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IST E VULVOVAGINITES

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início do tratamento (idealmente, no 
primeiro dia de tratamento), uma vez que os títulos podem 
aumentar significativamente se o tratamento só for iniciado 
após alguns dias de diagnóstico. Isso é importante para 
documentação da titulação no momento do início do 
tratamento e servirá como base para o monitoramento 
clínico. A persistência de resultados reagente em não 
treponemicos após o tratamento adequado e com queda 
prévia da titulação em pelo menos duas diluições, quando 
descartada nova exposição de risco durante o período 
analisado, e chamada de “cicatriz sorológica” (sorofast) e 
não caracteriza falha terapêutica. 
Critérios de retratamento de sífilis: reativação ou reinfecção 
Muitas vezes, é difícil distinguir entre reinfecção, reativação 
e cicatriz sorológica, sendo fundamental a avaliação da 
presença de sinais e sintomas clínicos novos, da 
epidemiologia (reexposição), do histórico de tratamento 
(duração, adesão e medicação utilizada) e dos exames 
laboratoriais prévios, para facilitar a elucidação diagnóstica. 
São critérios de retratamento e necessitam de conduta ativa 
do profissional de saúde: 
Ausência de redução de titulação em duas diluições no 
intervalo de 6 ou 12 meses (tardia) após tratamento 
adequado. OU. Aumento da titulação. OU. Persistência ou 
recorrência de sinais e sintomas clínicos. 
HERPES GENITAL 
HSV-1 e HSV-2 provocam lesões ulcerosas em qualquer parte 
do corpo, há predomínio do tipo 2 nas lesões genitais e do 
tipo 1 nas lesões periorais. Sintomáticas. Período de 
incubação médio de 6 dias. 
Caracterizada pelo surgimento de lesões eritemato-
papulosas de um a três milímetros de diâmetro, que 
rapidamente evoluem para vesículas sobre base 
eritematosa, muito dolorosas e de localização variável na 
região genital. O conteúdo dessas vesículas e geralmente 
citrino, raramente turvo. Pode ser acompanhado de 
manifestações gerais. Linfadenomegalia inguinal dolorosa 
bilateral está presente em 50% dos casos. 
Após a infecção genital, o HVS ascende pelos nervos 
periféricos sensoriais, penetra nos núcleos das células dos 
gânglios sensitivos e entra em um estado de latência. 
Após a infecção genital primária por HSV-2 ou HSV-1, 
respectivamente, 90% e 60% dos pacientes desenvolvem 
novos episódios nos primeiros 12meses, por reativação viral. 
Essa reativação deve-se a quadros infecciosos, exposição à 
radiação UV, traumatismos locais, menstruação, estresse 
físico ou emocional, antibioticoterapia prolongada e/ou 
imunodeficiência. 
O quadro clínico das recorrências pode ser precedido de 
sintomas prodrômicos característicos, como prurido leve ou 
sensação de “queimação”, mialgias e “fisgadas” nas pernas, 
quadris e região ano genital. 
Apresentam-se como vesículas agrupadas sobre base 
eritematosa, que evoluem para pequenas úlceras 
arredondadas ou policíclicas. As lesões tem regressão 
espontânea em sete a dez dias, com ou sem cicatriz. A 
tendência natural dos surtos é se tornarem menos intensos 
e menos frequentes com o passar do tempo. 
Diagnóstico: clínico. 
 
