainda não foi totalmente
esclarecida. Foi observado que que aumenta a
incidência de PTC quando ocorre perda de líquido
amniótico entre a 11a e a 12a semanas de gestação.
Observaram que a presença de contraturas é mais
frequente quanto mais precoce e duradouro for o período
de oligodrâmnio, sendo o pé torto a contratura mais
encontrada. Demonstraram que, entre a oitava e a 10a
semanas após a concepção, o pé passa por um estágio
fisiológico que lembra o PTC maduro, sugerindo, então,
que, provavelmente, existe uma parada no
desenvolvimento, que impediria o curso normal de
correção espontânea da deformidade. Acreditam
também na existência de alterações histológicas e
estruturais como defeitos primários. Há, ainda, a
hipótese de que a deformidade seja secundária a
anormalidades neurogênicas, em que a diminuição da
inervação na região póstero-medial do pé seria
responsável pelo encurtamento e fibrose da
musculatura, sendo comparável a uma forma limitada de
artrogripose. Fatores genéticos apresentam reconhecida
influência na ocorrência do PTC. Observou-se que a
ocorrência é 17 vezes maior em parentes de primeiro
grau, seis vezes maior em parentes de segundo grau e
aproximadamente igual à da população geral quando
parentes de terceiro grau. Nos gêmeos monozigóticos a
concordância é de 32,5%, enquanto que nos gêmeos
fraternos é de apenas 2,9%, semelhante à de irmãos que
não são gêmeos, na população caucasiana. Pais não
afetados têm a probabilidade de 1:40 de ter um segundo
filho afetado, enquanto que o risco de ter uma filha
afetada é muito pequeno. Pais não afetados com uma filha
afetada têm a probabilidade de 1:16 de ter um filho
afetado e 1:40 de ter outra filha afetada. Dessa forma,
considera-se que a herança seja feita através de um gene
dominante de baixa penetrância, ou seja, de padrão
multifatorial.
Anatomia
A deformidade no PTC é resultado do somatório entre o
mau alinhamento dos ossos, alteração da conformação
óssea e concomitante retração das partes moles. O osso
que apresenta maior deformidade é o tálus,que tem
seu colo encurtado e sua superfície medial diminuída.
O ângulo formado pelo eixo longo da cabeça e do colo com
o eixo longo do corpo do tálus é chamado ângulo de
declinação, que num pé do adulto normal é de
aproximadamente 150o a 160o e no PTC seu valor está
entre 115º e 135º . A posição do tálus em relação ao
tornozelo é motivo de controvérsia: é descrita como
neutra, como rodada medialmente ou lateralmente.
Cahuzac et al, utilizando a RNM tridimensional,
concluíram que o enlage cartilaginoso do tálus está em
rotação medial tanto no pé normal como no PTC;
entretanto, no pé torto o ângulo é menor (28º versus 38º).
O navicular e o calcâneo estão deslocados medial e
plantarmente em relação ao tálus; o cubóide está
deslocado medialmente em relação ao calcâneo; e o
tornozelo encontra-se em equino.
QUADRO CLÍNICO
Toda criança portadora de deformidade congênita deve
ser examinada como um todo, tanto para excluir
alterações associadas como para identificação de fatores
etiológicos, o que é possível nos casos não idiopáticos.
Nos pés tortos congênitos é importante certificar-se de
que não se trata de parte de quadros sindrômicos ou
neurogênicos, assim como é necessário o acurado
exame dos quadris pela possibilidade da associação
com displasia do desenvolvimento. O PTC é
caracterizado pelo equino do retropé, varo (ou
inversão) da articulação subtalar, cavo (flexão plantar
do antepé em relação ao retropé) e aduto (do antepé em
relação ao mediopé). Essas deformidades não se
corrigem passivamente.
