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Constituição Tributária dos Negócios

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extinção de pessoa”. Essa regra de imunidade não se aplica ao “caso de a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil”.
É preciso lembrar que uma operação não precisa ter o nome de contrato de compra e venda de imóveis ou de cessão de direitos reais pra se sujeitar ao ITBI. Outra coisa importante é que as transmissões de imóveis podem estar ligadas ao Imposto de Renda. 
Imposto sobre propriedade predial e territorial urbana - Para a atividade empresarial, esse tributo não apresenta desafios tão especiais. É um tributo que pode incidir sobre o valor venal do imóvel, ou seja, o valor de mercado, embora em regra as avaliações municipais estejam abaixo desse valor. Sua apuração pode envolver alíquotas (percentuais) a depender do uso e da localização, de modo que um Município pode optar por tributar de modo mais elevado imóveis comerciais. Pode também ser usado como instrumento de política para incentivar o uso de imóveis que não estejam cumprindo com a função social da propriedade.
Base legal: art. 156, § 1º, Leis Municipais.
Além dos impostos, relevantes contribuições especiais afetam a vida dos empresários, administradores e gestores. Principais contribuições que são devidas pelas empresas e seus respectivos fatos geradores:
Contribuições Sociais - é um gênero que abrange diversas contribuições cujo principal escopo é financiar a seguridade social (art. 195).
Nessa categoria temos as Contribuições Previdenciárias Patronais – CPP, o PIS e a COFINS, e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido. 
A CPP incide sobre remuneração (contraprestação pelo trabalho prestado), não abrangendo parcelas indenizatórias pagas ao prestador. Atualmente, para alguns setores específicos da economia, é possível apurar a CPP com base na receita bruta (Lei nº 12.546/2011). 
Essa contribuição nasce da necessidade de financiamento conjunto da cobertura do risco do acidente de trabalho e, ainda, como um mecanismo extrafiscal de redução dos ônus referentes aos benefícios decorrentes de tais acidentes (art. 22, inc. II, da Lei nº 8.212/1991). Também incide sobre remunerações, mas seu percentual varia de acordo com o maior ou menor risco trabalhista envolvido.
Base legal: art. 195, inc. I, CF, Lei nº 8.212/1991.
A Contribuição ao PIS/COFINS tem por base a receita ou o faturamento. Esses tributos incidem também na importação quando adquirem o nome de PIS/COFINS-importação.
Base legal: art 195, inc. I, CF, Lei nº 10.637/2002, Lei nº 10.833/2003, Lei nº 10.865/2004
Contribuições ao sistema e salário-educação - contribuições cuja finalidade principal é financiar uma finalidade específica, seja as entidades do Sistema S (Senai, Senac, Sebrae etc.), seja a educação. Sua base de cálculo atual é o total das “paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social”. cuidado que deve ser tomado é a não inclusão na base de apuração desses tributos de parcelas pagas como indenização.
Base legal: Art. 149, CF, Lei nº 8.706, de 14 de setembro de 1993.
(Unidade 2) – Tema 1 – Gestão dos Tributos
· Reconhecendo o valor da justiça no âmbito da tributação
Murphy sustenta que “A propriedade privada é uma convenção legal, definida em parte pelo sistema tributário (...)”.
A redução da desigualdade, a promoção de um ambiente de maiores oportunidades, na verdade é parte essencial de uma sociedade mais justa e livre. O que está longe de significar que a alta tributação brasileira seja legítima nos termos que há. Especialmente porque sua desorganização, complexidade, importa em dificuldades para empreendedores de todos os portes.
Entre 2004 e 2014, a Carga Tributária Brasileira variou entre 32,06% e 33,78% do PIB. Sendo que nos anos de 2013 e 2014 esses dados não são diferentes dos dados de países desenvolvidos.
Temos um sistema tributário cuja complexidade gera insegurança ao empresário, mesmo quando ele deseja fazer a coisa certa.
