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PUBERDADE Transição entre infância e vida adulta. É um período que promove a maturidade reprodutiva da criança. É marcada por transformações físicas e psíquicas. É caracterizada pelo aparecimento dos caracteres sexuais secundários e pela aceleração do processo de crescimento (estirão). Tudo se inicia no hipotálamo, a partir da liberação do GnRH, este irá estimular a adeno-hipófise (hipófise anterior). Ela, então, vai produzir as 2 gonadotrofinas – LH e FSH. Ao serem produzidas, elas serão liberadas na corrente sanguínea e ao chegar aos ovários, vão estimular a produção de estrogênio. Esse será o “maestro da puberdade”, pois estimulará o crescimento, aumento mamário e mudará a distribuição de gordura corporal. O estrógeno será responsável por enviar um feedback ao hipotálamo, que vai variar de acordo com sua concentrações . Ex: Estrogeno = Feedback positivo no hipotálamo e aumento de liberação de GnRH -> LH eFSH Nos primeiros 1 a 2 anos após a menarca, esse controle não está bem estabelecido – o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano ainda é um eixo imaturo – resultando em irregularidade menstrual. Não existe alguma explicação que comprove o funcionamento inicial/gatilho da hipófise para entrar no processo de puberdade. As teorias existentes referem como os gatilhos: -Fatores genéticos; -Localização geográfica; -Nutrição melhorada; -Ingestão de pesticidas; A paciente sai da puberdade quando ela começa a ter ciclos regulares ovulatórios. Com intervalos entre 21 e 35 dias. Inicialmente, as gonadotrofinas são liberadas durante o sono, mas com o fim da puberdade, elas passam a ser liberadas de forma diurna. O LH é o primeiro que aumenta ao estímulo do GnRH. Ele tem uma pequena resposta inicialmente, que aumenta gradativamente com a sua liberação. ->Fases/Marcos da puberdade 1º MARCO: É o estirão de crescimento , que é promovido por uma ação conjunta de estrogênio, hormônio do crescimento e o fator de crescimento insulina símile. *Na verdade, o estrogênio é o que será principal. Além de crescer, a criança também ganhará peso e vai ter uma alteração do percentual e distribuição de gordura corporal. Ex: acúmulo de gordura em região do quadril. O estirão de crescimento dura em torno de 2-3 anos. Chegando a crescer 9-10 cm/ano. E após a menarca, provavelmente já passou esse período mais evidente do crescimento, então a menina passará a ter uma velocidade mais reduzida de crescimento. Existe uma fórmula da estimar a altura-alvo da criança *em centímetros 2º MARCO – Telarca A mama começa a se diferenciar da mama infantil – cerca de 2 anos antes da menarca. Então é necessário que a paciente seja avaliada. *Quando ocorre a menarca é o estágio M4, geralmente. 3ºMARCO – Pubarca Crescimento de pelos pubianos e axilares. Além desses pelos, a criança também começa a apresentar um cheiro diferente, devido ao desenvolvimento das glândulas sebáceas. Com a ativação das glândulas suprarrenais, a produção das glândulas sebáceas começa a ter um cheiro diferente. E nesse período também surge a acne, pois as suprarrenais são responsáveis pela produção de androgênios. *P4 menarca. ->Menarca · Idade média: 12,6 anos / 10-11 anos É TPM = Estirão/Telarca/Pubarca/Menarca - essa é a sequencia normal O estirão se mantem durante todos os marcos. #PUBERDADE PRECOCE Antes dos 8 anos. |--> Pode ser classificada em: · Central | Puberdade precoce verdadeira · Periférica | Pseudo puberdade precoce Geralmente é uma condição benigna. Diagnóstico relativamente comum. ->Puberdade precoce central É idiopática em 80% dos casos. Não tem uma causa identificável entre os exames. -É um diagnóstico de exclusão, visto após ser analisado outras causas. Causas: · Tumor de SNC · Hidrocefalia · Infecção (meningite) · Anomalias congênitas · Traumas mecânicos A puberdade precoce central obedece os marcos, mas tem um padrão mais lento ou mais acelerado, varia. ->Puberdade precoce periférica Apresentação clínica variável, pois não segue os marcos. Sem ordem esperada. -Causa: ovariana, hiperplasia suprarrenal, tumor suprarrenal, hipotireoidismo, iatrogênica. As vezes, o ovário pode produzir estrógeno, mesmo sem estímulo das gonadotrofinas. Observar paciente, pois pode ser que o hipotálamo seja estimulado e se inicie uma puberdade verdadeira com padrão mais acelerado. ->Precocidade Sexual isolada É quando acontece desenvolvimento/estímulo mamário, de pelos pubianos até a própria menarca sem ter ativação do eixo e sem se tratar de um caso de puberdade precoce. É um evento isolado e autolimitado. A paciente deve ser acompanhada para saber se haverá a ativação do eixo. Diagnóstico diferencial: hiperplasia adrenal congênita. ->Telarca isolada Pode ser bilateral ou unilateral. Comum em 2 anos. Monitorar se houve alguma mudança, além da telarca. ->Menarca