Observam-se uma ou duas pregas cutâneas posteriores
e uma prega longitudinal no mediopé; o calcâneo não é
palpável no seu coxim plantar. O tálus tem sua cabeça
palpável na região dorsolateral e anteriormente à
articulação do tornozelo. Numa criança com PTC
unilateral, o pé é menor, a perna é levemente mais curta e
tem menor diâmetro que a contralateral. O encurtamento
ocorre na tíbia em 89% dos casos e no fêmur em 43%. A
avaliação da torção tibial é muito difícil nos recém-
nascidos, mas torna-se mais evidente a torção interna à
medida que a criança cresce, estando sempre associada,
em maior ou menor intensidade. Sodré et al, em um
estudo arteriográfico, observaram associação do PTC
com hipoplasia ou terminação precoce da artéria tibial
anterior, sendo sempre recomendado um bom exame
neurovascular nas avaliações prévias e durante o
tratamento.
ALTERAÇÕES RADIOGRÁFICAS
O diagnóstico do PTC no recém-nascido é
essencialmente clínico. Existe grande dificuldade em
avaliar e reproduzir as medições radiográficas. Os
núcleos de ossificação são arredondados e excêntricos
em seus moldes cartilaginosos, impossibili tando, por
vezes, o correto traçado de seus eixos. Além disso,
raramente conseguem-se radiografias com adequado
posicionamento dos pés. O pé deve ser segurado na
posição de melhor correção e, preferencialmente, com
carga ou, ao menos, apoio. A incidência em ântero-
posterior (AP) é feita com dorsiflexão e rotação externa; o
perfil (P), com dorsiflexão e eversão máximas. A ampola é
direcionada para o retropé na incidência de frente e
transmaleolar no perfil.
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
No AP avaliamos os ângulos talocalcâneo (normal de 20º
a 50º), talo-primeiro meta (normal de 0º a 20º) e talo-
quinto meta (normal é 0º). No perfil avaliamos o ângulo
talocalcâneo (normal 25º a 50º), o tibiotalar (70º -100º) e
o tibiocalcâneo com dorsiflexão máxima (25º-60º). As
radiografias são úteis em crianças maiores para
confirmar a correção, ajudar na identificação dos sítios
de eventual deformidade residual, principalmente após
o tratamento conservador e, ainda, para direcionar o
tratamento cirúrgico, quando indicado.
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
A graduação quanto à gravidade do PTC é fundamental
para a comparação dos métodos de tratamento e de
seus resultados. Dimeglio et al desenvolveram um
método no qual o examinador aplica uma força
corretiva “gentil” e observa quatro parâmetros
principais: o equino no plano sagital, o varo no plano
frontal, a derrotação do bloco calcâneo-antepé
(supinação) e a adução do antepé, ambas no plano
horizontal; cada um desses parâmetros é avaliado quanto
à redutibilidade aplicando-se uma escala de quatro
pontos, a partir do grau de deformidade residual.
Adiciona-se mais um ponto na presença de cada uma das
quatro outras alterações observadas (quadro 1). Já o
método de avaliação de Pirani et al baseia-se em seis
sinais clínicos de contratura. Um estudo comparativo
entre as duas classificações, que investigou a correlação
entre a avaliação e a gravidade do PTC, demonstrou que o
método preconizado por Pirani et al apresenta alto
coeficiente de correlação e tem melhor
reprodutibilidade. Simons enfatiza a importância da
avaliação radiográfica prévia nas incidências AP e P com
correção máxima para avaliar melhor a extensão da
deformidade residual após o tratamento conservador.
TRATAMENTO
O objetivo do tratamento é tornar o PTC um pé
plantígrado, funcional e indolor. Com a técnica não
cirúrgica acredita-se na capacidade de produzir
deformação plástica e alongamento das estruturas
contraturadas, de forma progressiva, mediante as
propriedades viscoelásticas inerentes ao tecido
conjuntivo. A manipulação seguida de gesso deve ser feita
de forma seriada e é sempre o tratamento inicial,
existindo tendência de reservar o tratamento cirúrgico às
deformidades residuais.