Tratamento 
Primo-infecção: aciclovir 200mg, 2 comprimidos, VO 3x ao 
dia, por 7-10 dias. OU. Aciclovir 200mg, 1 comprimido, VO 5x 
ao dia por 7-10 dias. Iniciar o tratamento mais precocemente 
possível. O tratamento pode ser prolongado se a cicatrização 
estiver incompleta após 10 dias de terapia. 
Recidiva: aciclovir 200mg, 2 comprimidos, VO 2x ao dia por 
5 dias. 
Tratar parceiros. 
Gestantes: tratar o primeiro episódio em qualquer trimestre 
da gestação, conforme o tratamento para o primeiro 
episódio. O tratamento com antivirais é eficaz para redução 
da intensidade e duração dos episódios, quando realizado 
precocemente. O tratamento local pode ser feito com 
compressas de solução fisiológica para higienização das 
lesões. Analgésicos orais podem ser utilizados, se necessário. 
É recomendado retorno em uma semana para reavaliação 
das lesões. É importante mencionar que não há associação 
entre herpes simples genital e câncer. 
CANCROIDE 
Causada pelo Haemophilus ducreyi. Também chamada de 
cancro mole, cancro venéreo ou cancro de Ducrey, cavalo e 
cancroide. O período de incubação é geralmente de 3 a 5 
dias, podendo se estender por até 2 semanas. O risco de 
infecção é de 80% durante o ato sexual. Acredita-se que a 
infecção ocorra por múltiplas microabrasões epidérmicas 
durante o coito. 
As lesões são dolorosas, geralmente múltiplas e devidas a 
auto inoculação. A borda é irregular, apresentando 
contornos eritemato-edematosos e fundo heterogêneo, 
recoberto por exsudato necrótico, amarelado, com odor 
fétido, que, quando removido, revela tecido de granulação 
com sangramento fácil. 
Geralmente se localizam na fúrcula e face interna dos 
pequenos e grandes lábios. 
30 a 50% dos pacientes, a bactéria atinge os linfonodos 
inguino-crurais (bubão). No início, ocorre tumefação sólido 
e dolorosa, evoluindo para liquefação e fistulização em 50% 
dos casos, tipicamente por orifício único. 
 
Diagnóstico: nenhum método de identificação possui uma 
sensibilidade adequada. 
Exame físico: o achado de úlcera dolorosa com adenopatia 
inguinal dolorosa é bastante sugestivo e quando evolui para 
supuração. 
Microscopia de material corado pela técnica de coloração 
de Gram: visualização de bacilos Gram-negativos típicos, de 
tamanho pequeno, agrupados em correntes dos tipos 
“cardume de peixes”, “vias férreas” ou “impressões digitais” 
em material coletado das ulceras genitais. Coleta de material 
biológico; coleta de exsudato seroso da base da lesão, livre 
de eritrócitos, outros organismos e restos de tecido. 
Segundo CDC (2015), o diagnóstico presuntivo de cancro 
mole é definido por: - Presença de uma ou mais lesões 
ulceradas. – Ausência de evidência do T. pallidum em exame 
de campo escuro ou teste sorológico (este realizado após 7 
dias do aparecimento da lesão). – Aspecto da úlcera e da 
linfodenopatia regional característicos do cancroide. – Teste 
negativo (PCR, cultura) para herpes-vírus na lesão ulcerada. 
Tratamento: azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, DU. 
Alternativa: ceftriaxona 250mg IM dose única OU 
ciprofloxacino 500mg, 1 comprimido, VO 2x ao dia por 3 dias. 
O tratamento sistêmico deve ser acompanhado de medidas 
locais de higiene. O tratamento dos parceiros sexuais é 
recomendado, mesmo quando assintomáticos. 
LINFOGRANULOMA VENÉREO (LGV) 
Também conhecido como mula, bubão climático, 
linfogranuloma inguinal. Causado por Chlamydia trachomtis, 
sorotipos L1, L2 e L3. A manifestação clínica mais comum é a 
linfadenopatia inguinal e/ou femoral, já que esses sorotipos 
são altamente invasivos aos tecidos linfáticos. Período de 
incubação é de 3-21 dias. 
É doença infecciosa sistêmica e crônica cujos principais 
efeitos resultam em dano ao sistema linfático de drenagem 
da infecção. 
3 FASES – A evolução da doença ocorre em três fases: 
inoculação, disseminação linfática regional e sequelas, que 
são descritas a seguir: 
Fase de inoculação – inicia-se por pápula, pústula ou 
ulceração indolor, que desaparece sem deixar sequela. 
Muitas vezes, não é notada pelo paciente que raramente é 
observada pelo profissional de saúde. Localiza na parede 
vaginal posterior, colo uterino, fúrcula e outras partes da 
genitália. 
Fase de disseminação linfática regional – na mulher, a 
localização da adenopatia depende do local da lesão de 
inoculação. A adenite pode evoluir em nódulos inguinais 
superficiais dolorosos ou bulhões que frequentemente 
rompem a pele com exsudação de descarga purulenta. A 
supuração e fistulação por orifícios múltiplos (bico de 
regador) é característica. 
Fase de sequelas – durante essa fase, a obstrução linfática 
crônica é responsável pelo edema característico da genitália 
externa. A lesão da região anal pode levar a proctite e 
proctocolite hemorrágica. O contato orogenital pode causar 
glossite ulcerativa difusa,