precoce Rara. Não teve nenhum marco prévio. Causa: Sensibilidade endometrial exagerada ao estrogênio. “A menina não possui nem um caractere sexual secundário e menstrua” Essas pacientes possuem um endométrio mais responsivo ao estrógeno. Além disso, a paciente deve ser acompanhada para saber se haverá o desenvolvimento de algum caractere sexual. #PUBERDADE PRECOCE -Diagnóstico: clínico. -Saber se existe histórico familiar. -Avaliar caracteres sexuais: mamas, pelos, pubianos, axilares, peso, altura, IMC, idade estatural. -Em caso de suspeita de puberdade precoce central solicitar: · LH e FSH (se tiver entrado na puberdade deve-se encontrar uma relação maior que 1) · Se o paciente tem LH>0,6 é indicativo de ativação do eixo; · Estradiol (se 10 é compatível com a puberdade); · LH após estímulo GnRH; *Hipotireoidismo: TSH e T4 livre *Hiperplasia adrenal congênita: Testosterona e 17-hidroxiprogesterona *Tumor de Suprarrenal (TU de adrenal): S-DHEA e Androstenediona *Tumor Ovariano ou hepático: HCG Avaliar idade óssea pelo RX da mão e punho do lado não dominante. Verificando os centros de ossificação em cada mão. Se houver 2 ou + desvios de padrão é indicativo que a paciente entrou em período de estirão de crescimento. · USG pélvica e abdominal: observa tamanho de útero e ovários. Se no USG for visto ovários com volume acima de 1 cm3 é indicador que esses ovários estão sendo estimulados. Se for visto tumor, avalia-se com RM ou TM. TTO Objetivos: Tratar a causa base. Se idiopática: interromper os caracteres sexuais secundários. Diminuir o impacto/prejuízo na estatura final. Diminuir risco de abuso sexual. Prevenir distúrbios emocionais. Para o tratamento é necessário definir se é uma puberdade periférica ou central. Porque a medicação para puberdade precoce vai bloquear o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, tendo benefícios para os casos centrais. O tratamento vai se basear em agonistas do GnRH. Ele se ligará ao receptor hipotalâmico do GnRH e com isso impedirá que o GnRH verdadeiro se ligue em seus receptores – bloqueando-os. Será um agonista com efeito antagonista. É uma medicação que pode ser feita mensalmente ou trimestralmente. Ex: · Leuprorrelina *mais usada · Goserelina · Triptorelina Usar a medicação até a fusão das epífises ou até ter uma idade cronológica normal para o desenvolvimento da puberdade (12 anos de idade óssea). PUBERDADE TARDIA Diz-se que uma pessoa esta em puberdade tardia quando: - Ausência de telarca ao 13 anos; - Ausência de pubarca aos 14 anos; - Amenorreia aos 16 anos; CLASSIFICAÇÃO - Hipogonadismo hipognadotréofico; - Hipogonadismo hipergonadotréofico; - Atraso constitucional; HIPOGONADISMO HIPOGONADOTRÓFICO - Nesse tipo os valores de FSH, LH, estrogênio, vão está em valores pré-puberais; CAUSA: - Tumor ou lesão do SNC (Ex: Tumor na hipófise produtor de prolactina); - Deficiência isolada de gonadotrofinas (a paciente não produz gonadotrofinas); - Desnutrição e anorexia (a produção de hormônios é necessário a presença de gordura); - Hipotireoidismo; - Atividade física excessiva e estresse intenso; - Sindrome de Kalman (a paciente anosmia ou hiposmia, e não tem produção de LH e FSH); HIPOGADISMO HIPERGONADOTRÓFICO - Nesse tipo há pouca produção de estrógeno;- Porém tem muito LH e FSH; - Disfunção gonadal congênita ou adquirida CAUSAS COMUNS: - Sd Tunner; - Radioterapia e Quimioterapia; - Ooforite autoimune; ATRASO CONSTITUCIONAL - Mais comum; - Tem muita relação com a história familiar, os valores das gonadotrofinas (LH e FSH) vão estar normais; - Retardo global no desenvolvimento (altura, idade óssea e desenvolvimento puberal normais) - Causas mais comuns: - Fatores familiares; - Doenças crônicas e desnutrição; DIAGNÓSTICO - Clínico - Exames complementares: - FSH e LH ( Que pode está normal, aumentado ou diminuído); - Outros: prolactina, TSH e androgênios; - Cariótipo; - Idade Óssea; - Ultrassonografia (malformação na genitália interna); - RMN e TC (SNC); - SINDROME ROKITANSKY MAYER - A paciente agenesia dos ductos de muller; - Os ductos de muller são responsáveis por formar tubas, útero e os dois terços superiores da vagina; - Com isso, nessa síndrome a paciente não vai ter as tubas uterinas, útero e dois terços superiores da vagina, porém tem todos os outros caracteres sexuais secundários; - Ela não vai menstruar nunca; - SÍNDROME DE MORRIS - O cariótipo de 46 XY; - A paciente tem insensibilidade as gonadotrofinas masculinas, adquirindo fenótipo feminino; TRATAMENTO DA PUBERDADE TARDIA Objetivos: - Induzir e ou manter o desenvolvimento puberal; - Promover adequado crescimento; - Adequação física e emocional ao seu grupo etário; - A reposição estrogênica é feita em 3 fases: estimula o desenvolvimento mamário, e mantem essa estrogenização até que ela menstrue, depois de 3 anos faz a reposição com progesterona;