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
Tratamento conservador
Entre as
diferentes
modalidades de
tratamento
conservador,
incluem-se a
massoterapia
fisioterápica
seguida pelo uso
de órtese,
manipulações
contínuas por
uma máquina
de mobilização
passiva e
manipulações corretivas seguidas pelo uso de gesso,
que é o método mais utilizado, por ser baseado na
experiência individual do profissional, pela praticidade
e pelo baixo custo. Em relação às técnicas de
manipulação seguidas por gesso, as mais utilizadas são a
de Kite e de Ponseti. A técnica de Kite preconiza a
correção das deformidades de forma sequencial e
inicia-se pela abdução do antepé, seguida da correção
do varo do calcâneo e, por fim, do equino. O gesso é
confeccionado e durante sua secagem é moldado
abduzindo-se o antepé e, com a outra mão, submete-se o
calcâneo a uma força em valgo na sua borda medial,
enquanto se realiza uma contrapressão próximo à
articulação calcâneo-cubóide. O tempo médio de uso do
gesso é de 22 meses e uma órtese noturna é utilizada até
os 10 anos. Kite relatou sucesso em até 95% dos casos;
entretanto, considera-se que os índices de sucesso com
esse método são muito variáveis, pois depende muito da
experiência pessoal. O bloqueio da articulação calcâneo-
cubóide arqueando-se o pé como se tentássemos
endireitar um fio curvo foi considerado por Ponseti o
“erro de Kite”, já que isso, na sua opinião, impede a
adequada eversão do calcâneo. Ponseti também utiliza
as manipulações seguidas por aparelho gessado
inguinopodálico, com trocas a cada cinco a sete dias. A
manobra visa corrigir simultaneamente o cavo, o varo
e a adução; porém, de forma inovadora e, a princípio,
aparentemente contraditória, inicia-se com a correção
do cavismo, produzindo ou exagerando a supinação,
“elevando” ainda mais o primeiro metatarso com o
polegar. A seguir, corrige-se a adução fazendo-se a
abdução e supinação dos dedos com contrapressão na
porção lateral da cabeça do tálus (redução da articulação
talonavicular). Dessa forma, a articulação calcâneo-
cubóide permanece livre, permitindo, depois, o
adequado posicionamento do calcâneo. O gesso longo,
cruropodálico, mantém o pé em rotação lateral. Após a
resolução da adução e do varo, inicia-se a correção do
equino; nesse momento, o pé deve estar abduzido até pelo
menos 60º. Em70% dos casos é necessária a tenotomia
percutânea do tendão calcâneo. São necessárias, em
média, oito a 10 trocas de gesso para que seja obtida a
correção completa do pé e, então, o tratamento continua
mediante o uso da órtese de Denis-Browne,
continuamente, pelos próximos três meses e no período
noturno até os três anos de idade de criança.
Tratamento cirúrgico
Somente quando não se
obtém a correção
satisfatória mediante o
tratamento com os métodos
conservadores, indica-se o
tratamento cirúrgico, que
visa a completa e imediata
resolução do quadro em um
único procedimento. Como
as deformidades residuais
são variáveis, cada pé tem
que ser cuidadosamente
estudado através do exame
físico e radiográfico. O
diagnóstico correto permite a realização de cirurgias a la
carte, ou seja, abordando-se apenas o necessário,
evitando-se as liberações excessivas. A hipercorreção
pode ser evitada pela preservação da porção anterior do
ligamento deltóide profundo e do ligamento interósseo
entre o tálus e o calcâneo. Além disso, deve-se ter cuidado
com a redução do navicular em relação ao tálus e com os
alongamentos dos tendões dos músculos tibial posterior e
do tendão calcâneo. As transferências tendinosas são
exclusivamente utilizadas em pés com deformidades
dinâmicas. A idade ideal para que a criança seja
submetida ao tratamento cirúrgico ainda é controversa;
contudo, acredita-se que o melhor momento esteja entre
os nove meses e um ano de idade ou quando o pé tiver o
tamanho igual ou maior que 8cm. Nessa fase, as estruturas
anatômicas são mais facilmente identificadas e o
subsequente início da marcha ajuda a evitar as recidivas
A abordagem cirúrgica mais utilizada é a circunferencial,
conhecida como via de Cincinnati, descrita por
Crawford et al. Outras possíveis abordagens são: a dupla
via de Carroll et al ou a oblíqua, póstero-medial, de Turco.