Não temos dúvidas que pagar tributos é um dever de cidadania vinculado aos custos coletivos de nossa vida em sociedade; consideramos que a tributação pode ter um papel importante na redução das desigualdades sociais; compreendemos que um rearranjo no sistema tributário de modo a criar clareza e incentivar a livre iniciativa também é fundamental. Todos esses são caminhos para um sistema mais justo.
· Entendendo o fato gerador de Impostos
É necessário entender como se forma a relação jurídico-tributária, ou seja, o vínculo entre o Sujeito Ativo (quem pode exigir a obrigação tributária), o Sujeito Passivo (quem deve cumprir a obrigação) e a própria obrigação.
Hipótese de incidência - abstração legal de um fato, ou seja, é aquela situação descrita na lei cuja previsão é abstrata, tratando-se, pois, de uma “hipótese” que poderá vir a ocorrer no mundo dos fatos, e que, uma vez realizada, se concretiza como fato gerador.
Fato gerador - pode ser considerado como o fato efetivamente realizado, materializado; realização concreta de um comportamento descrito na norma, cuja observação faz nascer uma obrigação jurídica, bem como define juridicamente a natureza do tributo.
Se o valor é recebido como distribuição de lucros, ele é isento do IR e não é considerado remuneração pelo trabalho, logo, não há como haver a exigência desses tributos (acréscimo patrimonial -IR / remuneração pelo trabalho – Contribuição Previdenciária do Segurado). Se é uma parcela de restituição de um empréstimo que o sócio fez à empresa, não se encaixa o fato à hipótese, de modo que não há fato gerador (poderia haver IOF se a operação fosse entre duas pessoas). Apenas se o pagamento foi feito como pró-labore é que haverá a incidência dos referidos tributos.
Fisco + Hipótese de Incidência = Fato Gerador
Organizar suas operações e negócios com clareza pode ser fundamental para a demonstração da ocorrência (ou não) do fato gerador. No exato momento em que o fato gerador ocorre nasce a obrigação tributária. é necessário torná-la palpável, quantificá-la ou seja: torná-la líquida e certa. A obrigação tributária tornada líquida e certa (ou seja, com valor específico) é chamada de crédito tributário.
Tributação e o Exercício do Objeto Social - O objeto social de uma empresa (aquilo que ela põe no mercado à disposição para Consumo) tradicionalmente se divide em três hipóteses: o comércio (ICMS), a indústria (IPI) e prestação de serviços (ISSQN).
O desenho adequado de determinado negócio, com medidas preventivas, pode evitar a criação de passivo tributário.
Os três tributos citados anteriormente são, via de regra, recolhidos por quem vende, seja o serviço, seja a mercadoria, seja o serviço. Nesse último caso é comum que a lei crie o dever e retenção na fonte, caso o tomador do serviço seja pessoa jurídica – mas os detalhes devem ser observados na legislação de cada município.
ICMS e IPI tem um outro elemento em comum que deve ser levado em cuidadosa atenção: são tributos não cumulativos, característica que visa evitar a incidência em cascata (tributo incida sobre tributo)
Quanto às alíquotas, é preciso que se preste atenção especial às seguintes situações:
· O IPI tem milhares de alíquotas distintas para cada enquadramento de produto industrializado. O enquadramento indevido gera possibilidade de revisão pelo Fisco e cobrança retroativa;
· No caso do ICMS, as alíquotas são definidas por cada Estado. E, no caso das operações interestaduais, poderá ser necessário trabalhar com a alíquota do Estado de Destino;
· No caso do ISSQN, as alíquotas variam menos, mas é preciso tomar cuidado para não se seduzir pela alíquota do Município vizinho, quando a lei lhe imputa o recolhimento no Município x. Ainda que nem sempre seja claro se você deve recolher para x ou para o vizinho
A incidência de ICMS e de IPI é, em regra, plurifásica (ocorre em todas as etapas de um processo produtivo). Na incidência plurifásica, de medidas não forem tomadas, temos um sistema cumulativo de exigência do tributo.
Uma alíquota de ICMS fixa de 10%; o produtor de insumos cria um produto de valor