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Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -1 26.05.21 Tumores pulmonares NÓDULO PULMONAR Nódulo: opacidade circular de diâmetro menor que 3cm. Massa pulmonar: lesão arredondada ou ovoide com diâmetro acima de 3cm. É muito comum. Um achado que pode ser visto em pacientes que vem por uma outra razão, fazendo exame. Em raio-x, principalmente. A diferença de nódulo e massa é o tamanho apenas. Ápice pulmonar. Nódulos. Massa ocupando praticamente todo o terço superior do pulmão direito. NÃO É MAIS NÓDULO, É MASSA! QUAIS OS FATORES IMPORTANTES NA AVALIAÇÃO DE UM NÓDULO? • Idade (malignidade mais comum acima de 40 anos); • História de tabagismo; • Doenças pulmonares coexistentes; • Tamanho; • Contornos; • Conteúdo; Temos a obrigação de tratar o máximo possível de informações sobre o achado da imagem. O câncer de qualquer região (pulmonar, bexiga, estomago, intestino, mama) é mais comum que ocorra acima de 40 anos de idade. Está se descobrindo mais o câncer, a incidência está aumentando porque a população está envelhecendo. É comprovado que existe um risco maior de surgimento de câncer de pulmão em pacientes com história de tabagismo, do que em pacientes que não são tabagistas. Sendo assim, a abordagem de pacientes tabagistas é diferente da abordagem de pacientes não tabagistas. O tabagista é um paciente de risco. A tuberculose continua sendo uma doença com alta taxa de incidência no Brasil, podendo cursar com nódulo pulmonar. Por isso, é preciso pesquisar se o paciente já não tem uma patologia pré-existente, porque a chance de o nódulo estar atribuído a essa doença deve ser considerada. Podemos nos arriscar a avaliar o tamanho, contorno e conteúdo dos nódulos em uma radiografia. Quando é um nódulo denso na radiografia podemos aferir que é calcificado, as vezes é pouco denso podemos aferir que é não-calcificado. Quanto ao conteúdo, tem uma baixa especificidade para definir. QUAL A MELHOR FORMA DE AVALIAR UM NÓDULO? • O melhor método é a TC; • Quase sempre se inicia com radiografia simples; A TC deve sempre ser realizada quando estamos diante da situação de avaliação de conteúdo de nódulo, podendo ser melhor evidenciada. Pela TC podemos ver se é homogeneamente calcificado, se as calcificações têm alguma característica peculiar, se contém gordura... são aspectos que ajudam a estabelecer um diagnóstico. Nódulo com conteúdo de gordura é um hamartoma pulmonar, que é um nódulo pulmonar primário mais comum que existe, é benigno. Dessa forma, é possível tranquilizar o paciente. Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -2 QUAIS AS VANTAGENS DA TC? • Definição da forma e dos contornos da lesão; • Avaliação da atenuação; • Mais sensível para calcificações; • Mais sensível para gordura; • Uso de contraste (impregnação); • Definição de acesso para biópsia; O mais importante é a avaliação da densidade!!!! O contorno é um critério adicional, porém, não é tão importante quanto o conteúdo. Se for calcificação homogênea por exemplo, é benigno. Nódulos inflamatórios também podem impregnar, então não é um critério que vai definir uma conduta. Através da localização do nódulo na TC, se faz uma punção percutânea com agulha que vai até o interior do nódulo (guiado pela TC visualizando o nódulo e a agulha), e então retira o material para biópsia sem que o paciente necessite fazer uma toracotomia. NÓDULO PULMONAR SÓLIDO Calcificação • Gordura (hamartoma – benigno); • Broncograma aéreo (nódulo maligno, como o câncer bronquíolo alveolar e o adenocarcinoma); • Sólido com vidro fosco periférico (63% de malignidade); A presença de um nódulo sólido que contém broncograma aéreo no interior, é um nódulo suspeito. Dependendo da condição clínica do