No nosso meio não é infrequente o diagnóstico tardio do
PTC inveterado, fazendo-se necessária a utilização de
procedimentos ósseos, como as osteotomias corretivas, a
talectomia, a artrodese tríplice modelante ou, ainda, a
correção progressiva mediante o emprego da técnica de
tração-osteogênese, utilizando-se o fixador de Ilizarov.
COMPLICAÇÕES
As complicações do tratamento conservador são
decorrentes do excesso de força (hiperpressão) e de
técnica inadequada durante a manipulação. Quando a
correção do equino é tentada antes da correção da
adução e do varo, pode instalar-se a deformidade em
“mata-borrão”. O excesso de pressão na superfície
articular pode ocasionar rigidez e deformidade. As
complicações inerentes ao tratamento cirúrgico são a
lesão do feixe vasculonervoso, a necrose de pele e a
infecção no trajeto dos pinos. Além dessas, podemos
encontrar deformidades residuais, recidivas em até 25%
dos casos, fraqueza muscular, hipercorreção e joanete
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
dorsal. A história
natural do PTC não
tratado é um pé
com deformidade
rígida, área de
apoio dorsolateral,
onde se forma uma
calosidade e os
pacientes
deambulam com
capacidade
funcional
semelhante à dos
com amputação do tipo Syme sem prótese. A
impossibilidade de usar sapatos convencionais pode
representar um fator de exclusão social. Advertência: o
ortopedista deve ter em mente, e sempre orientar os pais,
que mesmo um pé corretamente tratado nunca será um
pé absolutamente normal, permanecendo de tamanho
menor e quase sempre associado à atrofia da panturrilha.
Osteoartrose
A osteoartrose (OA), também chamada de osteoartrite, é
uma doença degenerativa das articulações sinoviais
(diartroses), caracterizada clinicamente por dor e
limitação funcional ("insuficiência articular"),
radiologicamente pela presença de osteófitos, redução
do espaço articular e esclerose do osso subcondral e,
histopatologicamente pela perda da integridade da
cartilagem articular – elemento alvo desse processo
mórbido. Ao contrário do que se pensava, a osteoartrose
não é uma consequência normal do envelhecimento, e
sim uma doença que depende da interação de fatores
genéticos, biomecânicos e metabólicos.
FATORES DE RISCO
A idade é o fator de risco mais importante. A partir dos 45
anos a prevalência de OA aumenta em progressão
geométrica, sendo bastante incomum antes disso. A
explicação mais aceita é que o grau de atividade
metabólica da cartilagem articular diminui
progressivamente com o passar do tempo. Em jovens, os
condrócitos respondem à estimulação mecânica
aumentando a síntese de matriz extracelular, e por isso a
cartilagem desses indivíduos é naturalmente mais
espessa e elástica. No idoso, o turnover da matriz
cartilaginosa se encontra reduzido e os condrócitos já
não respondem com a mesma eficiência aos estímulos
mecânicos, o que justifica uma cartilagem mais fina, com
maior propensão ao desgaste e lesão do osso subjacente.
A importância do sexo feminino para o risco de OA há
muito é conhecida. Mulheres idosas possuem risco
desproporcionalmente aumentado de OA em todas as
articulações! Acredita-se que a deficiência de
hormônios sexuais após a menopausa seja o principal
fator contribuinte. A predisposição genética parece ser
significativa somente em algumas articulações. Em
famílias com muitos membros afetados por OA do
quadril, foram identificadas mutações em genes
envolvidos com a secreção de matriz extracelular
pelos condrócitos (ex.: o alelo FRZB, cuja presença reduz
a síntese de proteínas da matriz cartilaginosa).