paciente, precisa ser biopsiado. Nódulo sólido com vidro fosco é preocupante, não que seja patognomônico de câncer, mas é altamente sugestivo. Estabilidade do tamanho acima de dois anos é muito provável a benignidade. Exemplo: paciente chega no consultório com raio-x e apareceu um nódulo. Perguntamos se o paciente fez um raio-x de tórax anteriormente, e ele refere que sim, há 4 anos. Nesse exame de 4 anos atrás, já havia a presença de um nódulo de tamanho igual. Nesse caso, é um sinal que o nódulo não cresceu em 4 anos. Concluímos então, que se trata muito provavelmente de um nódulo benigno. Agora, se esse mesmo paciente traz uma radiografia atual com um nódulo de 2cm. E no exame do ano passado tinha um tamanho de 0,05cm. A conclusão é que esse nódulo cresceu muito, mais do que quadruplicou em apenas um ano. • Espiculada (maligno); • Lobulada (intermediário); • Bem delimitada (benigno e metástases); Imagem nodular, com espículas, contornos lobulados e se estende para junto da superfície pleural (sinal ruim). A TC visualiza nódulos com muita facilidade e consegue dar informações que a radiografia não consegue, principalmente relacionado com a densidade do nódulo. NÓDULO PULMONAR SUB-SÓLIDO Estabilidade do tamanho acima de 5 anos é muito provável benignidade. • Adenocarcinomas; • Hiperplasia adenomatosa; • Inflamatório; o Fúngicas o Granulomatosas o Infecções pulmonares Hiperplasia adenomatosa é uma lesão não maligna por si, mas que pode ser responsável por esse tipo de achado. Nesse caso de nódulo sub-sólido, é necessário levantar a hipótese de ser maligna, pois ele pode se tornar maligno ao longo prazo. Por isso, é necessário acompanhar. Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -3 Nódulo em vidro fosco (componente sólido dentro da lesão), podendo ser critério para estabilidade do nódulo e servindo como critério pare ressecção. • Achado incidental de nódulo pulmonar em pacientes acima de 35 anos. • Relaciona os fatores de risco com o tamanho do nódulo. • Reduz o número de exames “follow up” • Facilita as decisões de conduta. • Não se aplica em pacientes com câncer primário conhecido com risco de metástases, ou em pacientes imunocomprometidos com risco de infecção. TAMANHO BAIXO RISCO ALTO RISCO <6mm - Controle 12 meses 6-8mm TC 6 a 12 meses 18-24 meses TC 6-12 meses 18-24 meses >8mm TC 3 meses ou PETCT TC 3 meses ou PETCT ou Biópsia TABELA RELACIONADO A NÓDULO SÓLIDO, E NÃO SUB-SÓLIDO. Alto risco: tabagista. O paciente que tem maior idade, tem naturalmente maior risco de ter um câncer, e esse câncer pode ser não necessariamente do pulmão, como também em outros locais. Por isso, pacientes > 40 anos é recomendado que entre no critério de alto risco por pelo menos 12 meses. Baixo risco: sem histórico de tumor; não-tabagista. TC em 3 meses é principalmente para ver se o nódulo não desaparece, principalmente quando falamos em nódulos sub-sólidos. Nódulos maiores que 8mm podem ser tumores ou lesões inflamatórias (tuberculose, lesão fúngica, Histoplasmose...) e isso evita que o paciente seja submetido a uma biopsia. Alguns pacientes não gostam de ficar fazendo acompanhamento e preferem retirar o nódulo de uma vez. Nódulo de 4mm é muito comum, e é preciso tranquilizar o paciente que o risco de ser câncer é muito raro, então antes de se submeter a uma biopsia ou cirurgia, fazer o controle por 6 meses-1 ano. 09 DE JUNHO PET-CT • Alta sensibilidade na captação de lesões (95%); • Baixa especificidade (81%); • Falso positivo nas doenças granulomatosas (tuberculose, sarcoidose); • Falso negativo em lesões menores que 10 mm e nas lesões de baixo grau de malignidade. Equipamento que há TC e um aparelho de medicina nuclear. A medicina nuclear é um método que utiliza radiação ionizante. O paciente