Acredita-se que o acúmulo de gordura corporal esteja
relacionado à maior circulação de algum fator
metabólico que predisponha a OA. De um modo geral,
pacientes obesos têm mais OA que os não obesos, além do
que a intensidade dos sintomas tende a ser maior nos
primeiros. A perda ponderal melhora o quadro clínico da
OA.
O desalinhamento anatômico da articulação (ex.: rotura
de menisco, ligamento, cápsula, fratura óssea com
incongruência das superfícies articulares), por levar a
um desequilíbrio de forças mecânicas intraarticulares
(com sobrecarga focal sobre a cartilagem), é um
importantíssimo fator na gênese da OA. Isso pode ser bem
exemplificado na doença de Legg-Calvé-Perthes
(osteonecrose da cabeça femoral na infância), na
displasia acetabular e no genu valgum ou genu varum
congênitos. Atividades profissionais e esportivas que
sobrecarregam determinadas articulações também
aumentam o risco. Assim se explica a maior prevalência
de OA em homens em relação às mulheres, quando
analisamos as faixas etárias abaixo dos 45 anos.
Certas doenças metabólicas sistêmicas, como a ocronose
e a hemocromatose (deposição nas cartilagens de ácido
homogentísico e ferro, respectivamente) também
favorecem o surgimento de OA por interferirem no
turnover da matriz cartilaginosa. Agora, a osteoporose e
o tabagismo apresentam correlação negativa com a OA,
como se fossem "fatores protetores". O mecanismo
fisiológico dessa associação "benéfica" ainda não foi
esclarecido.
PATOLOGIA
• Alterações da cartilagem: a osteoartrose é uma doença
caracterizada pela perda progressiva da cartilagem
articular. Alterações típicas podem ser facilmente
percebidas através de artroscopia ou analisando-se o
corte longitudinal de uma peça anatômica. Nas fases
iniciais, percebe-se uma irregularidade da superfície
cartilaginosa, que chamamos de fibrilação. Com o avanço
do processo, surgem fendas e erosões na cartilagem
articular, tipicamente com distribuição focal (áreas com
sobrecarga de peso); elas evoluem para o desnudamento
do osso subcondral, que aparece como uma superfície
branca e polida, semelhante ao marfim (eburnação). Ao
corte da peça anatômica, observa-se redução da
espessura da camada cartilaginosa, que pode
desaparecer por completo em certos locais. A cartilagem
possuialterações em sua composição, tornando-se mais
hidratada e com menor quantidade de proteoglicanas
(condromalacia). Na sua porção mais superficial há
perda de condrócitos, enquanto na zona mais profunda,
adjacente ao osso, existem focos de regeneração celular.
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
• Alterações do osso subcondral: a injúria
microtraumática permanente ao osso subcondral
estimula os osteoblastos a sintetizarem matriz óssea,
justificando o achado da esclerose óssea. Algumas
regiões do osso desnudo, por absorverem as altas
pressões do espaço articular, sofrem necrose
provocando a formação de cistos subcondrais. Os
osteófitos já podem ser formados desde as fases iniciais
da OA, pelo processo de regeneração cartilaginosa, que
se encontra acentuado na doença, porém, predominando
em regiões não expostas a altas pressões (bordos das
cartilagens). Com a invasão da cartilagem neoformada
por vasos sanguíneos, ocorre ossificação secundária.
Assim, os osteófitos são prolongamentos
osteocartilaginosos encontrados nas margens da
articulação acometida, e são achados característicos da
OA.
• Sinovite: o termo "osteoartrite" pode ser utilizado no
lugar de "osteoartrose" justamente pela existência de
sinovite em casos avançados. Contudo, a inflamação da
sinóvia na OA não é tão acentuada como nas artrites
inflamatórias (artrite reumatoide, espondiloartropatias,
colagenoses, artrite por depósito de cristais, artrite
infecciosa, etc.). Acredita-se que seja decorrente à
liberação de múltiplos fragmentos ósseos e
cartilaginosos que se desprendem de uma superfície
articular altamente degenerada. Esses fragmentos
eventualmente são visualizados na artroscopia. Casos
avançados também se acompanham por formação de
cristais microscópicos de fosfato e pirofosfato de cálcio
dentro do líquido sinovial. Acredita-se que tais cristais,
por induzirem a liberação de enzimas proteolíticas e
citocinas, participem no processo inflamatório crônico
que acompanha a OA "terminal".
PATOGÊNESE
Classificamos a osteoartrose como primária ou
idiopática (de causa desconhecida) – que possui alguns
padrões articulares clássicos e representa o grupo mais
frequente – e secundária, causada por trauma,
malformações anatômicas, doenças congênitas (ex.:
Legg-Calvé-Perthes), osteonecrose, endocrinopatias
(hipotireoidismo, acromegalia) e distúrbios metabólicos
(ex.: hemocromatose, doença de Wilson, ocronose).
Os condrócitos, apesar de viverem em um tecido
avascular (a cartilagem), são células ativas, que numa
situação normal possuem metabolismo extremamente
lento. Eles são os responsáveis pela síntese da matriz
cartilaginosa, composta por fibras de colágeno tipo II,
ácido hialurônico e proteoglicanas. Os próprios
condrócitos também produzem enzimas capazes de
degradar as macromoléculas dessa matriz – as
metaloproteinases. Três são as principais: colagenase,
gelatinase e estromelisina. Fisiologicamente, o balanço
entre síntese e degradação da matriz cartilaginosa é
mantido na medida em que a atividade dessas
proteinases é regulada por inibidores fisiológicos
locais, tais como o TIMP (inibidor tecidual de
metaloproteinases).
Na osteoartrose, por sua vez, o balanço é NEGATIVO: a
degradação é maior do que a síntese. Além disso, na
tentativa de reparar o dano, os condrócitos sintetizam
macromoléculas diferentes (ex.: colágeno tipo X),
inadequadas para a composição do tecido
cartilaginoso normal. Uma série de citocinas
produzidas pelas células da sinóvia contribui para esse
desequilíbrio, especialmente interleucina-1 e TNF-alfa
(mediadores próinflamatórios), capazes de inibir a
síntese de proteoglicanas e estimular a ação das
metaloproteinases. Hoje em dia sabemos, por exemplo,
que o estresse biomecânico pode tornar os condrócitos
mais sensíveis à ação do TNF-alfa e da IL-1. Contudo, a
patogênese da osteoartrose ainda não foi totalmente
elucidada: como se dá, no corpo humano, a verdadeira
inter-relação entre fatores genéticos, metabólicos,
biomecânicos e inflamatórios.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
A maioria dos pacientes com sinais radiológicos de OA
não apresenta sintomas. O motivo é que as fases iniciais
da doença (onde se encontra um grande número desses
indivíduos) são caracterizadas por lesão restrita à
cartilagem articular, um tecido insensível à dor.
Ademais, a intensidade dos sintomas não possui relação
direta com o grau de OA na radiografia! As articulações
mais acometidas pela OA são a primeira
metatarsofalangiana ("hálux valgo"), as interapofisárias
(coluna vertebral), Interfalangianas Distais (IFD) e
Proximais (IFP), carpometacarpiana do primeiro
quirodáctilo (polegar), os joelhos e o quadril. Outras
articulações também podem ser envolvidas, como os
cotovelos. Curiosamente, as Metacarpofalangianas
(MCP) não são tipicamente afetadas (ao contrário da
artrite reumatoide), assim como a articulação do
tornozelo (exceto em formas secundárias de OA – por
exemplo: pós-trauma).
O principal sintoma da OA é a dor articular, precipitada
ou piorada pelo uso da articulação. A dor começa
segundos ou minutos após o início do movimento,
podendo permanecer por horas após o repouso. Tem
um caráter tipo "aperto" ou "constrição".