entra em um equipamento (gama câmara) e é injetado uma solução (radiofármaco) por uma veia periférica e tem como finalidade de se impregnar nas lesões tumorais e inflamatórias. Existem vários tiposde radiofármacos. Onde houver lesão aquilo vai “brilhar”. A vantagem do PET-CT é que ele nos mostra uma boa relação anatômica e mostra se naquela determinada estrutura (linfonodo, osso, parênquima...) capta o radiofármaco. Câncer de pulmão: alguns tipos de adenocarcinomas e carcinomas bronquioloalvelares não há impregnação do radiofármaco muitas vezes. A especificidade não é muito alta para diferenciar, por exemplo, um tumor de uma tuberculose. Nódulo na ponta da seta. A cintilografia mostra a área correspondente a radiografia que capta o radiofármaco. Método muito sensível, se tem lesão, ele capta. PET-CT: une a TC com a cintilografia. Lesão perihilar superior a direita. Câncer pulmonar. Método de alta sensibilidade. Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -4 Paciente com câncer de pulmão, para ver se o paciente tem metástase, o PET-CT é um bom método. Se tiver lesão brilhando em osso, linfonodo, no fígado, a probabilidade que essas lesões sejam metástases da neoplasia primária é muito grande. Se eu tenho um paciente com nódulo pulmonar, para saber se ele é benigno ou maligno, não é tão simples pelo PET-CT. Falso negativo e positivo é grande nesses casos. Não é um método muito eficaz para diferenciação de lesões pulmonares inflamatórias de lesões pulmonares neoplásicas. Não serve para rastreamento para tumor de pulmão. QUE OUTRAS LESÕES FOCAIS PODEM SE APRESENTAR COMO NÓDULOS? • Linfoma; • Carcinoma bronquioloalveolar; • Pneumonia lipoídica; • Pseudolinfoma; • Cistos congênitos; • Sequestros intrapulmonares; • Atelectasia redonda; • Infarto pulmonar; • Impactação mucoide; • Fístulas arteriovenosas; • Abscessos; • Micetomas. O fato de ter um nódulo no pulmão, não significa que é um câncer. ESTADIAMENTO • Vantagens e utilidades da T.C; • TNM; • Auxiliar na decisão se o tumor é operável e se a opção é a lobectomia ou pneumectomia. • Pesquisa de nódulos satélites. • Pesquisa de metástase a distância. Paciente com uma massa na radiografia com alta suspeita de que seja câncer. Submete-se o paciente a uma avaliação com o cirurgião torácico, esse médico vai querer um exame que o informe qual a relação dessa lesão com as estruturas adjacentes (se já é uma lesão com alto estadiamento – com invasão de estruturas adjacentes, infiltração, metástase, linfonodomegalias). Avalia que a lesão tem relação com estruturas vasculares do mediastino, presença de linfonodomegalias adjacentes a lesão. Informações fundamentais para o cirurgião torácico realizar a cirurgia. Outro método que pode ajudar muito é a RNM. Auxilia no estadiamento, principalmente quando a lesão toca em estruturas da parede torácica, da coluna vertebral, do mediastino... Dessa forma, a TC e RNM são valiosos para o estadiamento. OUTROS SINAIS RADIOLÓGICOS DOS TUMORES PULMONARES Nem sempre a lesão é diretamente visível no exame radiológico. Existem sinais radiológicos que podem dar pistas que existe uma lesão pulmonar como um tumor. 1. Elevação ou depressão do hilo pulmonar; 2. Convexidade hilar; 3. Perda dos limites do mediastino; sinal de obliteração das silhuetas do mediastino; 4. Atelectasia; 5. Broncopneumonia persistente (pode simular uma pneumonia); 6. Derrame pleural. Projeção de carcinoma broncogênico central, causando elevação do hilo esquerdo (A) e do hilo direito (B). Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -5 Alteração na convexidade do hilo. Cuidar com contornos lobulados nos hilos pulmonares. Hilo direito muito mais proeminente do que o hilo esquerdo – aspecto lobulado (IMAGEM B). Projeção de carcinoma broncogênico central, causando depressão do hilo direito. Hilo irregular, mais denso que o usual. Irregularidade do contorno do hilo, rebaixamento do hilo direito. Inversão da altura dos hilos. Esses sinais podem ser vistos nos tumores pulmonares. Opacidade produzindo convexidade em hilo direito, associada a reação pleural ipsilateral (metástase). Abaulamento da convexidade do hilo pulmonar direito. Nesse caso, a incidência perfil não ajuda muito: QUAIS OS PRINCIPAIS TIPOS DE NEOPLASIAS PULMONARES MALIGNAS? 1. Carcinoma broncogênico; 2. Carcinoma bronquioloalveolar; 3. Tumores neuroendócrinos; 4. Metástases pulmonares. CARCINOMA BRONCOGÊNICO Tipo central de carcinoma broncogênico, com possível comprometimento pleural e obliteração (hemorrágica) do seio costofrênico esquerdo. Abaulamento significativo da convexidade do hilo pulmonar esquerdo. Presença de derrame pleural. Derrame pleural em paciente de risco: pensar em tumor. Tipo periférico de carcinoma broncogênico em pulmão esquerdo: Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -6 Densa consolidação em ápice D (tumor de Pancoast). Terço superior direito há uma opacidade. O QUE É SINDROME DE PANCOAST? Tumor de ápice pulmonar que invade tecidos adjacentes (parede torácica, vasos, coluna, plexos). Tríade clínica: • Dor no braço ipsilateral; • Atrofia dos músculos da mão; • Síndrome de Claude – Bernard – Horner (enoftalmia, ptose, miose e anidrose). Pulmão esquerdo: normal. Pulmão direito: presença de massa no ápice pulmonar. A RNM consegue identificar muito bem a anatomia das estruturas (vasculares, plexo nervoso, musculatura, parte óssea. Quando há uma lesão, como tumor de pancost, é muito importante para o cirurgião torácico saber se a lesão acomete o corpo vertebral... Nessa imagem a lesão invade o corpo vertebral. Não há possibilidade de operar esse paciente. Grande lesão expansiva. Radiografia de carcinoma bronquialveolar – forma consolidativa difusa. Consolidação do espaço aéreo ocupando o terço inferior do pulmão direito com presença de broncograma aéreo. Hipótese mais provável: pneumonia. Porém, se aparecer um paciente emagrecido, tabagista, queda do estado geral, tosse crônica (história mais arrastada) → TUMOR. É FUNDAMENTAL AVALIAR O QUADRO CLÍNICO COM A RADIOLOGIA. A imagem é de uma consolidação do espaço aéreo (pneumonia, tumor, infarto, hemorragia...). Bruna Altvater Saturnino XLII – 2021.1 -7 TC de carcinoma bronquioalveolar – aparenta uma pneumonia. Presença de broncograma aéreo. METÁSTASE Incidência de metástases pulmonares associadas a vários tumores primários (Wriss e Gilbert): • Cariocarcinoma 70 – 100%; • Tumores testiculares 70 – 80%; • Melanoma 60 – 80%; • Sarcoma de Ewing 77%; • Osteossarcoma 75%; • Hipernefroma 60 -75%; • Linfoma Hodgkin 50 – 70%; • Carcinoma tireoide 65%; • Carcinoma mama 60%; • Tumor de Wilms 60%; • Rabdomiossarcoma 55%. Paciente feminina, provavelmente com câncer de mama. Padrão multinodular. Fundamental: identificação do padrão morfológico da radiografia. Diversos nódulos. LINFANGITE CARCINOMATOSA Permeação de células tumorais nos linfáticos do interstício pulmonar. Radiografia: − Imagens reticulares e lineares, incluindo linhas de Kerlet A e B; − Em 50% dos casos há derrame pleural; − Pode haver pequeno hemotórax. O tumor pulmonar, assim como o linfoma e carcinoma de mama, podem infiltrar no sistema linfático. Apresentação dessa infiltração do sistema linfático no exame de imagem: espessamento do interstício pulmonar. Dentro do septo interlobular passam linfáticos e vênulas, quando há um espessamento dos septos do interstício pulmonar pode haver uma situação congestiva, inflamatória ou neoplásica (linfangite carcinomatosa). Espessamento septal. Infiltração linfática do interstício.