Eventualmente é desencadeada pelo próprio peso do
corpo sobre a junta. Com o tempo, até cerca de 50% dos
pacientes passam a referir dor em repouso e 30%
apresentam dor noturna que pode dificultar o sono. Mas
de onde vem a dor da OA? Seu mecanismo depende de
vários fatores, tais como: (1) instabilidade articular,
levando ao estiramento de ligamentos e da cápsula
articular, ambas estruturas muito sensíveis à dor; (2)
pressão intraóssea elevada, principalmente na placa
subcondral, secundária à inflamação (vista na RM como
edema de medula óssea); (3) sinovite; (4) dor muscular; (5)
síndromes periarticulares secundárias – bursite,
tenossinovite.
Além da dor, o paciente pode se queixar de rigidez
articular desencadeada pelo repouso. Ao contrário da
rigidez matinal típica das artrites inflamatórias (que
persistem > 1h), a rigidez matinal da OA não dura mais
do que 30min (geralmente apenas alguns minutos).
Queixas de "insegurança" e instabilidade articular
também são frequentes (ex.: joelho). Muitos pacientes
passam a, literalmente, ter medo de deambular! Outros
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
referem perda da
amplitude de
movimento da
articulação
acometida, sendo
impedidos de
realizar
determinadas
tarefas (ex.: amarrar o sapato, no caso da OA de quadril).
Em fases avançadas, pode haver limitação funcional
grave e incapacitante, sendo necessário o tratamento
cirúrgico. A fraqueza e atrofia dos músculos
periarticulares são achados comuns, explicados pelo
desuso da articulação. Essa fraqueza contribui para a dor
da OA, por aumentar a instabilidade articular, forçando
os ligamentos e tendões.
O exame físico do
paciente revela
dados sugestivos. A
articulação
acometida
tipicamente
apresenta um
ligeiro aumento de
volume, de
consistência firme,
com pontos
dolorosos periarticulares. Normalmente, não há sinais
de derrame articular. A movimentação passiva pode
ser dolorosa e apresentar crepitações audíveis ou
palpáveis. Nos casos mais avançados, é comum a
presença de deformidade articular. Também ocorre
limitação do movimento passivo independente da dor.
Sinais francos de instabilidade articular podem ser
observados.
Eventualmente, o
paciente possui
evidências de
sinovite leve a
moderada, com
muita dor à
movimentação,
edema, aumento
da temperatura e
discreto derrame
articular.
Denominamos esses casos "OA inflamatória", cuja
abordagem terapêutica será um pouco diferente. É
importante afastar outras causas de artrite que podem
ocorrer em pacientes com OA, especialmente a
pseudogota(depósitos de cristais de pirofosfato de
cálcio) e a artrite séptica. Na dúvida, uma artrocentese
deverá ser realizada! O conceito de que a OA é
invariavelmente progressiva é incorreto. Em vários
pacientes, ocorre esta bilização da doença. Alguns
pacientes experimentam regressão da dor articular e até
mesmo das alterações radiográficas.
Dois importantes sinais podem ser facilmente
percebidos no paciente com OA das mãos. Os nódulos de
Heberden consistem numa expansão firme de osso
recoberto de cartilagem, que se torna proeminente
sobre o dorso das articulações interfalangianas distais.
Os nódulos de Bouchard são aumentos semelhantes aos
de Heberden, porém localizados sobre as articulações
interfalangianas proximais. Esses nódulos são, na
verdade, osteófitos palpáveis, quase patognomônicos de
OA (especialmente os de Heberden).
ACHADOS RADIOLÓGICOS E DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da OA é
feito através da história,
exame clínico e exame
radiológico. Agora
vamos rever os
principais achados da
OA na radiografia. O
encontro de alguns
desses achados
associados a um quadro
clínico compatível
sugere fortemente o
diagnóstico da OA!
A gravidade da OA também pode ser estimada pelos
sinais radiológicos. Uma redução muito acentuada ou
perda do espaço articular e a presença de cistos
subcondrais (decorrentes de necrose focal do osso) são
sinais de OA grave. O colapso do osso subcondral é um
evento terminal.
Outros exames de imagem podem auxiliar na avaliação
do paciente com OA. A tomografia computadorizada é
superior à radiografia convencional na avaliação da
articulação do ombro. A ressonância nuclear magnética é
o exame de escolha para o diagnóstico de várias
condições associadas à OA: rotura de menisco, rotura do
ligamento cruzado, osteonecrose, lesão do manguito
rotador do ombro, etc. Este exame também pode nos
fornecer dados sobre a composição da cartilagem
articular.
• Exame do líquido sinovial: o derrame articular
da OA é do tipo não inflamatório, com menos de
2.000 leucócitos por mm3 , predominando as
células mononucleares, com glicose normal.
• Exame de sangue: as provas de atividade
inflamatória (hemograma, VHS, proteína C-
reativa) estão caracteristicamente normais na
OA, bem como o FAN e o fator reumatoide. Em
idosos, podemos encontrar FR positivo em
baixos títulos, mas tal achado se correlaciona
com a idade avançada do paciente, e não à
presença de um processo inflamatório
autoimune.
QUADRIL
Alguns autores citam que a OA de quadril é mais comum
no sexo masculino, e outros dizem que não há diferença
entre os sexos. A literatura não confirma uma relação
com a obesidade, porém, mostra associação negativa com
a osteoporose. Na maioria das vezes, o comprometimento
é unilateral. Existem três tipos anatômicos de OA de
quadril:
1. superolateral (60% dos casos), mais comum no
sexo masculino;
2. inferomedial (25%), mais comum no sexo
feminino; e
3. concêntrico (15%), mais comum no sexo
feminino.
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI
Cerca de 20% dos casos de OA de quadril são
secundários a patologias previamente reconhecidas
(displasia acetabular, doença de Legg-Calvé-Perthes,
deslocamento congênito do quadril, diferença de
comprimento entre os membros inferiores). O restante
compõe o grupo da OA de quadril "primária". Todavia,
atualmente se acredita que grande parte dos casos de OA
de quadril primária seja, na verdade, decorrente de
defeitos congênitos mais sutis, como uma displasia
acetabular não identificada na infância, que por conta da
incongruência entre as superfícies articulares leva a um
desgaste acelerado da cartilagem, manifestando-se como
OA na vida adulta. Seja como for, o principal sintoma é a
dor à deambulação, referida na nádega, na virilha, na
coxa ou até mesmo no joelho (25% dos casos). A dor
normalmente piora com a rotação interna da coxa. A
rigidez articular acaba por dificultar tarefas do
cotidiano, como amarrar os sapatos. Para o diagnóstico,
pelo American College of Rheumatology, o paciente deve
apresentar dor no quadril (critério obrigatório)
associada a, pelo menos, dois dos critérios abaixo:
• VHS < 20 mm/h;
• Osteófitos no RX (acetabular ou femoral);
• Redução do espaço articular no RX.
Nos casos graves, ocorre colapso da cabeça femoral, com
redução do membro inferior afetado e dor refratária. A
rotação interna (medial) é o primeiro movimento a ser
perdido nos casos com incapacidade funcional. Existe
um grupo de pacientes que apresenta uma evolução
rápida e desastrosa, tornando-se incapacitado após
alguns poucos anos, necessitando precocemente de
artroplastia do quadril. Contudo, acredita-se que a
maioria dos pacientes com OA de quadril tenha uma
evolução insidiosa, com períodos longos de estabilidade.
REFRÊNCIAS:
MERLLOTTI MH, BRAGA SD, S C. Pé torto congênito. Rev
Bras Ortop. 2006. 137-44.
HEBERT, Sizínio K. et al. Ortopedia e traumatologia:
princípios e prática. 5.ed. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
1651. p.
Isadora Pedreira- Problema 03, Modulo XXI